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capa tech 123a.

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a revista do engenheiro civil


téchne 123 junho 2007

www.revistatechne.com.br

apoio
IPT techne
Edição 123 ano 15 junho de 2007 R$ 23,00
BAUMA 2007
Máquinas
do futuro
■ Pan 2007 ■ Gruas ■ Drywall ■ Texturas acrílicas ■ Bauma ■ Casa eficiente ■ Tirantes ■ Gestão ■ Contenções

COMO CONSTRUIR
ENTREVISTA
Tirantes
Ivan Joppert fala
sobre fundações
e contenções
GRUAS
Opções para
içar cargas
CONTENÇÕES
Soluções
de reforço

Estádio
João Havelange
00123

A polêmica obra do Pan 2007 deve ser


concluída a um preço seis vezes maior. O fato
9 77 0 1 04 1 0 50 0 0
ISSN 0104-1053

ofusca, mas não esconde boas soluções de


engenharia e instalações modernas
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SUMÁRIO
CAPA
44 Estádio João Havelange
As polêmicas obras realizadas para os
Jogos Pan-americanos de 2007

56 CONTENÇÕES
Terra firme
As técnicas para reforço de encostas
e taludes

60 ARTIGO
Construtoras e subempreiteiras:
quem ganha e quem perde?
Pesquisadores alertam para o risco
excessivo das terceirizações
Fotos: Marcelo Scandaroli

77 COMO CONSTRUIR
Tirantes
Como atirantar paredes-diafragma
e taludes

32 SUSTENTABILIDADE
Vitrine de tecnologias
Universidade e laboratórios juntam-se
para criar a Casa Eficiente
SEÇÕES
36 RECUPERAÇÃO Editorial 4
Contra-ataque químico Web 8
20 As obras de reparo da estrutura de uma
usina de álcool
Área Construída
Índices
10
12
ENTREVISTA IPT Responde 14
Fundação prática 40 GRUAS Carreira 16
Consultor critica prazos de obras Plano de cargas Melhores Práticas 18
de fundações e aponta riscos Como escolher o equipamento para P&T 66
içar materiais Obra Aberta 72
26 FEIRAS Agenda 74
Show de máquinas 52 DRYWALL
Confira os destaque da Bauma, Placa verde Capa
a maior mostra de equipamentos Como executar o fechamento das áreas Layout: Lucia Lopes
do mundo úmidas ou molháveis Foto: Marcelo Scandaroli

2 TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007

É parte integrante desta revista uma amostra da manta tipo III da Denver
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EDITORIAL
Como queremos ser encarados?
VEJA EM AU
uditoria do Tribunal de Contas da União aponta que uma
A única obra dos Jogos Pan-americanos, a do Estádio João
Havelange, será concluída a um preço seis vezes maior do que o
orçado. Dos R$ 60 milhões previstos inicialmente, o valor da obra
saltou para R$ 380 milhões. Além de identificar vários problemas
no orçamento geral do Pan, o relatório do TCU alerta para outras
conseqüências: os prazos poderão comprometer testes dos
equipamentos e até prejudicar competições. O objetivo de Téchne  Casa de Marcio Kogan,
em São Paulo
ao publicar na capa desta edição a obra mais emblemática do Pan
 Como Especificar:
2007 foi desvendar a tecnologia por trás da polêmica. Não divisórias piso–teto
podemos, entretanto, ignorar a frustração da sociedade brasileira  Internacional: Hotel
Indigo, no Chile, de
com o atraso e o estouro do orçamento previsto. Com um Sebastián Irarrázaval e
Salão do Móvel de Milão
exemplo desses na cartola (ou seria de cartolas?), devemos nos
aventurar a organizar uma Copa do Mundo em 2014? O evento VEJA EM CONSTRUÇÃO
no Rio de Janeiro trará inegavelmente benefícios para a cidade e MERCADO
ficará marcado pela emoção do esporte. Além disso, ninguém
mais do que a indústria da construção anseia, necessita, precisa e
deve lutar por obras como as do Pan 2007. Não se trata, portanto,
de bloquear iniciativas saudáveis para o setor. A questão é o preço
que pagamos. Não bastam os relatos de "buracos do metrô",
"operações navalhas" e outros decepcionantes episódios de nossa
história recente? Cada uma dessas tristes novelas carrega
particularidades intrínsecas, falhas de naturezas díspares e
 Aquecimento global
interesses difusos. Revelam, entretanto, muito de nossos vícios e  Energia eólica
de nossa frágil estrutura como Nação. Há centenas de milhares de  Green building
 Crédito de carbonos
engenheiros e profissionais da construção que não toleram mais  Marcio Fortes, ministro
das Cidades
serem encarados pela sociedade com desconfiança. Daí a
necessidade de nossas lideranças se comprometerem com um
profundo sentido de mudança ética. Não só dos outros. Mas,
principalmente, de cada um de nós.

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´
techne
Vendas de assinaturas, manuais técnicos, Fundadores: Roberto L. Pini (1927-1966), Fausto Pini (1894-1967) e Sérgio Pini (1928-2003)
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Segunda a sexta das 9h às 18h Diretor Geral
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techne
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Confira no site da Téchne fotos extras das obras, plantas e informações que complementam conteúdos
publicados nesta edição ou estão relacionados aos temas acompanhados mensalmente pela revista

Jogos Pan-americanos
Além do Estádio João Havelange, a cidade do Rio de Janeiro ganhou novos
Fórum Téchne
equipamentos esportivos. No site da revista, confira mais fotos da Arena Olímpica O recebimento de comissão para
Multiuso e do Parque Aquático Maria Menck. Veja também a planta baixa de um dos a especificação de materiais
prédios da Vila Pan-americana e o design que permite a ventilação de todos os (reserva técnica) é um
ambientes das unidades. procedimento correto?
Não, não é uma prática correta, mas
como fazer se cada vez mais a
ignorância é predominante no
mercado, com empresários,
construtores dando nenhum valor ao
trabalho de projeto?
AC Arquitetura e Consultoria Ltda.
23/05/2007 11:57

O que o engenheiro deve fazer


se a sua empresa utilizar
produto fora de norma
ou realizar procedimento
Marcelo Scandaroli

construtivo não recomendado?


Como já mencionaram
anteriormente ele deve avisar a
empresa que existem outros
produtos semelhantes, porém
autorizados e assim esperar a
Métodos de contenção substituição do material a tempo.
Veja no site da Téchne alguns dos Caso a empresa ignore sua iniciativa
principais métodos de contenção ele deve avisar os órgãos
de taludes. Ao todo são apresentados competentes. O que ele não deve é
16 sistemas, com ficha técnica responder por negligência.
Divulgação: Macaferri

resumida das características de Marcelo Novelli


cada um, aplicação, vantagens 17/05/2007 16:37
e cuidados de execução. Todos
os métodos são ilustrados. Técnicos de edificações e
tecnólogos devem
coordenar obras?
Divulgação: Bauma 2007/Messe München/Alex Schelbert

Vou postar minha opinião em forma


Bauma 2007 de pergunta. Deve o enfermeiro ou
Téchne acompanhou a maior feira de auxiliar de enfermagem realizar um
máquinas e equipamentos do mundo, a procedimento cirúrgico? Acredito
Bauma, realizada em Munique no mês de que o problema não é poder ou não
abril. Além dos equipamentos destacados e sim que todos tenham o devido
nesta edição, o leitor poderá conferir reconhecimento do importante
muito mais no site, como gruas, papel que exercem dentro do
plataformas elevatórias, guinchos e outros contexto geral.
equipamentos para construção civil, David Américo Fortuna Oliveira
pavimentação e mineração. 22/05/2007 06:43

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ÁREA CONSTRUÍDA
Segunda fase da recuperação da ponte Hercílio Luz Vidro laminado vira
Um dos cartões postais de Florianó- isolante e verniz para piso
polis (SC), a ponte Hercílio Luz está de madeira
sendo recuperada e deverá ser liberada Pesquisa desenvolvida na Escola
para trânsito de veículos em 2010. Em Divulgação: Secom Santa Catarina Politécnica da USP mostrou ser possível
setembro começa a segunda fase das transformar resíduos de vidro laminado
obras, que prevê duas etapas de execu- em material para tratamento de
ção paralelas – a reabilitação das fun- madeiras. Com a separação do vidro e
dações e blocos de ancoragem e a troca do filme de PVB (polivinil butiral) que
do sistema de fundação do vão pênsil. compõem o laminado, foi possível
Os trabalhos irão garantir a perma- utilizá-los como matérias-primas na
nência da estrutura, descartando ris- lhões. Já estão prontas as obras na ca- produção de verniz e de isolante para
cos de desabamento. As obras, que de- beceira insular, que incluem a reforma pisos. A engenheira Isabella Marini
verão durar até o início de 2009, têm o da estrutura metálica, recuperação de Vargas, que desenvolveu o processo em
custo estimado em cerca de R$ 80 mi- peças (jateamento e pintura) e substi- seu doutorado, conta que o material,
lhões. A primeira fase da recuperação tuição de rebites. Os mesmos traba- rejeitado pela indústria vidreira, teria
da Hercílio Luz será entregue em ou- lhos estão agora em execução na parte como destino aterros sanitários. "O PVB
tubro e teve um custo de R$ 21 mi- continental em direção ao vão central. levaria 500 anos para ser decomposto e
o vidro é praticamente indestrutível",
explica. O isolante foi obtido a partir da
Fórum de compradores aborda negociação, diluição em álcool do filme de PVB e sua
posterior mistura a outros materiais. A
TI e qualidade solução substituiu algumas resinas no
Realizado no final de maio na região serviços, além de cases de construtoras, processo de fabricação do isolante. Na
central de São Paulo, o "Fórum Com- foram os principais assuntos aborda- composição do verniz, o vidro entrou no
pras & Negociação na Construção dos no evento, organizado pela PINI, lugar do óxido de alumínio – substância
Civil" reuniu cerca de 200 diretores, com apoio das revistas Téchne e Cons- importada e cara. Os isolantes são
executivos, gerentes e profissionais de trução Mercado. Palestrantes convida- aplicados na madeira virgem para
compras e suprimentos de constru- dos: Maria Célia de Moraes Bourroul melhorar a flexibilidade das próximas
toras de diversas regiões do País. Es- (Bourroul Consultoria), Maria An- demãos de verniz que serão aplicadas
tratégias inovadoras de negociação, gélica Covelo Silva (NGI), José Pires sobre ela e devem ter alta aderência ao
tecnologia da informação, processos Alvim Neto (PINI), Márcio Grigolon material. As camadas de verniz são
de qualificação e relacionamento com (Construtora Cyrela), David Antonio responsáveis, além do brilho, pela
fornecedores de materiais, sistemas e Nonno (Sinco Engenharia). resistência à abrasão da madeira.

Trecho sul do Rodoanel começa a ser construído


Começou em maio a construção do Odebrecht/ Constran (lote 2), Quei- faixa de segurança de 1 m, acosta-
trecho sul do Rodoanel Mario Covas, roz Galvão/CR Almeida (lote 3), Ca- mento de 3 m, e um canteiro central
em São Paulo. Orçada em R$ 2,58 bi- margo Corrêa/ Serveng (lote 4) e gramado de 11 m de largura.
lhões, a nova rodovia terá 61,4 km de OAS/Mendes Júnior (lote 5). O tre-
Divulgação: Dersa

extensão e vai atravessar sete municí- cho sul será uma rodovia de classe
pios paulistas. Oito frentes de traba- zero – de alta velocidade, com poucos
lho estão operando nos cinco lotes acessos e tráfego controlado em toda
correspondentes aos consórcios que a extensão. Terá pista dupla, com três
atuam na obra – Andrade Gutier- ou quatro faixas de tráfego em cada
rez/Queiroz Galvão (lote 1), Norberto sentido, com 3,6 m de largura cada,

10
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Congresso discute exame de ordem para Construção do século 17


profissionais da construção será restaurada em SP
Exame de ordem para engenheiros Construídos no século 17 em taipa de
civis, arquitetos e as demais profissões pilão, a igreja e o convento do Largo
regulamentadas pelo sistema. Esse é São Francisco, tombados como Patri-
um dos principais assuntos que serão mônio Histórico pelo Condephaat
debatidos de 15 a 18 de agosto no 6o (Conselho de Defesa do Patrimônio
Congresso Nacional de Profissionais Histórico, Arqueológico, Artístico e

Marcelo Scandaroli
do Sistema Confea/Crea, no Rio de Turístico do Estado de São Paulo),
Janeiro-RJ. Outro ponto polêmico a passarão por obras de restauração. O
ser abordado durante o evento refere- projeto é estimado em R$ 2,5 milhões
se à proposta da formação universitá- e receberá investimentos da Nossa
ria genérica em Engenharia, com dades e faculdades "que seguissem de- Caixa e do BNDES (Banco Nacional
opção de especialização nas áreas terminados critérios e diretrizes apro- de Desenvolvimento Econômico e So-
Civil, Mecânica, Ambiental, de Ali- vadas pelo Sistema Confea/Crea para a cial). A restauração contempla traba-
mentos etc. De acordo com o assessor formação dos alunos". A utilização da lhos de reparo nas estruturas do pré-
da presidência do Confea, Argemiro modalidade de pregão eletrônico para dio, a instalação de um novo sistema
Mendonça, "percebe-se um ambiente a contratação de serviços de engenha- de iluminação e a adequação do espa-
favorável para a adoção de um exame ria e arquitetura por órgãos públicos ço para deficientes, com a instalação
de ordem, capaz de filtrar a concessão constitui outro assunto polêmico que de elevadores e rampas de acesso. A
do registro para novos profissionais". ganhará espaço no congresso, assim construção receberá também trata-
Em recente fórum online no site como a eleição direta para os repre- mento contra a ação de cupins, águas
www.revistatechne.com.br, promovi- sentantes dos profissionais nos conse- pluviais e umidade ascendente. A área
do pela PINI, engenheiros civis, arqui- lhos regionais. Hoje, entidades profis- total a ser recuperada é de 8,9 mil m²,
tetos e tecnólogos dividiram opiniões sionais e instituições de ensino são res- entre fachada externa, paredes, forros,
sobre o tema. Uma alternativa ao ponsáveis pela indicação. Mais infor- telhados e imagens.
exame a ser discutida, segundo Men- mações: www.confea.org.br; fone:
donça, seria a certificação de universi- (61) 3348-3700; fax: (61) 3348-3739.

Tijolo é produzido com


Projeto avalia revestimentos de fachada rejeitos siderúrgicos e
petroquímicos
Um projeto de longo prazo está sendo materiais. Estão sendo testadas arga-
realizado na UFF (Universidade Fede- massas preparadas no canteiro de Um tijolo ecológico foi desenvolvido na
ral Fluminense) para avaliar o desem- obras e argamassas industrializadas. Coordenação de Programa de Pós-
penho dos revestimentos utilizados No acabamento final são analisados graduação em Engenharia da UFRJ
nas fachadas prediais. Durante dez tintas e texturas, materiais cerâmicos e (Universidade Federal do Rio de
anos, uma equipe multidisciplinar pedras ornamentais. Nas superfícies Janeiro). O material é produzido a partir
composta por pesquisadores enge- das vigas que servem de apoio às pare- de sobras de processos siderúrgicos e
nheiros e arquitetos vai analisar os efei- des são estudados hidrofugantes e ver- petroquímicos – como ferrugem
tos do sol, vento, chuva, poluição e ma- nizes acrílicos, revestimentos proteto- formada na laminação lingotamento do
resia nos materiais de construção.Uma res específicos para o concreto armado aço, resíduos de craqueamento do
estação experimental foi montada a aparente.A coordenação é da professo- petróleo e rejeitos de operações de
céu aberto no campus da UFF na Praia ra Regina Helena Ferreira de Souza, do mineração –, compostos que agem
Vermelha, em frente à Baía de Guana- Departamento de Estruturas e Funda- como aglutinantes e agregados.
bara (RJ). Inspiradas em um trabalho ções da UERJ e pesquisadora da Escola Segundo Liliana Fay, que pesquisou o
semelhante do LNEC (Laboratório de Engenharia da UFF, e do professor produto em seu trabalho de doutorado,
Nacional de Engenharia Civil), ligado de Materiais de Construção da UFF, o tijolo pode ser usado até três horas
ao governo português, as instalações Ivan Ramalho de Almeida. após a mistura dos componentes, que é
brasileiras possuem dez paredes cons- feita à temperatura ambiente em
Divulgação: Quartzolit Weber

truídas de forma a receber a maior in- moldes plásticos. O encaixe dos tijolos é
cidência dos ventos e das chuvas domi- do tipo macho-e-fêmea e dispensa
nantes na região. São paredes de alve- argamassa de assentamento. A
naria de tijolos cerâmicos e de blocos resistência final do produto é
de concreto, acabadas com diferentes adquirida após três dias.

11
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ÍNDICES
Alta em maio Índice PINI de Custos de Edificações (SP)
Variação (%) em relação ao mesmo período do ano anterior
Reajustes salariais elevam custos das 35
edificações em São Paulo IPCE materiais
30 IPCE global
m maio, o IPCE (Índice PINI de
E Custos de Edificações) registrou
alta de 3,09%, impulsionada pelo au-
25
IPCE mão-de-obra

mento dos custos de mão-de-obra,


20
conforme pesquisa realizada pela
PINI junto às construtoras. Com isso,
15
de acordo com o Índice Global, cons-
truir em São Paulo ficou em média
4,00% mais caro nos últimos 12 10 8 8 8
6,12 8 8 7
7
meses. Mesmo assim, o percentual é 7 7 7 7 7 7 7 6 6 6 6
5,31
5,72 6 6 6 6 6 6 6 6 5 6 6
inferior à alta registrada pelo IGP-M 5 6 5 5
5,28 5 4,00
no período, de 4,40%, índice pesquisa- 2,55
do pela Fundação Getúlio Vargas. 0
Mai/06 Jul Set Nov Jan Mar Mai/07
O custo/hora de pedreiro subiu de
R$ 3,38 para R$ 3,56, equivalente a
Data-base: mar/86 dez/92 = 100
5,33% de aumento. O aumento para
Mês e Ano IPCE – São Paulo
os serventes ficou próximo, 5,30%,
global materiais mão-de-obra
passando de R$ 2,83 para R$ 2,98/h.
Mai/06 109.352,73 52.161,98 57.190,76
Alguns materiais também sofreram
jun 110.471,04 53.280,28 57.190,76
reajuste, como o fio isolado em PVC,
jul 110.411,03 53.220,27 57.190,76
que devido a uma instabilidade no
ago 110.432,28 53.241,52 57.190,76
preço do cobre apresentou variação de
set 110.443,36 53.252,61 57.190,76
10,84%, o maior reajuste do mês. O
out 110.677,85 53.487,10 57.190,76
preço do rolo de 100 m saltou de R$
nov 110.937,11 53.746,35 57.190,76
86,00 para R$ 95,33. Já o preço da porta
dez 111.010,59 53.819,83 57.190,76
lisa de madeira subiu 2,08% devido ao
jan 110.759,12 53.568,36 57.190,76
repasse do fabricante. Em abril a porta
fev 110.716,18 53.525,42 57.190,76
lisa custava R$ 68,68, e em maio passou
mar 110.289,87 53.099,11 57.190,76
a custar R$ 70,11 a unidade.
abr 110.315,81 53.125,06 57.190,76
Como reflexo da deflação do preço
Mai/07 113.722,37 53.493,24 60.229,13
do vidro temperado nos últimos
Variações % referente ao último mês
meses, alguns fornecedores conti-
mês 3,09 0,69 5,31
nuam reajustando suas tabelas. Em
acumulado no ano 2,44 -0,61 5,31
abril, o metro quadrado, que custava
acumulado em 12 meses 4,00 2,55 5,31
R$ 147,12, passou em maio a custar R$
Metodologia: o Índice PINI de Custos de Edificações é composto a partir das
142,54, uma queda de 3,21%.
variações dos preços de um lote básico de insumos. O índice é atualizado por
Insumos como a areia lavada, o ci-
pesquisa realizada em São Paulo (SP). Período de coleta: a cada 30 dias com
mento e a tinta látex PVA sofreram
pesquisa na última semana do mês de referência.
discreta variação, enquanto o assoalho
Fonte: PINI
de madeira permaneceu estável no
mês de maio.
Suporte Técnico: para tirar dúvidas ou solicitar nossos Serviços de Engenharia ligue para (11) 2173-2373
ou escreva para Editora PINI, rua Anhaia, 964, 01130-900, São Paulo (SP). Se preferir, envie e-mail:
economia@pini.com.br. Assinantes poderão consultar indíces e outros serviços no portal www.piniweb.com

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IPT RESPONDE
Envie sua pergunta para a Téchne.
Utilize o cartão-resposta encartado
na revista.

Recuperação de armaduras
Pode-se recuperar uma armadura corrosivo à base de tetróxido de madura, poderia ser a aplicação de
corroída pintando-a com zarcão e depois chumbo. Quando adquirimos um tintas epóxi ricas em zinco ou outras
recobrir o trecho danificado da estrutura fundo protetor de cor laranja ou ligei- do gênero. Cuidados devem ser toma-
com argamassa estrutural polimérica? ramente amarronzada, poderemos dos para que a região anteriormente
Henrique Sirtoli Neto estar adquirindo uma tinta alquídica corroída não passe a funcionar como
Balneário Camboriú (SC) com pequeno teor ou com alto teor de cátodo, induzindo a criação de outras
Pb3O4; neste segundo caso, pode ser zonas anódicas na armadura, ou seja,
O termo zarcão significa tetróxido de considerada adequada a aplicação do não haveria mais corrosão no trecho
chumbo (Pb3O4), material com boa ca- material de proteção. Mais adequada pintado, mas sim em outros trechos.
pacidade de oferecer proteção anódica ainda, após completa remoção dos Ercio Thomaz
ao aço. Também significa fundo anti- produtos de corrosão presentes na ar- Cetac (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

Piso frio
Quais materiais se enquadram na licos (chapa xadrez etc.) seriam pisos
designação "piso frio"? extremamente frios. Embora não
Fernando Fernandes apresentem a elevadíssima condutibi-
Cambuí (MG) lidade térmica dos metais, são conside-
rados pisos frios aqueles constituídos
Marcelo Scandaroli

"Pisos frios" são aqueles que produzem por: concretos de cimento Portland,
forte sensação de friagem ao serem to- concretos asfálticos, argamassas, ci-
cados por partes do corpo humano. A mento queimado, granilite, placas ce-
sensação de frio acontece no contato râmicas, pavimentos intertravados,
com materiais com boa condutibilida- frio. Ao contrário, se o material tocado mosaico português, placas de mármo-
de térmica, ou seja, esses materiais rou- for mau condutor de calor (madeira, re, granito e outros materiais similares.
bam e conduzem rapidamente o calor carpete etc.), não se tem a sensação de Ercio Thomaz
do corpo, produzindo a sensação de frio. Nessa conceituação, os pisos metá- Cetac (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

Pintura sobre gesso


Qual o motivo de os forros de gesso rezas na matéria-prima, calcinação que tenha sido a fonte do problema,
amarelarem após a pintura com tinta acrílica inadequada da gipsita, preparação da parece ter agido em grande intensi-
sobre fundo preparador à base de água? pasta em recipiente metálico, conta- dade, já que não é usual a mancha
Henrique Sirtoli Neto minação com argila, poeiras ou ou- amarelada conseguir ultrapassar a
Balneário Camboriú (SC) tros materiais. No caso de forro sus- barreira constituída pela película de
penso, pode ter sido decorrente da tinta alquídica.
O amarelamento do gesso pode ter ação da umidade/acidez do gesso Ercio Thomaz
sido causado por presença de impu- sobre tirantes metálicos. Qualquer Cetac (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

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CARREIRA

Lauro Modesto dos Santos


Especialista em concreto armado e protendido, professor da USP passou a
desenvolver softwares de cálculo estrutural após deixar de lecionar

á faz 17 anos que Lauro Modesto, vida: Wanda Pieruccetti. Foi destina-
J ex-professor da Escola Politécnica
da USP, não leciona mais. Mas o enge-
da a ela a dedicatória de um dos livros
técnicos do engenheiro, "Sub-Roti-
nheiro definitivamente não parou de nas Básicas do Dimensionamento do
trabalhar quando sua aposentadoria Concreto Armado", de 1994.
veio em 1990. Pelo contrário, ele reu- Na cidade, ficou por cerca de um
niu os conhecimentos acumulados ano e meio, pois seu pai conseguiu
em seus 37 anos de experiência para transferir-se de volta para Uberaba. Lá,
aplicá-los no desenvolvimento de freqüentou o Colégio Diocesano de
novos softwares de dimensionamento Uberaba, onde estudou até concluir o
Marcelo Scandaroli

de peças de concreto. Já produziu curso científico, em 1947. Nos anos se-


cinco livros técnicos e planeja lançar guintes, serviu o Tiro-de-Guerra do
mais dois – um sobre "Cisalhamento e Exército e prestou vestibular para o
Torção" e um "Manual sobre Pilares". curso de Engenharia. "Eu gostava de
PERFIL
Lauro nasceu em Uberaba, cidade matemática, e me diziam que a carrei-
Nome: Lauro Modesto dos Santos do Triângulo Mineiro, em 1929. Filho ra em que mais se utilizava matemáti-
Idade: 77 anos de um bancário, passou a infância na ca era a Engenharia Civil", conta.
Graduação: engenharia civil, em cidade sem ir a escolas convencionais. Estudou na Escola Politécnica da
1953, pela Escola Politécnica da USP Seu pai preferia chamar professoras USP até 1953. Interessou-se, durante
Especializações: doutorado pela particulares para lhe apresentar as a graduação, por estruturas de con-
Escola de Engenharia de São Carlos, primeiras letras e números, depois os creto armado e protendido. Recém-
em 1962 conhecimentos básicos em outras formado, passou a trabalhar com
Empresas em que trabalhou: áreas do conhecimento. Essa forma projetos estruturais de concreto ar-
USP, Azeredo Santos Construtora, de aprendizado, reconhece o enge- mado com mais dois colegas e seu
Naiva Construtora, Promon nheiro, era bastante truncada, des- professor, Fernando José Escorel. Este
Engenharia, Editoras LMS e Thot, continuada. Aos nove anos de idade, se tornou seu amigo pessoal, e foi, in-
ELMS Produção e Desenvolvimento seu pai foi transferido para Araguari, clusive, padrinho do casamento de
de Softwares outra cidade do Triângulo Mineiro. Lauro, que já dura mais de 50 anos. A
Cargos que exerceu: professor- Cidade próxima, mas distante. duração do escritório foi efêmera,
assistente na EESC; professor e Pai, mãe e filhos precisaram se mudar pois um ano e meio depois Lauro era
coordenador de Pós-graduação do e deixar em Uberaba o restante da fa- chamado como professor-assistente
Departamento de Estruturas da mília – as visitas aos parentes que fica- da recém-criada EESC (Escola de En-
Poli-USP; diretor técnico da ram não seriam tão freqüentes quan- genharia de São Carlos) da USP. Lá,
construtora Azeredo Santos; diretor to gostariam. Sua mãe ficou triste, morou e lecionou por nove anos.Vol-
gerente da Naiva Construtora; mas a troca de ares valeu a Lauro fre- tou para São Paulo, mas continuou
engenheiro grau 9 – nível máximo qüentar sua primeira escola. No gal- dando aulas uma vez por semana na
no plano de carreira da Promon pão simples de tijolinhos e telhado unidade. Lá, também fez seu douto-
Engenharia; e proprietário das duas águas, conheceu quem ele define rado, concluído em 1962.
editoras LMS, Thot e da ELMS como a melhor professora de sua De volta à capital paulista, tornou-

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cação de seus livros, criou duas edito-


ras, a LMS e a Thot. Mas ambas tive-
Dez questões para Lauro Modesto dos Santos ram existência efêmera. "É difícil man-
1 Obras marcantes de que 7 Um conselho ao jovem ter economicamente uma empresa pe-
participou: Estação São Bento (linha profissional: lutar sempre e quena que só publica livros técnicos",
1 do metrô de São Paulo); barragem procurar valorizar a carreira. Os ressalta Lauro. "O mercado editorial é
de Água Vermelha, barragem Três engenheiros de estruturas não uma área bastante difícil."
Irmãos; barragem de Itaipu têm conseguido realizar tal Após a aposentadoria, dedicou-se
valorização ao desenvolvimento de programas
2 Obras mais significativas da para computador. O professor já co-
engenharia brasileira: barragem de 8 Principais avanços tecnológicos nhecia algumas linguagens de pro-
Itaipu, por sua grandeza; e Catedral recentes: recursos de informática e gramação – Basic, Quick Basic, C++
de Brasília, que fundiu estrutura e gravador de DVD (que permitiu salvar e Pascal – e, na década de 90, criou a
arquitetura em uma obra só coleção de músicas e óperas que ELMS para comercializar seus pro-
tinha em LD, formato de vídeo extinto dutos. No escritório nos fundos de
3 Realizações profissionais: na década de 90) sua casa, vem trabalhando nos últi-
ter escrito meus livros técnicos mos 17 anos nos dois principais soft-
e produzido os programas 9 Indicação de livro: Modelos de wares que comercializa até hoje. O
de dimensionamento de Bielas e Tirantes Aplicados a ConDe (Concrete Design) permite o
concreto armado Estruturas de Concreto Armado, de dimensionamento de seções de peças
Reginaldo Carneiro da Silva e José de concreto armado submetidas à
4 Mestres: Nilo Amaral; Telemaco van Samuel Giongo flexão composta, e o Esbelt é o pro-
Langendonck; Fernando José Escorel grama complementar para verifica-
10 Um mal da engenharia: para os ção de pilares esbeltos. Todo o traba-
5 Por que escolheu ser engenheiros de estruturas, a não lho é feito com um cuidado especial –
engenheiro: pelo apreço que tinha valorização do próprio trabalho, a máquina onde os softwares são pro-
pela matemática desde o colegial resultado da concorrência duzidos não é conectada à internet.
desastrada; na engenharia em "Para não contaminar com vírus", ex-
6 Melhor escola de engenharia: geral, a falta de unicidade e plica. As atualizações do programa
sou incapaz de responder, já que não atuação mais firme nas questões são constantes, e a última versão já é
conheço outras escolas, mas políticas que interessam ao adaptada à nova norma de concreto
apostaria na Escola Politécnica e desenvolvimento do País. Falta uma armado – NBR 6118:2003, de cuja re-
EESC, ambas da USP OAB da engenharia visão Lauro participou – e às princi-
pais versões do Windows.
Não à toa, Lauro considera a
se diretor técnico da construtora Aze- da Estação São Bento, da primeira criação de seus softwares uma das
redo Santos. Uma das principais obras linha do metrô paulista. Acompanhou principais realizações profissionais
da empresa foi uma das unidades da também o projeto de três barragens – a de sua carreira.
Escola Paulista de Medicina, na Vila binacional Itaipu, Três Irmãos e Água Lauro foi homenageado, em 1993,
Clementino, na zona Sul. Formou Vermelha. Por esta última, construída como um dos melhores professores da
outra construtora, a Naiva S/A, espe- em 1972, ele mantém um carinho es- Poli pela Associação dos Antigos Alu-
cializada na construção de sobrados pecial, pois foi o responsável técnico nos da Escola Politécnica. Pode ter
para a classe média na cidade. Em por sua estrutura. "Foi a obra em que aprendido com a dona Wanda, que
1971, passou a trabalhar na Promon trabalhei mais tempo, exigiu de mim completa 90 anos este mês. Lauro,
Engenharia, onde participou das prin- maior responsabilidade." Participou aliás, garantiu presença na festa de ani-
cipais obras de sua carreira. Entre elas, também da elaboração de diversas versário de sua mestra.
participou do projeto da construção normas técnicas. Para facilitar a publi- Renato Faria

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MELHORES PRÁTICAS
Estaca hélice contínua
Recursos tecnológicos auxiliam na atenção a detalhes essenciais para
a obtenção do desempenho esperado desses elementos de fundação

Equipamentos Controle da
Solos mais resistentes exigem que os perfuração
dentes da extremidade da hélice sejam
O torque deve ser coerente com a
substituídos por pontas de vídia. É
resistência oferecida pelo terreno, que varia
importante verificar a presença da
de acordo com a profundidade, e o avanço
tampa que impede a entrada de solo no
é sempre inferior a um passo por volta. A
tubo central. A produtividade, entre 150
pressão vertical decorre apenas do peso
e 400 m/dia, varia de acordo com o
próprio da hélice e do solo nela contido. A
diâmetro da hélice, a profundidade da
perfuração é uma operação contínua, o que
estaca, o tipo e a resistência do terreno
indica que a hélice não pode ser içada a fim
e o torque do equipamento utilizado.
de evitar alívios no terreno.
Fotos: Marcelo Scandaroli

Qualidade do concreto
Recomenda-se que o concreto utilizado
nesse tipo de fundação apresente uma
relação água/cimento de, no máximo,
0,6, fck de 20 MPa, brita 1, com dimensão
máxima de 12,5 mm, slump entre 200 e
240 mm e consumo de cimento de, pelo
menos, 400 kg/m3. Um traço adequado
ao bombeamento, com o uso de aditivos
plastificantes. Para especificação,
informar a quantidade máxima de água a
ser adicionada em obra, considerando
aquela retida na central e estimando
perdas por evaporação.

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Controle da injeção
Simultânea à retirada da hélice, a preenchimento com concreto pode
injeção do concreto é determinada pela cessar num nível inferior à superfície,
pressão e pelo sobreconsumo do caso o furo seja estável e seja possível
material, visando a evitar colocar a armadura sem prejuízo à
estrangulamentos ou seccionamentos estaca. Durante a retirada, é
em seu comprimento. A hélice pode ser recomendável limpar as lâminas
retirada sem girar ou girando manualmente ou com uso de
lentamente no sentido da perfuração. O equipamento hidráulico acoplado.

Instalação da armadura Controle executivo


Respeitado o tempo limite de duas horas helicoidal soldado nas barras O monitoramento durante a execução
desde a chegada do concreto ao canteiro, longitudinais, têm extremidade inferior exige uso de sistema computadorizado
a inserção da armadura pode contar afunilada para facilitar a penetração e específico, com mostrador na cabina do
apenas com a gravidade ou mesmo com evitar deformações, e deve ser operador e sensores espalhados pela
pilão de pequena carga ou vibrador. centralizada no furo com auxílio de máquina. Informam sobre a
Compostas por barras grossas e estribo espaçadores ou roletes. profundidade, velocidade de rotação,
pressão de torque, inclinação da torre,
pressão do concreto, volume desde o
início da concretagem e
sobreconsumos. O mesmo sistema gera
um relatório sobre a estaca, contendo
os dados obtidos.

Norma de referência: NBR 6122 – Projeto e Execução de Fundações, em vigor desde abril de 1996

Colaboração: engenheiros Frederico Falconi, da Zaclis, Falconi e Engenheiros Associados, Miguel Ferreira, da Fundesp (Fundações
Especiais), Waldemar Hachich, Cyro Pessôa, arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb e Geosonda

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ENTREVISTA
Fundação prática
IVAN DE OLIVEIRA
JOPPERT JR.
O estágio na Themag Engenharia,
iniciado em 1980, foi encerrado na
mesma época da formatura pela
Escola de Engenharia da
Universidade Mackenzie, em 1982.
De lá, Joppert foi para a MAG
Projesolos Engenheiros Associados,
onde ficou até 1986. Na Geostática
Engenharia assumiu a direção
técnica, mesmo cargo exercido na
MG&A Consultores de Solos, até
2002. A partir daí dedica-se à
Infraestrutura Engenharia, da qual
é sócio-fundador e diretor presidente

Marcelo Scandaroli
e comercial. Na área acadêmica,
leciona fundações aos engenheiros
formados pelo Mackenzie desde
1985. Até 2005 ensinava mecânica
dos solos para os arquitetos da
as palavras de Ivan de Oliveira montada apenas na velocidade, e
mesma universidade. É autor de
artigos técnicos, entre eles "Método
D Joppert Jr., entrevistado deste mês
da Téchne, uma das conclusões possí-
mesmo na postura de fornecedores,
principalmente os de concreto. Nada
de Cálculo para Estimativa de Carga
veis afirma que, quanto mais avança de diminuir o ritmo das obras, garan-
de Ruptura de Tirantes
em técnicas e tecnologias, mais a enge- te, mas sim investir em conhecimento
Autoperfurantes Tipo Tubular".
nharia sente faltar seus princípios bási- e tecnologias que permitam trabalhar
cos. Se considerarmos que a prática – e melhor com prazos impostos e não in-
mesmo a existência – dessa área do co- correr em riscos demasiados, como
nhecimento humano só se justifica em eventualmente vem ocorrendo. A for-
virtude da existência de problemas ou mação dos profissionais nos bancos
da ânsia de evoluir, parece lógico e in- das faculdades também foi alvo de crí-
teressante evitar a ocorrência de novas ticas do professor da Escola de Enge-
dificuldades. É imperativo, portanto, nharia do Mackenzie. Para ele, se é
resgatar o tripé sobre o qual se sustenta amplo o campo de visão do recém-for-
a disciplina, até mesmo para que a in- mado, por outro lado não há aprofun-
cessante busca por resultados financei- damento suficiente para facilitar a ini-
ros não seja afetada por colapsos ou ciação prática. Joppert é autor do livro
outros eventos inesperados que acar- recém-lançado pela Editora PINI
retem em prejuízos. O entrevistado de- "Fundações e Contenções de Edifícios
fende uma alteração na forma de cons- – Qualidade Total na Gestão do Proje-
truir dos empreendedores, atualmente to e Execução".

20 TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


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O entrevistado da edição passada Um exemplo típico de patologia de- sabe o que dá certo. No entanto,
(Téchne 122), o engenheiro e perito corre da eliminação de tirantes duran- quem, sem demérito nenhum, não
Mauricio Marcelli, afirmou que a te uma escavação de subsolo para ace- tem experiência está muito mais su-
maior parte dos sinistros que ocorrem lerar a execução. Ou seja, há tirantes jeito a errar. Daí, é necessário condu-
durante a obra concentra-se na fase em determinada altura, mas escava-se zir o profissional para que não erre, e
de escavações. Por que esses totalmente a prumo. A parede não está a única forma é lhe dar elementos ta-
problemas são tão recorrentes? dimensionada para isso e a obra cai. É belados, pois engenheiro não gosta
Uma obra sustenta-se num tripé for- uma decisão tomada na obra para de ler. Temos que seguir um raciocí-
mado pelo projeto, pelos materiais uti- diminuir custos e prazos. nio lógico, com verificações e deci-
lizados e pelo controle da qualidade da sões a tomar em cada passo.
execução. No entanto, as obras estão Irresponsabilidades desse tipo são
muito rápidas e o cliente exige respos- comuns? É possível conciliar qualidade e
tas e ritmo rápidos, pois obra rápida sai Esse exemplo não é inventado, acon- rapidez tanto de projeto quanto de
mais barato. Por vezes escapam deta- tece realmente. Como acontece de co- execução ou a saída é desacelerar?
lhes, e como sempre se quer andar mais meçar a construção sem projeto, Quanto mais rápido, maior a possibili-
rápido nas fundações, que ninguém vê, principalmente quando há um proje- dade de errar, mas é questão de organi-
é lá que estão as maiores patologias. A to básico, como é o caso de hipermer- zação e de colocar limites. Ao tentar
principal meta do livro é estimular o cados. A obra começa mesmo que economizar, o fator de segurança di-
controle de projeto e materiais, mas seja necessário mudar fundações, por minui. Não adianta falar para o cliente
principalmente de execução. exemplo, o que é feito sem planta de ir mais devagar se existem prazos, com
cargas, com a obra andando. Quando multas decorrentes do não-cumpri-
Na prática, o que a velocidade, se for o engenheiro tem experiência, tira de mento deles. É como se trabalha hoje
demais, afeta a obra? letra porque já fez muito daquilo e em dia e é necessário se adaptar.
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ENTREVISTA

Há métodos de fundação Parece estranho o concreto


tecnicamente eficientes que apresentar problemas, pois as
sejam deixados de lado por concreteiras costumam alardear o
serem lentos? alto controle tecnológico sobre o
Tem muita coisa caindo em desuso produto que oferecem.
por conta de velocidade, como as es- O concreto realmente tem altíssimo
tacas tipo Frank. Independente- controle tecnológico, com cimentos
mente de haver problemas com vi- especiais de alto desempenho, mas,
bração, dificilmente são adotadas por motivos que não sei quais são,
porque, entre fazer três ou quatro es- nem sempre é isso que é entregue.
tacas Frank por dia ou fazer até 12 es- Vejo muitas obras com problemas
tacas hélice, mesmo que mais caras, o de resistência no traço do concreto.
pessoal acaba optando pela segunda. Inclusive interrupção do forneci-
A pressa é o fator preponderante mento durante a concretagem de
para orientar os projetos. uma parede-diafragma, com 30 m
de profundidade, quando dez esta-
Mas a boa engenharia não deveria vam concluídos. E daí, o que fazer?

Marcelo Scandaroli
minimizar os riscos, principalmente No dia seguinte o concreto já endu-
para os terceiros? receu. Acho que houve um aqueci-
Nunca acredito em má-fé. É difícil mento e as concreteiras não dão
definir a probabilidade de haver pa- Com equipamentos tão atuais quanto os conta de atender bem a todos.
tologias no caso de usar um ou europeus, a engenharia de fundações,
outro tipo de fundação ou conten- também por ser uma etapa pouco Por que erros de projeto são poucos
ção. Se for bem executado, empre- visível, está entre as principais afetadas comuns?
gando material de boa qualidade, pela velocidade imposta às obras atuais O computador ajuda muito hoje em
conforme especificado em projeto, dia. O cálculo é rápido e com menor
com fiscalização, não tem por que possibilidade de erro. Basta estar
ocorrem patologias. Dentre as patologias que costumam ciente e carregar os dados no compu-
ocorrer numa obra de fundações, os tador de forma correta.
No Brasil temos tecnologia e erros mais comuns estão no cálculo
equipamentos adequados para ou na execução? Justamente por isso o pessoal de
executar fundação? Concreto com resistência abaixo do estruturas reclama de profissionais
Sem dúvida. Na Bauma [feira alemã especificado e execução malfeita são menos experientes.
de construção], (veja cobertura tam- maioria. Projeto dificilmente apre- No ramo de fundações e contenções
bém nesta edição), os equipamentos senta erros. Estamos passando por é difícil ter engenheiros recém-for-
expostos eram os mesmos que te- uma má fase em termos de concreto. mados. Para começar a bater bola
mos para fundações especiais aqui, Pede-se uma determinada resistência nessa área tem que ter no mínimo
por exemplo. Os empreiteiros brasi- e quando se aplica descobre-se que dez anos de experiência. O compu-
leiros têm equipamentos de primei- não tem aquela resistência. tador faz o cálculo, mas, com expe-
ra qualidade. riência, o profissional tem sensibili-
E na execução, quais os erros? dade para saber o que está errado
Relativamente, projetos de fundação Fazer locação é um exemplo bem ou certo. No caso de estruturas, o
e contenção são caros para uma claro. Antigamente lançava-se uma engenheiro sai da faculdade, com-
construtora? tábua em torno da obra, o topógrafo pra um programa, uma ferramenta
Não absurdamente. Chegam a 5 ou marcava com prego cada eixo dos pi- excelente, entra com os dados e
7% do total da obra. Então, por que lares, esticava um arame, descia um obtém, para um vão de 3 m, uma
economizar tanto? Vou raciocinar prumo e locava a estaca. Antes de viga de 1,5 m de altura, com um
como o empreendedor, sabendo que executar, checava de novo. Hoje ferro de uma polegada embaixo.
ele tem que respeitar um custo máxi- marca um monte de piquetes no Não tem sensibilidade para saber se
mo por metro quadrado. Dentro chão. Se alguém dá um toque e ele sai está certo. Já na área de fundações e
desse valor existe a porcentagem des- do lugar, haverá excentricidades. A mecânica dos solos temos um mix
tinada a cada etapa, sobrando aquele fundação será executada 20 cm longe de projeto e obra.
quinhão para as fundações. Se desti- de onde era para ser, exigirá reforços
nar mais, a filosofia fica errada, pois e travamentos, que custam dinheiro E por que os recém-formados
gasta mais do que a verba destinada e tempo. Onde foi o erro? Na escolha não se aventuram nesse campo?
para aquilo. do tipo de locação. Porque não têm experiência. Se na

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sondagem a estaca deveria ter 12 m, A pressa em concluir a etapa de


mas na obra ficou com 8 m, o que fundações decorre também desse
fazer? Como saber se está boa? Por desconhecimento do tema?
que aconteceu? Por isso o recém-for- Um pouco da desvalorização se deve
mado não se aventura. Na primeira ao desconhecimento. Quando me
vez que acontecer, liga pra alguém formei no Mackenzie, formavam-se
com mais experiência para saber o 300 alunos por ano. Hoje tenho 30
que faz. Em estruturas, o programa por semestre. Enquanto isso, o mer-
dá armadura de flexão, de cisalha- cado cresceu. Muita gente saiu do
mento, detalhes e tudo o mais, mas ramo e o mercado está absorvendo
em fundações, na obra, tem que esse pessoal mais novo, mas que, por
adaptar o projeto à realidade. não ter vivência, nem sabe o quão
rápido tem que ser uma obra. Acaba

Arquivo pessoal Ivan de Oliveira Joppert Jr.


Para o engenheiro que não reservando duas semanas do crono-
trabalha diretamente com isso, grama para as fundações quando vai
como os engenheiros de obras, precisar de três meses. É falta de ex-
é complicado lidar com mecânica periência, mas acho que tínhamos
dos solos? que passar por isso.
O pessoal vê como um bicho de sete
cabeças desde a faculdade, o próprio Como assim?
nome assusta. Como é física pura e A construção está em crise há 25 Alguns critérios e limites técnicos
tem muita experimentação de campo, anos. Teve um boom em 1985, quan- devem ser observados para a
é complicado. O objetivo do meu livro do os preços foram congelados e adequação do sistema de contenções e
é desmistificar, ser bem prático para começou-se a comprar imóveis. Na- fundações à velocidade exigida pelo
que o engenheiro de qualquer lugar do quele ano fiz muitas obras. Depois contratante, com controle de riscos à
Brasil tenha as soluções. disso, foi sempre muito ruim e o pes- obra e à vizinhança
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ENTREVISTA

soal saiu do ramo. Agora, a qualquer da qualidade. Ou seja, coloca-se o Com cinco ou seis obras na mesma
aquecida do mercado, não há profis- lobo pra cuidar dos cordeiros. Em região, sabemos que algumas
sionais de projeto pra contratar. O São Paulo ou Rio de Janeiro há um construtoras deixam de realizar
pessoal quer ir para a área de plane- pouco mais de consciência. Contra- sondagem por considerar que o solo
jamento e gerenciamento. ta-se um escritório especializado em da região é homogêneo.
fundações para desenvolver o proje- É por isso que só projetamos e execu-
O que falta na formação para dar to. No resto do País, se houver pato- tamos se houver sondagem. O solo
mais experiência prática aos logias, o empreiteiro vai brigar com não tem regra nenhuma. Num ponto
profissionais e para abrir os olhos o empreendedor, pois o responsável é de um jeito e 20 m para o lado pode
para esses campos que estão técnico pela obra não tem como ser completamente diferente.
carentes? controlar. Empurra-se a responsabi-
Haver uma integração maior entre lidade para o empreiteiro, não im- O controle de materiais também é
escolas e empresas para que os está- portando se vai gastar mais ou se vai fonte de problemas?
gios fossem levados mais a sério. Nas dar algum problema. É complicadíssimo, principalmente
escolas técnicas federais os alunos para materiais que trabalham com
são obrigados a fazer estágio para se Quais os itens a controlar durante base na resistência, como concreto e
formar. O estudante tem um monte a execução? aço. Este tem controle melhor, exceto
de informação, mas não se aprofun- Se o projeto condiz com a obra, e se quando definimos um tipo de aço para
da em nada. Isso principalmente nas é tecnicamente viável o material a cravar perfil e o cliente compra outro
escolas com nível técnico melhor, utilizar. Não adianta especificar um para economizar.Ainda assim, o maior
que absorve o aluno a ponto de ele tipo de aço e comprar um que não problema é a resistência do concreto.
ficar o dia todo na faculdade. atinge a resistência. Durante a exe-
cução, verificar desde locação até se O livro fala de qualidade total. O que
Com tanta informação a ser as condições do solo condizem com é isso?
passada, como aprofundar? a sondagem. É o tripé formado por projeto, execu-
A faculdade de engenharia deveria ção e o material empregado e que ga-
ter seis anos. A grade é a mesma E ao final? rante a segurança. Se os três estiverem
desde sempre, com as mesmas cadei- Verificar o desempenho ao ser carre- bons, eis a qualidade total. Para cada
ras, mas há muita informação nova, e gada. É possível fazer, durante a cra- um desses critérios o livro tem um
para encaixá-las diminui-se a carga vação de uma estaca pré-moldada, checklist. Quais informações um pro-
horária de matérias que eram vistas por exemplo, uma prova de carga di- jeto tem que apresentar para poder
com mais profundidade, como es- nâmica para saber qual é a carga de controlar a execução? Tem que ter
truturas. O sujeito sai com uma visão ruptura. Acompanhar a fundação in sondagem, levantamento planoal-
maravilhosa, mas sem especializa- loco é fundamental para o sucesso. timétrico do terreno, as contenções
ção. Daí as escolas viram a necessida- definidas. Qual é a cota de apoio, a
de dos cursos de pós-graduação, mas Há novidades em termos de tensão ou carga unitária? Isso tudo
isso é ruim. O aluno tinha que sair já segurança para a execução tem que estar definido no projeto de
para trabalhar. de tubulões? fundações para ser controlado de-
Continua sendo uma execução que pois. São itens a cobrar do escritório
Quais as ferramentas disponíveis incorre em alguns riscos. É a funda- contratado para que o engenheiro
para controlar a qualidade? ção mais barata e a mais segura em responsável controle a execução.
São bem poucas, e o objetivo do livro termos de desempenho que existe. Bruno Loturco
é realmente esse, pois os livros que Em meu escritório só executamos tu-
temos de mecânica dos solos e fun- bulão se tiver 100% de segurança. As
dações são muito teóricos. Mesmo o condições são que o solo seja coesivo,
LIVRO
que foi brilhantemente editado pela o lençol freático não esteja muito alto
PINI, com a participação dos melho- e não haja presença de areia. Antes de Fundações e Contenções de
res profissionais do mercado. Têm executar, fazemos um poço de inspe- Edifícios – Qualidade Total na
que ser mais acessíveis, mais simples. ção pra ver como se comporta a esca- Gestão do Projeto e Execução
vação. Afinal, nós também vamos Ivan Joppert Jr.
Como é feito até agora? descer no tubulão para verificar se o 224 páginas
Vou lhe dar dois panoramas. Fora de operário abriu a base. Por isso, Editora PINI
São Paulo, por exemplo em Brasília, vamos até determinado limite e dali Vendas pelo portal www.piniweb.com
as fundações são encomendadas pra frente é outra metodologia. ou pelos telefones 4001-6400
para um empreiteiro, que desenvol- Mesmo que seja mais barato, não dá (regiões metropolitanas) ou
ve o projeto, executa e faz o controle pra fazer ou vai matar alguém. 0800-5966400 (demais regiões)

24 TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


entrevista.qxd 1/6/2007 16:11 Page 25
materia_bauma.qxd 1/6/2007 16:24 Page 26

FEIRAS

Show de máquinas
A Bauma refletiu, neste ano, a tendência mundial de crescimento da
construção. Confira alguns lançamentos e novidades da maior exposição
de máquinas e equipamentos

o dia 26 de abril, o aeroporto de


N Munique, na Alemanha, regis-
trou movimentação de 120 mil passa-
geiros, um recorde histórico. O feito
dá a dimensão do poder de atração da
feira de máquinas e equipamentos
Bauma, sem dúvida a principal res-
ponsável pela movimentação sem
precedentes. Realizada entre 23 e 29
de abril no Trade Fair Centre de Mu-
nique, a maior feira do setor do
mundo também quebrou seus pró-
prios recordes. Contou com cerca de
500 mil visitantes, registrando cresci-
mento de 20% em relação à edição
anterior, de 2004, e recebeu visitantes
de aproximadamente 190 países, um
crescimento de cerca de 11% (veja
boxe com números detalhados).
O crescimento não é por acaso, já
que a feira aconteceu em um momen-
to de forte aquecimento da constru-
ção mundial, conforme lembra Man-
fred Wutzlhofer, presidente da Messe
München, organizadora do evento.
"Contribuiu significativamente para
o sucesso da Bauma o boom global da
construção – principalmente nos paí-
ses emergentes da Ásia, América Lati-
na e África – e também o crescimento
do setor na Europa."
De acordo com a organização do
evento, 2.099 brasileiros visitaram a
Bauma. Muitos deles foram em cara-
vanas como a da Sobratema (Associa-
ção Brasileira de Tecnologia para
Alex Schelbert

Equipamentos e Manutenção), com


cerca de 620 participantes; da Câmara

26 TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


materia_bauma.qxd 1/6/2007 16:24 Page 27

Brasil Alemanha (AHK), com 80; e da


SH Fôrmas e Escoramentos, que con-
tou com 76 pessoas. "Nossa intenção é
promover o nome da empresa e estrei-
tar o relacionamento com os clientes",

Gustavo Mendes
resume Maria Alice Moreira, diretora
comercial da SH. Para ela, que tam-
bém participou da Bauma 2004, a edi-
A caravana da SH Fôrmas contou com 76 participantes. No total, 2.099 visitantes
ção atual teve mais fôlego. "Em todos
brasileiros visitaram a Bauma
os aspectos a feira cresceu", avalia.
A empresa, que neste ano está in-
vestindo R$ 15 milhões em equipa- obtido aos outros profissionais da dústria e Comércio. O estande brasi-
mentos, também foi à Bauma para co- empresa. "Chamou nossa atenção a leiro ficou localizado no Pavilhão A3,
nhecer novas tecnologias, conta Ruth evolução das soluções construtivas e destinado a máquinas e ferramentas
de Castro, presidente da SH. "Manti- tecnológicas das fôrmas pré-fabri- para construção. Cinco empresas fize-
vemos contato com a Hünnebeck, cadas para concreto. Resta-nos agora ram parte do pavilhão: Electro Aço
que foi sócia da SH durante dez anos, fazer com que nós aqui no Brasil pos- Altona, Eurobrás Construções Modu-
e que tem inspirado nossos últimos samos usufruir pelo menos de parte ladas, Proficenter Planejamento de
investimentos em equipamentos de de toda essa tecnologia já disponível Obras, Turbo Service Brasil e Unitec
alta tecnologia. Em geral, a Bauma no mundo", afirma. Metalúrgica do Pó. Outras duas em-
nos ajuda no benchmark com concor- Pela primeira vez a Bauma contou presas brasileiras, Metalúrgica Wolf e
rentes internacionais – e também para com um pavilhão brasileiro, resultado Cló Zironi Indústria, também partici-
estudar as soluções européias e ver se da parceria da Sobratema com a Câ- param da feira em outros pavilhões.
são viáveis no Brasil." mara Brasil-Alemanha, com apoio da
Levi Vasconcellos dos Santos, ge- Apex (Agência de Promoção de Ex- Novas tecnologias
rente de suprimentos e logística da portações e Investimentos), ligada ao A Bauma 2007 foi dividida em
Hochtief, visitou a feira em busca de Ministério do Desenvolvimento, In- sete setores que englobaram pratica-
equipamentos para aquisição ou loca- mente todos os segmentos de máqui-
ção. As áreas de interesse da empresa nas, ferramentas, peças e serviços para
foram basicamente movimentação construção. A feira também contou,
horizontal e vertical de cargas (eleva-
Bauma em números pela primeira vez, com uma área ex-
dores, gruas, guindastes, manipula- Visitantes: 500 mil clusiva para o segmento de minera-
dores telescópicos etc.) e equipamen- Visitantes estrangeiros: 160 mil ção. Os estandes estavam distribuídos
tos para processamento de agregados. Visitantes brasileiros: 2.099 em 16 pavilhões, totalizando 180 mil
"A diversidade encontrada foi real- Países representados pelos visitantes: 190 m², e também em uma área externa de
mente grande. Na maioria dos itens Países representados pelos expositores: 49 impressionantes 360 mil m². No total,
conhecemos novos fornecedores, como Expositores: 3.041 o evento contou com 3.041 exposito-
os asiáticos, por exemplo. O mais Área interna: 180 mil m² res de 49 países, com predominância
marcante não foi o volume de novida- Área externa: 360 mil m² de empresas alemãs, italianas e britâ-
des, mas sim o número de fornecedo- nicas. De acordo com pesquisa inde-
res encontrados", avalia. pendente encomendada pela organi-
A Fortes Engenharia, construtora zação da feira, 91% dos participantes
capixaba, enviou seis profissionais de apresentaram inovações.
sua equipe técnica ao evento. O obje- O leque de tecnologias em exposi-
Divulgação: Bauma

tivo, segundo conta Ivana Có Rodri- ção foi tão grande quanto as dimen-
gues Netto, gerente de engenharia, era sões da feira. No segmento de veículos
gerar formadores de opinião que pu- para canteiro, um dos mais represen-
dessem disseminar o conhecimento tativos da feira, a redução de emissões

27
materia_bauma.qxd 1/6/2007 16:24 Page 28

FEIRAS

de gases poluentes e causadores do americanas Tier III para redução na nesse segmento apresentavam inova-
efeito estufa foi uma das tônicas. Um emissão de gases foi apresentado. Em ções para melhorar o conforto do
grande número de máquinas (cami- muitos casos, os modelos das máqui- operador e a manobrabilidade.
nhões, escavadeiras, carregadeiras, nas eram os mesmos, apenas os moto- Em relação ao porte das máqui-
compactadores) com motores que res foram substituídos. Ademais, pra- nas, o leque de opções cresceu nos
estão de acordo com as exigências ticamente todos os novos modelos dois sentidos. Foi grande o número de
expositores lançando maquinários de
pequeno porte como miniescavadei-
ras e minicarregadeiras, segmento
ainda pouco desenvolvido no Brasil.
Algumas empresas de outras fatias de
mercado, inclusive, aproveitaram o
evento para anunciar seus primeiros
modelos para esse segmento. Na
outra ponta, uma série de máquinas
de grande porte, muitas batendo re-
cordes de capacidade, também foram
lançadas. Nesse caso, a demanda a ser
atendida era a redução de custos e au-
mento da produtividade.
No segmento de equipamentos
para transporte vertical, o porte das
máquinas também aumentou para
atender grandes obras, como as da Pe-
nínsula Arábica, Índia e Rússia, re-
giões destacadas pela VDMA (Federa-
ção Alemã de Engenharia) como as
que mais estão demandando máqui-
nas e equipamentos. Precisão, mano-
brabilidade e facilidade de manuten-
ção também foram elementos cons-
tantes nos lançamentos. A feira tam-
bém contou com um pavilhão desti-
nado às tecnologias de escoramento,
Alex Schelbert

elevação e fôrmas; outro para tecno-


logias de demolição, além de um sem-
O evento contou com cerca de 500 mil visitantes de 190 países número de ferramentas e softwares
para construção.
A próxima Bauma ocorrerá entre
19 e 25 de abril de 2010, também em
Munique. E, ao que tudo indica, deve
ser tão grandiosa quanto a última edi-
ção. De acordo com pesquisa inde-
pendente encomendada à TNS Infra-
test pela organização do evento, 96%
dos visitantes da Bauma 2007 preten-
dem visitar a próxima feira. A pesqui-
sa também revela que 86% dos entre-
Fotodesign & Verlag Petek, Radolfzell

vistados consideraram o atual mo-


mento do setor excelente e a mesma
proporção considera que esse quadro
de aquecimento deve melhorar ainda
mais. Com tanto otimismo, em 2010
o aeroporto de Munique pode que-
Dividida em 16 pavilhões mais uma área externa que ocupa 360 mil m², a feira é a brar mais um recorde de passageiros.
maior do mundo no segmento Gustavo Mendes

28 TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


materia_bauma.qxd 1/6/2007 16:24 Page 29

Tecnologias
DPU 130 Bobcat Europe, Ingersoll Rand Compact a diesel, com 159 kW, tem tecnologia
Vehicle Technologies common rail e certificado Tier III.
167 Dreve Richelle Case Construction Equipment
1410 Waterloo (BE) Benzstr. 1
www.bobcat.com 74076 Heilbronn (DE)
Fone: +49 (0)7131/64 49-0
Britadeira Holmatro Fax: +49 (0)7131/64 43-1 81
www.casece.com

A força centrífuga de 130 kN dessa placa


CAT 304 CR
vibratória para compactação de solo ou
asfalto ultrapassa, segundo o fabricante,
em 30% os mais potentes compactadores
disponíveis no mercado. O equipamento
pode substituir pequenos e grandes rolos
compactadores e tem manuseio
facilitado por ser operado por controle
Britadeira móvel hidráulica para
remoto infravermelho. O compactador
concreto foi desenvolvida pela Holmatro
deve estar disponível no mercado no
Industrial Equipment para ser uma
início de 2008 e será o precursor de uma
alternativa aos martelos pneumáticos.
série de novos equipamentos de
Com baixo nível de ruído e baixa geração
compactação da empresa alemã.
de poeira, pode ser utilizada para Miniescavadeira hidráulica que tem como
Wacker Construction Equipament AG
concreto aerado ou paredes de tijolo ponto forte, segundo o fabricante, a
PreuBenstraBe 41
de até 20 cm. grande variedade de acessórios para
80809 München
Holmatro Industrial Equipment B.V. ampliar sua versatilidade. Com peso
Fonte: +49-(0) 89-354 02-0
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Fax: 0162 522 482 superior com raio reduzido para facilitar o
E-mail: p.zandijk@holmatro.com trabalho do operador. Dispõe de capô
Bobcat 335
www.holmatro-industry.com articulado por onde a maioria dos serviços
de manutenção podem ser realizados.
Case 821E Caterpillar S.A.R.L.
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1211 Geneva 6 (CH)
Fone: +41 (0)22/8 49 44 44
Fax: +41 (0)22/8 49 45 44
www.cat.com
Fotos: divulgação Bauma

Micro

Essa miniescavadeira tem peso de


operação de 4.173 kg e veio para A nova pá-carregadeira de rodas da Case
preencher a lacuna entre os modelos tem capacidade de operação de 17.166
Bobcat 331/334, de 3 a 4 t, e 337/347m, kg, o que, segundo o fabricante, confere
de 5 a 6 t. Ela está equipada com motor ao equipamento o maior rendimento no
Kubota V2203-m-di-E2B-BC-4 turbo diesel seu segmento. A carregadeira também
de 30,3 kW. Sua lança tem rotação de 90º teve a altura da pá aumentada em 4%,
para a esquerda e de 50º para a direita. assim como o tamanho da cabina. O
Dispõe de duas velocidades: 3,2 e 5,5 novo motor teve sua potência
km/h. Como as outras escavadeiras da incrementada em 11%, com menor A escavadeira Micro da JCB pesa apenas
linha, a 335 tem sistema hidráulico com consumo de combustível e, 1.063 kg e possibilita a passagem por
sensor de carga que otimiza a potência conseqüentemente, menor emissão de aberturas de até 762 mm. O
hidráulica de escavação. gases. O motor Case Family IV é movido equipamento é indicado para obras

29
materia_bauma.qxd 1/6/2007 16:24 Page 30

FEIRAS

Tecnologias
domésticas e de paisagismo. Para Novo sistema de tratamento de piso da Ecoply P
alcançar espaços restritos, a Micro é sueca HTC, possui duas cabeças de
dotada de chassis extensíveis. Com essa polimento que comportam seis discos
tecnologia, o chassi pode ser de 340 mm. O equipamento é uma versão
compactado para acessar espaços mais compacta do HTC 2500 iX, com

Fotos: divulgação Bauma


reduzidos ou estendido quando for 2,5 m de largura de polimento, lançado
necessária estabilidade para a escavação. um ano atrás. De acordo com a fabricante,
JCB as máquinas de polimento são as únicas
Rocester, Staffs ST14 5JP (GB) móveis desse tipo.
Fone: +44 (0)1889/59 03 12 HTC Sweden AB/HTC Floor Systems O novo painel para fôrmas da Hünnebeck
Fax: +44 (0)1889/59 30 70 GmbH dura, segundo a fabricante, três vezes
E-Mail: geoff.bourne@jcb.com Im Petersfeld 7 mais que os painéis convencionais, além
www.jcb.com 65624 Altendiez (DE) de terem manuseio e limpeza facilitados.
Fone: +49 (0)6432/6 45 58-0 Possui interior de madeira e revestimento
HammerHead HydroBurst HB125 Fax: +49 (0)6432/6 45 58-22 de 1 mm de polipropileno. O novo painel
E-mail: bauma2007@htc-sweden.com passará a integrar os sistemas de fôrmas
www.htc-sweden.com Manto, Takko e Rasto da empresa.
Hünnebeck GmbH
W170 Rehhecke 80
40885 Ratingen (DE)
Fone: +49 (0)2102/9 37-1
Fax: +49 (0)2102/3 76 51
E-mail: info@huennebeck.com
www.huennebeck.com

Neuson 9503
O equipamento é indicado para
substituição de tubulações de água e de
esgoto. O HB125 utiliza a plataforma
Vermeer Navigator HDD e tem 250 mil
libras de força. É capaz de substituir tubos
de 4 a 20" de diâmetro. Com peso
reduzido, pode ser comandado por apenas
um operador. O método, não destrutivo,
evita interrupções no trânsito e outros A nova pá-carregadeira tem suspensão
transtornos. a ar (sistema Full Adjustment), fácil
Earth Tool Company LLC acesso para o operador e uma série de De acordo com o fabricante, a 9503 é a
PO Box 3, Oconomowoc, WI 53066 ajustes do banco para melhorar o escavadeira de 9 t mais veloz no mercado.
Fone: 1-800-331-6653 conforto e a produtividade do operário. Para garantir estabilidade, a máquina
E-mail: info@hammerheadmole.com O motor, um CNH 6TAA-6802 common possui garras com controle individual e
www.hammerheadmole.com rail de quatro válvulas, pode operar suportes que operam automaticamente.
com duas potências: 127 ou 138 kW, O acesso a todos os componentes para
HTC 1500 iT com rotação de 2.000 rpm. Possui, manutenção pode ser realizado por meio
ainda, sistema de diagnóstico para da inclinação da cabina, exclusividade
reduzir os custos e o tempo necessário desse modelo. Atinge até 40 km/h de
para manutenção. velocidade e tem motor de 75 kW.
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30 Veja mais produtos e contatos de empresas em www.bauma.de TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007
materia_bauma.qxd 1/6/2007 16:24 Page 31
casa inteligente.qxd 1/6/2007 16:22 Page 32

SUSTENTABILIDADE

Vitrine de tecnologias
O projeto Casa Eficiente reúne o que há de mais avançado em eficiência
energética no Brasil

com um sistema que seria, em prin-


cípio, capaz de "vender" a energia ex-
cedente produzida: o relógio que faz
a medição do consumo gira para os
dois lados e, assim, toda a eletricida-
de que não é utilizada ou armazena-
da poderia ser jogada na rede, conta-
bilizando créditos para o proprietá-
rio. Mas o sistema de medição bidi-
recional ainda é experimental, em
parte por conta da inexistência de le-
gislação para esse comércio energé-
tico. "O problema não é mais técni-
co, é legal", afirma Roberto Lam-
Fotos: divulgação LabEEE

berts, engenheiro civil e coordena-


dor do LabEEE.
Jorge Luis Alves, gerente da Divisão
de Pesquisa e Desenvolvimento da Ele-
trosul, explica que com as placas foto-
er uma vitrine e um laboratório de trução de uma casa de 206 m², com voltaicas, o pico de produção de ener-
S pesquisa para técnicas de mínimo
impacto ambiental, capaz de incenti-
dois quartos, salas de estar e jantar, co-
zinha, banheiro, área para recepção e
gia ocorre entre 11 e 13 h, período que
não coincide com o horário de maior
var o desenvolvimento de soluções área de serviço coberta – ideal para consumo de energia na casa. "A solu-
inovadoras e eficientes na construção uma família com até quatro pessoas. ção para não desperdiçar a energia ge-
civil. Esse é o objetivo do projeto "Casa A meta da casa, que implicou in- rada foi transferi-la para a rede interna
Eficiente", idealizado pela empresa de vestimento de mais de R$ 470 mil, é da Eletrosul, como se a casa fosse a edí-
transmissão e geração de energia Ele- reduzir o consumo de energia elétrica cula da nossa sede", compara.
trosul (Centrais Elétricas S/A) e pelo em mais de 60%. Para Alves, essa distribuição de
LabEEE (Laboratório de Eficiência A eficiência energética da casa é watts excedentes requer uma legisla-
Energética em Edificações), da Uni- buscada em duas frentes: adequação ção que regulamente parâmetros de
versidade Federal de Santa Catarina, climática (com estudos de insolação, qualidade e nível de tensão da energia
com apoio da Eletrobrás (Centrais ventos predominantes e sombrea- que seria jogada para a rede pública.
Elétricas Brasileiras S/A) e do Procel mento, além de técnicas construtivas "Isso vem sendo estudado por grupos
(Programa Nacional de Conservação termicamente eficientes) e a geração de pesquisadores ligados a universi-
de Energia Elétrica). de energia elétrica no próprio local, dades, empresas de energia e ao Mi-
Para testar "na prática" o desempe- por placas fotovoltaicas com supri- nistério de Minas e Energia", aponta.
nho de técnicas e equipamentos cria- mento de 1,9 kW. Há ainda a questão dos custos, já
dos para otimizar o uso da eletricida- Nesse quesito, a tecnologia está à que as placas fotovoltaicas chegam ao
de, o pátio da Eletrosul, em Florianó- frente da legislação. A casa é ligada à mercado a preços proibitivos para a
polis, foi escolhido para abrigar a cons- rede energética da cidade, mas conta maioria dos construtores.

32 TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


casa inteligente.qxd 1/6/2007 16:22 Page 33

Cobertura em cerâmica tipo portuguesa

Isolante térmico de polietileno aluminizado


Estrutura da cobertura Isolante térmico de
em caibros de madeira lã de rocha de 25 mm Isolante térmico de
laminada colada lã de rocha de 25 mm
Placa fotovoltáica
Forro de OSB
com espessura Telha metálica Forro de OSB
de 1,5 cm com espessura
de 1,5 cm

Projeto inteligente
Manta Isolante de Se uma parte dos equipamentos
geotêxtil poliestireno ainda não é uma realidade de merca-
extrudado do, medidas simples e inteligentes
podem reduzir (e muito) a conta de
Seixo rolado
luz e o impacto ambiental provocado
pela produção de energia. Todo o pro-
Manta
jeto foi longamente estudado em ter-
impermeabilizante +
mos de adequação climática. Softwa-
camada separadora
res criados pelo LabEEE (disponíveis
Laje de concreto
em papel kraft
para download gratuito no site do la-
boratório) compilaram informações
sobre a incidência de luz solar, predo-
minância dos ventos, temperatura e

33
casa inteligente.qxd 1/6/2007 16:22 Page 34

SUSTENTABILIDADE

Estudo do sombreamento
Edificação residencial com 206 m² para uma família de quatro
pessoas comsala de estar, sala de jantar, dois quartos, cozinha,
banheiro, área para recepção e área de serviço coberta

21 de junho
15h

21 de dezembro
15h

Cartas solares

N
Planta do térreo

Área íntima Área social Área de serviços 0 3

umidade na região, guiando a ocupa- técnicas construtivas integra o rol conforto térmico e o desempenho
ção do terreno, a distribuição dos cô- de possibilidades de aumento da ambiental da construção.
modos e a instalação de equipamen- eficiência energética. Na casa, as pa- A casa conta ainda com tecnologias
tos. Aberturas estrategicamente colo- redes duplas de tijolos maciços con- de uso racional da água,que inclui cap-
cadas permitem a entrada do ar frio tam com lã de rocha entre uma e tação de água de chuva para uso no
no verão e treliças de madeira e tijolo outra. A cobertura leva três grupos vaso sanitário, lavanderia e irrigação,
dispersam os ventos frios do inverno. de materiais. Nas laterais, telhas ce- além do reúso de água no jardim.
A adequação climática requer pla- râmicas, isolante térmico em polie- "Aqui nós estamos testando tec-
nejamento, mas proporciona ganhos tileno aluminizado, lã de rocha e nologias de ponta. Não é para se sair
de eficiência energética a baixos cus- forro de placas de OSB. Na parte por aí construindo casas iguais a essa,
tos. Apesar disso, esse é um aspecto frontal da casa, que recebeu os pai- até porque uma casa com menos
pouco considerado nos projetos bra- néis fotovoltaicos, o telhado com equipamentos também pode ser
sileiros. "Infelizmente pouca gente estrutura de madeira laminada co- muito eficiente", afirma Roberto
consulta a norma 15220, da ABNT lada conta com telha metálica e iso- Lamberts.
(Associação Brasileira de Normas lante térmico de lã de rocha (veja Giuliana Capello
Técnicas), que indica os parâmetros ilustração). Por último, o beiral no
para o zoneamento bioclimático em entorno da casa recebeu um jardim
todo o País", lamenta Lamberts. suspenso (telhado verde), com laje
PARA SABER MAIS:
de concreto, manta impermeabili-
Técnicas construtivas zante e isolante de polietileno ex- www.labeee.ufsc.br
A escolha dos materiais e das trudado. Tudo para aumentar o www.eletrosul.gov.br/casaeficiente

34 TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


casa inteligente.qxd 1/6/2007 16:22 Page 35
recuperacao usina.qxd 1/6/2007 16:20 Page 36

RECUPERAÇÃO

Contra-ataque químico
Após sofrer ataques ácidos, estrutura foi recomposta e reforçada, inclusive com
dispositivo para evitar novas contaminações

a engenharia, é pouco provável


N que um erro isolado acarrete em
problemas de grandes dimensões. Ge-
ralmente são causados paulatinamen-
te por acontecimentos encadeados.
Foi o que aconteceu na Usina Dacalda
de açúcar e álcool, localizada na cida-
de de Jacarezinho, no Paraná.
Ocorre que o caldo da cana é
ácido, e seu derramamento constante
na estrutura fez com que as armadu-
ras fossem atingidas pela acidez. Com
o decorrer do tempo – a usina opera
há 13 anos –, essa agressão provocou a
corrosão do concreto e das ferragens.
Em estágio avançado, o ataque ácido
já havia, inclusive, ocasionado perda
de seção de vigas e pilares.
Acrescente-se a esse cenário o fato
de, sobre essa estrutura, operarem as
moendas. Quando do acionamento
do equipamento, todo o conjunto so-
fria grande esforço mecânico. Com a
perda de seção, a resistência foi afeta-
da e passaram a ocorrer solicitações
acima das previstas, como esforços de
cisalhamento. "A recuperação se tor-
nou necessária, pois as solicitações ge-
raram movimentações que poderiam
prejudicar a parte mecânica do con-
junto da moenda", explica o enge-
Fotos: divulgação Projex Engenharia

nheiro Miguel Grandini, da Projex


Engenharia, empresa que projetou e
executou os trabalhos de recuperação
e reforço estrutural.
Mostrava-se imprescindível, por-
tanto, restaurar a seção de concreto
perdida para que a resistência estrutu- Ataques ácidos, provocados pelo derramamento de caldo de cana, provocaram a
ral fosse recuperada. Em paralelo, e corrosão do concreto e das armaduras, que passaram a não atender mais as
para que a solução fosse definitiva, era solicitações estruturais da edificação

36 TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


recuperacao usina.qxd 1/6/2007 16:20 Page 37

necessário estancar o processo de cor-


rosão e eliminar o risco de novas con-
taminações da estrutura.

Resistência de volta
Assim sendo, a primeira provi-
dência tomada foi a de descobrir to-
talmente as armaduras que já esta-
vam expostas. Utilizando disco dia-
mantado, toda a superfície do con-
creto que ainda estava bom foi fresa-
da, uma camada de aproximadamen-
te 2 mm de espessura. Para compensar a perda de seção e de resistência, os pilares foram aumentados em
Com as ferragens à mostra, deci- 10 cm para cada lado e tiveram a taxa de armadura aumentada, além de ganharem
diu-se pela aplicação de tela galvânica proteção catódica
nos pilares para interromper o pro-
cesso corrosivo. Nas vigas, também
nos pontos em que as armaduras esta-
vam descobertas, a escolha foi pela
aplicação de fio galvânico, com carac-
terísticas semelhantes às das telas.
Após garantir que as armaduras e
o próprio concreto não mais sofre-
riam com a deterioração provocada
pela corrosão, foi necessário aumen-
tar a resistência estrutural. A reconsti-
tuição das armaduras se beneficiou
do fato de ser a mesma Projex a res-
ponsável pelo projeto e execução ori-
ginais. Assim, as novas ferragens
foram montadas seguindo os mesmos
critérios das já existentes. Com isso, os
pilares ganharam – além da taxa de
aço – um incremento também na
Recuperados, os pilares passaram a contar com lados de 100 cm. As armaduras
seção. Cada lado, até então com 80
adicionais partem dos blocos de fundação e vão até as vigas, garantindo a
cm, ganhou mais 10 cm, resultando
recuperação efetiva da resistência
em pilares com 100 cm de lado.
A fim de proporcionar um ganho
real de resistência, os arranques das ar- Embora apenas oito dos 14 pilares se esperar que as condições de traba-
maduras adicionais nascem dos blo- apresentassem problemas, todos tive- lho fossem restritas, além de o prazo
cos de fundação e se fixam às vigas. ram as dimensões aumentadas para ser apertado. Afinal, manter a usina
Além disso, o novo concreto apresenta que não houvesse prejuízos estéticos. parada ou operando apenas parcial-
resistência à compressão de 30 MPa, Também as fôrmas foram as mesmas mente representa prejuízos. Por isso, a
ante fck 20 MPa do original.A intenção, – chapas de madeira compensada re- obra foi executada entre 22 de janeiro
resume Christiane Matachana Thomé, sinada – para assegurar o mesmo aca- e 28 de fevereiro deste ano.
também da Projex, era "consolidar a bamento ao concreto aparente. Quanto às restrições, um dos de-
estrutura, transformando-a em um Por se tratar de uma recuperação safios era garantir que não houvesse
monobloco de concreto armado". – e não de uma nova construção – é de vazios no novo concreto aplicado,

37
recuperacao usina.qxd 1/6/2007 16:20 Page 38

RECUPERAÇÃO

Fotos: divulgação Projex Engenharia


Deteriorado, o concreto foi fresado até
que se atingisse um ponto em que
estivesse são. A medida objetivou
eliminar a contaminação e interromper
a corrosão por ataque ácido

positivo é necessário recorrer à quí-


mica. Quando um processo corrosivo
é iniciado, o metal anódico passa a
ceder elétrons para o meio. Com o
tempo, o metal sofre perda de seção e,
conseqüentemente, de resistência.
Sendo impossível evitar que o
metal seja atingido por acidez, a solu-
ção é adotar a proteção catódica. Para
tanto, é necessário colocar o metal em
questão em contato com um ânodo
Nos trechos em que havia trincas, as vigas receberam argamassa de cimento e areia.
de sacrifício. Ou seja, um metal que
A cura do concreto aplicado nos elementos foi feita com uso de manta, molhada
seja ainda mais suscetível à corrosão
continuamente durante sete dias
do que o aço estrutural. Dessa manei-
ra, se o processo de corrosão for in-
mesmo que fosse difícil realizar a vi- optou por contar apenas com as cana- duzido, esse metal de sacrifício cederá
bração após o lançamento. Dessa letas de captação, que deveriam reco- elétrons para a armadura, que se tor-
forma, optou-se por aplicar um con- lher todo o líquido antes que esse atin- nará um cátodo. Em termos, a tela ou
creto auto-adensável nos pilares. gisse a estrutura. o fio galvânico – em liga de alumínio,
"Utilizamos aditivos plastificantes zinco e índio – irão corroer para evitar
para adensar melhor o concreto, Proteção catódica danos às armaduras.
pois o espaço era muito pequeno", Uma vez que o processo corrosivo Essa proteção, que perde massa ao
conta Grandini. Nas vigas, os pontos já havia iniciado, e também porque o longo do tempo, é a única para arma-
que apresentavam trincas foram re- concreto já se encontrava contamina- duras contaminadas, segundo Rodri-
compostos com argamassa de ci- do com o caldo de cana, foi necessário gues, e foi projetada para ter uma vida
mento e areia. lançar mão da proteção catódica con- útil de, pelo menos, dez anos. "Dura
Para a cura dos elementos ado- tra corrosão. "O problema continua, esse tempo ou mais, a menos que haja
tou-se manta, que era mantida úmida porque mesmo com a recuperação é uma contaminação muito abrupta",
durante sete dias. Após o endureci- difícil saber se está havendo nova con- salienta. A função do epóxi de revesti-
mento do concreto, foram aplicados taminação", explica o engenheiro Joa- mento, portanto, é evitar que a con-
um primer e uma resina epóxi para quim Rodrigues, da Rogertec. centração ácida aumente ainda mais.
aumentar a proteção contra a acidez A estratégia adotada para evitar Bruno Loturco
do caldo de cana. Em tempo, tal medi- novas ocorrências foi a aplicação de
da, atesta Grandini, poderia ter sido telas e fios galvânicos em contato dire-
LEIA MAIS
tomada quando da construção da to com as ferragens, a chamada prote-
usina. No entanto, embora a solução ção catódica. Para compreender o Proteção catódica contra a
tenha sido sugerida, o proprietário princípio de funcionamento do dis- corrosão. Téchne 77.

38 TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


recuperacao usina.qxd 1/6/2007 16:20 Page 39
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GRUAS

Plano de cargas
Veja os equipamentos mais comuns para içar,
como preparar a logística do canteiro e como fazer
estudos de produtividade do equipamento

ma grua em atividade reduz o nú- da máquina ficou assentado na calça-


U mero de operários, auxilia no
cumprimento de prazos apertados e
da, embaixo da qual corria uma adu-
tora da companhia de saneamento
torna viável a implantação de diver- local. Resultado: o peso do guindaste
sos sistemas pré-moldados como acabou rompendo a adutora. Além de
vigas, pilares, lajes e fachadas. Os be- não realizar o serviço, a empresa co-
nefícios e facilidades são um contra- brou o período de locação do equipa-
argumento forte àqueles que alimen- mento. "Colocamos na proposta que a
tam verdadeira obsessão por custos existência de tubulações, galerias e
imediatos na obra. No entanto, se outras interferências subterrâneas te-
não forem muito bem calculados em riam que ser informadas. E a constru-
sua figuração proeminente no can- tora não sabia dessa adutora", explica.
teiro, esses equipamentos – ao lado O projeto de implantação de
de outros irmãos colossos, os guin- equipamentos de guindar começa
dastes – podem ter parte das poten- com o chamado Plano de Cargas. O
cialidades anuladas. documento inclui uma espécie de
Exemplos da falta de planejamen- croqui (veja modelo), no qual são le-
to, inconfessáveis pelos próprios en- vados em conta diferentes itens que
volvidos, caem freqüentemente no co- circundam o canteiro: localização de
nhecimento das empresas fornecedo- área de estocagem de materiais, vias
ras. O diretor da divisão de gruas da de circulação de pessoal, redes elétri-
Alec (Associação Brasileira das Empre- cas, edificações vizinhas, recuos, po-
sas Locadoras de Bens Móveis), Paulo sição de árvores, elevadores, gerado-
Melo Alves de Carvalho, relata um caso res, entre outros. "Uma grua pode
típico de má instalação de grua: posi- não fazer o giro completo porque tem
cionada a uma distância muito grande algum impedimento não verificado
da área de carga e descarga, a lança não previamente, então não produz o que
chegava às caçambas dos caminhões. poderia. E a despesa para desmontar
Foi preciso que funcionários transpor- e montar outra vez é muito alta", afir-
tassem os materiais até certo ponto, ma o diretor da Alec.
para que então houvesse o içamento. Um aspecto fundamental no pro-
"Quando devolveu o equipamento, o jeto de utilização de gruas é a escolha
construtor não sentiu o retorno espe- criteriosa do sinaleiro. Profissional
rado", conta Carvalho. com capacitação específica, é ele
Outra situação de despreparo foi quem vai supervisionar a amarração
Marcelo Scandaroli

testemunhada pelo profissional de de cargas para içamento, quanto às


uma empresa locadora de guindastes: características permitidas e peso má-
um dos braços que reforçam o apoio ximo suportado pelo equipamento.

40 TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


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Além disso, ressalta um documento e, com a ajuda de um sistema desenvol-


da Alec com normas de segurança, "o vido pelo fabricante, determina qual o
operador em grande parte dos traje- modelo de máquina adequado, consi-
tos não terá visibilidade da carga, derando fatores como capacidade de
sendo guiado exclusivamente pelas carga e tamanho de lança necessários.
orientações do sinalizador guinchei- Caso o guindaste precise ser colo-
ro". A comunicação deve ocorrer por cado em via pública, também é a lo-
meio de um rádio com freqüência ex- cadora que faz os contatos com ór-
clusiva à operação. gãos municipais e concessionárias
Enquanto empresas locadoras de para liberação do trânsito e elimina-
gruas comumente não se envolvem na ção de fiações elétricas. Segundo um
operacionalização das máquinas, de diretor ouvido por Téchne, 90% dos
modo a evitarem o enquadramento trabalhos estão relacionados à mon-
como prestadoras de serviço (forne- tagem e desmontagem de gruas – que
cem apenas o operador, que fica su- demoram em média dois dias cada.
bordinado aos comandos do sinaleiro Os outros 10% correspondem à ins-
contratado pela construtora), locado- talação de ar-condicionado, içamen-
ras de guindastes se encarregam de to de geradores, transformadores,
todo o trabalho. "O construtor só diz caldeiras, antenas e componentes si-
o que ele precisa, e nós buscamos a milares – serviços que costumam
melhor forma de execução", pontua levar um dia para serem feitos. Rara-
um profissional do ramo. mente são efetuados levantamentos
Um técnico da empresa visita a de materiais de obra. "É muito limita-
obra, toma medidas, consulta plantas do, e fica mais caro."

Checklist
Itens de segurança obrigatórios em gruas segurança para acesso à torre, lança e
 Limitador de momento máximo contralança. Para movimentação vertical
 Limitador de carga máxima para na torre da grua é obrigatório o uso de
bloqueio do dispositivo de elevação dispositivo trava-quedas
 Limitador de fim de curso para o carro  Limitador de giro, quando a grua não
da lança nas duas extremidades dispuser de coletor elétrico
 Limitador de altura que permita  Anemômetro
frenagem segura para o moitão  Dispositivo nas polias que impeça a
 Alarme sonoro para ser acionado pelo saída acidental do cabo de aço
operador em situações de risco e alerta,  Proteção contra a incidência de raios
bem como de acionamento automático solares para a cabina do operador
quando o limitador de carga ou momento  Limitador de curso para o movimento
estiverem atuando de translação de gruas instaladas
 Placas indicativas de carga admissível sobre trilhos
ao longo da lança  Guarda-corpo, corrimão e rodapé nas
 Luz de obstáculo (lâmpada piloto) transposições de superfície
 Trava de segurança no gancho  Limitadores de curso para o movimento
do moitão da lança (aplicável a gruas de lança móvel
 Cabos-guia para fixação dos cabos de ou retrátil)

Fonte: NR-18

41
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GRUAS

Modelo certo
Gruas Em construção civil, os guindastes
mais requisitados têm entre 70 e 100 t
TORRE FIXA Altura: de 18 a 40 m de torre mais
e, num contexto alternativo, de 200 a
edificação
250 t. A espera por esses modelos nas
Ancoragem: não aplicável
empresas locadoras pode chegar a até
Tempo de montagem: de 3 a 5 dias
quatro dias.
Por outro lado, no caso de neces-
AUTOMONTANTE
sidades especiais, de elevadíssimo
Fotos: divulgação Locabens

porte, o mercado dispõe de maqui-


nário relativamente ocioso devido à
baixa demanda do setor – embora a
quantidade em oferta seja reduzida.
Estima-se que haja no Brasil cerca de
Capacidade de carga na ponta:
12 guindastes com capacidade entre
de 1 a 2 t, podendo chegar a 50 t ou mais
500 e 550 t. Já no caso de capacidade
Altura: de 15 a 120 m
de até 50 t, a oferta sobe para aproxi-
Ancoragem: fixação da estrutura da
madamente 200 unidades em todo o
grua à edificação, geralmente a cada 15
País, de acordo com fonte do setor.
ou 20 m
Capacidade de carga na ponta: de O tempo de espera pelos guindas-
Tempo de montagem: de 3 a 5 dias
800 kg a 6 t tes montados sobre caminhão é um
Altura: até 36 m indicativo claro do aquecimento que
TORRE MÓVEL
Ancoragem: não aplicável vive o setor. O fenômeno atinge de
Tempo de montagem: hidráulicas maneira parecida à locação de gruas.
de 1 a 3 h; convencionais em 8 h, "Ainda não chega a haver falta de
em média equipamento, mas isso pode vir a
ocorrer", afirma Paulo Carvalho, da
LANÇA MÓVEL Alec. Ele aponta que os modelos mais
solicitados possuem capacidade de
carga intermediária – entre 1 e 1,5 t,
com lança de 30 a 40 m. "Máquinas
um pouco menores e um pouco
Capacidade de carga na ponta: 1 a 2 t,
maiores são mais acessíveis."
podendo chegar a 50 t ou mais
A seleção técnica dos equipamentos
Altura: de 15 a 60 m
naturalmente está relacionada às carac-
Ancoragem: não aplicável
terísticas individuais de obra, e deve
Tempo de montagem: de 4 a 6 dias
considerar,sobretudo,o fator da produ-
tividade. "Para economizar, o constru-
ASCENSIONAL
tor pega uma máquina com 1 t na ponta
em vez de 1,5 t, e nas oito horas do dia
não consegue dar conta do trabalho. Aí
vai ter que fazer horas extras, e os custos
diretos e indiretos disso acumulam-se
no final", analisa Carvalho.
Também visando à otimização
dos dias locados, antes de uma grua
entrar em operação recomenda-se
Capacidade de carga na ponta:
conferir se a alimentação elétrica do
de 2 a 8 t
canteiro atende à exigência da máqui-
Altura: de 15 a 120 m
na. Falhas nesse sentido causam ex-
Ancoragem: fixação da estrutura da
cesso de manutenção e conseqüente
grua à edificação, geralmente a cada 15
perda de atividade.
Capacidade de carga na ponta: de 1 ou 20 m
a2t Tempo de montagem: de 3 a 5 dias
Segurança
Fonte: Paulo Melo Alves de Carvalho, diretor da divisão de gruas da Alec (Associação A busca por produtividade não
Brasileira das Empresas Locadoras de Bens Móveis) deve pôr em risco a segurança das

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Guindastes
SOBRE CAMINHÃO MONTADO SOBRE CAMINHÃO GUINDASTE SOBRE ESTEIRA
DE FÁBRICA
Fotos: divulgação/I. V. Transportes e Guindastes

Capacidade de carga: até 550 t


Capacidade de carga: até 70 t (na Europa, até 1.200 t) Capacidade de carga: 450 t
Altura máxima: 65 m Altura máxima: 145 m Altura máxima: 150 m
Tamanho do caminhão: 10,5 m Tamanho do caminhão: 23 m Tamanho do equipamento: 22 m com
Peso com contrapeso: 55 t Peso com contrapeso: 315 t mastro
Tempo de preparo: 45 minutos Tempo de preparo: de 2 a 15 h Peso com contrapeso: 550 t
Indicações: Indicações: Tempo de preparo: de 30 a 50 h
 Obras curtas  Obras curtas Indicações:
 Em espaços confinados  Em espaço confinado  Espaços livres
 Trabalhos leves sem movimentação  Trabalhos pesados sem movimentação  Obras longas
horizontal de carga horizontal de carga  Trabalhos muito pesados com
 Trabalhos mais ágeis  Trabalhos rápidos movimentação horizontal de carga

Fonte: Igor Boff, diretor comercial da IV Transportes e Guindastes

mite, previne o diretor da Alec. "Ao


sentir dificuldades de giro, o operador
não deve insistir no movimento, caso
contrário forçará a grua."
Ocorrências de raios também for-
çam à paralisação. "Mesmo com a es-
trutura da grua devidamente aterra-
da, as pessoas que estão próximas a ela
correm perigo, principalmente aque-
las que têm contato com o gancho de
carga", lembra Carvalho.
Mesmo longe de condições climá-
ticas desfavoráveis, a atenção com a
segurança é imprescindível, na forma
de conferências periódicas dos equi-
pamentos. Paulo Carvalho esclarece
que, concluída a montagem da grua, o
O Plano de Cargas estabelece a localização das áreas de estocagem, vias de construtor recebe um Termo de En-
circulação pessoal, redes elétricas, edificações vizinhas, recuos, posição de árvores, trega Técnica, que atesta o bom pre-
elevadores e de qualquer item que interfira na movimentação da grua paro da máquina. Essa análise é repe-
tida mensalmente, como uma manu-
operações, aspecto tão importante Em dias com ventos muito inten- tenção preventiva. "Existe ainda o
em se falando de gruas que os equi- sos, superiores a 42 km/h, indica-se checklist diário do operador, mais
pamentos dispõem de abordagem que o funcionamento só prossiga com simplificado, onde ele confere o fun-
específica na NR-18, Norma Regula- restrições de segurança, assistido por cionamento de itens como os limita-
mentadora do Ministério do Traba- um técnico ou engenheiro capacita- dores, se as marchas estão entrando,
lho que prescreve Condições e Meio dos. A operação deve ser interrompi- se os todos os movimento estão ok",
Ambiente de Trabalho na Indústria da se a velocidade do vento ultrapas- complementa o diretor da Alec.
da Construção. sar os 72 km/h. Ou bem antes desse li- Thiago Oliveira

43
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CAPA

Marcelo Scandaroli

Estádio João Havelange


Custos efetivos com construção do estádio já ultrapassaram há muito tempo a
estimativa orçamentária original, de R$ 60 milhões. Mas a obra exigiu soluções
executivas diferenciadas de engenharia
TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007
44
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ma das principais obras para os


U Jogos Pan-americanos de 2007,
que acontece em julho na cidade do
Rio de Janeiro, a construção do Está-
dio Olímpico Municipal João Have-
lange já consumiu R$ 380 milhões em

Marcelo Scandaroli
investimentos da prefeitura. É um
valor 6,3 vezes maior que o previsto
em 15 de janeiro de 2003, quando o
Diário Oficial do Município divulgava
Corredores largos facilitam fluxo dos torcedores no estádio. Tempo total de
a autorização para a execução do Está-
evacuação previsto pelos projetistas do estádio João Havelange é de 11 minutos
dio e seu orçamento, então estimado
em R$ 60 milhões. O "sutil" erro de es-
timativa ocorreu não apenas no está- também "falta de planejamento e um até 80 t. Mas o destaque do Engenhão,
dio, mas na construção e reforma de certo grau de improviso que parece como também é conhecido o estádio
outros equipamentos para o Pan, que estar presente em todo o processo". municipal construído no bairro En-
também recebiam investimentos fede- O presidente da empresa munici- genho de Dentro, é a cobertura metá-
rais. Por isso, desde o início de 2007 o pal de urbanismo, Riourbe, João Luís lica circular de 4.200 t, sustentada por
TCU (Tribunal de Contas da União) Reis da Silva, conta que, no Estádio quatro grandes arcos metálicos que
vem acompanhando de perto o anda- João Havelange, grande parte dos vencem vãos de até 220 m.
mento das obras, emitindo relatórios atrasos no cronograma da obra se deu
trimestrais até o final da competição. em função de entraves burocráticos Estrutura
O primeiro relatório, apresentado na liberação dos terrenos onde está O primeiro projeto do Engenhão
em abril, afirma que a participação do localizado o estádio. "Nós tivemos previa a construção de 160 pórticos
Governo Federal no custeio dos Jogos, que aguardar a liberação da área de de concreto armado moldados in
previsto em R$ 680 milhões, passou um trecho do terreno do Museu do loco. No entanto, dois motivos leva-
para mais de R$ 1,9 bilhão, segundo Trem, além de outra área, no acesso ram os construtores a repensar a
valores de fevereiro de 2007. Apesar de leste do estádio, onde havia um execução da estrutura: o cronogra-
o valor investido ser quase três vezes campo de futebol. É uma situação ma e o consumo de fôrmas. "Com
maior que o orçado, as obras atrasa- muito complexa, com diversas desa-
ram e, segundo o relator, Marcos Viní- propriações, que fogem do nosso con-
cios Vilaça, houve descumprimento do trole e param no judiciário", justifica.
Acordo de Responsabilidades e Obri- "A última desapropriação foi feita no
gações para o Pan – assinado em 2002, início do mês de maio."
Acervo pessoal César Pereira Lopes

entre outros, pela Odepa (Organização Apesar da polêmica em torno do


Desportiva Pan-americana), pela pre- orçamento e cronograma, o estádio
feitura do Rio e pelo Ministério dos Es- possui hoje as instalações mais mo-
portes –, que exigia que todas as insta- dernas do País. Com capacidade para
lações estivessem em condições de uso 45 mil pessoas, foi projetado preven-
três meses antes da competição. Ele do expansão de mais 15 mil lugares
lembra que a proximidade dos jogos para receber uma eventual Copa do Plataforma metálica transporta
fez surgir um "expressivo número de Mundo, em 2014, e uma Olimpíada, pré-moldado ao local de montagem.
contratações e convênios", que acele- em 2016.A estrutura foi executada em Içamento exigiria taxas maiores
rou o ritmo das obras, mas revelou concreto pré-moldado, com peças de de armaduras

45
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CAPA

N
Planta

Corte A-A 0 15
Acervo pessoal César Pereira Lopes

Transformada em
peça pré-moldada,
a laje dos camarotes
Peça de 60 t, montada a cerca de 30 m de precisou ser
altura, era apoiada apenas no pilar e pendurada à
Marcelo Scandaroli

apresentava balanço para trás e para arquibancada


frente. O apoio, temporário, foi feito com superior. Na foto,
uma escora metálica atirantada – a escora detalhe do tirante
impedia que a peça "tombasse" para frente
e o tirante, que ela "tombasse" para trás

TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


46
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uma estrutura moldada in loco, ha-


veria um consumo brutal de fôr- Na mira do TCU
mas", aponta o projetista estrutural
do estádio, César Pereira Lopes. A
Após o estouro do orçamento e o  Em menos de quatro meses, a partir de
aumento do investimento federal nas novembro de 2006, houve um incremento
saída era modificar o projeto para
obras do Pan, o TCU passou a acompanhar de 154% no valor correspondente à
utilização de peças pré-moldadas no
de perto o andamento dos trabalhos. participação do Governo Federal no
canteiro, o que exigiu arrojo tanto
Confira algumas conclusões do primeiro financiamento das obras do Pan, com a
em termos de projeto quanto de pla-
relatório trimestral do Tribunal, inclusão dos convênios da Vila Pan-
nejamento de montagem. O escritó-
apresentado em 25/04/07. americana (R$ 53 milhões) e do Complexo
rio de cálculo determinou todos os
Esportivo do Maracanã (R$ 40 milhões do
momentos atuantes na estrutura e,
convênio já celebrado + R$ 100 milhões,
de posse dessas informações, a em-  A maioria das obras civis para a perspectiva de repasse).
presa fornecedora de pré-moldados construção das instalações esportivas
subdividiu as peças, sempre procu- dos Jogos Pan-americanos tem o seu  As únicas obras licitadas, contratadas e
rando levar os apoios para regiões de prazo de entrega para junho e julho de pagas pela União são as das instalações
momento zero ou quase zero. 2007, às vésperas das competições. Se da Vila Militar (Complexo Deodoro), que
A primeira alteração resultante do não inviabiliza, isso ao menos prejudica receberão as provas de hipismo. Em
uso de pré-moldados foi a redução a realização de testes dos equipamentos, 12/04/07, o 3o Termo Aditivo acrescentou
pela metade do número de eixos, de podendo inviabilizar competições ao contrato a quantia de R$ 119,8
160 para 80. Moldada no local, a es- nas instalações. milhões, que corresponde a 55,8% de
trutura contaria com arquibancadas seu valor inicial, bem acima dos limites
apoiadas em eixos distantes 5 m entre  A exigüidade dos prazos leva o Governo permitidos pela lei.
do Estado e a Prefeitura a fazer
si. Com a mudança de sistema estru-
tural, a distância entre eixos passou
acréscimos de serviços em contratos  No caso das obras do Pan, cujo prazo
preexistentes para evitar a realização de de conclusão é improrrogável, os
para 10 m e as arquibancadas, a serem
novos procedimentos licitatórios. O TCU prejuízos de sua não conclusão são
pré-moldadas no canteiro. Segundo
deverá avaliar se os contratos pagos em incalculáveis. Os danos de paralisação
Décio Previato, diretor da CPI Enge-
convênio com Governo Federal foram são maiores do que a apuração de
nharia, a alteração permitiu economi-
realizados dentro dos ditames da lei. responsabilidade a posteriori.
zar em concreto e armação na estru-
tura e nas fundações. Por questões
"psicológicas", a espessura da estrutu-
ra foi mantida. "Ela permaneceu com
a aparência maior para não ficar
muito esbelta e passar a sensação de
ser muito leve", explica Previato. Os
engenheiros utilizaram EPS para
preencher as peças.
As arquibancadas originais, mol-
dadas in loco, foram concebidas como
vigas contínuas. Com a adoção do sis-
tema pré-moldado, essas estruturas
passaram a ser isostáticas, ou seja, as
80 arquibancadas eram módulos in-
dependentes entre si. Tal modificação
alterou bastante o modo de vibração
da estrutura das arquibancadas e o
cálculo dos esforços precisou ser re-
feito. Por isso, essas foram as peças
mais alteradas do projeto original. "As
alturas das arquibancadas precisaram
Marcelo Scandaroli

ser aumentadas para compensar a


perda de continuidade das vigas, e
assim solucionar o problema da vi-
bração", explica Lopes. Estádio possui estrutura única para cobertura dos quatro setores de arquibancadas.
Cada pórtico foi decomposto em Característica tornou a execução delicada, e atenção especial foi dispensada ao
13 peças. Algumas pesam 80 t e preci- descimbramento dos setores norte e sul

47
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CAPA

Novos em folha
As principais características dos equipamentos construídos especialmente para o Pan 2007

Eliane Carvalho
Velódromo
Marcelo Scandaroli

O Velódromo possui telhas translúcidas


para aproveitar iluminação natural nas
provas que acontecerão durante o dia. O
piso da pista é produzido com madeira
Arena Olímpica Multiuso siberiana, tratada e cortada na Holanda por
uma equipe de especialistas coordenada
A Arena Olímpica Multiuso tem capacidade
pelo arquiteto do circuito, Sander Douma.
para 15 mil espectadores e receberá, no
É um dos equipamentos com previsão de
Pan 2007, os jogos de basquete e as
entrega no mês da competição.
apresentações de Ginástica Olímpica.
Sobretudo para o último tipo de
competição, o isolamento acústico do Vila do Pan
ambiente é fundamental. Para garanti-lo, a
A Vila Pan-americana está localizada em
cobertura conta com um sistema composto
um terreno originalmente pantanoso,
por duas camadas de telha metálica
beirando a avenida Ayrton Senna, em
intercaladas com uma manta de lã de
Jacarepaguá – um subsolo bastante
rocha. A camada superior é zipada e a
parecido com o do Complexo Esportivo do
Marcelo Scandaroli

inferior é perfurada, de modo a evitar


Autódromo. Ela possui uma praça central,
reverberação. A área da quadra principal
ganhou um sistema de arquibancadas
retráteis que permite a expansão de mais
Reforço estrutural no piso da quadra
1.716 lugares. Em eventos de maior
prevê trânsito de veículos de apoio
público, uma espécie de gaveteiro –
localizado sob as arquibancadas de
concreto – é aberto sobre a quadra, fazendo
a estrutura metálica escorregar sobre o
sistema de trilhos. As bordas do piso de
madeira da quadra receberam reforço
estrutural e de amortecimento. Segundo o
coordenador da obra, o engenheiro Jacob
Gimi Lerner, os barrotes de madeira sob o
piso serão menos espaçados, já que se
prevê eventualmente o trânsito de veículos
Marcelo Scandaroli

de apoio no local. O solo argiloso onde a


Arena foi construída, localizado próximo às
Marcelo Scandaroli

margens da Lagoa de Jacarepaguá, exigiu o


uso de 35 mil m de estacas raiz, com Ginásio tem telha metálica perfurada para
profundidades que variam de 12 a 30 m. evitar reverberação

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com um lago de 3.500 m² de espelho


d'água. Roberto Saad, gerente de obras,
da Agenco, construtora que executou a
Vila, conta que, em vez de estaquear a
área, a empresa optou por realizar um
processo de aceleração de recalque na
região do lago – que durou cerca de um
ano – com a utilização de 50 mil m de
drenos fibroquímicos. "Um processo
que aconteceria em dez anos, nós
forçamos para ocorrer em um ano",
explica Saad. Todo o resto do terreno da
Vila – inclusive ruas e redes de
abastecimento de água e coleta de
esgoto – foi estaqueado. Os prédios de
apartamentos foram construídos em
concreto armado moldado in loco
Fotos: Marcelo Scandaroli

convencional, com exceção das lajes do


teto dos subsolos, pré-fabricadas.
Segundo Saad, essas lajes ocupam
praticamente todo o terreno da Vila –
foram cerca de 45 mil m² só de peças
Parque Aquático
pré-fabricadas. "Fazendo dessa maneira,
conseguimos uma velocidade de O Parque Aquático Maria Menck possui externas, acessíveis pelo subsolo da
execução muito grande na obra", três piscinas, de 3,8 milhões, 3,4 construção. "Mesmo com todos os
justifica. As plantas baixas dos prédios milhões e 1,8 milhão de litros. O cuidados, ocorrem esses pequenos
têm um átrio central, vazado do térreo à concreto das piscinas recebeu a vazamentos. Então, nós aplicamos o
cobertura, de onde saem, dependendo aplicação de um selante canadense, produto na parede externa e ele vedou
do projeto, duas, três ou quatro "asas". que penetra nos poros do concreto e, esses pontos de infiltração", explica
Essas "asas" permitem que todos os em caso de vazamento, cristaliza em Magalhães. "Em contato com a água, o
cômodos das unidades tenham contato com a água. O coordenador da produto expande-se, cristaliza-se e sela
iluminação e ventilação naturais. obra, Ivan Magalhães, conta que o esses 'buracos'", conclui.
produto é aplicável inclusive com a
piscina cheia. Foi o que, de fato,
ocorreu no caso do Parque Aquático.
Quando as piscinas foram preenchidas
com água, detectaram-se alguns
pontos de vazamento em suas paredes

As arquibancadas são protegidas por uma


cobertura metálica, cuja carga é sustentada
Selante aplicado em vazamento pela parede por quatro pilares externos. A estabilidade
exterior da piscina. Produto cristaliza ao horizontal é dada pelo atirantamento das
entrar em contato com a água colunas à estrutura da arquibancada

49
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CAPA

para outras peças. No final, foram


mais de 60 mil desenhos. Para ajudar
no trabalho, os projetistas utilizaram
um software de design de peças metá-
licas chamado XSteel.
A concepção arquitetônica pecu-
liar da cobertura resultou em um ca-
pítulo especial na elaboração do pro-
jeto executivo da cobertura do estádio
carioca. Como o Estádio da Luz, o En-
genhão possui quatro arcos que sus-
tentam a cobertura das arquibanca-
das. Mas as semelhanças param por
aí. No estádio português, cada arco

Marcelo Scandaroli
sustenta um dos setores de cobertura,
que são independentes entre si. No
caso brasileiro, os arcos sustentam
uma única estrutura em formato de
foi realizado pelo escritório para- anel, que cobre os quatro setores de
naense Andrade Rezende. Para a arquibancada – fato que muda drasti-
obra, a empresa consorciou-se a ou- camente a maneira de projetar e,
tros dois escritórios: o Alpha Proje- principalmente, executar a cobertura.
tos, do arquiteto Flávio D'Alambert, "A estrutura não tem estabilidade
Divulgação: Andrade Rezende

que elaborou o projeto básico da es- parcial, ela só fica estável quando está
trutura; e o Tal Projetos, empresa montada e solidarizada", explica An-
portuguesa que já havia participado drade. Além de suportar as cargas ver-
da construção do Estádio da Luz, em ticais da cobertura, os arcos absor-
Portugal, e que supervisionou a ela- vem, também, seus esforços horizon-
Complexidade do projeto da cobertura do
boração do projeto da cobertura. tais. Dessa forma, a estabilidade no
Engenhão exigiu a produção de mais de
A concepção arquitetônica do está- sentido norte-sul é dada pelos arcos
60 mil peças, todas diferentes entre si
dio foi inspirada em um projeto da dé- das laterais, que vencem os vãos de
cada de 40, criado por Oscar Niemeyer 220 m; e a estabilidade no sentido
savam ser posicionadas a até 30 m de para o Estádio do Maracanã. Na oca- leste-oeste, pelos arcos transversais,
altura.Por isso,o projeto estrutural dos sião, o trabalho ficou em segundo lu- que vencem vãos de 180 m.
elementos deve levar em consideração gar na concorrência pela obra, não foi A etapa de montagem foi bastan-
não apenas os esforços que suportarão utilizado e havia sido abandonado. te cuidadosa. Primeiro, foram execu-
em sua utilização final, mas também Carlos Porto remodelou-o para o Está- tadas estruturas laterais (leste e
aqueles resultantes de sua movimenta- dio João Havelange: quatro arcos me- oeste). Em cada uma delas, 14 torres
ção. Lopes conta que os esforços de fle- tálicos que sustentam uma cobertura treliçadas, apoiadas sobre macacos
xão resultantes do transporte das peças circular também metálica que envolve hidráulicos, sustentavam o conjunto
implicariam um projeto com alto con- todas as arquibancadas. composto por arco e cobertura.
sumo de aço. A solução, relativamente Segundo Jeferson Luiz Andrade, Quando esses setores eram concluí-
simples, foi utilizar apoios metálicos diretor técnico da Andrade Rezende, dos, os macacos eram acionados e as
que carregavam os elementos a suas o projeto da cobertura apresentava torres, retiradas – com o cuidado de
posições finais. Elementos metálicos grande complexidade geométrica. "A manter o sistema escorado até a con-
também foram utilizados como "ta- cobertura não está toda no mesmo clusão dos setores norte e sul. Com os
las", que temporariamente sustenta- nível, ela descreve parábolas, tem par- segmentos prontos e a estrutura soli-
vam as peças de concreto recém-soli- tes mais altas, outras mais baixas." A darizada, o controle do descimbra-
darizadas. "Na emenda você aplica o conseqüência disso era que nenhuma mento precisou ser mais rígido. "Era
graute, mas o que segura até aquilo peça era igual à outra – segundo An- preciso que o descimbramento das 22
virar uma estrutura monolítica é a drade, poderiam ser bastante pareci- torres nas duas pontas fosse feito ao
'tala' metálica", explica o projetista. das, mas sempre havia pequenas dife- mesmo tempo", afirma Andrade.
renças, ainda que milimétricas. O de- Manômetros instalados nos macacos
Cobertura talhamento de cada peça deu bastante permitiram acompanhar com preci-
O projeto executivo da cobertura trabalho, já que os desenhos eram são a evolução do trabalho.
metálica do Estádio João Havelange únicos e não podiam ser aproveitados Renato Faria

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DRYWALL

Placa verde
Com exceção de áreas externas, gesso acartonado pode ser usado em áreas
molháveis, inclusive boxes de banheiros

s placas de gesso acartonado re- gesso acartonado, as placas RU devem uso indevido pode acarretar na perda
A sistentes à umidade (RU) se dife-
renciam das placas padrão por sua
apresentar uma taxa de absorção de
água máxima de 5%. "Nas placas
da garantia do produto. A utilização
dessas placas é permitida em áreas su-
coloração esverdeada. No processo de Standard, sob as mesmas condições jeitas ao vapor e à projeção de água,
fabricação dessas chapas, são incluí- de ensaios, a absorção pode chegar a desde que ocorram de forma não sis-
dos na mistura do gesso alguns aditi- 70%", conta Duarte. temática. Por isso, apesar dos precon-
vos hidrofugantes – normalmente à Mas, apesar da resistência do ma- ceitos de alguns construtores, são tec-
base de silicone – que reduzem a taxa terial, não é em qualquer ambiente nicamente viáveis inclusive nas áreas
de absorção da água pelo material. molhável que se pode utilizar as cha- de boxes dos banheiros.
Salvador Duarte, membro da comis- pas resistentes à umidade. Segundo Dependendo do dimensiona-
são técnica da Associação Brasileira Duarte, a ação dos intemperismos em mento das cargas da parede, pode
dos Fabricantes de Chapas para Dry- áreas externas é agressiva demais haver a necessidade de reduzir os es-
wall, explica que, de acordo com a mesmo para as placas verdes. "Algu- paçamentos entre os montantes. A
norma NBR 14.717, que define as ca- mas fachadas são verdadeiras ca- aplicação de revestimentos mais pe-
racterísticas físicas das chapas de choeiras", afirma, ressaltando que esse sados, como granitos, pode exigir es-

Produtos no mercado
Confira as especificações técnicas das
chapas dos principais fabricantes do Brasil.

Placa RU Knauf
Espessuras: 9,5, 12,5 e 15 mm
Dimensões: 1.200 x 1.800 mm a
1.200 x 3.600 mm
Peso/área: 6,5 a 14 kg/m2, dependendo
da espessura da placa

Placa RU Lafarge Gypsum


Espessuras: 12,5 mm
Dimensões: 1.200 x 1.800 mm a
1.200 x 2.800 mm
Peso/área: nd
Fotos: Marcelo Scandaroli

Placa RU Placo
Espessuras: 12,5 e 15 mm
Dimensões: 1.200 x 2.400 mm (padrão)
Peso/Área: 10 e 12,5 kg/m²

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paçamentos menores, de 40 cm, entre

Manual de Montagem de Sistemas de Drywall – Associação Brasileira dos Fabricantes de Chapas para Drywall/Editora PINI
os perfis. Acabamentos tradicionais –
como a pintura sobre o próprio dry-
wall ou até mesmo revestimento ce-
râmico – são mais leves e permitem o
posicionamento mais distante dos
perfis verticais, a até 60 cm.
As tubulações são colocadas du-
rante a execução da estrutura metáli-
ca da parede, e alguns cuidados na
etapa devem ser observados. Algu-
mas obras têm tubulações de água
quente em cobre ou bronze. Esses
materiais são altamente reativos se
encostados no aço galvanizado dos
perfis metálicos da parede. O contato
prolongado entre os elementos, por-
tanto, prejudica a proteção catódica
conferida ao aço galvanizado, expon-
do-o mais rapidamente a ataques
corrosivos. Dessa forma, alerta Duar-
te, é obrigatório isolar a tubulação
metálica com espumas ou borracha. Esquema de impermeabilização da interface piso-drywall: à esquerda, constituição de
Em caso de passagem de tubula- membrana a frio; a direita, impermeabilização com manta asfáltica, feita com maçarico
ção plástica, é importante colocar
protetores plásticos nos furos dos
montantes. Essa região possui extre-
midades muitas vezes cortantes, que
podem funcionar como "navalhas" e
danificar o encanamento, causando
vazamentos ou expondo a fiação elé-
trica. "É uma proteção tanto para ele-
trodutos quanto para a tubulação de
água", explica.
Os pontos de saída das tubula-
ções devem ser fixados à estrutura da
parede – diretamente nos montantes
ou em travessas horizontais metálicas
ou de madeira tratada. As frestas da
região de contato entre os pontos de
saída e a chapa de gesso devem ser ve-
dadas com selantes elastoméricos.
"Uma prática errada é a vedação com
Tubulação recebe protetores Impermeabilização com emulsões
gesso ou massa corrida", explica
plásticos na região dos furos dos dispensam uso de rodapé metálico.
Duarte. Esses pontos de saída devem
montantes. A extremidade cortante Deve-se apenas deixar 1 cm entre a
avançar cerca de 2 mm para fora do
dos perfis metálicos pode danificar chapa de gesso e o piso para aplicação
revestimento da parede.
os materiais plásticos de selante (mástique ou similar)
Para amenizar o ruído resultante
da passagem de líquidos, o isolamen-
to acústico pode ser feito com lã mi- Cortes na lã podem ser feitos para o aplicada no local, o esquema de
neral, de preferência posicionada envolvimento da tubulação passante. montagem do sistema pode apre-
após o fechamento de um dos lados Segundo Duarte, a área mais sentar uma pequena variação. Caso
da parede. Colocadas entre os mon- sensível das paredes de drywall é a a opção do construtor seja por im-
tantes, devem preencher uniforme- base do sistema, na interface com o permeabilização com manta asfálti-
mente o espaço, evitando-se vazios piso. Dependendo do projeto e do ca, aplicada com maçarico, é neces-
que permitam a passagem do som. tipo de impermeabilização que será sária a utilização de um rodapé

53
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DRYWALL
Fotos: Marcelo Scandaroli

Lã mineral deve preencher todo o espaço entre os montantes. Furos podem ser feitos para passagem de tubulação

Estrutura do drywall deve receber Interface entre piso e parede drywall é a mais sensível em áreas molháveis.
reforços nas regiões de fixação de Para garantir estanqueidade, impermeabilização deve avançar, no mínimo,
lavatórios, vasos sanitários e armários 20 cm parede acima

metálico de, no mínimo, 20 cm de próximas ao contrapiso, separadas A natureza do drywall confere ao


altura. É sobre a peça que se apoiará dele por uma camada de vedação de sistema a característica de absorver
a base das chapas de drywall das mástique ou material similar. as deformações naturais da estrutura
áreas úmidas. O procedimento de O coordenador de produção da onde ele está encaixado. "Essas de-
impermeabilização é o mesmo, com Lúcio Engenharia, Manuel Regueiro formações precisam ser transferidas
a aplicação da manta e da proteção Rodriguez, conta que, na construtora, para as camadas mais externas de re-
mecânica. A regularização da super- também a interface entre as paredes vestimento", explica Duarte. Para
fície é dada pela camada de arga- de drywall e de alvenaria convencio- isso, ele recomenda a utilização de
massa colante, que fixará o revesti- nal recebem tratamento de imper- argamassas colantes ACII e rejuntes
mento (veja ilustração). A aplicação meabilização. "Quando temos esse flexíveis, que conferem ao revesti-
de emulsões que formam membra- encontro, ambas recebem tratamento mento a mobilidade necessária para
nas impermeabilizantes dispensa o de impermeabilização e a junta verti- não fissurar com os esforços que lhes
uso do rodapé metálico, e as bases cal é realizada com material selante", são transferidos.
das placas podem ser apoiadas mais explica o engenheiro. Renato Faria

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CONTENÇÕES

Terra firme
Conheça os vários métodos de contenção dos terrenos inclinados e veja quais
as soluções para calcular ou reforçar os taludes

ortar ou aterrar terrenos pode ser "Não há uma única fórmula que indi- que pode ser feita com drenos fibroquí-
C um grande desafio à física e à ma-
temática: muitas vezes, de acordo com
que qual o melhor sistema de conten-
ção de taludes para cada uma dessas si-
micos, horizontais profundos (DHP)
ou trincheiras drenantes e materiais
a resistência ao cisalhamento e a umi- tuações", afirma o engenheiro e pro- permeáveis, como a areia", exemplifica.
dade que permeia o terreno, o rompi- fessor da Escola de Engenharia Mauá É bastante provável também que
mento de um talude pode fazer com Nélcio Azevedo Júnior. seja necessário alterar a geometria do
que as idéias de um projeto de enge- Ele reúne as diferentes soluções em terreno, caso ele esteja pouco inclina-
nharia de solos escorreguem pelas en- três grupos básicos. O primeiro consis- do, ou vertical demais. Criar uma
costas. Contudo, para a prevenção de te em métodos de redução da pressão berma ou tirar o peso excessivo de
deslizamentos em rodovias, encostas, neutra, já que a água é, geralmente, a cima do talude são alguns dos méto-
rios e canais, ou até mesmo nas pare- principal causa de rupturas. "O grande dos indicados.
des de garagens subterrâneas, a tecno- problema das encostas é a água; e a al- "Em muitos casos, contudo, não se
logia já encontrou diversas soluções. ternativa é, sem dúvida, a drenagem, tem espaço físico nem acesso suficien-

Sofia Mattos

Os tirantes estão entre as soluções mais modernas de contenção de taludes; entretanto, seus custos são mais elevados

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te de terreno para que ele possa ser tra-


tado em sua geometria", justifica o
professor, apontando, nesses casos, a
utilização de elementos externos,
como muros de arrimo, solos gram-
peados, tirantes, estacas, paredes-dia-
fragma ou geotêxteis.
Como não há uma única solução
para cada caso, é necessário fazer um
estudo aprofundado do solo e ter cria-
tividade. Às vezes, será necessário com-
binar algumas dessas soluções: "Tudo
depende do solo", confirma a professo-
ra do Departamento de Estruturas e

Divulgação: Ober Geossintéticos


Geotécnica da Escola Politécnica da
USP, Heloisa Helena Silva Gonçalves.
"Primeiro, se há espaço para cortar
o talude, o ideal é projetá-lo em um
determinado ângulo no qual não seja
necessário fazer mais nada, além da
Os muros de arrimo, tradicional solução estrutural, podem ser executados com
cobertura com grama, que evita a ero-
pedras ou ainda pedras argamassadas ou solo-cimento ensacado
são do solo. Caso o solo seja bom, mais
coesivo, o talude até poderá ser mais
vertical, ou seja, o ângulo de corte Além das condições de solo – per- considera a superfície plana de ruptu-
pode até ser maior que o de atrito", ex- meabilidade e acumulação de água – e ra, calculando-se o equilíbrio das for-
plica a professora. logística para execução da obra, outros ças para diferentes ângulos de cunhas
itens como localidade, distância dos de ruptura, onde o empuxo ativo é o
Parâmetros fornecedores, disponibilidade de ma- maior valor de empuxo obtido.
Os parâmetros que representam o teriais, equipamentos e mão-de-obra "As primeiras teorias de Coulomb
comportamento do solo podem ser determinarão o melhor sistema para falavam que o escorregamento ocorria
obtidos por ensaios de laboratórios. cada encosta. como uma cunha – o cálculo teve de
Estes são utilizados em cálculo de esta- "É sempre bom pesquisar os pre- ser adaptado, já que hoje se sabe que
bilidade do talude, com programas ços dos materiais, o que está mais viá- esse movimento do solo é circular",
para dimensionamento (há métodos vel no momento, se é o concreto, ou o conta Nélcio. "Coulomb enxergou esse
também disponíveis em livros didáti- metal ou os geossintéticos", aconselha fenômeno, mas não teve em mãos o
cos). "Para aumentar a segurança de Heloisa. Assim, se existe uma obra já instrumental matemático suficiente
um talude pode-se fazer o retaluda- em andamento numa região onde ti- para chegar à função da curva; assim,
mento. O método consiste em reduzir rantes estão sendo empregados, vale a seu esquema simplificado era funcio-
a inclinação do talude ou na constru- pena avaliar, pois pode ser essa a solu- nal porque superdimensionava o fe-
ção de bermas intermediárias", afirma ção mais barata no momento. "Porém, nômeno", relata.
o professor coordenador de pós-gra- não perca no desempenho técnico O projeto geotécnico de uma con-
duação em Engenharia Geotécnica da com a procura pelo mais barato. É pre- tenção é realizado por engenheiros
Poli-USP Marcos Massao Futai. "A ciso ter, para todos os métodos avalia- geotécnicos. Eles definem a melhor
grama tem função superficial e é uma dos, o mesmo coeficiente de seguran- solução técnico-econômica. A execu-
proteção, não pode ser vista como ele- ça, para depois ver qual é o mais em ção da obra é realizada por empresas
mento de contenção ou estabilização", conta", ensina. especializadas, pois muitas vezes são
define. "Quando é preciso cortar o ta- Todo esse planejamento será feito necessários equipamentos e mão-de-
lude em ângulo mais íngreme, usam- em projeto, com cálculo dos esforços, obra especializados.
se técnicas de contenção." análise dos possíveis sistemas e seus Para garantir maior segurança, há
"Às vezes não é possível invadir um respectivos preços, além das possibili- monitoramentos de obra que contro-
terreno para se fazer o talude, ou ainda dades de execução. lam, por diversos instrumentos, todas
os prazos são muito curtos. A cortina Os especialistas mencionaram as movimentações do solo.A cada mo-
atirantada,mesmo que mais cara,pode como métodos de cálculo mais utiliza- vimento, é preciso que se introduza
ser a melhor solução", simula Nélcio, dos os de Rankine, que admite terra- uma nova solução ou reforço. Mas, no
que defende uma avaliação ponderada pleno horizontal, material não-coesivo mundo da tecnologia e da criatividade,
do custo–benefício, caso a caso. e ausência de água; e de Coulomb, que o que vale ainda é a velha regra: prestar

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CONTENÇÕES

sempre atenção às novidades que o dos solos argilosos moles e pouco per- feita com concreto projetado.Normal-
mercado e os pesquisadores oferecem. meáveis, permitindo aumento da re- mente leva placas pré-moldadas ou
Em linhas gerais, os processos para sistência ao cisalhamento. O processo simplesmente grama.
estabilização de encostas consistem de consolidação começa quando o ter- O mesmo vale para os solos gram-
em: eliminação da água, atenuação da reno, ao ser comprimido, filtra a água peados, onde barras de aço são inseri-
pressão de água e dos efeitos de gravi- contida entre os poros das partículas das, sem tração, ou chumbadores são
dade, e controle da erosão. sólidas, reduzindo seu volume e dimi- instalados no solo em corte com o re-
A eliminação da água dá-se pela nuindo sensivelmente o percurso a ser vestimento na face do talude. A inje-
captação de fontes e bolsões aqüífe- tomado pela água até uma região per- ção da argamassa é realizada por um
ros, regularização do escoamento ou meável e sem pressões. tubo (perdido) e a extremidade pode
drenagem superficial. Esses métodos A execução do dreno vertical, ser simplesmente dobrada ou fixada
tendem a baixar o nível da água para que pode chegar a 40 m de profundi- com placa, rosca e porca. Ao mesmo
um ponto abaixo da provável linha dade, é feita com a ajuda de um tempo, drenos profundos (tubos PVC
de ruptura. guindaste e com a introdução de um rígidos 1 ½'' a 2'', envoltos por telas de
Tubos metálicos perfurados po- material de elevado coeficiente de comprimentos que variam entre 6 e
dem ser verticalmente instalados no permeabilidade e capacidade de re- 18 m), canaletas ou descidas de água
solo e estarem ligados a bombas de sistir aos esforços pelo adensamento são executados. A armação, na maio-
sucção na superfície. A dificuldade e execução de aterros. ria das vezes, é uma tela soldada, se-
maior, nesse caso, é manter o funcio- Para a atenuação de efeitos de gravi- guida de concreto projetado. Alterna-
namento da bomba, o que pode invia- dade,opta-se por aliviar o peso com ter- tiva a essa última seria a aplicação do
bilizar a solução. raceamento ou escavações no alto do ta- concreto com fibras.
As DHPs (drenagens horizontais lude, ou ainda por bermas de equilíbrio
profundas) consistem em tubos hori- ao lado ou no pé dos mesmos. Jet-grouting
zontais perfurados (normalmente de A redução da declividade também O jet-grouting é uma técnica de re-
PVC enrolados em material geotêx- pode ser uma solução viável. forço do solo com misturas líquidas
til), envoltos por areia ou material Pode ser necessário que o solo seja de cimento jateadas. Primeiramente o
permeável, que ajuda a água a encon- reforçado já durante a execução. Nesse bico penetra o solo injetando água,
trar o caminho mais fácil de saída caso, fitas metálicas ou geossintéticos para revolver o solo, para depois subir
para bem longe da superfície externa são usados como armadura, dando formando uma coluna de solo-ci-
da contenção. origem ao nome 'terra armada', como mento. A formação de paredes com
Não se pode, contudo, esquecer da também é conhecida. Os geossintéti- uma seqüência de colunas permite
drenagem superficial, com valetas nas cos são geogrelhas, geomalhas, geo- que se façam as escavações posterior-
cristas ou plataformas,nem de regulari- membranas, geocompostos ou geocé- mente. Pode-se entender uma coluna
zar o escoamento, com terraceamento, lulas, inseridos em camadas de solo em jet-grouting como elemento de
valeteamento ou aterro de depressões. compactado na construção do aterro, contenção (parede de solo-cimento)
Já os geodrenos verticais fibroquí- para equilibrar uma provável ruptura. ou coluna de reforço (estaca). As dife-
micos eliminam rapidamente a água A proteção do solo reforçado não é rentes tecnologias no mercado permi-

Divulgação: Ober Geossintéticos


Sofia Mattos

Composto por polímeros fundidos e


extrudados, os geotêxteis têm boa
A contenção com concreto projetado é um método bastante difundido em encostas permeabilidade, o que evita a saturação
às margens de rodovias do talude

TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


58
taludes.qxd 1/6/2007 16:32 Page 59

Divulgação: Macaferri

Os gabiões são um dos sistemas mais utilizados para contenções: a pedra britada envolvida por gaiolas garante que a estrutura
seja drenável e deformável

tem que as colunas cheguem a ter 190 utilização de pré-moldados de concre- de ruptura. Assim, impede-se que
cm de diâmetro. to armado ou protendido na execução tudo venha abaixo.
No caso das cortinas atirantadas, dessas paredes. Eles podem ser gabiões ou crib-
que são construídas a partir do topo walls (elementos vazados de concreto,
em faixas horizontais, à medida que o Estacas raiz aço ou madeira, preenchidos com o
corte é executado, as ancoragens são Outro meio de conter os empuxos próprio material do corte), sacos de
barras ou tirantes embutidos no pró- horizontais são as estacas raiz, que areia, cimento ou até mesmo pneus.
prio maciço que será arrimado, e também são concretadas in loco, com Embora todas as soluções, inclu-
podem funcionar à tração de até 1.500 diâmetro que vai de 80 a 450 mm. sive os retaludes, devam apresentar
kN. Em aterros, após cada uma das Executadas em direção vertical ou in- um sistema de drenagem adequado,
etapas, os tirantes são instalados. Caso clinada, utiliza-se de rotação ou roto- o espaço físico disponível, as condi-
a cortina atinja o lençol freático, dre- percussão com circulação de água, ções de acesso, o material disponível,
nos profundos deverão ser instalados. lama betonítica ou ar comprimido e os custos e o tipo de solo devem ser
As paredes-diafragma também pode atravessar qualquer tipo de ter- estudados para conseguir-se um sis-
podem ser construídas de cima para reno. A concretagem é feita de baixo tema eficiente.
baixo: elas são executadas em painéis para cima, aplicando-se pressão con- O princípio de funcionamento das
ou lamelas (sucessivos ou alternados), trolada, de acordo com a natureza do estruturas de contenção é o mesmo,
de continuidade assegurada por tubo solo. A evolução tecnológica permitiu independente do método. Todas pro-
ou chapa-junta, colocado após o início que o processo de perfuração não movem, ativa ou passivamente, resis-
do endurecimento do concreto. Versá- provocasse vibrações ou descompres- tência ao deslocamento de terra e rup-
til, esse sistema aplica-se bem a servi- são do terreno. A estaca raiz resiste a tura ocasionados pelo corte.A diferen-
ços de subfundação e de proteção de cargas de tração muito altas e os equi- ça principal diz respeito ao local de
obras ameaçadas por ação das águas, pamentos mais modernos permitem apoio de tais estruturas. Enquanto o
grandes obras hidráulicas, obras de ca- executá-las com uso de cargas de até muro de arrimo é um peso indepen-
nalização, buracos subterrâneos, 1.500 kN. dente, que lança mão apenas da gravi-
como no caso de construções para Há muros de arrimo, contudo, dade para funcionar, o método deno-
metrô ou garagens. Feito in loco, o dia- que só podem ser construídos de minado solo grampeado e as cortinas
fragma nada mais é que um muro baixo para cima, como é o caso dos atirantadas procuram a zona resistente
contínuo e vertical de concreto arma- pesos aplicados na base dos taludes, para se fixarem, penetrando no
do com espessura que pode chegar a para que um contra-empuxo seja mesmo solo que devem estabilizar.
120 cm. Hoje é possível encontrar a maior que o empuxo ativo, no ponto Giovanny Gerolla

59
artigo123.qxd 1/6/2007 16:28 Page 60

Envie artigo para: techne@pini.com.br.


O texto não deve ultrapassar o limite
de 15 mil caracteres (com espaço).

ARTIGO Fotos devem ser encaminhadas


separadamente em JPG.

Construtoras e
subempreiteiras: quem
ganha e quem perde?
subcontratação de serviços na senvolvidas. Analisando-se a estrutura
A construção brasileira é uma prática
irreversível, acompanhando uma ten-
Alberto Casado Lordsleem Jr.
Doutor em engenharia de construção
organizacional dessas empresas con-
cluiu-se que:
civil pela Epusp, professor da Escola
dência mundial de imprimir flexibilida- As empresas A, B, C e D não apresen-
Politécnica da Universidade de
de à produção. Porém, chamadas em- tam departamentos formalizados e os
Pernambuco
presas subempreiteiras, subcontratadas sócios ficam responsáveis pela totalida-
alberto.casado@oi.com.br
ou especializadas têm tido dificuldades de das atividades; enquanto as E, F, G e
para responder às exigências da legisla- H apresentam departamentos formali-
Mercia Maria Bottura de Barros
ção vigente e do próprio mercado. zados,com responsáveis bem definidos.
Doutora em engenharia de construção
Neste artigo busca-se identificar  Uma vantagem associada ao pe-
civil pela Epusp, professora da Escola
essas dificuldades e possíveis soluções,a queno porte das empresas A, B, C e D
Politécnica da Universidade de São Paulo
partir de uma pesquisa com oito su- é a maior agilidade na resolução de
mercia.barros@poli.usp.br
bempreiteiras de São Paulo, para as problemas; são poucos níveis hierár-
quais foram identificados e analisados quicos. Porém, apresentam macro-
sua estrutura organizacional e seus ma- nico especializado disponível; nenhu- processos cujas atividades são excessi-
croprocessos de produção, bem como ma dispõe de recursos de informática. vamente informais e nem sempre
os pontos críticos a serem alterados.  As empresas não apresentam estraté- possuem o controle necessário.
gia competitiva definida. Pouco in-  A criação de "equipes de produ-
Caracterização das empresas estudadas fluenciam nas cláusulas contratuais que ção", no caso da G, com os líderes par-
Na tabela 1 as empresas identifica- lhes são impostas pelas contratantes, ticipando do planejamento e da pro-
das de "A" a "H" são caracterizadas. principalmente as empresas A, B, C e D. dução resulta em maior nível organi-
Da caracterização das empresas As empresas E e F utilizam contratos zacional e de produtividade.
pode-se concluir: próprios; enquanto G e H dizem anali-
As empresas A,B,C e D não têm enge- sar os contratos propostos. O principal Identificação dos principais macro-
nheiros ou técnicos especializados; a G dessas empresas é sobreviver no merca- processos e problemas enfrentados
possui um engenheiro ou técnico espe- do, principalmente em função da con- na prestação do serviço
cializado para cada 17 operários da pro- corrência predatória e do baixo poder A tabela 3 apresenta os problemas
dução;as empresas E,F e H possuem um de barganha junto às construtoras. identificados tanto pelos autores
técnico especializado para 40 operários. como apresentados pelos dirigentes
 A formação escolar e técnica dos só- Estrutura organizacional das empresas em seus principais ma-
cios das empresas E, F, G e H permite O organograma das empresas es- croprocessos. Destaca-se que nem
utilizar melhor os recursos tecnológi- tudadas é apresentado na tabela 2 e ob- todos existem em todas as empresas.
cos disponíveis, dentre os quais, os de serva-se que a estrutura predominante Analisando-se os principais pro-
informática. A baixa escolaridade dos é do tipo funcional, em que ocorre o blemas identificados nos macropro-
proprietários das empresas A, B, C e D agrupamento de atividades e tarefas de cessos, tem-se que:
dificulta o acesso ao conhecimento téc- acordo com as funções principais de-  Há problemas generalizados em

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Tabela 1 – CARACTERIZAÇÃO DAS EMPRESAS SUBEMPREITEIRAS ESTUDADAS


Empresas
A B C D E F G H
Área de atuação
Alvenaria, Alvenaria, Revestimento Fôrmas de Construção Construção Alvenaria, Fôrmas,
revestimento revestimento interno madeira, civil civil revestimento armadura,
interno de interno e cerâmico armadura, em geral em geral de concretagem,
argamassa e externo de concretagem, argamassa alvenaria e
cerâmico argamassa alvenaria e revestimentos
e cerâmico revestimento de argamassa
de argamassa e cerâmico
Tempo
13 anos 13 anos 3 anos 10 anos 20 anos 17 anos 3 anos 12 anos
Número de sócio(s); perfil do sócio(s)
1; primário, 2; experiência 2; primário, 2; 1 2; 3; 1 1; 3; 1
início como de obra, início como científico, engenheiros engenheiro engenheiro engenheiro
ajudante de início como servente 1 aprendiz civil e 2 e 2 técnicos
carpintaria ajudante de obra de armador técnicos em
de pedreiro em edificações
edificações
Competência técnica
básico básico básico básico superior superior superior superior
Formação da empresa
Após ser Após ser Após ser Após ser – Após ser – Após ser
mestre- oficial de encarregado de encarregado subempreiteira funcionário
de-obras pedreiro revestimento de armadura de alvenaria, de outra
cerâmico revestimento subempreiteira
de argamassa
Quantidade de funcionários
25 22 7 18 161 250 50 350
Quantidade de obras
3 5 1 4 3 4 3 5
Especificidades
Número de Número de Número de Número de Subempreiteira Subempreiteira Perspectiva Perspectiva
clientes clientes clientes clientes vinculada à vinculada à de de ampliar
reduzido reduzido reduzido reduzido construtora construtora ampliar o o tipo de
número de serviço
clientes prestado

todos os macroprocessos das subem- cimento dos materiais e equipamen- dicados e são brevemente treinados
preiteiras. Alguns aparecem com mais tos quanto a subempreiteira atrasa pelos contratantes.
intensidade e freqüência em algumas na produção dos serviços.  A ausência de ações para a capaci-
organizações que em outras.  Ausência da participação das su- tação da mão-de-obra é uma situa-
 Quanto ao macroprocesso comer- bempreiteiras no planejamento, pro- ção recorrente na maioria das em-
cial, há o predomínio da concorrência gramação e projeto; não pela falta de presas especializadas.
por preço, em detrimento dos demais interesse, mas por não serem chama-  Os problemas identificados nos diver-
critérios de seleção (qualidade, orga- das pelo contratante.A sua não partici- sos macroprocessos geram problemas
nização, treinamento, capacitação); pação resulta, quase sempre, na defini- de execução e resultam numa relação
há, também, muita informalidade na ção de prazos incompatíveis com o ser- conflituosa entre funcionários da su-
contratação dos serviços, sem apoio viço a ser realizado, ocasionando pro- bempreiteira e desta com a construtora.
de regras contratuais. blemas no relacionamento subemprei-  Inexiste controle que permita me-
 Falhas na programação de abaste- teira–construtora. dir facilmente os serviços executados,
cimento de suprimentos, acarretan-  Inexiste corpo técnico da subem- gerando discordância entre a subem-
do atrasos nos prazos acordados. preiteira voltado à segurança; usual- preiteira e seus funcionários e, tam-
Tanto a construtora atrasa no forne- mente seguem os procedimentos in- bém, com a construtora.

61
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ARTIGO

Tabela 2 – RESULTADOS DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL PELOS ORGANOGRAMAS DAS EMPRESAS DO ESTUDO DE CASO

Legenda: DIR: diretoria; ADM: administrativa; FIN: financeira; GER: gerência; COM: comercial; CON: contabilidade TÉC: técnica; PROJ: projeto; DES: desen-
volvimento; MAT: materiais; ALM: almoxarifado; OBR: obras; SUP: suprimentos; PES: pessoal; PLAN: planejamento; ENG: enga.; COMP: compras; TRA:
transporte; ORÇ: orçamento; SEG: segurança; TRAB: trabalho; CONT: contratos; CPR: contas a pagar/receber
 As empresas E e F utilizam recursos das construtoras que pertencem a seus diretores, em particular infra-estrutura e pessoal dos departamentos
de suprimentos e técnico. Esse suporte facilita a organização das atividades administrativas.

 Inexiste sistemática de atendimen- nanceiro, com a ausência de controle A necessidade de melhorias e as


to ao contratante ou ao seu cliente e, que permita o desenvolvimento da ações de organização
muitas vezes, a ausência desse macro- subempreiteira como uma organiza- A tabela 4 sintetiza as principais a-
processo implica a não realização de ção empresarial. ções propostas para a melhoria dos ma-
novos contratos.  Muitos problemas que ocorrem nas croprocessos das empresas especializadas.
 Predomina a informalidade no subempreiteiras são originados na de- Cada uma das ações da tabela 4
macroprocesso administrativo e fi- sorganização das próprias contratantes. constitui um desafio a ser enfrenta-

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Tabela 3 – PRINCIPAIS PROBLEMAS RELATIVOS AOS MACROPROCESSOS IDENTIFICADOS


Macroprocessos Principais problemas sob a ótica das empresas subempreiteiras
Comercial  Concorrência por menores preços; chega a ser predatória.
 Alta instabilidade do mercado.
 Urgência na elaboração de propostas, com informações insuficientes repassadas pelos clientes,
dificultando a avaliação dos custos de produção e de mão-de-obra.
 Quanto aos contratos há ausência de análise; fechamento entre as partes; assinatura do cliente;
e registro de modificações.
 Encargos sociais elevados.
 Ausência da função "marketing".
 Ausência de tempo para busca de novos clientes.
 A subempreiteira assume os custos de equipamentos, muitas vezes, exigidos pela própria construtora.
Suprimentos  Ausência de controle de recebimento de equipamentos e ferramentas.
 Ausência de informações atualizadas de compras realizadas pelas obras.
 Atraso na entrega de equipamentos e ferramentas.
 Discordância quanto aos critérios de recebimento adotados pelas construtoras.
Planejamento,  Informações insuficientes por parte dos contratantes.
programação  Nenhuma participação no desenvolvimento dos projetos.
e projeto  Atraso na entrega dos projetos pelos contratantes.
 Existência de erros no projeto.
 Mudanças no projeto no decorrer da obra, acarretando atrasos no cronograma de execução.
 Pouca participação no planejamento das atividades.
 Dificuldades no cumprimento de prazos estabelecidos pela construtora.
 Atraso no início de obra, por contratação sem tempo adequado para mobilização
de pessoal e planejamento dos serviços.
 Equipamentos de transporte subdimensionados pelos contratantes.
Segurança  Desconhecimento das normas regulamentares.
 Ausência de responsável pelas atividades de segurança.
 Ausência de treinamentos voltados à segurança.
Pessoal  Ausência de controle de documentos.
 Existência de muitas ações trabalhistas.
 Ausência de mão-de-obra qualificada.
 Ausência de recursos para investir em treinamento.
 Ausência de planejamento para contratação, transferência, demissão e férias.
 Ausência de sistemática de atuação quando de ocorrências com os operários.
 Ausência de critérios de seleção de mestre-de-obras ou encarregados.
Produção  Inexistência de procedimentos de produção próprios.
 Dificuldade na definição dos líderes de produção.
 Excesso de retrabalho.
 Falta de procedimentos de controle da qualidade.
Medição  Ausência de formalização das modificações durante a execução do serviço, com divergências no pagamento.
 Ausência de procedimento de medição previamente definida com o contratante e demora na
aprovação da medição.
Assistência técnica  Ausência de sistemática e de recursos humanos para o atendimento ao contratante/cliente.
Administrativo  Ausência de controle de documentos.
e financeiro  Ausência de sistemática para comunicação interna e com obras.
 Ausência de controle financeiro dos serviços prestados.

do pelas subempreiteiras. Há ações No atual estágio tecnológico da Cabe também estimular e imple-
simples, que exigem apenas maior maioria das empresas especializadas é mentar recursos por meio de ações se-
organização; há as que talvez não fundamental que haja o apoio das toriais dessa cadeia. Uma alternativa é a
consigam implementar sozinhas. construtoras, muitas vezes realizando junção de empresas subempreiteiras
Nesses casos, o estabelecimento de investimentos para o desenvolvimento pequenas na forma de cooperativas
parceria subempreiteira x construto- das que lhes prestam serviços, para que para terem maior poder de negociação.
ra poderá ser um caminho. toda a cadeia possa se desenvolver. Cabe lembrar, porém, que empre-

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ARTIGO

Tabela 4 – AÇÕES DE ORGANIZAÇÃO POR MACROPROCESSO


Macroprocesso Ações de organização
Comercial  Investir na busca por oportunidades de novos negócios.
 Estabelecimento prévio dos parâmetros que devem existir na proposta e no contrato.
 Análise crítica da oportunidade de serviço sob os aspectos: comercial; financeiro; técnico e
jurídico, incluindo solicitação de informações ao cliente; visita à obra e análise de projetos.
Projeto  Análise técnica do projeto.
 Controle de recebimento e de distribuição.
 Elaboração de projetos para a produção, contemplando: especificação dos materiais, seqüência de
execução adotada, detalhes construtivos, equipamentos, equipe, parâmetros de controle da qualidade.
 Controle de modificações.
Planejamento/  Estabelecimento do layout da área ocupada pela subempreiteira no canteiro de obras.
programação  Dimensionamento e programação prévia das equipes, materiais e equipamentos.
 Elaboração e implementação de um PQS (Plano da Qualidade do Serviço).
Recursos humanos Estabelecimento de sistemática de:
 Recrutamento e seleção de mão-de-obra.
 Ações para a integração de pessoal e que estimulem a motivação e a realização dos serviços com a
qualidade previamente definida.
 Sistemática de treinamento.
Segurança  Observação das diretrizes de Normas Regulamentadoras.
 Definição dos responsáveis pelas atividades de solicitação e controle de entrega dos equipamentos
de proteção individual, controle dos atestados de saúde e registro de treinamentos.
 Realização dos treinamentos admissional, periódico, de uso de ferramentas e de operadores de
máquinas e equipamentos.
 Estabelecimento da sistemática de atuação a ser seguida em situações de emergência.
Suprimentos  Estabelecimento da sistemática de aquisição e controle de recebimento de materiais e equipamentos.
Produção  Definição de procedimentos de execução, controle da qualidade e entrega do serviço (parciais e final).
Medição  Estabelecimento da sistemática de medição, para faturamento e para apropriação da produção de
cada funcionário.
Assistência técnica  Definição de procedimentos para recebimento, execução e entrega dos serviços de assistência técnica.

sas com organizações e bases tecnoló-


gicas muito diferentes exigem estraté- LEIA MAIS
gias distintas para resolução dos pro-
Metodologia para Capacitação Baptista Serra. Tese (Doutorado).
blemas e, para isso, deverão utilizar
Gerencial de Empresas Escola Politécnica da Universidade de
uma adequada metodologia de ação
Subempreiteiras. Alberto Casado São Paulo. São Paulo, 2001.
que lhes permita viabilizar mais racio-
Lordsleem Jr. Tese (Doutorado).
nalmente sua prestação de serviço, Modelo de Processos para a Gestão
Escola Politécnica, Universidade
com ganhos de produtividade e incre- de Subempreiteiros: Estudo de Casos
de São Paulo. São Paulo, 2002.
mento de competitividade. em Empresas Construtoras de
Dificilmente essas empresas vão Biombos de Subemprego. Alberto Edifícios. Daniel Kamekichi Ohnuma.
conseguir alto grau de organização en- Mawakdiye. Construção Mercado no 57, Dissertação (Mestrado). Escola
quanto seu objetivo único for a sobre- São Paulo, págs. 4-17, jun/2004. Politécnica, Universidade de
vivência no mercado. A implantação São Paulo. São Paulo, 2003.
Certificações “Setoriais” da
de um processo de mudança organiza-
Qualidade e Microempresas. NR o quê? Eric Cozza. Téchne, São
cional exige disposição, participação,
O Caso das Empresas Paulo, v. 6, no 35, págs. 18-23,
empenho e constância de propósitos.
Especializadas de Construção jul-ago/1998.
É preciso mudar o enfoque. É fun-
Civil. Francisco Ferreira Cardoso.
damental prever recursos para incre-
Tese (Livre Docência). Escola A metamorfose dos Gatos. Simone
mentar sua capacidade tecnológica,
Politécnica da Universidade Capozzi. Construção em São Paulo,
com aquisição de equipamentos que
de São Paulo. no 2630, págs. 17-9, jul/1998.
levem à maior produtividade. Além
São Paulo, 228 págs., 2003.
disso, deverá focar na capacitação de Terceirize, se puder. Kelly Carvalho.
seus funcionários de modo que pos- Diretrizes para Gestão dos Construção Mercado, São Paulo, no 16,
sam fazer mais com menos. Subempreiteiros. Sheyla Mara págs. 34-41, nov/2002.

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PRODUTOS & TÉCNICAS


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foscas não-cortantes. O produto, ampla gama de peças cerâmicas
conhecido como Mate, tem 5 destinadas ao revestimento de
mm de espessura e dimensões pisos e paredes. As peças incluem
de 3 x 3 cm e 3 x 1,5 cm. A azulejos, rodapés, lajotas em
cartela possui 15 cores, que vão diversos modelos e dimensões.
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sensores de presença,
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sistemas de aquecimento e rígido controle de matérias- pontes e pilares de concreto com
palmtop e dispositivo de
ventilação, tratamento de água, primas, catalogadas e analisadas faces retas ou inclinadas. Os
controle que pode ser conectado
arranque de motores e máquinas em laboratórios da própria painéis se retraem até 75 cm,
ao computador.
automáticas. A série 80 está em empresa. Os equipamentos são garantindo, segundo a fabricante,
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conformidade com a diretiva produzidos conforme normas segurança para trabalho em toda
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67
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PRODUTOS & TÉCNICAS


COBERTURA, IMPERMEABILIZAÇÃO E ISOLAMENTO ESTRUTURAS E PEÇAS METÁLICAS

PARAFUSO COM BUCHA


IMPERMEABILIZAÇÃO TELHAS ALTERNATIVAS ESTRUTURAS O parafuso com bucha da Fixtil
O Protelha Plus A Engeplas apresenta a Ecotop, METÁLICAS é indicado para paredes ocas,
Impermeabilizante, da linha de telhas e coberturas A Metalenge coloca à disposição tijolo maciço e drywall. À
Cristalcolor, é indicado para onduladas produzidas a partir de do cliente o seu sistema de medida que o parafuso é
aplicação em telhas cerâmicas, aparas de tubos de creme dental. pavilhões pré-fabricados. O apertado, a bucha se deforma
de fibrocimento, tijolos e Segundo a fabricante, tem sistema possibilita produção até se transformar em um nó,
alvenaria em geral. Segundo a elevada resistência mecânica e à padronizada e em série, com provocando um travamento de
empresa, o produto, fabricado à ação de raios UV e infravermelho redução de custos, tempo de segurança. A cartela em blister,
base de água, não agride o meio e é totalmente impermeável. execução da obra e maior contendo de duas a quatro
ambiente. Engeplas controle de qualidade. unidades, contém etiqueta com
Cristalcolor (41) 338-7790 Metalenge instruções para aplicação do
(48) 3462-3000 engeplas@engeplasonline.com.br (48) 525-0457 produto.
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BANHEIRO O Grupo Dema fabrica a linha de DUCHA
Aloha é uma linha de louças para A Turboduchass Corona faz parte encontrados em diversos
tubos Duratop de polipropileno
banheiros da Celite, desenvolvida da nova geração de chuveiros da modelos: mecanismos de discos
para redes de esgoto. Segundo a
para compor ambientes empresa. O produto tem quatro cerâmicos de meia-volta;
empresa, o produto oferece
compactos: lavatório com coluna, opções de temperatura, que, monocomandos; eletrônicos,
maior resistência ao impacto do
lavatório com coluna suspensa, segundo o fabricante, que utilizam a técnica de
que o PVC, à água quente e ao
bacia convencional, bacia com proporcionam maior economia detecção por proximidade,
óleo de frituras.
caixa acoplada e bidê. As peças de energia. A ducha tem turbinas iniciando assim o fluxo de água;
Grupo Dema
estão disponíveis nas cores internas que proporcionam temporizados e termostáticos,
0800-7710331
branco, pergamon e cinza-prata, maior pressão e volume de água. que mantêm a temperatura da
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ambientes. comercial@corona.com.br de pressão e volume da água
Celite www.corona.com.br fria ou quente.
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68
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E MELAMINICOS

LOCAÇÃO E VENDA
PLÁSTICOS A Degraus Andaimes e Máquinas
Policog é o produto que sua GRAMPEADOR
trabalha há 20 anos com locação, O novo grampeador Manual
fabricante, Cogumelo, chama de venda e manutenção de EQUIPAMENTOS Vonder 2 em 1 é multiuso. Além
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empresa, o material pode ser civil. Trabalha ainda com corte e exclusiva no Brasil da linha grampeador comum para papéis,
utilizado em qualquer lugar que furo de concreto e demolição Potain de Gruas. O sistema de grampeando até 40 folhas de
a madeira convencional tenha controlada. A empresa tem gerenciamento online da uma só vez, também pode ser
aplicação – píers e decks, unidades em São Paulo, Bahia e empresa proporciona ao cliente utilizado como ferramenta para
móveis, entre outros. É Espírito Santo. agilidade no fornecimento de trabalhos domésticos mais
antiderrapante e tem garantia de Degraus peças, com estoque permanente pesados. Possui corpo fabricado
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P&T.qxd 1/6/2007 16:43 Page 70

PRODUTOS & TÉCNICAS


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EQUIPAMENTOS
E FERRAMENTAS

AMBIENTES BANCÁRIOS
A Daiken atua na área de
ambientes bancários,
SOFTWARE acessibilidade, segurança e
O BBF Fenix é um software que projetos especiais. A empresa
permite simular e visualizar dispõe de estrutura capaz de SOLOS
MEDIDOR A LASER diferentes combinações de cores atender as necessidades do A Fundsolo realiza serviços de
O DLE 50, da Bosch, é o menor e tons em diversos tipos de cliente, do projeto à instalação fundações, tratamentos de
medidor de distância a laser do ambientes. Segundo os dos equipamentos. maciços, estabilização de taludes
mercado. Com 10 cm de desenvolvedores, o programa é Daiken e rebaixamento de lençóis
comprimento, 5,8 cm de largura ideal para fábricas e lojas de (41) 2169-2500 freáticos e outros serviços
e 3,2 cm de altura, o medidor tintas, arquitetos e decoradores, www.daiken.com.br geotécnicos. A empresa já
garante precisão para medições engenheiros, fábricas de móveis, participou, entre outros, de
de até 50 m de distância. entre outros. obras como o Rodoanel e a
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ramo da construção civil há mais Os Sistemas Placostil são
de 20 anos, fornece material e constituídos por placas de gesso
mão-de-obra de execução de acartonado parafusadas em uma
paredes de drywall. Seu serviço ou mais camadas sobre uma
pode ser visto em lojas de estrutura metálica leve. Podem
departamentos, hotéis, ser montados em conjunto com
restaurantes, escritórios, entre estruturas de concreto, metálicas
outros. ou de madeira.
JKR Placo
(11) 3857-2200 0800-0192540
jkr@jkr.com.br sac.placo@saint-gobain.com
www.jkr.com.br www.placo.com.br

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obra aberta-modelo.qxd 1/6/2007 16:39 Page 72

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abrangem temas diversos. ser dado às realidades sociais, mesmo de absolutos leigos, o segmentos, como engenharia,
O primeiro, Sistema de Forros como as conurbações ou autor lança mão de uma pesquisa, construção,
Suspensos, já vem sendo aglomerações urbanas e até a grande diversidade de informática e desenvolvimento
distribuído gratuitamente, escassez de recursos. ilustrações para as questões de produtos, a publicação traz
com solicitação feita via site O objetivo da publicação em apresentadas. Além disso, os ensinamentos de forma
da Knauf. Apresenta toda a questão é, justamente, trazer trata exclusivamente do que é leve e simples. Já na
linha de produtos, incluindo ao leitor as linhas gerais essencial à construção civil, apresentação, o autor destaca
características técnicas e sobre as formas de como ações envolvendo o cuidado e as dificuldades
estéticas. Os outros cinco associativismo em matéria perícias, direito de vizinhança, envolvidas na tradução dos
manuais abordam, por de gestão pública na busca desapropriação, mediação e conhecimentos técnicos e
ordem, Proteção Contra de objetivos de interesse arbitragem e teoria geral dos teóricos acerca do tema-título
o Fogo, Acústica, Saúde comum dos entes federados. contratos. O autor é vice- para uma linguagem didática
& Higiene, Sonorização, presidente da Câmara de e acessível. Destaca a
Iluminação & Tecnologias Valores e Avaliações do importância de determinar
e Material & Design. Ibape/SP. objetivos, contar com
recursos, prevenir dificuldades
e alcançar soluções.

72 TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


obra aberta-modelo.qxd 1/6/2007 16:39 Page 73

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Instituto de Engenharia gratuito para arquitetos, que utiliza a internet para A incorporadora do grupo
www.institutodeengenharia. construtoras, decoradores, fazer a divulgação de imóveis Sílvio Santos coloca à
org.br engenheiros e representantes, novos e usados. Para tanto, disposição, com o lançamento
Com patrocínio da Sabesp, da traz conteúdo e atendimento aplica recursos de vídeo e de seu site, uma fonte de
Engevix e da Andrade dirigidos para esses diferentes conta com informações informações sobre a empresa
Gutierrez, o livro, em formato públicos. Para ter acesso é detalhadas dos e os projetos que têm em
grande e acabamento de luxo, necessário fazer um cadastro. empreendimentos. A andamento. Tem o objetivo de
comemora os 90 anos do Conta com toda a linha de organização dos imóveis, que ser uma ferramenta de
Instituto de Engenharia. Em produtos – Acessórios, contam cada um com um relacionamento da empresa,
tom jornalístico, discorre Cadeados, Dobradiças, hotsite, se dá por região de responsável por diversos
sobre as memórias da Fechaduras, Puxadores e localização, incluindo pontos empreendimentos comerciais
construção do Brasil moderno. Travas – segmentada por tipo de referência, e cada um deles e residenciais no Estado de
Os cinco capítulos dividem-se, e com descrição completa das conta com plantas e São Paulo, com parceiros e
pela ordem cronológica, em: O características. O catálogo perspectivas. É possível proprietários, incluindo até
desenho da nação (1916- 2007 também já está assistir a vídeos e ver fotos de mesmo alguns canais
1932), Terreno e fundações disponível no portal, contendo cada obra. O andamento de exclusivos para esse público.
(1933-1945), Compasso da fotos dos produtos, com obras não concluídas também No link "Empreendimentos" é
construção (1946-1964), dimensões e cores está disponível, ressaltando a possível obter informações
Integração à paisagem (1965- disponíveis, pode ser baixado. praticidade que o canal sobre lançamentos futuros e
1984), e O global e o local pretende oferecer aos edifícios prontos para habitar.
(1985-2006). Repleto de fotos interessados em divulgar e em Traz, ainda, a possibilidade de
e desenhos, é uma obra procurar imóveis. assinar a newsletter com as
histórica e essencial. novidades do grupo.

73
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AGENDA
Seminários e 1o a 4/8/2007 25 a 29/9/2007
10a Construsul – Feira da Indústria da Intercon
conferências Construção Joinville (SC)
25/7/2007 Porto Alegre Reúne fabricantes, distribuidores,
Seminário da Construção em Aço – Visto atualmente como um dos principais revendedores, construtores, engenheiros,
62o Congresso Anual da ABM – eventos da região Sul direcionado à arquitetos e entidades de todo o Brasil e
Internacional construção civil, a Feira acontece do exterior, promovendo a divulgação e,
Vitória paralelamente à Expo Máquinas, que sobretudo, a realização de negócios. Em
O evento deve apresentar os benefícios da apresenta uma grande exposição de sua sétima edição, a Intercon terá sua
construção em aço, a partir de palestras, plataformas elevatórias, retroescavadeiras, área ampliada e deverá contar com a
com apresentação de obras importantes e gruas, perfuratrizes e equipamentos e participação de mais de 200 expositores,
produção das empresas locais, além de máquinas para construção pesada. superando o número de 30 mil visitantes
teses sobre a experiência com o material. Fone: (51) 3225-0011 registrados no evento anterior.
Fone: (21) 2141-0001 www.feiraconstrusul.com.br Fone: (11) 3451-3000
www.cbca-ib.com.br E-mail: feiras@messebrasil.com.br
14 a 18/8/2007
Expo Construção – Feira de 23 a 25/10/07
Feiras e exposições Tecnologia, Máquinas e Equipamentos ConstruTech 2007 – O encontro
27/6 a 1o/7/2007 da Indústria da Construção Civil internacional dos profissionais da
Fenahabit Salvador construção
Blumenau A Feira agrega os vários segmentos do São Paulo
A Feira promete apresentar novidades do setor, aborda da estrutura ao paisagismo, O evento promovido pela PINI promete
setor da construção, contemplando as novas com produtos para serem utilizados reunir os profissionais mais importantes e
tecnologias disponíveis. Destinado a lojistas, desde a concepção do projeto até o influentes do setor da construção civil para
arquitetos, engenheiros, síndicos e acabamento de uma obra, passando da exposição e debate de idéias inovadoras
condôminos, o evento terá mais de 110 climatização à arquitetura. Deve reunir sobre tecnologia e modelos construtivos.
empresas do País. cerca de 250 expositores, incluindo São esperados cerca de 2.000 profissionais
Fone: (47) 3336-3314 grandes marcas nacionais. das empresas envolvidas com a cadeia
E-mail: via-eventos@brturbo.com.br Fone: (11) 3044-4410 produtiva da construção civil, desde
www.construacerto.com.br www.expoconstrucao.com.br executivos e profissionais das construtoras
e incorporadoras, fornecedores de
10 a 13/7/2007 15 a 17/8/2007 materiais, tecnologias de sistemas
Equipo Multiconstrução 2007 Concrete Show South América construtivos, representantes do setor
Sorocaba (SP) São Paulo financeiro, do governo, de entidades de
O objetivo do evento é promover o setor A Feira promete atingir empresas e classe e profissionais autônomos. Durante
de construção industrial, montagem e profissionais com exposição, seminários três dias os participantes terão contato com
manutenção apresentando as novas e conferências técnicas. Com apoio de construtoras nacionais e estrangeiras que
tecnologias, além de divulgar os entidades importantes do setor, como a irão apresentar cases de obras e
desenvolvimentos recentes de ABCP (Associação Brasileira de Cimento empreendimentos que se tornaram
tecnologias para a infra-estrutura urbana. Portland), Abesc (Associação Brasileira referências em tecnologia, inovação e
Por ser realizado em uma área aberta, a das Empresas de Serviço de gestão estratégica. As 12 palestras que
Feira deve possibilitar demonstrações de Concretagem) e a Ficem (Federação fazem parte da programação irão abordar
diversos segmentos do setor, como Interamericana do Cimento), o evento os principais aspectos dos
pavimentação, movimentação de terra, deve se tornar um ponto de encontro empreendimentos desde sua concepção:
estruturas metálicas, movimentação de internacional de negócios e tecnologia da análise de mercado, busca dos locais
cargas, transporte vertical, entre outros. cadeia de concreto e seus usuários. adequados, estudo de viabilidade, seleção
Fone: (11) 3783-8990 Fone: (11) 4689-1935 das equipes de projeto e execução,
www.equipomulticonstrucao.com.br Site: www.concreteshow.com.br pesquisa sobre tecnologias construtivas de

74 TÉCHNE 123 | JUNHO DE 2007


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ponta, desenvolvimento e coordenação de O curso tem como objetivo possibilitar ao desenvolveram projetos diferenciados e de
projetos inovadores, comparativos de participante um conjunto de qualidade, traz uma inovação nesta quinta
custos, escolha dos fornecedores, conhecimentos e informações para edição: uma categoria para obras de
execução e planejamento das intervenções aprimorar a dinâmica e formação pessoal e pequeno porte e estruturas especiais, que
pós-ocupação e/ou entrega do profissional, proporcionando uma visão deve valorizar não só os grandes projetos,
empreendimento. O objetivo desse grande mais ampla sobre a complexidade da mas também os menores. Promovida pela
encontro é oferecer ao participante, em licitação, preparando-o adequadamente Abece (Associação Brasileira de Engenharia
apenas três dias, acesso às melhores para resolver as questões que surgem e Consultoria Estrutural) e pelo Grupo
soluções implementadas e aprovadas em junto ou na administração federal, Gerdau, a comissão julgadora será
obras no Brasil e no mundo, estimulando estadual, municipal, empresas públicas e composta pelas duas instituições e por um
o desenvolvimento de novos conceitos de economia mista, autarquias e outras. representante da Editora PINI. O prazo para
e idéias para sua prática. Direcionado a executivos, servidores as inscrições vai até 31 de julho. CDs e
Fone: (11) 2173-2395 públicos, comunidade discente e docente, materiais impressos devem ser enviados aos
E-mail: eventos@pini.com.br profissionais de empresas privadas que cuidados de Eduardo Castro Silva para a rua
www.piniweb.com/construtech participam de licitações e contratações. Cenno Sbrighi, 170, Edifício II, 6o andar,
Fone: (11) 3739-0901 05036-010, Água Branca, São Paulo-SP.
5 a 10/11/2007 www.aeacursos.com.br Fone: 3097-8591
Batimat 2007 www.abece.com.br
Paris 24 a 28/9/2007 www.gerdau.com.br
A comunicação e as demonstrações dessa Resistência à Corrosão – Teoria e
edição irão abordar os grandes temas Prática Outubro/2007
específicos a esse setor: domínio da energia, Rio de Janeiro Prêmio MasterInstal
segurança, acessibilidade e conforto. Com abordagem teórico-prática, o curso São Paulo
Direcionada a construtores e fabricantes de promete apresentar discussões sobre Com o objetivo de destacar cases de
equipamentos e materiais, a Feira é ainda diversos temas, como a importância sucesso, reunindo as diversas empresas e
um canal de comunicação para diversos econômica e aspectos ambientais da profissionais do setor de instalações, o
profissionais e deve receber este ano cerca corrosão das estruturas e coberturas prêmio intenta ampliar as soluções e
de 400 mil visitantes de 141 países e reunir metálicas, o mecanismo eletroquímico da experiências de destaque do setor.
2.800 expositores de 45 países. corrosão, as formas de corrosão e como Realizado pela Abrinstal (Associação
Fone: (11) 3168-1868 fazer a proteção – aço inox e aço carbono. Brasileira pela Conformidade e Eficiência
E-mail: brazil@promosalons.com Fone: (21) 3325-9942 das Instalações), a premiação é
www.promosalon-brazil.com E-mail: cursos@ntt.com.br destinada às empresas construtoras,
www.abcem.com.br incorporadoras, instaladoras,
concessionárias, fabricantes e
Cursos e treinamentos fornecedores de materiais e
28/6, 26/7, 27/9, 25/10 e 29/11
Concursos equipamentos para instalações.
Treinamento Teórico e Prático: 15/7/2007 Inscrições até 30 de julho.
Tecnologias de Impermeabilização Prêmio Holcim Antac – Excelência Fone: (11) 3865-0944
Tamboré (SP) em Construção Sustentável E-mail:
Oferecido gratuitamente pela Lwart Proasfar Brasil premio@premiomasterinstal.com.br
Química, empresa especializada em A Holcim Brasil vai premiar a melhor www.premiomasterinstal.com.br
impermeabilizantes, o curso tem o objetivo dissertação de mestrado e tese de
de agregar conhecimentos aos profissionais doutorado sobre construção sustentável Novembro/2007
da construção civil sobre patologias, no País. Entre os objetivos da premiação Prêmio Alcoa de Inovação em
produtos e suas diversas aplicações, está levar o conceito de construção Alumínio
discutindo temas relevantes, dentre eles, sustentável para o dia-a-dia dos São Paulo
projetos e comparativo de custos, o código profissionais desde a universidade. Com o objetivo de estimular a
civil e sanitário e casos de obras. Fone: (51) 3316-4084 criatividade e a conscientização
Fone: 0800-7274343 www.antac.org.br ecológica, a sexta edição do prêmio conta
E-mail: atecnica@lwartproasfar.com.br agora com a modalidade profissional, que
17/10/2007 agregará estudantes de qualquer curso
26 e 27/7/2007 V Prêmio Talento Engenharia superior, além de alunos de pós-
Licitação, Contratação e Fiscalização Estrutural graduação latu sensu e profissionais que
de Obras e Serviços de Engenharia – São Paulo atuam com projetos e planejamento de
Lei 8.666 e Crea A premiação, que destaca profissionais de gestão. Inscrições até 16 de julho.
Curitiba engenharia de estruturas que www.alcoa.com.br

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como construir impar.qxd 1/6/2007 16:45 Page 77

engenheiro Fabio Azem


diretor superintendente da Tecnogeo
Engenharia e Fundações
fabioazem@tecnogeo.com.br

COMO CONSTRUIR
engenheiro Geraldo Guedes Andrade
diretor técnico da Tecnogeo
Engenharia e Fundações
comercial@tecnogeo.com.br

Tirantes
irantes são elementos lineares capa-
T zes de transmitir esforços de tração
entre suas extremidades. Nas aplica-
ções geotécnicas de tirantes, a extremi-
dade que fica fora do terreno é a cabeça
de ancoragem e a extremidade que fica
enterrada é conhecida por trecho anco-
rado e designada por comprimento ou
bulbo de ancoragem. O trecho que liga
a cabeça ao bulbo é conhecido por tre-
cho livre ou comprimento livre.
A Norma Brasileira "NBR-5629/77
– Estruturas Ancoradas no Terreno,
Ancoragens Injetadas no Terreno",
bem como a sua revisão a "NBR-
5629/96 – Estruturas de Tirantes An-
corados no Terreno", apresentam basi-
camente o conceito acima exposto, Figura 1 – Detalhe típico de um tirante
conforme pode ser visto na figura 1.
O campo de utilização de tirantes
na engenharia geotécnica é bastante do pelo projeto,na proteção anticorrosi- metálicos com pranchões de madeira
amplo, mas de forma sintética os ti- va do corpo e da cabeça do tirante e nos ou concreto e outros) que serão supor-
rantes classificam-se em dois grupos: testes de protensão, conforme preconiza tados, à medida que a escavação no in-
permanentes e provisórios. a norma brasileira NBR 5629. terior do terreno avança, por linhas de
Tirantes permanentes são aqueles As aplicações mais comuns e usuais, tirantes em cotas predeterminadas pelo
que se incorporam a uma estrutura tanto dos tirantes permanentes quanto projeto. O espaçamento entre tirantes
definitiva, como é o caso das cortinas dos provisórios, são em contenções de de uma mesma linha e as cargas de tra-
atirantadas, lajes de subpressão, fun- escavações para obras enterradas ou em balho dos tirantes, bem como seus
dação de torres etc. e que, portanto, situações em que é necessário cortar um comprimentos livre e ancorado, tam-
deverão ter vida útil compatível com maciço de terra que não é autoportante, bém são definidos pelo projetista.
o fim a que se destinam. para implantar uma obra como uma Nesses casos, a utilização de tiran-
Tirantes provisórios são aqueles de rodovia, ferrovia, ou outra. tes como apoio das paredes de conten-
utilização temporária, como é o caso Dentre essas aplicações, cabe desta- ção representa a forma mais eficaz de
das paredes de contenção das obras de que à de tirantes provisórios para con- garantir segurança às benfeitorias
infra-estrutura de edifícios residen- tenção de maciços de terra, escavados existentes nos terrenos vizinhos, já que
ciais, comerciais, estações enterradas para implantação de subsolos de edifí- pelo fato de ser protendido, quando
de metrô etc. em que, após a constru- cios residenciais e comerciais, aplicação instalado em cada fase de escavação, o
ção das lajes da estrutura do edifício, os comum nos centros urbanos e com as tirante minimiza deslocamentos e de-
tirantes são desativados e os esforços quais convivemos rotineiramente. formações do paramento de conten-
transferidos para a estrutura. Nessas obras são executados, no ção. Conseqüentemente, edificações e
As diferenças fundamentais entre ti- perímetro do terreno de implantação benfeitorias que nele se apóiam esta-
rantes permanentes e provisórios estão do empreendimento, paramentos de rão protegidas dos efeitos de alívio
no coeficiente de segurança determina- contenção (paredes-diafragma, perfis provenientes da escavação lindeira.

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COMO CONSTRUIR

Foto 1 – Estação de metrô em São Paulo Foto 2 – Cortina atirantada Foto 3 – Parede-diafragma atirantada

Materiais
Os tirantes são elementos de alta
resistência à tração e normalmente
são compostos por cordoalhas, fios ou
barras de aço apropriado, podendo
ser protendidos ou tracionados.
Todo tirante deve ser de material
que permita sua ancoragem no inte-

Fotos: divulgação Tecnogeo Engenharia e Fundações


rior do maciço de terra ou rocha a ser
contido. Assim, utiliza-se regular-
mente para esse fim calda de cimento
e água, eventualmente com aditivos
aceleradores de resistência, objetivan-
do diminuição dos prazos da obra.
Além do elemento estrutural, que
em geral é o aço, e da calda de cimen-
to como elemento de ancoragem, são
Foto 4 – Obra de tirante em local confinado
componentes dos tirantes os seguin-
tes acessórios (veja figura 1).
 Tubo de PVC equipado com válvu- tista geotécnico conhecedor de cálcu- d) Existência ou não de construções
las manchetes, que permite a injeção los de estabilidade de maciços de terra nas circunvizinhanças do topo da
da calda em posições definidas em que, em geral, inicia sua análise consi- contenção, bem como identificação
projeto derando os seguintes quesitos: do tipo de fundação das mesmas
 Tubo “espaguete”, de plástico, que a) Arquitetura (layout da obra) indi- e) Existência ou não de interferências
serve para manter o isolamento do cando as dimensões, tais como exten- enterradas, tipo tubulações de con-
elemento estrutural do tirante (cor- são e cotas de escavações e/ou de im- cessionárias públicas (água, eletrici-
doalha, fio ou barra) no trecho livre plantação da construção, que even- dade, telefonia etc.), posicionamento
 Espaçadores com a finalidade de tualmente poderão exigir tratamen- das fundações das construções vizi-
centralizar o corpo do tirante no inte- tos de contenção nhas, galerias etc.
rior do furo b) Tipo de terreno a ser contido. É ne- Assim, de posse dos elementos ar-
Na cabeça do tirante, denominada cessário, portanto, uma campanha de quitetônicos e cadastrais e dos parâme-
também de cabeça de protensão, uti- investigação geotécnica adequada, tros geotécnicos, o especialista pode
lizam-se dispositivos que permitem por ser esse o procedimento para se discernir e desenvolver uma solução de
prender o elemento tracionado ou obter os parâmetros do maciço, que contenção com a utilização de tirantes
protendido, junto ao paramento de nortearão os cálculos. É importante ou não. No caso de ser necessária a sua
contenção, mantendo-se a carga de nessa investigação se detectar a pre- utilização, o projeto define, então, o
trabalho atuante (veja figura 1). sença ou não do lençol freático, bem tipo de tirante, as cargas de trabalho,
como a cota do nível d'água posicionamento de cada um na estru-
Projeto c) Possibilidade ou não de circulação tura de contenção, comprimentos, in-
O projeto de contenção deve ser de pessoas, veículos ou cargas nas clusive dos trechos livre e ancorado, in-
desenvolvido por engenheiro proje- imediações do topo da contenção clinação e outros itens mais específicos.

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Foto 5 – Tirante em execução Foto 6 – Vista de uma cortina concluída

para obra,é recomendável solicitar a vi-


sita de técnico especializado na execu-
ção de tirantes junto à frente dos servi-
ços para definir conjuntamente as pro-
vidências dessa etapa.

Montagem do tirante
O tirante deve ser montado pre-
viamente, de acordo com a especifica-
ção do projeto. Os materiais para con-
fecção dos tirantes serão comprados e
preparados previamente e sua monta-
gem deve ser feita na obra sobre ban-
cada de madeira preparada para esse
fim. Os tirantes montados devem ser
armazenados sobre cavaletes a fim de
mantê-los limpos para a instalação.
Foto 7 – Obra concluída realizada na Imigrantes

Perfuração e instalação do tirante


Nos casos de maciços mistos (solo Os grandes blocos de rocha junto à A perfuração prévia do tirante
e rocha) ou rochosos, a análise do margem direita foram fixados com ti- deve ser executada por perfuratriz ro-
contexto de contenção é feita, nor- rantes individuais e localizados estra- tativa ou rotopercussiva, com capaci-
malmente, de maneira setorizada, tegicamente no campo pelo projetis- dade e torque suficientes para levar o
contingenciando-se as soluções. É ta. Os diversos diques de concreto ci- furo até o comprimento de projeto, e
comum, nesses casos, existirem blo- clópico, transversais ao eixo do leito se necessário revesti-lo até atingir ca-
cos de rocha isolados que precisam ser para reduzir a energia e velocidade da madas autoportantes.
contidos de maneira apropriada e os água, foram fixados na camada de No caso de utilização de perfura-
tirantes podem ser utilizados de ma- rocha sob o leito do rio com cavaletes triz rotativa, deverá ser utilizada água
neira específica, otimizando-se a so- de estacas raiz à tração (função de ti- como fluido de perfuração e transpor-
lução de contenção. rante não protendido). te das partículas de solo perfurado. No
As fotos 5, 6 e 7 ilustram uma caso de perfuratriz rotopercussiva,
obra realizada com o objetivo de Execução essa função é desempenhada pelo ar
proteger as fundações de um pilar de Metodologia básica de execução: comprimido que também é utilizado
ponte existente entre os túneis 2 e 3 Preparo da frente de trabalho para bater o martelo.
da pista descendente da Rodovia dos A área de trabalho deverá ser prepa- Independentemente do sistema de
Imigrantes e de disciplinar a descida rada de maneira coerente com o plane- perfuração, os furos devem ser execu-
das águas de rio serrano por cujo jado para o desenvolvimento dos servi- tados até a profundidade de projeto, e
leito descem muitos blocos de rocha. ços. Essa etapa deve levar em conta o devem estar limpos e estáveis após a
A proteção das fundações junto à tipo de equipamento mais adequado desmontagem e retirada das composi-
margem esquerda do rio foi realizada para o contexto específico da obra. ções de perfuração, a fim de permitir a
por cortina atirantada de concreto. Como esse procedimento varia de obra instalação do tirante em seu interior.

79
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COMO CONSTRUIR

O diâmetro da perfuração deve ser das por macacos hidráulicos devida-


compatível com o tirante especificado mente calibrados, compatíveis com as
em projeto, permitindo sua introdução cargas de testes dos tirantes e com sua
no furo de forma confortável. composição estrutural.

Divulgação Tecnogeo Engenharia e Fundações


No caso de ser necessária a utiliza- A NBR 5629 estabelece procedi-
ção de revestimento parcial ou total ao mentos para a protensão dos tirantes
longo do comprimento do furo, o e para aceitação destes no campo.
mesmo deve ser mantido para permi- Essas normas são diferentes para ti-
tir a instalação do tirante, e somente rantes provisórios e definitivos, ha-
após sua completa introdução no furo vendo algumas diferenciações entre
o revestimento poderá ser retirado. os tipos de ensaios e em que intensi-
Em maciços arenosos onde o dades deverão ser testados.
Foto 8 – Detalhe de uma cabeça de
stand up time é pequeno, é necessário Para os casos de tirantes definiti-
protensão
fazer a injeção de bainha antes de reti- vos, haverá a necessidade de se prote-
rar o revestimento. ger a cabeça com acabamento de con-
O tirante depois de instalado fica rar o tirante, será necessário no dia creto em forma de bloco trapezoidal,
com cerca de 1,00 m para fora do furo, seguinte realizar a 2a fase (secundá- que é o mais usual.
comprimento necessário para permi- ria) e assim sucessivamente até que as
tir a posterior protensão. pressões sejam consideradas adequa- Controle da qualidade
das para a ancoragem. O controle da qualidade dos tiran-
Injeção As injeções são executadas uti- tes provisórios, segundo a NBR 5629,
A calda de cimento a ser injetada lizando-se dispositivo denominado exige que 90% dos tirantes sejam en-
deve ser dosada conforme especifica o obturador duplo, que permite a inje- saiados no campo com carregamento
projeto e preparada previamente, mi- ção localizada por válvula manchete. de pelo menos 1,2 vez a carga de traba-
nutos antes, em central de preparo e O obturador é introduzido no interior lho e 10% deles a 1,5 vez a carga de tra-
bombeamento, utilizando-se água e do tubo de injeção, acoplado a uma balho. Para os tirantes permanentes,
cimento e em alguns casos aditivos mangueira por onde passará a calda de 90% devem ser testados a 1,4 vez a
aceleradores de resistência. cimento, e posicionado exatamente na carga de trabalho e 10% a 1,75 vez essa
Usualmente, o processo de inje- última válvula do tubo, junto à ponta mesma carga. Isso oferece uma segu-
ção é realizado em duas etapas. A pri- do tirante. Faz-se a injeção nessa vál- rança especial em estruturas de con-
meira, denominada de bainha, tem a vula conforme especificação do proje- tenção desse tipo.
função de preencher o espaço anelar to e a seguir passa-se à válvula seguin- Além dos ensaios de campo, re-
entre o corpo do tirante e a parede do te. Assim, manchete por manchete, o comenda-se solicitar aos fornecedores
furo ao longo de todo o seu compri- trecho ancorado recebe a injeção de laudos de controle da qualidade dos
mento e que, após adquirir alguma calda de cimento. Todo esse procedi- produtos, atestando a qualidade exigi-
resistência, irá impedir que a calda de mento deve ser acompanhado por téc- da para o produto final.
cimento proveniente de injeções nico especializado em injeções, que
subseqüentes flua para a parte exter- elaborará um relatório para cada ti- Manutenção
na do maciço nesse espaço anelar. rante, indicando pressões de injeção e O tirante como elemento de con-
Conforme já comentado, o embai- volumes consumidos de calda, na bai- tenção, submetido à carga de tração
nhamento poderá ser necessário nha e em cada válvula. plena ininterruptamente, fica sujeito
antes da retirada do revestimento e, Após cada fase de injeção, inclusive a um desgaste maior do aço por fadi-
em alguns casos, recomendáveis bainha, deve-se lavar o interior do ga e assim se expõe mais ao processo
antes mesmo da instalação do tirante tubo de injeção, para permitir a rein- de corrosão. É claro que todos esses
no furo. A segunda fase, para forma- trodução do obturador para as fases fatores são considerados no dimen-
ção do bulbo de ancoragem, é inicia- subseqüentes. sionamento dos materiais que com-
da após a bainha ter atingido resis- põem o tirante, entretanto, há que se
tência suficiente, o que normalmente Cabeça de ancoragem e protensão levar em conta o contexto de cada
ocorre no dia seguinte. Nessa etapa Finalizada a etapa das injeções e obra e de cada utilização desse ele-
poderão ser necessárias mais do que após a cura do cimento (três dias para mento de contenção.
uma fase de injeção de formação do cimento ARI e sete dias para cimento Principalmente quando se trata de
bulbo. Tudo será definido em função comum), pode-se instalar a cabeça de tirantes definitivos, é prudente que
das pressões de injeção atingidas em ancoragem, acoplada junto ao para- sejam inspecionados periodicamente,
cada fase. Se a pressão de injeção mento de contenção para realização visto seu caráter perene e a responsa-
atingida na 1a fase (primária) for das protensões. bilidade a que estão sujeitos os execu-
considerada insuficiente para anco- As protensões devem ser executa- tores e projetistas.

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