Você está na página 1de 2

O positivismo de Augusto Comte: “O amor por princípio, a ordem por base e o

progresso por fim.”


Isidore-Auguste-Marie-Xavier Comte. Filho de uma família pequeno-burguesa,
católica e monarquista, nasceu em Montpellier em 19 de janeiro de 1789, e faleceu a 5 de
setembro de 1857, em Paris. Estudou no Liceu de sua cidade natal e na Escola politécnica
de Paris, onde foi admitido antes da idade legal, sendo mais tarde expulso com alguns
companheiros de curso por suas idéias ultrademocráticas. A ela voltará como examinador
de admissão. Freqüenta alguns cursos da faculdade de medicina, e torna-se amigo e
secretário do socialista Saint-Simon, que exerce grande influência sobre sua formação
intelectual. Após seis anos de convívio, afasta-se bruscamente do mestre. Em 1825,
vivendo de lições particulares de matemática, casa-se com Caroline Massin, da qual irá
separar-se 17 anos depois. Em 1845, conhece Clotilde de Vaux que morreria depois no ano
seguinte. É a partir da morte de Clotilde que Comte busca regenerar a humanidade,
fundando o Positivismo.

Os três princípios básicos do positivismo de Comte


 Prioridade do todo sobre as partes: significa que, para compreender e explicar um
fenômeno social particular, devemos analisá-lo no contexto global a que pertence.
Considerava que tanto a Sociologia Estática (estudo da ordem das sociedades em
determinado momento histórico) quanto a Sociologia Dinâmica (estudo da evolução das
sociedades no tempo) deveriam analisar a sociedade, de uma determinada época,
correlacionando-a à sua História e à História da Humanidade (a Sociologia de Comte é, na
realidade, Sociologia Comparada, tendo como quadro de referência a História Universal);
 O progresso dos conhecimentos é característico da sociedade humana: a sucessão de
gerações, com seus conhecimentos, permite uma acumulação de experiências e de saber
que constitui um patrimônio espiritual objetivo e liga as gerações entre si; existe uma
coerência entre o estágio dos conhecimentos e a organização social;
 O homem é o mesmo por toda a parte e em todos os tempos: em virtude de possuir
idêntica constituição biológica e sistema cerebral.

A “Lei dos Três Estados” de Augusto Comte


 Estado teológico ou fictício, em que se explicam os diversos fenômenos através de
causas primeiras, em geral personificadas nos deuses. O Estado Teológico subdivide-se em:
1. Fetichismo, em que o homem confere vida, ação e poder sobrenaturais a seres
inanimados e a animais;
2. Politeísmo, quando atribui a diversas potências sobrenaturais ou deuses certos
traços da natureza humana (motivação, vício e virtudes etc.);
3. Monoteísmo, quando se desenvolve a crença num deus único.
 Estado metafísico ou abstrato: as causas primeiras são substituídas por causas mais
gerais – as entidades metafísicas –, buscando nestas entidades abstratas (idéias) explicações
sobre a natureza das coisas e a causa dos acontecimentos;
 Estado positivo ou científico: o homem tenta compreender as relações entre as
coisas e os acontecimentos através da observação científica e do raciocínio, formulando
leis; portanto, não mais procura conhecer a natureza íntima das coisas e as causas absolutas.
As Características gerais do Positivismo
 Realidade: pesquisa de fatos concretos, acessíveis à nossa inteligência, negando
mistérios impenetráveis referentes às causas primeiras e últimas dos seres;
 Utilidade: busca de conhecimentos destinados ao aperfeiçoamento individual e
coletivo, desprezando as especulações ociosas, vazias e estéreis;
 Certeza: obtenção de conhecimentos capazes de estabelecer a harmonia lógica na
mente do próprio indivíduo e comunhão em toda espécie humana, abandonando as dúvidas
indefinidas e os intermináveis debates metafísicos;
 Precisão: estabelecimento de conhecimentos que se opõem ao vago, baseados em
enunciados rigorosos, sem ambigüidades;
 Organização: tendência a organizar, constituir metodicamente, sistematizar o
conhecimento humano;
 Relatividade: aceitação de conhecimentos científicos relativos. Se não fossem
relativos, não poderia ser admitida a continuidade de novas pesquisas, capazes de trazer
teorias com teses opostas ao conhecimento estabelecido. Assim, a ciência positiva é relativa
porque admite o aperfeiçoamento e a ampliação dos conhecimentos humanos.
A reforma da sociedade

A reforma da sociedade proposta por Comte deveria obedecer aos seguintes passos:
1) reorganização intelectual, depois 2) moral e, por fim, 3) política. Segundo Comte, a
Revolução Francesa destruiu uma série de valores importantes da sociedade tradicional
européia, não sendo capaz, entretanto, de impor novos e permanentes valores à emergente
sociedade burguesa. E nisso residia a grande tarefa a ser desempenhada pela Filosofia
Positiva: restabelecer a ordem na sociedade capitalista industrial.