Você está na página 1de 19

ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA DA

LOJAS AMERICANAS S.A


Abril/2021
Elaborado por: Lucas A Targino Pereira
Disciplina: Contabilidade Financeira
Turma: ONL020UZ-ENMKTSP02T2

2
1.Introdução
A LOJAS AMERICANAS S.A é uma das maiores companhias brasileiras do varejo nacional. Fundada em
1929 e sediada no Rio de Janeiro, atualmente a companhia opera mais de 1700 estabelecimentos de
vendas físicos e online, e é reconhecida como a sexta maior varejista do Brasil em faturamento, de
acordo com o Ranking IBEVAR – FIA de 2020.

O objetivo deste relatório é avaliar o desempenho financeiro da companhia em 2016 e 2017. A partir
do Balanço Patrimonial e do Demonstrativo de Resultados do Exercício, serão calculadas as análises
vertifical e horizontal, e os índices de liquidez, estrutura de capital, lucratividade e rentabilidade,
fatores que possibilitam a análise da evolução econômica da empresa entre os dois períodos.

1.1. Balanço Patrimonial


O balanço patrimonial é um dos principais relatórios contábeis existentes. Nele consta, de fato, como
está o patrimônio da empresa. É chamado de balanço, pois apresenta equilíbrio entre os ativos,
passivos e patrimônio líquido, ou seja, entre os bens e direitos com as obrigações obrigações e
participações.

3
4
1.2. DRE
O DRE é o Demonstrativo de Resultado do Exercício, análise que apresenta um resumo das despesas
e receitas da empresa em determinado período. Com isso, o relatório reflete de maneira objetiva
alguns valores de lucros e prejuízos obtidos.

2.Análise Horizontal
A análise horizontal apresenta a evolução dos indicadores ao longo dos anos, evidenciando
tendências e possibilitando a análise quantitativa das evoluções de cada uma das contas. Para
realizar a análise, são necessários ao menos dois relatórios, pois só assim será possível determinar
uma base de comparação. Em geral, quando são utilizados mais de dois, eles podem ser analisados
de dois modos: equiparando todos os anos com uma única base, ou comparando um ano
exatamente com o período anterior.

5
Na comparação dos balanços de 2017 e 2016, é possível identificar que todas as grandes despesas de
ativos, passivos e patrimônio líquido aumentaram no período. O ativo circulante, que se caracteriza
por receitas dentro de um período de 12 meses, subiu 52% no período, um ótimo resultado. A maior
contribuição nesse recorte está na conta ‘Disponível (caixa e banco)’, que representou subiu 592%

6
em relação ao ano anterior. Já as demais contas também demonstraram evolução positiva, com
exceção das ‘Despesas antecipadas’, que caíram -3% em relação ao ano anterior.

Além do resultado positivo nas receitas de curto prazo, a Lojas Americanas também apresentou
cresceu 20% no ‘Ativo Não Circulante’, que reúne os custos que se transformam em dinheiro após o
período de 12 meses. A evolução das receitas previstas no longo prazo está presente em todas as
contas, em comparação com o ano anterior, e sinaliza a organização do fluxo de caixa para o próximo
período.

Já no ‘Passivo Circulante’, que representa as contas a serem pagas com prazo menor que um ano,
também há um aumento de 27% no geral, o que mostra um aumento significativo nas despesas
operacionais. O fator positive está na redução dos gastos em ‘Dividendos’ e JPC a pagar’ e ‘Outros
passivos operacionais’ –, que demonstram que a empresa foi capaz de tomar algumas medidas para
enxugá-los. Sobre ‘Passivo Não Circulante’, assim chamadas as obrigações de prazos superiores a 12
meses, elas aumentaram 13%, puxada principalmente pelo aumento de 11% nos ‘Empréstimos e
Financiamentos’, que subiu 11%, passando de R$ 6,3 para R$ 7 milhões. Isso levanta um ponto de
atenção, pois a empresa teve de recorrer mais ao mercado para arcar com suas despesas.

Em geral, a maior evolução percentual aconteceu no ‘Patrimônio líquido’ (132%), que engloba os
valores arrecadados e compartilhados com acionistas e quotistas da companhia. Somente o ‘Capital
social’ subiu 172%, um resultado extraordinário, que pode atrair ainda mais interesse do mercado e
possíveis investidores.

7
A análise horizontal do DRE demonstra os valores simplificados que compõem o cálculo de lucros e
prejuízos no período de 2016 a 2017. Nesse exercício, houve um aumento de 6% de ‘Receita liquida
de bens e serviços’, o mesmo aumento percentual do ‘Custo dos bens e serviços vendidos’. Nas
demais linhas é possível observar aumentos nas despesas operacionais de 8% e no valor final, que
contabiliza as receitas após a tributação sobre o lucro, o Lucro líquido do exercício, que totalizou
12%, resultado que demonstra solidez.

3.Análise Vertical
A análise vertical, também conhecida como análise de estrutura, tem o objetivo de avaliar a
proporção de cada componente em relação ao todo. É nessa análise que está a importância de cada
conta em relação à demonstração financeira pertencente. Através da comparação com padrões do
ramo ou com percentuais da própria empresa em períodos anteriores, a avaliação permite apontar a
existência de itens/custos fora das proporções normais. No Balanço Patrimonial, a análise vertical
procura evidenciar a participação de cada elemento patrimonial do ativo e passivo em relação ao
total.

8
Ao analisar verticalmente o balanço patrimonial, notamos que o o ‘Ativo Circulante’ tem maior
participação no ativo total e cresceu de um período ao seguinte. Já na conta do ‘Passivo e patrimônio
líquido’ houve aumento na contribuição do ‘Patrimônio líquido e redução’ na contribuição dos
Passivos, mantendo o ‘Passivo não circulante’ como principal. As principais alterações foram na

9
contribuição do ‘Capital social realizado’, indicando que a empresa recebeu mais aplicações por
partes dos acionistas e ‘Disponível (caixa e banco), que aponta mais fundos disponíveis para
compromissos e eventualidades em curto prazo.

O resultado da análise vertical do DRE evidencia que não houve grandes alterações na composição
das etapas do relatório, as despesas, custos dos bens e serviços e tributos tiveram contribuições
próximas da receita operacional nos períodos analisados. Nota-se também uma constância na
relação entre o ‘Lucro líquido do exercício’ e a ‘Receita líquida de bens ou serviços’.

4.Índices de Liquidez
Os índices de liquidez são dados a partir de cálculos que relacionam grupos patrimoniais do balanço
patrimonial com o objetivo de demonstrar a capacidade da empresa em honrar seus compromissos
com terceiros.

4.1. Liquidez imediata (LI)


A liquidez imediata avalia apenas os valores classificados como disponíveis. Com esse cálculo, é
possível identificar a capacidade de pagar dívidas com o montante em caixa. Calcula-se com a
fórmula LI = Disponível ÷ Passivo Circulante.

10
Em 2016, havia R$ 0,07 em caixa para cada R$ 1,00 de dívidas a curto prazo, enquanto que em 2017
era R$ 0,37. Ou seja, houve uma melhora na liquidez.

4.2. Liquidez corrente (LC)


A liquidez corrente considera todos os recursos aplicados no ativo circulante para demonstrar a
capacidade da empresa em pagar suas dívidas de curto prazo. Calcula-se com a fórmula LC = Ativo
Circulante ÷ Passivo Circulante.

Em 2016, havia R$ 1,52 em ativos circulantes para cada R$ 1,00 de dívidas a curto prazo. Em 2017,
era R$ 1,82. Em ambos os períodos, existe uma boa solvência que foi melhorada no ano de 2017. 11

4.3. Liquidez seca (LS)


A liquidez corrente considera todos os recursos aplicados no ativo circulante descontado o estoque
para demonstrar a capacidade da empresa em pagar suas dívidas de curto prazo. Calcula-se com a
fórmula LS = (Ativo Circulante – Estoque) ÷ Passivo Circulante.

Em 2016, R$ 1,03 era o valor dos ativos circulantes descontados do estoque para cada R$ 1,00 de
dívidas a curto prazo, e no ano seguinte era R$ 1,38. Em ambos os períodos, não existe dependência
do estoque para quitação das dívidas e esse valor se torna maior no ano de 2017.

11
4.4. Liquidez geral (LG)
A liquidez geral avalia todos os compromissos de pagamentos, tanto de curto como de longo prazo, e
todos os ativos circulantes e não circulantes, realizáveis a longo prazo. Calcula-se com a formula LG =
(Ativo Circulante + Ativo Não Circulante realizável a longo prazo) ÷ (Passivo Circulante + Passivo Não
Circulante).

Em 2016, para cada R$ 1,00 em dívidas a empresa teria R$ 0,68, indicando baixa solvência. Em 2017,
para cada R$ 1,00 em dívidas, a empresa teria R$ 0,86, ainda indicando baixa solvência, porém maior
que a do ano anterior.

5.Estrutura de Capital
Os índices de estrutura de capital avaliam a relação da empresa com o capital de terceiros, indicando
a política de captação de recursos e a alocação desses recursos.

5.1. Endividamento Geral (EG)


O endividamento geral analisa a dependência da empresa em relação ao capital de terceiros no
financiamento de seus ativos. Calcula-se com a fórmula EG = (PC + PNC) ÷ Ativo Total, sendo PC =
passivo circulante e PNC = passivo não circulante.

12
Nos dois períodos, a avaliação da composição de endividamento indica que a maior parte da
captação de recursos está no longo prazo, com pequena evolução de 40% para 43% de 2016 para
2017.

5.2. Composição do Endividamento (CE)


A composição do endividamento avalia o perfil de captação de recursos de terceiros, se ele é de
curto ou longo prazo. Calcula-se com a fórmula CE = PC ÷ (PC + PNC), sendo PC = passivo circulante e
PNC = passivo não circulante.

Tanto em 2016 como em 2017, a análise da composição de endividamento aponta que a maior parte
da captação de recursos se apresenta a longo prazo, com pequena evolução de 40% para 43% de um
ano para outro.

5.3. Imobilização do Patrimônio Líquido (IPL)


A imobilização do patrimônio líquido avalia o quanto é aplicado no ativo permanente. Calcula-se com
a formula IPL = (ANC – RLP) ÷ PL, sendo ANC = ativo não circulante; RLP = realizável a longo prazo e PL
= patrimônio líquido.

A avaliação do patrimônio líquido aponta que nos dois períodos a empresa teve que, além de
imobilizar 100% de seu capital próprio, captar recursos de terceiros para complementar a
imobilização. Existe uma grande evolução dos anos de 2016 para 2017, de 171% para 38%, nesse
sentido.

13
5.4. Imobilização de Recursos Não Correntes
(IRNC)
A imobilização de recursos não correntes avalia a quantidade de recursos foi revertida em aplicações.
Calcula-se com a fórmula IRNC = (ANC – RLP) ÷ (PL + PNC), sendo ANC = ativo não circulante; RLP =
realizável a longo prazo; PL = patrimônio líquido; e PNC = passivo não circulante.

A avaliação da imobilização de recursos não correntes indica que, em 2016, 64% dos recursos foram
revertidos em aplicações, e em 2017 foram apenas 54%.

5.5. Passivo Oneroso Sobre o Ativo (POSA)


O passivo oneroso sobre o ativo avalia a participação de fontes onerosas nos investimentos totais da
empresa. Indica a dependência com instituições financeiras. Calcula-se com a formula POSA = (PCF +
PNC) ÷ Ativo total, sendo PCF = Passivo Circulante Financeiro; PNC = passivo não circulante.

O cálculo do passivo oneroso sobre o ativo mostra que, em 2016, a dependência de instituições
financeiras foi de 60%, enquanto que em 2017 foi de 54%. Ambos resultados indicam alta
dependência de capital, o que é um sinal de alerta.

14
6. Rentabilidade e Lucratividade
Os índices de rentabilidade e lucratividade avaliam o retorno das atividades operacionais da
empresa, utilizando indicadores tanto do balanço patrimonial quanto da demonstração dos resultado
do exercício.

6.1. Margem Bruta (MB)


A margem bruta avalia a relação do lucro bruto com a receita líquida da empresa. Calcula-se com a
fórmula, sendo: MB = (Lucro Bruto ÷ Receita Operacional Líquida) x 100.

Com a avaliação da margem bruta, fica claro que a lucratividade em 2017 foi menor que em 2016 –
35,36% e 35,63% respectivamente, demonstrando que uma parcela menor da receita restou para o
pagamento de despesas, tributos e a geração de lucro.

6.2. Margem Operacional (MO)


A margem operacional avalia a relação entre o lucro operacional e a receita operacional. Calcula-se
com a fórmula, sendo: MO = (Lucro Operacional ÷ Receita Operacional Líquida) x 100.

A avaliação da margem operacional indica que a empresa tem uma margem baixa de lucro, 2,85% em
2016 e 3,57% em 2017, apesar da evolução no período.

15
6.3. Margem Líquida (ML)
A margem líquida avalia a relação entre o retorno líquido e o total de vendas no período. Calcula-se
com a fórmula ML = (Lucro Líquido ÷ Receita Operacional Bruta) x 100.

A avaliação da margem líquida indica que a empresa operou com margem líquida baixa. Entre um
ano e outro, houve uma pequena melhora de 2016 para 2017, de 2,04% para 2,16%.

6.4. Giro do Ativo (GA)


O giro do ativo avalia a relação entre o faturamento líquido e os investimentos totais. Calcula-se com
a fórmula GA = Vendas Líquidas ÷ Ativo Total.

A avaliação do giro do ativo indica que a empresa conseguiu faturar apenas um valor equivalente a
81,23% em 2016 e 63,22% em 2017 do valor do ativo total, mostrando que além de não conseguir
cobrir o valor dos investimentos houve um recuo no ano de 2017.

6.5. Rentabilidade do Patrimônio Líquido


(ROE)
A rentabilidade do patrimônio líquido (Return on Equity, em inglês) avalia a relação entre o resultado
líquido e o patrimônio líquido médio. É o valor de retorno sobre o patrimônio dos acionistas ou
quotistas. Calcula-se com a fórmula RPL = (Lucro Líquido ÷ Patrimônio Líquido) x 100.

16
A avaliação da rentabilidade do patrimônio líquido indica que, em 2016, foi retornado 10,63% do
capital investido, enquanto em 2017, a rentabilidade do patrimônio líquido ficou em menos da
metade do exercício anterior, chegando a apenas 5,14%. Nos dois períodos analisados, o resultado
não foi muito atrativo e piorou de 2016 para 2017.

6.6. Rentabilidade dos Investimentos (ROI)


A rentabilidade dos investimentos (Return on Investments, em inglês) avalia a relação entre o lucro
líquido e o ativo total, indicando o quanto a empresa obtém em relação aos investimentos totais.
Calcula-se com a fórmula RI = (Lucro Líquido ÷ Ativo Total) x 100.

Ao avaliar a rentabilidade dos investimentos, nota-se que a empresa não obteve resultados tão
satisfatórios nos anos analisados. Em 2016 foi apenas 1,66% de retorno do investimento, e em 2017
ficou aquém, com 1,37%. Esses resultados sugerem que a taxa de retorno do valor investido está
bem alta, cerca de 60 anos para o resultado de 2016 e 73 anos para o balanço de 2017.

Conclusão
De forma geral, os resultados da Lojas Americanas são positivos. Os números apresentados
demostram uma grande capacidade de solvência, com crescimento significativo dos ativos, mas há
pontos de atenção e melhoria. Entre eles, destaco o aumento do endividamento da empresa a longo
prazo – um sinal de alerta para que haja mudanças de forma a reduzir esses custos –, além de de
diminuir a dependência de fontes externas de capital. A queda na rentabilidade para os acionistas e
quotistas em 2017, em comparação ao ano anterior, acende um sinal de alerta para como o mercado
pode responder a essa perda de resultado, que deve ter consequência na queda de atração dos
papéis para possíveis investidores. Outro ponto de melhoria está retorno do investimento, com uma

17
taxa bem alta. Sendo assim, concluo que seja reavaliada a estratégia de atuação no próximo ano para
que haja diminuição de gastos excedentes e aumento da liquidez, de forma a otimizar a performance
da empresa e a torna-la ainda mais interessante para o mercado de capitais.

18
Referências bibliográficas
LIMEIRA, André Luís Fernandes. Gestão Contábil Financeira. 2 ed.. Rio de Janeiro, RJ: Editora FGV,
2015.
STICKNEY, C. P., WEIL. R. L. Contabilidade Financeira: uma introdução aos conceitos, métodos e
usos. 12ª. ed. Bookman: Atlas, 2013.
Balanço Patrimonial. Disponível em http://socontabilidade.com.br/conteudo/BP.php. Acesso em 9 de
abril de 2021.
Capital Social. Balanço Patrimonial: O que é, para que serve e como analisar. Disponível em:
https://capitalsocial.cnt.br/balanco-patrimonial/. Acesso em 9 de abril de 2021.
Saiba o que é a DRE na contabilidade. Disponível em
http://portal.blbbrasilescoladenegocios.com.br/dre-na-contabilidade/. Acessado em 9 de abril de
2021.
Contabilidade Financeira. Introdução aos Conceitos, Métodos e Aplicações

19

Você também pode gostar