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O Trabalho Infantil nas Indústrias

O termo trabalho infantil surge durante a Revolução Industrial com crianças sendo empregadas pelas fábricas e
ganhando salário.

As máquinas permitiam isso, já que o trabalho ficou menos difícil de ser realizado, pois passou a exigir menos força
física.

De acordo com Ana Lucia Kassouf, professora e pesquisadora na Universidade de São Paulo,
não existiam leis nacionais ou internacionais que condenassem o trabalho de crianças, mas a questão começava a
incomodar os trabalhadores que passam a pedir a proibição do trabalho infantil.

No Brasil, após a abolição da escravatura, a procura por mão de obra infantil se intensifica em função do início do
processo de industrialização do final do século XIX.

Com o crescimento da indústria, o trabalho infantil era visto como uma boa opção uma vez que tinha baixo custo.

Na indústria têxtil, por exemplo, a média salarial de um trabalhador com menos de 18 anos era, aproximadamente,
um terço da média salarial de um homem adulto.

Dados levantados pela pesquisadora Ana Lucia Kassouf revelam que, em 1890, 15% da mão de obra dos
estabelecimentos industriais do estado de São Paulo possuíam menos de 18 anos.

Segundo Ana Lucia, as primeiras discussões sobre a criação de leis relacionadas ao trabalho infantil aparecem não
para proteger as crianças, mas sim para proteger os empregos e os salários dos adultos, já que as crianças ocupavam
vagas de trabalho quem poderiam ser de adultos.

Nas listas de reinvindicações feitas aos empresários industriais pelos empregados das indústrias da época era comum
eles pedirem o seguinte:
 diminuição da jornada de trabalho de crianças e adolescentes;
 aumento de seus salários;
 eliminação do trabalho infantil;

A resposta do Estado às reivindicações dos trabalhadores veio apenas em 1919 com a fixação da idade mínima de 14
anos para o trabalho.

Em 1927, o Código de Menores estabeleceu o seguinte:


 jornada de trabalho de seis horas diárias;
 proibição do trabalho noturno;
 idade mínima de 14 anos.

Na Constituição vigente, a idade mínima é elevada para 16 anos.

Dados levantados em 2015 pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios identificou que 114 mil crianças e
adolescentes trabalham na indústria têxtil no Brasil. Em sua maioria, atuando em pequenas unidades familiares,
prática que contribui para a invisibilidade do problema.
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Os casos são ainda mais graves quando as famílias são imigrantes em situação irregular no país. Com medo de serem
denunciados, os trabalhadores submetem-se a condições degradantes de trabalho, que incluem retenção de salário,
cobrança de dívidas ilegais e até tortura física e psicológica.

Tudo começa quando as marcas terceirizam a fabricação de suas peças para baratear os custos de produção. A partir
daí, os fornecedores contratados transferem o serviço para oficinas menores, até chegar a uma pessoa física que
termina desenvolvendo esse trabalho em lugares improvisados e com o envolvimento de outras pessoas da família,
inclusive crianças, que são exploradas nesta situação.

Há uma naturalização do trabalho infantil na nossa sociedade, principalmente realizado por crianças de classe baixa,
como se aquilo não fosse uma violação de direitos. 

Instituições de combate ao Trabalho infantil

Diversas instituições compõem a Rede Nacional de Combate ao Trabalho Infantil. Uma dessas
instituições é o Ministério Público do Trabalho.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) é o ramo do MPU que tem como atribuição fiscalizar o
cumprimento da legislação trabalhista quando houver interesse público.

Relativamente ao trabalho infantil compete ao MPT propor as ações necessárias à defesa dos direitos
e interesses dos menores.

O ponto de partida das ações do MPT relativamente ao trabalho infantil pode ser o recebimento de
denúncias, representações, ou iniciativa própria.

A parte da estrutura o MPT que lida especificamente com a questão do trabalho infantil é a
Coordenadoria Nacional de Combate a Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente
(COORDINFANCIA).

O objetivo da COORINFÂNCIA é promover, supervisionar e coordenar ações contra as variadas


formas de exploração do trabalho de crianças e adolescentes.

As principais áreas de atuação da COORDINFÂNCIA são:

a) promoção de políticas públicas para a prevenção e erradicação do trabalho infantil informal;


b) proteção aos atletas mirins;
c) trabalho infantil artístico;
d) exploração sexual comercial;
e) trabalho infantil doméstico; e

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f) trabalho nos lixões.

ÁLVARO SANTOS DE SOUZA E SANTOS

ONGs que atuam na prevenção e combate ao trabalho infantil

ONGs é a sigla para Organizações não Governamentais

ONGs são instituições sem fins lucrativos que exercem atividades em defesa dos direitos dos
cidadãos.

As ONGs surgiram como uma alternativa para a ineficiência dos Governos e do poder público em geral.

Toda ONG existe para tentar suprir necessidades da sociedade ou de uma comunidade específica.

Existem ONGs que atuam na prevenção e combate ao trabalho infantil.

Entre as ONGs que atuam na prevenção e combate ao trabalho infantil no Brasil é possível citar:

 Fundação Telefônica;
 ChildFund Brasil; 
 Rede Peteca;
 Visão Mundial;
 Fundação Abrinq, entre outras.

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