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a revista do engenheiro civil www.revistatechne.com.br techne apoio IPT Edição 132 ano 16 março de
a revista do engenheiro civil
www.revistatechne.com.br
techne
apoio
IPT
Edição 132
ano 16
março de 2008
R$ 23,00
OBRA-DE-ARTE OBRA-DE-ARTE
Complexo Complexo Viário Viário
Real Real Parque Parque
LAJES LAJES
Soluções Soluções para para
grandes grandes vãos vãos
COMO COMO CONSTRUIR CONSTRUIR
Sistema Sistema contra contra
incêndio incêndio
Concreto Concreto
Edifício
Cult Universo,
Goiânia
auto-adensável auto-adensável
Confira Confira alguns alguns comparativos comparativos de de custos custos e e de de
mão-de-obra mão-de-obra feitos feitos por por construtoras. construtoras. Tecnologia Tecnologia
autocompactante autocompactante dispensa dispensa a a vibração, vibração, mas mas exige exige
maior maior cuidado cuidado com com as as fôrmas fôrmas
téchne 132 março 2008
Concreto auto-adensável ■ Complexo Viário Real Parque ■ Lajes ■ Pré-fabricados de concreto ■ Sistema contra incêndio
ISSN 0104-1053
0 0 1 3 2
9
7 7 0 1 0 4 1 0 5 0 0 0

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Naldo Mundim/Realmix Concreto

Marcelo Scandaroli

SUMÁRIO

38
38

CAPA

Solução fluida Confira sete cases de sucesso de construtoras que usaram auto-adensável

58 ARTIGO

Resistência de lajes alveolares pré-fabricadas ao cisalhamento Pesquisadores avaliam desempenho dessas peças

78 COMO CONSTRUIR

Sistema de proteção contra incêndio com tubos de CPVC e sprinklers Como projetar redes com tubulações de CPVC e chuveiros automáticos

20
20

ENTREVISTA

Obras coordenadas Ana Cristina Chalita, da Cyrela, fala da importância da coordenação em obras complexas

32 ESTRUTURAS

Lajes ampliadas Projetistas apontam alcance de cada sistema para obter grandes vãos

SEÇÕES

 
 

Editorial

2

Web

6

 

Área Construída

8

44

COMPLEXO VIÁRIO REAL PARQUE

 

Índices

12

IPT Responde

14

Malha de estais Polêmica e monumental, mais nova obra-de-arte da capital paulista tem tabuleiros em curva estaiados

Carreira

16

Melhores Práticas

18

Técnica e Ambiente

28

P&T

64

 

Obra Aberta

70

54

PRÉ-FABRICADOS – ESPECIAL 60 ANOS

Agenda

74

Estruturas prontas Uma retrospectiva da história dos pré-moldados no País

Capa Layout: Lucia Lopes Foto: Naldo Mundim/Realmix Concreto

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EDITORIAL

O "X" da ponte

P oucos duvidam que o Complexo Viário Real Parque, uma das maiores obras viárias em execução na capital paulista, será

um novo marco urbano da cidade. Obra-de-arte rara no mundo, possui dois tabuleiros estaiados em curva, com 18 pares de estais ancorados em um enorme "X" de 138 m. Dá mostras claras do potencial da engenharia civil no País e do desejo da metrópole em ganhar um novo cartão-postal. Lança, entretanto, pelo menos duas polêmicas: por que a opção por uma ponte estaiada se haviam outras soluções econômicas e, ao mesmo tempo, viáveis sob o ponto de vista técnico? Por que investir tanto em uma obra que, numa rígida escala de prioridades, não ocuparia as primeiras posições em uma megalópole repleta de problemas como São Paulo? Projetistas entrevistados por Téchne garantem que soluções estaiadas são indicadas para vencer vãos superiores a 200 m – o rio Pinheiros ocupa pouco mais de 150 m naquele trecho. A segunda crítica refere-se à eficiência do ponto de vista da engenharia de tráfego. Por enquanto, a ponte deve aliviar a congestionada avenida dos Bandeirantes, principal via de escoamento para a Rodovia dos Imigrantes enquanto o trecho Sul do Rodoanel Mário Covas não fica pronto. De outro lado, os mais deR$ 230 milhões gastos na obra, dizem os críticos, seriam suficientes para construir ao menos 3 km de linha de Metrô. Eis aqui uma importante questão também tratada na revista Construção Mercado n o 80, de março/2008: até quando continuaremos míopes sem enxergar a premente necessidade de se investir em transporte coletivo em São Paulo? A cidade terá que travar (literalmente) para que se reconheça a falência do modelo voltado exclusivamente ao automóvel particular? A despeito de tais questões, cabe-nos destacar de forma enfática a capacidade dos projetistas e das construtoras brasileiras na execução de grandes obras como o Complexo Viário Real Parque. Mais um motivo de orgulho para a engenharia nacional.

Paulo Kiss

2

VEJA EM AU

orgulho para a engenharia nacional. Paulo Kiss 2 VEJA EM AU Museu do Pão, em Ilópolis,

Museu do Pão, em Ilópolis, RS – Brasil Arquitetura Hospital e Maternidade São Luiz – Anália Franco Zanettini Arquitetura Especial PINI 60 anos: drywall

VEJA EM CONSTRUÇÃO MERCADO

Especial PINI 60 anos: drywall VEJA EM CONSTRUÇÃO MERCADO Boom imobiliário x trânsito Pequenas construtoras

Boom imobiliário x trânsito Pequenas construtoras Bolha americana Estudo de viabilidade

TÉCHNE 132

|

MARÇO DE 2008

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´

techne

VVeennddaass ddee aassssiinnaattuurraass,, mmaannuuaaiiss ttééccnniiccooss,, TTCCPPOO ee aatteennddiimmeennttoo aaoo aassssiinnaannttee Segunda a sexta das 9h às 18h

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principais cidades*

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demais municípios

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EEnnggeennhhaarriiaa ee CCuussttooss fone (11) 2173-2373 e-mail: eennggeennhhaarriiaa@@ppiinnii ccoomm bbrr

RReepprriinnttss eeddiittoorriiaaiiss Para solicitar reimpressões de reportagens ou artigos publicados:

fone (11) 2173-2304 e-mail: ppuubblliicciiddaaddee@@ppiinnii ccoomm bbrr

PINIrevistas

RReeddaaççããoo fone (11) 2173-2303 fax (11) 2173-2327 e-mail: ccoonnssttrruuccaaoo@@ppiinnii ccoomm bbrr

PINImanuais técnicos

fone (11) 2173-2328 e-mail: mmaannuuaaiiss@@ppiinnii ccoomm bbrr

PINIsistemas

SSuuppoorrttee fone (11) 2173-2400 e-mail: ssuuppoorrttee@@ppiinniiwweebb ccoomm

VVeennddaass fone (11) 2173-2424 (Grande São Paulo) 0800-707-6055 (demais localidades) e-mail: vveennddaass@@ppiinniiwweebb ccoomm

PINIserviços de engenharia

fone (11) 2173-2369 e-mail: eennggeennhhaarriiaa@@ppiinnii ccoomm bbrr

Fundadores: Roberto L. Pini (1927-1966), Fausto Pini (1894-1967) e Sérgio Pini (1928-2003)

DDiirreettoorr GGeerraall

Ademir Pautasso Nunes

´

techne

DDiirreettoorr ddee RReeddaaççããoo

Eric Cozza eric@pini.com.br

EEddiittoorr:: Paulo Kiss paulokiss@pini.com.br EEddiittoorraa--aassssiisstteennttee:: Kelly Carvalho RReeppóórrtteerr:: Bruno Loturco; Renato Faria (produtor editorial) RReevviissoorraa:: Mariza Passos CCoooorrddeennaaddoorraa ddee aarrttee:: Lucia Lopes DDiiaaggrraammaaddoorreess:: Leticia Mantovani e Renato Billa IIlluussttrraaddoorr:: Sergio Colotto PPrroodduuttoorraa eeddiittoorriiaall:: Juliana Costa FFoottóóggrraaffoo:: Marcelo Scandaroli

CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo:: Caio Fábio A. Motta (in memoriam), Cláudio Mitidieri, Ercio Thomaz, Paulo Kiss, Eric Cozza e Luiz Carlos F. Oliveira CCoonnsseellhhoo EEddiittoorriiaall:: Carlos Alberto Tauil, Emílio R. E. Kallas, Fernando H. Aidar, Francisco A. de Vasconcellos Netto, Francisco Paulo Graziano, Günter Leitner, José Carlos de Figueiredo Ferraz (in memoriam), José Maria de Camargo Barros, Maurício Linn Bianchi, Osmar Mammini, Ubiraci Espinelli Lemes de Souza e Vera Conceição F. Hachich

EENNGGEENNHHAARRIIAA EE CCUUSSTTOOSS:: Bernardo Corrêa Neto PPrreeççooss ee FFoorrnneecceeddoorreess:: Juliana Cristina Teixeira AAuuddiittoorriiaa ddee PPrreeççooss:: Ariell Alves Santos e Anderson Vasconcelos Fernandes EEssppeecciiffiiccaaççõõeess ttééccnniiccaass:: Ana Carolina Ferreira ÍÍnnddiicceess ee CCuussttooss:: Andréia Cristina da Silva Barros CCoommppoossiiççõõeess ddee CCuussttooss:: Mônica de Oliveira Ferreira SSEERRVVIIÇÇOOSS DDEE EENNGGEENNHHAARRIIAA:: Celso Ragazzi, Luiz Freire de Carvalho e Mário Sérgio Pini PPUUBBLLIICCIIDDAADDEE:: Luiz Carlos F. de Oliveira, Adriano Andrade, Jane Elias e José Luiz Machado EExxeeccuuttiivvooss ddee ccoonnttaass:: Eduardo Yamashita, Bárbara Salomoni Monteiro, Danilo Alegre e Ricardo Coelho MMAARRKKEETTIINNGG:: Ricardo Massaro EEVVEENNTTOOSS:: Vitor Rodrigues VVEENNDDAASS:: José Carlos Perez RREELLAAÇÇÕÕEESS IINNSSTTIITTUUCCIIOONNAAIISS:: Mário S. Pini AADDMMIINNIISSTTRRAAÇÇÃÃOO EE FFIINNAANNÇÇAASS:: Durval Bezerra CCIIRRCCUULLAAÇÇÃÃOO:: José Roberto Pini SSIISSTTEEMMAASS:: José da Cruz Filho e Pedro Paulo Machado MMAANNUUAAIISS TTÉÉCCNNIICCOOSS EE CCUURRSSOOSS:: Eric Cozza

EENNDDEERREEÇÇOO EE TTEELLEEFFOONNEESS Rua Anhaia, 964 – CEP 01130-900 – São Paulo-SP – Brasil PPIINNII Publicidade, Engenharia, Administração e Redação – fone: (11) 2173-2300 PPIINNII Sistemas, suporte e portal Piniweb – fone: (11) 2173-2300 - fax: (11) 2173-2425 Visite nosso site: www.piniweb.com

RReepprreesseennttaanntteess ddaa PPuubblliicciiddaaddee::

PPaarraannáá//SSaannttaa CCaattaarriinnaa (48) 3241-1826/9111-5512 MMiinnaass GGeerraaiiss (31) 2535-7333 RRiioo GGrraannddee ddoo SSuull (51) 3333-2756 RRiioo ddee JJaanneeiirroo (21) 2247-0407/9656-8856 BBrraassíílliiaa (61) 3447-4400

RReepprreesseennttaanntteess ddee LLiivvrrooss ee AAssssiinnaattuurraass::

AAllaaggooaass (82) 3338-2290 AAmmaazzoonnaass (92) 3646-3113 BBaahhiiaa (71) 3341-2610 CCeeaarráá (85) 3478-1611 EEssppíírriittoo SSaannttoo (27) 3242-3531 MMaarraannhhããoo (98) 3088-0528 MMaattoo GGrroossssoo ddoo SSuull (67) 9951-5246 PPaarráá (91) 3246-5522 PPaarraaííbbaa (83) 3223-1105 PPeerrnnaammbbuuccoo (81) 3222-5757 PPiiaauuíí (86) 3223-5336 RRiioo ddee JJaanneeiirroo (21) 2265-7899 RRiioo GGrraannddee ddoo NNoorrttee (84) 3613-1222 RRiioo GGrraannddee ddoo SSuull (51) 3470-3060 SSããoo PPaauulloo Marília (14) 3417-3099 São José dos Campos (12) 3929-7739 Sorocaba (15) 9718-8337

ttéécchhnnee:: ISSN 0104-1053 Assinatura anual R$ 276,00 (12 exemplares) Assinatura bienal R$ 552,00 (24 exemplares)

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva do autor e não expressam, necessariamente, as opiniões da revista.

e não expressam, necessariamente, as opiniões da revista. PROIBIDA A REPRODUÇÃO E A TRANSCRIÇÃO PARCIAL OU

PROIBIDA A REPRODUÇÃO E A TRANSCRIÇÃO PARCIAL OU TOTAL TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

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Marcelo Scandaroli

www.revistatechne.com.br

Confira no site da Téchne fotos extras das obras, plantas e informações que complementam conteúdos publicados nesta edição ou estão relacionados aos temas acompanhados mensalmente pela revista

Ponte em debate

Veja desenhos do projeto básico, informações sobre o desenvolvimento executivo, fotos e outros detalhes da ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira. Única ponte no mundo com dois tabuleiros estaiados e curvos apoiados no mesmo mastro, essa obra- de-arte demandou soluções inéditas.

mastro, essa obra- de-arte demandou soluções inéditas. Divulgação Realmix Plataforma sustentável Conheça mais
Divulgação Realmix
Divulgação Realmix

Plataforma sustentável

Conheça mais sobre a Plataforma de Desenvolvimento Integrado Sustentável do PortalAmazônico e o projeto em desenvolvimento da Cordilheira Escalera, no Peru.A Plataforma nasceu como um programa de responsabilidade socioambiental e tem o apoio de mais de dez instituições públicas e privadas.

6

Concreto auto-adensável

Confira estudo comparativo entre a execução de lajes com concretos convencional e com auto-adensável. A pesquisa foi feita pela Engemix na obra Pateo São Paulo, da construtora BKO. Uma apresentação de fotos também mostra, passo a passo, a execução do reforço estrutural no prédio do Exército Brasileiro, em PortoAlegre.

Divulgação Concin
Divulgação Concin
reforço estrutural no prédio do Exército Brasileiro, em PortoAlegre. Divulgação Concin TÉCHNE 132 | MARÇO DE

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MARÇO DE 2008

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Wilson Dias/ABR

ÁREA CONSTRUÍDA

Ponte entre Brasil e Guiana Francesa pode sair em 2010

O

presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Francesa. Com 400 m de extensão, a

e

o presidente francês Nicolas Sar-

construção custará aproximadamen-

kozy lançaram em fevereiro a pedra fundamental para a construção de uma ponte sobre o rio Oiapoque, li- gando a margem sul, brasileira, à margem norte, localizada na Guiana

te R$ 36,8 milhões e tem previsão de inauguração para 2010. Segundo o presidente Lula, Nicolas Sarkozy afir- mou que deseja iniciar a construção da ponte ainda este ano. Uma comis- são intergovernamental se reunirá

este ano. Uma comis- são intergovernamental se reunirá neste primeiro semestre para validar os trabalhos técnicos

neste primeiro semestre para validar os trabalhos técnicos e dar início ao processo de licitação internacional que selecionará a empresa responsável pela obra. A intenção é que os gastos sejam divididos igualmente entre os dois países. Além da execução da ponte, a proposta conjunta prevê a construção

e melhoria das estradas que ligam as

capitais Macapá e Caiena. Atualmente,

o transporte de pessoas e mercadorias

é feito por barcos ou por avião.

Norma de guarda-corpos é revisada

Foi publicada em janeiro a nova edição da norma NBR 14718 – Guarda-corpos para Edificação. A norma especifica as condições míni- mas de resistência e segurança exi- gíveis para guarda-corpos de edifi- cações para uso privativo ou coleti- vo. O documento apresenta altera- ções significativas quanto às con- dições de projeto e desempenho em relação à sua versão anterior, de

2007. Entre as novidades, o novo texto aborda a altura mínima dos guarda-corpos nas situações em que há muretas. Também foi reestrutu- rada a metodologia de ensaios para avaliação do desempenho dos guar- da-corpos quanto aos esforços estáti-

cos horizontal e vertical e a resistência

a impactos. Houve modificações na

forma de aplicação das cargas, no seu valor e nas deformações admissíveis.

Concrete Show terá mais expositores

8

Prevista para ocorrer em agosto, no

Transamérica Expo, em São Paulo, a se- gunda edição do Concrete Show South América deverá receber, de acordo com

os organizadores,20% mais expositores

e visitantes que no ano passado. Para abrigar os mais de 200 estandes das em-

presas do segmento, o espaço ocupado pela feira aumentará para 17 mil m², 42% maior que a edição anterior.Os or- ganizadores acreditam que o número

de visitantes deva chegar a 12 mil, es- timulado pelo aquecimento do setor da construção brasileira.

USP desenvolve reciclados de maior valor agregado

Pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli- USP) conseguiram obter areia e brita do entulho de construção civil para a aplicação em concreto armado. O produto, segundo os pesquisadores, possui qualidades superiores às do agregado reciclado

e apresentará maior valor

comercial. Atualmente, as usinas de reciclagem de resíduos da

construção limitam-se a britar todo

o material do entulho (telhas,

tijolos, concreto, madeira, plástico)

e peneirá-lo conforme a

granulometria desejada.

O resultado é um produto de baixo

valor, usado como base para a preparação de terrenos e em pavimentação de ruas. Com a técnica desenvolvida na universidade, foi possível separar os agregados dos agentes

contaminantes, como a pasta de cimento aderida às rochas, por exemplo. Porosa, a mistura apresenta baixa resistência, inviabilizando a aplicação do agregado reciclado tradicional em concreto estrutural. A próxima etapa dos estudos levantará os custos do processo e o adaptará para a implantação em escala comercial. O projeto está sendo realizado conjuntamente por

pesquisadores dos departamentos de Engenharia de Minas e Petróleo

e de Engenharia Civil da Poli-USP,

pelo Centro de Tecnologia Mineral e

pela Universidade Federal de Alagoas. A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e o Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobrás) bancam a pesquisa.

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MARÇO DE 2008

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Odebrecht constrói rodovia no Panamá

A Construtora Norberto Odebrecht

está construindo uma rodovia que liga-

rá a cidade do Panamá, capital do país

situada no litoral do Pacífico, a Cólon,

no Mar do Caribe. A economia pana-

menha passa por um momento de grande crescimento, motivado pelo comércio na zona livre de Colón e pelo projeto de ampliação do Canal do

Panamá. A obra facilitará o transporte

de mercadorias entre as duas maiores

cidades do país. A nova rodovia terá 56 km de extensão – 42 km a serem cons- truídos e 14 km já existentes – e será uma alternativa à Rodovia Transístmi-

ca, de 80 km de extensão. Ambas têm

traçado paralelo ao Canal do Panamá.A equipe de 1.800 pessoas atua em cinco

frentes de trabalho e executará quatro pistas com pavimento de concreto, se- paradas por um sistema de drenagem central, além de cinco pontes e 17 via- dutos. "Um dos nossos principais desa- fios é entregar essa obra no prazo, e não temos dúvida de que isso será consegui- do", afirma André Rabello, diretor da Odebrecht no Panamá. Segundo o con- trato, a rodovia deve ser concluída em abril de 2009. No Panamá, a Odebrecht ainda participa das obras do projeto de irrigação Remigio Rojas e de um proje-

to de reurbanização na Baía do Panamá.

Divulgação Odebrecht
Divulgação Odebrecht
do projeto de irrigação Remigio Rojas e de um proje- to de reurbanização na Baía do

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Marcelo Scandaroli

area construida.qxd 5/3/2008 11:38 Page 10 Marcelo Scandaroli ÁREA CONSTRUÍDA Formulário facilita compra de concreto de

ÁREA

CONSTRUÍDA

Formulário facilita compra de concreto de acordo com norma

A Comunidade da Construção de

Campinas desenvolveu uma ficha para

facilitar a especificação do concreto a

ser adquirido junto às concreteiras. A

ferramenta, em uso há pouco mais de um ano, é preenchida em conjunto pelo calculista e pela construtora, que anotam informações básicas sobre o concreto, como classe de agressividade ambiental, resistência à compressão, módulo de elasticidade, abatimento e dimensão máxima dos agregados. Em posse desses dados, as fornecedoras de- finem as características do concreto que atenderá às condições exigidas. "Com isso,as construtoras deixaram de comprar concreto apenas pela resistên- cia", explica Guilherme Capovilla Mar-

chiori, engenheiro da regional São

Paulo da ABCP (Associação Brasileira

de Cimento Portland). Ele conta que a

Brasileira de Cimento Portland). Ele conta que a ferramenta foi elaborada depois da re- visão da

ferramenta foi elaborada depois da re- visão da norma NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto, não acompan- hada por construtores e projetistas. " A ficha passou a funcionar, então, como uma espécie de "gabarito" da nova norma. As fichas passaram a ser dis- tribuídas pelas concreteiras. Segundo dados de uma grande fornecedora na região de Campinas, em 2007 cerca de 60% das solicitações de orçamento

foram feitas por meio da ferramenta.

Intermediada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, foi realizada em fevereiro, em PortoAlegre, a primeira audiência pública regional para elaboração do Planseq (Plano Setorial de Qualificação) da Construção Civil. Os encontros servirão para discutir e levantar a necessidade de trabalhadores qualificados no setor, a fim de atender as obras do PAC (Plano deAceleração do Crescimento) da Construção Civil. Estima-se que a verba destinada às obras no Estado chegue a R$ 15 bilhões até 2010, gerando uma demanda por até 20 mil trabalhadores.A expectativa é formar trabalhadores de todo o País, dando prioridade às pessoas atendidas pelo programa Bolsa-Família, que atualmente conta com cerca de 11 milhões de famílias cadastradas.

RS organiza plano de qualificação de trabalhadores da Construção

com cerca de 11 milhões de famílias cadastradas. RS organiza plano de qualificação de trabalhadores da

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ÍNDICES
ÍNDICES
ÍNDICES

ÍNDICES

Vergalhão puxa índice

Apesar da alta, IPCE fecha fevereiro com percentual inferior à inflação

Índice PINI de Custos de Edificações (SP) Variação (%) em relação ao mesmo período do ano anterior

35

30

25

20

15

10

5

0

 

IPCE materiais

   
 

IPCE global

 
 

IPCE mão-de-obra

 

6,12

6

6

6

5

6

6

6

6

6

6

5,82

5,94

6

6

6

5

5,74

5

5

5

4

3

3

1

3

1

3

1

4

2

4

2

4

2

4

2

4,49

3,07

Jan/07

Mar

Mai

Jul

Set

Nov

Jan/08

Data-base: mar/86 dez/92 = 100

O índice global do IPCE (Índice PINI de Custos de Edificações)

encerrou o mês de fevereiro com alta

0,27%, percentual inferior à inflação de 0,53% apresentada pelo IGP-M (Ín- dice Geral de Preços do Mercado) da Fundação Getúlio Vargas.

A alta do IPCE foi impulsionada

pelo aumento da matéria-prima da barra de aço CA-50. Em fevereiro, o

custo do quilo do aço foi de R$ 3,11, reajuste de 3,5% em relação ao mês anterior, quando o insumo custava R$ 3/kg e já registrava alta de 1,74%.

O

aumento do cimento influencia

Mês e Ano

IPCE – São Paulo

 

pelo segundo mês consecutivo o preço dos blocos de concreto de vedação. Já insumos como fechadura completa e

 

gglloobbaall

mmaatteerriiaaiiss

mmããoo--ddee--oobbrraa

FFeevv//0077

111100

771166,,1188

5533

552255,,4422

5577

119900,,7766

mar

110.289,87

53.099,11

57.190,76

tubos de ferro fundido apresentaram alta devido ao repasse de fornecedores e fabricantes.

abr

110.315,81

53.125,06

57.190,76

mai

113.722,37

53.493,24

60.229,13

jun

113.900,14

53.671,02

60.229,13

O

tubo soldável de cobre (classe E)

jul

114.065,53

53.547,83

60.517,71

apresentou queda de 0,15% devido ao repasse dos fabricantes. Construir em São Paulo ficou em média 4,81% mais caro nos últimos 12 meses. No entanto, o percentual é qua- se a metade do registrado pelo IGP-M, que acumulou alta de 8,67% sobre o mesmo período.

ago

114.197,13

53.679,42

60.517,71

set

114.636,80

54.119,10

60.517,71

out

114.860,42

54.342,72

60.517,71

nov

115.225,62

54.707,92

60.517,71

dez

115.335,12

54.817,42

60.517,71

jan

115.733,11

55.215,41

60.517,71

FFeevv//0088

111166

004400,,0011

5555

552222,,3300

6600

551177,,7711

Variações % referente ao último mês

 
 

mês

0,27

0,56

0,00

acumulado no ano

0,61

1,29

0,00

acumulado em 12 meses

4,81

3,73

5,82

Metodologia: o Índice PINI de Custos de Edificações é composto a partir das variações dos preços de um lote básico de insumos. O índice é atualizado por pesquisa realizada em São Paulo. Período de coleta: a cada 30 dias com pesquisa na última semana do mês de referência.

Fonte: PINI

SSuuppoorrttee TTééccnniiccoo:: para tirar dúvidas ou solicitar nossos Serviços de Engenharia ligue para (11) 2173-2373 ou escreva para Editora PINI, rua Anhaia, 964, 01130-900, São Paulo (SP). Se preferir, envie e-mail:

economia@pini.com.br. Assinantes poderão consultar indíces e outros serviços no portal www.piniweb.com

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IPT RESPONDE
IPT RESPONDE

IPT RESPONDE

Envie sua pergunta para:

iptresponde@pini.com.br

Concreto aparente

Como manter e recuperar a superfície de peças aparentes de concreto? Basta aplicar hidrofugante regularmente?

providências cabíveis (pintura ou pro- teção anódica das armaduras,realcalini- zação do concreto, reparos com grautes

ErcioThomaz

Carlos Amadio

ou argamassas poliméricas etc.) Estan-

Belo Horizonte

do a superfície em bom estado, basta

No caso de intervenções realizadas com pequena periodicidade,em torno de três anos, por exemplo, as operações de ma- nutenção consistem normalmente em lavagem por hidrojateamento (even- tualmente com detergente neutro adi- cionado à água),leve lixamento e reapli- cação do hidrofugante. Na oportunida- de de cada manutenção deve ser pesqui- sada a presença de falhas, tais como fis- suras, lascamentos, desagregações, eflo- rescências,manchas de ferrugem ou ou- tras manchas na superfície do concreto. Em caso positivo devem ser tomadas as

um leve lixamento, "quebrando-se o brilho" do verniz ou do hidrofugante.Se a superfície do concreto estiver irregu- lar, com poros muito abertos e sinais de erosão superficial, pode-se regularizar com aplicação de "estucamento" consti- tuído por areia bem fina, cimento e eventualmente resina impermeável. Nesse caso, devem ser pesquisadas vá- rias dosagens e marcas de cimento,a fim de se obter o melhor possível cor e textu- ra idênticas às originais.

Cetac-IPT (Centro de Tecnologia doAmbiente Construído)

Fachada cortina

Há alguns anos fachadas cortinas inteiras ameaçaram se soltar por ter sido usado silicone sem capacidade de fixar o vidro à esquadria. Esse risco ainda existe? Devemos, além do silicone, fixar o vidro mecanicamente?

Antonio Sergio Guia Rio de Janeiro

Nos descolamentos ocorridos existem indicações de que desenvolveram-se reações químicas inesperadas entre o silicone estrutural e a pintura eletrostá- tica dos perfis de alumínio, que teriam provocado o enfraquecimento das liga-

Arquivo
Arquivo
Wanderley Bailoni
Wanderley Bailoni

ções e o conseqüente desprendimento de placas de vidro. Não se tem notícia da ocorrência desses descolamentos quando se tratava de alumínio anodi- zado convencional. Sendo assim, há necessidade de se pesquisar previa- mente a compatibilidade entre o silico- ne e a tinta que será empregada na pin- tura dos perfis de alumínio,prática que já tem sido adotada por empresas que comercializam o silicone estrutural no mercado brasileiro.

ErcioThomaz Cetac-IPT (Centro de Tecnologia doAmbiente Construído)

mercado brasileiro. ErcioThomaz Cetac-IPT (Centro de Tecnologia doAmbiente Construído) 14 TÉCHNE 132 | MARÇO DE 2008

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Marcelo Scandaroli

CARREIRA

Dácio Ottoni

Há três décadas arquiteto já aplicava conceitos de sustentabilidade em seus projetos

já aplicava conceitos de sustentabilidade em seus projetos PERFIL Nome: Dácio Araújo Benedicto Ottoni Idade: 72

PERFIL

Nome: Dácio Araújo Benedicto Ottoni Idade: 72 anos Graduação: arquitetura pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) em 1960 Especializações: em Arte e Arquitetura pelo Museu de Arte Contemporânea, em 1963; em Arquitetura e Urbanismo pela USP, entre 1964 e 1965, pela Universidade de Florença, na Itália, em 1967, e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, em 1969; doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela USP, em 1973, e especialização em Desenho de Arquitetura e Urbanismo pela Fundação para a Pesquisa Ambiental da USP, em 1985 Instituições nas quais trabalhou:

Horizonte Arquitetos, Ottoni Arquitetos Associados, FAU-USP e IAB-SP

1616

A opção por uma carreira ligada à construção civil foi natural para o

arquiteto Dácio Araújo Benedicto Otto- ni. Dentro de casa, influenciaram sua decisão os exemplos do pai, engenhei- ro civil construtor de ferrovias e dire- tor da Companhia Mogiana de Estra- das de Ferro, e do irmão mais velho, David Ottoni, que havia se formado arquiteto pela Escola Politécnica em 1950. O então adolescente, além de se interessar por História Geral, ainda gostava de desenhar. Coincidência ou não, ambientes construídos e jardins eram temas recorrentes em sua produ- ção nos exercícios realizados em sala de aula durante o colégio. Um profes- sor, ao notar o interesse de Ottoni, in-

centivou-o a cursar arquitetura. Ele aceitou a sugestão e ingressou no curso da Universidade de São Paulo em 1955.Freqüentava as aulas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da rua Ma- ranhão, na região central de São Paulo. Durante o curso, participava de grupos de estudos sobre obras produzidas por arquitetos notórios, como Frank Lloyd Wright. Em 1959, após o falecimento de Wright, organizou com o grupo uma grande exposição sobre as obras do ar- quiteto, apoiada e financiada pelo con- sulado norte-americano de São Paulo. Para Dácio Ottoni, "a arquitetura e a cidade são um espelho fiel da socie- dade que as produziu". E o arquiteto, ainda cursando a faculdade, identifica- ra o fenômeno pelo qual a sociedade brasileira passava à época da constru- ção de Brasília: "Um processo planeja-

do de industrialização e desenvolvi- mento que vinha tomando forma desde a década de 1930, com o fim da República do Café-com-Leite". Entusiasmado, o então estudante pegou um avião e foi visitar as obras de construção da futura capital brasileira. Em Brasília, circulou pelo enorme can- teiro, com caminhões e terra por todos os lados, mas deparou-se também com a ainda precária infra-estrutura de re- cepção aos visitantes da cidade. Depois da procura frustrada por algum aloja- mento, voltou ao aeroporto para agen- dar seu vôo de volta no mesmo dia. Ao explicar sua situação à balconista,foi in- terrompido por um homem que lhe in- dicou um hotel onde poderia ser aco- lhido e o convenceu a esticar a estadia. "Um estudante de arquitetura não pode deixar de conhecer melhor o que está ocorrendo aqui", disse-lhe. O homem era Osvaldo Maia Penido, chefe do Ga- binete Civil e um dos principais plane- jadores do governo Juscelino Kubits- chek.Meses depois,Ottoni voltaria à ci- dade com Rui Ohtake e Helvio Guatelli, que oferecera o transporte,um jipe em- prestado de seu irmão,no qual viajaram de Belo Horizonte a Brasília para acom- panhar a inauguração da nova capital. Depois de se formar, montou com os colegas de faculdade Artur Fajardo, Eduardo de Almeida, Henrique Pait e Ludovico Martino o escritório Hori- zonte Arquitetos, no qual trabalhou em projetos de arquitetura e artes grá- ficas.Em 1967 o grupo passou a desen- volver trabalhos com o arquiteto Sér-

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Dez questões para Dácio Ottoni

1 Obras marcantes das quais participou: Instituto de Geociências da Unicamp e seu Museu de História Natural, em 2000; edifício Birman 10, em 1989; Edifício Nova São Paulo, em 1984; centrais telefônicas da Telesp na década de 1980

2 Obras mais significativas da arquitetura brasileira: edifício do Ministério da Educação e da Saúde, edifício Copan, prédio da Faculdade deArquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo

3 Realização profissional: ter trabalhado, durante toda a vida profissional, um tema muito discutido atualmente: a sustentabilidade

4 Mestres: João BatistaVilanova Artigas, por conversas que mantinha conosco, que complementavam o que aprendíamos nas salas de aula, Eduardo Kneese de Melo, Roberto Cerqueira César, CarlosAlberto Cerqueira Lemos e Flávio Mota, entre outros

5 Por que escolheu ser arquiteto:

por causa de meu pai, engenheiro civil, e de meu irmão, arquiteto, por meu apreço por História Geral,

inclusive da arquitetura, e pelo prazer que tinha desenhando à mão livre

6 Perspectivas para seu campo de atuação: o arquiteto precisará fazer, cada vez mais, os ambientes internos e externos conversarem e conviverem de forma integrada

7 Um conselho ao jovem profissional: estar sempre atento à realidade que o circunda, ao contexto social, político e econômico, e exercer sua arquitetura fundamentado no seu posicionamento perante essa realidade

8 Principal avanço tecnológico recente: as estruturas metálicas em especial e em suas interligações com as estruturas em concreto armado, que possibilitam a criação de ricos espaços internos e externos integrados

9 Indicação de livro: "A História da Arquitetura Moderna" e "AArquitetura no Novo Milênio" de Leonardo Benévolo, "Registro de UmaVivência", de Lucio Costa e "Dispersão Urbana", coordenado por Nestor Guolart Reis, Nuno Portas e MartaTanaka

10 Um mal da Construção: ainda não dar adequada ênfase à questão da sustentabilidade

gio Bernardes. Tempos depois, passou a cuidar de negócios da família, em Minas Gerais, que exigiam constantes viagens. Antes que suas ausências cau- sassem problemas ao grupo, preferiu comunicar sua saída. Aproveitando a maior proximida- de com seu irmão, montou com ele o

escritório Ottoni Arquitetos Associa- dos em 1973. Juntos projetaram esco- las, residências, edifícios comerciais e residenciais, agências bancárias, cen- trais telefônicas e projetos de interio- res e paisagismo. O arquiteto frisa que em seus projetos sempre esteve pre- sente o conceito de continuidade entre

ambientes internos e externos, como a preocupação com ventilação natural e

conforto térmico no interior da cons- trução. "É gratificante saber que 30 anos atrás já nos preocupávamos com

o que hoje se denomina sustentabili-

dade dos edifícios", afirma. Dentre suas principais obras, o arquiteto des- taca os edifícios centrais da Telesp construídos na década de 1980, em que criou várias praças públicas e pôde aplicar a idéia de continuidade

entre o público e o privado. Merecem menção, também, os edifícios Nova São Paulo e Birman 10. "Nesses últi- mos, as fachadas foram projetadas para funcionar como um bloqueio contra a incidência direta de raios so-

lares sem prejudicar a visão do exte-

rior", explica. "Isso gerou uma grande redução da quantidade de ar condi- cionado utilizado nos prédios." Dácio Ottoni também é professor na faculdade em que se formou. Aposentou-se há três anos das aulas na graduação, mas continua atuando na

pós-graduação. Começou a dar aulas em 1962, dois anos após formar-se. Na época, já participava de um grupo de formação de futuros professores da FAU-USP, mas foi surpreendido ao ser convocado para substituir um profes- sor de História da Arquitetura. Sua formação foi complementada por su-

cessivos cursos no Brasil e no exterior, como a especialização em Arquitetura

e Urbanismo na Universidade de Flo-

rença, na Itália, cursada com bolsa de estudos concedida pelo governo italia- no, e pelo doutorado obtido na FAU em 1973. Em 1992 e 1993 Ottoni foi a Portugal como professor convidado da Faculdade de Arquitetura da Uni- versidade do Porto para situar o desen- volvimento da arquitetura e da evolu- ção urbana no Brasil.

Renato Faria

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Fotos: Marcelo Scandaroli

MELHORES PRÁTICAS
MELHORES PRÁTICAS

MELHORES PRÁTICAS

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Fechamento de valas em pavimento asfáltico

Recomposição deve seguir procedimentos específicos para preservar as características do pavimento

Preenchimento da abertura

O material de preenchimento deve

ter granulometria compatível com a base original para assegurar maior nível de compactação. Material mal graduado

gera instabilidade na camada de base

e avarias na capa asfáltica, como afundamento e fissuras.

e avarias na capa asfáltica, como afundamento e fissuras. Camada de base Observe que todos os

Camada de base

Observe que todos os espaços devem ser preenchidos para que não haja afundamento e posteriores fissuras.

A camada de base deve ter espessura

suficiente para impedir danos aos dutos

durante a compactação. Por isso, verifique antes a potência do compactador.

A compactação com placa vibratória é

indicada para solos granulares em áreas pequenas ou medianas. Já o compactador de percussão pode ser utilizado em áreas pequenas e solos coesivos, como a argila.

Corte das bordas

Em caso de vazamento nos dutos, todo o material avariado tem de ser retirado do interior da vala. A abertura deve ficar exposta durante algum tempo para a

secagem natural da água. Após a limpeza do local, as bordas da vala são cortadas e alinhadas para evitar fissuras na capa asfáltica existente e facilitar a compactação.

e alinhadas para evitar fissuras na capa asfáltica existente e facilitar a compactação. TÉCHNE 132 |
e alinhadas para evitar fissuras na capa asfáltica existente e facilitar a compactação. TÉCHNE 132 |
e alinhadas para evitar fissuras na capa asfáltica existente e facilitar a compactação. TÉCHNE 132 |

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melhores praticas 132.qxd 5/3/2008 11:46 Page 19 Limpeza e pintura impermeabilizante A pintura impermeabilizante com

Limpeza e pintura impermeabilizante

A pintura impermeabilizante com emulsão asfáltica deve ser executada quando a superfície da camada de base estiver livre de umidade e de partículas soltas. Esse procedimento evitará falta de aderência com a capa asfáltica.

Espalhamento do revestimento

com a capa asfáltica. Espalhamento do revestimento Deve ser executado gradualmente, em camadas de massa

Deve ser executado gradualmente, em camadas de massa asfáltica, de acordo com o projeto do pavimento e o tipo de equipamento. Falhas na compactação ou no material utilizado

no revestimento asfáltico facilitam a infiltração de água no subsolo, causando danos à base e o posterior rompimento do revestimento.

danos à base e o posterior rompimento do revestimento. Compactação No caso de compactação com placas

Compactação

No caso de compactação com placas vibratórias, a execução começa pelas bordas, nas junções entre revestimento novo e antigo. O número de passadas varia de acordo com a placa utilizada, a densidade e a temperatura da massa asfáltica. O rolo compactador vibratório deve ser utilizado em áreas maiores e apresenta mais rendimento se o sistema vibratório estiver desligado na primeira passada.

o sistema vibratório estiver desligado na primeira passada. Devido ao tempo demandado entre as etapas, as

Devido ao tempo demandado entre as etapas, as fotos foram realizadas em locais diferentes.

Colaboraram Marcia Aps e Patricia Barboza da Silva, engenheiras do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo)

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Marcelo Scandaroli

ENTREVISTA

Obras coordenadas

Para ganhar agilidade e melhorar atendimento aos clientes, construtoras põem coordenadores de projetos para trabalhar desde a concepção do produto até a finalização do empreendimento

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do produto até a finalização do empreendimento 2 0 U ma das principais diferenças,apon- tadas à
do produto até a finalização do empreendimento 2 0 U ma das principais diferenças,apon- tadas à

U ma das principais diferenças,apon- tadas à exaustão, da construção

civil para a indústria convencional, principalmente a automobilística, diz respeito à impossibilidade de fazer pro- tótipos, ensaios e testes nos produtos. O próprio caminho trilhado durante muito tempo pelo setor foi ilustrado por problemas com projetos, improvi- sos durante a execução e ausência de métodos, principalmente de sistemas. Já há algum tempo há esforços e inicia-

tivas que refletem a organização setorial

e que buscam mudar essa imagem, tor-

nando as construtoras mais produtivas

e competitivas.À imagem e semelhança

da indústria em série, os projetos ga- nham cada vez mais importância e tor- nam-se imprescindíveis para o planeja- mento e a definição de processos.Surge,

então,a necessidade de sofisticar a coor- denação e a compatibilização de proje- tos de diferentes especialidades,além de se tornar essencial garantir que o que foi planejado aconteça de fato. O profissio- nal coordenador de projetos passa, então, a participar do processo desde o momento da incorporação, para auxi- liar na definição técnica do produto. Os sistemas de desenvolvimento de proje- tos,como o BIM (Building Information Modeling), vêm para aumentar a agili- dade na percepção de interferências

durante a fase de concepção. Gerente de projetos de uma das maiores cons-

trutoras do País, Ana Cristina Chalita explica porque é estratégico cuidar da coordenação e inserir o ponto de vista técnico já na incorporação e no lança- mento do empreendimento.

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Qual a função de um coordenador de projetos?

É um profissional que define desde diretrizes técnicas do em- preendimento até o planejamento do desenvolvimento do projeto. Gerencia as equipes e coordena os trabalhos porque é importante que todos trabalhem ao mesmo tempo e no prazo adequado. Tam- bém faz a compatibilização dos projetos, analisando interferên- cias entre as diversas especialida- des. Na Cyrela focamos também os projetos para a produção, o "como" fazer os serviços.

Esse trabalho começa antes mesmo da obra?

Depois da compra do terreno a área de coordenação de projetos atua em conjunto com a incorporação na fase de desenvolvimento do produto. Fazemos toda a análise e desenvolvi- mento técnico dos projetos ainda em fase de licenciamento junto à prefei- tura, antes do lançamento.

Qual a diferença para o que acontecia no passado?

Nem todas as empresas são incorpora- doras e construtoras, como ocorre na Cyrela. Então era costume a incorpo- radora viabilizar o negócio e depois ir ao mercado buscar uma construtora. Ou seja, a equipe de engenharia, que ia construir depois, não participava da definição do produto. Hoje, com base na definição do padrão e do valor de comercialização, a coordenação de projetos sabe o que o empreendimen- to pode ter tecnicamente e contribui para que seja construído dentro do custo que viabilizou o negócio.

É uma atuação mais voltada ao produto, então?

Desenvolvemos estudos preliminares de todas as especialidades antes do lan- çamento. Antes recebíamos uma plan- ta aprovada da prefeitura e chamáva- mos os projetistas para trabalhar. No entanto, o cliente não era tão exigente e não se importava se, na entrega, tivesse um detalhe que não aparecia em plan-

ta. Hoje é um problema se qualquer material de divulgação tiver informa- ções diferentes do que for entregue. Por isso as construtoras e incorpora- doras têm uma preocupação maior de entregar um produto que seja fiel ao que foi apresentado ao cliente.

Que cuidados são tomados com o material de divulgação?

Verificamos a viabilidade da planta e do projeto do apartamento decorado e olhamos a maquete junto com a área de incorporação,avaliando as questões técnicas. Nosso foco é a garantia do custo e da fidelidade das informações.

Quanto tempo há para fazer tudo isso?

Normalmente há pouco tempo.O ideal seria ter seis meses, mas esse trabalho, que garante o custo e a técnica,tem que ser feito em três porque não pode atra- palhar a velocidade de lançamento. É uma arte contar com a participação dos projetistas nessa etapa,ainda mais num mercado aquecido como está. Embora

É uma arte contar com a participação dos projetistas nessa etapa,ainda mais num mercado aquecido como

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entrevista.qxd 5/3/2008 11:44 Page 22 ENTREVISTA o escopo seja o mesmo, é como se adiantássemos um

ENTREVISTA

o escopo seja o mesmo, é como se

adiantássemos um trabalho que só fa- zíamos depois do lançamento.

Os trabalhos de engenharia de produção começam depois?

Não totalmente. Para a concepção do projeto de vedações eu chamo tam- bém o projetista de fôrmas, por exem-

plo. Se ele conseguir visualizar alguma mudança que aumente a produtivida- de na execução da estrutura, é nessa hora que temos que mudar. Nessa fase

os profissionais atuam como consul-

tores, analisando e emitindo relatórios sobre o que pode ser mudado para au- mentar a produtividade.

É necessário fidelizar projetistas?

Nós fidelizamos porque uma caracte- rística da Cyrela é não fazer concor- rência de projeto. Há um patamar de valor que pagamos e para cada em- preendimento chamo o parceiro que acredito ter o perfil mais adequado. São pessoas em quem confiamos e que já conhecem nossos processos.

“Arquiteto ou engenheiro, o mais importante, além do conhecimento técnico, é ter uma formação de gerenciamento”

É inviável abrir concorrência?

Não,pois com o aquecimento do mer- cado temos que desenvolver novos fornecedores, ter outras opções. Mas não fazemos concorrência e fechamos pelo menor preço porque projeto é in- vestimento e está comprovado que ações tomadas na fase de projeto inter- ferem em até 80% no custo da obra. Os esforços de viabilidade,economia e produtividade em obra dependem da fase de projeto. É por isso que temos um departamento de coordenação in- terno na construtora.

O profissional de coordenação tem que estar consciente disso tudo. Que tipo de conhecimento ele tem que ter? Tem que ser um arquiteto?

Arquiteto ou engenheiro, o mais im- portante, além do conhecimento téc- nico, é ter uma formação de gerencia- mento. Não necessariamente uma pós-graduação em administração, mas habilidade com pessoas, para ne- gociar prazos e fazer uma equipe andar. Também tem que saber como a construtora constrói, dominar o processo construtivo. O diferencial vem exatamente por meio do domí- nio do processo construtivo, daí op- tamos por predominância de coorde- nação interna.

Além desse profissional já ser experiente, também tem que estar há algum tempo na empresa?

Antes do boom, a maioria dos nossos coordenadores tinha mais de seis anos de empresa. Há cerca de dois anos es- tamos num processo de formação de novos profissionais, com contratação

anos de empresa. Há cerca de dois anos es- tamos num processo de formação de novos

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de arquitetos recém-formados. Então

temos coordenadores sênior, pleno e júnior. Como não tem gente disponí- vel no mercado e o processo de acul- turação é difícil, temos que ser o ce-

leiro dos novos integrantes, inclusive

os mais experientes, pois há um tem-

po de maturação até dominar todo o processo da empresa.

Sob esse aspecto parece difícil contar com coordenação externa.

Em função de picos no volume e da urgência, há empreendimentos para os quais contratamos porque não podemos aumentar o departamento sempre. Nesses casos há uma docu- mentação com todas as diretrizes da empresa. Lógico que dá para fazer e sai um produto bom, mas não é a mesma coisa e alguém tem que acom- panhar a obra.

Quais as peculiaridades de cada tipo de coordenação?

A grande diferença é o domínio do

processo. O externo presta serviço

para várias construtoras e, embora conheça um pouco de cada uma, não chega ao nível de detalhe, de conheci- mento que o coordenador interno tem. Daí surgem dúvidas na hora de executar, aparecem soluções que não foram bem pensadas ou interferên- cias não percebidas e é preciso fazer adequações. Tem que haver um profissional para acompanhar e dar o feedback para não acontecer de novo. É por isso que acreditamos na coorde- nação interna.

Um coordenador externo nunca acompanha a obra?

Não é praxe, a maioria desses con- tratos termina na entrega do projeto, mas temos um empreendimento com coordenação e acompanhamento ex- ternos. Normalmente há um gap grande porque quando vai executar há dúvidas.

Pensando em racionalização e

redução de custos, já observou se há grandes mudanças?

Temos departamento com 16 pessoas. Manter esse pessoal todo registrado e com software atualizado não é tão ba- rato. Ainda assim, o resultado para o empreendimento, a relação entre custo e benefício é melhor com a coordenação interna.

E quanto aos custos de construção?

A idéia é fazer o projeto com nossa

cara, buscando racionalização. Ao de- senvolver o projeto executivo temos contato com quem constrói, com o engenheiro da obra e com a assistên-

cia técnica,todos dando retorno sobre

o que foi bom ou ruim. Se adotamos

uma solução que foi trabalhosa, bus- camos algo mais racional, prático e industrializado, principalmente por meio de projetos para produção.

O que são os projetos para

produção?

Estamos resgatando os conceitos de planejamento do processo construti- vo. Esses projetos são desenvolvidos em conjunto com os projetistas, a

conceitos de planejamento do processo construti- vo. Esses projetos são desenvolvidos em conjunto com os projetistas,

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entrevista.qxd 5/3/2008 11:44 Page 24 ENTREVISTA equipe de obra e com quem vai execu- tar, e

ENTREVISTA

equipe de obra e com quem vai execu- tar, e têm informações de planeja- mento, execução e as ferramentas de controle e apuração da produtivida- de. Contemplam desde como vai ser o canteiro, o transporte de materiais, a seqüência executiva. Racionaliza uma série de etapas, elimina transportes desnecessários. Garante que, do jeito que é construída a parede, além de não dar patologias, é a forma mais efi- caz de construir.

As equipes têm que estar em contato todo o tempo?

Têm que conversar com a incorpora- ção, com a obra, fazer visitas men- sais. Há protótipos para todos os ser- viços que fazemos. Ao fazer a estru- tura do primeiro pavimento, vão à obra o projetista e os coordenadores para analisar se demanda ajustes e re- troalimentar o projeto. Além disso, a pessoa vai todo mês à obra e roda com o engenheiro para ver se algo não está a contento ou se tem poten- cial de melhoria.

Ao terceirizar a coordenação e o acompanhamento o papel da construtora muda? Ela passa a ser uma desenvolvedora de processos?

Como acreditamos que o ganho está no domínio do processo construtivo, não é o objetivo terceirizar tudo por- que se perde qualidade. Temos uma sinergia grande com a área de desen- volvimento tecnológico da empresa, testando novas soluções. Esse conhe- cimento tecnológico reflete na área de projetos.

A construção está voltando a se aquecer agora. Durante esse tempo de crise houve menos investimento em coordenação e gestão?

Apenas algumas empresas têm depar- tamentos de projetos e coordenação. Eu trabalhava em outras áreas, mas a Cyrela já tem esse departamento há dez anos. Quando a área foi montada havia três pessoas no departamento. Hoje somos em 16 porque, diferente de em- presas que contratavam coordenação externa, mantivemos o investimento.A carência de profissionais provocada

24

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“Como acreditamos que o ganho está no domínio do processo construtivo, não é o objetivo terceirizar tudo porque se perde qualidade”

pelo boom não nos afetou porque for- mamos uma equipe interna.

Com obras sendo cada vez mais uma união de sistemas torna-se estratégico investir nisso?

Quanto mais complexo o empreendi- mento, mais é preciso investir em coordenação e compatibilização, na

integração de especialidades. Daí vem

o BIM (Building Information Mode-

lidade e prazo. Acredito que não con- seguimos reduzir o prazo porque, além de haver uma fase de adaptação, houve o aquecimento. Não ganhamos em prazo, mas em qualidade avança- mos surpreendentemente.

As ferramentas, como o BIM, estão disponíveis e são adequadas à realidade construtiva brasileira?

Ainda há problemas, como com bi- bliotecas totalmente diferentes, que têm que ser criadas para o novo siste- ma. Antes trabalhávamos com linhas e traços, agora temos um objeto e preci- samos simular uma construção no computador. Isso está mais avançado para a construção mais pesada, com muita interferência, como a Petrobrás. Ainda temos de fazer esse trabalho de desenvolvimento de biblioteca, de trei- namento de profissionais. Minha idéia era trabalhar isso no ano passado, já na

fase de prefeitura, mas não deu tempo.

ling), o projeto simultâneo. Tentamos nos espelhar na indústria automobi-

O

problema foi de familiaridade com

lística, mas ainda há o gap cultural.

o

sistema?

Há resistência para a modernização?

Estamos trabalhando há mais de dois anos para tentar fazer a aplicação do BIM, mas é uma questão de matura- ção nossa e dos projetistas porque muda a forma de tratar o assunto. Hoje coordenamos usando técnicas e conceitos de projeto integrado e de en- genharia simultânea, e temos conse- guido uma qualidade de projeto supe-

rior ao que se fazia. Não temos, ainda,

o trabalho em tempo real, com todos

acessando a informação ao mesmo tempo, mas o desenvolvimento de projetos não é mais seqüencial, onde o

arquiteto precisa terminar para o cal- culista começar.

Os projetistas sabem trabalhar dessa maneira?

Sabem, mas para tudo há um tempo de adaptação. Desenvolvemos alguns projetos assim no último ano e conse- guimos um ganho de qualidade muito grande, mas ainda não conse- guimos o ganho de prazo. A expecta- tiva é mudar a técnica ganhando qua-

Alguns profissionais que nos prestam serviço têm o software e já fizeram treinamento, mas não têm condições

de fazer um protótipo no prazo neces-

sário ao lançamento. Não tenho dúvi- das de que o caminho é esse, princi- palmente em empreendimentos com- plexos. Precisamos investir nisso e o setor tem que se organizar para pro- mover mudanças. O projeto integra- do é muito importante e não adianta, como acontece, o arquiteto utilizar uma plataforma e os outros continua-

rem nos programas de antes. É funda- mental todos utilizarem.

Há iniciativas setoriais?

O grupo de projetos do SindusCon-SP

(Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), do qual participo, conversou com as empresas fornecedoras dos sistemas para buscar soluções de implantação. Dissemos que, para viabilizar isso, precisaríamos de um incentivo deles para vender os produtos num valor mais acessível.

E quanto à utilização em

empreendimentos que não são

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MARÇO DE 2008

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complexos, como os voltados para a baixa renda?

de controle. No exterior, em vez de ter alguém medindo, a obra é escaneada

ram de empresas menores. Nessas construtoras quem normalmente faz a

Você concorda que o

Pode acontecer de algumas construto-

O

segredo é o domínio do processo.

para obter a posição física.

coordenação e dá as diretrizes técnicas

Se

uma construtora tem um processo

é o dono. Ou tem alguém treinado ou

construtivo redondinho, modela uma vez e repete para a baixa renda, que

nogramas e fases e fazer o acompa-

Os benefícios estão mais no

Isso está próximo de chegar ao Brasil?

contratado para orientar os coordena- dores externos. Outro aspecto a ser

normalmente são repetições de dois ou três tipos de produtos. Embora as instalações sejam simples, com me- nos interferências, o ganho vem ao usar o BIM na concepção. Ao desen- volver uma casa de 60 m 2 , tenho o processo todo modulado e posso si- mular o empreendimento de 1.200 casas. É o orçamento vivo para viabi- lizar o empreendimento, definir cro-

nhamento da obra.

acompanhamento do que no desenvolvimento do projeto?

Claro que estamos falando de univer- sidades americanas que têm verba para investir nisso e onde a indústria usa sistematicamente a universidade para desenvolver tecnologia. No Bra- sil faltam parcerias entre empresas e universidades, como aconteceu no passado, com o convênio Poli-Encol, por exemplo. Esse investimento dei- xou de existir durante um tempo no mercado como um todo e agora há demanda por tecnologia e inovação para as empresas se destacarem.

Não apenas o BIM, mas uma coordenação mais estruturada é para empresas de grande porte?

considerado refere-se ao papel do ar- quiteto. Na origem da função o arqui- teto tinha que dominar inclusive o processo construtivo. Agora, perce- bendo essa carência, estão oferecendo esses serviços.

aquecimento faz com que algumas empresas tratem a construção como commodity?

ras agirem assim, mas os empreendi- mentos têm que ser entregues. Uma coisa é lançar e vender, outra é entregar. Quando começar a entregar e ver o que está dando de problema,logo cai a ficha.

Quando o BIM estiver implantado o ideal será explorar a potencialidade, otimizando o projeto, simulando a construção no papel e usando como ferramenta de planejamento de obra e

Não necessariamente. O mercado sabe da importância da coordenação. Para aumentar o departamento, en- trevistei pessoas do mercado, que vie-

Quais os riscos dessa má prática para as edificações e para o mercado?

en- trevistei pessoas do mercado, que vie- Quais os riscos dessa má prática para as edificações

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entrevista.qxd 5/3/2008 11:44 Page 26 ENTREVISTA Sempre que há booms as empresas que deram passos errados

ENTREVISTA

Sempre que há booms as empresas que deram passos errados não sobre- vivem. Há risco de a edificação ter baixa habitabilidade, envelhecimento precoce das construções e aumento do prêmio patológico. E depois se vai entregar o que foi vendido.

Você diria que a prioridade atual é investir em processos de gestão e coordenação, deixando de lado novas tecnologias e sistemas construtivos?

Tudo anda junto, não dá para ser uma coisa em detrimento de outra. Nem sempre inovação tecnológica é fazer pré-moldado. Pode ser inovador mudar a forma de fazer alguma coisa para torná-la mais eficiente. É a ino- vação tecnológica incremental, em processos, que tem que estar junto com o projeto. Temos que buscar o todo, olhando as interferências.

Os projetistas têm visão global da obra?

Uma questão cultural muito im- portante que estamos conseguindo

mudar, embora seja difícil, é a forma de conceber o projeto, para que seja desenvolvido o melhor para o empreendimento e não para a especialidade. Os projetistas ti- nham uma visão fechada e pensa- vam no que é melhor para o seu projeto, não para o empreendi- mento. Hoje a arquitetura, por exemplo, está focada no uso, no desempenho. Não adianta inven- tar nada mirabolante, caro de exe- cutar ou sujeito a patologia. Não dá para fazer uma coisa em detri- mento da outra, é tudo junto.

A execução ainda é um gargalo?

Com o mercado aquecido há uma disponibilidade menor de mão-de- obra. É nessa hora que é necessário ter processos que otimizem a utili- zação de mão-de-obra. Então é bem-vindo tudo o que possa ser transformado, seguindo o exemplo da indústria automobilística, em sistemas de montagem. E tem que ser processos à prova de erro, por-

que mão-de-obra qualificada não se forma do dia para a noite.

A função do engenheiro de obras muda? Quais as novas habilidades que precisa ter?

Deve ser capaz de gerenciar equipes, buscar prazos e produtividade,além de identificar gargalos no que foi pensa- do.O fundamental,no entanto,é o do- mínio do processo construtivo pela engenharia.Ou seja,não é o empreitei-

ro que diz como vai executar, é o enge- nheiro que apresenta o planejamento junto com os projetos. Tivemos uma reunião sobre um projeto de fachada em que estavam presentes o coordena- dor e o engenheiro da obra para validar

o que já havia sido programado com o

executor da fachada. Quando começar

o serviço não será o empreiteiro que

definirá quantas pessoas vai colocar ou por onde recebe a massa. É um proces- so industrial que não admite decisões

em obra para não se correr o risco de aumentar prazos e custos.

Bruno Loturco

so industrial que não admite decisões em obra para não se correr o risco de aumentar

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TÉCNICA E AMBIENTE
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