Os caminhos para a formação de professores Formar os professores é a principal função do coordenador pedagógico.

Veja as melhores estratégias para cumprir essa missão Gustavo Heidrich (gestao@atleitor.com.br) Dentro da escola, a função de coordenador pedagógico nem sempre é bem delimitada. Muitos acham que o profissional que exerce o cargo é um auxiliar do diretor para as questões burocráticas. Outros acreditam que cabe a ele resolver os problemas disciplinares dos alunos. E o pedagógico que está na denominação do cargo quase sempre é esquecido. Porém é essa palavra que define a tarefa do coordenador: fazer com que os professores se aprimorem na prática de sala de aula para que os alunos aprendam sempre. Para isso, ele só tem um caminho: realizar a formação continuada dos docentes da escola. Mais sobre coordenação pedagógica Vídeo Acompanhe uma aula da formadora Telma Weisz em um curso para coordenadores em São Paulo Reportagens Hora-atividade é para melhorar a formação A origem do sucesso (e do fracasso) escolar O papel do professor na formação continuada Aprender sempre para ensinar mais Estudar faz bem a sua carreira Aprender sempre Oito desafios da formação de professores Divórcio entre formação e prática Tudo sobre Produção de texto A confusão sobre as tarefas do coordenador - em muitas redes também chamado de orientador ou supervisor pedagógico - está relacionada a concepções diferentes sobre a maneira como ele se torna um bom profissional. Há quem acredite que ensinar é uma vocação e, por isso, o dom nasceria com a pessoa. Outros afirmam que ele aprende por tentativa e erro, acumulando experiências de sala de aula. E ainda existem os que defendem que o domínio do "como ensinar" vem da mera reprodução de roteiros prontos de aulas e de atividades. A necessidade de haver formação continuada só surge quando o professor é visto co um profissional que deve sempre aperfeiçoar mo sua prática ao fazer um trabalho de reflexão sobre ela e tem contato com o conhecimento didático. É aí que surge o papel de formador do coordenador pedagógico, que se torna imprescindível para orientar esse pr cesso. o Para bem cumprir a função, ele deve estar sempre atualizado (o que significa estudar muito) com as didáticas específicas compostas dos saberes sobre os conteúdos, da forma de ensinar cada um deles e da maneira como as crianças aprendem. As pesquisas sobre elas costumam ser divulgadas em seminários, livros, internet e em diversas reportagens publicadas pela revista NOVA ESCOLA. É com esse conhecimento que o coordenador pedagógico planeja os encontros de formação. Nele, ele tem dois principais caminhos a percorrer: o da dupla conceitualização e o da tematização da prática. Ambos você conhecerá em detalhes nesta reportagem. Dupla conceitualização É a estratégia que permite dois aprendizados simultâneos: sobre o objeto de ensino e sobre as condiçõesdidáticas para ensiná-lo. Essa estratégia surgiu dentro da didática da Matemática e os programas de formação mais atualizados estão fundamentalmente apoiados nesse tipo de intervenção. Ela recebe esse nome por permitir que, durante a formação, ocorram paralelamente dois aprendizados: sobre o objeto de ensino e sobre as condições didáticas necessárias para que os alunos se apropriem dos conteúdos, conforme explica a educadora argentina Delia Lerner no livroLer e Escrever na Escola: o Real, o Possível e o Necessário. Outras áreas também começaram a usá-la, com destaque para Leitura e Escrita, na década de 1990. A dupla conceitualização envolve duas etapas principais. Na primeira, o coordenador propõe uma atividade desafiadora para os professores. O objetivo é fazer com que eles vivenciem a situação de aprendizagem e identifiquem os conhecimentos que estão em jogo para ensinar determinado conteúdo. Se o tema da formação é o desenvolvimento da competência escritora, é possível propor ao grupo a produção de um t xto e, durante o processo, e fazer as intervenções necessárias usando os procedimentos envolvidos na construção textual, como o planejamento e a revisão. Durante essa fase, o formador pode reconceitualizar os conteúdos, tornando observável o que os professores têm de ensinar. No caso da escrita, as intervenções devem mostrar que o conteúdo em jogo não é uma fórmula para ensinar e produzir os diferentes gêneros, mas a construção de competências leitoras e escritoras no aluno , explica Paula Stella, coordenadora do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac), em São Paulo.

formadora do Instituto Chapada de Educação. que serviram como referenciais teóricos sobre o objeto de ensino. momentos de leitura e de tomada de notas. fazer um recorte da realidade. Por fim. e outras eu precisei explicitar. É papel do coordenador trazer as referência s teóricas necessárias para embasar a análise durante a formação. Neurilene Ribeiro. Já os registros são a documentação da prática que não passa pelo filtro ou pela interpretação de um relator. é imprescindível que eu estude as didáticas específicas de cada disciplina para ajudá-los a melhorar a maneira de ensinar . O ideal são situações das quais seja possível extrair a teoria previamente estudada e os procedimentos aplicáveis a outras situações da mesma natureza . É importante ter cla reza de que os relatos são sempre uma impressão da realidade. ele deverá aceitar os objetivos didáticos da tematização. elaboramos uma sequência didática para ensinar os alunos a estudar. planos de aula. Ivone usou os relatórios dos professores para fazer a tematização da prática. é possível ter acesso às concepções dos professores. É preciso o ser afirmativo. Maria Ivone Domingues. que muitos tinham dificuldade em fazer intervenções quando a turma estava trabalhando com a resolução de problemas que exigiam dedução e muitos simplesmente nada faziam . No fim. Foi o que ela fez ao constatar que os professores do Ensino Fundamental tinham dificuldade em desenvolver procedimentos de estudo e. de Salvador Tematização da prática Tematizar significa retirar algo do cotidiano. para. Apesar de serem mais difundidas na Matemática e na Leitura e Esc rita. em São Paulo. as intervenções -la. Aí estão as gravações feitas em vídeo ou áudio de uma aula e a observação em sala feita pelo coordenador pedagógico. discussão sobre as abordagens de cada autor e a escrita de resumos. do coordenador e o motivo de elas terem sido usadas e levanta hipóteses sobre como ensinar determinado conteúdo. utiliza essa prática com sucesso durante os cursos de formação de professores e coordenadores pedagógicos que realiza em 30 municípios baianos: Uso essa estratégia quando percebo que os professores desconhecem os conteúdos ou têm uma visão equivocada sobre eles . analisamos os procedimentos usados e as intervenções feitas por mim que tinham ajudado na execução da atividade. uma das maneiras mais eficientes de e studar (leia o depoimento de Neurilene abaixo). Com base na atividade feita pelo grupo. algumas condições básicas precisam existir. rotina. . ao mesmo tempo em que era preciso interpretá-los e resumi-los. Com base neles. Esse planejamento é fundamental para que a estratégia não se torne um julgamento da prática sem resultados formativos. que seriam lidos pelos colegas. sequências didáticas. Na primeira categoria. Eles podem ser conseguidos dentro da própria escola ou trazidos de fora. então. transformá-lo em objeto de reflexão. o formador mostra como ensinar. essa ferramenta também pode ser usada tendo como base o planejamento de projetos didáticos e institucionais. Com base no que tínhamos discutido. ele promove uma discussão sobre as condições proporcionadas para realizá a maneira como foi feito o planejamento. incluí uma situação de dupla conceitualização para que os professores aprendessem a resumir e. professora. é preciso capturá-la na forma de relatos e registros. Previ a organização do grupo em duplas. com isso. coordenadora pedagógica da Escola da Vila. Em uma atividade de Geometria para o 9º ano. Antes de tematizar sobre a prática. Notei. possibilitam a tematização em tempo real. Neurilene Ribeiro. pesquisadora e uma das pioneiras na introdução dessa estratégia no Brasil. pudessem ensinar os alunos como estudar. condicionada pelos saberes prévios de quem os produziu. Ela resolveu realizar uma situação de dupla conceitualização para que os docentes também aprendessem a fazer resumos. não sabiam como ensinar os alunos a estudar e a interpretar textos longos e complexos. Na segunda etapa. conta ela (leia mais no depoimento abaixo). Aprender e ensinar Em um curso de formação. consequentemente. ensina Regina Scarpa.Na segunda etapa. Há alguns anos. estar consciente dos ganhos que terá no processo econcordar em socializar seus escritos com os colegas. É teorizar . Caso o professor que terá seus registros estudados seja da equipe. Eles conseguiram identificar algumas. durante os encontros de formação. estão as escritas profissionais. explica Telma Weisz. -lo coordenadora pedagógica da Fundação Victor Civita. Devem ser usadas boas práticas como modelos para análise e discussão. as situações de dupla conceitualização podem ser adaptadas à reflexão sobre o ensino de qualquer disciplina desde que sejam garantidas as duas etapas: a reconceitualização do conteúdo e o modo de ensiná . os professores devem ser capazes de planejar um plano de aula ou uma sequência didática para os alunos dentro da perspectiva estudada. formadora do Instituto Chapada de Educação. como os relatórios e os diários de classe elaborados pelos professores. afirma Regina Scarpa. eles permitem saber o que de fato ocorreu durante a interação entre aluno e professor. Não adianta registrar uma situação inadequada para dizer aos professores o que nã funciona. Para que ela aconteça de forma satisfatória. Por não passarem por interpretação. Levantei as dúvidas e selecionei vários textos sobre como ensinar a ler para estudar. faz a formação continuada para os professores especialistas do segundo ciclo do Ensino Fundamental: Como elesjá dominam bem os conteúdos das respectivas áreas. ao serem elaborados em parceria entre professores e formadores. portfólios dos alunos e até o projeto pedagógico documentos que.

onde três agendas disputam a hegemonia das políticas de formação docente. ela planeja com toda a equipe a rotina para a creche e a pré-escola. Ser formador é oferecer a teoria e as condições para aprimorar a prática. http://revistaescola. independente e capaz de se adaptar constantemente às mudanças e exigências dos processos de ensino e aprendizagem. No fim: a aprendizagem Os dois caminhos trilhados a dupla conceitualização e a tematização da prática se encontram no fim.Usei os relatórios das aulas de Geometria para discutir com os professores como intervir quando os alunos estão trabalhando com processos dedutivos. Depois de identificar onde estava o entrave. a 100 quilômetros de São Paulo. usa com frequência o vídeo para fazer a formação continuada das professoras de sua escola. educação escolar. Ela permite que a prática seja analisada como ela realmente acontece. * Leitores que sugeriram a reportagem: Márcia Maria da Silva. No começo do ano. Concluímos. de São Paulo De todos os tipos de registro. como é conhecida na escola.br/gestao-escolar/coordenador-pedagogico/caminhos-formacao-professoresGO 476133. que revelavam a atuação deles e os momentos em que tinham dificuldade de intervir. Nela estavam previstos os agrupamentos que seriam feitos e os conhecimentos que os alunos precisariam ter. finaliza Regina Scarpa . É fazer com que os professores consigam ver além dos hábitos e conceitos adquiridos com a experiência e a formação inicial. Li muito sobre processos dedutivos antes de analisar os relatórios dos professores. livros e brinquedos e têm como objetivo estimular a autonomia dos pequenos. Encontrou -o dentro da própria equipe e decidiu que seria com ele que faria a tematização da prática. n O problema estava na gestão do tempo e do espaço durante os cantinhos : algumas professoras ultrapassavam o tempo estipulado fazendo com que a maioria das crianças ficasse cansada ou tentavam ensinar conteúdos em um momento que deve ser de livre escolha . que devem escolher onde querem ficar. mas eles não sabiam explicar o porquê. do Cedac. trabalho docente. sabia como encaminhar as atividades e gerir a sala de uma maneira eficiente e concordou em compartilhar a experiência com as colegas. Portão. então. Presidente Médici. relata Leninha. São Paulo. afirma Paula Stella. Ao reconhecer que os professores podem (e devem) construir continuadamante a reflexão sobre a prática e de que a base dos processos formativos são os conhecimentos didáticos que decorrem desse processo. o coordenador assume sua responsabilidade e seu papel decisivo para a aprendizagem dos alunos . Bem trilhados. algumas facetas das relações entre formação de professores e o trabalho docente e suas repercussões nas instituições escolares. em São José dos Campos. a coordenadora pedagógica foi atrás de um bom modelo. fizemos um planejamento combinando que gravaríamos diferentes propostas. a gravação em vídeo é considerada a que tem o maior potencial formativo.br/ppc/educacao-e-linguagem/educacao-e-linguagem-15/formacao-de-professores-trabalhodocente-e-suas-repercussoes-na-escola-e-na-sala-de-aula 30/03/11 PROFISSÃO: PROFESSOR . este texto analisa a condição (do trabalho) docente e a condição de (ser) docente e suas repercussões naquilo que acontece efetivamente nas salas de aula. Helena Cristina Ruiz. MG. Gilza Carvalho Soares. por meio da sistematização do que ocorre em sala de aula. trabalho docente e suas repercussões na escola e na sala de aula* Júlio Emílio Diniz Pereira Resumo O objetivo deste artigo é discutir. http://www. baseado em artigo de Kenneth Zeichner. Gravei meia hora só com as atividades diversificadas que ela fazia com os pequenos . Anápolis. Mais especificamente. Palavras-chave: formação de professores. Verificamos que os alunos percebiam que os ângulos inscritos em uma semicircunferência eram retos. RO. coordenadora pedagógica da Escola da Vila. montamos uma sequência didática que levasse as turm do 9º ano a as chegar a alguns conceitos. Por meio da observação da sala de aula. que aqueles eram os momentos certos para a interferência: quando eles demonstrassem precisar de mais informações para progredir. Ao se tornar um formador. Juntas. brincadeiras no parque e cantos de atividades diversificadas. o coordenador é capaz de fazer uso das estratégias de maneira a produzir uma escola dinâmica. coordenadora pedagógica da EMEI Professora Mari Alice a Pasquarelli. Uma das professoras era muito organizada e criativa nas propostas. em linhas gerais.metodista. conta Leninha (leia o depoimento dela abaixo). Está prevista a realização de várias rodas de leitura.shtml 30/03/11 Formação de professores. ele apresenta como essa questão está sendo tratada nos Estados Unidos. É reunir opiniões e concepções da equipe em torno de um projeto pedagógico.abril. Pedro Garcia Coitinho. que ocorre duas vezes por semana. em encontros de duas horas e meia. Ipatinga. sem o viés interpretativo ao qual os relatórios estão sujeitos .com. RS. dominando as estratégias e o conhecimento didático. Primeiro. Márcia Siqueira Cabral. Maria Ivone Domingues. já prevendo as possíveis intervenções que seriam feitas. Finalmente. percebi que o que propusemos i icialmente não estava funcionando na maioria das salas. Os cantinhos são organizados com jogos. Adailza de Souza Melo. levam à aprendizagem dos alunos. SP.

De nada adianta uma avalanche de informações se o aluno não aprende nem 1%. a experiência do livro e a vivência. Professores devem se automotivar por suas novas descobertas. ainda há muito que se fazer.Estamos. segundo a CNTE Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação). mas saber como passar estas informações de maneira nutritiva e com resultados positivos. Uma vez que toda informação apresentada. pior ainda. Dar aulas para ser maltratado por alunos e ter uma profissão totalmente desrespeitada? . Um ponto favorável é a expansão de Faculdades e Universidades particulares.. nos dias de hoje. Quero aqui mostrar que existem outros pontos que esses futuros professores devem ter em mente. que segundo D. causar muitas dúvidas. Em São Paulo. Muito mais que isso é um instrumento didático. Financeiramente. não só no mercado educacional. como um case. Quero trabalhar em museus ou laboratórios onde o salário valha a pena e. capaz de causar reflexões profundas no universo humano e social. e que brevemente seguirão uma política de remuneração atualizada com as necessidades profissionais dos professores. que procurem o curso de oratória do Reinaldo Polito. mais buscarem . Os educadores de hoje têm a possibilidade de cada vez. ele mesmo. indo além da atuação em sala de aula. mostrando como modificar condutas e desenvolver cidadania para cada um dos funcionários da fábrica. atuo nesta área com muita paixão e pretendo num futuro próximo dedicar-me ainda mais a esta atividade. Eu acredito que não falte muito para progredirmos para um reconhecimento salarial mais justo e para métodos com mais resultados em reter a atenção dos alunos na difusão da informação. com um déficit de 254 mil professores e que deve se agravar ainda mais com as aposentadorias dos que estão na ativa (55. mostra empenho e demonstra carisma. o nível de informação está se superando e a classe está se integrando cada vez mais. Uma profissão gratificante e de novos rumos sempre uma profissão do futuro. A motivação é hoje elemento primordial para qualquer profissional. em Congressos nos quais faço palestras. Nós progredimos da "palmatória" ao "laptop". Eis aí o professor empreendedor. existem escolas que não conseguem professores de química ou geografia. graças à globalização das informações e as possibilidades de pesquisa em diversas partes do mundo. conhecimento para transmitir informações. apenas dão aula. Vislumbro boas perspectivas para a classe docente. espírito de pesquisa. assim como interesse nos alunos. Conhecimento de relacionamento humano e também de comportamento. no Brasil. por suas novas pesquisas e o desejo de ver seu trabalho discutido numa sala de aula. pessoalmente. sem sair de seu escritório ou de sua casa. é também adotado em diversas Faculdades e Universidades. mas em todos os contextos de expansão de informação. os conceitos. como recebe e armazena essas informações. são conceitos para serem discutidos em sala de aula.. Eu reconheço que a didática de ensino deve mudar muito e se adaptar novamente. como já vem acontecendo em alguns bons colégios particulares puxando os professores da rede pública para suas salas de aula. Não acredito que a motivação dos professores é a causa. Na verdade. do que aquilo que se ensina. Mais vale o que se aprende. em um de meus livros chamado Fábrica de Gente toda história de um projeto. por exemplo. Acho que o professor não precisa nem de shows ou piadas. Professores têm de estar sempre dispostos a se relacionarem ao nível do aprendizado do aluno. É fundamental nos dias de hoje não só passar informações. Narro. tem de estar entusiasmado. Eu acho que hoje. desde o ensino primário até o universitário. que torna o professor um elemento educativo. saber como o cérebro atua. Basta ver o número de professores em Co ngressos há alguns anos atrás comparados com a lotação dos Congressos de hoje. com capacidade de contagiar através de persuasão. aperfeiçoamento de seus conhecimentos aumentando suas competências e quem ganha com isto são os alunos. Alguns professores não se preocupam em conhecer como as informações podem ser transferidas de maneira agradável. . Além de estar em todas as livrarias do Brasil. É impressionante que nosso governo ainda não tenha notado o poder que a educação tem na formação de um país melhor e nem o quanto economizariam em programas sociais. Eu. Conhecimento. Infelizmente os jovens que estão entrando para o Magistério hoje são claros e taxativos: Não quero morrer de fome dando aula . criando novas oportunidades para os profissionais de ensino. afinal as pessoas caminham nesta terra há 12 milhões de anos e a única coisa que vêem repetindo neste tempo todo é o processo de aprendizado. Pedro I: "se pudesse escolher uma profissão escolheria a de professor". Tenho sugerido a muitos deles. Existem até professores que pensam em fundar uma cooperativa educacional e conduzirem Universidades Cooperativadas por todo Brasil. nunca se teve um tempo como este. de uma maneira que contenha emoção. conhecer bem cada um de seus alunos. profissionalmente. em se tratando de conhecimento e atualização. comunicação verbal.1% dos docentes brasileiros têm mais de 30 anos. auxilia na credibilidade. pelo motivo de estarem diante de professores bem preparados. mostrar-se interessado pela situação dos alunos e ter informações privilegiadas. o professor. nem conseqüência. causar reflexões. Ele precisa. é mais fácil de serassimilada e difundida. Ela tem efeito contagiante. possibilidades de trabalho crescendo.

basta notar as propagandas. no primeiro dia de aula. em determinado momento de sua trajetória. até porque. a metodologia de ensino. Acho que um professor deve ensinar a sonhar: a sonhar que o aprendizado que está ministrando pode ser um ótimo companheiro para se obter tudo aquilo que o aluno pensa conseguir em sua vida.É mais que colocar informação nos cérebros: é colocar inspiração no coração e desenvolver a crença de que o aluno poderá construir uma brilhante carreira com o curso que está vivenciando. eu já ouvi está frase.A barreira ao longo dos tempos. Os professores. Como exemplo posso citar a Faculdade Strong de Administração em Santo André.. E nós sabemos que milagres são um outro departamento do Universo Celestial. Acredito que uma instituição motivadora é aquela que respeita o aluno. que o conhecimento é o caminho do saber. mas.".. estes novos jovens. mais que uma carreira. Para os pais recomendo que nunca estejam ocupados demais para dar atenção educacional aos seus filhos. Isto prova que exigir resultados dos alunos deve fazer parte do relacionamento. nunca. vai além do banco da escola. terá em mãos um poderoso instrumento na formação de pessoas.. É impressionante a capacidade de ensino de uma organização chamada de Exército Brasileiro. mais poderão estar próximas de decisões importantes para fortalecer o relacionamento e oferecer benefícios a ambos os lados. apenas dos professores que foram mais exigentes com eles. Penso que o elo de ligação entre escola e aluno é o professor. e ainda é e será assim por muito tempo. atualmente. aliadas à cultura familiar. Ser professor.. as escolas concorrem entre si. ou até mesmo saber que um dia Alexandre (o Grande) espirrou. A Universidade tem de encontrar maneiras de fazer estas informações atuarem na vida dos alunos e da sociedade. Uma experiência magnífica aconteceu comigo recentemente: fui para ensinar e aprendi muito. conveniada a FGV. Os professores de Exército possuem um preparo que todo professor do mercado educacional sonharia ter. além de deixar claro ao aluno que. Um aluno nunca deve sentir-se sozinho em sua escalada do conhecimento.. Nossa história começou a ser escrita nos bancos de escolas. oferecer o essencial para gravar o primordial. Tenho dito que. baseadas nas informações que seus mestres lhe transmitem. A política do Cliente seria uma boa regra para a criação de uma base de atuação. o que significa transformar a informação em resultado aplicável. assim como respeito e confiança. de forma produtiva. por outro lado. deva fazer os alunos refletirem e discutirem com as ferramentas que a escola lhes dá e que. em 99% dos casos. Nenhuma escola do mundo consegue salvar um aluno condenado pela ausência dos pais.. Um professor deve sempre fornecer o maior número de informações e conhecimentos possíveis. conduz sua didática num caminho de resultados. Hoje. A convivência em família é fundamental em qualquer processo educacional. Talvez a aproximação maior das escolas junto aos pais. ele pode precisar de um martelo. de Exército Francisco Roberto de Albuquerque ficaria orgulhoso de saber que o processo "Braço forte e mão amiga" ensinaria muitos brasileiros. que exige total conhecimento de aptidão e desenvolvimento de competência. quanto mais informações tiverem sobre eles. e o Gal. não o conhecimento. Vale conhecer. assim.. na verdade os alunos não buscam identidade.. que possui um tratamento muito especial com todos os alunos. Ensinar a escrever não é transmitir saber.. ou de um simples prego. Com isso a educação do Brasil descobriria um modelo e tanto. e o saber auxilia no caminho do ter e do ser. que necessita de uma nova geração de professores. os seus ideais. eles criam sua identidade. hoje. difunde conhecimentos privilegiados. pais ao terem filhos deveriam ter de obter um diploma sobre como criar estas novas crianças. Sou a favor de. O que está disponível é a informação. inserida na história pela rigidez de muitos professores. Este comportamento social das escolas é puro despreparo com relação às novas fronteiras da administração. para se manterem motivados e atualizados. . com um número maior de reuniões e até um curso de profundidade auxiliaria as coisas a ficarem melhor. Quanto mais as escolas souberem sobre seus alunos. é um bom case. descobri uma coisa interessante: os alunos se lembram. Talvez seja esta a razão que me faz crer que.. fez com que esporádicos professores que contassem uma piada e se mostrassem alegres. Muitos pensam que a escola deve fazer tudo. eu acredito que seja uma missão. têm de reconhecer que mesmo sendo ótimos professore têm sempre algo para aprender. "Aluno não pode pensar e deve entrar mudo e sair calado. Educação hoje é discussão de idéias. quem manda aqui é a escola. Estas são as ferramentas... em pesquisa que realizei junto a alunos. o professor dar todas as questões que irão cair nas provas do ano e passar o ano discutindo as respostas até o dia da prova. evitar tudo. Só planeja quem tem informações para planejar. Pois. levassem uma vantagem e tanto no ensino. os professores têm de procurar ser generalistas: conhecerem muito além de sua área de ensino para poder ensinar e compreender esta nova geração de alunos.

Peck. associam o aparecimento deste fenómeno. A maneira como se divide a vida depende. Uma pessoa criativa colocou um eixo entre duas rodas. Uma pessoa inteligente inventou a roda. ao negar que existisse um abismo entre este e o animal. acentuou as tendências narcísicas e de auto-referencialidade. centrados nos sistemas de ensino foram. assentou em pressupostos organicistas. Influenciados por estas ideias muitos psicólogos criaram um novo ramo da psicologia a Psicologia do Desenvolvimento ou da evolução. A sociedade é o campo onde as suas fases se realizam.Aluno não pode desmotivar dentro do conceito educacional porque ele é o motivo do professor estar lá. ou "tarefas de desenvolvimento" específicas ( E. e (3a) O que devo fazer? Um professor desta nova era da educação. O Homem é entendido antes de mais um ser vivo. Hoje não basta o professor ser inteligente. psicológicos e sociais. que motive não só o aluno como também o professor. uma categoria de realização ou uma forma de vida se quebram e são substi uídas por t outras novas. substituídos por abordagens centradas em protagonistas singulares. a explicação está na crise que atravessam os grandes sistemas teóricos.br/redator/item5020. e como tal está sujeito a um processo cíclico de desenvolvimento orgânico. Para alguns autores. abandonando sua zona de conforto. O Conceito O início dos estudos sistemáticos sobre o desenvolvimento da vida humana.J. É a partir deles que se procura compreender o próprio sistema mais global. Ao longo da história.cesarromao. ele tem de ser criativo. A primeira conclusão que rapidamente se chegou é que a vida não pára de se modificar devido a factores biológicos. por este motivo. mas em relacionamento e comportamento dos alunos. em suma. Neste sentido passou-se a estudar. que continuou a permanecer um período obscuro. Lehr). U. outros. mudança de conceitos. (2a) O que não estou fazendo.Javinghurst). Os primeiro estudos incidiram sobre a Infância e a Juventude. que são necessárias para estabelecer um relacionamento nutritivo. no anos oitenta. por exemplo. A ideia de estudar o comportamento em função da idade é nova. o que terá provocado a necessidade de repensar tudo de novo. mudança de atitudes. ao aproximar o Homem das suas raízes biológicas. optando por uma divisão genérica -se em décadas. Várias razões tem sido apontadas para explicar a emergência deste fenómeno.Erikson. ao generalizado mal estar na profissão revelado pelos professores. . datam do princípio do século XX. mudança de hábitos. mas sim de pontos de orientação para a compreensão de um fenómeno complexo. o estudo sobre as vidas dos professores são hoje objecto de inúmeros trabalhos.Homem-Cidadão-Profissional. Estas décadas não se tratam de idades. a forma como compatibilizam a tríade . Desde a antiguidade clássica que se dividia a vida humana em três ou quatro idades: Infância. das transformações que o investigador considere essenciais. com base em estudos de biografias procurou determinar as várias fases do desenvolvimento humano desde o nascimento até à morte. Thomne. Não é pois de espantar a falta de consenso sobre as divisões da vida humana. Haeckel reforçou esta perspectiva quando formulou a Lei fundamental da biogenética.html 30/03/11 Etapas da Vida de Professor A Emergência dos Estudos Biográficos na Educação Desde meados dos anos oitenta. Foi a necessidade de compreender as razões destes sentimentos que terá desencadeado estes estudos. A principal determinante do comportamento reside em factores biológicos. a partir dos anos 60. muitos investigadores dos fenómenos educativos face a um mundo caótico procuraram descobrir o sentido da educação nas biografias e narrativas pessoais dos professores. e em termos mais genéricos. H. e eventualmente panaceia para muitos males da educação. como Maria Helena Cavaco. atribuem este fenómeno às consequências sociais da pós-modernidade. Outros. Interpretes destas tendências sociais profundas. em que uma função. Os grandes quadros conceptuais. Nos anos trinta Charlotte Buhler. Ganhar pouco hoje não é sinônimo de que se váganhar pouco durante toda profissão. tem crescido a popularidade dos estudos sobre a vida dos professores. Esta ao imprimir uma orientação social para o individualismo. conhecer mais sobre este item causa mudança de paradigmas. Vencer essa dificuldade requer criatividade. podendo-as acelerar. R. quais são os seus percursos profissionais e o modo como vivem a sua profissão. http://www. Neste sentido. como os professores. modificar pontualmente. E. como Rui Gomes. sinto que faltou aos professores um pouco de ousadia. deve desenvolver competências e habilidades não só na matéria que ministra.com. Darwin. Maturidade e Velhice. como Andy Hargreaves. foi praticamente abandonada a classificação da vida por etapas fixas. Mais conjunturais. permitindo reconhecer então uma série de fasesou etapas para a vida adulta.H. O Modelo Organicista O primeiro modelo de análise da ciclos da vida. mas não as pode anular. segundo a qual a ontogénese representa uma breve recapitulação da filogénese. É ev idente que a profissão em termos de remuneração. Juventude. A obra Origem das Espécies de C. nas quais ocorrem "temas" característicos ( R. é o momento dele refletir e se questionar: (1a) O que devo parar de fazer. foco em buscar novos mercados. como escreve esta psicóloga. revolucionou os pressupostos teóricos destas análise. Quando um professor acredita que os alunos estão tirando seu entusiasmo de dar aulas. principalmente na Rede Pública precisa ser revista. Há momentos. Seja como for.

de forma mais ou menos original. A Infância e Puberdade (até ao 13 anos). entre o crescimento e a decadência. o indivíduo fixa-se normalmente na vida com uma autodeterminação definitiva. sobretudo em relação à vida adulta. e não possui identidade própria. Ao longo dos anos foram-se acumulando um vasto conjunto de dados sobre as principais etapas de orientação para o estudo da vida dos professores. são um processo contínuo. ou então a empobrecem separando da -se mesma. e das relações pré-conjugais. emergiu uma outra corrente para o qual a vida humana não pode ser reduzida a ciclos de crescimento. os contributos trazidos pela sociologia para o estudo dos ciclos de vida. vários investigadores abordaram as vidas dos professores. Entre os trabalhos mais significativos são de referir os de Fuller. estabeleceu cinco fases. 28. Uma coisa deste já se pode assinalar. Paterson. maturidade e decadência. Em segundo lugar. Kunkel (1936). Sikes. Pelo contrário ela apresenta -se como um contínuo. Em primeiro lugar. em 1933. e é marcada. A "plenitude" da vida atingia-se por volta dos 35 anos. A Idade dos balanços (50 aos 65 anos). P. como escreve Huberman.Charlotte Buhler. É a época da preparação para a profissão. partindo do pressuposto que as diferentes experiências. e a do rendimento aos 49. e que existem aspectos ou situações pessoais. Admite-se que cada uma destas fases não são de passagem obrigatória. Diferenciação/Integração (Werner).U.. dos inícios profissionais. A aplicação destes modelo ao estudo do professores tem sido muito amplo. dividiram a vida em função dos períodos de "crises de desenvolvimento" que situaram por volta dos 14. nomeadamente tendo em conta as contribuições da sociologia da educação.Os estudos sobre as etapas do desenvolvimento cognitivo dos professores. Muitos outros psicólogos estabeleceram os seus próprios ciclos de vida. frustrações. intercurtada por crises de Transição /Estruturação (Levianos). Pajak e Blaise. profissionais. e em que os filhos saem de casa. Estes modelos apesar de não excluírem a referência a etapas da vida não lhes atribuem grande significado. por um período de calma após a vida activa. Os principais contributos devem-se a Hall e Hard. se tornam independentes e talvez enriqueçam a primitiva família mediante a fundação de uma família própria. Ora. em que por vezes se dá um retrocesso profissional. 56 e 70. Após épocas de grande desenvolvimento ou rendimento. é um processo. o que se traduz na desvalorização das influências externas que influem no processo de desenvolvimento. o indivíduo é totalmente dependente. é que a forma como a profissão é vivi a desde o d . Assimilação / Acomodação (Piaget). Mudança/Estabilidade (Whtbourne e Weinstock). por exemplo. A Idade Adulta (25 aos 50 anos). este tipo de divisões têm consistido na preponderância concedida aos factores endógenos. conforme os indivíduos. que tem procurado descrever as transformações que ocorrem nas formas de construir e dar sentido às experiências por parte dos professores. 42. revelando-se os resultados das suas finalidades.Os estudos que procuram determinar as etapas do desenvolvimento daspreocupações dos professores. Hellpach (1941) que estabeleceu a "lei pendular da vida". é determinada pelo pressuposto que nesta fase os indivíduos examinam os resultados da sua vida. Huberman e Schapira. Lehl e outros demonstraram as limitações de todos os tipos de classificações por etapas. Os principais contributos devem-se a Pintrich. Estamos no cume da vida. mas está repleto de oscilações ou regressões. partindo do pressuposto que a vida humana podia ser analisada a partir de duas ideias básicas: a autodeterminação e a escolha de uma finalidade na qual o indivíduo exprime a indentidade. Loucks-Hooley e Stiegelbaeur e a Frances Fuller. atitudes. contextuais que influenciam os professores. em função de corresponderem ou não às expectativas. O Ciclo a Vida dos Professores Partindo de uma visão mais ampla sobre os ciclos de vida. de acordo com perspectiva adoptada. Críticas Nos anos 60 Thomae. e a que corresponde também uma nítida decadência física e de elasticidade mental. Thiés-Sprinthall e Sprinthal. Levinson. começa por volta dos 70. A Juventude (14 e os 25 anos). surgiam as "crises vitais". Aceita-se que a vida dos professores. satisfações. M. Mais longe foi W. Este processo não é linear. . Modelo Continuísta Reagindo contra o modelo organicista e a divisão da vida em etapas. a autodeterminação tem ainda um carácter provisório e de tentativa.É a época em que as profissões primitivas são substituídas por profissões parciais ou "hobbies" e em que muitas vezes se verifica a perda de um dos cônjuges. A partir daí começava a decadência até à senilidade. É a época pré-escolar e da primeira fase de socialização escolar. preocupações parecem estar correlacionados com as diferentes fases da vida profissional e pessoal dos professores. A última fase. a da formação do carácter aos 42. É a época da plena actividade profissional.Tiling (1936) e F. do casamento e da fundação da família. Burke. percepções. destacando-se duas linhas de investigação: . e se a vida pode ainda ser remediada e continuada a formar-se ou não. segundo ritmos de mudança de 7 em 7 anos. Adèle Chené. expectativas. ignoram frequentemente que as transformações ou as mudanças que ocorrem na vida. demonstraram que as diversas etapas são acima de tudo construções sociais que enquanto modelos acabam por influenciar o comportamento real dos professores. não um sucessão de acontecimentos. É a época em que tomam importância os êxitos e feitos da profissão.

Entre os 40 e os 55 anos. centrando-se em si próprios. e na sua imagem como professores. Mas nem todos os professores encaram a situação da mesma forma. os professores estão longe de encararem o ensino todos da mesma maneira. os seus alunos. Em síntese a entrada na profissão não é vivida por todos da mesma forma. o professor está sobretudo concentrado na procura de uma situação profissional estável. Outros centram a sua acção na promoção profissional investindo. Eís algumas das contribuições mais significativas que lançaram alguma luz sobre estes percursos. num estudo clássico. nos métodos e técnicas pedagógicas. mas mais distante. ainda segundo Paterson. Desvalorizam a preocupação com a promoção profissional. De uma forma geral. mas também almejam por uma promoção. Os outros. afrouxam a disciplina e as exigências para com os alunos.pt/PROFES1. É um período em que os professores se interrogam sobre a sua própria eficácia como docentes. É a sua fase de socialização. Entre os 28 e os 33 anos. esta fase é caracterizada pela atitude revelada pelos professores e que se manifestam plenamente integrados nas escolas. nas outros estão já completamente desalentados. Entre os 55 até à jubilação. tendo frequentemente uma visão fantasiosa da vida de professor. o professor.sapo. a carreira do professor entra numa fase de Transição.no. mas também revelam um grande independência e domínio nos conteúdos. Facto que será decisivo no modo como se chega depois ao fim da carreira. ou crítico amargo e desiludido com os alunos e os colegas das gerações mais novas.htm 30/03/11 . e de fazerem parte de uma corpo profissional. não é igual em todos os professores. Outros ainda entram numa fase de verdadeira angustia existencial. Preocupa de forma premente o domínio dos -o conteúdos. manifestam de forma viva o entusiasmo pela experimentação. Fuller. Primeiros anos de carreira. Para Huberman. Huberman. compromissos familiares. Mais preciso. Huberman assinala que esta é a fase. Huberman. Nesta fase. procurando desta forma desfrutar o melhor possível a sua profissão.início. assumem a actividade profissional de forma mais descontraída e menos emocional. através da melhoria da sua competência. tudo parece depender do projecto de vida de cada um. http://educar. Huberman caracteriza os primeiros anos como de sobrevivência e descoberta. segundo Paterson. mais velhos. apontando desde logo. assinalou que na fase de pré-ensino. mostram-se preocupados com a sua afirmação profissional. dos colegas. para a formação de duas atitudes face à profissão. Carlos Fontes. é possível encontrar três tipos de atitudes. de modo particular. são diversas as formas de viver a profissão e os modos de a terminar. nos três ou quatro primeiros anos. que assumem uma atitude de descoberta. Meio da carreira. alargando progressivamente a sua reflexão a todo o sistema. e também de forma mais linear. os professores atingem a fase de maturi ade. Uns canalizam as suas energias para melhorar a sua capacidade como docentes. Entre os 30 e os 40 anos. Uns aceitam estas responsabilidade com naturalidade. os professores segundo Sikes. afirma Paterson. devido á maior proximidade da idade do professor com a dos seus alunos. o choque com a realidade. os professores estão cheios de energia física e intelectual. o orgulho de ter a sua classe. neste período. Próximo do fim da carreira. cristalizando três tipos de percursos profissionais anteriores: Os "positivos" prosseguem o seu alegre caminho de aperfeiçoamento pessoal eprofissional. o professor torna-se no conselheiro generoso. possibilita -lhes abandonarem esta visão egocêntrica centrando agora as suas preocupações nos alunos e nas suas condições de aprendizagem. Nos primeiros tempos de leccionação. segundo Sikes. estagnam e não se revelam interessados na sua promoção profissional. Nesta fase os professores começam a estar mais interessados no ensino do que no domínio dos conteúdos. Sikes. submergidos pelo peso da rotina. O progressivo domínio da situação do ensino. e outros factores similares. por anos e anos de frustrações. Mais uma vez uns. Estes professores queixam-se de tudo. s passam a centrar as suas preocupações na sua própria sobrevivência. o professor está sobretudo centrado nos problemas da disciplina. Em suma. afirma que 4 a 6 anos depois do início da profissão. Fim da carreira. organizadas segundo os três períodos tradicionais do ciclo de vida. no desempenho de funç de ões direcção ou cargos administrativos. devido à ausência da autoridade. os futuros professores manifestam-se muito preocupados com a situação dos alunos. dos alunos. para se centrarem na vida da escolar e na própria docente. as frustrações quotidianas. ao contrário de Sikes. mostra que após 7 anos de ensino. do sistema. Os que se situam mais nasobrevivência sofrem. e nas diferenças entre os ideais e a realidade. Nas escolas é sobre eles d que recai muitas das responsabilidades pelo seu funcionamento. É a fase de estabilidade para uns e a procura de um novo emprego para outros. os "desencantados". os "defensivos" que face às experiência passadas se mostram mais do que nunca pouco optimistas e generosos. passa subtilmente a estabelecer relações mais formais ou paternalistas com os alunos. Uns permanecem ainda entusiastas pelo ensino. por exemplo. este tende a comportar-se como um irmão ou uma irmã. face aos problemas que encontram nas escolas e nas suas relações com o alunos. os professores entram numa fase de estabilização. como o nome indica estão cansados e prontos a desancar todos os que encontram pela frente. ainda segundo Sikes. Devido a uma idade mais elevada. outros reagem amargurados e críticos do sistema. afirma que entre os 21 e os 28 anos. Outros pelo contrário sentem-se como nunca amargurados com a sua vida profissional.

spn. membro do Conselho Nacional da FENPROF e da Direcção do SPN e docente da Universidade Católica no Porto. que falava também nos momentos finais do encontro da Caparica. como neste caso da profissão docente. O problema é saber como se avalia com rigor. incluindo contributos de outros convidados que por motivos de força maior não puderam estar presentes na Caparica. os professores e a sua carreira . os professores e a sua carreira. afirmou. constituiu um excelente contributo para a dinamização de um debate alargado sobre a profissão. os profissionais e a carreira docente. As palavras são de Paulo Sucena e foram proferidas no encerramentodo recente Encontro de Quadros Sindicais de Reflexão sobre a Carreira Docente. Vamos ter que lutar muito. numa perspectiva de acção dos professores. Não temos medo das avaliações. O Encontro. por seu turno. os nossos objectivos de luta e as nossas propostas. abriu. nas instalações do INATEL. Faltas. solidária e multicultural. que decorreu nos dias 26 e 27 de Janeiro. A edição de Fevereiro do Jornal da FENPROF dará particular atenção a este Encontro promovido pela Federação Nacional dos Professores. O dirigente sindical. Mário Nogueira. as bases da profissão. Contributos de Almerindo Janela Afonso e Isabel Baptista O primeiro dia dos trabalhos registou as comunicações de Almerindo Janela Afonso. As intervenções iniciais sobre esta matéria pertenceram a Manuela Mendonça. em contextos humanos. recorde-se. com o debate sobre a avaliação do desempenho dos professores e educadores. nomeadamente através da extensão dos modelos uniformizadores impostos para administração pública que não têm em conta realidades específicas. a nível das escolas. falta de fato melhor. dinâmicas e construtivas.Temos que estar preparados para a construção de respostas objectivas a este problema.A profissão. noutra passagem. O secretário-geral da FENPROF sublinhou.foram outros temas em foco no segundo dia do encontro de reflexão promovido pela FENPROF. capazes de unir os educadores e os professores. Augusto Pascoal e Isabel Baptista. perspectivas e expectativas em relação ao futuro profissional dos docentes. na Caparica. O Encontro prosseguiu.um debate fundamental "Os professores nunca tiveram medo de ser avaliados. Os padres da Companhia de Jesus. Vão continuar a aparecer por aí osdoutores da opinião pública a mandar depois uns palpites sobre a matéria. A . bem como sobre o papel da Escola enquanto factor de aprofundamento de uma cultura democrática. mas vamos também ter que definir e divulgar junto dos docentes de todo o País. por parte de Mário Nogueira (Coordenador do Grupo Negociador da FENPROF) e de Paulo Sucena (secretário -geral). que intervieram a propósito das expectativas e perspectivas existentes sobre a profissão. membro do Grupo Negociador da FENPROF e do seu Secretariado Nacional. sociais e culturais extraordinariamente diferentes. dispensas e licenças: o regime geral e as especificidades da profissão docente (João Baldaia e António Gonçalves) e a aposentação dos professores: o desgaste provocado por uma profissão com grandes exigências (Henrique Borges e Francisco Almeida) . O segundo dia do encontro incluiu o tratamento de temas como a estabilidade do corpo docente e os incentivos (comunicações de Anabela Delgado e Vitor Gomes) e direitos e deveres profissionais (Adriano Teixeira de Sousa e Abel Macedo). sem criar injustiças nem desigualdades num sector com cerca de 150 mil profissionais. a nível nacional.pt/?aba=27&cat=9&doc=1087&mid=115 30/03/11 A arte de ensinar é uma tarefa difícil demais para que alguém se envolva nela por comodismo. responsabilidades. mas também sabemos o que é a profissão docente e a sua complexidade". com breves notas de enquadramento da iniciativa com indicações precisas relativamente aos objectivos do Secretariado Nacional com a sua marcação. Como é que se pode dizer: este é que merece. da Universidade do Minho. e Isabel Baptista. mas temos também que fazer uma boa gestão da luta. de tarde. e que reuniu dirigentes de todos os Sindicatos que integram a FENPROF. cruzando diversas realidades existentes na administração pública e no sector privado. O ensino nesta época era tradicional. que centraram as suas intervenções nas razões da escolha dos temas para preparar a intervenção consequente da organização sindical e iniciar um debate tão aprofundado quanto possível sobre o que éser Professor hoje. em todas as escolas de todas as regiões. no âmbito da Administração Pública e do conjunto dos outros trabalhadores. arduamente conquistados e a que o Governo de Sócrates chamaprivilégios é o grande objectivo da revisão do Estatuto da Carreira Docente que o Ministério da Educação se prepara para fazer avançar". coordenador do SPRC. férias. que "deveremos continuar a reflectir corajosamente sobre o que queremos para a nossa profissão". avaliando a actual legislação e as intenções mais ou menos declaradas de mudanças nesta matéria. aquele não. na manhã do dia 26. instalaram a primeira escola em 1549. Temos que olhar de frente esta questão. "Liquidar ou reduzir direitos. no quadro da CGTP -IN". ou porque é preciso auferir ganhos. deixaria ainda outro alerta a propósito das negociações do ECD que se aproximam: "Vamos ter que resistir. A iniciativa. ao abordar essencialmente "as linhas gerais para o trabalho futuro". http://www.

Com o uso inadequado da tecnologia há a individualização do ser humano. Devemos ter em mente que os professores exercem um papel insubstituível no processo da transformação social. realizada na sede da empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. pois a educação tem por intenção a humanizaçãodo homem. Essa escola era uma escola democrática e divulgada para todos (o cidadão democrático). Devemos aliar forças para que isso não aconteça. pelas opiniões tendenciosas da mídia. o aluno era impedido de criar e pensar.com/trabalho-docente/professor. sem afinidade com o social e alienado em suas relações com o global. sem articulação com os demais membros da sociedade. e a transmissão de emoções . pois passa pela escola e pela mão dos professores todos os cidadãos desta nossa Pátria Brasil! Autora: Amelia Hamze Educadora Profª UNIFEB/CETEC e FISO . e o modelo americano é instituído em nosso país. produzindo novos conhecimentos para a teoria e prática de ensinar. e foram anunciados padrões e métodos educacionais com ferramentas que impressionavam e davam subsídios diferentes nas formas de ensinar. pois a docência vai mais além do que somente dar aulas. sendo empregados todos os contornos que possibilitavam a apreensão crítica e reflexiva dos conhecimentos com enfoque na construção e reconstrução do saber. os professores devem ser encarados e considerados como parceiros/autores na transformação da qualidade social da escola. Pela primeira vez na história. constituiu fundamentalmente a sua atuação profissional na prática social.Barretos http://educador. representante do Ministério da Educação e membro da comissão. Com o governo de Getúlio Vargas. em Brasília. A formação dos educadores não se baseia apenas na racionalidade técnica . a interação. cidadãos com competência e habilidade na capacidade de decidir. observamos que na construção do saber a tecnologia passa a dominar os espaços locais e temporais. como apenas executores de decisões alheias. Na Escola Crítica havia articulação e interação entre o educador e o educando. compreendendo os contextos históricos. Nesta época foram instalados os recursos audiovisuais como suporte pedagógico. Em 1983 deu-se o aparecimento da Escola Crítica. mas. mas . O advento da escola nova foi em 1932. onde o professor era o educador que orientava o contorno da aprendizagem com participação real do aluno.escola tradicional permaneceu por aproximadamente trezentos e oitenta e três anos. impediu a -se expressão dialética. aluno enfatizado como cidadão. deu-se início à escola nova. onde o professor não se comportava como o transmissor de conhecimentos e sim um facilitador de aprendizagem. Com a escola tecnológica. onde o aluno era um ser ativo e participante e estava no centro do processo de ensino/aprendizagem. Só assim. A criação do novo selo foi aprovada na 102. Em 1964 tem início a Escola Tecnicista.htm 30/03/11 . Com o tecnicismo empregado em todos os campos. culturais e organizacionais que fazem parte e interferem na sua atividade docente. buscando todas as oportunidades em busca da criatividade. aluno que construía eressignificava a história. corre-se o risco de exclusão do indivíduo no social. fechando-o em seu mundo. com competência do conhecimento. impedindo a atuação dialógica. A sugestão do selo comemorativo foi feita pelo professor Carlos Alberto Xavier. devemos ser valorizados também pelo nosso trabalho profissional.ª reunião da Comissão Filatélica Nacional. tornando-o espectador e talvez um indivíduo sem estímulo para superar barreiras. A formação identitária do professor abrange o profissional.brasilescola. com profissionalismo ético e consciência política. Que a homenagem se concretize. sem explicação dialética do dia-a-dia. sociais . O professor do século XXI. Cabe então aos professores do século XXI a tarefa de apontar caminhos institucionais (coletivamente) para enfrentamento das novas demandas do mundo contemporâneo. sem deixar se seduzir pelos caminhos deslumbrantes dos anúncios publicitários. estaremos aptos a oferecer oportunidades educacionais aos nossos alunos para construir e reconstruir saberes à luz do pensamento reflexivo e crítico entre as transformações sociais e a formação humana. os docentes brasileiros serão homenageados com a criação de um selo que será lançado no próximo ano no Dia do Professor. a in strução programada e o ensino individualizado. deve ser um profissional da educação que elabora com criatividade conhecimentos teóricos e críticos sobre a realidade. comemorado em 15 de outubro. Já no século XXI. pois merecemos. Nessa era da tecnologia. Na escola tecnicista o social era ditado pelos militares que detinham o poder. Na pauta deste ano foram analisadas 640 propostas e eleitos 13 temas. usando para isso a compreensão e a proposição do real.

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