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Revista Brasileira de Educação do Campo

Brazilian Journal of Rural Education


ARTIGO/ARTICLE/ARTÍCULO
DOI: http://dx.doi.org/10.20873/uft.rbec.e7151

Escolarização de Jovens e Adultos em áreas de Reforma


Agrária do Estado do Paranái: a experiência da
UNIOESTE

1 2
Adrian Alvarez Estrada , Valdecir Soligo
1, 2
Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE. Programa de Pós-Graduação em Educação. Rua Universitária,
1619, Jardim Universitário. Cascavel - PR. Brasil.

Autor para correspondência/Author for correspondence: adrianalvarez.estrada@gmail.com

RESUMO. O objetivo deste artigo é apresentar a dinâmica e os


resultados alcançados por meio do Projeto de Escolarização de
Jovens e Adultos – anos finais do ensino fundamental (Fase II),
em áreas de Reforma Agrária no Estado do Paraná. Buscou-se
descrever a essência do Projeto de forma a evidenciar a
importância de ações educativas focalizadas no atendimento a
demandas sociais latentes na história da educação brasileira.
Como metodologia utilizamos a análise documental, partindo do
escopo do Projeto e das legislações pertinentes, cotejando com a
bibliografia especializada para chegarmos a apresentação dos
resultados obtidos com o desenvolvimento do curso. Como
consequência, temos a presença marcante das dificuldades da
modalidade de EJA, somadas à realidade das comunidades
rurais, principalmente ligadas aos movimentos sociais, mas que
no contraditório do processo, a demanda por educação é
destaque no número de matrículas e evidenciada na relação de
concluintes, descortinando uma realidade ainda presente em
nosso país.

Palavras-chave: EJA II, regime de alternância, escolarização


em áreas de reforma agrária.

RBEC Tocantinópolis/Brasil v. 6 e7151 10.20873/uft.rbec.e7151 2021 ISSN: 2525-4863


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Schooling of Young people and adults in areas of agrarian


reform of the State of Parana: the experience of
UNIOESTE

ABSTRACT. The aim of this essay is to present the dynamics


and results achieved through the youth and adults schooling
project – final years of elementary school (phase II) –in areas of
agrarian reform of the State of Parana. We sought to describe
the essence of the project in order to highlight the importance of
educational actions focused on attending to latent social
demands in the history of Brazilian education. As a
methodology, we used documentary analysis, based on the
scope of the project and the relevant legislations, with the
specialized bibliography to reach the presentation of the results
obtained with the development of the course. As a result, we
have the remarkable presence of the difficulties of the EJA
modality, in addition to the reality of rural communities, mainly
linked to social movements, but in the contradictory process, the
demand for education is highlighted in the number of
enrollments and evidenced in the relationship of seniors,
revealing a reality still present in our country.

Keywords: EJA II, alternation regime, schooling in areas of


agrarian reform.

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Escolarización de jóvenes y adultos en zonas de reforma


agraria del Estado de Paraná: la experiencia de
UNIOESTE

RESUMEN. El objetivo de este ensayo es presentar las


dinámicas y resultados obtenidos a través del proyecto de
educación para jóvenes y adultos – los últimos años de la
escuela primaria (Fase II) – en áreas de reforma agraria del
Estado de Paraná. Buscamos describir la esencia del proyecto
con el fin de destacar la importancia de las acciones educativas
enfocadas en la atención a las demandas sociales latentes en la
historia de la educación brasileña. Como metodología,
utilizamos el análisis documental, sobre la base del alcance del
proyecto y de las legislaciones pertinentes, con la bibliografía
especializada para llegar a la presentación de los resultados
obtenidos con el desarrollo del curso. Como resultado, tenemos
la notable presencia de las dificultades de la modalidad EJA,
junto con la realidad de las comunidades rurales, principalmente
vinculada a movimientos sociales, pero en el proceso
contradictorio, la demanda de educación se destaca en el número
de inscripciones y se evidencia en la lista de graduados,
revelando una realidad todavía presente en nuestro país.

Palabras clave: EJA II, régimen de alternancia, la


escolarización en zonas de reforma agraria.

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Introdução

O objetivo deste artigo é apresentar EJA antes de 2007, 42,7% não


os resultados alcançados por meio do conseguiram concluir o curso por motivo
Projeto de Escolarização de Jovens e de evasão, justificados por
Adultos – anos finais do ensino incompatibilidade de horário das aulas com
fundamental (Fase II) –, em áreas de os de trabalho ou de procurar trabalho
Reforma Agrária no Estado do Paraná. (27,9%) e, também, falta de interesse em
O Brasil ainda possui um sistema de fazer o curso (15,6%).
ensino que não atende todas as demandas, Esta realidade levou os
principalmente daqueles indivíduos representantes das comunidades assentadas
deslocados que estão situados em e membros de movimentos sociais
assentamentos rurais, por vezes muito populares do campo, oriundos de
distantes de áreas que possuem escolas e, diferentes localidades do Estado do Paraná,
em muitos casos, com precárias condições a apresentarem suas demandas para a
de locomoção até elas. Universidade Estadual do Oeste do Paraná
Embora existam programas (UNIOESTE), considerando que esta
educacionais, como é o caso do Brasil instituição já possui uma trajetória na
Alfabetizado e o Paraná Alfabetizado, promoção da educação formal para estas
estes não têm sido suficientes e efetivos populações (quatro edições dos cursos de
diante da demanda por escolarização em licenciatura em Pedagogia do Campo e
áreas de Reforma Agrária. Observa-se nas Licenciatura do Campo; curso de
informações do Instituto Brasileiro de especialização em Educação do Campo)
Geografia e Estatística (IBGE), que uma qual apresentou o projeto “Educação de
parcela significativa de cidadãos ainda não Jovens e Adultos – (EJA) Fase I e Fase II
possui acesso ao ensino fundamental na ao Programa Nacional de Educação na
idade escolar prevista. No tocante a Reforma Agrária (PRONERA) para o
Educação de Jovens e Adultos (EJA), atendimento da demanda de escolarização
segundo dados do IBGE de 2007, essa de jovens e adultos em áreas de reforma
oferta de educação era frequentada, por agrária no Paraná, nos polos localizados
cerca de 10,9 milhões de pessoas, que em Maringá, Porecatu, Renascença e
correspondia a 7,7% da população com 15 Londrina.
anos ou mais de idade. No entanto, cerca Nesse contexto, considerando a
de 8 milhões de pessoas que passaram pela demanda por escolarização de Jovens e

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Adultos em áreas de reforma agrária no rurais, remete a um quadro de exclusão e


Estado do Paraná, a Universidade Estadual marginalização, que evidencia uma
do Oeste do Paraná (UNIOESTE), firmou realidade desfavorável à população
o convênio SICONV nº 777329/2012 com camponesa. A pesquisa do IBGE revela, no
o Instituto Nacional de Colonização e censo de 2010, que o Brasil ainda tinha
Reforma Agrária – SR 09/PR, com o 9,6% da população, com 15 ou mais anos,
escopo de formar jovens e adultos que analfabeta, representando com isso cerca
residem em áreas de assentamento e de 18 milhões de analfabetos. Também é
acampamentos de reforma, em regime de importante reiterar que, enquanto a taxa de
alternância em tempo escola e tempo analfabetismo nas regiões urbanas chega a
comunidade, num total de 1.600 (um mil e 7,3%, no campo ela chega a 23,2%. Tal
seiscentas) horas. situação demonstra que a garantia do
Ensino Fundamental, inclusive para os que
Caracterização
não tiveram acesso na idade própria, não
vem sendo cumprida, a despeito do
Em toda a história da República
estabelecido na Constituição Federal de
Brasileira, teóricos da educação, homens
1988 (Art. 208, I) e no inciso I, artigo 4º,
públicos e também parte significativa da
da Lei de Diretrizes e Bases da Educação,
população, sempre defenderam que o
de 1996 (Brasil, 2005).
acesso aos anos iniciais da educação é um
A Pesquisa de Avaliação da
direito de todos os cidadãos. Entretanto,
Qualidade dos Assentamentos de Reforma
observa-se que uma parcela significativa
Agrária no Brasil (PQRA), realizada pelo
da população não consegue acesso à
INCRA em 2010 mostra que o Brasil tinha
educação em idade escolar prevista.
923.609 famílias vivendo em 8.763
Atualmente, ainda é alto o índice da
assentamentos, numa área de 75,8 milhões
população brasileira que não concluiu a
de hectares. Desse contingente, 15,6% não
escolarização básica, principalmente
foram alfabetizados; 42,3% cursaram até a
quando se trata da população empobrecida
4ª série; 27,3% concluíram o ensino
que mora no campo. Como exemplo, basta
fundamental; 7,4 % fizeram uma parte do
verificar os índices apresentados no
ensino médio e 6,0% concluíram a
Manual de Operação do PRONERA
Educação Básica (INCRA, 2010).
(2016).
O Brasil ainda não teve um sistema
Uma retrospectiva histórica da
de ensino apropriado às especificidades do
educação de jovens e adultos, nas áreas

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modo de vida da população do campo. educação voltada para a realidade do


Hoje percebem-se medidas por meio de campo e construída com a participação de
programas educacionais, a exemplo dos suas comunidades.
programas já citados o Brasil Alfabetizado Desse modo, o projeto se justificou
e o Paraná Alfabetizado, mas que não são pela demanda por Escolarização de Jovens
suficientes diante da grande demanda por e Adultos em áreas de reforma agrária no
alfabetização e escolarização presentes nas Paraná, com quatro turmas definidas,
áreas de Reforma Agrária. O Artigo 28, da organizadas e localizadas em quatro
Lei de Diretrizes e Bases da Educação municípios (Londrina, Maringá, Porecatu e
Nacional (LDBEN/1996) prevê que, na Renascença), porém, essas turmas foram
oferta de Educação Básica para a compostas exclusivamente por estudantes
população rural, os sistemas de ensino da região onde se localizam os municípios,
devem promover as adaptações necessárias a saber: região Sudoeste e Norte do Paraná.
às peculiaridades de cada região, Diante desse cenário, o objetivo foi
especialmente: I - Conteúdos curriculares e de ofertar a escolarização (Anos Finais –
metodologias apropriadas às necessidades Fase II) para 160 jovens e adultos que
e interesses dos alunos da zona rural; II - residiam nos quatro municípios
organização escolar própria, incluindo selecionados para a execução do projeto
adequação do calendário escolar às fases que visava, além de proporcionar
do ciclo agrícola e às condições climáticas; melhorias de vida aos seus moradores,
III - adequação à natureza do trabalho na também objetivava promover o
zona rural (Brasil, 1996). desenvolvimento dos assentamentos rurais
Dentro deste contexto, e preocupados por meio da oferta de educação formal aos
com a formação escolar de populações do jovens e adultos.
campo, representantes das comunidades Como consequência direta, ampliou-
assentadas e membros de Movimentos se as condições do acesso à educação como
Sociais Populares do Campo, apresentaram um direito social e fundamental na
suas demandas à UNIOESTE, que já construção da cidadania de jovens e
possui uma trajetória na promoção da adultos que vivem em áreas de
educação formal dessas populações. assentamentos de reforma agrária, além da
Partindo da demanda verificada, o promoção de parcerias entre a
projeto foi formulado e apresentado ao Universidade, órgãos governamentais na
PRONERA, objetivando possibilitar uma esfera federal, estadual e municipal, bem

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como das comunidades assentadas, na desse avanço, alguns teóricos, a exemplo


implementação do projeto de de Paulo Freire, cujas obras foram
escolarização. incorporadas às discussões, contribuíram
para uma maior integração entre cultura
Proposta Teórica e Metodológica do
popular e educação escolar.
Projeto de Escolarização de Jovens e
Adultos – Fase II Após o processo de
redemocratização política no Brasil,
Na busca por oferecer possibilidade
meados da década de 1980, várias ações
de acesso à educação formal, diversas
referentes à Educação de Jovens e Adultos
políticas públicas foram realizadas no
foram realizadas. Conforme Di Pierro
Brasil, mas grande parte destas ações
(2005), grande parte dessas ações foram
assumiram características mais
impulsionadas pelo resgate da cultura
quantitativas do que qualitativas. Deste
popular, pelas mudanças no pensamento
modo, na história da EJA registra-se um
pedagógico e por um movimento de
grande número de evasão e reprovação
inovação técnica no processo de trabalho.
conforme as obras destacam as obras de:
Segundo ela, tais mudanças correspondem
Silva et al. (2019); Giovanetti, Gomes e
a um “novo paradigma da Educação de
Soares (2006); Paiva & Oliveira (2009);
Jovens e Adultos”:
Arroyo (2003), entre outros que apontam
diferentes causas para esse acentuado Frente ao mundo inter-relacionado,
desigual e inseguro do presente, o
fracasso como a falta de formação novo paradigma da educação de
adequada para os professores que atuam na jovens e adultos sugere que a
aprendizagem ao longo da vida não
EJA, os escassos recursos financeiros, só é um fator de desenvolvimento
pessoal e um direito de cidadania (e,
assim como as más condições físicas e portanto, uma responsabilidade
emocionais que os alunos chegavam a coletiva), mas também uma condição
de participação dos indivíduos na
escola. construção de sociedades mais
tolerantes, solidárias, justas,
Ainda que adversidades como: democráticas, pacíficas, prósperas e
evasão, modelo compensatório de sustentáveis (Di Pierro, 2005, p.
1119-1120).
currículo com tempo e conteúdos
reduzidos possam ser apontadas, é A autora complementa que a
necessário, e importante, registrar que há educação de jovens e adultos deve se voltar
conquistas, principalmente nos planos de para o reconhecimento da educação como
ensinos integrados aos movimentos de um direito social, o que permite afirmar
educação e cultura popular. Como causa que as demandas educativas existentes nas

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áreas de acampamento e de assentamento Não resta dúvida de que esta


da Reforma Agrária no Paraná necessitam modalidade de educação reserva
ser atendidas, principalmente, ao se especificidades, principalmente quando se
constatar que um número expressivo de refere a jovens trabalhadores e moradores
sujeitos estão excluídos da educação no campo, o que nos permite afirmar que
formal. Esse é um direito social estes jovens possuem uma identidade
fundamental para que ocorra a construção cultural e social, exigindo que sejam
da cidadania dos jovens e adultos que realizadas ações pedagógicas, bem como a
vivem nas áreas de reforma agrária. preparação de materiais de apoio que
Di Pierro (2005) enfatiza em sua discorram sobre os saberes da terra.
discussão questões referentes à Esta forma de entender a educação
“inadequação da organização escolar e dos exige constante ação-reflexão-ação. Com
projetos pedagógicos do ensino noturno base neste princípio, busca-se realizar o
para atender às expectativas e processo de ensino-aprendizagem em uma
características dos estudantes perspectiva crítica da realidade imediata.
trabalhadores” (Di Pierro, 2005, p. 1121, Neste processo, busca-se compreender a
Grifos nossos). E sinaliza para “a realidade social em processo de
emergência de movimentos que transformação e de contradição e, com
reivindicaram o reconhecimento político e base nesta reflexão, busca-se vislumbrar
cultural de identidades sociais singulares formas de ação consciente do papel ativo
(mulheres, negros, jovens, indígenas, sem dos sujeitos históricos. (Freire, 1997 e
terra)” (Di Pierro, 2005, p. 1121. Grifos Freire, 2001).
nossos). Neste artigo nosso objetivo não é Na tentativa de se atender os
esgotar essa discussão, que vem sendo princípios mencionados acima, buscam-se
realizada por diversos autores (Ferro & instrumentos didáticos, conforme anuncia
Pinheiro, 2015; Santos, Crusoé e Moreira, o documento do PRONERA:
2017; Vigano e Laffin, 2016). Trata-se de
Deve-se fazer uso de instrumentos
um debate que, segundo Di Pierro, didático-pedagógicos de uma
“favoreceu o reconhecimento da educação problematizadora, dialógica
e participativa. Isto implica pensar
diversidade dos sujeitos da educação de um processo de aprendizagem-ensino
que comporte três etapas básicas:
jovens e adultos” (Di Pierro, 2005, p. 1121. -investigação dos grandes temas
Grifos nossos). geradores que mobilizem a
comunidade ou grupo e que podem
ser transformados em eixos temáticos
estruturadores do currículo;

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-contextualização crítica dos temas em suas diversas tarefas distribuídas


geradores identificados, privilegiando no sistema de divisão do trabalho.
uma abordagem histórica, relacional Neste sentido, defendia que o ensino
e problematizadora da realidade; politécnico seria aquele que
-processo de aprendizagem-ensino proporcionaria ao trabalhador o
que se vinculem a ações concretas de conhecimento de todo o processo de
superação das situações-limite do produção em suas múltiplas relações,
grupo (Manual de Operações do inclusive na sua diferença com o
PRONERA, 2011, p. 22-3). modelo capitalista (Favoreto, 2008,
p. 70-71).
Nesse contexto, almeja-se a relação
Com o objetivo de estabelecer a
entre o conhecimento teórico e prático,
relação entre o conhecimento formal e a
visando à formação de sujeitos sociais com
realidade social, um dos maiores desafios é
conhecimentos científicos integrados às
estabelecer um espaço de diálogo entre as
diferentes formas de trabalho no campo,
diversas áreas do conhecimento, visando à
não se desvinculando, entretanto, do
integração entre homem, ciência e
contexto socioeconômico do país. Assim, a
trabalho. O estabelecimento deste diálogo
educação formal do trabalhador do campo
requer
precisa articular a formação específica,
com o conhecimento científico acumulado ... a incorporação de especialistas no
pela humanidade, assegurando-se a trabalho dos organismos centrais, isto
é, de professores com preparação
“relação indissociável da educação e do teórica e larga experiência prática e
de pessoas competentes para o ensino
desenvolvimento territorial sustentável profissional e técnico (Lênin, 1977,
como condição essencial para qualificação apud Favoreto, 2008, p. 61).

do modo de vida da população envolvida


Numa perspectiva metodológica, a
nos projetos” (PRONERA, 2011, p. 21).
integração entre as diferentes áreas do
Defende-se que a EJA, com suas
conhecimento deverá ser realizada de
especificidades, também se volte para a
forma que cada área, no estudo de seu
totalidade social. Neste aspecto, Krupskaia,
objeto, compreenda seu elo com o
ao se referir à educação na Rússia
desenvolvimento histórico-social da
revolucionária, indica a forma de
produção científica. Para isso, todas as
construção deste conhecimento, conforme
atividades desenvolvidas devem ter como
expressa Favoreto:
propósito se reportar à totalidade social em
Krupskaia, baseada em Lênin, suas múltiplas articulações, contradições e
pressupunha uma formação política e
determinações, fazendo a mediação entre o
cultural relacionada à consciência do
projeto socialista do Estado, com
consciência do processo produtivo

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conhecimento científico, o conhecimento articula-se através de um projeto político e


empírico e a sociedade. econômico de desenvolvimento local e
Quanto ao princípio da sustentável, a partir da perspectiva dos
transdisciplinaridade, o PRONERA propõe interesses dos povos que nele vivem.
que Segundo as Diretrizes Operacionais
para a Educação Básica nas Escolas do
Um processo educativo que contribua
para a articulação de todos os Campo a identidade da escola do campo é
conteúdos e saberes locais, regionais definida:
e globais garantindo livre trânsito
entre um campo de saber e outro. É
importante que nas práticas ... pela sua vinculação às questões
educativas os sujeitos identifiquem as inerentes a sua realidade, ancorando-
suas necessidades e potencialidades e se na sua temporalidade e saberes
busquem estabelecer relações que próprios dos estudantes, na memória
contemplem a diversidade do campo coletiva que sinaliza futuros, na rede
em todos seus aspectos: sociais, de Ciência e Tecnologia disponível
culturais, políticos econômicos, de na Sociedade e nos Movimentos
gênero, geração e etnia (PRONERA, Sociais em defesa de projetos que
2011, p. 22). associem as soluções por essas
questões à qualidade social da vida
coletiva no país (MEC, 2002, p. 37).
Neste sentido, Arroyo (1999) afirma
que assim como o trabalho tem sido A escola do campo deve
concebido como princípio educativo, os corresponder à necessidade de formação
movimentos sociais também têm sido integral. Para tal, precisa garantir o acesso
matrizes educativas extremamente ricas a todos os níveis e modalidades de ensino
buscando oportunizar aos educandos a (Educação Infantil, Ensino Fundamental,
construção de novos conhecimentos a Médio e Profissionalizante, Educação de
partir do diálogo entre suas vivências e o Jovens e Adultos e Educação Especial), de
conhecimento científico. acordo com o artigo 6º das Diretrizes
Neste contexto é preciso entender o Operacionais para a Educação Básica nas
campo como um espaço de vida, de Escolas do Campo.
trabalho, de cultura e de produção do O modelo de gestão utilizado no
conhecimento, na sua relação com a projeto de educação aqui relatado, foi o
existência e a sobrevivência dos povos, participativo, “cujas responsabilidades são
indo além de uma definição jurídica, assumidas por todos em construção
configurando-se também como um coletiva no acompanhamento e na
conceito político, econômico e cultural. A avaliação dos projetos pedagógicos”.
perspectiva da educação do campo (PRONERA, 2011, p. 21).

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A capacitação dos educadores proposta de EJA Fase II para apreciação da


ocorreu no início de cada disciplina, Secretaria, com vistas a receber
prevendo o estudo dos fundamentos da orientações quanto a eventuais adequações,
proposta apresentada, bem como suas para então submetê-las ao CEE.
exigências, planejamento das aulas Embora as propostas curriculares de
prevendo o tempo escola e tempo escolarização da UNIOESTE e a proposta
comunidade, avaliação e elementos curricular de EJA II do Colégio Estadual
específicos de cada disciplina. do Campo Iraci Salete Strozak, fossem
semelhantes quanto ao atendimento da Lei
Proposta Pedagógica da Alfabetização Federal 9.394/96, Resolução nº 3 –
de Jovens e Adultos – Fase II – em áreas
de Reforma Agrária do Estado do CNE/CEB, Deliberação nº 05/2010-CEE,
Paraná: descrição do projeto normas do Sistema Estadual de Ensino,
foram solicitadas algumas adequações no
O convênio nº 777329/2012, foi
rol de disciplinas a serem ofertadas.
assinado em 11 de dezembro de 2012, e
Tais adequações foram realizadas e o
celebrou uma parceria entre a UNIOESTE
Conselho Estadual de Educação autorizou,
e o INCRA, para a realização do Projeto de
em 11 de junho de 2013, por meio do
Escolarização de Jovens e Adultos – Anos
Parecer CCEE/CEIF nº 80/2013, que a
Finais – Fase II, em áreas de Reforma
certificação fosse emitida pelo Colégio
Agrária do Estado do Paraná.
Estadual do Campo Iraci Salete Strozak –
Considerando que o referido projeto trata
Educação Infantil, Ensino Fundamental,
de uma modalidade de ensino da Educação
Médio e Normal, mantido pelo Governo do
Básica, a UNIOESTE solicitou à Secretaria
Estado do Paraná, situado no município de
de Estado da Educação (SEED) a
Rio Bonito do Iguaçu/PR, sob a jurisdição
certificação dos educandos pelo Colégio
do Núcleo Regional de Educação de
Estadual do Campo Iraci Salete Strozak.
Laranjeiras do Sul/PR. Os ajustes
Por meio do Parecer Conjunto nº
efetuados no projeto pedagógico do curso
296/2012, o Departamento da Diversidade
de escolarização de jovens e adultos – Fase
(DEDI) e o Departamento da Educação
II – foram informados ao
Básica (DEB), apresentaram posição
INCRA/PRONERA.
favorável à solicitação, ressaltando a
Desse modo, a proposta político-
necessidade de análise e aprovação pelo
pedagógica do curso apresentou a seguinte
Conselho Estadual de Educação (CEE). Na
matriz curricular:
sequência, a UNIOESTE reenviou a

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Quadro 1 - Matriz Curricular do EJA II.


MATÉRIA CH CH + HA
ARTES 94 117,5
CIÊNCIAS 213 266,25
ED. FÍS. 94 117,5
GEOGRAFIA 213 266,25
HISTÓRIA 213 266,25
ENS. REL. 10 12,5
INGLÊS 213 266,25
MATEMÁTICA 280 350
PORTUGUÊS 280 350
Fonte: PPP EJA II.

Em agosto de 2013 iniciaram as Considerações


atividades no polo de Londrina e em
A UNIOESTE, enquanto
novembro do mesmo ano nos polos de
universidade pública e gratuita tem como
Porecatu e Maringá.
compromisso político e social a formação
O polo de Renascença, que
acadêmica e profissional, a produção e a
originalmente fazia parte do projeto, tinha
socialização do conhecimento tendo em
previsão de início das atividades para
vista a democratização da produção
dezembro de 2013, porém, não apresentou
cultural e o desenvolvimento científico,
efetividade de demanda para a oferta do
econômico e social, contribuindo assim no
curso. Dessa forma, durante o ano de 2014,
desenvolvimento das regiões na qual está
a Coordenação do Projeto, os técnicos de
inserida e da sociedade em geral.
apoio e a Analista de Reforma e
A UNIOESTE possui 44 anos de
Desenvolvimento Agrário do INCRA,
existência, e apresenta larga experiência no
estudaram alternativas para que o curso
ensino superior, em cursos de graduação e
pudesse ser ofertado em outro polo. A
pós-graduação stricto sensu. Assim, foi
partir de julho de 2014, foram feitas
muito enriquecedora a possibilidade de
tratativas para a implantação de um polo
atuação na educação básica, em especial
em Rio Bonito do Iguaçu, que teve suas
com a modalidade da Educação de Jovens
atividades iniciadas em dezembro do
e Adultos, em áreas de reforma agrária no
mesmo ano. As atividades do projeto em
Estado do Paraná.
todos os polos foram encerradas em
O curso de Escolarização de Jovens e
dezembro de 2016.
Adultos – EJA II, procurou cobrir uma
lacuna que historicamente não foi
preenchida, a saber, oportunizar que

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adultos não escolarizados em áreas de atender as demandas considerando a


reforma agrária, tivessem acesso a um realidade destes sujeitos.
processo de educação numa modalidade No polo de Porecatu, no
que sejam capazes de frequentar. A acampamento Herdeiros da Luta de
parceria realizada entre a UNIOESTE e o Porecatu, 39 educandos manifestaram
INCRA tem sido positiva. Ressalta-se que interesse em participar do curso,
esta parceria existe há mais de uma década, preencheram a ficha de matrícula e
com a realização de três cursos superiores entregaram documentos pessoais, e todos
em Pedagogia para Educadores do Campo, participaram da aula inaugural. 11
e o convênio pioneiro que resultou no educandos concluíram as atividades do
projeto em discussão da Escolarização de curso e foram certificados.
Jovens e Adultos – Fase II – em áreas de No polo de Maringá, na Escola
Reforma Agrária do Estado do Paraná. Milton Santos, 16 educandos foram
No polo de Londrina, no matriculados no curso. Destes, 6
assentamento Eli Vive, distrito de concluíram as atividades, e 5 foram
Lerroville, 49 educandos manifestaram certificados.
interesse em participar do curso, No polo de Rio Bonito do Iguaçu, no
preencheram a ficha de matrícula e acampamento 1 de maio, 69 educandos
entregaram documentos pessoais. Destes, manifestaram interesse em participar do
11 concluíram o curso, e 10 foram curso, entregaram a documentação e a
certificados. Particularmente no polo de ficha de matrícula. Destes, 31 iniciaram o
Londrina, em agosto de 2013, mesmo curso, 13 concluíram o curso e 12 foram
período que as aulas iniciaram, houve, certificados.
nesse polo, a migração da condição de Dessa forma, no projeto de
acampamento para a condição de Escolarização de Jovens e Adultos – Fase
assentamento, o que causou, de início, uma II – em áreas de Reforma Agrária no
brusca evasão, afora as demais Estado do Paraná, houve o quantitativo de
dificuldades que são inerentes a cursos na 173 educandos matriculados (que
modalidade EJA. Essa narrativa demonstra entregaram documentos pessoais); 41
o quanto é necessário ampliar os concluíram as atividades nos polos, e 38
equipamentos e modalidades de fizeram jus à certificação. Mesmo sendo o
atendimento a esta população, visando Projeto uma iniciativa direcionada ao
atendimento deste público específico, os

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resultados mostram a necessidade de educação de qualidade inserida na


emprenho específico com esta população. realidade social destas comunidades;
O número de matriculados apresenta a produção de um banco de dados na
demanda e o número de certificados, ainda Universidade, contendo informações sobre
que muito menor do que as matrículas, é a formulação e o processo de execução do
capaz de apresentar o sucesso, ainda que projeto; Estimular a realização de estudos
parcial, desse Projeto, levando-se em sobre a educação formal de jovens e
consideração as especificidades da adultos no campo. Objetivos esses, que
Educação de Jovens e Adultos, acrescido foram alcançados, na totalidade ou
das problemáticas já referidas, neste texto, parcialmente, de forma a justificar o
com populações marginalizadas de investimento nesta modalidade de
comunidades distantes dos centros educação, enquanto uma necessidade de
urbanos. atendimento as demandas sociais de nossa
Dentre os objetivos principais do população.
curso destacam-se a necessidade de A evasão é um fenômeno que
proporcionar que jovens e adultos tivessem impacta a modalidade de Jovens e Adultos
o acesso à escolarização (Anos Finais do em âmbito nacional. Numa situação de
Ensino Fundamental); que as condições do escolarização em áreas de reforma agrária,
acesso à educação como um direito social e o problema torna-se mais acentuado.
fundamental na construção da cidadania de Houve muita dificuldade em selecionar e
jovens e adultos que vivem em áreas de contratar os professores, por diversos
assentamentos de reforma agrária fossem motivos: primeiro, a baixa remuneração;
ampliadas, fato demonstrado pela relativa segundo, a dificuldade de acesso aos
demanda ocorrida nos polos do projeto; acampamentos/assentamentos para os
que houvesse a possibilidade de melhoria docentes que viviam na cidade, pois as
de vida dos moradores do campo, despesas de deslocamento e alimentação
implicando em maior acesso à educação deveriam ser custeadas pelos próprios
formal e outros meios; promoção de docentes. Some-se a isso o fato de que os
parcerias entre a Universidade, órgãos docentes, em sua maior parte, possuíam
governamentais na esfera federal, estadual outros vínculos empregatícios, e a
e municipal, e comunidades assentadas, na adequação de datas/horários também foi
implementação do projeto de um fator que dificultou a organização das
escolarização, oportunizando o acesso à atividades.

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Além desses aspectos, variáveis  Casos de educandos que adoeceram;


outras, de caráter interno, também  A necessidade de trabalhar;
dificultaram o desenvolvimento das  A (des)valorização do estudo de
atividades propostas, conforme pode ser forma geral.
observado no registro elaborado para o Durante a execução do projeto
relatório final do convênio. Fato que, constatou-se a importância que este curso
novamente, expõe a difícil realidade vivida teve junto aos educandos, de modo a
por aqueles que atuam na Educação do fornecer-lhes os instrumentos necessários
Campo, tanto professores, como alunos. para o exercício de sua cidadania,
Aqui, alguns apontamentos extraídos do melhorando sua condição de vida e da
relatório final: comunidade de forma geral.
 Em Londrina, por exemplo, as aulas Em tese, pode-se dizer que a
iniciaram no momento de transição Universidade, em parceria com os
de acampamento para assentamento movimentos sociais da educação no campo
Eli Vive. Isso por si só gera uma e o INCRA/PRONERA, cumpriram essa
grande mudança no cotidiano dos função, tendo em vista a certificação de
educandos, que passaram a ter trinta e oito educandos no Ensino
maiores dificuldades para frequentar Fundamental, Fase II e, para, além disso,
as disciplinas, visto a dificuldade dos pode apresentar uma modalidade de
educandos de se deslocar até a educação formal mais acessível a realidade
escola; da Educação do Campo. É importante
 Num acampamento a mobilidade é ressaltar que no desenvolvimento deste
muito grande e necessidades projeto, o dado quantitativo não é o mais
forçaram famílias a um movimento importante, mas sim, a possibilidade de
migratório para outras localidades; inserção e atuação de modalidade de
 O polo de Maringá, na Escola Milton ensino em espaços sociais que
Santos, congregava educandos das historicamente foram negligenciados pelo
regiões Norte, Noroeste e Oeste do poder público. Os dados apresentados nos
estado do Paraná; além da percentuais a seguir nos indicam isso.
dificuldade de deslocamento até o Apenas a título de exemplo, pode-se
polo, o valor da bolsa era insuficiente ressaltar que 19% dos concluintes possuem
para cobrir as despesas de mais de 56 anos; e 49% acima de 46.
deslocamento; Agora, 70% dos concluintes possuem

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acima de 36 anos, o que é um dado pesquisa e da extensão, novos desafios a


extremamente significativo, se respeito da formação profissional docente.
considerarmos que esses sujeitos
continuariam a constar nos dados
Referências
estatísticos de não escolarizados, devido à
Arroyo, M. G. (Org.). (2003). Da Escola
dificuldade de possibilidade de inserção no
Carente à Escola Possível. São Paulo-SP:
sistema educacional oficial. Com relação Editora Loyola.
aos que se evadiram, 39% possuem acima
Brasil. (1991). Constituição da República
de 46 anos, o que resulta, dentre outras Federativa do Brasil. São Paulo: Saraiva.
variáveis, pela presumida dificuldade que
Brasil. (1996). Lei de Diretrizes e Bases da
esses indivíduos trazem em sua trajetória Educação Nacional. Recuperado de:
www.mec.gov.br. Acesso em: 02 Set 2012.
educacional. 57% possuem idade entre 20
e 45 anos. Outro dado relevante, que pode Brasil. (2002). Ministério da Educação.
Secretaria de Educação Continuada,
fornecer subsídios para futuras pesquisas,
Alfabetização e Diversidade – SECAD.
considerando que é uma idade adequada Diretrizes operacionais para a educação
básica nas escolas do campo. Diretoria de
para uma mão de obra produtiva.
Educação para Diversidade e Cidadania.
A dinâmica das relações sociais Coordenação Geral de Educação do
Campo. Brasília.
indica a permanência de velhas demandas:
falta de profissionais qualificados, baixa Brasil. (2011). Ministério do
Desenvolvimento Agrário/MDA. Instituto
remuneração, dentre outras necessidades.
Nacional de Colonização e Reforma
Ou seja, a realidade social mostra que Agrária/INCRA. Manual do Programa
Nacional de Educação na reforma agrária
ainda são muitos os desafios a serem
(PRONERA). Brasília.
enfrentados tendo em vista a quantidade e
Cascavel. (2008). Secretaria Municipal de
a qualidade do ensino ofertado,
Educação. Currículo para a rede pública
particularmente nas aéreas rurais. Para municipal de ensino de Cascavel. Volume
III: Ensino Fundamental – Educação de
concluir, queremos registrar que a
Jovens e Adultos. Cascavel: Editora
experiência realizada durante o período de Progressiva.
realização do Curso foi profícua para a
Di Pierro, M. C. (2005). Notas sobre a
Universidade, em especial, por oportunizar redefinição da identidade e das políticas
públicas de educação de jovens e adultos
contato com setores importantes da
no Brasil. Educação e Sociedade, 26(92),
sociedade, como os movimentos sociais do 1115-1139. https://doi.org/10.1590/S0101-
73302005000300018
campo, que por meio de suas demandas,
nos colocam no âmbito do ensino, da Favoreto, A. (2008). Marxismo e educação
no Brasil (1922–1935): o discurso do PCB

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e de seus intelectuais (Tese de Doutorado). jovens. Revista Brasileira de Educação de


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repensar a partir das diferenças da evasão escolar na EJA: uma concepção
socioculturais dos alunos. Revista histórica. Revista EJA em Debate, 8(13), 1-
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Freire, P. (1997). Política e Educação: (2016). A educação de Jovens e Adultos
ensaios. São Paulo, Cortez. como um espaço de empoderamento das
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educativa. São Paulo: Paz e Terra.

Giovanetti, M. A., Gomes, N. L., & i


Convênio SICONV nº 777329/2012 firmado entre
Soares, L. (Orgs.). (2006). Diálogos na a UNIOESTE e o INCRA, com o escopo de formar
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IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística. (2007). Pesquisa nacional por
amostra de domicílios, 2007 – Relatório
Comentários. IBGE.
Informações do Artigo / Article Information

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e


Estatística. (2010). Pesquisa nacional por Recebido em : 08/07/2019
Aprovado em: 20/01/2020
amostra de domicílios, 2010 – IBGE. Publicado em: 26/02/2021

Received on July 08th, 2019


INCRA – Instituto Nacional de Accepted on January 20th, 2020
Colonização e Reforma Agrária. (2010). Published on February, 26th, 2021

Qualidade de vida, produção e renda nos


assentamentos de reforma agrária no Contribuições no Artigo: Os autores foram os
responsáveis por todas as etapas e resultados da
Brasil. Brasília: Incra. pesquisa, a saber: elaboração, análise e interpretação dos
dados; escrita e revisão do conteúdo do manuscrito
e; aprovação da versão final publicada.
Paiva, J., & Oliveira, I. B. (Orgs.). (2009).
Educação de Jovens e Adultos. Petrópolis- Author Contributions: The author were responsible for
the designing, delineating, analyzing and interpreting the
RJ: DP&A. data, production of the manuscript, critical revision of the
content and approval of the final version published.

Paraná. (2005). Secretaria de Educação do


Estado do Paraná. Departamento de
Educação Profissional. Educação
Profissional na Rede Pública Estadual:
Fundamentos Políticos e Pedagógicos.

Santos, G. R. M., Crusoé, N. M. C., &


Moreira, N. R. (2017). Prática Educativa
em Movimento Social: narrativas de

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Conflitos de Interesse: Os autores declararam não haver


nenhum conflito de interesse referente a este artigo.

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Artigo avaliado por pares.

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Agência de Fomento

Não teve financiamento.

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APA
Estrada, A. A., & Soligo, V. (2021). Escolarização de
Jovens e Adultos em áreas de Reforma Agrária do Estado
do Paraná: a experiência da UNIOESTE. Rev. Bras. Educ.
Camp., 6, e7151. http://dx.doi.org/10.20873/uft.rbec.e7151

ABNT
ESTRADA, A. A.; SOLIGO, V. Escolarização de Jovens e
Adultos em áreas de Reforma Agrária do Estado do
Paraná: a experiência da UNIOESTE. Rev. Bras. Educ.
Camp., Tocantinópolis, v. 6, e7151, 2021.
http://dx.doi.org/10.20873/uft.rbec.e7151

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