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2021

FORMADORA: INÊS MENDES

25 horas

Manual

UFCD - 10648 - ATO EDUCATIVO - CONTEXTO E


INTERVENIENTES
X

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UFCD: 10648 / ATO EDUCATIVO: CONTEXTO E INTERVENIENTES

Índice

Objetivos e conteúdos ................................................................................................................................................................. 3

Conceito de educação - Destinatários ................................................................................................................................... 5

Valor da educação .......................................................................................................................................................................... 8

Contextos de atendimento à criança/jovem .................................................................................................................... 10

No estabelecimento escolar .................................................................................................................................................... 10

No domicílio .................................................................................................................................................................................. 12

Em instituições de acolhimento ............................................................................................................................................ 15

No hospital ..................................................................................................................................................................................... 18

No centro de atividades de ocupação de tempos livres .............................................................................................. 20

Nas atividades de ocupação de tempos livres ................................................................................................................. 21

Principais agentes educativos ................................................................................................................................................ 23

Criança ............................................................................................................................................................................................. 25

Família ............................................................................................................................................................................................. 26

Representantes legais ............................................................................................................................................................... 27

Comunidade .................................................................................................................................................................................. 28

Educadores .................................................................................................................................................................................... 30

Papel do educador como agente educativo e seu perfil psicopedagógico ........................................................... 34

Interação estabelecimento escolar/instituições de apoio/ família-comunidade............................................. 36

Bibliografia e netgrafia ............................................................................................................................................................. 38


UFCD: 10648 / ATO EDUCATIVO: CONTEXTO E INTERVENIENTES

Objetivo Geral
• Definir o conceito de ato educativo.
• Identificar os destinatários do ato educativo.
• Reconhecer o valor da educação.
• Explicar a importância da interação estabelecimento de educação, instituições de apoio, família e
comunidade.
• Identificar o perfil e o papel do educador como agente educativo.

Objetivos Específicos
• O formando deve ser capaz de identificar, sem recurso ao manual de apoio em 10 minutos, o
conceito de educação;
• O formando deve ser capaz de identificar, sem recurso ao manual de apoio em 10 minutos, os
contextos de atendimento à criança/jovem;
• O formando deve ser capaz de identificar, sem recurso ao manual de apoio em 10 minutos, os
principais agentes educativos;
• O formando deve ser capaz de identificar, sem recurso ao manual de apoio em 10 minutos, Papel do
educador como agente educativo e seu perfil psicopedagógico.

Conteúdos Programáticos
• Conceito de educação
• Destinatários
• Valor da educação
• Contextos de atendimento à criança/jovem
o No estabelecimento escolar
o No domicílio
o Em instituições de acolhimento
o No hospital
o No centro de atividades de ocupação de tempos livres
o Nas atividades de ocupação de tempos livres
• Principais agentes educativos
o Criança
o Família
o Representantes legais
o Comunidade
o Educadores
• Papel do educador como agente educativo e seu perfil psicopedagógico
• Interação estabelecimento escolar/instituições de apoio/ família-comunidade
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Conceito de educação - Destinatários


A educação pode ser definida como sendo o processo de socialização dos indivíduos. Ao receber
educação, a pessoa assimila e adquire conhecimentos. A educação também envolve uma
sensibilização cultural e de comportamento, onde as novas gerações adquirem as formas de se
estar na vida das gerações anteriores.

O processo educativo é materializado numa série de habilidades e valores, que ocasionam


mudanças intelectuais, emocionais e sociais no indivíduo. De acordo com o grau de sensibilização
alcançado, esses valores podem durar toda a vida ou apenas durante um determinado período de
tempo.
A educação pode ser vista como um verdadeiro sistema, já que ela abrange alguns procedimentos e
também ferramentas. Ou seja, ela não funciona sozinha.
Por exemplo: a educação escolar ou universitária faz uso de livros para que os alunos adquiram
conhecimento com auxílio deles e do professor que ministra as aulas.
Educação física, educação ambiental, educação visual e vários outros tipos partem do conceito de
ensinar e aprender que é a educação em si.
No caso das crianças, a educação visa fomentar o processo de estruturação do pensamento e das
formas de expressão. Contribui para o processo de maturidade sensório-motor e estimula a
integração e o convívio em grupo.
A educação formal ou escolar, por sua vez, consiste na apresentação sistemática de ideias, factos e
técnicas aos alunos. Uma pessoa exerce uma influência ordenada e voluntária sobre outra com a
intenção de a formar. Assim, o sistema escolar é a forma pela qual uma sociedade transmite e
preserva a sua existência coletiva entre as novas gerações.
Por outro lado, convém salientar que a sociedade moderna atribui grande importância ao conceito
de educação permanente ou contínua, que defende que o processo educativo não se limita à
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meramente à infância e à juventude, já que o ser humano deve adquirir conhecimentos ao longo de
toda a sua a vida.
No campo da educação, outro aspeto fundamental é a avaliação, que apresenta os resultados do
processo de ensino e de aprendizagem. A avaliação ajuda a melhorar a educação e, de certa
forma, nunca tem fim, pois cada atividade realizada por um indivíduo é submetida a uma análise para
determinar se alcançou ou não os objetivos pretendidos.

Uma pessoa é vista pelos demais como alguém educada quando ela possui um amplo conhecimento
em alguma área da ciência, por exemplo. E, ainda, pessoas que possuam uma formação superior como
doutoramento, por exemplo, são vistas como sendo as mais educadas pelas demais pessoas.
Muitos relacionam educação com conhecimento, julgando se tratarem de sinónimos. No entanto
não é bem assim. Podemos afirmar que a educação trata-se de um tipo de conhecimento, porém
não podemos afirmar que o conhecimento é um tipo de educação.
Tendo como exemplo a citação anterior sobre alguém que possui conhecimento ter educação, uma
pessoa que possui conhecimento sobre drogas sintéticas não pode ser considerada alguém que
possua educação.
O mesmo não acontece com alguém que tenha conhecimento em astronomia, por exemplo, qual é
conhecido como alguém que tem educação.
Conhecimento é essencial para qualquer área, atividade ou ação, enquanto o conhecimento pode
ser visto como algo mais relacionado, de alguma forma, com a formação moral do indivíduo.
Com tudo o que fora visto até aqui, podemos concluir que a educação também está ligada a
socialização, tendo em vista que a formação moral existe por causa do ato de se socializar.
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Valor da educação
A educação vai muito além do que se pode e deve aprender na escola. Em casa, a educação não
se resume ao acompanhamento do desempenho escolar. Às famílias pede-se que eduquem através
do exemplo, que não se deve resumir à forma com que se entregam ao seu emprego.
A educação, no seu sentido mais nobre e verdadeiro, não tem relação alguma com ter ou não um
curso superior. Mais do que conhecer os valores, ser bem-educado é ser valioso.
O problema hoje passa por uma sociedade em que as pessoas apostam quase todo o seu tempo e as
suas forças a trabalhar, a fim de conseguirem alcançar o dinheiro de que precisam para viver aquilo
que julgam ser uma boa vida.
Mas será que o consumismo, que nos seduz a cada dia, não exige que nos convençamos de que
precisamos de muito mais do que é, na verdade, suficiente? Há muita gente que até seria mais feliz se
tivesse menos!
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Há um limiar mínimo de rendimento abaixo do qual a vida perde a sua dignidade. Mas acima dele, a
infelicidade já depende mais das escolhas do que do dinheiro existente.
Será que as crianças que passam os dias a ver os seus pais a apostar tudo nas carreiras, como se
isso fosse o mais importante, aprendem a ser felizes? Afinal, o que é mais importante? O trabalho ou a
família? A escola ou a família?
Até há quem chegue, cego do seu papel, a culpar a escola pela má-educação dos filhos!
Será que os adultos que se demitem de educar, julgando que isso é uma obrigação das escolas,
acreditam que a felicidade dos filhos só depende do seu rendimento escolar?
A nossa sociedade não é justa, na medida em que nem sequer premeia os que são melhores. Por que
razão continuamos a acreditar que sim? E ensinar aos nossos filhos que sim?
Quantos de nós julgam que o desemprego é um justo pântano para inúteis? Ameaçamos os nossos
filhos com a infelicidade suprema que é a dos outros nos desprezarem… como se as multidões não
estivessem quase sempre erradas! Chegamos mesmo a acreditar que os nossos filhos nos valorizam
em função do trabalho e do salário de que somos capazes!

A educação que mais importa não é a da formação cultural, é a boa educação. De que importa ter
um curso universitário para se ser simples e puro? Nada. Há analfabetos que são heróis e doutorados
que são vilões. A sabedoria consiste, muitas vezes, em libertar-se das coisas que não têm significado
nenhum!
Aos pais cabe cuidar e educar através das regras, dos exemplos, do tempo e da atenção que
dedicam aos seus filhos. O trabalho deve ser um meio e nunca um fim, tal como a escola, tem o seu
lugar, mas não é o essencial. A verdadeira alegria vem de dentro, não nos chega através de nenhum
recibo de ordenado nem de uma classificação final.
O maior problema dos jovens de hoje parece ser o seu insaciável consumismo, que os levará para
longe da paz e os escravizará até ao limite. Mas será que a responsabilidade é só deles?
A educação é o que fica depois das adversidades do mundo nos terem obrigado a despir as nossas
superficialidades.
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Contextos de atendimento à criança/jovem

No estabelecimento escolar

Promover o acolhimento que favoreça adaptação da criança na escola é um fator que será
importante para todo o ano letivo e, talvez, por toda a vida escolar da criança. Evitar
constrangimentos, traumas e rejeição à escola deve ser uma tarefa inerente aos educadores
comprometidos com o bem-estar do educando como requisito da aprendizagem.
Diante disso, a escola pode promover ações simples e que servirão de “quebra-gelo” para a inserção
na vida escolar ou à nova escola.
A orientação da família para preparar o aluno

Já no ato da matrícula, instruir a família sobre os procedimentos de adaptação da criança será de


fundamental importância, especialmente para os que iniciam o processo escolar. Atitudes como
levar a criança para conhecer a escola previamente e conversas sobre como ela funciona podem dar-
lhe a segurança necessária para separar-se da família.
Para crianças com mais dificuldades de desligar-se da família, a sugestão é que o responsável
acompanhe a criança ficando na escola, por períodos decrescentes de tempo por alguns dias, até ela
sentir-se mais segura.
Promover pequenas experiências de ficar, sem os pais e irmãos, em casa de familiares e amigos
pode ser útil para algumas crianças, pois já possibilita acostumar-se com a ausência dos entes
mais próximos.
O tour pela escola: conhecendo o espaço escolar e fazendo novos amigos

Os primeiros dias de aula podem ser utilizados para promover um clima de interação entre alunos
“veteranos” e “caloiros” de forma harmónica e divertida.
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Uma prática bem interessante de realizar essa interação é criando a oportunidade de alunos
realizarem uma visita completa às dependências da escola, explicando todo o funcionamento para
os novatos. Esse passeio pode ser ainda mais interessante se os veteranos forem motivados a criar
surpresas e atividades interativas para surpreender e acolher os novos alunos.

A escola ainda pode optar por alguém do quadro de funcionários, que seja dinâmico e divertido
para realizar essa apresentação. Usar uma caracterização (mascote da escola ou personagem
relacionado) pode ser especialmente motivador.
A recepção calorosa dos professores

A orientação para que os professores recebam de forma mais afetiva os novos alunos parece ser
redundante, mas reiterar a garantia desse tipo de atitude é fundamental. Afinal, expor uma criança,
que muitas vezes já apresenta traços de timidez e pouca sociabilidade, pode ser uma forma cruel de
castrar todas as expectativas em relação à sua nova escola.

Dessa forma, priorizar atividades coletivas, com o cuidado de não colocar ninguém em evidência
nos primeiros dias de aula, pode ser um alívio e também um estímulo saudável para aqueles alunos
que precisam de um pouco mais de tempo para se integrarem.
Garantindo que a adaptação da criança na escola seja tranquila, são aumentadas as possibilidades
de sucesso em toda a dinâmica escolar, que será consolidada de forma natural e contínua. Afinal, nem
mesmo todos os adultos são produtivos em lugares em que nunca estiveram.
Um acolhimento bem-sucedido mostra à criança que a escola é um ambiente em que ela pode
sentir-se bem, divertir-se e fazer novas amizades, podendo ser ela mesma, mesmo sendo mais tímida
ou extrovertida.
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Além disso, a segurança oferecida por uma escola recetiva será o caminho para crianças que
sofreram traumas, abusos e perdas encontrarem na educação uma forma de modificar a sua
realidade de forma positiva.

No domicílio

Pequenas, mas com vontades próprias, as crianças necessitam de disciplina para conhecerem os
limites e valores importantes como o respeito. No entanto, a disciplina não deve ser reservada
exclusivamente para os momentos em que as crianças se portam mal, deve ser algo contínuo para que
a criança saiba ela própria distinguir entre o que é certo e o que é errado. Mune-se destas estratégias
para ter sempre crianças bem comportadas.
Regras e limites: A melhor forma de facilitar a disciplina de uma criança é estabelecer regras e
limites claros, ou seja, que sejam claramente percetíveis pela criança. As regras e os limites são
fundamentais para a criança aprender o autocontrolo, para saber o que está certo e errado, facilitando
a vivência dentro e fora da esfera familiar. Conhecidas as regras, a vida torna-se mais fácil para pais
e crianças.

Consequências claras: Da mesma forma que as regras para crianças têm de ser simples e
claras, também as consequências devem ser. Se existe um castigo para o mau comportamento – ir para
a cama mais cedo, não poder ver televisão ou brincar com um certo brinquedo – é importante que
essa consequência se materialize. Só assim é que as crianças vão perceber que não podem contornar
as regras, nem desafiar os limites sem terem de lidar com as consequências. Por mais que lhe possa
custar, há que cumprir as consequências – nunca ninguém disse que a disciplina ia ser fácil, mas
mais importante do que isso é que seja eficaz. A longo prazo valerá a pena.

O respeito é muito bonito. Ensinar a criança a respeitar não só os adultos, mas todas as
pessoas que a rodeiam passa por coisas tão simples como aprender a dizer “por favor” ou “obrigado”.
Não gritar ou bater são outras ações que devem ser controladas, para limitar a agressividade nas
crianças. Fale com a criança da mesma forma que gostaria que ela falasse consigo e nos dias em que a
pequenada se exaltar (acontece a todos!) peça-lhe para se sentar quieta durante 5 minutos para se
acalmar antes de voltar a falar consigo. É importante que a criança possa falar e expressar tudo o que
lhe apetece, mas sempre com respeito pelo outro.

Sim em vez de não. Quando se pensa em disciplina para crianças, a palavra que vem
imediatamente à cabeça é “não”, porém, esta deve ser substituída pelo “sim” sempre que possível, ou
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seja, troque o “não deves” por “deves”. Ao focar o comportamento que quer ver em vez daquele que
não quer ver, é mais fácil a criança aprender – por exemplo, em vez de dizer “não batas com os
carrinhos na mesa” diga “ao fazeres isso podes estragar a mesa, brinca com os carrinhos no chão, aí
andam mais depressa!”.

Descobrir as causas. Se o mau comportamento é uma constante e todos os atos de disciplina


estão a ser infrutíferos, é importante avaliar a situação e perceber qual o motivo por de trás da
desobediência: será que aconteceu alguma coisa na escola? Será que a criança não se sente bem?
Estará a dormir o suficiente? O mau comportamento nem sempre é capricho infantil, por isso,
converse com a criança depois de ela se acalmar e tente avaliar melhor a situação e a forma como a
pode resolver.

Seja firme. O segredo por de trás do sucesso da disciplina infantil é a capacidade de manter-se
firme, ou seja, se a criança já sabe que não pode levar brinquedos para a escola, não ceda só porque ela
resolveu fazer uma birra gigante; se a hora de dormir é às 20h30, não ceda porque a criança quer
brincar mais um bocadinho. No momento em que ceder, a criança vai continuar a testar os limites
vezes sem conta.

Gosto de ti. Ser firme não significa que não pode dizer à criança quanto gosta dela ou dar-lhe
um abraço depois de lhe chamar a atenção pelo mau comportamento ou de explicar porque não
gostou de determinada ação ou palavras. É uma forma interessante de mostrar à criança que a
disciplina não significa que se goste menos um do outro e que apesar dos conflitos tudo vai acabar
bem.

O poder é seu. Não há volta a dar, os pais são quem mandam, por isso, utilize isso para seu
benefício. As crianças observam e copiam tudo aquilo que seja do mundo adulto, por isso, se estiver
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sempre a gritar com a pequenada, eles vão pensar que não há nada de errado com isso e serão
certamente um espelho do mesmo tipo de comportamento. Ao respirar fundo e pensar duas vezes
antes de falar, pode fazê-lo de forma calma, lembrando à criança que é assim que se fala e se deve
comportar. Cabe a si estabelecer o tom das situações, que as crianças acabam por seguir esse caminho.

Cuide-se. As crianças são os seres mais maravilhosos do mundo, mas a rotina diária e as
diferentes fases do seu desenvolvimento podem revelar-se verdadeiros desafios para qualquer mãe
ou pai. Daí a importância de cuidar de si – encontre tempo de qualidade para estar sozinho, mas
também com o seu companheiro(a), faça atividades que lhe permitem aliviar o stress – desta forma
estará mais preparado para enfrentar, de forma calma e exemplar, os desafios da disciplina infantil.

Avanços e recuos. Disciplinar uma criança não é algo que acontece de um dia para o outro e,
embora seja mais fácil perceberam as regras à medida que vão crescendo, isso não significa que de vez
em quando não haja uma grande birra, portas a bater, irmãos a brigar ou outros comportamentos
menos positivos. Esteja preparado para tudo.

Em instituições de acolhimento

O acolhimento em instituição é uma das medidas de promoção dos direitos e proteção de crianças e
jovens em perigo previstas no n.º 1 do artigo 35.º da Lei de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo
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(Lei de Protecção). Consiste na colocação da criança ou do jovem aos cuidados de uma entidade que
disponha de instalações e equipamento de acolhimento permanente e de uma equipa técnica que lhes
garanta os cuidados adequados às suas necessidades e lhes proporcione condições que permitam a
sua educação, bem-estar e desenvolvimento integral.
O acolhimento institucional pode ser de curta duração ou prolongado.
No primeiro caso, tem lugar em casa de acolhimento temporário (CAT), por prazo não superior a
seis meses, período que apenas pode ser excedido quando, por razões justificadas, seja previsível o
retorno à família ou enquanto se procede ao diagnóstico da respetiva situação e à definição do
encaminhamento subsequente.
Já o acolhimento prolongado tem lugar em lar de infância e juventude (LIJ) e ocorre quando as
circunstâncias do caso aconselhem um acolhimento de duração superior a seis meses.
A entrada numa instituição é, necessariamente, uma ocasião delicada, que normalmente se sucede a
um momento imediatamente anterior de igual modo traumático: a retirada da família natural.
O processo de admissão em sentido estrito — entrada na instituição e não, como poderia ser, toda
a fase posterior à retirada do menor da família natural — inicia-se com a receção da criança ou do
jovem na casa. Mas, desde a deteção da situação de perigo até à entrada na casa de acolhimento, cada
criança e jovem já percorreu um caminho a que se chamará processo de institucionalização.
Pode sintetizar-se que, após a deteção das situações de perigo (muitas vezes assegurada pelas
entidades de primeira linha, como os estabelecimentos de ensino, os serviços de saúde e as
instituições particulares de solidariedade social), as crianças ou jovens são encaminhados para os
CAT e lares, em regra, pelos tribunais ou pelas comissões de protecção de crianças e jovens, mas
sempre em articulação com os serviços da Segurança Social.
De resto, há que contar com os casos de institucionalização após intervenção das forças policiais,
designadamente nas situações de emergência.

E, embora tal situação já não ocorra no momento atual, residualmente ainda se encontram nas casas
alguns jovens que, em tempos, foram acolhidos após mera solicitação familiar (e cujos casos
poderão nunca ter sido comunicados ao tribunal, para a competente regularização).
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Quase sem exceção, a recepção é assegurada apenas por um dos adultos que trabalha na casa, o
qual pode ser chamado(a) coordenador(a), director(a), prefeito(a), técnico(a), uma vez que é
indistinta a utilização destes diferentes títulos para designar, no essencial, o mesmo desempenho de
tarefas de chefia do pessoal da instituição.
De qualquer forma, o momento da chegada dos novos residentes é quase sempre confiado,
individualmente, ao principal responsável do grupo de profissionais que trabalha na casa, ainda
que sempre que possível haja apoio por parte de psicólogos ou de técnicos de acção social, caso as
instituições disponham de recursos humanos naquelas áreas.
Quando a chegada à casa acontece durante a noite — as mais das vezes em resultado de uma
retirada de emergência da família natural—, a incumbência passa a ser, quase invariavelmente, da
funcionária que assegura a vigilância noturna.
Recomenda-se que se procure assegurar, na medida do possível, que o momento do acolhimento
também compreenda, pelo menos, a apresentação do mesmo aos outros menores e alguns
momentos de contacto com todos os residentes, se possível.
Outro aspeto essencial desta primeira fase de permanência na instituição diz respeito, por um lado, à
preparação da receção por quem já reside na casa e, por outro lado, à informação que é fornecida
ao novo habitante da casa.
Quanto ao primeiro aspeto, destaca-se a circunstância de não estar generalizado o hábito de fazer
uma especial preparação das outras crianças e dos jovens já residentes nas instituições.
De resto, a receção consiste, no essencial, numa conversa com o novo utente seguida da sua
apresentação aos restantes habitantes da casa. Em qualquer caso, em regra há a tradição de designar
uma pessoa como única ou principal responsável para assegurar o recebimento dos novos
elementos.
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A explicação inicial dos direitos e deveres dos novos utentes apenas pode ser feita
adequadamente em conversa(s) informal(ais), uma vez que não seria aceitável que o momento do
recebimento de um menor prementemente carecido de protecção desse lugar a uma palestra técnica
sobre direitos e obrigações legais.
Como é bom de ver, os direitos das crianças e jovens em acolhimento são os que resultam do artigo
58.º da Lei de Protecção e podem ser elencados da seguinte maneira:
a) Contactos pessoais regulares com a família e outras pessoas com quem tenham especiais relações
afectivas, com condições de privacidade;
b) Educação adequada ao desenvolvimento integral da personalidade;
c) Cuidados de saúde, formação escolar e profissional, participação em atividades culturais,
desportivas e recreativas;
d) Espaço de privacidade e grau de autonomia na condução da sua vida;
e) Dinheiro de bolso;
f) Inviolabilidade da correspondência;
g) Limitação das transferências às situações do seu interesse;
h) Contactos confidenciais com as comissões de protecção, o Ministério Público, o juiz e os advogados.

No hospital

A admissão de uma criança no hospital só deve ter lugar quando os cuidados necessários à sua
doença não possam ser prestados em casa, em consulta externa ou em hospital de dia.
Uma criança hospitalizada tem direito a ter os pais ou seus substitutos, junto dela, dia e noite,
qualquer que seja a sua idade ou o seu estado.
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Os pais devem ser encorajados a ficar junto


do seu filho, devendo ser-lhes facultadas facilidades materiais sem que isso implique qualquer
encargo financeiro ou perda de salário. Os pais devem ser informados sobre as regras e as rotinas
próprias do serviço para que participem ativamente na assistência à criança.
As crianças e os pais tem direito a receber informação sobre a doença e os respetivos
tratamentos, adequada à idade e à sua compreensão, a fim de poderem participar nas decisões que
lhes dizem respeito.
Deve evitar-se todo o exame ou tratamento que não seja indispensável. As agressões físicas ou
emocionais e a dor devem ser reduzidas ao mínimo.
As crianças não devem ser admitidas em serviços de adultos. Devem ficar reunidas em grupos
etários para beneficiarem de jogos, recreios e atividades educativas adaptadas à idade, com toda a
segurança. As pessoas que as visitam devem ser aceites sem limite de idade.
O hospital deve oferecer às crianças um ambiente que corresponda às suas necessidades físicas,
afetivas e educativas, quer no aspeto do equipamento, quer no do pessoal e da segurança.
A equipa de saúde deve ter a formação adequada para responder às necessidades psicológicas e
emocionais das crianças e da família.
A equipa de saúde deve estar organizada de modo a assegurar a continuidade dos cuidados que são
prestados a cada criança.
A intimidade de cada criança deve ser respeitada. A criança deve ser tratada com cuidado e
compreensão em todas as circunstâncias.
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No centro de atividades de ocupação de tempos livres

A ocupação dos tempos livres, sendo uma necessidade da parte dos pais de ocuparem os seus
filhos após a saída da escola, é vista como um complemento educativo que deverá reforçar o
processo de socialização da criança e das suas aprendizagens a par da escola.
As aprendizagens têm de ser feitas de uma forma agradável e lúdica, promovendo a imaginação e a
criatividade de cada criança.
É preciso estar com elas, saber escutar as suas experiências e os seus sonhos, tentar minimizar as
suas preocupações e problemas, saber entrar no jogo e na aventura que elas quiserem viver.
O CATL deve:
Criar um ambiente propício ao desenvolvimento de cada criança ou jovem, promovendo a
expressão, a compreensão e o respeito mútuo;

Promover as relações sociais em grupo;

Favorecer a relação entre família/escola/comunidade/estabelecimento, para um melhor


aproveitamento e rentabilização de todos os recursos;

Proporcionar atividades de animação cultural que a criança pode escolher e nas quais participa
voluntariamente, tendo em conta as características dos grupos e tendo como base o respeito mútuo;
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Melhorar a situação social e educativa, e a qualidade de vida das crianças;

Promover a interação e integração das crianças com deficiência, em risco e em exclusão social e
familiar.

Nas atividades de ocupação de tempos livres

Os tempos livres e as atividades a estes associadas são, na sociedade contemporânea, um


fenómeno de extrema importância. Têm particular destaque em determinadas faixas etárias,
designadamente crianças e jovens, durante o período de férias escolares.

As atividades de tempos livres, realizadas nos


períodos pós-escolares, designam ações de formação e desenvolvimento pessoal de crianças.
Contribuem para um crescimento saudável, com destaque para a criação de novas relações sociais
e de novos valores.
É nas férias de verão que a maioria das crianças tem maior disponibilidade horária para as ocupações
de tempos livres. Por conseguinte, esta é a época em que os miúdos podem concretizar todos os seus
desejos.
Nesta altura, fazem-se novos amigos, partilham-se experiências novas e diferentes, fortalecem-se
laços relacionais e criam-se espaços de interesses comuns. Existe tempo para dialogar, para
aprender a ouvir e para sentir-se ouvido. Adicionalmente, estimulam-se as competências pessoais
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e sociais, que ajudam as crianças na sua aprendizagem constante ao nível da gestão das emoções e
dos comportamentos.
Os Centros de Atividades de Tempos Livres (CATL) são ideais para ocupar as crianças com exercícios
em várias áreas. No verão, estas instituições oferecem atividades lúdico-pedagógicas, recreativas,
culturais e livres. Entre estas, inserem-se:
Visitas de estudo;

Jogos didáticos e cooperativos;

Expressão artística e dramática;

Yoga e mindfulness.

Os CATL têm progredido, ao longo do tempo, em termos quantitativos e qualitativos, na


acessibilidade às atividades que oferecem. Estas instituições destacam-se pelo acompanhamento
que dão a crianças e jovens.
Os centros disponibilizam uma panóplia de ações adequadas às diversas camadas etárias. Dessa
forma, permitem a ocupação salutar do tempo livre dos mais novos. Por outro lado, dão uma resposta
aos pais que não conseguem estar todo o período de férias com os filhos.
A procura por instituições de ocupação de tempos livres cresceu de forma exponencial nos
últimos anos. Tal revela que os pais estão mais sensibilizados para estas questões e que não hesitam
em procurar respostas sociais.
Os CATL têm vindo a revelar-se de grande importância. São espaços que contribuem para o
desenvolvimento do comportamento, atitude, conhecimento e capacidade de socialização das
crianças e jovens.
As atividades organizadas por estes centros são também essenciais para promover os talentos e
aptidões naturais das crianças. Ao mesmo tempo, permitem que os mais novos desenvolvam
capacidades de socialização. Assim, não estão tão suscetíveis a problemas de saúde como ansiedade
e depressão, cada vez mais comuns nestas faixas etárias.
Está provado que a exposição a muitos estímulos provoca um stress acumulado às crianças e
jovens. Isto porque, além de não serem capazes de processar toda as informações, são também
forçadas a um crescimento demasiado rápido.
Como pais, queremos dar o melhor aos nossos filhos. No entanto, nem sempre agimos da maneira
mais adequada. As crianças passam demasiado tempo nas escolas. Ao oferecer-lhes uma variedade
tão grande de dispositivos móveis (computadores, consolas, telemóveis e tablets), fazemos com que
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brinquem superficialmente. Dessa forma, os mais novos não são estimulados a desenvolver a
imaginação e ficam igualmente ansiosos e deprimidos.

Principais agentes educativos

Criança

O desenvolvimento motor, social, emocional, cognitivo e linguístico da criança é um processo


que decorre da interação entre a maturação biológica e as experiências proporcionadas pelo meio
físico e social.

As relações e as interações que a criança estabelece com adultos e com outras crianças, assim
como as experiências que lhe são proporcionadas pelos contextos sociais e físicos em que vive
constituem oportunidades de aprendizagem, que vão contribuir para o seu desenvolvimento.
Deste modo, a aprendizagem influencia e é influenciada pelo processo de desenvolvimento físico e
psicológico da criança, sobretudo numa fase da vida em que essa evolução é muito rápida. Por isso,
em educação de infância, não se pode dissociar desenvolvimento e aprendizagem.
A interligação das características intrínsecas de cada criança (o seu património genético), do seu
processo de maturação biológica e das experiências de aprendizagem vividas, faz de cada criança um
ser único, com características, capacidades e interesses próprios, com um processo de
desenvolvimento singular e formas próprias de aprender.
Assim, as normas do desenvolvimento estabelecidas ou as aprendizagens esperadas para uma
determinada faixa etária/idade não devem ser encaradas como etapas pré-determinadas e fixas,
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pelas quais todas as crianças têm de passar, mas antes como referências que permitem situar um
percurso individual e singular de desenvolvimento e aprendizagem.
Embora muitas das aprendizagens das crianças aconteçam de forma espontânea, nos diversos
ambientes sociais em que vivem, num contexto de educação de infância existe uma intencionalidade
educativa, que se concretiza através da disponibilização de um ambiente culturalmente rico e
estimulante, bem como do desenvolvimento de um processo pedagógico coerente e consistente,
em que as diferentes experiências e oportunidades de aprendizagem têm sentido e ligação entre si.
Neste processo, o desenvolvimento de relações afetivas estáveis, em que a criança é acolhida e
respeitada, promove um sentimento de bem-estar e a vontade de interagir com os outros e com o
mundo.
Contudo, cada criança não se desenvolve e aprende apenas no contexto de educação de
infância, mas também noutros em que viveu ou vive, nomeadamente no meio familiar, cujas
práticas educativas e cultura própria influenciam o seu desenvolvimento e aprendizagem. Neste
sentido, importa que o/a educador/a estabeleça relações próximas com esse outro meio educativo,
reconhecendo a sua importância para o desenvolvimento das crianças e o sucesso da sua
aprendizagem

Família
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Como família entendemos um conjunto de pessoas, normalmente ligadas por um grau de


parentesco, que formam um grupo social que é influenciado e que, por sua vez, influencia outras
pessoas e/ou grupos. É pois, no seio da família, que uma criança obtém a sua base
emocional/educacional que a acompanhará toda a sua vida.

É extremamente importante que haja


uma boa comunicação e relacionamento entre a criança e a família a que pertence, de modo a
promover o seu crescimento, no que diz respeito a formação de carácter, estabelecimento de regras
sociais, de boa educação, interação com os outros e participação nas atividades familiares. Deste
modo, desenvolvem-se conceitos importantes para uma correcta e saudável integração na
sociedade.
Um modo de promover esta interação, é organizar atividades em família, aproveitando os tempos
livres! Atividades como passeios, visitas a parques, museus, prática de desporto são ótimos meios
para desenvolver e aprofundar o bom relacionamento familiar. Disponibilize tempo para passar com
os seus filhos, acompanhando-os ao longo do seu crescimento, e vai ver que não poderia ter feito
melhor investimento do que este.

Representantes legais
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O representante legal é aquele a quem a norma jurídica confere poderes para administrar bens
alheios, como o pai, ou mãe, em relação a filho menor, quanto o tutor ao pupilo e curador, no que
concerne ao curatelado.

A representação legal presta-se para servir aos interesses do incapaz. Nesses casos, o poder de
representação decorre diretamente da lei, que estabelece a extensão do âmbito da representação,
os casos em que é necessária, o poder de administrar e quais as situações em que se permite dispor
dos direitos do representado.

Comunidade

As organizações educativas são contextos que exercem determinadas funções, dispondo para
isso de tempos e espaços próprios e em que se estabelecem diferentes relações entre os
intervenientes. A organização dinâmica destes contextos educativos pode ser vista segundo uma
perspetiva sistémica e ecológica. Esta abordagem assenta no pressuposto de que o desenvolvimento
humano constitui um processo dinâmico de relação com o meio, em que o indivíduo é influenciado,
mas também influencia o meio em que vive.
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Para compreender a complexidade do meio, importa considerá-lo como constituído por diferentes
sistemas que desempenham funções específicas e que, estando em interconexão, se apresentam como
dinâmicos e em evolução. Assim, o indivíduo em desenvolvimento interage com diferentes sistemas
que estão eles próprios em evolução.
Nesta abordagem, importa distinguir os sistemas restritos e imediatos, com características físicas
e materiais particulares — a casa, a sala de jardim de infância, a rua, etc. — em que há uma interação
direta entre atores que aí desempenham diferentes papéis — pai ou mãe, filho/a, docente, aluno/a,
etc. — e desenvolvem formas de relação interpessoal, implicando-se em atividades específicas que se
realizam em espaços e tempos próprios. São exemplos destes sistemas restritos, com particular
importância para a educação da criança, o meio familiar e o contexto de educação pré-escolar.
As relações que se estabelecem entre estes e outros sistemas restritos formam um outro tipo de
sistema com características e finalidades próprias (as relações entre famílias e o contexto de
educação de infância). Por seu turno, estes sistemas são englobados por sistemas sociais mais
alargados que exercem uma influência sobre eles (por exemplo, a organização da educação de
infância no sistema educativo e no sistema social influenciam o funcionamento dos jardins de
infância).
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A abordagem sistémica e ecológica constitui, assim, uma perspetiva de compreensão da realidade


que permite adequar, de forma dinâmica, o contexto do estabelecimento educativo às características
e necessidades das crianças e adultos, tornando-se, ainda, um instrumento de análise para que o/a
educador/a possa adaptar a sua intervenção às crianças e ao meio social em que trabalha, pois
possibilita:
compreender melhor cada criança, ao conhecer os sistemas em que esta cresce e se
desenvolve, de forma a respeitar as suas características pessoais, cultura e saberes já adquiridos,
apoiando a sua maneira de se relacionar com os outros e com o meio social e físico;

contribuir para a dinâmica do contexto de educação pré-escolar na sua interação interna


(relações entre crianças e crianças e adultos) e na interação que estabelece com outros sistemas que
também influenciam a educação das crianças (relação com as famílias) e ainda com o meio social
envolvente e a sociedade em geral, de modo a que esse contexto se organize para responder melhor
às suas características e necessidades;

perspetivar o processo educativo de forma integrada, tendo em conta que a criança


constrói o seu desenvolvimento e aprendizagem, de forma articulada, em interação com os outros e
com o meio;

permitir a utilização e gestão integrada dos recursos do estabelecimento educativo e de


recursos que, existindo no meio social envolvente, podem ser dinamizados;
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acentuar a importância das interações e relações entre os sistemas que têm uma
influência direta ou indireta na educação das crianças, de modo a tirar proveito das suas
potencialidades e ultrapassar as suas limitações, para alargar e diversificar oportunidades educativas
das crianças e apoiar o trabalho dos adultos.

Tendo em conta os diferentes sistemas em interação, analisam-se seguidamente algumas


características relevantes para a organização do ambiente educativo na educação pré-escolar:
➢ Organização do estabelecimento educativo

➢ Organização do ambiente educativo da sala

➢ Organização do grupo

➢ Organização do espaço

➢ Organização do tempo

➢ Relações entre os diferentes intervenientes.

Educadores

Qualquer que seja a composição do grupo, a relação individualizada que o/a educador/a
estabelece com cada criança é facilitadora da sua inclusão no grupo e das relações com as outras
crianças. Na educação de infância, cuidar e educar estão intimamente relacionados, pois ser
responsável por um grupo de crianças exige competências profissionais que se traduzem,
nomeadamente, por prestar atenção ao seu bem-estar emocional e físico e dar resposta às suas
solicitações (explícitas ou implícitas). Este cuidar ético envolve assim a criação de um ambiente
securizante, em que cada criança se sente bem e sabe que é escutada e valorizada.
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A relação que o/a educador/a estabelece com as crianças assume diversas formas, que têm de
ser intencionalmente pensadas e adaptadas às situações. Estar atento/a e escutar as crianças, ao
longo dos vários momentos do dia, permite ao/à educador/a perceber os seus interesses e ter em
conta as suas propostas para negociar com elas o que será possível fazer, ou para se decidir em
conjunto o que é de continuar ou o que está terminado, para se passar a uma nova proposta. Neste
processo relacional, o/a educador/a:
apoia as atividades escolhidas pelas crianças e a realização das que propõe;

valoriza de forma empática os trabalhos apresentados pelas crianças, as suas descobertas e as


soluções que encontram para resolver problemas e dificuldades;

estimula quem tem mais dificuldade em partilhar o que pensa;

modera debates e negociações; propõe ainda ideias que levem as crianças a terem vontade de
melhorar o seu trabalho.

As dinâmicas de interação que se estabelecem têm implicações nos processos de aprendizagem, no


sentido de promover:
➢ Respeito por cada criança e sentimento de pertença a um grupo - a forma como o/a
educador/a está atento/a e se relaciona com as crianças, apoia as interações e relações no grupo,
contribuem para o desenvolvimento da autoestima e de um sentimento de pertença que permite às
crianças tomar consciência de si mesmas na relação com outros. A vivência num grupo social
alargado constitui ainda a base do desenvolvimento da área de Formação Pessoal e Social e da
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aprendizagem da vida democrática, o que implica que o/a educador/a crie situações diversificadas de
conhecimento, atenção e respeito pelo outro, bem como de desenvolvimento do sentido crítico e de
tomada de decisões baseada na negociação.

➢ Trabalho cooperado - O trabalho entre pares e em pequenos grupos, em que as crianças têm
oportunidade de confrontarem os seus pontos de vista e de colaborarem na resolução de problemas
ou dificuldades colocadas por uma tarefa comum, alarga as oportunidades educativas, ao favorecer
uma aprendizagem cooperada em que a criança se desenvolve e aprende, contribuindo para o
desenvolvimento e para a aprendizagem das outras. Trabalhar em grupos constituídos por
crianças com diversas idades ou em momentos diferentes de desenvolvimento permite que as ideias
de uns influenciem as dos outros. Este processo contribui para a aprendizagem de todos, na medida
em que constitui uma oportunidade de explicitarem as suas propostas e escolhas e como as
conseguiram realizar.

➢ Entendimento da perspetiva do outro - O desenvolvimento social faz-se através de duas


vertentes contraditórias: a necessidade de relação de proximidade com os outros e o desejo de
afirmação e de autonomia pessoal.

Neste sentido, o/a educador/a deve apoiar a compreensão que as crianças têm, desde muito cedo,
dos sentimentos, intenções e emoções dos outros, facilitando o desenvolvimento da compreensão do
que os outros pensam, sentem e desejam. Cabe também ao/à educador/a, em situações de conflito,
apoiar a explicitação e aceitação dos diferentes pontos de vista, favorecendo a negociação e a
resolução conjunta do problema.
➢ Regulação da vida em grupo - A participação das crianças no processo educativo através de
oportunidades de decisão em comum, de regras coletivas indispensáveis à vida social e à distribuição
de tarefas necessárias à organização do grupo constituem experiências de vida democrática que
permitem tomar consciência dos seus direitos e deveres.

As razões das normas que decorrem da vida em grupo (por exemplo, esperar pela sua vez,
arrumar o que desarrumou, etc.) terão de ser explicitadas e compreendidas pelas crianças, como
o respeito pelos direitos de cada uma, indispensáveis à vida em comum. Estas normas e outras regras
adquirem maior força e sentido se todo o grupo participar na sua elaboração, bem como na
distribuição de tarefas necessárias à vida coletiva (por exemplo, regar as plantas, tratar de animais,
encarregar-se de pôr a mesa, distribuir refeições, etc.).
Participação no planeamento e avaliação – Ao participarem no planeamento e avaliação, as
crianças estão a colaborar na construção do seu processo de aprendizagem. Planear e avaliar com as
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crianças individualmente, em pequenos grupos ou no grande grupo são oportunidades de


participação e meios de desenvolvimento cognitivo e da linguagem. Esta participação é uma
condição de organização democrática do grupo, sendo também suporte da aprendizagem nas
diferentes áreas de conteúdo.
O desenvolvimento e aprendizagem da criança ocorrem num contexto de interação social, em que
a criança desempenha um papel dinâmico. Desde o nascimento, as crianças são detentoras de um
enorme potencial de energia, de uma curiosidade natural para compreender e dar sentido ao
mundo que as rodeia, sendo competentes nas relações e interações com os outros e abertas ao
que é novo e diferente.

O reconhecimento da capacidade da criança para construir o seu desenvolvimento e


aprendizagem supõe encará-la como sujeito e agente do processo educativo, o que significa partir
das suas experiências e valorizar os seus saberes e competências únicas, de modo a que possa
desenvolver todas as suas potencialidades.
Esse papel ativo da criança decorre também dos direitos de cidadania, que lhe são reconhecidos
pela Convenção dos Direitos da Criança (1989), a saber:
o direito de ser consultada e ouvida, de ter acesso à informação, à liberdade de expressão e
de opinião, de tomar decisões em seu benefício e do seu ponto de vista ser considerado.

Garantir à criança o exercício destes direitos tem como consequência considerá-la o principal
agente da sua aprendizagem, dando-lhe oportunidade de ser escutada e de participar nas decisões
relativas ao processo educativo, demonstrando confiança na sua capacidade para orientar a sua
aprendizagem e contribuir para a aprendizagem dos outros.
Cabe ao/à educador/a apoiar e estimular esse desenvolvimento e aprendizagem, tirando partido
do meio social alargado e das interações que os contextos de educação de infância possibilitam, de
modo a que, progressivamente, as escolhas, opiniões e perspetivas de cada criança sejam explicitadas
e debatidas. Deste modo, cada criança aprende a defender as suas ideias, a respeitar as dos outros
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e, simultaneamente, contribui para o desenvolvimento e aprendizagem de todos (crianças e


educador/a).

Papel do educador como agente educativo e seu perfil


psicopedagógico
O educador tem um papel muito importante no desenvolvimento de uma criança. Entre as suas
atribuições, é responsável por propiciar experiências que ajudem a criança a desenvolver as suas
capacidades cognitivas (atenção, memória, raciocínio, entre outras). Trata-se de um processo longo,
desenvolvido de forma contínua e dinâmica a partir dos primeiros anos de vida.
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Dentro desse processo, o professor deve impor limites às crianças na escola. Ainda que a atitude de
dizer “NÃO” possa ser prejudicial ao desenvolvimento da criança, em determinadas situações é
essencial que os educadores tenham o compromisso ético de combater, por exemplo, possíveis
apelidos pejorativos colocados entre os alunos.
Ao impor limites, evita-se expor a criança a alguma situação embaraçosa. Aliás, tema atual que deve
ser debatido em sala de aula.
Outro ponto ao qual o professor deve estar atento está ligado às preferências. É essencial que o
tratamento a todos os alunos seja igual. Elogios a um aluno e comparações entre um e outro
podem fazer uma criança se sentir rejeitada. Portanto, todos os alunos devem receber o mesmo
tratamento, sem exceções.
O educador é o personagem que, além dos pais, será um espelho para a criança. Assim, uma boa
educação infantil tem o papel de formar a criança e transformá-la no futuro num homem ou uma
mulher que faça a diferença na sociedade. Tudo isso começa pela sala de aula da escola de
educação infantil.
As escolas enfrentam um grande desafio: lidar com as dificuldades de aprendizagem e ao mesmo
tempo traçar uma proposta de intervenção capaz de contribuir para a superação dos problemas de
aprendizagem dos alunos. Dessa forma, defende-se a importância do Psicopedagogo
Institucional, como um profissional qualificado, que se baseia principalmente na observação e
análise profunda de uma situação concreta, no sentido de não apenas identificar possíveis
perturbações no processo de aprendizagem, mas para promover orientações didático-metodológicas
no espaço escolar de acordo com as características dos indivíduos e grupos.
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O trabalho psicopedagógico terá como objetivo principal trabalhar os elementos que envolvem a
aprendizagem de maneira que os vínculos estabelecidos sejam sempre bons. A relação dialética entre
sujeito e objeto deverá ser construída positivamente para que o processo ensino-aprendizagem seja
de maneira saudável e prazerosa. O desenvolvimento de atividades que ampliem a aprendizagem faz-
se importante, através dos jogos e da tecnologia que está ao alcance de todos.
Com isso, há a procura da integração dos interesses, raciocínio e informações que fazem com que
o aluno atue operativamente nos diferentes níveis de escolaridade. Por isso, a educação deve ser
encarada como um processo de construção do conhecimento que ocorre como uma
complementação, cujos lados constituem de professor e aluno e o conhecimento construído
previamente.
Ao chegar a uma instituição escolar, muitos acreditam que o psicopedagogo vai solucionar todos os
problemas existentes (dificuldade de aprendizagem, evasão, indisciplina, desestímulo docente, entre
outros).
No entanto, o psicopedagogo não vem com as respostas prontas. O que vai acontecer será um
trabalho de equipa, em parceria com todos que fazem a escola (gestores, equipa técnica, professores,
alunos, pessoal de apoio, família). O psicopedagogo entra na escola para ver o "todo" da instituição.

Interação estabelecimento escolar/instituições de


apoio/ família-comunidade
Os Pais são indubitavelmente os que mais e melhor conhecem os seus filhos, bem como aqueles
que, pelo poder implícito da relação de vinculação significativa, mais influência têm no seu
desenvolvimento e na facilitação das mudanças desejadas ou necessárias.
As Famílias devem ser encaradas como experts e como um recurso, na medida em que
providenciam uma visão compreensiva da história de vida dos seus filhos, oferecem novas
perspetivas sobre eles, e são também aliados fundamentais nos processos de intervenção. Aceder à
perceção dos pais acerca do bem-estar psicológico dos seus filhos é um input importante na
compreensão dos seus comportamentos e emoções.
Também o Psicólogo Escolar se deve assumir como um expert e um recurso da comunidade
educativa, que toma em consideração as vivências de todos os aspetos da vida dos alunos, nos
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contextos escolar e familiar, através do desenvolvimento de estratégias e programas concretos de


envolvimento das famílias, com vista a alcançar resultados positivos, não só ao nível do
desempenho académico mas do desenvolvimento integral das crianças e jovens.
Torna-se fundamental que o Psicólogo explore formas diferentes e alternativas de manter o
contacto das Famílias com a Escola e da Escola com as Famílias, sobretudo quando estas estão
relutantes ou tiveram experiências passadas negativas ou de menor participação.
➢ O envolvimento Família/Escola promove um clima global escolar positivo.

➢ Os Psicólogos escolares facilitam o estabelecimento de laços fortes entre os profissionais da


escola e as famílias.

➢ Ter as famílias mais envolvidas com a Escola gera mais cooperação entre alunos.

➢ As crianças cujos pais estão mais envolvidos na sua educação apresentam melhores níveis de
assiduidade escolar, de concretização dos TPC’s e das tarefas escolares e de desempenho escolar.

➢ As Famílias mais envolvidas facilitam o funcionamento cognitivo e socioemocional das


crianças, bem como o aumento da sua autoestima, melhorias no comportamento e atitudes mais
positivas face à escola.

➢ Os adolescentes estão menos predispostos ao envolvimento com comportamentos de risco


quando percebem uma forte ligação entre a sua família e a Escola.

➢ A cooperação Escola/Família prevê a generalização das estratégias de intervenção por parte


dos jovens e das famílias.

➢ Por comparação com as intervenções individuais, as intervenções que envolvem o apoio das
famílias estão associadas a uma redução dos problemas de comportamento das crianças.

➢ As famílias envolvidas no desenvolvimento de planos de intervenção reportam níveis


mais elevados de autoeficácia, o que por sua vez se relaciona com um maior investimento no processo
de intervenção, reduzindo o tempo despendido no mesmo.

➢ As famílias mais envolvidas reportam níveis mais elevados de autoestima, o que se traduz
numa modelagem mais positiva para os seus filhos.

➢ Procurar feedback junto das famílias faz com que estas sintam uma melhor resposta às
necessidades dos seus filhos.
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➢ Integrar o feedback das famílias no processo de intervenção cria um sentido de


responsabilidade partilhada acerca do bem-estar dos seus filhos e aumenta a probabilidade de
concretização dos objetivos de intervenção.
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Bibliografia e Netgrafia
✓ FARIA, A. R. de. O desenvolvimento da criança e do adolescente segundo Piaget. 4. ed. São
Paulo, 1998.

✓ GARRISON, K. C.; KINGSTON, A. J.; BERNARD, H. W. Psicologia da criança: estudo geral e


meticuloso do desenvolvimento e da socialização. São Paulo: IBRASA, 1971.

✓ GRIFFA, M. C.; MORENO, J. E. Chaves para a psicologia do desenvolvimento, tomo 1: vida pré-
natal, etapas da infância. São Paulo: Paulinas, 2001.

✓ JERSILD, A.T. Psicologia da criança. Belo Horizonte: Itatiaia Limitada, 1973.

✓ (Excertos e adaptação de um texto original disponível em


lmu.uce.ac.uk/crumpton/curriculum-design.htm