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Africanos no Brasil

DOMINAÇÃO

Os africanos não vieram para a América de livre espontânea vontade, foram


trazidos para cá para trabalhar como escravos. Com o avanço das plantações
de cana-de-açúcar no Nordeste, na metade do século XVI, os africanos
começaram a entrar no Brasil sistematicamente e em maior número.

DE ONDE ERAM?

Eram povos de diferentes lugares da África, com características físicas e


culturais próprias, e trouxeram consigo hábitos, línguas e tradições que
marcam profundamente nosso cotidiano. A maioria dos africanos entrados no
Brasil saiu da região localizada ao sul do Equador, pelos portos de Benguela,
Luanda e Cabinda. Outra parte considerável saiu da Costa da Mina, pelos
portos de Lagos, Ajudá e São Jorge da Mina. E um número menor saiu pelo
portos de Moçambique.

No Brasil os africanos não eram chamados por sua etnia, mas sim pelo nome
do porto ou da região onde haviam sido embarcados. Um africano da etnia
congo, por exemplo, era chamado aqui de cambinda, se esse fosse o nome do
porto africano  de onde ele houvesse embarcado. Outro exemplo: os diferentes
povos embarcados na Costa da Mina ( África Ocidental ) eram chamados
simplesmente de minas.

GUERRA E ESCRAVIDÃO
Conseguir pessoas na África para vendê-las na América foi um negócio
altamente lucrativo, que durou mais de trezentos anos. Desse negócio
participaram europeus, africanos e brasileiros de diferentes condições sociais.
Entenda seu funcionamento acompanhando este esquema:

PASSO 1: Os traficantes forneciam tabaco, aguardente, pólvora e,


sobretudo, armas de fogo aos chefes africanos; em troca, exigiam prisioneiros
de guerra.

PASSO 2: De posse dessas armas, os chefes africanos faziam guerras e


obtinham prisioneiros.

PASSO 3: Os prisioneiros eram negociados om os traficantes, que os


vendiam na América com escravos.
Instalou-se, assim, na África, um verdadeiro círculo vicioso: faziam-se guerras
para obter prisioneiros, que eram trocados por armas de fogo e pólvora, usadas
em novas guerras. A consequência mais trágica da chegada dos europeus ao
continente africano foi justamente o surgimento de um novo tipo de guerra
entre os povos locais: a guerra para obter e vender pessoas e traficantes
especializados.

OS AFRICANOS E SUAS CULTURAS


Para o historiador João José Reis, enquanto durou o tráfico, as Américas
receberam cerca de 15 milhões de africanos; 40% deles ( 6 milhões ) foram
trazidos para o Brasil. Esses africanos trouxeram consigo não apenas sua força
de trabalho, mas também suas culturas, que hoje fazem parte de nossos
modos de viver, pensar e sentir. Três dessas culturas merecem especial
atenção: a cultura jeje, com forte presença no Maranhão; a cultura iorubá,
presente na Bahia; e a cultura banto, presente em todo o território brasileiro,
especialmente na região Sudeste.

A TRAVESSIA
Nas fortalezas do litoral africano, homens, mulheres e crianças eram forçados a
embarcar em navios pequenos e frágeis, conhecidos como navios negreiros. A
viagem das praias da África Ocidental para o Brasil durava de 30 a 45 dias,
conforme o lugar de partida e chegada. As condições de viagem eram
péssimas, a comida era pouca e de má qualidade. As pipas de água também
eram poucas, para não ocupar lugar no navio. Assim, cada escravo recebia
apenas um copo a cada dois dias. Alguns bebiam água do mar e adoeciam.
Os africanos chegavam ao litoral brasileiro confusos e cansados, sem saber
onde estavam. Nos mercados do Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Luís
eram examinados, avaliados e comprados. Um homem adulto valia o dobro de
uma mulher e, geralmente três vezes maior que uma criança ou um idoso.
Como propriedade de outra pessoa, os escravizados podiam ser vendidos,
alugados ou leiloados para pagar dívidas de seu dono. Não tinham nem
mesmo o direito de manter o próprio nome, recebendo um nome português.

O TRABALHO
Os escravizados trabalhavam de 12 a 15 horas por dia: começavam entre 4 e 5
horas da manhã e iam até o anoitecer. Por vezes, as manhãs dos feriados e
domingos eram usadas para conserto de cercas, estradas e outros serviços. O
homem trabalhava como agricultor, carpinteiro, ferreiro, pescador, carregador e
em várias outras funções. A mulher cultivava a terra, cuidava dos doentes,
colhia e moía a cana, lavava, passava, fazia partos, vendia doces e salgados,
etc.

Entre os trabalhadores afrodescendentes havia também libertos, nome que se


dava aqueles que haviam conseguido a carta de alforria documento de
libertação obtido geralmente após longos anos de trabalho.

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