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RESULTADOS

Os prontuários de 1615 pacientes foram avaliados. Esse valor corresponde ao total de


pacientes com necessidades especiais (PNE) atendidos na Disciplina de Atendimento
Odontológico do Paciente com Necessidades Especiais da Faculdade de Odontologia da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) no período de 2001 a 2019. Desse total,
104 (6,4%) dos pacientes apresentaram o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Foi necessária
a exclusão de 7 prontuários, devido a ausência de prontuário com dados completos, totalizando
97 pacientes com TEA analisados.
Em relação a idade numérica quantitativa dos pacientes com TEA, a idade média foi de 19,56
anos, com desvio-padrão de 10,05 (paciente mais novo tinha 5 anos na época da consulta,
enquanto o mais velho tinha 46 anos). Quanto ao sexo, foi demonstrada uma grande
prevalência do sexo masculino, com 73 pertencentes (75,3%) e 24,7% do sexo feminino
(24,7%)
Quanto à cidade de origem do encaminhamento 42,3% (n=41) foram encaminhados da própria
capital Porto Alegre/RS, 38,1% (n=37) da região metropolitana de Porto Alegre, e 19,6%
(n=19) de outras localidades.
No que diz respeito as comorbidades associadas ao Transtorno do Espectro Autista relatadas
durante as consultas 6,2% (n=6) relataram possuir alguma síndrome, 6,2% (n=6) alegaram
diagnóstico de deficiência intelectual com o TEA e 2,1% (n=2) associação com Esquizofrenia.
9,3% (n=9) relataram Epilepsia, 2,1% (n=2) declararam possuir algum tipo de Ansiedade,
TDAH foi associado a apenas 3,1% (n=3) dos pacientes e 3,1% (n=3) declararam possuir algum
comprometimento psicomotor.

Com relação as condições sistêmicas dos pacientes 5,2% (n=5) possuíam comprometimento ou
doença cardíaca, 5,2% (n=5) eram asmáticos, 3,1% (n=3) relataram outro tipo de alergia e 9,3%
(n=9) apresentaram outras doenças crônicas não transmissíveis.

Sobre as medicações utilizadas dos pacientes com TEA, 11,3% (n=11) utilizavam ansiolíticos,
12,4% (n=12) antidepressivos, 60,8% (n=59) utilizavam antipsicóticos e 39,2% (n=38)
anticonvulsivantes.

Comparando o uso de medicações com a idade dos incluídos no estudo, iniciando pelos
ansiolíticos, a média de idade de quem usa esse medicamento é de 27 anos (11 pacientes),
enquanto a média de quem não usa a média é de 18,6 (86 pacientes), associando o uso de
ansiolíticos com o aumento de idade, com uma relevância de P= 0,025. Já em relação a
antipsicóticos, a média de idade de quem usa o medicamento é 17,6 (59 pacientes), e a média de
idade quem não utiliza é 22,5 (38 pacientes), tornando verdade a associação de que o uso de
antipsicótico diminui com a idade (P=0,018). O uso de anticonvulsivante também está
relacionado com o aumento de idade a partir dos dados, já que a média de idade de quem não
usa anticonvulsivante é de 17,6 anos (59 pacientes), enquanto a média de quem usa a medicação
é de 22,4 anos (38 pacientes), causando uma estatística significante de P=0,019.

Fazendo a avaliação da razão de chances desses dados associando o uso de medicamentos e


idade e realizando uma regressão logística binária, o grupo de pacientes com TEA, a cada ano a
mais de idade as chances de utilizar ansiolíticos aumentaram 8,6%. Esse aumento de chances
pode variar entre 1,7% e 15,8% (P=0,013). Sobre o uso de antipsicóticos, o nosso grupo do
estudo teria a cada ano a mais de idade suas chances de usar antipsicóticos reduzidas em 4,9%.
Essa redução de chances pode variar entre 0,7% e 8,8% (P= 0,021). Relacionado a
administração de anticonvulsivantes, cada ano a mais de idade a chance de utilizar a medicação
aumentou em 5%. Esse aumento de chances pode variar entre 0,6% e 9,5% (P = 0,025).

observações que gostaria de citar na discussão:

FALAR SOBRE VALORES DE COMORBIDADES BATENDO COM OUTROS


ESTUDOS– PACIENTES NÃO SABEM E NÃO RELATAM NA ANAMNESE QUAL
É O DIAGNOSTICO COMPLETO DO FILHO E AS COMORBIDADES
ASSOCIADAS AO TEA PRINCIPALMENTE POR SEREM HUMILDES, FALTA DE
ATENÇAO BASICA E DE DIAGNOSTICO. AS VEZES NAO ENTENDEM NEM O
AUTISMO, E É DIFICIL DE DIFERENCIAR DIAGNOSTICOS ASSOCIADOS.
EXEMPLO: NA TEORIA MUITOS PACIENTES COM AUTISMO TEM
DEFICIENCIA INTELECTUAL, MAS POUCOS PAIS RELATAM.

Chama atenção que 39,2% utiliza anticonvulsivantes, porém só 9,3% relata epilepsia.
Chama atenção também que 60,8% usa antipsicóticos, mas só 2,1% relatam
esquizofrenia que é um dos principais motivos de psicoses. Pode ser que os
responsáveis não tenham relatado todas as comorbidades dos pacientes. Falar dos
remedios padrões que são usados para autismo, que são usados antipsicoticos em casos
até sem psicose, e muitos anticonvulsivantes tb servem como controlador de humor e
pacientes autistas tem muita variacao de humor. Por exemplo, a risperidona,
antipsicótico utilizado por muitos pacientes autistas também é utilizada para depressão,
transtorno bipolar, e não só por quem tem psicose.

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