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Módulo l – Parte 1

Concepções de Texto
Prof.ª Leiva de Figueiredo Viana Leal
Afinal, como conceituar TEXTO?
• A concepção de TEXTO ganha variações ao longo
do tempo, resultados de estudos teóricos que
envolvem a linguagem.
• É possível, apesar desse quadro, destacar
algumas tendências nos estudos linguísticos do
texto, sem que se consiga, contudo, delinear
uma cronologia absoluta do suceder de tais
tendências.
• “uma unidade linguística maior do que a frase”
(estudos transfrásicos)
• “qualquer “expressão” linguística que seja
superior a uma frase (desde que haja uma
integração entre as referidas frases); disposição
sentencial que traga algum sentido, um
entendimento.”
Exemplo 1
Poeminho do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
Mario Quintana , In: Caderno H, Mario Quintana: Poesia Completa,
Editora Nova Aguilar, p. 257.
https://www.pensador.com/frase/Mjk3NQ/
Exemplo 2

• Significado de Branco
Branco, adj. Alvo, claro; s.m espaço entre linhas
escritas, pessoa da raça branca; não escrito.
Bran.co
• Significado de Negro
Negro, adj. Que é da cor escura; preto; muito
escuro; sombrio; escurecido pelo tempo e pelo sol;
lúgubre; triste [superl..abs, sint.: negrísimo e
nigérimo]; s.m homem de raça negra; homem que
trabalha muito. [Aumente: negrão, negralhão,
negraço; dimin.: negrito, negrilho] ne.gro
Fonte: Dicionário de Bueno Silveira-Minidicionário de Língua Portuguesa
Exemplo 3
A peça é uma propaganda da concessionária Ago,
que convida os consumidores a fazerem um test
drive do modelo em suas lojas. O anúncio foi
criado pela agência de publicidade 11:21 e
publicado no jornal “ O Globo”, no dia 25/02/2015.
Exemplo 4

Brasil 2018: Precisa-se de humanos


“Quando nos referimos ao humano, não ficamos
apenas na ideia do homo sapiens (humano sábio) e da
humanidade como conjunto dos seres humanos.
Consideramos também a ótica da natureza, dos traços
diferentes que homens e mulheres tendem a
demonstrar, que incluem maneiras de pensar, sentir ou
agir, que formam virtudes e fraquezas.
Nesse sentido, referimo-nos ao humano, em nossa
vida coletiva, por suas virtudes, como sinônimo de
bondade, amor, piedade, coragem, respeito,
compreensão para com os outros, especialmente
aquelas de fora do círculo de convivência.
Assim dizemos que alguém “é muito humano” para
destacar a capacidade que ele tem de simpatia
pela realidade de outros, especialmente aqueles
em situação vulnerável e ser aberto a compreender
o que não é parte do seu jeito de ser.
Humanidade é o termo que também usamos para
o que é e deve ser cultivado neste sentido por
homens e mulheres.
Quando nos deparamos com situações que
mostram o oposto disto, ou seja, crueldade,
indiferença ao mal, violência dura e friamente
praticada, de forma física ou simbólica, usamos o
termo “desumano” ou “desumanidade”.
Entretanto, há ainda outra qualificação que podemos
atribuir àqueles homens e mulheres que vão além do
desumano, quando se mostram desprovidos de
sentimentos de respeito, consideração, amor,
generosidade, por meio de atitudes que revelam a
ausência da identidade humana. Chamamos esses2
homens e mulheres que não se apresentam como
humanos de “inumanos” ou revestidos de
“inumanidade”. Magali do Nascimento Cunha
Fonte:
https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/brasil-2018-precisa-se-de-humanos
• “Visto como dado do sistema abstrato da língua
que integra a primeira fase da história da
linguística textual, com a tendência de elaboração
de gramáticas textuais.”
• A expressão texto, segundo Halliday e Hasan
(1976, p.2), é usada nos domínios da Linguística
para referir-se a “qualquer passagem oral ou
escrita, tomada como uma unidade, não
importando a extensão” (1976, p.1) (perspectiva
semântica)
Módulo l – Parte 2

Concepções de Texto
Prof.ª Leiva de Figueiredo Viana Leal
Retomando as reflexões anteriores.
Nosso objetivo é, nesse momento, refletir sobre como
as concepções de texto foram se construindo ao longo
da história dos estudos sobre a linguagem.
Se, até então, o texto pode ser entendido como uma
frase ou um conjunto de sentenças, a partir do final da
década de 70 esses conceitos ganham novos sentidos.
” (…) texto ou discurso como ocorrência linguística
falada ou escrita, de qualquer extensão, dotada de
unidade sociocomunicativa, semântica e formal.” (Val,
1991:03)
“Dessa forma, o texto é “uma unidade de sentido, de
um contínuo comunicativo contextual que se
caracteriza por um conjunto de relações responsáveis
pela tessitura do texto” (FÁVERO; KOCH 1994, p. 25).”
• “Texto é unidade linguística comunicativa
fundamental, produto de uma atividade verbal
humana, que possui sempre caráter social, está
caracterizado por seu campo semântico e
comunicativo, assim por sua coerência profunda
e superficial, devida à intenção (comunicativa) do
falante criar um texto (...)(Bernárdez, 1982)
• “década de 1980, a compreensão de que as ações
em geral acompanham-se de processos de ordem
cognitiva motivou uma nova concepção de texto
como “resultado de processos mentais” (Koch,
2006, p. 21), isto é, o texto é resultado da ativação
pelos parceiros da comunicação de saberes
acumulados na memória (linguístico,
enciclopédico, cognitivos, sociointeracional etc.)
quanto aos diversos tipos de atividades da vida
social.”
• Dar ênfase ao conceito de que o texto é um
objeto de significação implica considerá-lo um
todo de sentido, dotado de uma organização
específica, diferente da frase. A semiótica dá
ênfase ao conceito de texto como objeto de
significação e, por conseguinte, preocupa-se
fundamentalmente em estudar os mecanismos
que engendram o texto, que o constituem como
uma totalidade de sentido.
“ tem por objeto de investigação todas as linguagens
possíveis, ou seja, examina os modos de constituição
de todo e qualquer fenômeno( verbal, visual e
sonora.) como o de produção de significação e de
sentido.”
“o texto, sob o viés enunciativo, é o discurso
resultante do ato individual de apropriação da língua
por um locutor, que, ao se declarar como sujeito,
implanta o outro diante de si” Benveniste (interesse
pelo processo)
“unidade complexa constituída de regularidades e
irregularidades cuja análise implica suas condições
de produção (contexto sócio-histórico-ideológico,
situação, interlocução), já que como objeto teórico
não apresenta uma unidade completa em si
mesma, pois o sentido do texto se constrói no
espaço discursivo dos interlocutores”
“o texto como fenômeno sociodiscursivo, “nas
condições concretas da vida dos textos na sua
inter-relação e interação” (BAKHTIN, 2003, p319).”
“aborda o texto como a realidade imediata para o
estudo do homem social e da sua linguagem, tendo
em vista que a constituição do homem social e da
sua linguagem, suas ideias e seus sentimentos
concretizam-se somente em forma de textos”
“o texto é o próprio lugar da interação e os
interlocutores, sujeitos ativos que – dialogicamente
– nele se constroem e por ele são construídos”

“ texto como resultado das condições de produção


discursiva, usados de forma consciente ou
inconsciente na produção do texto”
Referências
BAKHTIN, B.B. Os gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal. Trad. P. Bezerra.
São Paulo: Martins Fontes, 2003[1953-54]. p. 261- 306
BERNÁRDEZ, Enrique. Introdución a la lingüística del texto. Madrid: Espasa-Calpe, 1982.
FÁVERO, Leonor L.; KOCH, Ingedore G. V. Linguística textual:uma introdução.São Paulo:
Cortez, 1994.
HALLIDAY, M. A. K. & HASAN, Ruqaiya. Cohesion in English. Londres: Longman, 1976.
KOCH, Ingedore; TRAVAGLIA, Luiz C. Texto e coerência.São Paulo: Cortez, 1992.
MARCUSCHI, Luiz A. Linguística textual: o que é e como se faz. Recife, UFPE. Séries
DEBATES.V1, 1983.
VAL, M. G. Costa. Redação e textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 1991.