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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO - CAMPUS BALSAS

LETRAS HABILITAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA INGLESA E


LITERATURAS
TEORIA LITERÁRIA: CORRENTES DA CRÍTICA LITERÁRIA E O GÊNERO
DRAMÁTICO

UMA LEITURA SOCIOLÓGICA DO CONTO A CARTOMANTE, DE


MACHADO DE ASSIS

Juliane Lopes da Silva GODINHO²


Maria Inês Cabral SILVA³
Elaine Cristina Queiroz MENEZES
Ana Cristina Teixeira de Brito CARVALHO

RESUMO
A crítica sociológica é uma corrente literária que relaciona a obra ao contexto histórico da época em que foi
escrita. Nela, as vivências sociais experimentadas pelo autor em um dado período influenciam diretamente no
texto, trazendo para a literatura características da sociedade vigente e sua história. Ao analisar uma obra sob o
olhar da Sociocrítica é impossível desvincular a história da literatura. Um leitor mais atento e que tenha algum
conhecimento de História identificaria facilmente o período em que uma obra foi escrita, e isso ocorre devido à
relação estreita entre esses dois campos do saber, uma vez que o autor tem uma tendência natural de escrever
sobre aquilo que está ao seu redor. Este artigo visa fazer uma análise do conto A Cartomante
, de Machado de Assis, sob o olhar da Sociocrítica. Através de um estudo bibliográfico buscou-se relacionar os
personagens e suas relações conflituosas à uma sociedade antiquada e intolerante ao que era considerado desvio
de conduta, no caso em questão, o adultério. Rita e Camilo enfrentaram problemas na época que provavelmente
não enfrentariam na sociedade atual, ou pelo menos não com tanta intensidade. As descrições dos personagens e
ambientes que encontram-se no conto mostram claramente a sociedade do século XIX, período histórico no qual
se desenvolve a trama. Camilo, Rita, Vilela e a cartomante refletem as personalidades e costumes das pessoas da
época em que o autor escreveu o conto. São várias as correntes que buscam analisar as obras literárias, porém
relacioná-las ao contexto histórico e social é papel da Sociocrítica.

PALAVRAS-CHAVES: A Cartomante. Sociológica. Contexto.

ABSTRACT
The Sociological Critique is a literary chain that connects the literary work to the historical context of the time
when it was written. On it, the social experiences lived by the author in a certain period influence directly on the
text, bringing to the literature characteristics of the society of the time and its history. When analysing a literary
work by the Sociological Critique it’s impossible to separate history and literature. A more attentive
reader who has some knowledge about History would identify easily the period that a literary work was written,
and that happens because this two areas are very close and the author has a natural tendency to write about what
happens near him. This scientific work aims to do an analysis of the Machado de Assis’s literary work, A
Cartomante, by the Sociological Critique. By a bibliographic study it was sought to relate the characters and
their conflicting relationships to a old-fashioned and intolerant society who didn’t accept some things
like adultery. Rita and Camilo faced problems at the time that they probably wouldn’t face at the current
society, or at least not that much. The character and places descriptions we find at this literary work show
clearly a society of the XIX century, historical period that we can realize, even the author don’t tell us
about the dates. Camilo, Rita, Vilela and the fortune teller reflect the personalities and customs of people at that
time when the author wrote the literary work. There are many literary chains that intend to analyze the literary
works, but just the Sociological Critique relates them to the historical context.
Keywords: the Fortune teller; sociological; context.

INTRODUÇÃO

A representação da sociedade através dos contos faz com que sua análise nos
permita um melhor entendimento das pessoas, da história e de todo o contexto de outras
épocas. Machado de Assis retrata em A Cartomante, sua visão da comunidade
carioca,denunciando seus segredos mais mascarados.
O estudo deste conto, sob a visão da crítica sociológica, busca focalizar a correlação
entre literatura e sociedade, analisando as características sociais do real através do ficcional.
Os contos permitem essa leitura e, Machado de Assis apresenta um forte viés sociológico em
suas narrativas. Essa perspectiva nos é afirmada por Silva (2008, p. 94), que observa que,

Na obra literária prevalece a representação da realidade. O modo como certos


elementos são representados é mais significativo do que sua representação em si.
Desta forma, a presença do narrador lembra a todo o momento que estamos no
universo da ficção e que, portanto, é o resultado da imaginação de um autor que
arroga a si o direito de modificar a realidade exatamente para realçar a sua verdade.

Primeiramente, apresenta-se as características do autor e um breve histórico de sua


produção artística. A análise é melhor situada no destaque do conto em seu aspecto histórico
e na descrição de seu enredo.

2. LEITURA DO CONTO A CARTOMANTE ATRAVÉS DA CRÍTICA


SOCIOLÓGICA

2.1 Biografia do autor

Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis), jornalista, contista, cronista,


romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e
faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. Filho do pintor e dourador
Francisco José de Assis e da açoriana Maria Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe
muito cedo, pouco se conhecendo de sua infância e início da adolescência. Foi criado no
Morro do Livramento. Sem meios para cursos regulares, estudou como pôde e, em 1854, com
15 anos incompletos, publicou o primeiro trabalho literário, o soneto “À Ilma”.
(www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis/biografia)
Em 1856, entrou para a Imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo, e lá
conheceu Manuel Antônio de Almeida, que se tornou seu protetor. Em 1858, era revisor e
colaborador no Correio Mercantil e, em 1860, a convite de Quintino Bocaiúva, passou a
pertencer à redação do Diário do Rio de Janeiro. Escrevia regularmente também para a
revista O Espelho, onde estreou como crítico teatral, a Semana Ilustrada e o Jornal das
Famílias, no qual publicou de preferência contos.
(www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis/biografia)
O primeiro livro publicado por Machado de Assis foi a tradução de Queda que as
mulheres têm para os tolos (1861), impresso na tipografia de Paula Brito. Em 1862, era
censor teatral, cargo não remunerado, mas que lhe dava ingresso livre nos teatros. Começou
também a colaborar em O Futuro, órgão dirigido por Faustino Xavier de Novais, irmão de
sua futura esposa. Seu primeiro livro de poesias, Crisálidas, saiu em 1864. Em 1867, foi
nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial. Em agosto de 1869, morreu
Faustino Xavier de Novais e, menos de três meses depois (12 de novembro de 1869),
Machado de Assis se casou com a irmã do amigo, Carolina Augusta Xavier de Novais. Foi
companheira perfeita durante 35 anos. (www.academia.org.br/academicos/machado-de-
assis/biografia)
A obra de Machado de Assis abrange, praticamente, todos os gêneros literários. Na
poesia, inicia com o romantismo de Crisálidas (1864) e Falenas (1870), passando pelo
Indianismo em Americanas (1875), e o parnasianismo em Ocidentais (1901). Paralelamente,
apareciam as coletâneas de Contos fluminenses (1870) e Histórias da meia-noite (1873); os
romances Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878),
considerados como pertencentes ao seu período romântico.
(www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis/biografia)
A partir daí Machado de Assis entrou na grande fase das obras-primas, que fogem a
qualquer denominação de escola literária e que o tornaram o escritor maior das letras
brasileiras e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa.
(www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis/biografia)

2.1.1 Histórico do conto


Escrito por Machado de Assis no ano de 1884, o conto A Cartomante teve sua
publicação original na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, jornal que circulou a partir de
1875. Porém, pode ser encontrado nos livros Várias Histórias e em Contos – Uma Antologia.
(ARAÚJO, entre 2006 e 2018, on-line)
Abolindo o clássico final feliz, A Cartomante mostra uma visão mais realista do
mundo e das pessoas. O autor faz, inclusive, análise psicológica das personagens no momento
que mostra Rita e Camilo sendo enganados por uma charlatã unicamente porque ela,
percebendo o receio dos dois, acabou por dizer o que eles queriam e precisavam ouvir para
ficarem tranquilos.
O autor começa o conto com uma cena de uma conversa entre um casal, sobre o qual
o leitor não sabe absolutamente nada e vai se inteirando aos poucos do que está acontecendo
no desenrolar do diálogo. O leitor acompanha desde o momento em que os amantes estão
certos de que o amor que sentem é recíproco até o desfecho trágico em que os dois são
assassinados pelo marido traído, podendo experimentar no intervalo entre um fato e outro de
um misto de sensações ao acompanhar a tensão de Camilo, por não saber o autor das cartas
que o chamaram de adúltero e se o amigo estava a par da relação que mantinha com sua
esposa, e de Rita que, ao receber menos atenção de Camilo, fica em dúvidas sobre os
sentimentos do amante e recorre a uma cartomante.
O conto mostra uma representação fictícia da vida como ela é, com seus riscos e
consequências de todas as escolhas tomadas. Nele, o amor do casal não os livrou da morte e
nem garantiu um final feliz.

2.2 Enredo do conto

O conto apresenta Vilela, advogado, e sua esposa Rita. Camilo, amigo de infância de
Vilela, reencontra o velho amigo e, depois de um tempo de convivência, envolve-se com sua
esposa, formando um triângulo amoroso.
Decorrido um certo tempo desde o início do romance, Camilo começa a receber
cartas anônimas nas quais era chamado de adúltero, fato este que o faz diminuir as visitas ao
amigo Vilela e os encontros com Rita. Esta fica em dúvidas sobre o amor de Camilo e recorre
à uma cartomante. Ao receber uma carta de Vilela chamando-o com urgência, porém sem
explicar o motivo, Camilo fica apreensivo e recorre também à cartomante, a qual o faz
acreditar que o amigo nada sabe sobre a relação extraconjugal de sua esposa.
Narrado em terceira pessoa, neste conto, Machado de Assis (1994) caracteriza os
personagens da seguinte forma: Camilo, rapaz de 26 anos, é descrito como inexperiente e sem
intuição. Ele trabalha como funcionário público. Já Rita, é apresentada como uma mulher de
30 anos, curiosa, graciosa, tonta e de gestos vivos. Vilela, o marido, é um homem de 29 anos,
advogado, que, apesar da idade, aparenta ser mais velho do que Rita.
A cartomante é uma mulher de grandes olhos, na casa dos 40 anos, italiana e magra.
Confiante no que disse a cartomante, Camilo vai ao encontro de Vilela, onde encontra Rita
morta e é alvejado por um tiro fatal.

2.3 Corrente da crítica literária sociológica

(...) os estudos da literatura mantiveram uma relação próxima com a realidade


social, cultural, enfim histórica do homem. Sempre que se faz uma interpretação da
obra a partir de noções e de pensamentos voltados para a sociedade estamos diante
de uma leitura sociológica da literatura. (CARDOSO FILHO, 2011, p.84)

Silva (2003 apud MESQUITA; SOARES, 2015) afirma que uma obra literária não
surge apenas a partir da vontade e inspiração do artista, não pode ser caracterizada como um
fenômeno independente, pois carrega consigo marcas do contexto onde foi criada, com
pensamentos de determinada época e lugar.
Ao se analisar um texto literário, percebe-se marcas de como a sociedade na qual
esse texto foi produzido se estrutura, quais valores carrega tal sociedade e em qual época
aconteceu tais fatos.
A crítica sociológica difere de outras críticas literárias por preocupar-se com grupos
sociais aos quais eventualmente o autor pertencia e não somente com um indivíduo isolado.
Esta parte do pressuposto de que a obra literária é um produto do sujeito, que vive em
sociedade e só nela pode constituir-se como tal.
A literatura é ficção, porém inspira-se em fatos que vem da realidade vivida numa
determinada época por uma determinada sociedade. Ao se ler uma obra, pode-se relacioná-la
com esse contexto histórico.
A crítica sociológica enfoca o coletivo. Nela, as experiências vivenciadas pela
sociedade e que influenciam a literatura têm mais importância que fatores individuais e
pessoais da vida do autor, pontos que tem destaque em outras correntes, como a Biográfica,
por exemplo.
Conforme Faria (2012), o autor Antônio Cândido, em seu livro Literatura e
Sociedade, efetua uma análise acerca da contribuição das ciências sociais para com o estudo
literário, não preterindo a atribuição de importância à crítica literária pura.
Segundo Candido (1965 apud FARIA, 2012) existe o complemento entre as
divergentes áreas do conhecimento, analisando o vínculo entre a obra e o ambiente, não
deixando de lado a análise estética do relato literário. Em suas palavras: “O externo (no caso,
o social) importa, não como causa, nem como significado, mas como elemento que
desempenha um certo papel na constituição da estrutura, tornando-se assim, interno.”
O fator social não disponibiliza apenas as matérias, mas também atua na constituição
do que há de essencial na obra enquanto obra de arte. Deve-se perceber a literatura como um
todo indissociável, resultado de um arranjo formado por características sociais distintas,
porém complementares.
O poeta e o escritor transformam tudo que passa por eles, combinado a realidade que
absorvem com a própria percepção, devolvendo assim ao mundo uma interpretação própria e
subjetiva, longe de ser um mero espelho refletor. Assim, deve-se pensar a influência exercida
pelo meio social ao qual está inserido.

2.4 Leitura do conto A Cartomante, de Machado de Assis, sob a perspectiva da corrente


crítica sociológica.

O conto é narrado por meio de um ponto de vista pessimista onde não há final feliz.
As personagens apresentam contradições de sentimentos e comportamentos. A história, que
se passa no Rio de Janeiro do século XIX, critica a postura de uma sociedade cujos membros
vivem das aparências e da demonstração de conduta perfeita e ilibada, como ressalta Vieira
(2014, p. 76) “O ideal de família na época presumia um lar patriarcal, extenso e fundado no
casamento estabelecido legalmente. Assim, a família e o casamento desempenhavam o papel
de pedra angular para todo o edifício social (...)”
Como nos retrata John Gledson (2006, apud SILVA, 2008, p. 96), “nos contos,
Machado de Assis lida com pessoas e grupos sociais mais amplos, principalmente aquelas
marginalizadas ‘crianças, escravos, agregados e moradores pobres das cidades’ que não
teriam o tratamento merecido nos romances.”. Assim, analisa-se as características do
comportamento sociais das personagens deste conto.
Na descrição física do personagem Vilela, já se nota sua postura firme e séria, bem
como sua determinação profissional em se tornar magistrado “Vilela seguiu a carreira de
magistrado (...) abandonou a magistratura e veio abrir banca de advogado. (...) Vilela vinte e
nove e Camilo vinte e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o parecer mais velho que
a mulher”. (ASSIS, 1994, p. 02)

Camilo é retratado inicialmente como alguém que não mais acredita em


superstições, que não possui crenças, inexperiente e sem iniciativa

Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só
argumento; limitava-se a negar tudo. (...) Camilo preferiu não ser nada, até que a
mãe lhe arranjou um emprego público (...) Camilo era um ingênuo na vida moral e
prática. (ASSIS, 1994, p.02).

A personagem Rita é descrita pelo narrador como uma mulher superficial, desde o
enfoque de sua beleza física à zombaria de Camilo, quando ela procura a cartomante,
momento em que é apresentada como alguém que não questiona, apenas se conforma. Rita
também é descrita como a sedutora que desvirtuou o ingênuo Camilo. Isso pode ser
observado em Foi então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar (...) era a sua
enfermeira moral, quase uma irmã, mas principalmente era mulher e bonita. (...) Rita como
uma serpente, foi-se acercando dele. ” (ASSIS, 1994, p. 02)
Poucas, porém significativas, são as características descritivas da cartomante,
indicando adjetivos como experiência e esperteza. “Era uma mulher de quarenta anos,
italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos.” (ASSIS, 1994, p 05). Velloso
(2007, p. 174) observa que:

Não somente o comportamento da cartomante e sua esperteza devem ser


observados, mas também o caráter de duplicidade na composição da própria
personagem: estrangeira. Ou seja, não está somente na posição do outro que vem
resolver um problema, mas é ainda alguém de fora a resolver um determinado
problema de outra sociedade, da qual originalmente não pertence, seja por
nacionalidade, seja por estilo de vida.

É possível determinar que essas personagens retratem a sociedade de acordo com


dois pontos de vista, como sugere Vaz (2008, on-line), ao caracterizar os personagens como
míopes e de visão aguda:
Visão e miopia não correspondem à deficiência física, evidentemente, mas à
deficiência ou eficiência que as pessoas possuem para ver e interpretar a vida: as
relações pessoais, os caracteres, as causas e as possíveis consequências dos atos.
Rita e Camilo são personagens míopes, enquanto Vilela e a Cartomante são dotadas
de aguda visão das coisas.

A figura de Camilo é o retrato do homem que tem medo de assumir socialmente suas
opiniões que não condizem com os padrões exigidos. Sousa Neto (2012, p. 177) acrescenta
que “não desafia o destino, não por covardia ou por não ter o caráter ético-estético necessário
para constituir-se como herói, mas por não haver a necessidade de enfrentá-lo”.
O papel da cartomante figura no molde do comportamento de Rita e Camilo. Isso
pode ser verificado no que nos diz Bezerra (2003 apud VELLOSO, 2007, p. 174) “o processo
dialógico é uma luta entre consciências, entre indivíduos, no qual a palavra do outro abre uma
fissura na consciência do ouvinte, penetra nela, entra em interação com ela e deixa aí sua
marca indelével”.
Pela análise do conto, baseada nos autores supracitados, é evidente uma
apresentação não tão somente da caracterização da sociedade da época, mas também da
tipificação da mulher e do seu papel neste convívio social. A mulher que não tem formação
profissional, com isso, vive para o lar e a família; a mulher que, por não possuir ocupação
significativa, empenha-se em coisas consideradas fúteis, como consultar uma cartomante. O
conto retrata o homem como ingênuo e a mulher como maliciosa, bem como apresenta
profissões prestigiosas para aquele, ao contrário da profissão discriminada exercida pela
mulher (cartomante). Esta análise sociológica inevitavelmente aponta para considerações
feministas, pois esta também resulta da observação comportamental de homens e mulheres
dentro da sociedade.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

As ações dos personagens, e não necessariamente o destino, é que acarretam a


tragédia final. O contraste social entre o casal Rita e Camilo e a cartomante mostra-se como
fator ordinário diante do desespero do desfecho da história. Esta última, que sofre preconceito
quanto a sua profissão, acaba por influenciar a atitude dos demais personagens. O conto vem
abordar as mazelas disfarçadas na sociedade do século XIX, pelo olhar de Machado de Assis
que estava inserido naquele contexto, através do adultério, das posições sociais e das
contradições dos valores.
4. REFERÊNCIAS

ACADEMIA BRASILEIRA. Machado de Assis. Disponível em:


<http://www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis/biografia>. Acesso em 10 maio
2018.

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cartomante/>. Acesso em 09 maio 2018.

ASSIS, M. de. A cartomante. 1994. 07 p. Disponível em:


<http://sanderlei.com.br/PDF/Machado-de-Assis/Machado-de-Assis-A-Cartomante.pdf>.
Acesso em: 01/05/2018.

CARDOSO FILHO, Antonio. Crítica Sociológica. In: Crítica Literária. São Cristóvão:
Universidade Federal de Sergipe, CESAD, 2011, p. 83-90.

FARIA, D.L. Resenha do livro: Literatura e Sociedade. de Antônio Cândido. Em: Rio de
Janeiro: São Paulo: Publifolha, 2000. Revista Travessias. Vol 6 Nº 2, 15ª edição, 2012.

INFOESCOLA. A CARTOMANTE. Disponível em:


<https://www.infoescola.com/literatura/a-cartomante/>. Acesso em 10 maio 2018.

MESQUITA, S. V. D.; SOARES, S. R. A relação entre forma artística e processo social.


Vol. 6 n. 3, 2015, p. 36-44.

SILVA, E. C. O conto de Machado de Assis a partir de uma perspectiva sociológica.


Miscelânea, Assis, vol.4, jun./nov.2008, p. 90-101.

SOUSA NETO, D. F. A Cartomante: uma tragicomédia machadiana. Machado Assis


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VAZ, D. O. As lições de &ldquo;A cartomante&rdquo;. Le Monde Diplomatique Brasil,


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VELLOSO, E. Dialética polifônica em A Cartomante, de Machado de Assis. Estudos


Literários. V. 8, nº 15, 2007 p. 165-178.
VIEIRA, T. E. N. Análise cultural da sociedade brasileira do século XIX, a partir do Rio
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2318-9614.

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