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Das Motivações das Leituras

De Glábio Filho para o clube Folhetim de literatura.

Nota 1: Não pretendo me alongar muito com esse escrito, até porque tenho outras coisas para
resolver, portanto, não se preocupe, não tomarei muito do seu tempo.

Nota 2: O respeitável A.D. Sertillanges, com sua obra, “A vida intelectual”, me foi muito servil
e útil para esse composto. A ele as minhas sinceras congratulações.

Nota 3: Não associem ao Pe. Sertillanges as ideias aqui presentes. Essa “obra” não é um
resumo da obra dele. Eu somente tive na dele uma inspiração para a minha. Se vocês
observarem algo de que não se agradam nesse apontamento, associem diretamente a mim.

Nota 4: Apesar de natural a dedução, devo deixar explícito que essa leitura não é obrigatória
para ninguém, sendo somente um adicional oferecido por nós, do clube Folhetim, para quem
assim a desejar fazer (Malu não necessariamente concorda com o que está escrito aqui).

1°: Por quem você lê?

A leitura é um exercício um tanto penoso, o que gera, por muitas vezes, desconforto ao
se encarar essa atividade em questão. O fato é que ninguém lê porque a leitura em si, por sua
própria essência (e não a de algo que venha com ela acompanhado), é chamativa. Quem lê, o
faz tendo em vista todos os proveitos que acompanham essa atividade; seja o de se
entreter/distrair, de estudar, de elevar o contingente espiritual e etc.

Ademais, a leitura, penosa ou não, cansativa ou não, gera bons frutos. Quem lê nunca sai
de mãos atadas, isto é, se souber escolher com demasiado cuidado as obras a que vai dedicar
seu tempo (mas isso é assunto para outro escrito). Tanto quanto alguém se dedica à televisão,
Instagram, YouTube, ou seja o que for, deveria se dedicar à leitura, sem medo algum de errar
ou de ter feito má escolha.

Como perceptível, o que foi dito sobre a leitura e o que se ganha com ela, sempre se
relaciona com quem lê a obra, e não com terceiros. É evidente que só ganha, ou perde, com a
leitura, quem lê (e quem é ensinado por quem lê, mas esse é um caso à parte), logo, ao
“consumir” um livro, dever-se-á ter a cautela de quem tem essa questão bem clara em mente.

Não falei tudo isso sem motivo. Quero chegar a um ponto crucial. Seria adequado ler
algo por alguém? E certo ler algo somente para dizer para os amigos ou para outrem que leu?
Bom, havendo discordâncias ou não, pretendo demonstrar o porquê a resposta é não e como
isso pode ser uma besteira. Primeiro, quando falo “ler algo por alguém”, não estou querendo
dizer “ ler algo no lugar de alguém”, e sim “ler algo tendo alguém como causa”. Alguém ser a
causa de uma leitura não é necessariamente ruim (evidente que não. Já li excelentes
recomendações de amigos e não me arrependo). Ruim é quando alguém é a causa direta para
a sua leitura, e não a indireta.

Por exemplo, digamos que um garoto goste de uma garota e que, certa vez, a viu lendo
alguma obra qualquer, pela qual ele naturalmente não teria interesse algum. Agora, digamos
que ele leia essa obra por inteiro somente para ter assunto com ela. Pode ser considerada uma
atitude fofa por alguns, ou uma nobre por outros. Imaginemos agora outra situação; um aluno
gosta muito de algum professor, gosto esse que é recíproco. O professor lê um livro de que
gosta bastante, e decide recomendá-lo para o seu amado aluno, que, por sua vez, lê por
completo a obra sem nem sequer examinar atentamente o título e a sinopse, só porque o seu
amado professor que recomendou. Que fofo, não? Bem, sinceramente, fofo talvez, inteligente
não.

Observe nos dois casos como tanto a menina como o professor foram causa direta do
motivo da leitura. Eles foram causa direta porque a influência que exerceram sobre a pessoa
que fizeram ler o livro (conscientemente ou não) foi motivada por eles serem eles. O menino
só leu o livro porque queria ter assunto com a menina; o aluno só leu o livro porque queria
agradar o professor. Em ambos os casos os motivos foram as pessoas diretamente. Esse tipo
de ocasião pode ser, por mais estranho que possa parecer, prejudicial.

Uma leitura deixa traços marcantes em quem a faz. É algo que influencia grandemente
no caráter. Em uma dessas situações em que determinada pessoa é causa direta de uma
leitura, grandes mudanças podem ser feitas, negativa ou positivamente. Mas se isso gera tanto
resultados positivos quanto negativos, pelo menos nos casos em que o resultado é positivo,
não há nada de errado, certo? Errado, é como falam, “o que vale é a intenção”.

Um exame de si mesmo sempre é válido. O tempo e a disposição são coisas preciosas demais;
o tempo, porque todo o que se perde não é renovável, a disposição, porque não é sempre que
ela vem a todo vapor. O tempo necessário para a leitura de um livro, em geral, é muito, e a
disposição, alta. Sempre é bom ter cuidado para não gastar o pouco tempo e a, às vezes,
pouca disposição que se tem com uma leitura de causa direta de outras pessoas, porque, após
terminada, no máximo haverá uma discussão entre os envolvidos, geralmente não muito
longa, e muito menos recompensadora em comparação ao que se gastou com a obra que não
se tinha sequer interesse.

Se uma pessoa, porém, foi causa somente indireta da uma leitura, o que significa que
essa apenas recomendou, mas que, antes de dedicar tempo e disposição, foi avaliada a obra
em questão, acredito estar tudo nos conformes. A intenção de quem avalia com cautelosos
crivo e critério o que vai ler, é excelentíssima para consigo mesmo. Um amigo meu, certa vez,
disse-me a seguinte frase: “Devemos ser empáticos para com o nosso eu do presente e do
futuro”; achei fantástico.

Nota: Para aquele que, porventura , desejar se aprofundar mais no tema, recomendo que leia
o Capítulo 1 do livro “A vida intelectual - Pe. Sertillanges”. Baseei-me minguadamente nesse
capítulo, estendendo-o para um tema mais particular, de forma que não parece derivado do
original; mas, certamente mais proveitosa ainda será a fonte de inspiração, nesse caso.

2°: Por que você está lendo?

Quando se lê, se tem com isso algum fim. E são esses fins que estabelecem os critérios
com que se avalia cada obra que se escolhe para ler (evitando possíveis más interpretações,
não quero dizer com isso que, como afirmava Maquiavel , os fins justificam os meios).

Até pensei eu em me estender nesse capítulo como fiz no anterior, mas se o fizesse, só
perderia o meu tempo e faria com vocês perdessem o de vocês. Isso porque não tenho muito
o que acrescentar ao que o Pe. Sertillanges falou em seu livro a respeito desse quesito,
diferentemente do capítulo anterior. Se escrevesse eu algo, praticamente plagiaria o autor,
com a diferença de que abordaria o tema de forma muito inferior e reduzida. Nada melhor,
portanto, do que recomendar para vocês o trecho em si, que é o capítulo sétimo, parte A (do
já citado “A vida intelectual”).

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