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ECONOMIA AÇUCAREIRA

1. UERN 2015 3. ENEM 2012


Apesar da ênfase dada ao açúcar, a economia colonial não Torna-se claro que quem descobriu a África no Brasil, muito
se esgotava nas plantações desse produto (...). Havia os antes dos europeus, foram os próprios africanos trazidos
pequenos produtores de alimentos que abasteciam os como escravos. E esta descoberta não se restringia apenas
engenhos e as cidades (...). Nunca, desde o inicio da ao reino linguístico, estendia-se também a outras áreas
instalação da agroindústria, houve a diminuição do volume culturais, inclusive à da religião. Há razões para pensar que
de açúcar produzido nas areas a eles destinadas. (...) As os africanos, quando misturados e transportados ao Brasil,
mais ricas regiões produtoras de açúcar da Bahia tinham não demoraram em perceber a existência entre si de elos
muitos braços para o trabalho. culturais mais profundos.
(Disponível em:
SLENES, R. Malungu, ngoma vem! África coberta e
http://pequenaantropoIoga.blogspotcombr/ZO'I1/07/fichamento-
descoberta do Brasil. Revista USP, n. 12, dez./jan./fev.
montagem-da-economiahtml.)
1991-92 (adaptado).
O texto se relaciona à economia colonial. Nesse contexto, o
Com base no texto, ao favorecer o contato de indivíduos de
plantation, utilizado não só na América Portuguesa, mas
diferentes partes da África, a experiência da escravidão no
também nas outras colônias americanas, foi caracterizado
Brasil tornou possível a
basicamente pelos seguintes elementos:
a. formação de uma identidade cultural afro-brasileira.
a. Policultura, importação, Iatifúndio e colonato.
b. superação de aspectos culturais africanos por antigas
b. Monocultura, balança comercial, parceria e escambo.
tradições europeias.
c. Monocultura, Iatifúndio, exportação e trabalho escravo.
c. reprodução de conflitos entre grupos étnicos africanos.
d. Policultura, minifúndio, subsistência e trabalho
d. manutenção das características culturais específicas de
compulsório.
cada etnia.
e. resistência à incorporação de elementos culturais
2. ENEM 2011 indígenas.
O açúcar e suas técnicas de produção foram levados a
Europa pelos árabes no século Vlll, durante a ldade Media,
4. UCS 2014
mas foi principalmente a partir das Cruzadas (séculos Xl e
Relacione as escravidões indígena e de origem africana
Xlll) que a sua procura foi aumentando. Nessa época passou
presentes no Brasil durante os períodos Colonial e Imperial,
a ser importado do Oriente Médio e produzido em pequena
apresentadas na COLUNA A, às características que as
escala no sul da ltália, mas continuou a ser um produto de
identificam, elencadas na COLUNA B.
luxo, extremamente caro, chegando a figurar nos dotes de
princesas casadoiras.
CAMPOS, R. Grandeza do Brasil no tempo de Antonil
(1681-1716). São Paulo: Atual, 1996.

Considerando o conceito do Antigo Sistema Colonial, o


açúcar foi o produto escolhido por Portugal para dar início a
colonização brasileira, em virtude de

a. o lucro obtido com o seu comércio ser muito vantajoso.


Assinale a alternativa que completa correta e
b. os árabes serem aliados históricos dos portugueses.
respectivamente os parênteses, de cima para baixo.
c. a mão de obra necessaria para o cultivo ser insuficiente.
d. as feitorias africanas facilitarem a comercialização desse a. 1-2-1-2
produto. b. 2-2-1-2
e. os nativos da America dominarem uma tecnica de cultivo c. 2-1-2-1
semelhante. d. 2-1-1-2
e. 1-2-1-1
Próximo se erguia a senzala, habitação dos escravos, os
quais, nos grandes engenhos, podiam alcançar algumas
5. FATEC 2003
centenas de 'peças'. Pouco além serpenteava o rio, traçando
As colônias eram uma das mais importantes fontes de
através da floresta uma via de comunicação vital. O rio e o
riquezas das quais as monarquias nacionais europeias
mar se mantiveram, no período colonial, como elementos
Iançavam mão para se consolidar como Estados fortes e
constantes de preferência para a escolha da situação da
centralizados. Sobre o Brasil-Colônia é correto afirmar:
grande lavoura. Ambos constituíam as artérias vivificantes:
a. na sociedade colonial brasileira, existiram relações feudais por meio delas o engenho fazia escoar suas safras de
de produção, especialmente na submissão das populações açúcar e, por elas, singravam os barcos que conduziam as
nativas. toras de madeira abatidas na floresta, que alimentavam as
b. entre as atividades voltadas para exportação estava a fornalhas do engenho, ou a variedade e a multiplicidade de
pecuária, que abastecia as diferentes regiões brasileiras e a gêneros e artigos manufaturados que o engenho adquiria
metrópole. alhures [...].
c. a administração colonial era descentralizada, cabendo às (Alice Canabrava apud Déa Ribeiro Fenelon (org). 50 textos
Câmaras Municipais governar o país. de história do BrasiI,'I 986.)
d. no séc. XVIII, a região das Minas Gerais iria sofrer um
Quanto à organização da vida e do trabalho no engenho
declínio populacional devido às restrições feitas por Portugal,
colonial, o texto
que temia perder o controle da lavra e da fundição do ouro.
e. com a cana-de-açúcar ocorreu efetivamente o processo a. destaca a ausência de quaisquer relações de trabalho e
de povoamento e de instalação da estrutura de amizade dos senhores com os seus escravos.
político-administrativa portuguesa, no Brasil. b. demonstra a distribuição espacial das construções e seu
papel no funcionamento e na lógica do poder dentro do
engenho.
6. FATEC
c. enfatiza a predominância do trabalho compulsório e os
A escravidão indígena adotada no início da colonização do
lucros obtidos na comercialização de escravos de origem
Brasil foi progressivamente abandonada e substituída pela
africana.
africana entre outros motivos, devido:
d. denuncia o descaso dos senhores de engenho com a
a. ao constante empenho do papado na defesa dos índios escolha da localização para a instalação do engenho.
contra os colonos. e. atesta a irracionalidade do posicionamento das
b. a bem-sucedida campanha dos jesuítas em favor dos edificações e os problemas logísticos trazidos pela falta de
índios. planejamento espacial.
c. à completa incapacidade dos índios para o trabalho.
d. aos grandes lucros proporcionados pelo tráfico negreiro
8.
aos capitais particulares e à Coroa.
Na opinião do historiador Caio Prado Jr., todo povo tem na
e. ao desejo manifestado pelos negros de emigrarem para o
sua evolução, vista a distância, um certo sentido. Este se
Brasil em busca de trabalho.
percebe, não nos pormenores de sua história, mas no
conjunto dos fatos e acontecimentos essenciais...
7.
Assinale a alternativa que corresponde ao "sentido" da
A casa-grande, residência do senhor de engenho, é uma
colonização portuguesa no Brasil.
vasta e sólida mansão térrea ou em sobrado; distingue-se
pelo seu estilo arquitetônico sóbrio, mas imponente, que a. A colonização se estabeleceu dentro dos padrões de
ainda hoje empresta majestade ã paisagem rural, nas velhas povoamento e expansão religiosa.
fazendas de açúcar que a preservaram. Constituía o centro b. A colonização foi um fato isolado, portanto, uma aventura
de irradiação de toda a atividade econômica e social da que não teve continuidade.
propriedade. A casa-grande completava-se com a capela, c. A colonização foi o resultado da expansão marítima dos
onde se realizavam os ofícios e as cerimônias religiosas [...]. países da Europa e, desde o início, constituiu-se numa
sociedade de europeus sem nenhuma miscigenação. Coroação do Rei do Congo em Santo Amaro, Bahia apud DEL PRIORE,
d. A colonização se realizou no "sentido" de uma vasta M. Festas e utopias no Brasil colonial. In: CATELLI JR., R. Um olhar
empresa comercial para fornecer ao mercado internacional sobre as festas populares brasileiras. São Paulo: Brasiliense, 1994
açúcar, tabaco, ouro, diamantes, algodão e outros produtos. (adaptado).
e. A colonização portuguesa teve, desde cedo, o objetivo de
Originária dos tempos coloniais, a festa da Coroação do Rei
criar um mercado nacional no Brasil.
do Congo evidencia um processo de

a. exclusão social.
9. ENEM 2012
b. imposição religiosa.
Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado porque
c. acomodação política.
padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo
d. supressão simbólica.
Senhor padeceu na sua cruz e em toda a sua paixão. A sua
e. ressignificação cultural.
cruz foi composta de dois madeiros, e a vossa em um
engenho é de três. Também ali não faltaram as canas,
porque duas vezes entraram na Paixão: uma vez servindo 11. FGV 2014
para o cetro de escárnio, e outra vez para a esponja em que Dos engenhos, uns se chamam reais, outros inferiores,
lhe deram o fel. A Paixão de Cristo parte foi de noite sem vulgarmente engenhocas. Os reais ganharam este apelido
dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as vossas por terem todas as partes de que se compõem e todas as
noites e os vossos dias. Cristo despido, e vós despidos; oficinas, perfeitas, cheias de grande número de escravos,
Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, com muitos canaviais próprios e outros obrigados à moenda;
e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, e principalmente por terem a realeza de moerem com agua,
as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a à diferença de outros, que moem com cavalos e bois e são
vossa imitação, que, se for acompanhada de paciência, menos providos e aparelhados; ou, pelo menos, com menor
também terá merecimento de martírio. perfeição e largueza, das oficinas necessárias e com pouco
número de escravos, para fazerem, como dizem, o engenho
VIEIRA, A. Sermões. Tomo XI. Porto: Lello & Irmão, 1951
moente e corrente.
(adaptado).
ANTONIL, André João. Cultura e opuléncia do Brasil. Belo
Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp. 1982, p. 69.

O trecho do sermão do Padre Antônio Vieira estabelece uma O texto oferece uma descrição dos engenhos no Brasil no
relação entre a Paixão de Cristo e início do século XVIII. A esse respeito é correto afirmar:

a. a atividade dos comerciantes de açúcar nos portos a. O engenho de açúcar foi a principal unidade econômica
brasileiros. do sertão nordestino durante o período colonial, permitindo a
b. a função dos mestres de açúcar durante a safra de cana. ocupação dos territórios situados entre o rio São Francisco e
c. o sofrimento dos jesuítas na conversão dos ameríndios. o rio Parnaíba.
d. o papel dos senhores na administração dos engenhos. b. A produção de açúcar no nordeste brasileiro colonial, em
e. o trabalho dos escravos na produção de açúcar. larga escala, foi possível graças à implantação do sistema
de fábrica e ao uso do vapor como força motriz nas
moendas.
10. ENEM 2013
c. Os engenhos da Bahia utilizavam, sobretudo, mão de obra
Seguiam-se vinte criados custosamente vestidos e montados
escrava africana, enquanto que nos engenhos
em soberbos cavalos; depois destes, marchava o
pernambucanos predominava o trabalho indígena.
Embaixador do Rei do Congo magnificamente ornado de
d. Os grandes engenhos desenvolviam todas as etapas de
seda azul para anunciar ao Senado que a vinda do Rei
produção do açúcar, do plantio, passando pela moagem, a
estava destinada para o dia dezesseis. Em resposta obteve
purga, a secagem e até a embalagem.
repetidas vivas do povo que concorreu alegre e admirado de
e. A produção de açúcar no sistema de "plantation" ficou
tanta grandeza.
restrita aos domínios lusitanos das Américas, durante a
época colonial, o que garantiu bons lucros aos produtores em entendê-la, porque, como outras manifestações
locais e aos comerciantes reinóis. religiosas do período colonial, ela

a. seguia os preceitos advindos da hierarquia católica


12. UFF romana.
"Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, b. demarcava a submissão do povo à autoridade constituída.
porque sem eles não é possível fazer, conservar e aumentar c. definia o pertencimento dos padres às camadas
fazenda, nem ter engenho corrente" populares.
(ANTONIL, 'Cultura e opulência do Brasil'. Belo Horizonte: d. afirmava um sentido comunitário de partilha da devoção.
Itatiaia, 1982, p. 89.) e. harmonizava as relações sociais entre escravos e
senhores.
Assinale a alternativa correta:

a. A escravização dos negros africanos permitiu que os


14. ENEM 2016
índios deixassem de ser escravizados durante o período
As convicções religiosas dos escravos eram entretanto
colonial.
colocadas a duras provas quando de sua chegada ao Novo
b. O trabalho manual era visto como degradante pelos
Mundo, onde eram batizados obrigatoriamente “para a
senhores brancos, e a escravidão, uma forma de lhes
salvação de sua alma” e deviam curvar-se às doutrinas
garantir uma vida honrada no continente americano.
religiosas de seus mestres. lemanjá, mãe de numerosos
c. Apesar dos vultosos lucros obtidos com o trafico, a
outros orixás, foi sincretizada com Nossa Senhora da
adoção da escravidão de africanos explica-se pela melhor
Conceição, e Nanã Buruku, a mais idosa das divindades das
adequação dos negros a rotina do trabalho colonial.
águas, foi comparada a Sant’Ana, mãe da Virgem Maria.
d. Extremamente difundida na Região Nordeste, a
escravidão teve um papel secundário e marginal na VERGER, P. Orixás: deuses iorubás na África e no Novo
exploração das minas de metais e pedras preciosas no Mundo. São Paulo: Corrupio, 1981.
interior do Brasil.
e. Diante das condições de vida dos escravos, os jesuítas
criticaram duramente a escravidão dos negros africanos, o O sincretismo religioso no Brasil colônia foi uma estratégia
que provocou diversos conflitos no período colonial. utilizada pelos negros escravizados para

a. compreender o papel do sagrado para a cultura europeia.


13. ENEM 2012 b. garantir a aceitação pelas comunidades dos convertidos.
Próximo da Igreja dedicada a São Gonçalo nos deparamos c. preservar as crenças e a sua relação com o sagrado.
com uma impressionante multidão que dançava ao som de d. integrar as distintas culturas no Novo Mundo.
suas violas. Tão logo viram o Vice-Rei, cercaram-no e o e. possibilitar a adoração de santos católicos.
obrigaram a dançar e pular, exercício violento e pouco
apropriado tanto para sua idade quanto posição. Tivemos
15. UPE 2011
nós mesmos que entrar na dança, por bem ou por mal, e não
Desde o século XVI, a escravidão foi uma instituição
deixou de ser interessante ver numa igreja padres, mulheres,
presente no processo de colonização portuguesa na
frades, cavalheiros e escravos a dançar e pular misturados,
América. A mão de obra escrava se constituiu como base da
e a gritar a plenos pulmões “Viva São Gonçalo do
produção econômica da América Portuguesa, sendo
Amarante”.
utilizada em diversas atividades lucrativas. Sobre a relação
Barbinais, Le Gentil. Noveau Voyage autour du monde. da escravidão com a sociedade colonial brasileira, é
Apud: TINHORÃO, J. R. As festas no Brasil Colonial. São CORRETO afirmar que
Paulo: Ed. 34, 2000 (adaptado).
a. a escravidão negra africana só ganhou impulso em
O viajante francês, ao descrever suas impressões sobre uma relação à sua utilização na economia brasileira, a partir do
festa ocorrida em Salvador, em 1717, demonstra dificuldade século XVIII, com a exploração aurífera.
b. a mão de obra escrava que predominava na produção de e. havia formas de discriminação religiosa que se
açúcar no nordeste colonial era a indígena, em especial a sobrepunham às formas de discriminação racial, sendo
dos povos tupi. estas, assim, pouco significativas.
c. o tráfico de escravos africanos era uma das principais
atividades rentáveis da coroa portuguesa desde o século
17. FUVEST 2012
XVI.
Os indígenas foram também utilizados em determinados
d. a escravidão indígena não foi utilizada em algumas
momentos, e sobretudo na fase inicial [da colonização do
regiões da colônia, como no caso da Capitania de São
Brasil]; nem se podia colocar problema nenhum de maior ou
Vicente.
melhor “aptidão” ao trabalho escravo (...). O que talvez tenha
e. não há evidências da utilização de escravos africanos na
importado é a rarefação demográfica dos aborígines, e as
produção pecuária, no sertão colonial.
dificuldades de seu apresamento, transporte, etc. Mas na
“preferência” pelo africano revela-se, mais uma vez, a
16. FUVEST 2014 engrenagem do sistema mercantilista de colonização; esta
Não há trabalho, nem gênero de vida no mundo mais se processa num sistema de relações tendentes a promover
parecido à cruz e à paixão de Cristo, que o vosso em um a acumulação primitiva de capitais na metrópole; ora, o
destes engenhos [...]. A paixão de Cristo parte foi de noite tráfico negreiro, isto é, o abastecimento das colônias com
sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as escravos, abria um novo e importante setor do comércio
vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e vós colonial, enquanto o apresamento dos indígenas era um
despidos; Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em negócio interno da colônia. Assim, os ganhos comerciais
tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as resultantes da preação dos aborígines mantinham-se na
prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de colônia, com os colonos empenhados nesse “gênero de
tudo isto se compõe a vossa imitação, que, se for vida”; a acumulação gerada no comércio de africanos,
acompanhada de paciência, também terá merecimento e entretanto, fluía para a metrópole; realizavam-na os
martírio[...]. De todos os mistérios da vida, morte e mercadores metropolitanos, engajados no abastecimento
ressurreição de Cristo, os que pertencem por condição aos dessa “mercadoria”. Esse talvez seja o segredo da melhor
pretos, e como por herança, são os mais dolorosos. “adaptação” do negro à lavoura ... escravista.
Paradoxalmente, é a partir do tráfico negreiro que se pode
P. Antônio Vieira, Sermão décimo quarto. In: I. Inácio & T. Lucca
entender a escravidão africana colonial, e não o contrário.
(orgs.).Documentos do Brasil colonial. São Paulo: Ática, 1993, p.73-75.
Fernando A. Novais. Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial.
São Paulo: Hucitec, 1979, p. 105. Adaptado.
A partir da leitura do texto acima, escrito pelo padre jesuíta
Antônio Vieira em 1633, pode-se afirmar, corretamente,
que, nas terras portuguesas da América, Nesse trecho, o autor afirma que, na América portuguesa,

a. a Igreja Católica defendia os escravos dos excessos a. os escravos indígenas eram de mais fácil obtenção do que
cometidos pelos seus senhores e os incitava a se revoltar. os de origem africana, e por isso a metrópole optou pelo uso
b. as formas de escravidão nos engenhos eram mais dos primeiros, já que eram mais produtivos e mais rentáveis.
brandas do que em outros setores econômicos, pois ali b. os escravos africanos aceitavam melhor o trabalho duro
vigorava uma ética religiosa inspirada na Bíblia. dos canaviais do que os indígenas, o que justificava o
c. a Igreja Católica apoiava, com a maioria de seus empenho de comerciantes metropolitanos em gastar mais
membros, a escravidão dos africanos, tratando, portanto, de para a obtenção, na África, daqueles trabalhadores.
justificá-la com base na Bíblia. c. o comércio negreiro só pôde prosperar porque alguns
d. clérigos, como P. Vieira, se mostravam indecisos quanto mercadores metropolitanos preocupavam-se com as
às atitudes que deveriam tomar em relação à escravidão condições de vida dos trabalhadores africanos, enquanto
negra, pois a própria Igreja se mantinha neutra na questão. que outros os consideravam uma “mercadoria”.
d. a rentabilidade propiciada pelo emprego da mão de obra Sobre a sociedade brasileira do período colonial, pode-se
indígena contribuiu decisivamente para que, a partir de certo afirmar corretamente que
momento, também escravos africanos fossem empregados
a. buscava afirmar valores nativistas contestando a
na lavoura, o que resultou em um lucrativo comércio de
exploração colonial.
pessoas.
b. era alicerçada em relações sociais que primavam por
e. o principal motivo da adoção da mão de obra de origem
igualdade e fraternidade
africana era o fato de que esta precisava ser transportada de
c. baseava-se em relações sociais de cunho escravista e
outro continente, o que implicava a abertura de um rentável
patriarcal.
comércio para a metrópole, que se articulava perfeitamente
d. procurou imprimir uma nova dinâmica social que em nada
às estruturas do sistema de colonização.
lembrava a metrópole colonizadora.

18. UFMG 1997


21. MILTON CAMPOS 2013
... Não castigar os excessos que eles [os escravos]
Leia o texto abaixo, que retrata o tráfico de escravos.
cometem seria culpa não leve, porém estes [senhores] hão
de averiguar antes, para não castigar inocentes, e se hão de
ouvir os delatados e, convencidos, castigar-se-ão com
"O espaço fechado e o calor do clima, a juntar ao número de
açoites moderados ou com os meterem em uma corrente de
pessoas que iam no barco, tão cheio que cada um de nós
ferro por algum tempo ou tronco. Castigar com ímpeto, com
mal tinha espaço para se virar, quase nos sufocavam. Essa
ânimo vingativo, por mão própria e com instrumentos
situação fazia-nos transpirar muito, e pouco depois o ar
terríveis e chegar talvez aos pobres com fogo ou lacre
ficava impróprio para respirar, com uma série de cheiros
ardente, ou marcá-los na cara, não seria para se sofrer
repugnantes, e atingia os escravos como uma doença, da
entre os bárbaros, muito menos entre os cristãos católicos.
qual muitos morriam."
ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil.1711. (Relato do escravo Olaudah Equiano. Apud ILIFFE, J. Os africanos. História
dum continente. Lisboa: Terramar, 1999. p.179.)

O texto acima, escrito por um padre jesuíta em 1711, pode


ser relacionado à
Pode-se afirmar que, durante a Idade Moderna, o tráfico de
a. associação entre a escravidão e a moral cristã. escravos
b. condenação dos castigos aplicados aos escravos.
a. foi praticado apenas pelos países ibéricos, que, após a
c. oposição do clero católico à escravidão.
obtenção do direito de asiento, passaram a fornecer mão de
d. regulamentação das relações entre senhores e escravos.
obra às plantações tropicais e às minas das Américas
e. defesa dos clérigos da colônia pelo fim da escravidão.
espanhola e anglo-saxã.
b. se tornou uma atividade extraordinariamente lucrativa, o
19. UNCISAL 2009 que possibilitou o processo de acumulação primitiva de
No Brasil colonial dos séculos XVI-XVII, a estrutura capitais em países europeus.
econômica apoiava-se no(a) c. ficou enfraquecido pela ação dos holandeses à época de
sua instalação em Pernambuco, o que provocou a revolta da
a. extrativismo, trabalho livre e pequenas propriedades.
população luso-brasileira, em meados do século XVII.
b. monocultura açucareira, escravidão e latifúndio.
d. se tornou alvo de disputas entre as várias congregações
c. cafeicultura, trabalho imigrante e latifúndio.
religiosas, que ora aceitavam o tráfico, ora proibiam a
d. mineração, escravidão e médias propriedades.
escravidão de africanos na América.
e. pecuária, trabalho livre e grandes propriedades.

22. FCMS-JF 2011


20. UECE 2015
A introdução da lavoura canavieira no nordeste brasileiro, vez que o custo dessa mão-de-obra tornou-se
remonta ao início do século XVI,visando formalizar o excessivamente oneroso.
chamado Antigo Sistema Colonial, que foi marcado por:

a. Utilização de mão-de-obra livre, como predominante, 24. PUC-RS 2012


ampliando inclusive o mercado consumidor para a metrópole A escravidão foi um dos grandes empecilhos para o
européia. desenvolvimento dos direitos civis no Brasil, pois negava a
b. Presença de uma sociedade com ampla mobilidade condição de humanidade para as pessoas consideradas
social, permitindo a formação de uma ampla classe média escravas. Em 1888, finalmente, a escravidão foi abolida no
urbana. país.
c. Introdução de escravos africanos, através do tráfico
É correto afirmar que a abolição da escravidão está
negreiro, que formavam a camada social responsável pela
associada
maioria da produção agrária no sistema.
d. Monopólio português intenso, desde a produção, a. à oposição da Inglaterra às leis de miscigenação no Brasil.
distribuição e refino do açúcar. b. à extinção do latifúndio no país.
c. ao apogeu da economia do ouro em Minas Gerais.
d. à proibição do tráfico negreiro, com a Lei Eusébio de
23. UEG 2003
Queirós.
O fim do tráfico negreiro no Brasil, em 1850, representou
e. à abundância de mão-de-obra assalariada no Brasil.
uma profunda mudança na economia brasileira, uma vez que
impedia o desenvolvimento de um negócio que movimentava
uma enorme soma de capitais. 25. UNICENTRO 2005
Sobre a sociedade colonial brasileira, é correto afirmar:
Acerca dessa conjuntura política e econômica, é CORRETO
afirmar que a. A distinção jurídica entre escravos e livres foi meramente
formal, pois assegurou aos trabalhadores escravos
a. o fim do tráfico está diretamente relacionado com o
os direitos de pessoa e propriedade.
pouco rendimento do trabalho escravo nas lavouras de café,
b. Os senhores de engenhos formaram um grupo
em contraposição ao trabalho do imigrante europeu que
homogêneo, que desconheceu hierarquias e diferenças
gradualmente era experimentado nas lavouras.
de riqueza e status no seu interior.
b. o fim do tráfico respondia a um imperativo ético
c. Apesar de existirem outros grupos e atividades
assumido pelas elites brasileiras, pois a criação do Estado
econômicas na América Portuguesa, o engenho e o
Nacional exigiu um amplo apoio popular, baseado na
escravismo
perspectiva de que o movimento de independência seria
desempenharam papel relevante na definição e conformação
portador de uma liberdade extensiva aos escravos.
da sociedade colonial.
c. o fim do tráfico de escravos era um objetivo primordial da
d. A Igreja e os colonos partilharam de uma mesma atitude
política externa inglesa e foi imposto como condição para
em relação ao indígena, isto é, escravizar para dominar.
que se desse o reconhecimento da independência do Brasil
e. Imobilidade, concentração e estabilidade das populações
pela principal potência da época, a Inglaterra. As pressões
são características que configuraram a sociedade colonial
inglesas alcançaram êxito em 1850 com a Lei Eusébio de
brasileira.
Queirós.
d. os capitais aplicados no tráfico de escravos foram
dirigidos para o mercado africano e asiático, enquanto o 26. UFG 2009
Brasil sofreu um processo de estagnação e de crise A partir de 1850, houve um decréscimo significativo na
econômica. importação de escravos no Brasil. Essa situação está
e. ao fim do tráfico seguiu-se a imediata diminuição da relacionada
importância do escravo. A crise econômica impulsionou a
a. à permanência do tratado de 1810, renovado em 1826,
concessão de alforrias aos escravos pelos proprietários, uma
reafirmando o compromisso do Brasil em abolir o tráfico
negreiro. sociedade permeável e relativamente democrática.
b. ao início das campanhas abolicionistas, pressionando d. O escravo africano, cujo trabalho foi essencial na
pela promulgação de leis que libertassem os escravos colonização do Brasil, gerava lucros também como
menores de 18 anos. mercadoria, desde a negociação na África.
c. às sanções políticas da Inglaterra contrárias ao tráfico de
escravos, obrigando à promulgação da Lei Eusébio de
28. UNIMONTES 2012
Queiroz.
A Lei Euzébio de Queiroz (1850) contribuiu para um surto
d. à decretação da tarifa Alves Branco, que aumentava as
industrial, ainda que incipiciente, no Brasil, porque
taxas entre 30% e 60%, ocasionando dificuldades para
importação. a. os capitais antes destinados à compra de mão de obra
e. aos desdobramentos da Guerra do Paraguai, que africana foram redirecionados para aplicações no setor
trouxeram desgastes políticos à Monarquia, abalando a industrial.
manutenção da ordem escravista. b. os capitais destinados ao setor agrícola foram desviados
para setor de serviços e atividades científicas.
c. as economias auríferas, provenientes da exploração de
27. UNB 2014
minérios, foram aplicadas na aquisição de mão de obra.
Estima-se que, entre 1701 e 1800, desembarcaram nas
d. os investidores no setor cafeeiro optaram por empregar
Américas 6.400.000 escravos africanos, dos quais 35%
seus capitais em atividades extrativistas.
foram para as terras lusas. O dinamismo da economia
escravista mercantil, capaz de unir, pelo Atlântico, áreas tão
distantes como o sertão de Cuiabá (Mato Grosso, Brasil) e 29. UFU 1999
Massangano (Angola), de viabilizar a mobilidade social que Ao longo da segunda metade do século XIX, o Brasil passou
transformava comerciantes reinóis em negociantes de por profundas transformações que afetaram, de forma geral,
grosso trato e pretos cabindas em forros pardos, ocorreu no a economia e a organização social e política do país.
âmbito do Antigo Regime católico. Nessa economia
Sobre esse período, é correto afirmar que
escravista, a produção estava voltada para o mercado
(açúcar, metais preciosos etc.) e parte de seus insumos era a. o fluxo de imigrantes para o Brasil, sobretudo de italianos,
composta por mercadorias, a começar pela própria mão de contribuiu para retardar o início das atividades industriais, já
obra nos portos da Guiné e de Angola, entre outros da costa que eram trabalhadores rurais que não formavam um
africana. mercado consumidor.
b. a partir de 1850, com o fim do tráfico negreiro, o problema
João Fragoso e Roberto Guedes. Apresentação. In: João Fragoso e Maria de
da falta de mão-de-obra para as lavouras cafeeiras foi
Fátima Gouvêa (Orgs.). O Brasil colonial (v. 3). Rio de Janeiro: Civilização
solucionado provisoriamente com o tráfico interno de
Brasileira, 2014, p. 9-10 (com adaptações).
escravos e a vinda de imigrantes estrangeiros.
c. o desenvolvimento econômico, iniciado nas regiões
produtoras de café, impulsionou a recuperação econômica
do Nordeste, através de investimentos na indústria
Assinale a opção correta a respeito do quadro econômico açucareira.
colonial brasileiro. d. o êxito do sistema de parceria, adotado a partir de 1847,
estimulou a imigração européia para o Brasil. Com esse
a. A economia colonial brasileira estava organizada para o
sistema, o imigrante podia se tornar, rapidamente, um
mercado externo, razão pela qual praticamente inexistia
pequeno proprietário.
consumo interno.
e. a adoção do trabalho assalariado, estimulada pela
b. A extração do pau-brasil deu início efetivo à colonização,
imigração, ficou restrita às atividades urbanas. A relação de
ao fixar os portugueses em terras americanas.
trabalho no âmbito rural continuou servil, até a abolição da
c. A agroindústria açucareira, especialmente concentrada na
escravidão.
Zona da Mata nordestina, desenvolveu-se em uma
30. UNCISAL 2015
Durante mais de três séculos, o tráfico negreiro constituiu
uma das molas fundamentais do capitalismo mercantil,
fornecendo a mão de obra necessária às plantações do
Novo Mundo e representando em si uma forma importante
de acumulação de capital. A fazer fé em estimativas
recentes, de 1500 a 1800 foram exportados de África para
as Américas cerca de 8,3 milhões de escravos. O ponto mais
alto deste comércio corresponde ao século XVIII, com quase
três quartos do total (6,1 milhões). Portugal foi um dos
maiores beneficiados e por sua vez mais resistente ao fim
desse comércio.

ALEXANDRE, Valentim. Portugal e a abolição do tráfico de escravos


(1834-51). Análise Social, Lisboa, v. XXVI, n.2, p. 293-333, 1991. (adaptado)

A resistência de Portugal em acabar com o tráfico de


africanos para escravizar se apoiava no fato de que

a. essa atividade rendia mais lucro que a exploração de


algumas riquezas naturais em suas colônias.
b. seu fim representaria um impacto muito grande nas
exportações brasileiras de mão de obra.
c. a sua marinha não possuía nenhuma autoridade sobre as
embarcações que faziam o tráfico.
d. qualquer atitude nesse sentido iria contrariar os interesses
do seu maior aliado, a Inglaterra.
e. sua economia dependia das relações com países que
defendiam o tráfico negreiro.

GABARITO: 1) c, 2) a, 3) a, 4) a, 5) e, 6) d, 7) b, 8) d, 9) e,
10) e, 11) d, 12) b, 13) d, 14) c, 15) c, 16) c, 17) e, 18) a, 19)
b, 20) c, 21) b, 22) c, 23) c, 24) d, 25) c, 26) c, 27) d, 28) a,
29) b, 30) a,

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