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EXCELENTÍSSIMO SR. DR. DESEMBARGADOR VALDEZ LEITE


MACHADO, DD RELATOR DA APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0694.04.020090-
9/001 DE TRÊS PONTAS/MG.
14ª CACIV

Expediente presente:

- Apresentação de MEMORIAL.

COOPERATIVA DOS CAFEICULTORES DA ZONA


DE TRÊS PONTAS LTDA. - COCATREL, já qualificada nos autos do
processo supra, em que contende com GLAUCO GARCIA MENDONÇA e
STAEL TISO MUDRIK MENDONÇA, vem respeitosamente, através de seus
patronos infra-assinados, apresentar seu MEMORIAL, pelos fatos e
fundamentos aqui aduzidos.

E. R. Deferimento

JUSTIÇA!

Belo Horizonte, 15 de maio de 2007.

Felipe M.S. Starling André Barros de Moura


OAB-MG 107.119 OAB-MG 75.626
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M E M O R I A L

PELA APELADA: COOPERATIVA DOS CAFEICULTORES DA ZONA DE


TRÊS PONTAS LTDA - COCATREL.

Egrégia Turma:

1- Trata se o presente feito de Embargos à Execução,


interpostos pelos ora Apelantes, buscando a extinção da ação de execução
proposta pela Apelada com fulcro em Nota Promissória.

2- Em 04 de agosto de 2005 foi realizada audiência


preliminar de conciliação, a qual restou frustrada pela ausência dos
embargantes e seus respectivos procuradores (fls. 134).

3- Em 01 de fevereiro de 2006, primeira data para a


Audiência de Instrução e Julgamento, o procurador dos embargantes
requereu a juntada de atestado médico buscando comprovar a
impossibilidade de comparecimento de Stael Tiso Mudrick Mendonça (fls.
176).

4- Nova AIJ foi designada para o dia 06 de abril de


2006, e novamente não foi possível a sua realização em virtude de um
atestado odontológico do procurador das embargantes (fls.188). Na
oportunidade, o MM. Juiz designou nova data para a AIJ, dia 11 de abril de
2006, intimando o ora Apelante que se encontrava presente.

5- Na terceira data marcada para a AIJ, em 11 de abril


de 2006, novamente os embargantes e seu procurador não estavam
presentes (fls. 197). O MM Juiz Eduardo Soares de Araújo, ao tomar
conhecimento de uma Exceção de Suspeição proposta pelos embargantes a
seu desfavor, suspendeu o Processo de Execução e também os Embargos à
Execução, para então aguardar o julgamento da Exceção pelo E. TJMG, que
rejeitou o pleito (fls. 201 a 205).

6- Cumpre ressaltar que os embargantes, em 16 de


janeiro de 2007, ajuizaram Exceção de Suspeição em face da Ilustre Juíza
Raíssa de Figueiredo Monte Raso de Araújo, a qual foi rejeitada liminarmente
pelo Douto Magistrado Eduardo Soares de Araújo, uma vez que a excepta
não mais estava conduzindo o feito (fls.11 dos autos em apenso).

7- A quarta Audiência de Instrução e Julgamento foi


realizada em 23 de Janeiro de 2007, sendo que os embargantes e seus
respectivos procuradores novamente não compareceram e tampouco
apresentaram qualquer justificativa (fls. 231). O procurador da embargada
requereu a aplicação da pena de confissão e o Magistrado ordenou a
conclusão do feito para sentença.
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8- O Douto Magistrado sentenciante rejeitou os
embargos sob o argumento da pena de confissão, além de aplicar multa de
10% (dez por cento) do valor atualizado do débito por entender a existência
da litigância de má-fé por parte dos Embargantes.

DO RECURSO DE APELAÇÃO

09- A apelação interposta pelos embargantes se


restringiu apenas a afirmações vagas de ilegalidade na instrução do feito,
sendo certo que quanto ao mérito apenas alegou suposta coação quando da
assinatura dos títulos executados.

10- Os Apelantes sustentam a ilegalidade da terceira


Audiência de Instrução e Julgamento por ter sido designada cinco dias após a
segunda e também por não terem sido intimados. Primeiramente, cumpre
ressaltar que a data da audiência em nada prejudicou os embargantes, haja
vista que o atestado odontológico dizia que o procurador devia se afastar por
apenas dois dias de suas atividades. Além disso, o não comparecimento da
embargante não lhe trouxe qualquer prejuízo uma vez que o MM. Juiz
suspendeu o processo em virtude da Exceção de Suspeição proposta.

11- Quanto à alegação de não terem sido intimados para


a última AIJ, esta também não procede. Com efeito, a exemplo das
Audiências anteriores, os embargantes não depositaram a verba para
expedição dos mandados para oitiva das testemunhas (fls. 218). Às fls. 225
consta a cópia do Diário do Judiciário – Foro do Interior de sexta-feira, 12 de
janeiro de 2007, o qual comprova a publicação da intimação de vista aos
embargantes para o recolhimento da verba para expedição dos mandados de
intimação das testemunhas arroladas.

12- Ademais, nota-se às fls. 223 v. e 224 v. que os


embargantes Glauco Garcia Mendonça e Stael Tiso Mudrik Mendonça foram
regularmente intimados da quarta AIJ em 15 de janeiro de 2007.

13- Desta forma, clara está a aplicação da pena de


confissão, nos termos do art. 343, §2º do Código de Processo Civil.

14- Ainda no Recurso de Apelação, apesar de não


apresentarem como preliminar, os Embargantes alegam cerceamento de
defesa, pois a Exceção de Suspeição em desfavor da Douta Juíza Raissa de
Figueiredo Monte Raso Araújo, que se encontra em apenso, foi indeferida
liminarmente pelo MM. Juiz de primeiro grau, ocasionado suposta supressão
da segunda instância.

15- Ora, a própria decisão do Magistrado de Primeiro


Grau quando desta Exceção de Suspeição já explica o motivo pelo qual se
evitou a remessa dos autos ao TJMG, senão vejamos:
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Entendo, porém, que sequer é caso de receber o


presente incidente.
Com efeito, não é a Dra. Raissa que está
conduzindo o processo. Aliás, referida magistrada
está gozando férias. A audiência de instrução será
presidida por mim.
Desta forma, além da manifesta improcedência dos
motivos invocados, os excipientes não têm interesse
no incidente, pois dirigiram a exceção contra
magistrada que não atuará no feito. (fls. 11 dos autos
em apenso).

16- Sem dúvida que, da mesma forma quando da


interposição da Exceção de Suspeição em face do MM. Juiz Eduardo Soares
de Araújo, esta Exceção em desfavor da Douta Juíza Raissa de Figueiredo
objetivava tão somente a suspensão do feito até o julgamento da Exceção,
nos termos do art. 265, III, CPC.

17- Entretanto, a Exceção em desfavor da Ilustre


Magistrada perdeu o objeto, uma vez que a mesma não mais atuaria na
presente ação. Com efeito, a partir da decisão supracitada, somente o MM.
Juiz Eduardo Araújo atuou no feito, não justificando o julgamento pelo E.
TJMG de uma Exceção de Suspeição de uma Magistrada que não mais
atuaria no processo.

18- A decisão de rejeitar liminarmente a Exceção em face


da MM. Juíza Raissa de Figueiredo foi em prol do princípio da efetividade do
processo civil e da economia processual, ao evitar que o E. TJMG julgasse
um incidente que perdera o objeto.

19- Corroborando tal entendimento, ensina o Professor


Humberto Theodoro Júnior que:

“A apreciação e julgamento do incidente tocam ao


Tribunal Superior a que se acha subordinado o juiz
impugnado. Quando, porém, ocorrer
objetivamente o descabimento da exceção (por
intempestividade ou invocação de fato que, à
evidência, não esteja entre os previstos nos arts.
134 e 135 do CPC), poderá o próprio Juiz exceto
denega-la liminarmente, dentro do dever legal
que lhe toca de ‘velar pela rápida solução do
litígio’ e de ‘previnir ou reprimir qualquer ato
contrário à dignidade da Justiça’(art. 125, n. II e
III).”
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20- Ressalte-se que contra a decisão que indeferiu
liminarmente a exceção não houve qualquer recurso, conforme se observa
dos autos em apenso.

21- Portanto, trata-se de matéria preclusa.

22- Assim, não há de se falar em qualquer vício ou em


cerceamento de defesa no presente caso, devendo serem afastadas as
preliminares suscitadas.

DA QUESTÃO DE MÉRITO

23- No que concerne ao mérito da presente ação, a


discussão gira em torno da causa debendi responsável pela constituição do
título ora executado. Com efeito, cumpre ressaltar que o art. 51 do Decreto nº
2.044 de 31/12/1908 já dispõe que na ação cambial, somente é admissível
defesa fundada no direito pessoal do Réu contra o autor, em defeito de forma
do título e na falta de requisito necessário ao exercício da ação.

24- Ademais, a jurisprudência pátria não admite a


desconstituição do título com base apenas em alegações a respeito da causa
debendi, sendo necessária a prova convincente de tal afirmação, o que
claramente não é o que se observa na presente ação:

APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS DO DEVEDOR.


EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL.
NECESSIDADE DE PROVA CABAL PARA
DESCONSTITUIÇÃO DO TÍTULO. NÃO
APLICAÇÃO DA MP 2.172-32. INCAPACIDADE.
FALTA DE PROVA. RECURSO IMPROVIDO. -
Diante da literalidade, abstração e da autonomia do
título, o portador nada precisa provar com relação à
sua origem, pois prevalece a presunção legal de
legitimidade do título cambiário. - A discussão da
causa debendi é reconhecidamente possível quando
tenha ela por fundamento título de crédito
extrajudicial, podendo a parte interessada
demonstrar por todos os meios de prova lícitos a
ausência de exigibilidade da obrigação, sem atentar
contra o princípio da cartularidade dos títulos de
crédito, nos termos do artigo 745 do CPC. - Não
basta, porém, a parte alegar vício ou outra
irregularidade na causa debendi do título de
crédito. Tem a parte, que a alegar, demonstrar
com provas convincentes tal vício (Ap. Cível
2.0000.00.504614-0/000(1), Relator Desembargador
Pedro Bernardes, DO 15/10/2005).
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25- Os embargantes sustentam, como pilar de sua


argumentação meritória, a existência de coação por parte da embargada
quando da assinatura da Nota Promissória. Entretanto, não compareceram a
sequer uma das quatro Audiências de Instrução e Julgamento para a oitiva de
testemunhas e depoimento pessoal e tampouco sequer produziram uma única
prova durante todo o desenvolvimento do feito.

26- Por fim, vale salientar que a questão de mérito não foi
combatida pela apelação de fls. (241-247).

DA LITIGÂNCIA DE MÁ-FE

27- Ao condenar os embargantes à multa por litigância de


má-fé, o MM. Juiz de primeiro grau agiu acertadamente, uma vez que nestes
Embargos à Execução foram marcadas quatro Audiências de Instrução e
Julgamento, sendo que em nenhuma delas os embargantes estavam
presentes concomitantemente com seus respectivos procuradores; foram
propostas duas Exceções de Suspeição, sendo que a proposta contra o MM.
Juiz Eduardo Soares de Araújo objetivou claramente o retardamento do feito;
a questão principal de mérito não foi discutida pelos embargantes, nem nas
Audiências de Instrução e Julgamento e nem no recurso de apelação,
demonstrando que a real intenção dos presentes Embargos à Execução era e
é tão somente suspender o Processo de Execução da Nota Promissória em
questão.
DO PEDIDO:

28- EMINENTES E DOUTOS JULGADORES: diante do


acima exposto, vem reiterar todos os termos até aqui consignados,
requerendo se digne V.Exa. de negar provimento ao recurso de Apelação
interposto, tudo como expressão da mais costumeira e cristalina

JUSTIÇA!

Termos em que, E. R. D.

Belo Horizonte, 15 de maio de 2007.

Felipe M. S. Starling André Barros de Moura


OAB-MG 101.724 OAB-MG 75.626

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