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HISTÓRIA DA ARQUITETURA DA

PAISAGEM DO BRASIL

Arquiteta Paisagista Fabiane Kopper


A evolução da paisagem no Brasil:
As últimas três décadas foram muito diferentes para
a atuação profissional da arquitetura paisagística.
Deixamos de enxergar a interferência paisagística
como atividade meramente estética ou cosmética e
passamos a encarar como uma carta de princípios
comprometida com a sobrevivência do planeta.
Formação do Arquiteto Paisagista

A complexidade das paisagens urbanas


levam o projeto paisagístico a extrapolar
condicionantes e qualificações tradicionais para
tendência de caráter interdisciplinar.
Na criação dos espaços livres destinados a
mais variada gama de funções, revitalização de
áreas centrais, planejamento em âmbito regional
e urbano, na melhoria da qualidade de vida das
cidades e preservação do patrimônio natural e
cultural.
 No imaginário europeu, navegador e renascentista a
América nasceu sob o signo do paraíso perdido.

 O confronto entre civilização e natureza, domínio


territorial, serviu como laboratório de
experimentação.
1.0-Arquitetura Paisagística

1637 a 1644 Mauricio de Nassau se estabeleceu


na cidade do Recife (posse holandesa) e trouxe
diversos naturalistas que realizaram extensa
documentação da flora, fauna, geografia e
meteorologia.
A curiosidade naturalista faz surgir o primeiro
Jardim botânico na América, por volta de 1642,
todavia pouco sabe-se a respeito desse jardim.
Curiosidade naturalista

Pintura Franz Post – Recife 1645


http://marciliomedeiros.zip.net/vidaliteraria
 Diferente dos espaços abertos urbanos coloniais como o
pelourinho ou o largo da matriz, o passeio público é um
monumento a natureza.

httppt.wikipedia.orgwikiFicheiroSalvador- Gravura de 1860, da Catedral de São Luís do Maranhão


CCBY10.jpg http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Bernard_Lemercier_-
_Vue_de_la_Cath%C3%A9drale.jpg
 1720 Brasil vice reino.
 1763 Vice reinado é transferido de Salvador para o
Rio de janeiro
 1779-1783 Vice Rei Dom Luis de Vasconcelos
encarregou o arquiteto e urbanista do Rio de janeiro
colonial- Valentim da Fonseca e Silva (mestre
Valentim) traçar o Passeio Público do Rio de Janeiro
primeiro jardim urbano construído no Brasil.
PASSEIO PÚBLICO DO RIO DE JANEIRO
Localização e proposta:

 Estratégia para tratamento e aproveitamento de


áreas alagadas;
Cidade carente de horizontes de expansão.
Ampliar o desenvolvimento da cidade em direção
sul.
http://www.revistasusp.sibi.usp.br/scielo.php?pid
=S0104-60982004000100006&script=sci_arttext
 Projeto com alamedas retas, que se cruzam ortogonalmente, e
outras formando diagonais.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Passeio_P%C3%BAblico_(Rio_de_Janeiro)
 Desenhado para apreciação da paisagem marítima.
 Belvedere marítimo é uma inovação, pois antes disto as
construções usualmente voltavam as costas para as águas.
 Composição:variadas espécies da flora nacional, obras de
arte -chafarizes, esculturas, estatuas e pirâmides.
 Baseada no racionalismo, a natureza não era
mais fonte de temores, mas sim de
conhecimento, que se apresentava ao
homem de certa maneira virgem e pouco
compreendida.
 1861 Remodelação projetada pelo botânico francês Auguste
François Marie Glaziou a pedido do Imperador D. Pedro II
 Glaziou inaugurou no Passeio Público um
paisagismo que mantinha as obras originais de
Mestre Valentim.
 O muro foi substituído por um gradil de ferro e
muitas árvores foram cortadas.
 Foram construídos pequenos rios, uma ilha artificial
e uma ponte em forma de troncos de árvore.
 Os lagos foram povoados por cisnes, irerês e
marrecas, além de dois exóticos peixes-bois.
 Transformação dos canteiros geométricos em percursos
curvilíneos, lagos e pontes. Característica do paisagismo
romântico inglês imitando bosque natural. Lago estreito e
sinuoso
 À esquerda da entrada, foi construído um pequeno
pavilhão para funcionamento de um bistrô.

http://www.casaruibarbosa.gov.br/glaziou/projetos1.htm
 No lago uma pequena ilha com vegetação. Ao fundo as duas
pirâmides de granito.

http://www.casaruibarbosa.gov.br/glaziou/projetos1.htm
 Considerado o jardim mais importante do paisagismo
colonial brasileiro, o Passeio Público chegou ao século XXI
inteiramente repaginado, após atravessar um período
crítico, quando a cidade praticamente virou as costas para o
parque.
 Em 2004, por uma ampla intervenção de restauração de
equipe multidisciplinar devolveu ao parque seu papel de
destaque na história da arquitetura e do paisagismo do país.
http://www.google.com.br/imgres?q=passeio+publico+rio+resta
urado
http://travelexperiencesreginahelena.blogspot.com.br/2010/12/rio-de-janeiro-16-parte.html
http://maps.google.com.br/maps/ms?ie=UTF8&source=embed&oe=UTF8&msa=0&msid=1
17120128015115566838.00045ca1e578459be78d6
 Ao final do século XVIII os recursos botânicos da
colônia inspirou a Coroa Portuguesa a promover
ações de reconhecimento de plantas com potencial
econômico.
 Surgem assim os jardins botânicos coloniais para
reconhecimento botânico nativo e aclimação de
plantas exóticas como as especiarias das Índias.
 Visava o desenvolvimento cientifico como a
produção de vegetais exóticos para fins lucrativos
na Europa.
 1796 a Carta Regia ordenava a criação do Jardim Botânico de
Belém.
 1798 ordenou-se aos governantes das capitanias de
Pernambuco, Bahia, Minas gerais e São Paulo a construção de
jardins botânicos nos moldes de Belém.

http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=450381
 1808 transferência da Corte portuguesa para o
Brasil. D. João mandou estabelecer o Jardim
Botânico do Rio de Janeiro.
 1825 horto botânico de ouro preto e de São Paulo.
 Apesar do impulso original os jardins botânicos não
alcançaram o objetivo de desenvolvimento
cientifico. De maneira geral eram desprezados pelos
naturalistas e apreciados pelos frequentadores
como lugar de passeio.
 A paisagem do século XIX para o XX foi marcada
pelo reconhecimento da importância da vegetação
no espaço urbano como fator de salubridade.
 Importância das áreas verdes nas cidades.
 Com a consolidação urbanística das cidades
evidencia-se a importância de áreas verdes. Surgem
os sistemas de parques e jardins.
 1858 a 1897 Glaziou desenvolveu trabalhos como
Diretor Geral de Matas e Jardins da Casa Imperial,
no Rio de Janeiro. Remodelou uma series de praças
existente como o Passeio Público e a Quinta da Boa
Vista.
 1873 a 1880 Glaziou desenvolveu o projeto de
Campo de Santana, atual Praça da República, no
centro do Rio de Janeiro.
 1883 Bosque Municipal-Belém atual Bosque
Rodriges Alves, criado como forma de ocupação de
uma área livre no meio urbano.
 Foi o maior Jardim publico de Belém, reserva
natural de vegetação amazônica. Está dividido em 4
quadrados permeadas por vias curvilíneas e um lago
central, equipamentos cascatas, ilhas, pontes,
grutas, viveiros de aves e animais amazônicos.
 1911 Urbanista Joseph Antoine Boulevard
propôs para a cidade de São Paulo a criação
de dois parques o Parque do Anhangabaú e o
Parque da Várzea do Carmo.
 1930 Inicio da era Vargas.
 1935 o urbanista francês Albert Agache criou um
dos últimos grande parques com ideário
paisagístico do inicio do século XX o Parque da
Redenção em Porto Alegre.
 A paisagem urbana toma nova dimensão como
desenho das cidades.
 1930 marca uma fase distinta e decisiva na história
do paisagismo no Brasil.
 Princípios do pensamento moderno.
 Coube a Roberto Burle Marx a tradução do
sentimento de jardim moderno brasileiro. A
determinação de “semear a alma brasileira nos
nossos jardins” Burle Marx jornal do Recife.
 Jardins de Burle Marx está apoiado em 3 funções
urbanas: higiene, educação e arte.

 Higiene=concentração de vegetação que ameniza


o clima e a poluição urbana.
 Educação=meio de instruir e transmitir
conhecimento
 Arte= “obedecer a uma ideia básica, um tema, com
perspectiva lógica subordinado a uma determinada
forma de conjunto”
 1935 primeiro projeto de jardim público Praça
da Casa Forte-Recife, jardim de água com
vegetação de várias procedências.

http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.042/638
 1940 período dos grandes projetos em escala
regional. Conjunto da Pampulha-Belo Horizonte,
integrava igreja, cassino, iate clube, salão de baile e
restaurante.

http://www.otempo.com.br/
galeria-de-
fotos/recupera%C3%A7%C
3%A3o-dos-jardins-de-
burle-marx-na-pampulha-
1.674453
 1954 e 1961 Parque do Flamengo-RJ, novo conceito de
parque urbanos no Brasil Parkway. Integrando vias, que
ligam vários bairros com jardins extensos e áreas esportivas
e o museu de arte moderna.

http://501projetos.tumblr.com/
post/13923995138/38-aterro-
do-flamengo-1965-autor-
affonso
 1970 A Calçada de
Copacabana-RJ firmou-se
como marco de identidade do
Rio de Janeiro junto com o
Parque do Flamengo.
 1980 Reurbanização do
Vale do Anhangabaú,
vencedores Arq. Jorge
Wilheim e rosa G. Kilass.
Criação de túnel para
veículos e passagem
ampla de uso exclusivo
de pedestres.

http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/centro-dialogo-
aberto/o-vale-do-anhangabau/
 Os anos 80 marcam o inicio de um processo de
liberdade na concepção do espaço livre urbano,
resultado do questionamento cultural ocorrido nos
anos 60 e 70, colocou em xeque os já tradicionais
princípios modernistas.
 Alguns valores da linha do projeto moderno assume
maior importância na forma de pensar o
contemporâneo.
 Conceito ecológico, importante instrumento de
preservação da vegetação nativa dentro do meio
urbano.
Fernando Chacel
Ecogênese- Procura entender como se apresentam na natureza as inter-relações
entre as diversas espécies vegetais, tendo em mente a idéia das associações
ecológicas, dentro da fitossociologia, no intuito de reproduzir, ou imitar, o
ecossistema primitivo e resgatar a ambiência natural original.
Glerba E -RJ
Parque fazenda restinga-RJ

http://www.abap.org.br/congresso/paginas_congresso/tema_1/Lia%20Gianelli/lia_gianelli.html
Praça Victor Civita -São Paulo
Projeto do escritório Levisky Arquitetos Associados com
participação da arquiteta convidada Anna Dietzsch

Premissas sustentáveis visando redução de entulho,


baixo consumo de energia, utilização de materiais
reciclados, legalizados e certificados, reuso de água,
aquecimento solar, manutenção da permeabilidade do
solo.
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/09.106/2983
Praça Victor Civita 3D
São Paulo SP-BR

http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/09.106/2983
Foto: Praça Victor Civita
São Paulo SP-BR

http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/09.106/2983
“Paisagismo é multiescalar por natureza... Integrando design
e urbanismo, pode contribuir sempre, para ampliar o acesso
publico e uso coletivo das praças, promover a integração
com seu entorno e a articulação do tecido urbano e, com
isso, desenvolver desenhos da cidade que propiciem um
modo de vida democrático, diversificado e justo.”

Alex sun- Projeto da praça convívio e exclusão no espaço público


MACEDO, Silvio Soares. Quadro do paisagismo no brasil. São Paulo :
FAPESP : cnpq : laboratório da paisagem, 1999. 143p, il. (Coleção ao
Quapa, v.1).
MASCARÓ, Juan Luís. Infra-estrutura da Paisagem. Porto Alegre : +4,
2008. 194 p, il.
SUN, Alex. Projeto da praças: convívio e exclusão no espaço público.
São Paulo: Senac: São Paulo, 2008.

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