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book #5

TRADUÇÃO:
LEITURA FINAL:
http://rosase-book2.blogspot.com.br/
Ele estava longe de ter uma vida tranquila até que o destino...

Andrei é o brincalhão. O que ninguém leva a sério. Aquele que é mais escuro do
que qualquer um poderia ter imaginado. Ele passou anos se escondendo atrás
de uma parede de humor e amargura. Apesar de seus problemas pessoais,
Andrei está sempre disposto a ajudar um amigo.

Entregou a Andrei um desastre ambulante...

Em seu último ano de jogo para os Red Zones, um dos amigos mais antigos de
Andrei, Kieran Steele, proprietário da Leagues Today, oferece-lhe a
oportunidade de uma vida em troca de manter o irmão mais novo do homem,
Gannon, seguro.

Embrulhado no papel mais delicioso que Andrei já viu.

Quando a vida de Gannon é ameaçada, Andrei entra, resolvendo o negócio. Ele


nunca esperava que suas ações lhe dessem um amor que ele mataria para
manter, e forçá-lo a expor o homem quebrado por dentro que ficou escondido
por muito tempo.
A maioria das pessoas gostavam da multidão, barulho e festas.
Não Andrei. Ele amava o silêncio. Tudo sobre sua vida era um caus.
A multidão rugindo. Seu bastão contra o disco no gelo. Corpos
colidindo a alta velocidade. Todas essas coisas estavam em seu
sangue. Mas silêncio; essa merda era perfeita.

Um mês mais, e Andrei se aposentaria. Dezoito anos e mais de


oitenta e dois jogos por temporada – seis com os Glaciers e doze
com os Red Zones. Ele estava tão fodidamente exausto. Tudo doía o
tempo todo.
Todas as manhãs, ele lutava contra músculos rígidos e ossos
machucados. Se não fosse por um de seus amigos mais antigos,
Kieran Steele, Andrei poderia ter estendido seu contrato por puro
tédio. Graças a Kieran ter encontrado o amor de sua vida, ele
precisava de um escoteiro de talentos para trabalhar para ele,
impedindo-o de ter que viajar tanto. Andrei não estava
completamente enganado. Era um favor. Kieran poderia ter
encontrado outra pessoa. Em vez disso, ele escolheu esperar que o
contrato de Andrei acabasse. O homem jurou que era porque não
confiava em ninguém para fazer o trabalho. Andrei não tinha
certeza. Isso não o impediu de ficar muito grato. Tanto assim, que
ele estava agora aqui, olhando para um veleiro enquanto tentava não
imaginar o que estava acontecendo a bordo.
O barco pertencia ao irmão mais novo e sexy de Kieran,
Gannon. O jovem Steele subiu a bordo horas antes. Infelizmente, ele
não estava sozinho, e em outro infeliz evento torcido, o homem com
quem estava com o mesmo não era Andrei. Que coisa
verdadeiramente decepcionante. Gannon Steele, com quase 1,82 de
altura, tinha uma ligeira construção e era sexy como o inferno.
Bunda apertada, olhos claros e uma boca que era... pecaminosa. Ele
era o oposto de Kieran em todos os sentidos.
O homem era doce e de fala suave, enquanto Kieran era frio e
duro. Andrei não podia mentir; Gannon fez sua boca encher de água.
O suficiente para que Kieran nem sequer precisasse pedir isso. Na
verdade não. Kieran tinha até mesmo oferecido um salário para
Andrei olhar Gannon, mas nenhuma dessas coisas poderia
convencer Andrei a fazer qualquer coisa que ele não quisesse fazer.
Kieran tinha chegado à pessoa certa nisso. Andrei não
duvidava que Kieran soubesse. Kieran sabia tudo sobre todos. Sem
dúvida, ele tinha contado que o passado de Andrei iria conduzi-lo a
manter Gannon a salvo do homem que passara os últimos dois anos
aterrorizando-o. O irmão mais velho do ex de Gannon. O ex que
Gannon tinha matado.
Kieran tinha dado a Andrei a história completa, especialmente
desde que Andrei se recusou a ouvir uma versão resumida da
verdade. O que aconteceu depois do tal evento não importava.
Andrei tinha ouvido com todos os detalhes que precisava. Gannon
tinha sofrido anos de abuso. Ele matou o homem responsável.
Andrei respeitava Gannon mais do que as palavras poderiam
descrever. Só Deus sabia quantas vezes ele desejara possuir a mesma
força.
Um flash de tênis brancos chamou sua atenção, puxando
Andrei de seus pensamentos escuros antes que o arrastassem para
baixo. Seu olhar fixou-se no movimento. Um sorriso maligno puxou
os cantos de sua boca enquanto avistava sua presa esgueirando-se a
bordo do barco de Gannon. Ele faria Orlando Johnston pagar em
maneiras que seu irmão tinha sido poupado. No que dizia respeito a
Andrei, o mais novo Johnston não teria tanta sorte.
– Você realmente não deve usar seu aniversário como o código
de segurança em seu telefone. Isso é apenas previsível.
Encostado à cabeceira da cama e parecendo mais que um
pouco perdido, Orlando moveu a cabeça de um lado para o outro,
olhando as cordas que prendiam seus braços à cama. Ele fechou os
olhos novamente antes de reabri-los e piscar para a visão mais uma
vez. Em vez de suplicar por sua vida ou fazer as perguntas que a
maioria das pessoas faria, Orlando agiu como se ser refém lhe
acontecesse todos os dias.
– Como você sabe meu aniversário? – ele soou como se sua
garganta estivesse machucada. Provavelmente estava, desde que
Andrei o tinha enchido com tranquilizantes suficientes para manter
o homem nocauteado por dias. Ele gostava de pensar nisso como um
período de reflexão.
– Eu sei tudo sobre todas as coisas, Orlando Johnston.
Orlando olhou ao redor da sala. – Sim, você sabe o meu nome.
Isso não é nada.
– Então você não se sente amedrontado, eu sou Andrei. – ele
se assegurou de pronunciá-lo devagar para que Orlando pudesse
entendê-lo. Entre seu sotaque e pronuncia, ele tinha um daqueles
nomes que ninguém acertava.
Orlando bufou, mostrando uma pitada de atitude. – Como se
eu sentisse medo de alguém.
Andrei enviou alguns textos usando o telefone de Orlando,
certificando-se de que o homem permanecesse no radar. Quanto
menos pessoas percebessem que ele estava desaparecido, melhor.
– O que você está fazendo com o meu telefone de qualquer
maneira? Você sabe que essa merda não é livre, certo?
– Você está dizendo a sua mãe sobre sua viagem para o norte.
Aparentemente, ela está com a impressão de que você tem uma
namorada. Você é um menino tão mau, mentindo para sua mãe.
Não se preocupe, no entanto. Vou deixar isso fácil. Ela agora acha
que você pegou sua namorada, suas palavras não minhas, traindo
você no final de semana passado.
– Cara, você me fez mentir. Isso não está certo.
– Não queria que ela se preocupasse – admitiu Andrei. – Não
faz tanto tempo desde que seu irmão morreu. Tenho certeza que ela
não gosta de ser mantida no escuro.
– Porra imbecil, meu irmão foi assassinado. Isso sim.
– Seu irmão mereceu morrer – disse Andrei, deixando de lado
o telefone de Orlando e dando ao homem toda a sua atenção.
–Cale a merda da sua boca, cara. Você não sabe nada de nada.
Andrei tentou não sorrir, sem sorte. Ele estava disposto a
acompanhá-lo.
– Ok, então, Orlando Johnston nasceu em 10 de março em
Jefferson Parish. Gostaria de falar sobre como você perdeu uma
bolsa de estudos para Tulane porque foi preso por posse de
substancias ilícitas? Ou devemos nos ater a como seu irmão
atormentou Gannon durante os dois anos em que estavam juntos e
teve um mau fim vindo para ele?
Para um homem amarrado a uma cama, Orlando fez um
trabalho admirável de mostrar indiferença. Ele encolheu os ombros
enquanto fazia um estalido com a língua.
– Merda. Aquilo foi uma porra, e foi julgado pelo tribunal.
Quanto a Seb, ninguém se importa com isso. Todo mundo sabia que
Seb não se importava com ninguém, especialmente com Gannon.
Andrei ligou seus dedos atrás de sua cabeça enquanto ele se
recostava em sua cadeira. Orlando achava que ele era duro.
Eles estavam apenas começando.
– Parece um buceta1 para mim.
Orlando correu a língua sobre os dentes ao comentário de
Andrei. Sem dúvida ele estava planejando a morte de Andrei.
– Foi difícil para Seb. Ele tinha uma reputação a defender.
Você deveria tentar ser gay, capitão do time de futebol, e namorar
alguém como Gannon. Seb tinha que ser duro.
Andrei bufou antes que pudesse se parar. Este homem não
tinha ideia com quem ele estava falando. Não que Andrei
pretendesse esclarecê-lo. Nenhum americano jamais entenderia o
que era ser gay e russo. Para não mencionar, jogar hóquei a nível
profissional. Mas Andrei fez o que sempre fazia; ele escondeu sua
amargura atrás de um muro de insanidade. Ele descobriu que as
pessoas estavam igualmente desinteressadas por ambos os lados
dele e o deixavam sozinho. Do jeito que ele gostava
– Eu acho que você não conheceu seu irmão. Você vê, às vezes
quando as pessoas veem você um pouco muito claramente, você os
ama enquanto secretamente os odeia também. É um jogo para ver
qual emoção vai ganhar. Seu irmão, amava Gannon e ele lhe disse
coisas que não ousaria contar para outra alma. Mas uma vez que
Gannon soube, seu irmão o odiou por isso. Acho que o ódio não
matou o amor, e seu irmão foi deixado com tanta coisa fodida em
sua cabeça, que ele não sabia o que fazer. Ele não queria ser fraco
aos olhos de Gannon, mas também não sabia como ser homem de
verdade.
– Essa merda nem faz sentido – disse Orlando, parecendo
frustrado. – Seb não era perfeito, mas não merecia morrer como
morreu. Se ele tinha alguma falha, era por que estava quebrado.
Meus pais lhe deram tudo. Então ele conheceu aquele maldito
bilionário, e ficou com ele. Até que o bastardo o matou, isso que
aconteceu.

1
Alguém que é covarde, fraco e etc...
– Você estava com ciúmes – Andrei disse, não porque ele
acreditasse, mas porque ele precisava fazer um ponto.
– Porra, não. Eu não estava com ciúmes. Eu apenas pensei que
ele era muito fraco.
– Mas ele era obviamente o favorito – Andrei provocou. – Até
mesmo o seu tio Roderick mimava Seb com presentes, hein?
Orlando ficou imóvel, fazendo Andrei se perguntar se ele tinha
parado de respirar. – Como você sabe disso?
Inclinando-se para frente, Andrei colocou os cotovelos sobre os
joelhos, concentrando seu olhar duro em Orlando enquanto lhe
lembrava da verdade.
– Eu sei tudo sobre todas as coisas. Você não terminou aqui
por acidente. – Andrei se recostou, vestindo sua personalidade
despreocupada mais uma vez. – Deve ter sido tão estranho ver
Roderick comprando a Seb seu primeiro carro quando ele nunca te
levou para um passeio sequer. Um soco no estômago, hein?
Orlando revirou os olhos. – Tenho certeza que ele planejou
cobrar esse favor no primeiro momento em que Seb virasse pro2, e
ele teria se não fosse por Gannon.
– Ah, tão jovem e mudo – Andrei disse, colocando-o em
espessura. – Começo a entender a raiva de seu irmão cada vez que
você abre a boca. Como ele deve ter sido rasgado, perguntando-se
por que todo mundo era tão cego, e por que ele era tão mudo.
– Eu acho que eles não acreditam em tortura em seu país –
Orlando disse secamente. – Todos falam até a morte.
O sorriso que puxava os cantos da boca de Andrei parecia mal,
até mesmo para ele.
– Se estivéssemos no meu país, eu já teria cortado sua língua, e
você rezaria pela morte misericordiosa que seu irmão recebeu. –
Andrei voltou ao modo despreocupado. – Mas perdemos o assunto,
hein? Se você deseja ter um tempo de silêncio, você pode colocar seu
boné de idiota e sentar aí calmamente para pensar. Por que um

2
Jogador Profissional
homem adulto gostaria de passar muito tempo com uma criança,
que não era dele, enchendo-o com brinquedos caros? Eu me
pergunto…
Andrei deixou sua acusação não expressa pendurar no ar.
Enquanto esperava que Orlando pudesse realmente pensar nos
sinais de alerta que ele deveria ter perdido ao longo dos anos, Andrei
apreciou a visão. Orlando possuía a cor da pele bonita. Era chocolate
ao leite macio, um tom lindo de moreno. Sua mandíbula muscular
tiquetaqueava enquanto olhava para frente. Uma linha apareceu
entre suas sobrancelhas, e a sua tensão aumentou.
Imagens feias que sem dúvida estavam passando pela cabeça
dele não trouxeram prazer a Andrei. Mas não havia justiça no
mundo, e nunca haveria, a menos que Orlando voltasse sua raiva
para a verdadeira razão de seu irmão ter morrido. Andrei não estava
exagerando. O irmão que Orlando conhecia e amava havia morrido
muito antes de conhecer Gannon. Gannon simplesmente estendeu a
vida do menino por mais dois anos. Se eles nunca tivessem se
encontrado, Seb provavelmente teria se matado, ou pior, porque
Andrei sabia em primeira mão que a morte era a escolha fácil.
Orlando finalmente disse com a voz quebrada. – Você é um
filho da puta doente. Você sabe disso?
Andrei suspirou enquanto Orlando continuava a xinga-lo cheio
de ódio. Levantando-se, agarrou o pano que tinha usado para
amarrar a boca de Orlando mais cedo e atravessou a sala. Ele perdeu
a conta das muitas maneiras que Orlando o amaldiçoou antes de
Andrei a amordaça-lo. Jogando uma perna sobre as coxas de
Orlando, Andrei sentou-se no colo do homem. Ele gostava de
torturar o homem debaixo dele um pouco demais.
– Você é um homem bonito. Lindo, realmente. – Orlando ficou
quieto, concentrando-se em Andrei como um animal selvagem,
esperando o pior. Seus olhos eram de um marrom dourado. – É uma
pena que você tenha uma boca suja igual a um banheiro.
– Você está brincando comigo? – Orlando resmungou em
torno da mordaça, de algum modo soando claro como um sino.
Com uma risadinha baixa, Andrei saiu e foi em busca de um
telefone. Ele tinha um álibi para criar.

***

Orlando observou em silêncio forçado enquanto Andrei


atravessava o quarto. A raiva podia ter-lhe dominado, se o homem
não o tivesse drogado. Não queria deixar apagar. Ele estava cansado
e suas costelas doíam, mas ele não podia mostrar a esse grande filho
da puta uma pitada de fraqueza.
Andrei pegou um telefone da mesa. – Silêncio agora, Chocolate
Sexy. Papai tem que fazer uma ligação.
Orlando não tinha intenção de aceitar isso tranquilamente. Se
o cara o quisesse morto, ele saberia que Orlando estava lá. Um
sorriso sinistro estendeu os lábios do outro homem, como se
soubesse exatamente o que Orlando estava pensando. Em vez de
deixar a sala ou forçar Orlando a ficar quieto, Andrei montou as
coxas de Orlando mais uma vez. Se Orlando não estivesse já com
tanta dor de ter suas costelas chutadas pelo novo homem de
Gannon, tentaria tirar o presunçoso filho da puta do seu colo.
Os olhos de Andrei brilharam perigosamente, desafiando
Orlando a fazer um movimento. Sua atenção mudou quando uma
voz abafada veio através do telefone pressionado contra a orelha de
Andrei.
– Noah – Andrei disse, soando como um homem que tinha
encurralado sua presa.
O humor piscou nos olhos de Andrei quando Orlando respirou
fundo e gritou em torno da mordaça em sua boca.
– Esse barulho? – Andrei perguntou, nunca perdendo seu
sorriso. – Eu tenho um Chocolate Sexy amarrado a minha cama,
gritando de prazer em torno do meu pau. Você deveria se juntar a
nós. Nós lhe daremos o melhor tempo da sua vida – ele terminou,
com uma piscadela para Orlando.
Orlando a morte em seu olhar. Estava fora de controle. Esse
idiota que o mantinha como refém era psicopata o suficiente para
fazer qualquer coisa. A maneira como ele estava tentando encher a
cabeça de Orlando com lixo era provavelmente alguma forma de
tortura psicológica.
Andrei soltou um suspiro pesado. – Você não sabe o que está
perdendo. Posso convencê-lo a jantar?
Desistindo de gritar na esperança de obter informações sobre o
seu paradeiro, Orlando esticou-se para ouvir cada palavra passando
entre o par. Ele nunca rompeu contato visual com Andrei. A última
coisa que precisava era ser visto como fraco. Se Andrei iria sair para
a noite, uma das duas coisas estava prestes a cair. Orlando teria sua
chance de escapar ou Andrei estava a momentos de matá-lo.
– Até depois – Andrei disse, desconectando sua ligação e
fazendo Orlando perceber que ele tinha perdido o foco. Ele tinha
perdido sua chance de escutar alguma coisa.
Andrei manteve o olhar fixo no rosto de Orlando. Seu olhar era
a coisa mais intensa que Orlando já havia visto.
– Você me desobedeceu. – a voz de Andrei era mais dura do
que qualquer tom que usou com ele antes. Ele afrouxou a mordaça
de Orlando, permitindo que ela caísse ao redor de seu pescoço. – O
que você tem a dizer?
– Foda-se. – deixando sua boca, a réplica de Orlando não tinha
a fúria que tinha em sua cabeça.
– Faço tantas vezes. Eu sou magnífico em foder gatinhos como
você. – seu olhar transformou-se em cínico, fascinando Orlando
contra sua vontade.
O homem tinha mais facetas do que qualquer pessoa que ele já
conheceu, ou possivelmente múltiplas personalidades. De qualquer
forma, era fascinante de se ver.
– Sabe, é um fato científico que ser gay funciona em famílias,
especialmente em homens. Você sabia, se um irmão é gay, há uma
chance de setenta por cento dos outros irmãos também serem. Qual
é, Orlando? Vocês é os setenta ou os trinta?
Apesar de tentar conter a si mesmo, Orlando bufou. – Eu
pensei que você sabia soubesse tudo sobre todas as coisas?
Um sorriso torto tocou os lábios de Andrei. – Talvez eu queira
ouvir isso de você.
Em vez de responde-lo, Orlando tentou mudar o assunto.
– Então, seu amigo no telefone, o que você teria feito se ele
tivesse concordado em compartilhar? Isso teria realmente fodido a
sua mentira.
Andrei murmurou, como se devesse responder à pergunta de
Orlando. – Eu sabia que ele não aceitaria.
– Como?
Inclinando-se para perto, Andrei olhou fixamente nos olhos de
Orlando quando respondeu.
– Conheço-o. Os olhos dele brilham com maldade, fome,
ganância ou desinteresse. Sempre que Noah fode alguém, ele é
ganancioso, esperando toda a sua atenção. Ele não gosta de
compartilhar. Você tem um brilho semelhante em seus olhos.
Orlando tentou derrubá-lo. Andrei não se moveu, enquanto
Orlando pagou pelo seu movimento. Um fogo ardente percorreu
suas costelas, roubando seu fôlego. O bastardo em seu colo riu.
– Foda-se – Orlando ofegou em torno da dor.
Um suspiro abandonou os lábios de Andrei.
– Eu adoraria amor, mas eu não fodo quem não está disposto,
e você não está, ainda.
Orlando tentou respirar através da dor, concentrando-se na
alegação de Andrei. Qualquer coisa para evitar apagar. – Jesus. Por
que você é tão pervertido?
O rosto de Andrei endureceu, mostrando um lado que Orlando
não tinha visto antes.
– Isso deixa as pessoas desconfortáveis – disse Andrei,
surpreendendo Orlando com sua honestidade tanto quanto sua
expressão. – Quando as pessoas estão fora do equilíbrio, elas são
fracas. Nunca subestime o poder das palavras. Causam mais dano do
que uma faca através do intestino.
Andrei tirou uma faca do bolso de trás e abriu-a, como se
enfatizando suas palavras. Com seu foco trancado na lâmina afiada,
Orlando esquece-se de respirar. Em uma atitude inusitada, Andrei
cortou as cordas segurando as mãos de Orlando.
– Eu vou sair por um tempo. Há um banheiro ali – disse ele,
apontando para uma porta à sua esquerda.
– Você alega que são apenas palavras, mas esta correndo para
ter sexo. – mesmo Orlando não conseguiu explicar a amargura que
tingiu seu tom. Andrei o surpreendeu ainda mais, permanecendo
sério.
– Isso não é eu me apressando para foder, gatinho. Não
precisa ficar ciúmes.. Preciso de um álibi. – ele bateu na coxa de
Orlando e saiu da cama. – Agora, seja bom enquanto eu...
Orlando saltou, com a intenção de se livrar da faca.
Aproveitando o estado enfraquecido de Orlando, Andrei facilmente
girou já a sua espera, pousando um cotovelo sólido nas costelas
lesionadas de Orlando. Uma sombra apareceu em torno das bordas
de sua visão. Desmaiar parecia uma possibilidade real a cada
segundo que passava. Com um empurrão, Andrei empurrou Orlando
para o colchão. À medida que a escuridão se estendia, com a
intenção de engoli-lo, Orlando ouviu a maldição de Andrei.
– Idiota.
Em seu último momento de consciência, Orlando riu. Andrei
nunca tinha soado mais americano.

***

As pálpebras de Orlando pesavam uma tonelada. Várias vezes,


ele tentou levantá-las, apenas para perder a batalha novamente. Ele
finalmente as abriu. Por uma fração de segundo, Orlando
experimentou um momento de felicidade ignorante antes que a
realidade caísse sobre ele mais uma vez. O cômodo desconhecido
lembrou-lhe que ele era um prisioneiro.
Rolando para um lado, ele tomou grandes cuidados com suas
costelas, esperando que o quarto parasse de girar. Ele sabia sem
olhar que Andrei tinha ido embora. Perguntou-se se o homem fazia
parte da máfia russa ou era um assassino. Ele tinha uma presença
poderosa que Orlando podia sentir sem ter que olhar para ele, e o
local estava vazio daquela opressão.
Quando finalmente conseguiu sentar-se, Orlando levou um
momento para se orientar. O quarto era desconcertante. Sem janelas
ou relógios, era impossível saber se era dia ou noite. Andrei poderia
ter ido embora há minutos, horas ou dias.
Sua bexiga apertou, e sua garganta queimou por falta de
umidade, dando-lhe algo mais para se concentrar. Depois de uma
rápida visita ao banheiro, Orlando verificou a porta do quarto,
surpreso ao encontrá-la destrancada. Ele saiu do quarto, esperando
que Andrei aparecesse a qualquer momento, detendo-o. Com a porta
aberta, Orlando olhou para seus arredores, chocado. Não havia
ninguém lá. A porta se abriu para uma área de cozinha. Orlando nem
sequer podia dizer que era isso. Era mais uma despensa com um
pequeno refrigerador que chegava a sua cintura e forno de micro-
ondas. Não havia uma pia, e apenas cerca de um pé de balcão abria
espaço em ambos os lados do frigorífico.
O detalhe que se destacava lá não era uma maneira para fora.
Que merda era aquele lugar. Não havia uma janela, uma porta ou
uma escotilha no teto. Era como se estivesse dentro de uma caixa.
Por tudo o que sabia, era exatamente onde ele estava – numa caixa
onde fora enterrado vivo. Para evitar o pânico crescendo dentro dele,
Orlando abriu a geladeira. Ela estava abastecida com bebidas
enlatadas e lanches.
Ele puxou uma bebida e um pacote de presunto. Sua mente o
traiu. O que Andrei sabia sobre Seb que ele não sabia? Orlando tinha
visto coisas e as interrogado antes de tirar conclusões, mas era
verdade?
Porra.
Não mudava nada. Ele tomou um refrigerante. Seb ainda
estava morto e Gannon ainda estava andando como se nada tivesse
acontecido.
Fechando os olhos, Orlando tentou evocar uma imagem de Seb
em sua mente. Ele não pode. Dois anos, isso era tudo o que tinha
levado para roubar a memória de seu irmãozinho. Deus. Não era
justo. Não havia justiça real na vida.
Seu estômago grunhiu, lembrando-o das necessidades de seu
corpo. Desistindo de resolver qualquer coisa agora, ele procurou nas
prateleiras, encontrando um pão e um vidro de mostarda. Havia
também alguns pratos de papel e uma caixa de talheres.
Orlando estalou o lacre de outra bebida enlatada quando seu
foco se fixou em um par de sanduíches. Enquanto empurrava a
comida em sua boca, seu olhar percorreu o local. Tinha que ter
deixado passar alguma coisa. A cafeína inundou seu sistema,
aumentando seu nervosismo. Certamente a saída estava olhando-o
na cara. Porem, não encontrou nada. Sua mente correu com
possibilidades. Todas elas ruins. Sem pistas sobre como ele poderia
escapar, Orlando voltou a procurar a minúscula estrutura. Não havia
telefones, laptops, ou tecnologia de qualquer tipo. Por tudo o que
sabia, ele poderia estar no meio do deserto ou sentado em um
caminhão na autoestrada.
Desistindo, tirou uma faca do interior da caixa de talheres e
enfiou-a dentro da sua roupa.
Ele não sabia quanto tempo tinha. Andrei poderia voltar a
qualquer momento ou não. Antes que o pânico pudesse se instalar,
Orlando empurrou aquele pensamento perdido para o lado e se
acomodou na cama para esperar.

***

O jantar com Noah tinha sido surpreendentemente bom. Não


que Andrei sempre pensasse em Noah como uma pessoa agradável,
mas o homem era mais quieto do que Andrei imaginava.
Eles já estiveram na cidade antes. A última vez que suas
equipes foram combinadas uma contra a outra, eles tinham festejado
dois dias seguidos. Naquele fim de semana, houve vários outros
jogadores envolvidos. Era a primeira vez que tentavam fazer algo
apenas os dois. Noah tinha sido educado. Era pacífico,
especialmente na esteira do negócio com Orlando.
– Quanto tempo você estará na cidade? – Noah perguntou
enquanto Andrei o acompanhava até a porta da frente.
Como não havia resposta segura, Andrei disse a verdade.
– Não tenho certeza. É metade da semana. Suponho que tenho
de voltar em breve.
Noah se apoiou contra a porta da frente e cruzou os braços
sobre o peito. – Este é realmente seu último ano? Não consigo te ver
aposentado.
Andrei balançou a cabeça, lutando contra um sorriso triste. –
Eu também, honestamente, mas aqui estou.
– Você vai se sair bem – disse Noah, soando como se quisesse
dizer isso. – O que você escolheu fazer a partir daí? – ele virou.
– Vou trabalhar para Kieran Steele.
Antes que Andrei pudesse entrar em detalhes, Noah agarrou a
manga da camisa de Andrei e puxou-o para mais perto.
Andrei foi voluntariamente. Eles estavam bem combinados em
altura, e quando os seus lábios estavam reunidos, foi no mínimo,
desanimador. Não havia nada de errado com Noah. Ele tinha
talento. Era Andrei. Quanto mais tentava desejá-lo, mais lhe não
ocorria.
Apoiando as palmas das mãos contra cada lado do corpo de
Noah, aprofundou o beijo ainda mais. O nível de calor aumentou em
seu corpo, mas o cérebro de Andrei não estava entregue ao
momento.
– Você vai ficar? – Noah perguntou contra seus lábios. Andrei
pensou sobre a questão.
Ele gemeu.
– Você não tem ideia de como estou tentado, mas não esta
noite. Não quero que pense que sou fácil. – ele podia sentir Noah
rindo, como ele esperava. Andrei inclinou-se para um último beijo,
estranhamente mais interessado desta vez. Beijo-o ate sentir os
lábios inchados.

***

O cheiro de álcool atingiu Orlando com tal força que o puxou


para fora de seu sono. Ele passou um momento se perguntando se
Andrei tinha se banhado de vodca quando tinha saído. Ele também
parecia inseguro em seus pés. Depois de alguns minutos de luta,
Andrei passou a camisa pela cabeça e caiu na cama ao lado de
Orlando.
Movendo-se lentamente e esperando não chamar a atenção
para si mesmo, Orlando virou a cabeça, fazendo o homem ao lado
dele ficar em sua linha de visão.
Com os dedos ligados por trás da cabeça e os pés cruzados nos
tornozelos, Andrei parecia à figura do homem descontraído – tanto
quanto um homem como Andrei podia parecer relaxado,
considerando que o homem parecia que nunca perdera um dia na
academia. Sua respiração profunda deu a Orlando a impressão de
que ele já tinha desmaiado. Um sorriso maligno puxou os cantos da
boca de Orlando. Ele deixou escapar a faca da sua roupa ate a sua
mão. O tempo não estava do seu lado. Com as costelas feridas e a
massa muscular de Andrei, Orlando tinha teve que ser rápido antes
que sua força diminuísse.
Encostando os pés contra o colchão, ele se esticou e saltou,
cobrindo o corpo de Andrei com o dele antes que o homem pudesse
contra-atacar. Ele apertou a faca na garganta de Andrei, totalmente
preparado para cortar sua jugular se Andrei não cooperasse.
– Diga-me como...
Orlando piscou, surpreso por Andrei pairando sobre ele. A
lâmina cortou a pele de sua garganta, fazendo-o estremecer. Ele não
tinha visto ou sentido Andrei se mover. Em um segundo, ele estava
no controle. No próximo, ele tinha a morte em seu rosto.
Os olhos cinzentos de Andrei eram diferentes de tudo o que
Orlando tinha visto antes. Eles pareciam capazes de qualquer coisa.
Esta era uma marca diferente de louco. A insanidade de Andrei era
assustadoramente silenciosa. Este homem iria matá-lo num piscar
de olhos ou sentir uma onda de remorso.
O pulso de Orlando batia rápido em seus ouvidos. Seu coração
batia tão rápido que não havia como Andrei não pudesse senti-lo. Se
ele voltou a lesionar as suas costelas na troca de posição, a
adrenalina que bombeava através de seu sistema mascarou a dor,
mas Orlando nunca tinha sido tão ciente de outro ser humano antes.
Cada lugar que o outro tocava ganhava vida.
Andrei piscou, como se saísse de um transe. Ele mudou de
posição, rolando seu peso para um lado, tirando a pressão das
costelas lesionadas de Orlando e confundindo o inferno fora dele. O
olhar do homem disse que não hesitaria em matá-lo enquanto suas
ações mostravam cuidado com ele. Infelizmente, o movimento
também tinha Andrei ciente da crescente ereção de Orlando. As
pálpebras de Andrei deslizaram para baixo, escondendo seus
pensamentos. Quando ele falou, seu sotaque engrossou, fazendo a
situação de excitação ficar pior. O corpo de Orlando reagiu sem sua
permissão.
– Se você quer matar um homem em seu sono, você deve usar
uma faca mais afiada.
Maldição, Orlando amava os loucos. Não havia nada que eles
não estivessem dispostos a tentar. Eles eram obsessivos, possessivos
e fodidos como se precisassem disse em suas almas. Assim como
Orlando. Uma onda de imprudência surgiu dentro dele. Ele fechou
os centímetros entre eles, tocando seus lábios com os de Andrei. Tão
rápido como aconteceu, tinha acabado. Andrei virou a cabeça, se
afastando e rolou para fora da cama.
– Vou dormir na cadeira.
Orlando se consolou de que poderia ter sido pior. Afinal, o
homem tinha uma faca. Ainda assim, ele não podia fingir que não foi
um chute em seu orgulho. Ele nunca tinha sido rejeitado outrora.
Mantendo o olhar afastado de Andrei, os olhos de Orlando
pousaram em um ponto escuro nos lençóis brancos. Ele estendeu a
mão, reconhecendo o telefone enquanto fechava os dedos ao redor.
Teria que esperar até que Andrei fosse dormir, mas Orlando não
achava que levaria muito tempo. Andrei reivindicou a cadeira,
cruzou seus tornozelos, inclinou sua cabeça para trás, e estava fora,
provando que Orlando estava certo.
Orlando segurou o dispositivo entre as mãos, mastigando o
lábio inferior e tentando decidir o que fazer.
Ele podia chamar a polícia, mas não gostava tanto dessa ideia.
Esse não era o seu jeito. Se ele tinha um problema, resolvia. Não
precisava de policiais em seus negócios. Ele deveria enviar um texto
para seus pais e avisando-os que ainda estava vivo, mas Andrei
cuidara disso. No final, dois anos de hábito venceu.
Orlando: Ele não me matou.
Gannon: Estou feliz em ouvir isso.
Orlando: Não, você não está.
Gannon: Você está certo. Eu não estou.
Orlando: Sinto muito por tudo.
Gannon: Não, você não sente.
Orlando: Você está certo. Eu não sinto. Posso te fazer uma
pergunta?
Gannon: Obviamente, eu não posso te impedir.
Orlando: De verdade. Você tentou mesmo salvá-lo?
Gannon: Todo dia por dois anos, até o dia em que ele quase
me matou.
Seus dedos pairavam sobre os botões. Ele não queria
perguntar, mas precisava saber. Às vezes, era melhor não saber, mas
não neste caso. A questão iria comer no fundo de sua mente para o
resto de sua vida, se não descobrisse a verdade. Era quase engraçado
como ele não questionou se Gannon iria mentir para ele. Ele não
faria isso.
Orlando: Andrei diz que Seb confiou algo a você. Isso é
verdade?
Gannon: Ele confiou muitas coisas a mim. Nenhuma das
quais ele queria que você soubesse.
Era difícil. Queria entender por que Seb se tornara a pessoa
que era antes de sua morte, mas tudo o que sabia era a raiva de um
irmão mais velho que queria proteger um irmão mais novo de algo
que não podia. O desejo de encontrar Gannon e bater a verdade fora
dele, era esmagadora. Isso nunca aconteceria. As perguntas que o
comiam ficariam lá para sempre. Era tarde demais para salvar Seb.
Estava sendo um inútil como sempre.

***

Com a cabeça nesse ângulo, Andrei assistiu Orlando enviar


textos de uma forma rápida. Havia uma possibilidade real de o
homem pedir ajuda. Andrei não pensava assim, ou ele não teria
deixado o telefone para Orlando encontrar. Não, Orlando era o tipo
de cara que lidava com as coisas por conta própria. Andrei
reconheceu o brilho de um fogo mal reprimido dentro dele.
Correspondia ao que Andrei carregava.
O cara o beijou. A vontade de balançar a cabeça em descrença
era esmagadora. De jeito nenhum Andrei poderia ter previsto algo
assim. Ele não ficou surpreso com Orlando. Sem dúvida, o homem
pensou que poderia perturbá-lo. Foi sua reação ao beijo de Orlando.
Andrei não podia se abalar. Mas ele quis o toque. Por um instante,
Andrei pensou em permitir, antes seu bom senso falou mais alto,
assumindo o controle e dando-lhe forças para virar a cabeça.
Orlando era um problema. Andrei dissera a verdade quando
eles haviam conversado antes. Ele podia ler a luxúria de um homem
somente por seu olhar, e o vício de Orlando era a insanidade.
Orlando podia, ocasionalmente, usar das mercadorias que ele
vendera uma vez, mas sua verdadeira droga de escolha era a loucura.
Essa merda levava Orlando para o alto. Andrei era um tesouro
daquele traço de caráter em particular, mas não queria ser nenhuma
parte do vício de Orlando.
Infelizmente, seu corpo não se importava. Queimava de desejo.
E se Orlando não estivesse tão preocupado se perguntando se Andrei
tinha dormido ou não, na esperança de agarrar seu telefone, ele teria
visto o quanto Andrei o queria. Não havia nenhuma maneira de
esconder a ereção em suas calças.
Enquanto observava Orlando voltar a dormir, a excitação de
Andrei não diminuiu. Uma vez que teve certeza de que Orlando
estava na inconsciência do sono, ele escorregou da cadeira e se
moveu para pegar o telefone. Ele riu um pouco quando percebeu que
Orlando tinha mudado seu código de segurança. Andrei precisou de
três tentativas, mas ele conseguiu desbloqueá-lo. Desta vez, ele usou
a data de nascimento de Seb. Andrei esperava sinceramente que
Orlando fosse mais criativo na cama do que era ao criar suas senhas.
Os dedos de Andrei congelaram na tela do telefone quando
percebeu onde seus pensamentos se dirigiam.
Sacudindo sua cabeça, ele voltou a verificar as mensagens de
Orlando. Ele só mandou mensagens para uma pessoa – Gannon. É
claro, pensou Andrei amargamente, até que ele o conteúdo da
conversa. Mesmo quando a luz do telefone se desvaneceu
lentamente, Andrei olhou fixamente através dos olhos sem visão. Ele
tinha sido amaldiçoado nesta vida com muito senso de razão. Era
impossível para ele olhar para qualquer situação e não ver os dois
lados.
Gannon não estava errado. Sob as mesmas circunstâncias,
Andrei teria escolhido o mesmo caminho. A vontade de sobreviver
era forte. Andrei saberia. Ele esteve lá. Infelizmente, Orlando
também não estava exatamente errado. Seu irmão morreu sob
circunstâncias suspeitas. Não apenas seu irmão, mas seu irmão mais
novo. Aquele que o mesmo seria mais impulsionado a proteger, e ele
tinha sido forçado a ver o homem responsável pela morte sair
impune.
Ante a morte do irmão, Orlando tinha – sem dúvida –
esquecido a verdadeira natureza de Seb, escolhendo lembra-se dos
seus pontos positivos. Este era simplesmente um daqueles tempos
em que não havia vencedores; apenas perdedores.
Orlando mudou em seu sono. Sua respiração engatou e a
excitação que quase desaparecera nele estava de volta. Droga, o
corpo de Andrei era estúpido. Obviamente, ele tinha tido muito
tempo sem alívio e queria este mimado, bastardo psicótico.
Enfiou o telefone ao lado de Orlando e foi para o banheiro. Ele
não se enganou. Se ele não cuidasse disso agora, acabaria fazendo
algo estúpido – como transar com o Chocolate Sexy em sua cama.
Com a porta do banheiro fechada e bloqueada contra a
tentação, Andrei afrouxou seu jeans. Seu faminto de luxuria tentou
escalar para fora da cueca a primeira sugestão da liberdade.
Empurrando sua mão dentro de seu jeans, Andrei acariciou sua
ereção. Seus olhos se fecharam quando ondas de prazer o
alcançaram. Ele tentou evocar a imagem de Noah em sua mente.
Cabelo escuro, olhos escuros e corpo esculpido, Noah Cote era
perfeito. Ele era bem humorado e livre de qualquer drama. A
imagem quente de Orlando encheu seus pensamentos ao invés,
lembrando-lhe que tudo sobre Noah era chato como o inferno.
Em sua cabeça, Orlando era sonho molhado de qualquer
homem. Andrei começou a se masturbar pra valer pensando no cara
dormindo no outro cômodo. Andrei adorava isto áspero. Seu
orgasmo bateu duro, arrancando um gemido de surpresa de seus
lábios. Ele engoliu enquanto seu prazer diminuía.
Andrei reconheceu seu erro imediatamente. Ele não ficaria
feliz agora, até que tivesse a coisa real. O desejo de sentir o gosto de
Orlando iria destruí-lo, e atormenta-lo de agora em diante. Nunca
voltaria a olhar para o homem sem se perguntar como seria fode-lo.
Andrei sempre fora seu pior inimigo.
Um peso sólido pousou nas canelas de Orlando, puxando-o de
um sono agitado. Em sua surpresa, ele disparou para cima, só para
acabar deitado de costas, segurando suas costelas. Droga, ele odiava
essa merda.
– Respire lentamente – disse Andrei.
– Foda-se – Orlando rosnou. – Essa merda vai curar?
Andrei ignorou a pergunta. – Eu pensei que você poderia
gostar de um chuveiro, então eu peguei a bolsa que você tinha levado
com você para Massachusetts. Menos as armas e as drogas, claro.
– Eu tenho uma licença para essa arma – Orlando disse
maliciosamente.
Depois de um minuto respirando pesadamente, o que ajudou,
Orlando sentou-se novamente. Dessa vez, ele se moveu mais
devagar. Ele olhou a bolsa sobre suas pernas, nunca ficou tão
agradecido de ver suas próprias roupas em sua vida. Seu olhar se
moveu para onde Andrei estava sentado– sem camisa e tomando
café como se fosse um dia normal da semana.
– Continue – Andrei insistiu, dando-lhe um sorriso perverso. –
Eu ainda estarei aqui quando você voltar.
Orlando revirou os olhos. Andrei piscou. Maldito bastardo.
Esses músculos, no entanto, eram incríveis. Ele nunca tinha visto
outro homem que parecesse com Andrei – que exalasse tal poder.
Seu peito, estômago e braços eram definidos enquanto seus ombros
eram enormes, fazendo-o grande. Seu cabelo era uma confusão
quente, combinando com seus olhos cinzentos. Os vários dias de
barba crescendo em sua mandíbula só serviram para enfatizar os
lábios cheios do homem. Eles estavam torcidos em um sorriso cínico
enquanto se dirigiria para o banheiro antes de se humilhar...
novamente. Mesmo sabendo que ele estava fazendo papel de tolo,
não impediu Orlando de correr com o banho, na esperança de voltar
mais cedo para ver o homem. Antes de conhecer Andrei, Orlando
não tinha percebido que era um masoquista. Agora, não havia como
negar.
Puxando um par de shorts e passando uma toalha sobre sua
cabeça, Orlando saiu do banheiro com gotas de água ainda saltando
pelo seu torso. Ele jogou sua bolsa de lado e se acomodou na cama
com as costas apoiadas na cabeceira da cama. Uma vez estabelecido,
Orlando não pôde evitar olhar para Andrei por mais tempo. Ele não
estava mais sorrindo. No olhar de Andrei havia fome. Orlando tinha
certeza disso. Contra sua vontade, o foco de Orlando se fechou no
peito nu de Andrei. Parecia duro, apetitoso – exatamente como o
homem. Seu olhar mergulhou mais baixo, para o abdômen que
chamava que adoraria provar.
– Você quer falar mais sobre Gannon hoje, ou devemos falar
sobre as merdas que você usa, você é traficante por acaso? – Andrei
perguntou, puxando o olhar de Orlando de volta ao seu rosto.
O calor no tom de Andrei combinava com a luxúria nas veias
de Orlando. Não sentiu um pingo de raiva sobre a afirmação de
Andrei.
– Tenho um emprego de verdade – disse Orlando, soando
excitado até mesmo nos seus próprios ouvidos.
O telefone de Andrei tocou antes que ele pudesse expressar a
descrença que sem dúvida estava passando por sua mente. Uma
sombra passou por cima das feições de Andrei enquanto olhava para
o dispositivo em sua mão. Ficando de pé, Andrei respondeu, falando
em russo enquanto se dirigia para a porta. Orlando reprimiu um
gemido pelo modo como o corpo de Andrei se movia. As calças de
moletom se moldavam ao seu bumbum e pernas torneadas, Andrei
era quente como o inferno.
Queria-o em sua cama. Merda... Droga. Com a atenção presa
à maneira como Andrei enchia os ombros largos da porta, levou um
segundo para notar as costas de Andrei. Uma vez que ele o fez, o
sangue de Orlando congelou.
Varias cicatrizes extensas cobriam cada polegada acima da sua
linda pele. Orlando levou alguns minutos para perceber que Andrei
havia desconectado sua ligação e estava olhando-o. Ele queria
perguntar o que o inferno tinha causado todas essas marcas, mas a
expressão de Andrei não permitia conversa. O peito de Orlando
apertou. Ele reconhecia aquele olhar. Era o que Orlando via cada vez
se olhava no reflexo do espelho. Outras pessoas viam o que Orlando
escolhia mostrar – bondade, crueldade, ou o que quer que seja. Mas
ele sempre soube a verdade. Ele era uma casca vazia. Andrei parecia
ser o mesmo.
– Eu tenho que sair. Você precisa de alguma coisa?
Orlando piscou de surpresa, vendo Andrei vestir uma
camiseta. Em face desta nova descoberta, Orlando ficou sem
palavras. Ele não podia responder.
– Ligue para mim se sim – Andrei disse por cima do ombro
enquanto se dirigia para a porta. Andrei tinha ido embora antes que
Orlando tivesse tempo de lembrá-lo de que ele não sabia o número
do telefone dele.
Três horas se passaram antes que Orlando pudesse aguentar o
suspense. Verificando a bateria em seu telefone, Orlando ficou
aliviado ao descobrir que ele tinha metade da carga, fazendo-o saber
se Andrei tinha carregado para ele em algum momento. Tentou
pensar em quem poderia chamar. Apenas um nome veio à mente.
Orlando reprimiu um gemido. Não havia muita esperança de
que Gannon o ajudasse, mas Orlando sentiu-se empurrado a tentar.
Quando desbloqueou, discou o número de Gannon, ouvindo
enquanto tocava seis vezes antes que uma voz desconhecida
respondesse.
– Você realmente não aprende, não é garoto?
Orlando queria rosnar ao som da voz de Alex, mas ele ainda se
recusava a ceder. – Preciso do número de Andrei.
– Porra, você está brincando comigo? Não.
– Olha cara, eu não estou mais feliz com isso do que você, mas
acho que algo está errado com Andrei. Se você não quiser me passar
o número, você pode pelo menos ligar para ele para mim?
Alex rosnou. Sentiu sua raiva através da linha, soando
exatamente como se o homem estivesse de pé ao lado dele.
– Jesus. Eu não posso acreditar que eu estou mesmo aceitando
isso. Vou fazer, mas não ligue para cá novamente.
Orlando não estava surpreso quando a linha caiu, deixando-o
saber que Alex tinha desligado na sua cara.
Imbecil!!!!!!
Orlando não se importava enquanto Alex fizesse o que tinha
pedido. Cento e oitenta minutos lhe tinham dado muito tempo para
pensar. Algo tinha estado definitivamente errado com Andrei
quando ele saiu. No início, ele tentou dizer a si mesmo que ele estava
preocupado que ficaria trancado neste lugar para sempre se alguma
coisa acontecesse com Andrei. Mas havia uma voz minúscula nas
profundezas da sua mente, sussurrando que ele era um mentiroso.
Quinze minutos depois de sua desastrosa conversa com Alex,
Andrei tropeçou para dentro do quarto. O cheiro de álcool atingiu
Orlando quando Andrei estava a três metros da cama. Orlando
assistiu em silêncio enquanto Andrei tirava as botas e a camisa sobre
a cabeça. Desta vez, quando Andrei subiu na cama ao lado dele,
Orlando rolou para seu lado, apoiando a cabeça com as mãos e
olhando abertamente para o perfil de Andrei.
– Você bebe demais.
Andrei colocou um braço sobre os olhos, como se tentasse
bloquear a luz. – Acho isso ridículo vindo de um traficante de
drogas.
Orlando tentou engolir sua irritação sem sucesso. – Eu já
disse, eu não sou nenhum traficante.
– Sim, porque todo mundo carrega uma arma e drogas com
eles quando eles vão aterrorizar alguém.
Orlando tentou ficar irritado silenciosamente, mas não durou
muito. Ele odiava quere-lo em silêncio.
– Por que diabos estou me incomodando ao tentar falar com
você? – era quase engraçado a maneira como Andrei manteve seu
rosto coberto, mas ainda continuava firme na conversa.
– Se você realmente quer minha opinião sobre isso, eu acho
que você gosta do som de sua própria voz, mas tudo bem. Eu
também gosto. – Orlando olhou para Andrei, perguntando-se se ele
tinha ouvido direito. Andrei foi o primeiro a quebrar o silêncio. –O
que você fez enquanto eu estava fora?
– Espiei suas coisas – Orlando respondeu sem um único
escrúpulo. Não era como se Andrei realmente tivesse algo para ele
pegar, de qualquer forma. – Recebi uma ligação do serviço–
acrescentou, preparado para passar a lista do seu dia.
– Que tipo de trabalho você faz?
Estava na ponta da língua de Orlando lembrar a Andrei que ele
sabia tudo sobre todas as coisas, mas ele escolheu deixar passar.
– Eu sou um paramédico.
– Um trabalho admirável. Você é muito mais adequado para
isso do que traficante de drogas.
Orlando contou até dez dentro de sua cabeça antes de
pressionar. – Como eu estava dizendo, eu também me preparei um
sanduíche e liguei para Gannon. Claro, Alex respondeu, então eu não
consegui falar com ele.
Andrei soltou um suspiro. – Você nunca aprende, não é? Por
que não pode deixar o homem em paz?
Orlando tinha feito a si mesmo essa pergunta mil vezes. Ele fez
o seu melhor para responder honestamente sem desnudar as
profundezas da sua alma.
– Ninguém sabe realmente o que aconteceu naquela noite ao
lado do rio. Ninguém além de Gannon – acrescentou, como se
Andrei não soubesse. – Você não pode imaginar como é não saber.
Gannon sabe tantas coisas secretas do meu irmãozinho, assim como
os últimos segundos de sua vida. Nada vai trazer Seb de volta. Eu só
quero ouvir Gannon dizer as palavras, entendeu?
– Gannon é um homem bom – disse Andrei, soando cansado.
– Todo esse tempo se você tivesse só ido pergunta-lo, eu acho que
ele teria dito tudo o que você desejava saber.
– Huh – Orlando zombou. – Sentar e tomar café com o
assassino do meu irmão. Talvez tenhamos um almoço de domingo
logo após os cultos.
Andrei suspirou. – Eu acho que você sabe em seu coração que
foi legitima defesa.
Embora Andrei ainda tivesse os olhos cobertos, Orlando
sacudiu a cabeça. – A coisa é, eu realmente não sei. As pessoas não
sabem o Kieran fez para cobrir a desculpa de auto-defesa. Minha
mãe acha que ele fez a coisa cristã, protegendo a reputação de Seb,
mas eu não posso ver Kieran Steele dando uma merda sobre a
reputação de ninguém, a menos que sejam um dos seus próprios.
– Por que não pode ser ambos? A maioria de nós vive naquela
área cinzenta da vida onde podemos mostrar compaixão e crueldade
ao mesmo tempo. Talvez você não tenha chegado a essa maturidade
mental ainda. So tem vinte e três anos.
– Você fala como se fosse velho. Quantos anos você tem?
– Trinta e cinco – respondeu Andrei, soando à beira do sono.
– Trinta e cinco? Droga, quero ficar assim. Nunca vi alguém da
sua idade tão bonito quanto você.
Andrei finalmente virou a cabeça e abriu um olho. Orlando riu
um pouco da malícia que brilhava nos olhos acinzentados.
– Agora, quem pensa que eu sou velho?
Orlando não conseguiu engolir sua risada dessa vez.
– Eu disse “sexy como o inferno" também, mas tudo que você
ouviu foi o "velho".
Andrei cobriu os olhos novamente. – Eu não ouvi nenhum
"sexy como o inferno" em nada do que você disse.
– Ok, então – Orlando disse, se divertindo mais do que ele
poderia se lembrar em muito tempo, o que dizia muito sobre como
sua vida tinha sido fodida. – Sexy como o inferno. Corpo delicioso,
olhos lindos. Lábios tentadores. Devo continuar? Porque eu poderia.
Que tal a bunda? Merda, acho que poderia falar sobre seu traseiro
por um longo tempo.
Andrei não respondeu, fazendo Orlando se perguntar se ele
finalmente tinha adormecido. Ele decidiu descobrir.
– Claro, você provavelmente não pegou nada disso quando eu
estava falando mais cedo. Tudo que você ouviu foi "velho, louco, e
caindo aos pedaços. – ele olhou para o perfil de Andrei, esforçando-
se para ver qualquer reação. – Eu aposto que seus reflexos são lentos
também. Ontem à noite, eu te acordei, e essa é a única razão pela
qual você me pegou.
A satisfação rugiu pelas veias de Orlando quando ele se viu
deitado de costas, preso pelo peso de Andrei mais uma vez. Assim
como na noite anterior, a pele de Orlando se apertou com a
consciência de cada lugar que seus corpos se tocavam. A forma como
os olhos cinzentos de Andrei brilhavam fazia a pele de Orlando se
arrepiar.
– É essa a reação que você estava esperando?
– Não. – Mesmo para seus ouvidos a afirmação soara
mentirosa.
– Deixe-me saber quando lhe der o que você quer.
Orlando prendeu a respiração, esperando o próximo
movimento de Andrei. Sua boca cobriu a de Orlando. O tempo
parou.
Tudo sumiu. Inclusive a razão pela qual estava ali. Era apenas
dois homens se beijando. O beijo de Andrei era lento, sedutor. Sua
língua chupava eroticamente em torno da de Orlando, acariciando e
recuando. Os dentes de Andrei afundaram no lábio inferior de
Orlando, puxando e mordiscando. O pau de Orlando estava duro o
suficiente para causar danos. Ele tinha experimentado o desejo
inúmeras vezes, mas Orlando nunca tinha se sentido tão necessitado
por um simples beijo. Exceto que não havia nada de simples em seus
lábios se tocando.
Os dedos de Andrei rasparam a pele de Orlando enquanto os
enrolava ao redor da cintura dos shorts de Orlando, arrastando-os
para baixo do quadril. Orlando jurou que sua pele estava em
chamas. Mal podia respirar pela luxúria sufocante que lhe consumia.
Tudo que ele podia fazer era segurar os lençóis. Andrei tinha total
controle do seu corpo.
Orlando gemeu. Era um erro. Andrei saltou da cama. Um grito
de negação rasgou a garganta de Orlando antes que ele pudesse
segurá-lo de volta.
Ele assistiu, horrorizado, enquanto Andrei saía do quarto,
murmurando em voz baixa em russo a cada passo. Orlando apertou
os olhos, tentando forçar o ar de volta para seus pulmões.
Perguntou-se se era assim que ele morreria, de desejo e
malditamente frustado.
Andrei reapareceu pela porta, atraindo a atenção de Orlando
para ele. Ele ergueu um conjunto familiar de chaves – pertenciam ao
carro Escalade de Orlando. Andrei colocou as sobre a mesa. Por um
momento, sua mão pairou sobre elas como se estivesse rasgado ao
faze-lo. Finalmente, ele deu um passo para trás, mas ele ainda se
recusava a encontrar seu olhar.
– Não me faça sequestra-lo novamente, porque não gostará
das consequências. – sem esperar pela reação de Orlando, Andrei
desapareceu pela porta mais uma vez.
Orlando olhou para o local onde Andrei tinha estado segundos
antes. Ele estava libertando-o. Bem desse jeito. Que porra é essa?
Depressa, Orlando manteve seus olhos colados nas chaves dele
enquanto vestia um jeans e uma camiseta. Uma vez que estava
vestido, ele agarrou sua mochila e pegou as chaves do seu SUV.
Encontrou Andrei de pé no balcão e olhando para o nada.
Durante cinco minutos, Orlando olhou para as cicatrizes que
cobriam as costas de Andrei. Elas eram enormes, e obviamente não
estavam ali por causa de algum acidente.
Linhas retas, indo profundamente na carne e perfeitamente
alinhadas, com formatos de cruzes marcando sua pele. Orlando
segurou suas chaves e sua mochila mais apertado, para impedir-se
de se aproximar e tocá-las. Foda-se. Tinha perdido sua mente.
– Como faço para sair daqui?
Andrei olhou por cima do ombro, encontrando o olhar de
Orlando brevemente antes de acenar com a cabeça em direção às
filas de prateleiras.
– Há um botão escondido no lado interno da terceira estante.
Agachando-se debaixo da prateleira que Andrei indicou,
Orlando encontrou o interruptor. Quando ele pressionou, toda a
parede estilo despensa se abriu, revelando um sistema de prateleiras
idêntico no lado oposto.
– O merda de lugar é este?
Andrei encolheu os ombros. – É como uma combinação de
abrigo de tempestade/quarto do pânico.
Orlando olhou para fora. Era óbvio que o cômodo estava
dentro de uma das casas mais caras que já vira em toda sua vida. –
Onde estamos?
Sem olhar para ele, o tom de Andrei disse-lhe a resposta que
deveria ter sido óbvia. – Na casa de Kieran Steele.
Um sorriso irônico retorceu os lábios de Orlando. – Como um
irmão mais velho, eu posso respeitar isso.
Andrei finalmente se virou e concentrou-se em Orlando. – Eu
não acho que eu preciso explicar para você que esta visita foi um
aviso. Não ameace mais o Gannon. Sua mãe é uma boa mulher. Ela
não deveria ter que chorar pela perda dos dois filhos.
Contra sua vontade, Orlando sacudiu a cabeça.
– Você realmente é um filho da puta louco, não é? – Andrei
não respondeu. Orlando sentiu o sorriso perverso puxando seus
lábios. Ele não tentou esconder seus sentimentos. – E você? Você
está fora dos limites depois disso? Porque aqui está a coisa; você
mexeu com o cara errado, te farei pagar imbecil.
Os olhos de Andrei brilharam perigosamente, fazendo com que
a sua coragem diminuísse um pouco. – Se você puder me encontrar,
você pode tentar.
A pele de Orlando apertou de raiva. Em um movimento suave,
ele chutou a prateleira de volta no lugar e se moveu para o lado de
Andrei.
Dessa vez, não havia como Andrei não saber o que estava por
vir. Ele deixou acontecer. Ainda assim, ele manteve as mãos para si
mesmo enquanto Andrei capturava sua boca. Ele levou Orlando até a
beira. Queria que Andrei perdesse o controle– ansiava pela picada
de seus dentes e pelo chicote de sua fúria. Em vez disso, ele
simplesmente aceitou o beijo punitivo de Orlando, deixando
Orlando querendo mais.
– Eu vou te encontrar – Orlando prometeu enquanto se
afastava e deixava Andrei para trás. Ele chegou a meio caminho da
liberdade antes que Kieran bloqueasse seu caminho.
– Sr. Johnston. Vejo que você está pronto para deixar nossa
agradável hospedagem.
Orlando bufou. – Como se eu não tivesse sido sequestrado, seu
fodido.
O olhar de aço de Kieran nunca vacilou, nem sua expressão
vazia mudou. – Eu não tenho ideia do que quer dizer. Andrei te para
a minha casa porque você estava bêbado demais e chapado de
drogas. Você esteve aqui por dois dias, se recuperando, eu suponho
que desde que não havia nenhuma fechadura no local, você não
estava aqui contra sua vontade. Se quiser chamar a polícia e dizer-
lhes que você foi muito burro para achar a porta, sinta-se livre para
fazê-lo.
– Eu estava preso à cama – Orlando disse, tentando e não
conseguindo esconder a indignação da sua voz.
– Eu vejo – disse Kieran secamente.
Isso fez com que Orlando ficasse aquém. –Temos câmeras por
toda casa, Sr. Johnston.
Durante um minuto inteiro, Orlando só pôde encarar Kieran
num silêncio chocado. Se houvesse câmeras por toda parte, e Kieran
o estivesse observando, então ele tinha testemunhado tudo o que
tinha acontecido entre Andrei e ele.
– Por favor entre no meu escritório por um momento antes de
sair – disse Kieran, acenando para a porta aberta à sua direita.
A mente de Orlando percorreu todos os detalhes dos dois dias
passados, imaginando o quanto Kieran tinha visto... depois cedeu às
exigências de Kieran. Kieran fez um gesto para que ele se sentasse, e
Orlando o fez enquanto estava no piloto automático. Kieran
reivindicou o assento em frente, com sua grande e imponente
escrivaninha entre eles. Um suspiro interior ecoou em sua mente.
Esta não era a primeira vez que Orlando estava nesta posição com
Kieran.
– Andrei me disse que você tinha um bastão com você quando
ele o encontrou.
– Não era para Gannon – disse Orlando, sendo honesto.
Kieran suspirou e suas feições se suavizaram. – Tem que
superar, Orlando. Não há nada que você ou alguém possa fazer a
Gannon que seja mais torturante do que o que ele faz a si mesmo.
Orlando não conseguiu se controlar. – Então, isso ou o quê?
Matara-me também?
– Sim – Kieran disse sem um pingo de culpa. – Eu sugiro que
você leve isso a sério.
Orlando não acreditou nem por um segundo que fosse uma
sugestão. Kieran não iria conseguir pega-lo se houvesse uma
próxima vez.
Um mês depois...

Tudo o que Orlando queria era assistir o jogo final da


temporada de hóquei e talvez beber um pouco de cerveja enquanto
os Blue Fore acabavam com os Red Zones. Cinco minutos depois, ele
sabia que isso não iria acontecer, graças a dentes salientes e colônia
muita forte. Um cara Magrelo tinha deslizado ao lado dele.
– Eu sou Charlie.
Orlando abaixou a cabeça, deixando que o cara soubesse que
tinha ouvido. De jeito nenhum ele diria seu nome.
– Você tem um nome?
Maldição. Que idiota! Soltando um suspiro exasperado,
Orlando cedeu. – É Orlando.
– Eu estive lá. É legal.
Jesus. Faça-o parar. – Eu ouvi.
– O que você faz para viver, Orlando?
– Eu sou um paramédico.
Um. Dois. Três. – Estive em uma ambulância uma vez. Custou-
me uma fortuna.
– Desculpe ouvir isso – Orlando disse, reiniciando a contagem
mental para buscar paciência. Um. Dois. Três.
– Claro, se meu paramédico fosse parecido com você, eu não
teria reclamado sobre a conta.
Teria sim. Era a mesma besteira toda vez... esperava que um
dia isso mudasse.
É um trabalho admirável. As palavras de Andrei soaram nos
seus ouvidos, fazendo-o desejar uma vida diferente. Os olhos de
Orlando trancaram sob a TV pendurada atrás do bar, bloqueando o
cara que não desistia de tentar chamar sua atenção. Uma imagem
familiar apareceu na tela. Orlando congelou com a cerveja meio
levantada até os lábios. Era como se seus pensamentos conjurassem
Andrei do nada. Os dias separados aumentaram a barba sexy e cheia
dele, observo-o atentamente pelo ângulo da câmera. O olhar de
Orlando caiu para as palavras que apareciam sob a tela.
– Andrei Kuznetsov no Red Zones em seu último jogo antes de
se aposentar.
Ele estava de pé antes que a imagem de Andrei desaparecesse.
Ele disse a Andrei que o encontraria. Agora, era o fodido momento.

***

Tinham conseguido a vitória no seu último jogo. Foi uma


vitória agridoce, especialmente desde que seu amigo Alex ( do time
adversário) tinha perdido. Andrei retrocedeu um risinho quando
pensou. O conhecimento de que nunca mais jogaria esse esporte que
tanto amava era meio surreal. Quase não parecia verdade. Ele tentou
não analisar muito a situação. Se o fizesse, Andrei poderia entrar em
uma depressão da qual jamais se recuperaria. Ele tinha ficado mais
anos jogando do que a maioria. Sem mencionar, que estava se
mudando para outra profissão tal boa quanto essa. O que mais ele
poderia querer?
Andrei olhou ao redor da mesa para seus amigos mais
próximos, alguns novos e outros de velha data, e tentou manter o
sentimento de esperança. Mas enquanto observava Kieran e Henley
falando em voz baixa e cheia de carinho, Alex e Gannon roubando
beijos quando pensavam que ninguém estava assistindo, e Noah
mandando mensagens para alguém, Andrei se sentiu extremamente
solitário.
Sempre fora assim para ele. Não importa o quão difícil ele
tentasse se encaixar ou ser normal, isso nunca acontecia.
Merda, ele havia desistido disso há vários anos atrás. De vez
em quando, ele estendia a mão, só para perceber que ainda estava
vivo e não em algum filme gótico de enredo ruim.
De repente, o olhar de todos se moveram para o ponto sobre
seu ombro. Desde que tinham reservado um lugar privado dentro do
bar do hotel, Andrei assumiu que a garçonete tinha retornado com
os pedidos. Pensou isso, até que um hálito quente com cheiro de
cerveja roçou sua orelha.
– Eu te disse que te encontraria.
– Jesus Cristo – Alex gemeu ao lado dele. – Você é como uma
herpes, quando pensamos que acabou você retorna.
– Orlando – Andrei disse antes de levantar sua lata de Coca-
Cola para seus lábios, tentando esconder sua surpresa.
Enganchando o braço em uma cadeira, Orlando a puxou para
perto do lado de Andrei, ignorando o protesto de Alex. Isso chamou
a atenção de Noah. Ele estendeu a mão para Orlando.
– E aí cara. Eu sou o Noah.
Uma risadinha baixa deixou os lábios de Orlando, fazendo com
um frio subisse pela espinha de Andrei.
– O mesmo Noah com quem tentou me compartilhar? –
Orlando perguntou a Andrei sem se importar em dar mais
explicações. Ele sabia que Andrei iria entender.
– Primeiro e único – Andrei disse, sentindo-se entorpecido.
Noah franziu a testa quando Orlando aceitou sua mão
estendida. – Porra, estou boiando aqui.
Andrei assistiu a cena inteira com uma crescente sensação de
pavor, especialmente quando um sorriso perverso espalhou-se pelo
rosto de Orlando.
– Eu sou o Chocolate Sexy que ele tinha amarrado à cama, que
estava gemendo de prazer enquanto os dois conversavam ao
telefone. – Orlando acrescentou com uma piscadela para ele, como
se esse tipo de coisa acontecesse todos os dias da semana em sua
vida.
Andrei sufocou um gemido de vergonha. Para sua surpresa,
um sorriso explodiu no rosto de Noah.
– Eu pensei que era uma piada. Você tem um nome além de
"Chocolate Sexy"?
– É Orlando.
– Prazer em conhecê-lo, Orlando – Noah disse antes de se
concentrar em Andrei. – Agora sei por que você não quis me foder
naquela noite, mesmo depois daquele beijo de tirar o folego.
Andrei não conseguiu conter o gemido mortificado dessa vez.
Essa merda estava ficando ruim. Ruim pra caralho!
– Você o beijou? – o tom acusatório de Orlando não podia ser
ignorado.
Andrei passou a mão nos olhos. – Essa merda não devia estar
acontecendo.
Obviamente reconhecendo o desconforto de Andrei, Alex
tentou vir em seu socorro. Infelizmente, ele estava bebendo e não
devia ter pensado nisso.
– Foi apenas um beijo cara – disse Alex, acenando com a mão
minimizando o fato. – Isso não é nada. Veja, eu beijei Henley, e olha
onde estamos agora.
Andrei mal se deteve de bater a cabeça na mesa, em vez de
ajuda-lo seu amigo só piorara a merda da situação.
– O quê? – Gannon rosnou extremamente magoado e irritado,
estava irreconhecível.
Alex tentou retroceder. – Eu nem te conhecia ainda, amor.
Os olhos de Kieran brilharam de raiva, fascinando Andrei. Ele
não sabia se tal coisa se devia a presença de Orlando ou por causa de
Henley. Então ele falou, limpando qualquer dúvida.
– Eu vou lidar com você mais tarde – Kieran disse, soando
mortal quando olhou para Henley.
– Ainda não posso acreditar que você disse que não tinha nada
com ele, e teve a cara de pau de rastejar de volta para a cama comigo
depois – disse Orlando, fazendo um trabalho admirável ao fingir
estar ferido.
– Sério, isso não podia estar acontecendo – Andrei repetiu,
incapaz de se parar.
– Porra, porque não nos vingamos sexy ?– Noah disse, soando
irritado e chamando a atenção de Andrei para ele.
Se levantando, Noah agarrou a frente da camisa de Orlando,
pegando o homem de surpresa tempo suficiente para cobrir a boca
de Orlando com a dele. A mandíbula de Andrei ficou tensa enquanto
observava Orlando aceitar o beijo. Não durou muito, mas passou
tempo suficiente para que contemplasse todas as maneiras que
poderia bater a merda fora de Noah, se o cara não parasse de tocar
no seu homem.
SEU HOMEM???. O que diabos estava acontecendo com ele?
Noah se afastou, sussurrando algo no ouvidos de Orlando
antes de se afastar. Ele tentou se acalmar enquanto Orlando olhava
para ele, aturdido.
– Pronto. Agora, todos foram beijados – Noah disse, soando
presunçoso.
– Tecnicamente, isso não resolveu nada para mim– Gannon
resmungou, ainda soando ferido e fazendo Andrei sentir-se como
uma merda. Alex nunca teria falado aquilo se ele não estivesse
tentando vir em seu resgate.
Noah deu um passo na direção a Gannon, como se quisesse
fazer outro ponto. Alex levantou a mão, detendo-o. Seu rosto
endureceu, seus olhos estavam enlouquecidos de uma maneira que
Andrei nunca tinha visto.
– Porra, irei mata-lo se ousar tocar nele. Seu imbecil. Mato-te.
Bem aqui e não estou brincando.
Seu amigo não estava brincando. Se Noah desse mais um
passo, Alex mataria o homem em uma sala cheia de testemunhas.
Era óbvio que Noah sabia disso também.
Ele ergueu as mãos, em rendição.
– Só estou tentando ajudar, homem, mas deixe para lá. – ele
voltou sua atenção para Andrei. – Parabéns pela sua aposentadoria.
Acho que vou sair, e deixar todos... – ele fez um gesto entre Andrei e
Orlando como se estivesse procurando o termo certo antes de
desistir, e simplesmente dizer:
– Seja o que for.
Andrei levantou-se. – Eu te acompanho.
Talvez então ele pudesse pensar em alguma maneira de se
explicar. O rosto de Noah endureceu e Andrei soube que o magoara
saber de Orlando.
– Não há necessidade.
Andrei suspirou derrotado. Ele esperou até que Noah saísse
pela porta antes de virar o seu temperamento para Orlando.
Ele agarrou a gola da camisa de Orlando, puxando-o para seus
pés antes de poupar um olhar para o resto da mesa. Alex estava
segurando possessivamente Gannon enquanto lhe mostrava como
um homem de verdade beijava. Kieran e Henley estavam reunindo
suas coisas.
– Por favor, desculpem-me, mas tenho que cuidar dele e volto
– Andrei rosnou para a sala em geral.
Kieran rejeitou sua afirmação.
– Cuidar dessa bagunça levará tempo. Acho que vamos para
casa. Parabéns, mais uma vez, por sua aposentadoria.
Andrei assentiu, aceitando suas felicitações antes de mergulhar
o queixo na direção de Alex e Gannon.
– Por favor, dê-lhes minhas desculpas quando eles decidirem
respirar.
Sem esperar pela concordância de Kieran, Andrei dirigiu-se
para a porta, puxando Orlando consigo. Enfurecido nem sequer
começava a descrever seu humor atual. Por sorte, a casa de Andrei
não era longe.
No instante em que ele puxou um Orlando estranhamente
silencioso dentro do apartamento, ele bateu as costas do homem
contra o interior da porta fechada. Com as mãos sob a cabeça do
outro homem, Andrei olho-o com fúria e luxuria desenfreada.
– Porra, como se atreveu a vir aqui?
Orlando não tentou argumentar. Seu olhar era desorientado,
seus lábios ligeiramente entreabertos e seu peito arqueado diziam
que o homem sentia uma emoção completamente diferente de medo
ou raiva. A polegada de distancia que os separava desapareceu,
Andrei estava consumido por um desejo intenso. De jeito nenhum
ele permitiria que a expressão languida no rosto de Orlando fosse
devido ao beijo de Noah. Ao contrário de seu último beijo, Andrei o
beijou de forma violenta. Lábios, língua e dentes. Explorava com
experiência cada recando da doce boa do outro homem. Mas ainda
assim não era suficiente. Queria consumi-lo com seu toque. Sua boca
se moveu para a garganta de Orlando, chupando a pele, marcando
como seu.
– O que Noah sussurrou para você?
O riso de Orlando o deixou irritado. Andrei afundou os dentes
na carne macia na garganta dele, arrancando-lhe um gemido, meio
de dor, meio de prazer.
– Não me provoque Orlando. É para isso que veio aqui? – ele
perguntou, puxando a bunda do homem e fazendo com que
estivessem esfregando ereção contra ereção.
– Sim – Orlando soltou fraco enquanto Andrei mordia seu
ombro.
– Não quero compromisso– prometeu Andrei. Orlando
choramingou. – Isso nunca será amor – acrescentou Andrei,
precisando que Orlando entendesse tal fato.
Orlando o ignorou, tentando puxar a boca de Andrei de volta
para a dele. Andrei parou-o e olhou-o profundamente. – Estou
falando sério, Orlando. Nunca desenvolva sentimentos por mim,
ouviu.
Com olhos aturdidos, Orlando assentiu. Era toda a permissão
que Andrei precisava para sucumbir à tentação.
Desta vez, quando seus lábios se encontraram, ele sabia
exatamente onde terminariam. Cada vez que pensava em Orlando
desde a última vez em que haviam se visto, se lembrava da saudade
que tentara inutilmente suprimir.
Orlando tentou chupar sua pele enquanto puxava suas roupas.
O pau de Andrei doía. Quando a palma de Orlando finalmente se
conectou com a ereção de Andrei, pele a pele, Andrei ofegou por ar.
A forma como seus pulmões queimavam o faziam perceber que ele
estava segurando a respiração, antecipando. Ele também
compreendeu naquele momento que o sentia por Orlando ia contra
todo seu bom senso.
Juntos, eles eram explosivos. Era como se estivessem
dormentes, a menos que estivessem juntos. Cada um estava
simplesmente esperando que o outro o despertasse.
Andrei nunca se sentira mais vivo. Ele puxou e empurrou as
roupas de Orlando, determinado a sentir o corpo nu do outro
homem contra o dele. Suas bocas mal se separaram. As mãos de
Orlando estavam em todos os lugares do seu corpo– atormentando-
o.
Não houve desaceleração. A fome de Andrei era demais.
Quando suas peles nuas se encontraram, o último fio da paciência de
Andrei estalou. Erguendo Orlando de seus pés, Andrei atravessou a
sala e jogou-o de bruços na cama no quarto. Sem dar tempo a
Orlando para se recuperar, ele pressionou seus lábios no centro da
coluna de Orlando. Uma gota de pré-semen vazou do pau de Andrei,
rolando para baixo de seu comprimento quando Orlando gritou com
o simples toque.
– Não se mova – ordenou Andrei enquanto se afastava para
pegar um preservativo e lubrificante. Enquanto rolava o preservativo
e lubrificante sobre sua ereção, Andrei eternizou na memoria a visão
de Orlando espalhado na cama, esperando por seu pau.
Corpo moreno, músculos definidos revestidos de um brilho
fino de suor, implorando para que Andrei o tomasse com loucura.
Suas bolas ficaram pesadas ao pensar em tudo o que podia
fazer. Colocando-se entre as pernas de Orlando, ele puxou os quadris
do outro para ele, passando seu pênis pela sua deliciosa bunda,
desfrutando da sensação do anus apertado de Orlando acariciando a
cabeça sensível do seu pau. Incapaz de tomar outro segundo dessa
tortura, Andrei avançou, enterrando seu pau no interior quente de
Orlando.
Um som entre um suspiro e um gemido acariciou as orelhas de
Andrei. O desejo de fode-lo duro e marca-lo com sua porra, o atingiu
desesperadamente.
Andrei se recusou a ceder. Ainda não. Em vez disso, ele baixou
lentamente seu peso até que seu peito se encontrou com a coluna de
Orlando, e começou a chupar a pele de Orlando.
– Diga-me o que Noah sussurrou. – ele aprofundou em uma
arremetida intensa e depois parou, torturando o homem debaixo
dele. – Se você quer que eu te faça gozar – ele disse, deslizando um
centímetro antes de empala-lo mais uma vez. – Sugiro que me
responda agora.
Orlando soltou um gemido descarado. Seus dedos agarrando
forte o lençol.
– Meu Deus. Faça isso de novo.
Andrei ficou imóvel. – Não até que você me diga – Andrei
disse, provocando-o e permitindo que seus lábios escovassem a pele
de Orlando a cada sílaba.
Orlando choramingou. “Merda, hmmm, ele disse, que se
soubesse que eu era tão fodidamente sexy, ele concordaria em me
compartilhar naquele dia”.
Um tiro de raiva atingiu a corrente sanguínea de Andrei,
misturando-se com sua luxúria e transformando-o em alguém que
não conhecia. Cavando a mão sob o corpo de Orlando, Andrei
apertou o pau do outro homem enquanto ele fodia seu traseiro com
força. Ele mordeu o ombro de Orlando antes de lamber a dor a
distancia. Ganância construiu em seu coração com a pressão
construída em seu pau. Ele chupou o lóbulo da orelha de Orlando,
garantindo que ele tivesse toda a atenção do homem antes de rosnar.
– Merda, anjo ninguém te tocara- como deixou que Noah
fizesse- novamente enquanto estiver comigo, entendeu?
O único som que alcançava os ouvidos de Andrei era os
gemidos de Orlando e as respirações ofegantes abafadas pelo
colchão. Andrei apertou sua mão na ereção de Orlando..
– Você entendeu? – Andrei repetiu.
– Sim, agora me fode – disse Orlando num gemido baixo.
Ao acordo de Orlando, Andrei quebrou, batendo dentro do
traseiro do homem enquanto o fodia selvagemente.
Os gritos de Orlando combinavam com os seus. Quando
Orlando gozou, seu ganancioso traseiro apertou o pau de Andrei,
levando a perdição. Sentindo o cu apertado de Orlando engolindo
cada vez mais sua ereção e a porra quente cobrindo sua mão, Andrei
sucumbiu ao prazer incomparável.
O orgasmo o atingiu em ondas, roubando sua respiração. Ele
ofegou por ar. Sentiu o peito apertar com uma constatação terrível e
assustadora.
Se perdesse Orlando, seria esmagado.

***

Os olhos de Andrei cintilavam na escuridão. Orlando não


podia desviar o olhar.. Eles não tinham parado de olhar fixamente
um para o outro desde que gozaram. Orlando não sabia por quê.
Tudo o que sabia era que não podia parar. Mil perguntas
percorreram sua mente. Nenhuma delas saiu de seus lábios.
Andrei foi o primeiro a quebrar o silêncio.
– Eu estava errado sobre duas pessoas esta noite. Meu ego está
em ruínas.
Um sorriso explodiu no rosto de Orlando. Ele estava impotente
contra isso. Durante os últimos dez minutos, ele lutou por algo a
dizer e Andrei tinha apagado todo o desconforto com algumas
palavras bem colocadas.
– Sobre quem você estava errado?
– Eu esperava que Noah fosse ganancioso e eu estaria disposto
a compartilhar. Acontece que Noah é daqueles que está aberto a
qualquer coisa, enquanto estou me sentindo morto sempre que
penso nele tocando você.
Andrei possessivo era demasiado sexy, mas Orlando não
achava que ele apreciaria ouvir isso. Em vez disso, ele um tema
seguro de conversação.
– Acho que você esta certo sobre Noah Cote. Ele é ganancioso,
mas não por uma pessoa. Ele quer tudo de todos.
Andrei suspirou. – Não. Mais provável, ele estava se sentindo
rancoroso. Acho que devo engolir meu orgulho e lhe pedir desculpas.
Uma onda de fúria fria bateu em Orlando, torcendo suas
entranhas.
– Por quê? Você não fez nada de errado. – Orlando podia ouvir
a raiva em sua voz, mas ele não conseguia parar. – Você não viu na
TV esses dias sobre a atriz que ele está namorando. Ele não se
importa se você estava comigo. Acho que você se livrou de um
grande galinha.
Poderia ter sido uma onça de ciúme que cobria as palavras de
Orlando, mas ele quis dizer isso. Ele odiava trapaceiros.
– Huh – Andrei grunhiu, soando pensativo. – Não me
surpreende que você reconheça Noah. Ele está ficando muito
famoso. Admito que não conhecia essa atriz. Não que isso importe.
Ele é apenas meu amigo.
– Um amigo que fode ocasionalmente, neh – Orlando
lembrou-lhe.
–Não fique com ciúmes anjo. Nunca tive nada serio com
Noah..
Orlando mudou de posição, jogando uma perna sobre o corpo
de Andrei, montando seus quadris. Andrei rolou de bom grado em
suas costas.
– Há uma tonelada de raiva dentro de mim – Orlando admitiu
enquanto arrastava os lábios ao longo da clavícula de Andrei. – Mas
nada dirigido a ti. – Orlando pontuou sua promessa rolando seus
quadris e deslizando sua ereção crescente ao longo da de Andrei
Andrei gemeu, Orlando voltou a fazê-lo. Seus lábios
encontraram o ombro de Andrei, e viu a pele levantada em uma das
muitas cicatrizes que cobriam a pele do homem.
– Você me contará sobre elas? – Orlando lambeu a pele
outrora machucada, um segundo depois Orlando estava de costas
com seu corpo delicioso macho cobrindo o dele.
– Não. – O tom ofegante de Andrei diminuiu a picada da
rejeição e Andrei acariciou os dois paus. – Você vai dormir comigo
essa noite?
A resposta de Orlando foi varrida com o golpe da língua de
Andrei. Não importava. Ambos sabiam que Orlando não ia embora.
Agora que tivera Andrei. Nunca se cansaria de prova-lo.
Andrei: Eu odeio telefones celulares. Eles fazem as pessoas
tão rudes.
Orlando: Eu sinto por você.
Andrei: Nos últimos 10 minutos, eu assisti o meu garçom
enviar textos em vez de fazer trazer meu pedido.
Orlando: Você precisa ser mais incisivo. Comece a falar
muito alto sobre pessoas que estão ai, para chamar a atenção dele.
Andrei: Desde que eu estou sozinho, isso me faria parecer um
louco.
Andrei: Quer almoçar comigo? Podemos ser agressivos
juntos.
Orlando: Onde você está?
Andrei: Devlin está no West End.
Orlando: Eu posso estar ai em 5 minutos.

***

Orlando: Por que as pessoas não conseguem dirigir na


chuva? Todo mundo diminui à 5 km/h, como se eles nunca tivessem
visto a água caindo do céu antes.
Andrei: Você está mandando mensagem e dirigindo?
Orlando: Não. Eu estou sentado no drive-thru no banco.
Andrei: Que bom. Eu não quero que nada aconteça contigo.
Andrei: Bem, não se preocupe bonito.
Orlando: Quer jantar comigo esta noite?
Andrei: Eu adoraria.

***

Andrei: É neste fim de semana ou no próximo que você está


de plantão?
Orlando: No próximo.
Andrei: Quer ir a Denver comigo este fim de semana? Eles
estão fazendo testes, e Kieran precisa de mim para caçar algum
talento.
Orlando: Eu tenho certeza que Kieran iria adorar me ver... Só
que não kkkkkkk.
Andrei: O que isso importa? Ele não estará lá.
Orlando: Não te incomoda ser visto comigo?.
Andrei: Porra, claro que não, senão não teria perguntado.
Orlando: Então, te vejo em breve .

***

Orlando: Tenho algo que preciso te dizer.


Andrei: Diga, bonito.
Orlando: Você é sexy como o inferno para um cara velho, e
tenho pensando muito em ti.
Andrei: Ser velho significa que tenho um ou dois truques para
te ensinar.
Orlando: Eu não estou ocupado agora.
Andrei: Você estará em um minuto, sexy.

***

Andrei: Quer ir comigo olhar casas este fim de semana?


Minha casa em Nova York finalmente foi vendida, e eu estou pronto
para sair do lugar de Kieran e Henley.
Orlando: Eu tenho que trabalhar
Andrei: Espero, até que possa ir comigo.
Orlando: Você não precisa de mim. Sei que está pronto para
sair da casa de Kieran.
Andrei: Quero-te comigo la, .

***

Cada vez que Orlando pensava em Andrei, seu peito se


apertava. Na noite em que ele acompanhou Andrei, ele não esperava
pousar na cama do homem. Ele não esperava que continuassem a se
ver depois. Andrei o viu por quem ele era e o aceitou. Combine esse
tipo de liberdade com a maneira que a sua boca enchia da agua cada
vez que fixava os olhos em Andrei, e não poderia esquecê-lo.
Nos últimos dois meses, imaginar o beijo do outro homem foi
tudo o que fez para aguentar o dia.
Hoje não era aquele dia. Não era sobre Andrei. O homem tinha
sido nada além de incrível. O problema era com ele. Alguns dias, ele
não podia escapar da escuridão que existia dentro de sua mente. Ele
tinha conseguido diminui-la no chuveiro quando se tocou. Mas sua
força de vontade terminou. Ele precisou de algo mais forte, deu uma
tragada no cigarro de maconha que tinha nas mãos enquanto rezava
por esquecimento. Ele não queria mais pensar ou sentir.
Seu momento de paz não durou. Uma batida firme caiu na
porta. Orlando não se incomodou em verificar o olho mágico.
Apenas uma pessoa vinha vê-lo e batia como se quisesse derrubar a
porta. Sem mencionar, que ele estava esperando Andrei. O homem
possuía algum tipo de sexto sentido. Se Orlando estava tendo um dia
de merda, lá estava ele.
Com o cigarro nos lábios, Orlando deixou Andrei entrar. Ele
inalou profundamente a fumaça toxica e virou as costas para Andrei,
antes de exalar. Os demais que iam a sua casa sabiam que ele
fumava, mas sabia que Andrei odiava drogas e afins.
– Desculpe por não estar pronto - disse Orlando, indo para o
quarto e deixando Andrei fechar a porta da frente. Andrei seguiu lhe
de perto com passos duros.
– Vejo que estava ocupado fumando essa merda.
– Não – disse Orlando por cima do ombro. – Tive um dia
fodido no pronto-socorro, e pra finalizar perdi uma paciente
terminal da qual cuidava faz dois anos. Estou exausto mentalmente,
só quero alguns segundos de paz, então não me julgue, ok?
Andrei estendeu-se sobre a cama. Com a cabeça apoiada em
uma mão, observou Orlando com um brilho malicioso em seus
olhos.
– Você não precisa disso para se sentir melhor. Você está
namorando um mágico.
Orlando bufou. – Um comediante, talvez.
Com um meio sorriso, Andrei deu um tapinha no lugar vazio
ao lado dele. – Venha. Eu te mostro um truque de mágica, todos os
seus problemas desaparecerão.
Apesar de tentar conter a si mesmo, Orlando riu. – Eu vi seus
truques.
– Não este aqui – Andrei disse, a promessa pingando em cada
palavra.
Com um suspiro, Orlando se juntou a Andrei na cama. Assim
que ele se instalou ao lado de Andrei, Andrei agarrou Orlando pela
cintura e colocou-o contra seu peito, segurando-o apertado.
– Veja. Agora te tenho baby, e tudo desaparecera quando me
contar tudo.
Orlando fechou os olhos e relaxou no abraço de Andrei, já se
sentindo um pouco melhor.
– Eu tirei três crianças mortas da van hoje na interestadual.
Todos tinham menos de sete anos. – a ponta dos dedos de Andrei
deslizaram pelo braço de Orlando, mas ele não falou. Saber que ele
estava ouvindo fez um mundo de diferença. – A mãe deles estava
confusa, mas vai viver. Ela não vai querer, mas ela vai. Eu odeio dias
como este. Me fazem sentir inútil e pequeno.
Quando a confissão deixou os lábios de Orlando, ele percebeu
algo. Andrei era um mágico. Seu toque enganou Orlando para lhe
dizer coisas que não ousaria contar a outra alma. Orlando se
importava com esse homem, mais do que deveria..
– Você sabe como patinar no gelo?
As sobrancelhas de Orlando se juntaram à estranha pergunta.
– Sim. Faz muito tempo, mas costumava ir com o meu irmão o
tempo todo quando éramos crianças.
– Ok, então – Andrei disse, pressionando um beijo no pescoço
de Orlando antes de puxá-lo para seus pés. Orlando observou
confuso enquanto Andrei puxava uma camisa do armário e a jogava
sobre a cabeça de Orlando. – Acabe de se vestir. Temos um lugar
para ir.
Orlando passou os braços pelas mangas. – Ok. Onde?
– Tenho que te fazer se sentir bem de novo – Andrei disse,
como se a resposta fosse óbvia.

***
Andrei odiava a dor que via nos olhos de Orlando. Tal
sentimento não pertencia lá, e as sombras não iriam ficar se pudesse
ajudá-lo. Mesmo que ele não pudesse explicar sua obsessão com
Orlando, se importava com o outro homem. Enquanto estivesse com
Orlando não lhe permitiria um momento de infelicidade. A
expressão que estava no rosto de Orlando, enquanto olhava para a
pista de gelo cheia de crianças, dizia mil coisas. Tristeza não era uma
delas.
– Que porra é essa?
– Veja como você é grande – Andrei disse, apontando o óbvio
enquanto apenas segurava seu riso.
Orlando olhou para ele. Para sua surpresa, um enorme sorriso
espalhou-se pelo seu rosto. – Cara. Se um de nós cair,
provavelmente matará um desses munchkins3.
Andrei piscou. – Eu nunca caio, querido. Tudo isso é sólido –
acrescentou, fazendo sinal para si mesmo. – Construído para dar um
golpe sem hesitar, e eu não vou te decepcionar.
Andrei quis dizer isso de muitas maneiras. O sorriso de
Orlando se tornou doce e Andrei pegou sua mão.
– Vamos. – com um puxão, ele tinha Orlando no gelo. Era
óbvio que ele estava nervoso, ao fazer algo que não fazia há anos,
mas o desconforto de Orlando não o impediu de se juntar a Andrei.
Ele ficou um pouco inseguro no início, mas rapidamente pegou o
ritmo.
– É como andar de bicicleta – disse Orlando, sem soar tão
certo quanto Andrei achava que pretendia.
– Por que os americanos dizem isso?
Orlando fitou-o com curiosidade. – Porque uma vez que você
aprende a andar de bicicleta, nunca esquece.
Andrei pensou no assunto. – Eu não saberia. Fomos ensinados
a patinar em uma idade muito jovem, e eu não tenho estado fora do

3
Anões...
gelo desde então. No que diz respeito à andar de bicicleta, eu nunca
tive uma.
– Cara, você nunca andou de bicicleta? – A descrença no tom
de Orlando não podia ser perdida. – Quando eu era criança, eu
montava minha bicicleta em todos os lugares. Muitos lugares que
meus pais ainda não sabem sobre eles. Se eu pudesse chegar lá e
voltar antes que a minha mãe percebesse minha ausência, eu ia.
– O que acontecia quando ela notava?
Orlando balançou a cabeça, como se confuso com a pergunta
de Andrei. – Ela me colocava de castigo, uma semana sem tv. Droga,
você não teve infância?
Andrei considerou cuidadosamente a pergunta de Orlando
antes de responder.
– Não, realmente não. Assim que eu era velho o suficiente para
ficar firme em meus pés, meu pai me treinou para ser estrela de
hóquei. Não havia tempo para mais nada. – antes que Orlando
pudesse perguntar mais sobre sua infância, Andrei mudou de
assunto. – Fale-me sobre esses passeios de bicicleta. Onde você ia
sem que sua mãe soubesse?
Andrei patinou para trás, facilmente manobrando através da
multidão quando ele manteve seu olhar fixo no rosto de Orlando.
Patinação era sua segunda natureza e não queria perder um único
detalhe da história de Orlando.
Orlando encolheu os ombros.
– Nenhum lugar importante realmente. Era mais que a minha
mãe ficaria preocupada se soubesse que eu tinha ido longe, e então
iria bater na minha bunda por tal preocupação.
Orlando riu, fazendo Andrei sorrir. – Seb e eu costumávamos
ir até a pequena loja de uma velha vizinha todos os dias.. Seu marido
havia morrido vários anos antes, deixando-a sozinha. Ela nos dava
sorvete grátis e nos mostrava as roupas que confeccionava. Sempre
pensei que mamãe nos mataria se descobrisse que estávamos
incomodando uma dama e recebendo coisas grátis. Claro, quando eu
cresci, percebi que nós éramos provavelmente a alegria do dia
daquela mulher. Ela não tinha tido filhos e ninguém vinha para
visitá-la. Nós estávamos fazendo o bem, mesmo que não
soubéssemos.
Os lábios de Orlando se torceram em um sorriso. – No dia em
que percebi isso, eu me senti bem comigo mesmo. Eu sei que éramos
crianças e, realmente, teríamos ficado escutando-a falar sobre
qualquer coisa em troca de doces, mas também me fez perceber que
gosto de ajudar as pessoas. Esse fato se sobressaiu na época em que
não gostava nem de mim mesmo. – Orlando balançou a cabeça. –
Por que eu sempre te digo tudo?
As bochechas de Andrei doíam de alegria. Ele adorava ouvir a
voz de Orlando. – Eu te disse. Sou mágico. Diga-me, você se sente
bem?
– Como se eu pudesse dominar o mundo.
O tom de Orlando não combinava com sua expressão calma. –
Então por que você ainda parece triste?
– Eu não quero o mundo. Isso soa muito trabalhoso.
Andrei inclinou a cabeça para um lado, além de curioso. – O
que você quer, então anjo?
– Só você.
Andrei riu e abriu os braços. – Isso também requer trabalho
duro, querido. Sou um cara difícil não vê?
Andrei amou a expressão perversa crescendo no rosto de
Orlando a sua provocação. – Adoro um desafio.

***

Andrei: O que você está fazendo hoje?


Orlando: Fazendo alguma papelada.
Andrei: Em casa?
Orlando: Sim.
Andrei: Você pode fazer isso daqui?
Orlando: Posso, mas não consigo ver Kieran me deixando
passar pelo portão.
Andrei: Kieran e Henley estão em lua de mel.
Orlando: Estou aí em 10 minutos.

***

Orlando tentou concentrar-se durante vinte minutos na


papelada espalhada pela cama de Andrei. O ritmo do outro homem
tornou impossível. Andrei andou pelo perímetro da sala, pela sexta
vez, até que seus nervos estalaram.
– Você quer me enlouquecer?
Andrei lançou lhe um olhar de desamparo. – Não sei o que é
isso.
Andrei falava inglês tão fluentemente, que às vezes Orlando
esquecia que não era sua primeira língua. Ditos que ele usara todos
os dias de sua vida podiam ser confusos para Andrei. – Você está
inquieto e entediado?
Um sorriso brilhante iluminou o rosto de Andrei.
– Sim. Quase louco. Estou acostumado a viajar pelo país. Seis
meses de viagens em 82 jogos é agitado, e nunca gostei. Mas agora,
que estou todo o dia em casa, fico pensando: como posso preencher
o meu tempo?
Andrei andou em um círculo, agitando os braços selvagemente,
fazendo Orlando rir. Andrei era quase sempre um palhaço. Fazendo
piadas.
Ao som do riso de Orlando, o ultraje de Andrei aumentou.
– Meu Deus. O que eu faço? Estou tão entediado. Como o
Kieran trabalha com isso? Eu quero fazer alguma coisa. – seu olhar
pousou em Orlando. Ele rondou em direção a ele. – Vamos fazer
algo.
– Hum, tipo o quê? – ele perguntou, lançando um olhar ao
redor e procurando uma fuga.
Andrei continuou se aproximando dele até que seus joelhos
bateram na cama. Com um empurrão, ele derrubou Orlando em suas
costas. Ele rastejou em cima dele, montado em seus quadris.
– Vamos a alguma fazenda.
Orlando sabia que não havia como a felicidade dentro de si não
estar se mostrando em seus olhos. Ele amava o lado lúdico de
Andrei. Isso o fazia se sentir jovem. Andrei poderia argumentar que
ele era jovem, mas Orlando não se sentia assim. Ele não se lembrava
de se sentir tão feliz antes de Andrei.
– Onde você quer ir?
Andrei mergulhou a cabeça e tocou os lábios na clavícula de
Orlando – como se não resistisse mais um momento. O coração de
Orlando disparou em seu peito.
– Vamos para as montanhas. Poderíamos alugar uma cabana e
desaparecer. Sem telefones celulares. Só você e eu, sim?
Com o brilho esperançoso nos olhos de Andrei, Orlando queria
a imagem que ele pintava, queria desesperadamente. Só que tinha
que ser realista.
– Eu adoraria isso, mas eu tenho um emprego.
– Você também pode fingir estar doente – Andrei disse sem
perder uma batida. – Eu pagaria por tudo. Não se preocupe.
– O dinheiro não é o problema – argumentou Orlando, mesmo
que ele não quisesse lutar contra isso. – Eu não quero ser demitido.
Eu gosto do que faço.
A expressão de Andrei tornou-se perversa. – Também te farei
gostar do que faremos, hein? Eu poderia convencê-lo – Andrei disse,
promessa pingando de cada palavra quando ele abaixou seu peso em
Orlando, assegurando que ele não poderia perder a ereção de
Andrei.
Seus lábios roçaram a mandíbula de Orlando. – Vamos,
Orlando. Dê-me algo para fazer.
Inclinando o queixo para cima, Orlando deu a Andrei a
liberdade de mordiscar em seu pescoço. Luxúria o possuía. Andrei o
possuía. Desejo matizou suas palavras quando ele respondeu.
– Tem muito para você fazer aqui. Não precisamos viajar.
Andrei riu contra a garganta de Orlando, fazendo seu pênis
ficar ainda mais duro. – Diga-me exatamente o que você quer de
mim, baby. Não é necessário muito para fazê-lo enlouquecer.
Garanto prazer absoluto.
– Faça-me voar – Orlando implorou.
A boca de Andrei se moveu para baixo. Usando os dentes,
puxou a camisa de Orlando mais alta. Orlando balançou de riso ao
ver, mesmo quando mudou de posição, tornando mais fácil para
Andrei tirar a sua roupa.
– Eu gosto de ouvi-lo sorrir– Andrei confessou contra o
estômago de Orlando. – Isso me faz querer fazer você feliz para
nunca de deixar de ouvir esse som. – sua língua disparou,
acariciando a pele de Orlando logo abaixo do umbigo. – Agora estou
com uma dúvida cruel anjo. Faço-te rir ou gemer? Ambas as opções
me faz sentir borboletas no estômago.
Orlando não conseguiu dar uma risada nem um suspiro. Esse
homem dizia coisas inesperadas que o deixavam fraco. Orlando
sempre sentia algo em seu estômago também quando Andrei estava
por perto. Ele não poderia colocar um nome para isso e estava com
medo de tentar. Dera a Andrei a palavra de que não sentiria nada
por ele. Era uma promessa que estava ficando cada vez mais difícil
de cumprir.
Enquanto Andrei tirava as calças de Orlando por seus quadris,
ele lambeu um caminho pela ereção de Orlando antes de se levantar
e tirar suas próprias roupas. Orlando não podia desviar o olhar.
Andrei era tão fodidamente lindo. Ele deixava Orlando sedento e
disposto a fazer qualquer coisa para tê-lo.
Quando ambos estavam nus, Andrei rastejou para a cama
sobre o corpo de Orlando. Ele fez uma pausa, pegando o pau de
Orlando entre seus lábios e fazendo as suas bolas ficarem pesadas
com necessidade. Quando Andrei beijou um caminho de volta à sua
boca, Orlando estava ofegante. Suas línguas colidiram, lutando pela
supremacia. Depois de alguns momentos, eles abrandaram,
saboreando lentamente um ao outro. Andrei rolou seus quadris,
arrastando sua ereção ao longo da de Orlando. Fazendo-o gemer
alto.
Nunca um toque tão pequeno tinha roubado sua respiração. O
sabor da língua de Andrei, a maneira que o provocava. Como o
polegar de Andrei puxava o seu lábio inferior, para depois mordê-lo
com lascívia. Toda aquela porcaria derretia Orlando. Ninguém
jamais o havia feito sentir assim. Andrei fez. Era mais viciante do
que crack.
Andrei afundou seu delicioso pau nele em um impulso intenso
e fez amor com Orlando de uma maneira única e apaixonada. Ele
não teria acreditado que poderia gozar estando tão conectado
emocionalmente a outro ser humano, mas a pressão dentro de si
contou uma história diferente.
– Orlando.
O modo como Andrei gemeu seu nome tinha os olhos de
Orlando voando abertos. Tinha que ver o rosto de Andrei. O homem
estava além de lindo na agonia do prazer..
Os lábios de Andrei se abriram em um gemido rouco, e um
orgasmo atingiu Orlando. Ele estocou com força surpreendente o
pênis em seu interior. Enquanto ele ainda montava as ondas de
prazer, as feições de Andrei se apertaram. Um gemido baixo saiu de
seus lábios. Sêmen quente encheu o espaço entre seus corpos,
espirrando em sua pele.
Andrei nunca olhou para longe. Orlando reprimiu as palavras
que oprimiam seu peito. Horror esfriou sua pele. Ele estava
completamente apaixonado pelo homem que o segurava. Orlando
também estava condenado ao silêncio. Andrei jamais o amaria em
troca. Ele tinha feito muitas coisas horríveis em sua vida.
Andrei: Você tem algum plano no dia 5?
Orlando: Eu trabalho até as 11 da noite.
Andrei: Kieran me pediu para tomar seu lugar nesta festa
pré-temporada VIP no Club Khronos. Quer ser o meu encontro
após o trabalho? Vamos ficar a noite toda.
Orlando: Se você vai, eu também quero.

***

Orlando: Estou aqui.


Andrei: Doce! Seu nome está na lista. Basta deixar o cara na
porta da frente saber o seu nome, e ele vai deixá-lo entrar. Uma vez
dentro, vire à direita e verá um elevador de serviço e um conjunto
de portas de prata. Você pode pegar o elevador ou passar por essas
portas para chegar às escadas. Estou aqui na seção VIP. Você não
terá nenhum problema em me encontrar. Está bem morto aqui em
cima.
Orlando: Ainda estou de uniforme. Não tive tempo para
mudar.
Andrei: Mmm. Yum. Não se preocupe com isso. Não há
código de vestimenta.
Orlando: Estou a caminho.
Todas as células do corpo de Andrei ganharam vida à primeira
vista de Orlando. Em calças escuras e uma camiseta escura com
“Paramédico” escrito nas costas, ele parecia a coisa mais deliciosa
que Andrei já vira.
Ele bebeu a visão de Orlando enquanto se dirigia a ele.
Virando-se lateralmente em seu assento, Andrei se encostou na
mureta com vista para a pista de dança no andar de baixo, à espera
de Orlando para reivindicar o assento ao seu lado. Um sorriso
iluminou o rosto de Orlando quando seu olhar encontrou o de
Andrei. A visão aumentou o ritmo da sua respiração. Quando
Orlando se sentou na cadeira ao lado dele, Andrei puxou-o para seu
abraço. Seus lábios se encontraram. Tudo desapareceu.
– Estive doido para beija-lo o dia todo – disse Andrei entre
beijos, ouvindo como o outro homem ficava sem fôlego e sem se
importar. – Espero que sua bexiga esteja vazia, porque eu terei a
certeza de que seu copo sempre esteja cheio, e não te quero distante
de mim nem por mais um segundo.
– Whoa. Isso é quente baby. Posso pegar meu celular e gravar?
Você sabe, para fins artísticos ou para quando for me masturbar
pensando em ti.
Andrei riu e se afastou. Ele acenou com a cabeça para a
adorável senhora de cabelos vermelhos sentada em frente a eles, que
estava a poucos minutos de postar seu beijo com Orlando em toda a
mídia social.
– Orlando, esta aqui é Sophie East. – Orlando estreitou a mão
com todo mundo, enquanto Andrei fazia as apresentações. Ele
acenou com a cabeça para o homem, sentado ao lado de Sophie, que
usava um terno que valia mais do que o carro de Andrei. – Este é o
marido dela, Benton, são amigos de Kieran.
– É um prazer conhecê-los – disse Orlando, trocando
gentilezas.
Andrei fez um gesto para o fim da mesa. – Claro, você conhece
Noah.
– Claro, oi – Orlando disse com um sorriso apertado. Se Noah
notou, ele não mostrou.
Ele levantou os olhos do telefone e deu um sorriso frio a
Orlando. – Olá.
Ele imediatamente voltou para mensagens de texto e Andrei
mergulhou o queixo em direção ao homem sentado à esquerda de
Noah. – Este é Troy, o melhor amigo de Noah.
Troy afastou o olhar de seu telefone tempo o suficiente para
lançar uma piscadela para Orlando.
– Melhores amigos desde a pré – ele disse, confirmando a
reivindicação de Andrei antes de voltar para seu telefone.
Orlando cortou os olhos para Andrei. Sua expressão dizia saber
o que Andrei estava pensando. Os homens eram rudes como o
inferno.
– Há quanto tempo vocês dois estão namorando? – Sophie
perguntou, puxando a atenção deles.
– Cerca de seis meses – disse Andrei, porque falar que fazia
cinco meses, três semanas e dois dias parecia demasiado obcecado,
até mesmo para ele.
Um sorriso brilhante iluminou o rosto de Sophie. Seus olhos
verdes brilhavam de malícia. – Vocês são tão lindo juntos. Sintam-se
livres para se pegar enquanto eu olho e babo.
Andrei riu, e seguiu o conselho. Ele queria segurar Orlando e
deixar o resto mundo escapar. Ele puxou Orlando mais perto antes
de tocar seus lábios na orelha do outro homem.
– Este uniforme... é delicioso para caralho anjo, mal posso
esperar para tirá-lo de você. – a palma de Orlando deslizou pela
parte interna da coxa de Andrei, deixando que ele soubesse.
Noah se levantou parecendo desconfortável. – Eu tenho um
pouco de álcool em mim agora. Você quer dançar, Sophie? Esta tudo
para você, Benton?
Benton se recostou na cadeira e piscou. – Está tudo bem
comigo, você é o único de quem sinto pena, ela te deixara
desesperado por tê-la, mas voltara para mim. – O sotaque inglês
suave de Benton jorrava confiança.
Noah não recuou. Ele estendeu a mão para Sophie. – Vou
arriscar.
Os olhos de Benton brilharam com humor.
– Nunca diga que não foi avisado.
Sophie soprou um beijo para o namorado enquanto aceitava a
mão de Noah. Como um, todos se inclinaram para observar o casal
enquanto eles se entregavam a dança na pista. Até mesmo Troy
colocou seu telefone de lado. Dois minutos depois, Noah parecia tão
apaixonado quanto Benton tinha prometido.
Uma risada retumbou sobre a mesa, e Benton recostou-se,
como se satisfeito. – Pobre coitado.
– Um bastardo infeliz, na verdade – Troy disse, soando raivoso
como se dissesse mais para si mesmo do que para qualquer um,
antes que voltasse a mexer com seu telefone.
Andrei desviou o olhar, não querendo fazer parte de qualquer
drama que Noah tivesse envolvido. Outro casal familiar na pista
chamou a atenção de Andrei. Um homem coberto de tatuagens
segurava outro homem em seus braços. Eles se beijaram.
Mesmo de onde Andrei estava sentado, não podia perder o
calor. Alex e Gannon eram quentes juntos. Vários olhos se viraram
com interesse. Como uma pessoa poderia segurar outra tão
ternamente e possessivamente ao mesmo tempo estava além dele,
mas Andrei estava vendo isso acontecer.
Enquanto olhava, Alex enterrou o rosto contra o pescoço de
Gannon. O peito de Andrei apertou. A boca de Orlando tocou a
garganta de Andrei quase no momento exato e a terra parou. Andrei
virou a cabeça, encontrando o olhar de Orlando, e ele soube. Esse
homem o amava.
O pânico tomou seu corpo. Ele continuava a repetir que
deveria estar enganado, mas não podia negar o que os olhos dele lhe
mostravam.. E merda, tudo o que sentia, Orlando sentia de volta.
Andrei tentou afastar o pânico. As palavras não tinham sido
trocadas, por isso era possível que Orlando pretendesse cumprir sua
palavra. As pessoas não podiam parar seus sentimentos, mas
podiam contê-los. Talvez esse fosse o plano de Orlando. Orlando
jurou que não sentiria nada por Andrei.
Andrei respirou fundo. Estava tudo bem. Ele manteve seus
sentimentos para si mesmo. Se Orlando poderia ignorá-lo, Andrei
também poderia.
Agarrando-se a isso, Andrei fechou a distancia entre eles,
capturando os lábios de Orlando enquanto orava para que o mesmo
guardasse seus pensamentos para si mesmo. Ele não queria perder
esse homem; muito menos feri-lo.

***

O sabor da língua de Andrei era delicioso. Viciante. Não


importava quantas vezes Orlando se beijasse Andrei, ele sempre
ansiava por mais. Havia algo sobre a baixa iluminação, a batida da
música, e a mesa privada que Orlando tinha preparado para uma
merda muito pública. Suas mãos mantiveram-se deslizando até a
coxa interna de Andrei sem sua permissão. Cada vez, ele se parou
antes de amassar audaciosamente o pau de Andrei, queria-o demais.
Finalmente, se cansou de esperar. – Temos que sair daqui,
Andrei, meu pau está vazando por baixo desta mesa, você me deixa
excitado.
– Eu vim com Benton e Sophie para que não tivéssemos que
sair em carros separados.
– Vamos agora, não podem ver pelas janelas do meu Escalade
à noite.
Andrei pareceu pensativo. – Não falo sexo dentro de um carro
faz anos.
– E quanto a ter sua bunda comida? Foram anos desde que
isso aconteceu em um carro?
Um rubor subiu no rosto de Andrei, provando que ele estava
tão excitado quanto Orlando. – Eu acredito que isso nunca foi feito
para mim em um veículo.
– Está prestes a acontecer, baby – Orlando disse antes de se
pôr de pé e puxar Andrei junto com ele.
– Foi bom conhecer todos – disse Orlando, tentando parecer
educado. – Mas estamos cansados.
Depois de uma rápida rodada de adeus, Orlando tinha Andrei
exatamente onde ele queria – dentro da parte de trás de seu Escala
de com o rabo plantado firmemente no rosto de Orlando e boca de
Andrei em torno do pênis de Orlando. Ele não estava preocupado em
ser pego. Entre suas janelas escurecidas e o canto escuro do
estacionamento, sabia que ninguém os veria. Ainda assim,
acrescentou uma possível vantagem exibicionista ao encontro,
aumentando todos os sentidos de Orlando.
A sucção da boca de Andrei sobre seu pau era como estar no
céu. Começou a chupa-lo forte. Os sons que Andrei soltava
misturaram-se com os barulhos que vinham da sua garganta,
enchendo o veículo dos mais doces gemidos. Ele não conseguia o
suficiente desse homem. Ele queria estar com ele para sempre. Isso
não aconteceria até que ambos se abrissem. As palavras em seu
cérebro eram um cântico constante. Ele precisava, queria... amava o
homem em seus braços.
A sensação esmagadora e sufocante de amor implacável não
diminui depois do orgasmo, nem mesmo quando Orlando levou
Andrei para casa e o seguiu para dentro. A sensação assentou-se em
seu peito, fazendo seus olhos queimarem e sua mente correr. Ele
queria que tivesse sido diferente. Nunca em sua vida desejou ter
conhecido alguém em circunstâncias diferentes, como fez com
Andrei. E se eles tivessem se encontrado na mercearia ou até
mesmo em um bar? Será que Andrei chegaria um dia a ama-lo de
volta?
Andrei foi para o banheiro. – Vou encher a banheira pra gente,
anjo.
Orlando esvaziou os bolsos, preparando-se para se juntar a
Andrei. Quando colocou o telefone na cômoda de Andrei, sua mão
pairou sobre o dispositivo. Havia uma única coisa que retinha
Orlando de vez em quando. Poderia ser diferente se consertasse seus
erros? Andrei olharia para ele de uma forma diferente? Antes que ele
pudesse mudar de ideia, Orlando pegou seu telefone e mandou uma
rápida mensagem.
Orlando: Podemos nos encontrar?
Gannon: Não.
Orlando: É importante.
Gannon: Não.
Orlando: Pelo menos você não bloqueou o meu número.
– Você está realmente falando com Gannon?
Orlando saltou em sua surpresa. Às vezes, Andrei era
assustadoramente sorrateiro. – Não é o que você pensa.
A raiva escrita em cada linha do corpo de Andrei não podia ser
negada. – Que porra, acha que estou pensando?
Orlando não hesitou. Eles precisavam conversar. Desde a noite
que encontrou Andrei, eles tinham varrido isso debaixo do tapete. Se
ele quisesse avançar, precisavam olhar para trás.
– Que ainda o estou aterrorizando.
Andrei rosnou. – Diga-me no que mais eu deveria acreditar.
Não há outra razão para eu pensar que isso ainda está acontecendo.
Orlando engoliu todas as coisas correndo em sua mente. Ele
não podia falar com ninguém sobre Seb, exceto com Gannon.
Gannon era a única pessoa que realmente conhecia seu irmão. Em
vez disso, Orlando começou a lhe dar parte da verdade.
– Preciso que você confie em mim baby, não estou ameaçando
mais Ganon. É outra coisa. Eu juro, Andrei.
– Se fosse sobre outra coisa, sim, eu confiaria em você com a
minha própria vida. Nisso, não tenho tanta certeza. Diga-me por que
eu deveria.
– Porque eu me importo contigo – Orlando disse, colocando
tudo para fora e acrescentou:
– Mais do que deveria, então preciso que confie em mim,
mesmo sem poder lhe dizer a razão. Eu te a...
As feições de Andrei ficaram em branco. – Acho que você
deveria ir embora. – A mente de Orlando ficou atormentada. Andrei
assentiu na direção da porta. – Porra, você me ouviu. Disse-te para
não me amar. Se for esse o caso agora, se você está dizendo que me
ama, então precisa sair.
– Eu não entendo – disse Orlando, ouvindo as palavras, mas
incapaz de compreender. – Pelo menos você vai me dizer por quê?
Eu não entendo. Por que você está tão assustado pelo que nós
temos? Por que você está apavorado de se apaixonar? Apenas seja
honesto comigo.
Andrei estalou. Andrei olhou para o teto como se estivesse
procurando orientação antes de encontrar seu olhar fixo mais uma
vez:
– Você pediu honestidade – disse Andrei – É tudo sobre você.
As palavras saíram com tanta pressa, que levou um segundo
para a lâmina afundar em seu peito, lembrando a Orlando que ele
realmente pela maldita verdade:
– Você não é uma boa pessoa, eu passei toda a minha vida
cercado por pessoas ruins, e elas sugam tudo ao redor e destroem.
Você sabe que está errado, e mesmo assim não quer parar de buscar
vingança, e eu não quero isso, não quero amar ou ter alguém tão
fodido por perto.
A mente de Orlando ficou misteriosamente silenciosa,
anestesiada pela dor da verdade... Desviou o olhar, protegendo-se e
diz com a voz fraca. – Eu entendo.
Na alegação, o cérebro de Orlando rugiu para a vida, gritando
que ele era um mentiroso. Ele não entendia nada. Em todas as
fantasias que tinha tido, tal merda nunca lhe ocorrera. Ele sabia que
havia grandes probabilidades de que Andrei o rejeitasse, recusando-
se a vê-lo novamente. Mais nunca em um milhão de anos ele tinha
sonhado que Andrei pensasse tão baixo dele.
Era como se seu pulmão não tivesse oxigênio suficiente, sentia-
se sufocado. Por mais que tentasse, não conseguia respirar
normalmente. Por dois anos, esteve morto por dentro, vivendo para
ter alguma forma de vingança fodida que nem mesmo ele entendia
direito. Desde que conhecera Andrei, Orlando vira um pedaço de luz
ao longe surgindo em seu interior, e agora a mesma tinha
brutalmente desaparecido. Mais uma vez, ele estava banhado pela
escuridão e pela amarga constatação: ninguém nunca amaria alguém
tão quebrado e podre por dentro quanto ele, fora tolice pensar o
contrário.
– Adeus, então.
Orlando não entendia como conseguiu sussurrar através do
caroço de sua garganta e da dor excruciante em seu peito.
Andrei nem sequer tentou detê-lo enquanto se dirigia para a
porta, não que esperasse que o fizesse, mas ver tal frieza do segundo
homem que mais amara em sua vida- o primeiro homem que amara
fora seu irmão falecido- foi como colocar ácido em uma ferida aberta
onde seu coração costumava estar.

***

O perfume de Orlando ainda permanecia na pele de Andrei.


Tinha que tomar um banho, porém não queria lavar a evidência de
seu encontro, queria desfrutar mais tempo com o cheiro do homem
que significava tudo para ele. Ele não podia explicar o que tinha
acontecido.
Pegar Orlando mandando textos para Gannon, combinado
com o fato de Orlando ter dito o que sentia, fez Andrei surtar. Ele
disse mentiras fodidas. Seu cérebro gritou para ele correr atrás de
Orlando. Em pedir perdão e trazê-lo de volta. Seus pés se recusaram
a se mover. Ele estava danificado – de maneiras que Orlando não
conseguiria entender. Se afastar foi o melhor.
Os joelhos de Andrei desabaram, e ele afundou na cama.
Menos de trinta minutos atrás, ele tinha segurado Orlando. O
provado. Agora, tudo tinha acabado. Nunca mais o beijaria.
Uma onda de dor intensa roubou o ar de seus pulmões. No dia
em que deixou a Rússia, pensou que seu pai nunca mais poderia
tocá-lo. Ele estava errado. Mesmo depois de morto, o homem ainda
conseguiu saturar a vida de Andrei com o mal, roubando tudo de
bom. Andrei baixou o olhar para os joelhos, como se o universo
pudesse ver a vergonha em seus olhos.
Era melhor assim, lembrou-se de novo. Orlando precisava
reservar seu amor para alguém que merecesse. Andrei não merecia
nada.
Duas semanas depois...

Gannon vinha evitando seus telefonemas e mensagens.


Orlando não estava conseguindo lidar com isso. Sentia muito falta
ele. Teria gostado de pensar que sua vontade de ter notícias sobre
Andrei nada tinha a ver com sua necessidade de falar com o homem
que matara seu irmão, mas Orlando não gostava de mentir para si
mesmo.
– Que porra você faz aqui! – Alex latiu no segundo momento
em que viu Orlando pairando sobre a mesa que ele compartilhava
com Gannon dentro do Café.
Orlando levantou as mãos em sinal de rendição. – Eu não
estou aqui para causar problemas. Prometo. – ele encontrou o olhar
de Gannon. – Eu realmente preciso falar com você. Em particular, se
possível.
Alex não gostou nada disso. Não que Orlando esperasse
menos. – De jeito nenhum, cara. Você perdeu a cabeça?
Orlando segurou o olhar de Gannon, implorando com os olhos
que o homem o ouvisse. Gannon parecia desamparado.
– Eu não posso pedir a Alex para nos deixar em paz. Ele vai
ficar assassino.
Tomou tudo que Orlando possuía para não sorrir da maneira
como Gannon falava abertamente sobre Alex, como se o homem não
estivesse sentado ao lado dele. Apesar da forma como o homem
podia se tornar psicótico em um instante, era óbvio que Gannon não
tinha medo dele.
– Se ele quiser sentar algumas mesas atrás e tentar me matar
com seu olhar de morte, eu estou bem com isso. Mas não posso fazer
isso com ele respirando no meu pescoço.
Gannon olhou de relance. O brilho insano nos olhos de Alex
não podia ser escondido. – Não me peça para fazer isso, Gannon.
– Por favor?
– Merda, amor! – apesar de sua maldição, Alex se levantou.
Seu olhar louco caiu sobre Orlando. – Eu estarei bem ali imbecil –
ele disse, apontando para uma mesa perto da janela. – Se você fizer
o menor movimento, mesmo se eu achar que está prestes a
prejudica-lo de alguma forma, você não vai sair daqui vivo.
Entendeu? – ele não esperou uma confirmação sua antes de ir
embora.
Orlando lançou um olhar irônico para Gannon enquanto
sentava assento diante dele. – Um caso de dor de cabeça com quem
anda dormindo.
Os traços de Gannon se endureceram de uma maneira que
Orlando nunca tinha visto antes. – Não fale dele, cara. Você não tem
o direito de julga-lo.
– É verdade – disse Orlando, vendo o ponto de Gannon. – Eu
preciso perguntar a você sobre Seb.
Agora que Orlando estava aqui, sentado em frente à Gannon,
era mais difícil do que ele esperava. As palavras pareciam sufocadas,
até mesmo a seus ouvidos.
– Você já sabe tudo o que há para saber.
– Não. – a palavra saiu mais alto do que pretendia, e Alex se
levantou. Gannon acenou para acalma-lo. Orlando controlou sua
voz. – Eu preciso que você me conte tudo o que ele confiou para
você. Andrei diz que você é uma pessoa legal, e que se eu viesse
pergunta-lo, você ia me dizer. Espero que ele esteja certo.
Os ombros de Gannon caíram e Orlando sentiu o cheiro da
vitória.
– Por que você quer saber, Orlando? Eu não queria ter que
saber, mas alguém tinha que ajudá-lo a carregar tal fardo. Jesus,
você percebe que não fui fraco, certo? A qualquer momento, eu
poderia ter saído, pedido a Kieran para me ajudar, mas eu não sabia
qual era a coisa certa a se fazer. Se eu tivesse dito qualquer coisa a
alguém sobre o que ele tinha me dito, eu honestamente não acho que
ele teria vivido até o final daquele dia, mas ficar quieto também não
ajudou. Você não tem ideia da culpa que carrego. Realmente saber,
quando já é tarde demais para agir?
O gosto amargo de seu orgulho quase sufocou Orlando, mas ele
queria saber tudo, por mais duro que pudesse ser a verdade.
– Você não poderia salvá-lo, Gannon. Ninguém poderia salvá-
lo. Aceito isso hoje. Ele não queria que eu soubesse seu segredo, mas
eu preciso saber cara, então basta dizer, você não sabe como isso
está me corroendo.
Por um momento desprotegido, Orlando teve um vislumbre da
alma de Gannon. Estava quebrado. Kieran estava certo. Não havia
nada que pudesse fazer a Gannon, pior do que ele mesmo fazia a si
próprio. Ainda assim, ele viera para descobrir os fatos ocultos sobre
a vida do seu amado irmãozinho, e sabia que não poderia perder
essa chance de colocar os fatos às claras. Amara seu irmão e nunca
desejara tal fim trágico para o mesmo. Por mais que fosse doloroso,
queria saber, tinha o direito de saber... Fixando sua atenção na dor
dos olhos de Gannon, Orlando disse algo que vinha comendo-o por
dentro pelos últimos dois anos.
– Você não merece ser feliz.
Gannon assentiu. – Eu sei.
Orlando começou a se irritar pela demora em falar do outro
cara. – Apenas conte-me porra, antes que eu perca todo meu
autocontrole.
Gannon assentiu de novo, e não conseguiu segurar a língua.
Ele começou de novo. – Você não merece ser feliz. Mas você
também não merecia morrer pela mão de Seb depois de tudo que fez
por ele. Apenas no caso de você já ter questionado por que eu fiz as
escolhas que fiz naquela noite, é por isso, preciso que entenda que
ele era meu irmão. Meu irmãozinho. E agora ele está morto, e você
não merece ser absolvido dessa culpa. Não vou incomodá-lo
novamente depois de hoje. Sem mais chamadas ou algo similar, mas
merda, nunca acreditarei que você merece uma felicidade completa
nesta vida.
Era mais difícil do que Orlando poderia ter imaginado dizer
essas palavras. Em todos os anos que se imaginara fazendo algo
assim, nunca sonhara que cortaria seu coração fazer tal desabafo.
Seus lábios se moveram, soltando três palavras que não pretendia
dizer, mas uma vez que saíram, a dor em seu peito parou.
– Eu perdoo você.
Gannon cobriu a boca com as duas mãos, e os olhos encheram-
se de lágrimas. Ele piscou tentando conte-las, mas fora em vão. Com
um aceno de cabeça, ele visivelmente se recompôs.
– Sinto muito, mas se te contar agora, terei que ser brutal e
rápido. Estou vendo meu marido no telefone, e garanto que está
falando com Kieran na outra extremidade da linha.
– Você se casou?
Gannon sorriu. – Sim. No dia após o incidente com Andrei no
barco, nós fizemos isso. Nós nos amamos, então não há sentido em
esperar, certo?
– Sim – Orlando disse, sentindo-se entorpecido.
Até aquele momento, ele não tinha percebido como seu ódio o
isolara. Duas pessoas tinham morrido naquela noite junto ao rio. A
única diferença era que o corpo de Orlando ainda não havia
desistido da luta.

***
Noah: Ouvi dizer que você está livre. Quer me encontrar?
Andrei: Apenas me diga quando e onde.
Noah: Puck Drop. 15 minutos
Andrei: Já já, chego ai então...

Duas semanas. Quatorze fodidos dias. Trezentos e trinta e


seis horas de merda. Vinte mil cento e sessenta de minutos. Quase
um milhão e três de segundos, sem ele.
Não importava de que maneira Andrei olhasse para isso, não
poderia encontrar uma maneira de olhar para o tempo que tinha
estado separado de Orlando sem sentir angustia. Seu corpo
queimava. Seu coração doía. Sentia uma fodida saudade do som da
voz de Orlando, seu cheiro e do calor de seu corpo. Por mais que
tentasse, Andrei não podia concentrar-se em nada além do que tinha
perdido. Essa era a verdadeira razão pela qual concordara em se
encontrar com Noah.
Ele estava no telefone quando entrou pela porta do Puck
Drop.. Andrei sentia-se confortável na companhia de Noah. O
homem estava no telefone mandando mensagens no celular e era
óbvio que estivera bebendo lá há algum tempo. Garrafas de cerveja e
copos de shots jaziam sobre a mesa.
Noah olhou para cima e piscou. –Ei, cara.
Ele apontou para o assento em frente a ele antes de voltar para
suas mensagens de texto. Mal o olhou enquanto aceitava o silencioso
convite de Noah para se juntar a ele.
– Você está comemorando alguma coisa? – Andrei perguntou,
acenando para os copos e garrafas vazias.
Noah bufou e colocou seu telefone de lado. – Cheguei a algum
tempo. O que posso pedir pra ti?
Por alguma razão Andrei não conseguia explicar, de repente se
sentiu velho e exausto mentalmente. Esta foi uma das muitas razões
pelas quais se aposentou. Ele tinha cansado de toda essa merda há
muito tempo.
– Como você chegará em casa? – Andrei perguntou em vez de
responder à pergunta de Noah.
Um sorriso perverso se espalhou pelo rosto do outro homem. –
Você está se oferecendo para me levar?
As afirmações de Orlando sobre Noah corriam pela mente de
Andrei. Temia que Orlando tivesse razão. Noah era insistente
quando queria algo, ou alguém. A ideia o deixou triste por Noah e
por ele mesmo. Eles não eram tão diferentes – ambos estavam
escondendo seus corações atrás de uma fachada.
– Sim. Estou oferecendo.
A expressão despreocupada de Noah se afastou, permitindo-o
ter um vislumbre da pessoa infeliz que vivia dentro dele. – Há algo
diferente em você hoje, Andrei. Você permitiu que seu Chocolate
Sexy o quebrasse?
– Eu estava assim muito antes de conhecer Orlando.
Noah sacudiu a cabeça. – Esse seu lado sério, é algo novo em ti
baby.
Porra, isso era culpa de Orlando. Nenhum outro riso parecia o
mesmo em seus ouvidos. Ele não queria. Andrei não conseguiu
encontrar as palavras para responder.
–Está tudo bem – Noah disse, poupando Andrei. – Eu não
quero ser sua primeira escolha. Isso significaria que teria o poder de
te machucar. Confie em mim, alguém como eu nunca deveria ter
esse controle sobre ninguém.
– Eu também – Andrei disse, se levantando. – Vamos. Receio
que você morrera de intoxicação alcoólica se ficar aqui o suficiente
para pedir outra bebida.
Noah riu, mas não discordou. – Entendo seu ponto de vista.
A viagem em seu carro ate a casa de Noah foi feita – na maior
parte do tempo– em silêncio. O toque constante do telefone de Noah
impediu Andrei de cair profundamente em seus pensamentos
sombrios. O ódio de si mesmo era uma coisa feia com a qual não
estava familiarizado, mas nunca o experimentou na profundidade
que tinha desde que permitira que Orlando se afastasse. Seu corpo
inteiro parecia em ferida aberta – como se tivesse rasgado metade de
sua alma e jogado-a em acido.
Desde o início, não pôde explicar a sua atração instantânea por
Orlando. Em algum momento, esse desejo transformou-se em uma
obsessão. Não tinha certeza quando atingiu esse ponto, mas sabia
exatamente o momento em que se apaixonara. Foi no dia em que
Orlando tinha admitido a arriscar seu traseiro para visitar uma
senhora idosa e ouvir sobre suas colchas. Andrei o chamara de má
pessoa. A sensação doente em seu estômago não tinha diminuído
desde então.
Enquanto estacionava ao lado da casa de Noah e o conduzia
até a porta, Andrei se perguntou se iria para dentro desta vez,
limpando qualquer chance de recuperar o homem que amava.
Quando chegaram à porta, Noah olhou para os dois lados, como se
assegurando que estivessem sozinhos. Quando ele encontrou o olhar
de Andrei novamente, a determinação em seus olhos não poderia ser
perdida. Ele deu um passo à frente, forçando-o a recuar antes dele
esticar as palmas das mãos contra a parede ao lado da porta da
frente, bloqueando Andrei.
– O que você está fazendo aqui comigo?
A confusão encheu seus pensamentos. – Saindo.
Um brilho de raiva atravessou as feições de Noah,
surpreendendo Andrei. – Isso não é o que eu quis dizer e você sabe
muito bem. Eu vi a maneira que você se acendeu de dentro para fora
quando Orlando apareceu no Clube Khronos. – isso o desestabilizou,
já que não tinha visto Noah olhar longe de seu telefone. – Você é
estúpido como a merda se acha que estar aqui comigo o fará
esquece-lo.
A raiva encheu suas veias subitamente. – Porra, quem é você
para falar? Sua atriz sabe onde você está agora?
A maneira como as feições de Noah se fecharam não trouxe um
pingo de prazer para Andrei. Uma suspeita estranha o tomou. Cada
vez que tinham estado juntos, passou pela mente de Andrei. A
maneira como Noah sempre se escondia atrás de seu telefone e
mantinha sua distância onde quer que estivessem sentados
finalmente fazia sentido.
– Oh. – Andrei não tinha a intenção de dizer isso, mas sua
surpresa foi tremenda. – Entendo. Ela sabe?
Um tic nervoso passou pela mandíbula de Noah, e seus olhos
escureceram. – O nome dela é Mara, e sim, ela sabe. Temos um
acordo.
Um sorriso maligno puxou os lábios de Andrei. Estava fora de
controle.
– Mas ninguém do seu círculo sabe que você é gay, não é? Troy
também tem entendimento? – Noah não respondeu. Ele não
precisava. A raiva em seus olhos dizia tudo. – Eu presumi que você
fosse bi, e possivelmente tinha um relacionamento aberto com esta
Mara. Porra, como fui cego todo esse tempo, não posso entender.
Apesar de sua óbvia raiva, Noah não pegou a isca. Aproximou-
se mais uma vez, até que apenas um centímetro os separava.
– Eu me pergunto o que aconteceria se eu te beijasse agora.
Você seria frio ao meu toque como da última vez?
Isso surpreendeu Andrei. Ele pensou que tinha feito um bom
trabalho em fingir. Infelizmente, Noah não terminou de provocá-lo.
– Ou você irá me empurrar para longe – ele disse, soando mais
furioso no segundo. – Sabe a parte fodida de tudo? Você me procura,
mas ama esse cara. Você não quer, mas não consegue esconder o que
sente baby. Confie em mim. Eu não quero ser sua válvula de escape
ou a merda da segunda opção – Noah disse, esfregando seu quadril
contra o pau de Andrei, deixando-o sentir o seu desejo. – Meu corpo,
deseja seu toque. Não queria faze-lo. Agora, me diz. Você vai entrar e
me foder duro ou preferir ir casa, para Orlando, onde está seu
coração? Diga-me!!
O telefone de Andrei tocou, alertando-o de uma chamada. Os
olhos de Noah brilharam de humor. – Porra, salvo pelo gongo.
Andrei saiu da prisão dos braços fortes de Noah, tirando o
telefone do bolso enquanto se afastava. Era outro erro de Noah no
que lhe dizia respeito. Ele não o conhecia realmente. Se fosse
Orlando a querer beijá-lo, nenhum telefonema ou mensagem
poderia tê-lo impedido. O nome de Kieran estava na tela do celular.
– Alô? – mesmo Andrei podia ouvir a pergunta em seu tom
quando respondeu. Kieran nunca ligava.
– Andrei, estou indo para uma reunião, então só tenho cerca
de trinta segundos, mas eu pensei que gostaria de saber que Orlando
está sentado no Café Augusto em uma mesa com Gannon enquanto
falamos.
Andrei soltou uma série de palavrões em russo antes de
conseguir controlar seu temperamento.
– Eu vou cuidar disso.
– Obrigado – Kieran disse antes de desconectar a chamada.
A tentação de bater a merda fora do lado da sua caminhonete
como um louco enfurecido era esmagadora.
De alguma forma, Andrei conseguiu dizer calmamente seu
adeus. – Eu tenho que ir.
Um sorriso amargo tocou os lábios de Noah. – Claro que você
tem.
Andrei passou as mãos pelo cabelo, em um gesto
desconfortável. Nunca quis machucar Noah– É importante.
– Tenho certeza de que é – disse Noah, ainda soando falso.
– Falamos sobre isso mais tarde.
O sorriso triste de Noah cresceu. – Não vamos, você fez a porra
da sua escolha e não foi eu. Adeus.
– Porra – Andrei rosnou, indo em direção ao caminhão sem se
dar ao trabalho de responder.
Ele não sabia se deveria se desculpar ou dizer a Noah para ir se
foder, mas de qualquer forma, ele não tinha tempo agora. Precisava
chegar ao Café Augusto antes de Alex fazer algo louco com Orlando.
Ele fez a viagem em menos de sete minutos sem conseguir uma
multa, o que foi um milagre em si. Andrei viu o casal no momento
em que entrou. Sentados juntos no canto, eles estavam conversando
profundamente enquanto Alex os observava como um falcão a duas
mesas de distância.
Quando ele passou pela porta, Gannon o viu. Ele disse algo a
Orlando, acenando com a cabeça na direção de Andrei. Orlando se
levantou. No instante em que se virou, seus olhos se encontraram
por um momento antes que Orlando olhasse diretamente através
dele, reconhecendo a sua presença.
Quando Orlando passou por ele, indo para a saída, Andrei
prendeu a respiração. O desejo de alcançá-lo era incontrolável. Mas
não havia calor nos olhos de Orlando e ele merecia isso. Em vez de
persegui-lo e exigir respostas, Andrei moveu-se para se juntar a
Gannon, reivindicando o assento agora desocupado de Orlando.
Com os cotovelos apoiados na mesa, Gannon manteve os
lábios pressionados contra as mãos cruzadas enquanto olhava para o
nada. Quando Andrei falou, Gannon saltou de surpresa como se
tivesse aéreo por um momento.
– Você está bem, amor?
Alex reivindicou o assento ao lado de Gannon. Passou
cautelosamente o braço pelas costas da cadeira de Gannon, como se
esperasse que o homem quebrasse a qualquer momento. Gannon
brincava com sua xícara de café. Seus olhos azuis parecem tristes.
– Estou bem, lindo. Obrigado. O que traz você aqui Andrei?
– Você está falando sério? Seu irmão me chamou, é claro. –
Andrei olhou fixamente para Gannon, perguntando-se se o outro
homem perdera a cabeça...
O sorriso mais amável que já vira atravessou as feições de
Gannon:
– Meu irmão não é um homem que pede favores por coisas
pequenas que ele mesmo consegue resolver – Gannon explicou: –
Então você está aqui por algum razão e Kieran não faz desse motivo.
Andrei encolheu os ombros. – Está engando, seu irmão sabe
que eu preciso do trabalho, e não sou bom em nada além do hóquei.
Meus músculos servem para algo, afinal – acrescentou Andrei,
fazendo piada para fugir da pergunta como sempre fazia quando se
sentia desconfortável.
– Isso não é verdade. Kieran contratou você para procurar por
ele, porque sabia que você é muito bom nisso, e eu concordo. Isso é
algo diferente. Ele não contratou você para ficar de olho em mim.
Você está fazendo isso por suas próprias razões. Não precisa me
dizer quais são, mas espero que não continue negando o fato a si
mesmo. Tudo que aconteceu acabou colocando Alex e eu juntos. Não
percebi no momento, mas nunca fui tão grato por alguma coisa.
Agora – Gannon disse, encolhendo os ombros. – Orlando disse que
foi sua ideia que ele viesse falar comigo. Ainda estou tentando
decidir se devo te socar ou agradecer por isso.
Andrei não tinha como negar. Havia dito aquilo. Claro, na
época, não acreditava que Orlando seguiria seu conselho. Ele estava
estranhamente contente. Talvez agora Orlando pudesse encontrar
paz. Infelizmente, quando deu a Orlando esse conselho, também não
tinha considerado os sentimentos de Gannon.
– Eu fiz a coisa errada? Vou pedir-lhe desculpas se sim.
Gannon passou a ponta do dedo pela borda da xícara de café,
como se tivesse considerando a sua pergunta.
– Não tenho certeza – Gannon respondeu depois de um
momento. – Parte de mim quis falar com Orlando várias vezes ao
longo dos anos, em contar tudo para ele. Mas sempre que
considerava faze-lo, eu recuava. Fodidamente dividido. Quer dizer, o
que seria pior, permitir que um maldito pedófilo ficasse livre, ou
fazer com que os pais de Seb chorassem novamente pelo dor de
perder o filho sabendo do que acontecera com ele por tanto tempo?
– Espere – disse Andrei, detendo-o. – Estou confuso. Quando
eu disse a Orlando que deveria falar com você, quis dizer para
pergunta-lo sobre o que aconteceu na noite em que Seb morreu.
Uma linha de confusão apareceu entre as sobrancelhas de
Gannon.
– Isso não faz sentido. Orlando sabe o que aconteceu na noite
em que seu irmão morreu. Ele é uma das poucas pessoas que sabe.
Ele foi o paramédico que recebeu a chamada. Uma das muitas
pessoas que meu irmão pagou ao longo dos anos – disse Gannon,
soando como se a lembrança doesse.
– O quê?
Gannon fez um gesto desamparado.
– Sim. Essa é a maior razão pela qual permiti que as atitudes
absurdas dele continuassem por tanto tempo. Estava na maior parte
fora daquela noite, então eu não me lembro de tudo. Seu irmão mais
novo estava deitado, morto, e mesmo assim Orlando manteve a
cabeça fria. Não há dúvida em minha mente que ele é a maior razão
pela qual eu sobrevivi naquela noite. Eu imagino que Kieran sente o
mesmo, e é por isso que ele continua tentando ajudar Orlando em
vez de matá-lo como ele faria com qualquer outra pessoa que
cruzasse meu caminho. – Gannon inclinou a cabeça para um lado,
avaliando-o. – Pensei que soubesse disso, desde que você
obviamente falou com Orlando sobre aquela noite.
– Orlando não disse uma palavra sobre isso, só soube tanto
quanto Kieran me confidenciou, merda, estou começando a ver que
foi uma versão muito resumida de tudo que aconteceu. Não consigo
entender por que Orlando me levou a acreditar que ele precisasse
ouvir a sua versão dos fatos.
– Talvez ele soubesse que você iria intervir se ele lhe contasse a
verdade completa. Espero que seja exatamente isso que você vá
fazer, porque eu não quero ser a razão pela quais os pais dele chorem
novamente pelo filho morto, isso se Orlando não cometer uma
loucura e acabar na prisão.
– Porra, o que você quer dizer?
– Ele me pediu para contar a ele todas as fodidas coisas pelas
quais Seb passou, e eu fiz isso.
O peso das palavras de Gannon afundou no seu peito de forma
devastadora. Gannon estava certo. Os pais de Orlando em breve
chorariam por seus dois filhos, porque Orlando não iria parar até
que matasse Roderick.
Andrei levantou-se. – Porra, eu tenho que ir.
Gannon assentiu e se inclinou contra os braços de Alex. A
última visão que Andrei teve antes de se afastar foi de Alex beijando
amorosamente a testa de Gannon. Não era necessário aqui. Alex
faria tudo ficar bem.
Para a surpresa, no instante em que na rua, ele viu Orlando
ainda sentado em seu SUV no estacionamento do café.
Provavelmente, ele estava formulando um plano. Não duvidava que
fosse algo idiota envolvendo um ataque direto – algo fodido que
provavelmente terminaria de duas maneiras – com Orlando morto
ou na prisão.
Sem considerar as consequências de suas ações, Andrei abriu a
porta do lado do motorista bruscamente. Orlando olhou para o outro
lado sem mostrar uma expressão de surpresa.
– O que você quer?
– Saia daí – ordenou Andrei.
Orlando suspirou, soando cansado. – Foda-se, Andrei.
– Sempre com a boca suja. Agora faça o que digo ou farei isso
por ti.
Em sua ameaça, Orlando olhou para ele, como se avaliando a
veracidade de suas palavras. Obviamente reconhecendo que Andrei
quis dizer cada palavra, ele lançou uma longa série de maldições,
mas fez o que disse. Uma vez que Orlando estava assentado no
banco do passageiro, Andrei subiu atrás do volante e abriu a janela
antes que soltasse.
– Você mentiu para mim – Andrei disse, incapaz de manter a
acusação fora de seu tom. – Você disse que não sabia o que
aconteceu naquela noite.
– Meu irmão era um monstro – disse Orlando, soando
exausto. – É isso que você está querendo que eu diga? Ele era, mas
eu nunca daria a Gannon a satisfação de dizer isso em voz alta. –
Orlando desviou o olhar, escondendo suas emoções de Andrei e
fazendo-o querer rosnar. Orlando levantou a mão – apertou os
punhos fortes e exalou derrotado.
– Você sabe que essa merda é repugnante.
Orlando bufou. – Você é o sequestrador com o mais alto senso
de moral que já conheci na minha vida.
Desta vez, Andrei não conseguiu conter o grunhido. – Pela
última vez, não te raptei. Salvei-te de si mesmo. Você estava prestes
a fazer algo que não poderia reverter, algo com o qual não poderia
viver com a consciência limpa. Algo que te atormentaria para
sempre. Ugh! Porque você é tão teimoso?
Orlando soltou uma risada sem humor enquanto levantava o
cigarro para seus lábios. Uma nuvem de fumaça encheu o veículo.
– Sou teimoso – repetiu Orlando, como se pesasse as palavras
em sua língua. – Admito, e você não? A que se deve todas essas
cicatrizes nas suas costas? – Orlando perguntou, abertamente
zombando dele.
Ele queria? Não, mas era óbvio que Orlando realmente
acreditava que estava sozinho no mundo. Se trouxesse o conforto do
homem, então Andrei iria desnudar sua alma e segredos
vergonhosos.
Andrei virou a cabeça, mantendo seu olhar fixo em Orlando,
desejando que o visse sem todas as barreiras que erguera ao redor de
si.
Andrei estendeu a mão, precisando tocar nesse homem que
possuía seu coração machucado. Orlando passou um momento
olhando a mão de Andrei antes de apagar o cigarro e juntar os dedos
nos seus. Assim que o toque reconfortante continuou, Andrei
começou a despejar tudo.
– Na Rússia, ser gay significa ser menos do que nada. Sei que
há intolerância em todos os lugares, mas nada como a que tive que
experimentar.
– Merda, alguém te fez tudo isso por você ser gay?
Andrei olhou fixamente para o rosto lindo de Orlando, fazendo
seu melhor para impedir que as memórias o perturbassem, mas do
que faziam.
– Não apenas alguém. Foram meus pais. Eles pensaram que
poderiam drenar do meu sangue com cintos e porradas, essa
doença (se refere a sua opção sexual como sendo vista como uma doença para seus
pais) com a qual eu tinha sido amaldiçoado. A cada vez que não

funcionava, meu pai pegava seu isqueiro aquecia um crucifixo de aço


inoxidável até que ficasse vermelho e pressionava-o na minha pele,
esperando que Deus me fizesse ser normal. Oravam desesperados
em cima da minha cabeça, e eu orava silenciosamente junto com eles
para que Jesus tirasse isso de mim, então eu não teria que sofrer
mais. No final de cada oração, meu pai colocava o cigarro na parte de
trás da minha perna enquanto me amaldiçoava, porque sabia que
suas preces não iriam funcionar.
– Depois de um tempo, eles pararam de fingir que faziam isso
por amor. Eles me odiavam, porque não era digno de pertencer a
família. Aprendi a dormir com uma faca em uma mão e um olho
aberto. Nunca esquecerei a primeira vez que beijei outro homem,
não porque foi inesquecível, mas porque estava cheio de tanta
vergonha que não conseguir ser como meus pais queriam que eu
fosse. A única coisa boa que me deram foi o hóquei. Meu pai achou
que me tornaria “um homem e não um marica imprestável”. O
hóquei me deu liberdade. Aos dezessete anos, um olheiro de talentos
americano me trouxe aqui para os Estados Unidos. Jurei que não
voltaria, e nunca voltei. Nem mesmo quando estava com Kieran, e
minha irmã mais nova me ligou para me informar que meu pai
estava morto. Saí para beber, não porque lamentei o fato, mas
porque sua morte me alegrou.
– A última vez que falamos, tudo que eu disse para você era
uma mentira. Você está certo. Eu estou aterrorizado. Esta pessoa
que eu sou no interior, onde ninguém pode ver; ninguém poderia
amar isso. Ninguém amaria alguém tão fodido quanto eu. É tarde
demais para isso, como posso querer seu amor sendo que sou como
uma casca vazia? Seria egoísta. Um dia, você me odiaria. Pensar em
que poderia ter seu desprezo me mata.
Um sorriso fraco apareceu nos lábios de Orlando.
– Somos iguais – disse Orlando em um sussurro. – Quando
você disse que eu era uma pessoa má, quebrou meu coração, não
porque não seja verdade, mas porque era como se eu tivesse te
contaminando com minha podridão ao te ter por perto. Essa coisa
que eu disse sobre Seb ser um monstro, nem sempre foi verdade. Ele
costumava ser uma criança doce, sabe? Um pouco irritante, mas eu o
amava. E ele me amava. Isso soa estúpido como o inferno, mas é
verdade. Ninguém mais me via da maneira que ele fez, como se eu
não pudesse fazer nada de errado. Então, um dia, ele ficou estranho.
Sempre estava com raiva, mas pensei que o fato se devia a estar se
transformando em um adolescente. Ele estava cheio de um ódio
desagradável. Perguntei-me que merda estava acontecendo e até iria
confronta-lo, então Gannon apareceu. E de vez em quando, eu via o
velho Seb reaparecer. Eu pensei que talvez ele estivesse lutando com
sua sexualidade e, finalmente, tinha se encontrado e estava tudo
bem. Mas os bons momentos nunca duraram.
– Ele amava Gannon. Sei que pode parecer loucura, mas às
vezes parece que Gannon é tudo o que me sobrou de Seb, como se
Gannon fosse à última coisa boa sobre ele. Mas, assim o odeio tanto
quanto gosto, e a cada novo dia, não tenho certeza de qual
sentimento ter. Quando encontrei Seb morto, fiquei aliviado pela sua
dor ter acabado. Quão fodido é isso?
Orlando bufou de novo. – É por isso que não podia esquecer. A
memória de Seb ainda está viva em Gannon. Quis esquecer tudo e
seguir em frente, por amor a nós. Mas você deixou claro que não me
queria, e comecei a ficar obcecado por tudo de novo. Tentei me
impedir de procurar Gannon, mas Roderick morreu há dois dias de
uma overdose de drogas. Seu funeral é hoje, e eu precisava saber se
deveria ficar em casa ou ir cuspir em seu caixão e manda-lo ir para o
inferno enquanto ainda houvesse tempo.
Andrei levou suas mãos unidas aos lábios e deu um beijo em
Orlando, esperando esconder seu alívio.
Se Roderick não estivesse morto, seu lindo Orlando teria feito
algo estupido. Respirou o perfume delicioso do outro homem antes
de olha-lo intensamente.
– Você é um bom homem, gostaria de nunca ter dito aquelas
merdas, anjo. Ficaria imensamente feliz se me dissesse que perdoou
Gannon... e ....a mim. – A garganta de Andrei apertou em pesar –
Não deixe o seu tio estragar a sua vida como fez com o seu irmão,
deixe Seb descansar em paz com a sua reputação intacta.
Andrei apertou a mão de Orlando e olho-o uma última vez.
Memorizando os traços do homem que amava, o homem que não
merecia alguém tão danificado quanto ele, o homem que nunca
esqueceria. Seu coração sangrava, mas se esforçou a dizer as
palavras.
– Nunca quis te causar qualquer tipo de dor meu anjo. Peço
perdão do fundo do meu coração por tudo que fiz, esqueça que pisei
em seu caminho, seja feliz.
Ele disse isso com os olhos lacrimejantes, abriu a porta do
carro e saiu rápido sem olhar para trás... A cada passa que dava era
um cruel lembrete de que acabara de perder a outra metade da sua
alma.

***

Quando Andrei saiu do seu carro, no estacionamento do café,


Orlando pensou que ia desvanecer tal dor que sentia no peito. De
alguma forma, começou a amar cada pedaço quebrado do outro
homem com loucura insana. Agora, enquanto observava Andrei se
afastar dele, sentiu seu coração acompanha-lo, deixando-o oco por
dentro.
Merda, mais estava fodidamente chateado também. O outro
homem havia admitido que o amava, e ainda assim se afastou dele.
Era como se ele não conhecesse Orlando. Se tivesse, saberia que
Orlando não desistia quando queria algo. Agora que Andrei tinha
desnudado sua alma, ele se arrependeria, porque nunca o deixaria ir.
Iria reivindica-lo como seu.
Com esse pensamento firmemente em mente, Orlando abriu
seu telefone e fez uma ligação que nunca pensou que faria.
O SUV de Kieran estava estacionado na entrada da garagem,
quase fazendo Andrei gemer. Ele realmente precisava ter seu próprio
lugar. Suas entranhas tremiam e seu coração estava dilacerado. A
última coisa que queria fazer era ter ser sociável com alguém. Andrei
passou alguns minutos considerando sair novamente. Ele podia ficar
em um hotel. Pelo menos ninguém o procuraria lá. Porra, ansiava
engatinhar em sua cama e se afundar em auto piedade por alguns
dias.
Resolveu entrar rápido na casa, a sala de visitas estava vazia e
a casa estava quieta. A porta do quarto ao lado da escada estava
aberta. Kieran apareceu em seu caminho, roubando a sua chance de
escapar.
– O que aconteceu hoje?
Andrei olhou para o teto. – Eles finalmente resolveram as
desavenças – Andrei respondeu, esperando que sua explicação fosse
suficiente.
As sobrancelhas de Kieran arquearam lhe dizendo que não
suas palavras não foram o suficiente.
– Deixe-me preparar uma bebida para você.
Andrei suspirou. – Está oferecendo ou me intimando
acompanha-lo?
A expressão de Kieran não pestanejou nenhum segundo. – O
que você acha?
– Tudo bem – Andrei disse, seguindo os saltos de Kieran.
Enquanto Kieran derramava um pouco de bebida no copo para
Andrei, ele sentou no sofá e olhou para a parede sem realmente ver
os quadros que jaziam na mesma.
As afirmações de Gannon sobre a intromissão de Kieran
atravessaram sua cabeça. Kieran não parecia do tipo controlador,
mas, novamente, ele era o tipo de pessoa imprevisível. Andrei
gostava de pensar que conhecia Gannon, e Henley, mas era duvidoso
que entendesse completamente como o cérebro de Kieran
funcionava.
– Orlando me ligou depois de sair do café – disse Kieran
enquanto dava um copo para Andrei.
De todas as coisas que Kieran poderia ter dito, ele disse aquilo
que Andrei nunca esperou ouvir. Sua mente entrou em parafuso. Ele
tomou um gole do caro uísque para encobrir sua surpresa. O álcool
ajudou... um pouco.
–Isso é estranho. – Honestamente, isso foi tudo o que Andrei
conseguiu falar.
Kieran ocupou a extremidade oposta do sofá, concentrando-se
na parede e dando Andrei seu olhar frio.
– Na verdade não. Você sabe por que ele se sentiu livre para
me chamar, e por que foi incapaz de parar de ligar para Gannon ao
longo dos anos?
Andrei não respondeu. Tinha a sensação de que Kieran não
esperava uma resposta. Quando o homem continuou sem seu
discurso, as suspeitas de Andrei foram confirmadas sobre o assunto.
– É porque ele sabia que podia – disse Kieran, soando
pensativo e ainda olhando para a parede. – Ele poderia mudar os
números, e muitas vezes o fez, mas Gannon nunca se recusou em
atendê-lo. Ambos sabemos algo sobre Orlando que a maioria das
pessoas desconhece. Algo que acho que você vê também. Não era
realmente Gannon que Orlando estava tentando atormentar. Ele
estava se punindo. Às vezes, ele ficou verdadeiramente irritado com
Gannon, mas sempre passava tão rapidamente quanto surgia. No
final, era a si mesmo que culpava.
Kieran finalmente o olhou, concentrando-se nele.
– Nem você nem Gannon disseram a Orlando qualquer coisa
que ele já não soubesse em seu coração, e se alguém poderia ter
salvado Seb -antes que o mesmo se transformasse no que virou no
final de seus dias na terra- era Orlando. Isso é um inferno de muita
culpa com que se viver.
Andrei levantou o copo, drenando o álcool em um único gole.
Cada palavra que Kieran falou lembrou-lhe que fora um idiota. Sem
mencionar, que ouvir o nome de Orlando mais e mais, o matava por
dentro. Sua pele explodia de vontade de encontrar Orlando para
tocá-lo.
– Você está sofrendo também – disse Kieran, surpreendendo-o
o suficiente para que ele virasse a cabeça.. – Orlando fez você sorrir,
mas agora você esta diferente. Eu não gosto dessa tristeza que vejo
em ti.
A sala girou. Ele tinha ficado muito tempo sem comer, e
adicionar uísque a mistura não estava ajudando. Andrei fechou os
olhos.
– Eu nunca realmente sorri antes de Orlando; você viu o que
eu lhe mostrei.
– Eu sei disso também, mas não se preocupe. Vou concertar
tudo.
Andrei tentou levantar ante a afirmação estranha, mas as suas
pálpebras pesavam demais.
– Porra, você não pode me consertar. Eu fui esmagado em
múltiplos pedaços muito antes de nos conhecermos.
Suas palavras soaram arrastadas até mesmo para seus ouvidos,
mas Andrei não conseguiu continuar a falar.
Kieran deu uma risadinha. – Não tenha tanta certeza. Eu gosto
da ideia de juntar dois loucos.
Andrei tentou responder, mas tudo ficou preto.

*-*-*

Pedaços de luz penetraram em seus olhos, fazendo a cabeça de


Andrei doer demasiado. Seu cérebro estava à beira da explosão.
Estaria morrendo?.
– É desconcertante como o inferno, acordar assim, não é
сексуальная вещь (coisa sexy, em russo)?
Ao som da voz de Orlando, Andrei virou a cabeça de um lado
para o outro, olhando as cordas que prendiam seus pulsos. Kieran
Fodido.
– Porra, ponto feito. Você pode me desamarrar agora – disse
Andrei com a voz rouca como se estivesse sem falar a dias.
Orlando ignorou sua ordem, e lhe seu um sorriso cínico. –
Tenho certeza que sua cabeça está pulsando, suas mãos estão frias, e
seus dedos estão formigando pela quase escassez de fluxo sanguíneo.
Andrei tentou matar Orlando com seu olhar fixo. – Estamos
quites agora.
As pálpebras de Orlando varreram seu corpo lentamente. Ele
mordeu seu lábio inferior, hipnotizando Andrei.
– Não сексуальная вещь (coisa sexy, em russo) – disse Orlando
enquanto cruzava a sala. – Nós estamos longe disso. – Orlando
montou seus quadris. – Estamos longe de estarmos quites, te farei
pagar por tudo que me fez passar.
Andrei se esticou contra as cordas enquanto Orlando se
aproximava. Sua colônia encheu as suas narinas, inebriando-o com o
cheiro delicioso. O calor que irradiava do ápice das coxas de Orlando
incitou seu pau, enchendo-o de necessidade.
– Merda, você roubou meu coração e se afastou. Tem que
pagar por isso baby. – Ao encontrar a bainha da camisa de Andrei,
Orlando empurrou as mãos para dentro, fazendo o coração de
Andrei disparar forte, estava faminto pelo contato pele-a-pele.
– Eu tenho uma confissão – disse Orlando, inclinando-se para
beijar a mandíbula de Andrei. – O meio tempo desde quando você
me deixou ir embora deste lugar e quando te encontrei, sonhava com
momento entre nós. Perdi a conta de quantas vezes fechei meus
olhos e imaginei você subindo em meu colo Exceto, que na minha
cabeça, não havia barreiras entre nós. Às vezes, quando a água
quente do meu chuveiro desliza pelo meu corpo, te imaginava
deslizando contra mim, curvando-se para montar meu pau.
Andrei não podia se mover ou falar. Esqueceu-se da cabeça
dolorida e dos seus dedos entorpecidos. Ele mal podia respirar
enquanto ouvia Orlando. Seu corpo queimava de desejo
incandescente.
–Cada vez que pensava nisso, eu deslizava minha mão pelo
meu pau.
Orlando disse as palavras, deslizando a mão por seu corpo.
Andrei não conseguia desviar os olhos. Orlando desabotoou do seu
próprio jeans e deslizou a mão para dentro, fazendo Andrei ter uma
visão do lindo pau do outro homem. Orlando beijou o pescoço de
Andrei enquanto movia o pênis contra os dedos.
– Jesus, Orlando. Desate essas malditas cordas para que eu
possa te tocar. Você está me matando se masturbando assim na
minha frente.
Orlando congelou, encontrando seu olhar. Parecia tão excitado
quanto Andrei estava. Seu lábio inferior já estava inchado das
mordidas dele, da maneira que Orlando sempre fazia quando estava
na borda do êxtase. Em vez de ceder, Orlando sacudiu a cabeça,
frustrando-o.
– Estou feliz que você está sofrendo, baby. Talvez te ajude a
entender como foi para mim desde que tirou meu direito de tocá-lo.
Os olhos de Andrei se fecharam diante da dor na voz de
Orlando. Ele bateu a cabeça contra a cabeceira da cama, esperando
bater a dor fora de si mesmo. Ele também sofreu. A cada segundo
que tinham estado separados.
Orlando empurrou uma mão atrás da cabeça de Andrei,
impedindo-o de bater-se sem sentido.
– Você não pode se livrar de mim desse jeito. Confie em mim,
eu sei – disse Orlando, sentindo triste. – Eu bebi tanto que mal
podia ver direito, fumei drogas o bastante para manter um traficante
desmaiado por um mês, e até tentei ir para casa com outra pessoa.
O vermelho do ciúme cobriu a visão de Andrei. Um rugido
rasgou de sua garganta seca. – QUE. PORRA. O. QUE. DISSE?
Os dedos de Orlando massageavam as costas da cabeça de
Andrei, para acalma-lo. Depois ele sorriu lindamente. – Eu não
consegui fazê-lo.
O coração de Andrei desacelerou, mas a fúria não foi tão rápida
para desaparecer, especialmente porque ele não tinha ninguém para
culpar, além de si mesmo. Orlando acabaria encontrando outra
pessoa. Isso era o que Andrei queria para ele, certo? NÃO... Merda,
mataria qualquer filho da puta que ousasse tocá-lo.
– Desamarre-me. – A voz de Andrei tornou-se desumana até o
ponto em que surpreendeu a si mesmo. Ele poderia muito bem ter
ficado mudo pela total falta de atenção que Orlando deu as suas
palavras.
– Apesar de toda sua teimosa, Andrei, eu ainda te amo, e não
vou embora. Você pode dizer até cansar o quanto está fodido por
dentro, mas a verdade é que também estou. Você me fez ver que o
que eu estava fazendo para Gannon era errado.
Ele se inclinou até que estava nariz-a-nariz com Andrei, como
se garantindo que Andrei não perdesse o brilho determinado em
seus olhos quando acrescentou:
– E merda, nunca pense que algum dia me arrependerei de tê-
lo tomado como refém. Você é meu baby. A menos que tenha alguém
neste mundo que te queira tanto quanto eu, saiba que está realmente
ferrado, porque não pararei de toca-lo, te fazer amor contigo até que
coloque isso na porra da sua cabeça.
A maneira como Orlando grunhiu a palavra final espremeu o
coração de Andrei: por toda a sua vida, Andrei secretamente ansiou
pertencer a alguém que o amasse apesar de seus fodidos defeitos.
Orlando lhe deu isso. Entendia o que era ser indesejado, até mesmo
pelas pessoas que lhes deram a vida. Isso lhe deixou um buraco
emocional profundo, que apenas o amor poderia preencher.
– Sente o quanto te quero, baby?
Andrei engoliu em seco, seu peito transbordando pelo amor
que o sufocava. – Eu te sinto, anjo da boca suja. Agora me
desamarre para que eu possa te tocar.
Os olhos de Orlando se fecharam. Ele pressionou sua testa na
de Andrei. Andrei podia praticamente sentir o alívio derramando
através das veias do outro homem.
– Diga-me que posso te ter agora – sussurrou Orlando
torturado.
– É o que mais quero, meu anjo.
Antes que Orlando pudesse se afastar, Andrei capturou os
lábios dele em um beijo intenso, odiava as cordas que o impediam de
segurar Orlando. Orlando se afastou um pouco e fez uma trilha de
beijos até o centro do peito de Andrei e seus dedos encontraram o
botão do jeans de Andrei que Orlando deslizou para baixo,
movendo-se lentamente para baixo. Andrei assistiu, incapaz de
desviar seu olhar enquanto Orlando soltava sua ereção.
A mão de Orlando cercou o pênis de Andrei, bombeando. A
visão era quente como o inferno. Não havia nada que Andrei pudesse
fazer para deter qualquer coisa que Orlando quisesse fazer com seu
corpo. A ideia era absurdamente quente.
Provocando-o, Orlando segurou o olhar de Andrei enquanto
baixava a boca para o pau de Andrei. Sua língua disparou, varrendo
a cabeça do pau dele. Os músculos de Andrei se apertaram e ele
gemeu.
– Diga-me que você me ama – Orlando perguntou.
– Não precisa me coagir, amor. Eu te amo.
Orlando sorriu antes de levar Andrei mais fundo em sua
garganta. Andrei respirou fundo e puxou as amarras. Havia tantas
sensações que ele estava perdendo com as mãos presas. Assim que
sucumbiu ao êxtase, Orlando se afastou, subindo na cama, deixando
Andrei com sua ereção limpa, e com os lábios meio sujos do seu
esperma. Ele puxou a camisa sobre a cabeça, revelando a pele linda
que Andrei adorava sentir contra a dele.
Enquanto ainda segurava o olhar de Andrei, Orlando
empurrou a calça jeans pelos quadris.
– Você sabe que há câmeras aqui, anjo? – apontou Andrei para
cima, mesmo que se odiasse por fazê-lo.
A maldade aberta de Orlando se aprofundou. – Onde você quer
chegar?
– Pensei que meu ponto fosse óbvio.
Com uma piscadela, Orlando retirou o restante de sua roupa.
– Talvez Henley e Kieran estejam estourando pipoca e
estabelecendo-se para o show que vamos dar.
Orlando segurou seu pau, olhando sarcasticamente para
Andrei. Inclinando o queixo para trás, Orlando soltou um gemido
baixo enquanto se masturbava pra Andrei.
Quando Orlando finalmente deixou cair o queixo, encontrando
o olhar de Andrei mais uma vez, seus olhos brilhavam mais do que
nunca.
Andrei perguntou-se porque seu homem ficava tentando-o
assim.
– Por favor? – A palavra saiu dos lábios de Andrei em um
sussurro.
Sua garganta se recusou a funcionar corretamente. Em sua
súplica, Orlando fechou a distância entre eles, empurrando seus
quadris juntos mais uma vez e capturando sua boca. Suas línguas
lutaram pela supremacia enquanto os dedos de Orlando puxavam as
cordas mantendo Andrei preso. Uma vez que afrouxaram o bastante
para Andrei trabalhar suas mãos livres, abraçou Orlando
firmemente contra seu peito. Havia luxúria misturada com suas
emoções, Andrei não podia mentir, mas isso era mais. Esta
necessidade de segurar Orlando era implacável. Começou no abismo
do estômago e se espalhou por todo o seu corpo.
– Anjo...- Andrei disse entre beijos. – Se algum dia te
machucar, isso irá me matar.
Orlando rosnou. – Cale-se. Você não está sozinho, estou
contigo. Agora, por favor, faça amor comigo antes que eu fique
louco.
Com um toque, ele tinha Orlando preso debaixo dele.
– Você não tem permissão para tocar em mais ninguém de
novo, além de mim anjo – Andrei disse, deixando Orlando ofegante
com as palavras.
Os olhos de Orlando brilharam com humor. – Isso vale para
nos dois. – ele rolou seus quadris, provocando Andrei com seu corpo
pecaminoso.
Andrei gemeu. – Eu não quero mais ninguém, mas esse não
era o objetivo dessa conversa. Estou prestes a te foder sem barreiras,
porque estou limpo e quero-te pra caralho.
– Eu estou limpo também baby.
Andrei mordeu a garganta de Orlando quando o mesmo
empurrou o jeans de Andrei pelos quadris. – Eu sei. Eu chequei.
– Você é realmente um bastardo louco. Droga, eu adoro isso.
Eu te amo.
Em sua afirmação, Andrei manteve seu olhar. – Eu também te
amo, boca suja. Beije-me e te levarei as alturas.
Orlando estremeceu de riso, como Andrei esperava. Seus olhos
se fecharam quando rosnou contra sua orelha.
– Como eu pensei que eu poderia viver sem esse som?
– Você não pode baby– Orlando disse enquanto puxava a boca
de Andrei para a sua. Seus lábios se encontraram e Andrei manteve
sua palavra.
Ele mostrou a Orlando a magia do amor eterno.

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