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capa tech 124.

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a revista do engenheiro civil


téchne 124 julho 2007

www.revistatechne.com.br

apoio
IPT techne
Edição 124 ano 15 julho de 2007 R$ 23,00
■ Museu de Brasília ■ Andaimes ■ Expovivienda ■ Cobertura metálica ■ Fissuras de alvenaria ■ Recuperação de fundações ■ Tubulões

FUNDAÇÕES
Patologias e
recuperação
MEIO AMBIENTE
Casa inglesa
carbono zero
ENTREVISTA
EMILIO KALLAS
O que o boom
imobiliário vai
fazer pela
Engenharia?

Museu
Honestino
Guimarães,
Brasília (DF)

Museu
de Brasília
00124

Com 80 m de diâmetro, cúpula projetada


9 77 0 1 04 1 0 50 0 0
ISSN 0104-1053

por Niemeyer tem laje dupla atirantada


e uma rampa curva de 14 m em balanço
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SUMÁRIO
CAPA
36 Nave branca
Museu de Brasília desafia calculista a
sustentar as curvas de Niemeyer

56 ARTIGO
Recuperação de fissuras de
alvenaria de vedação
Veja método para eliminar e corrigir
Nicolau El Moor

patologias

75 COMO CONSTRUIR
Cobertura metálica com viga joist
Sistema facilita montagem de
32 FEIRA coberturas metálicas
Expovivienda 2007
Argentina mostra recuperação do setor
da construção
SEÇÕES
42 ANDAIMES Editorial 2
Marcelo Scandaroli

Trabalho nas alturas Web 6


Plataformas fachadeiras para serviços Área Construída 8
22 em edificações Índices
IPT Responde
12
14
ENTREVISTA 46 FUNDAÇÕES I Carreira 16
Transição construtiva Recuperação por baixo Melhores Práticas 18
Construtor Emilio Kallas acredita que o Como identificar e sanar patologias P&T 62
boom poderá revalorizar o engenheiro de fundações Obra Aberta 68
Agenda 72
30 TÉCNICA E AMBIENTE 50 FUNDAÇÕES II
Casa carbono zero Estacas tubulares Capa
Protótipo inglês mostra viabilidade de Quando é necessário usar tubulões e os Layout: Lucia Lopes
uma habitação sustentável riscos dessa técnica Foto: Nicolau El Moor

1
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EDITORIAL
Bons ventos exigem revalorização
VEJA EM AU
termo boom é discutível e há quem enxergue apenas uma
O bolha. Constitui fato, entretanto, que o mercado imobiliário
vive um raro momento de prosperidade, em especial, nos grandes
centros urbanos. "Vacinados" pelo vai-e-vem da economia
nacional, os construtores costumam ser comedidos para tratar do
desempenho dos negócios. Ou, melhor, costumavam. Nem os
mais céticos têm reclamado de 2007. Poucos escondem a
empolgação. Constatado o sucesso, surgem algumas perguntas:  Livraria Cultura
o boom da construção vai trazer a tão esperada revalorização do  Entrevista: Clorindo
Testa
engenheiro civil, sobretudo daqueles que estão na linha de frente  8o Prêmio Jovens
Arquitetos
das obras? A remuneração vai melhorar e será absorvida pelas
 Museu de Ciências
empresas? Haverá mais investimentos na formação e educação Naturais do Japão
continuada dos profissionais? Membro do Conselho Editorial de
VEJA EM CONSTRUÇÃO
Téchne desde o lançamento da revista, em 1992, o construtor MERCADO
Emilio Kallas responde “sim” para todas as questões apontadas.
Dono de uma longa trajetória profissional até se tornar um
empresário bem-sucedido, foi consultor da área de custos
habitacionais do IPT e da área de obras da Sabesp (Companhia
de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Kallas aposta
que "o quadro técnico fará a diferença na concorrência, visto
que dinheiro todos vão ter". Defensor do ensino continuado
e ele próprio um "estudante" inquieto, aconselha a constante
atualização e garante que qualidade, atendimento, domínio  Boom imobiliário
 Contratos
tecnológico e, acima de tudo, profissionais diferenciados serão
 Vícios ocultos
fundamentais. Por isso, alerta para a falta de quadros gerenciais  Estimativa
orçamentária
com experiência e de mão-de-obra qualificada. Preparando-se
 Pregão eletrônico
para levar a Kallas Engenharia ao mercado de capitais, o
construtor traça, em entrevista para a Téchne, um prognóstico das
mudanças em um setor que, nas suas próprias palavras, não pode
perder o momento histórico que se apresenta.

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´
techne
Vendas de assinaturas, manuais técnicos, Fundadores: Roberto L. Pini (1927-1966), Fausto Pini (1894-1967) e Sérgio Pini (1928-2003)
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Segunda a sexta das 9h às 18h Diretor Geral
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´
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Confira no site da Téchne fotos extras das obras, plantas e informações que complementam conteúdos
publicados nesta edição ou estão relacionados aos temas acompanhados mensalmente pela revista

Museu de Brasília
Veja mais plantas e fotos do Museu Honestino Guimarães, o Museu de Brasília, projeto
Fórum Téchne
do arquiteto Oscar Niemeyer transformado em aço e concreto pela Via Engenharia, com O recebimento de comissão para
projeto estrutural de Carlos Henrique da Cruz. A cúpula em semicírculo é formada por a especificação de materiais
duas "cascas" independentes que se solidarizam no pólo. Vigas nervuradas radiais e (reserva técnica) é um
circunferenciais garantiram a ancoragem de uma passarela circular de 14 m em procedimento correto?
balanço. Confira os detalhes no site. Profissional que se preza apresenta
proposta de honorários e presta serviço
com competência e qualidade. A
necessidade de complementar
rendimentos com cobrança de
percentagem sobre produtos
especificados é coisa de picareta que
não tem competência para prestar
serviço e cobrar honorários justos.
João Jaime Detoni
21/06/2007 09:37

Os softwares de cálculo
banalizaram os projetos de
Nicolau El Moor

estruturas e prejudicaram
profissionais experientes?
Definitivamente, sim! O engenheiro caiu
na arapuca do avanço tecnológico e se
deu mal. Vários escritórios com vários
Requisitos de segurança doutores por metro quadrado fecharam
Confira no site o item 15 da NR-18 com os as portas por causa dos softwares. Os
requisitos de segurança para os sistemas engenheiros fizeram cálculos e projetos
de andaimes de obras. Entre outros como "The Flash" e na mesma velocidade
pontos, a NR-18 exige que o foram para o olho da rua.
dimensionamento de andaimes e de Gilberto Gatti Lopes
estruturas de sustentação e fixação seja 19/06/2007 15:29
realizado apenas por profissionais
Técnicos de edificações e
Marcelo Scandaroli

legalmente habilitados. O material está


tecnólogos devem coordenar obras?
disponível como conteúdo extra da
Inicialmente devemos definir o que é
reportagem "Trabalho nas alturas".
precisamente coordenar uma obra, e
em que nível a atividade de coordenar
dependerá da capacidade e do
conhecimento técnico. Após isso
Tubulões podemos discutir melhor essa
Confira a entrevista com o consultor de pergunta. Entretanto, entendo que o
fundações e diretor da Consultrix atual cargo de mestre-de-obras só
Eduardo Couso Jr. sobre execução de deveria ser ocupado por profissionais
fundações com tubulões com formados em um curso técnico.
encamisamento de aço. Ele fala sobre Associação de Pais e Mestres
Consultrix

cuidados, escolha de materiais, Escola Técnica Estadual Philadelpho Gouvêa Netto


métodos de cravamento e cálculo. 19/06/2007 16:52

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ÁREA CONSTRUÍDA
Laudo sobre queda de grua sai em 60 dias
A queda de uma grua de 45 m numa todos os equipamentos de proteção
obra de um prédio de escritórios cor- exigidos para a atividade e que todas as
porativos da construtora WTorre En- normas de segurança foram respeita-
genharia, em São Paulo, deixa mais das. No entanto, de acordo o delegado
uma marca na história dos acidentes Nelson Júnior, da Delegacia de Investi-
que vêm ocorrendo na construção civil gações de Acidentes de Trabalho da Po-
brasileira. A tragédia ocorreu no dia 25 lícia Civil, há denúncias sobre possíveis
de junho e terminou com a morte de irregularidades na obra desde maio.
quatro funcionários e ferimentos nas Segundo ele, as denúncias apontavam
mãos de um operário. De acordo com problemas em equipamentos que po-
Walter Antonio Sciglino, presidente da deriam comprometer a segurança dos
Grumont Equipamentos, o fato é la- funcionários. Na semana do acidente,
mentável, pois nunca foi registrado a auditora fiscal do Ministério do Tra-
pela locadora um acidente fatal com os balho e Emprego, Silvia Helena Burg-
equipamentos. "A grua nunca fora uti- hi, declarou após uma inspeção no
lizada, ou seja, o equipamento era local da obra que ainda é muito cedo
novo, e a equipe era bem treinada", ga- para uma avaliação concreta do caso.
rante. O presidente afirma ainda que a "É complexo, envolve diversas condi-
empresa dará total apoio às famílias ções técnicas e apenas os peritos do
das vítimas. O equipamento foi fabri- Instituto de Criminalística poderão
cado pela Siti S.A, que não quis se posi- dizer o que realmente aconteceu", diz a
cionar sobre o acidente até o fecha- auditora. Segundo ela, o processo deve
Tiago Queiroz/AE

mento desta edição. A WTorre infor- demorar cerca de dois meses para ser
mou, por meio de sua assessoria de im- concluído e depois será encaminhado
prensa, que os operários estavam com para o Ministério.

Workshop aborda cálculo informatizado de estruturas


Interface entre projeto estrutural e Show South América, em São Paulo. Com abertura do projetista e consul-
sistema computacional, ações e com- Programado para as 11 h do dia 16 de tor Augusto Carlos de Vasconcelos, o
binações em edifícios, verificação de agosto no Auditório 1 do mezanino evento terá apresentações dos enge-
resultados, análise não-linear, estabi- do Transamérica Expo Center, zona nheiros Alio Ernesto Kimura e do
lidade global e efeitos de segunda sul da capital paulista, o workshop engenheiro Nelson Covas, ambos da
ordem são alguns dos temas que terá como foco a "Informática Apli- TQS. As inscrições são gratuitas.
serão abordados em evento promovi- cada em Estruturas de Concreto Ar- Mais informações: (11) 2173-2395.
do pela PINI e pela TQS Informática mado – Cálculo de Edifícios com o E-mail: eventos@pini.com.br; site:
durante a realização da feira Concrete Uso de Sistemas Computacionais." www.piniweb.com.

Aquecedor solar obrigatório em São Paulo


Estão em tramitação na Assembléia putado estadual José Augusto (PSDB), gia para aquecimento de água. Na ca-
Legislativa Paulista e na Câmara de Ve- a obrigatoriedade valeria apenas para pital do Estado, o projeto de lei 340/07,
readores de São Paulo projetos de lei a construção de novas edificações pú- proposto pelo prefeito Gilberto Kas-
que obrigam a previsão de sistemas de blicas e estabelece que o sistema seja sab, é mais abrangente e exige a insta-
aquecimento solar de água. Na instân- dimensionado para cobrir, no míni- lação em todos os novos edifícios a
cia estadual, segundo projeto do de- mo, 40% da demanda anual de ener- serem construídos no município.

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Tomadas padronizadas Curso ensina a produzir e


A partir de agosto, deixarão para o fim da comercialização ensaiar blocos de concreto
de ser comercializados os plu- dos produtos fora do padrão, e
A ABCP (Associação Brasileira de

Divulgação: Pial Legrand


gues de dois pinos desmontá- vão do segundo semestre deste
Cimento Portland), em parceria com a
veis, medida que é parte do ano a janeiro de 2010. Concluí-
Cimentos Cauê, vai oferecer cursos de
processo de estabelecimento do o processo, haverá apenas
especialização para pequenas e médias
do novo padrão brasileiro de um tipo de tomada fixa no Bra-
empresas do setor da construção civil.
plugues e tomadas. Baseado sil (2P+T), com pinos e conta-
O primeiro curso será em produção e
na norma NBR 14.136/02, o Inmetro tos redondos. As novas tomadas serão
ensaio de bloco de concreto, com
(Instituto Nacional de Metrologia, compatíveis com os tradicionais plu-
coordenação do engenheiro Idário
Normalização e Qualidade Indus- gues de dois pinos redondos e são
Domingues Fernandes – especialista
trial) estabeleceu prazos para o cum- mais seguras comparadas às atuais,
em tecnologia do concreto, com ênfase
primento das mudanças (veja tabela). pois evitam choques elétricos por
em artefatos e pré-moldados. O curso
A portaria prevê prazos escalonados contato acidental.
vai abordar temas como matéria-prima,
dosagem, produção, estoque e
Produto Prazo
patologia nos produtos finais. Também
Plugue de dois pinos (2P), desmontável 1o de agosto de 2007
abordará a importância da tecnologia
Plugue 2P, não-desmontável 1o de janeiro de 2008
na melhoria da qualidade, redução de
Tomada móvel 2P, desmontável ou não-desmontável 1o de janeiro de 2008
perdas e ganho de produtividade. Os
Plugue 2P+T, desmontável ou não-desmontável 1o de janeiro de 2009
profissionais contarão com aulas
Tomada fixa 2P (tipo de embutir e sobrepor) 1o de janeiro de 2009
práticas e orientações sobre a obtenção
Tomada fixa ou móvel 2P com contato terra,
do selo de qualidade ABCP. Os
desmontável ou não-desmontável 1o de janeiro de 2009
treinamentos acontecerão até outubro
Cordão de alimentação com plugue 2P ou de 2P com
de 2007 em quatro cidades brasileiras:
pino terra, desmontável ou não-desmontável,
Belo Horizonte, Campinas (SP),
incorporado ou separado do equipamento 1o de janeiro de 2010
Londrina (PR) e São Paulo.
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ÁREA CONSTRUÍDA

Tabela de desempenho das paredes drywall


Publicado em 2006 com o objetivo de ilustrações técnicas, procedimentos e quarta tiragem da primeira edição, para
auxiliar os profissionais da construção detalhes para a especificação de paredes, a qual já está sendo providenciado um
civil que especificam sistemas em cha- forros e revestimentos. Nesta quarta ti- encarte com a tabela correta.
pas de gesso, o "Manual de Projeto de ragem, foram constatados alguns erros, Confira abaixo o quadro com todos os
Sistemas Drywall" chega agora à quarta resultantes de falha na diagramação, es- dados corretos. Para mais informações,
tiragem da primeira edição.Desenvolvi- pecificamente na Tabela de Desempe- favor consultar a Associação Drywall,
do pela Associação Brasileira dos Fabri- nho das Paredes Drywall, localizada à fone/fax: (11) 3842-2433 ou 3045-6931,
cantes de Chapas para Drywall e editado página 30. Importante ressaltar que tais site www.drywall.org.br; e-mail: dry-
pela PINI, possui um grande volume de erros na tabela se verificam somente na wall@drywall.org.br.
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ÍNDICES
IPCE em São Paulo Índice PINI de Custos de Edificações (SP)
Variação (%) em relação ao mesmo período do ano anterior
Eletroduto, misturador e aço puxam as 35
altas de junho IPCE materiais
30 IPCE global
Índice PINI de Custos de Edifi-
O cações encerrou o mês regis-
trando alta de 0,16%, percentual in-
25
IPCE mão-de-obra

ferior à inflação de 0,26% apresen-


20
tada pelo IGP-M (Índice Geral de
Preços de Mercado) da Fundação
15
Getúlio Vargas.
Dos reajustes ocorridos, destaca-
se o do preço do misturador para la- 10 8 8 8
6,90 8 8 7
vatório, que subiu 6,38% devido ao 7 7 7 7 7 7 6 6 6 6
5
5
6,50 6 6 6 6 6 6 6 5 6 6 5,31
repasse do fabricante. Em maio o 6 5 5 4
6,12 5 3,10
misturador custava R$ 237,31, e em 3 0,73
junho passou a custar R$ 252,45. De- 0
Jun/06 Ago Out Dez Fev Abr Jun/07
vido à alta no preço do aço, o quilo da
barra do aço CA-50 passou a custar
Data-base: mar/86 dez/92 = 100
R$ 2,93, enquanto em maio seu
Mês e Ano IPCE – São Paulo
preço era de R$ 2,86, registrando alta
global materiais mão-de-obra
de 2,45%. O preço do eletroduto de
Jun/06 110.471,04 53.280,28 57.190,76
PVC rígido teve alta de 2,01%, pas-
jul 110.411,03 53.220,27 57.190,76
sando de R$ 5,46 para R$ 5,57 a barra
ago 110.432,28 53.241,52 57.190,76
com 3 m.
set 110.443,36 53.252,61 57.190,76
Em junho não ocorreram signifi-
out 110.677,85 53.487,10 57.190,76
cativas deflações que contribuíssem
nov 110.937,11 53.746,35 57.190,76
para a queda do índice. Apenas o fio
dez 111.010,59 53.819,83 57.190,76
isolado com PVC permaneceu em
jan 110.759,12 53.568,36 57.190,76
queda devido à instabilidade no
fev 110.716,18 53.525,42 57.190,76
preço do cobre.
mar 110.289,87 53.099,11 57.190,76
Insumos como a areia lavada e a
abr 110.315,81 53.125,06 57.190,76
cal hidratada apresentaram discreta
mai 113.722,37 53.493,24 60.229,13
variação, enquanto o cimento, a
Jun/07 113.900,14 53.671,02 60.229,13
pedra britada e a tinta látex perma-
Variações % referente ao último mês
neceram estáveis.
mês 0,16 0,33 0,00
Contudo, construir em São Paulo
acumulado no ano 2,60 -0,28 5,31
ficou em média 3,10% mais caro nos
acumulado em 12 meses 3,10 0,73 5,31
últimos 12 meses, percentual inferior
Metodologia: o Índice PINI de Custos de Edificações é composto a partir das
à média de 3,89% registrado pelo
variações dos preços de um lote básico de insumos. O índice é atualizado por
IGP-M sobre o mesmo período.
pesquisa realizada em São Paulo. Período de coleta: a cada 30 dias com
pesquisa na última semana do mês de referência.
Fonte: PINI

Suporte Técnico: para tirar dúvidas ou solicitar nossos Serviços de Engenharia ligue para (11) 2173-2373
ou escreva para Editora PINI, rua Anhaia, 964, 01130-900, São Paulo (SP). Se preferir, envie e-mail:
economia@pini.com.br. Assinantes poderão consultar índices e outros serviços no portal www.piniweb.com

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IPT RESPONDE
Envie sua pergunta para a Téchne.
Utilize o cartão-resposta encartado
na revista.

Alvenaria
Existe algum impedimento técnico mabilidade, as alvenarias poderão
de se subir as alvenarias junto com encurtar-se sem o surgimento de pa-
a estrutura, minimizando as despesas tologias, passando, a partir de um
com fôrmas? certo estágio de deformação, a atua-
Celso Miranda rem apenas os elementos de concre-
Belo Horizonte to armado na absorção das tensões.
Para que sejam evitados os riscos de
Utilizando-se o topo das paredes patologias nas alvenarias construí-
como fôrmas para os fundos das das simultaneamente à estrutura, re-
vigas, estas, ao serem solicitadas pelas comenda-se interpor, entre o topo
cargas gravitacionais atuantes nas das paredes recém-construídas e as
edificações, automaticamente trans- vigas a serem moldadas, camada de
ferirão esforços para as paredes, po- material muito deformável, como
dendo vir a causar a fissuração ou placa de poliestireno expandido
mesmo o seu esmagamento. Caso as (EPS), poliuretano expandido etc. A
alvenarias apresentem módulo de espessura dessa camada dependerá
deformação muito baixo (por exem- do vão, da rigidez e dos carregamen-
Fotos: Marcelo Scandaroli
plo, tijolos de barro cozido assenta- tos previstos para as vigas e/ou lajes.
dos com argamassa constituída pre- Ercio Thomaz
dominantemente por cal hidratada), Cetac (Centro de Tecnologia do Ambiente
isto é, alvenarias com grande defor- Construído)

Cerâmica sobre reboco


Quais os riscos da colagem de muito boas (aderência à tração
revestimento cerâmico com argamassa maior ou igual a 0,3 MPa); 2) será
colante tipo "ACIII" sobre parede pintada utilizada argamassa colante tipo
previamente lavada com pressurizador de "AC III"; 3) a base foi corretamen-
alta pressão e apicoada com talhadeira? te apicoada; e 4) a película de tinta
As condições de ancoragem do reboco, foi removida, o risco de descola-
vale ressaltar, são muito boas, com mento do revestimento cerâmico é,
resistência maior ou igual a 0,3 MPa. potencialmente, menor do que o
Henrique Sirtoli Neto risco de descolamento de um re-
Balneário Camboriú (SC) vestimento novo.
Ercio Thomaz
Considerando-se que: 1) as condi- Cetac (Centro de Tecnologia do Ambiente
ções de ancoragem do emboço são Construído)

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IPT RESPONDE
Envie sua pergunta para a Téchne.
Utilize o cartão-resposta encartado
na revista.

Alvenaria
Existe algum impedimento técnico mabilidade, as alvenarias poderão
de se subir as alvenarias junto com encurtar-se sem o surgimento de pa-
a estrutura, minimizando as despesas tologias, passando, a partir de um
com fôrmas? certo estágio de deformação, a atua-
Celso Miranda rem apenas os elementos de concre-
Belo Horizonte to armado na absorção das tensões.
Para que sejam evitados os riscos de
Utilizando-se o topo das paredes patologias nas alvenarias construí-
como fôrmas para os fundos das das simultaneamente à estrutura, re-
vigas, estas, ao serem solicitadas pelas comenda-se interpor, entre o topo
cargas gravitacionais atuantes nas das paredes recém-construídas e as
edificações, automaticamente trans- vigas a serem moldadas, camada de
ferirão esforços para as paredes, po- material muito deformável, como
dendo vir a causar a fissuração ou placa de poliestireno expandido
mesmo o seu esmagamento. Caso as (EPS), poliuretano expandido etc. A
alvenarias apresentem módulo de espessura dessa camada dependerá
deformação muito baixo (por exem- do vão, da rigidez e dos carregamen-
Fotos: Marcelo Scandaroli
plo, tijolos de barro cozido assenta- tos previstos para as vigas e/ou lajes.
dos com argamassa constituída pre- Ercio Thomaz
dominantemente por cal hidratada), Cetac (Centro de Tecnologia do Ambiente
isto é, alvenarias com grande defor- Construído)

Cerâmica sobre reboco


Quais os riscos da colagem de muito boas (aderência à tração
revestimento cerâmico com argamassa maior ou igual a 0,3 MPa); 2) será
colante tipo "ACIII" sobre parede pintada utilizada argamassa colante tipo
previamente lavada com pressurizador de "AC III"; 3) a base foi corretamen-
alta pressão e apicoada com talhadeira? te apicoada; e 4) a película de tinta
As condições de ancoragem do reboco, foi removida, o risco de descola-
vale ressaltar, são muito boas, com mento do revestimento cerâmico é,
resistência maior ou igual a 0,3 MPa. potencialmente, menor do que o
Henrique Sirtoli Neto risco de descolamento de um re-
Balneário Camboriú (SC) vestimento novo.
Ercio Thomaz
Considerando-se que: 1) as condi- Cetac (Centro de Tecnologia do Ambiente
ções de ancoragem do emboço são Construído)

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CARREIRA
Walid Yazigi
Autor de livros técnicos e fundador de construtora, descartou
carreira em indústria têxtil para seguir vocação

egundo dentre cinco filhos, todos formato até chegar no oitavo andar de
S os demais mulheres, Walid Yazigi
optou por não seguir os passos do pai.
um prédio na avenida Paulista. A re-
portagem da revista Téchne foi recebi-
Por sentir que não tinha vocação para da na sala principal, com vistas para o
dar continuidade à indústria têxtil da Masp (Museu de Arte de São Paulo) e
família de origem síria, optou por uma para o Parque Trianon a partir de uma
carreira técnica, e viu na engenharia ampla janela de vidro (criticada por
civil uma boa escolha. Em 1958 mon- Walid por absorver calor demais –
tou a Construtora Yazigi S/A e até hoje "mesmo agora, no inverno, tenho que
se preocupa muito mais com a área deixar o ar-condicionado ligado").
Marcelo Scandaroli

técnica.Visita obras constantemente, o Numa das paredes ostenta um di-


que lhe garante a atualização prática ploma do CPOR (Centro de Prepara-
necessária para, por exemplo, revisar ção de Oficiais da Reserva) assinado de
seu livro, "A Técnica de Edificar", todos próprio punho pelo então presidente
PERFIL
os anos. Embora atue ativamente na Juscelino Kubitschek. Curiosidade his-
Nome: Walid Yazigi parte administrativa, as áreas comer- tórica, o ornamento revela a estratégia
Idade: 71 anos cial e financeira ficam quase totalmen- do engenheiro que, sem vocação para a
Graduação: engenharia civil, te sob comando da filha. (Das quatro carreira militar, optou por servir ao
em 1958, pela Poli-USP (Escola filhas de Walid Yazigi, duas – Claudia exército por meio do CPOR, que exigia
Politécnica da Universidade de Yazigi Haddad e Luciana Yazigi Luftal- sua presença apenas aos domingos
São Paulo) la, engenheira civil e administradora pela manhã. Exceção para o período de
Especializações: em Concreto de empresas, respectivamente – traba- férias, quando se apresentava em
Protendido, pela Poli-USP, em 1958; lham na empresa). tempo integral. A rotina, que durou
em ISO 9001/Versão 2000 e O motivo para não intermediar dois anos, permitiu conciliar os estu-
Programa Evolutivo de Garantia da venda de imóveis ou influenciar proje- dos com o serviço militar obrigatório.
Qualidade para Empresas Construtoras tos de estruturas é simples: "são espe- Os resultados da construtora são
segundo o PBQP-H, em 2002 cializações e não é possível se atualizar", expressos em números. Somam mais
Empresas em que trabalhou: resume o engenheiro que trabalhou de 500 mil m2 em volume de obras,
escritório de cálculo estrutural do como projetista de estruturas quando com cerca de seis mil unidades de mo-
professor Augusto Carlos de recém-formado, em 1958. Antes disso, radias construídas. Com certificação
Vasconcelos, em 1958; Construtora foi estagiário de Augusto Carlos de Vas- ISO 9001 e nível A do PBQP-H (Pro-
Teca, em 1959, e Construtora Yazigi concelos a convite do próprio, que teve grama Brasileiro da Qualidade e Pro-
Cargos exercidos: presidente como sócio para a fundação da Proten- dutividade do Habitat), atua apenas
do Conselho do SindusCon-SP, por dit o tio de Walid, Zake Tacla. no ramo predial, com obras comer-
três gestões; presidente da Câmara É importante frisar que, nesses ciais, residenciais e industriais, mas
e do Conselho de Comércio moldes, a empresa funciona muito nunca participou de concorrências
Árabe-Brasileira, presidente do bem. Fundada em 1958 na forma de para obras públicas. "Obras-de-arte e
Conselho e do Esporte Clube Sírio, firma individual, sobreviveu até de infra-estrutura exigem mão-de-
diretor superintendente da mesmo à extinção da modalidade por obra especializada e equipamentos es-
Construtora Yazigi parte da Receita Federal, mudando de pecíficos", explica.

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bém um apreciador da arquitetura.


Dez questões para Walid Yazigi Tanto que revela ter como maior frus-
tração a não realização de nenhuma
1 Obras marcantes das quais 6 Melhor instituição de ensino da
obra do arquiteto Oscar Niemeyer, "a
participou: das obras da Construtora engenharia: Escola Politécnica da
personalidade contemporânea mais
Yazigi, um conjunto de prédios na Rua Universidade de São Paulo, por seu
importante do Brasil", enfatiza. Tam-
Bagé e outro na Av. José Maria competente corpo docente, excelentes
bém considera das suas mais significa-
Whitaker, edifício de 29 andares na Rua laboratórios e qualificados alunos
tivas obras justamente uma que, a par-
da Consolação, dentre outras
tir do arrojo arquitetônico, levou ao
7 Conselho ao jovem profissional:
desenvolvimento de soluções técnicas
2 Obras significativas da engenharia que continue se situando,
diferenciadas, com uso de pilares-
brasileira: implantação da cidade de atualizando e conduzindo com ética
parede e lajes duplas. O edifício
Brasília, pela arrojada e monumental e, como recomenda a ISO 9000,
Aspen, de Paulo Mendes da Rocha,
arquitetura, seu propósito procure alcançar a satisfação
executado em 1993 em São Paulo, em
desenvolvimentista, político, social e dos clientes
concreto aparente. Já o Duo Leopol-
econômico; construção da Hidrelétrica
do, um pequeno dúplex atualmente
de Itaipu, pela tecnologia, importância 8 Principal avanço tecnológico
em execução também na capital pau-
econômica e grandiosidade; exploração recente: a introdução dos conceitos
lista, apresenta um conceito de inte-
de petróleo em águas profundas; da ISO 9000, das normas de
gração urbana que o fez ser citado
execução do Metrô da cidade de São segurança no trabalho e, na
como obra preferida de Walid.
Paulo pela complexidade e diversidade construção predial, a evolução
Atualmente com a oitava edição
dos problemas técnicos superados tecnológica nas áreas de fundações,
em fase de impressão, o livro de Yazigi,
concreto, fôrmas pré-fabricadas,
editado pela PINI, pretende ser um
3 Realização profissional: a execução armação cortada e dobrada, gesso
guia construtivo. Nasceu em decorrên-
sem maiores problemas das edificações acartonado, argamassa para
cia da ociosidade provocada pelo se-
da Construtora Yazigi, a redação do livro assentamento e revestimento,
qüestro dos ativos durante o governo
"A Técnica de Edificar" e o bem- dentre outros
Collor. Ocioso com a parada das obras,
sucedido encaminhamento das minhas
passou a organizar artigos técnicos. A
filhas na sucessão da empresa 9 Indicação de livro: "A Técnica de
princípio se tratava de um caderno de
Edificar", de minha autoria, pela
encargos interno da construtora para
4 Mestres: os engenheiros Augusto amplitude na área de construção
orientar as duas filhas recém-for-
Carlos de Vasconcelos, Mario Franco, predial de porte médio
madas em engenharia. Mas, por suges-
José Carlos Passerini e Nelson Godoy,
tão de uma delas, decidiu publicar.
os arquitetos Paulo Mendes da Rocha 10 Um mal da engenharia: não
A cada edição revisa e amplia a
e Gian Carlo Gasperini e o paisagista havendo controle, ela causa
obra. "Quando surge alguma idéia,
Burle Marx desequilíbrio ecológico, com poluição
material ou processo novo, anoto e pu-
e conseqüente aquecimento global. A
blico no livro", conta. De novidade
5 Por que escolheu ser engenheiro: engenharia desenvolveu-se
para a próxima edição destaca a parte
por mera vocação. Sempre gostei das observando as manifestações da
de encargos trabalhistas e previdenciá-
ciências exatas e creio ter aptidão para natureza, mas tem contribuído para
rios. Indignado com a carga tributária
assuntos técnicos sua degradação
que onera o custo da mão-de-obra,
conta que há cerca de um ano e meio
As certificações decorrem da espe- surgiu, no início, para construir para encerrou as atividades de uma emprei-
cialização que, por sua vez, é conse- parentes e amigos da família. "Ao jun- teira de mão-de-obra que tinha há 40
qüência do fato de, desde sempre, a tar capital suficiente, parti para a in- anos. "Apesar de ser bom contar com
construtora ter atuado no mesmo seg- corporação", lembra. mão-de-obra própria, treinada, não
mento. No início fazia obras por admi- Yazigi, um militante em prol do dava mais para suportar", conclui.
nistração para terceiros. O escritório comércio exterior brasileiro, é tam- Bruno Loturco

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MELHORES PRÁTICAS
Instalações elétricas residenciais
Para garantir a segurança e o bom funcionamento de equipamentos, não se pode
esquecer de elementos como fio terra, DR, e proteção do quadro de distribuição

Fio terra Forro falso


O condutor de proteção deve ser Em locais com forro falso
instalado em todos os pontos de (normalmente de gesso), tais como
alimentação e tomadas de uma banheiros, deve-se evitar a
residência, sem exceção. Isso garante passagem de circuitos para outros
que qualquer equipamento que ambientes pela caixa de passagem
necessite ser interligado ao sistema de localizada no teto, pois isso
aterramento possa utilizar a tomada ou dificultará o futuro acesso aos
o ponto de alimentação mais próximo. condutores no caso de manutenção
A cor do fio terra deve sempre ser verde ou ampliação de circuitos.
ou verde com listras amarelas. É
obrigatório que todas as instalações
possuam em toda a sua extensão
tomadas de três pólos, conhecidas
tecnicamente como 2P+T. O terceiro
pino deve ser instalado ao condutor
de proteção.
Fotos: Marcelo Scandaroli

DR
O DR (Dispositivo Diferencial um DR de alta sensibilidade
Residual) é obrigatório em qualquer (30 mA), mas é possível instalar
instalação residencial para proteger somente um DR como proteção
circuitos de áreas molháveis (cozinha, geral. A presença do DR não elimina
copa, área de serviço, banheiro e a necessidade de disjuntores, mas
áreas externas). O ideal é que cada há no mercado disjuntores DR,
circuito necessário seja protegido por chamados de DDR.

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Quadro de
distribuição
Separação de circuitos O quadro de distribuição deve
ter uma proteção que pode ser
A instalação elétrica deve ser circuitos devam ser divididos em de material transparente
dividida em vários circuitos para iluminação, tomadas de uso geral e (policarbonato) ou não (metal)
facilitar a manutenção, a proteção tomadas de uso específico. Todo que deve bloquear qualquer
contra curtos-circuitos e o equipamento com corrente nominal acesso de usuários aos pontos
monitoramento dos pontos onde superior a 10 A, tais como chuveiro, vivos (fios, conectores e outras
eventualmente possam ocorrer aquecedor, secadora, etc., deve peças energizadas) de uma
problemas. A norma solicita que os possuir circuito exclusivo. instalação elétrica.

Aterramento
O sistema de aterramento de uma
residência deve ser projetado antes
mesmo de se iniciar a construção.
Um cabo de cobre nu com seção de
50 mm² circundando a edificação ou
um conjunto de hastes Copperweld
com conector 5/8" x 2,40 m pode
ser usado para interligar o fio terra.

Colaboração: Programa Casa Segura, Barreto Engenharia, Sindinstalação, Superinstal Engenharia e Sanhidrel

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ENTREVISTA
Transição construtiva
EMILIO RACHED ESPER
KALLAS
Construtor e ex-professor do curso
de pós-graduação em engenharia
civil da Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo, Emilio
Kallas tem uma visão bastante
abrangente dos problemas relativos
à formação e atividade da construção
civil brasileira. Formado pela Poli em
1973, pós-graduou-se em
Administração Contábil e Financeira
pela Escola de Administração da
Faculdade Getúlio Vargas. Retornou
à Poli e lá concluiu o mestrado em
Marcelo Scandaroli

1981, doutorando-se em 1989. Foi


consultor da área de Avaliação
Econômica das Habitações e
Racionalização de Custos do IPT
(Instituto de Pesquisas Tecnológicas
do Estado de São Paulo) e da área de
obras da Sabesp (Companhia de
H á aproximadamente um ano al-
gumas das principais construto-
ras brasileiras abriam capital e come-
desta edição de Téchne, o engenheiro e
construtor Emilio Kallas, o nível técni-
co do setor deve aumentar para aten-
Saneamento Básico do Estado de São
çavam a atuar à mercê dos humores der à demanda imposta. Junto com
Paulo). É membro do conselho
que comandam a bolsa de valores. Sob essa elevação, a valorização dos corpos
editorial da revista Téchne.
um rótulo de "profissionalização efeti- técnicos das empresas, que ganham
va", tiveram que adequar muito mais também em responsabilidade. No en-
que o departamento de tesouraria para tanto, ainda há ajustes a serem feitos
obter sucesso – ou ao menos sobrevi- para que esse mecanismo funcione de
ver – num mercado dominado pela es- fato. O primeiro deles seria a mudança
peculação e que não tolera falhas. Os de foco dos próprios investidores, que
efeitos práticos da abertura de capital deveriam se preocupar mais com a ca-
ainda não podem ser notados a olho pacidade técnica e de gestão de uma
nu, mas decorrem de uma concorrên- empresa do que com sua capacidade
cia muito mais acirrada, que exige re- de acumular empreendimentos. De-
dução de custos com aumento de efi- pois, uma profunda revitalização das
ciência e preciso cumprimento de pra- leis trabalhistas, sociais, ambientais e
zos. Dentre as principais diferenças construtivas, que atualmente enges-
está a exposição a que estão submeti- sam a atividade construtiva, principal-
das essas empresas, sujeitas à transpa- mente por haver enormes incompati-
rência dos processos exigida pelo mer- bilidades entre os prazos das atividades
cado. De acordo com o entrevistado judiciárias e da construção civil.

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Com a abertura de capital a decidida pela análise de sua capacidade Por ser ainda muito recente, as empre-
concorrência entre as construtoras administrativa e pela sua forma de ges- sas de capital aberto ainda estão se
aumentou de fato? tão. Como investir numa empresa que adaptando e a construção não evoluiu
Aumentou e irá aumentar mais. Have- tem como negócio a produção de apar- muito. Como a abertura de capital da
rá muito mais produtos para a escolha tamentos e casas sem examinar pro- grande maioria se deu no ano passado
do consumidor e isso possivelmente fundamente seus quadros, em especial e no primeiro semestre deste ano, o
fará com que os preços caiam. Entre- o técnico? Muitas vezes vejo analistas grande volume de obras ainda está
tanto, gostaria de fazer uma separação mais preocupados em examinar o por se formar. Entretanto, pode-se an-
entre incorporadora e construtora, landbank da empresa do que sua ca- tecipar com certeza que o conheci-
pois a maior concorrência será entre as pacitação técnica. mento técnico dos engenheiros e a
primeiras, que desenvolvem os produ- condição tecnológica das construto-
tos residenciais ou comerciais. Não Então, qual deveria ser a postura? ras serão fatores indispensáveis.
perceberemos, a princípio, essa con- Eu faria a seguinte reflexão: "Dinheiro
corrência porque haverá um grande todos vão ter, então quem fará o meu O controle tecnológico ganhou em
aumento nos insumos desses produ- render mais?" Em médio prazo, aquelas importância, sendo mais efetivo e
tos, em especial haverá acréscimos nos que não se capacitarem tecnicamente refletindo em melhorias no processo
custos dos terrenos e de mão-de-obra. terão suas ações desvalorizadas. E aque- de projeto e construção?
Quanto às construtoras, essas têm que las que são somente incorporadoras te- Por exigência da lei e do mercado,todos
estar preparadas técnica e tecnologica- rão dificuldade em contratar boas cons- os processos são mais transparentes.
mente para enfrentar o desafio. trutoras, sendo obrigadas a dividir boa Conseqüentemente, o controle tecno-
parte do lucro.Nessa leva inicial de aber- lógico, que sempre foi muitíssimo im-
Como uma construtora se prepara, tura de capital os investidores e analistas portante, ganhou o adjetivo de indis-
técnica e tecnologicamente falando, não se preocuparam em considerar o pensável. As empresas não podem cor-
para a abertura de capitais? conhecimento técnico das construtoras. rer o risco de outrora, pois serão muito
O grande patrimônio de uma constru- De agora em diante,o corpo técnico terá mais cobradas pelo mercado e de ma-
tora sempre foi seu quadro técnico, muitíssimo mais importância nas con- neira alguma poderão se arriscar a
mas, infelizmente, nas últimas duas ou siderações e avaliações do mercado. manchar sua imagem. É claro que isso
três décadas, esse foi muito pouco va- provocará ganho de qualidade em todo
lorizado. Agora, com algumas incor- As empresas têm como garantir o processo.
poradoras e construtoras capitaliza- o desempenho dos produtos
das, haverá necessidade de produzir que entregam? Como controlar os projetos
mais residências em prazos menores e Claro, basta que valorizem seus enge- contratados? Qual a importância
com redução de custos. Isso provocará nheiros, entendendo a inegável impor- desse controle?
a valorização do quadro técnico da tância deles no processo de produção. Temos várias metodologias que podem
empresa, fazendo com que ele seja Engenheiros capacitados estudam e so- ser utilizadas. Na minha opinião o que
adequadamente remunerado. licitam pesquisas,conseguindo otimizar mais importa é contar com profissionais
a cadeia produtiva. Engenharia não é competentes, que devem ser motivados
Quando começa a atuar na bolsa, qual uma ciência exata e não se pode enten- constantemente por meio da valoriza-
passa a ser a postura da empresa em der o aparecimento de alguma fissura ção de seu trabalho. O grande problema
relação às técnicas construtivas e aos como defeito insanável de construção. é que o mercado acostumou a não dar
produtos utilizados? importância a esses profissionais e em
Pela transparência com que essas em- Se a concorrência aumentar, então conseqüência não houve a formação de
presas são obrigadas a operar, os cuida- teremos o desenvolvimento de engenheiros civis em número e qualida-
dos com relação a técnicas construtivas técnicas construtivas e produtos de necessários. Vamos enfrentar uma
e aos produtos serão intensificados. mais baratos e eficientes? transição que finalmente chegou.
Qualquer falta de conhecimento será É claro que haverá crescimento tecno-
catalisada e em médio prazo os consu- lógico. Cada vez mais se procurará Quais os riscos que patologias ou
midores começarão a entender que não produtos com melhor desempenho e problemas construtivos podem
se compra apartamento somente pelo menor custo. Isso será ocasionado acarretar às construtoras perante
preço do metro quadrado. Ou seja, ou- tanto pelo aumento da concorrência o mercado?
tros fatores começarão a aparecer. como também pela maior e mais uni- Patologias ou problemas construtivos
forme escala de produção. sempre mancham a imagem de uma
Qual a importância da qualidade técnica construtora. O problema agora é que
e tecnológica para a abertura de capital? O que, de fato, tem mudado na haverá maior exposição na mídia de-
A compra de uma ação de uma incor- forma de construir em decorrência vido à importância que as construto-
poradora ou construtora deveria ser da abertura de capitais? ras adquiriram no momento atual.

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Quais os reflexos para a mão-de- Por que engenheiros de obra são


obra? Os gastos com treinamento e tão depreciados? O senhor acha que
qualidade aumentam com a atuação eles ganham mal?
na bolsa? Há muitos engenheiros sem o devido
A mão-de-obra para a construção vai preparo, devido ao grande número de
se tornar escassa num primeiro mo- faculdades sem condições para a for-
mento, ao mesmo tempo em que será mação. Entretanto, há fatores políticos
valorizada. A maior procura por esses e comerciais que permitem a existência

Alessandro Roncatti
profissionais agregará valor, sobretu- e manutenção desses cursos. De qual-
do aos mais qualificados. É claro que quer maneira, considero um absurdo e
seria de suma importância uma refor- uma afronta o salário inicial de um
ma nas leis trabalhistas, permitindo bom engenheiro. E isso é conseqüência
Por ser recente a entrada das construtoras
que o salário líquido dos trabalhado- da desunião da classe e da sofrível atua-
e incorporadoras na bolsa de valores, os
res fosse maior e que os ganhos não ção das entidades que nos representam
investidores ainda não analisam com a
fossem drenados por meio de leis so- e, principalmente, do que aconteceu
devida atenção a capacitação técnica das
ciais existentes para resolver a inefi- no Brasil nos últimos anos. A produ-
empresas, fator fundamental num
ciência do Estado. Também seria im- ção ficou em segundo plano, com boa
processo produtivo que se torna cada vez
portante que os sindicatos não atuas- parte do dinheiro das empresas sendo
mais volumoso e uniforme
sem colocando os funcionários contra drenado para os bancos.
as empresas, pois os dois se necessitam
e concorrem juntos para o sucesso da Qual a parcela de responsabilidade quão duro e importante é o trabalho do
construção. O caminho natural será as dos contratantes para tal engenheiro de obra. Bastaria a esses
empresas darem treinamento aos ope- desvalorização? empresários entender duas coisas para
rários, formando carpinteiros, pedrei- Os sócios de muitas incorporadoras e que ficassem menos insensíveis. A pri-
ros, encarregados e mestres qualifica- construtoras nunca administraram meira é que o custo da construção pode
dos, aumentando a produtividade. uma obra, não tendo nem idéia de atingir em torno de 55% do preço de
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ENTREVISTA

venda da unidade, e a segunda é que há E quais as perspectivas futuras para E o que recomenda para que eles
incompatibilidade numa obra que essa questão? tenham sucesso?
custa milhões de reais ser administrada A economia de mercado irá mudar Sempre falei para meus filhos que a
por uma pessoa que não ganha o sufi- tudo isso, o mundo está com muita li- formação faz a diferença, pois não só
ciente para comprar uma casa de quidez e crescendo. Apesar da péssi- permite alcançar bens materiais
Cohab ou CDHU. ma administração do Brasil, estamos como proporciona intensa felicidade
crescendo juntos, mesmo que a um por permitir realizar coisas impor-
Como tirar a imagem de "mestre- ritmo muito menor do que podería- tantes, trazendo inúmeros benefí-
de-obras de luxo" que as pessoas mos. As atividades produtivas estão cios para a sociedade. A condição
fazem dos engenheiros de obras? adquirindo a importância de que são atual do mercado é muito boa para
Durante alguns anos, dei aula para o merecedoras e os engenheiros colhe- isso, mas o conselho para todos da
primeiro ano de engenharia civil da Es- rão seus frutos. área é que estudem. Após me formar
cola Politécnica da Universidade de São na Poli achei importante completar
Paulo com o intuito de motivar os alu- O senhor recomendaria a um filho minha formação e fiz pós-gradua-
nos iniciantes no curso. Entretanto, era tornar-se engenheiro? ção em Administração Financeira na
muito difícil responder à seguinte colo- Sem dúvida! Sou apaixonado pela Getúlio Vargas. Logo voltei para a
cação: para que estudar se o meu salá- engenharia civil. Meu filho mais Poli e completei o mestrado e o dou-
rio será igual ao de um profissional sem velho tornou-se engenheiro em 2006 torado lá. Um engenheiro bem qua-
qualificação? Todo o idealismo não é e está iniciando a pós-graduação. lificado está apto para atuar nas mais
suficiente para motivar um engenheiro Meu outro filho fará vestibular este diferentes áreas devido à formação
que com seu minguado salário não po- ano também para engenharia civil. que inclui um raciocínio extrema-
derá dar a seus filhos uma escola igual à Talvez meu entusiasmo com a profis- mente lógico.
que tiveram. Acho que arrumei forças são os tenha influenciado. Estou ex-
para motivá-los na paixão que nutro tremamente feliz com a decisão deles O grande volume de obras forçará
pela engenharia e também pela indig- e espero que sejam tão felizes quanto mudanças legais relativas a leis
nação que tenho por esse despropósito. sempre fui. ambientais e de zoneamento? Se
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pudesse, o que mudaria no conjunto De que forma isso ocorre?


de leis de aprovação de projetos em Em palestras e artigos o diretor-exe-
São Paulo? cutivo de uma ONG diz que procura
Sem dúvida que a evolução e a mu- obter liminares para paralisar cons-
dança de costumes solicitam atua- truções que, na opinião dele, podem
lizações das leis. Há então que se ter alguma irregularidade. O grande
estudar os vários reflexos que o au- problema é que uma liminar equivale

Marcelo Scandaroli
mento do volume de obras provo- a uma sentença de morte para a incor-
cará. Algumas conseqüências já poradora ou construtora, visto que a
foram previstas na lei de Zonea- sentença pode vir em até dez anos, in-
mento de São Paulo e nas atuais viabilizando não só o empreendi-
Com o acirramento da concorrência
exigências ambientais. Entretanto, mento mas a própria sobrevivência da
provocado pela transparência inerente à
a prática aponta para necessidades empresa. Outra importância da revi-
abertura de capital, o corpo técnico das
que devem ser observadas e corri- são seria a diminuição da interferên-
construtoras, incluindo os engenheiros de
gidas no tempo. Como São Paulo cia do poder judiciário no executivo,
obras, tende a ser valorizado, uma vez que
atravessa um período de transição, decidindo em um minuto e subjetiva-
influencia diretamente na redução de
todos os artigos das leis deveriam mente questões que técnicos especia-
custos e prazos e aumento de produtividade
ser revisados e deixados extrema- lizados passaram meses estudando.
mente claros. Isso agregaria à segu-
rança jurídica dos negócios imobi- Qual o papel do construtor nesse dades de classes. Essas questões afu-
liários, diminuindo a possibilidade panorama? gentam empresários e contribuem
de vizinhos de construções e Considero muito tímida a participa- para a baixa auto-estima do engenhei-
ONGs (Organizações Não-Gover- ção de todos nós, o que muito nos pre- ro civil. Muitos de nós estudamos mais
namentais), às vezes mal-inten- judica. É tempo do construtor intervir as leis e os procedimentos jurídicos do
cionadas, tirarem proveito de e participar dessas discussões por que matérias ligadas à profissão. As
dúbia interpretação. meio de atuações isoladas ou das enti- entidades de classe deveriam manter
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ENTREVISTA

um relacionamento estreito com nos Municipal e Estadual não têm grande. O senhor acredita que o
ONGs, o Ministério Público e o Poder compromisso com prazos ou objeti- setor como um todo poderia
Judiciário, mudando a maneira como vos, postergando atos sem que haja mobilizar-se para que as coisas
o engenheiro civil e as empresas do qualquer cobrança. funcionassem corretamente?
setor são vistos. Claro, há muito tempo luto pela
De que maneira se poderia mudar isso? união dos engenheiros civis e de nos-
A corrupção quase sempre está Diminuiremos muito a corrupção e a sas entidades de classe. Acho que de-
associada aos empreiteiros e extorsão se tivermos leis mais claras e veria ser formada uma força-tarefa
construtores, visto a grande não utópicas, como são algumas do visando revisar todos os artigos des-
quantidade de obras com ilicitudes. meio ambiente, prazos de aprovação sas leis, aclarando-os e mostrando
O que fomenta a corrupção no setor mais curtos, com decisões mais técni- porque há leis utópicas. As entidades
da construção? cas e sem burocracia, responsabilida- do setor deveriam trabalhar mais
Minha esperança é que com o aumen- de de todas as partes envolvidas em próximas do Ministério Público, do
to da educação dos brasileiros a cor- uma demanda judicial, evitando que Poder Judiciário e do Poder Legislati-
rupção seja minimizada. O grande só as empresas do setor da construção vo, suprindo-os de informações
problema do setor é o compromisso tenham a perder em uma ação, e sobre como funciona a engenharia,
com prazos. Algumas pessoas escon- maior proteção ao funcionário públi- que esta não é uma ciência exata e
didas sob a figura de ONGs ficam co para que sua atuação na área técni- que tem enorme valor para o pro-
contra um empreendimento muitas ca não possa ser levianamente contes- gresso e futuro de nosso País. Deve-
vezes motivadas por questões pessoais tada na justiça. riam mostrar quantas pessoas honra-
ou para atender objetivos particula- das e preparadas há e isolar os casos
res. Daí o que aparece na mídia são Às vezes, é preciso recorrer a fortuitos, valorizando nossas univer-
versões, com o uso de expressões mui- favores do Estado e da Prefeitura sidades, nossas entidades de classe e
tas vezes sem fundamento, como "es- para a aprovação de projetos, dado as empresas do setor, valorizando os
peculador imobiliário". Por outro que as leis não são claras, os engenheiros civis.
lado, alguns funcionários dos gover- caminhos difíceis e a corrupção Bruno Loturco
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TÉCNICA & AMBIENTE


Casa carbono zero
Na Grã-Bretanha, a Off Site 2007, Feira Nacional da Construção, mostra
projeto de casa que reduz níveis de emissão de CO2

m Watford, na Grã-Bretanha, a passiva de ar, mas pode impedir a saída controlada por meio de um medidor
E feira Off Site 2007 reservou uma
grande área de seu parque de exposi-
de calor por meio de um dispositivo
mecânico de recuperação de calor.
inteligente que informa aos moradores
se há algum desperdício. Mecanismos
ções para a construção de edifícios que de reúso de água da chuva e economi-
já incorporassem os padrões de con- Aquecimento zadores de energia complementam os
servação ambiental que devem ser im- O aquecedor a biomassa funciona à sistemas ecológicos da casa.
plantados no país até 2016. Entre os base de combustíveis orgânicos classifi- A Off Site, realizada a cada dois
modelos, a casa carbono zero, da em- cados como nível "zero" na emissão de anos, trouxe este ano tecnologias e
presa Kingspan, se destaca por alcan- gases que contribuem para o efeito es- inovações voltadas à obtenção de
çar o nível 6 dentro dos parâmetros tufa, pois a quantidade de dióxido de construções mais sustentáveis e com
britânicos que medem o grau de ecoe- carbono que expelem quando são melhores performance e inteligência.
ficiência de uma residência. queimados é compensada pela quanti- Tornar uma casa "zero" na emissão de
A casa de dois pavimentos com me- dade do gás absorvida no próprio cul- monóxido de carbono é um dos obje-
zanino tem dois dormitórios e uma tivo do combustível. Além da redução tivos definidos no novo código britâ-
área construída de cerca de 94 m²,onde na produção de CO2, a quantidade de nico para casas sustentáveis.
cada material e componente foi especi- energia consumida também pode ser Simone Sayegh
ficado pela sua habilidade de contribuir
para uma maior sustentabilidade da
Divulgação: Cingspan

construção. Uma das características


principais da residência é sua capacida-
de de conservar a temperatura interna,
por meio de um revestimento que faz
com que ela tenha uma perda de calor
65% menor do que uma casa comum.
A perda de calor é uma característica
importante para moradias em países
fora da zona tropical,onde a calefação é
amplamente utilizada no inverno.
Com estrutura inteiramente em
madeira, a casa recebeu o revestimento
de duas camadas de ripas de cedro
sobre uma película impermeável,reco-
bertas no topo por células fotovoltaicas
de captação de energia solar. Na facha-
da térrea,chapas de concreto reforçado
com fibras foram estampadas com de-
senhos de bambus. No topo da cober-
tura com formato cônico, em meio aos
painéis fotovoltaicos, um shaft de ilu-
minação e ventilação permite a troca

30
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FEIRA
Fotos: Marina Cantelli

Expovivienda 2007
Após a grave crise econômica, construção civil argentina confirma
recuperação em um dos maiores eventos do setor no país

Argentina, que atravessou uma livre), o engenheiro Fernando Es- dade de criar postos de trabalho dig-
A complicadíssima crise econômica
em 2001, está ainda distante de qual-
querro, a atividade da construção em
2006 foi 15% maior do que a alcança-
nos, a habitação é inacessível à maioria
das pessoas. Isso porque "o governo
quer certeza no que tange à atividade da em 1998, recorde até então. Os ainda não conseguiu desenvolver um
industrial. Mas está se reerguendo. E a dados refletem os cinco anos de cres- sistema de habitação adequado e aces-
indústria da construção civil tem se es- cimento econômico em torno de 8% sível". No entanto, "a estabilidade eco-
forçado para fazer a parte que lhe cabe, alcançados entre 2003 e 2006. A infla- nômica deve permitir isso por meio de
conforme se observou na última edi- ção, de 9,8% em 2006, confirmou a linhas de crédito com prazo de 20 ou
ção da Batimat Expovivienda – Feria promessa do presidente argentino 30 anos", complementa.
Internacional de la Construcción y la Néstor Kirchner de evitar que essa al- Conhecidos os dados básicos da
Vivienda, realizada entre 29 de maio e cançasse os dois dígitos. Não à toa, macroeconomia argentina, fica expos-
2 de junho, em Buenos Aires. portanto, o parceiro de Mercosul é a 3a ta a relevância dos números registra-
De acordo com o presidente da economia da América Latina, atrás dos pela organização da Batimat Expo-
AEV (Associación de Empresarios de apenas de Brasil e México. vivienda e, especialmente, da Aluvi
la Vivienda, ou Associação de Empre- Em paralelo, explica Esquerro, em- 2007, a 4a edição da Exposición de las
sários da Habitação, na tradução bora a construção civil tenha a capaci- Industrias del Vidrio y el Aluminio.

32 TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


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Espaço arquitetônico
Alguns eventos paralelos à Batimat 1:100 Selección de Obras. Concebido
Expovivienda deram especial atenção à pelos arquitetos Enrique Bares, Federico
arquitetura argentina. Talvez o mais Bares, Nicolás Bares, Daniel Becker,
relevante tenha sido a mostra de Arquitetos Claudio Ferrari e Florencia Schnack, e
Argentinos no Mundo – Coleção 2007, escolhido por meio de concurso público,
organizada pelos arquitetos Daniel Casoy e o projeto pretende revitalizar o edifício do
Luis Grossman. O objetivo foi expor a correio central portenho, bem como todo

ProyectoCCB
atuação de profissionais como Juan Lucas o entorno, a fim de integrar o prédio com
Young, Daniel Azerrad e César Pelli pelo o passeio público. A iniciativa faz parte de
mundo. Procurou definir as tendências que um conceito urbanístico que visa a complemento, todo o urbanismo da
têm pautado o desenvolvimento dos retomada da relação da cidade de Buenos região, que abrange a Casa Rosada,
projetos, chegando à conclusão de que há Aires com o rio da Prata. Para tanto, a será revisto. O prazo de execução é março
uma busca pela inclusão de vegetação no idéia é tornar livre o acesso à planta baixa de 2010. Em relação aos custos: "ainda
interior dos projetos. do prédio, além de criar salas de música, não foram estimados, mas certamente
Também durante a realização da feira foi exibições, um museu e equipamentos serão bastante altos, pois é um projeto
apresentado o anteprojeto do CCB culturais. De acordo com os arquitetos, o ambicioso", garante Daniel Becker, um
(Centro Cultural do Bicentenário), CCB terá mais de 90 mil m2 e será um dos dos autores. Informações adicionais:
organizado pela revista de arquitetura maiores centros culturais do mundo. Em www.proyectoccb.com.ar.

Esta última representa um setor que Conforme pôde ser observado, as


experimentou crescimento recorde de empresas argentinas do setor de cons-
mais de 40% no último ano, conforme trução civil têm voltado os investi-
atestou, durante o ato de abertura do mentos para o desenvolvimento de
evento,Luis María Costa,presidente da tecnologias e soluções sustentáveis e
Caiama (Cámara Argentina de la In- energeticamente eficientes. A atuali-
dustria del Aluminio y Metales Afines). dade da questão é comprovada pelo
Foi nesse contexto que os "moto- noticiário local que, com a onda de
res do crescimento nacional" argenti- frio e em benefício do consumo resi-
no ocuparam, com mais de 380 estan- dencial, registra cortes no forneci-
des, 40 mil m2 da La Rural, espaço de mento de gás para indústrias e mesmo
A construção civil argentina deu mostras
exposições da capital Buenos Aires, escolas. Tiveram destaque, portanto, a
de seu crescimento ao levar mais de 100
para receber os 101 mil visitantes que apresentação de isolantes térmicos
mil visitantes à Batimat Expovivienda
estiveram presentes no evento. A ex- que propiciam economia de energia.
pressão acima é do engenheiro Carlos No âmbito da Aluvi foi abordada a
Wagner, presidente da CAC (Cámara Cerâmica para Revestimentos), que responsabilidade de vidros e esqua-
Argentina de la Construcción), que levou o arquiteto Fernando Peixoto drias no consumo de energia em uma
também afirmou durante o ato de para palestrar sobre o uso de revesti- edificação, incluindo a cobrança, por
abertura da Feira que a construção é mentos cerâmicos na arquitetura. parte da patrocinadora oficial do
um destino "rentável e seguro para os No mesmo âmbito dessa apresen- evento, a Hydro Aluminum Argenti-
investimentos". tação foram abordados temas como na, de uma legislação pertinente ao
Indício disso foi a expressiva pre- reforço de estruturas de concreto sem uso racional da energia. O gerente
sença de empresas estrangeiras nos o uso de resinas epóxi, internet como geral da empresa, Ricardo Wagner,
corredores da Batimat Expovivienda, ferramenta de trabalho, técnicas de destacou o evento como único da
com destaque da organização para as proteção para madeira, segurança de América do Sul, o que denotaria o in-
alemãs, italianas e espanholas. obras, planejamento urbano e patolo- teresse argentino no desenvolvimento
gia das construções, além de apresen- tecnológico de sistemas de esquadrias.
Presença brasileira tações de técnicas e produtos e a 2a A opinião de Costa, da Caiama, é
Segundo a organização do evento, Ronda Internacional de Comprado- convergente e ressalta o desenvolvimen-
15 empresas brasileiras participaram res de la Construcción y la Vivienda, to de vidros de baixa emissividade,o au-
do evento. O Brasil também esteve promovida em conjunto com a Fun- mento de capacidade e a evolução das
presente por meio da Anfacer (Asso- dação Export.AR, com a participação técnicas de produção dos fabricantes.
ciação Nacional dos Fabricantes de de 20 países. Bruno Loturco

33
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FEIRA

Produtos e Tecnologias
Esquadria as texturas da linha de produtos recursos. Em condições difíceis, é
inspiram-se na natureza andina e estão possível contar com ajuda de potência
disponíveis para fornecimento em sacos instantânea de 10%. As mangueiras
de 30 kg. estão protegidas e a caixa de câmbio
Molinos Tarquini para trabalhos pesados fica no centro do
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Com o argumento de que o alumínio é um Tubos de polipropileno


material sustentável – comparado ao PVC
– a Hydro oferece a linha HA 110, com
largura de marco de 110 mm em duas
guias e 165 mm em três guias, e largura
de folha de 41,4 mm. Utiliza um
mecanismo de travamento vertical para
garantir deslizamento simples de até Capaz de cobrir larguras de até 3,5 m e
quatro folhas corrediças. Propicia um alturas de até 3 m, o sistema é composto
elevado nível de isolamento e conta com por caixão de alumínio, guias extrudadas,
perfis tubulares, o que aumenta a rigidez persianas de alumínio injetadas com
do conjunto. Trabalha com um peso poliuretano e acessórios para
máximo de 320 kg. acionamento manual ou motorizado. A
Hydro Aluminum Argentina empresa conta, ainda, com vasta linha de
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interiores e exteriores, novos ou antigos.
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cerâmica, além de alcançar um consumo tecnologia japonesa, as escavadeiras
de até 6 kg/m2. Pode ser utilizado em têm capacidade entre 13 e 21 t. As
conjunto com aditivos plastificantes, cabines contam com controles Composta por seis camadas – polietileno,
pontes e promotores de aderência ou ergonômicos, alavancas de controle de asfalto plástico, polietileno reforçado,
niveladores de base. Toda a coloração e curso curto e calefação, dentre outros polipropileno tecido e lâmina de alumínio,

34 TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


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de baixo para cima – tem a resistência e resistente, com desempenho 1 MPa e à flexão de 0,5 MPa, ambas
mecânica aumentada significativamente, comprovado por meio de ensaios junto ao aos 28 dias. O poder calorífico atinge
assim como à tração longitudinal, Inti (Instituto Nacional de Tecnologia 310 kcal/kg de reboque, obedecendo
transversal e de impacto. Apresenta, Industrial), da Argentina. Tem vida útil à norma francesa NF M 03-005.
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ar-condicionado permitem combinar
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interiores, oferecendo uma alternativa aos
equipamentos tradicionais. Por adaptar a
potência à necessidade de consumo de
cada ambiente em cada momento,
propicia uma economia de energia de até
Piso térmico unido por termofusão, Oferece, segundo o fabricante, isolamento
35%, de acordo com o fabricante. Conta,
sendo um sistema de tubos e conexões térmico eficaz, além de permitir a
ainda, com função autolimpeza e
produzido com PERT (polietileno de alta obtenção de economia quando
compressores diferentes para alcançar e
resistência térmica), material com comparado ao sistema tradicional de
manter a temperatura desejada.
vantagens em relação ao polietileno isolamento. Propicia um ganho de
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35
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CAPA
Nicolau El Moor

Nave branca
Niemeyer mantém sua marca em nova obra em Brasília e desafia calculistas
e construtores: uma cúpula de Ø 80 m em anéis de concreto e três rampas

uase 15 mil m3 de concreto e mil formado por uma cúpula pintada de terreno de 39 mil m2. A construção
Q toneladas de aço estruturam o
novo Museu Nacional de Brasília,
branco com casca dupla, com 15 mil
m2 de área construída, ergue-se a
ficou a cargo da Via Engenharia e o
projeto estrutural foi desenvolvido
junto à Esplanada dos Ministérios. uma altura de cerca de 26 m acima pela Casuarina Consultoria, sob co-
Projeto de Oscar Niemeyer, o museu do nível da praça de entorno, em um mando do engenheiro Carlos Henri-

TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


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que da Cruz Lima, acostumado a es-


truturar as famosas linhas do arqui-
RESUMO DA OBRA teto de Brasília.
Obra: Museu Honestino O Museu Nacional Honestino
Guimarães Guimarães faz parte do Conjunto
Local: Brasília, Eixo Cultural da República, importante
Monumental pólo cultural que complementa o
Início da obra: abril de 2004 Eixo Monumental desenhado pelo
Conclusão: dezembro de 2006 arquiteto no projeto original da ca-
Área construída: 14.917 m² pital. O projeto de todo o conjunto
Área do terreno: 39.000 m² foi retomado em 2002, pelo então
Volume do concreto da governador do Distrito Federal, Joa-
estrutura: 9.951,92 m³ quim Roriz, e prevê a construção do
Volume de aço da estrutura: museu e biblioteca no lado leste, e de
946,40 t uma casa de espetáculos, cinemas,
Altura da cúpula: 26,25 m locais de encontro, e planetário no
Fundação: tubulões a céu lado oeste, além de uma passarela
aberto escavados manualmente subterrânea com lojas e cafés ligan-
Estrutura: concreto armado e do as alas sul e norte da Esplanada.
concreto protendido nas lajes Assim como a Biblioteca Nacio-
Fechamento externo: nal, o prédio do museu já saiu do
concreto com fck>35 MPa papel e foi inaugurado em dezem-
bro de 2006. O projeto original foi
completamente alterado, pois, se-
gundo o próprio arquiteto, exigia
soluções muito dispendiosas: "O
primeiro projeto que propus para o
Museu de Brasília previa um grande
bloco com 180 m de extensão, sus-
penso em dois apoios centrais e,
conseqüentemente, balanços late-
rais de 80 m, uma solução audaciosa
e cara", explica Niemeyer em um
texto publicado no site oficial da Se-
cretaria de Cultura.
Para tornar factível a construção
dentro do orçamento previsto, Nie-
meyer teve que mudar o projeto, que
passou a definir uma grande cúpula
de cerca de Ø 80 m com um auditó-
rio para 700 pessoas e área de expo-
Eudes Junqueira

sições em balanço. O programa está


dividido em três pavimentos e meza-
nino. O subsolo abriga área para ma-

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museu nacional de brasilia.qxd 5/7/2007 14:57 Page 38

CAPA

com Ø 76,0 m na base, complemen-


tado por um setor esférico que atinge
uma altura total de 26,40 m. Já a
casca interna mantém a forma de um
setor esférico desde o pavimento tér-
reo até o topo. De acordo com o en-
genheiro Carlos Henrique, a princi-
pal razão para a utilização de uma
casca dupla foi a necessidade de uma
rigidez que resistisse aos esforços de
flexão impostos pelos tirantes da es-
trutura do mezanino, pelas vigas do
piso de exposições, e em maior grau,
pela grande rampa externa engasta-
da. A solução estrutural permitiu que
se formasse um colchão de ar entre as
Eudes Junqueira

cascas de concreto, que contribui sig-


nificativamente na redução da carga
térmica no interior da estrutura, de
O conjunto de fôrmas de madeira e cimbramento foi concebido em segmentos
maneira a melhorar a eficiência do
de 30º e 60º
sistema de ventilação instalado.
O pavimento térreo é formado
por um nível horizontal em forma
de coroa circular que recebe todas as
salas destinadas a trabalhos específi-
cos de museologia, além de um audi-
tório de 80 lugares, e uma área cen-
tral, com piso inclinado, destinado
ao grande auditório acarpetado de
700 lugares. As paredes dos dois au-
ditórios, revestidas por lambris, re-
cebem um recheio de lã de vidro e
compensado de madeira como
forma de proteção acústica. Logo
acima, o grande pavimento de expo-
sições, elevado 5,15 m em relação ao
térreo, tem sua laje apoiada sobre a
parede cilíndrica do auditório com
Ø 35 m, por meio de aparelhos de
Rodrigo Viana

apoio em neoprene. "A estrutura é


encimada por vigas radiais dispostas
a cada 15o, que convergem para um
A superestrutura concebida por Carlos Henrique da Cruz Lima tem casca dupla com
maciço central onde se cruzam os
nervuras radiais e circunferenciais
cabos de protensão", explica Carlos
Henrique. Além do apoio central, a
nutenção de instalações e sistema de Superestrutura laje também é ligada estruturalmen-
ar-condicionado, o piso no nível tér- O projeto estrutural concebido te à casca periférica.
reo recebeu o auditório e salas desti- pelo engenheiro Carlos Henrique da Já o mezanino, livre de pilares,
nadas a museologia, restauro, marce- Cruz Lima definiu uma estrutura só pôde ser executado com a cúpula
naria, administração e reserva técni- composta basicamente por uma co- totalmente pronta. É formado por
ca, com entrada principal embaixo da bertura em casca dupla com nervuras uma estrutura em laje dupla com
rampa linear, e finalmente o primeiro radiais e circunferenciais, que apre- forma sinuosa, totalmente suspensa
pavimento abre-se inteiramente para senta externamente duas formas geo- pela cobertura por meio de tirantes
exposições, complementado por um métricas distintas: entre o piso térreo metálicos protendidos com ancora-
mezanino e servido por quatro ram- e o pavimento de exposições a casca gem presa à cúpula e à laje do me-
pas que interligam os três níveis. tem a forma de um tronco de cone, zanino. Seu sistema de laje também

TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


38
museu nacional de brasilia.qxd 5/7/2007 14:57 Page 39

tração nos estágios iniciais de endu-


recimento do concreto e aumenta
sua durabilidade", garante Roberta.

De rampa em rampa
Característica comum nos pro-
jetos de Niemeyer, as rampas consti-
tuem espaços à parte no museu. Na
área externa, o prédio dispõe de três
rampas com estruturas diversas. A
rampa de acesso direto à área de ex-
posições é reta, com extensão de 50
m, executada em concreto protendi-
do e com sustentação feita por meio
de aparelhos de apoio. A rampa
menor de serviços, que vai do térreo
até o pavimento de exposições, é
curva e em balanço, engastada late-
ralmente na casca da cobertura. E a
Eudes Junqueira

terceira rampa, monumental, com a


forma de uma alça com 14 m de ba-
lanço, interliga o pavimento de ex-
Vigas radiais protendidas do pavimento de exposições, dispostas a cada 15o
posições ao mezanino. De acordo
com a engenheira Roberta, a execu-
se liga à laje do mezanino e à rampa superestrutura foi utilizado concre- ção dessa rampa foi um desafio à
interna, em curva, que nasce no pa- to com fck = 35 MPa com adição de, parte, por ser uma grande curva em
vimento de exposições. De acordo no mínimo, 7% de sílica ativa. Na balanço e necessitar de protensão. O
com a engenheira Roberta Augusto casca e nas rampas externas foi pre- balanço exigiu que as ancoragens
Gomes Pereira, da equipe de coor- vista a adição de fibra de polipropi- dos cabos fossem localizadas na cú-
denação da Via Engenharia, respon- leno, na proporção de 0,6 kg/m3. "A pula. Quando o concreto atingiu a
sável pela execução do museu, na fibra permite maior controle da re- resistência de 35 MPa, os cabos

39
museu nacional de brasilia.qxd 5/7/2007 14:57 Page 40

CAPA

foram protendidos simultaneamen-


te pelas duas extremidades, com
50% da força inicial de protensão.
Na segunda etapa, os cabos foram
protendidos até atingir 100% da
força inicial. Somado a isso, o posi-
cionamento das bainhas dos cabos
de protensão era diferente a cada
uma das 11 seções definidas ao
longo de seu comprimento.
Com exceção da rampa linear,
desligada da estrutura do prédio,
todas as outras rampas externas
foram executadas com fôrmas cur-
vas e escoramento metálico. A
única rampa interna também curva
exigiu uma fôrma de guarda-corpo
Vigas radiais e circunferenciais unindo as duas paredes da cúpula em fórmica, de maneira a se obter
uma superfície bem lisa, pronta
para a pintura direta. "Depois de
utilizada, todas as fôrmas da rampa
foram descartadas, pois cada seção
tinha uma curvatura diferente", ex-
plica Roberta.

Base sólida
Em termos de movimentação
de terra, o projeto exigiu escavações
do subsolo, uma circunferência de
Ø 35 m e 7 m de profundidade, do
prédio de instalações e da galeria
subterrânea, que liga as instalações
Fotos: Eudes Junqueira

do museu às instalações da bibliote-


ca, passando ainda pelo restauran-
te. O volume total escavado foi de
aproximadamente 16.000 m³ e toda
Interior do restaurante, prédio executado ao lado do Museu. Possui forma circular a área externa foi recoberta por pa-
com raio de 11 m e dois pavimentos com lajes duplas protendidas vimentação em concreto armado,

Cimbramento da cúpula
De acordo com a construtora Via, foram Como a cúpula tem duas paredes, superiores nos trechos mais verticais e
desenvolvidos projetos rigorosos das primeiramente foi concretada a parede visíveis, e adicionado aditivo
fôrmas e do tipo de cimbramento interna e em seguida a externa, com superplastificante ao concreto, de
empregados na execução da cúpula, fôrma inferior e superior. O uso de duas maneira a torná-lo mais fluido e aderente
tendo em vista prazo, orçamento e fôrmas só foi possível enquanto as aos espaços do molde. As fôrmas
qualidade técnica. Optou-se pela distâncias entre as paredes permitiam sua inferiores e superiores tinham que ser
execução da cúpula em anéis, com fôrmas retirada. Quando o vão entre as cascas reformuladas de um segmento para o
de madeira em segmentos de 30° a 60°, diminuiu, de maneira a impossibilitar a outro, pois a paginação do compensado
em conjunto com um cimbramento retirada da fôrma inferior da parede era constantemente alterada. Já a
metálico que se deslocava por meio de externa, optou-se pelo uso de fôrma em estruturação das vigas, longarinas e
rodas. Esse conjunto fôrma-cimbramento caixão perdido de poliestireno expandido. cunhas foi mantida, pois a partir do
foi reaproveitado para cada segmento do Com relação ao acabamento de fachada pavimento de exposições a curvatura da
mesmo anel. da cúpula, foram usadas fôrmas cúpula torna-se constante.

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museu nacional de brasilia.qxd 5/7/2007 14:57 Page 41

com espessura de 12 cm. O piso foi prédio de instalações da biblioteca. kVA. O sistema de ar-condicionado
executado em placas de 12 m x 12 Assim como a subestação, os painéis é composto por duas unidades res-
m, com juntas de mástique elástico de medição do museu e do restau- friadoras de líquido, duas torres de
de poliuretano na cor cinza. rante também são localizados no resfriamento e seis condicionadores
prédio, de onde a energia é conduzi- de ar do tipo fancoil.
Instalações da para os quadros do museu por O prédio também dispõe de
A entrada da energia elétrica em meio de barramento blindado, den- funções essenciais de automação
alta tensão é feita na subestação geral tro da galeria subterrânea. O sistema com operação e controle automáti-
do Complexo Cultural da República, elétrico é composto de dois gerado- co e coordenado dos sistemas elétri-
composta de quatro transformado- res de 280 kVA cada e um conjunto cos, hidráulicos, de ar-condiciona-
res de 1.000 kVA cada, localizada no no break paralelo redundante 2 x 80 do, iluminação, alimentação, emer-
gência, força motriz, incêndio, se-
gurança, circuito fechado de TV,
controle de acesso, comunicação de
dados e sonorização.
Simone Sayegh

FICHA TÉCNICA
projeto estrutural: Casuarina
Consultoria Ltda. – engenheiro
Carlos Henrique da Cruz Lima;
projeto de escoramento: Rohr
S.A. Estruturas Tubulares e
Doka Brasil Formas para
Concreto Ltda.; instalações:
Soares Barros Engenharia
Ltda. – engenheiro Rui Soares
Barros; ar-condicionado:
Na área externa o edifício dispõe de três rampas com estruturas diversas Critério Consultoria e Projetos
de Engenharia Ltda. –
engenheiro Paulo Jorge
Ribeiro da Silva; construção:
Via Engenharia S.A. –
engenheiro Hélcio Magela
Ferreira, engenheiro Leonardo
Guimarães Andrade,
engenheira Roberta Augusto
Gomes Pereira; concreto:
Ciplan; aço: Belgo; ferragem de
piso: Belgo; escoramentos e
fôrmas: Rohr e Doka;
instalações elétricas,
hidrossanitárias, incêndio: Tecno
Engenharia; subestação:
transformador da Comtrafo;
geradores: Stemac; no breaks:
GE; piso elevado: Pisoag;
carpete: Milliken; instalações de
ar-condicionado: Termoeste;
automação, CFTV e rede
estruturada: Johnson Controls;
Com uma grande curva em balanço, a rampa principal externa foi um desafio aos som e áudio: Home Vision;
engenheiros, que exigiu ancoragens de protensão na cúpula impermeabilização: Denver/Imax

41
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ANDAIMES

Trabalho nas alturas


Estudo prévio de sistema de andaimes deve considerar altura de trabalho,
velocidade de execução e de locomoção. Projeto aplica, ainda, requisitos da NR-18

de projetos Worker Engenharia. A


NR-18, norma regulamentadora de
segurança na Construção Civil, exige
que o dimensionamento dos andai-
mes e das estruturas de sustentação e
fixação seja realizado por profissionais
legalmente habilitados. Dessa forma,
por mais simples que seja, a monta-
gem de andaimes não pode ser realiza-
da de forma empírica pelos trabalha-
dores, sem o conhecimento técnico
necessário que o trabalho exige. "O
projeto é o manual de procedimentos
Fotos: Marcelo Scandaroli

para o montador", explica Barata.


E o que consta de um bom projeto?
Primeiramente, a definição do sistema
a ser utilizado na obra. Em serviços ex-
ternos – nas fachadas,por exemplo –,as
melhores opções de andaimes podem
s quedas são as principais causas variar,entre outros,de acordo com a al-
A de morte na construção civil bra-
sileira. O motivo, sozinho, é mais do
tura do edifício, com a necessidade de
velocidade de trabalho ou com a quan-
que suficiente para justificar a atenção tidade de trabalhadores necessária. Os
que se deve ter com o planejamento da andaimes podem ser os fachadeiros,
montagem e utilização de andaimes apoiados no chão, ou suspensos (ma-
em obras. Entretanto, não apenas as- nuais e elétricos), atirantados em estru-
pectos de segurança são levados em turas na cobertura do edifício.
consideração pelos estudos prévios de Regra geral, os andaimes facha-
sistemas de andaimes: em obras de deiros são a melhor opção para edifí-
médio porte, por exemplo, a análise cios baixos – até 8 m –, e os balancins
minuciosa de vantagens e desvanta- (como também são chamados os an-
gens dos sistemas disponíveis – geral- daimes suspensos), para trabalho em
mente andaimes fachadeiros x balan- alturas maiores. "O custo do aluguel
cins – freqüentemente resultam em inviabiliza o uso em obras mais
Victor Almeida

economia no orçamento da obra (veja altas", explica o professor da Escola


quadro comparativo). Politécnica da USP, Ubiraci Espinelli
"Com um projeto de andaimes, o Andaimes suspensos devem transportar Lemes de Souza. Mas a presença de
construtor vai ter tranqüilidade quan- apenas os operários que irão trabalhar entraves técnicos na obra pode
to à boa execução do serviço", afirma na fachada e o material a ser utilizado mudar o jogo. "Quando a cobertura
Antônio Roberto Barata, do escritório no serviço não permite a instalação do sistema

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mento quanto na correta instalação


do sistema. É comum – e errado – que
o cinturão seja fixado ao próprio an-
daime ou em sua estrutura de fixação.
"O cinturão de segurança deve ter sus-
tentação independente da estrutura
do andaime suspenso", alerta Barata.
Se os andaimes fachadeiros forem
Uso de cinto de segurança tipo pára-
descartados, o construtor tem à dis-
quedista é obrigatório em todos os tipos
posição os andaimes suspensos mecâ-
de andaimes
nicos ou elétricos. Os primeiros são os
mais usados, em função de seu menor
de fixação dos balancins, optamos custo, mas pesa contra si o fato de se
pela especificação de andaimes fa- movimentarem mais lentamente e
chadeiros", afirma Barata. exigirem maior esforço ergonômico
Ao se trabalhar nesses andaimes, é dos trabalhadores. Para pequenas in-
obrigatório o uso, pelos trabalhado- tervenções, que precisem de apenas
Andaimes não-estaiados têm res, de cinturão de segurança tipo um trabalhador, bastam as cadeiras
limitação de altura: ela deve ser, pára-quedistas. Mas o risco, nesse suspensas individuais, manuais ou
no máximo, quatro vezes o menor caso, não reside tanto na resistência elétricas. A necessidade de movimen-
lado da base dos operários à utilização do equipa- tação de cargas maiores e do trabalho
de mais funcionários pode abrir espa-
ço para o uso de plataformas pinhão-
cremalheira. "O custo, porém, é muito
Andaime fachadeiro x balancim mais alto", lembra Barata.
O professor da USP alerta para as
Quando os custos das soluções se equiparam, características específicas da obra
preocupações com a segurança em
devem ser consideradas para definição do melhor sistema de andaimes. Confira
ambientes internos. "A segurança
algumas delas.
nesses locais costuma ser negligencia-
da, pois as alturas são pequenas",
Andaime fachadeiro Balancim
conta. Uso de andaimes próximos a
 Locomoção janelas, por exemplo, representa ris-
Trabalhadores transitam mais facilmente Movimentação da plataforma, sobretudo
cos reais. Nesse caso, é indispensável a
entre as plataformas. as manuais, é mais difícil, por exigir maior
instalação de grades de proteção nos
esforço ergonômico dos funcionários.
espaços abertos.
 Qualidade do revestimento Os andaimes mais comuns dentro
Facilidade de locomoção induz à melhoria Em função da menor mobilidade, há o
das construções são os apoiados sobre
da qualidade do revestimento de fachada. risco de que pequenas falhas na fachada
cavaletes e os tubulares móveis. A NR-
sejam deixadas para trás.
18 proíbe o trabalho sobre platafor-
 Altura do prédio mas apoiadas sobre cavaletes a alturas
Solução economicamente viável para Balancins elétricos e manuais, além das
maiores de 2,00 m, ou com largura
prédios de até 8 m de altura, sem plataformas cremalheiras (mais caras)
menores que 0,90 m. Ela também
restrições técnicas excepcionais. são as opções para edifícios altos.
aponta que torres de andaimes – in-
 Velocidade de execução cluindo os móveis – não fixados à es-
O sistema é adequado para obras rápidas. Balancins são a melhor solução para mais
trutura não podem ter altura maior
Se o serviço se estender por tempo maior trabalhos longos na fachada do edifício.
do que quatro vezes a menor dimen-
que o programado, o andaime fachadeiro
são da base de apoio.
alugado pode não ser a melhor opção.
Renato Faria

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FUNDAÇÕES I

Recuperação por baixo


Técnicas permitem interromper recalques de fundações e reforçar vários tipos
de estacas. Veja também como ocorrem as patologias
Divulgação: Reforça Engenharia e Fundações

ão muitos os fatores que podem subsolo – como em áreas próximas a Segundo o vice-presidente da
S prejudicar o desempenho das
fundações de uma edificação. Ao
obras do metrô. A evolução de even-
tuais problemas nas fundações, evi-
ABMS (Associação Brasileira de Me-
cânica dos Solos), Jarbas Milititsky, na
longo de toda sua vida útil, elas estão denciados por recalques e desapru- França, estatísticas mostram que mais
sujeitas, por exemplo, a esforços resul- mos, não são tão fáceis de se observar. de 80% das patologias de fundações
tantes de adensamento do solo, au- Por isso, em geral as patologias das têm origem em falhas na investigação
mento de cargas em terrenos vizinhos fundações só são percebidas quando dos solos. No Brasil não existem le-
e vibrações causadas por explosões no se encontram em estágio avançado. vantamentos semelhantes sobre o

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tema, mas ainda assim é possível afir-


mar que a causa da maior parte dos Técnicas de reforço
problemas está no desconhecimento
Quando as fundações não suportam
do comportamento do terreno sobre
com segurança as cargas atuantes na
o qual a construção é erguida.
estrutura – por aumento no
Como em outras etapas da cons-
carregamento ou por danificação
trução, há muitas críticas ao modelo de
das peças –, intervenções para seu
contratação por menor preço de exe-
reforço são necessárias. Confira as
cução de fundações e, principalmente,
principais técnicas.
de serviços de sondagem. A opção Parede
pelas empresas mais baratas, mas de
Aumento da área de apoio –
baixa qualificação técnica, pode impli-
método utilizado em sapatas ou
car conseqüências desastrosas, com fa-
tubulões, fundações em que a
lhas graves na análise do terreno. "Pro-
transferência de carga ocorre pela
fissionais encarregados da caracteriza-
superfície horizontal de contato da
ção de comportamento dos solos não
fundação com o solo. A medida pode
necessariamente são engenheiros nem
ser tomada quando existe um
têm noção da responsabilidade da ati-
aumento das cargas originais sobre a
vidade que desenvolvem", afirma Mili-
estrutura. Amplia-se a seção da sapata Estaca
titsky. Em casos extremos, até mesmo
ou da base do tubulão por meio do raiz
sondagens inventadas podem constar
"enxerto" de concreto. Realiza-se o
de investigações fraudulentas.
chumbamento de ferragens na peça
Caso não exista uma fiscalização do
existente, o apicoamento de sua
processo, os erros podem se acumular.
superfície e a aplicação de resinas
Se informações imprecisas chegam ao
colantes de forma a garantir a
calculista, que desconhece a confiabili-
aderência do concreto novo ao antigo.
dade da análise de solo que recebe, o
Estacas Mega – trata-se da instalação
projeto pode ser desenvolvido com base
de pequenos segmentos (de 0,50 m a perfuração com circulação de água. As
em dados inverídicos. E as conseqüên-
1,0 m de altura) superpostos de estacas estacas perfuram as sapatas ou blocos
cias só serão notadas quando as funda-
metálicas ou em concreto armado. Os de coroamento e depois são
ções forem submetidas a carga. O vice-
elementos são cravados no solo com o incorporadas a esses elementos, ou
presidente da ABMS lembra que a etapa
emprego de macacos hidráulicos, que podem ser instaladas apenas ao lado
envolve o trabalho de diversos atores e
reagem contra uma cargueira, contra a dessas peças. Como as estacas Mega,
propõe que um profissional – um con-
estrutura ou contra a fundação já o processo de execução não ocasiona
sultor ou o próprio projetista – seja es-
existente. Método adequado para vibrações, mas a injeção e circulação
pecialmente destacado para acompa-
execução em locais pequenos e de difícil de água sob as fundações podem
nhar de perto todas as fases da etapa de
acesso para pessoal ou equipamento, instabilizar as condições existentes.
fundações. "A presença desse fiscal du-
também não provoca vibrações que Estacas convencionais – o método
rante a execução das fundações profun-
possam implicar riscos de estabilidade à é aplicável quando o pé-direito
das, por exemplo, é imprescindível para
estrutura. Após instaladas, as estacas de permite a instalação de um bate-
verificar as condições reais do solo con-
concreto, que são cilindros vazados, são estacas. São empregadas as estacas
sideradas em projeto", explica. "O que
armadas com ferragens e concretadas, convencionais de concreto armado,
vemos é um abismo, uma total falta de
para a perfeita solidarização. metálicas, perfis soldados etc. Em
comunicação entre os profissionais",
Estacas raiz – as estacas são geral, emendas são necessárias, pois
afirma Armando de Oliveira, diretor da
concretadas in loco, instaladas é raro que o pé-direito possibilite a
Reforça Engenharia e Fundações.
inclinadas ou verticalmente por instalação de peças únicas.
As evidências de patologias de
fundações podem levar anos para se Fonte: Fundações – Teoria e Prática, Editora PINI

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FUNDAÇÕES I

Patologias nas fundações


As principais causas de patologias de Atrito negativo – ocorre quando a estaca água/cimento ou de abatimento baixo
fundações podem ser divididas em cinco atravessa um terreno que se adensa sob (slump menor que 10 cm) provoca
categorias, da investigação do subsolo à seu peso próprio ou aterros recentes sobre segregação na concretagem, entre outros
degradação dos materiais. Confira a solos moles. No atrito negativo, o solo não problemas. Concretos mal misturados,
seguir algumas das causas apontadas no se opõe ao afundamento da estaca, mas geralmente de forma manual, podem
livro "Patologia das Fundações". vai pesar sobre ela provocando a condição resultar em peças finais com baixa
de carregamento das fundações. resistência. É possível, também, se
INVESTIGAÇÃO DO SUBSOLO Alguns projetos não levam o efeito encontrar problemas com cimentos de
Quantidade de sondagens em consideração. má qualidade (hidratados), estocados
insuficiente – o número de investigações Efeito Tschebotarioff – o projeto não inadequadamente – na fase de
não cobre de maneira adequada terrenos leva em consideração solicitações fundações, geralmente os canteiros ainda
de grande área ou de subsolo variado. horizontais sobre as estacas. Esses não estão devidamente instalados e
Quando as profundidades de investigação esforços ocorrem quando aterros a armazenagem do material é,
são insuficientes, corre-se o risco de contíguos às estacas comprimem às vezes, precária.
não se caracterizar camadas de solo de camadas inferiores de solos moles. O Hélice contínua – alguns problemas de
pior desempenho quando submetidas conseqüente deslocamento lateral da execução comum com hélice contínua
a carregamento. massa de solo pressiona horizontalmente envolvem o posicionamento das
Falta de ensaios especiais – sem as fundações, forçando sua flambagem armaduras. Entre eles, a dificuldade ou
investigações dessa natureza, propriedades ou, em último caso, sua ruptura. impossibilidade de colocação de
dos solos como expansibilidade ou armadura projetada por problemas no
colapsibilidade – fundamentais para a detalhamento, baixa trabalhabilidade do
definição de soluções de fundações – concreto ou demora no processo. Em
podem passar despercebidas. solos muito moles já se verificou
Ocorrência de matacões – presença armadura posicionada fora do corpo da
de blocos de rocha no subsolo gera Aterro estaca devido a procedimentos
problemas de interpretação de impróprios de colocação.
resultados de sondagens e interfere nos Forças
processos construtivos de fundações horizontais
superficiais e profundas.

Forças
verticais

Matacão Camada
compressível
Solo de baixa
resistência Solo resistente Fotos: Marcelo Scandaroli

Horizonte rochoso

EXECUÇÃO
Levantamento de estacas – típico de
ANÁLISE E PROJETO blocos com várias estacas, ocorre quando
Sobreposição de tensões – o problema a cravação de uma nova peça provoca o PÓS-CONCLUSÃO DAS FUNDAÇÕES
surge quando uma edificação é construída deslocamento do solo. Com isso, há o Equipamentos industriais –
ao lado da outra, não necessariamente ao "levantamento" das estacas vizinhas já maquinários cuja ação dinâmica produz
mesmo tempo. O cálculo das fundações cravadas. Dependendo da magnitude do vibrações (prensas, impressoras rotativas,
superficiais de um edifício não leva em levantamento, há prejuízo no equipamentos de corte de metais) são
conta os efeitos das cargas da construção desempenho das fundações. origem de diversos problemas de
vizinha sobre o solo. Os esforços sobre o Problemas com concreto – fundações. Cuidados especiais devem ser
solo se somam e inclinações podem ser principalmente em estacas Strauss, tomados para isolar os efeitos ainda na
observadas nas duas construções. o uso de material com baixo fator fase de implantação dos equipamentos.
Fonte: livro "Patologia das Fundações", de J. Milititsky, N. C. Consoli e F. Schnaid, Editora Oficina de Textos

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Explosões – ocorrem durante desmonte


de rochas ou desmonte de estruturas de
concreto, e a vibração pode atingir
fundações e estruturas vizinhas.
Recomenda-se que, antes dos trabalhos
dessa natureza, sejam elaborados a
inspeção e o laudo fotográfico dos
imóveis vizinhos, para conhecer eventuais
situações de risco e demonstrar existência
de danos previamente existentes. É
importante investigar e avaliar a resposta
dessas estruturas próximas à vibração.
Rebaixamento de nível d'água –
deslocamentos resultantes do
rebaixamento de lençóis freáticos
acarretam o aparecimento de recalques
na superfície do solo, afetando
principalmente fundações diretas
apoiadas na região. São mais afetados os
solos granulares fofos; os mais compactos
são afetados de forma significativa se há
carreamento e perda de material.
Imóveis com
fundações simples

Nível de água
Máquinas de grande porte devem ter fundações separadas de outras partes da
original
edificação para não transmitir a vibração às estruturas adjacentes
Solos
Nível de água granulares manifestar. Para evitar que eventuais fícios vizinhos à construção do metrô
rebaixado fofos problemas se agravem, recomenda-se do Rio de Janeiro. O controle realiza-
que o construtor realize periodica- do nos imóveis mostrou afundamen-
Ponteiras de Solos duros mente o acompanhamento de recal- tos dos pilares da ordem de 20 micras
rebaixamento ques. As principais cargas atuantes ao dia – desnível que, em mil dias, ou
sobre as fundações são as de peso pró- menos de três anos, alcançaria a
prio e de primeiro carregamento da marca de 2 cm. "São mudanças invisí-
estrutura, por isso, o controle deve ser veis a olho nu", afirma o professor.
DEGRADAÇÃO DOS MATERIAIS
feito durante e imediatamente após a "Foi pela falta desse controle em San-
Solo agressivo – os projetos de
construção da edificação. Mas é ne- tos que os prédios afundaram."
elementos em contato com solo ou
cessário deixar de lado velhos precon- Na cidade, a situação foi prejudi-
água devem considerar os aspectos
ceitos. "A imagem passada é a de que o cada pela construção de prédios vizi-
de integridade de longo prazo. A
executante tem dúvidas, não tem se- nhos, cujos projetos não previram a
ação do meio sobre a fundação
gurança do que fez", afirma Milititsky. sobreposição de tensões das funda-
obriga a verificação de existência de
Sobretudo quando o imóvel se encon- ções sobre o solo mole, ocasionando
materiais agressivos e seus
tra sobre aterros em processo de a inclinação das estruturas (veja qua-
possíveis efeitos. Sobretudo em
adensamento, a responsabilidade é dro Patologias nas fundações). Aoki
fundações de unidades industriais,
maior e o acompanhamento deve ser alerta que condições de solo seme-
que mais comumente apresentam
feito por mais tempo, pelo menos lhantes são encontradas nas cidades
problemas de degradação, é
uma vez por ano. de Recife e São Luís, cidades que têm
necessário verificar aspectos como
O professor da EESC (Escola de "potencial para se transformar em
resistividade do solo, pH e teores
Engenharia de São Carlos da USP), uma nova Santos" caso o controle
de sulfatos e cloretos.
Nelson Aoki, lembra o acompanha- não seja feito.
mento de recalques realizado em edi- Renato Faria

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FUNDAÇÕES II

Estacas tubulares
Adequado para solos instáveis, uso de camisa de aço é um recurso para
estender as vantagens dos tubulões, como custo e rapidez

possível distinguir dentre estacas concreto é mais versátil, podendo


É escavadas e tubulões a partir da substituir o aço em todas as situações,
Marcelo Scandaroli

observação de duas características de enquanto este tem como maior trunfo


apoio.A primeira é a existência ou não a velocidade de execução. As grandes
de base alargada. Se houver base em limitações do aço são a impossibilida-
forma de funil invertido ou falsa elip- de de atravessar solos muito duros e a
se, é tubulão. A inconsistência desse questão logística. Exige grandes e pe-
método está no fato de, embora não sados equipamentos de transporte e
seja o mais comum, nem sempre os movimentação em canteiro, o que
tubulões terem as bases alargadas. afeta também a questão ambiental por
Sendo assim, é necessário partir para a exigir o desmatamento de áreas maio-
conceituação do projeto para diferen- res. "O custo de mobilização do aço,
ciar entre as duas metodologias. incluindo transporte, é muito maior
Para efeito de dimensionamento, o que o do concreto", atesta Nuncio Pe-
projetista que concebe uma estaca po- trella, diretor da Roca Fundações.
deria considerar a resistência lateral na São esses custos que inviabilizam
distribuição das cargas exercidas sobre a adoção das camisas metálicas em
o solo. Isso porque, diferentemente obras pequenas, onde é impossível di-
dos tubulões que distribuem as cargas luir os valores em meio ao custo total.
exclusivamente na ponta, as estacas o Daí o uso dessa solução ser mais
fazem também por toda a lateral do comum em obras-de-arte, especifica-
trecho enterrado. Essa propriedade mente em obras de rio que apresen-
permite entender porque, comparati- tam lâmina d'água muito profunda.
Eduardo Couso Jr./Consultrix

vamente em relação a uma mesma si-


tuação, a profundidade de uma estaca Trabalho a seco
é maior do que a de um tubulão. Tam- A idéia de cravar um tubo de aço
bém a dimensão mínima do diâmetro no terreno até atingir um solo rígido o
do fuste, no caso do tubulão, deve ser suficiente para suportar o peso da
de 70 cm, de modo que permita a en- construção que virá por cima tem a
trada do operário no poço para aber- ver com a necessidade de trabalhar
tura da base. capaz de suportar as cargas. "A função num ambiente seco. Principalmente
Nos casos em que há problemas de da camisa é dar estabilidade para a es- porque o operário que abrirá a base
estabilidade na escavação do fuste, por cavação do fuste e a abertura da base", não pode trabalhar num local sujeito
exemplo, quando o solo é areia ou silte comenta o engenheiro geotécnico a desmoronamentos ou alagamentos,
na presença de água, torna-se inviável Ivan Joppert, diretor da Infraestrutura mas também porque o concreto que
a execução do tubulão convencional. Engenharia e professor da Escola de ali será depositado não pode sofrer
Daí faz-se necessário recorrer ao re- Engenharia do Mackenzie. contaminações do lençol freático du-
vestimento do fuste, com uso de cami- A princípio, em termos de desem- rante o período de cura.
sas de aço ou concreto, até que se atin- penho, não há diferenças entre cami- É possível, então, trabalhar com
ja a rocha ou um solo impermeável sas metálicas ou de aço. No entanto, o rebaixamento do lençol freático ou –

50 TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


materia_tubuloes.qxd 5/7/2007 15:05 Page 51

Divulgação: Roca Fundações


Divulgação: Infraestrutura Engenharia
Divulgação: Infraestrutura Engenharia

Eficientes tecnicamente, os tubulões


com camisa metálica necessitam de
equipamentos grandes e pesados para a
execução, como entubadeiras e
Para reduzir o atrito com o terreno Conforme a escavação avança, novos perfuratrizes, o que leva à dificuldade de
durante a cravação, é importante retirar segmentos de camisa são soldados, adoção do método em locais confinados,
o solo do interior da camisa. Isso pode aumentando a extensão do elemento metálico como centros urbanos, mas abre
ser feito com uso de broca, como na até que se atinja a profundidade especificada caminho para o uso em obras-de-arte à
execução de estacas, ou de clam-shell em projeto, um solo resistente ou rocha beira de rios, por exemplo

uma das vantagens da camisa de aço técnicos e também relativos à saúde dos de até três horas para compres-
em relação ao concreto – ultrapassar o do trabalhador – incluindo aí o en- são e descompressão.
nível d'água, atingindo um solo tão genheiro que verifica as condições As ressalvas, no entanto, não sig-
impermeável que dispense o ar com- da base. "Não é uma solução econo- nificam que o método esteja ultrapas-
primido. Além disso, se permanecer micamente boa e deve ser adotada sado. "O fato de ser pouco prejudicial
enterrada, pode ser considerada parte em última instância", alerta Joppert ao meio ambiente é uma boa justifi-
da armadura. "Mesmo que haja arma- em referência aos riscos e mesmo à cativa para o uso de tubulões, com-
dura interna, a camisa é computada lentidão do método, que exige perío- primidos ou não", pondera Petrella
na taxa de aço, ajudando a estruturar
o fuste", comenta Joppert. Nesses
casos é necessário descontar 1,5 mm Limitações
da espessura da chapa para levar em
conta eventual corrosão.
Embora apresentem vantagens inerentes  Solo: não atravessam solos muito
aos prazos de execução e à duros, podendo flambar ou ter os dentes
Quando houver presença de água,a
industrialização dos materiais, as camisas da faca quebrados, enquanto o uso do
compressão é indispensável e alguns
de aço apresentam limitações quando concreto exige escavação por etapas
cuidados devem ser observados. O pri-
meiro deles é o controle do equilíbrio
comparadas ao concreto:  Logística: exige mobilização – e
das pressões – e da velocidade de com-  Meio ambiente: exige desmatamento dependência – de equipamentos grandes,
de áreas maiores para acesso de grandes pesados, caros e específicos, além de
pressão e descompressão – para evitar
e pesados equipamentos de transporte, serem transportadas inteiras, diferente do
riscos ao poceiro.Além disso, o tubulão
içamento e cravação concreto que pode ser moldado in loco
deve permanecer comprimido por seis
horas após o lançamento do concreto Fonte: eng. Guilherme Petrella
para que as pressões exteriores, exerci-
das pelo lençol freático ou mesmo por
escavações comprimidas próximas, Problemas comuns
não acabem por contaminar ou danifi-
car o concreto ainda mole. O mesmo  Material de base incompatível com  Mau adensamento do concreto
motivo torna rara a recuperação da ca-
a tensão de projeto adotada  Armaduras mal posicionadas ou
misa de aço, que pode ser retirada si-  Dimensões e geometria incorretas insuficientes

multaneamente ao lançamento do  Instabilidade do solo durante a  Concreto com qualidade inadequada


concreto. Corre-se o risco, nesse pro-
execução  Uso de "pedras de mão" no fuste
cesso, de que as pressões do solo conta-  Presença de água durante a  Ausência ou colocação de armadura de
concretagem fretagem no topo
minem o concreto fluido.
A adoção de ar comprimido nes- Fonte: Livro Patologia das Fundações, de Jarbas Milititsky, Nilo Cesar Consoli e Fernando
ses casos apresenta diversos percalços Schnaid

51
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FUNDAÇÕES II

ao comentar que houve, tempos atrás,


lobby de fornecedores de equipamen-
tos para que o processo caísse em desu-
so. Outro bom motivo para adotar o
método é a segurança em relação ao
Fotos: divulgação Infraestrutura Engenharia

desempenho, uma vez que o engenhei-


ro confere in loco a situação do terreno,
podendo adaptar os dados de projeto,
adequando segurança e economia.

Execução
O processo de execução de tubu-
lões com camisa metálica divide-se em
Uma extremidade do braço da Quando o processo de cravação lança mão duas etapas, cravação da camisa e es-
entubadeira agarra a camisa de entubadeira rotatória, o peso próprio da cavação da base. Com a terraplenagem
transformando em rotatório o movimento camisa auxilia no processo de cravação, concluída, um pré-furo auxilia no po-
vertical exercido sobre a outra ponta, o mas a resistência do terreno é vencida sicionamento da camisa, que pode ser
que auxilia na penetração do aço no solo com o auxílio da faca serrilhada na ponta cravada por meio de percussão, vibra-
ção ou com auxílio de entubadeira.
No primeiro caso, semelhante à
Cravação com entubadeira cravação de estacas, o cuidado maior
é para que a espessura da camisa seja
compatível com a energia aplicada
pelos golpes e com a resistência ofere-
cida pelo solo para evitar danos por
esmagamento ou flambagem. Para a
segunda possibilidade, o vibrador é
acoplado à cabeça da camisa e atua
concomitantemente à retirada de solo
pelo interior da mesma. O uso da en-
tubadeira consiste na redução do atri-
to lateral provocado pelo contato com
o terreno por meio de movimento ro-
tacional oscilatório. Ou seja, um equi-
pamento dotado de pistão hidráulico
Guindaste impõe movimento rotatório à cami-
sa, que afunda no terreno devido ao
Perfuratriz peso próprio, mas com a ajuda de
uma "faca" dentada na ponta.
Revestimento Simultânea à cravação, por qual-
metálico quer que seja o método, ocorre a lim-
peza interna da camisa para diminuir o
atrito. Essa pode ser feita com o uso de
clam-shell, num sistema que vem cain-
do em desuso, conhecido como beno-
to, ou com auxílio de broca, como
ocorre com estacas escavadas. Confor-
a) Cravação da camisa metálica b) Abertura me a escavação avança, novos segmen-
utilizando lama bentonítica de base a céu tos são soldados até que se atinja a pro-
ou água até o topo da rocha aberto ou com fundidade desejada. Segundo a NBR
com entubadeira ou pela ar comprimido 6122 – Projeto e Execução de Funda-
cabeça de rotação ções, a tolerância quanto ao desapru-
mo, inclinação em relação à posição
projetada, é de no máximo 1%.
Rocha Ao atingir a cota de assentamento
prevista em projeto, é imprescindível

52 TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


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que o engenheiro ou o técnico autori-


Cravação a percussão zado inspecione as condições do terre-
no.Atendendo às exigências especifica-
das em projeto, pode-se iniciar a aber-
tura da base, assegurando-se de que a
camisa não irá escorregar. Para tanto, é
possível atirantar o topo da mesma ao
terreno. O mesmo procedimento é vá-
lido quando da compressão, que pode
Guindaste empurrar a camisa para cima.
Daí,o alargamento da base pode ser
Martelo queda livre, feito por escavação com martelete ou
diesel ou hidráulico dinamite. "Normalmente nessa etapa
trabalha-se com materiais de segunda
ou terceira categoria, rocha ou altera-
ção de rocha", pontua Joppert. A altura
máxima recomendada em norma para
a base é de 2 m, e o ângulo de disparo
ideal, de inclinação do cone em relação
à horizontal, deve ser de 60°, com pelo
b) Abertura menos 20 cm de rodapé. Ao respeitar
de base a céu esses valores garante-se um espalha-
aberto ou com mento homogêneo do concreto e
ar comprimido otimiza-se a distribuição de cargas no
solo e, a depender da resistência do
concreto, elimina-se a armação.
Rocha Como se vê, o desempenho das
fundações depende do respeito às di-
mensões de projeto. Por isso é essencial
a ida do engenheiro ou do técnico à
Cravação com vibrador e benoto base para conferência dos detalhes. Lá
ele deve medir, conforme pontua Ivan
Joppert,as dimensões da base – diâme-
tro, rodapé e altura –, excentricidades
em relação ao centro do pilar, que não
devem ultrapassar o limite de 10%, e o
aspecto do solo de apoio. Para tanto,
faz um exame tátil e visual, conferindo
coloração e granulometria e com o au-
xílio de uma barra de aço de ½" que faz
penetrar no solo a fim de checar a resis-
tência. A precisão da verificação das
condições de apoio do terreno, confor-
me afirma Joppert, "depende da sensi-
bilidade do geotécnico".
As últimas etapas são o posiciona-
mento da armadura e a concretagem.
Cravação de Escavação Abertura
Quando usado ar comprimido, o tu-
camisa metálica com benoto de base a céu
bulão deve permanecer sob pressão
com vibrador aberto ou com
por até seis horas após o lançamento
ar comprimido
do concreto da base, evitando que a
pressão exercida pelo lençol freático
ou por trechos de solo instável seja
maior que a interna, o que resultaria
em contaminações.
Bruno Loturco

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Envie artigo para: techne@pini.com.br.


O texto não deve ultrapassar o limite
de 15 mil caracteres (com espaço).

ARTIGO Fotos devem ser encaminhadas


separadamente em JPG.

Recuperação de fissuras
de alvenaria de vedação
ste trabalho tem como objetivo ção dos sistemas de recuperação de fis-
E apresentar o equipamento, o mé-
todo de ensaio e os resultados obtidos
Alberto Casado Lordsleem Jr.
Doutor em engenharia de construção civil
suras permitirá ao meio técnico a ela-
boração de especificações mais preci-
na avaliação da capacidade de absor- pela Epusp, professor da Escola sas e de embasamento técnico/cientí-
ver deformações de diferentes siste- Politécnica da Universidade de fico, agregando qualidade e confiabili-
mas de recuperação de fissuras empre- Pernambuco dade aos serviços da recuperação.
gados na alvenaria de vedação.
É fundamental que antes da ado- Luiz Sérgio Franco Equipamento de ensaio
ção de qualquer medida visando à re- Doutor em engenharia de construção civil O equipamento utilizado para
cuperação da fissura se conheça sua pela Epusp, professor da Escola avaliação da capacidade de deforma-
origem, pois o adequado funciona- Politécnica da Universidade de São Paulo ção provocada por tensões de tração e
mento dos sistemas de recuperação cisalhamento (figura 1) foi desenvol-
está subordinado ao prévio tratamen- vido na pesquisa de Lordsleem Jr.
to dessas. Considerando ainda que as dequado de tais sistemas pelo meio (1997). O corpo-de-prova é fixado ao
fissuras se movimentam ao longo do técnico. Como resultado, são regis- equipamento por parafusos existentes
tempo, em virtude das variações tér- trados, não poucas vezes, casos de na parte superior. Dois outros dispo-
micas e higroscópicas da alvenaria e reincidência das fissuras e, conse- sitivos são utilizados para assegurar a
do próprio revestimento, da deforma- qüentemente, o descrédito dos usuá- fixação, dependendo da movimenta-
ção lenta da estrutura de concreto na rios quanto à eficiência dos sistemas ção desejada, de tração ou cisalha-
qual a alvenaria está inserida (Silva, de recuperação empregados. mento. As plataformas móveis, sobre
2002), a capacidade de deformação é Dentro do contexto apresentado, a as quais está o corpo-de-prova, movi-
sem dúvida a propriedade mais solici- avaliação da capacidade de deforma- mentam-se pelo acionamento de ci-
tada dos sistemas de recuperação.
No entanto, apesar de se conhecer
as características individuais dos ma-
teriais constituintes dos sistemas de
recuperação, a avaliação da capacida-
de de deformação do conjunto é as-
sunto de desenvolvimento restrito.
Por esse motivo, no estudo das carac-
terísticas físico-mecânicas dos siste-
mas de recuperação de fissuras, o
principal obstáculo a ser vencido refe-
re-se à inexistência de normas especí-
ficas de ensaio. Tal fato ajuda a expli-
car o desconhecimento quase que
completo do comportamento dos sis-
temas de recuperação de fissuras por
parte dos fabricantes, a deficiência nas
especificações de projeto e o uso ina- Figura 1 – Equipamento utilizado nos ensaios

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lindros hidráulicos. Esses, por sua vez, h) Deve-se aplicar nova unidade
são acionados por uma bomba hi- de carga e aguardar 30 segundos, após
dráulica cuja carga é controlada por os quais se realiza outra leitura no(s)
uma leitora digital. relógio(s) comparador(es);
O bloco selecionado para servir de i) O ensaio dura até o surgimento
corpo-de-prova foi o de concreto celu- da fissura.
lar autoclavado (125 mm x 600 mm x Deve-se registrar, como resultado,
300 mm). Essa escolha foi feita em a diferença entre a leitura inicial e a pe-
Figura 2 – Cortes realizados no bloco
função das pesquisas realizadas por núltima leitura, antes do surgimento
de concreto celular autoclavado
Franco, Aly (1989), a partir das quais da fissura de 0,1 mm. Fixou-se o valor
este trabalho foi desenvolvido. Além de 0,1 mm para a abertura da fissura
disso, o bloco de concreto celular se procedimento de ensaio tem a se- porque, de acordo com Grimm
mostrou mais fácil de ser cortado, ade- guinte seqüência: (1988): "(...) as fissuras menores que
quando-se às necessidades existentes. a) No dia anterior à realização do 0,1 mm são insignificantes para a pe-
A especificação das dimensões do ensaio, colar os suportes metálicos nas netração da água de chuva".
equipamento também foi determina- duas laterais dos corpos-de-prova,onde
da em função das dimensões do bloco serão inseridos os relógios comparado- Sistemas de recuperação avaliados
de concreto celular autoclavado. res, que servirão para a medição do des- Para a avaliação da capacidade de
locamento da fissura, simulando a sua absorver deformações foram selecio-
Preparação dos corpos-de-prova movimentação; nados seis sistemas de recuperação
O bloco de concreto celular para b) No dia do ensaio, 28 dias após a para serem ensaiados, os quais deno-
ensaio foi cortado na metade do seu preparação do corpo-de-prova, é rea- minaremos pelas letras "A", "B", "C",
comprimento. Dois canais foram exe- lizado o ensaio propriamente dito. "D", "E" e "F". Os três primeiros siste-
cutados na parte inferior do bloco, Posiciona-se, então, o corpo-de-prova mas de recuperação são comercializa-
como ilustra a figura 2. Uniu-se as no equipamento; dos no mercado nacional. Os sistemas
duas partes do bloco firmemente, per- c) Deve-se regular o dispositivo de "A" e "B" foram escolhidos por serem
mitindo, com isso, a realização da re- fixação de tração ou o de fixação de ci- destinados primordialmente à recupe-
cuperação. O corpo-de-prova perma- salhamento; ração de fissuras nas alvenarias. O sis-
neceu deitado sobre uma superfície d) Apertar os parafusos da fixação tema "C" é indicado para impermeabi-
plana e limpa. Executou-se toda a re- superior, deixando o corpo-de-prova lização, mas também tem sido utiliza-
cuperação e aguardou-se o tempo ne- fixo nas plataformas móveis. Faz-se, do para a recuperação de fissuras nas
cessário para a cura de cada um dos nesse momento, a leitura inicial dos alvenarias, segundo instruções do fa-
produtos utilizados. Em seguida, foi dois relógios comparadores; bricante. O quarto sistema, denomi-
executado o acabamento. A cura do e) Deve-se aplicar uma unidade de nado "D", é proposto por Franco
corpo-de-prova ocorreu à temperatu- carga por meio da bomba hidráulica. (1989) para a recuperação de fissuras
ra ambiente do laboratório, durante O controle deve ser realizado pela lei- nas alvenarias de vedação interna. O
28 dias. Cabe ressaltar que a prepara- tora digital; sistema "E" vem sendo utilizado por
ção do corpo-de-prova, pelo corte rea- f) Aguarda-se um período de 30 se- alguns consultores como solução para
lizado, objetivou simular a existência gundos e realizam-se as leituras nos dois a recuperação das fissuras que ocor-
de uma fissura, sobre a qual foram rea- relógios comparadores, no caso da tra- rem nas fachadas das edificações. O
lizados os serviços de recuperação. ção. Para o cisalhamento utiliza-se ape- sistema "F" está sendo proposto para a
nas um relógio comparador. O tempo recuperação de fissuras nas fachadas.
Procedimento de ensaio de 30 segundos serve para a uniformiza- A tabela 1 relaciona os materiais
O método de ensaio empregado ção da velocidade do ensaio e a acomo- empregados na recuperação e a repre-
tem como objetivo estabelecer uma dação de tensões no corpo-de-prova; sentação esquemática dos sistemas.Não
forma padronizada de avaliação da g) Examina-se a recuperação para foi objetivo deste trabalho caracterizar
capacidade de deformação de siste- identificar o surgimento de fissuras ou individualmente os diversos materiais
mas de recuperação de fissuras. O irregularidades; dos sistemas de recuperação avaliados.

57
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ARTIGO

Tabela 1 – MATERIAIS EMPREGADOS NOS SISTEMAS DE RECUPERAÇÃO Além dos sistemas citados, mais
dois revestimentos foram também
ensaiados para servir de referência,
são eles: revestimento de gesso com
espessura de 5 mm e um revestimento
de argamassa industrializada com 15
mm de espessura.

Resultados
Os resultados obtidos no ensaio
de avaliação da capacidade de absor-
ver deformações dos sistemas de recu-
peração estudados são apresentados
nas tabelas 2 e 3. Os outros dois reves-
timentos avaliados, o de gesso e o da
argamassa industrializada, apresenta-
ram valores de deformação muito pe-
quenos se comparados com os outros
encontrados. Os valores obtidos fo-
ram: 0,03 mm e 0,02 mm, para a mo-
vimentação à tração; 0,12 mm e 0,04
mm para a movimentação ao cisalha-
mento, respectivamente.
Nas análises realizadas, foram
considerados os valores usuais para os
parâmetros estatísticos alfa (α = 5%)
e beta (β = 10%). Utilizou-se a análise
de variância para a verificação da
igualdade entre as médias e o teste
"Duncan's Multiple Range" para a de-
terminação das médias que se apre-
sentavam iguais.
Para a movimentação à tração,
observou-se que há diferença signifi-
cativa entre médias avaliadas. Pelo
teste de "Duncan", verificou-se que os
sistemas A, B, BCVED, C, E e E25 não
apresentaram diferença significativa
entre as médias. Os sistemas D, D1 e
D2 diferem de todos os demais,
porém não há diferença significativa
entre as médias dos sistemas D e D1 e
entre as médias dos sistemas D1 e D2.
Para a movimentação ao cisalha-
mento a análise de variância mostrou
que há diferença significativa entre as
médias. O teste de "Duncan" mostrou
que não há diferença significativa entre
as médias dos sistemas B, BCVED, C, E
e E25. O sistema A não apresenta dife-
rença significativa quando comparado
aos sistemas B,BCVED e E.Os sistemas
D, D1 e D2 diferem de todos os outros
sistemas,porém não há diferença signi-
ficativa entre os sistemas D e D1 e entre
os sistemas D1 e D2.

58 TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


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Tabela 2 – CAPACIDADE DE ABSORVER DEFORMAÇÕES PROVOCADAS POR TENSÕES DE TRAÇÃO


CP A B BCVED C D1 D2 D E E25 F
1 0,754 0,309 0,770 0,246 3,920 2,373 2,626 0,110 0,22 3,52
2 0,335 0,590 0,308 0,374 3,546 4,490 2,258 0,225 0,15 2,17
3 0,847 0,342 0,421 0,176 2,200 2,984 2,881 0,124 0,3 2,90
4 0,380 0,618 – 0,316 3,940 3,740 4,740 0,118 0,34 3,40
5 0,624 0,528 – 0,405 2,000 3,670 2,290 0,258 – 1,86
6 0,520 0,474 – 0,104 3,170 3,360 1,180 0,217 – 2,41
MÉDIA 0,58 0,48 0,50 0,27 3,13 3,44 2,66 0,18 0,25 2,71
DESVIO 0,20 0,13 0,24 0,12 0,85 0,72 1,17 0,07 0,08 0,67
C.V. 0,35 0,27 0,48 0,43 0,27 0,21 0,44 0,37 0,34 0,25

Tabela 3 – CAPACIDADE DE ABSORVER DEFORMAÇÕES PROVOCADAS POR TENSÕES DE CISALHAMENTO


CP A B BCVED C D1 D2 D E E25 F
1 2,78 0,73 1,49 0,47 6,25 4,17 5,98 1,06 0,21 5,63
2 2,08 1,32 1,74 0,75 2,32 5,73 1,89 1,01 0,31 3,68
3 1,46 0,99 1,02 0,55 3,53 4,17 3,82 1,11 0,23 4,95
4 1,25 1,11 – 0,84 3,31 5,63 3,42 0,69 0,39 7,53
5 1,63 1,22 – 0,58 5,68 5,04 3,90 0,74 0,54 6,61
6 2,01 0,87 – 0,85 – 3,48 2,10 0,44 – 6,62
MÉDIA 1,87 1,04 1,42 0,67 4,22 4,70 3,52 0,84 0,34 5,84
DESVIO 0,55 0,22 0,37 0,16 1,67 0,90 1,48 0,26 0,13 1,38
C.V. 0,29 0,21 0,26 0,24 0,40 0,19 0,42 0,31 0,40 0,24
Onde:
CP = corpo-de-prova;
BCVED = sistema "B" aplicado sobre o bloco cerâmico de vedação;
Dn = sistema "D" com n véus de poliéster (ex.: D1 = sistema D com 1 véu de poliéster);
E25 = sistema "E", modificado com 25% de resina acrílica, em vez de 14%.

O sistema de recuperação D2 foi o capacidade de deformação quando


que apresentou maior capacidade de comparado com os sistemas de recu-
absorver deformações. Esse sistema peração de fissuras comercializados
apresenta uma média 19 vezes maior no mercado nacional, cujos valores
que o sistema E, o de menor capacida- obtidos não ultrapassaram 0,6 mm
de de absorver deformações, para a para a movimentação à tração, e 2,0
movimentação à tração. Para a movi- mm, para cisalhamento;
mentação ao cisalhamento, o sistema  Apresenta capacidade de deforma-
de recuperação D2 apresenta uma ção muito maior do que os sistemas de
média 14 vezes maior que a do siste- recuperação de fissuras compostos por
ma E25, o de menor média. tela metálica e argamassa industrializa-
Comparando-se os valores obti- da com adição de 14% e 25% de resina
dos para o sistema F, aquele proposto acrílica, utilizados para a recuperação
para a recuperação de fissuras em fa- das alvenarias de vedação de fachadas;
chadas com os demais sistemas avalia-  A utilização da resina acrílica e a
dos, observa-se que: massa acrílica permitiram uma capa-
 Apresenta capacidade de deforma- cidade de deformação provocada por
ção muito maior que os revestimentos tensões de tração semelhante àquela
de gesso e de argamassa, cujos valores do sistema de recuperação com resina
obtidos foram: 0,03 mm e 0,02 mm, PVA e massa PVA e melhoraram o de-
para a movimentação à tração; 0,12 sempenho quanto à capacidade de
mm e 0,04 mm, para a movimentação deformação provocada por tensões de
ao cisalhamento, respectivamente; cisalhamento em cerca de 150%.
 Pela análise de variância, com nível A diferença entre as médias dos
de significância α (alfa) de 5%, apre- Figura 3 – Resultados da movimentação sistemas estudados está apresentada
senta diferença significativa quanto à à tração e ao cisalhamento na figura 3.

59
artigo.qxd 5/7/2007 15:09 Page 60

ARTIGO

Com relação à forma da(s) fissu- Considerações finais trar a reduzida capacidade de defor-
ra(s) nos sistemas de recuperação ava- O trabalho permitiu avaliar expe- mação de alguns sistemas de recu-
liados quanto à movimentação à tra- rimentalmente a capacidade de absor- peração, com resultados abaixo da
ção, observou-se: ver deformações dos sistemas de recu- magnitude de aberturas e poten-
 Os sistemas de recuperação A e C peração de fissuras para alvenarias de ciais movimentações observadas na
apresentaram fissuração na região da vedação, contribuindo não apenas realidade prática.
fissura preexistente (região onde as para garantir que os sistemas empre- Dessa forma, a padronização da
duas partes cortadas do bloco foram gados na recuperação das fissuras res- metodologia de ensaio, por meio do
unidas), enquanto os sistemas B e tituam às alvenarias as funções para as equipamento desenvolvido e do mé-
BCVED apresentaram fissuração, em quais elas foram construídas, mas todo de ensaio, foi fundamental para a
sua maioria, no fim da região da ban- também a qualidade da edificação e o obtenção de resultados reprodutíveis
dagem central; seu valor ao longo do tempo. e comparáveis, o que vem contribuir
 No sistema de recuperação D, ocor- Os resultados obtidos eviden- para uma normalização sobre a ava-
reu a ruptura do bloco de concreto ce- ciaram diferenças significativas, da liação dos sistemas de recuperação e
lular autoclavado, rompendo logo em ordem de até 1.900% entre os siste- dos projetos de recuperação das alve-
seguida a recuperação no final do véu mas testados. Foi possível demons- narias de vedação.
de poliéster;
 Os sistemas D1 e D2 apresentaram fis-
suração, em sua maioria, na região final
da fita adesiva, as fissuras mostravam-se
LEIA MAIS
espalhadas e em grande quantidade; Fissuras em estruturas de Sistemas de recuperação de
 Nos sistemas de recuperação E e concreto armado: análise das fissuras da alvenaria de
E25, na maioria dos corpos-de-prova manifestações típicas e vedação: avaliação da
ocorreu a ruptura abrupta no final da levantamento de casos ocorridos capacidade de deformação. A.C.
tela metálica; no Estado do Rio Grande do Sul. Lordsleem Jr. Dissertação
 No sistema de recuperação F, exceto D.C.C. Dal Molin. Dissertação (Mestrado) – Escola Politécnica,
os corpos-de-prova 1 e 4 que apresen- (Mestrado). Escola de Engenharia, Universidade de São Paulo. São
taram fissuração, todos os demais Universidade Federal do Rio Grande Paulo, 1997.
apresentaram ruptura do bloco e, con- do Sul. Porto Alegre, 1988.
seqüentemente, ruptura da recupera- Arquitectura sem fissuras:
ção no final do véu de poliéster. Correção de fissuras em alvenarias. potencialidades das armaduras
Quanto à movimentação ao cisalha- In: Seminário sobre manutenção de junta: Disponível em:
mento, observou-se a ocorrência das se- de edifícios. Anais. R. B. Duarte. http://www.civil.uminho.pt/mason
guintes manifestações patológicas: UFRGS – Curso de Pós-graduação em ry/Publications/Update_Webpage/
 Os sistemas A, B, BCVED, C, E e Engenharia Civil. Porto Alegre, 1988. 2005_Arq_Vida.pdf. (Acesso em: 14
E25 apresentaram, na sua maioria, fis- jun. 2006). P.B. Lourenço.
suras inclinadas, na região da fissura Pesquisa experimental para
preexistente; formulação de uma metodologia Overseas building note.
 No sistema de recuperação D, os va- de análise de problemas Maintenance of low-cost
lores mostrados na tabela 4.3 repre- patológicos em alvenaria de buildings. Garston, 1993.
sentam as deformações que ocorre- vedação: primeiro relatório.
ram até o limite máximo de pressão do (Relatório CPqDCC n.20015 - Alvenarias não estruturais:
equipamento utilizado. Até esses valo- EP/ENCOL-4). L.S. Franco; V.L.C. ALY. patologias e estratégias de
res não ocorreu nenhum tipo de ma- Epusp-PCC. São Paulo, 1989. reabilitação. In: Seminário sobre
nifestação patológica; paredes de Alvenaria, P.B. Lourenço
 Os sistemas de recuperação D1 e Masonry cracks: a review of the & H. Sousa (Eds.), 1, Porto. Anais.
D2 apresentaram como manifestação literature. In: Simposium on J.A.R.M. Silva. Porto, 2002.
patológica algumas dobras/saliências masonry: materials, design,
na recuperação, as quais foram ado- construction and maintenance. C.T. Trincas em edifícios.
tadas como limite para a leitura das Grimm. New Orleans, 1986. IPT/Epusp/PINI. E. Thomaz. São
deformações; Philadelphia, ASTM, 1988. Paulo, 1989.
 O sistema F apresentou como mani-
festação patológica algumas do- Incidência de manifestações Patologia. In: Manual técnico
bras/saliências na recuperação, as patológicas em edificações de alvenaria. C.A. Tauil.
quais foram adotadas como limite habitacionais. E. Ioshimoto. ABCI/Projeto. E. Thomaz. São
para a leitura das deformações. Tecnologia de Edificações, no 2, 1985. Paulo, 1990.

60 TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


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somente sob encomenda, são
produzidos com até cinco cores
por ladrilho, em uma paleta de
28 tonalidades.
Brasil Imperial
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ACABAMENTOS

MASSA
MOSAICO Cristalmassa em pó, da
As mandalas da Linha Mágica Cristalcolor, foi desenvolvido
Glass, da Kolorines Tecnology, para aplicação em qualquer
misturam materiais como superfície de alvenaria que não
pastilhas de vidro, mármores, apresente problemas estruturais
granitos, lavas de vulcão e ou de fissuramento. Segundo o
pastilhas metálicas. Adequadas fabricante, pode ser usado como
para aplicação em pisos e massa corrida, massa acrílica ou
paredes de áreas externas, as Grafiato.
peças são assentadas com Cristalcolor
argamassa. (48) 3462-3000
Kolorines Tecnology www.cristalcolor.ind.br
(11) 5531-7700
www.kolorines.com.br

62
p&t124.qxd 5/7/2007 15:17 Page 63

ACABAMENTOS COBERTURA, IMPERMEABILIZAÇÃO E ISOLAMENTO

COMPLEMENTO
IMPERMEABILIZAÇÃO
DECORATIVO Construcril Flex é um produto
PISO QUENTE Image Flex é um aplique
O sistema de aquecimento de REVESTIMENTOS em forma de emulsão com base
Os revestimentos cerâmicos decorativo flexível que pode ser
piso Emmeti é formado por em resinas acrílicas e aditivos
Angel Grès estão disponíveis em utilizado em ambientes
circuito fechado de água quente, especiais. Combinado com o
diversas cores e modelos. A linha residenciais e corporativos.
com tubos de alumínio cimento, resulta em uma
é indicada para ambientes Produzido em material vinílico,
multicamadas com alta membrana flexível e
residenciais e comerciais sem com base de PVC e cobertura de
resistência a calor e dispositivos impermeável.
acesso direto para a rua, como resina, permite a composição de
que deixam o ambiente na Construcril
quarto, salas e banheiros. uma grande variedade de
temperatura desejada pelo (41) 3278-0080
Angel Gres desenhos e formatos.
usuário. Dispõe de uma caixa www.construcril.com.br
(48) 3521-0600 Image Flex
inteligente, que controla e
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distribui a água quente nos www.imageflex.com.br
vários ambientes.
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63
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PRODUTOS & TÉCNICAS


CONCRETO E COMPONENTES PARA ESTRUTURA

PRÉ-MOLDADOS
A Desempenho fabrica e monta
estruturas de concreto pré- EPS
moldadas. A empresa é A Tecnocell é uma empresa que
especializada em montagem de atua na transformação e
barracões industriais e moldagem do EPS (poliestireno
comerciais, ginásios esportivos, expandido), focada sobretudo no
depósitos, entre outros. mercado da construção civil.
Desempenho Seus produtos incluem
(41) 3286-2123 elementos para lajes nervuradas,
blocos, chapas e células de EPS.
Tecnocell
(47) 426-6666
www.tecnocell.com.br

INSTALAÇÕES COMPLEMENTARES E EXTERIORES

PLATAFORMA
ELEVATÓRIA
A plataforma elevatória PURIFICADOR DE AR
Evolution, da Daiken, foi O Arclean, da Endol, é um
desenvolvida para facilitar as higienizador que descontamina
condições de acessibilidade a o ambiente durante e após o uso
deficientes. O produto permite da bacia sanitária. Funciona pelo
o acesso a locais em que a acionamento automático de um
transposição de níveis seja sensor de presença, durante o
necessária. uso da bacia sanitária,
Daiken purificando todos os odores.
(41) 3621-8095 Endol
www.daiken.com.br (31) 3333-3390
www.endol.com.br

64
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INSTALAÇÕES COMPLEMENTARES E EXTERIORES INSTALAÇÕES PORTAS E JANELAS


HIDRÁULICAS

ALARME
O Alarme de Emergência, da Arco
Sinalização Ambiental, é um CAIXAS D'ÁGUA PORTA
sistema composto por uma
CLORADOR As caixas Fibratec possuem As portas de segurança da
central de comando e
O clorador com flutuador da superfícies lisas e sem Torterolo & Re são importadas
dispositivos instalados em
HidroAll é ideal para a reentrâncias, e por isso não da Itália e têm estrutura com
pontos estratégicos como
manutenção de piscinas em soltam resíduos na água. Feitas dupla chapa, que garante
banheiros, quartos e boxes de
fibra, vinil ou alvenaria. Segundo em fibras de vidro, são, de resistência ao arrombamento.
chuveiro. Se o alarme é
o fabricante, o uso do produto acordo com o fabricante, leves e Sua blindagem interna garante,
acionado, a central recebe a
resulta na redução e até mesmo resistentes ao desgaste, também, resistência às chamas.
informação por radiofreqüência
eliminação da necessidade do envelhecimento e corrosão. Torterolo & Re
e dispara uma sirene e estímulos
uso de algicidas, pois bloqueia o Fibratec (21) 3977-8712
visuais como pisca-pisca de
desenvolvimento de algas. (49) 321-3333 www.torteroloere.com.br
luz vermelha.
HidroAll www.fibratec.com.br
Arco Sinalização Ambiental
(11) 5543-3290
(11) 5594-1212
www.hidroall.com.br
arco@arcomodular.com.br
http://www.arcomodular.com.br

PORTAS E JANELAS MÁQUINAS, VEÍCULOS E EQUIPAMENTOS

JANELAS
A linha Evolution Sasazaki possui
perfis robustos e grades de BOMBA
proteção em quatro estilos – ESCAVADEIRA As bombas e autobombas
elo, quadriculada, eclipse e O modelo E215ME, da New ANDAIMES
estacionárias Schwing BP/BPL Os andaimes metálicos
losangular. A empresa garante Holland, vem com braço 2000 HDR foram desenvolvidas desmontáveis Ulma baseiam-se
total vedação contra água de monobloco de 5.156 mm e para atender as mais variadas num sistema modular de
chuva e ação do vento. braço de penetração de 2.400 aplicações de bombeamento de componentes para a formação
Sasazaki mm e contrapeso mais pesado. concreto em grandes e médios de conjuntos de andaimes de
0800-179922 A configuração oferece maiores volumes, e a grandes distâncias qualquer tipo e característica.
www. Sasazaki.com.br forças de desagregação e horizontais e verticais. Segundo a empresa, a
de penetração e possibilita Schwing montagem e desmontagem
trabalhar em aplicações (11) 4486-8500 são rápidas e dispensam a
mais severas. www.schwingstetter.com.br necessidade de uso de
New Holland
ferramentas e pessoal
(31) 2123-4902
especializado.
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(11) 4619-1300
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65
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PRODUTOS & TÉCNICAS


INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E DE COMUNICAÇÕES JANELAS, PORTAS E VIDROS

CABEAMENTO FECHADURAS
INTEGRADO ESQUADRIAS Segundo a fabricante, a linha
A Furukawa desenvolveu a linha TOMADAS O Grupo Como apresenta ao Maresia de fechaduras, da Pado,
A Injetel fabrica tomadas, apresenta grande resistência aos
Commercial Building de mercado sua linha de Esquadrias
interruptores, pulsadores e efeitos da maresia, com garantia
cabeamento integrado para de Alumínio Comovent. Segundo
acessórios para instalações de fábrica. A Pado disponibiliza o
edifícios inteligentes. O produto a fabricante, o produto atende
elétricas ou telefônicas. Os produto em três modelos:
se integra a projetos de edifícios exigências técnicas de
produtos da empresa podem ser Victória, Madrid e Golf.
inteligentes e permite a inclusão durabilidade, performance
encontrados em três linhas – Pado
de sistemas de automação estrutural e operacional. Sua
Padrão, Star e Klin –, em 0800-7014224
sob demanda. vedação é feita com escovas de
conjunto (tomadas e placas) www.pado.com.br
Furukawa polipropileno em todo perímetro
ou avulsos.
0800-412100 das folhas, oferecendo grande
Injetel
www.furukawa.com.br resistência a intempéries.
(41) 3278-6369 Grupo Como
www.injetel.com.br (11) 4161-7505
www.grupocomo.com.br

VEDAÇÕES, PAREDES E DIVISÓRIAS

INSTALAÇÃO
A Gesso Maia oferece serviços DRYWALL
de instalação de forros em gesso A empresa fabrica sistemas de
acartonado estruturado e drywall para paredes internas
aramado, forros de gesso retas ou curvas, não estruturais
convencionais, divisórias em e não expostas a intempéries.
drywall e blocos de gesso e de São constituídas por placas de
revestimento interno de parede. gesso, pré-fabricadas a partir da
Gesso Maia gipsita natural, parafusadas em
(41) 3033-4455 uma estrutura metálica leve.
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0800-0192540
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www.placo.com.br

66
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OBRA ABERTA
Livros

Manual de Construção em Informática Aplicada em Acústica Arquitetônica & Manual Técnico Vedacit
Aço – Pontes e Viadutos Estruturas de Concreto Condicionamento de Ar 2007
em Vigas Mistas* Armado* Pérides Silva Vedacit Impermeabilizantes
Fernando Ottoboni Pinho e Alio Kimura 340 páginas www.vedacit.com.br
Ildony Hélio Bellei 624 páginas Edtal – Empresa Termo A versão 2007 do Manual
140 páginas Editora PINI Acústica Ltda. Técnico da Vedacit já está
CBCA (Centro Brasileiro da Vendas pelo portal Vendas pelo portal disponível e pode ser obtida
Construção em Aço) www.piniweb.com www.piniweb.com por meio do site da empresa,
Vendas pelo portal Uma vez que há tempos é O conforto térmico e o bem- em www.vedacit.com.br,
www.piniweb.com impossível elaborar qualquer estar acústico são os objetos pelos e-mails
O décimo terceiro livro da projeto de estruturas sem o de estudo dessa obra, que já assistec@vedacit.com.br
série lançada pelo CBCA auxílio do computador, é se encontra em sua 5a edição. ou nordeste@vedacit.com.br,
aborda o projeto e a execução imprescindível ao engenheiro Parte do princípio de que tais ou ainda pelos telefones (11)
de pontes e viadutos em vigas compreender o papel do temas são abordados de forma 6902-5555, em São Paulo, e
mistas. Para contemplar todo software na elaboração dos demasiadamente superficial (71) 3432-8900, em Salvador.
o processo de produção projetos. E para manipular tais durante os cursos de Todos os 120 produtos
dessas obras-de-arte, o livro ferramentas com graduação, seja nas escolas de comercializados pela Vedacit
traz um histórico evolutivo de responsabilidade é importante arquitetura ou de engenharia. são descritos em relação às
projetos de pontes, indica os entender suas limitações. À Assim, resume as informações características, campos de
tipos de superestruturas para aplicação da informática na principais dos dois assuntos aplicação, modo de uso,
tais finalidades, os materiais análise de estruturas, para tratá-los de maneira consumo aproximado,
usados e as respectivas concatenando teoria e prática, simples e direta, o que armazenamento etc. O índice
funções. Na seqüência, aborda é que se dedica essa obra, que permite aos interessados se organiza a partir dos
as normas e sua aplicação, as aborda toda a modelagem aprofundar conhecimentos. campos de aplicação:
cargas em pontes e viadutos, estrutural em concreto armado. Na primeira parte apresenta as impermeabilizantes, aditivos
as ligações em soldas ou Traz exemplos práticos questões e sugestões para concretos, aditivos para
parafusos, com exemplos, e os resolvidos em computador para acústicas e na segunda aborda argamassas, argamassas,
sistemas de montagem. validar conceitos de forma os temas referentes ao agentes de cura,
didática. Com prefácios de condicionamento de ar. No desmoldantes, proteção
Augusto Carlos de Vasconcelos e último capítulo trata da superficial, pinturas
Ricardo França, a obra é repleta acústica para o asfálticas, revestimentos,
de ilustrações e exemplos. O condicionamento de ar. selantes e juntas de vedação,
autor atua desde 1996 com tintas industriais,
desenvolvimento de softwares imunizantes para madeira, e
para estruturas e é membro do produtos complementares.
comitê técnico CT-301 da ABNT.

68 TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


obra aberta-modelo.qxd 5/7/2007 15:12 Page 69

Manual Técnico Basf 2007 Instalações Hidráulicas Posse e Domínio * Feitos Para Curar –
138 páginas Prediais – Usando Tubos Antonio Sérgio Liporoni e Arquitetura Hospitalar e
Basf de PVC e PPR Odair Martins Benite Processo Projetual no
Fone: (11) 6108-5555 Manoel Henrique Campos 184 páginas Brasil *
www.basf-cc.com.br Botelho e Geraldo de Andrade Livraria e Editora Universitária Luiz Carlos Toledo
Tendo adquirido, em meios de Ribeiro Jr. de Direito 120 páginas
2006, a unidade de química 346 páginas Vendas pelo portal Abdeh (Associação Brasileira
para a construção civil então Editora Edgard Blücher www.piniweb.com.br para o Desenvolvimento do
pertencente à Degussa, a Basf Vendas pelo portal De início, conceitua sobre o Edifício Hospitalar)
passou a oferecer uma linha www.piniweb.com que vem a ser o perito judicial, Vendas pelo portal
mais completa de soluções Aborda as instalações prediais a posse, o domínio e a perícia www.piniweb.com.br
para esse mercado. Assim, o de água fria e quente, esgotos em si. Nos capítulos Em papel reciclado, o livro
manual técnico contendo sanitários e águas pluviais. subseqüentes apresenta as representa a consolidação da
informações completas sobre Essa segunda edição conta ações possessórias, como a de Abdeh (Associação Brasileira
todos os produtos ofertados com um capítulo inteiramente reintegração ou manutenção para o Desenvolvimento do
pela empresa ganhou em novo: Projeto e execução de de posse. Nos últimos Edifício Hospitalar) enquanto
importância. Tanto que, a instalações de água quente. capítulos, apresenta o laudo instituição. Pretende
partir dessa versão 2007, além Assim, a convite da Amanco, pericial, sua redação, os apresentar uma arquitetura
do volume impresso, a aborda a nova tecnologia quesitos e a verba honorária. humana e ambientalmente
empresa disponibiliza uma disponível no mercado, os Em seguida, noções de equilibrada em edificações
versão digital para o Manual. tubos em PPR. Cada capítulo – topografia aplicada. O livro destinadas à área de saúde,
Nele são encontradas as fichas derivado de sistemas, revela que, na área judicial elemento reconhecidamente
técnicas de mais de 100 materiais, projeto ou operação civil da posse e do domínio, é fundamental ao bem-estar dos
produtos, divididos em sete – compreende desde os imprescindível lançar mão da pacientes – e daí vem o título
categorias de aplicação: conceitos gerais até os perícia técnica. O trabalho da publicação. Durante o
aditivos, fibras, microcimento, componentes e o dirige-se a iniciantes e diálogo que o autor traça com
pisos, reparos, selantes e dimensionamento adequado estudantes de pós-graduação o leitor, são apresentados,
impermeabilização e proteção. para cada necessidade. em perícia judicial. de maneira simplificada
Para obter a publicação, basta Repleto de ilustrações, o livro e acessível, os caminhos
acessar o site pretende ser tão prático determinantes ao processo
www.basf-cc.com.br. quanto é possível, adequando de criação de importantes
toda a teoria às diversas arquitetos brasileiros.
realidades de construção.

* Vendas PINI
Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas)
ou 0800-5966400 (demais regiões)

69
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AGENDA
X Simpósio de Sistemas Prediais: aborda da estrutura ao paisagismo, com
Seminários e Desenvolvimento e Inovação produtos para serem utilizados desde a
conferências 30 e 31/8/2007 concepção do projeto até o acabamento
Seminário da Construção em Aço – São Carlos (SP) de uma obra, passando da climatização à
62o Congresso Anual da ABM – Será realizado na UFSCar (Universidade arquitetura.
Internacional Federal de São Carlos) e volta-se ao Fone: (11) 3044-4410
25/7/2007 estudo e pesquisa dos diversos sistemas www.expoconstrucao.com.br
Vitória que compõem o item "serviços" das
Deve apresentar os benefícios da edificações. Concrete Show South América
construção em aço a partir de palestras, Fone: (16) 3351-8262 r. 212 15 a 17/8/2007
com apresentação de obras importantes E-mail: simar@power.ufscar.br São Paulo
e produção das empresas locais, além www.deciv.ufscar.br/sispred10 Contará com exposição, seminários e
de teses sobre a experiência com o aço. conferências técnicas. Com apoio de
Fone: (21) 2141-0001 II Congresso Brasileiro de Pontes e entidades importantes do setor, como a
www.cbca-ib.com.br Estruturas ABCP (Associação Brasileira de Cimento
12 a 14/10/2007 Portland), Abesc (Associação Brasileira
IV Seminário Internacional de Rio de Janeiro das Empresas de Serviço de
Pré-Moldados de Concreto Promovido pela ABPE (Associação Concretagem) e a Ficem (Federação
16 e 17/8/2007 Brasileira de Pontes e Estruturas), divulga Interamericana do Cimento), o evento
São Paulo trabalhos recentes e relevantes. Aberto a deve se tornar um ponto de encontro
O encontro abordará nessa edição um dos engenheiros, projetistas, arquitetos, internacional de negócios e tecnologia da
principais desafios da construção civil: pesquisadores e professores. cadeia de concreto e seus usuários.
o crescimento com responsabilidade. Fone: (21) 2232-8334 Fone: (11) 4689-1935
Estarão em pauta o respeito ao www.abpe.org.br www.concreteshow.com.br
meio ambiente e as principais
experiências em racionalização de Termotech 2007
custos, tecnologias, lean thinking e
Feiras e exposições 28 a 30/8/2007
gestão de resíduos. São Paulo
Fone: (11) 3763-2839 10a Construsul – Feira da Indústria Os visitantes conhecerão os
E-mail: abcic@abcic.com.br da Construção equipamentos, produtos e serviços do
www.abcic.com.br 1o a 4/8/2007 segmento, além de aprender sobre eles,
Porto Alegre com a realização da Joterm – Jornada de
Minascon 2007 Visto atualmente como um dos principais Atualização em Tecnologias Térmicas.
21 a 24/8/2007 eventos da região Sul direcionado à Fone: (11) 3868-1818
Belo Horizonte construção civil, a Feira acontece E-mail: eventos@termotech.net
Pode ser definido como "fórum paralelamente à Expo Máquina. www.termotech.net/
permanente" de debate do setor e Fone: (51) 3225-0011
pretende reunir um público E-mail: Febrava 2007
especializado das áreas de arquitetura, construsul@feiraconstrusul.com.br 18 a 21/9/2007
engenharia e construção. Paralelamente www.feiraconstrusul.com.br São Paulo
o visitante poderá participar do 36o A 15a edição da Feira Internacional de
Encontro Nacional da Indústria de Expo Construção – Feira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação,
Cerâmica Vermelha, além da 10a Tecnologia, Máquinas e Aquecimento e Tratamento do Ar espera
Expoanicer, entre outras atividades Equipamentos da Indústria da receber 25 mil visitantes e compradores
desse segmento. Construção Civil de 35 países e 550 expositores de
Fone: (31) 3282-7891 14 a 18/8/2007 20 países.
E-mail: eugenioalvim@globo.com Salvador Fone: (11) 6283-5011
www.minascon.com.br Agrega os vários segmentos do setor e www.febrava.com.br

72 TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


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Intercon Cobtech – II Feira Nacional de 23 a 25/10/07


25 a 29/9/2007 Cobertura de Edificações São Paulo
Joinville (SC) 2 a 4/10/2007 O evento, promovido pela PINI, reunirá
Reúne fabricantes, distribuidores, São Paulo os profissionais mais importantes e
revendedores, construtores, É a primeira Feira da América Latina influentes do setor da construção civil
engenheiros, arquitetos e entidades desenhada para ser um ponto de para exposição e debate de idéias
de todo o Brasil e do exterior, encontro do setor de coberturas e inovadoras sobre tecnologia e modelos
promovendo a divulgação e, importante ferramenta de promoção construtivos. São esperados cerca de
sobretudo, a realização de negócios. comercial segmentada para fomentar dois mil profissionais das empresas
A Intercon terá sua área ampliada e o crescimento e a profissionalização envolvidas com a cadeia produtiva da
deverá contar com a participação do setor. construção civil, como executivos e
de mais de 200 expositores, Fone: (11) 5585-4355 profissionais das construtoras e
superando o número de 30 mil www.cipanet.com.br incorporadoras, fornecedores de
visitantes registrados no materiais, tecnologias de sistemas
evento anterior. ConstruTech 2007 – O encontro construtivos, representantes do setor
Fone: (11) 3451-3000 internacional dos profissionais da financeiro, do governo, de entidades de
E-mail: feiras@messebrasil.com.br construção classe e profissionais autônomos.
agenda.qxd 5/7/2007 15:13 Page 74

AGENDA

Fone: (11) 2173-2395 A segunda parte do ciclo de palestras Fone: (21) 3325-9942
E-mail: eventos@pini.com.br acontece em diversas datas, com apoio do E-mail: cursos@ntt.com.br
http://www.piniweb.com/construtech IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) dos www.abcem.com.br
Estados agendados, e serão ministradas
Batimat 2007 pela engenheira Rita de Cássia Antunes
5 a 10/11/2007 Bose. A novidade para os inscritos no ciclo
Concursos
Paris (França) é o I Prêmio Valmex Structure Mehler V Prêmio Talento Engenharia
As demonstrações dessa edição irão Texnologies GmbH, que pretende Estrutural
abordar os grandes temas específicos a reconhecer o melhor autor de projeto de 17/10/2007
esse setor: domínio da energia, segurança, arquitetura têxtil para uma obra não São Paulo
acessibilidade e conforto. Direcionada a executada. O julgamento será realizado na A premiação, que destaca profissionais
construtores e fabricantes de Alemanha, em 2008. de engenharia de estruturas que
equipamentos e materiais. Deve receber Fone: (11) 4153.5853 desenvolveram projetos diferenciados
cerca de 400 mil visitantes de 141 países e Email: e de qualidade, traz uma inovação
reunir 2.800 expositores de 45 países. marketexport.premio.valmex@gmail.com nesta quinta edição: uma categoria
Fone: (11) 3168-1868 www.tecnostaff.com.br para obras de pequeno porte e
E-mail: brazil@promosalons.com estruturas especiais, que deve valorizar
www.promosalon-brazil.com Fundações – Escolha, não só os grandes projetos, mas
comportamento e pré- também os menores. Promovida
dimensionamento pela Abece (Associação Brasileira de
Cursos e treinamentos 17 e 18/8/2007 Engenharia e Consultoria Estrutural)
Treinamento Teórico e Prático: São Paulo e pelo Grupo Gerdau, a comissão
Tecnologias de Impermeabilização O curso pretende dotar o participante de julgadora será composta pelas duas
26/7, 27/9, 25/10 e 29/11 informações suficientes sobre fundações, instituições e por um representante
Tamboré (SP) de forma que possa entender, discutir e da Editora PINI. O prazo para as
Oferecido gratuitamente pela Lwart propor, conjuntamente com o engenheiro inscrições vai até 31 de julho. CDs
Proasfar Química, empresa especializada de solos, soluções de fundações técnica e e materiais impressos devem ser
em impermeabilizantes, trata de economicamente adequadas ao seu enviados aos cuidados de Eduardo
patologias, produtos e suas diversas projeto arquitetônico. Castro Silva para a rua Cenno Sbrighi,
aplicações, discutindo temas relevantes, Ministrado pelo Prof. Dr. Yopanan C. P. 170, Edifício II, 6o andar, 05036-010,
dentre eles, projetos e comparativo de Rebello – engenheiro civil formado pela Água Branca, São Paulo (SP).
custos, o código civil e sanitário e casos Universidade Mackenzie, Mestre e Doutor Fone: 3097-8591
de obras. pela Faculdade de Arquitetura e www.abece.com.br
Fone: 0800-7274343 Urbanismo da USP –, o conteúdo www.gerdau.com.br
E-mail: atecnica@lwartproasfar.com.br programático abordará ainda a
investigação do subsolo, análise e Prêmio MasterInstal
Licitação, Contratação e interpretação das sondagens, e Outubro/2007
Fiscalização de Obras e Serviços de elementos de ligação entre a São Paulo
Engenharia – Lei 8.666 e Crea superestrutura e a fundação. Com o objetivo de destacar cases
26 e 27/7/2007 Fone: (11) 3816-0441 de sucesso, reunindo as diversas
Curitiba E-mail: cursos@ycon.com.br empresas e profissionais do setor
O curso tem como objetivo possibilitar www.ycon.com.br de instalações, o prêmio tem a proposta
ao participante um conjunto de de ampliar as soluções e experiências
conhecimentos e informações para Resistência à Corrosão – Teoria e de destaque do setor. Realizada pela
aprimorar a dinâmica e formação Prática Abrinstal (Associação Brasileira pela
pessoal e profissional, proporcionando 24 a 28/9/2007 Conformidade e Eficiência das
uma visão mais ampla sobre a Rio de Janeiro Instalações), a premiação é destinada
complexidade da licitação. Com abordagem teórico-prática, o às empresas construtoras, incorporadoras,
Fone: (11) 3739-0901 curso irá apresentar discussões sobre instaladoras, concessionárias, fabricantes
E-mail: cursos@aeacursos.com.br diversos temas, como a importância e fornecedores de materiais e
www.aeacursos.com.br econômica e aspectos ambientais da equipamentos para instalações.
corrosão das estruturas e coberturas Inscrições até 30 de julho.
2o Ciclo de Palestras sobre metálicas, o mecanismo eletroquímico Fone: (11) 3865-0944
Estruturas Tensionadas da corrosão, as formas de corrosão e E-mail:
15/8 a 22/9/2007 como fazer a proteção – aço inox e premio@premiomasterinstal.com.br
Maceió, Aracaju, Palmas e Brasília aço carbono. www.premiomasterinstal.com.br

74 TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


como construir impar.qxd 5/7/2007 15:15 Page 75

Cristiane Carneiro Spíndola


Gerente comercial – Marko Construções
E-mail: cspindola@marko.com.br

COMO CONSTRUIR Cristiane Daemon


Gerente técnica – Marko Construções
E-mail: cdaemon@marko.com.br

Cobertura metálica
com viga joist

Fotos: divulgação/Marko
À esquerda, cobertura metálica
executada com treliça joist; acima,
detalhe dos banzos e das diagonais

s vigas joist são duas treliças me- junto de fixação (parafuso e porca) Parafusos e porcas galvanizadas, de
A tálicas de banzos paralelos, afas-
tadas e ligadas entre si por travamen-
para facilitar a montagem das vigas.
As peças são fornecidas com as fura-
acordo com a NBR 10476 – CS1. Caso
haja exigência técnica, o material gal-
tos, formando um elemento estável e ções necessárias à montagem. O sis- vanizado poderá ser pré-pintado ou
autoportante. A viga joist é calculada tema é totalmente aparafusado. pós-pintado.
para vãos simplesmente apoiados e
cargas uniformemente distribuídas. Materiais Espaçamento
Normalmente são utilizados em co- Todas as peças da viga joist são de 2,00 m variável 2,00 m
berturas com caimento menor do aço galvanizado NBR 7008 – ZC, com
que 10%. tensão de escoamento de 250 MPa, re- h
vestimento do tipo "B", com massa mí-
Características do sistema nima de zinco de 275 g/m2 depositada Figura 1 – Espaçamento variável entre
As vigas possuem os dois mode- em ambas as faces. as vigas joist
los definidos na tabela 1. Nos dois
modelos, as vigas podem distanciar-
Tabela 1 – CARACTERÍSTICAS DOS MODELOS DE VIGAS JOIST
se por diferentes espaçamentos, já
Modelo h (altura) Peso (par de vigas) Inércia (de uma viga)
que não necessitam nenhuma peça
Joist 90 91 cm 33 kg/m 17.030 cm4
de ligação entre elas (figura 1). É uti-
Joist 120 123 cm 34 kg/m 30.600 cm4
lizado somente um modelo de con-

75
como construir impar.qxd 5/7/2007 15:15 Page 76

COMO CONSTRUIR

O twin, mostrado na figura 2, é  Não apresente deformações supe- tura de 91 cm) e joist 120 (com altu-
composto pelos elementos abaixo. riores às recomendadas em norma. ra de 123 cm).

Projeto As vigas joist podem ter dois sen- Combinações de ações conforme a
Para o dimensionamento das tidos de utilização: NBR 14762 (Dimensionamento de
vigas treliçadas joist foi utilizado o  No sentido do caimento – Desta Estruturas de Aço Constituídas por
método dos estados limites seguin- forma as vigas exercem a função da Perfis Formados a Frio):
do os procedimentos e conceitos re- tesoura, sendo necessário o uso de Q1 = 1,3 CP + 1,4 SC
comendados pelas normas NBR- terças no sentido transversal, espaça- Q2 = 1,0 CP + 1,4 W
14762 e AISI-LRFD (American Iron das entre si de acordo com a resistên- Onde:
and Steel Institute – Load and Resis- cia da telha escolhida. CP – carga permanente
tance Factor Design – Cold-Formed  No sentido transversal ao caimen- SC – sobrecarga
Steel Structural Members – Manual to – Desta forma as vigas exercem a W – pressão dinâmica do vento.
2001). função das terças. Nesse caso é neces- Quando o esforço for de sucção, W
No dimensionamento, foi consi- sário o travamento horizontal nos será negativo.
derada a viga simplesmente apoiada banzos superiores.
e carregada uniformemente, de mo- Flecha máxima conforme a NBR
do que: Método utilizado para o cálculo das 14762:
 A taxa de trabalho do material não vigas treliçadas joist 1/250 do vão (barras biapoiadas su-
ultrapasse os estados limite últimos. Foram desenvolvidos gráficos portando elementos de cobertura ine-
 Não haja perigo de flambagem de vão x carga para os dois modelos lásticos). Para cálculo da flecha, uti-
local ou do conjunto. de vigas treliçadas: joist 90 (com al- liza-se a fórmula: 5 Qn L4 / 384 E I

perfis "U" utilizados nas extremidades de


cada viga com espessura de 1,55 mm.
Possuem o comprimento variável, de
acordo com as condições do projeto.
6) Terças: são elementos em perfis "U"
com espessura de 2,70 mm, fixadas no
banzo superior, no sentido transversal à
viga treliçada, por uma cantoneira com
espessura de 1,55 mm.
Travamento horizontal: são elementos
em perfis "U" com espessura de 1,55 mm,
fixados nos banzos superiores para
Treliça joist no sentido do caimento
promover o travamento das treliças joist
1) Banzos: são perfis longitudinais com extremidade suportam o maior esforço quando utilizadas no sentido transversal ao
espessura de 1,55 mm. O comprimento cortante atuante na viga. O comprimento caimento.
padrão do banzo é de 12 m, podendo da peça é variável de acordo com as Contradiagonais: são elementos em
ser cortado na obra para ajustar-se às condições do projeto. perfis "L" (cantoneira) com espessura de
suas dimensões. 4) Travamento: são elementos em perfis 1,55 mm e comprimento de 0,63 m,
2) Diagonais: são elementos em perfis "U" "U" e "L" (cantoneira), fixados nas diagonais, fixados nas diagonais mais carregadas, a
com espessura de 1,55 mm que promovem fazendo a conexão entre as duas vigas fim de combater a sua flambagem. As
a conexão entre os banzos superiores e treliçadas, formando um elemento estável. contradiagonais ligam as diagonais
inferiores e suportam os esforços cortantes Fazem o contraventamento das vigas e formando a letra "A". São utilizadas
atuantes na viga. O comprimento da peça combatem a flambagem lateral do banzo somente em alguns casos específicos.
varia de 1,00 m a 1,25 m. comprimido. Os perfis "U" têm espessura de Berços: são elementos em perfis "U" com
3) Diagonais de extremidade: são 1,55 mm e comprimento de 2,04 m. Os espessura de 2,70 mm, fixados a um apoio
elementos em perfis "U" com espessura perfis "L" têm espessura de 1,55 mm e de concreto com chumbadores de aço
de 1,55 mm ou 1,95 mm utilizados comprimento de 1,04 m. As travessas são CA-25 com ∅ 1/2", a cada 50 cm,
somente nas extremidades da viga, que montadas conforme mostra a figura 2 e alinhados e posicionados 7 cm acima do
promovem a ligação dos nós de espaçadas a cada cinco diagonais e em concreto conforme a figura 3. São utilizados
extremidade do banzo inferior ao pé de todos os prumos dos módulos estruturais. somente quando as treliças joist estiverem
apoio do banzo superior. As diagonais de 5) Pé-de-apoio: são elementos em apoiadas em estrutura de concreto.

Figura 2 – Elementos que compõem o twin

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Berço Berço  Sobrecarga: é composta pela sobre-


carga de utilização e pela sobrecarga
Chumbador acidental.

10

10
ø1/2" 1) Sobrecarga de utilização: é a soma

7
7
de todas as cargas de instalações e/ou
equipamentos, que serão suportadas
pelas treliças. Pela norma brasileira, no
caso de ausência de especificação da
sobrecarga, deve ser prevista uma so-
brecarga mínima de 25 kg/m2.
Figura 3 – Fixação do berço e dos chumbadores
2) Sobrecarga acidental: é a carga
que temporariamente poderá atuar
Twin Joist 90 na cobertura, causada por empoça-
mento, trânsito de pessoas para ma-
nutenção etc. Recomendamos a pre-
visão de uma sobrecarga acidental de
15 kg/m2.

 Pressão do vento: para cada caso, de-


pendendo do local e das características
da edificação, deverá ser calculada a
carga de vento que atuará na cobertu-
ra, de acordo com as normas específi-
cas sobre assunto (NBR 6123).As treli-
ças deverão resistir também à ação do
vento. Assim sendo, o engenheiro res-
ponsável deverá, de acordo com as
normas específicas sobre o assunto,
calcular a carga de vento que atuará na
Gráfico 1a – Viga treliçada joist 90 para a combinação 1 (sobrecarga)
cobertura, com a edificação pronta e
durante a montagem. A partir daí, en-
Twin Joist 120 trar nos gráficos 2a e 2b para definir o
modelo da viga treliçada recomendada
(joist 90 ou joist 120).

Utilização dos gráficos


Os gráficos foram elaborados para
seis tipos de espaçamentos: 1,40 m,
1,60 m, 1,80 m, 2,00 m, 2,20 m e 2,40
m. Para a elaboração dos gráficos ado-
taram-se os pesos das vigas treliçadas
joist 90 e 120 e as inércias indicadas na
tabela 1. Para a utilização dos gráficos,
deve-se encontrar a carga de entrada
no gráfico (Qent1 ou Qent2) pela combi-
nação de cargas.

Combinação 1: carga permanente +


Gráfico 1b – Viga treliçada joist 120 para a combinação 1 (sobrecarga)
sobrecarga
Valor da carga "Qent1" para entrada
Onde: x 106 kgf/cm2) nos gráficos 1a e 1b:
Qn = cargas nominais atuantes (pe- I = momento de inércia (veja tabela 1) Qent1 = 1,3 pptelha + 1,4 Qs
sos próprios e sobrecargas, sem pon- Onde:
deração)  Carga permanente: é a carga com- pptelha → peso da telha por metro
L = vão livre das vigas treliçadas posta pelos pesos próprios das vigas quadrado
E = módulo de elasticidade do aço (2,1 treliçadas e das telhas. Qs → sobrecarga total (útil + acidental)

77
como construir impar.qxd 5/7/2007 15:15 Page 78

COMO CONSTRUIR

Twin Joist 90

Figura 4 – Aplicação de carga


concentrada na viga joist treliçada

Q0 utilização → 25 kg/m2
Qa acidental → 15 kg/m2
Qs = Qa + Q0 = 25 + 15 = 40 kg/m2
Gráfico 2a – Viga treliçada joist 90 para a combinação 2 (vento) Vento: W → 70 kg/m2
Qent1 = (1,3 x 7,50) + (1,4 x 40,0) =
65,75 kg/m2 ≅ 66 kg/m2
Twin Joist 120 Qent2 = 1,0 x 7,50 – 1,4 x 70,0 = – 90,50
kg/m2 ≅ 90 kg/m2
Supondo espaçamento de 1,4 m
entre as vigas joist, serão analisados
quais são os vãos máximos para as duas
opções (joist 90 e joist 120). Entrando
com os valores absolutos nos gráficos
1a, 1b, 2a e 2b teremos:

a) Viga treliçada joist 90


Consultando-se os gráficos 1a (so-
brecarga) e 2a (vento) para a viga treli-
çada joist 90, temos:
 Gráfico 1a para Qent1 = 66 kg/m2:
vão = 20,0 m
 Gráfico 2a para Qent2 = 90 kg/m2:
vão = 19,3 m
Gráfico 2b – Viga treliçada joist 120 para a combinação 2 (vento)
Portanto, o vão máximo para o es-
paçamento de 1,4 m adotando-se a
Combinação 2: carga permanente + valor absoluto de Qent2 entra-se no grá- viga treliçada joist 90 é de 19,3 m.
pressão do vento fico 2a ou 2b. De posse do valor do es-
Valor da carga "Qent2" para entrada paçamento entre as vigas treliçadas, b) Viga treliçada joist 120
nos gráficos 2a e 2b: obtém-se o valor do vão. O vão livre Consultando-se os gráficos 1b (so-
Qent2 = 1,0 pptelha – 1,4 W máximo para um determinado mode- brecarga) e 2b (vento) para a viga tre-
Onde: lo da viga treliçada (joist 90 ou joist liçada joist 120, tem-se:
pptelha → peso da telha por metro 120) será o menor valor de vão obtido  Gráfico 1b para Qent1 = 66 kg/m2:
quadrado dos gráficos das combinações 1 e 2. vão = 21,5 m
W → pressão do vento (sucção).  Gráfico 2b para Qent2 = 90 kg/m2:
Exemplo 1 vão = 21,0 m
Para cada tipo de viga treliçada No caso de se utilizar as vigas treli- Portanto, o vão máximo para o es-
(joist 90 e joist120) foram elaborados çadas joist em uma cobertura com so- paçamento de 1,4 m adotando-se a
dois gráficos, um para a combinação brecarga de utilização de 25 kg/m2, a viga treliçada joist 120 é de 21,0 m.
da sobrecarga (gráficos 1a e 1b) e outro cobertura de telhas metálicas com
para a combinação do vento (gráficos peso de 7,5 kg/m2 e a pressão do vento Exemplo 2
2a e 2b). Com o valor absoluto de Qent1 (sucção) de 70 kg/m2, tem-se que: Considerando-se agora o mesmo
entra-se no gráfico 1a ou 1b, e com o pp.telha → 7,5 kg/m2 caso do exemplo 1, porém com uma

78 TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


como construir impar.qxd 5/7/2007 15:15 Page 79

pressão de vento menor e um espaça-


mento maior, temos:
Qs = Qa + Q0 = 25 + 15 = 40 kg/m2
Vento: W → 60 kg/m2
Qent1 = (1,3 x 7,50) + (1,4 x 40,0) =
65,75 kg/m2 ≅ 66 kg/m2
Qent2 = 1,0 x 7,50 – 1,4 x 60,0 = – 76,50
kg/m2 ≅ 77 kg/m2
Para o espaçamento de 2,4 m
entre as vigas treliçadas joist serão
Figura 6 – Espaçamento entre os
analisados quais são os vãos máxi-
cavaletes de madeira
mos para as duas opções (joist 90 e
joist 120). Entrando com os valores
Tabela 2 – MEDIDAS DOS CAVALETES
absolutos nos gráficos apresentados
Tabela de medidas a (cm) b (cm)
anteriormente:
Figura 5 – Cavalete de madeira para Joist 90 85 70
auxílio à montagem Joist 120 115 50
a) Viga treliçada joist 90
Consultando-se os gráficos 1a (so-
brecarga) e 2a (vento) para a viga treli- b) Viga treliçada joist 120 espaçamento de 2,4 m adotando-
çada joist 90, temos: Consultando-se os gráficos 1b (so- se a viga treliçada joist 120 é de
 Gráfico 1a para Qent1 = 66 kg/m2: brecarga) e 2b (vento) para a viga tre- 17,2 m.
vão = 16,0 m liçada 120, temos: No caso do exemplo 1, o dimen-
 Gráfico 2a para Qent2 = 77 kg/m2:  Gráfico 1b para Qent1 = 66 kg/m2: sionamento foi determinado pelo
vão = 17,5 m vão = 17,2 m carregamento de vento. Já no exem-
Portanto, o vão máximo para o es-  Gráfico 2b para Qent2 = 77 kg/m2: plo 2, onde a pressão de vento era
paçamento de 2,4 m adotando-se a vão = 19,0 m menor, o dimensionamento foi de-
viga treliçada joist 90 é de 16,0 m. Portanto, o vão máximo para o terminado pela sobrecarga.

Figura 7 – Montagem dos módulos das treliças nos cavaletes de madeira


como construir impar.qxd 5/7/2007 15:15 Page 80

COMO CONSTRUIR

Para se obter o comprimento final


desejado, os módulos complementa-
res são unidos por três chapas de liga-
ção em cada emenda. Nas extremida-
des dos banzos são fixados os pés-de-
apoio e as diagonais.

Elevação das vigas treliçadas


Após a montagem no chão do twin
(vigas treliçadas),parte-se para a eleva-
ção das mesmas. As vigas duplas deve-
Figura 8 – Içamento da viga treliçada joist
rão ser içadas com quatro cabos de, no
mínimo, 6 m de extensão cada, confor-
me ilustrado na figura 8. Os cabos
devem estar posicionados a 3,60 m do
centro da viga para os dois lados.
No plano da cobertura,as vigas du-
plas devem ser colocadas lado a lado,
sem espaçamento entre elas. Após o
içamento, as vigas duplas são distribuí-
das ao longo da cobertura, com os es-
paçamentos previstos no projeto.

Fixação no apoio
Figura 9 – Fixação em viga de concreto Figura 10 – Fixação em viga metálica O pé-de-apoio é soldado na viga
barrote treliçada e soldado no berço (fi-
gura 9), caso a viga seja de concreto, ou
Observações: Execução soldado na viga de apoio (figura 10).
 A carga total mínima será conside- Montagem dos módulos
rada para uma telha com peso de 5 Para auxiliar a montagem dos
kg/m2 e sobrecarga total de 25 kg/m2. módulos pode-se utilizar cavaletes de
Qent1 = (1,3 x 5) + (1,5 x 25) = 44 kg/m2 madeira, sobre os quais são monta-
LEIA MAIS
 A carga de vento depende da região das as treliças com 12 m de compri-
e da geometria da obra mento, conforme a figura 5 e a tabela NBR 8800 – Projeto e Execução
2 de medidas. de Estruturas de Aço de Edifícios.
Cargas concentradas Os dois cavaletes devem ser posi- ABNT (Associação Brasileira de
As vigas treliçadas foram concebi- cionados a uma distância de 7,20 m Normas Técnicas).
das para suportar basicamente cargas (figura 6). NBR 14762 – Dimensionamento
distribuídas. Porém, dependendo do No apoio inferior do cavalete é po- de Estruturas de Aço Constituídas
projeto, poderão existir cargas con- sicionado um banzo com a boca para por Perfis Formados a Frio.
centradas atuando na cobertura. cima, e no apoio superior, um banzo ABNT (Associação Brasileira
Nesse caso, tal carga deverá ser dividi- com a boca para baixo.As diagonais são de Normas Técnicas).
da em diversas vigas por meio de aparafusadas nos banzos inferior e su- NBR 6123 – Forças Devidas
peças de distribuição. Além disso, no perior, conforme mostrado na figura 7. ao Vento em Edificações –
caso da carga estar aplicada fora de Procedimento. ABNT (Associação
um nó da viga treliçada, deve-se colo- Montagem das vigas treliçadas Brasileira de Normas Técnicas).
car, em cada viga envolvida, uma peça Com os módulos de treliça monta- AISI/LRFD/1996 – Load
avulsa, ligando o ponto de aplicação dos, parte-se para a montagem do twin and Resistance Factor Design.
da carga concentrada ao nó mais pró- (as vigas gêmeas que interligadas pelas AISI (American Iron and
ximo do banzo oposto, conforme ilus- travessas formam as vigas treliçadas). Steel Institute)
trado na figura 4. Os dois módulos de 12 m devem ser SJI (Steel Joist Institute):
Pode-se, também, diminuir a posicionados na vertical e ligados um www.steeljoist.org
distância entre as treliças na área de ao outro por meio das peças da traves- Manual de Montagem Marko
atuação da carga concentrada, a fim sa, conforme o item 5 da figura 2. As Construções.
de aumentar a resistência das vigas travessas são aparafusadas nas diago- Catálogo Técnico Marko
envolvidas. nais e a cada cinco diagonais. Construções.

80 TÉCHNE 124 | JULHO DE 2007


como construir impar.qxd 6/7/2007 15:39 Page 79

pressão de vento menor e um espaça-


mento maior, temos:
Qs = Qa + Q0 = 25 + 15 = 40 kg/m2
Vento: W → 60 kg/m2
Qent1 = (1,3 x 7,50) + (1,4 x 40,0) =
65,75 kg/m2 ≅ 66 kg/m2
Qent2 = 1,0 x 7,50 – 1,4 x 60,0 = – 76,50
kg/m2 ≅ 77 kg/m2
Para o espaçamento de 2,4 m
entre as vigas treliçadas joist serão
Figura 6 – Espaçamento entre os
analisados quais são os vãos máxi-
cavaletes de madeira
mos para as duas opções (joist 90 e
joist 120). Entrando com os valores
Tabela 2 – MEDIDAS DOS CAVALETES
absolutos nos gráficos apresentados
Tabela de medidas a (cm) b (cm)
anteriormente:
Figura 5 – Cavalete de madeira para Joist 90 85 70
auxílio à montagem Joist 120 115 50
a) Viga treliçada joist 90
Consultando-se os gráficos 1a (so-
brecarga) e 2a (vento) para a viga treli- b) Viga treliçada joist 120 espaçamento de 2,4 m adotando-
çada joist 90, temos: Consultando-se os gráficos 1b (so- se a viga treliçada joist 120 é de
 Gráfico 1a para Qent1 = 66 kg/m2: brecarga) e 2b (vento) para a viga tre- 17,2 m.
vão = 16,0 m liçada 120, temos: No caso do exemplo 1, o dimen-
 Gráfico 2a para Qent2 = 77 kg/m2:  Gráfico 1b para Qent1 = 66 kg/m2: sionamento foi determinado pelo
vão = 17,5 m vão = 17,2 m carregamento de vento. Já no exem-
Portanto, o vão máximo para o es-  Gráfico 2b para Qent2 = 77 kg/m2: plo 2, onde a pressão de vento era
paçamento de 2,4 m adotando-se a vão = 19,0 m menor, o dimensionamento foi de-
viga treliçada joist 90 é de 16,0 m. Portanto, o vão máximo para o terminado pela sobrecarga.

Figura 7 – Montagem dos módulos das treliças nos cavaletes de madeira

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