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Roteiro de estudos

Oclusão Ideal

Prof. Amanda Mushashe

No intuito de nortear as reabilitações do sistema estomatognático,


extensos estudos determinaram alguns requisitos para que a oclusão,
entendida aqui como o relacionamento intermaxilar, fosse considerada
ideal.

Didaticamente, entende-se que a oclusão ideal é dependente de 5 fatores:

1) Posição articular

2) Contatos dentais

3) Relação interdental/interdentária durante os movimentos


mandibulares

4) Equilíbrio das curvas de compensação em relação ao plano oclusal

5) Estruturação da dimensão vertical de oclusão (DVO)

1) Posição articular

Como já definido anteriormente, existem duas posições principais que a


mandíbula pode se estabelecer após o fechamento:

Relação cêntrica (RC): posicão determinada pelo conjunto


musculoesqueletico em que o côndilo mandibular se encontra em uma
posição superoanterior na fossa articular, apoiado na vertente posterior
da eminência articular e com o disco interposto corretamente.

Máxima intercupisdação habitual (MIH): posição determinada pelos


contatos dentários, em que, idealmente, há o máximo de contatos
simultâneos e bilaterais nos dentes posteriores, com leve ou ausente
contato entre os dentes anteriores.

Na oclusão ideal, existe uma coincidência entre a RC e a MIH. Assim,


determina-se que quando o côndilo se encontra em sua posição mais
superoanterior, os contatos dentais encontram-se em máxima
intercuspidação, de forma simultânea e bilateral.

2) Contatos dentais

Apesar de a posição articular ser mantida pelo conjunto


musculoesquelético, os contatos dentais têm grande influência na
posição mandibular. Em situações de discrepância nos contatos, a
mandíbula é desviada no intuito de encontrar uma posição mais estável,
sobrecarregando todo o sistema.

Tendo em vista a oclusão ideal, contatos simultâneos e bilaterais em


todos os dentes posteriores permite uma distribuição mais homogêna
das cargas oclusais, evitando que haja sobrecarga em algum elemento e
no conjunto dente-músculo-ATM.

Além da quantidade de contatos nas arcadas, a distribuição da força no


elemento dentário em si também interfere na preservação do órgão
dental. Idealmente, as cargas oclusais atingem o dente e são dissipadas
pelo ligamento peridontal, o qual funciona como “amortecedor”. Para
que isso aconteça, entretanto, essa carga deve atingir o dente em um
sentido paralelo ao longo eixo, distribuindo a força de forma axial.

Quando os dentes posteriores recebem contatos inclinados, não há uma


distribuição axial das forças, podendo gerar pontos de compressão na
região alveolar, provocando assim um processo inflamatório que
culminará na reabsorção óssea.

Os contatos dentais que mais favorecem a distribuição axial da carga


oclusal são:

- Aresta longitudinal com crista marginal

- Ponta de cúspide com fundo de fossa

- Triploidismo

A maneira como os dentes contatam entre si também determinam o


conceito das chamadas cúspides cêntricas e não cêntricas. Esta
classificação refere-se à função das cúspides de um elemento dentário
durante os movimentos mandibulares.

As cúspides cêntricas ou de suporte são aquelas que promovem a


manutenção da DVO, trituração dos alimentos e a estabilidade oclusal.
São elas: as vestibulares dos dentes inferiores e palatinas dos dentes
superiores.

Já as cúspides não-cêntricas ou guias atuam guiando a mandíbula


durante o fechamento e limitando o escape do alimento. Além disso,
estas cúspides protegem os tecidos moles circundantes durante a
mastigação. São elas: as linguais dos dentes inferiores e as vestibulares
dos dentes superiores.

A relação entre as cúspides cêntricas (CC) e não cêntricas (CNC)


determinam 3 tipos básicos de contatos, os quais atuam na estabilidade
oclusal. Os contatos são:

- Tipo A (entre cúspides vestibulares): vertente triturante de uma CNC


superior com a vertente lisa de uma CC inferior.

- Tipo B (entre cúspides de suporte): vertente triturante de uma CC


superior com a vertente triturante de uma CC inferior.

- Tipo C (entre cúspides linguais): vertente lisa de uma CC superior com a


vertente triturante de uma CNC inferior.

3) Relação interdental/interdentária durante os movimentos


mandibulares

Este é um dos conceitos mais importantes dentro da dinâmica da


oclusão ideal. Refere-se à oclusão mutuamente protegida.

Devido a característica anatômica dos dentes anteriores e posteriores,


este possuem atuações distintas durante a função. Os dentes anteriores,
devido à conformação radicular e estreitamento da mesa oclusal, são
ideais para os movimentos finos e delicados, como lateralidade e
protusão. Já os dentes posteriores, que apresentam raízes múltiplas e
robustas e uma mesa oclusal larga, são propícios para receber as cargas
oclusais durante o fechamento mandibular.

Assim, dentro do conceito de oclusão mutuamente protegida


determina-se que durante o fechamento, apenas os dentes posteriores
apresentem contato forte, protegendo os dentes anteriores. Já nos
movimentos excursivos, idealmente, apenas os dentes anteriores
contatam, protegendo os dentes posteriores.

A atuação dos dentes anteriores diferem nos movimentos de protrusão


e lateralidade.

Durante a protrusão, os incisivos inferiores devem tocar a palatina dos


incisivos inferiores. Durante o deslizamento da mandíbula no sentido
anterior, os dentes posteriores devem desocluir totalmente sem
nenhum interferência. A porção palatina dos incisivos superiores que
guia o caminho dos incisivos inferiores denomina-se de guia incisiva.
Já durante a lateralidade, pode haver dois tipos de contatos:

- lateralidade canina: apenas os caninos se contatam no lado de trabalho


(lado para qual a mandíbula se direciona), havendo desoclusão total no
lado de balanceio (lado oposto).

- lateralidade em grupo: além dos caninos, os pré-molares e o primeiros


molares também contato no lado de trabalho, havendo descoclusão
total no lado de balanceio.

A porção palatina dos caninos superiores que guia o caminho dos


caninos inferiores denomina-se de guia canina.

4) Equilíbrio das curvas de compensação em relação ao plano oclusal

Para que a oclusão seja considerada ideal, as curvas de Spee e Wilson, já


discutidas em aula anterior, devem estar equilibradas e sem alteração.

5) Estruturação da dimensão vertical de oclusão (DVO)

Por último, idealmente uma oclusão deve apresentar uma DVO


adequada, permitindo um correto funcionamento de todo o sistema
estomagnático. Alterações na DVO, provocadas por distúrbios dentários
e/ou esqueléticos, podem sobrecarregar o conjunto dentes-músculos-
ATM, alterando o seu desempenho durante a função.

Dessa forma, apesar de uma parcela pequena da população realmente


apresentar todos estes requisitos, o estudo da oclusão funciona como
um direcionamento, determinando assim as metas de toda reabilitação.

Referências bibliográficas
OKESON J. P. Tratamento das desordens temporomandibulares e oclusão.
7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
FERNANDES NETO, A. J. Oclusão: parte clínica. 1. Porto Alegre: Artes
Médicas, 2013. recurso online (Abeno). ISBN 9788536702049. – E-book.

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