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SL-115AB-21

CÓD: 7908433204398

SEJUSP-MG
SECRETARIA DE ESTADO DE JUSTIÇA E
SEGURANÇA PÚBLICA DE MINAS GERAIS

Assistente Executivo de Defesa Social (ASEDS) –


Auxiliar Educacional
EDITAL SEJUSP Nº 01/2021, DE 15 DE ABRIL DE 2021
DICA

Como passar em um concurso público?


Todos nós sabemos que é um grande desafio ser aprovado em concurso público, dessa maneira é muito importante o concurseiro
estar focado e determinado em seus estudos e na sua preparação.
É verdade que não existe uma fórmula mágica ou uma regra de como estudar para concursos públicos, é importante cada pessoa
encontrar a melhor maneira para estar otimizando sua preparação.
Algumas dicas podem sempre ajudar a elevar o nível dos estudos, criando uma motivação para estudar. Pensando nisso, a Solução
preparou este artigo com algumas dicas que irão fazer toda a diferença na sua preparação.

Então mãos à obra!

• Esteja focado em seu objetivo: É de extrema importância você estar focado em seu objetivo: a aprovação no concurso. Você vai ter
que colocar em sua mente que sua prioridade é dedicar-se para a realização de seu sonho.
• Não saia atirando para todos os lados: Procure dar atenção a um concurso de cada vez, a dificuldade é muito maior quando você
tenta focar em vários certames, pois as matérias das diversas áreas são diferentes. Desta forma, é importante que você defina uma
área e especializando-se nela. Se for possível realize todos os concursos que saírem que englobe a mesma área.
• Defina um local, dias e horários para estudar: Uma maneira de organizar seus estudos é transformando isso em um hábito,
determinado um local, os horários e dias específicos para estudar cada disciplina que irá compor o concurso. O local de estudo não
pode ter uma distração com interrupções constantes, é preciso ter concentração total.
• Organização: Como dissemos anteriormente, é preciso evitar qualquer distração, suas horas de estudos são inegociáveis. É
praticamente impossível passar em um concurso público se você não for uma pessoa organizada, é importante ter uma planilha
contendo sua rotina diária de atividades definindo o melhor horário de estudo.
• Método de estudo: Um grande aliado para facilitar seus estudos, são os resumos. Isso irá te ajudar na hora da revisão sobre o assunto
estudado. É fundamental que você inicie seus estudos antes mesmo de sair o edital, buscando editais de concursos anteriores. Busque
refazer a provas dos concursos anteriores, isso irá te ajudar na preparação.
• Invista nos materiais: É essencial que você tenha um bom material voltado para concursos públicos, completo e atualizado. Esses
materiais devem trazer toda a teoria do edital de uma forma didática e esquematizada, contendo exercícios para praticar. Quanto mais
exercícios você realizar, melhor será sua preparação para realizar a prova do certame.
• Cuide de sua preparação: Não são só os estudos que são importantes na sua preparação, evite perder sono, isso te deixará com uma
menor energia e um cérebro cansado. É preciso que você tenha uma boa noite de sono. Outro fator importante na sua preparação, é
tirar ao menos 1 (um) dia na semana para descanso e lazer, renovando as energias e evitando o estresse.

Se prepare para o concurso público


O concurseiro preparado não é aquele que passa o dia todo estudando, mas está com a cabeça nas nuvens, e sim aquele que se
planeja pesquisando sobre o concurso de interesse, conferindo editais e provas anteriores, participando de grupos com enquetes sobre
seu interesse, conversando com pessoas que já foram aprovadas, absorvendo dicas e experiências, e analisando a banca examinadora do
certame.
O Plano de Estudos é essencial na otimização dos estudos, ele deve ser simples, com fácil compreensão e personalizado com sua
rotina, vai ser seu triunfo para aprovação, sendo responsável pelo seu crescimento contínuo.
Além do plano de estudos, é importante ter um Plano de Revisão, ele que irá te ajudar na memorização dos conteúdos estudados até
o dia da prova, evitando a correria para fazer uma revisão de última hora.
Está em dúvida por qual matéria começar a estudar? Vai mais uma dica: comece por Língua Portuguesa, é a matéria com maior
requisição nos concursos, a base para uma boa interpretação, indo bem aqui você estará com um passo dado para ir melhor nas outras
disciplinas.

Vida Social
Sabemos que faz parte algumas abdicações na vida de quem estuda para concursos públicos, mas sempre que possível é importante
conciliar os estudos com os momentos de lazer e bem-estar. A vida de concurseiro é temporária, quem determina o tempo é você,
através da sua dedicação e empenho. Você terá que fazer um esforço para deixar de lado um pouco a vida social intensa, é importante
compreender que quando for aprovado verá que todo o esforço valeu a pena para realização do seu sonho.
Uma boa dica, é fazer exercícios físicos, uma simples corrida por exemplo é capaz de melhorar o funcionamento do Sistema Nervoso
Central, um dos fatores que são chaves para produção de neurônios nas regiões associadas à aprendizagem e memória.
DICA

Motivação
A motivação é a chave do sucesso na vida dos concurseiros. Compreendemos que nem sempre é fácil, e às vezes bate aquele desânimo
com vários fatores ao nosso redor. Porém tenha garra ao focar na sua aprovação no concurso público dos seus sonhos.
Caso você não seja aprovado de primeira, é primordial que você PERSISTA, com o tempo você irá adquirir conhecimento e experiência.
Então é preciso se motivar diariamente para seguir a busca da aprovação, algumas orientações importantes para conseguir motivação:
• Procure ler frases motivacionais, são ótimas para lembrar dos seus propósitos;
• Leia sempre os depoimentos dos candidatos aprovados nos concursos públicos;
• Procure estar sempre entrando em contato com os aprovados;
• Escreva o porquê que você deseja ser aprovado no concurso. Quando você sabe seus motivos, isso te da um ânimo maior para seguir
focado, tornando o processo mais prazeroso;
• Saiba o que realmente te impulsiona, o que te motiva. Dessa maneira será mais fácil vencer as adversidades que irão aparecer.
• Procure imaginar você exercendo a função da vaga pleiteada, sentir a emoção da aprovação e ver as pessoas que você gosta felizes
com seu sucesso.

Como dissemos no começo, não existe uma fórmula mágica, um método infalível. O que realmente existe é a sua garra, sua dedicação
e motivação para realizar o seu grande sonho de ser aprovado no concurso público. Acredite em você e no seu potencial.
A Solução tem ajudado, há mais de 36 anos, quem quer vencer a batalha do concurso público. Se você quer aumentar as suas chances
de passar, conheça os nossos materiais, acessando o nosso site: www.apostilasolucao.com.br

Vamos juntos!
ÍNDICE
Língua Portuguesa
1. Leitura, análise e interpretação de texto: Elementos de sentido do texto: sentido global de um texto, de seus principais tópicos e de
sua coerência e progressão semântica; ponto de vista ou ideia central defendida pelo autor; informações explícitas, inferências vál-
idas, pressupostos e implícitos na leitura do texto. relações coesivas e semânticas entre orações, períodos ou parágrafos, indicadas
pelos vários tipos de expressões conectivas. Elementos de estruturação textual: tipos e gêneros textuais; estratégias argumentati-
vas; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Estrutura semântica e estilística: relações semânticas entre palavras e expressões (sinonímia, antonímia, hiponímia, homonímia, polis-
semia); conotação e denotação; sentido figurado, sentido literal; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
3. Linguagem: adequação da linguagem; linguagem verbal e não verbal; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
4. Discurso: direto, indireto e indireto livre; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
5. Variação linguística: diversidade de usos da língua. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
6. Conhecimentos linguísticos relativos ao sistema ortográfico em vigor: Emprego de letras, acentuação, questões notacionais da língua;
emprego de hífen, . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
7. Divisão silábica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
8. Sinais de pontuação: empregos e efeitos de sentido. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
9. Aspectos morfológicos: Classes de palavras: estrutura e formação de palavras; identificação e emprego. Flexão nominal e verbal das
classes de palavras: padrões regulares e formas irregulares. Morfologia do verbo: tempos, modos e vozes verbais. . . . . . . . . . . . . 22
10. Morfossintaxe: A oração e seus termos: relações sintático-semânticas entre os termos na oração. O período e sua construção: perío-
do simples e período composto; sintaxe do período composto: processos, formas e sentidos de coordenação e subordinação e suas
relações lógico-semânticas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
11. Sintaxe de colocação: colocação dos pronomes oblíquos átonos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
12. Regência: nominal e verbal; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
13. Uso da crase . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
14. Concordância: nominal e verbal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

Informática Básica
1. Ambiente operacional WINDOWS (*): fundamentos do Windows: operações com janelas, menus, barra de tarefas, área de trabalho;
trabalho com pastas e arquivos: localização de arquivos e pastas; movimentação e cópia de arquivos e pastas; tipos de arquivos e
extensões; criação, renomeação e exclusão de arquivos e pastas; ferramentas de sistema: limpeza de disco, desfragmentador de dis-
co, firewall do Windows, agendador de tarefas, pontos de restauração; instalação de programas; configurações básicas do Windows:
resolução da tela, cores, fontes, impressoras, aparência, segundo plano, protetor de tela; Windows Explorer . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Processadores de textos WORD e Writer (**): área de trabalho, barra de ferramentas, botões e menus; formatação de documentos:
recursos de margens, tabulação, recuo e espaçamento horizontal, espaçamento vertical, fontes, destaques negrito, sublinhado, itáli-
co, subscrito, sobrescrito, etc.; organização do texto em listas e colunas; tabelas; estilos e modelos; cabeçalhos e rodapés; configu-
ração de página; seções do documento; índices; inserção, posicionamento e formatação de objetos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
3. Planilhas eletrônicas EXCEL e Calc (**): área de trabalho, barra de ferramentas, botões e menus; deslocamento do cursor na planilha
para seleção de células, linhas e colunas; introdução de números, textos, fórmulas e datas na planilha, referência absoluta e relativa;
principais funções: matemáticas, lógicas, estatísticas, data-hora, financeiras, texto, pesquisa e referência; formatação de planilhas:
número, alinhamento, borda, fonte, padrões; edição da planilha: operações de copiar, colar, recortar, limpar, marcar, etc.; classificação
de dados nas planilhas; gráficos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
4. Redes de Computadores e Internet (***): intranet, extranet e internet; protocolos Internet das camadas de rede, de transporte e de
aplicação; correio eletrônico: clientes de correio eletrônico, servidores de correio eletrônico, mensagem eletrônica e seus cabeçal-
hos, filtros de e-mail, listas de correio eletrônico, spam, configurações e utilização de recursos típicos de correio eletrônico, webmail;
World Wide Web: navegadores, mecanismos de busca, URLs, cookies . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
5. Conceitos de proteção e segurança: mecanismos de autenticação e autorização para acesso a recursos de rede e serviços; certificação
digital; criptografia simétrica e assimétrica; malwares: tipos, ataques, ameaças e formas de proteção; firewall; protocolos Internet
seguros; segurança em redes sem fio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36

Noções de Direito
1. Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1.988; Título II: Dos Direitos e Garantias Fundamentais; Capítulo I:
Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos; Capítulo II: Dos Direitos Sociais; Capítulo III: Da Nacionalidade; Título III: Da Organização
do Estado; Capítulo I: Da Organização Político-Administrativa; Capítulo VII: Da Administração Pública; Seção I: Disposições Gerais;
Seção II: Dos Servidores Públicos; Título VIII: Da Ordem Social; Capítulo I: Disposição Geral; Capítulo II: Da Seguridade Social; Capítulo
III: Da Educação, da Cultura e do Desporto; Capítulo VII: Da Família, da Criança, do Adolescente e do Idoso; Direito da Criança e do
Adolescente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei Federal nº 8.069, de 13 de julho de 1.990 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
ÍNDICE
3. Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de Minas Gerais, Lei Estadual nº 869, de 05 de julho de 1.952 e suas alterações
posteriores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94
4. Lei Federal nº 11.466 de 28 de março de 2007, que prevê como falta disciplinar grave do preso e crime do agente público a utilização
de celular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116
5. Lei Estadual nº 15.302, de 10 de agosto de 2.004, que instituiu a carreira de Agente de Segurança Socioeducativo . . . . . . . . . . . 116
6. Declaração Universal dos Direitos Humanos/Violação dos Direitos Humanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
7. Lei Federal nº 9.455 de 07 de abril de 1.997 (Lei da Tortura) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124

Direitos Humanos
1. Teoria Geral dos Direitos Humanos; Conceito e Terminologia; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Classificação dos Direitos Humanos; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 04
3. Fundamentos dos Direitos Humanos; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 04
4. Mitos e Verdades sobre os direitos Humanos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 05
5. Direitos Negados e Subtraídos; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 05
6. Afirmação Histórica dos Direitos Humanos; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 05
7. Afirmação do Conceito de Pessoa na História; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 07
8. Grandes Etapas Históricas na Afirmação dos Direitos Humanos – Declaração Universal dos Direitos Humanos, . . . . . . . . . . . . . . . 07
9. Revolução Americana, . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09
10. Revolução Francesa, . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09
11. Organização das Nações Unidas e sua Comissão de Direitos Humanos; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
12. Direitos Humanos no Brasil – Constituição de 1934 e de 1988; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
13. Regras de Beijing; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
14. Proteção de Grupos Vulneráveis; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
15. Diversidade Étnico-Racial - Racismo: causas, tipos, racismo estrutural e ocorrências no Brasil e Sexual. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

Raciocínio Lógico
1. Noções básicas da lógica matemática: proposições, conectivos, equivalência e implicação lógica, argumentos válidos, problemas com
tabelas e argumentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Linguagem dos conjuntos: o conjunto dos números naturais, inteiros, racionais e reais. Operações de adição, subtração, multiplicação,
divisão, potenciação e radiciação nesses conjuntos. Números decimais. Valor absoluto. Propriedades no conjunto dos números natu-
rais. Decomposição de um número natural em fatores primos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
3. Múltiplos e divisores, máximo divisor comum e mínimo múltiplo comum de dois números naturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
4. Verdades e Mentiras: resolução de problemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
5. Sequências (com números, com figuras, de palavras) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
6. Análise combinatória e probabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
7. Problemas envolvendo raciocínio lógico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01

Conhecimentos Específicos
Assistente Executivo de Defesa Social (ASEDS) – Auxiliar Educacional
1. Estatuto da Criança e do Adolescente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Legislação que institui as Carreira do Grupo de atividades de Defesa Social do Poder Executivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
3. Legislação que regulamenta a execução das medidas socioeducativas destinadas ao adolescente que pratique ato infracional . . 42
4. Serviços de Medidas Socioeducativas em meio aberto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
5. Legislação sobre a tortura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
6. Práticas Restaurativas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
7. Adolescente e a Puberdade: aspectos biológicos, psicológicos e sociais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
8. O mundo do adolescente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
9. Psicologia da adolescência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
10. Juventude e Violência no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
11. Desigualdade: Classe, etnia e gênero . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
12. Sistema de Garantia de Direitos e Justiça Restauradora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
13. Mediação de Conflitos e Comunicação não violenta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
14. Mapa da violência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
15. Estado e Políticas Públicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
16. Juventude e Sociedade: trabalho, educação, cultura e participação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
17. A educação um processo de mudança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
LÍNGUA PORTUGUESA
1. Leitura, análise e interpretação de texto: Elementos de sentido do texto: sentido global de um texto, de seus principais tópicos e de
sua coerência e progressão semântica; ponto de vista ou ideia central defendida pelo autor; informações explícitas, inferências vá-
lidas, pressupostos e implícitos na leitura do texto. relações coesivas e semânticas entre orações, períodos ou parágrafos, indicadas
pelos vários tipos de expressões conectivas. Elementos de estruturação textual: tipos e gêneros textuais; estratégias argumentati-
vas; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Estrutura semântica e estilística: relações semânticas entre palavras e expressões (sinonímia, antonímia, hiponímia, homonímia, po-
lissemia); conotação e denotação; sentido figurado, sentido literal; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
3. Linguagem: adequação da linguagem; linguagem verbal e não verbal; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
4. Discurso: direto, indireto e indireto livre; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
5. Variação linguística: diversidade de usos da língua. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
6. Conhecimentos linguísticos relativos ao sistema ortográfico em vigor: Emprego de letras, acentuação, questões notacionais da língua;
emprego de hífen, . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
7. Divisão silábica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
8. Sinais de pontuação: empregos e efeitos de sentido. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
9. Aspectos morfológicos: Classes de palavras: estrutura e formação de palavras; identificação e emprego. Flexão nominal e verbal das
classes de palavras: padrões regulares e formas irregulares. Morfologia do verbo: tempos, modos e vozes verbais. . . . . . . . . . . . . 22
10. Morfossintaxe: A oração e seus termos: relações sintático-semânticas entre os termos na oração. O período e sua construção: perío-
do simples e período composto; sintaxe do período composto: processos, formas e sentidos de coordenação e subordinação e suas
relações lógico-semânticas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
11. Sintaxe de colocação: colocação dos pronomes oblíquos átonos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
12. Regência: nominal e verbal; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
13. Uso da crase . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
14. Concordância: nominal e verbal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
LÍNGUA PORTUGUESA
No primeiro contato com o texto, o mais importante é tentar
LEITURA, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO: ELE- compreender o sentido global do texto e identificar o seu objetivo.
MENTOS DE SENTIDO DO TEXTO: SENTIDO GLOBAL
DE UM TEXTO, DE SEUS PRINCIPAIS TÓPICOS E DE SUA – Releia o texto quantas vezes forem necessárias.
COERÊNCIA E PROGRESSÃO SEMÂNTICA; PONTO DE Assim, será mais fácil identificar as ideias principais de cada pa-
VISTA OU IDEIA CENTRAL DEFENDIDA PELO AUTOR; rágrafo e compreender o desenvolvimento do texto.
INFORMAÇÕES EXPLÍCITAS, INFERÊNCIAS VÁLIDAS,
PRESSUPOSTOS E IMPLÍCITOS NA LEITURA DO TEXTO. – Sublinhe as ideias mais importantes.
RELAÇÕES COESIVAS E SEMÂNTICAS ENTRE ORAÇÕES, Sublinhar apenas quando já se tiver uma boa noção da ideia
PERÍODOS OU PARÁGRAFOS, INDICADAS PELOS VÁ- principal e das ideias secundárias do texto.
RIOS TIPOS DE EXPRESSÕES CONECTIVAS. ELEMENTOS – Separe fatos de opiniões.
DE ESTRUTURAÇÃO TEXTUAL: TIPOS E GÊNEROS TEX- O leitor precisa separar o que é um fato (verdadeiro, objetivo
TUAIS; ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS e comprovável) do que é uma opinião (pessoal, tendenciosa e mu-
tável).
Compreensão e interpretação de textos – Retorne ao texto sempre que necessário.
Chegamos, agora, em um ponto muito importante para todo o Além disso, é importante entender com cuidado e atenção os
seu estudo: a interpretação de textos. Desenvolver essa habilidade enunciados das questões.
é essencial e pode ser um diferencial para a realização de uma boa
prova de qualquer área do conhecimento. – Reescreva o conteúdo lido.
Mas você sabe a diferença entre compreensão e interpretação? Para uma melhor compreensão, podem ser feitos resumos, tó-
A compreensão é quando você entende o que o texto diz de picos ou esquemas.
forma explícita, aquilo que está na superfície do texto.
Quando Jorge fumava, ele era infeliz. Além dessas dicas importantes, você também pode grifar pa-
Por meio dessa frase, podemos entender que houve um tempo lavras novas, e procurar seu significado para aumentar seu vocabu-
que Jorge era infeliz, devido ao cigarro. lário, fazer atividades como caça-palavras, ou cruzadinhas são uma
A interpretação é quando você entende o que está implícito, distração, mas também um aprendizado.
nas entrelinhas, aquilo que está de modo mais profundo no texto Não se esqueça, além da prática da leitura aprimorar a compre-
ou que faça com que você realize inferências. ensão do texto e ajudar a aprovação, ela também estimula nossa
Quando Jorge fumava, ele era infeliz. imaginação, distrai, relaxa, informa, educa, atualiza, melhora nos-
Já compreendemos que Jorge era infeliz quando fumava, mas so foco, cria perspectivas, nos torna reflexivos, pensantes, além de
podemos interpretar que Jorge parou de fumar e que agora é feliz. melhorar nossa habilidade de fala, de escrita e de memória.
Percebeu a diferença? Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias se-
letas e organizadas, através dos parágrafos que é composto pela
Interpretação de Texto ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão
Interpretar um texto quer dizer dar sentido, inferir, chegar a do texto.
uma conclusão do que se lê. A interpretação é muito ligada ao su- O primeiro objetivo de uma interpretação de um texto é a iden-
bentendido. Sendo assim, ela trabalha com o que se pode deduzir tificação de sua ideia principal. A partir daí, localizam-se as ideias
de um texto. secundárias, ou fundamentações, as argumentações, ou explica-
A interpretação implica a mobilização dos conhecimentos pré- ções, que levem ao esclarecimento das questões apresentadas na
vios que cada pessoa possui antes da leitura de um determinado prova.
texto, pressupõe que a aquisição do novo conteúdo lido estabeleça Compreendido tudo isso, interpretar significa extrair um signi-
uma relação com a informação já possuída, o que leva ao cresci- ficado. Ou seja, a ideia está lá, às vezes escondida, e por isso o can-
mento do conhecimento do leitor, e espera que haja uma aprecia- didato só precisa entendê-la – e não a complementar com algum
ção pessoal e crítica sobre a análise do novo conteúdo lido, afetan- valor individual. Portanto, apegue-se tão somente ao texto, e nunca
do de alguma forma o leitor. extrapole a visão dele.
Sendo assim, podemos dizer que existem diferentes tipos de
leitura: uma leitura prévia, uma leitura seletiva, uma leitura analíti- IDENTIFICANDO O TEMA DE UM TEXTO
ca e, por fim, uma leitura interpretativa. O tema é a ideia principal do texto. É com base nessa ideia
principal que o texto será desenvolvido. Para que você consiga
É muito importante que você:
identificar o tema de um texto, é necessário relacionar as diferen-
- Assista os mais diferenciados jornais sobre a sua cidade, esta-
tes informações de forma a construir o seu sentido global, ou seja,
do, país e mundo;
você precisa relacionar as múltiplas partes que compõem um todo
- Se possível, procure por jornais escritos para saber de notícias
significativo, que é o texto.
(e também da estrutura das palavras para dar opiniões);
Em muitas situações, por exemplo, você foi estimulado a ler um
- Leia livros sobre diversos temas para sugar informações orto-
texto por sentir-se atraído pela temática resumida no título. Pois o
gráficas, gramaticais e interpretativas;
título cumpre uma função importante: antecipar informações sobre
- Procure estar sempre informado sobre os assuntos mais po-
lêmicos; o assunto que será tratado no texto.
- Procure debater ou conversar com diversas pessoas sobre Em outras situações, você pode ter abandonado a leitura por-
qualquer tema para presenciar opiniões diversas das suas. que achou o título pouco atraente ou, ao contrário, sentiu-se atra-
ído pelo título de um livro ou de um filme, por exemplo. É muito
Dicas para interpretar um texto: comum as pessoas se interessarem por temáticas diferentes, de-
– Leia lentamente o texto todo. pendendo do sexo, da idade, escolaridade, profissão, preferências
pessoais e experiência de mundo, entre outros fatores.

1
LÍNGUA PORTUGUESA
Mas, sobre que tema você gosta de ler? Esportes, namoro, se- Exemplo:
xualidade, tecnologia, ciências, jogos, novelas, moda, cuidados com
o corpo? Perceba, portanto, que as temáticas são praticamente in-
finitas e saber reconhecer o tema de um texto é condição essen-
cial para se tornar um leitor hábil. Vamos, então, começar nossos
estudos?
Propomos, inicialmente, que você acompanhe um exercício
bem simples, que, intuitivamente, todo leitor faz ao ler um texto:
reconhecer o seu tema. Vamos ler o texto a seguir?

CACHORROS

Os zoólogos acreditam que o cachorro se originou de uma


espécie de lobo que vivia na Ásia. Depois os cães se juntaram aos
seres humanos e se espalharam por quase todo o mundo. Essa ami-
zade começou há uns 12 mil anos, no tempo em que as pessoas
precisavam caçar para se alimentar. Os cachorros perceberam que,
se não atacassem os humanos, podiam ficar perto deles e comer a
comida que sobrava. Já os homens descobriram que os cachorros
podiam ajudar a caçar, a cuidar de rebanhos e a tomar conta da
casa, além de serem ótimos companheiros. Um colaborava com o
outro e a parceria deu certo.

Ao ler apenas o título “Cachorros”, você deduziu sobre o pos-


sível assunto abordado no texto. Embora você imagine que o tex-
to vai falar sobre cães, você ainda não sabia exatamente o que ele
falaria sobre cães. Repare que temos várias informações ao longo
do texto: a hipótese dos zoólogos sobre a origem dos cães, a asso-
ciação entre eles e os seres humanos, a disseminação dos cães pelo
mundo, as vantagens da convivência entre cães e homens.
As informações que se relacionam com o tema chamamos de
subtemas (ou ideias secundárias). Essas informações se integram, Na construção de um texto, ela pode aparecer em três modos:
ou seja, todas elas caminham no sentido de estabelecer uma unida- ironia verbal, ironia de situação e ironia dramática (ou satírica).
de de sentido. Portanto, pense: sobre o que exatamente esse texto
fala? Qual seu assunto, qual seu tema? Certamente você chegou à Ironia verbal
conclusão de que o texto fala sobre a relação entre homens e cães. Ocorre quando se diz algo pretendendo expressar outro sig-
Se foi isso que você pensou, parabéns! Isso significa que você foi nificado, normalmente oposto ao sentido literal. A expressão e a
capaz de identificar o tema do texto! intenção são diferentes.
Exemplo: Você foi tão bem na prova! Tirou um zero incrível!
Fonte: https://portuguesrapido.com/tema-ideia-central-e-ideias-
-secundarias/ Ironia de situação
A intenção e resultado da ação não estão alinhados, ou seja, o
IDENTIFICAÇÃO DE EFEITOS DE IRONIA OU HUMOR EM resultado é contrário ao que se espera ou que se planeja.
TEXTOS VARIADOS Exemplo: Quando num texto literário uma personagem planeja
uma ação, mas os resultados não saem como o esperado. No li-
Ironia vro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, a
Ironia é o recurso pelo qual o emissor diz o contrário do que personagem título tem obsessão por ficar conhecida. Ao longo da
está pensando ou sentindo (ou por pudor em relação a si próprio ou vida, tenta de muitas maneiras alcançar a notoriedade sem suces-
com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem). so. Após a morte, a personagem se torna conhecida. A ironia é que
A ironia consiste na utilização de determinada palavra ou ex- planejou ficar famoso antes de morrer e se tornou famoso após a
pressão que, em um outro contexto diferente do usual, ganha um morte.
novo sentido, gerando um efeito de humor.
Ironia dramática (ou satírica)
A ironia dramática é um dos efeitos de sentido que ocorre nos
textos literários quando a personagem tem a consciência de que
suas ações não serão bem-sucedidas ou que está entrando por um
caminho ruim, mas o leitor já tem essa consciência.
Exemplo: Em livros com narrador onisciente, que sabe tudo o
que se passa na história com todas as personagens, é mais fácil apa-
recer esse tipo de ironia. A peça como Romeu e Julieta, por exem-
plo, se inicia com a fala que relata que os protagonistas da história
irão morrer em decorrência do seu amor. As personagens agem ao
longo da peça esperando conseguir atingir seus objetivos, mas a
plateia já sabe que eles não serão bem-sucedidos.

2
LÍNGUA PORTUGUESA
Humor Uma interpretação de texto assertiva depende de inúmeros fa-
Nesse caso, é muito comum a utilização de situações que pare- tores. Muitas vezes, apressados, descuidamo-nos dos detalhes pre-
çam cômicas ou surpreendentes para provocar o efeito de humor. sentes em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz sufi-
Situações cômicas ou potencialmente humorísticas comparti- ciente. Interpretar exige paciência e, por isso, sempre releia o texto,
lham da característica do efeito surpresa. O humor reside em ocor- pois a segunda leitura pode apresentar aspectos surpreendentes
rer algo fora do esperado numa situação. que não foram observados previamente. Para auxiliar na busca de
Há diversas situações em que o humor pode aparecer. Há as ti- sentidos do texto, pode-se também retirar dele os tópicos frasais
rinhas e charges, que aliam texto e imagem para criar efeito cômico; presentes em cada parágrafo, isso certamente auxiliará na apre-
há anedotas ou pequenos contos; e há as crônicas, frequentemente ensão do conteúdo exposto. Lembre-se de que os parágrafos não
acessadas como forma de gerar o riso. estão organizados, pelo menos em um bom texto, de maneira alea-
Os textos com finalidade humorística podem ser divididos em tória, se estão no lugar que estão, é porque ali se fazem necessários,
quatro categorias: anedotas, cartuns, tiras e charges. estabelecendo uma relação hierárquica do pensamento defendido,
retomando ideias já citadas ou apresentando novos conceitos.
Exemplo: Concentre-se nas ideias que de fato foram explicitadas pelo au-
tor: os textos argumentativos não costumam conceder espaço para
divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas.
Devemos nos ater às ideias do autor, isso não quer dizer que você
precise ficar preso na superfície do texto, mas é fundamental que
não criemos, à revelia do autor, suposições vagas e inespecíficas.
Ler com atenção é um exercício que deve ser praticado à exaustão,
assim como uma técnica, que fará de nós leitores proficientes.

Diferença entre compreensão e interpretação


A compreensão de um texto é fazer uma análise objetiva do
texto e verificar o que realmente está escrito nele. Já a interpreta-
ção imagina o que as ideias do texto têm a ver com a realidade. O
leitor tira conclusões subjetivas do texto.

Gêneros Discursivos
Romance: descrição longa de ações e sentimentos de perso-
ANÁLISE E A INTERPRETAÇÃO DO TEXTO SEGUNDO O GÊ- nagens fictícios, podendo ser de comparação com a realidade ou
NERO EM QUE SE INSCREVE totalmente irreal. A diferença principal entre um romance e uma
Compreender um texto trata da análise e decodificação do que novela é a extensão do texto, ou seja, o romance é mais longo. No
de fato está escrito, seja das frases ou das ideias presentes. Inter- romance nós temos uma história central e várias histórias secun-
pretar um texto, está ligado às conclusões que se pode chegar ao dárias.
conectar as ideias do texto com a realidade. Interpretação trabalha
com a subjetividade, com o que se entendeu sobre o texto. Conto: obra de ficção onde é criado seres e locais totalmente
Interpretar um texto permite a compreensão de todo e qual- imaginário. Com linguagem linear e curta, envolve poucas perso-
quer texto ou discurso e se amplia no entendimento da sua ideia nagens, que geralmente se movimentam em torno de uma única
principal. Compreender relações semânticas é uma competência ação, dada em um só espaço, eixo temático e conflito. Suas ações
imprescindível no mercado de trabalho e nos estudos. encaminham-se diretamente para um desfecho.
Quando não se sabe interpretar corretamente um texto pode-
-se criar vários problemas, afetando não só o desenvolvimento pro- Novela: muito parecida com o conto e o romance, diferencia-
fissional, mas também o desenvolvimento pessoal. do por sua extensão. Ela fica entre o conto e o romance, e tem a
história principal, mas também tem várias histórias secundárias. O
Busca de sentidos tempo na novela é baseada no calendário. O tempo e local são de-
Para a busca de sentidos do texto, pode-se retirar do mesmo finidos pelas histórias dos personagens. A história (enredo) tem um
os tópicos frasais presentes em cada parágrafo. Isso auxiliará na ritmo mais acelerado do que a do romance por ter um texto mais
apreensão do conteúdo exposto. curto.
Isso porque é ali que se fazem necessários, estabelecem uma
relação hierárquica do pensamento defendido, retomando ideias já Crônica: texto que narra o cotidiano das pessoas, situações que
citadas ou apresentando novos conceitos. nós mesmos já vivemos e normalmente é utilizado a ironia para
Por fim, concentre-se nas ideias que realmente foram explici- mostrar um outro lado da mesma história. Na crônica o tempo não
tadas pelo autor. Textos argumentativos não costumam conceder é relevante e quando é citado, geralmente são pequenos intervalos
espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas como horas ou mesmo minutos.
entrelinhas. Deve-seater às ideias do autor, o que não quer dizer
que o leitor precise ficar preso na superfície do texto, mas é fun- Poesia: apresenta um trabalho voltado para o estudo da lin-
damental que não sejam criadas suposições vagas e inespecíficas. guagem, fazendo-o de maneira particular, refletindo o momento,
a vida dos homens através de figuras que possibilitam a criação de
Importância da interpretação imagens.
A prática da leitura, seja por prazer, para estudar ou para se
informar, aprimora o vocabulário e dinamiza o raciocínio e a inter-
pretação. A leitura, além de favorecer o aprendizado de conteúdos
específicos, aprimora a escrita.

3
LÍNGUA PORTUGUESA
Editorial: texto dissertativo argumentativo onde expressa a Muitas vezes, a interpretação já traz implícita uma opinião.
opinião do editor através de argumentos e fatos sobre um assunto Por exemplo, quando se mencionam com ênfase consequên-
que está sendo muito comentado (polêmico). Sua intenção é con- cias negativas que podem advir de um fato, se enaltecem previsões
vencer o leitor a concordar com ele. positivas ou se faz um comentário irônico na interpretação, já esta-
mos expressando nosso julgamento.
Entrevista: texto expositivo e é marcado pela conversa de um É muito importante saber a diferença entre o fato e opinião,
entrevistador e um entrevistado para a obtenção de informações. principalmente quando debatemos um tema polêmico ou quando
Tem como principal característica transmitir a opinião de pessoas analisamos um texto dissertativo.
de destaque sobre algum assunto de interesse.
Exemplo:
Cantiga de roda: gênero empírico, que na escola se materiali- A mãe viajou e deixou a filha só. Nem deve estar se importando
za em uma concretude da realidade. A cantiga de roda permite as com o sofrimento da filha.
crianças terem mais sentido em relação a leitura e escrita, ajudando
os professores a identificar o nível de alfabetização delas. ESTRUTURAÇÃO DO TEXTO E DOS PARÁGRAFOS
Uma boa redação é dividida em ideias relacionadas entre si
Receita: texto instrucional e injuntivo que tem como objetivo ajustadas a uma ideia central que norteia todo o pensamento do
de informar, aconselhar, ou seja, recomendam dando uma certa li- texto. Um dos maiores problemas nas redações é estruturar as
berdade para quem recebe a informação. ideias para fazer com que o leitor entenda o que foi dito no texto.
Fazer uma estrutura no texto para poder guiar o seu pensamento
DISTINÇÃO DE FATO E OPINIÃO SOBRE ESSE FATO e o do leitor.
Parágrafo
Fato O parágrafo organizado em torno de uma ideia-núcleo, que é
O fato é algo que aconteceu ou está acontecendo. A existência desenvolvida por ideias secundárias. O parágrafo pode ser forma-
do fato pode ser constatada de modo indiscutível. O fato pode é do por uma ou mais frases, sendo seu tamanho variável. No texto
uma coisa que aconteceu e pode ser comprovado de alguma manei- dissertativo-argumentativo, os parágrafos devem estar todos rela-
ra, através de algum documento, números, vídeo ou registro. cionados com a tese ou ideia principal do texto, geralmente apre-
Exemplo de fato: sentada na introdução.
A mãe foi viajar.
Embora existam diferentes formas de organização de parágra-
Interpretação fos, os textos dissertativo-argumentativos e alguns gêneros jornalís-
É o ato de dar sentido ao fato, de entendê-lo. Interpretamos ticos apresentam uma estrutura-padrão. Essa estrutura consiste em
quando relacionamos fatos, os comparamos, buscamos suas cau- três partes: a ideia-núcleo, as ideias secundárias (que desenvolvem
sas, previmos suas consequências. a ideia-núcleo) e a conclusão (que reafirma a ideia-básica). Em pa-
Entre o fato e sua interpretação há uma relação lógica: se apon- rágrafos curtos, é raro haver conclusão.
tamos uma causa ou consequência, é necessário que seja plausível.
Se comparamos fatos, é preciso que suas semelhanças ou diferen- Introdução: faz uma rápida apresentação do assunto e já traz
ças sejam detectáveis. uma ideia da sua posição no texto, é normalmente aqui que você
irá identificar qual o problema do texto, o porque ele está sendo
Exemplos de interpretação: escrito. Normalmente o tema e o problema são dados pela própria
A mãe foi viajar porque considerou importante estudar em ou- prova.
tro país.
A mãe foi viajar porque se preocupava mais com sua profissão Desenvolvimento: elabora melhor o tema com argumentos e
do que com a filha. ideias que apoiem o seu posicionamento sobre o assunto. É possí-
vel usar argumentos de várias formas, desde dados estatísticos até
Opinião citações de pessoas que tenham autoridade no assunto.
A opinião é a avaliação que se faz de um fato considerando um
juízo de valor. É um julgamento que tem como base a interpretação Conclusão: faz uma retomada breve de tudo que foi abordado
que fazemos do fato. e conclui o texto. Esta última parte pode ser feita de várias maneiras
Nossas opiniões costumam ser avaliadas pelo grau de coerên- diferentes, é possível deixar o assunto ainda aberto criando uma
cia que mantêm com a interpretação do fato. É uma interpretação pergunta reflexiva, ou concluir o assunto com as suas próprias con-
do fato, ou seja, um modo particular de olhar o fato. Esta opinião clusões a partir das ideias e argumentos do desenvolvimento.
pode alterar de pessoa para pessoa devido a fatores socioculturais.
Outro aspecto que merece especial atenção são os conecto-
Exemplos de opiniões que podem decorrer das interpretações res. São responsáveis pela coesão do texto e tornam a leitura mais
anteriores: fluente, visando estabelecer um encadeamento lógico entre as
A mãe foi viajar porque considerou importante estudar em ou- ideias e servem de ligação entre o parágrafo, ou no interior do perí-
tro país. Ela tomou uma decisão acertada. odo, e o tópico que o antecede.
A mãe foi viajar porque se preocupava mais com sua profissão Saber usá-los com precisão, tanto no interior da frase, quanto
do que com a filha. Ela foi egoísta. ao passar de um enunciado para outro, é uma exigência também
para a clareza do texto.
Sem os conectores (pronomes relativos, conjunções, advér-
bios, preposições, palavras denotativas) as ideias não fluem, muitas
vezes o pensamento não se completa, e o texto torna-se obscuro,
sem coerência.

4
LÍNGUA PORTUGUESA
Esta estrutura é uma das mais utilizadas em textos argumenta- Gíria
tivos, e por conta disso é mais fácil para os leitores. A gíria relaciona-se ao cotidiano de certos grupos sociais como
Existem diversas formas de se estruturar cada etapa dessa es- arma de defesa contra as classes dominantes. Esses grupos utilizam
trutura de texto, entretanto, apenas segui-la já leva ao pensamento a gíria como meio de expressão do cotidiano, para que as mensa-
mais direto. gens sejam decodificadas apenas por eles mesmos.
Assim a gíria é criada por determinados grupos que divulgam
NÍVEIS DE LINGUAGEM o palavreado para outros grupos até chegar à mídia. Os meios de
comunicação de massa, como a televisão e o rádio, propagam os
Definição de linguagem novos vocábulos, às vezes, também inventam alguns. A gíria pode
Linguagem é qualquer meio sistemático de comunicar ideias acabar incorporada pela língua oficial, permanecer no vocabulário
ou sentimentos através de signos convencionais, sonoros, gráficos, de pequenos grupos ou cair em desuso.
gestuais etc. A linguagem é individual e flexível e varia dependendo Ex.: “chutar o pau da barraca”, “viajar na maionese”, “galera”,
da idade, cultura, posição social, profissão etc. A maneira de arti- “mina”, “tipo assim”.
cular as palavras, organizá-las na frase, no texto, determina nossa
linguagem, nosso estilo (forma de expressão pessoal). Linguagem vulgar
As inovações linguísticas, criadas pelo falante, provocam, com Existe uma linguagem vulgar relacionada aos que têm pouco
o decorrer do tempo, mudanças na estrutura da língua, que só as ou nenhum contato com centros civilizados. Na linguagem vulgar
incorpora muito lentamente, depois de aceitas por todo o grupo há estruturas com “nóis vai, lá”, “eu di um beijo”, “Ponhei sal na
social. Muitas novidades criadas na linguagem não vingam na língua comida”.
e caem em desuso.
Língua escrita e língua falada Linguagem regional
A língua escrita não é a simples reprodução gráfica da língua Regionalismos são variações geográficas do uso da língua pa-
falada, por que os sinais gráficos não conseguem registrar grande drão, quanto às construções gramaticais e empregos de certas pala-
parte dos elementos da fala, como o timbre da voz, a entonação, e vras e expressões. Há, no Brasil, por exemplo, os falares amazônico,
ainda os gestos e a expressão facial. Na realidade a língua falada é nordestino, baiano, fluminense, mineiro, sulino.
mais descontraída, espontânea e informal, porque se manifesta na Tipos e genêros textuais
conversação diária, na sensibilidade e na liberdade de expressão Os tipos textuais configuram-se como modelos fixos e abran-
do falante. Nessas situações informais, muitas regras determinadas gentes que objetivam a distinção e definição da estrutura, bem
pela língua padrão são quebradas em nome da naturalidade, da li- como aspectos linguísticos de narração, dissertação, descrição e
berdade de expressão e da sensibilidade estilística do falante. explicação. Eles apresentam estrutura definida e tratam da forma
como um texto se apresenta e se organiza. Existem cinco tipos clás-
Linguagem popular e linguagem culta sicos que aparecem em provas: descritivo, injuntivo, expositivo (ou
Podem valer-se tanto da linguagem popular quanto da lingua- dissertativo-expositivo) dissertativo e narrativo. Vejamos alguns
gem culta. Obviamente a linguagem popular é mais usada na fala, exemplos e as principais características de cada um deles.
nas expressões orais cotidianas. Porém, nada impede que ela esteja
presente em poesias (o Movimento Modernista Brasileiro procurou Tipo textual descritivo
valorizar a linguagem popular), contos, crônicas e romances em que A descrição é uma modalidade de composição textual cujo
o diálogo é usado para representar a língua falada. objetivo é fazer um retrato por escrito (ou não) de um lugar, uma
pessoa, um animal, um pensamento, um sentimento, um objeto,
Linguagem Popular ou Coloquial um movimento etc.
Usada espontânea e fluentemente pelo povo. Mostra-se quase Características principais:
sempre rebelde à norma gramatical e é carregada de vícios de lin- • Os recursos formais mais encontrados são os de valor adje-
guagem (solecismo – erros de regência e concordância; barbarismo tivo (adjetivo, locução adjetiva e oração adjetiva), por sua função
– erros de pronúncia, grafia e flexão; ambiguidade; cacofonia; pleo- caracterizadora.
nasmo), expressões vulgares, gírias e preferência pela coordenação, • Há descrição objetiva e subjetiva, normalmente numa enu-
que ressalta o caráter oral e popular da língua. A linguagem popular meração.
está presente nas conversas familiares ou entre amigos, anedotas, • A noção temporal é normalmente estática.
irradiação de esportes, programas de TV e auditório, novelas, na • Normalmente usam-se verbos de ligação para abrir a defini-
expressão dos esta dos emocionais etc. ção.
• Normalmente aparece dentro de um texto narrativo.
A Linguagem Culta ou Padrão • Os gêneros descritivos mais comuns são estes: manual, anún-
É a ensinada nas escolas e serve de veículo às ciências em que cio, propaganda, relatórios, biografia, tutorial.
se apresenta com terminologia especial. É usada pelas pessoas ins-
truídas das diferentes classes sociais e caracteriza-se pela obediên- Exemplo:
cia às normas gramaticais. Mais comumente usada na linguagem Era uma casa muito engraçada
escrita e literária, reflete prestígio social e cultural. É mais artificial, Não tinha teto, não tinha nada
mais estável, menos sujeita a variações. Está presente nas aulas, Ninguém podia entrar nela, não
conferências, sermões, discursos políticos, comunicações científi- Porque na casa não tinha chão
cas, noticiários de TV, programas culturais etc. Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
Na rua dos bobos, número zero

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LÍNGUA PORTUGUESA
(Vinícius de Moraes) Características principais:
• Presença de estrutura básica (introdução, desenvolvimento
TIPO TEXTUAL INJUNTIVO e conclusão): ideia principal do texto (tese); argumentos (estraté-
A injunção indica como realizar uma ação, aconselha, impõe, gias argumentativas: causa-efeito, dados estatísticos, testemunho
instrui o interlocutor. Chamado também de texto instrucional, o de autoridade, citações, confronto, comparação, fato, exemplo,
tipo de texto injuntivo é utilizado para predizer acontecimentos e enumeração...); conclusão (síntese dos pontos principais com su-
comportamentos, nas leis jurídicas. gestão/solução).
• Utiliza verbos na 1ª pessoa (normalmente nas argumentações
Características principais: informais) e na 3ª pessoa do presente do indicativo (normalmente
• Normalmente apresenta frases curtas e objetivas, com ver- nas argumentações formais) para imprimir uma atemporalidade e
bos de comando, com tom imperativo; há também o uso do futuro um caráter de verdade ao que está sendo dito.
do presente (10 mandamentos bíblicos e leis diversas). • Privilegiam-se as estruturas impessoais, com certas modali-
• Marcas de interlocução: vocativo, verbos e pronomes de 2ª zações discursivas (indicando noções de possibilidade, certeza ou
pessoa ou 1ª pessoa do plural, perguntas reflexivas etc. probabilidade) em vez de juízos de valor ou sentimentos exaltados.
• Há um cuidado com a progressão temática, isto é, com o de-
Exemplo: senvolvimento coerente da ideia principal, evitando-se rodeios.
Impedidos do Alistamento Eleitoral (art. 5º do Código Eleito-
ral) – Não podem alistar-se eleitores: os que não saibam exprimir-se Exemplo:
na língua nacional, e os que estejam privados, temporária ou defi- A maioria dos problemas existentes em um país em desenvol-
nitivamente dos direitos políticos. Os militares são alistáveis, desde vimento, como o nosso, podem ser resolvidos com uma eficiente
que oficiais, aspirantes a oficiais, guardas-marinha, subtenentes ou administração política (tese), porque a força governamental certa-
suboficiais, sargentos ou alunos das escolas militares de ensino su- mente se sobrepõe a poderes paralelos, os quais – por negligência
perior para formação de oficiais. de nossos representantes – vêm aterrorizando as grandes metró-
poles. Isso ficou claro no confronto entre a força militar do RJ e os
traficantes, o que comprovou uma verdade simples: se for do desejo
Tipo textual expositivo dos políticos uma mudança radical visando o bem-estar da popula-
A dissertação é o ato de apresentar ideias, desenvolver racio- ção, isso é plenamente possível (estratégia argumentativa: fato-
cínio, analisar contextos, dados e fatos, por meio de exposição, -exemplo). É importante salientar, portanto, que não devemos ficar
discussão, argumentação e defesa do que pensamos. A dissertação de mãos atadas à espera de uma atitude do governo só quando o
pode ser expositiva ou argumentativa. caos se estabelece; o povo tem e sempre terá de colaborar com uma
A dissertação-expositiva é caracterizada por esclarecer um as- cobrança efetiva (conclusão).
sunto de maneira atemporal, com o objetivo de explicá-lo de ma-
neira clara, sem intenção de convencer o leitor ou criar debate. Tipo textual narrativo
O texto narrativo é uma modalidade textual em que se conta
Características principais: um fato, fictício ou não, que ocorreu num determinado tempo e lu-
• Apresenta introdução, desenvolvimento e conclusão. gar, envolvendo certos personagens. Toda narração tem um enredo,
• O objetivo não é persuadir, mas meramente explicar, infor- personagens, tempo, espaço e narrador (ou foco narrativo).
mar.
• Normalmente a marca da dissertação é o verbo no presente. Características principais:
• Amplia-se a ideia central, mas sem subjetividade ou defesa • O tempo verbal predominante é o passado.
de ponto de vista. • Foco narrativo com narrador de 1ª pessoa (participa da his-
• Apresenta linguagem clara e imparcial. tória – onipresente) ou de 3ª pessoa (não participa da história –
onisciente).
Exemplo: • Normalmente, nos concursos públicos, o texto aparece em
O texto dissertativo consiste na ampliação, na discussão, no prosa, não em verso.
questionamento, na reflexão, na polemização, no debate, na ex-
pressão de um ponto de vista, na explicação a respeito de um de- Exemplo:
terminado tema. Solidão
Existem dois tipos de dissertação bem conhecidos: a disserta- João era solteiro, vivia só e era feliz. Na verdade, a solidão era
ção expositiva (ou informativa) e a argumentativa (ou opinativa). o que o tornava assim. Conheceu Maria, também solteira, só e fe-
Portanto, pode-se dissertar simplesmente explicando um as- liz. Tão iguais, a afinidade logo se transforma em paixão. Casam-se.
sunto, imparcialmente, ou discutindo-o, parcialmente. Dura poucas semanas. Não havia mesmo como dar certo: ao se uni-
rem, um tirou do outro a essência da felicidade.
Tipo textual dissertativo-argumentativo Nelson S. Oliveira
Este tipo de texto — muito frequente nas provas de concur- Fonte: https://www.recantodasletras.com.br/contossurre-
sos — apresenta posicionamentos pessoais e exposição de ideias ais/4835684
apresentadas de forma lógica. Com razoável grau de objetividade,
clareza, respeito pelo registro formal da língua e coerência, seu in-
tuito é a defesa de um ponto de vista que convença o interlocutor
(leitor ou ouvinte).

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LÍNGUA PORTUGUESA
GÊNEROS TEXTUAIS Grosso modo, a intertextualidade é o diálogo entre textos, de
Já os gêneros textuais (ou discursivos) são formas diferentes forma que essa relação pode ser estabelecida entre as produções
de expressão comunicativa. As muitas formas de elaboração de um textuais que apresentem diversas linguagens (visual, auditiva, escri-
texto se tornam gêneros, de acordo com a intenção do seu pro- ta), sendo expressa nas artes (literatura, pintura, escultura, música,
dutor. Logo, os gêneros apresentam maior diversidade e exercem dança, cinema), propagandas publicitárias, programas televisivos,
funções sociais específicas, próprias do dia a dia. Ademais, são pas- provérbios, charges, dentre outros.
síveis de modificações ao longo do tempo, mesmo que preservan-
do características preponderantes. Vejamos, agora, uma tabela que Tipos de Intertextualidade
apresenta alguns gêneros textuais classificados com os tipos textu- • Paródia: perversão do texto anterior que aparece geralmen-
ais que neles predominam. te, em forma de crítica irônica de caráter humorístico. Do grego
(parodès), a palavra “paródia” é formada pelos termos “para” (se-
Tipo Textual Predominante Gêneros Textuais melhante) e “odes” (canto), ou seja, “um canto (poesia) semelhante
a outro”. Esse recurso é muito utilizado pelos programas humorís-
Descritivo Diário ticos.
Relatos (viagens, históricos, etc.) • Paráfrase: recriação de um texto já existente mantendo a
Biografia e autobiografia mesma ideia contida no texto original, entretanto, com a utilização
Notícia de outras palavras. O vocábulo “paráfrase”, do grego (paraphrasis),
Currículo significa a “repetição de uma sentença”.
Lista de compras • Epígrafe: recurso bastante utilizado em obras e textos cientí-
Cardápio ficos. Consiste no acréscimo de uma frase ou parágrafo que tenha
Anúncios de classificados alguma relação com o que será discutido no texto. Do grego, o ter-
Injuntivo Receita culinária mo “epígrafhe” é formado pelos vocábulos “epi” (posição superior)
Bula de remédio e “graphé” (escrita).
Manual de instruções • Citação: Acréscimo de partes de outras obras numa produção
Regulamento textual, de forma que dialoga com ele; geralmente vem expressa
Textos prescritivos entre aspas e itálico, já que se trata da enunciação de outro autor.
Esse recurso é importante haja vista que sua apresentação sem re-
Expositivo Seminários lacionar a fonte utilizada é considerado “plágio”. Do Latim, o termo
Palestras “citação” (citare) significa convocar.
Conferências • Alusão: Faz referência aos elementos presentes em outros
Entrevistas textos. Do Latim, o vocábulo “alusão” (alludere) é formado por dois
Trabalhos acadêmicos termos: “ad” (a, para) e “ludere” (brincar).
Enciclopédia • Outras formas de intertextualidade menos discutidas são o
Verbetes de dicionários pastiche, o sample, a tradução e a bricolagem.
Dissertativo-argumentativo Editorial Jornalístico
Carta de opinião ARGUMENTAÇÃO
Resenha O ato de comunicação não visa apenas transmitir uma informa-
Artigo ção a alguém. Quem comunica pretende criar uma imagem positiva
Ensaio de si mesmo (por exemplo, a de um sujeito educado, ou inteligente,
Monografia, dissertação de ou culto), quer ser aceito, deseja que o que diz seja admitido como
mestrado e tese de doutorado verdadeiro. Em síntese, tem a intenção de convencer, ou seja, tem
o desejo de que o ouvinte creia no que o texto diz e faça o que ele
Narrativo Romance
propõe.
Novela
Se essa é a finalidade última de todo ato de comunicação, todo
Crônica
texto contém um componente argumentativo. A argumentação é o
Contos de Fada
conjunto de recursos de natureza linguística destinados a persuadir
Fábula
a pessoa a quem a comunicação se destina. Está presente em todo
Lendas
tipo de texto e visa a promover adesão às teses e aos pontos de
vista defendidos.
Sintetizando: os tipos textuais são fixos, finitos e tratam da for- As pessoas costumam pensar que o argumento seja apenas
ma como o texto se apresenta. Os gêneros textuais são fluidos, infi- uma prova de verdade ou uma razão indiscutível para comprovar a
nitos e mudam de acordo com a demanda social. veracidade de um fato. O argumento é mais que isso: como se disse
acima, é um recurso de linguagem utilizado para levar o interlocu-
INTERTEXTUALIDADE tor a crer naquilo que está sendo dito, a aceitar como verdadeiro o
A intertextualidade é um recurso realizado entre textos, ou que está sendo transmitido. A argumentação pertence ao domínio
seja, é a influência e relação que um estabelece sobre o outro. As- da retórica, arte de persuadir as pessoas mediante o uso de recur-
sim, determina o fenômeno relacionado ao processo de produção sos de linguagem.
de textos que faz referência (explícita ou implícita) aos elementos Para compreender claramente o que é um argumento, é bom
existentes em outro texto, seja a nível de conteúdo, forma ou de voltar ao que diz Aristóteles, filósofo grego do século IV a.C., numa
ambos: forma e conteúdo. obra intitulada “Tópicos: os argumentos são úteis quando se tem de
escolher entre duas ou mais coisas”.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Se tivermos de escolher entre uma coisa vantajosa e uma des- Tipos de Argumento
vantajosa, como a saúde e a doença, não precisamos argumentar. Já verificamos que qualquer recurso linguístico destinado a fa-
Suponhamos, no entanto, que tenhamos de escolher entre duas zer o interlocutor dar preferência à tese do enunciador é um argu-
coisas igualmente vantajosas, a riqueza e a saúde. Nesse caso, pre- mento. Exemplo:
cisamos argumentar sobre qual das duas é mais desejável. O argu-
mento pode então ser definido como qualquer recurso que torna Argumento de Autoridade
uma coisa mais desejável que outra. Isso significa que ele atua no É a citação, no texto, de afirmações de pessoas reconhecidas
domínio do preferível. Ele é utilizado para fazer o interlocutor crer pelo auditório como autoridades em certo domínio do saber, para
que, entre duas teses, uma é mais provável que a outra, mais pos- servir de apoio àquilo que o enunciador está propondo. Esse recur-
sível que a outra, mais desejável que a outra, é preferível à outra. so produz dois efeitos distintos: revela o conhecimento do produtor
O objetivo da argumentação não é demonstrar a verdade de do texto a respeito do assunto de que está tratando; dá ao texto a
um fato, mas levar o ouvinte a admitir como verdadeiro o que o garantia do autor citado. É preciso, no entanto, não fazer do texto
enunciador está propondo. um amontoado de citações. A citação precisa ser pertinente e ver-
Há uma diferença entre o raciocínio lógico e a argumentação. dadeira. Exemplo:
O primeiro opera no domínio do necessário, ou seja, pretende “A imaginação é mais importante do que o conhecimento.”
demonstrar que uma conclusão deriva necessariamente das pre-
missas propostas, que se deduz obrigatoriamente dos postulados Quem disse a frase aí de cima não fui eu... Foi Einstein. Para
admitidos. No raciocínio lógico, as conclusões não dependem de ele, uma coisa vem antes da outra: sem imaginação, não há conhe-
crenças, de uma maneira de ver o mundo, mas apenas do encadea- cimento. Nunca o inverso.
mento de premissas e conclusões. Alex José Periscinoto.
Por exemplo, um raciocínio lógico é o seguinte encadeamento: In: Folha de S. Paulo, 30/8/1993, p. 5-2
A é igual a B.
A é igual a C. A tese defendida nesse texto é que a imaginação é mais impor-
Então: C é igual a A. tante do que o conhecimento. Para levar o auditório a aderir a ela,
o enunciador cita um dos mais célebres cientistas do mundo. Se
Admitidos os dois postulados, a conclusão é, obrigatoriamente, um físico de renome mundial disse isso, então as pessoas devem
que C é igual a A. acreditar que é verdade.
Outro exemplo:
Todo ruminante é um mamífero. Argumento de Quantidade
A vaca é um ruminante. É aquele que valoriza mais o que é apreciado pelo maior nú-
Logo, a vaca é um mamífero. mero de pessoas, o que existe em maior número, o que tem maior
duração, o que tem maior número de adeptos, etc. O fundamento
Admitidas como verdadeiras as duas premissas, a conclusão desse tipo de argumento é que mais = melhor. A publicidade faz
também será verdadeira. largo uso do argumento de quantidade.
No domínio da argumentação, as coisas são diferentes. Nele,
a conclusão não é necessária, não é obrigatória. Por isso, deve-se Argumento do Consenso
mostrar que ela é a mais desejável, a mais provável, a mais plau- É uma variante do argumento de quantidade. Fundamenta-se
sível. Se o Banco do Brasil fizer uma propaganda dizendo-se mais em afirmações que, numa determinada época, são aceitas como
confiável do que os concorrentes porque existe desde a chegada verdadeiras e, portanto, dispensam comprovações, a menos que o
da família real portuguesa ao Brasil, ele estará dizendo-nos que um objetivo do texto seja comprovar alguma delas. Parte da ideia de
banco com quase dois séculos de existência é sólido e, por isso, con- que o consenso, mesmo que equivocado, corresponde ao indiscu-
fiável. Embora não haja relação necessária entre a solidez de uma tível, ao verdadeiro e, portanto, é melhor do que aquilo que não
instituição bancária e sua antiguidade, esta tem peso argumentati- desfruta dele. Em nossa época, são consensuais, por exemplo, as
vo na afirmação da confiabilidade de um banco. Portanto é provável afirmações de que o meio ambiente precisa ser protegido e de que
que se creia que um banco mais antigo seja mais confiável do que as condições de vida são piores nos países subdesenvolvidos. Ao
outro fundado há dois ou três anos. confiar no consenso, porém, corre-se o risco de passar dos argu-
Enumerar todos os tipos de argumentos é uma tarefa quase mentos válidos para os lugares comuns, os preconceitos e as frases
impossível, tantas são as formas de que nos valemos para fazer as carentes de qualquer base científica.
pessoas preferirem uma coisa a outra. Por isso, é importante enten-
der bem como eles funcionam. Argumento de Existência
Já vimos diversas características dos argumentos. É preciso É aquele que se fundamenta no fato de que é mais fácil aceitar
acrescentar mais uma: o convencimento do interlocutor, o auditó- aquilo que comprovadamente existe do que aquilo que é apenas
rio, que pode ser individual ou coletivo, será tanto mais fácil quanto provável, que é apenas possível. A sabedoria popular enuncia o ar-
mais os argumentos estiverem de acordo com suas crenças, suas gumento de existência no provérbio “Mais vale um pássaro na mão
expectativas, seus valores. Não se pode convencer um auditório do que dois voando”.
pertencente a uma dada cultura enfatizando coisas que ele abomi- Nesse tipo de argumento, incluem-se as provas documentais
na. Será mais fácil convencê-lo valorizando coisas que ele considera (fotos, estatísticas, depoimentos, gravações, etc.) ou provas concre-
positivas. No Brasil, a publicidade da cerveja vem com frequência tas, que tornam mais aceitável uma afirmação genérica. Durante
associada ao futebol, ao gol, à paixão nacional. Nos Estados Unidos, a invasão do Iraque, por exemplo, os jornais diziam que o exérci-
essa associação certamente não surtiria efeito, porque lá o futebol to americano era muito mais poderoso do que o iraquiano. Essa
não é valorizado da mesma forma que no Brasil. O poder persuasivo afirmação, sem ser acompanhada de provas concretas, poderia ser
de um argumento está vinculado ao que é valorizado ou desvalori- vista como propagandística. No entanto, quando documentada pela
zado numa dada cultura. comparação do número de canhões, de carros de combate, de na-
vios, etc., ganhava credibilidade.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Argumento quase lógico O enunciador aí pretende ressaltar a ideia geral de que noras
É aquele que opera com base nas relações lógicas, como causa e sogras não se toleram. Não fosse assim, não teria escolhido esse
e efeito, analogia, implicação, identidade, etc. Esses raciocínios são fato para ilustrar o clima da festa nem teria utilizado o termo até,
chamados quase lógicos porque, diversamente dos raciocínios lógi- que serve para incluir no argumento alguma coisa inesperada.
cos, eles não pretendem estabelecer relações necessárias entre os Além dos defeitos de argumentação mencionados quando tra-
elementos, mas sim instituir relações prováveis, possíveis, plausí- tamos de alguns tipos de argumentação, vamos citar outros:
veis. Por exemplo, quando se diz “A é igual a B”, “B é igual a C”, “en- - Uso sem delimitação adequada de palavra de sentido tão am-
tão A é igual a C”, estabelece-se uma relação de identidade lógica. plo, que serve de argumento para um ponto de vista e seu contrá-
Entretanto, quando se afirma “Amigo de amigo meu é meu amigo” rio. São noções confusas, como paz, que, paradoxalmente, pode ser
não se institui uma identidade lógica, mas uma identidade provável. usada pelo agressor e pelo agredido. Essas palavras podem ter valor
Um texto coerente do ponto de vista lógico é mais facilmente positivo (paz, justiça, honestidade, democracia) ou vir carregadas
aceito do que um texto incoerente. Vários são os defeitos que con- de valor negativo (autoritarismo, degradação do meio ambiente,
correm para desqualificar o texto do ponto de vista lógico: fugir do injustiça, corrupção).
tema proposto, cair em contradição, tirar conclusões que não se - Uso de afirmações tão amplas, que podem ser derrubadas por
fundamentam nos dados apresentados, ilustrar afirmações gerais um único contra exemplo. Quando se diz “Todos os políticos são
com fatos inadequados, narrar um fato e dele extrair generalizações ladrões”, basta um único exemplo de político honesto para destruir
indevidas. o argumento.
- Emprego de noções científicas sem nenhum rigor, fora do con-
Argumento do Atributo texto adequado, sem o significado apropriado, vulgarizando-as e
É aquele que considera melhor o que tem propriedades típi- atribuindo-lhes uma significação subjetiva e grosseira. É o caso, por
cas daquilo que é mais valorizado socialmente, por exemplo, o mais exemplo, da frase “O imperialismo de certas indústrias não permite
raro é melhor que o comum, o que é mais refinado é melhor que o que outras crescam”, em que o termo imperialismo é descabido,
que é mais grosseiro, etc. uma vez que, a rigor, significa “ação de um Estado visando a reduzir
Por esse motivo, a publicidade usa, com muita frequência, ce- outros à sua dependência política e econômica”.
lebridades recomendando prédios residenciais, produtos de beleza,
alimentos estéticos, etc., com base no fato de que o consumidor A boa argumentação é aquela que está de acordo com a situa-
tende a associar o produto anunciado com atributos da celebrida- ção concreta do texto, que leva em conta os componentes envolvi-
de. dos na discussão (o tipo de pessoa a quem se dirige a comunicação,
Uma variante do argumento de atributo é o argumento da o assunto, etc).
competência linguística. A utilização da variante culta e formal da Convém ainda alertar que não se convence ninguém com mani-
língua que o produtor do texto conhece a norma linguística social- festações de sinceridade do autor (como eu, que não costumo men-
mente mais valorizada e, por conseguinte, deve produzir um texto
tir...) ou com declarações de certeza expressas em fórmulas feitas
em que se pode confiar. Nesse sentido é que se diz que o modo de
(como estou certo, creio firmemente, é claro, é óbvio, é evidente,
dizer dá confiabilidade ao que se diz.
afirmo com toda a certeza, etc). Em vez de prometer, em seu texto,
Imagine-se que um médico deva falar sobre o estado de saúde
sinceridade e certeza, autenticidade e verdade, o enunciador deve
de uma personalidade pública. Ele poderia fazê-lo das duas manei-
construir um texto que revele isso. Em outros termos, essas quali-
ras indicadas abaixo, mas a primeira seria infinitamente mais ade-
dades não se prometem, manifestam-se na ação.
quada para a persuasão do que a segunda, pois esta produziria certa
A argumentação é a exploração de recursos para fazer parecer
estranheza e não criaria uma imagem de competência do médico:
verdadeiro aquilo que se diz num texto e, com isso, levar a pessoa a
- Para aumentar a confiabilidade do diagnóstico e levando em
que texto é endereçado a crer naquilo que ele diz.
conta o caráter invasivo de alguns exames, a equipe médica houve
por bem determinar o internamento do governador pelo período Um texto dissertativo tem um assunto ou tema e expressa um
de três dias, a partir de hoje, 4 de fevereiro de 2001. ponto de vista, acompanhado de certa fundamentação, que inclui
- Para conseguir fazer exames com mais cuidado e porque al- a argumentação, questionamento, com o objetivo de persuadir. Ar-
guns deles são barrapesada, a gente botou o governador no hospi- gumentar é o processo pelo qual se estabelecem relações para che-
tal por três dias. gar à conclusão, com base em premissas. Persuadir é um processo
de convencimento, por meio da argumentação, no qual procura-se
Como dissemos antes, todo texto tem uma função argumen- convencer os outros, de modo a influenciar seu pensamento e seu
tativa, porque ninguém fala para não ser levado a sério, para ser comportamento.
ridicularizado, para ser desmentido: em todo ato de comunicação A persuasão pode ser válida e não válida. Na persuasão váli-
deseja-se influenciar alguém. Por mais neutro que pretenda ser, um da, expõem-se com clareza os fundamentos de uma ideia ou pro-
texto tem sempre uma orientação argumentativa. posição, e o interlocutor pode questionar cada passo do raciocínio
A orientação argumentativa é uma certa direção que o falante empregado na argumentação. A persuasão não válida apoia-se em
traça para seu texto. Por exemplo, um jornalista, ao falar de um argumentos subjetivos, apelos subliminares, chantagens sentimen-
homem público, pode ter a intenção de criticá-lo, de ridicularizá-lo tais, com o emprego de “apelações”, como a inflexão de voz, a mí-
ou, ao contrário, de mostrar sua grandeza. mica e até o choro.
O enunciador cria a orientação argumentativa de seu texto Alguns autores classificam a dissertação em duas modalidades,
dando destaque a uns fatos e não a outros, omitindo certos episó- expositiva e argumentativa. Esta, exige argumentação, razões a fa-
dios e revelando outros, escolhendo determinadas palavras e não vor e contra uma ideia, ao passo que a outra é informativa, apresen-
outras, etc. Veja: ta dados sem a intenção de convencer. Na verdade, a escolha dos
“O clima da festa era tão pacífico que até sogras e noras troca- dados levantados, a maneira de expô-los no texto já revelam uma
vam abraços afetuosos.” “tomada de posição”, a adoção de um ponto de vista na disserta-
ção, ainda que sem a apresentação explícita de argumentos. Desse

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LÍNGUA PORTUGUESA
ponto de vista, a dissertação pode ser definida como discussão, de- Há dois métodos fundamentais de raciocínio: a dedução (silo-
bate, questionamento, o que implica a liberdade de pensamento, a gística), que parte do geral para o particular, e a indução, que vai do
possibilidade de discordar ou concordar parcialmente. A liberdade particular para o geral. A expressão formal do método dedutivo é o
de questionar é fundamental, mas não é suficiente para organizar silogismo. A dedução é o caminho das consequências, baseia-se em
um texto dissertativo. É necessária também a exposição dos fun- uma conexão descendente (do geral para o particular) que leva à
damentos, os motivos, os porquês da defesa de um ponto de vista. conclusão. Segundo esse método, partindo-se de teorias gerais, de
Pode-se dizer que o homem vive em permanente atitude argu- verdades universais, pode-se chegar à previsão ou determinação de
mentativa. A argumentação está presente em qualquer tipo de dis- fenômenos particulares. O percurso do raciocínio vai da causa para
curso, porém, é no texto dissertativo que ela melhor se evidencia. o efeito. Exemplo:
Para discutir um tema, para confrontar argumentos e posições,
é necessária a capacidade de conhecer outros pontos de vista e Todo homem é mortal (premissa maior = geral, universal)
seus respectivos argumentos. Uma discussão impõe, muitas ve- Fulano é homem (premissa menor = particular)
zes, a análise de argumentos opostos, antagônicos. Como sempre, Logo, Fulano é mortal (conclusão)
essa capacidade aprende-se com a prática. Um bom exercício para
aprender a argumentar e contra-argumentar consiste em desenvol- A indução percorre o caminho inverso ao da dedução, baseia-
se em uma conexão ascendente, do particular para o geral. Nesse
ver as seguintes habilidades:
caso, as constatações particulares levam às leis gerais, ou seja, par-
- argumentação: anotar todos os argumentos a favor de uma
te de fatos particulares conhecidos para os fatos gerais, desconheci-
ideia ou fato; imaginar um interlocutor que adote a posição total-
dos. O percurso do raciocínio se faz do efeito para a causa. Exemplo:
mente contrária;
O calor dilata o ferro (particular)
- contra-argumentação: imaginar um diálogo-debate e quais os O calor dilata o bronze (particular)
argumentos que essa pessoa imaginária possivelmente apresenta- O calor dilata o cobre (particular)
ria contra a argumentação proposta; O ferro, o bronze, o cobre são metais
- refutação: argumentos e razões contra a argumentação opos- Logo, o calor dilata metais (geral, universal)
ta.
Quanto a seus aspectos formais, o silogismo pode ser válido
A argumentação tem a finalidade de persuadir, portanto, ar- e verdadeiro; a conclusão será verdadeira se as duas premissas
gumentar consiste em estabelecer relações para tirar conclusões também o forem. Se há erro ou equívoco na apreciação dos fatos,
válidas, como se procede no método dialético. O método dialético pode-se partir de premissas verdadeiras para chegar a uma conclu-
não envolve apenas questões ideológicas, geradoras de polêmicas. são falsa. Tem-se, desse modo, o sofisma. Uma definição inexata,
Trata-se de um método de investigação da realidade pelo estudo de uma divisão incompleta, a ignorância da causa, a falsa analogia são
sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno em ques- algumas causas do sofisma. O sofisma pressupõe má fé, intenção
tão e da mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade. deliberada de enganar ou levar ao erro; quando o sofisma não tem
Descartes (1596-1650), filósofo e pensador francês, criou o mé- essas intenções propositais, costuma-se chamar esse processo de
todo de raciocínio silogístico, baseado na dedução, que parte do argumentação de paralogismo. Encontra-se um exemplo simples de
simples para o complexo. Para ele, verdade e evidência são a mes- sofisma no seguinte diálogo:
ma coisa, e pelo raciocínio torna-se possível chegar a conclusões - Você concorda que possui uma coisa que não perdeu?
verdadeiras, desde que o assunto seja pesquisado em partes, co- - Lógico, concordo.
meçando-se pelas proposições mais simples até alcançar, por meio - Você perdeu um brilhante de 40 quilates?
de deduções, a conclusão final. Para a linha de raciocínio cartesiana, - Claro que não!
é fundamental determinar o problema, dividi-lo em partes, ordenar - Então você possui um brilhante de 40 quilates...
os conceitos, simplificando-os, enumerar todos os seus elementos
e determinar o lugar de cada um no conjunto da dedução. Exemplos de sofismas:
A lógica cartesiana, até os nossos dias, é fundamental para a
Dedução
argumentação dos trabalhos acadêmicos. Descartes propôs quatro
Todo professor tem um diploma (geral, universal)
regras básicas que constituem um conjunto de reflexos vitais, uma
Fulano tem um diploma (particular)
série de movimentos sucessivos e contínuos do espírito em busca
Logo, fulano é professor (geral – conclusão falsa)
da verdade:
- evidência; Indução
- divisão ou análise; O Rio de Janeiro tem uma estátua do Cristo Redentor. (parti-
- ordem ou dedução; cular)
- enumeração. Taubaté (SP) tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular)
Rio de Janeiro e Taubaté são cidades.
A enumeração pode apresentar dois tipos de falhas: a omissão Logo, toda cidade tem uma estátua do Cristo Redentor. (geral
e a incompreensão. Qualquer erro na enumeração pode quebrar o – conclusão falsa)
encadeamento das ideias, indispensável para o processo dedutivo.
A forma de argumentação mais empregada na redação acadê- Nota-se que as premissas são verdadeiras, mas a conclusão
mica é o silogismo, raciocínio baseado nas regras cartesianas, que pode ser falsa. Nem todas as pessoas que têm diploma são pro-
contém três proposições: duas premissas, maior e menor, e a con- fessores; nem todas as cidades têm uma estátua do Cristo Reden-
clusão. As três proposições são encadeadas de tal forma, que a con- tor. Comete-se erro quando se faz generalizações apressadas ou
clusão é deduzida da maior por intermédio da menor. A premissa infundadas. A “simples inspeção” é a ausência de análise ou análise
maior deve ser universal, emprega todo, nenhum, pois alguns não superficial dos fatos, que leva a pronunciamentos subjetivos, base-
caracteriza a universalidade. ados nos sentimentos não ditados pela razão.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Tem-se, ainda, outros métodos, subsidiários ou não fundamen- Os elementos desta lista foram classificados por ordem alfabé-
tais, que contribuem para a descoberta ou comprovação da verda- tica e pelas afinidades comuns entre eles. Estabelecer critérios de
de: análise, síntese, classificação e definição. Além desses, existem classificação das ideias e argumentos, pela ordem de importância, é
outros métodos particulares de algumas ciências, que adaptam os uma habilidade indispensável para elaborar o desenvolvimento de
processos de dedução e indução à natureza de uma realidade par- uma redação. Tanto faz que a ordem seja crescente, do fato mais
ticular. Pode-se afirmar que cada ciência tem seu método próprio importante para o menos importante, ou decrescente, primeiro
demonstrativo, comparativo, histórico etc. A análise, a síntese, a o menos importante e, no final, o impacto do mais importante; é
classificação a definição são chamadas métodos sistemáticos, por- indispensável que haja uma lógica na classificação. A elaboração
que pela organização e ordenação das ideias visam sistematizar a do plano compreende a classificação das partes e subdivisões, ou
pesquisa. seja, os elementos do plano devem obedecer a uma hierarquização.
Análise e síntese são dois processos opostos, mas interligados; (Garcia, 1973, p. 302304.)
a análise parte do todo para as partes, a síntese, das partes para o Para a clareza da dissertação, é indispensável que, logo na in-
todo. A análise precede a síntese, porém, de certo modo, uma de- trodução, os termos e conceitos sejam definidos, pois, para expres-
pende da outra. A análise decompõe o todo em partes, enquanto a sar um questionamento, deve-se, de antemão, expor clara e racio-
síntese recompõe o todo pela reunião das partes. Sabe-se, porém, nalmente as posições assumidas e os argumentos que as justificam.
que o todo não é uma simples justaposição das partes. Se alguém É muito importante deixar claro o campo da discussão e a posição
reunisse todas as peças de um relógio, não significa que reconstruiu adotada, isto é, esclarecer não só o assunto, mas também os pontos
o relógio, pois fez apenas um amontoado de partes. Só reconstruiria de vista sobre ele.
todo se as partes estivessem organizadas, devidamente combina- A definição tem por objetivo a exatidão no emprego da lingua-
das, seguida uma ordem de relações necessárias, funcionais, então, gem e consiste na enumeração das qualidades próprias de uma
o relógio estaria reconstruído. ideia, palavra ou objeto. Definir é classificar o elemento conforme a
Síntese, portanto, é o processo de reconstrução do todo por espécie a que pertence, demonstra: a característica que o diferen-
meio da integração das partes, reunidas e relacionadas num con- cia dos outros elementos dessa mesma espécie.
junto. Toda síntese, por ser uma reconstrução, pressupõe a análise, Entre os vários processos de exposição de ideias, a definição
que é a decomposição. A análise, no entanto, exige uma decompo- é um dos mais importantes, sobretudo no âmbito das ciências. A
sição organizada, é preciso saber como dividir o todo em partes. As definição científica ou didática é denotativa, ou seja, atribui às pa-
operações que se realizam na análise e na síntese podem ser assim lavras seu sentido usual ou consensual, enquanto a conotativa ou
relacionadas: metafórica emprega palavras de sentido figurado. Segundo a lógica
Análise: penetrar, decompor, separar, dividir. tradicional aristotélica, a definição consta de três elementos:
Síntese: integrar, recompor, juntar, reunir. - o termo a ser definido;
- o gênero ou espécie;
A análise tem importância vital no processo de coleta de ideias - a diferença específica.
a respeito do tema proposto, de seu desdobramento e da criação
de abordagens possíveis. A síntese também é importante na esco- O que distingue o termo definido de outros elementos da mes-
lha dos elementos que farão parte do texto. ma espécie. Exemplo:
Segundo Garcia (1973, p.300), a análise pode ser formal ou in-
formal. A análise formal pode ser científica ou experimental; é ca- Na frase: O homem é um animal racional classifica-se:
racterística das ciências matemáticas, físico-naturais e experimen-
tais. A análise informal é racional ou total, consiste em “discernir”
por vários atos distintos da atenção os elementos constitutivos de
um todo, os diferentes caracteres de um objeto ou fenômeno.
A análise decompõe o todo em partes, a classificação estabe- Elemento especiediferença
lece as necessárias relações de dependência e hierarquia entre as a ser definidoespecífica
partes. Análise e classificação ligam-se intimamente, a ponto de se
confundir uma com a outra, contudo são procedimentos diversos: É muito comum formular definições de maneira defeituosa,
análise é decomposição e classificação é hierarquisação. por exemplo: Análise é quando a gente decompõe o todo em par-
Nas ciências naturais, classificam-se os seres, fatos e fenôme- tes. Esse tipo de definição é gramaticalmente incorreto; quando é
nos por suas diferenças e semelhanças; fora das ciências naturais, a advérbio de tempo, não representa o gênero, a espécie, a gente é
classificação pode-se efetuar por meio de um processo mais ou me- forma coloquial não adequada à redação acadêmica. Tão importan-
nos arbitrário, em que os caracteres comuns e diferenciadores são te é saber formular uma definição, que se recorre a Garcia (1973,
empregados de modo mais ou menos convencional. A classificação, p.306), para determinar os “requisitos da definição denotativa”.
no reino animal, em ramos, classes, ordens, subordens, gêneros e Para ser exata, a definição deve apresentar os seguintes requisitos:
espécies, é um exemplo de classificação natural, pelas caracterís- - o termo deve realmente pertencer ao gênero ou classe em
ticas comuns e diferenciadoras. A classificação dos variados itens que está incluído: “mesa é um móvel” (classe em que ‘mesa’ está
integrantes de uma lista mais ou menos caótica é artificial. realmente incluída) e não “mesa é um instrumento ou ferramenta
ou instalação”;
Exemplo: aquecedor, automóvel, barbeador, batata, caminhão, - o gênero deve ser suficientemente amplo para incluir todos os
canário, jipe, leite, ônibus, pão, pardal, pintassilgo, queijo, relógio, exemplos específicos da coisa definida, e suficientemente restrito
sabiá, torradeira. para que a diferença possa ser percebida sem dificuldade;
Aves: Canário, Pardal, Pintassilgo, Sabiá. - deve ser obrigatoriamente afirmativa: não há, em verdade,
Alimentos: Batata, Leite, Pão, Queijo. definição, quando se diz que o “triângulo não é um prisma”;
Mecanismos: Aquecedor, Barbeador, Relógio, Torradeira. - deve ser recíproca: “O homem é um ser vivo” não constitui
Veículos: Automóvel, Caminhão, Jipe, Ônibus. definição exata, porque a recíproca, “Todo ser vivo é um homem”
não é verdadeira (o gato é ser vivo e não é homem);

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LÍNGUA PORTUGUESA
- deve ser breve (contida num só período). Quando a definição, Comparação: Analogia e contraste são as duas maneiras de
ou o que se pretenda como tal, é muito longa (séries de períodos se estabelecer a comparação, com a finalidade de comprovar uma
ou de parágrafos), chama-se explicação, e também definição expan- ideia ou opinião. Na analogia, são comuns as expressões: da mesma
dida;d forma, tal como, tanto quanto, assim como, igualmente. Para esta-
- deve ter uma estrutura gramatical rígida: sujeito (o termo) + belecer contraste, empregam-se as expressões: mais que, menos
cópula (verbo de ligação ser) + predicativo (o gênero) + adjuntos (as que, melhor que, pior que.
diferenças). Entre outros tipos de argumentos empregados para aumentar
o poder de persuasão de um texto dissertativo encontram-se:
As definições dos dicionários de língua são feitas por meio de Argumento de autoridade: O saber notório de uma autoridade
paráfrases definitórias, ou seja, uma operação metalinguística que reconhecida em certa área do conhecimento dá apoio a uma afir-
consiste em estabelecer uma relação de equivalência entre a pala- mação. Dessa maneira, procura-se trazer para o enunciado a credi-
vra e seus significados. bilidade da autoridade citada. Lembre-se que as citações literais no
A força do texto dissertativo está em sua fundamentação. Sem- corpo de um texto constituem argumentos de autoridade. Ao fazer
pre é fundamental procurar um porquê, uma razão verdadeira e uma citação, o enunciador situa os enunciados nela contidos na li-
necessária. A verdade de um ponto de vista deve ser demonstrada nha de raciocínio que ele considera mais adequada para explicar ou
com argumentos válidos. O ponto de vista mais lógico e racional do justificar um fato ou fenômeno. Esse tipo de argumento tem mais
mundo não tem valor, se não estiver acompanhado de uma funda- caráter confirmatório que comprobatório.
mentação coerente e adequada. Apoio na consensualidade: Certas afirmações dispensam expli-
Os métodos fundamentais de raciocínio segundo a lógica clás- cação ou comprovação, pois seu conteúdo é aceito como válido por
sica, que foram abordados anteriormente, auxiliam o julgamento
consenso, pelo menos em determinado espaço sociocultural. Nesse
da validade dos fatos. Às vezes, a argumentação é clara e pode reco-
caso, incluem-se
nhecer-se facilmente seus elementos e suas relações; outras vezes,
- A declaração que expressa uma verdade universal (o homem,
as premissas e as conclusões organizam-se de modo livre, mistu-
mortal, aspira à imortalidade);
rando-se na estrutura do argumento. Por isso, é preciso aprender a
reconhecer os elementos que constituem um argumento: premis- - A declaração que é evidente por si mesma (caso dos postula-
sas/conclusões. Depois de reconhecer, verificar se tais elementos dos e axiomas);
são verdadeiros ou falsos; em seguida, avaliar se o argumento está - Quando escapam ao domínio intelectual, ou seja, é de nature-
expresso corretamente; se há coerência e adequação entre seus za subjetiva ou sentimental (o amor tem razões que a própria razão
elementos, ou se há contradição. Para isso é que se aprende os pro- desconhece); implica apreciação de ordem estética (gosto não se
cessos de raciocínio por dedução e por indução. Admitindo-se que discute); diz respeito a fé religiosa, aos dogmas (creio, ainda que
raciocinar é relacionar, conclui-se que o argumento é um tipo espe- parece absurdo).
cífico de relação entre as premissas e a conclusão.
Procedimentos Argumentativos: Constituem os procedimentos Comprovação pela experiência ou observação: A verdade de
argumentativos mais empregados para comprovar uma afirmação: um fato ou afirmação pode ser comprovada por meio de dados con-
exemplificação, explicitação, enumeração, comparação. cretos, estatísticos ou documentais.
Exemplificação: Procura justificar os pontos de vista por meio Comprovação pela fundamentação lógica: A comprovação se
de exemplos, hierarquizar afirmações. São expressões comuns nes- realiza por meio de argumentos racionais, baseados na lógica: cau-
se tipo de procedimento: mais importante que, superior a, de maior sa/efeito; consequência/causa; condição/ocorrência.
relevância que. Empregam-se também dados estatísticos, acompa- Fatos não se discutem; discutem-se opiniões. As declarações,
nhados de expressões: considerando os dados; conforme os dados julgamento, pronunciamentos, apreciações que expressam opini-
apresentados. Faz-se a exemplificação, ainda, pela apresentação de ões pessoais (não subjetivas) devem ter sua validade comprovada,
causas e consequências, usando-se comumente as expressões: por- e só os fatos provam. Em resumo toda afirmação ou juízo que ex-
que, porquanto, pois que, uma vez que, visto que, por causa de, em presse uma opinião pessoal só terá validade se fundamentada na
virtude de, em vista de, por motivo de. evidência dos fatos, ou seja, se acompanhada de provas, validade
Explicitação: O objetivo desse recurso argumentativo é expli- dos argumentos, porém, pode ser contestada por meio da contra-
car ou esclarecer os pontos de vista apresentados. Pode-se alcançar -argumentação ou refutação. São vários os processos de contra-ar-
esse objetivo pela definição, pelo testemunho e pela interpreta- gumentação:
ção. Na explicitação por definição, empregamse expressões como: Refutação pelo absurdo: refuta-se uma afirmação demonstran-
quer dizer, denomina-se, chama-se, na verdade, isto é, haja vista,
do o absurdo da consequência. Exemplo clássico é a contraargu-
ou melhor; nos testemunhos são comuns as expressões: conforme,
mentação do cordeiro, na conhecida fábula “O lobo e o cordeiro”;
segundo, na opinião de, no parecer de, consoante as ideias de, no
Refutação por exclusão: consiste em propor várias hipóteses
entender de, no pensamento de. A explicitação se faz também pela
para eliminá-las, apresentando-se, então, aquela que se julga ver-
interpretação, em que são comuns as seguintes expressões: parece,
assim, desse ponto de vista. dadeira;
Enumeração: Faz-se pela apresentação de uma sequência de Desqualificação do argumento: atribui-se o argumento à opi-
elementos que comprovam uma opinião, tais como a enumeração nião pessoal subjetiva do enunciador, restringindo-se a universali-
de pormenores, de fatos, em uma sequência de tempo, em que são dade da afirmação;
frequentes as expressões: primeiro, segundo, por último, antes, de- Ataque ao argumento pelo testemunho de autoridade: consis-
pois, ainda, em seguida, então, presentemente, antigamente, de- te em refutar um argumento empregando os testemunhos de auto-
pois de, antes de, atualmente, hoje, no passado, sucessivamente, ridade que contrariam a afirmação apresentada;
respectivamente. Na enumeração de fatos em uma sequência de Desqualificar dados concretos apresentados: consiste em de-
espaço, empregam-se as seguintes expressões: cá, lá, acolá, ali, aí, sautorizar dados reais, demonstrando que o enunciador baseou-se
além, adiante, perto de, ao redor de, no Estado tal, na capital, no em dados corretos, mas tirou conclusões falsas ou inconsequentes.
interior, nas grandes cidades, no sul, no leste... Por exemplo, se na argumentação afirmou-se, por meio de dados

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LÍNGUA PORTUGUESA
estatísticos, que “o controle demográfico produz o desenvolvimen- Coesão e coerência fazem parte importante da elaboração de
to”, afirma-se que a conclusão é inconsequente, pois baseia-se em um texto com clareza. Ela diz respeito à maneira como as ideias são
uma relação de causa-feito difícil de ser comprovada. Para contra- organizadas a fim de que o objetivo final seja alcançado: a compre-
argumentar, propõese uma relação inversa: “o desenvolvimento é ensão textual. Na redação espera-se do autor capacidade de mobili-
que gera o controle demográfico”. zar conhecimentos e opiniões, argumentar de modo coerente, além
Apresentam-se aqui sugestões, um dos roteiros possíveis para de expressar-se com clareza, de forma correta e adequada.
desenvolver um tema, que podem ser analisadas e adaptadas ao
desenvolvimento de outros temas. Elege-se um tema, e, em segui- Coerência
da, sugerem-se os procedimentos que devem ser adotados para a É uma rede de sintonia entre as partes e o todo de um texto.
elaboração de um Plano de Redação. Conjunto de unidades sistematizadas numa adequada relação se-
mântica, que se manifesta na compatibilidade entre as ideias. (Na
Tema: O homem e a máquina: necessidade e riscos da evolução linguagem popular: “dizer coisa com coisa” ou “uma coisa bate com
tecnológica outra”).
- Questionar o tema, transformá-lo em interrogação, responder Coerência é a unidade de sentido resultante da relação que se
a interrogação (assumir um ponto de vista); dar o porquê da respos- estabelece entre as partes do texto. Uma ideia ajuda a compreen-
ta, justificar, criando um argumento básico; der a outra, produzindo um sentido global, à luz do qual cada uma
- Imaginar um ponto de vista oposto ao argumento básico e das partes ganha sentido. Coerência é a ligação em conjunto dos
construir uma contra-argumentação; pensar a forma de refutação elementos formativos de um texto.
que poderia ser feita ao argumento básico e tentar desqualificá-la A coerência não é apenas uma marca textual, mas diz respeito
(rever tipos de argumentação); aos conceitos e às relações semânticas que permitem a união dos
- Refletir sobre o contexto, ou seja, fazer uma coleta de ideias elementos textuais.
que estejam direta ou indiretamente ligadas ao tema (as ideias po- A coerência de um texto é facilmente deduzida por um falante
dem ser listadas livremente ou organizadas como causa e consequ- de uma língua, quando não encontra sentido lógico entre as propo-
ência); sições de um enunciado oral ou escrito. É a competência linguística,
- Analisar as ideias anotadas, sua relação com o tema e com o tomada em sentido lato, que permite a esse falante reconhecer de
argumento básico; imediato a coerência de um discurso.
- Fazer uma seleção das ideias pertinentes, escolhendo as que
poderão ser aproveitadas no texto; essas ideias transformam-se em A coerência:
argumentos auxiliares, que explicam e corroboram a ideia do argu- - assenta-se no plano cognitivo, da inteligibilidade do texto;
mento básico; - situa-se na subjacência do texto; estabelece conexão concei-
- Fazer um esboço do Plano de Redação, organizando uma se- tual;
quência na apresentação das ideias selecionadas, obedecendo às - relaciona-se com a macroestrutura; trabalha com o todo, com
partes principais da estrutura do texto, que poderia ser mais ou o aspecto global do texto;
menos a seguinte: - estabelece relações de conteúdo entre palavras e frases.

Introdução Coesão
- função social da ciência e da tecnologia; É um conjunto de elementos posicionados ao longo do texto,
- definições de ciência e tecnologia; numa linha de sequência e com os quais se estabelece um víncu-
- indivíduo e sociedade perante o avanço tecnológico. lo ou conexão sequencial.Se o vínculo coesivo se faz via gramática,
fala-se em coesão gramatical. Se se faz por meio do vocabulário,
Desenvolvimento tem-se a coesão lexical.
- apresentação de aspectos positivos e negativos do desenvol- A coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre pala-
vimento tecnológico; vras, expressões ou frases do texto. Ela manifesta-se por elementos
- como o desenvolvimento científico-tecnológico modificou as gramaticais, que servem para estabelecer vínculos entre os compo-
condições de vida no mundo atual; nentes do texto.
- a tecnocracia: oposição entre uma sociedade tecnologica- Existem, em Língua Portuguesa, dois tipos de coesão: a lexical,
mente desenvolvida e a dependência tecnológica dos países sub- que é obtida pelas relações de sinônimos, hiperônimos, nomes ge-
desenvolvidos; néricos e formas elididas, e a gramatical, que é conseguida a partir
- enumerar e discutir os fatores de desenvolvimento social; do emprego adequado de artigo, pronome, adjetivo, determinados
- comparar a vida de hoje com os diversos tipos de vida do pas- advérbios e expressões adverbiais, conjunções e numerais.
sado; apontar semelhanças e diferenças; A coesão:
- analisar as condições atuais de vida nos grandes centros ur- - assenta-se no plano gramatical e no nível frasal;
banos; - situa-se na superfície do texto, estabele conexão sequencial;
- como se poderia usar a ciência e a tecnologia para humanizar - relaciona-se com a microestrutura, trabalha com as partes
mais a sociedade. componentes do texto;
- Estabelece relações entre os vocábulos no interior das frases.
Conclusão
- a tecnologia pode libertar ou escravizar: benefícios/consequ-
ências maléficas;
- síntese interpretativa dos argumentos e contra-argumentos
apresentados.

Naturalmente esse não é o único, nem o melhor plano de reda-


ção: é um dos possíveis.

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LÍNGUA PORTUGUESA

ESTRUTURA SEMÂNTICA E ESTILÍSTICA: RELAÇÕES SEMÂNTICAS ENTRE PALAVRAS E EXPRESSÕES (SINONÍMIA,


ANTONÍMIA, HIPONÍMIA, HOMONÍMIA, POLISSEMIA); CONOTAÇÃO E DENOTAÇÃO; SENTIDO FIGURADO, SENTIDO
LITERAL

Significação de palavras
As palavras podem ter diversos sentidos em uma comunicação. E isso também é estudado pela Gramática Normativa: quem cuida
dessa parte é a Semântica, que se preocupa, justamente, com os significados das palavras. Veremos, então, cada um dos conteúdos que
compõem este estudo.

Antônimo e Sinônimo
Começaremos por esses dois, que já são famosos.

O Antônimo são palavras que têm sentidos opostos a outras. Por exemplo, felicidade é o antônimo de tristeza, porque o significado
de uma é o oposto da outra. Da mesma forma ocorre com homem que é antônimo de mulher.

Já o sinônimo são palavras que têm sentidos aproximados e que podem, inclusive, substituir a outra. O uso de sinônimos é muito im-
portante para produções textuais, porque evita que você fique repetindo a mesma palavra várias vezes. Utilizando os mesmos exemplos,
para ficar claro: felicidade é sinônimo de alegria/contentamento e homem é sinônimo de macho/varão.

Hipônimos e Hiperônimos
Estes conceitos são simples de entender: o hipônimo designa uma palavra de sentido mais específico, enquanto que o hiperônimo
designa uma palavra de sentido mais genérico. Por exemplo, cachorro e gato são hipônimos, pois têm sentido específico. E animais domés-
ticos é uma expressão hiperônima, pois indica um sentido mais genérico de animais. Atenção: não confunda hiperônimo com substantivo
coletivo. Hiperônimos estão no ramo dos sentidos das palavras, beleza?!?!

Outros conceitos que agem diretamente no sentido das palavras são os seguintes:

Conotação e Denotação
Observe as frases:
Amo pepino na salada.
Tenho um pepino para resolver.

As duas frases têm uma palavra em comum: pepino. Mas essa palavra tem o mesmo sentido nos dois enunciados? Isso mesmo, não!
Na primeira frase, pepino está no sentido denotativo, ou seja, a palavra está sendo usada no sentido próprio, comum, dicionarizado.
Já na segunda frase, a mesma palavra está no sentindo conotativo, pois ela está sendo usada no sentido figurado e depende do con-
texto para ser entendida.
Para facilitar: denotativo começa com D de dicionário e conotativo começa com C de contexto.

Por fim, vamos tratar de um recurso muito usado em propagandas:

Ambiguidade
Observe a propaganda abaixo:

https://redacaonocafe.wordpress.com/2012/05/22/ambiguidade-na-propaganda/

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LÍNGUA PORTUGUESA
Perceba que há uma duplicidade de sentido nesta construção. • Linguagem Mista (ou híbrida) é aquele que utiliza tanto as pa-
Podemos interpretar que os móveis não durarão no estoque da loja, lavras quanto as imagens. Ou seja, é a junção da linguagem verbal
por estarem com preço baixo; ou que por estarem muito barato, com a não-verbal.
não têm qualidade e, por isso, terão vida útil curta.
Essa duplicidade acontece por causa da ambiguidade, que é
justamente a duplicidade de sentidos que podem haver em uma
palavra, frase ou textos inteiros.

LINGUAGEM: ADEQUAÇÃO DA LINGUAGEM; LINGUA-


GEM VERBAL E NÃO VERBAL

Tipos de Linguagem
Existem três tipos de linguagem que precisamos saber para que
facilite a interpretação de textos.
• Linguagem Verbal é aquela que utiliza somente palavras. Ela
pode ser escrita ou oral.

Além de saber desses conceitos, é importante sabermos iden-


tificar quando um texto é baseado em outro. O nome que damos a
este processo é intertextualidade.

DISCURSO: DIRETO, INDIRETO E INDIRETO LIVRE

Discurso direto
É a fala da personagem reproduzida fielmente pelo narrador,
ou seja, reproduzida nos termos em que foi expressa.
— Bonito papel! Quase três da madrugada e os senhores com-
• Linguagem não-verbal é aquela que utiliza somente imagens, pletamente bêbados, não é?
fotos, gestos... não há presença de nenhuma palavra. Foi aí que um dos bêbados pediu:
— Sem bronca, minha senhora. Veja logo qual de nós quatro é
o seu marido que os outros querem ir para casa.
(Stanislaw Ponte Preta)

Observe que, no exemplo dado, a fala da personagem é intro-


duzida por um travessão, que deve estar alinhado dentro do pará-
grafo.
O narrador, ao reproduzir diretamente a fala das personagens,
conserva características do linguajar de cada uma, como termos de
gíria, vícios de linguagem, palavrões, expressões regionais ou caco-
etes pessoais.
O discurso direto geralmente apresenta verbos de elocução (ou
declarativos ou dicendi) que indicam quem está emitindo a mensa-
gem.
Os verbos declarativos ou de elocução mais comuns são:
acrescentar
afirmar
concordar
consentir
contestar
continuar
declamar
determinar
dizer
esclarecer
exclamar
explicar
gritar
indagar
insistir

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LÍNGUA PORTUGUESA
interrogar Verbos de elocução depois de orações interrogativas e excla-
interromper mativas:
intervir — Nunca me viu? perguntou Virgília vendo que a encarava com
mandar insistência. (Machado de Assis)
ordenar, pedir — Para quê? interrompeu Sabina. (Machado de Assis)
perguntar — Isso nunca; não faço esmolas! disse ele. (Machado de Assis)
prosseguir
protestar Observe que os verbos de elocução aparecem em letras minús-
reclamar culas depois dos pontos de exclamação e interrogação.
repetir
replicar Discurso indireto
responder No discurso indireto, o narrador exprime indiretamente a fala
retrucar da personagem. O narrador funciona como testemunha auditiva e
solicitar passa para o leitor o que ouviu da personagem. Na transcrição, o
verbo aparece na terceira pessoa, sendo imprescindível a presen-
Os verbos declarativos podem, além de introduzir a fala, indicar ça de verbos dicendi (dizer, responder, retrucar, replicar, perguntar,
atitudes, estados interiores ou situações emocionais das persona- pedir, exclamar, contestar, concordar, ordenar, gritar, indagar, de-
gens como, por exemplo, os verbos protestar, gritar, ordenar e ou- clamar, afirmar, mandar etc.), seguidos dos conectivos que (dicendi
tros. Esse efeito pode ser também obtido com o uso de adjetivos ou afirmativo) ou se (dicendi interrogativo) para introduzir a fala da
advérbios aliados aos verbos de elocução: falou calmamente, gritou personagem na voz do narrador.
histérica, respondeu irritada, explicou docemente.
A certo ponto da conversação, Glória me disse que desejava
Exemplo: muito conhecer Carlota e perguntou por que não a levei comigo.
— O amor, prosseguiu sonhadora, é a grande realização de nos- (Ciro dos Anjos)
sas vidas.
Ao utilizar o discurso direto – diálogos (com ou sem travessão) Fui ter com ela, e perguntei se a mãe havia dito alguma coisa;
entre as personagens –, você deve optar por um dos três estilos a respondeu-me que não.
seguir: (Machado de Assis)
Discurso indireto livre
Estilo 1: Resultante da mistura dos discursos direto e indireto, existe
João perguntou: uma terceira modalidade de técnica narrativa, o chamado discurso
— Que tal o carro? indireto livre, processo de grande efeito estilístico. Por meio dele,
o narrador pode, não apenas reproduzir indiretamente falas das
Estilo 2: personagens, mas também o que elas não falam, mas pensam, so-
João perguntou: “Que tal o carro?” (As aspas são optativas) nham, desejam etc. Neste caso, discurso indireto livre corresponde
Antônio respondeu: “horroroso” (As aspas são optativas) ao monólogo interior das personagens, mas expresso pelo narrador.
As orações do discurso indireto livre são, em regra, indepen-
Estilo 3: dentes, sem verbos dicendi, sem pontuação que marque a passa-
Verbos de elocução no meio da fala: gem da fala do narrador para a da personagem, mas com transpo-
— Estou vendo, disse efusivamente João, que você adorou o sições do tempo do verbo (pretérito imperfeito) e dos pronomes
carro. (terceira pessoa). O foco narrativo deve ser de terceira pessoa. Esse
— Você, retrucou Antônio, está completamente enganado. discurso é muito empregado na narrativa moderna, pela fluência e
ritmo que confere ao texto.
Verbos de elocução no fim da fala:
— Estou vendo que você adorou o carro — disse efusivamente Fabiano ouviu o relatório desconexo do bêbado, caiu numa in-
João. decisão dolorosa. Ele também dizia palavras sem sentido, conversa
— Você está completamente enganado — retrucou Antônio. à toa. Mas irou-se com a comparação, deu marradas na parede. Era
bruto, sim senhor, nunca havia aprendido, não sabia explicar-se.
Os trechos que apresentam verbos de elocução podem vir com Estava preso por isso? Como era? Então mete- se um homem na
travessões ou com vírgulas. Observe os seguintes exemplos: cadeia por que ele não sabe falar direito?
(Graciliano Ramos)
— Não posso, disse ela daí a alguns instantes, não deixo meu
filho. (Machado de Assis) Observe que se o trecho “Era bruto, sim” estivesse um discur-
so direto, apresentaria a seguinte formulação: Sou bruto, sim; em
— Não vá sem eu lhe ensinar a minha filosofia da miséria, disse discurso indireto: Ele admitiu que era bruto; em discurso indireto
ele, escarrachando-se diante de mim. (Machado de Assis) livre: Era bruto, sim.

— Vale cinquenta, ponderei; Sabina sabe que custou cinquenta Para produzir discurso indireto livre que exprima o mundo inte-
e oito. (Machado de Assis) rior da personagem (seus pensamentos, desejos, sonhos, fantasias
etc.), o narrador precisa ser onisciente. Observe que os pensamen-
— Ainda não, respondi secamente. (Machado de Assis) tos da personagem aparecem, no trecho transcrito, principalmente
nas orações interrogativas, entremeadas com o discurso do narra-
dor.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Transposição de discurso Discurso Indireto
Na narração, para reconstituir a fala da personagem, utiliza-se
a estrutura de um discurso direto ou de um discurso indireto. O • Pretérito imperfeito
domínio dessas estruturas é importante tanto para se empregar A enfermeira afirmou que era uma menina.
corretamente os tipos de discurso na redação. • Futuro do pretérito
Os sinais de pontuação (aspas, travessão, dois-pontos) e outros Pedrinho gritou que não sairia do carro.
recursos como grifo ou itálico, presentes no discurso direto, não • Pretérito mais-que-perfeito
aparecem no discurso indireto, a não ser que se queira insistir na Retrucou com indignação que já esperara (ou tinha espera-
atribuição do enunciado à personagem, não ao narrador. Tal insis- do) demais.
tência, porém, é desnecessária e excessiva, pois, se o texto for bem • Pretérito imperfeito do subjuntivo
construído, a identificação do discurso indireto livre não oferece Olhou-a e disse secamente que o deixasse em paz.
dificuldade. Outras alterações
• Terceira pessoa
Maria disse que não queria sair com Roberto naquele dia.
Discurso Direto • Objeto indireto na oração principal
• Presente A prima perguntou a João se ele queria café.
A enfermeira afirmou: • Forma declarativa
– É uma menina. Abriu o estojo, contou os lápis e depois perguntou ansiosa
pelo amarelo.
• Pretérito perfeito lá, dali, de lá, naquele momento, naquele dia, no dia an-
– Já esperei demais, retrucou com indignação. terior, na véspera, no dia seguinte, aquela(s), aquele(s), aquilo,
seu, sua (dele, dela), seu, sua (deles, delas)
• Futuro do presente
Pedrinho gritou:
– Não sairei do carro.
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA: DIVERSIDADE
• Imperativo DE USOS DA LÍNGUA
Olhou-a e disse secamente:
– Deixe-me em paz. Variedades Linguísticas
A língua escrita e falada apresenta uma série de variações e
Outras alterações transformações ao passar do tempo. Tais variações decorrem das
• Primeira ou segunda pessoa diferenças entre as épocas, condições sociais, culturais e regionais
Maria disse: dos falantes. Tomemos como exemplo a transformação ortográfica
– Não quero sair com Roberto hoje. do vocábulo “farmácia” que antes era grafado com “ph”, assim, a
palavra era escrita “pharmácia”.
• Vocativo Todas as variedades linguísticas são adequadas, desde que
– Você quer café, João?, perguntou a prima. cumpram com eficiência o papel fundamental da língua, o de per-
mitir e estabelecer a comunicação entre as pessoas. Apesar disso,
• Objeto indireto na oração principal há uma entre as variedades que tem maior prestígio social, a norma
A prima perguntou a João se ele queria café. culta ou norma padrão.
A norma culta é a variedade linguística ensinada nas escolas,
• Forma interrogativa ou imperativa contida na maior parte dos livros, registros escritos, nas mídias te-
Abriu o estojo, contou os lápis e depois perguntou ansiosa: levisivas, entre outros. Como variantes da norma padrão aparecem:
– E o amarelo? a linguagem regional, a gíria, a linguagem específica de grupos ou
profissões (policiais, jogadores de futebol, advogados, surfistas).
• Advérbios de lugar e de tempo O ensino da língua culta na escola não tem a finalidade de
aqui, daqui, agora, hoje, ontem, amanhã condenar ou eliminar a língua que falamos em nossa família ou em
• Pronomes demonstrativos e possessivos nossa comunidade. Ao contrário, o domínio da língua culta, somado
essa(s), esta(s) ao domínio de outras variedades linguísticas, torna-nos mais prepa-
esse(s), este(s) rados para nos comunicarmos nos diferentes contextos lingísticos,
isso, isto já que a linguagem utilizada em reuniões de trabalho não deve ser
meu, minha a mesma utilizada em uma reunião de amigos no final de semana.
teu, tua Portanto, saber usar bem uma língua equivale a saber empre-
nosso, nossa gá-la de modo adequado às mais diferentes situações sociais de que
participamos.

Variação social
A variação social está relacionada a fatores sociais como etnia,
sexo, faixa etária, grau de escolaridade e grupo profissional. Os vá-
rios estudos que enfocam este tipo de relação língua/fatores sociais
têm privilegiado a variação morfossintática ou a morfo-fonológica.
Fica claro que a variação social não compromete a compreen-
são entre indivíduos, uma vez que alguns momentos de incoerência
são sanados pelo contexto em que a fala se forma.

17
LÍNGUA PORTUGUESA
Não é difícil perceber que a norma culta – por diversas razões Grafias que caíram em desuso:
de ordem política, econômica, social, cultural – é algo reservado – flôr;
a poucas pessoas no Brasil; talvez porque haja um distanciamento – pharmácia;
entre as normatizações gramaticais e a obediência dos falantes em
seguir tais normas. Há uma indagação implícita neste fato: “ Existe Vocabulário e expressões típicas de uma determinada faixa etá-
alguma disfunção, alguma impossibilidade de uso da gramática nor- ria:
mativa pela grande maioria dos falantes? ” Ou “Estamos apenas a – Ele é maior barbeiro.
observar a língua como um fator de identidade? ” – Vá catar coquinho.
Sendo esse o caso, a língua como referencial humano traria
inúmeras variações, porque decididamente não somos todos iguais Variações diastráticas
e devido ao meio espacial ou social em que estejamos haverá uma As variações diastráticas, também chamadas de variações so-
tendência da língua em se caracterizar por esses agentes, sendo ciais, são variações que ocorrem de acordo com os hábitos e cultura
assim, o indivíduo que protagoniza a fala poderá adequá-la a seu de diferentes grupos sociais. Este tipo de variação ocorre porque di-
perfil ou ao grupo a que pertence. ferentes grupos sociais possuem diferentes conhecimentos, modos
Comunidades diferentes vivenciam experiências diferentes e de atuação e sistemas de comunicação.
isto se reflete nos respectivos sistemas linguísticos: léxico, morfo- Exemplos de variações diastráticas
lógico e sintático. Um grupo acadêmico de uma universidade apre-
sentará uma variedade linguística bem diferente de um grupo de Gírias próprias de um grupo com interesse comum, como os
vendedores ambulantes do interior do Brasil. Cada qual usará o skatistas:
recurso linguístico que lhe foi concebido em seu processo de apren- – Prefiro freestyle.
dizagem para efetuar a comunicação. – O gringo tem um carrinho irado.
Do exposto, concluímos que a língua signo/privilegiado de
identidade não é um instrumento neutro, um contingente meio de Jargões próprios de um grupo profissional, como os policiais e
comunicação entre os homens, mas principalmente a expressão de militares:
sua diferença. – Ele deu sopa na crista.
Tipos de variação linguística – Vamos na rota dele.
As variações linguísticas ocorrem principalmente nos âmbitos
geográficos, temporais e sociais. Variações diafásicas
As variações diafásicas, também chamadas de variações situ-
Variações diatópicas acionais, são variações que ocorrem de acordo com o contexto ou
As variações diatópicas, também chamadas de variações regio- situação em que decorre o processo comunicativo. Há momentos
nais ou geográficas, são variações que ocorrem de acordo com o em que é utilizado um registro formal e outros em que é utilizado
local onde vivem os falantes, sofrendo sua influência. Este tipo de um registro informal.
variação ocorre porque diferentes regiões têm diferentes culturas,
com diferentes hábitos, modos e tradições, estabelecendo assim di- Variação linguística e preconceito linguístico
ferentes estruturas linguísticas. O preconceito linguístico surge porque nem todas as variações
linguísticas usufruem do mesmo prestígio. Algumas são conside-
Exemplos de variações diatópicas radas superiores, mais corretas e cultas e outras são consideradas
Diferentes palavras para os mesmos conceitos: menos cultas ou mesmo incorretas.
– aipim, mandioca, macaxeira; Preconceito linguístico ocorre sempre que uma determinada
– abóbora, jerimum, moranga; variedade é referida com um tom pejorativo e depreciativo, estan-
do associada a situações de deboche ou até de violência, o que con-
Diferentes sotaques, dialetos e falares: tribui para a exclusão social de diversos indivíduos e grupos.
– dialeto caipira;
– dialeto gaúcho;
CONHECIMENTOS LINGUÍSTICOS RELATIVOS AO SISTE-
Reduções de palavras ou perdas de fonemas: MA ORTOGRÁFICO EM VIGOR: EMPREGO DE LETRAS,
– véio (velho); ACENTUAÇÃO, QUESTÕES NOTACIONAIS DA LÍNGUA;
– muié (mulher); EMPREGO DE HÍFEN

Variações diacrônicas ORTOGRAFIA OFICIAL


As variações diacrônicas, também chamadas de variações his- • Mudanças no alfabeto:O alfabeto tem 26 letras. Foram rein-
tóricas, são variações que ocorrem de acordo com as diferentes troduzidas as letras k, w e y.
épocas vividas pelos falantes, sendo possível distinguir o português O alfabeto completo é o seguinte: A B C D E F G H I J K L M N O
arcaico do português moderno, bem como diversas palavras que PQRSTUVWXYZ
ficam em desuso. • Trema: Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a
Exemplos de variações diacrônicas letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue,
gui, que, qui.
Palavras que caíram em desuso:
– vossemecê; Regras de acentuação
– botica; – Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das
palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima
sílaba)

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LÍNGUA PORTUGUESA
Observações:
Como era Como fica
• Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra
alcatéia alcateia iniciada por r: sub-região, sub-raça. Palavras iniciadas por h perdem
apóia apoia essa letra e juntam-se sem hífen: subumano, subumanidade.
• Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de pala-
apóio apoio vra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano.
• O prefixo co aglutina-se, em geral, com o segundo elemento,
Atenção: essa regra só vale para as paroxítonas. As oxítonas mesmo quando este se inicia por o: coobrigação, coordenar, coope-
continuam com acento: Ex.: papéis, herói, heróis, troféu, troféus. rar, cooperação, cooptar, coocupante.
• Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen: vice-rei, vice-al-
– Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no mirante.
u tônicos quando vierem depois de um ditongo. • Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam
a noção de composição, como girassol, madressilva, mandachuva,
Como era Como fica pontapé, paraquedas, paraquedista.
• Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró,
baiúca baiuca usa-se sempre o hífen: ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar,
bocaiúva bocaiuva recém-casado, pós-graduação, pré-vestibular, pró-europeu.

Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em Viu? Tudo muito tranquilo. Certeza que você já está dominando
posição final (ou seguidos de s), o acento permanece. Exemplos: muita coisa. Mas não podemos parar, não é mesmo?!?! Por isso
tuiuiú, tuiuiús, Piauí. vamos passar para mais um ponto importante.

– Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem Acentuação


e ôo(s). Acentuação é o modo de proferir um som ou grupo de sons
com mais relevo do que outros. Os sinais diacríticos servem para
indicar, dentre outros aspectos, a pronúncia correta das palavras.
Como era Como fica
Vejamos um por um:
abençôo abençoo
crêem creem Acento agudo: marca a posição da sílaba tônica e o timbre
aberto.
Já cursei a Faculdade de História.
– Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/
Acento circunflexo: marca a posição da sílaba tônica e o timbre
para, péla(s)/ pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.
fechado.
Meu avô e meus três tios ainda são vivos.
Atenção:
Acento grave: marca o fenômeno da crase (estudaremos este
• Permanece o acento diferencial em pôde/pode.
caso afundo mais à frente).
• Permanece o acento diferencial em pôr/por.
Sou leal à mulher da minha vida.
• Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural
dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter,
As palavras podem ser:
reter, conter, convir, intervir, advir etc.).
– Oxítonas: quando a sílaba tônica é a última (ca-fé, ma-ra-cu-
• É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as
-já, ra-paz, u-ru-bu...)
palavras forma/fôrma.
– Paroxítonas:quando a sílaba tônica é a penúltima (me-sa, sa-
-bo-ne-te, ré-gua...)
Uso de hífen
– Proparoxítonas: quando a sílaba tônica é a antepenúltima
Regra básica:
(sá-ba-do, tô-ni-ca, his-tó-ri-co…)
Sempre se usa o hífen diante de h: anti-higiênico, super-ho-
mem.
As regras de acentuação das palavras são simples. Vejamos:
• São acentuadas todas as palavras proparoxítonas (médico,
Outros casos
íamos, Ângela, sânscrito, fôssemos...)
1. Prefixo terminado em vogal:
• São acentuadas as palavras paroxítonas terminadas em L, N,
– Sem hífen diante de vogal diferente: autoescola, antiaéreo.
R, X, I(S), US, UM, UNS, OS,ÃO(S), Ã(S), EI(S) (amável, elétron, éter,
– Sem hífen diante de consoante diferente de r e s: anteprojeto,
fênix, júri, oásis, ônus, fórum, órfão...)
semicírculo.
• São acentuadas as palavras oxítonas terminadas em A(S),
– Sem hífen diante de r e s. Dobram-se essas letras: antirracis-
E(S), O(S), EM, ENS, ÉU(S), ÉI(S), ÓI(S) (xarás, convéns, robô, Jô, céu,
mo, antissocial, ultrassom.
dói, coronéis...)
– Com hífen diante de mesma vogal: contra-ataque, micro-on-
das.
• São acentuados os hiatos I e U, quando precedidos de vogais
(aí, faísca, baú, juízo, Luísa...)
2. Prefixo terminado em consoante:
– Com hífen diante de mesma consoante: inter-regional, sub-
Viu que não é nenhum bicho de sete cabeças? Agora é só trei-
-bibliotecário.
nar e fixar as regras.
– Sem hífen diante de consoante diferente: intermunicipal, su-
persônico.
– Sem hífen diante de vogal: interestadual, superinteressante.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Classificação por intensidade
DIVISÃO SILÁBICA -Tônica: sílaba com mais intensidade.
- Átona: sílaba com menos intensidade.
A cada um dos grupos pronunciados de uma determinada pa- - Subtônica: sílaba de intensidade intermediária.
lavra numa só emissão de voz, dá-se o nome de sílaba. Na Língua
Portuguesa, o núcleo da sílaba é sempre uma vogal, não existe síla- Classificação das palavras pela posição da sílaba tônica
ba sem vogal e nunca mais que uma vogal em cada sílaba. As palavras com duas ou mais sílabas são classificadas de acor-
Para sabermos o número de sílabas de uma palavra, devemos do com a posição da sílaba tônica.
perceber quantas vogais tem essa palavra. Mas preste atenção, pois
as letras i e u (mais raramente com as letras e e o) podem represen- - Oxítonos: a sílaba tônica é a última. Exemplos: paletó, Paraná,
tar semivogais. jacaré.
- Paroxítonos: a sílaba tônica é a penúltima. Exemplos: fácil, ba-
Classificação por número de sílabas nana, felizmente.
- Proparoxítonos: a sílaba tônica é a antepenúltima. Exemplos:
Monossílabas: palavras que possuem uma sílaba. mínimo, fábula, término.
Exemplos: ré, pó, mês, faz

Dissílabas: palavras que possuem duas sílabas. SINAIS DE PONTUAÇÃO: EMPREGOS


Exemplos: ca/sa, la/ço. E EFEITOS DE SENTIDO

Trissílabas: palavras que possuem três sílabas. Pontuação


Exemplos: i/da/de, pa/le/ta. Com Nina Catach, entendemos por pontuação um “sistema
de reforço da escrita, constituído de sinais sintáticos, destinados a
Polissílabas: palavras que possuem quatro ou mais sílabas. organizar as relações e a proporção das partes do discurso e das
Exemplos: mo/da/li/da/de, ad/mi/rá/vel. pausas orais e escritas. Estes sinais também participam de todas as
Divisão Silábica funções da sintaxe, gramaticais, entonacionais e semânticas”. (BE-
CHARA, 2009, p. 514)
- Letras que formam os dígrafos “rr”, “ss”, “sc”, “sç”, “xs”, e “xc” A partir da definição citada por Bechara podemos perceber a
devem permanecer em sílabas diferentes. Exemplos: importância dos sinais de pontuação, que é constituída por alguns
des – cer sinais gráficos assim distribuídos:os separadores (vírgula [ , ], ponto
pás – sa – ro... e vírgula [ ; ], ponto final [ . ], ponto de exclamação [ ! ], reticências [
... ]), e os de comunicação ou “mensagem” (dois pontos [ : ], aspas
- Dígrafos “ch”, “nh”, “lh”, “gu” e “qu” pertencem a uma única simples [‘ ’], aspas duplas [ “ ” ], travessão simples [ – ], travessão
sílaba. Exemplos: duplo [ — ], parênteses [ ( ) ], colchetes ou parênteses retos [ [ ] ],
chu – va chave aberta [ { ], e chave fechada [ } ]).
quei – jo
Ponto ( . )
- Hiatos não devem permanecer na mesma sílaba. Exemplos: O ponto simples final, que é dos sinais o que denota maior pau-
ca – de – a – do sa, serve para encerrar períodos que terminem por qualquer tipo
ju – í – z de oração que não seja a interrogativa direta, a exclamativa e as
reticências.
- Ditongos e tritongos devem pertencer a uma única sílaba. Estaremos presentes na festa.
Exemplos:
en – xa – guei Ponto de interrogação ( ? )
cai – xa Põe-se no fim da oração enunciada com entonação interrogati-
va ou de incerteza, real ou fingida, também chamada retórica.
- Encontros consonantais que ocorrem em sílabas internas não Você vai à festa?
permanecem juntos, exceto aqueles em que a segunda consoante
é “l” ou “r”. Exemplos: Ponto de exclamação ( ! )
ab – dô – men Põe-se no fim da oração enunciada com entonação exclama-
flau – ta (permaneceram juntos, pois a segunda letra é repre- tiva.
sentada pelo “l”) Ex: Que bela festa!
pra – to (o mesmo ocorre com esse exemplo)
- Alguns grupos consonantais iniciam palavras, e não podem Reticências ( ... )
ser separados. Exemplos: Denotam interrupção ou incompletude do pensamento (ou
peu – mo – ni – a porque se quer deixar em suspenso, ou porque os fatos se dão com
psi – có – lo – ga breve espaço de tempo intervalar, ou porque o nosso interlocutor
nos toma a palavra), ou hesitação em enunciá-lo.
Acento Tônico Ex: Essa festa... não sei não, viu.
Quando se pronuncia uma palavra de duas sílabas ou mais, há
sempre uma sílaba com sonoridade mais forte que as demais.
valor - a sílaba lor é a mais forte.
maleiro - a sílaba lei é a mais forte.

20
LÍNGUA PORTUGUESA
Dois-pontos ( : ) Perceba que, na frase acima, não há o uso de vírgula. Isso ocor-
Marcam uma supressão de voz em frase ainda não concluída. re por alguns motivos:
Em termos práticos, este sinal é usado para: Introduzir uma citação 1) NÃO se separa com vírgula o sujeito de seu predicado.
(discurso direto) e introduzir um aposto explicativo, enumerativo, 2) NÃO se separa com vírgula o verbo e seus complementos.
distributivo ou uma oração subordinada substantiva apositiva. 3) Não é aconselhável usar vírgula entre o complemento do
Ex: Uma bela festa: cheia de alegria e comida boa. verbo e o adjunto.

Ponto e vírgula ( ; ) Podemos estabelecer, então, que se a frase estiver na ordem


Representa uma pausa mais forte que a vírgula e menos que o comum (SVOAdj), não usaremos vírgula. Caso contrário, a vírgula
ponto, e é empregado num trecho longo, onde já existam vírgulas, é necessária:
para enunciar pausa mais forte, separar vários itens de uma enume- Ontem, Maria foi à padaria.
ração (frequente em leis), etc. Maria, ontem, foi à padaria.
Ex: Vi na festa os deputados, senadores e governador; vi tam- À padaria, Maria foi ontem.
bém uma linda decoração e bebidas caras.
Além disso, há outros casos em que o uso de vírgulas é neces-
Travessão ( — ) sário:
Não confundir o travessão com o traço de união ou hífen e com • Separa termos de mesma função sintática, numa enumera-
o traço de divisão empregado na partição de sílabas (ab-so-lu-ta- ção.
-men-te) e de palavras no fim de linha. O travessão pode substituir Simplicidade, clareza, objetividade, concisão são qualidades a
vírgulas, parênteses, colchetes, para assinalar uma expressão inter- serem observadas na redação oficial.
calada e pode indicar a mudança de interlocutor, na transcrição de • Separa aposto.
um diálogo, com ou sem aspas. Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da Lógica.
Ex: Estamos — eu e meu esposo — repletos de gratidão. • Separa vocativo.
Brasileiros, é chegada a hora de votar.
Parênteses e colchetes ( ) – [ ] • Separa termos repetidos.
Os parênteses assinalam um isolamento sintático e semântico Aquele aluno era esforçado, esforçado.
mais completo dentro do enunciado, além de estabelecer maior in-
timidade entre o autor e o seu leitor. Em geral, a inserção do parên- • Separa certas expressões explicativas, retificativas, exempli-
tese é assinalada por uma entonação especial. Intimamente ligados ficativas, como: isto é, ou seja, ademais, a saber, melhor dizendo,
aos parênteses pela sua função discursiva, os colchetes são utiliza- ou melhor, quer dizer, por exemplo, além disso, aliás, antes, com
dos quando já se acham empregados os parênteses, para introduzi- efeito, digo.
rem uma nova inserção. O político, a meu ver, deve sempre usar uma linguagem clara,
Ex: Vamos estar presentes na festa (aquela organizada pelo go- ou seja, de fácil compreensão.
vernador)
• Marca a elipse de um verbo (às vezes, de seus complemen-
Aspas ( “ ” ) tos).
As aspas são empregadas para dar a certa expressão sentido O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particula-
particular (na linguagem falada é em geral proferida com entoação res. (= ... a portaria regulamenta os casos particulares)
especial) para ressaltar uma expressão dentro do contexto ou para
apontar uma palavra como estrangeirismo ou gíria. É utilizada, ain- • Separa orações coordenadas assindéticas.
da, para marcar o discurso direto e a citação breve. Levantava-me de manhã, entrava no chuveiro, organizava as
Ex: O “coffe break” da festa estava ótimo. ideias na cabeça...

Vírgula • Isola o nome do lugar nas datas.


São várias as regras que norteiam o uso das vírgulas. Eviden- Rio de Janeiro, 21 de julho de 2006.
ciaremos, aqui, os principais usos desse sinal de pontuação. Antes
disso, vamos desmistificar três coisas que ouvimos em relação à • Isolar conectivos, tais como: portanto, contudo, assim, dessa
vírgula: forma, entretanto, entre outras. E para isolar, também, expressões
1º – A vírgula não é usada por inferência. Ou seja: não “senti- conectivas, como: em primeiro lugar, como supracitado, essas infor-
mos” o momento certo de fazer uso dela. mações comprovam, etc.
2º – A vírgula não é usada quando paramos para respirar. Em Fica claro, portanto, que ações devem ser tomadas para ame-
alguns contextos, quando, na leitura de um texto, há uma vírgula, o nizar o problema.
leitor pode, sim, fazer uma pausa, mas isso não é uma regra. Afinal,
cada um tem seu tempo de respiração, não é mesmo?!?!
3º – A vírgula tem sim grande importância na produção de tex-
tos escritos. Não caia na conversa de algumas pessoas de que ela é
menos importante e que pode ser colocada depois.
Agora, precisamos saber que a língua portuguesa tem uma or-
dem comum de construção de suas frases, que é Sujeito > Verbo >
Objeto > Adjunto, ou seja, (SVOAdj).
Mariafoiàpadariaontem.
Sujeito VerboObjetoAdjunto

21
LÍNGUA PORTUGUESA
Afixos
ASPECTOS MORFOLÓGICOS: CLASSES DE PALAVRAS: Os afixos são elementos que se acrescentam antes ou depois
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS; IDENTIFI- do radical de uma palavra para a formação de outra palavra. Divi-
CAÇÃO E EMPREGO. FLEXÃO NOMINAL E VERBAL DAS dem-se em:
CLASSES DE PALAVRAS: PADRÕES REGULARES E FOR- Prefixo: Partícula que se coloca antes do radical.
MAS IRREGULARES. MORFOLOGIA DO VERBO: TEM- Exemplos
POS, MODOS E VOZES VERBAIS DISpor, EMpobrecer, DESorganizar.

ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS Sufixo


As palavras são formadas por estruturas menores, com signifi- Afixo que se coloca depois do radical.
cados próprios. Para isso, há vários processos que contribuem para Exemplos
a formação das palavras. contentaMENTO, reallDADE, enaltECER.
Processos de formação das palavras
Estrutura das palavras Composição: Formação de uma palavra nova por meio da jun-
As palavras podem ser subdivididas em estruturas significativas ção de dois ou mais vocábulos primitivos. Temos:
menores - os morfemas, também chamados de elementos mórfi-
cos: Justaposição: Formação de palavra composta sem alteração na
– radical e raiz; estrutura fonética das primitivas.
– vogal temática; Exemplos
– tema; passa + tempo = passatempo
– desinências; gira + sol = girassol
– afixos;
– vogais e consoantes de ligação. Aglutinação:Formação de palavra composta com alteração da
Radical: Elemento que contém a base de significação do vocá- estrutura fonética das primitivas.
bulo. Exemplos
Exemplos em + boa + hora = embora
VENDer, PARTir, ALUNo, MAR. vossa + merce = você

Desinências: Elementos que indicam as flexões dos vocábulos. Derivação:


Formação de uma nova palavra a partir de uma primitiva. Te-
Dividem-se em: mos:

Nominais Prefixação: Formação de palavra derivada com acréscimo de


Indicam flexões de gênero e número nos substantivos. um prefixo ao radical da primitiva.
Exemplos Exemplos
pequenO, pequenA, alunO, aluna. CONter, INapto, DESleal.
pequenoS, pequenaS, alunoS, alunas.
Sufixação: Formação de palavra nova com acréscimo de um su-
Verbais fixo ao radical da primitiva.
Indicam flexões de modo, tempo, pessoa e número nos verbos Exemplos
Exemplos cafezAL, meninINHa, loucaMENTE.
vendêSSEmos, entregáRAmos. (modo e tempo)
vendesteS, entregásseIS. (pessoa e número) Parassíntese: Formação de palavra derivada com acréscimo de
um prefixo e um sufixo ao radical da primitiva ao mesmo tempo.
Indica, nos verbos, a conjugação a que pertencem. Exemplos
Exemplos EMtardECER, DESanimADO, ENgravidAR.
1ª conjugação: – A – cantAr
2ª conjugação: – E – fazEr Derivação imprópria: Alteração da função de uma palavra pri-
3ª conjugação: – I – sumIr mitiva.
Exemplo
Observação Todos ficaram encantados com seu andar: verbo usado com
Nos substantivos ocorre vogal temática quando ela não indica valor de substantivo.
oposição masculino/feminino.
Exemplos Derivação regressiva: Ocorre a alteração da estrutura fonética
livrO, dentE, paletó. de uma palavra primitiva para a formação de uma derivada. Em ge-
ral de um verbo para substantivo ou vice-versa.
Tema: União do radical e a vogal temática. Exemplos
Exemplos combater – o combate
CANTAr, CORREr, CONSUMIr. chorar – o choro

Vogal e consoante de ligação: São os elementos que se inter- Prefixos


põem aos vocábulos por necessidade de eufonia. Os prefixos existentes em Língua Portuguesa são divididos em:
Exemplos vernáculos, latinos e gregos.
chaLeira, cafeZal.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Vernáculos: Prefixos latinos que sofreram modificações ou fo- arqui, arque, arce, arc – superioridade: arcebispo, arcanjo.
ram aportuguesados: a, além, ante, aquém, bem, des, em, entre, caco – mau: cacofonia.
mal, menos, sem, sob, sobre, soto. cata – de cima para baixo: cataclismo, catalepsia.
Nota-se o emprego desses prefixos em palavras como:abordar, deca – dez: decâmetro.
além-mar, bem-aventurado, desleal, engarrafar, maldição, menos- dia – através de, divisão: diáfano, diálogo.
prezar, sem-cerimônia, sopé, sobpor, sobre-humano, etc. dis – dualidade, mau: dissílabo, dispepsia.
en – sobre, dentro: encéfalo, energia.
Latinos: Prefixos que conservam até hoje a sua forma latina endo – para dentro: endocarpo.
original: epi – por cima: epiderme, epígrafe.
a, ab, abs – afastamento: aversão, abjurar. eu – bom: eufonia, eugênia, eupepsia.
a, ad – aproximação, direção: amontoar. hecto – cem: hectômetro.
ambi – dualidade: ambidestro. hemi – metade: hemistíquio, hemisfério.
bis, bin, bi – repetição, dualidade: bisneto, binário. hiper – superioridade: hipertensão, hipérbole.
centum – cem: centúnviro, centuplicar, centígrado. hipo – inferioridade: hipoglosso, hipótese, hipotermia.
circum, circun, circu – em volta de: circumpolar, circunstante. homo – semelhança, identidade: homônimo.
cis – aquem de: cisalpino, cisgangético. meta – união, mudança, além de: metacarpo, metáfase.
com, con, co – companhia, concomitância: combater, contem- míria – dez mil: miriâmetro.
porâneo. mono – um: monóculo, monoculista.
contra – oposição, posição inferior: contradizer. neo – novo, moderno: neologismo, neolatino.
de – movimento de cima para baixo, origem, afastamento: de- para – aproximação, oposição: paráfrase, paradoxo.
crescer, deportar. penta – cinco: pentágono.
des – negação, separação, ação contrária: desleal, desviar. peri – em volta de: perímetro.
dis, di – movimento para diversas partes, ideia contrária: dis- poli – muitos: polígono, polimorfo.
trair, dimanar. pro – antes de: prótese, prólogo, profeta.
entre – situação intermediaria, reciprocidade: entrelinha, en- Sufixos
trevista. Os sufixos podem ser: nominais, verbais e adverbial.
ex, es, e – movimento de dentro para fora, intensidade, priva-
ção, situação cessante: exportar, espalmar, ex-professor. Nominais
extra – fora de, além de, intensidade: extravasar, extraordiná- Coletivos: -aria, -ada, -edo, -al, -agem, -atro, -alha, -ama.
rio. Aumentativos e diminutivos: -ão, -rão, -zão, -arrão, -aço, -as-
im, in, i – movimento para dentro; ideia contraria: importar, tro, -az.
ingrato. Agentes: -dor, -nte, -ário, -eiro, -ista.
inter – no meio de: intervocálico, intercalado. Lugar: -ário, -douro, -eiro, -ório.
intra – movimento para dentro: intravenoso, intrometer. Estado: -eza, -idade, -ice, -ência, -ura, -ado, -ato.
justa – perto de: justapor. Pátrios: -ense, -ista, -ano, -eiro, -ino, -io, -eno, -enho, -aico.
multi – pluralidade: multiforme. Origem, procedência: -estre, -este, -esco.
ob, o – oposição: obstar, opor, obstáculo.
pene – quase: penúltimo, península. Verbais
per – movimento através de, acabamento de ação; ideia pejo- Comuns: -ar, -er, -ir.
rativa: percorrer. Frequentativos: -açar, -ejar, -escer, -tear, -itar.
post, pos – posteridade: postergar, pospor. Incoativos: -escer, -ejar, -itar.
pre – anterioridade: predizer, preclaro. Diminutivos: -inhar, -itar, -icar, -iscar.
preter – anterioridade, para além: preterir, preternatural.
pro – movimento para diante, a favor de, em vez de: prosseguir, Adverbial = há apenas um
procurador, pronome. MENTE: mecanicamente, felizmente etc.
re – movimento para trás, ação reflexiva, intensidade, repeti-
ção: regressar, revirar. CLASSES DE PALAVRAS
retro – movimento para trás: retroceder.
satis – bastante: satisdar. Substantivo
sub, sob, so, sus – inferioridade: subdelegado, sobraçar, sopé. São as palavras que atribuem nomes aos seres reais ou imagi-
subter – por baixo: subterfúgio. nários (pessoas, animais, objetos), lugares, qualidades, ações e sen-
super, supra – posição superior, excesso: super-homem, super- timentos, ou seja, que tem existência concreta ou abstrata.
povoado.
trans, tras, tra, tres – para além de, excesso: transpor. Classificação dos substantivos
tris, três, tri – três vezes: trisavô, tresdobro.
ultra – para além de, intensidade: ultrapassar, ultrabelo. SUBSTANTIVO SIMPLES: Olhos/água/
uni – um: unânime, unicelular. apresentam um só radical em muro/quintal/caderno/
sua estrutura. macaco/João/sabão
Grego: Os principais prefixos de origem grega são:
a, an – privação, negação: ápode, anarquia. SUBSTANTIVOS Macacos-prego/
ana – inversão, parecença: anagrama, analogia. COMPOSTOS: são formados porta-voz/
anfi – duplicidade, de um e de outro lado: anfíbio, anfiteatro. por mais de um radical em sua pé-de-moleque
anti – oposição: antipatia, antagonista. estrutura.
apo – afastamento: apólogo, apogeu.

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LÍNGUA PORTUGUESA

SUBSTANTIVOS Casa/ • Grau: Podem apresentar-se no grau aumentativo e no grau


PRIMITIVOS: são os que dão mundo/ diminutivo.
origem a outras palavras, ou população – Grau aumentativo sintético: casarão, bocarra.
seja, ela é a primeira. /formiga – Grau aumentativo analítico: casa grande, boca enorme.
– Grau diminutivo sintético: casinha, boquinha
SUBSTANTIVOS Caseiro/mundano/ – Grau diminutivo analítico: casa pequena, boca minúscula.
DERIVADOS: são formados populacional/formigueiro
por outros radicais da língua. Adjetivo
SUBSTANTIVOS Rodrigo É a palavra invariável que especifica e caracteriza o substanti-
PRÓPRIOS: designa /Brasil vo: imprensa livre, favela ocupada. Locução adjetiva é expressão
determinado ser entre outros /Belo Horizonte/Estátua composta por substantivo (ou advérbio) ligado a outro substantivo
da mesma espécie. São da Liberdade por preposição com o mesmo valor e a mesma função que um ad-
sempre iniciados por letra jetivo: golpe de mestre (golpe magistral), jornal da tarde (jornal
maiúscula. vespertino).
SUBSTANTIVOS COMUNS: biscoitos/ruídos/estrelas/ Flexão do Adjetivos
referem-se qualquer ser de cachorro/prima • Gênero:
uma mesma espécie. – Uniformes: apresentam uma só para o masculino e o femini-
SUBSTANTIVOS Leão/corrente no: homem feliz, mulher feliz.
CONCRETOS: nomeiam seres /estrelas/fadas – Biformes: apresentam uma forma para o masculino e outra
com existência própria. Esses /lobisomem para o feminino: juiz sábio/ juíza sábia, bairro japonês/ indústria
seres podem ser animadoso /saci-pererê japonesa, aluno chorão/ aluna chorona.
ou inanimados, reais ou
imaginários. • Número:
– Os adjetivos simples seguem as mesmas regras de flexão de
SUBSTANTIVOS Mistério/
número que os substantivos: sábio/ sábios, namorador/ namorado-
ABSTRATOS: nomeiam bondade/
res, japonês/ japoneses.
ações, estados, qualidades confiança/
– Os adjetivos compostos têm algumas peculiaridades: luvas
e sentimentos que não tem lembrança/
branco-gelo, garrafas amarelo-claras, cintos da cor de chumbo.
existência própria, ou seja, só amor/
existem em função de um ser. alegria
• Grau:
SUBSTANTIVOS Elenco (de atores)/ – Grau Comparativo de Superioridade: Meu time é mais vito-
COLETIVOS: referem-se a um acervo (de obras rioso (do) que o seu.
conjunto de seres da mesma artísticas)/buquê (de flores) – Grau Comparativo de Inferioridade: Meu time é menos vito-
espécie, mesmo quando rioso (do) que o seu.
empregado no singular e – Grau Comparativo de Igualdade: Meu time é tão vitorioso
constituem um substantivo quanto o seu.
comum. – Grau Superlativo Absoluto Sintético: Meu time é famosíssi-
NÃO DEIXE DE PESQUISAR A REGÊNCIA DE OUTRAS mo.
PALAVRAS QUE NÃO ESTÃO AQUI! – Grau Superlativo Absoluto Analítico: Meu time é muito fa-
moso.
Flexão dos Substantivos – Grau Superlativo Relativo de Superioridade: Meu time é o
• Gênero: Os gêneros em português podem ser dois: masculi- mais famoso de todos.
no e feminino. E no caso dos substantivos podem ser biformes ou – Grau Superlativo Relativo de Inferioridade; Meu time é me-
uniformes nos famoso de todos.
– Biformes: as palavras tem duas formas, ou seja, apresenta
uma forma para o masculino e uma para o feminino: tigre/tigresa, o Artigo
presidente/a presidenta, o maestro/a maestrina É uma palavra variável em gênero e número que antecede o
– Uniformes: as palavras tem uma só forma, ou seja, uma única substantivo, determinando de modo particular ou genérico.
forma para o masculino e o feminino. Os uniformes dividem-se em • Classificação e Flexão do Artigos
epicenos, sobrecomuns e comuns de dois gêneros. – Artigos Definidos: o, a, os, as.
a) Epicenos: designam alguns animais e plantas e são invariá- O menino carregava o brinquedo em suas costas.
veis: onça macho/onça fêmea, pulga macho/pulga fêmea, palmeira As meninas brincavam com as bonecas.
macho/palmeira fêmea. – Artigos Indefinidos: um, uma, uns, umas.
b) Sobrecomuns: referem-se a seres humanos; é pelo contexto Um menino carregava um brinquedo.
que aparecem que se determina o gênero: a criança (o criança), a Umas meninas brincavam com umas bonecas.
testemunha (o testemunha), o individuo (a individua).
c) Comuns de dois gêneros: a palavra tem a mesma forma tanto Numeral
para o masculino quanto para o feminino: o/a turista, o/a agente, É a palavra que indica uma quantidade definida de pessoas ou
o/a estudante, o/a colega. coisas, ou o lugar (posição) que elas ocupam numa série.
• Número: Podem flexionar em singular (1) e plural (mais de 1). • Classificação dos Numerais
– Singular: anzol, tórax, próton, casa. – Cardinais: indicam número ou quantidade:
– Plural: anzóis, os tórax, prótons, casas.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Trezentos e vinte moradores.
– Ordinais: indicam ordem ou posição numa sequência:
Quinto ano. Primeiro lugar.
– Multiplicativos: indicam o número de vezes pelo qual uma quantidade é multiplicada:
O quíntuplo do preço.
– Fracionários: indicam a parte de um todo:
Dois terços dos alunos foram embora.

Pronome
É a palavra que substitui os substantivos ou os determinam, indicando a pessoa do discurso.
• Pronomes pessoais vão designar diretamente as pessoas em uma conversa. Eles indicam as três pessoas do discurso.

Pronomes Retos Pronomes Oblíquos


Pessoas do Discurso
Função Subjetiva Função Objetiva
1º pessoa do singular Eu Me, mim, comigo
2º pessoa do singular Tu Te, ti, contigo
3º pessoa do singular Ele, ela, Se, si, consigo, lhe, o, a
1º pessoa do plural Nós Nos, conosco
2º pessoa do plural Vós Vos, convosco
3º pessoa do plural Eles, elas Se, si, consigo, lhes, os, as

• Pronomes de Tratamento são usados no trato com as pessoas, normalmente, em situações formais de comunicação.

Pronomes de Tratamento Emprego


Você Utilizado em situações informais.
Senhor (es) e Senhora (s) Tratamento para pessoas mais velhas.
Vossa Excelência Usados para pessoas com alta autoridade
Vossa Magnificência Usados para os reitores das Universidades.
Empregado nas correspondências e textos
Vossa Senhoria
escritos.
Vossa Majestade Utilizado para Reis e Rainhas
Vossa Alteza Utilizado para príncipes, princesas, duques.
Vossa Santidade Utilizado para o Papa
Vossa Eminência Usado para Cardeais.
Vossa Reverendíssima Utilizado para sacerdotes e religiosos em geral.

• Pronomes Possessivos referem-se às pessoas do discurso, atribuindo-lhes a posse de alguma coisa.

Pessoa do Discurso Pronome Possessivo


1º pessoa do singular Meu, minha, meus, minhas
2º pessoa do singular teu, tua, teus, tuas
3º pessoa do singular seu, sua, seus, suas
1º pessoa do plural Nosso, nossa, nossos, nossas
2º pessoa do plural Vosso, vossa, vossos, vossas
3º pessoa do plural Seu, sua, seus, suas

• Pronomes Demonstrativos são utilizados para indicar a posição de algum elemento em relação à pessoa seja no discurso, no tempo
ou no espaço.

Pronomes Demonstrativos Singular Plural


Feminino esta, essa, aquela estas, essas, aquelas
Masculino este, esse, aquele estes, esses, aqueles

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LÍNGUA PORTUGUESA

• Pronomes Indefinidos referem-se à 3º pessoa do discurso, designando-a de modo vago, impreciso, indeterminado. Os pronomes
indefinidos podem ser variáveis (varia em gênero e número) e invariáveis (não variam em gênero e número).

Classificação Pronomes Indefinidos


algum, alguma, alguns, algumas, nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas, muito, muita, muitos, muitas, pou-
co, pouca, poucos, poucas, todo, toda, todos, todas, outro, outra, outros, outras, certo, certa, certos, certas, vário,
Variáveis
vária, vários, várias, tanto, tanta, tantos, tantas, quanto, quanta, quantos, quantas, qualquer, quaisquer, qual, quais,
um, uma, uns, umas.
Invariáveis quem, alguém, ninguém, tudo, nada, outrem, algo, cada.

• Pronomes Interrogativos são palavras variáveis e invariáveis utilizadas para formular perguntas diretas e indiretas.

Classificação Pronomes Interrogativos


Variáveis qual, quais, quanto, quantos, quanta, quantas.
Invariáveis quem, que.

• Pronomes Relativos referem-se a um termo já dito anteriormente na oração, evitando sua repetição. Eles também podem ser
variáveis e invariáveis.

Classificação Pronomes Relativos


Variáveis o qual, a qual, os quais, as quais, cujo, cuja, cujos, cujas, quanto, quanta, quantos, quantas.
Invariáveis quem, que, onde.

Verbos
São as palavras que exprimem ação, estado, fenômenos meteorológicos, sempre em relação ao um determinado tempo.

• Flexão verbal
Os verbos podem ser flexionados de algumas formas.
– Modo: É a maneira, a forma como o verbo se apresenta na frase para indicar uma atitude da pessoa que o usou. O modo é dividido
em três: indicativo (certeza, fato), subjuntivo (incerteza, subjetividade) e imperativo (ordem, pedido).
– Tempo: O tempo indica o momento em que se dá o fato expresso pelo verbo. Existem três tempos no modo indicativo: presente,
passado (pretérito perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito) e futuro (do presente e do pretérito). No subjuntivo, são três: presente, pre-
térito imperfeito e futuro.
– Número: Este é fácil: singular e plural.
– Pessoa: Fácil também: 1ª pessoa (eu amei, nós amamos); 2º pessoa (tu amaste, vós amastes); 3ª pessoa (ele amou, eles amaram).

• Formas nominais do verbo


Os verbos têm três formas nominais, ou seja, formas que exercem a função de nomes (normalmente, substantivos). São elas infinitivo
(terminado em -R), gerúndio (terminado em –NDO) e particípio (terminado em –DA/DO).

• Voz verbal
É a forma como o verbo se encontra para indicar sua relação com o sujeito. Ela pode ser ativa, passiva ou reflexiva.
– Voz ativa: Segundo a gramática tradicional, ocorre voz ativa quando o verbo (ou locução verbal) indica uma ação praticada pelo
sujeito. Veja:
João pulou da cama atrasado
– Voz passiva: O sujeito é paciente e, assim, não pratica, mas recebe a ação. A voz passiva pode ser analítica ou sintética. A voz passiva
analítica é formada por:
Sujeito paciente + verbo auxiliar (ser, estar, ficar, entre outros) + verbo principal da ação conjugado no particípio + preposição por/
pelo/de + agente da passiva.
A casa foi aspirada pelos rapazes

A voz passiva sintética, também chamada de voz passiva pronominal (devido ao uso do pronome se) é formada por:
Verbo conjugado na 3.ª pessoa (no singular ou no plural) + pronome apassivador «se» + sujeito paciente.
Aluga-se apartamento.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Advérbio
É a palavra invariável que modifica o verbo, adjetivo, outro advérbio ou a oração inteira, expressando uma determinada circunstância.
As circunstâncias dos advérbios podem ser:
– Tempo: ainda, cedo, hoje, agora, antes, depois, logo, já, amanhã, tarde, sempre, nunca, quando, jamais, ontem, anteontem, breve-
mente, atualmente, à noite, no meio da noite, antes do meio-dia, à tarde, de manhã, às vezes, de repente, hoje em dia, de vez em quando,
em nenhum momento, etc.
– Lugar: Aí, aqui, acima, abaixo, ali, cá, lá, acolá, além, aquém, perto, longe, dentro, fora, adiante, defronte, detrás, de cima, em cima,
à direita, à esquerda, de fora, de dentro, por fora, etc.
– Modo: assim, melhor, pior, bem, mal, devagar, depressa, rapidamente, lentamente, apressadamente, felizmente, às pressas, às
ocultas, frente a frente, com calma, em silêncio, etc.
– Afirmação: sim, deveras, decerto, certamente, seguramente, efetivamente, realmente, sem dúvida, com certeza, por certo, etc.
– Negação: não, absolutamente, tampouco, nem, de modo algum, de jeito nenhum, de forma alguma, etc.
– Intensidade: muito, pouco, mais, menos, meio, bastante, assaz, demais, bem, mal, tanto, tão, quase, apenas, quanto, de pouco, de
todo, etc.
– Dúvida: talvez, acaso, possivelmente, eventualmente, porventura, etc.

Preposição
É a palavra que liga dois termos, de modo que o segundo complete o sentido do primeiro. As preposições são as seguintes:

Conjunção
É palavra que liga dois elementos da mesma natureza ou uma oração a outra. As conjunções podem ser coordenativas (que ligam
orações sintaticamente independentes) ou subordinativas (que ligam orações com uma relação hierárquica, na qual um elemento é de-
terminante e o outro é determinado).

• Conjunções Coordenativas

Tipos Conjunções Coordenativas


Aditivas e, mas ainda, mas também, nem...
Adversativas contudo, entretanto, mas, não obstante, no entanto, porém, todavia...
Alternativas já…, já…, ou, ou…, ou…, ora…, ora…, quer…, quer…
assim, então, logo, pois (depois do verbo), por conseguinte, por isso, portan-
Conclusivas
to...
Explicativas pois (antes do verbo), porquanto, porque, que...

• Conjunções Subordinativas

Tipos Conjunções Subordinativas


Causais Porque, pois, porquanto, como, etc.
Concessivas Embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, etc.
Condicionais Se, caso, quando, conquanto que, salvo se, sem que, etc.
Conforme, como (no sentido de conforme), segundo, consoante,
Conformativas
etc.
Finais Para que, a fim de que, porque (no sentido de que), que, etc.
Proporcionais À medida que, ao passo que, à proporção que, etc.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Temporais Quando, antes que, depois que, até que, logo que, etc.
Que, do que (usado depois de mais, menos, maior, menor, melhor,
Comparativas
etc.
Que (precedido de tão, tal, tanto), de modo que, De maneira que,
Consecutivas
etc.
Integrantes Que, se.

Interjeição
É a palavra invariável que exprime ações, sensações, emoções, apelos, sentimentos e estados de espírito, traduzindo as reações das
pessoas.
• Principais Interjeições
Oh! Caramba! Viva! Oba! Alô! Psiu! Droga! Tomara! Hum!

Dez classes de palavras foram estudadas agora. O estudo delas é muito importante, pois se você tem bem construído o que é e a fun-
ção de cada classe de palavras, não terá dificuldades para entender o estudo da Sintaxe.

MORFOSSINTAXE: A ORAÇÃO E SEUS TERMOS: RELAÇÕES SINTÁTICO-SEMÂNTICAS ENTRE OS TERMOS NA ORAÇÃO.


O PERÍODO E SUA CONSTRUÇÃO: PERÍODO SIMPLES E PERÍODO COMPOSTO; SINTAXE DO PERÍODO COMPOSTO:
PROCESSOS, FORMAS E SENTIDOS DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO E SUAS RELAÇÕES LÓGICO-SEMÂNTICAS

Agora chegamos no assunto que causa mais temor em muitos estudantes. Mas eu tenho uma boa notícia para te dar: o estudo da
sintaxe é mais fácil do que parece e você vai ver que sabe muita coisa que nem imagina. Para começar, precisamos de classificar algumas
questões importantes:

• Frase:Enunciado que estabelece uma comunicação de sentido completo.


Os jornais publicaram a notícia.
Silêncio!

• Oração: Enunciado que se forma com um verbo ou com uma locução verbal.
Este filme causou grande impacto entre o público.
A inflação deve continuar sob controle.

• Período Simples: formado por uma única oração.


O clima se alterou muito nos últimos dias.

• Período Composto: formado por mais de uma oração.


O governo prometeu/ que serão criados novos empregos.

Bom, já está a clara a diferença entre frase, oração e período. Vamos, então, classificar os elementos que compõem uma oração:
• Sujeito: Termo da oração do qual se declara alguma coisa.
O problema da violência preocupa os cidadãos.
• Predicado: Tudo que se declara sobre o sujeito.
A tecnologia permitiu o resgate dos operários.
• Objeto Direto: Complemento que se liga ao verbo transitivo direto ou ao verbo transitivo direto e indireto sem o auxílio da prepo-
sição.
A tecnologia tem possibilitado avanços notáveis.
Os pais oferecem ajuda financeira ao filho.
• Objeto Indireto: Complemento que se liga ao verbo transitivo indireto ou ao verbo transitivo direto e indireto por meio de preposi-
ção.
Os Estados Unidos resistem ao grave momento.
João gosta de beterraba.
• Adjunto Adverbial: Termo modificador do verbo que exprime determinada circunstância (tempo, lugar, modo etc.) ou intensifica um
verbo, adjetivo ou advérbio.
O ônibus saiu à noite quase cheio, com destino a Salvador.
Vamos sair do mar.
• Agente da Passiva: Termo da oração que exprime quem pratica a ação verbal quando o verbo está na voz passiva.
Raquel foi pedida em casamento por seu melhor amigo.
• Adjunto Adnominal: Termo da oração que modifica um substantivo, caracterizando-o ou determinando-o sem a intermediação de
um verbo.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Um casal de médicos eram os novos moradores do meu prédio.
• Complemento Nominal: Termo da oração que completa nomes, isto é, substantivos, adjetivos e advérbios, e vem preposicionado.
A realização do torneio teve a aprovação de todos.
• Predicativo do Sujeito: Termo que atribui característica ao sujeito da oração.
A especulação imobiliária me parece um problema.
• Predicativo do Objeto: Termo que atribui características ao objeto direto ou indireto da oração.
O médico considerou o paciente hipertenso.
• Aposto: Termo da oração que explica, esclarece, resume ou identifica o nome ao qual se refere (substantivo, pronome ou equivalen-
tes). O aposto sempre está entre virgulas ou após dois-pontos.
A praia do Forte, lugar paradisíaco, atrai muitos turistas.
• Vocativo: Termo da oração que se refere a um interlocutor a quem se dirige a palavra.
Senhora, peço aguardar mais um pouco.

Tipos de orações
As partes de uma oração já está fresquinha aí na sua cabeça, não é?!?! Estudar os tipos de orações que existem será moleza, moleza.
Vamos comigo!!!
Temos dois tipos de orações: as coordenadas, cuja as orações de um período são independentes (não dependem uma da outra para
construir sentido completo); e as subordinadas, cuja as orações de um período são dependentes (dependem uma da outra para construir
sentido completo).
As orações coordenadas podem ser sindéticas (conectadas uma a outra por uma conjunção) e assindéticas (que não precisam da
conjunção para estar conectadas. O serviço é feito pela vírgula).

Tipos de orações coordenadas

Orações Coordenadas Sindéticas Orações Coordenadas Assindéticas

Aditivas Fomos para a escola e fizemos o exame final. • Lena estava triste, cansada, decepcionada.
Adversativas Pedro Henrique estuda muito, porém não •
passa no vestibular. • Ao chegar à escola conversamos, estudamos, lan-
chamos.
Alternativas Manuela ora quer comer hambúrguer, ora
quer comer pizza. Alfredo está chateado, pensando em se mudar.
Conclusivas Não gostamos do restaurante, portanto não
iremos mais lá. Precisamos estar com cabelos arrumados, unhas feitas.

Explicativas Marina não queria falar, ou seja, ela estava João Carlos e Maria estão radiantes, alegria que dá in-
de mau humor. veja.

Tipos de orações subordinadas


As orações subordinadas podem ser substantivas, adjetivas e adverbiais. Cada uma delas tem suas subclassificações, que veremos
agora por meio do quadro seguinte.

Orações Subordinadas
Subjetivas É certo que ele trará os a sobremesa do
Exercem a função de sujeito jantar.
Completivas Nominal Estou convencida de que ele é solteiro.
Exercem a função de complemento
nominal
Predicativas O problema é que ele não entregou a
Orações Subordinadas Substantivas Exercem a função de predicativo refeição no lugar.
Apositivas Eu lhe disse apenas isso: que não se
Exercem a função de aposto aborrecesse com ela.
Objetivas Direta Espero que você seja feliz.
Exercem a função de objeto direto
Objetivas Indireta Lembrou-se da dívida que tem com ele.
Exercem a função de objeto indireto

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LÍNGUA PORTUGUESA

Explicativas Os alunos, que foram mal na prova de


Explicam um termo dito quinta, terão aula de reforço.
anteriormente. SEMPRE serão
acompanhadas por vírgula.
Orações Subordinadas Adjetivas
Restritivas Os alunos que foram mal na prova de
Restringem o sentido de um termo quinta terão aula de reforço.
dito anteriormente. NUNCA serão
acompanhadas por vírgula.

Causais Estou vestida assim porque vou sair.


Assumem a função de advérbio de
causa
Consecutivas Falou tanto que ficou rouca o resto do
Assumem a função de advérbio de dia.
consequência
Comparativas A menina comia como um adulto come.
Assumem a função de advérbio de
comparação
Condicionais Desde que ele participe, poderá entrar
Assumem a função de advérbio de na reunião.
condição
Conformativas O shopping fechou, conforme havíamos
Orações Subordinadas Adverbiais Assumem a função de advérbio de previsto.
conformidade
Concessivas Embora eu esteja triste, irei à festa mais
Assumem a função de advérbio de tarde.
concessão
Finais Vamos direcionar os esforços para que
Assumem a função de advérbio de todos tenham acesso aos benefícios.
finalidade
Proporcionais Quanto mais eu dormia, mais sono
Assumem a função de advérbio de tinha.
proporção
Temporais Quando a noite chega, os morcegos
Assumem a função de advérbio de saem de suas casas.
tempo

Olha como esse quadro facilita a vida, não é?! Por meio dele, conseguimos ter uma visão geral das classificações e subclassificações
das orações, o que nos deixa mais tranquilos para estudá-las.

SINTAXE DE COLOCAÇÃO: COLOCAÇÃO DOS PRONOMES OBLÍQUOS ÁTONOS

A colocação do pronome átono está relacionada à harmonia da frase. A tendência do português falado no Brasil é o uso do pronome
antes do verbo – próclise. No entanto, há casos em que a norma culta prescreve o emprego do pronome no meio – mesóclise – ou após
o verbo – ênclise.
De acordo com a norma culta, no português escrito não se inicia um período com pronome oblíquo átono. Assim, se na linguagem
falada diz-se “Me encontrei com ele”, já na linguagem escrita, formal, usa-se “Encontrei-me’’ com ele.
Sendo a próclise a tendência, é aconselhável que se fixem bem as poucas regras de mesóclise e ênclise. Assim, sempre que estas não
forem obrigatórias, deve-se usar a próclise, a menos que prejudique a eufonia da frase.

Próclise
Na próclise, o pronome é colocado antes do verbo.

Palavra de sentido negativo: Não me falou a verdade.


Advérbios sem pausa em relação ao verbo: Aqui te espero pacientemente.
Havendo pausa indicada por vírgula, recomenda-se a ênclise: Ontem, encontrei-o no ponto do ônibus.
Pronomes indefinidos: Ninguém o chamou aqui.
Pronomes demonstrativos: Aquilo lhe desagrada.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Orações interrogativas: Quem lhe disse tal coisa? Observação
Orações optativas (que exprimem desejo), com sujeito ante- Não se deve omitir o hífen nas seguintes construções:
posto ao verbo: Deus lhe pague, Senhor! Devo-lhe dizer tudo.
Orações exclamativas: Quanta honra nos dá sua visita! Estava-lhe dizendo tudo.
Orações substantivas, adjetivas e adverbiais, desde que não se- Havia-lhe dito tudo.
jam reduzidas: Percebia que o observavam.
Verbo no gerúndio, regido de preposição em: Em se plantando,
tudo dá. REGÊNCIA: NOMINAL E VERBAL
Verbo no infinitivo pessoal precedido de preposição: Seus in-
tentos são para nos prejudicarem. • Regência Nominal
A regência nominal estuda os casos em que nomes (substan-
Ênclise tivos, adjetivos e advérbios) exigem outra palavra para completar-
Na ênclise, o pronome é colocado depois do verbo. -lhes o sentido. Em geral a relação entre um nome e o seu comple-
mento é estabelecida por uma preposição.
Verbo no início da oração, desde que não esteja no futuro do
indicativo: Trago-te flores. • Regência Verbal
Verbo no imperativo afirmativo: Amigos, digam-me a verdade! A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre o
Verbo no gerúndio, desde que não esteja precedido pela pre- verbo (termo regente) e seu complemento (termo regido).
posição em: Saí, deixando-a aflita. Isto pertence a todos.
Verbo no infinitivo impessoal regido da preposição a. Com
outras preposições é facultativo o emprego de ênclise ou próclise: Regência de algumas palavras
Apressei-me a convidá-los.
Esta palavra combina com Esta preposição
Mesóclise
Na mesóclise, o pronome é colocado no meio do verbo. Acessível a
Apto a, para
É obrigatória somente com verbos no futuro do presente ou no
futuro do pretérito que iniciam a oração. Atencioso com, para com
Dir-lhe-ei toda a verdade. Coerente com
Far-me-ias um favor?
Conforme a, com
Se o verbo no futuro vier precedido de pronome reto ou de Dúvida acerca de, de, em, sobre
qualquer outro fator de atração, ocorrerá a próclise. Empenho de, em, por
Eu lhe direi toda a verdade.
Tu me farias um favor? Fácil a, de, para,
Junto a, de

Colocação do pronome átono nas locuções verbais Pendente de


Verbo principal no infinitivo ou gerúndio: Se a locução verbal Preferível a
não vier precedida de um fator de próclise, o pronome átono deve-
Próximo a, de
rá ficar depois do auxiliar ou depois do verbo principal.
Exemplos: Respeito a, com, de, para com, por
Devo-lhe dizer a verdade. Situado a, em, entre
Devo dizer-lhe a verdade.
Ajudar (a fazer algo) a
Havendo fator de próclise, o pronome átono deverá ficar antes Aludir (referir-se) a
do auxiliar ou depois do principal.
Exemplos: Aspirar (desejar, pretender) a
Não lhe devo dizer a verdade. Assistir (dar assistência) Não usa preposição
Não devo dizer-lhe a verdade. Deparar (encontrar) com
Verbo principal no particípio: Se não houver fator de próclise, Implicar (consequência) Não usa preposição
o pronome átono ficará depois do auxiliar. Lembrar Não usa preposição
Exemplo: Havia-lhe dito a verdade.
Pagar (pagar a alguém) a
Se houver fator de próclise, o pronome átono ficará antes do Precisar (necessitar) de
auxiliar.
Proceder (realizar) a
Exemplo: Não lhe havia dito a verdade.
Responder a
Haver de e ter de + infinitivo: Pronome átono deve ficar depois Visar ( ter como objetivo a
do infinitivo. pretender)
Exemplos:
Hei de dizer-lhe a verdade. NÃO DEIXE DE PESQUISAR A REGÊNCIA DE OUTRAS PALAVRAS
Tenho de dizer-lhe a verdade. QUE NÃO ESTÃO AQUI!

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LÍNGUA PORTUGUESA
Os nossos primeiros contatos começaram de maneira amisto-
USO DA CRASE sa.
Casos Especiais de Concordância Nominal
A crase é a fusão de duas vogais idênticas. A primeira vogal a • Menos e alerta são invariáveis na função de advérbio:
é uma preposição, a segunda vogal a é um artigo ou um pronome Colocou menos roupas na mala./ Os seguranças continuam
demonstrativo. alerta.
a (preposição) + a(s) (artigo) = à(s)
• Pseudo e todo são invariáveis quando empregados na forma-
• Devemos usar crase: ção de palavras compostas:
– Antes palavras femininas: Cuidado com os pseudoamigos./ Ele é o chefe todo-poderoso.
Iremos à festa amanhã
Mediante à situação. • Mesmo, próprio, anexo, incluso, quite e obrigado variam de
O Governo visa à resolução do problema. acordo com o substantivo a que se referem:
Elas mesmas cozinhavam./ Guardou as cópias anexas.
– Locução prepositiva implícita “à moda de, à maneira de”
Devido à regra, o acento grave é obrigatoriamente usado nas • Muito, pouco, bastante, meio, caro e barato variam quando
locuções prepositivas com núcleo feminino iniciadas por a: pronomes indefinidos adjetivos e numerais e são invariáveis quan-
Os frangos eram feitos à moda da casa imperial. do advérbios:
Às vezes, porém, a locução vem implícita antes de substanti- Muitas vezes comemos muito./ Chegou meio atrasada./ Usou
vos masculinos, o que pode fazer você pensar que não rola a crase. meia dúzia de ovos.
Mas... há crase, sim!
Depois da indigestão, farei uma poesia à Drummond, vestir- • Só varia quando adjetivo e não varia quando advérbio:
-me-ei à Versace e entregá-la-ei à tímida aniversariante. Os dois andavam sós./ A respostas só eles sabem.

– Expressões fixas • É bom, é necessário, é preciso, é proibido variam quando o


Existem algumas expressões em que sempre haverá o uso de substantivo estiver determinado por artigo:
crase: É permitida a coleta de dados./ É permitido coleta de dados.
à vela, à lenha, à toa, à vista, à la carte, à queima-roupa, à von-
tade, à venda, à mão armada, à beça, à noite, à tarde, às vezes, às Concordância Verbal
pressas, à primeira vista, à hora certa, àquela hora, à esquerda, à O verbo concorda com seu sujeito em número e pessoa:
direita, à vontade, às avessas, às claras, às escuras, à mão, às escon- O público aplaudiu o ator de pé./ A sala e quarto eram enor-
didas, à medida que, à proporção que. mes.
• NUNCA devemos usar crase:
– Antes de substantivos masculinos: Concordância ideológica ou silepse
Andou a cavalo pela cidadezinha, mas preferiria ter andado a • Silepse de gênero trata-se da concordância feita com o gêne-
pé. ro gramatical (masculino ou feminino) que está subentendido no
contexto.
– Antes de substantivo (masculino ou feminino, singular ou Vossa Excelência parece satisfeito com as pesquisas.
plural) usado em sentido generalizador: Blumenau estava repleta de turistas.
Depois do trauma, nunca mais foi a festas. • Silepse de número trata-se da concordância feita com o nú-
Não foi feita menção a mulher, nem a criança, tampouco a ho- mero gramatical (singular ou plural) que está subentendido no con-
mem. texto.
O elenco voltou ao palco e [os atores] agradeceram os aplau-
– Antes de artigo indefinido “uma” sos.
Iremos a uma reunião muito importante no domingo. • Silepse de pessoa trata-se da concordância feita com a pes-
soa gramatical que está subentendida no contexto.
– Antes de pronomes O povo temos memória curta em relação às promessas dos po-
Obs.: A crase antes de pronomes possessivos é facultativa. líticos.

Fizemos referência a Vossa Excelência, não a ela.


A quem vocês se reportaram no Plenário? EXERCÍCIOS
Assisto a toda peça de teatro no RJ, afinal, sou um crítico.
1. (FDC – PROFESSOR DE PORTUGUÊS II – 2005) Marque a série
– Antes de verbos no infinitivo em que o hífen está corretamente empregado nas cinco palavras:
A partir de hoje serei um pai melhor, pois voltei a trabalhar. (A) pré-nupcial, ante-diluviano, anti-Cristo, ultra-violeta, infra-
-vermelho.
(B) vice-almirante, ex-diretor, super-intendente, extrafino, in-
CONCORDÂNCIA: NOMINAL E VERBAL fra-assinado.
(C) anti-alérgico, anti-rábico, ab-rupto, sub-rogar, antihigiênico.
Concordância Nominal (D) extraoficial, antessala, contrassenso, ultrarrealismo, con-
Os adjetivos, os pronomes adjetivos, os numerais e os artigos trarregra.
concordam em gênero e número com os substantivos aos quais se (E) co-seno, contra-cenar, sobre-comum, sub-humano, infra-
referem. -mencionado.

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LÍNGUA PORTUGUESA
2. (ESAF – SRF – AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL – 2003) Leia o texto abaixo para responder a questão.
Indique o item em que todas as palavras estão corretamente em- A lama que ainda suja o Brasil
pregadas e grafadas. Fabíola Perez(fabiola.perez@istoe.com.br)
(A) A pirâmide carcerária assegura um contexto em que o po-
der de infringir punições legais a cidadãos aparece livre de A maior tragédia ambiental da história do País escancarou um
qualquer excesso e violência. dos principais gargalos da conjuntura política e econômica brasilei-
(B) Nos presídios, os chefes e subchefes não devem ser exata- ra: a negligência do setor privado e dos órgãos públicos diante de
mente nem juízes, nem professores, nem contramestres, nem um desastre de repercussão mundial. Confirmada a morte do Rio
suboficiais, nem “pais”, porém avocam a si um pouco de tudo Doce, o governo federal ainda não apresentou um plano de recu-
isso, num modo de intervenção específico. peração efetivo para a área (apenas uma carta de intenções). Tam-
(C) O carcerário, ao homogeinizar o poder legal de punir e o pouco a mineradora Samarco, controlada pela brasileira Vale e pela
poder técnico de disciplinar, ilide o que possa haver de violento anglo-australiana BHP Billiton. A única medida concreta foi a aplica-
em um e de arbitrário no outro, atenuando os efeitos de revol- ção da multa de R$ 250 milhões – sendo que não há garantias de
ta que ambos possam suscitar. que ela será usada no local. “O leito do rio se perdeu e a calha pro-
(D) No singular poder de punir, nada mais lembra o antigo po- funda e larga se transformou num córrego raso”, diz Malu Ribeiro,
der do soberano iminente que vingava sua autoridade sobre o coordenadora da rede de águas da Fundação SOS Mata Atlântica,
corpo dos supliciados. sobre o desastre em Mariana, Minas Gerais. “O volume de rejeitos
(E) A existência de uma proibição legal cria em torno dela um se tornou uma bomba relógio na região.”
campo de práticas ilegais, sob o qual se chega a exercer con- Para agravar a tragédia, a empresa declarou que existem riscos
trole e aferir lucro ilícito, mas que se torna manejável por sua de rompimento nas barragens de Germano e de Santarém. Segun-
organização em delinqüência. do o Departamento Nacional de Produção Mineral, pelo menos 16
barragens de mineração em todo o País apresentam condições de
3. (FCC – METRÔ/SP – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO JÚNIOR – insegurança. “O governo perdeu sua capacidade de aparelhar ór-
2012) A frase que apresenta INCORREÇÕES quanto à ortografia é: gãos técnicos para fiscalização”, diz Malu. Na direção oposta
(A) Quando jovem, o compositor demonstrava uma capacidade Ao caminho da segurança, está o projeto de lei 654/2015, do
extraordinária de imitar vários estilos musicais. senador Romero Jucá (PMDB-RR) que prevê licença única em um
(B) Dizem que o músico era avesso à ideia de expressar senti- tempo exíguo para obras consideradas estratégicas. O novo mar-
mentos pessoais por meio de sua música. co regulatório da mineração, por sua vez, também concede priori-
(C) Poucos estudiosos se despõem a discutir o empacto das dade à ação de mineradoras. “Ocorrerá um aumento dos conflitos
composições do músico na cultura ocidental. judiciais, o que não será interessante para o setor empresarial”, diz
(D) Salvo algumas exceções, a maioria das óperas do compo- Maurício Guetta, advogado do Instituto Sócio Ambiental (ISA). Com
sitor termina em uma cena de reconciliação entre os persona- o avanço dessa legislação outros danos irreversíveis podem ocorrer.
gens. FONTE: http://www.istoe.com.br/reportagens/441106_A+LA MA+-
(E) Alguns acreditam que o valor da obra do compositor se QUE+AINDA+SUJA+O+BRASIL
deve mais à árdua dedicação do que a arroubos de inspiração.
5. Observe as assertivas relacionadas ao texto lido:
4. (FEMPERJ – VALEC – JORNALISTA – 2012) Intertextualidade é I. O texto é predominantemente narrativo, já que narra um
a presença de um texto em outro; o pensamento abaixo que NÃO fato.
se fundamenta em intertextualidade é: II. O texto é predominantemente expositivo, já que pertence ao
(A) “Se tudo o que é bom dura pouco, eu já deveria ter morrido gênero textual editorial.
há muito tempo.” III. O texto é apresenta partes narrativas e partes expositivas, já
(B) “Nariz é essa parte do corpo que brilha, espirra, coça e se que se trata de uma reportagem.
mete onde não é chamada.” IV. O texto apresenta partes narrativas e partes expositivas, já
(C) “Une-te aos bons e será um deles. Ou fica aqui com a gente se trata de um editorial.
mesmo!”
(D) “Vamos fazer o feijão com arroz. Se puder botar um ovo, Analise as assertivas e responda:
tudo bem.” (A) Somente a I é correta.
(E) “O Neymar é invendável, inegociável e imprestável.” (B) Somente a II é incorreta.
(C) Somente a III é correta
(D) A III e IV são corretas.

6. Observe as assertivas relacionadas ao texto “A lama que ain-


da suja o Brasil”:
I- O texto é coeso, mas não é coerente, já que tem problemas
no desenvolvimento do assunto.
II- O texto é coerente, mas não é coeso, já que apresenta pro-
blemas no uso de conjunções e preposições.
III- O texto é coeso e coerente, graças ao bom uso das classes
de palavras e da ordem sintática.
IV- O texto é coeso e coerente, já que apresenta progressão
temática e bom uso dos recursos coesivos.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Analise as assertivas e responda:
(A) Somente a I é correta. — Ora agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da
(B) Somente a II é incorreta. baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que
(C) Somente a III é correta. vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para
(D) Somente a IV é correta. a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?
Vamos, diga lá.
Leia o texto abaixo para responder as questões. Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de ca-
beça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
UM APÓLOGO — Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é
Machado de Assis. que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze
como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam,
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha: fico.
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrola- Contei esta história a um professor de melancolia, que me dis-
da, para fingir que vale alguma coisa neste mundo? se, abanando a cabeça: — Também eu tenho servido de agulha a
— Deixe-me, senhora. muita linha ordinária!
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está
com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me 7. De acordo com o texto “Um Apólogo” de Machado de Assis
der na cabeça. e com a ilustração abaixo, e levando em consideração as persona-
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. gens presentes nas narrativas tanto verbal quanto visual, indique
Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem a opção em que a fala não é compatível com a associação entre os
o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos elementos dos textos:
outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa
ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora
que quem os cose sou eu, e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pe-
daço ao outro, dou feição aos babados…
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante,
puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e
mando…
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel su-
balterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o (A) “- Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda en-
trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto… rolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?” (L.02)
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. (B) “- Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha.
Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar?” (L.06)
tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a (C) “- Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante,
costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, en- puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço
fiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando e mando...” (L.14-15)
orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre (D) “- Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?
os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo;
isto uma cor poética. E dizia a agulha: eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? abaixo e acima.” (L.25-26)
Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é (E) “- Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela
que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de
acima… A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém.
agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe Onde me espetam, fico.” (L.40-41)
o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que
ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era 8. O diminutivo, em Língua Portuguesa, pode expressar outros
tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-pli- valores semânticos além da noção de dimensão, como afetividade,
c-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a pejoratividade e intensidade. Nesse sentido, pode-se afirmar que
costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até os valores semânticos utilizados nas formas diminutivas “unidi-
que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile. nha”(L.26) e “corpinho”(L.32), são, respectivamente, de:
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que (A) dimensão e pejoratividade;
a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para (B) afetividade e intensidade;
dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da (C) afetividade e dimensão;
bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, (D) intensidade e dimensão;
alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, (E) pejoratividade e afetividade.
perguntou-lhe:

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LÍNGUA PORTUGUESA
9. Em um texto narrativo como “Um Apólogo”, é muito comum 14. (CESGRANRIO – PETROBRAS – TÉCNICO DE ENFERMAGEM
uso de linguagem denotativa e conotativa. Assinale a alternativa DO TRABALHO – 2011) Há ERRO quanto ao emprego dos sinais de
cujo trecho retirado do texto é uma demonstração da expressivida- pontuação em:
de dos termos “linha” e “agulha” em sentido figurado. (A) Ao dizer tais palavras, levantou-se, despediu-se dos convi-
(A) “- É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa dados e retirou-se da sala: era o final da reunião.
ama, quem é que os cose, senão eu?” (L.11) (B) Quem disse que, hoje, enquanto eu dormia, ela saiu sorra-
(B) “- Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. teiramente pela porta?
Agulha não tem cabeça.” (L.06) (C) Na infância, era levada e teimosa; na juventude, tornou-se
(C) “- Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um tímida e arredia; na velhice, estava sempre alheia a tudo.
pedaço ao outro, dou feição aos babados...” (L.13) (D) Perdida no tempo, vinham-lhe à lembrança a imagem mui-
(D) “- Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordi- to branca da mãe, as brincadeiras no quintal, à tarde, com os
nária!” (L.43) irmãos e o mundo mágico dos brinquedos.
(E) “- Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?” (E) Estava sempre dizendo coisas de que mais tarde se arre-
(L.25) penderia. Prometia a si própria que da próxima vez, tomaria
cuidado com as palavras, o que entretanto, não acontecia.
10. De acordo com a temática geral tratada no texto e, de modo
metafórico, considerando as relações existentes em um ambiente 15. (FCC – INFRAERO – ADMINISTRADOR – 2011) Está inteira-
de trabalho, aponte a opção que NÃO corresponde a uma ideia pre- mente correta a pontuação do seguinte período:
sente no texto: (A) Os personagens principais de uma história, responsáveis
(A) O texto sinaliza que, normalmente, não há uma relação pelo sentido maior dela, dependem, muitas vezes, de peque-
equânime em ambientes coletivos de trabalho; nas providências que, tomadas por figurantes aparentemente
(B) O texto sinaliza que, normalmente, não há uma relação sem importância, ditam o rumo de toda a história.
equânime em ambientes coletivos de trabalho; (B) Os personagens principais, de uma história, responsáveis
(C) O texto indica que, em um ambiente coletivo de trabalho, pelo sentido maior dela, dependem muitas vezes, de pequenas
cada sujeito possui atribuições próprias. providências que tomadas por figurantes, aparentemente sem
(D) O texto sugere que o reconhecimento no ambiente cole- importância, ditam o rumo de toda a história.
tivo de trabalho parte efetivamente das próprias atitudes do (C) Os personagens principais de uma história, responsáveis
sujeito. pelo sentido maior dela dependem muitas vezes de pequenas
(E) O texto revela que, em um ambiente coletivo de trabalho, providências, que, tomadas por figurantes aparentemente,
frequentemente é difícil lidar com as vaidades individuais. sem importância, ditam o rumo de toda a história.
(D) Os personagens principais, de uma história, responsáveis
11. (FUNIVERSA – CEB – ADVOGADO – 2010) Assinale a alter- pelo sentido maior dela, dependem, muitas vezes de pequenas
nativa em que todas as palavras são acentuadas pela mesma razão. providências, que tomadas por figurantes aparentemente sem
(A) “Brasília”, “prêmios”, “vitória”. importância, ditam o rumo de toda a história.
(B) “elétrica”, “hidráulica”, “responsáveis”. (E) Os personagens principais de uma história, responsáveis,
(C) “sérios”, “potência”, “após”. pelo sentido maior dela, dependem muitas vezes de peque-
(D) “Goiás”, “já”, “vários”. nas providências, que tomadas por figurantes, aparentemente,
(E) “solidária”, “área”, “após”. sem importância, ditam o rumo de toda a história.

12. (CESGRANRIO – CMB – ASSISTENTE TÉCNICO ADMINISTRA- 16. (CESGRANRIO – SEPLAG/BA – PROFESSOR PORTUGUÊS –
TIVO – 2012) Algumas palavras são acentuadas com o objetivo ex- 2010) Estabelece relação de hiperonímia/hiponímia, nessa ordem,
clusivo de distingui-las de outras. Uma palavra acentuada com esse o seguinte par de palavras:
objetivo é a seguinte: (A) estrondo – ruído;
(A) pôr. (B) pescador – trabalhador;
(B) ilhéu. (C) pista – aeroporto;
(C) sábio. (D) piloto – comissário;
(D) também. (E) aeronave – jatinho.
(E) lâmpada.
17. (VUNESP – SEAP/SP – AGENTE DE ESCOLTA E VIGILÂNCIA
13. (CESGRANRIO – FINEP – TÉCNICO – 2011) A vírgula pode PENITENCIÁRIA – 2012) No trecho – Para especialistas, fica uma
ser retirada sem prejuízo para o significado e mantendo a norma questão: até que ponto essa exuberância econômica no Brasil é
padrão na seguinte sentença: sustentável ou é apenas mais uma bolha? – o termo em destaque
(A) Mário, vem falar comigo depois do expediente. tem como antônimo:
(B) Amanhã, apresentaremos a proposta de trabalho. (A) fortuna;
(C) Telefonei para o Tavares, meu antigo chefe. (B) opulência;
(D) Encomendei canetas, blocos e crachás para a reunião. (C) riqueza;
(E) Entrou na sala, cumprimentou a todos e iniciou o discurso. (D) escassez;
(E) abundância.

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LÍNGUA PORTUGUESA
18. (CONSULPLAN – ANALISTA DE INFORMÁTICA (SDS-SC) – 24. Levando-se em consideração os conceitos de frase, oração
2008) A alternativa em que todas as palavras são formadas pelo e período, é correto afirmar que o trecho abaixo é considerado um
mesmo processo de formação é: (a):
(A) responsabilidade, musicalidade, defeituoso; “A expectativa é que o México, pressionado pelas mudanças
(B) cativeiro, incorruptíveis, desfazer; americanas, entre na fila.”
(C) deslealdade, colunista, incrível; (A) Frase, uma vez que é composta por orações coordenadas e
(D) anoitecer, festeiro, infeliz; subordinadas.
(E) reeducação, dignidade, enriquecer. (B) Período, composto por três orações.
(C) Oração, pois possui sentido completo.
19. (IMA – PREF. BOA HORA/PI – PROCURADOR MUNICIPAL – (D) Período, pois é composto por frases e orações.
2010) No verso “Para desentristecer, leãozinho”, Caetano Veloso
cria um neologismo. A opção que contém o processo de formação 25. (AOCP – PREF. DE CATU/BA – MECÂNICO DE VEÍCULOS –
utilizado para formar a palavra nova e o tipo de derivação que a 2007) Leia a seguinte sentença: Joana tomou um sonífero e não dor-
palavra primitiva foi formada respectivamente é: miu. Assinale a alternativa que classifica corretamente a segunda
(A) derivação prefixal (des + entristecer); derivação parassinté- oração.
tica (en + trist + ecer); (A) Oração coordenada assindética aditiva.
(B) derivação sufixal (desentriste + cer); derivação imprópria (B) Oração coordenada sindética aditiva.
(en + triste + cer); (C) Oração coordenada sindética adversativa.
(C) derivação regressiva (des + entristecer); derivação parassin- (D) Oração coordenada sindética explicativa.
tética (en + trist + ecer); (E) Oração coordenada sindética alternativa.
(D) derivação parassintética (en + trist + ecer); derivação prefi-
xal (des + entristecer); 26. (AOCP – PREF. DE CATU/BA – BIBLIOTECÁRIO – 2007) Leia
(E) derivação prefixal (en + trist + ecer); derivação parassintéti- a seguinte sentença: Não precisaremos voltar ao médico nem fazer
ca (des + entristecer). exames. Assinale a alternativa que classifica corretamente as duas
orações.
20. (IMA – PREF. BOA HORA/PI – PROCURADOR MUNICIPAL – (A) Oração coordenada assindética e oração coordenada adver-
2010) A palavra “Olhar” em (meu olhar) é um exemplo de palavra sativa.
formada por derivação: (B) Oração principal e oração coordenada sindética aditiva.
(A) parassintética; (C) Oração coordenada assindética e oração coordenada adi-
(B) prefixal; tiva.
(C) sufixal; (D) Oração principal e oração subordinada adverbial consecu-
(D) imprópria; tiva.
(E) regressiva. (E) Oração coordenada assindética e oração coordenada adver-
bial consecutiva.
21. (CESGRANRIO – BNDES – ADVOGADO – 2004) No título do
artigo “A tal da demanda social”, a classe de palavra de “tal” é: 27. (EMPASIAL – TJ/SP – ESCREVENTE JUDICIÁRIO – 1999) Ana-
(A) pronome; lise sintaticamente a oração em destaque:
(B) adjetivo; “Bem-aventurados os que ficam, porque eles serão recompen-
(C) advérbio; sados” (Machado de Assis).
(D) substantivo; (A) oração subordinada substantiva completiva nominal.
(E) preposição. (B) oração subordinada adverbial causal.
(C) oração subordinada adverbial temporal desenvolvida.
22. Assinale a alternativa que apresenta a correta classificação (D) oração coordenada sindética conclusiva.
morfológica do pronome “alguém” (l. 44). (E) oração coordenada sindética explicativa.
(A) Pronome demonstrativo.
(B) Pronome relativo. 28. (FGV – SENADO FEDERAL – TÉCNICO LEGISLATIVO – ADMI-
(C) Pronome possessivo. NISTRAÇÃO – 2008) “Mas o fato é que transparência deixou de ser
(D) Pronome pessoal. um processo de observação cristalina para assumir um discurso de
(E) Pronome indefinido. políticas de averiguação de custos engessadas que pouco ou quase
nada retratam as necessidades de populações distintas.”.
23. Em relação à classe e ao emprego de palavras no texto, na A oração grifada no trecho acima classifica-se como:
oração “A abordagem social constitui-se em um processo de traba- (A) subordinada substantiva predicativa;
lho planejado de aproximação” (linhas 1 e 2), os vocábulos subli- (B) subordinada adjetiva restritiva;
nhados classificam-se, respectivamente, em (C) subordinada substantiva subjetiva;
(A) preposição, pronome, artigo, adjetivo e substantivo. (D) subordinada substantiva objetiva direta;
(B) pronome, preposição, artigo, substantivo e adjetivo. (E) subordinada adjetiva explicativa.
(C) conjunção, preposição, numeral, substantivo e pronome.
(D) pronome, conjunção, artigo, adjetivo e adjetivo.
(E) conjunção, conjunção, numeral, substantivo e advérbio.

36
LÍNGUA PORTUGUESA
29. (FUNCAB – PREF. PORTO VELHO/RO – MÉDICO – 2009) No 33. (VUNESP – TJ/SP – ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO –
trecho abaixo, as orações introduzidas pelos termos grifados são 2011) Assinale a alternativa em que a concordância verbal está cor-
classificadas, em relação às imediatamente anteriores, como: reta.
“Não há dúvida de que precisaremos curtir mais o dia a dia, (A) Haviam cooperativas de catadores na cidade de São Paulo.
mas nunca à custa de nossos filhos...” (B) O lixo de casas e condomínios vão para aterros.
(A) subordinada substantiva objetiva indireta e coordenada sin- (C) O tratamento e a destinação corretos do lixo evitaria que
dética adversativa; 35% deles fosse despejado em aterros.
(B) subordinada adjetiva restritiva e coordenada sindética ex- (D) Fazem dois anos que a prefeitura adia a questão do lixo.
plicativa; (E) Somos nós quem paga a conta pelo descaso com a coleta
(C) subordinada adverbial conformativa e subordinada adver- de lixo.
bial concessiva;
(D) subordinada substantiva completiva nominal e coordenada 34. (ESAF – CGU – ANALISTA DE FINANÇAS E CONTROLE – 2012)
sindética adversativa; Assinale a opção que fornece a correta justificativa para as relações
(E) subordinada adjetiva restritiva e subordinada adverbial con-
de concordância no texto abaixo.
cessiva.
O bom desempenho do lado real da economia proporcionou
30. (ACEP – PREF. QUIXADÁ/CE – PSICÓLOGO – 2010) No perí-
um período de vigoroso crescimento da arrecadação. A maior lucra-
odo “O essencial é o seguinte: //nunca antes neste país houve um
governo tão imbuído da ideia // de que veio // para recomeçar a tividade das empresas foi decisiva para os resultados fiscais favo-
história.”, a oração sublinhada é classificada como: ráveis. Elevaram-se, de forma significativa e em valores reais, de-
(A) coordenada assindética; flacionados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), as
(B) subordinada substantiva completiva nominal; receitas do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição
(C) subordinada substantiva objetiva indireta; Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e a Contribuição para o Finan-
(D) subordinada substantiva apositiva. ciamento da Seguridade Social (Cofins). O crescimento da massa de
salários fez aumentar a arrecadação do Imposto de Renda Pessoa
31. (FCC – TRE/MG – TÉCNICO JUDICIÁRIO – 2005) As liberda- Física (IRPF) e a receita de tributação sobre a folha da previdência
des ...... se refere o autor dizem respeito a direitos ...... se ocupa a social. Não menos relevantes foram os elevados ganhos de capital,
nossa Constituição. Preenchem de modo correto as lacunas da frase responsáveis pelo aumento da arrecadação do IRPF.
acima, na ordem dada, as expressões: (A) O uso do plural em “valores” é responsável pela flexão de plural
(A) a que – de que; em “deflacionados”.
(B) de que – com que; (B) O plural em “resultados” é responsável pela flexão de plural em
(C) a cujas – de cujos; “Elevaram-se”.
(D) à que – em que; (C) Emprega-se o singular em “proporcionou” para respeitar as re-
(E) em que – aos quais. gras de concordância com “economia”.
(D) O singular em “a arrecadação” é responsável pela flexão de sin-
32. (ESAF – CGU – ANALISTA DE FINANÇAS E CONTROLE – 2008) gular em “fez aumentar”.
Assinale o trecho que apresenta erro de regência. (E) A flexão de plural em “foram” justifica-se pela concordância com
(A) Depois de um longo período em que apresentou taxas de “relevantes”.
crescimento econômico que não iam além dos 3%, o Brasil fe-
cha o ano de 2007 com uma expansão de 5,3%, certamente a 35. (Prefeitura de Piracicaba - SP - Professor - Educação Infantil
maior taxa registrada na última década. - VUNESP - 2020)
(B) Os dados ainda não são definitivos, mas tudo sugere que
serão confirmados. A entidade responsável pelo estudo foi a
Escola inclusiva
conhecida Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL).
(C) Não há dúvida de que os números são bons, num momento
É alvissareira a constatação de que 86% dos brasileiros concor-
em que atingimos um bom superávit em conta-corrente, em
dam que há melhora nas escolas quando se incluem alunos com
que se revela queda no desemprego e até se anuncia a am-
pliação de nossas reservas monetárias, além da descoberta de deficiência.
novas fontes de petróleo.
(D) Mesmo assim, olhando-se para os vizinhos de continente, Uma década atrás, quando o país aderiu à Convenção sobre
percebe-se que nossa performance é inferior a que foi atribuí- os Direitos das Pessoas com Deficiência e assumiu o dever de uma
da a Argentina (8,6%) e a alguns outros países com participação educação inclusiva, era comum ouvir previsões negativas para tal
menor no conjunto dos bens produzidos pela América Latina. perspectiva generosa. Apesar das dificuldades óbvias, ela se tornou
(E) Nem é preciso olhar os exemplos da China, Índia e Rússia, lei em 2015 e criou raízes no tecido social.
com crescimento acima desses patamares. Ao conjunto inteiro A rede pública carece de profissionais satisfatoriamente qualifi-
da América Latina, o organismo internacional está atribuindo cados até para o mais básico, como o ensino de ciências; o que dizer
um crescimento médio, em 2007, de 5,6%, um pouco maior do então de alunos com gama tão variada de dificuldades.
que o do Brasil. Os empecilhos vão desde o acesso físico à escola, como o en-
frentado por cadeirantes, a problemas de aprendizado criados por
limitações sensoriais – surdez, por exemplo – e intelectuais.
Bastaram alguns anos de convívio em sala, entretanto, para
minorar preconceitos. A maioria dos entrevistados (59%), hoje, dis-
corda de que crianças com deficiência devam aprender só na com-
panhia de colegas na mesma condição.

37
LÍNGUA PORTUGUESA
Tal receptividade decerto não elimina o imperativo de contar pérolas e construir diques submarinos. Em troca das pérolas que as
com pessoal capacitado, em cada estabelecimento, para lidar com salamandras lhe entregam, ele lhes fornece facas para se defende-
necessidades específicas de cada aluno. O censo escolar indica 1,2 rem dos tubarões. O resto, você adivinhou: as salamandras se re-
milhão de alunos assim categorizados. Embora tenha triplicado o produzem, tornam-se milhões, ocupam os litorais, aprendem a falar
número de professores com alguma formação em educação espe- e inundam os continentes. São agora bilhões e tomam o mundo.
cial inclusiva, contam-se não muito mais que 100 mil deles no país. Não quero dizer que os micróbios comedores de lixo podem
Não se concebe que possa haver um especialista em cada sala de se tornar as salamandras de Čapek. É que, no livro, as salamandras
aula. aprendem a gerir o mundo melhor do que nós. Com os micróbios
As experiências mais bem-sucedidas criaram na escola uma es- no comando, nossos mares, pelo menos, estarão a salvo.
trutura para o atendimento inclusivo, as salas de recursos. Aí, ao Ruy Castro, jornalista, biógrafo e escritor brasileiro. Folha de S. Pau-
menos um profissional preparado se encarrega de receber o aluno lo. Caderno Opinião, p. A2, 20 mai. 2019.
e sua família para definir atividades e de auxiliar os docentes do
período regular nas técnicas pedagógicas. Os pronomes pessoais oblíquos átonos, em relação ao verbo,
Não faltam casos exemplares na rede oficial de ensino. Compe- possuem três posições: próclise (antes do verbo), mesóclise (no
te ao Estado disseminar essas iniciativas exitosas por seus estabele- meio do verbo) e ênclise (depois do verbo).
cimentos. Assim se combate a tendência ainda existente a segregar Avalie as afirmações sobre o emprego dos pronomes oblíquos
em salas especiais os estudantes com deficiência – que não se con- nos trechos a seguir.
funde com incapacidade, como felizmente já vamos aprendendo. I – A próclise se justifica pela presença da palavra negativa: “E
(Editorial. Folha de S.Paulo, 16.10.2019. Adaptado) não se contenta em brindar os mares, rios e lagoas com seus pró-
prios dejetos.”
Assinale a alternativa em que, com a mudança da posição do II – A ênclise ocorre por se tratar de oração iniciada por verbo:
pronome em relação ao verbo, conforme indicado nos parênteses, “Intoxica-os também com garrafas plásticas, pneus, computadores,
a redação permanece em conformidade com a norma-padrão de sofás e até carcaças de automóveis.”
colocação dos pronomes. III – A próclise é sempre empregada quando há locução verbal:
(A) ... há melhora nas escolas quando se incluem alunos com “Não quero dizer que os micróbios comedores de lixo podem se
deficiência. (incluem-se) tornar as salamandras de Čapek.”
(B) ... em educação especial inclusiva, contam-se não muito IV – O sujeito expresso exige o emprego da ênclise: “O ser hu-
mais que 100 mil deles no país. (se contam) mano revelou-se capaz de dividir o átomo, derrotar o câncer e pro-
(C) Não se concebe que possa haver um especialista em cada duzir um ‘Dom Quixote’”.
sala de aula. (concebe-se)
(D) Aí, ao menos um profissional preparado se encarrega de Está correto apenas o que se afirma em
receber o aluno... (encarrega-se) (A) I e II.
(E) ... que não se confunde com incapacidade, como felizmente (B) I e III.
já vamos aprendendo. (confunde-se) (C) II e IV.
(D) III e IV.
36. (Prefeitura de Caranaíba - MG - Agente Comunitário de Saú-
de - FCM - 2019) 37. (Prefeitura de Birigui - SP - Educador de Creche - VUNESP
- 2019)
Dieta salvadora
A ciência descobre um micróbio adepto de um Certo discurso ambientalista tradicional recorrentemente bus-
alimento abundante: o lixo plástico no mar.
ca indícios de que o problema ambiental seja universal (e de fato
é), atemporal (nem tanto) e generalizado (o que é desejável). Algu-
O ser humano revelou-se capaz de dividir o átomo, derrotar o
ma ingenuidade conceitual poderia marcar o ambientalismo apo-
câncer e produzir um “Dom Quixote”. Só não consegue dar um des-
logético; haveria dilemas ambientais em todos os lugares, tempos,
tino razoável ao lixo que produz. E não se contenta em brindar os
culturas. É a bambificação(*) da natureza. Necessária, no entanto,
mares, rios e lagoas com seus próprios dejetos. Intoxica-os também
como condição de sobrevivência. Há quem tenha encontrado nor-
com garrafas plásticas, pneus, computadores, sofás e até carcaças
mas ambientais na Bíblia, no Direito grego, e até no Direito romano.
de automóveis. Tudo que perde o uso é atirado num curso d’água,
São Francisco de Assis, nessa linha, prosaica, seria o santo padroeiro
subterrâneo ou a céu aberto, que se encaminha inevitavelmente
das causas ambientais; falava com plantas e animais.
para o mar. O resultado está nas ilhas de lixo que se formam, da
Guanabara ao Pacífico. A proteção do meio ambiente seria, nesse contexto, instintiva,
De repente, uma boa notícia. Cientistas da Grécia, Suíça, Itália, predeterminando objeto e objetivo. Por outro lado, e este é o meu
China e dos Emirados Árabes descobriram em duas ilhas gregas um argumento, quando muito, e agora utilizo uma categoria freudiana,
micróbio marinho que se alimenta do carbono contido no plástico a pretensão de proteção ambiental seria pulsional, dado que resiste
jogado ao mar. Parece que, depois de algum tempo ao sol e atacado a uma pressão contínua, variável na intensidade. Assim, numa di-
pelo sal, o plástico, seja mole, como o das sacolas, ou duro, como o mensão qualitativa, e não quantitativa, é que se deveria enfrentar
das embalagens, fica quebradiço – no ponto para que os micróbios, a questão, que também é cultural. E que culturalmente pode ser
de guardanapo ao pescoço, o decomponham e façam a festa. Os abordada.
cientistas estão agora criando réplicas desses micróbios, para que O problema, no entanto, é substancialmente econômico. O
eles ajudem os micróbios nativos a devorar o lixo. Haja estômago. dilema ambiental só se revela como tal quando o meio ambiente
Em “A Guerra das Salamandras”, romance de 1936 do tcheco passa a ser limite para o avanço da atividade econômica. É nesse
Karel Čapek (pronuncia-se tchá-pek), um explorador descobre na sentido que a chamada internalização da externalidade negativa
costa de Sumatra uma raça de lagartos gigantes, hábeis em colher exige justificativa para uma atuação contra-fática.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Uma nuvem de problematização supostamente filosófica tam- No plano econômico, a plena mobilidade da mão de obra se-
bém rondaria a discussão. Antropocêntricos acreditam que a prote- ria muito bem-vinda. Segundo algumas estimativas, ela faria o PIB
ção ambiental seria narcisística, centrada e referenciada no próprio mundial aumentar em até 50%. Mesmo que esses cálculos estejam
homem. Os geocêntricos piamente entendem que a natureza deva inflados, só uma fração de 10% já significaria um incremento da or-
ser protegida por próprios e intrínsecos fundamentos e característi- dem de US$ 10 trilhões (uns cinco Brasis).
cas. Posições se radicalizam. Uma das principais razões para o mundo ser mais pobre do
A linha de argumento do ambientalista ingênuo lembra-nos o que poderia é que enormes contingentes de humanos vivem sob
“salto do tigre” enunciado pelo filósofo da cultura Walter Benjamin, sistemas que os impedem de ser produtivos. Um estudo de 2016
em uma de suas teses sobre a filosofia da história. Qual um tigre de Clemens, Montenegro e Pritchett estimou que só tirar um tra-
mergulhamos no passado, e apenas apreendemos o que interessa balhador macho sem qualificação de seu país pobre de origem e
para nossa argumentação. É o que se faz, a todo tempo. transportá-lo para os EUA elevaria sua renda anual em US$ 14 mil.
(Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy. Disponível em: https:// A imigração se torna ainda mais tentadora quando se considera
www.conjur.com.br/2011. Acesso em: 10.08.2019. Adaptado) que é a resposta perfeita para países desenvolvidos que enfrentam
o problema do envelhecimento populacional.
(*) Referência ao personagem Bambi, filhote de cervo conhe- Não obstante tantas virtudes, imigrantes podem ser maltrata-
cido como “Príncipe da Floresta”, em sua saga pela sobrevivência dos e até perseguidos quando cruzam a fronteira, especialmente
na natureza. se vêm em grandes números. Isso está acontecendo até no Brasil,
que não tinha histórico de xenofobia. Desconfio de que estão em
Assinale a alternativa que reescreve os trechos destacados em- operação aqui vieses da Idade da Pedra, tempo em que membros
pregando pronomes, de acordo com a norma-padrão de regência e de outras tribos eram muito mais uma ameaça do que uma solução.
colocação. De todo modo, caberia às autoridades incentivar a imigração,
Uma nuvem de problematização supostamente filosófica tam- tomando cuidado para evitar que a chegada dos estrangeiros dê
bém rondaria a discussão. / Alguma ingenuidade conceitual pode- pretexto para cenas de barbárie. Isso exigiria recebê-los com inte-
ria marcar o ambientalismo apologético. ligência, minimizando choques culturais e distribuindo as famílias
(A) ... lhe rondaria ... o poderia marcar por regiões e cidades em que podem ser mais úteis. É tudo o que
(B) ... rondá-la-ia ... poderia marcar ele não estamos fazendo.
(C) ... rondaria-a ... podê-lo-ia marcar (Hélio Schwartsman. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.
(D) ... rondaria-lhe ... poderia o marcar br/colunas/.28.08.2018. Adaptado)
(E) ... a rondaria ... poderia marcá-lo Considere as frases:
• países desenvolvidos que enfrentam o problema do envelhe-
cimento populacional. (4º parágrafo)
38. (Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Técnico em
• ... minimizando choques culturais e distribuindo as famílias
Saneamento - IBFC - 2019)
por regiões e cidades em que podem ser mais
úteis. (6º parágrafo)
Vou-me embora pra Pasárgada,
lá sou amigo do Rei”.
A substituição das expressões em destaque por pronomes está
(M.Bandeira)
de acordo com a norma-padrão de emprego e colocação em:
(A) enfrentam-no; distribuindo-lhes.
Quanto à regra de colocação pronominal utilizada, assinale a (B) o enfrentam; lhes distribuindo.
alternativa correta. (C) o enfrentam; distribuindo-as.
(A) Ênclise: em orações iniciadas com verbos no presente ou (D) enfrentam-no; lhes distribuindo.
pretérito afirmativo, o pronome oblíquo deve ser usado pos- (E) lhe enfrentam; distribuindo-as.
posto ao verbo.
(B) Próclise: em orações iniciadas com verbos no presente ou 40. (Prefeitura de Peruíbe - SP – Secretário de escola - VUNESP
pretérito afirmativo, o pronome oblíquo deve ser usado pos- - 2019)
posto ao verbo. Considere a frase a seguir. Como as crianças são naturalmente
(C) Mesóclise: em orações iniciadas com verbos no presente ou agitadas, cabe aos adultos impor às crianças limites que garantam
pretérito afirmativo, o pronome oblíquo deve ser usado pos- às crianças um desenvolvimento saudável. Para eliminar as repeti-
posto ao verbo. ções da frase, as expressões destacadas devem ser substituídas, em
(E) Próclise: em orações iniciadas com verbos no imperativo conformidade com a norma-padrão da língua, respectivamente, por
afirmativo, o pronome oblíquo deve ser usado posposto ao (A) impor-nas ... lhes garantam
verbo. (B) impor-lhes ... as garantam
(C) impô-las ... lhes garantam
39. (Prefeitura de Peruíbe - SP - Inspetor de Alunos - VUNESP (D) impô-las ... as garantam
- 2019) (E) impor-lhes ... lhes garantam

Pelo fim das fronteiras

Imigração é um fenômeno estranho. Do ponto de vista pura-


mente racional, ela é a solução para vários problemas globais. Mas,
como o mundo é um lugar menos racional do que deveria, pessoas
que buscam refúgio em outros países costumam ser recebidas com
desconfiança quando não com violência, o que diminui o valor da
imigração como remédio multiuso.

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LÍNGUA PORTUGUESA
41. (Prefeitura de Blumenau - SC - Professor - Geografia – Ma- 44. (FDC – MAPA – ANALISTA DE SISTEMAS – 2010) Na oração
tutino- FURB – 2019) “Eles nos deixaram À VONTADE” e no trecho “inviabilizando o ata-
que, que, naturalmente, deveria ser feito À DISTÂNCIA”, observa-se
O tradicional desfile do aniversário de Blumenau, que completa a ocorrência da crase nas locuções adverbiais em caixa-alta. Nas
169 anos de fundação nesta segunda-feira, teve outra data especial locuções das frases abaixo também ocorre a crase, que deve ser
para comemorar: os 200 anos de nascimento do Doutor Hermann marcada com o acento, EXCETO em:
Blumenau. __________ 15 mil pessoas que estiveram na Rua XV de (A) Todos estavam à espera de uma solução para o problema.
Novembro nesta manhã acompanhando o desfile, de acordo com (B) À proporção que o tempo passava, maior era a angústia do
estimativa da Fundação Cultural, conheceram um pouco mais da eleitorado pelo resultado final.
vida do fundador do município. [...] O desfile também apresentou (C) Um problema à toa emperrou o funcionamento do sistema.
aspectos da colonização alemã no Vale do Itajaí. Dessa forma, as (D) Os técnicos estavam face à face com um problema insolú-
bandeiras e moradores das 42 cidades do território original de Blu- vel.
menau, que foi fundado por Hermann, também estiveram repre- (E) O Tribunal ficou à mercê dos hackers que invadiram o sis-
sentadas na Rua XV de Novembro. [...] tema.
Disponível em: <https://www.nsctotal.com.br/noticias/desfile-em-
-blumenau-comemora-o-aniversario-da-cidade-e-os-200-anos-do- 45. (AL-AP - AUXILIAR LEGISLATIVO - AUXILIAR OPERACIONAL
-fundador>.Acesso em: 02 set. 2019.[adaptado] – FCC – 2020)

No mesmo excerto “Dessa forma, as bandeiras e moradores Retrato


das 42 cidades do território original de Blumenau, que foi fundado
por Hermann, também estiveram representadas na Rua XV de No- Eu não tinha este rosto de hoje,
vembro.”, a palavra destacada pertence à classe gramatical: Assim calmo, assim triste, assim magro,
(A) conjunção Nem estes olhos tão vazios,
(B) pronome Nem o lábio amargo.
(C) preposição
(D) advérbio Eu não tinha estas mãos sem força,
(E) substantivo Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
42. (Prefeitura de Blumenau - SC - Professor - Português – Ma- Que nem se mostra.
tutino - FURB – 2019)
Eu não dei por esta mudança,
Determinado, batalhador, estudioso, dedicado e inquieto. Mui- Tão simples, tão certa, tão fácil:
tos são os adjetivos que encontramos nos livros de história para − Em que espelho ficou perdida
definir Hermann Blumenau. Desde os primeiros anos da colônia, es- a minha face?
teve determinado a construir uma casa melhor para viver com sua
família, talvez em um terreno que lhe pertencia no morro do aipim. (Cecília Meirelles)
Infelizmente, nunca concretizou este sonho, porém, nunca deixou
de zelar por tudo aquilo que lhe dizia respeito.[...] − Em que espelho ficou perdida a minha face? (3ª estrofe)
Disponível em: <https://www.blumenau.sc.gov.br/secretarias/fun- Caso a frase acima seja transposta para o discurso indireto, o
dacao-cultural/fcblu/memaoria-digital-ao-comemoraacaao-200-a- elemento sublinhado assumirá a seguinte forma:
nos-dr-blumenau85>. Acesso em: 05 set. 2019. [adaptado] (A) ficasse.
(B) ficará.
Sobre a colocação dos pronomes átonos nos excertos: “...talvez (C) ficou.
em um terreno que lhe pertencia no morro do aipim.” e “...zelar por (D) ficava.
tudo aquilo que lhe dizia respeito.”, podemos afirmar que ambas (E) ficara.
as próclises estão corretas, pois o verbo está precedido de palavras
que atraem o pronome para antes do verbo. Assinale a alternativa
que identifica essas palavras atrativas dos excertos:
(A) palavras de sentido negativo
(B) advérbios
(C) conjunções subordinativas
(D) pronomes demonstrativos
(E) pronomes relativos

43. (FGV – SENADO FEDERAL – POLICIAL LEGISLATIVO FEDERAL


– 2008) Assinale a alternativa em que se tenha optado corretamen-
te por utilizar ou não o acento grave indicativo de crase.
(A) Vou à Brasília dos meus sonhos.
(B) Nosso expediente é de segunda à sexta.
(C) Pretendo viajar a Paraíba.
(D) Ele gosta de bife à cavalo.

40
LÍNGUA PORTUGUESA
46. ( PREFEITURA DE CARANAÍBA - MG – AGENTE COMUNITÁ- 47. (CREMERJ - AGENTE ADMINISTRATIVO – IDIB – 2019)
RIO DE SAÚDE – FCM – 2019)
Texto
“Linguagem é a expressão individual e social do ser humano e,
ao mesmo tempo, o elemento comum que possibilita o processo
comunicativo entre os sujeitos que vivem em sociedade.”(CEREJA &
MAGALHÃES, 2013, p.13).

Tendo por base o conceito veiculado no Texto, qual tipo de lin-


guagem apresenta-se na tirinha?
(A) Oral.
(B) Verbal.
(C) Escrita.
(D) Não verbal.

O tipo textual predominante no texto de Martha Medeiros é:


(A) argumentativo, pois o seu principal interesse é a discussão
de um determinado tema, apresentando argumentos que rati-
fiquem a opinião defendida.
(B) descritivo, pois apresenta a descrição pormenorizada do
que se pode considerar como “ocasião especial”.
(C) narrativo, pois seu objetivo é contar uma história, valendo-
-se de uma sequência de acontecimentos.
(D) injuntivo, pois visa ao fornecimento de informações que
condicionem a conduta do leitor

41
LÍNGUA PORTUGUESA
48. (PREFEITURA DE CABO DE SANTO AGOSTINHO - PE - TÉCNI- 50. (CÂMARA DE FORTALEZA - CE - CONSULTOR TÉCNICO LE-
CO EM SEGURANÇA DO TRABALHO – IBFC – 2019) GISLATIVO- FCC – 2019)
Analise as afirmativas abaixo e dê valores (V) Verdadeiro ou (F)
Falso. De todas as vilas e arraiais vizinhos afluíam loucos à Casa Ver-
() A Tipologia Textual considera a estrutura, o conteúdo e a for- de. Eram furiosos, eram mansos, eram monomaníacos, era toda
ma de como um texto se apresenta. a família dos deserdados do espírito. Ao cabo de quatro meses, a
() Considera-se texto injuntivo aquele que apresenta, em sua Casa Verde era uma povoação. Não bastaram os primeiros cubícu-
estrutura, características que indicam uma exposição de um assun- los; mandou-se anexar uma galeria de mais trinta e sete. O padre
to ou tema. Lopes confessou que não imaginara a existência de tantos doidos
() A dissertação é a tipologia textual em que o escritor disserta no mundo, e menos ainda o inexplicável de alguns casos. Um,
sobre algo, ou seja, explica ou apresenta o resultado comprovado por exemplo, um rapaz bronco e vilão, que todos os dias, depois
de um estudo. do almoço, fazia regularmente um discurso acadêmico, ornado de
tropos, de antíteses, de apóstrofes, com seus recamos de grego e
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de latim, e suas borlas de Cícero, Apuleio e Tertuliano. O vigário não
cima para baixo. queria acabar de crer. Quê! um rapaz que ele vira, três meses antes,
(A) V, F, V jogando peteca na rua!
(B) V, F, F − Não digo que não, respondia-lhe o alienista; mas a verdade é
(C) F, V, F o que Vossa Reverendíssima está vendo. Isto é todos os dias.
(D) F, V, V − Quanto a mim, tornou o vigário, só se pode explicar pela con-
fusão das línguas na torre de Babel, segundo nos conta a Escritura;
49. (PREFEITURA DE PINHAIS - PR - AGENTE DE COMBATE DE provavelmente, confundidas antigamente as línguas, é fácil trocá-
ENDEMIAS - INSTITUTO AOCP -2017) -las agora, desde que a razão não trabalhe...
− Essa pode ser, com efeito, a explicação divina do fenômeno,
O que é Profissionalismo concordou o alienista, depois de refletir um instante, mas não é
impossível que haja também alguma razão humana, e puramente
Profissionalismo é o conjunto de características que compõem científica, e disso trato...
um profissional, formado por suas competências, responsabilida- − Vá que seja, e fico ansioso. Realmente
des e ética, no que rege o seu campo de trabalho. (ASSIS, Machado de. O alienista. São Paulo: Companhia das Le-
O profissionalismo é a chave para a construção de uma carreira tras, 2014, p. 24-25)
de sucesso no trabalho.
Entre as ações que atestam o profissionalismo de um traba- No discurso indireto livre, a voz do personagem mistura-se à
lhador está o seu comprometimento com as normas e a ética da voz do narrador, a exemplo do que se observa em:
empresa para qual presta serviços. (A) Ao cabo de quatro meses, a Casa Verde era uma povoação.
Mesmo trabalhando num ambiente descontraído e com ami- Não bastaram os primeiros cubículos; mandou-se anexar uma
gos, o profissional deve pôr as suas obrigações de trabalho acima galeria de mais trinta e sete. (1° parágrafo)
de qualquer laço de amizade ou intimidade. (B) De todas as vilas e arraiais vizinhos afluíam loucos à Casa
A falta de profissionalismo consiste em agir com parcialidade, Verde. Eram furiosos, eram mansos, eram monomaníacos, era
por exemplo, favorecendo pessoas apenas por estas serem amigas toda a família dos deserdados do espírito. (1° parágrafo)
e não pelas suas competências profissionais. (C) O vigário não queria acabar de crer. Quê! um rapaz que ele
Saiba mais sobre o significado de competência. vira, três meses antes, jogando peteca na rua! (1° parágrafo)
Além da ética, o profissionalismo deve ter como base a humil- (D) – Quanto a mim, tornou o vigário, só se pode explicar pela
dade, ou seja, a capacidade do profissional de reconhecer os seus confusão das línguas na torre de Babel, segundo nos conta a
erros, suas limitações e de estar sempre disposto a aprender. Escritura... (3° parágrafo)
Entre as competências básicas que são apreciadas dos profis- (E) – Essa pode ser, com efeito, a explicação divina do fenôme-
sionais, destacam-se: a proficiência, a responsabilidade, a serieda- no, concordou o alienista, depois de refletir um instante... (4°
de, a pontualidade, a ética, entre outros. parágrafo)
Fonte: https://www.significados.com.br/profissionalismo/. Texto
adaptado. 51. (EMAE-SP - ELETRICISTA DE MANUTENÇÃO – FCC – 2018)

Assinale a alternativa correta quanto à característica do texto. Batizada Arlette e sublimada como Fernanda, a atriz carioca
(A) É um texto não-verbal, pois se trata de texto escrito. moldou − e continua moldando − cada personagem vivida no rádio,
(B) É um texto literário, tem função estética e destina-se ao en- no teatro, no cinema e na televisão por 75 anos. Leia abaixo um
tretenimento. trecho da entrevista de Fernanda Montenegro à Revistae.
(C) Trata-se de uma narrativa, pois apresenta fatos em uma se-
quência temporal e causal. Por viver tantos personagens, o ator não se torna um ser di-
(D) É um texto informativo, que conduz o leitor a identificar ferente?
os acontecimentos e fatos que constituem o assunto do texto. − Nós somos estranhos. Porque, o que é que nós somos? Esqui-
(E) É um texto em prosa, composto por 3 estrofes e uma com- zofrênicos? Só não estamos num hospício porque nos aceitamos e
posição poética escrita considerando a métrica das sílabas e o nos aceitam quando acertamos. É uma vida dupla. Você tem um es-
ritmo das frases. petáculo à noite e faz toda sua vida durante o dia, seja ela qual for,
uma vida calma, incontestada, desassossegada, e à noite, você tem
que dar conta de outra esfera. Ninguém te obriga a ir [trabalhar].
Nem quando você passa pela perda de um amor. A gente até acha
que aquele amor teria gostado se você fosse lá fazer seu espetácu-

42
LÍNGUA PORTUGUESA
lo. Ítalo Rossi perdeu um irmão num desastre e fez o espetáculo da 8 D
noite. Estou contando um caso extremo, mas isso acontece.
9 D
Em casos como esse dá para guardar as emoções? 10 D
− A gente não guarda emoção. A gente vai [trabalhar] com o
que acontece, com o que bate na hora. Cada plateia provoca ou- 11 A
tro estágio no espetáculo. Tem sempre alguma coisa [que muda] 12 A
porque é tudo muito sutil, embora você faça sempre o “mesmo”
13 B
gestual. É algo imponderável e inexplicável. Porque é o seguinte,
não é só uma pessoa, um elenco e a plateia. Ali tem que haver uma 14 E
comunhão. Porque às vezes um ator está de um lado do palco, ou- 15 A
tro ator está do outro lado, eles se olham e dizem: “Hoje não vai
sair como a gente quer”. É uma energia cósmica. Mas nunca é exa- 16 E
tamente a mesma coisa. Não é. Tanto que às vezes uma pessoa vai 17 D
ver o espetáculo e se apaixona, mas um amigo vai ver e não gosta,
não entrosou, não comungou, entendeu? Não deveria haver uma 18 A
luta para conquistar a plateia, mas provocar fascínio e buscar uma 19 A
comunhão.
20 D
O que significa esse ofício de atriz? 21 A
– É como se fosse um ato religioso: você entra no teatro e es- 22 E
pera começar. Já estão todos sentados? Já está na hora? Aí, faz-se
alguma coisa: toca-se uma campainha, uma luz muda, os atores en- 23 B
tram mesmo com a luz... Ou seja, tem um início. Aí você fica diante 24 B
de um ser humano. É como uma missa. O que é o padre? Um ator.
25 C
Ele está ali paramentado, num cerimonial religioso. Se é Páscoa, é
uma cor, se é Semana Santa ou Natal, são outras cores. Se fala um 26 C
texto, não deixa de ser um auto medieval, e as pessoas ficam ali. 27 E
Acho que, no fundo, tudo na vida é um teatro. Já falava o Velho
Bardo [William Shakespeare]: para cada pessoa, você se apresenta, 28 A
mesmo que um pouquinho, de maneira diferente. Às vezes até a 29 D
cada hora do dia, até para você mesmo. Quem é a gente?
(Adaptado de: Revistae, São Paulo, Sesc, jul. 2018.) 30 B
31 A
...o ator não se torna um ser diferente? - Nós somos estranhos.
32 D
Mantendo-se a correção e, em linhas gerais, o sentido, as fra-
ses acima encontram-se transpostas para o discurso indireto em: 33 E
(A) Ao ser questionada sobre se o ator se tornaria um ser di- 34 A
ferente, Fernanda Montenegro respondeu que eles seriam es-
tranhos. 35 D
(B) Quando fosse questionada sobre se o ator se torna um ser 36 A
diferente, Fernanda Montenegro responderia que eles são es-
tranhos. 37 E
(C) À pergunta sobre o ser diferente que o ator se torna, Fer- 38 A
nanda Montenegro responde que seríamos estranhos.
39 C
(D) Fernanda Montenegro responde à pergunta sobre quão di-
ferente se tornaria um ator, dizendo que seríamos estranhos. 40 E
(E) Fernanda Montenegro, ao responder à pergunta sobre 41 B
como um ator se torna um ser diferente, teria dito: somos es-
tranhos. 42 E
43 A
GABARITO 44 D
45 E
1 D 46 D
2 B 47 A
3 C 48 B
4 E 49 D
5 C 50 C
6 D 51 A
7 E

43
LÍNGUA PORTUGUESA

ANOTAÇÕES ______________________________________________________

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INFORMÁTICA BÁSICA
1. Ambiente operacional WINDOWS (*): fundamentos do Windows: operações com janelas, menus, barra de tarefas, área de trabalho;
trabalho com pastas e arquivos: localização de arquivos e pastas; movimentação e cópia de arquivos e pastas; tipos de arquivos e
extensões; criação, renomeação e exclusão de arquivos e pastas; ferramentas de sistema: limpeza de disco, desfragmentador de dis-
co, firewall do Windows, agendador de tarefas, pontos de restauração; instalação de programas; configurações básicas do Windows:
resolução da tela, cores, fontes, impressoras, aparência, segundo plano, protetor de tela; Windows Explorer . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Processadores de textos WORD e Writer (**): área de trabalho, barra de ferramentas, botões e menus; formatação de documentos:
recursos de margens, tabulação, recuo e espaçamento horizontal, espaçamento vertical, fontes, destaques negrito, sublinhado, itáli-
co, subscrito, sobrescrito, etc.; organização do texto em listas e colunas; tabelas; estilos e modelos; cabeçalhos e rodapés; configura-
ção de página; seções do documento; índices; inserção, posicionamento e formatação de objetos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
3. Planilhas eletrônicas EXCEL e Calc (**): área de trabalho, barra de ferramentas, botões e menus; deslocamento do cursor na planilha
para seleção de células, linhas e colunas; introdução de números, textos, fórmulas e datas na planilha, referência absoluta e relativa;
principais funções: matemáticas, lógicas, estatísticas, data-hora, financeiras, texto, pesquisa e referência; formatação de planilhas:
número, alinhamento, borda, fonte, padrões; edição da planilha: operações de copiar, colar, recortar, limpar, marcar, etc.; classificação
de dados nas planilhas; gráficos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
4. Redes de Computadores e Internet (***): intranet, extranet e internet; protocolos Internet das camadas de rede, de transporte e de
aplicação; correio eletrônico: clientes de correio eletrônico, servidores de correio eletrônico, mensagem eletrônica e seus cabeçalhos,
filtros de e-mail, listas de correio eletrônico, spam, configurações e utilização de recursos típicos de correio eletrônico, webmail;
World Wide Web: navegadores, mecanismos de busca, URLs, cookies . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
5. Conceitos de proteção e segurança: mecanismos de autenticação e autorização para acesso a recursos de rede e serviços; certificação
digital; criptografia simétrica e assimétrica; malwares: tipos, ataques, ameaças e formas de proteção; firewall; protocolos Internet
seguros; segurança em redes sem fio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
INFORMÁTICA BÁSICA

AMBIENTE OPERACIONAL WINDOWS: FUNDAMENTOS DO WINDOWS: OPERAÇÕES COM JANELAS, MENUS, BARRA
DE TAREFAS, ÁREA DE TRABALHO; TRABALHO COM PASTAS E ARQUIVOS: LOCALIZAÇÃO DE ARQUIVOS E PASTAS;
MOVIMENTAÇÃO E CÓPIA DE ARQUIVOS E PASTAS; TIPOS DE ARQUIVOS E EXTENSÕES; CRIAÇÃO, RENOMEAÇÃO E
EXCLUSÃO DE ARQUIVOS E PASTAS; FERRAMENTAS DE SISTEMA: LIMPEZA DE DISCO, DESFRAGMENTADOR DE DIS-
CO, FIREWALL DO WINDOWS, AGENDADOR DE TAREFAS, PONTOS DE RESTAURAÇÃO; INSTALAÇÃO DE PROGRAMAS;
CONFIGURAÇÕES BÁSICAS DO WINDOWS: RESOLUÇÃO DA TELA, CORES, FONTES, IMPRESSORAS, APARÊNCIA, SE-
GUNDO PLANO, PROTETOR DE TELA; WINDOWS EXPLORER

Lançado em 2015, O Windows 10 chega ao mercado com a proposta ousada, juntar todos os produtos da Microsoft em uma única
plataforma. Além de desktops e notebooks, essa nova versão equipará smartphones, tablets, sistemas embarcados, o console Xbox One e
produtos exclusivos, como o Surface Hub e os óculos de realidade aumentada HoloLens1.

Versões do Windows 10
– Windows 10 Home: edição do sistema operacional voltada para os consumidores domésticos que utilizam PCs (desktop e note-
book), tablets e os dispositivos “2 em 1”.
– Windows 10 Pro: o Windows 10 Pro também é voltado para PCs (desktop e notebook), tablets e dispositivos “2 em 1”, mas traz
algumas funcionalidades extras em relação ao Windows 10 Home, os quais fazem com que essa edição seja ideal para uso em pequenas
empresas, apresentando recursos para segurança digital, suporte remoto, produtividade e uso de sistemas baseados na nuvem.
– Windows 10 Enterprise: construído sobre o Windows 10 Pro, o Windows 10 Enterprise é voltado para o mercado corporativo. Os
alvos dessa edição são as empresas de médio e grande porte, e o Sistema apresenta capacidades que focam especialmente em tecnologias
desenvolvidas no campo da segurança digital e produtividade.
– Windows 10 Education: Construída a partir do Windows 10 Enterprise, essa edição foi desenvolvida para atender as necessidades
do meio escolar.
– Windows 10 Mobile: o Windows 10 Mobile é voltado para os dispositivos de tela pequena cujo uso é centrado no touchscreen,
como smartphones e tablets
– Windows 10 Mobile Enterprise: também voltado para smartphones e pequenos tablets, o Windows 10 Mobile Enterprise tem como
objetivo entregar a melhor experiência para os consumidores que usam esses dispositivos para trabalho.
– Windows 10 IoT: edição para dispositivos como caixas eletrônicos, terminais de autoatendimento, máquinas de atendimento para
o varejo e robôs industriais – todas baseadas no Windows 10 Enterprise e Windows 10 Mobile Enterprise.
– Windows 10 S: edição otimizada em termos de segurança e desempenho, funcionando exclusivamente com aplicações da Loja
Microsoft.
– Windows 10 Pro – Workstation: como o nome sugere, o Windows 10 Pro for Workstations é voltado principalmente para uso pro-
fissional mais avançado em máquinas poderosas com vários processadores e grande quantidade de RAM.

Área de Trabalho (pacote aero)


Aero é o nome dado a recursos e efeitos visuais introduzidos no Windows a partir da versão 7.

Área de Trabalho do Windows 10.2

1 https://estudioaulas.com.br/img/ArquivosCurso/materialDemo/SlideDemo-4147.pdf
2 https://edu.gcfglobal.org/pt/tudo-sobre-o-windows-10/sobre-a-area-de-trabalho-do-windows-10/1/

1
INFORMÁTICA BÁSICA
Aero Glass (Efeito Vidro)
Recurso que deixa janelas, barras e menus transparentes, parecendo um vidro.

Efeito Aero Glass.3

Aero Flip (Alt+Tab)


Permite a alternância das janelas na área de trabalho, organizando-as de acordo com a preferência de uso.

Efeito Aero Flip.

3 https://www.tecmundo.com.br/windows-10/64159-efeito-aero-glass-lancado-mod-windows-10.htm

2
INFORMÁTICA BÁSICA
Aero Shake (Win+Home)
Ferramenta útil para quem usa o computador com multitarefas. Ao trabalhar com várias janelas abertas, basta “sacudir” a janela
ativa, clicando na sua barra de título, que todas as outras serão minimizadas, poupando tempo e trabalho. E, simplesmente, basta sacudir
novamente e todas as janelas serão restauradas.

Efeito Aero Shake (Win+Home)

Aero Snap (Win + Setas de direção do teclado)


Recurso que permite melhor gerenciamento e organização das janelas abertas.
Basta arrastar uma janela para o topo da tela e a mesma é maximizada, ou arrastando para uma das laterais a janela é dividida de
modo a ocupar metade do monitor.

Efeito Aero Snap.

3
INFORMÁTICA BÁSICA
Aero Peek (Win+Vírgula – Transparência / Win+D – Minimizar Tudo)
O Aero Peek (ou “Espiar área de trabalho”) permite que o usuário possa ver rapidamente o desktop. O recurso pode ser útil quando
você precisar ver algo na área de trabalho, mas a tela está cheia de janelas abertas. Ao usar o Aero Peek, o usuário consegue ver o que
precisa, sem precisar fechar ou minimizar qualquer janela. Recurso pode ser acessado por meio do botão Mostrar área de trabalho (parte
inferior direita do Desktop). Ao posicionar o mouse sobre o referido botão, as janelas ficam com um aspecto transparente. Ao clicar sobre
ele, as janelas serão minimizadas.

Efeito Aero Peek.

Menu Iniciar
Algo que deixou descontente grande parte dos usuários do Windows 8 foi o sumiço do Menu Iniciar.
O novo Windows veio com a missão de retornar com o Menu Iniciar, o que aconteceu de fato. Ele é dividido em duas partes: na direita,
temos o padrão já visto nos Windows anteriores, como XP, Vista e 7, com a organização em lista dos programas. Já na direita temos uma
versão compacta da Modern UI, lembrando muito os azulejos do Windows Phone 8.

Menu Iniciar no Windows 10.4


4 https://pplware.sapo.pt/microsoft/windows/windows-10-5-dicas-usar-melhor-menu-iniciar

4
INFORMÁTICA BÁSICA
Nova Central de Ações
A Central de Ações é a nova central de notificações do Windows 10. Ele funciona de forma similar à Central de Ações das versões an-
teriores e também oferece acesso rápido a recursos como modo Tablet, Bloqueio de Rotação, Luz noturna e VPN.

Central de ações do Windows 10.5

Paint 3D
O novo App de desenhos tem recursos mais avançados, especialmente para criar objetos em três dimensões. As ferramentas antigas
de formas, linhas e pintura ainda estão lá, mas o design mudou e há uma seleção extensa de funções que prometem deixar o programa
mais versátil.
Para abrir o Paint 3D clique no botão Iniciar ou procure por Paint 3D na caixa de pesquisa na barra de tarefas.

Paint 3D.

Cortana
Cortana é um/a assistente virtual inteligente do sistema operacional Windows 10.
Além de estar integrada com o próprio sistema operacional, a Cortana poderá atuar em alguns aplicativos específicos. Esse é o caso
do Microsoft Edge, o navegador padrão do Windows 10, que vai trazer a assistente pessoal como uma de suas funcionalidades nativas. O
assistente pessoal inteligente que entende quem você é, onde você está e o que está fazendo. O Cortana pode ajudar quando for solicita-
do, por meio de informações-chave, sugestões e até mesmo executá-las para você com as devidas permissões.
Para abrir a Cortana selecionando a opção na Barra de Tarefas. Podendo teclar ou falar o
tema que deseja.

5 Fonte: https://support.microsoft.com/pt-br/help/4026791/windows-how-to-open-action-center

5
INFORMÁTICA BÁSICA

Cortana no Windows 10.6

Microsot Edge
O novo navegador do Windows 10 veio para substituir o Internet Explorer como o browser-padrão do sistema operacional da Mi-
crosoft. O programa tem como características a leveza, a rapidez e o layout baseado em padrões da web, além da remoção de suporte a
tecnologias antigas, como o ActiveX e o Browser Helper Objects.
Dos destaques, podemos mencionar a integração com serviços da Microsoft, como a assistente de voz Cortana e o serviço de armaze-
namento na nuvem OneDrive, além do suporte a ferramentas de anotação e modo de leitura.
O Microsoft Edge é o primeiro navegador que permite fazer anotações, escrever, rabiscar e realçar diretamente em páginas da Web.
Use a lista de leitura para salvar seus artigos favoritos para mais tarde e lê-los no modo de leitura . Focalize guias abertas para visu-
alizá-las e leve seus favoritos e sua lista de leitura com você quando usar o Microsoft Edge em outro dispositivo.
O Internet Explorer 11, ainda vem como acessório do Windows 10. Devendo ser descontinuado nas próximas atualizações.
Para abrir o Edge clique no botão Iniciar , Microsoft Edge ou clique no ícone na barra de tarefas.

Microsoft Edge no Windows 10.

Windows Hello
O Windows Hello funciona com uma tecnologia de credencial chamada Microsoft Passport, mais fácil, mais prática e mais segura do
que usar uma senha, porque ela usa autenticação biométrica. O usuário faz logon usando face, íris, impressão digital, PIN, bluetooth do
celular e senha com imagem.
Para acessar o Windows Hello, clique no botão , selecione Configurações > Contas > Opções de entrada. Ou procure por
Hello ou Configurações de entrada na barra de pesquisa.

6 https://www.tecmundo.com.br/cortana/76638-cortana-ganhar-novo-visual-windows-10-rumor.htm

6
INFORMÁTICA BÁSICA

Windows Hello.

Bibliotecas
As Bibliotecas são um recurso do Windows 10 que permite a exibição consolidada de arquivos relacionados em um só local. Você pode
pesquisar nas Bibliotecas para localizar os arquivos certos rapidamente, até mesmo quando esses arquivos estão em pastas, unidades
ou em sistemas diferentes (quando as pastas são indexadas nos sistemas remotos ou armazenadas em cache localmente com Arquivos
Offline).

Tela Bibliotecas no Windows 10.7

One Drive
O OneDrive é serviço um de armazenamento e compartilhamento de arquivos da Microsoft. Com o Microsoft OneDrive você pode
acessar seus arquivos em qualquer lugar e em qualquer dispositivo.
7 https://agorafunciona.wordpress.com/2017/02/12/como-remover-as-pastas-imagens-da-camera-e-imagens-salvas

7
INFORMÁTICA BÁSICA
O OneDrive é um armazenamento on-line gratuito que vem com a sua conta da Microsoft. É como um disco rígido extra que está
disponível para todos os dispositivos que você usar.

OneDivre.8

Manipulação de Arquivos
É um conjunto de informações nomeadas, armazenadas e organizadas em uma mídia de armazenamento de dados. O arquivo está
disponível para um ou mais programas de computador, sendo essa relação estabelecida pelo tipo de arquivo, identificado pela extensão
recebida no ato de sua criação ou alteração.
Há arquivos de vários tipos, identificáveis por um nome, seguido de um ponto e um sufixo com três (DOC, XLS, PPT) ou quatro letras
(DOCX, XLSX), denominado extensão. Assim, cada arquivo recebe uma denominação do tipo arquivo.extensão. Os tipos mais comuns são
arquivos de programas (executavel.exe), de texto (texto.docx), de imagens (imagem.bmp, eu.jpg), planilhas eletrônicas (tabela.xlsx) e
apresentações (monografia.pptx).

Pasta
As pastas ou diretórios: não contém informação propriamente dita e sim arquivos ou mais pastas. A função de uma pasta é organizar
tudo o que está dentro das unidades.
O Windows utiliza as pastas do computador para agrupar documentos, imagens, músicas, aplicações, e todos os demais tipos de
arquivos existentes.
Para visualizar a estrutura de pastas do disco rígido, bem como os arquivos nela armazenados, utiliza-se o Explorador de Arquivos.

Manipulação de arquivos e/ou pastas (Recortar/Copiar/Colar)


Existem diversas maneiras de manipular arquivos e/ou pastas.
1. Através dos botões RECORTAR, COPIAR E COLAR. (Mostrados na imagem acima – Explorador de arquivos).
2. Botão direito do mouse.
3. Selecionando e arrastando com o uso do mouse (Atenção com a letra da unidade e origem e destino).

8 Fonte: https://tecnoblog.net/286284/como-alterar-o-local-da-pasta-do-onedrive-no-windows-10

8
INFORMÁTICA BÁSICA
Central de Segurança do Windows Defender
A Central de Segurança do Windows Defender fornece a área de proteção contra vírus e ameaças.
Para acessar a Central de Segurança do Windows Defender, clique no botão , selecione Configurações > Atualização e seguran-
ça > Windows Defender. Ou procure por Windows Defender na barra de pesquisa.

Windows Defender.9

Lixeira
A Lixeira armazena temporariamente arquivos e/ou pastas excluídos das unidades internas do computador (c:\).
Para enviar arquivo para a lixeira:
- Seleciona-lo e pressionar a tecla DEL.
- Arrasta-lo para a lixeira.
- Botão direito do mouse sobre o arquivo, opção excluir.
- Seleciona-lo e pressionar CTRL+D.

Arquivos apagados permanentemente:


- Arquivos de unidades de rede.
- Arquivos de unidades removíveis (pen drive, ssd card...).
- Arquivos maiores do que a lixeira. (Tamanho da lixeira é mostrado em MB (megabytes) e pode variar de acordo com o tamanho do
HD (disco rígido) do computador).
- Deletar pressionando a tecla SHIFT.
- Desabilitar a lixeira (Propriedades).

Para acessar a Lixeira, clique no ícone correspondente na área de trabalho do Windows 10.

Outros Acessórios do Windows 10


Existem outros, outros poderão ser lançados e incrementados, mas os relacionados a seguir são os mais populares:
– Alarmes e relógio.
– Assistência Rápida.
– Bloco de Notas.
– Calculadora.
– Calendário.
– Clima.
– E-mail.
– Facilidade de acesso (ferramenta destinada a deficientes físicos).
– Ferramenta de Captura.
– Gravador de passos.
– Internet Explorer.
– Mapas.
– Mapa de Caracteres.
– Paint.
9 Fonte: https://answers.microsoft.com/pt-br/protect/forum/all/central-de-seguran%C3%A7a-do-windows-defender/9ae1b77e-de7c-4ee7-b90f-4bf76ad529b1

9
INFORMÁTICA BÁSICA
– Windows Explorer.
– WordPad.
– Xbox.

Principais teclas de atalho


CTRL + F4: fechar o documento ativo.
CTRL + R ou F5: atualizar a janela.
CTRL + Y: refazer.
CTRL + ESC: abrir o menu iniciar.
CTRL + SHIFT + ESC: gerenciador de tarefas.
WIN + A: central de ações.
WIN + C: cortana.
WIN + E: explorador de arquivos.
WIN + H: compartilhar.
WIN + I: configurações.
WIN + L: bloquear/trocar conta.
WIN + M: minimizar as janelas.
WIN + R: executar.
WIN + S: pesquisar.
WIN + “,”: aero peek.
WIN + SHIFT + M: restaurar as janelas.
WIN + TAB: task view (visão de tarefas).
WIN + HOME: aero shake.
ALT + TAB: alternar entre janelas.
WIN + X: menu de acesso rápido.
F1: ajuda.

Windows Explorer
O Windows Explorer é um gerenciador de informações, arquivos, pastas e programas do sistema operacional Windows da Microsoft10.
Todo e qualquer arquivo que esteja gravado no seu computador e toda pasta que exista nele pode ser vista pelo Windows Explorer.
Possui uma interface fácil e intuitiva.
Na versão em português ele é chamado de Gerenciador de arquivo ou Explorador de arquivos.
O seu arquivo é chamado de Explorer.exe
Normalmente você o encontra na barra de tarefas ou no botão Iniciar > Programas > Acessórios.

10 https://centraldefavoritos.com.br/2019/06/05/conceitos-de-organizacao-e-de-gerenciamento-de-informacoes-arquivos-pastas-e-programas/

10
INFORMÁTICA BÁSICA
Na parte de cima do Windows Explorer você terá acesso a muitas funções de gerenciamento como criar pastas, excluir, renomear, ex-
cluir históricos, ter acesso ao prompt de comando entre outras funcionalidades que aparecem sempre que você selecionar algum arquivo.
A coluna do lado esquerdo te dá acesso direto para tudo que você quer encontrar no computador. As pastas mais utilizadas são as de
Download, documentos e imagens.

Operações básicas com arquivos do Windows Explorer


• Criar pasta: clicar no local que quer criar a pasta e clicar com o botão direito do mouse e ir em novo > criar pasta e nomear ela. Você
pode criar uma pasta dentro de outra pasta para organizar melhor seus arquivos. Caso você queira salvar dentro de uma mesma pasta um
arquivo com o mesmo nome, só será possível se tiver extensão diferente. Ex.: maravilha.png e maravilha.doc
Independente de uma pasta estar vazia ou não, ela permanecerá no sistema mesmo que o computador seja reiniciado
• Copiar: selecione o arquivo com o mouse e clique Ctrl + C e vá para a pasta que quer colar a cópia e clique Ctrl +V. Pode também clicar com
o botão direito do mouse selecionar copiar e ir para o local que quer copiar e clicar novamente como o botão direito do mouse e selecionar colar.
• Excluir: pode selecionar o arquivo e apertar a tecla delete ou clicar no botão direito do mouse e selecionar excluir
• Organizar: você pode organizar do jeito que quiser como, por exemplo, ícones grandes, ícones pequenos, listas, conteúdos, lista com
detalhes. Estas funções estão na barra de cima em exibir ou na mesma barra do lado direito.
• Movimentar: você pode movimentar arquivos e pastas clicando Ctrl + X no arquivo ou pasta e ir para onde você quer colar o arquivo
e Clicar Ctrl + V ou clicar com o botão direito do mouse e selecionar recortar e ir para o local de destino e clicar novamente no botão direito
do mouse e selecionar colar.

Localizando Arquivos e Pastas


No Windows Explorer tem duas:
Tem uma barra de pesquisa acima na qual você digita o arquivo ou pasta que procura ou na mesma barra tem uma opção de Pesquisar.
Clicando nesta opção terão mais opções para você refinar a sua busca.

Arquivos ocultos
São arquivos que normalmente são relacionados ao sistema. Eles ficam ocultos (invisíveis) por que se o usuário fizer alguma alteração,
poderá danificar o Sistema Operacional.
Apesar de estarem ocultos e não serem exibido pelo Windows Explorer na sua configuração padrão, eles ocupam espaço no disco.

PROCESSADORES DE TEXTOS WORD E WRITER: ÁREA DE TRABALHO, BARRA DE FERRAMENTAS, BOTÕES E MENUS;
FORMATAÇÃO DE DOCUMENTOS: RECURSOS DE MARGENS, TABULAÇÃO, RECUO E ESPAÇAMENTO HORIZONTAL,
ESPAÇAMENTO VERTICAL, FONTES, DESTAQUES NEGRITO, SUBLINHADO, ITÁLICO, SUBSCRITO, SOBRESCRITO, ETC.;
ORGANIZAÇÃO DO TEXTO EM LISTAS E COLUNAS; TABELAS; ESTILOS E MODELOS; CABEÇALHOS E RODAPÉS; CONFI-
GURAÇÃO DE PÁGINA; SEÇÕES DO DOCUMENTO; ÍNDICES; INSERÇÃO, POSICIONAMENTO E FORMATAÇÃO DE OBJE-
TOS

Essa versão de edição de textos vem com novas ferramentas e novos recursos para que o usuário crie, edite e compartilhe documen-
tos de maneira fácil e prática11.
O Word 2016 está com um visual moderno, mas ao mesmo tempo simples e prático, possui muitas melhorias, modelos de documen-
tos e estilos de formatações predefinidos para agilizar e dar um toque de requinte aos trabalhos desenvolvidos. Trouxe pouquíssimas no-
vidades, seguiu as tendências atuais da computação, permitindo o compartilhamento de documentos e possuindo integração direta com
vários outros serviços da web, como Facebook, Flickr, Youtube, Onedrive, Twitter, entre outros.
11 http://www.popescolas.com.br/eb/info/word.pdf

11
INFORMÁTICA BÁSICA
Novidades no Word 2016
– Diga-me o que você deseja fazer: facilita a localização e a realização das tarefas de forma intuitiva, essa nova versão possui a caixa
Diga-me o que deseja fazer, onde é possível digitar um termo ou palavra correspondente a ferramenta ou configurações que procurar.

– Trabalhando em grupo, em tempo real: permite que vários usuários trabalhem no mesmo documento de forma simultânea.

Ao armazenar um documento on-line no OneDrive ou no SharePoint e compartilhá-lo com colegas que usam o Word 2016 ou Word
On-line, vocês podem ver as alterações uns dos outros no documento durante a edição. Após salvar o documento on-line, clique em Com-
partilhar para gerar um link ou enviar um convite por e-mail. Quando seus colegas abrem o documento e concordam em compartilhar
automaticamente as alterações, você vê o trabalho em tempo real.

12
INFORMÁTICA BÁSICA
– Pesquisa inteligente: integra o Bing, serviço de buscas da Microsoft, ao Word 2016. Ao clicar com o botão do mouse sobre qualquer
palavra do texto e no menu exibido, clique sobre a função Pesquisa Inteligente, um painel é exibido ao lado esquerdo da tela do programa
e lista todas as entradas na internet relacionadas com a palavra digitada.
– Equações à tinta: se utilizar um dispositivo com tela sensível ao toque é possível desenhar equações matemáticas, utilizando o dedo
ou uma caneta de toque, e o programa será capaz de reconhecer e incluir a fórmula ou equação ao documento.

– Histórico de versões melhorado: vá até Arquivo > Histórico para conferir uma lista completa de alterações feitas a um documento
e para acessar versões anteriores.
– Compartilhamento mais simples: clique em Compartilhar para compartilhar seu documento com outras pessoas no SharePoint, no
OneDrive ou no OneDrive for Business ou para enviar um PDF ou uma cópia como um anexo de e-mail diretamente do Word.

– Formatação de formas mais rápida: quando você insere formas da Galeria de Formas, é possível escolher entre uma coleção de
preenchimentos predefinidos e cores de tema para aplicar rapidamente o visual desejado.
– Guia Layout: o nome da Guia Layout da Página na versão 2010/2013 do Microsoft Word mudou para apenas Layout12.

Interface Gráfica

Guia de Início Rápido.13


12 CARVALHO, D. e COSTA, Renato. Livro Eletrônico.
13 Fonte: https://www.udesc.br/arquivos/udesc/id_cpmenu/5297/Guia_de_Inicio_Rapido___Word_2016_14952206861576.pdf

13
INFORMÁTICA BÁSICA
Ao clicar em Documento em branco surgirá a tela principal do Word 201614.

Área de trabalho do Word 2016.

Barra de Ferramentas de Acesso Rápido


Permite adicionar atalhos, de funções comumente utilizadas no trabalho com documentos que podem ser personalizados de acordo
com a necessidade do usuário.

Faixa de Opções
Faixa de Opções é o local onde estão os principais comandos do Word, todas organizadas em grupos e distribuídas por meio de guias,
que permitem fácil localização e acesso. As faixas de Opções são separadas por nove guias: Arquivos; Página Inicial, Inserir, Design, Layout,
Referências, Correspondências, Revisão e Exibir.

– Arquivos: possui diversas funcionalidades, dentre algumas:


– Novo: abrir um Novo documento ou um modelo (.dotx) pré-formatado.
– Abrir: opções para abrir documentos já salvos tanto no computador como no sistema de armazenamento em nuvem da Microsoft,
One Drive. Além de exibir um histórico dos últimos arquivos abertos.
– Salvar/Salvar como: a primeira vez que irá salvar o documento as duas opções levam ao mesmo lugar. Apenas a partir da segunda
vez em diante que o Salvar apenas atualiza o documento e o Salvar como exibe a janela abaixo. Contém os locais onde serão armazenados
os arquivos. Opções locais como na nuvem (OneDrive).
– Imprimir: opções de impressão do documento em edição. Desde a opção da impressora até as páginas desejadas. O usuário tanto
pode imprimir páginas sequenciais como páginas alternadas.
14 Melo, F. INFORMÁTICA. MS-Word 2016.

14
INFORMÁTICA BÁSICA

– Página Inicial: possui ferramentas básicas para formatação de texto, como tamanho e cor da fonte, estilos de marcador, alinhamento
de texto, entre outras.

Grupo Área de Transferência


Para acessá-la basta clicar no pequeno ícone de uma setinha para baixo no canto inferior direito, logo à frente de Área de Transferên-
cia.
Colar (CTRL + V): cola um item (pode ser uma letra, palavra, imagem) copiado ou recortado.
Recortar (CTRL + X): recorta um item (pode ser uma letra, palavra, imagem) armazenando-o temporariamente na Área de Transferên-
cia para em seguida ser colado no local desejado.
Copiar (CTRL+C): copia o item selecionado (cria uma cópia na Área de Transferência).
Pincel de Formatação (CTRL+SHIFT+C / CTRL+SHIFT+V): esse recurso (principalmente o ícone) cai em vários concursos. Ele permite
copiar a formatação de um item e aplicar em outro.

Grupo Fonte

Fonte: permite que selecionar uma fonte, ou seja, um tipo de letra a ser exibido em seu texto. Em cada texto pode
haver mais de um tipo de fontes diferentes.

Tamanho da fonte: é o tamanho da letra do texto. Permite escolher entre diferentes tamanhos de fonte na lista ou
que digite um tamanho manualmente.

Negrito: aplica o formato negrito (escuro) ao texto selecionado. Se o cursor estiver sobre uma palavra, ela ficará toda
em negrito. Se a seleção ou a palavra já estiver em negrito, a formatação será removida.

15
INFORMÁTICA BÁSICA

Itálico: aplica o formato itálico (deitado) ao texto selecionado. Se o cursor estiver sobre uma palavra, ela ficará toda
em itálico. Se a seleção ou palavra já estiver em itálico, a formatação será removida.

Sublinhado: sublinha, ou seja, insere ou remove uma linha embaixo do texto selecionado. Se o cursor não está em
uma palavra, o novo texto inserido será sublinhado.

Tachado: risca uma linha, uma palavra ou apenas uma letra no texto selecionado ou, se o cursor somente estiver
sobre uma palavra, esta palavra ficará riscada.

Subscrito: coloca a palavra abaixo das demais.

Sobrescrito: coloca a palavra acima das demais.

Cor do realce do texto: aplica um destaque colorido sobre a palavra, assim como uma caneta marca texto.

Cor da fonte: permite alterar a cor da fonte (letra).

Grupo Parágrafo

Marcadores: permite criar uma lista com diferentes marcadores.

Numeração: permite criar uma lista numerada.

Lista de vários itens: permite criar uma lista numerada em níveis.

Diminuir Recuo: diminui o recuo do parágrafo em relação à margem esquerda.

Aumentar Recuo: aumenta o recuo do parágrafo em relação à margem esquerda.

Classificar: organiza a seleção atual em ordem alfabética ou numérica.

Mostrar tudo: mostra marcas de parágrafos e outros símbolos de formatação ocultos.

Alinhar a esquerda: alinha o conteúdo com a margem esquerda.

Centralizar: centraliza seu conteúdo na página.

16
INFORMÁTICA BÁSICA

Alinhar à direita: alinha o conteúdo à margem direita.

Justificar: distribui o texto uniformemente entre as margens esquerda e direita.

Espaçamento de linha e parágrafo: escolhe o espaçamento entre as linhas do texto ou entre parágrafos.

Sombreamento: aplica uma cor de fundo no parágrafo onde o cursor está posicionado.

Bordas: permite aplicar ou retirar bordas no trecho selecionado.

Grupo Estilo
Possui vários estilos pré-definidos que permite salvar configurações relativas ao tamanho e cor da fonte, espaçamento entre linhas
do parágrafo.

Grupo Edição

CTRL+L: ao clicar nesse ícone é aberta a janela lateral, denominada navegação, onde é possível localizar um
uma palavra ou trecho dentro do texto.
CTRL+U: pesquisa no documento a palavra ou parte do texto que você quer mudar e o substitui por outro
de seu desejo.

Seleciona o texto ou objetos no documento.

Inserir: a guia inserir permite a inclusão de elementos ao texto, como: imagens, gráficos, formas, configurações de quebra de página,
equações, entre outras.

Adiciona uma folha inicial em seu documento, parecido como uma capa.

Adiciona uma página em branco em qualquer lugar de seu documento.

Uma seção divide um documento em partes determinadas pelo usuário para que sejam aplicados diferentes
estilos de formatação na mesma ou facilitar a numeração das páginas dentro dela.

Permite inserir uma tabela, uma planilha do Excel, desenhar uma tabela, tabelas rápidas ou converter o texto em tabela e
vice-versa.

17
INFORMÁTICA BÁSICA
Design: esta guia agrupa todos os estilos e formatações disponíveis para aplicar ao layout do documento.

Layout: a guia layout define configurações características ao formato da página, como tamanho, orientação, recuo, entre outras.

Referências: é utilizada para configurações de itens como sumário, notas de rodapé, legendas entre outros itens relacionados a iden-
tificação de conteúdo.

Correspondências: possui configuração para edição de cartas, mala direta, envelopes e etiquetas.

Revisão: agrupa ferramentas úteis para realização de revisão de conteúdo do texto, como ortografia e gramática, dicionário de sinô-
nimos, entre outras.

Exibir: altera as configurações de exibição do documento.

Formatos de arquivos
Veja abaixo alguns formatos de arquivos suportados pelo Word 2016:
.docx: formato xml.
.doc: formato da versão 2003 e anteriores.
.docm: formato que contém macro (vba).
.dot: formato de modelo (carta, currículo...) de documento da versão 2003 e anteriores.
.dotx: formato de modelo (carta, currículo...) com o padrão xml.
.odt: formato de arquivo do Libre Office Writer.
.rtf: formato de arquivos do WordPad.
.xml: formato de arquivos para Web.
.html: formato de arquivos para Web.
.pdf: arquivos portáteis.

18
INFORMÁTICA BÁSICA

PLANILHAS ELETRÔNICAS EXCEL E CALC: ÁREA DE TRABALHO, BARRA DE FERRAMENTAS, BOTÕES E MENUS; DESLO-
CAMENTO DO CURSOR NA PLANILHA PARA SELEÇÃO DE CÉLULAS, LINHAS E COLUNAS; INTRODUÇÃO DE NÚMEROS,
TEXTOS, FÓRMULAS E DATAS NA PLANILHA, REFERÊNCIA ABSOLUTA E RELATIVA; PRINCIPAIS FUNÇÕES: MATEMÁTI-
CAS, LÓGICAS, ESTATÍSTICAS, DATA-HORA, FINANCEIRAS, TEXTO, PESQUISA E REFERÊNCIA; FORMATAÇÃO DE PLANI-
LHAS: NÚMERO, ALINHAMENTO, BORDA, FONTE, PADRÕES; EDIÇÃO DA PLANILHA: OPERAÇÕES DE COPIAR, COLAR,
RECORTAR, LIMPAR, MARCAR, ETC.; CLASSIFICAÇÃO DE DADOS NAS PLANILHAS; GRÁFICOS

O Microsoft Excel 2016 é um software para criação e manutenção de Planilhas Eletrônicas.


A grande mudança de interface do aplicativo ocorreu a partir do Excel 2007 (e de todos os aplicativos do Office 2007 em relação as
versões anteriores). A interface do Excel, a partir da versão 2007, é muito diferente em relação as versões anteriores (até o Excel 2003). O
Excel 2016 introduziu novas mudanças, para corrigir problemas e inconsistências relatadas pelos usuários do Excel 2010 e 2013.
Na versão 2016, temos uma maior quantidade de linhas e colunas, sendo um total de 1.048.576 linhas por 16.384 colunas.
O Excel 2016 manteve as funcionalidades e recursos que já estamos acostumados, além de implementar alguns novos, como15:
- 6 tipos novos de gráficos: Cascata, Gráfico Estatístico, Histograma, Pareto e Caixa e Caixa Estreita.
- Pesquise, encontra e reúna os dados necessários em um único local utilizando “Obter e Transformar Dados” (nas versões anteriores
era Power Query disponível como suplemento.
- Utilize Mapas 3D (em versões anteriores com Power Map disponível como suplemento) para mostrar histórias junto com seus dados.

Especificamente sobre o Excel 2016, seu diferencial é a criação e edição de planilhas a partir de dispositivos móveis de forma mais fácil
e intuitivo, vendo que atualmente, os usuários ainda não utilizam de forma intensa o Excel em dispositivos móveis.

Tela Inicial do Excel 2016.

Ao abrir uma planilha em branco ou uma planilha, é exibida a área de trabalho do Excel 2016 com todas as ferramentas necessárias
para criar e editar planilhas16.
15 https://ninjadoexcel.com.br/microsoft-excel-2016/
16 https://juliobattisti.com.br/downloads/livros/excel_2016_basint_degusta.pdf

19
INFORMÁTICA BÁSICA

As cinco principais funções do Excel são17:


– Planilhas: Você pode armazenar manipular, calcular e analisar dados tais como números, textos e fórmulas. Pode acrescentar grá-
fico diretamente em sua planilha, elementos gráficos, tais como retângulos, linhas, caixas de texto e botões. É possível utilizar formatos
pré-definidos em tabelas.
– Bancos de dados: você pode classificar pesquisar e administrar facilmente uma grande quantidade de informações utilizando ope-
rações de bancos de dados padronizadas.
– Gráficos: você pode rapidamente apresentar de forma visual seus dados. Além de escolher tipos pré-definidos de gráficos, você pode
personalizar qualquer gráfico da maneira desejada.
– Apresentações: Você pode usar estilos de células, ferramentas de desenho, galeria de gráficos e formatos de tabela para criar apre-
sentações de alta qualidade.
– Macros: as tarefas que são frequentemente utilizadas podem ser automatizadas pela criação e armazenamento de suas próprias
macros.

Planilha Eletrônica
A Planilha Eletrônica é uma folha de cálculo disposta em forma de tabela, na qual poderão ser efetuados rapidamente vários tipos de
cálculos matemáticos, simples ou complexos.
Além disso, a planilha eletrônica permite criar tabelas que calculam automaticamente os totais de valores numéricos inseridos, impri-
mir tabelas em layouts organizados e criar gráficos simples.

Barra de ferramentas de acesso rápido


Essa barra localizada na parte superior esquerdo, ajudar a deixar mais perto os comandos mais utilizados, sendo que ela pode ser
personalizada. Um bom exemplo é o comando de visualização de impressão que podemos inserir nesta barra de acesso rápido.

Barra de ferramentas de acesso rápido.

Barra de Fórmulas
Nesta barra é onde inserimos o conteúdo de uma célula podendo conter fórmulas, cálculos ou textos, mais adiante mostraremos
melhor a sua utilidade.

17 http://www.prolinfo.com.br

20
INFORMÁTICA BÁSICA

Barra de Fórmulas.

Guia de Planilhas
Quando abrirmos um arquivo do Excel, na verdade estamos abrindo uma pasta de trabalho onde pode conter planilhas, gráficos, tabe-
las dinâmicas, então essas abas são identificadoras de cada item contido na pasta de trabalho, onde consta o nome de cada um.
Nesta versão quando abrimos uma pasta de trabalho, por padrão encontramos apenas uma planilha.

Guia de Planilhas.

– Coluna: é o espaçamento entre dois traços na vertical. As colunas do Excel são representadas em letras de acordo com a ordem
alfabética crescente sendo que a ordem vai de “A” até “XFD”, e tem no total de 16.384 colunas em cada planilha.
– Linha: é o espaçamento entre dois traços na horizontal. As linhas de uma planilha são representadas em números, formam um total
de 1.048.576 linhas e estão localizadas na parte vertical esquerda da planilha.

Linhas e colunas.

Célula: é o cruzamento de uma linha com uma coluna. Na figura abaixo podemos notar que a célula selecionada possui um endereço
que é o resultado do cruzamento da linha 4 e a coluna B, então a célula será chamada B4, como mostra na caixa de nome logo acima da
planilha.

Células.

Faixa de opções do Excel (Antigo Menu)


Como na versão anterior o MS Excel 2013 a faixa de opções está organizada em guias/grupos e comandos. Nas versões anteriores ao
MS Excel 2007 a faixa de opções era conhecida como menu.
1. Guias: existem sete guias na parte superior. Cada uma representa tarefas principais executadas no Excel.
2. Grupos: cada guia tem grupos que mostram itens relacionados reunidos.
3. Comandos: um comando é um botão, uma caixa para inserir informações ou um menu.

Faixa de opções do Excel.

21
INFORMÁTICA BÁSICA
Pasta de trabalho
É denominada pasta todo arquivo que for criado no MS Excel. Tudo que for criado será um arquivo com extensão: xls, xlsx, xlsm, xltx
ou xlsb.

Fórmulas
Fórmulas são equações que executam cálculos sobre valores na planilha. Uma fórmula sempre inicia com um sinal de igual (=).
Uma fórmula também pode conter os seguintes itens: funções, referências, operadores e constantes.

– Referências: uma referência identifica uma célula ou um intervalo de células em uma planilha e informa ao Microsoft Excel onde
procurar os valores ou dados a serem usados em uma fórmula.
– Operadores: um sinal ou símbolo que especifica o tipo de cálculo a ser executado dentro de uma expressão. Existem operadores
matemáticos, de comparação, lógicos e de referência.

– Constantes: é um valor que não é calculado, e que, portanto, não é alterado. Por exemplo: =C3+5.
O número 5 é uma constante. Uma expressão ou um valor resultante de uma expressão não é considerado uma constante.

Níveis de Prioridade de Cálculo


Quando o Excel cria fórmulas múltiplas, ou seja, misturar mais de uma operação matemática diferente dentro de uma mesma fórmula,
ele obedece a níveis de prioridade.
Os Níveis de Prioridade de Cálculo são os seguintes:
Prioridade 1: Exponenciação e Radiciação (vice-versa).
Prioridade 2: Multiplicação e Divisão (vice-versa).
Prioridade 3: Adição e Subtração (vice-versa).
Os cálculos são executados de acordo com a prioridade matemática, conforme esta sequência mostrada, podendo ser utilizados pa-
rênteses “ () ” para definir uma nova prioridade de cálculo.

Criando uma fórmula


Para criar uma fórmula simples como uma soma, tendo como referência os conteúdos que estão em duas células da planilha, digite
o seguinte:

22
INFORMÁTICA BÁSICA

Funções
Funções são fórmulas predefinidas que efetuam cálculos usando valores específicos, denominados argumentos, em uma determinada
ordem ou estrutura. As funções podem ser usadas para executar cálculos simples ou complexos.
Assim como as fórmulas, as funções também possuem uma estrutura (sintaxe), conforme ilustrado abaixo:

Estrutura da função.

NOME DA FUNÇÃO: todas as funções que o Excel permite usar em suas células tem um nome exclusivo.
Para obter uma lista das funções disponíveis, clique em uma célula e pressione SHIFT+F3.
ARGUMENTOS: os argumentos podem ser números, texto, valores lógicos, como VERDADEIRO ou FALSO, matrizes, valores de erro
como #N/D ou referências de célula. O argumento que você atribuir deve produzir um valor válido para esse argumento. Os argumentos
também podem ser constantes, fórmulas ou outras funções.

Função SOMA
Esta função soma todos os números que você especifica como argumentos. Cada argumento pode ser um intervalo, uma referência
de célula, uma matriz, uma constante, uma fórmula ou o resultado de outra função. Por exemplo, SOMA (A1:A5) soma todos os números
contidos nas células de A1 a A5. Outro exemplo: SOMA (A1;A3; A5) soma os números contidos nas células A1, A3 e A5.

Função MÉDIA
Esta função calcula a média aritmética de uma determinada faixa de células contendo números. Para tal, efetua o cálculo somando os
conteúdos dessas células e dividindo pela quantidade de células que foram somadas.

23
INFORMÁTICA BÁSICA

Função MÁXIMO e MÍNIMO


Essas funções dado um intervalo de células retorna o maior e menor número respectivamente.

Função SE
A função SE é uma função do grupo de lógica, onde temos que tomar uma decisão baseada na lógica do problema. A função SE verifica
uma condição que pode ser Verdadeira ou Falsa, diante de um teste lógico.

Sintaxe
SE (teste lógico; valor se verdadeiro; valor se falso)

Exemplo:
Na planilha abaixo, como saber se o número é negativo, temos que verificar se ele é menor que zero.
Na célula A2 digitaremos a seguinte formula:

24
INFORMÁTICA BÁSICA
Aproveitando o mesmo exemplo da função anterior, podemos
contar a quantidade de homens e mulheres.
Na planilha acima, na célula C9 digitaremos a função =CONT.SE
(B2:B7;”M”) para obter a quantidade de vendedores.

REDES DE COMPUTADORES E INTERNET: INTRANET,


EXTRANET E INTERNET; PROTOCOLOS INTERNET DAS
CAMADAS DE REDE, DE TRANSPORTE E DE APLICA-
Função SOMASE ÇÃO; CORREIO ELETRÔNICO: CLIENTES DE CORREIO
A função SOMASE é uma junção de duas funções já estudadas ELETRÔNICO, SERVIDORES DE CORREIO ELETRÔNICO,
aqui, a função SOMA e SE, onde buscaremos somar valores desde MENSAGEM ELETRÔNICA E SEUS CABEÇALHOS, FIL-
que atenda a uma condição especificada: TROS DE E-MAIL, LISTAS DE CORREIO ELETRÔNICO,
SPAM, CONFIGURAÇÕES E UTILIZAÇÃO DE RECURSOS
Sintaxe TÍPICOS DE CORREIO ELETRÔNICO, WEBMAIL; WORLD
SOMASE (intervalo analisado; critério; intervalo a ser somado) WIDE WEB: NAVEGADORES, MECANISMOS DE BUSCA,
Onde: URLS, COOKIES
Intervalo analisado (obrigatório): intervalo em que a função vai
analisar o critério. Uma rede de computadores é formada por um conjunto de
Critério (obrigatório): Valor ou Texto a ser procurado no inter- módulos processadores capazes de trocar informações e comparti-
valo a ser analisado. lhar recursos, interligados por um sistema de comunicação (meios
Intervalo a ser somado (opcional): caso o critério seja atendido de transmissão e protocolos)18.
é efetuado a soma da referida célula analisada. Não pode conter
texto neste intervalo.

Exemplo: As redes de computadores possuem diversas aplicações co-


Vamos calcular a somas das vendas dos vendedores por Gêne- merciais e domésticas.
ro. Observando a planilha acima, na célula C9 digitaremos a função
=SOMASE (B2:B7;”M”; C2:C7) para obter a soma dos vendedores. As aplicações comerciais proporcionam:
– Compartilhamento de recursos: impressoras, licenças de sof-
Função CONT.SE tware, etc.
Esta função conta quantas células se atender ao critério solici- – Maior confiabilidade por meio de replicação de fontes de da-
tado. Ela pede apenas dois argumentos, o intervalo a ser analisado dos
e o critério para ser verificado. – Economia de dinheiro: telefonia IP (VoIP), vídeo conferência,
etc.
Sintaxe – Meio de comunicação eficiente entre os empregados da em-
CONT.SE (intervalo analisado; critério) presa: e-mail, redes sociais, etc.
Onde: – Comércio eletrônico.
Intervalo analisado (obrigatório): intervalo em que a função vai
analisar o critério. As aplicações domésticas proporcionam:
Critério (obrigatório): Valor ou Texto a ser procurado no inter- – Acesso a informações remotas: jornais, bibliotecas digitais,
valo a ser analisado. etc.
– Comunicação entre as pessoas: Twitter, Facebook, Instagram,
etc.
– Entretenimento interativo: distribuição de músicas, filmes,
etc.
– Comércio eletrônico.
– Jogos.

18 NASCIMENTO, E. J. Rede de Computadores. Universidade Federal do Vale do


São Francisco.

25
INFORMÁTICA BÁSICA
Modelo Cliente-Servidor Meios de transmissão
Uma configuração muito comum em redes de computadores Existem várias formas de transmitir bits de uma máquina para
emprega o modelo cliente-servidor O cliente solicita o recurso ao outra através de meios de transmissão, com diferenças em termos
servidor: de largura de banda, atraso, custo e facilidade de instalação e ma-
nutenção. Existem dois tipos de meios de transmissão: guiados e
não guiados:
– Meios de transmissão guiados: os cabos de par trançado,
cabo coaxial e fibra ótica;
– Meios de transmissão não guiados: as redes terrestres sem
fios, satélites e raios laser transmitidos pelo ar.

No modelo cliente-servidor, um processo cliente em uma má-


quina se comunica com um processo servidor na outra máquina.
O termo processo se refere a um programa em execução.
Uma máquina pode rodar vários processos clientes e servido-
res simultaneamente.

Equipamentos de redes
Existem diversos equipamentos que podem ser utilizados nas
redes de computadores19. Alguns são:
– Modem (Modulador/Demodulador): é um dispositivo de 20

hardware físico que funciona para receber dados de um provedor


de serviços de internet através de um meio de conexão como cabos, Cabos de pares trançado
fios ou fibra óptica. .Cconverte/modula o sinal digital em sinal ana- Os pares trançados são o meio de transmissão mais antigo
lógico e transmite por fios, do outro lado, deve ter outro modem e ainda mais comum em virtude do custo e desempenho obtido.
para receber o sinal analógico e demodular, ou seja, converter em Consiste em dois fios de cobre encapados e entrelaçados. Este en-
sinal digital, para que o computador possa trabalhar com os dados. trelaçado cancela as ondas de diferentes partes dos fios diminuin-
Em alguns tipos, a transmissão já é feita enviando os próprios si- do a interferência. Os pares trançados são comuns em sistemas
nais digitais, não precisando usar os modens, porém, quando se telefônicos, que é usado tanto para chamadas telefônicas quanto
transmite sinais através da linha telefônica é necessário o uso dos para o acesso à internet por ADSL, estes pares podem se estender
modems. por diversos quilômetros, porém, quando a distância for muito lon-
– Placa de rede: possui a mesma tarefa dos modens, porém, ga, existe a necessidade de repetidores. E quando há muitos pa-
somente com sinais digitais, ou seja, é o hardware que permite os res trançados em paralelo percorrendo uma distância grande, são
computadores se comunicarem através da rede. A função da placa envoltos por uma capa protetora. Existem dois tipos básico deste
é controlar todo o recebimento e envio dos dados através da rede. cabo, que são:
– Hub: atuam como concentradores de sinais, retransmitindo – UTP (Unshielded Twisted Pair – Par trançado sem blinda-
os dados enviados às máquinas ligadas a ele, ou seja, o hub tem a gem): utilizado em redes de baixo custo, possui fácil manuseio e
função de interligar os computadores de uma rede local, recebendo instalação e podem atingir até 100 Mbps na taxa de transmissão
dados de um computador e transmitindo à todos os computadores (utilizando as especificações 5 e 5e).
da rede local. – STP (Shielded Twisted Pair – Par trançado com blindagem):
– Switch: semelhante ao hub – também chamado de hub in- possui uma utilização restrita devido ao seu custo alto, por isso, é
teligente - verifica os cabeçalhos das mensagens e a retransmite utilizado somente em ambientes com alto nível de interferência ele-
somente para a máquina correspondente, criando um canal de co- tromagnética. Existem dois tipos de STP:
municação exclusiva entre origem e destino. 1- Blindagem simples: todos os pares são protegidos por uma
– Roteador: ao invés de ser conectado às máquinas, está co- camada de blindagem.
nectado às redes. Além de possuir as mesmas funções do switch, 2- Blindagem par a par: cada par de fios é protegido por uma
possui a capacidade de escolher a melhor rota que um determinado camada de blindagem.
pacote de dados deve seguir para chegar a seu destino. Podemos
citar como exemplo uma cidade grande e o roteador escolhe o ca- Cabo coaxial
minho mais curto e menos congestionado. O cabo coaxial consiste em um fio condutor interno envolto por
– Access Point (Ponto de acesso – AP): similar ao hub, oferece anéis isolantes regularmente espaçados e cercado por um condutor
sinais de rede em formas de rádio, ou seja, o AP é conectado a uma cilíndrico coberto por uma malha. O cabo coaxial é mais resistente à
rede cabeada e serve de ponto de acesso a rede sem fio. interferência e linha cruzada do que os cabos de par trançado, além
de poder ser usado em distâncias maiores e com mais estações.
Assim, o cabo coaxial oferece mais capacidade, porém, é mais caro
do que o cabo de par trançado blindado.
20 Fonte: http://eletronicaapolo.com.br/novidades/o-que-e-o-cabo-de-rede-
19 http://www.inf.ufpr.br/albini/apostila/Apostila_Redes1_Beta.pdf -par-trancado

26
INFORMÁTICA BÁSICA
Os cabos coaxiais eram usados no sistema telefônico para lon-
gas distância, porém, foram substituídos por fibras óticas. Estes ca-
bos estão sendo usados pelas redes de televisão a cabo e em redes
metropolitanas.

Fibras óticas
A fibra ótica é formada pelo núcleo, vestimenta e jaqueta, o
centro é chamado de núcleo e a próxima camada é a vestimenta, tanto
o núcleo quanto a vestimenta consistem em fibras de vidro com di-
ferentes índices de refração cobertas por uma jaqueta protetora que
absorve a luz. A fibra de vidro possui forma cilíndrica, flexível e capaz de
conduzir um raio ótico. Estas fibras óticas são agrupadas em um cabo
ótico, e podem ser colocadas várias fibras no mesmo cabo.
Nas fibras óticas, um pulso de luz indica um bit e a ausência de
luz indica zero bit. Para conseguir transmitir informações através da
fibra ótica, é necessário conectar uma fonte de luz em uma ponta
da fibra ótica e um detector na outra ponta, assim, a ponta que vai
transmitir converte o sinal elétrico e o transmite por pulsos de luz, a Exemplo de rede LAN.21
ponta que vai receber deve converter a saída para um sinal elétrico.
As fibras óticas possuem quatro características que a diferem Dependendo do cabeamento e tecnologia usados, essas redes
dos cabos de par traçado e coaxial, que são: atingem velocidades de 100Mbps, 1Gbps ou até 10Gbps.
– Maior capacidade: possui largura de banda imensa com ve- Com a preferência do consumidor por notebooks, as LANs sem
locidade de dados de centenas de Gbps por distâncias de dezenas fio ficaram bastante populares. O padrão mais utilizado é o IEEE
de quilômetros; 802.11 conhecido como Wi-Fi. A versão mais recente, o 802.11n,
– Menor tamanho e menor peso: são muito finas e por isso, permite alcançar velocidades da ordem de 300Mbps.
pesam pouco, desta forma, reduz os requisitos de suporte estru- LANs sem fio são geralmente interligadas à rede cabeada atra-
tural; vés de um ponto de acesso.
– Menor atenuação: possui menor atenuação comparando
com os cabos de par trançado e coaxial, por isso, é constante em • Redes Metropolitanas
um intervalo de frequência maior; Uma rede metropolitana (MAN - Metropolitan Area Network)
– Isolamento eletromagnético: as fibras óticas não sofrem in- é basicamente uma grande versão de uma LAN onde a distância
terferências externas, à ruído de impulso ou à linha cruzada, e estas entre os equipamentos ligados à rede começa a atingir distâncias
fibras também não irradiam energia. metropolitanas (uma cidade).
Exemplos de MANs são as redes de TV a cabo e as redes IEEE
Esse sistema das fibras óticas funciona somente por um princí- 802.16 (WiMAX).
pio da física: quando um raio de luz passa de um meio para outro, o
raio é refratado no limite sílica/ar. A quantidade de refração depen-
de das propriedades das duas mídias (índices de refração). Para ân-
gulos de incidência acima de um certo valor crítico ou acima é inter-
ceptado dentro da fibra e pode se propagar por muitos quilômetros
praticamente sem perdas. Podemos classificar as fibras óticas em:
– Monomodo: se o diâmetro da fibra for reduzido a alguns
comprimentos de onda, a luz só poderá se propagar em linha reta,
sem ricochetear, produzindo assim, uma fibra de modo único (fibra
monomodo). Estas fibras são mais caras, porém amplamente utili-
zadas em distâncias mais longas podendo transmitir dados a 100
Gbps por 100 quilômetros sem amplificação.
– Multimodo: se o raio de luz incidente na fronteira acima do
ângulo critico for refletido internamente, muitos raios distintos es-
tarão ricocheteando em diferentes ângulos. Dizemos que cada raio
tem um modo específico, desta forma, na fibra multimodo, os raios Exemplo de rede WAN.22
são ricocheteados em diferentes ângulos
• Redes a Longas Distâncias
Tipos de Redes Uma rede a longas distâncias (WAN - Wide Area Network) é
uma rede que cobre uma área geográfica grande, usualmente um
Redes Locais país ou continente. Os hospedeiros da rede são conectados por uma
As redes locais (LAN - Local Area Networks) são normalmen- sub-rede de comunicação. A sub-rede é composta de dois elemen-
te redes privativas que permitem a interconexão de equipamentos tos: linhas de transmissão e elementos de comutação (roteadores).
presentes em uma pequena região (um prédio ou uma universidade
ou que tenha poucos quilômetros de extensão).
As LANs podem ser cabeadas, sem fio ou mistas.
21 Fonte: http://www.bosontreinamentos.com.br/redes-computadores/qual-a-
Atualmente as LANs cabeadas mais usadas usam o padrão IEEE 802.3
-diferenca-entre-lan-man-e-wan-em-redes-de-dados
Para melhorar a eficiência, cada computador é ligado por um
22 Fonte: https://informaticaeadministracao.wordpress.com/2014/04/22/lan-
cabo a uma porta de um comutador (switch).
-man-e-wan

27
INFORMÁTICA BÁSICA

Vantagens:
– Uso de cabo é econômico;
– Mídia é barata, fácil de trabalhar e instalar;
– Simples e relativamente confiável;
Exemplo de rede WAN.23 – Fácil expansão.

Nos enlaces de longa distância em redes WAN são usadas tec- Desvantagens:
nologias que permitem o tráfego de grandes volumes de dados: – Rede pode ficar extremamente lenta em situações de tráfego
SONET, SDH, etc. pesado;
Quando não há cabos, satélites podem ser utilizados em parte – Problemas são difíceis de isolar;
dos enlaces. – Falha no cabo paralisa a rede inteira.
A sub-rede é em geral operada por uma grande empresa de
telecomunicações conhecida como provedor de serviço de Internet Topologia Estrela
(ISP - Internet Service Provider). A mais comum atualmente, a topologia em estrela utiliza cabos
de par trançado e um concentrador como ponto central da rede.
Topologia de redes O concentrador se encarrega de retransmitir todos os dados para
A topologia de rede é o padrão no qual o meio de rede está todas as estações, mas com a vantagem de tornar mais fácil a loca-
conectado aos computadores e outros componentes de rede24. Es- lização dos problemas, já que se um dos cabos, uma das portas do
sencialmente, é a estrutura topológica da rede, e pode ser descrito concentrador ou uma das placas de rede estiver com problemas,
fisicamente ou logicamente. apenas o nó ligado ao componente defeituoso ficará fora da rede.
Há várias formas nas quais se pode organizar a interligação en-
tre cada um dos nós (computadores) da rede. A topologia física é
a verdadeira aparência ou layout da rede, enquanto que a lógica
descreve o fluxo dos dados através da rede.
Existem duas categorias básicas de topologias de rede:
– Topologia física: representa como as redes estão conectadas
(layout físico) e o meio de conexão dos dispositivos de redes (nós
ou nodos). A forma com que os cabos são conectados, e que gene-
ricamente chamamos de topologia da rede (física), influencia em
diversos pontos considerados críticos, como a flexibilidade, veloci-
dade e segurança.
– Topologia lógica: refere-se à maneira como os sinais agem so- Vantagens:
bre os meios de rede, ou a maneira como os dados são transmitidos – A codificação e adição de novos computadores é simples;
através da rede a partir de um dispositivo para o outro sem ter em – Gerenciamento centralizado;
conta a interligação física dos dispositivos. Topologias lógicas são – Falha de um computador não afeta o restante da rede.
capazes de serem reconfiguradas dinamicamente por tipos espe-
ciais de equipamentos como roteadores e switches. Desvantagem:
– Uma falha no dispositivo central paralisa a rede inteira.
Topologia Barramento
Todos os computadores são ligados em um mesmo barramento Topologia Anel
físico de dados. Apesar de os dados não passarem por dentro de Na topologia em anel os dispositivos são conectados em sé-
cada um dos nós, apenas uma máquina pode “escrever” no barra- rie, formando um circuito fechado (anel). Os dados são transmiti-
mento num dado momento. Todas as outras “escutam” e recolhem dos unidirecionalmente de nó em nó até atingir o seu destino. Uma
para si os dados destinados a elas. Quando um computador estiver mensagem enviada por uma estação passa por outras estações,
a transmitir um sinal, toda a rede fica ocupada e se outro computa- através das retransmissões, até ser retirada pela estação destino ou
dor tentar enviar outro sinal ao mesmo tempo, ocorre uma colisão pela estação fonte.
e é preciso reiniciar a transmissão.

23 Fonte: https://10infrcpaulo.wordpress.com/2012/12/11/wan
24 https://www.oficinadanet.com.br/artigo/2254/topologia_de_redes_vanta-
gens_e_desvantagens

28
INFORMÁTICA BÁSICA

Vantagens:
– Todos os computadores acessam a rede igualmente;
– Performance não é impactada com o aumento de usuários.

Desvantagens:
– Falha de um computador pode afetar o restante da rede;
– Problemas são difíceis de isolar. Modelo OSI.

Topologia Malha O modelo OSI não é uma arquitetura de rede, pois não especifi-
Esta topologia é muito utilizada em várias configurações, pois ca os serviços e protocolos que devem ser usados em cada camada.
facilita a instalação e configuração de dispositivos em redes mais O modelo OSI informa apenas o que cada camada deve fazer:
simples. Todos os nós estão atados a todos os outros nós, como se
estivessem entrelaçados. Já que são vários os caminhos possíveis 1. Camada física
por onde a informação pode fluir da origem até o destino. A sua função é assegurar o transporte de bits através de um
meio de transmissão. Dessa forma, as questões de projeto dessa
camada estão ligadas a níveis de tensão, tempo de bit, interfaces
elétricas e mecânicas, quantidade de pinos, sentidos da comunica-
ção, etc.

2. Camada de enlace de dados


A sua principal função é transmitir quadros entre duas máqui-
nas ligadas diretamente, transformando o canal em um enlace de
dados confiável.
- Divide os dados em quadros e os envia sequencialmente.
- Regula o tráfego
- Detecta a ocorrência de erros ocorridos na camada física
Vantagens: - Em redes de difusão, uma subcamada de controle de acesso
– Maior redundância e confiabilidade; ao meio é inserida para controlar o acesso ao canal compartilhado
– Facilidade de diagnóstico.
3. Camada de rede
Desvantagem: A sua função é encaminhar pacotes entre a máquina de origem
– Instalação dispendiosa. e a máquina de destino.
- O roteamento pode ser estático ou dinâmico.
Modelos de Referência - Realiza o controle de congestionamento.
Dois modelos de referência para arquiteturas de redes mere- - Responsável pela qualidade de serviço.
cem destaque: OSI e TCP/IP. - Tem que permitir que redes heterogêneas se comuniquem,
sendo assim, deve lidar com questões como endereçamento, tama-
Modelo de referência ISO OSI (Open Systems Interconnection) nho dos pacotes e protocolos heterogêneos.
Modelo destinado à interconexão de sistemas abertos. Possui
7 camadas: física, enlace de dados, rede, transporte, sessão, apre- 4. Camada de transporte
sentação e aplicação. A sua função básica é efetuar a comunicação fim-a-fim entre
processos, normalmente adicionando novas funcionalidades ao
serviço já oferecido pela camada de rede. Pode oferecer um canal
ponto a ponto livre de erros com entrega de mensagens na ordem
correta.

5. Camada de sessão
A sua função é controlar quem fala e quando, entre a origem
e o destino (analogia com operações críticas em bancos de dados).

6. Camada de apresentação
A sua função básica é transformar a sintaxe dos dados (forma
de representação) sem afetar a semântica. Gerencia estruturas de
dados abstratas.

29
INFORMÁTICA BÁSICA
7. Camada de aplicação
Contém uma série de protocolos necessários para os usuários. É nessa camada que o usuário interage.

Modelo TCP/IP
Arquitetura voltada para a interconexão de redes heterogêneas (ARPANET)
Posteriormente, essa arquitetura ficou conhecida como modelo TCP/IP graças aos seus principais protocolos.
O modelo TCP/IP é composto por quatro camadas: enlace, internet, transporte e aplicação.

Modelo TCP/IP.

1. Camada de enlace
Não é uma camada propriamente dita, mas uma interface entre os hospedeiros e os enlaces de transmissão

2. Camada internet (camada de rede)


Integra toda a arquitetura, mantendo-a unida. Faz a interligação de redes não orientadas a conexão.
Tem o objetivo de rotear as mensagens entre hospedeiros, ocultando os problemas inerentes aos protocolos utilizados e aos tama-
nhos dos pacotes. Tem a mesma função da camada de rede do modelo OSI.
O protocolo principal dessa camada é o IP.

3. Camada de transporte
Permite que entidades pares (processos) mantenham uma comunicação.
Foram definidos dois protocolos para essa camada: TCP (Transmission Control Protocol) e UDP (User Datagram Protocol).
O TCP é um protocolo orientado a conexões confiável que permite a entrega sem erros de um fluxo de bytes.
O UDP é um protocolo não orientado a conexões, não confiável e bem mais simples que o TCP.

4. Camada de aplicação
Contém todos os protocolos de nível mais alto.

Modelo TCP/IP e seus protocolos.

30
INFORMÁTICA BÁSICA
finidas todas as regras necessárias para que o computador de desti-
no, “entenda” as informações no formato que foram enviadas pelo
computador de origem.
Existem diversos protocolos, atualmente a grande maioria das
redes utiliza o protocolo TCP/IP já que este é utilizado também na
Internet.
O protocolo TCP/IP acabou se tornando um padrão, inclusive
para redes locais, como a maioria das redes corporativas hoje tem
acesso Internet, usar TCP/IP resolve a rede local e também o acesso
externo.

TCP / IP
Sigla de Transmission Control Protocol/Internet Protocol (Pro-
tocolo de Controle de Transmissão/Protocolo Internet).
Embora sejam dois protocolos, o TCP e o IP, o TCP/IP aparece
nas literaturas como sendo:
- O protocolo principal da Internet;
Modelo OSI versus TCP/IP. - O protocolo padrão da Internet;
- O protocolo principal da família de protocolos que dá suporte
Internet ao funcionamento da Internet e seus serviços.
A Internet é uma rede mundial de computadores interligados
através de linhas de telefone, linhas de comunicação privadas, ca- Considerando ainda o protocolo TCP/IP, pode-se dizer que:
bos submarinos, canais de satélite, etc25. Ela nasceu em 1969, nos A parte TCP é responsável pelos serviços e a parte IP é respon-
Estados Unidos. Interligava originalmente laboratórios de pesquisa sável pelo roteamento (estabelece a rota ou caminho para o trans-
e se chamava ARPAnet (ARPA: Advanced Research Projects Agency). porte dos pacotes).
Com o passar do tempo, e com o sucesso que a rede foi tendo, o nú-
mero de adesões foi crescendo continuamente. Como nesta época, Domínio
o computador era extremamente difícil de lidar, somente algumas Se não fosse o conceito de domínio quando fossemos acessar
instituições possuíam internet. um determinado endereço na web teríamos que digitar o seu en-
No entanto, com a elaboração de softwares e interfaces cada dereço IP. Por exemplo: para acessar o site do Google ao invés de
vez mais fáceis de manipular, as pessoas foram se encorajando a você digitar www.google.com você teria que digitar um número IP
participar da rede. O grande atrativo da internet era a possibilida- – 74.125.234.180.
de de se trocar e compartilhar ideias, estudos e informações com É através do protocolo DNS (Domain Name System), que é pos-
outras pessoas que, muitas vezes nem se conhecia pessoalmente. sível associar um endereço de um site a um número IP na rede.
O formato mais comum de um endereço na Internet é algo como
Conectando-se à Internet http://www.empresa.com.br, em que:
Para se conectar à Internet, é necessário que se ligue a uma www: (World Wide Web): convenção que indica que o ende-
rede que está conectada à Internet. Essa rede é de um provedor de reço pertence à web.
acesso à internet. Assim, para se conectar você liga o seu computa- empresa: nome da empresa ou instituição que mantém o ser-
dor à rede do provedor de acesso à Internet; isto é feito por meio viço.
de um conjunto como modem, roteadores e redes de acesso (linha com: indica que é comercial.
telefônica, cabo, fibra-ótica, wireless, etc.). br: indica que o endereço é no Brasil.

URL
World Wide Web
Um URL (de Uniform Resource Locator), em português, Locali-
A web nasceu em 1991, no laboratório CERN, na Suíça. Seu
zador-Padrão de Recursos, é o endereço de um recurso (um arqui-
criador, Tim Berners-Lee, concebeu-a unicamente como uma lin- vo, uma impressora etc.), disponível em uma rede; seja a Internet,
guagem que serviria para interligar computadores do laboratório e ou uma rede corporativa, uma intranet.
outras instituições de pesquisa, e exibir documentos científicos de Uma URL tem a seguinte estrutura: protocolo://máquina/ca-
forma simples e fácil de acessar. minho/recurso.
Hoje é o segmento que mais cresce. A chave do sucesso da
World Wide Web é o hipertexto. Os textos e imagens são interli- HTTP
gados por meio de palavras-chave, tornando a navegação simples É o protocolo responsável pelo tratamento de pedidos e res-
e agradável. postas entre clientes e servidor na World Wide Web. Os endereços
web sempre iniciam com http:// (http significa Hypertext Transfer
Protocolo de comunicação Protocol, Protocolo de transferência hipertexto).
Transmissão e fundamentalmente por um conjunto de proto-
colos encabeçados pelo TCP/IP. Para que os computadores de uma Hipertexto
rede possam trocar informações entre si é necessário que todos os São textos ou figuras que possuem endereços vinculados a
computadores adotem as mesmas regras para o envio e o recebi- eles. Essa é a maneira mais comum de navegar pela web.
mento de informações. Este conjunto de regras é conhecido como
Protocolo de Comunicação. No protocolo de comunicação estão de- Navegadores
Um navegador de internet é um programa que mostra informa-
25 https://cin.ufpe.br/~macm3/Folders/Apostila%20Internet%20-%20Avan%E- ções da internet na tela do computador do usuário.
7ado.pdf

31
INFORMÁTICA BÁSICA
Além de também serem conhecidos como browser ou web – Central de Ajuda: espaço para verificar a versão instalada do
browser, eles funcionam em computadores, notebooks, dispositi- navegador e artigos (geralmente em inglês, embora também exis-
vos móveis, aparelhos portáteis, videogames e televisores conec- tam em português) de como realizar tarefas ou ações específicas
tados à internet. no navegador.
Um navegador de internet condiciona a estrutura de um site
e exibe qualquer tipo de conteúdo na tela da máquina usada pelo Firefox, Internet Explorer, Google Chrome, Safari e Opera são
internauta. alguns dos navegadores mais utilizados atualmente. Também co-
Esse conteúdo pode ser um texto, uma imagem, um vídeo, um nhecidos como web browsers ou, simplesmente, browsers, os na-
jogo eletrônico, uma animação, um aplicativo ou mesmo servidor. vegadores são uma espécie de ponte entre o usuário e o conteúdo
Ou seja, o navegador é o meio que permite o acesso a qualquer virtual da Internet.
página ou site na rede.
Para funcionar, um navegador de internet se comunica com Internet Explorer
servidores hospedados na internet usando diversos tipos de pro- Lançado em 1995, vem junto com o Windows, está sendo
tocolos de rede. Um dos mais conhecidos é o protocolo HTTP, que substituído pelo Microsoft Edge, mas ainda está disponível como
transfere dados binários na comunicação entre a máquina, o nave- segundo navegador, pois ainda existem usuários que necessitam de
gador e os servidores. algumas tecnologias que estão no Internet Explorer e não foram
atualizadas no Edge.
Funcionalidades de um Navegador de Internet Já foi o mais navegador mais utilizado do mundo, mas hoje per-
A principal funcionalidade dos navegadores é mostrar para o deu a posição para o Google Chrome e o Mozilla Firefox.
usuário uma tela de exibição através de uma janela do navegador.
Ele decodifica informações solicitadas pelo usuário, através de
códigos-fonte, e as carrega no navegador usado pelo internauta.
Ou seja, entender a mensagem enviada pelo usuário, solicitada
através do endereço eletrônico, e traduzir essa informação na tela
do computador. É assim que o usuário consegue acessar qualquer
site na internet.
O recurso mais comum que o navegador traduz é o HTML, uma
linguagem de marcação para criar páginas na web e para ser inter-
pretado pelos navegadores. Principais recursos do Internet Explorer:
Eles também podem reconhecer arquivos em formato PDF, – Transformar a página num aplicativo na área de trabalho,
imagens e outros tipos de dados. permitindo que o usuário defina sites como se fossem aplicativos
Essas ferramentas traduzem esses tipos de solicitações por meio instalados no PC. Através dessa configuração, ao invés de apenas
das URLs, ou seja, os endereços eletrônicos que digitamos na parte su- manter os sites nos favoritos, eles ficarão acessíveis mais facilmente
perior dos navegadores para entrarmos numa determinada página. através de ícones.
Abaixo estão outros recursos de um navegador de internet: – Gerenciador de downloads integrado.
– Barra de Endereço: é o espaço em branco que fica localiza- – Mais estabilidade e segurança.
do no topo de qualquer navegador. É ali que o usuário deve digitar – Suporte aprimorado para HTML5 e CSS3, o que permite uma
a URL (ou domínio ou endereço eletrônico) para acessar qualquer navegação plena para que o internauta possa usufruir dos recursos
página na web.
implementados nos sites mais modernos.
– Botões de Início, Voltar e Avançar: botões clicáveis básicos
– Com a possibilidade de adicionar complementos, o navega-
que levam o usuário, respectivamente, ao começo de abertura do
dor já não é apenas um programa para acessar sites. Dessa forma, é
navegador, à página visitada antes ou à página visitada seguinte.
possível instalar pequenos aplicativos que melhoram a navegação e
– Favoritos: é a aba que armazena as URLs de preferência do
oferecem funcionalidades adicionais.
usuário. Com um único simples, o usuário pode guardar esses en-
– One Box: recurso já conhecido entre os usuários do Google
dereços nesse espaço, sendo que não existe uma quantidade limite
Chrome, agora está na versão mais recente do Internet Explorer.
de links. É muito útil para quando você quer acessar as páginas mais
recorrentes da sua rotina diária de tarefas. Através dele, é possível realizar buscas apenas informando a pala-
– Atualizar: botão básico que recarrega a página aberta naque- vra-chave digitando-a na barra de endereços.
le momento, atualizando o conteúdo nela mostrado. Serve para
mostrar possíveis edições, correções e até melhorias de estrutura Microsoft Edge
no visual de um site. Em alguns casos, é necessário limpar o cache Da Microsoft, o Edge é a evolução natural do antigo Explorer26.
para mostrar as atualizações. O navegador vem integrado com o Windows 10. Ele pode receber
– Histórico: opção que mostra o histórico de navegação do aprimoramentos com novos recursos na própria loja do aplicativo.
usuário usando determinado navegador. É muito útil para recupe- Além disso, a ferramenta otimiza a experiência do usuário con-
rar links, páginas perdidas ou revisitar domínios antigos. Pode ser vertendo sites complexos em páginas mais amigáveis para leitura.
apagado, caso o usuário queira.
– Gerenciador de Downloads: permite administrar os downlo-
ads em determinado momento. É possível ativar, cancelar e pausar
por tempo indeterminado. É um maior controle na usabilidade do
navegador de internet.
– Extensões: já é padrão dos navegadores de internet terem
um mecanismo próprio de extensões com mais funcionalidades.
Com alguns cliques, é possível instalar temas visuais, plug-ins com
novos recursos (relógio, notícias, galeria de imagens, ícones, entre
outros.
26 https://bit.ly/2WITu4N

32
INFORMÁTICA BÁSICA
Outras características do Edge são: Opera
– Experiência de navegação com alto desempenho. Um dos primeiros navegadores existentes, o Opera segue evo-
– Função HUB permite organizar e gerenciar projetos de qual- luindo como um dos melhores navegadores de internet.
quer lugar conectado à internet. Ele entrega uma interface limpa, intuitiva e agradável de usar.
– Funciona com a assistente de navegação Cortana. Além disso, a ferramenta também é leve e não prejudica a qualida-
– Disponível em desktops e mobile com Windows 10. de da experiência do usuário.
– Não é compatível com sistemas operacionais mais antigos.

Firefox
Um dos navegadores de internet mais populares, o Firefox é
conhecido por ser flexível e ter um desempenho acima da média.
Desenvolvido pela Fundação Mozilla, é distribuído gratuita-
mente para usuários dos principais sistemas operacionais. Ou seja,
mesmo que o usuário possua uma versão defasada do sistema ins-
talado no PC, ele poderá ser instalado.
Outros pontos de destaques do Opera são:
– Alto desempenho com baixo consumo de recursos e de ener-
gia.
– Recurso Turbo Opera filtra o tráfego recebido, aumentando a
velocidade de conexões de baixo desempenho.
– Poupa a quantidade de dados usados em conexões móveis
(3G ou 4G).
– Impede armazenamento de dados sigilosos, sobretudo em
páginas bancárias e de vendas on-line.
– Quantidade moderada de plug-ins para implementar novas
Algumas características de destaque do Firefox são: funções, além de um bloqueador de publicidade integrado.
– Velocidade e desempenho para uma navegação eficiente. – Disponível em desktop e mobile.
– Não exige um hardware poderoso para rodar.
– Grande quantidade de extensões para adicionar novos recur- Safari
sos. O Safari é o navegador oficial dos dispositivos da Apple. Pela
– Interface simplificada facilita o entendimento do usuário. sua otimização focada nos aparelhos da gigante de tecnologia, ele
– Atualizações frequentes para melhorias de segurança e pri- é um dos navegadores de internet mais leves, rápidos, seguros e
vacidade. confiáveis para usar.
– Disponível em desktop e mobile.

Google Chorme
É possível instalar o Google Chrome nas principais versões do
sistema operacional Windows e também no Linux e Mac.
O Chrome é o navegador de internet mais usado no mundo.
É, também, um dos que têm melhor suporte a extensões, maior
compatibilidade com uma diversidade de dispositivos e é bastante
convidativo à navegação simplificada.

O Safari também se destaca em:


– Sincronização de dados e informações em qualquer disposi-
tivo Apple (iOS).
– Tem uma tecnologia anti-rastreio capaz de impedir o direcio-
namento de anúncios com base no comportamento do usuário.
– Modo de navegação privada não guarda os dados das páginas
visitadas, inclusive histórico e preenchimento automático de cam-
Principais recursos do Google Chrome: pos de informação.
– Desempenho ultra veloz, desde que a máquina tenha recur- – Compatível também com sistemas operacionais que não seja
sos RAM suficientes. da Apple (Windows e Linux).
– Gigantesca quantidade de extensões para adicionar novas – Disponível em desktops e mobile.
funcionalidades.
– Estável e ocupa o mínimo espaço da tela para mostrar conte- Intranet
údos otimizados. A intranet é uma rede de computadores privada que assenta
– Segurança avançada com encriptação por Certificado SSL (HT- sobre a suíte de protocolos da Internet, porém, de uso exclusivo de
TPS). um determinado local, como, por exemplo, a rede de uma empresa,
– Disponível em desktop e mobile. que só pode ser acessada pelos seus utilizadores ou colaboradores
internos27.
27 https://centraldefavoritos.com.br/2018/01/11/conceitos-basicos-ferramen-
tas-aplicativos-e-procedimentos-de-internet-e-intranet-parte-2/

33
INFORMÁTICA BÁSICA
Pelo fato, a sua aplicação a todos os conceitos emprega-se à Para enviar um e-mail, o usuário deve possuir um cliente de
intranet, como, por exemplo, o paradigma de cliente-servidor. Para e-mail que é um programa que permite escrever, enviar e receber
tal, a gama de endereços IP reservada para esse tipo de aplicação e-mails conectando-se com a máquina servidora de e-mail. Inicial-
situa-se entre 192.168.0.0 até 192.168.255.255. mente, um usuário que deseja escrever seu e-mail, deve escrever
Dentro de uma empresa, todos os departamentos possuem sua mensagem de forma textual no editor oferecido pelo cliente
alguma informação que pode ser trocada com os demais setores, de e-mail e endereçar este e-mail para um destinatário que possui
podendo cada sessão ter uma forma direta de se comunicar com as o formato “nome@dominio.com.br“. Quando clicamos em enviar,
demais, o que se assemelha muito com a conexão LAN (Local Area nosso cliente de e-mail conecta-se com o servidor de e-mail, comu-
Network), que, porém, não emprega restrições de acesso. nicando-se com o programa SMTP, entregando a mensagem a ser
A intranet é um dos principais veículos de comunicação em cor- enviada. A mensagem é dividida em duas partes: o nome do desti-
porações. Por ela, o fluxo de dados (centralização de documentos, natário (nome antes do @) e o domínio, i.e., a máquina servidora
formulários, notícias da empresa, etc.) é constante, pretendendo de e-mail do destinatário (endereço depois do @). Com o domínio,
reduzir os custos e ganhar velocidade na divulgação e distribuição o servidor SMTP resolve o DNS, obtendo o endereço IP do servi-
de informações. dor do e-mail do destinatário e comunicando-se com o programa
Apesar do seu uso interno, acessando aos dados corporativos, SMTP deste servidor, perguntando se o nome do destinatário existe
a intranet permite que computadores localizados numa filial, se co- naquele servidor. Se existir, a mensagem do remetente é entregue
nectados à internet com uma senha, acessem conteúdos que este- ao servidor POP3 ou IMAP, que armazena a mensagem na caixa de
jam na sua matriz. Ela cria um canal de comunicação direto entre e-mail do destinatário.
a empresa e os seus funcionários/colaboradores, tendo um ganho
significativo em termos de segurança. Ações no correio eletrônico
Independente da tecnologia e recursos empregados no correio
E-mail eletrônico, em geral, são implementadas as seguintes funções:
O e-mail revolucionou o modo como as pessoas recebem men- – Caixa de Entrada: caixa postal onde ficam todos os e-mails
sagem atualmente28. Qualquer pessoa que tenha um e-mail pode recebidos pelo usuário, lidos e não-lidos.
mandar uma mensagem para outra pessoa que também tenha – Lixeira: caixa postal onde ficam todos os e-mails descarta-
e-mail, não importando a distância ou a localização. dos pelo usuário, realizado pela função Apagar ou por um ícone de
Um endereço de correio eletrônico obedece à seguinte estru- Lixeira. Em geral, ao descartar uma mensagem ela permanece na
tura: à esquerda do símbolo @ (ou arroba) fica o nome ou apelido lixeira, mas não é descartada, até que o usuário decida excluir as
do usuário, à direita fica o nome do domínio que fornece o acesso. mensagens definitivamente (este é um processo de segurança para
O resultado é algo como: garantir que um usuário possa recuperar e-mails apagados por en-
gano). Para apagar definitivamente um e-mail é necessário entrar,
maria@apostilassolucao.com.br de tempos em tempos, na pasta de lixeira e descartar os e-mails
existentes.
Atualmente, existem muitos servidores de webmail – correio – Nova mensagem: permite ao usuário compor uma mensa-
eletrônico – na Internet, como o Gmail e o Outlook. gem para envio. Os campos geralmente utilizados são:
Para possuir uma conta de e-mail nos servidores é necessário – Para: designa a pessoa para quem será enviado o e-mail. Em
preencher uma espécie de cadastro. Geralmente existe um conjun- geral, pode-se colocar mais de um destinatário inserindo os e-mails
to de regras para o uso desses serviços. de destino separados por ponto-e-vírgula.
– CC (cópia carbono): designa pessoas a quem também repas-
Correio Eletrônico
samos o e-mail, ainda que elas não sejam os destinatários principais
Este método utiliza, em geral, uma aplicação (programa de cor-
da mensagem. Funciona com o mesmo princípio do Para.
reio eletrônico) que permite a manipulação destas mensagens e um
– CCo (cópia carbono oculta): designa pessoas a quem repas-
protocolo (formato de comunicação) de rede que permite o envio
samos o e-mail, mas diferente da cópia carbono, quando os destina-
e recebimento de mensagens29. Estas mensagens são armazenadas
tários principais abrirem o e-mail não saberão que o e-mail também
no que chamamos de caixa postal, as quais podem ser manipuladas
foi repassado para os e-mails determinados na cópia oculta.
por diversas operações como ler, apagar, escrever, anexar, arquivos
– Assunto: título da mensagem.
e extração de cópias das mensagens.
– Anexos: nome dado a qualquer arquivo que não faça parte
Funcionamento básico de correio eletrônico da mensagem principal e que seja vinculada a um e-mail para envio
Essencialmente, um correio eletrônico funciona como dois pro- ao usuário. Anexos, comumente, são o maior canal de propagação
gramas funcionando em uma máquina servidora: de vírus e malwares, pois ao abrirmos um anexo, obrigatoriamente
– Servidor SMTP (Simple Mail Transfer Protocol): protocolo de ele será “baixado” para nosso computador e executado. Por isso,
transferência de correio simples, responsável pelo envio de men- recomenda-se a abertura de anexos apenas de remetentes confiá-
sagens. veis e, em geral, é possível restringir os tipos de anexos que podem
– Servidor POP3 (Post Office Protocol – protocolo Post Office) ser recebidos através de um e-mail para evitar propagação de vírus
ou IMAP (Internet Mail Access Protocol): protocolo de acesso de e pragas. Alguns antivírus permitem analisar anexos de e-mails an-
correio internet), ambos protocolos para recebimento de mensa- tes que sejam executados: alguns serviços de webmail, como por
gens. exemplo, o Gmail, permitem analisar preliminarmente se um anexo
contém arquivos com malware.
– Filtros: clientes de e-mail e webmails comumente fornecem
a função de filtro. Filtros são regras que escrevemos que permitem
28 https://cin.ufpe.br/~macm3/Folders/Apostila%20Internet%20-%20Avan%E- que, automaticamente, uma ação seja executada quando um e-mail
7ado.pdf cumpre esta regra. Filtros servem assim para realizar ações simples
29 https://centraldefavoritos.com.br/2016/11/11/correio-eletronico-webmail- e padronizadas para tornar mais rápida a manipulação de e-mails.
-e-mozilla-thunderbird/

34
INFORMÁTICA BÁSICA
Por exemplo, imagine que queremos que ao receber um e-mail de “joao@blabla.com”, este e-mail seja diretamente descartado, sem apa-
recer para nós. Podemos escrever uma regra que toda vez que um e-mail com remetente “joao@blabla.com” chegar em nossa caixa de
entrada, ele seja diretamente excluído.

Fonte: https://support.microsoft.com/pt-br/office/ler-e-enviar-emails-na-vers%C3%A3o-light-do-outlook-582a8fdc-152c-4b61-85fa-ba5dd-
f07050b

Respondendo uma mensagem


Os ícones disponíveis para responder uma mensagem são:
– Responder ao remetente: responde à mensagem selecionada para o autor dela (remetente).
– Responde a todos: a mensagem é enviada tanto para o autor como para as outras pessoas que estavam na lista de cópias.
– Encaminhar: envia a mensagem selecionada para outra pessoa.

Clientes de E-mail
Um cliente de e-mail é essencialmente um programa de computador que permite compor, enviar e receber e-mails a partir de um ser-
vidor de e-mail, o que exige cadastrar uma conta de e-mail e uma senha para seu correto funcionamento. Há diversos clientes de e-mails
no mercado que, além de manipular e-mails, podem oferecer recursos diversos.
– Outlook: cliente de e-mails nativo do sistema operacional Microsoft Windows. A versão Express é uma versão mais simplificada e
que, em geral, vem por padrão no sistema operacional Windows. Já a versão Microsoft Outlook é uma versão que vem no pacote Microsoft
Office possui mais recursos, incluindo, além de funções de e-mail, recursos de calendário.
– Mozilla Thunderbird: é um cliente de e-mails e notícias Open Source e gratuito criado pela Mozilla Foundation (mesma criadora do
Mozilla Firefox).

Webmails
Webmail é o nome dado a um cliente de e-mail que não necessita de instalação no computador do usuário, já que funciona como uma
página de internet, bastando o usuário acessar a página do seu provedor de e-mail com seu login e senha. Desta forma, o usuário ganha
mobilidade já que não necessita estar na máquina em que um cliente de e-mail está instalado para acessar seu e-mail. A desvantagem da
utilização de webmails em comparação aos clientes de e-mail é o fato de necessitarem de conexão de Internet para leitura dos e-mails,
enquanto nos clientes de e-mail basta a conexão para “baixar” os e-mails, sendo que a posterior leitura pode ser realizada desconectada
da Internet.
Exemplos de servidores de webmail do mercado são:
– Gmail
– Yahoo!Mail
– Microsoft Outlook: versão on-line do Outlook. Anteriormente era conhecido como Hotmail, porém mudou de nome quando a Mi-
crosoft integrou suas diversas tecnologias.

35
INFORMÁTICA BÁSICA

Fonte: https://www.dialhost.com.br/ajuda/abrir-uma-nova-janela-para-escrever-novo-email

Diferença entre webmail e correio eletrônico


O webmail (Yahoo ou Gmail) você acessa através de seu navegador (Firefox ou Google Chrome) e só pode ler conectado na internet.
Já o correio eletrônico (Thunderbird ou Outlook) você acessa com uma conexão de internet e pode baixar seus e-mails, mas depois pode
ler na hora que quiser sem precisar estar conectado na internet.

CONCEITOS DE PROTEÇÃO E SEGURANÇA: MECANISMOS DE AUTENTICAÇÃO E AUTORIZAÇÃO PARA ACESSO A RE-


CURSOS DE REDE E SERVIÇOS; CERTIFICAÇÃO DIGITAL; CRIPTOGRAFIA SIMÉTRICA E ASSIMÉTRICA; MALWARES: TI-
POS, ATAQUES, AMEAÇAS E FORMAS DE PROTEÇÃO; FIREWALL; PROTOCOLOS INTERNET SEGUROS; SEGURANÇA EM
REDES SEM FIO

Segurança da informação é o conjunto de ações para proteção de um grupo de dados, protegendo o valor que ele possui, seja para
um indivíduo específico no âmbito pessoal, seja para uma organização30.
É essencial para a proteção do conjunto de dados de uma corporação, sendo também fundamentais para as atividades do negócio.
Quando bem aplicada, é capaz de blindar a empresa de ataques digitais, desastres tecnológicos ou falhas humanas. Porém, qualquer
tipo de falha, por menor que seja, abre brecha para problemas.
A segurança da informação se baseia nos seguintes pilares31:
– Confidencialidade: o conteúdo protegido deve estar disponível somente a pessoas autorizadas.
– Disponibilidade: é preciso garantir que os dados estejam acessíveis para uso por tais pessoas quando for necessário, ou seja, de
modo permanente a elas.
– Integridade: a informação protegida deve ser íntegra, ou seja, sem sofrer qualquer alteração indevida, não importa por quem e nem
em qual etapa, se no processamento ou no envio.
– Autenticidade: a ideia aqui é assegurar que a origem e autoria do conteúdo seja mesmo a anunciada.

Existem outros termos importantes com os quais um profissional da área trabalha no dia a dia.
Podemos citar a legalidade, que diz respeito à adequação do conteúdo protegido à legislação vigente; a privacidade, que se refere ao
controle sobre quem acessa as informações; e a auditoria, que permite examinar o histórico de um evento de segurança da informação,
rastreando as suas etapas e os responsáveis por cada uma delas.

Alguns conceitos relacionados à aplicação dos pilares


– Vulnerabilidade: pontos fracos existentes no conteúdo protegido, com potencial de prejudicar alguns dos pilares de segurança da
informação, ainda que sem intenção
– Ameaça: elemento externo que pode se aproveitar da vulnerabilidade existente para atacar a informação sensível ao negócio.
– Probabilidade: se refere à chance de uma vulnerabilidade ser explorada por uma ameaça.
– Impacto: diz respeito às consequências esperadas caso o conteúdo protegido seja exposto de forma não autorizada.

30 https://ecoit.com.br/seguranca-da-informacao/
31 https://bit.ly/2E5beRr

36
INFORMÁTICA BÁSICA
– Risco: estabelece a relação entre probabilidade e impacto, ajudando a determinar onde concentrar investimentos em segurança da
informação.

Tipos de ataques
Cada tipo de ataque tem um objetivo específico, que são eles32:
– Passivo: envolve ouvir as trocas de comunicações ou gravar de forma passiva as atividades do computador. Por si só, o ataque
passivo não é prejudicial, mas a informação coletada durante a sessão pode ser extremamente prejudicial quando utilizada (adulteração,
fraude, reprodução, bloqueio).
– Ativos: neste momento, faz-se a utilização dos dados coletados no ataque passivo para, por exemplo, derrubar um sistema, infectar
o sistema com malwares, realizar novos ataques a partir da máquina-alvo ou até mesmo destruir o equipamento (Ex.: interceptação, mo-
nitoramento, análise de pacotes).

Política de Segurança da Informação


Este documento irá auxiliar no gerenciamento da segurança da organização através de regras de alto nível que representam os prin-
cípios básicos que a entidade resolveu adotar de acordo com a visão estratégica da mesma, assim como normas (no nível tático) e proce-
dimentos (nível operacional). Seu objetivo será manter a segurança da informação. Todos os detalhes definidos nelas serão para informar
sobre o que pode e o que é proibido, incluindo:
• Política de senhas: define as regras sobre o uso de senhas nos recursos computacionais, como tamanho mínimo e máximo, regra
de formação e periodicidade de troca.
• Política de backup: define as regras sobre a realização de cópias de segurança, como tipo de mídia utilizada, período de retenção e
frequência de execução.
• Política de privacidade: define como são tratadas as informações pessoais, sejam elas de clientes, usuários ou funcionários.
• Política de confidencialidade: define como são tratadas as informações institucionais, ou seja, se elas podem ser repassadas a ter-
ceiros.

Mecanismos de segurança
Um mecanismo de segurança da informação é uma ação, técnica, método ou ferramenta estabelecida com o objetivo de preservar o
conteúdo sigiloso e crítico para uma empresa.
Ele pode ser aplicado de duas formas:
– Controle físico: é a tradicional fechadura, tranca, porta e qualquer outro meio que impeça o contato ou acesso direto à informação
ou infraestrutura que dá suporte a ela
– Controle lógico: nesse caso, estamos falando de barreiras eletrônicas, nos mais variados formatos existentes, desde um antivírus,
firewall ou filtro anti-spam, o que é de grande valia para evitar infecções por e-mail ou ao navegar na internet, passa por métodos de en-
criptação, que transformam as informações em códigos que terceiros sem autorização não conseguem decifrar e, há ainda, a certificação e
assinatura digital, sobre as quais falamos rapidamente no exemplo antes apresentado da emissão da nota fiscal eletrônica.

Todos são tipos de mecanismos de segurança, escolhidos por profissional habilitado conforme o plano de segurança da informação da
empresa e de acordo com a natureza do conteúdo sigiloso.

Criptografia
É uma maneira de codificar uma informação para que somente o emissor e receptor da informação possa decifrá-la através de uma
chave que é usada tanto para criptografar e descriptografar a informação33.
Tem duas maneiras de criptografar informações:
• Criptografia simétrica (chave secreta): utiliza-se uma chave secreta, que pode ser um número, uma palavra ou apenas uma sequ-
ência de letras aleatórias, é aplicada ao texto de uma mensagem para alterar o conteúdo de uma determinada maneira. Tanto o emissor
quanto o receptor da mensagem devem saber qual é a chave secreta para poder ler a mensagem.
• Criptografia assimétrica (chave pública): tem duas chaves relacionadas. Uma chave pública é disponibilizada para qualquer pessoa
que queira enviar uma mensagem. Uma segunda chave privada é mantida em segredo, para que somente você saiba.
Qualquer mensagem que foi usada a chave púbica só poderá ser descriptografada pela chave privada.
Se a mensagem foi criptografada com a chave privada, ela só poderá ser descriptografada pela chave pública correspondente.
A criptografia assimétrica é mais lenta o processamento para criptografar e descriptografar o conteúdo da mensagem.
Um exemplo de criptografia assimétrica é a assinatura digital.
• Assinatura Digital: é muito usado com chaves públicas e permitem ao destinatário verificar a autenticidade e a integridade da infor-
mação recebida. Além disso, uma assinatura digital não permite o repúdio, isto é, o emitente não pode alegar que não realizou a ação. A
chave é integrada ao documento, com isso se houver alguma alteração de informação invalida o documento.
• Sistemas biométricos: utilizam características físicas da pessoa como os olhos, retina, dedos, digitais, palma da mão ou voz.

Firewall
Firewall ou “parede de fogo” é uma solução de segurança baseada em hardware ou software (mais comum) que, a partir de um con-
junto de regras ou instruções, analisa o tráfego de rede para determinar quais operações de transmissão ou recepção de dados podem
ser executadas. O firewall se enquadra em uma espécie de barreira de defesa. A sua missão, por assim dizer, consiste basicamente em
bloquear tráfego de dados indesejado e liberar acessos bem-vindos.
32 https://www.diegomacedo.com.br/modelos-e-mecanismos-de-seguranca-da-informacao/
33 https://centraldefavoritos.com.br/2016/11/19/conceitos-de-protecao-e-seguranca-da-informacao-parte-2/

37
INFORMÁTICA BÁSICA

Representação de um firewall.34

Formas de segurança e proteção


– Controles de acesso através de senhas para quem acessa, com autenticação, ou seja, é a comprovação de que uma pessoa que está
acessando o sistema é quem ela diz ser35.
– Se for empresa e os dados a serem protegidos são extremamente importantes, pode-se colocar uma identificação biométrica como
os olhos ou digital.
– Evitar colocar senhas com dados conhecidos como data de nascimento ou placa do seu carro.
– As senhas ideais devem conter letras minúsculas e maiúsculas, números e caracteres especiais como @ # $ % & *.
– Instalação de antivírus com atualizações constantes.
– Todos os softwares do computador devem sempre estar atualizados, principalmente os softwares de segurança e sistema operacio-
nal. No Windows, a opção recomendada é instalar atualizações automaticamente.
– Dentre as opções disponíveis de configuração qual opção é a recomendada.
– Sempre estar com o firewall ativo.
– Anti-spam instalados.
– Manter um backup para caso de pane ou ataque.
– Evite sites duvidosos.
– Não abrir e-mails de desconhecidos e principalmente se tiver anexos (link).
– Evite ofertas tentadoras por e-mail ou em publicidades.
– Tenha cuidado quando solicitado dados pessoais. Caso seja necessário, fornecer somente em sites seguros.
– Cuidado com informações em redes sociais.
– Instalar um anti-spyware.
– Para se manter bem protegido, além dos procedimentos anteriores, deve-se ter um antivírus instalado e sempre atualizado.

Códigos maliciosos (Malware)


Códigos maliciosos (malware) são programas especificamente desenvolvidos para executar ações danosas e atividades maliciosas em
um computador36. Algumas das diversas formas como os códigos maliciosos podem infectar ou comprometer um computador são:
– Pela exploração de vulnerabilidades existentes nos programas instalados;
– Pela autoexecução de mídias removíveis infectadas, como pen-drives;
– Pelo acesso a páginas Web maliciosas, utilizando navegadores vulneráveis;
– Pela ação direta de atacantes que, após invadirem o computador, incluem arquivos contendo códigos maliciosos;
– Pela execução de arquivos previamente infectados, obtidos em anexos de mensagens eletrônicas, via mídias removíveis, em páginas
Web ou diretamente de outros computadores (através do compartilhamento de recursos).

Uma vez instalados, os códigos maliciosos passam a ter acesso aos dados armazenados no computador e podem executar ações em
nome dos usuários, de acordo com as permissões de cada usuário.
Os principais motivos que levam um atacante a desenvolver e a propagar códigos maliciosos são a obtenção de vantagens financeiras,
a coleta de informações confidenciais, o desejo de autopromoção e o vandalismo. Além disto, os códigos maliciosos são muitas vezes usa-
dos como intermediários e possibilitam a prática de golpes, a realização de ataques e a disseminação de spam (mais detalhes nos Capítulos
Golpes na Internet, Ataques na Internet e Spam, respectivamente).
A seguir, serão apresentados os principais tipos de códigos maliciosos existentes.

Vírus
Vírus é um programa ou parte de um programa de computador, normalmente malicioso, que se propaga inserindo cópias de si mesmo
e se tornando parte de outros programas e arquivos.
Para que possa se tornar ativo e dar continuidade ao processo de infecção, o vírus depende da execução do programa ou arquivo
hospedeiro, ou seja, para que o seu computador seja infectado é preciso que um programa já infectado seja executado.

34 Fonte: https://helpdigitalti.com.br/o-que-e-firewall-conceito-tipos-e-arquiteturas/#:~:text=Firewall%20%C3%A9%20uma%20solu%C3%A7%C3%A3o%20
de,de%20dados%20podem%20ser%20executadas.
35 https://centraldefavoritos.com.br/2016/11/19/conceitos-de-protecao-e-seguranca-da-informacao-parte-3/
36 https://cartilha.cert.br/malware/

38
INFORMÁTICA BÁSICA
O principal meio de propagação de vírus costumava ser os Algumas das ações maliciosas que costumam ser executadas
disquetes. Com o tempo, porém, estas mídias caíram em desuso e por intermédio de botnets são: ataques de negação de serviço,
começaram a surgir novas maneiras, como o envio de e-mail. Atu- propagação de códigos maliciosos (inclusive do próprio bot), coleta
almente, as mídias removíveis tornaram-se novamente o principal de informações de um grande número de computadores, envio de
meio de propagação, não mais por disquetes, mas, principalmente, spam e camuflagem da identidade do atacante (com o uso de pro-
pelo uso de pen-drives. xies instalados nos zumbis).
Há diferentes tipos de vírus. Alguns procuram permanecer ocul-
tos, infectando arquivos do disco e executando uma série de ativi- Spyware
dades sem o conhecimento do usuário. Há outros que permanecem Spyware é um programa projetado para monitorar as ativida-
inativos durante certos períodos, entrando em atividade apenas em des de um sistema e enviar as informações coletadas para terceiros.
datas específicas. Alguns dos tipos de vírus mais comuns são: Pode ser usado tanto de forma legítima quanto maliciosa, de-
– Vírus propagado por e-mail: recebido como um arquivo ane- pendendo de como é instalado, das ações realizadas, do tipo de
xo a um e-mail cujo conteúdo tenta induzir o usuário a clicar sobre informação monitorada e do uso que é feito por quem recebe as
este arquivo, fazendo com que seja executado. informações coletadas. Pode ser considerado de uso:
– Vírus de script: escrito em linguagem de script, como VBS- – Legítimo: quando instalado em um computador pessoal, pelo
cript e JavaScript, e recebido ao acessar uma página Web ou por próprio dono ou com consentimento deste, com o objetivo de veri-
e-mail, como um arquivo anexo ou como parte do próprio e-mail ficar se outras pessoas o estão utilizando de modo abusivo ou não
escrito em formato HTML. autorizado.
– Vírus de macro: tipo específico de vírus de script, escrito em – Malicioso: quando executa ações que podem comprometer
linguagem de macro, que tenta infectar arquivos manipulados por a privacidade do usuário e a segurança do computador, como mo-
aplicativos que utilizam esta linguagem como, por exemplo, os que nitorar e capturar informações referentes à navegação do usuário
compõe o Microsoft Office (Excel, Word e PowerPoint, entre ou- ou inseridas em outros programas (por exemplo, conta de usuário
tros). e senha).
– Vírus de telefone celular: vírus que se propaga de celular para
celular por meio da tecnologia bluetooth ou de mensagens MMS Alguns tipos específicos de programas spyware são:
(Multimedia Message Service). A infecção ocorre quando um usu- – Keylogger: capaz de capturar e armazenar as teclas digitadas
ário permite o recebimento de um arquivo infectado e o executa. pelo usuário no teclado do computador.
– Screenlogger: similar ao keylogger, capaz de armazenar a po-
Worm sição do cursor e a tela apresentada no monitor, nos momentos em
Worm é um programa capaz de se propagar automaticamen- que o mouse é clicado, ou a região que circunda a posição onde o
te pelas redes, enviando cópias de si mesmo de computador para mouse é clicado.
computador. – Adware: projetado especificamente para apresentar propa-
Diferente do vírus, o worm não se propaga por meio da inclu- gandas.
são de cópias de si mesmo em outros programas ou arquivos, mas
sim pela execução direta de suas cópias ou pela exploração auto- Backdoor
mática de vulnerabilidades existentes em programas instalados em Backdoor é um programa que permite o retorno de um invasor
computadores. a um computador comprometido, por meio da inclusão de serviços
Worms são notadamente responsáveis por consumir muitos criados ou modificados para este fim.
recursos, devido à grande quantidade de cópias de si mesmo que Pode ser incluído pela ação de outros códigos maliciosos, que
costumam propagar e, como consequência, podem afetar o desem- tenham previamente infectado o computador, ou por atacantes,
penho de redes e a utilização de computadores. que exploram vulnerabilidades existentes nos programas instalados
no computador para invadi-lo.
Bot e botnet Após incluído, o backdoor é usado para assegurar o acesso fu-
Bot é um programa que dispõe de mecanismos de comunicação turo ao computador comprometido, permitindo que ele seja aces-
com o invasor que permitem que ele seja controlado remotamente.
sado remotamente, sem que haja necessidade de recorrer nova-
Possui processo de infecção e propagação similar ao do worm, ou
mente aos métodos utilizados na realização da invasão ou infecção
seja, é capaz de se propagar automaticamente, explorando vulne-
e, na maioria dos casos, sem que seja notado.
rabilidades existentes em programas instalados em computadores.
A comunicação entre o invasor e o computador infectado pelo
Cavalo de troia (Trojan)
bot pode ocorrer via canais de IRC, servidores Web e redes do tipo
Cavalo de troia, trojan ou trojan-horse, é um programa que,
P2P, entre outros meios. Ao se comunicar, o invasor pode enviar
além de executar as funções para as quais foi aparentemente proje-
instruções para que ações maliciosas sejam executadas, como des-
ferir ataques, furtar dados do computador infectado e enviar spam. tado, também executa outras funções, normalmente maliciosas, e
Um computador infectado por um bot costuma ser chamado de sem o conhecimento do usuário.
zumbi (zombie computer), pois pode ser controlado remotamente, Exemplos de trojans são programas que você recebe ou obtém
sem o conhecimento do seu dono. Também pode ser chamado de de sites na Internet e que parecem ser apenas cartões virtuais ani-
spam zombie quando o bot instalado o transforma em um servidor mados, álbuns de fotos, jogos e protetores de tela, entre outros.
de e-mails e o utiliza para o envio de spam. Estes programas, geralmente, consistem de um único arquivo e ne-
Botnet é uma rede formada por centenas ou milhares de com- cessitam ser explicitamente executados para que sejam instalados
putadores zumbis e que permite potencializar as ações danosas no computador.
executadas pelos bots. Trojans também podem ser instalados por atacantes que, após
Quanto mais zumbis participarem da botnet mais potente ela invadirem um computador, alteram programas já existentes para
será. O atacante que a controlar, além de usá-la para seus próprios que, além de continuarem a desempenhar as funções originais,
ataques, também pode alugá-la para outras pessoas ou grupos que também executem ações maliciosas.
desejem que uma ação maliciosa específica seja executada.

39
INFORMÁTICA BÁSICA
Rootkit Spam zombies são computadores de usuários finais que foram
Rootkit é um conjunto de programas e técnicas que permite comprometidos por códigos maliciosos em geral, como worms,
esconder e assegurar a presença de um invasor ou de outro código bots, vírus e cavalos de tróia. Estes códigos maliciosos, uma vez ins-
malicioso em um computador comprometido. talados, permitem que spammers utilizem a máquina para o envio
Rootkits inicialmente eram usados por atacantes que, após in- de spam, sem o conhecimento do usuário. Enquanto utilizam má-
vadirem um computador, os instalavam para manter o acesso pri- quinas comprometidas para executar suas atividades, dificultam a
vilegiado, sem precisar recorrer novamente aos métodos utilizados identificação da origem do spam e dos autores também. Os spam
na invasão, e para esconder suas atividades do responsável e/ou zombies são muito explorados pelos spammers, por proporcionar o
dos usuários do computador. Apesar de ainda serem bastante usa- anonimato que tanto os protege.
dos por atacantes, os rootkits atualmente têm sido também utili- Estes filtros são responsáveis por evitar que mensagens indese-
zados e incorporados por outros códigos maliciosos para ficarem jadas cheguem até a sua caixa de entrada no e-mail.
ocultos e não serem detectados pelo usuário e nem por mecanis-
mos de proteção. Anti-malwares
Ferramentas anti-malware são aquelas que procuram detectar
Ransomware e, então, anular ou remover os códigos maliciosos de um computa-
Ransomware é um tipo de código malicioso que torna inacessí- dor. Antivírus, anti-spyware, anti-rootkit e anti-trojan são exemplos
veis os dados armazenados em um equipamento, geralmente usan- de ferramentas deste tipo.
do criptografia, e que exige pagamento de resgate (ransom) para
restabelecer o acesso ao usuário37.

O pagamento do resgate geralmente é feito via bitcoins. EXERCÍCIOS


Pode se propagar de diversas formas, embora as mais comuns
sejam através de e-mails com o código malicioso em anexo ou que 1. (PREFEITURA DE SENTINELA DO SUL/RS - FISCAL - OBJETI-
induzam o usuário a seguir um link e explorando vulnerabilidades VA/2020) Considerando-se o Internet Explorer 11, marcar C para as
em sistemas que não tenham recebido as devidas atualizações de afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa
segurança. que apresenta a sequência CORRETA:
(---) No Windows 10, é necessário instalar o aplicativo do Inter-
Antivírus net Explorer.
O antivírus é um software de proteção do computador que eli- (---) É possível fixar o aplicativo do Internet Explorer na barra de
mina programas maliciosos que foram desenvolvidos para prejudi- tarefas do Windows 10.
car o computador.
O vírus infecta o computador através da multiplicação dele (có- (A) C - C.
pias) com intenção de causar danos na máquina ou roubar dados. (B) C - E.
O antivírus analisa os arquivos do computador buscando pa- (C) E - E.
drões de comportamento e códigos que não seriam comuns em (D) E – C
algum tipo de arquivo e compara com seu banco de dados. Com
isto ele avisa o usuário que tem algo suspeito para ele tomar pro- 2. (PREFEITURA DE SÃO FRANCISCO/MG - ASSISTENTE SOCIAL
vidência. - COTEC/2020) Um usuário de computador realiza comumente um
O banco de dados do antivírus é muito importante neste pro- conjunto de atividades como copiar, recortar e colar arquivos uti-
cesso, por isso, ele deve ser constantemente atualizado, pois todos lizando o Windows Explorer. Dessa forma, existe um conjunto de
os dias são criados vírus novos. ações de usuários, como realizar cliques com o mouse e utilizar-se
Uma grande parte das infecções de vírus tem participação do de atalhos de teclado, que deve ser seguido com o fim de realizar
usuário. Os mais comuns são através de links recebidos por e-mail o trabalho desejado. Assim, para mover um arquivo entre partições
ou download de arquivos na internet de sites desconhecidos ou diferentes do sistema operacional Windows 10, é possível adotar o
mesmo só de acessar alguns sites duvidosos pode acontecer uma seguinte conjunto de ações:
contaminação. (A) Clicar sobre o arquivo com o botão direito do mouse,
Outro jeito de contaminar é através de dispositivos de armaze- mantendo-o pressionado e mover o arquivo para a partição de
namentos móveis como HD externo e pen drive. Nestes casos de- destino e escolher a ação de colar.
vem acionar o antivírus para fazer uma verificação antes. (B) Clicar sobre o arquivo com o botão esquerdo do mouse,
Existem diversas opções confiáveis, tanto gratuitas quanto pa- mantendo-o pressionado e mover o arquivo para a partição de
gas. Entre as principais estão: destino. Por fim soltar o botão do mouse.
– Avast; (C) Clicar sobre o arquivo com o botão direito do mouse,
– AVG; mantendo-o pressionado e mover o arquivo para a partição de
– Norton; destino. Por fim soltar o botão do mouse.
– Avira; (D) Clicar uma vez sobre o arquivo com o botão direito do
– Kaspersky; mouse e mover o arquivo para a partição de destino.
– McAffe. (E) Clicar sobre o arquivo com o botão direito do mouse,
mantendo-o pressionado e mover o arquivo para a partição de
Filtro anti-spam destino e escolher a ação de mover.
Spam é o termo usado para referir-se aos e-mails não solici-
tados, que geralmente são enviados para um grande número de
pessoas.

37 https://cartilha.cert.br/ransomware/

40
INFORMÁTICA BÁSICA
3. (PREFEITURA DE BRASÍLIA DE MINAS/MG - ENGENHEIRO 7. (PREFEITURA DE TAUBATÉ/SP - AUDITOR PLENO - INSTITU-
AMBIENTAL - COTEC/2020) Sobre organização e gerenciamento TO EXCELÊNCIA/2019) Utilizando o Microsoft Word 2016 para for-
de informações, arquivos, pastas e programas, analise as seguintes matar o texto em um documento como colunas. Qual das alternati-
afirmações e assinale V para as verdadeiras e F para as falsas. vas contém o caminho certo para realizar essa ação?
( ) - Arquivos ocultos são arquivos que normalmente são re- (A) Selecione o texto - Guia Inserir - Opção Colunas.
lacionados ao sistema. Eles ficam ocultos, pois alterações podem (B) Selecionar o texto - Guia Layout - Opção Colunas.
danificar o Sistema Operacional. (C) Selecione o texto - Guia Página Inicial - Opção Colunas.
( ) - Existem vários tipos de arquivos, como arquivos de textos, (D) Nenhuma das alternativas.
arquivos de som, imagem, planilhas, sendo que o arquivo .rtf só é
aberto com o WordPad. 8. (PREFEITURA DE TIBAGI/PR - AGENTE DE DEFESA CIVIL - FA-
( ) - Nas versões Vista, 7, 8 e 10 do Windows, é possível usar FIPA/2019) O Microsoft Word Pt-Br versão 2016 possui guias que
criptografia para proteger todos os arquivos que estejam armaze- facilitam e organizam a utilização do Software. Por padrão, as guias
nados na unidade em que o Windows esteja instalado. que vêm disponíveis no programa são exatamente essas apresenta-
( ) - O Windows Explorer é um gerenciador de informações, das abaixo, com exceção da:
arquivos, pastas e programas do sistema operacional Windows da (A) Exibir.
Microsoft. (B) Layout.
( ) - São bibliotecas padrão do Windows: Programas, Documen- (C) Design.
tos, Imagens, Músicas, Vídeos. (D) Corrigir.

A sequência CORRETA das afirmações é: 9. (PREFEITURA DE SÃO JOAQUIM DO/PE - AUDITOR DE CON-
(A) F, V, V, F, F. TROLE INTERNO - ADM&TEC/2018) Leia as afirmativas a seguir:
(B) V, F, V, V, F. I. As funções “OU” e “SE”, no Microsoft Excel, são funções ló-
(C) V, F, F, V, V. gicas.
(D) F, V, F, F, V. II. A dinâmica de transmissão de informação na internet não
(E) V, V, F, V, F. permite que as ações se sucedam concomitantemente.

4. (PREFEITURA DE PORTÃO/RS - ASSISTENTE SOCIAL - OBJETI- Marque a alternativa CORRETA:


VA/2019) Em relação ao sistema operacional Windows 10, analisar (A) As duas afirmativas são verdadeiras.
os itens abaixo: (B) A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa.
I. Possibilita o gerenciamento do tempo de tela. (C) A afirmativa II é verdadeira, e a I é falsa.
II. Disponibiliza somente uma atualização de segurança por (D) As duas afirmativas são falsas.
ano.
III. Possibilita a conexão de contas da Microsoft entre usuários. 10. (TJ/DFT - ESTÁGIO - CIEE/2019) Toda função do Excel deve-
IV. Possui recursos de segurança integrados, incluindo firewall rá ser iniciada com o seguinte sinal:
e proteção de internet para ajudar a proteger contra vírus, malware (A) Igual.
e ransomware. (B) Soma.
(C) Média.
Estão CORRETOS: (D) Menor.
(A) Somente os itens I, II e III.
(B) Somente os itens I, III e IV. 11. (GHC/RS - CONTADOR -: MS CONCURSOS/2018) O Excel
(C) Somente os itens II, III e IV possui a utilização de macros. Dentre as alternativas, assinale a que
(D) Todos os itens. corretamente explica o que vem a ser “macro”.
(A) Uma sequência de comandos utilizados em linguagem de
5. (PREFEITURA DE PORTO XAVIER/RS - TÉCNICO EM ENFER- máquina que corrigem as células.
MAGEM - FUNDATEC/2018) A tecla de atalho Ctrl+A, no sistema (B) Uma programação cuja função é gerenciar os recursos do
operacional Microsoft Windows 10, possui a função de: sistema Excel, fornecendo uma interface entre o computador
(A) Selecionar tudo. e o usuário.
(B) Imprimir. (C) Um programa do Excel que tem por objetivo ajudar o seu
(C) Renomear uma pasta. usuário a desempenhar uma tarefa específica, em geral ligada
(D) Finalizar o programa. à editoração dos dados.
(E) Colocar em negrito. (D) Um programa que executa o cruzamento de uma linha
com uma coluna e nela são inseridas as informações necessá-
6. (PREFEITURA DE SÃO FRANCISCO/MG - ASSISTENTE SOCIAL rias do seu documento.
- COTEC/2020) No processador de texto Microsoft Word, perten- (E) Uma sequência de comandos, que podem ser cliques,
cente à suíte de Escritório Microsoft Office 2016, um rodapé per- toques no teclado ou até mesmo pequenas linhas de códigos
mite a inclusão de informações na parte inferior da página. Por pa- com funções mais avançadas. Essas sequências são gravadas
drão, rodapés são incluídos: em um módulo VBA e são executadas sempre que forem
(A) Na primeira página. necessárias.
(B) Na última página.
(C) Em todas as páginas.
(D) Em páginas ímpares.
(E) Em páginas pares.

41
INFORMÁTICA BÁSICA
12. (CÂMARA DE MONTES CLAROS/MG - AGENTE DO LEGISLATIVO - COTEC/2020) Dado o recorte de tabela a seguir, as fórmulas
necessárias para se obter a quantidade de alunos aprovados, conforme exposto na célula B16 e a média de notas da Prova 1, disposta na
célula B13, estão na alternativa:

(A) B16=CONT.APROVADO (F2:F11) e B13=MÉDIA (B2:B11).


(B) B16=SOMA (APROVADO) e B13=MÉDIA (B2:B11).
(C) B16=CONT.APROVADO (F2:F11) e B13=MED (B13).
(D) B16=CONT.SE (F2:F11;”APROVADO”) e B13=MÉDIA (B2:B11).
(E) B16=SOMA (F2:F11) –(F4+F5+F6+F7) e B13=MED(B13).

13. (TJ/RN - TÉCNICO DE SUPORTE SÊNIOR - COMPERVE/2020) Um técnico de suporte recebeu uma planilha elaborada no Microsoft
Excel, com os quantitativos de equipamentos em 3 setores diferentes e o valor unitário em reais de cada equipamento, conforme imagem
abaixo.

Para que uma célula mostre o valor em reais do somatório dos valores de todos os equipamentos do departamento de informática,
seria necessário utilizar a fórmula:
(A) =SOMA(B3:B8 + C3:C8)
(B) =SOMA(B3:B8 * C3:C8)
(C) =SOMA(B3:B8 * D3:D8)
(D) =SOMA(B3:B8 + D3:D8)

14. (PREFEITURA DE SÃO CARLOS/SP - MÉDICO - INSTITUTO EXCELÊNCIA/2018) Tendo por base o programa Microsoft Excel na sua
configuração padrão e versão mais recente, responda: Qual operador aritmético é utilizado quando for preciso inserir uma potenciação?
(A) !
(B) $
(C) *
(D) @
(E) ^

42
INFORMÁTICA BÁSICA
15. (PREFEITURA DE VINHEDO/SP - GUARDA MUNICIPAL - 20. (PREFEITURA DE AREAL - RJ - TÉCNICO EM INFORMÁTICA -
IBFC/2020) Leia atentamente a frase abaixo referente às Redes de GUALIMP/2020) São características exclusivas da Intranet:
Computadores: (A) Acesso restrito e Rede Local (LAN).
“_____ significa _____ e é um conjunto de _____ que pertence (B) Rede Local (LAN) e Compartilhamento de impressoras.
a uma mesma organização, conectados entre eles por uma rede, (C) Comunicação externa e Compartilhamento de Dados.
numa _____ área geográfica”. (D) Compartilhamento de impressoras e Acesso restrito.
Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente
as lacunas. 21. (PREFEITURA DE SÃO FRANCISCO/MG - ASSISTENTE AD-
(A) LAN / Local Area Network / computadores / pequena MINISTRATIVO - COTEC/2020) Os termos internet e World Wide
(B) MAN / Much Area Network / computadores / grande Web (WWW) são frequentemente usados como sinônimos na lin-
(C) MAN / Much Area Network / roteadores / pequena guagem corrente, e não são porque
(D) LAN / Local Area Network / roteadores / grande (A) a internet é uma coleção de documentos interligados (pá-
ginas web) e outros recursos, enquanto a WWW é um serviço
16. (PREFEITURA DE ÁGUIA BRANCA/ES - TÉCNICO EM INFOR- de acesso a um computador.
MÁTICA - IDCAP/2018) Analise o trecho e assinale a alternativa que (B) a internet é um conjunto de serviços que permitem a co-
completa corretamente a lacuna: nexão de vários computadores, enquanto WWW é um serviço
O _________ é um protocolo da camada de Transporte, não especial de acesso ao Google.
orientado a conexões, não confiável e bem mais simples que o TCP. (C) a internet é uma rede mundial de computadores especial,
(A) SSH. enquanto a WWW é apenas um dos muitos serviços que fun-
(B) UDP. cionam dentro da internet.
(C) IP. (D) a internet possibilita uma comunicação entre vários
(D) ISP. computadores, enquanto a WWW, o acesso a um endereço
(E) HTTP. eletrônico.
(E) a internet é uma coleção de endereços eletrônicos, en-
quanto a WWW é uma rede mundial de computadores com
17. (GHC/RS - PSICÓLOGO - MS CONCURSOS/2018) Dentre os
acesso especial ao Google.
conceitos básicos de rede e internet, analise os itens seguintes e
assinale a alternativa correta:
22. (PREFEITURA DE PINTO BANDEIRA/RS - AUXILIAR DE SER-
I- Rede é quando se tem 02 ou mais computadores interligados
VIÇOS GERAIS - OBJETIVA/2019) Sobre a navegação na internet,
com a finalidade de compartilhar informações.
analisar a sentença abaixo:
II- Internet é chamada de Rede mundial porque as diversas redes
Os acessos a sites de pesquisa e de notícias são geralmente re-
interconectadas de computadores estão “espalhadas” pelo mundo todo.
alizados pelo protocolo HTTP, onde as informações trafegam com
III- Os requisitos básicos para se acessar a rede mundial são o uso de criptografia (1ª parte). O protocolo HTTP não garante que
utilizar o TCP/IP e ter um endereço IP válido. os dados não possam ser interceptados (2ª parte). A sentença está:
IV- No protocolo de comunicação, estão definidas todas as regras (A) Totalmente correta.
necessárias para que o computador de destino “entenda” as informa- (B) Correta somente em sua 1ª parte.
ções no formato que foram enviadas pelo computador de origem. (C) Correta somente em sua 2ª parte.
(D) Totalmente incorreta.
(A) Somente os itens III e IV estão corretos.
(B) Somente o item III está correto. 23. (CRN - 3ª REGIÃO (SP E MS) - OPERADOR DE CALL CENTER -
(C) Somente o item II está correto. IADES/2019) A navegação na internet e intranet ocorre de diversas
(D) Todos os itens estão corretos. formas, e uma delas é por meio de navegadores. Quanto às funções
(E) Somente os itens I, II e IV estão corretos. dos navegadores, assinale a alternativa correta.
(A) Na internet, a navegação privada ou anônima do navega-
18. (GHC-RS CONTADOR - MS CONCURSOS/2018) Dentre as dor Firefox se assemelha funcionalmente à do Chrome.
alternativas, encontram-se vários motivos pelos quais podemos (B) O acesso à internet com a rede off-line é uma das vanta-
perder a conexão com a internet ao utilizarmos uma rede com fio gens do navegador Firefox.
(Ethernet), exceto: (C) A função Atualizar recupera as informações perdidas quan-
(A) Modem ou Switch queimado. do uma página é fechada incorretamente.
(B) Placa de rede sem o driver necessário, ou seja, desconfigurada. (D) A navegação privada do navegador Chrome só funciona na
(C) Cabos de rede desconectados. intranet.
(D) WEP, WPA ou WPA2 não ativados. (E) Os cookies, em regra, não são salvos pelos navegadores
(E) Configuração de rede inapropriada ou incorreta. quando estão em uma rede da internet.

19. (CÂMARA DE SÃO FELIPE D’OESTE/RO - ADVOGADO - IBA- 24. (PREFEITURA DE SÃO FRANCISCO/MG - ASSISTENTE AD-
DE/2020) Ao contratar uma rede doméstica (Wireless) — dessas MINISTRATIVO - COTEC/2020) Em observação aos conceitos e com-
comercializadas pelas diversas operadoras — é necessário instalar ponentes de e-mail, faça a relação da denominação de item, pre-
um equipamento, geralmente fornecido pelas operadoras, para sente na 1.ª coluna, com a sua definição, na 2.ª coluna.
viabilizar a conexão dos computadores da casa. Este equipamento Item
executa as funções: 1- Spam
(A) Switch/Modem. 2- IMAP
(B) Modem/Hub. 3- Cabeçalho
(C) Hub/Switch. 4- Gmail
(D) Roteador/Hub.
(E) Modem/Roteador.

43
INFORMÁTICA BÁSICA
Definição Todas as três colaboradoras receberam o e-mail de Angélica e
( ) Protocolo de gerenciamento de correio eletrônico. o responderam através do comando “Responder a todos”. Conside-
( ) Um serviço gratuito de webmail. rando a situação ilustrada, é correto afirmar que:
( ) Mensagens de e-mail não desejadas e enviadas em massa (A) somente Angélica recebeu todas as respostas.
para múltiplas pessoas. (B) Tatiana não recebeu nenhuma das respostas.
( ) Uma das duas seções principais das mensagens de e-mail. (C) somente Luíza e Rafaela receberam todas as respostas.
(D) todas receberam as respostas umas das outras.
A alternativa CORRETA para a correspondência entre colunas é:
(A) 1, 2, 3, 4. 29. (PREFEITURA DE PORTÃO/RS - MÉDICO - OBJETIVA/2019)
(B) 3, 1, 2, 4. Para que a segurança da informação seja efetiva, é necessário que
(C) 2, 1, 4, 3. os serviços disponibilizados e as comunicações realizadas garantam
(D) 2, 4, 1, 3. alguns requisitos básicos de segurança. Sobre esses requisitos, assi-
(E) 1, 3, 4, 2. nalar a alternativa CORRETA:
(A) Repúdio de ações realizadas, integridade, monitoramento
25. (PREFEITURA DE BRASÍLIA DE MINAS/MG - ENGENHEIRO e irretratabilidade.
AMBIENTAL - COTEC/2020) LEIA as afirmações a seguir: (B) Protocolos abertos, publicidade de informação, incidentes
I - É registrada a data e a hora de envio da mensagem. e segurança física.
II - As mensagens devem ser lidas periodicamente para não (C) Confidencialidade, integridade, disponibilidade e autenti-
acumular. cação.
III - Não indicado para assuntos confidenciais. (D) Indisponibilidade, acessibilidade, repúdio de ações realiza-
IV - Utilizada para comunicações internacionais e regionais, das e planejamento.
economizando despesas com telefone e evitando problemas com
fuso horário. 30. (PREFEITURA DE JAHU/SP - MONITOR DE ALUNOS COM
V - As mensagens podem ser arquivadas e armazenadas, per- NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS - OBJETIVA/2019) Em
mitindo-se fazer consultas posteriores. conformidade com a Cartilha de Segurança para Internet, quanto
a alguns cuidados que se deve tomar ao usar redes, independente-
São vantagens do correio eletrônico aquelas dispostas em ape- mente da tecnologia, analisar os itens abaixo:
nas: I. Manter o computador atualizado, com as versões mais recen-
(A) I, IV e V. tes e com todas as atualizações aplicadas.
(B) I, III e IV. II. Utilizar e manter atualizados mecanismos de segurança,
(C) II, III e V. como programa antimalware e firewall pessoal.
(D) II, IV e V. III. Ser cuidadoso ao elaborar e ao usar suas senhas.
(E) III, IV e V.
Estão CORRETOS:
26. (FITO - TÉCNICO EM GESTÃO - VUNESP/2020) Um usuário, (A) Somente os itens I e II.
ao preparar um e-mail e não enviá-lo imediatamente, pode, para (B) Somente os itens I e III.
não perder o trabalho feito, salvar o e-mail para envio posterior- (C) Somente os itens II e III.
mente. (D) Todos os itens.
O recurso que permite salvar um e-mail ainda não enviado é
(A) Favorito.
31. (PREFEITURA DE CUNHA PORÃ/SC - ENFERMEIRO - UNI-
(B) Lembrete.
FIL/2020) Devido aos riscos e a sua importância, a segurança da
(C) Acompanhamento.
informação é um tópico que se tornou um objetivo constante para
(D) Rascunho.
as organizações. Contudo, para que ele possa ser reforçado nas
(E) Marcas.
empresas, é preciso atenção aos três pilares que sustentam a se-
gurança das informações em um ambiente informatizado. Assinale
27. (TJ/DFT - ESTÁGIO - CIEE/2018) Podem ser consideradas
a alternativa que não representa um dos pilares de segurança da
algumas atividades do correio eletrônico:
I - Solicitar informações. informação.
II - Fazer download de arquivos. (A) Confidencialidade.
III - Mandar mensagens. (B) Integridade.
(C) Disponibilidade.
Estão CORRETOS: (D) Imparcialidade.
(A) Somente os itens I e II.
(B) Somente os itens I e III. 32. (PREFEITURA DE SÃO FRANCISCO/MG - TÉCNICO EM IN-
(C) Somente os itens II e III. FORMÁTICA - COTEC/2020) Os softwares antivírus são comumente
(D) Todos os itens. utilizados para proteger os sistemas de ameaças e potenciais sof-
twares malintencionados (conhecidos por malwares). Alguns usu-
28. (PREFEITURA DE SOBRAL/CE - ANALISTA DE INFRAESTRU- ários de computadores chegam a instalar mais de um antivírus na
TURA - UECE-CEV/2018) Angélica enviou um e-mail para três cola- mesma máquina para sua proteção. Verifique o que pode ocorrer
boradoras, Luíza, Rafaela e Tatiana, tendo preenchido os campos do no caso da instalação de mais de um antivírus:
destinatário da seguinte forma: I - Um antivírus pode identificar o outro antivírus como sendo
Para: luiza@email.com.br uma possível ameaça.
Cc: rafaela@email.com.br II - Vai ocasionar um uso excessivo de processamento na CPU
Cco: tatiana@email.com.br do computador.
Assunto: reunião importante

44
INFORMÁTICA BÁSICA
III - Apesar de alguns inconvenientes, há um acréscimo do nível
de segurança.
GABARITO
IV - Instabilidades e incompatibilidades podem fazer com que
vulnerabilidades se apresentem. 1 E
Estão CORRETAS as afirmativas:
(A) I, II e IV, apenas. 2 E
(B) I, III e IV, apenas. 3 B
(C) II e III, apenas.
(D) II e IV, apenas. 4 B
(E) II, III e IV, apenas. 5 A
6 C
33. (PREFEITURA DE TOLEDO/PR - ASSISTENTE EM ADMINIS-
TRAÇÃO - PREFEITURA DE TOLEDO/PR/2020) Programas antivírus 7 B
tem uma importância um tanto quanto fundamental para os usuá- 8 D
rios. As principais funções dessa ferramenta são, EXCETO:
(A) Atuar para identificação e eliminação da maior quantidade 9 B
de vírus possível. 10 A
(B) Verificar continuamente os discos rígidos, HDs externos e
mídias removíveis. 11 E
(C) Trabalhar sincronizado com outro antivírus para aumentar 12 D
o nível de segurança.
13 B
(D) Ao encontrar um problema o software em questão avisa o
usuário. 14 E
(E) A utilização de uma versão paga oferece ao usuário mais 15 A
segurança.
16 B
34. (CÂMARA DE CABIXI/RO - CONTADOR - MS CONCUR- 17 D
SOS/2018) Um vírus de computador é um software malicioso que
é desenvolvido por programadores geralmente inescrupulosos. Tal 18 D
como um vírus biológico, o programa infecta o sistema, faz cópias 19 E
de si e tenta se espalhar para outros computadores e dispositivos 20 B
de informática.
As alternativas a seguir apresentam exemplos de vírus de com- 21 C
putador, exceto o que se apresenta na alternativa: 22 C
(A) Vírus de boot.
(B) Crackers. 23 A
(C) Cavalo de troia. 24 D
(D) Time Bomb.
25 A
35. (RIOPRETOPREV - ANALISTA PREVIDENCIÁRIO - FCC/2019) 26 D
O computador de um usuário foi infectado por um ransomware, um 27 D
tipo de malware que:
(A) torna inacessíveis os dados armazenados no computador, 28 B
geralmente usando criptografia, e exige pagamento de resgate 29 C
(via bitcoins) para restabelecer o acesso ao usuário.
(B) após identificar potenciais computadores alvos, efetua có- 30 D
pias de si mesmo e tenta enviá-las para estes computadores, 31 D
por e-mail, chat etc.
32 A
(C) monitora e captura informações referentes à navegação ou
digitação do usuário, e envia estas informações ao atacante. 33 C
(D) assegura o acesso futuro do atacante ao computador com- 34 B
prometido, permitindo que ele seja acessado remotamente
por meio do protocolo Telnet. 35 A
(E) torna o computador um zumbi, sendo controlado remota-
mente e desferindo automaticamente ataques de negação de
serviço a redes e servidores determinados pelo atacante.

45
INFORMÁTICA BÁSICA

ANOTAÇÕES ANOTAÇÕES

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46
NOÇÕES DE DIREITO
1. Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1.988; Título II: Dos Direitos e Garantias Fundamentais; Capítulo
I: Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos; Capítulo II: Dos Direitos Sociais; Capítulo III: Da Nacionalidade; Título III: Da Organiza-
ção do Estado; Capítulo I: Da Organização Político-Administrativa; Capítulo VII: Da Administração Pública; Seção I: Disposições Gerais;
Seção II: Dos Servidores Públicos; Título VIII: Da Ordem Social; Capítulo I: Disposição Geral; Capítulo II: Da Seguridade Social; Capítulo
III: Da Educação, da Cultura e do Desporto; Capítulo VII: Da Família, da Criança, do Adolescente e do Idoso; Direito da Criança e do
Adolescente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei Federal nº 8.069, de 13 de julho de 1.990 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
3. Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de Minas Gerais, Lei Estadual nº 869, de 05 de julho de 1.952 e suas alterações
posteriores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94
4. Lei Federal nº 11.466 de 28 de março de 2007, que prevê como falta disciplinar grave do preso e crime do agente público a utilização
de celular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116
5. Lei Estadual nº 15.302, de 10 de agosto de 2.004, que instituiu a carreira de Agente de Segurança Socioeducativo . . . . . . . . . . . 116
6. Declaração Universal dos Direitos Humanos/Violação dos Direitos Humanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
7. Lei Federal nº 9.455 de 07 de abril de 1.997 (Lei da Tortura) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124
NOÇÕES DE DIREITO
d) Irrenunciabilidade: direitos fundamentais não podem ser
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRA- renunciados pelo seu titular devido à fundamentalidade material
SIL, DE 05 DE OUTUBRO DE 1.988; TÍTULO II: DOS DI- destes direitos para a dignidade da pessoa humana.
REITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS; CAPÍTULO I: e) Inviolabilidade: direitos fundamentais não podem deixar de
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS; ser observados por disposições infraconstitucionais ou por atos das
CAPÍTULO II: DOS DIREITOS SOCIAIS; CAPÍTULO III: autoridades públicas, sob pena de nulidades.
DA NACIONALIDADE; TÍTULO III: DA ORGANIZAÇÃO f) Indivisibilidade: os direitos fundamentais compõem um úni-
DO ESTADO; CAPÍTULO I: DA ORGANIZAÇÃO POLÍTI- co conjunto de direitos porque não podem ser analisados de ma-
CO-ADMINISTRATIVA; CAPÍTULO VII: DA ADMINIS- neira isolada, separada.
TRAÇÃO PÚBLICA; SEÇÃO I: DISPOSIÇÕES GERAIS; g) Imprescritibilidade: os direitos fundamentais não se perdem
SEÇÃO II: DOS SERVIDORES PÚBLICOS; TÍTULO VIII: DA com o tempo, não prescrevem, uma vez que são sempre exercíveis
ORDEM SOCIAL; CAPÍTULO I: DISPOSIÇÃO GERAL; CA-
e exercidos, não deixando de existir pela falta de uso (prescrição).
PÍTULO II: DA SEGURIDADE SOCIAL; CAPÍTULO III: DA
h) Relatividade: os direitos fundamentais não podem ser uti-
EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO; CAPÍTULO
lizados como um escudo para práticas ilícitas ou como argumento
VII: DA FAMÍLIA, DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DO
para afastamento ou diminuição da responsabilidade por atos ilíci-
IDOSO; DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
tos, assim estes direitos não são ilimitados e encontram seus limi-
tes nos demais direitos igualmente consagrados como humanos.
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE
1988 Direitos e deveres individuais e coletivos
O capítulo I do título II é intitulado “direitos e deveres indivi-
PREÂMBULO duais e coletivos”. Da própria nomenclatura do capítulo já se extrai
que a proteção vai além dos direitos do indivíduo e também abran-
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assem- ge direitos da coletividade. A maior parte dos direitos enumerados
bléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, no artigo 5º do texto constitucional é de direitos individuais, mas
destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, são incluídos alguns direitos coletivos e mesmo remédios constitu-
a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igual- cionais próprios para a tutela destes direitos coletivos (ex.: manda-
dade e a justiça como valores supremos de uma sociedade frater- do de segurança coletivo).
na, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e
comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução 1) Brasileiros e estrangeiros
pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus,
O caput do artigo 5º aparenta restringir a proteção conferida
a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
pelo dispositivo a algumas pessoas, notadamente, “aos brasileiros
e aos estrangeiros residentes no País”. No entanto, tal restrição é
TÍTULO II
apenas aparente e tem sido interpretada no sentido de que os di-
DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
reitos estarão protegidos com relação a todas as pessoas nos limi-
tes da soberania do país.
O título II da Constituição Federal é intitulado “Direitos e Garantias
Em razão disso, por exemplo, um estrangeiro pode ingressar
fundamentais”, gênero que abrange as seguintes espécies de direitos
com habeas corpus ou mandado de segurança, ou então intentar
fundamentais: direitos individuais e coletivos (art. 5º, CF), direitos so-
ciais (genericamente previstos no art. 6º, CF), direitos da nacionalidade ação reivindicatória com relação a imóvel seu localizado no Brasil
(artigos 12 e 13, CF) e direitos políticos (artigos 14 a 17, CF). (ainda que não resida no país).
Em termos comparativos à clássica divisão tridimensional dos
direitos humanos, os direitos individuais (maior parte do artigo 5º, Somente alguns direitos não são estendidos a todas as pes-
CF), os direitos da nacionalidade e os direitos políticos se encaixam soas. A exemplo, o direito de intentar ação popular exige a condi-
na primeira dimensão (direitos civis e políticos); os direitos sociais ção de cidadão, que só é possuída por nacionais titulares de direitos
se enquadram na segunda dimensão (direitos econômicos, sociais políticos.
e culturais) e os direitos coletivos na terceira dimensão. Contudo,
a enumeração de direitos humanos na Constituição vai além dos 2) Relação direitos-deveres
direitos que expressamente constam no título II do texto constitu- O capítulo em estudo é denominado “direitos e garantias de-
cional. veres e coletivos”, remetendo à necessária relação direitos-deveres
Os direitos fundamentais possuem as seguintes características entre os titulares dos direitos fundamentais. Acima de tudo, o que
principais: se deve ter em vista é a premissa reconhecida nos direitos funda-
a) Historicidade: os direitos fundamentais possuem antece- mentais de que não há direito que seja absoluto, correspondendo-
dentes históricos relevantes e, através dos tempos, adquirem no- -se para cada direito um dever. Logo, o exercício de direitos funda-
vas perspectivas. Nesta característica se enquadra a noção de di- mentais é limitado pelo igual direito de mesmo exercício por parte
mensões de direitos. de outrem, não sendo nunca absolutos, mas sempre relativos.
b) Universalidade: os direitos fundamentais pertencem a to- Explica Canotilho1 quanto aos direitos fundamentais: “a ideia
dos, tanto que apesar da expressão restritiva do caput do artigo 5º de deveres fundamentais é suscetível de ser entendida como o ‘ou-
aos brasileiros e estrangeiros residentes no país tem se entendido tro lado’ dos direitos fundamentais. Como ao titular de um direito
pela extensão destes direitos, na perspectiva de prevalência dos di- fundamental corresponde um dever por parte de um outro titu-
reitos humanos. lar, poder-se-ia dizer que o particular está vinculado aos direitos
c) Inalienabilidade: os direitos fundamentais não possuem fundamentais como destinatário de um dever fundamental. Neste
conteúdo econômico-patrimonial, logo, são intransferíveis, inego- sentido, um direito fundamental, enquanto protegido, pressuporia
ciáveis e indisponíveis, estando fora do comércio, o que evidencia 1 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional e teoria da constitui-
uma limitação do princípio da autonomia privada. ção. 2. ed. Coimbra: Almedina, 1998, p. 479.

1
NOÇÕES DE DIREITO
um dever correspondente”. Com efeito, a um direito fundamental Entretanto, o princípio da isonomia abrange muito mais do que
conferido à pessoa corresponde o dever de respeito ao arcabouço a igualdade de gêneros, envolve uma perspectiva mais ampla.
de direitos conferidos às outras pessoas. O direito à igualdade é um dos direitos norteadores de inter-
pretação de qualquer sistema jurídico. O primeiro enfoque que foi
3) Direitos e garantias dado a este direito foi o de direito civil, enquadrando-o na primei-
A Constituição vai além da proteção dos direitos e estabele- ra dimensão, no sentido de que a todas as pessoas deveriam ser
ce garantias em prol da preservação destes, bem como remédios garantidos os mesmos direitos e deveres. Trata-se de um aspecto
constitucionais a serem utilizados caso estes direitos e garantias relacionado à igualdade enquanto liberdade, tirando o homem do
não sejam preservados. Neste sentido, dividem-se em direitos e arbítrio dos demais por meio da equiparação. Basicamente, estaria
garantias as previsões do artigo 5º: os direitos são as disposições se falando na igualdade perante a lei.
declaratórias e as garantias são as disposições assecuratórias. No entanto, com o passar dos tempos, se percebeu que não
O legislador muitas vezes reúne no mesmo dispositivo o direito bastava igualar todos os homens em direitos e deveres para torná-
e a garantia, como no caso do artigo 5º, IX: “é livre a expressão da -los iguais, pois nem todos possuem as mesmas condições de exer-
atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, inde- cer estes direitos e deveres. Logo, não é suficiente garantir um di-
pendentemente de censura ou licença” – o direito é o de liberdade reito à igualdade formal, mas é preciso buscar progressivamente a
de expressão e a garantia é a vedação de censura ou exigência de igualdade material. No sentido de igualdade material que aparece
licença. Em outros casos, o legislador traz o direito num dispositivo o direito à igualdade num segundo momento, pretendendo-se do
e a garantia em outro: a liberdade de locomoção, direito, é coloca- Estado, tanto no momento de legislar quanto no de aplicar e exe-
da no artigo 5º, XV, ao passo que o dever de relaxamento da prisão cutar a lei, uma postura de promoção de políticas governamentais
ilegal de ofício pelo juiz, garantia, se encontra no artigo 5º, LXV2. voltadas a grupos vulneráveis.
Em caso de ineficácia da garantia, implicando em violação de Assim, o direito à igualdade possui dois sentidos notáveis: o
direito, cabe a utilização dos remédios constitucionais. de igualdade perante a lei, referindo-se à aplicação uniforme da lei
Atenção para o fato de o constituinte chamar os remédios a todas as pessoas que vivem em sociedade; e o de igualdade ma-
constitucionais de garantias, e todas as suas fórmulas de direitos e terial, correspondendo à necessidade de discriminações positivas
garantias propriamente ditas apenas de direitos. com relação a grupos vulneráveis da sociedade, em contraponto à
igualdade formal.
4) Direitos e garantias em espécie
Preconiza o artigo 5º da Constituição Federal em seu caput: Ações afirmativas
Artigo 5º, caput, CF. Todos são iguais perante a lei, sem dis- Neste sentido, desponta a temática das ações afirmativas,que
tinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos são políticas públicas ou programas privados criados temporaria-
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, mente e desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigual-
à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos dades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência
seguintes [...]. econômica ou física, por meio da concessão de algum tipo de van-
tagem compensatória de tais condições.
O caput do artigo 5º, que pode ser considerado um dos prin- Quem é contra as ações afirmativas argumenta que, em uma
cipais (senão o principal) artigos da Constituição Federal, consagra sociedade pluralista, a condição de membro de um grupo especí-
o princípio da igualdade e delimita as cinco esferas de direitos in- fico não pode ser usada como critério de inclusão ou exclusão de
dividuais e coletivos que merecem proteção, isto é, vida, liberda- benefícios.
de, igualdade, segurança e propriedade. Os incisos deste artigos Ademais, afirma-se que elas desprivilegiam o critério republi-
delimitam vários direitos e garantias que se enquadram em algu- cano do mérito (segundo o qual o indivíduo deve alcançar determi-
ma destas esferas de proteção, podendo se falar em duas esferas nado cargo público pela sua capacidade e esforço, e não por per-
específicas que ganham também destaque no texto constitucional, tencer a determinada categoria); fomentariam o racismo e o ódio;
quais sejam, direitos de acesso à justiça e direitos constitucionais- bem como ferem o princípio da isonomia por causar uma discrimi-
-penais. nação reversa.
Por outro lado, quem é favorável às ações afirmativas defende
- Direito à igualdade que elas representam o ideal de justiça compensatória (o objetivo é
compensar injustiças passadas, dívidas históricas, como uma com-
Abrangência pensação aos negros por tê-los feito escravos, p. ex.); representam
Observa-se, pelo teor do caput do artigo 5º, CF, que o consti-
o ideal de justiça distributiva (a preocupação, aqui, é com o presen-
tuinte afirmou por duas vezes o princípio da igualdade:
te. Busca-se uma concretização do princípio da igualdade material);
Artigo 5º, caput, CF. Todos são iguais perante a lei, sem dis-
bem como promovem a diversidade.
tinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
Neste sentido, as discriminações legais asseguram a verdadei-
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida,
ra igualdade, por exemplo, com as ações afirmativas, a proteção
à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
especial ao trabalho da mulher e do menor, as garantias aos por-
seguintes [...].
tadores de deficiência, entre outras medidas que atribuam a pes-
Não obstante, reforça este princípio em seu primeiro inciso: soas com diferentes condições, iguais possibilidades, protegendo
Artigo 5º, I, CF. Homens e mulheres são iguais em direitos e e respeitando suas diferenças3. Tem predominado em doutrina e
obrigações, nos termos desta Constituição. jurisprudência, inclusive no Supremo Tribunal Federal, que as ações
afirmativas são válidas.
Este inciso é especificamente voltado à necessidade de igual-
dade de gênero, afirmando que não deve haver nenhuma distinção
sexo feminino e o masculino, de modo que o homem e a mulher
3 SANFELICE, Patrícia de Mello. Comentários aos artigos I e II. In: BALERA, Wagner
possuem os mesmos direitos e obrigações.
(Coord.). Comentários à Declaração Universal dos Direitos do Homem. Brasília: For-
2 FARIA, Cássio Juvenal. Notas pessoais tomadas em teleconferência. tium, 2008, p. 08.

2
NOÇÕES DE DIREITO
- Direito à vida III - se o crime é cometido mediante sequestro.
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou em-
Abrangência prego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo
O caput do artigo 5º da Constituição assegura a proteção do da pena aplicada.
direito à vida. A vida humana é o centro gravitacional em torno do § 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça
qual orbitam todos os direitos da pessoa humana, possuindo refle- ou anistia.
xos jurídicos, políticos, econômicos, morais e religiosos. Daí existir § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese
uma dificuldade em conceituar o vocábulo vida. Logo, tudo aquilo do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em regime fechado.
que uma pessoa possui deixa de ter valor ou sentido se ela perde a
vida. Sendo assim, a vida é o bem principal de qualquer pessoa, é o - Direito à liberdade
primeiro valor moral inerente a todos os seres humanos4. O caput do artigo 5º da Constituição assegura a proteção do
No tópico do direito à vida tem-se tanto o direito de nascer/ direito à liberdade, delimitada em alguns incisos que o seguem.
permanecer vivo, o que envolve questões como pena de morte,
eutanásia, pesquisas com células-tronco e aborto; quanto o direito Liberdade e legalidade
de viver com dignidade, o que engloba o respeito à integridade físi- Prevê o artigo 5º, II, CF:
ca, psíquica e moral, incluindo neste aspecto a vedação da tortura, Artigo 5º, II, CF. Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de
bem como a garantia de recursos que permitam viver a vida com fazer alguma coisa senão em virtude de lei.
dignidade.
Embora o direito à vida seja em si pouco delimitado nos incisos O princípio da legalidade se encontra delimitado neste inciso,
que seguem o caput do artigo 5º, trata-se de um dos direitos mais prevendo que nenhuma pessoa será obrigada a fazer ou deixar de
discutidos em termos jurisprudenciais e sociológicos. É no direito à fazer alguma coisa a não ser que a lei assim determine. Assim, salvo
vida que se encaixam polêmicas discussões como: aborto de anen- situações previstas em lei, a pessoa tem liberdade para agir como
céfalo, pesquisa com células tronco, pena de morte, eutanásia, etc. considerar conveniente.
Portanto, o princípio da legalidade possui estrita relação com
Vedação à tortura o princípio da liberdade, posto que, a priori, tudo à pessoa é lícito.
De forma expressa no texto constitucional destaca-se a veda- Somente é vedado o que a lei expressamente estabelecer como
ção da tortura, corolário do direito à vida, conforme previsão no proibido. A pessoa pode fazer tudo o que quiser, como regra, ou
inciso III do artigo 5º: seja, agir de qualquer maneira que a lei não proíba.
Artigo 5º, III, CF. Ninguém será submetido a tortura nem a tra-
tamento desumano ou degradante. Liberdade de pensamento e de expressão
A tortura é um dos piores meios de tratamento desumano, ex- O artigo 5º, IV, CF prevê:
pressamente vedada em âmbito internacional, como visto no tó- Artigo 5º, IV, CF. É livre a manifestação do pensamento, sendo
pico anterior. No Brasil, além da disciplina constitucional, a Lei nº vedado o anonimato.
9.455, de 7 de abril de 1997 define os crimes de tortura e dá outras
providências, destacando-se o artigo 1º: Consolida-se a afirmação simultânea da liberdade de pensa-
mento e da liberdade de expressão.
Art. 1º Constitui crime de tortura:
Em primeiro plano tem-se a liberdade de pensamento. Afinal,
I - constranger alguém com emprego de violência ou grave
“o ser humano, através dos processos internos de reflexão, formu-
ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental:
la juízos de valor. Estes exteriorizam nada mais do que a opinião
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da
de seu emitente. Assim, a regra constitucional, ao consagrar a livre
vítima ou de terceira pessoa;
manifestação do pensamento, imprime a existência jurídica ao cha-
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
mado direito de opinião”5. Em outras palavras, primeiro existe o
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
direito de ter uma opinião, depois o de expressá-la.
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, No mais, surge como corolário do direito à liberdade de pen-
com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento samento e de expressão o direito à escusa por convicção filosófica
físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida ou política:
de caráter preventivo. Artigo 5º, VIII, CF. Ninguém será privado de direitos por motivo
Pena - reclusão, de dois a oito anos. de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e re-
sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por cusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.
intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante
de medida legal. Trata-se de instrumento para a consecução do direito assegu-
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando ti- rado na Constituição Federal – não basta permitir que se pense di-
nha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção ferente, é preciso respeitar tal posicionamento.
de um a quatro anos. Com efeito, este direito de liberdade de expressão é limitado.
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, Um destes limites é o anonimato, que consiste na garantia de atri-
a pena é de reclusão de quatro a dez anos; se resulta morte, a re- buir a cada manifestação uma autoria certa e determinada, permi-
clusão é de oito a dezesseis anos. tindo eventuais responsabilizações por manifestações que contra-
§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço: riem a lei.
I - se o crime é cometido por agente público; Tem-se, ainda, a seguinte previsão no artigo 5º, IX, CF:
II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de Artigo 5º, IX, CF. É livre a expressão da atividade intelectual,
deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos; artística, científica e de comunicação, independentemente de cen-
4 BARRETO, Ana Carolina Rossi; IBRAHIM, Fábio Zambitte. Comentários aos Artigos sura ou licença.
III e IV. In: BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração Universal dos Direi- 5 ARAÚJO, Luiz Alberto David; NUNES JÚNIOR, Vidal Serrano. Curso de direito cons-
tos do Homem. Brasília: Fortium, 2008, p. 15. titucional. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.

3
NOÇÕES DE DIREITO
Consolida-se outra perspectiva da liberdade de expressão, Liberdade de informação
referente de forma específica a atividades intelectuais, artísticas, O direito de acesso à informação também se liga a uma dimen-
científicas e de comunicação. Dispensa-se, com relação a estas, são do direito à liberdade. Neste sentido, prevê o artigo 5º, XIV, CF:
a exigência de licença para a manifestação do pensamento, bem Artigo 5º, XIV, CF. É assegurado a todos o acesso à informa-
como veda-se a censura prévia. ção e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício
A respeito da censura prévia, tem-se não cabe impedir a divul- profissional.
gação e o acesso a informações como modo de controle do poder. Trata-se da liberdade de informação, consistente na liberdade
A censura somente é cabível quando necessária ao interesse públi- de procurar e receber informações e ideias por quaisquer meios,
co numa ordem democrática, por exemplo, censurar a publicação independente de fronteiras, sem interferência.
de um conteúdo de exploração sexual infanto-juvenil é adequado. A liberdade de informação tem um caráter passivo, ao passo
O direito à resposta (artigo 5º, V, CF) e o direito à indenização que a liberdade de expressão tem uma característica ativa, de for-
(artigo 5º, X, CF) funcionam como a contrapartida para aquele que ma que juntas formam os aspectos ativo e passivo da exterioriza-
teve algum direito seu violado (notadamente inerentes à privacida- ção da liberdade de pensamento: não basta poder manifestar o seu
de ou à personalidade) em decorrência dos excessos no exercício próprio pensamento, é preciso que ele seja ouvido e, para tanto, há
da liberdade de expressão. necessidade de se garantir o acesso ao pensamento manifestado
para a sociedade.
Liberdade de crença/religiosa Por sua vez, o acesso à informação envolve o direito de todos
Dispõe o artigo 5º, VI, CF: obterem informações claras, precisas e verdadeiras a respeito de
Artigo 5º, VI, CF. É inviolável a liberdade de consciência e de fatos que sejam de seu interesse, notadamente pelos meios de co-
crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e municação imparciais e não monopolizados (artigo 220, CF).
garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas
liturgias. No entanto, nem sempre é possível que a imprensa divulgue
Cada pessoa tem liberdade para professar a sua fé como bem com quem obteve a informação divulgada, sem o que a segurança
entender dentro dos limites da lei. Não há uma crença ou religião desta poderia ficar prejudicada e a informação inevitavelmente não
que seja proibida, garantindo-se que a profissão desta fé possa se chegaria ao público.
realizar em locais próprios. Especificadamente quanto à liberdade de informação no âmbi-
Nota-se que a liberdade de religião engloba 3 tipos distintos, to do Poder Público, merecem destaque algumas previsões.
porém intrinsecamente relacionados de liberdades: a liberdade de Primeiramente, prevê o artigo 5º, XXXIII, CF:
crença; a liberdade de culto; e a liberdade de organização religiosa. Artigo 5º, XXXIII, CF. Todos têm direito a receber dos órgãos
Consoante o magistério de José Afonso da Silva6, entra na li- públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse
berdade de crença a liberdade de escolha da religião, a liberdade coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de
de aderir a qualquer seita religiosa, a liberdade (ou o direito) de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindí-
mudar de religião, além da liberdade de não aderir a religião algu- vel à segurança da sociedade e do Estado.
ma, assim como a liberdade de descrença, a liberdade de ser ateu A respeito, a Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 regula
e de exprimir o agnosticismo, apenas excluída a liberdade de em- o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º, CF, tam-
baraçar o livre exercício de qualquer religião, de qualquer crença. bém conhecida como Lei do Acesso à Informação.
A liberdade de culto consiste na liberdade de orar e de praticar os
atos próprios das manifestações exteriores em casa ou em público, Não obstante, estabelece o artigo 5º, XXXIV, CF:
bem como a de recebimento de contribuições para tanto. Por fim, a Artigo 5º, XXXIV, CF. São a todos assegurados, independente-
liberdade de organização religiosa refere-se à possibilidade de esta- mente do pagamento de taxas:
belecimento e organização de igrejas e suas relações com o Estado. a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direi-
Como decorrência do direito à liberdade religiosa, asseguran- tos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
do o seu exercício, destaca-se o artigo 5º, VII, CF: b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para de-
Artigo 5º, VII, CF. É assegurada, nos termos da lei, a prestação fesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal.
de assistência religiosa nas entidades civis e militares de interna-
ção coletiva. Quanto ao direito de petição, de maneira prática, cumpre ob-
servar que o direito de petição deve resultar em uma manifesta-
O dispositivo refere-se não só aos estabelecimentos prisionais ção do Estado, normalmente dirimindo (resolvendo) uma questão
civis e militares, mas também a hospitais. proposta, em um verdadeiro exercício contínuo de delimitação dos
Ainda, surge como corolário do direito à liberdade religiosa o direitos e obrigações que regulam a vida social e, desta maneira,
direito à escusa por convicção religiosa: quando “dificulta a apreciação de um pedido que um cidadão quer
Artigo 5º, VIII, CF. Ninguém será privado de direitos por motivo apresentar” (muitas vezes, embaraçando-lhe o acesso à Justiça);
de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as “demora para responder aos pedidos formulados” (administrativa
invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recu- e, principalmente, judicialmente) ou “impõe restrições e/ou con-
sar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei. dições para a formulação de petição”, traz a chamada insegurança
jurídica, que traz desesperança e faz proliferar as desigualdades e
Sempre que a lei impõe uma obrigação a todos, por exemplo, as injustiças.
a todos os homens maiores de 18 anos o alistamento militar, não Dentro do espectro do direito de petição se insere, por exem-
cabe se escusar, a não ser que tenha fundado motivo em crença re- plo, o direito de solicitar esclarecimentos, de solicitar cópias repro-
ligiosa ou convicção filosófica/política, caso em que será obrigado a gráficas e certidões, bem como de ofertar denúncias de irregulari-
cumprir uma prestação alternativa, isto é, uma outra atividade que dades. Contudo, o constituinte, talvez na intenção de deixar clara
não contrarie tais preceitos. a obrigação dos Poderes Públicos em fornecer certidões, trouxe a
letra b) do inciso, o que gera confusões conceituais no sentido do
6 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 25. ed. São Paulo:
direito de obter certidões ser dissociado do direito de petição.
Malheiros, 2006.

4
NOÇÕES DE DIREITO
Por fim, relevante destacar a previsão do artigo 5º, LX, CF: Tal dever remonta-se a questões de segurança coletiva. Ima-
Artigo 5º, LX, CF. A lei só poderá restringir a publicidade dos gine uma grande reunião de pessoas por uma causa, a exemplo da
atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse so- Parada Gay, que chega a aglomerar milhões de pessoas em algumas
cial o exigirem. capitais: seria absurdo tolerar tal tipo de reunião sem o prévio aviso
do poder público para que ele organize o policiamento e a assistên-
Logo,o processo, em regra, não será sigiloso. Apenas o será cia médica, evitando algazarras e socorrendo pessoas que tenham
quando a intimidade merecer preservação (ex: processo criminal algum mal-estar no local. Outro limite é o uso de armas, totalmente
de estupro ou causas de família em geral) ou quando o interesse vedado, assim como de substâncias ilícitas (Ex: embora a Marcha
social exigir (ex: investigações que possam ser comprometidas pela da Maconha tenha sido autorizada pelo Supremo Tribunal Federal,
publicidade). A publicidade é instrumento para a efetivação da li- vedou-se que nela tal substância ilícita fosse utilizada).
berdade de informação.
Liberdade de associação
Liberdade de locomoção No que tange à liberdade de reunião, traz o artigo 5º, XVII, CF:
Outra faceta do direito à liberdade encontra-se no artigo 5º, Artigo 5º, XVII, CF. É plena a liberdade de associação para fins
XV, CF: lícitos, vedada a de caráter paramilitar.
Artigo 5º, XV, CF. É livre a locomoção no território nacional em
tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele A liberdade de associação difere-se da de reunião por sua pe-
entrar, permanecer ou dele sair com seus bens. renidade, isto é, enquanto a liberdade de reunião é exercida de
A liberdade de locomoção é um aspecto básico do direito à li- forma sazonal, eventual, a liberdade de associação implica na for-
berdade, permitindo à pessoa ir e vir em todo o território do país mação de um grupo organizado que se mantém por um período de
em tempos de paz (em tempos de guerra é possível limitar tal liber- tempo considerável, dotado de estrutura e organização próprias.
dade em prol da segurança). A liberdade de sair do país não signifi- Por exemplo, o PCC e o Comando vermelho são associações
ca que existe um direito de ingressar em qualquer outro país, pois ilícitas e de caráter paramilitar, pois possuem armas e o ideal de
caberá à ele, no exercício de sua soberania, controlar tal entrada. realizar sua própria justiça paralelamente à estatal.
Classicamente, a prisão é a forma de restrição da liberdade. O texto constitucional se estende na regulamentação da liber-
Neste sentido, uma pessoa somente poderá ser presa nos casos au- dade de associação.
torizados pela própria Constituição Federal. A despeito da norma- O artigo 5º, XVIII, CF, preconiza:
tiva específica de natureza penal, reforça-se a impossibilidade de Artigo 5º, XVIII, CF. A criação de associações e, na forma da
se restringir a liberdade de locomoção pela prisão civil por dívida. lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a
Prevê o artigo 5º, LXVII, CF: interferência estatal em seu funcionamento.
Artigo 5º, LXVII, CF. Não haverá prisão civil por dívida, salvo
a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de Neste sentido, associações são organizações resultantes da re-
obrigação alimentícia e a do depositário infiel. união legal entre duas ou mais pessoas, com ou sem personalidade
jurídica, para a realização de um objetivo comum; já cooperativas
Nos termos da Súmula Vinculante nº 25 do Supremo Tribunal são uma forma específica de associação, pois visam a obtenção de
Federal, “é ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que vantagens comuns em suas atividades econômicas.
seja a modalidade do depósito”. Por isso, a única exceção à regra Ainda, tem-se o artigo 5º, XIX, CF:
da prisão por dívida do ordenamento é a que se refere à obrigação Artigo 5º, XIX, CF. As associações só poderão ser compulsoria-
alimentícia. mente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judi-
cial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado.
Liberdade de trabalho
O direito à liberdade também é mencionado no artigo 5º, XIII, O primeiro caso é o de dissolução compulsória, ou seja, a as-
CF: sociação deixará de existir para sempre. Obviamente, é preciso o
Artigo 5º, XIII, CF. É livre o exercício de qualquer trabalho, ofí- trânsito em julgado da decisão judicial que assim determine, pois
cio ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei antes disso sempre há possibilidade de reverter a decisão e per-
estabelecer. mitir que a associação continue em funcionamento. Contudo, a
decisão judicial pode suspender atividades até que o trânsito em
O livre exercício profissional é garantido, respeitados os limi- julgado ocorra, ou seja, no curso de um processo judicial.
tes legais. Por exemplo, não pode exercer a profissão de advogado Em destaque, a legitimidade representativa da associação
aquele que não se formou em Direito e não foi aprovado no Exame quanto aos seus filiados, conforme artigo 5º, XXI, CF:
da Ordem dos Advogados do Brasil; não pode exercer a medicina Artigo 5º, XXI, CF. As entidades associativas, quando expressa-
aquele que não fez faculdade de medicina reconhecida pelo MEC e mente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados
obteve o cadastro no Conselho Regional de Medicina. judicial ou extrajudicialmente.

Liberdade de reunião Trata-se de caso de legitimidade processual extraordinária,


Sobre a liberdade de reunião, prevê o artigo 5º, XVI, CF: pela qual um ente vai a juízo defender interesse de outra(s) pes-
Artigo 5º, XVI, CF. Todos podem reunir-se pacificamente, sem soa(s) porque a lei assim autoriza.
armas, em locais abertos ao público, independentemente de auto- A liberdade de associação envolve não somente o direito de
rização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente con- criar associações e de fazer parte delas, mas também o de não as-
vocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à sociar-se e o de deixar a associação, conforme artigo 5º, XX, CF:
autoridade competente.
Pessoas podem ir às ruas para reunirem-se com demais na Artigo 5º, XX, CF. Ninguém poderá ser compelido a associar-se
defesa de uma causa, apenas possuindo o dever de informar tal ou a permanecer associado.
reunião.

5
NOÇÕES DE DIREITO
- Direitos à privacidade e à personalidade Personalidade jurídica e gratuidade de registro
Quando se fala em reconhecimento como pessoa perante a lei
Abrangência desdobra-se uma esfera bastante específica dos direitos de perso-
Prevê o artigo 5º, X, CF: nalidade, consistente na personalidade jurídica. Basicamente, con-
Artigo 5º, X, CF. São invioláveis a intimidade, a vida privada, a siste no direito de ser reconhecido como pessoa perante a lei. Para
honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização ser visto como pessoa perante a lei mostra-se necessário o registro.
pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Por ser instrumento que serve como pressuposto ao exercício de
direitos fundamentais, assegura-se a sua gratuidade aos que não
O legislador opta por trazer correlacionados no mesmo dispo- tiverem condição de com ele arcar.
sitivo legal os direitos à privacidade e à personalidade.
Reforçando a conexão entre a privacidade e a intimidade, ao Aborda o artigo 5º, LXXVI, CF:
abordar a proteção da vida privada – que, em resumo, é a privaci- Artigo 5º, LXXVI, CF. São gratuitos para os reconhecidamente
dade da vida pessoal no âmbito do domicílio e de círculos de ami- pobres, na forma da lei: a) o registro civil de nascimento; b) a cer-
gos –, Silva7 entende que “o segredo da vida privada é condição tidão de óbito.
de expansão da personalidade”, mas não caracteriza os direitos de
personalidade em si. O reconhecimento do marco inicial e do marco final da perso-
A união da intimidade e da vida privada forma a privacidade, nalidade jurídica pelo registro é direito individual, não dependendo
sendo que a primeira se localiza em esfera mais estrita. É possível de condições financeiras. Evidente, seria absurdo cobrar de uma
ilustrar a vida social como se fosse um grande círculo no qual há um pessoa sem condições a elaboração de documentos para que ela
menor, o da vida privada, e dentro deste um ainda mais restrito e seja reconhecida como viva ou morta, o que apenas incentivaria a
impenetrável, o da intimidade. Com efeito, pela “Teoria das Esfe- indigência dos menos favorecidos.
ras” (ou “Teoria dos Círculos Concêntricos”), importada do direito
alemão, quanto mais próxima do indivíduo, maior a proteção a ser Direito à indenização e direito de resposta
conferida à esfera (as esferas são representadas pela intimidade, Com vistas à proteção do direito à privacidade, do direito à per-
pela vida privada, e pela publicidade). sonalidade e do direito à imagem, asseguram-se dois instrumentos,
“O direito à honra distancia-se levemente dos dois anteriores, o direito à indenização e o direito de resposta, conforme as neces-
podendo referir-se ao juízo positivo que a pessoa tem de si (honra sidades do caso concreto.
subjetiva) e ao juízo positivo que dela fazem os outros (honra ob-
jetiva), conferindo-lhe respeitabilidade no meio social. O direito à Com efeito, prevê o artigo 5º, V, CF:
imagem também possui duas conotações, podendo ser entendido Artigo 5º, V, CF. É assegurado o direito de resposta, proporcio-
em sentido objetivo, com relação à reprodução gráfica da pessoa, nal ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à
por meio de fotografias, filmagens, desenhos, ou em sentido subje- imagem.
tivo, significando o conjunto de qualidades cultivadas pela pessoa e “A manifestação do pensamento é livre e garantida em nível
reconhecidas como suas pelo grupo social”8. constitucional, não aludindo a censura prévia em diversões e es-
petáculos públicos. Os abusos porventura ocorridos no exercício
Inviolabilidade de domicílio e sigilo de correspondência indevido da manifestação do pensamento são passíveis de exame e
Correlatos ao direito à privacidade, aparecem a inviolabilidade apreciação pelo Poder Judiciário com a consequente responsabili-
do domicílio e o sigilo das correspondências e comunicações. dade civil e penal de seus autores, decorrentes inclusive de publica-
Neste sentido, o artigo 5º, XI, CF prevê: ções injuriosas na imprensa, que deve exercer vigilância e controle
Artigo 5º, XI, CF. A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém da matéria que divulga”9.
nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em O direito de resposta é o direito que uma pessoa tem de se
caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, defender de críticas públicas no mesmo meio em que foram pu-
durante o dia, por determinação judicial. blicadas garantida exatamente a mesma repercussão. Mesmo
quando for garantido o direito de resposta não é possível reverter
O domicílio é inviolável, razão pela qual ninguém pode nele en- plenamente os danos causados pela manifestação ilícita de pen-
trar sem o consentimento do morador, a não ser EM QUALQUER samento, razão pela qual a pessoa inda fará jus à indenização.
HORÁRIO no caso de flagrante delito (o morador foi flagrado na A manifestação ilícita do pensamento geralmente causa um
prática de crime e fugiu para seu domicílio) ou desastre (incêndio, dano, ou seja, um prejuízo sofrido pelo agente, que pode ser indi-
enchente, terremoto...) ou para prestar socorro (morador teve ata- vidual ou coletivo, moral ou material, econômico e não econômico.
que do coração, está sufocado, desmaiado...), e SOMENTE DURAN- Dano material é aquele que atinge o patrimônio (material ou
TE O DIA por determinação judicial. imaterial) da vítima, podendo ser mensurado financeiramente e in-
Quanto ao sigilo de correspondência e das comunicações, pre- denizado.
vê o artigo 5º, XII, CF: “Dano moral direto consiste na lesão a um interesse que visa
Artigo 5º, XII, CF. É inviolável o sigilo da correspondência e das a satisfação ou gozo de um bem jurídico extrapatrimonial contido
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefôni- nos direitos da personalidade (como a vida, a integridade corporal,
cas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na a liberdade, a honra, o decoro, a intimidade, os sentimentos afeti-
forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou vos, a própria imagem) ou nos atributos da pessoa (como o nome,
instrução processual penal. a capacidade, o estado de família)”10.
O sigilo de correspondência e das comunicações está melhor Já o dano à imagem é delimitado no artigo 20 do Código Civil:
regulamentado na Lei nº 9.296, de 1996.
7 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 25. ed. São Paulo: 9 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 26. ed. São Paulo: Malheiros,
Malheiros, 2006. 2011.
8 MOTTA, Sylvio; BARCHET, Gustavo. Curso de direito constitucional. Rio de Janeiro: 10 ZANNONI, Eduardo. El daño en la responsabilidad civil. Buenos Aires: Astrea,
Elsevier, 2007. 1982.

6
NOÇÕES DE DIREITO
Artigo 20, CC. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à admi- justiça social. Se é assim, então a propriedade privada, que, ade-
nistração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divul- mais, tem que atender a sua função social, fica vinculada à conse-
gação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a cução daquele princípio”.
exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser Com efeito, a proteção da propriedade privada está limitada
proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que ao atendimento de sua função social, sendo este o requisito que
couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, a correlaciona com a proteção da dignidade da pessoa humana. A
ou se se destinarem a fins comerciais. propriedade de bens e valores em geral é um direito assegurado na
Constituição Federal e, como todos os outros, se encontra limitado
- Direito à segurança pelos demais princípios conforme melhor se atenda à dignidade do
O caput do artigo 5º da Constituição assegura a proteção do ser humano.
direito à segurança. Na qualidade de direito individual liga-se à se-
gurança do indivíduo como um todo, desde sua integridade física e Uso temporário
mental, até a própria segurança jurídica. No mais, estabelece-se uma terceira limitação ao direito de
No sentido aqui estudado, o direito à segurança pessoal é o propriedade que não possui o caráter definitivo da desapropriação,
direito de viver sem medo, protegido pela solidariedade e liberto mas é temporária, conforme artigo 5º, XXV, CF:
de agressões, logo, é uma maneira de garantir o direito à vida.
Nesta linha, para Silva11, “efetivamente, esse conjunto de di- Artigo 5º, XXV, CF. No caso de iminente perigo público, a auto-
reitos aparelha situações, proibições, limitações e procedimentos ridade competente poderá usar de propriedade particular, assegu-
destinados a assegurar o exercício e o gozo de algum direito indivi- rada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano.
dual fundamental (intimidade, liberdade pessoal ou a incolumidade
física ou moral)”. Se uma pessoa tem uma propriedade, numa situação de peri-
Especificamente no que tange à segurança jurídica, tem-se o go, o poder público pode se utilizar dela (ex: montar uma base para
disposto no artigo 5º, XXXVI, CF: capturar um fugitivo), pois o interesse da coletividade é maior que
Artigo 5º, XXXVI, CF. A lei não prejudicará o direito adquirido, o do indivíduo proprietário.
o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.
Direito sucessório
Pelo inciso restam estabelecidos limites à retroatividade da lei. O direito sucessório aparece como uma faceta do direito à pro-
Define o artigo 6º da Lei de Introdução às Normas do Direito priedade, encontrando disciplina constitucional no artigo 5º, XXX e
Brasileiro: XXXI, CF:
Artigo 6º, LINDB. A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, Artigo 5º, XXX, CF. É garantido o direito de herança;
respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa jul-
gada. Artigo 5º, XXXI, CF.A sucessão de bens de estrangeiros situados
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou
lei vigente ao tempo em que se efetuou. dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu ti- pessoal do de cujus.
tular, ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo
do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida O direito à herança envolve o direito de receber – seja devido a
inalterável, a arbítrio de outrem. uma previsão legal, seja por testamento – bens de uma pessoa que
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial faleceu. Assim, o patrimônio passa para outra pessoa, conforme a
de que já não caiba recurso. vontade do falecido e/ou a lei determine. A Constituição estabele-
ce uma disciplina específica para bens de estrangeiros situados no
- Direito à propriedade Brasil, assegurando que eles sejam repassados ao cônjuge e filhos
O caput do artigo 5º da Constituição assegura a proteção do brasileiros nos termos da lei mais benéfica (do Brasil ou do país
direito à propriedade, tanto material quanto intelectual, delimitada estrangeiro).
em alguns incisos que o seguem.
Direito do consumidor
Nos termos do artigo 5º, XXXII, CF:
Função social da propriedade material
Artigo 5º, XXXII, CF. O Estado promoverá, na forma da lei, a
O artigo 5º, XXII, CF estabelece:
defesa do consumidor.
Artigo 5º, XXII, CF. É garantido o direito de propriedade.
O direito do consumidor liga-se ao direito à propriedade a
A seguir, no inciso XXIII do artigo 5º, CF estabelece o principal partir do momento em que garante à pessoa que irá adquirir bens
fator limitador deste direito: e serviços que estes sejam entregues e prestados da forma ade-
Artigo 5º, XXIII, CF. A propriedade atenderá a sua função social. quada, impedindo que o fornecedor se enriqueça ilicitamente, se
aproveite de maneira indevida da posição menos favorável e de
A propriedade, segundo Silva12, “[...] não pode mais ser consi- vulnerabilidade técnica do consumidor.
derada como um direito individual nem como instituição do direito O Direito do Consumidor pode ser considerado um ramo re-
privado. [...] embora prevista entre os direitos individuais, ela não cente do Direito. No Brasil, a legislação que o regulamentou foi pro-
mais poderá ser considerada puro direito individual, relativizando- mulgada nos anos 90, qual seja a Lei nº 8.078, de 11 de setembro
-se seu conceito e significado, especialmente porque os princípios de 1990, conforme determinado pela Constituição Federal de 1988,
da ordem econômica são preordenados à vista da realização de seu que também estabeleceu no artigo 48 do Ato das Disposições Cons-
fim: assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da titucionais Transitórias:
Artigo 48, ADCT. O Congresso Nacional, dentro de cento e vinte
11 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo... Op. Cit., p. 437.
dias da promulgação da Constituição, elaborará código de defesa
12 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 25. ed. São Paulo:
do consumidor.
Malheiros, 2006.

7
NOÇÕES DE DIREITO
A elaboração do Código de Defesa do Consumidor foi um gran- - Direitos de acesso à justiça
de passo para a proteção da pessoa nas relações de consumo que A formação de um conceito sistemático de acesso à justiça se
estabeleça, respeitando-se a condição de hipossuficiente técnico dá com a teoria de Cappelletti e Garth, que apontaram três ondas
daquele que adquire um bem ou faz uso de determinado serviço, de acesso, isto é, três posicionamentos básicos para a realização
enquanto consumidor. efetiva de tal acesso. Tais ondas foram percebidas paulatinamente
com a evolução do Direito moderno conforme implementadas as
Propriedade intelectual bases da onda anterior, quer dizer, ficou evidente aos autores a
Além da propriedade material, o constituinte protege também emergência de uma nova onda quando superada a afirmação das
a propriedade intelectual, notadamente no artigo 5º, XXVII, XXVIII premissas da onda anterior, restando parcialmente implementada
e XXIX, CF: (visto que até hoje enfrentam-se obstáculos ao pleno atendimento
Artigo 5º, XXVII, CF. Aos autores pertence o direito exclusivo de em todas as ondas).
utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível Primeiro, Cappelletti e Garth entendem que surgiu uma onda
aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; de concessão de assistência judiciária aos pobres, partindo-se da
Artigo 5º, XXVIII, CF. São assegurados, nos termos da lei: prestação sem interesse de remuneração por parte dos advogados
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e e, ao final, levando à criação de um aparato estrutural para a pres-
à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades tação da assistência pelo Estado.
desportivas; Em segundo lugar, no entender de Cappelletti e Garth, veio a
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das onda de superação do problema na representação dos interesses
obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intér- difusos, saindo da concepção tradicional de processo como algo
pretes e às respectivas representações sindicais e associativas; restrito a apenas duas partes individualizadas e ocasionando o sur-
gimento de novas instituições, como o Ministério Público.
Artigo 5º, XXIX, CF. A lei assegurará aos autores de inventos Finalmente, Cappelletti e Garth apontam uma terceira onda
industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como pro- consistente no surgimento de uma concepção mais ampla de aces-
teção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes so à justiça, considerando o conjunto de instituições, mecanismos,
de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o inte- pessoas e procedimentos utilizados: “[...] esse enfoque encoraja a
resse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. exploração de uma ampla variedade de reformas, incluindo alte-
rações nas formas de procedimento, mudanças na estrutura dos
Assim, a propriedade possui uma vertente intelectual que deve tribunais ou a criação de novos tribunais, o uso de pessoas leigas
ser respeitada, tanto sob o aspecto moral quanto sob o patrimo- ou paraprofissionais, tanto como juízes quanto como defensores,
nial. No âmbito infraconstitucional brasileiro, a Lei nº 9.610, de 19 modificações no direito substantivo destinadas a evitar litígios ou
de fevereiro de 1998, regulamenta os direitos autorais, isto é, “os facilitar sua solução e a utilização de mecanismos privados ou in-
direitos de autor e os que lhes são conexos”. formais de solução dos litígios. Esse enfoque, em suma, não receia
O artigo 7° do referido diploma considera como obras inte- inovações radicais e compreensivas, que vão muito além da esfera
lectuais que merecem a proteção do direito do autor os textos de de representação judicial”.
obras de natureza literária, artística ou científica; as conferências, Assim, dentro da noção de acesso à justiça, diversos aspectos
sermões e obras semelhantes; as obras cinematográficas e televi- podem ser destacados: de um lado, deve criar-se o Poder Judiciário
sivas; as composições musicais; fotografias; ilustrações; programas e se disponibilizar meios para que todas as pessoas possam bus-
de computador; coletâneas e enciclopédias; entre outras. cá-lo; de outro lado, não basta garantir meios de acesso se estes
Os direitos morais do autor, que são imprescritíveis, inaliená- forem insuficientes, já que para que exista o verdadeiro acesso à
veis e irrenunciáveis, envolvem, basicamente, o direito de reivindi- justiça é necessário que se aplique o direito material de maneira
car a autoria da obra, ter seu nome divulgado na utilização desta, justa e célere.
assegurar a integridade desta ou modificá-la e retirá-la de circula- Relacionando-se à primeira onda de acesso à justiça, prevê a
ção se esta passar a afrontar sua honra ou imagem. Constituição em seu artigo 5º, XXXV:
Já os direitos patrimoniais do autor, nos termos dos artigos 41 Artigo 5º, XXXV, CF. A lei não excluirá da apreciação do Poder
a 44 da Lei nº 9.610/98, prescrevem em 70 anos contados do pri- Judiciário lesão ou ameaça a direito.
meiro ano seguinte à sua morte ou do falecimento do último coau-
tor, ou contados do primeiro ano seguinte à divulgação da obra se O princípio da inafastabilidade da jurisdição é o princípio de
esta for de natureza audiovisual ou fotográfica. Estes, por sua vez, Direito Processual Público subjetivo, também cunhado como Prin-
abrangem, basicamente, o direito de dispor sobre a reprodução, cípio da Ação, em que a Constituição garante a necessária tutela
edição, adaptação, tradução, utilização, inclusão em bases de da- estatal aos conflitos ocorrentes na vida em sociedade. Sempre que
dos ou qualquer outra modalidade de utilização; sendo que estas uma controvérsia for levada ao Poder Judiciário, preenchidos os re-
modalidades de utilização podem se dar a título oneroso ou gra- quisitos de admissibilidade, ela será resolvida, independentemente
tuito. de haver ou não previsão específica a respeito na legislação.
“Os direitos autorais, também conhecidos como copyright (di- Também se liga à primeira onda de acesso à justiça, no que
reito de cópia), são considerados bens móveis, podendo ser alie- tange à abertura do Judiciário mesmo aos menos favorecidos eco-
nados, doados, cedidos ou locados. Ressalte-se que a permissão a nomicamente, o artigo 5º, LXXIV, CF:
terceiros de utilização de criações artísticas é direito do autor. [...] A Artigo 5º, LXXIV, CF. O Estado prestará assistência jurídica in-
proteção constitucional abrange o plágio e a contrafação. Enquanto tegral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos.
que o primeiro caracteriza-se pela difusão de obra criada ou produ-
zida por terceiros, como se fosse própria, a segunda configura a re- O constituinte, ciente de que não basta garantir o acesso ao
produção de obra alheia sem a necessária permissão do autor”[13]. Poder Judiciário, sendo também necessária a efetividade proces-
sual, incluiu pela Emenda Constitucional nº 45/2004 o inciso LXXVIII
ao artigo 5º da Constituição:

8
NOÇÕES DE DIREITO
Artigo 5º, LXXVIII, CF. A todos, no âmbito judicial e administra- Anterioridade e irretroatividade da lei
tivo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios O artigo 5º, XXXIX, CF preconiza:
que garantam a celeridade de sua tramitação. Artigo5º, XXXIX, CF. Não há crime sem lei anterior que o defina,
nem pena sem prévia cominação legal.
Com o tempo se percebeu que não bastava garantir o acesso
à justiça se este não fosse célere e eficaz. Não significa que se deve É a consagração da regra do nullum crimen nulla poena sine
acelerar o processo em detrimento de direitos e garantias assegu- praevia lege. Simultaneamente, se assegura o princípio da legalida-
rados em lei, mas sim que é preciso proporcionar um trâmite que de (ou reserva legal), na medida em que não há crime sem lei que o
dure nem mais e nem menos que o necessário para a efetiva reali- defina, nem pena sem prévia cominação legal, e o princípio da an-
zação da justiça no caso concreto. terioridade, posto que não há crime sem lei anterior que o defina.
Ainda no que tange ao princípio da anterioridade, tem-se o ar-
- Direitos constitucionais-penais tigo 5º, XL, CF:
Artigo 5º, XL, CF. A lei penal não retroagirá, salvo para benefi-
Juiz natural e vedação ao juízo ou tribunal de exceção ciar o réu.
Quando o artigo 5º, LIII, CF menciona:
Artigo 5º, LIII, CF. Ninguém será processado nem sentenciado O dispositivo consolida outra faceta do princípio da anteriori-
senão pela autoridade competente”, consolida o princípio do juiz dade: se, por um lado, é necessário que a lei tenha definido um fato
natural que assegura a toda pessoa o direito de conhecer previa- como crime e dado certo tratamento penal a este fato (ex.: pena de
mente daquele que a julgará no processo em que seja parte, reves- detenção ou reclusão, tempo de pena, etc.) antes que ele ocorra;
tindo tal juízo em jurisdição competente para a matéria específica por outro lado, se vier uma lei posterior ao fato que o exclua do rol
do caso antes mesmo do fato ocorrer. de crimes ou que confira tratamento mais benéfico (diminuindo a
pena ou alterando o regime de cumprimento, notadamente), ela
Por sua vez, um desdobramento deste princípio encontra-se será aplicada. Restam consagrados tanto o princípio da irretroati-
no artigo 5º, XXXVII, CF: vidade da lei penal in pejus quanto o da retroatividade da lei penal
Artigo 5º, XXXVII, CF. Não haverá juízo ou tribunal de exceção. mais benéfica.

Juízo ou Tribunal de Exceção é aquele especialmente criado Menções específicas a crimes


para uma situação pretérita, bem como não reconhecido como le- O artigo 5º, XLI, CF estabelece:
gítimo pela Constituição do país. Artigo 5º, XLI, CF. A lei punirá qualquer discriminação atentató-
ria dos direitos e liberdades fundamentais.
Tribunal do júri Sendo assim confere fórmula genérica que remete ao princí-
A respeito da competência do Tribunal do júri, prevê o artigo pio da igualdade numa concepção ampla, razão pela qual práticas
5º, XXXVIII, CF: discriminatórias não podem ser aceitas. No entanto, o constituinte
Artigo 5º, XXXVIII. É reconhecida a instituição do júri, com a entendeu por bem prever tratamento específico a certas práticas
organização que lhe der a lei, assegurados: criminosas.
a) a plenitude de defesa; Neste sentido, prevê o artigo 5º, XLII, CF:
b) o sigilo das votações; Artigo 5º, XLII, CF. A prática do racismo constitui crime inafian-
c) a soberania dos veredictos; çável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra
a vida. A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989 define os crimes re-
sultantes de preconceito de raça ou de cor. Contra eles não cabe
O Tribunal do Júri é formado por pessoas do povo, que julgam fiança (pagamento de valor para deixar a prisão provisória) e não se
os seus pares. Entende-se ser direito fundamental o de ser julgado aplica o instituto da prescrição (perda de pretensão de se proces-
por seus iguais, membros da sociedade e não magistrados, no caso sar/punir uma pessoa pelo decurso do tempo).
de determinados crimes que por sua natureza possuem fortes fato- Não obstante, preconiza ao artigo 5º, XLIII, CF:
res de influência emocional. Artigo 5º, XLIII, CF. A lei considerará crimes inafiançáveis e in-
Plenitude da defesa envolve tanto a autodefesa quanto a defe- suscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito
sa técnica e deve ser mais ampla que a denominada ampla defesa de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como
assegurada em todos os procedimentos judiciais e administrativos. crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os execu-
Sigilo das votações envolve a realização de votações secretas, tores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.
preservando a liberdade de voto dos que compõem o conselho que
irá julgar o ato praticado. Anistia, graça e indulto diferenciam-se nos seguintes termos: a
A decisão tomada pelo conselho é soberana. Contudo, a sobe- anistia exclui o crime, rescinde a condenação e extingue totalmente
rania dos veredictos veda a alteração das decisões dos jurados, não a punibilidade, a graça e o indulto apenas extinguem a punibilidade,
a recorribilidade dos julgamentos do Tribunal do Júri para que seja podendo ser parciais; a anistia, em regra, atinge crimes políticos, a
procedido novo julgamento uma vez cassada a decisão recorrida, graça e o indulto, crimes comuns; a anistia pode ser concedida pelo
haja vista preservar o ordenamento jurídico pelo princípio do duplo Poder Legislativo, a graça e o indulto são de competência exclusiva
grau de jurisdição. do Presidente da República; a anistia pode ser concedida antes da
Por fim, a competência para julgamento é dos crimes dolosos sentença final ou depois da condenação irrecorrível, a graça e o in-
(em que há intenção ou ao menos se assume o risco de produção dulto pressupõem o trânsito em julgado da sentença condenatória;
do resultado) contra a vida, que são: homicídio, aborto, induzimen- graça e o indulto apenas extinguem a punibilidade, persistindo os
to, instigação ou auxílio a suicídio e infanticídio. Sua competência efeitos do crime, apagados na anistia; graça é em regra individual e
não é absoluta e é mitigada, por vezes, pela própria Constituição solicitada, enquanto o indulto é coletivo e espontâneo.
(artigos 29, X /102, I, b) e c) / 105, I, a) / 108, I).

9
NOÇÕES DE DIREITO
Não cabe graça, anistia ou indulto (pode-se considerar que o A distinção do estabelecimento conforme a natureza do delito
artigo o abrange, pela doutrina majoritária) contra crimes de tortu- visa impedir que a prisão se torne uma faculdade do crime. Infeliz-
ra, tráfico, terrorismo (TTT) e hediondos (previstos na Lei nº 8.072 mente, o Estado não possui aparato suficiente para cumprir tal di-
de 25 de julho de 1990). Além disso, são crimes que não aceitam retiva, diferenciando, no máximo, o nível de segurança das prisões.
fiança.
Por fim, prevê o artigo 5º, XLIV, CF: Quanto à idade, destacam-se as Fundações Casas, para cumpri-
Artigo 5º, XLIV, CF. Constitui crime inafiançável e imprescritível mento de medida por menores infratores. Quanto ao sexo, prisões
a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem cons- costumam ser exclusivamente para homens ou para mulheres.
titucional e o Estado Democrático. Também se denota o respeito à individualização da pena nesta
faceta pelo artigo 5º, L, CF:
Personalidade da pena Artigo 5º, L, CF. Às presidiárias serão asseguradas condições
A personalidade da pena encontra respaldo no artigo 5º, XLV, para que possam permanecer com seus filhos durante o período
CF: de amamentação.
Artigo 5º, XLV, CF. Nenhuma pena passará da pessoa do con-
denado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do Preserva-se a individualização da pena porque é tomada a
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos suces- condição peculiar da presa que possui filho no período de ama-
sores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio mentação, mas também se preserva a dignidade da criança, não
transferido. a afastando do seio materno de maneira precária e impedindo a
formação de vínculo pela amamentação.
O princípio da personalidade encerra o comando de o crime
ser imputado somente ao seu autor, que é, por seu turno, a úni- Vedação de determinadas penas
ca pessoa passível de sofrer a sanção. Seria flagrante a injustiça se O constituinte viu por bem proibir algumas espécies de penas,
fosse possível alguém responder pelos atos ilícitos de outrem: caso consoante ao artigo 5º, XLVII, CF:
contrário, a reação, ao invés de restringir-se ao malfeitor, alcan- Artigo 5º, XLVII, CF. não haverá penas:
çaria inocentes. Contudo, se uma pessoa deixou patrimônio e fa- a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do
leceu, este patrimônio responderá pelas repercussões financeiras art. 84, XIX;
do ilícito. b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
Individualização da pena d) de banimento;
A individualização da pena tem por finalidade concretizar o e) cruéis.
princípio de que a responsabilização penal é sempre pessoal, de-
vendo assim ser aplicada conforme as peculiaridades do agente. Em resumo, o inciso consolida o princípio da humanidade, pelo
A primeira menção à individualização da pena se encontra no qual o “poder punitivo estatal não pode aplicar sanções que atin-
artigo 5º, XLVI, CF: jam a dignidade da pessoa humana ou que lesionem a constituição
físico-psíquica dos condenados”.
Artigo 5º, XLVI, CF. A lei regulará a individualização da pena e Quanto à questão da pena de morte, percebe-se que o consti-
adotará, entre outras, as seguintes: tuinte não estabeleceu uma total vedação, autorizando-a nos casos
a) privação ou restrição da liberdade; de guerra declarada. Obviamente, deve-se respeitar o princípio da
b) perda de bens; anterioridade da lei, ou seja, a legislação deve prever a pena de
c) multa; morte ao fato antes dele ser praticado. No ordenamento brasilei-
d) prestação social alternativa; ro, este papel é cumprido pelo Código Penal Militar (Decreto-Lei nº
e) suspensão ou interdição de direitos. 1.001/1969), que prevê a pena de morte a ser executada por fuzi-
lamento nos casos tipificados em seu Livro II, que aborda os crimes
Pelo princípio da individualização da pena, a pena deve ser in- militares em tempo de guerra.
dividualizada nos planos legislativo, judiciário e executório, evitan- Por sua vez, estão absolutamente vedadas em quaisquer cir-
do-se a padronização a sanção penal. A individualização da pena cunstâncias as penas de caráter perpétuo, de trabalhos forçados,
significa adaptar a pena ao condenado, consideradas as caracterís- de banimento e cruéis.
ticas do agente e do delito. No que tange aos trabalhos forçados, vale destacar que o tra-
A pena privativa de liberdade é aquela que restringe, com balho obrigatório não é considerado um tratamento contrário à
maior ou menor intensidade, a liberdade do condenado, consis- dignidade do recluso, embora o trabalho forçado o seja. O traba-
tente em permanecer em algum estabelecimento prisional, por um lho é obrigatório, dentro das condições do apenado, não podendo
determinado tempo. ser cruel ou menosprezar a capacidade física e intelectual do con-
A pena de multa ou patrimonial opera uma diminuição do pa- denado; como o trabalho não existe independente da educação,
trimônio do indivíduo delituoso. cabe incentivar o aperfeiçoamento pessoal; até mesmo porque o
A prestação social alternativa corresponde às penas restritivas trabalho deve se aproximar da realidade do mundo externo, será
de direitos, autônomas e substitutivas das penas privativas de liber- remunerado; além disso, condições de dignidade e segurança do
dade, estabelecidas no artigo 44 do Código Penal. trabalhador, como descanso semanal e equipamentos de proteção,
Por seu turno, a individualização da pena deve também se fa- deverão ser respeitados.
zer presente na fase de sua execução, conforme se depreende do
artigo 5º, XLVIII, CF: Respeito à integridade do preso
Artigo 5º, XLVIII, CF. A pena será cumprida em estabelecimen- Prevê o artigo 5º, XLIX, CF:
tos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo Artigo 5º, XLIX, CF. É assegurado aos presos o respeito à inte-
do apenado. gridade física e moral.

10
NOÇÕES DE DIREITO
Obviamente, o desrespeito à integridade física e moral do pre- A chamada ação penal privada subsidiária da pública encontra
so é uma violação do princípio da dignidade da pessoa humana. respaldo constitucional, assegurando que a omissão do poder pú-
Dois tipos de tratamentos que violam esta integridade estão blico na atividade de persecução criminal não será ignorada, forne-
mencionados no próprio artigo 5º da Constituição Federal. Em pri- cendo-se instrumento para que o interessado a proponha.
meiro lugar, tem-se a vedação da tortura e de tratamentos desu-
manos e degradantes (artigo 5º, III, CF), o que vale na execução da Prisão e liberdade
pena. O constituinte confere espaço bastante extenso no artigo 5º
No mais, prevê o artigo 5º, LVIII, CF: em relação ao tratamento da prisão, notadamente por se tratar de
Artigo 5º, LVIII, CF.O civilmente identificado não será subme- ato que vai contra o direito à liberdade. Obviamente, a prisão não
tido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei. é vedada em todos os casos, porque práticas atentatórias a direitos
fundamentais implicam na tipificação penal, autorizando a restri-
Se uma pessoa possui identificação civil, não há porque fazer ção da liberdade daquele que assim agiu.
identificação criminal, colhendo digitais, fotos, etc. Pensa-se que No inciso LXI do artigo 5º, CF, prevê-se:
seria uma situação constrangedora desnecessária ao suspeito, sen- Artigo 5º, LXI, CF. Ninguém será preso senão em flagrante de-
do assim, violaria a integridade moral. lito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária
competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime pro-
Devido processo legal, contraditório e ampla defesa priamente militar, definidos em lei.
Estabelece o artigo 5º, LIV, CF:
Artigo 5º, LIV, CF. Ninguém será privado da liberdade ou de Logo, a prisão somente se dará em caso de flagrante delito (ne-
seus bens sem o devido processo legal. cessariamente antes do trânsito em julgado), ou em caráter tempo-
rário, provisório ou definitivo (as duas primeiras independente do
Pelo princípio do devido processo legal a legislação deve ser trânsito em julgado, preenchidos requisitos legais e a última pela
respeitada quando o Estado pretender punir alguém judicialmente. irreversibilidade da condenação).
Logo, o procedimento deve ser livre de vícios e seguir estritamente Aborda-se no artigo 5º, LXII o dever de comunicação ao juiz e à
a legislação vigente, sob pena de nulidade processual. família ou pessoa indicada pelo preso:
Surgem como corolário do devido processo legal o contraditó- Artigo 5º, LXII, CF. A prisão de qualquer pessoa e o local onde
rio e a ampla defesa, pois somente um procedimento que os garan- se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente
ta estará livre dos vícios. Neste sentido, o artigo 5º, LV, CF: e à família do preso ou à pessoa por ele indicada.
Artigo 5º, LV, CF. Aos litigantes, em processo judicial ou admi-
nistrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório Não obstante, o preso deverá ser informado de todos os seus
e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. direitos, inclusive o direito ao silêncio, podendo entrar em contato
com sua família e com um advogado, conforme artigo 5º, LXIII, CF:
O devido processo legal possui a faceta formal, pela qual se
Artigo 5º, LXIII, CF. O preso será informado de seus direitos,
deve seguir o adequado procedimento na aplicação da lei e, sendo
entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a as-
assim, respeitar o contraditório e a ampla defesa. Não obstante,
sistência da família e de advogado.
o devido processo legal tem sua faceta material que consiste na
Estabelece-se no artigo 5º, LXIV, CF:
tomada de decisões justas, que respeitem os parâmetros da razoa-
Artigo 5º, LXIV, CF. O preso tem direito à identificação dos res-
bilidade e da proporcionalidade.
ponsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial.
Vedação de provas ilícitas
Por isso mesmo, o auto de prisão em flagrante e a ata do de-
Conforme o artigo 5º, LVI, CF: poimento do interrogatório são assinados pelas autoridades envol-
Artigo 5º, LVI, CF. São inadmissíveis, no processo, as provas ob- vidas nas práticas destes atos procedimentais.
tidas por meios ilícitos. Ainda, a legislação estabelece inúmeros requisitos para que a
prisão seja validada, sem os quais cabe relaxamento, tanto que as-
Provas ilícitas, por força da nova redação dada ao artigo 157 do sim prevê o artigo 5º, LXV, CF:
CPP, são as obtidas em violação a normas constitucionais ou legai, Artigo 5º, LXV, CF. A prisão ilegal será imediatamente relaxada
ou seja, prova ilícita é a que viola regra de direito material, constitu- pela autoridade judiciária.
cional ou legal, no momento da sua obtenção. São vedadas porque
não se pode aceitar o descumprimento do ordenamento para fazê- Desta forma, como decorrência lógica, tem-se a previsão do
-lo cumprir: seria paradoxal. artigo 5º, LXVI, CF:
Artigo 5º, LXVI, CF. Ninguém será levado à prisão ou nela man-
Presunção de inocência tido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança.
Prevê a Constituição no artigo 5º, LVII:
Artigo 5º, LVII, CF. Ninguém será considerado culpado até o Mesmo que a pessoa seja presa em flagrante, devido ao prin-
trânsito em julgado de sentença penal condenatória. cípio da presunção de inocência, entende-se que ela não deve ser
Consolida-se o princípio da presunção de inocência, pelo qual mantida presa quando não preencher os requisitos legais para pri-
uma pessoa não é culpada até que, em definitivo, o Judiciário assim são preventiva ou temporária.
decida, respeitados todos os princípios e garantias constitucionais.
Indenização por erro judiciário
Ação penal privada subsidiária da pública A disciplina sobre direitos decorrentes do erro judiciário en-
Nos termos do artigo 5º, LIX, CF: contra-se no artigo 5º, LXXV, CF:
Artigo 5º, LIX, CF. Será admitida ação privada nos crimes de Artigo 5º, LXXV, CF. O Estado indenizará o condenado por erro
ação pública, se esta não for intentada no prazo legal. judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na
sentença.

11
NOÇÕES DE DIREITO
Trata-se do erro em que incorre um juiz na apreciação e jul- Logo, a partir da alteração constitucional, os tratados de direi-
gamento de um processo criminal, resultando em condenação de tos humanos que ingressarem no ordenamento jurídico brasileiro,
alguém inocente. Neste caso, o Estado indenizará. Ele também in- versando sobre matéria de direitos humanos, irão passar por um
denizará uma pessoa que ficar presa além do tempo que foi conde- processo de aprovação semelhante ao da emenda constitucional.
nada a cumprir. Contudo, há posicionamentos conflituosos quanto à possi-
bilidade de considerar como hierarquicamente constitucional os
5) Direitos fundamentais implícitos tratados internacionais de direitos humanos que ingressaram no
Nos termos do § 2º do artigo 5º da Constituição Federal: ordenamento jurídico brasileiro anteriormente ao advento da re-
Artigo 5º, §2º, CF. Os direitos e garantias expressos nesta Cons- ferida emenda. Tal discussão se deu com relação à prisão civil do
tituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios depositário infiel, prevista como legal na Constituição e ilegal no
por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a Repúbli- Pacto de São José da Costa Rica (tratado de direitos humanos apro-
ca Federativa do Brasil seja parte. vado antes da EC nº 45/04), sendo que o Supremo Tribunal Federal
firmou o entendimento pela supralegalidade do tratado de direitos
Daí se depreende que os direitos ou garantias podem estar humanos anterior à Emenda (estaria numa posição que paralisaria
expressos ou implícitos no texto constitucional. Sendo assim, o rol a eficácia da lei infraconstitucional, mas não revogaria a Constitui-
enumerado nos incisos do artigo 5º é apenas exemplificativo, não ção no ponto controverso).
taxativo.
7) Tribunal Penal Internacional
6) Tratados internacionais incorporados ao ordenamento in- Preconiza o artigo 5º, CF em seu § 4º:
terno Artigo 5º, §4º, CF. O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal
Estabelece o artigo 5º, § 2º, CF que os direitos e garantias po- Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.
dem decorrer, dentre outras fontes, dos “tratados internacionais
em que a República Federativa do Brasil seja parte”. O Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional foi pro-
mulgado no Brasil pelo Decreto nº 4.388 de 25 de setembro de
Para o tratado internacional ingressar no ordenamento jurídi- 2002. Ele contém 128 artigos e foi elaborado em Roma, no dia 17
co brasileiro deve ser observado um procedimento complexo, que de julho de 1998, regendo a competência e o funcionamento deste
exige o cumprimento de quatro fases: a negociação (bilateral ou Tribunal voltado às pessoas responsáveis por crimes de maior gra-
multilateral, com posterior assinatura do Presidente da República), vidade com repercussão internacional (artigo 1º, ETPI).
submissão do tratado assinado ao Congresso Nacional (que dará “Ao contrário da Corte Internacional de Justiça, cuja jurisdição
referendo por meio do decreto legislativo), ratificação do tratado é restrita a Estados, ao Tribunal Penal Internacional compete o pro-
(confirmação da obrigação perante a comunidade internacional) e cesso e julgamento de violações contra indivíduos; e, distintamente
a promulgação e publicação do tratado pelo Poder Executivo. Nota- dos Tribunais de crimes de guerra da Iugoslávia e de Ruanda, cria-
damente, quando o constituinte menciona os tratados internacio- dos para analisarem crimes cometidos durante esses conflitos, sua
nais no §2º do artigo 5º refere-se àqueles que tenham por fulcro jurisdição não está restrita a uma situação específica”
ampliar o rol de direitos do artigo 5º, ou seja, tratado internacional Resume Mello: “a Conferência das Nações Unidas sobre a cria-
de direitos humanos. ção de uma Corte Criminal Internacional, reunida em Roma, em
O §1° e o §2° do artigo 5° existiam de maneira originária na 1998, aprovou a referida Corte. Ela é permanente. Tem sede em
Constituição Federal, conferindo o caráter de primazia dos direitos Haia. A corte tem personalidade internacional. Ela julga:
humanos, desde logo consagrando o princípio da primazia dos di- a) crime de genocídio;
reitos humanos, como reconhecido pela doutrina e jurisprudência b) crime contra a humanidade;
majoritários na época. “O princípio da primazia dos direitos huma- c) crime de guerra;
nos nas relações internacionais implica em que o Brasil deve incor- d) crime de agressão.
porar os tratados quanto ao tema ao ordenamento interno brasi-
leiro e respeitá-los. Implica, também em que as normas voltadas à Para o crime de genocídio usa a definição da convenção de
proteção da dignidade em caráter universal devem ser aplicadas no 1948. Como crimes contra a humanidade são citados: assassinato,
Brasil em caráter prioritário em relação a outras normas”. escravidão, prisão violando as normas internacionais, violação tor-
Regra geral, os tratados internacionais comuns ingressam com tura, apartheid, escravidão sexual, prostituição forçada, esteriliza-
força de lei ordinária no ordenamento jurídico brasileiro porque ção, etc. São crimes de guerra: homicídio internacional, destruição
somente existe previsão constitucional quanto à possibilidade da equi- de bens não justificada pela guerra, deportação, forçar um prisio-
paração às emendas constitucionais se o tratado abranger matéria de neiro a servir nas forças inimigas, etc.”.
direitos humanos. Antes da emenda alterou o quadro quanto aos tra-
tados de direitos humanos, era o que acontecia, mas isso não significa Habeas corpus, mandado de segurança, mandado de injun-
que tais direitos eram menos importantes devido ao princípio da pri-
ção e habeas data
mazia e ao reconhecimento dos direitos implícitos.
Remédios constitucionais são as espécies de ações judiciárias
Por seu turno, com o advento da Emenda Constitucional nº
que visam proteger os direitos fundamentais reconhecidos no texto
45/04 se introduziu o §3º ao artigo 5º da Constituição Federal, de
constitucional quando a declaração e a garantia destes não se mos-
modo que os tratados internacionais de direitos humanos foram
trar suficiente. Assim, o Poder Judiciário será acionado para sanar
equiparados às emendas constitucionais, desde que houvesse a
o desrespeito a estes direitos fundamentais, servindo cada espécie
aprovação do tratado em cada Casa do Congresso Nacional e ob-
de ação para uma forma de violação.
tivesse a votação em dois turnos e com três quintos dos votos dos
respectivos membros:
Art. 5º, § 3º, CF. Os tratados e convenções internacionais sobre Habeas Corpus
direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congres- No que tange à disciplina do habeas corpus, prevê a Constitui-
so Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos res- ção em seu artigo 5º, LXVIII:
pectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.

12
NOÇÕES DE DIREITO
Artigo 5º, LXVIII, CF. Conceder-se-á habeas corpus sempre que c) Natureza jurídica: ação constitucional que tutela o acesso a
alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação informações pessoais.
em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. d) Legitimidade ativa: pessoa física, brasileira ou estrangeira,
ou por pessoa jurídica, de direito público ou privado, tratando-se
Trata-se de ação gratuita, nos termos do artigo 5º, LXXVII, CF. de ação personalíssima – os dados devem ser a respeito da pessoa
a) Antecedentes históricos: A Magna Carta inglesa, de 1215, foi que a propõe.
o primeiro documento a mencionar este remédio eo Habeas Cor- e) Legitimidade passiva: entidades governamentais da Admi-
pus Act, de 1679, o regulamentou. nistração Pública Direta e Indireta nas três esferas, bem como insti-
b) Escopo: ação que serve para proteger a liberdade de lo- tuições, órgãos, entidades e pessoas jurídicas privadas prestadores
comoção. Antes de haver proteção no Brasil por outros remédios de serviços de interesse público que possuam dados relativos à pes-
constitucionais de direitos que não este, o habeas-corpus foi utiliza- soa do impetrante.
do para protegê-los. Hoje, apenas serve à lesão ou ameaça de lesão f) Competência: Conforme o caso, nos termos da Constituição,
ao direito de ir e vir. do Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, “d”), do Superior Tribunal
c) Natureza jurídica: ação constitucional de cunho predomi- de Justiça (art. 105, I, “b”), dos Tribunais Regionais Federais (art.
nantemente penal, pois protege o direito de ir e vir e vai contra a 108, I, “c”), bem como dos juízes federais (art. 109, VIII).
restrição arbitrária da liberdade. g) Regulamentação específica: Lei nº 9.507, de 12 de novembro
d) Espécies: preventivo, para os casos de ameaça de violação de 1997.
ao direito de ir e vir, conferindo-se um “salvo conduto”, ou repres- h) Procedimento: artigos 8º a 19 da Lei nº 9.507/1997.
sivo, para quando ameaça já tiver se materializado.
e) Legitimidade ativa: qualquer pessoa pode manejá-lo, em Mandado de segurança individual
próprio nome ou de terceiro, bem como o Ministério Público (ar- Dispõe a Constituição no artigo 5º, LXIX:
tigo 654, CPP). Impetrante é o que ingressa com a ação e paciente Artigo 5º, LXIX, CF. Conceder-se-á mandado de segurança para
é aquele que está sendo vítima da restrição à liberdade de loco- proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas-corpus
moção. As duas figuras podem se concentrar numa mesma pessoa. ou habeas-data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso
f) Legitimidade passiva: pessoa física, agente público ou priva- de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no
do. exercício de atribuições do Poder Público.
g) Competência: é determinada pela autoridade coatora, sen-
do a autoridade imediatamente superior a ela. Ex.: Delegado de a) Origem: Veio com a finalidade de preencher a lacuna decor-
Polícia é autoridade coatora, propõe na Vara Criminal Estadual; Juiz rente da sistemática do habeas corpus e das liminares possessórias.
de Direito de uma Vara Criminal é a autoridade coatora, impetra no b) Escopo: Trata-se de remédio constitucional com natureza
Tribunal de Justiça. subsidiária pelo qual se busca a invalidação de atos de autoridade
h) Conceito de coação ilegal: encontra-se no artigo 648, CPP: ou a suspensão dos efeitos da omissão administrativa, geradores
de lesão a direito líquido e certo, por ilegalidade ou abuso de po-
Artigo 648, CPP. A coação considerar-se-á ilegal: der. São protegidos todos os direitos líquidos e certos à exceção
I - quando não houver justa causa; da proteção de direitos humanos à liberdade de locomoção e ao
II - quando alguém estiver preso por mais tempo do que de- acesso ou retificação de informações relativas à pessoa do impe-
termina a lei; trante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades
III - quando quem ordenar a coação não tiver competência governamentais ou de caráter público, ambos sujeitos a instrumen-
para fazê-lo; tos específicos.
IV - quando houver cessado o motivo que autorizou a coação; c) Natureza jurídica: ação constitucional de natureza civil, in-
V - quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos dependente da natureza do ato impugnado (administrativo, jurisdi-
em que a lei a autoriza; cional, eleitoral, criminal, trabalhista).
VI - quando o processo for manifestamente nulo; d) Espécies: preventivo, quando se estiver na iminência de vio-
VII - quando extinta a punibilidade. lação a direito líquido e certo, ou reparatório, quando já consuma-
do o abuso/ilegalidade.
i) Procedimento: regulamentado nos artigos 647 a 667 do Có- e) Direito líquido e certo: é aquele que pode ser demonstra-
digo de Processo Penal. do de plano mediante prova pré-constituída, sem a necessidade
de dilação probatória, isto devido à natureza célere e sumária do
Habeas Data procedimento.
O artigo 5º, LXXII, CF prevê: f) Legitimidade ativa: a mais ampla possível, abrangendo não
Artigo 5º, LXXII, CF. Conceder-se-á habeas data: só a pessoa física como a jurídica, nacional ou estrangeira, residen-
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à te ou não no Brasil, bem como órgãos públicos despersonalizados e
pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados universalidades/pessoas formais reconhecidas por lei.
de entidades governamentais ou de caráter público; g) Legitimidade passiva: A autoridade coatora deve ser autori-
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo dade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribui-
por processo sigiloso, judicial ou administrativo. ções do Poder Público. Neste viés, o art. 6º, §3º, Lei nº 12.016/09,
preceitua que “considera-se autoridade coatora aquela que tenha
Tal como o habeas corpus, trata-se de ação gratuita (artigo 5º, praticado o ato impugnado ou da qual emane a ordem para a sua
LXXVII, CF). prática”.
a) Antecedente histórico: Freedom of Information Act, de 1974. h) Competência: Fixada de acordo com a autoridade coatora.
b) Escopo: proteção do acesso a informações pessoais constan- i) Regulamentação específica: Lei nº 12.016, de 07 de agosto
tes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais de 2009.
ou de caráter público, para o conhecimento ou retificação (corre- j) Procedimento: artigos 6º a 19 da Lei nº 12.016/09.
ção).

13
NOÇÕES DE DIREITO
Mandado de segurança coletivo bem como o Ministério Público na defesa de seus interesses insti-
A Constituição Federal prevê a possibilidade de ingresso com tucionais. Não se aceita a legitimidade ativa de pessoas jurídicas de
mandado de segurança coletivo, consoante ao artigo 5º, LXX: direito público.
Artigo 5º, LXX, CF. O mandado de segurança coletivo pode ser d) Competência: Supremo Tribunal Federal, quando a elabo-
impetrado por: ração de norma regulamentadora for atribuição do Presidente da
a) partido político com representação no Congresso Nacional; República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legal- Senado Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do
mente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do
defesa dos interesses de seus membros ou associados. próprio Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, “q”, CF); ao Superior
Tribunal de Justiça, quando a elaboração da norma regulamenta-
a) Origem: Constituição Federal de 1988. dora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da
b) Escopo: preservação ou reparação de direito líquido e certo administração direta ou indireta, excetuados os casos da compe-
relacionado a interesses transindividuais (individuais homogêneos tência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar,
ou coletivos), e devido à questão da legitimidade ativa, pertencente da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal (art.
a partidos políticos e determinadas associações. 105, I, “h”, CF); ao Tribunal Superior Eleitoral, quando as decisões
c) Natureza jurídica: ação constitucional de natureza civil, inde- dos Tribunais Regionais Eleitorais denegarem habeas corpus, man-
pendente da natureza do ato, de caráter coletivo. dado de segurança, habeas data ou mandado de injunção (art. 121,
d) Objeto: o objeto do mandado de segurança coletivo são os §4º, V, CF); e aos Tribunais de Justiça Estaduais, frente aos entes a
direitos coletivos e os direitos individuais homogêneos. Tal instituto ele vinculados.
não se presta à proteção dos direitos difusos, conforme posiciona- e) Procedimento: Regulamentado pela Lei nº 13.300/2016.
mento amplamente majoritário, já que, dada sua difícil individuali-
zação, fica improvável a verificação da ilegalidade ou do abuso do Ação Popular
poder sobre tal direito (art. 21, parágrafo único, Lei nº 12.016/09). Prevê o artigo 5º, LXXIII, CF:
e) Legitimidade ativa: como se extrai da própria disciplina Artigo 5º, LXXIII, CF. Qualquer cidadão é parte legítima para
constitucional, aliada ao artigo 21 da Lei nº 12.016/09, é de partido propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio pú-
político com representação no Congresso Nacional, bem como de blico ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade admi-
organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente nistrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural,
constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais
defesa de direitos líquidos e certos que atinjam diretamente seus e do ônus da sucumbência.
interesses ou de seus membros.
f) Disciplina específica na Lei nº 12.016/09: a) Origem: Constituição Federal de 1934.
Art. 22, Lei nº 12.016/09. No mandado de segurança coletivo, b) Escopo: é instrumento de exercício direto da democracia,
a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo permitindo ao cidadão que busque a proteção da coisa pública, ou
ou categoria substituídos pelo impetrante. seja, que vise assegurar a preservação dos interesses transindivi-
§ 1ºO mandado de segurança coletivo não induz litispendência duais.
para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não bene- c) Natureza jurídica: trata-se de ação constitucional, que visa
ficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistên- anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o
cia de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a con- Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e
tar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva. ao patrimônio histórico e cultural
§ 2ºNo mandado de segurança coletivo, a liminar só poderá d) Legitimidade ativa: deve ser cidadão, ou seja, aquele nacio-
ser concedida após a audiência do representante judicial da pessoa nal que esteja no pleno gozo dos direitos políticos.
jurídica de direito público, que deverá se pronunciar no prazo de 72 e) Legitimidade passiva: ente da Administração Pública, direta
(setenta e duas) horas. ou indireta, ou então pessoa jurídica que de algum modo lide com
a coisa pública.
Mandado de Injunção f) Competência: Será fixada de acordo com a origem do ato ou
Regulamenta o artigo 5º, LXXI, CF: omissão a serem impugnados (artigo 5º, Lei nº 4.717/65).
Artigo 5º, LXXI, CF. Conceder-se-á mandado de injunção sem- g) Regulamentação específica: Lei nº 4.717, de 29 de junho de
pre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exer- 1965.
cício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas h) Procedimento: artigos 7º a 19, Lei nº 4.717/65.
inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.
1) Direitos sociais
a) Escopo: os dois requisitos constitucionais para que seja pro-
A Constituição Federal, dentro do Título II, aborda no capítulo II
posto o mandado de injunção são a existência de norma constitu-
a categoria dos direitos sociais, em sua maioria normas programá-
cional de eficácia limitada que prescreva direitos, liberdades cons-
ticas e que necessitam de uma postura interventiva estatal em prol
titucionais e prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e
da implementação.
à cidadania; além da falta de norma regulamentadores, impossibili-
Os direitos assegurados nesta categoria encontram menção
tando o exercício dos direitos, liberdades e prerrogativas em ques-
genérica no artigo 6º, CF:
tão. Assim, visa curar o hábito que se incutiu no legislador brasileiro
de não regulamentar as normas de eficácia limitada para que elas Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação,
não sejam aplicáveis. o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previ-
b) Natureza jurídica: ação constitucional que objetiva a regula- dência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência
mentação de normas constitucionais de eficácia limitada. aos desamparados, na forma desta Constituição.
c) Legitimidade ativa: qualquer pessoa, nacional ou estrangei- Trata-se de desdobramento da perspectiva do Estado Social de
ra, física ou jurídica, capaz ou incapaz, que titularize direito funda- Direito. Em suma, são elencados os direitos humanos de 2ª dimen-
mental não materializável por omissão legislativa do Poder público, são, notadamente conhecidos como direitos econômicos, sociais

14
NOÇÕES DE DIREITO
e culturais. Em resumo, os direitos sociais envolvem prestações Cada trabalhador, dentro de sua categoria de emprego, seja
positivas do Estado (diferente dos de liberdade, que referem-se à ele professor, comerciário, metalúrgico, bancário, construtor civil,
postura de abstenção estatal), ou seja, políticas estatais que visem enfermeiro, recebe um salário base, chamado de Piso Salarial, que
consolidar o princípio da igualdade não apenas formalmente, mas é sua garantia de recebimento dentro de seu grau profissional. O
materialmente (tratando os desiguais de maneira desigual). Valor do Piso Salarial é estabelecido em conformidade com a data
Por seu turno, embora no capítulo específico do Título II que base da categoria, por isso ele é definido em conformidade com
aborda os direitos sociais não se perceba uma intensa regulamen- um acordo, ou ainda com um entendimento entre patrão e traba-
tação destes, à exceção dos direitos trabalhistas, o Título VIII da lhador.
Constituição Federal, que aborda a ordem social, se concentra em Artigo 7º, VI, CF. Irredutibilidade do salário, salvo o disposto
trazer normativas mais detalhadas a respeitos de direitos indicados em convenção ou acordo coletivo.
como sociais.
O salário não pode ser reduzido, a não ser que anão redução
1.1) Direito individual do trabalho implique num prejuízo maior, por exemplo, demissão em massa
O artigo 7º da Constituição enumera os direitos individuais dos durante uma crise, situações que devem ser negociadas em con-
trabalhadores urbanos e rurais. São os direitos individuais tipica- venção ou acordo coletivo.
mente trabalhistas, mas que não excluem os demais direitos funda- Artigo 7º, VII, CF. Garantia de salário, nunca inferior ao mínimo,
mentais (ex.: honra é um direito no espaço de trabalho, sob pena para os que percebem remuneração variável.
de se incidir em prática de assédio moral). O salário mínimo é direito de todos os trabalhadores, mesmo
Artigo 7º, I, CF. Relação de emprego protegida contra despedi- daqueles que recebem remuneração variável (ex.: baseada em co-
da arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, missões por venda e metas);
que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos. Artigo 7º, VIII, CF. Décimo terceiro salário com base na remu-
Significa que a demissão, se não for motivada por justa causa, neração integral ou no valor da aposentadoria.
assegura ao trabalhador direitos como indenização compensatória, Também conhecido como gratificação natalina, foi instituída
entre outros, a serem arcados pelo empregador. no Brasil pela Lei nº 4.090/1962 e garante que o trabalhador receba
Artigo 7º, II, CF. Seguro-desemprego, em caso de desemprego o correspondente a 1/12 (um doze avos) da remuneração por mês
involuntário. trabalhado, ou seja, consiste no pagamento de um salário extra ao
Sem prejuízo de eventual indenização a ser recebida do empre- trabalhador e ao aposentado no final de cada ano.
gador, o trabalhador que fique involuntariamente desempregado
– entendendo-se por desemprego involuntário o que tenha origem Artigo 7º, IX, CF. Remuneração do trabalho noturno superior
num acordo de cessação do contrato de trabalho – tem direito ao à do diurno.
seguro-desemprego, a ser arcado pela previdência social, que tem O adicional noturno é devido para o trabalho exercido durante
o caráter de assistência financeira temporária. a noite, de modo que cada hora noturna sofre a redução de 7 mi-
nutos e 30 segundos, ou ainda, é feito acréscimo de 12,5% sobre o
Artigo 7º, III, CF. Fundo de garantia do tempo de serviço. valor da hora diurna. Considera-se noturno, nas atividades urba-
Foi criado em 1967 pelo Governo Federal para proteger o tra- nas, o trabalho realizado entre as 22:00 horas de um dia às 5:00
horas do dia seguinte; nas atividades rurais, é considerado noturno
balhador demitido sem justa causa. O FGTS é constituído de contas
o trabalho executado na lavoura entre 21:00 horas de um dia às
vinculadas, abertas em nome de cada trabalhador, quando o em-
5:00 horas do dia seguinte; e na pecuária, entre 20:00 horas às 4:00
pregador efetua o primeiro depósito. O saldo da conta vinculada
horas do dia seguinte.
é formado pelos depósitos mensais efetivados pelo empregador,
equivalentes a 8,0% do salário pago ao empregado, acrescido de
Artigo 7º, X, CF. Proteção do salário na forma da lei, constituin-
atualização monetária e juros. Com o FGTS, o trabalhador tem a
do crime sua retenção dolosa.
oportunidade de formar um patrimônio, que pode ser sacado em
Quanto ao possível crime de retenção de salário, não há no Có-
momentos especiais, como o da aquisição da casa própria ou da digo Penal brasileiro uma norma que determina a ação de retenção
aposentadoria e em situações de dificuldades, que podem ocorrer de salário como crime. Apesar do artigo 7º, X, CF dizer que é crime
com a demissão sem justa causa ou em caso de algumas doenças a retenção dolosa de salário, o dispositivo é norma de eficácia li-
graves. mitada, pois depende de lei ordinária, ainda mais porque qualquer
Artigo 7º, IV, CF. Salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente norma penal incriminadora é regida pela legalidade estrita (artigo
unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às 5º, XXXIX, CF).
de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, Artigo 7º, XI, CF. Participação nos lucros, ou resultados, des-
vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes vinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na
periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua gestão da empresa, conforme definido em lei.
vinculação para qualquer fim. A Participação nos Lucros e Resultado (PLR), que é conhecida
Trata-se de uma visível norma programática da Constituição também por Programa de Participação nos Resultados (PPR), está
que tem por pretensão um salário mínimo que atenda a todas as prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) desde a Lei nº
necessidades básicas de uma pessoa e de sua família. Em pesquisa 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Ela funciona como um bônus,
que tomou por parâmetro o preceito constitucional, detectou-se que é ofertado pelo empregador e negociado com uma comissão
que “o salário mínimo do trabalhador brasileiro deveria ter sido de de trabalhadores da empresa. A CLT não obriga o empregador a
R$ 2.892,47 em abril para que ele suprisse suas necessidades bá- fornecer o benefício, mas propõe que ele seja utilizado.
sicas e da família, segundo estudo divulgado nesta terça-feira, 07,
pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeco- Artigo 7º, XII, CF. Salário-família pago em razão do dependente
nômicos (Dieese)” . do trabalhador de baixa renda nos termos da lei.
Artigo 7º, V, CF. Piso salarial proporcional à extensão e à com- Salário-família é o benefício pago na proporção do respectivo
plexidade do trabalho. número de filhos ou equiparados de qualquer condição até a idade
de quatorze anos ou inválido de qualquer idade, independente de

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NOÇÕES DE DIREITO
carência e desde que o salário-de-contribuição seja inferior ou igual pode sair de licença a partir do último mês de gestação, sendo que
ao limite máximo permitido. De acordo com a Portaria Interminis- o período de licença é de 120 dias. A Constituição também garante
terial MPS/MF nº 19, de 10/01/2014, valor do salário-família será que, do momento em que se confirma a gravidez até cinco meses
de R$ 35,00, por filho de até 14 anos incompletos ou inválido, para após o parto, a mulher não pode ser demitida.
quem ganhar até R$ 682,50. Já para o trabalhador que receber de
R$ 682,51 até R$ 1.025,81, o valor do salário-família por filho de até Artigo 7º, XIX, CF. Licença-paternidade, nos termos fixados em
14 anos de idade ou inválido de qualquer idade será de R$ 24,66. lei.
Artigo 7º, XIII, CF. duração do trabalho normal não superior a
oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a com- O homem tem direito a 5 dias de licença-paternidade para es-
pensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou tar mais próximo do bebê recém-nascido e ajudar a mãe nos pro-
convenção coletiva de trabalho. cessos pós-operatórios.
Artigo 7º, XVI, CF. Remuneração do serviço extraordinário su- Artigo 7º, XX, CF. Proteção do mercado de trabalho da mulher,
perior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal. mediante incentivos específicos, nos termos da lei.
A legislação trabalhista vigente estabelece que a duração nor-
mal do trabalho, salvo os casos especiais, é de 8 (oito) horas diárias Embora as mulheres sejam maioria na população de 10 anos
e 44 (quarenta e quatro) semanais, no máximo. Todavia, poderá a ou mais de idade, elas são minoria na população ocupada, mas es-
jornada diária de trabalho dos empregados maiores ser acrescida tão em maioria entre os desocupados. Acrescenta-se ainda, que
de horas suplementares, em número não excedentes a duas, no elas são maioria também na população não economicamente ativa.
máximo, para efeito de serviço extraordinário, mediante acordo Além disso, ainda há relevante diferença salarial entre homens e
individual, acordo coletivo, convenção coletiva ou sentença norma- mulheres, sendo que os homens recebem mais porque os empre-
tiva. Excepcionalmente, ocorrendo necessidade imperiosa, poderá gadores entendem que eles necessitam de um salário maior para
ser prorrogada além do limite legalmente permitido. A remunera- manter a família. Tais disparidades colocam em evidência que o
ção do serviço extraordinário, desde a promulgação da Constitui- mercado de trabalho da mulher deve ser protegido de forma es-
ção Federal, deverá constar, obrigatoriamente, do acordo, conven- pecial.
ção ou sentença normativa, e será, no mínimo, 50% (cinquenta por
cento) superior à da hora normal. Artigo 7º, XXI, CF. Aviso prévio proporcional ao tempo de servi-
ço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei.
Artigo 7º, XIV, CF. Jornada de seis horas para o trabalho rea-
lizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação Nas relações de emprego, quando uma das partes deseja rescindir,
coletiva. sem justa causa, o contrato de trabalho por prazo indeterminado, deve-
O constituinte ao estabelecer jornada máxima de 6 horas para rá, antecipadamente, notificar à outra parte, através do aviso prévio. O
os turnos ininterruptos de revezamento, expressamente ressalvan- aviso prévio tem por finalidade evitar a surpresa na ruptura do contrato
do a hipótese de negociação coletiva, objetivou prestigiar a atuação de trabalho, possibilitando ao empregador o preenchimento do cargo
da entidade sindical. Entretanto, a jurisprudência evoluiu para uma vago e ao empregado uma nova colocação no mercado de trabalho, sen-
interpretação restritiva de seu teor, tendo como parâmetro o fato do que o aviso prévio pode ser trabalhado ou indenizado.
de que o trabalho em turnos ininterruptos é por demais desgastan-
te, penoso, além de trazer malefícios de ordem fisiológica para o Artigo 7º, XXII, CF. Redução dos riscos inerentes ao trabalho,
trabalhador, inclusive distúrbios no âmbito psicossocial já que difi- por meio de normas de saúde, higiene e segurança.
culta o convívio em sociedade e com a própria família.
Trata-se ao direito do trabalhador a um meio ambiente do
Artigo 7º, XV, CF. Repouso semanal remunerado, preferencial- trabalho salubre. Fiorillo destaca que o equilíbrio do meio ambien-
mente aos domingos. te do trabalho está sedimentado na salubridade e na ausência de
O Descanso Semanal Remunerado é de 24 (vinte e quatro) ho- agentes que possam comprometer a incolumidade físico-psíquica
ras consecutivas, devendo ser concedido preferencialmente aos dos trabalhadores.
domingos, sendo garantido a todo trabalhador urbano, rural ou
doméstico. Havendo necessidade de trabalho aos domingos, desde Artigo 7º, XXIII, CF. Adicional de remuneração para as ativida-
que previamente autorizados pelo Ministério do Trabalho, aos tra- des penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei.
balhadores é assegurado pelo menos um dia de repouso semanal
remunerado coincidente com um domingo a cada período, depen- Penoso é o trabalho acerbo, árduo, amargo, difícil, molesto,
dendo da atividade (artigo 67, CLT). trabalhoso, incômodo, laborioso, doloroso, rude, que não é peri-
goso ou insalubre, mas penosa, exigindo atenção e vigilância acima
Artigo 7º, XVII, CF. Gozo de férias anuais remuneradas com, do comum. Ainda não há na legislação específica previsão sobre o
pelo menos, um terço a mais do que o salário normal. adicional de penosidade.
O salário das férias deve ser superior em pelo menos um ter- São consideradas atividades ou operações insalubres as que se
ço ao valor da remuneração normal, com todos os adicionais e be- desenvolvem excesso de limites de tolerância para: ruído contínuo
nefícios aos quais o trabalhador tem direito. A cada doze meses ou intermitente, ruídos de impacto, exposição ao calor e ao frio,
de trabalho – denominado período aquisitivo – o empregado terá
radiações, certos agentes químicos e biológicos, vibrações, umida-
direito a trinta dias corridos de férias, se não tiver faltado injustifi-
de, etc. O exercício de trabalho em condições de insalubridade as-
cadamente mais de cinco vezes ao serviço (caso isso ocorra, os dias
segura ao trabalhador a percepção de adicional, incidente sobre o
das férias serão diminuídos de acordo com o número de faltas).
salário base do empregado (súmula 228 do TST), ou previsão mais
Artigo 7º, XVIII, CF. Licença à gestante, sem prejuízo do empre-
benéfica em Convenção Coletiva de Trabalho, equivalente a 40%
go e do salário, com a duração de cento e vinte dias.
(quarenta por cento), para insalubridade de grau máximo; 20%
O salário da trabalhadora em licença é chamado de salário-ma-
(vinte por cento), para insalubridade de grau médio; 10% (dez por
ternidade, é pago pelo empregador e por ele descontado dos re-
colhimentos habituais devidos à Previdência Social. A trabalhadora cento), para insalubridade de grau mínimo.

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NOÇÕES DE DIREITO
O adicional de periculosidade é um valor devido ao emprega- Seguro de Acidente de Trabalho (SAT) é uma contribuição com
do exposto a atividades perigosas. São consideradas atividades ou natureza de tributo que as empresas pagam para custear benefícios
operações perigosas, aquelas que, por sua natureza ou métodos do INSS oriundos de acidente de trabalho ou doença ocupacional,
de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição cobrindo a aposentadoria especial. A alíquota normal é de um, dois
permanente do trabalhador a inflamáveis, explosivos ou energia ou três por cento sobre a remuneração do empregado, mas as em-
elétrica; e a roubos ou outras espécies de violência física nas ativi- presas que expõem os trabalhadores a agentes nocivos químicos,
dades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial. O valor do físicos e biológicos precisam pagar adicionais diferenciados. Assim,
adicional de periculosidade será o salário do empregado acrescido quanto maior o risco, maior é a alíquota, mas atualmente o Mi-
de 30%, sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou nistério da Previdência Social pode alterar a alíquota se a empresa
participações nos lucros da empresa. investir na segurança do trabalho.
O Tribunal Superior do Trabalho ainda não tem entendimento Neste sentido, nada impede que a empresa seja responsabi-
unânime sobre a possibilidade de cumulação destes adicionais. lizada pelos acidentes de trabalho, indenizando o trabalhador. Na
atualidade entende-se que a possibilidade de cumulação do benefí-
Artigo 7º, XXIV, CF. Aposentadoria. cio previdenciário, assim compreendido como prestação garantida
A aposentadoria é um benefício garantido a todo trabalhador pelo Estado ao trabalhador acidentado (responsabilidade objetiva)
brasileiro que pode ser usufruído por aquele que tenha contribuído com a indenização devida pelo empregador em caso de culpa (res-
ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) pelos prazos esti- ponsabilidade subjetiva), é pacífica, estando amplamente difundida
pulados nas regras da Previdência Social e tenha atingido as idades na jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho;
mínimas previstas. Aliás, o direito à previdência social é considera- Artigo 7º, XXIX, CF. Ação, quanto aos créditos resultantes das
do um direito social no próprio artigo 6º, CF. relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para
os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a
Artigo 7º, XXV, CF. Assistência gratuita aos filhos e dependen- extinção do contrato de trabalho.
tes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e Prescrição é a perda da pretensão de buscar a tutela jurisdicio-
pré-escolas. nal para assegurar direitos violados. Sendo assim, há um período de
Todo estabelecimento com mais de 30 funcionárias com mais tempo que o empregado tem para requerer seu direito na Justiça
de 16 anos tem a obrigação de oferecer um espaço físico para que as do Trabalho. A prescrição trabalhista é sempre de 2 (dois) anos a
mães deixem o filho de 0 a 6 meses, enquanto elas trabalham. Caso partir do término do contrato de trabalho, atingindo as parcelas re-
não ofereçam esse espaço aos bebês, a empresa é obrigada a dar auxí- lativas aos 5 (cinco) anos anteriores, ou de 05 (cinco) anos durante
lio-creche a mulher para que ela pague uma creche para o bebê de até a vigência do contrato de trabalho.
6 meses. O valor desse auxílio será determinado conforme negociação Artigo 7º, XXX, CF. Proibição de diferença de salários, de exercí-
coletiva na empresa (acordo da categoria ou convenção). A empresa cio de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade,
que tiver menos de 30 funcionárias registradas não tem obrigação de cor ou estado civil.
conceder o benefício. É facultativo (ela pode oferecer ou não). Existe Há uma tendência de se remunerar melhor homens brancos
a possibilidade de o benefício ser estendido até os 6 anos de idade na faixa dos 30 anos que sejam casados, sendo patente a diferença
e incluir o trabalhador homem. A duração do auxílio-creche e o valor remuneratória para com pessoas de diferente etnia, faixa etária ou
envolvido variarão conforme negociação coletiva na empresa. sexo. Esta distinção atenta contra o princípio da igualdade e não é
Artigo 7º, XXVI, CF. Reconhecimento das convenções e acordos aceita pelo constituinte, sendo possível inclusive invocar a equipa-
coletivos de trabalho. ração salarial judicialmente.
Neste dispositivo se funda o direito coletivo do trabalho, que Artigo 7º, XXXI, CF. Proibição de qualquer discriminação no to-
encontra regulamentação constitucional nos artigo 8º a 11 da Cons- cante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de
tituição. Pelas convenções e acordos coletivos, entidades represen- deficiência.
tativas da categoria dos trabalhadores entram em negociação com A pessoa portadora de deficiência, dentro de suas limitações,
as empresas na defesa dos interesses da classe, assegurando o res- possui condições de ingressar no mercado de trabalho e não pode
peito aos direitos sociais; ser preterida meramente por conta de sua deficiência.
Artigo 7º, XXVII, CF. Proteção em face da automação, na forma Artigo 7º, XXXII, CF. Proibição de distinção entre trabalho ma-
da lei. nual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos.
Trata-se da proteção da substituição da máquina pelo homem, Os trabalhos manuais, técnicos e intelectuais são igualmente
que pode ser feita, notadamente, qualificando o profissional para relevantes e contribuem todos para a sociedade, não cabendo a
exercer trabalhos que não possam ser desempenhados por uma desvalorização de um trabalho apenas por se enquadrar numa ou
máquina (ex.: se criada uma máquina que substitui o trabalhador, outra categoria.
deve ser ele qualificado para que possa operá-la). Artigo 7º, XXXIII, CF. proibição de trabalho noturno, perigoso
Artigo 7º, XXVIII, CF. Seguro contra acidentes de trabalho, a ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a me-
cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está nores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de
obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa. quatorze anos.
Atualmente, é a Lei nº 8.213/91 a responsável por tratar do Trata-se de norma protetiva do adolescente, estabelecendo-se
assunto e em seus artigos 19, 20 e 21 apresenta a definição de uma idade mínima para trabalho e proibindo-se o trabalho em con-
doenças e acidentes do trabalho. Não se trata de legislação espe- dições desfavoráveis.
cífica sobre o tema, mas sim de uma norma que dispõe sobre as Artigo 7º, XXXIV, CF. Igualdade de direitos entre o trabalhador
modalidades de benefícios da previdência social. Referida Lei, em com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso.
seu artigo 19 da preceitua que acidente do trabalho é o que ocorre
pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício Avulso é o trabalhador que presta serviço a várias empresas,
do trabalho, provocando lesão corporal ou perturbação funcional mas é contratado por sindicatos e órgãos gestores de mão-de-obra,
que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou tempo- possuindo os mesmos direitos que um trabalhador com vínculo em-
rária, da capacidade para o trabalho. pregatício permanente.

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NOÇÕES DE DIREITO
A Emenda Constitucional nº 72/2013, conhecida como PEC das tras providências. Enquanto não for disciplinado o direito de greve
domésticas, deu nova redação ao parágrafo único do artigo 7º: dos servidores públicos, esta é a legislação que se aplica, segundo
Artigo 7º, parágrafo único, CF. São assegurados à categoria dos o STF.
trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI,
VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, O direito de participação é previsto no artigo 10, CF:
XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e ob- Artigo 10, CF. É assegurada a participação dos trabalhadores e
servada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus in-
principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas teresses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão
peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, e deliberação.
bem como a sua integração à previdência social. Por fim, aborda-se o direito de representação classista no ar-
tigo 11, CF:
1.2) Direito coletivo do trabalho Artigo 11, CF. Nas empresas de mais de duzentos empregados,
Os artigos 8º a 11 trazem os direitos sociais coletivos dos traba- é assegurada a eleição de um representante destes com a finali-
lhadores, que são os exercidos pelos trabalhadores, coletivamente dade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os
ou no interesse de uma coletividade, quais sejam: associação pro- empregadores.
fissional ou sindical, greve, substituição processual, participação e
representação classista . 2) Nacionalidade
A liberdade de associação profissional ou sindical tem escopo O capítulo III do Título II aborda a nacionalidade, que vem a ser
no artigo 8º, CF: corolário dos direitos políticos, já que somente um nacional pode
Art. 8º, CF. É livre a associação profissional ou sindical, obser- adquirir direitos políticos.
vado o seguinte: Nacionalidade é o vínculo jurídico-político que liga um indiví-
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a funda- duo a determinado Estado, fazendo com que ele passe a integrar o
ção de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, veda- povo daquele Estado, desfrutando assim de direitos e obrigações.
das ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização Povo é o conjunto de nacionais. Por seu turno, povo não é a
sindical; mesma coisa que população. População é o conjunto de pessoas
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em residentes no país – inclui o povo, os estrangeiros residentes no
qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econô- país e os apátridas.
mica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalha-
dores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à 2.1) Nacionalidade como direito humano fundamental
área de um Município; Os direitos humanos internacionais são completamente con-
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coleti- trários à ideia do apátrida – ou heimatlos –, que é o indivíduo que
vos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou não possui o vínculo da nacionalidade com nenhum Estado. Logo, a
administrativas; nacionalidade é um direito da pessoa humana, o qual não pode ser
IV - a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratan- privado de forma arbitrária. Não há privação arbitrária quando res-
do de categoria profissional, será descontada em folha, para cus- peitados os critérios legais previstos no texto constitucional no que
teio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, tange à perda da nacionalidade. Em outras palavras, o constituinte
independentemente da contribuição prevista em lei; brasileiro não admite a figura do apátrida.
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a Contudo, é exatamente por ser um direito que a nacionalidade
sindicato; não pode ser uma obrigação, garantindo-se à pessoa o direito de
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações deixar de ser nacional de um país e passar a sê-lo de outro, mu-
coletivas de trabalho; dando de nacionalidade, por um processo conhecido como natu-
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas ralização.
organizações sindicais; Prevê a Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a par- artigo 15: “I) Todo homem tem direito a uma nacionalidade. II) Nin-
tir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação guém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do
sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do direito de mudar de nacionalidade”.
A Convenção Americana sobre Direitos Humanos aprofunda-se
mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.
em meios para garantir que toda pessoa tenha uma nacionalidade
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à orga-
desde o seu nascimento ao adotar o critério do jus solis, explici-
nização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas
tando que ao menos a pessoa terá a nacionalidade do território
as condições que a lei estabelecer.
onde nasceu, quando não tiver direito a outra nacionalidade por
previsões legais diversas.
O direito de greve, por seu turno, está previsto no artigo 9º, CF:
“Nacionalidade é um direito fundamental da pessoa humana.
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos tra-
Todos a ela têm direito. A nacionalidade de um indivíduo não pode
balhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os
ficar ao mero capricho de um governo, de um governante, de um
interesses que devam por meio dele defender. poder despótico, de decisões unilaterais, concebidas sem regras
§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá prévias, sem o contraditório, a defesa, que são princípios funda-
sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. mentais de todo sistema jurídico que se pretenda democrático. A
§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas questão não pode ser tratada com relativismos, uma vez que é mui-
da lei. to séria” .
A respeito, conferir a Lei nº 7.783/89, que dispõe sobre o exer- Não obstante, tem-se no âmbito constitucional e internacional
cício do direito de greve, define as atividades essenciais, regula o a previsão do direito de asilo, consistente no direito de buscar abri-
atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, e dá ou- go em outro país quando naquele do qual for nacional estiver so-

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NOÇÕES DE DIREITO
frendo alguma perseguição. Tal perseguição não pode ter motivos b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na
legítimos, como a prática de crimes comuns ou de atos atentatórios República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterrup-
aos princípios das Nações Unidas, o que subverteria a própria fina- tos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade
lidade desta proteção. Em suma, o que se pretende com o direito brasileira.
de asilo é evitar a consolidação de ameaças a direitos humanos de
uma pessoa por parte daqueles que deveriam protegê-los – isto é, A naturalização deve ser voluntária e expressa.
os governantes e os entes sociais como um todo –, e não proteger O Estatuto do Estrangeiro, Lei nº 6.815/1980, rege a questão
pessoas que justamente cometeram tais violações. da naturalização em mais detalhes, prevendo no artigo 112:

2.2) Naturalidade e naturalização Art. 112, Lei nº 6.815/1980. São condições para a concessão da
O artigo 12 da Constituição Federal estabelece quem são os naturalização:
nacionais brasileiros, dividindo-os em duas categorias: natos e na- I - capacidade civil, segundo a lei brasileira;
turalizados. Percebe-se que naturalidade é diferente de nacionali- II - ser registrado como permanente no Brasil;
dade – naturalidade é apenas o local de nascimento, nacionalidade III - residência contínua no território nacional, pelo prazo mí-
é um efetivo vínculo com o Estado. nimo de quatro anos, imediatamente anteriores ao pedido de na-
Uma pessoa pode ser considerada nacional brasileira tanto por turalização;
ter nascido no território brasileiro quanto por voluntariamente se IV - ler e escrever a língua portuguesa, consideradas as condi-
naturalizar como brasileiro, como se percebe no teor do artigo 12, ções do naturalizando;
CF. O estrangeiro, num conceito tomado à base de exclusão, é todo V - exercício de profissão ou posse de bens suficientes à manu-
aquele que não é nacional brasileiro. tenção própria e da família;
VI - bom procedimento;
a) Brasileiros natos VII - inexistência de denúncia, pronúncia ou condenação no
Art. 12, CF. São brasileiros: Brasil ou no exterior por crime doloso a que seja cominada pena
I - natos: mínima de prisão, abstratamente considerada, superior a 1 (um)
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de ano; e
pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu VIII - boa saúde.
país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasi- Destaque vai para o requisito da residência contínua. Em regra,
leira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Fede- o estrangeiro precisa residir no país por 4 anos contínuos, conforme
rativa do Brasil; o inciso III do referido artigo 112. No entanto, por previsão consti-
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe bra- tucional do artigo 12, II, “a”, se o estrangeiro foi originário de país
sileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira com- com língua portuguesa o prazo de residência contínua é reduzido
petente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e para 1 ano. Daí se afirmar que o constituinte estabeleceu a naturali-
optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela zação ordinária no artigo 12, II, “b” e a naturalização extraordinária
nacionalidade brasileira. no artigo 12, II, “a”.
Tradicionalmente, são possíveis dois critérios para a atribuição Outra diferença sensível é que à naturalização ordinária se
da nacionalidade primária – nacional nato –, notadamente: ius soli, aplica o artigo 121 do Estatuto do Estrangeiro, segundo o qual “a
direito de solo, o nacional nascido em território do país indepen- satisfação das condições previstas nesta Lei não assegura ao estran-
dentemente da nacionalidade dos pais; e ius sanguinis, direito de geiro direito à naturalização”. Logo, na naturalização ordinária não
sangue, que não depende do local de nascimento mas sim da des- há direito subjetivo à naturalização, mesmo que preenchidos todos
cendência de um nacional do país (critério comum em países que os requisitos. Trata-se de ato discricionário do Ministério da Justi-
tiveram êxodo de imigrantes). ça. O mesmo não vale para a naturalização extraordinária, quando
O brasileiro nato, primeiramente, é aquele que nasce no terri- há direito subjetivo, cabendo inclusive a busca do Poder Judiciário
tório brasileiro – critério do ius soli, ainda que filho de pais estran- para fazê-lo valer .
geiros, desde que não sejam estrangeiros que estejam a serviço de
seu país ou de organismo internacional (o que geraria um conflito c) Tratamento diferenciado
de normas). Contudo, também é possível ser brasileiro nato ainda A regra é que todo nacional brasileiro, seja ele nato ou naturali-
que não se tenha nascido no território brasileiro. zado, deverá receber o mesmo tratamento. Neste sentido, o artigo
No entanto, a Constituição reconhece o brasileiro nato tam- 12, § 2º, CF:
bém pelo critério do ius sanguinis. Se qualquer dos pais estiver a
serviço do Brasil, é considerado brasileiro nato, mesmo que nasça Artigo 12, §2º, CF. A lei não poderá estabelecer distinção entre
em outro país. Se qualquer dos pais não estiverem a serviço do Bra- brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta
sil e a pessoa nascer no exterior é exigido que o nascido do exterior Constituição.
venha ao território brasileiro e aqui resida ou que tenha sido re-
gistrado em repartição competente, caso em que poderá, aos 18 Percebe-se que a Constituição simultaneamente estabelece a
anos, manifestar-se sobre desejar permanecer com a nacionalidade não distinção e se reserva ao direito de estabelecer as hipóteses de
brasileira ou não. distinção.
Algumas destas hipóteses de distinção já se encontram enume-
b) Brasileiros naturalizados radas no parágrafo seguinte.
Art. 12, CF. São brasileiros: [...]
II - naturalizados: Artigo 12, § 3º, CF. São privativos de brasileiro nato os cargos:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas resi- II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
dência por um ano ininterrupto e idoneidade moral; III - de Presidente do Senado Federal;

19
NOÇÕES DE DIREITO
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; país; na alínea “b” é reconhecida a mesma situação se a aquisição
V - da carreira diplomática; da nacionalidade do outro país for uma exigência para continuar lá
VI - de oficial das Forças Armadas; permanecendo ou exercendo seus direitos civis, pois se assim não
VII - de Ministro de Estado da Defesa. o fosse o brasileiro seria forçado a optar por uma nacionalidade e,
provavelmente, se ver privado da nacionalidade brasileira.
A lógica do dispositivo é a de que qualquer pessoa no exer-
cício da presidência da República ou de cargo que possa levar a 2.5) Deportação, expulsão e entrega
esta posição provisoriamente deve ser natural do país (ausente o A deportação representa a devolução compulsória de um es-
Presidente da República, seu vice-presidente desempenha o cargo; trangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no territó-
ausente este assume o Presidente da Câmara; também este ausen- rio nacional, estando prevista na Lei nº 6.815/1980, em seus artigos
te, em seguida, exerce o cargo o Presidente do Senado; e, por fim, 57 e 58. Neste caso, não houve prática de qualquer ato nocivo ao
o Presidente do Supremo pode assumir a presidência na ausência Brasil, havendo, pois, mera irregularidade de visto.
dos anteriores – e como o Presidente do Supremo é escolhido num A expulsão é a retirada “à força” do território brasileiro de um
critério de revezamento nenhum membro pode ser naturalizado); estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no artigo 65 e seu
ou a de que o cargo ocupado possui forte impacto em termos de parágrafo único, ambos da Lei nº 6.815/1980:
representação do país ou de segurança nacional.
Outras exceções são: não aceitação, em regra, de brasileiro Art. 65, Lei nº 6.815/1980. É passível de expulsão o estrangei-
naturalizado como membro do Conselho da República (artigos 89 ro que, de qualquer forma, atentar contra a segurança nacional, a
e 90, CF); impossibilidade de ser proprietário de empresa jornalís- ordem política ou social, a tranquilidade ou moralidade pública e a
tica, de radiodifusão sonora e imagens, salvo se já naturalizado há economia popular, ou cujo procedimento o torne nocivo à conve-
10 anos (artigo 222, CF); possibilidade de extradição do brasileiro niência e aos interesses nacionais.
naturalizado que tenha praticado crime comum antes da naturali- Parágrafo único. É passível, também, de expulsão o estrangeiro que:
zação ou, depois dela, crime de tráfico de drogas (artigo 5º, LI, CF). a) praticar fraude a fim de obter a sua entrada ou permanência
no Brasil;
2.3) Quase-nacionalidade: caso dos portugueses b) havendo entrado no território nacional com infração à lei,
Nos termos do artigo 12, § 1º, CF: dele não se retirar no prazo que lhe for determinado para fazê-lo,
Artigo 12, §1º, CF. Aos portugueses com residência permanen- não sendo aconselhável a deportação;
te no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão c) entregar-se à vadiagem ou à mendicância; ou
atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previs- d) desrespeitar proibição especialmente prevista em lei para
tos nesta Constituição. estrangeiro.

É uma regra que só vale se os brasileiros receberem o mes- A entrega (ou surrender) consiste na submissão de um nacio-
mo tratamento, questão regulamentada pelo Tratado de Amizade, nal a um tribunal internacional do qual o próprio país faz parte. É
Cooperação e Consulta entre a República Federativa do Brasil e a o que ocorreria, por exemplo, se o Brasil entregasse um brasileiro
República Portuguesa, assinado em 22 de abril de 2000 (Decreto para julgamento pelo Tribunal Penal Internacional (competência
nº 3.927/2001). reconhecida na própria Constituição no artigo 5º, §4º).
As vantagens conferidas são: igualdade de direitos civis, não
sendo considerado um estrangeiro; gozo de direitos políticos se re- 2.6) Extradição
sidir há 3 anos no país, autorizando-se o alistamento eleitoral. No A extradição é ato diverso da deportação, da expulsão e da en-
caso de exercício dos direitos políticos nestes moldes, os direitos trega. Extradição é um ato de cooperação internacional que con-
desta natureza ficam suspensos no outro país, ou seja, não exerce siste na entrega de uma pessoa, acusada ou condenada por um ou
simultaneamente direitos políticos nos dois países. mais crimes, ao país que a reclama. O Brasil, sob hipótese alguma,
extraditará brasileiros natos mas quanto aos naturalizados assim
2.4) Perda da nacionalidade permite caso tenham praticado crimes comuns (exceto crimes po-
Artigo 12, § 4º, CF. Será declarada a perda da nacionalidade do líticos e/ou de opinião) antes da naturalização, ou, mesmo depois
brasileiro que: da naturalização, em caso de envolvimento com o tráfico ilícito de
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em entorpecentes (artigo 5º, LI e LII, CF).
virtude de atividade nociva ao interesse nacional; Aplicam-se os seguintes princípios à extradição:
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: a) Princípio da Especialidade: Significa que o estrangeiro só
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei es- pode ser julgado pelo Estado requerente pelo crime objeto do pe-
trangeira; dido de extradição. O importante é que o extraditado só seja sub-
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao metido às penas relativas aos crimes que foram objeto do pedido
brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para de extradição.
permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis. b) Princípio da Dupla Punibilidade: O fato praticado deve ser puní-
vel no Estado requerente e no Brasil. Logo, além do fato ser típico em
A respeito do inciso I do §4º do artigo 12, a Lei nº 818, de 18 ambos os países, deve ser punível em ambos (se houve prescrição em
de setembro de 1949 regula a aquisição, a perda e a reaquisição da algum dos países, p. ex., não pode ocorrer a extradição).
nacionalidade, e a perda dos direitos políticos. No processo deve c) Princípio da Retroatividade dos Tratados: O fato de um tra-
ser respeitado o contraditório e a iniciativa de propositura é do Pro- tado de extradição entre dois países ter sido celebrado após a ocor-
curador da República. rência do crime não impede a extradição.
No que tange ao inciso II do parágrafo em estudo, percebe-se d) Princípio da Comutação da Pena (Direitos Humanos): Se o
a aceitação da figura do polipátrida. Na alínea “a” aceita-se que a crime for apenado por qualquer das penas vedadas pelo artigo 5º,
pessoa tenha nacionalidade brasileira e outra se ao seu nascimento XLVII da CF, a extradição não será autorizada, salvo se houver a co-
tiver adquirido simultaneamente a nacionalidade do Brasil e outro mutação da pena, transformação para uma pena aceita no Brasil.

20
NOÇÕES DE DIREITO
Por ser tema incidente, vale observar a disciplina da Lei nº § 1oO pedido deverá ser instruído com indicações precisas so-
6.815/1980 a respeito da extradição e de seu procedimento: bre o local, a data, a natureza e as circunstâncias do fato criminoso,
a identidade do extraditando e, ainda, cópia dos textos legais sobre
Art. 76. A extradição poderá ser concedida quando o governo o crime, a competência, a pena e sua prescrição.
requerente se fundamentar em tratado, ou quando prometer ao § 2oO encaminhamento do pedido pelo Ministério da Justiça
Brasil a reciprocidade. ou por via diplomática confere autenticidade aos documentos.
§ 3oOs documentos indicados neste artigo serão acompanha-
Art. 77. Não se concederá a extradição quando: dos de versão feita oficialmente para o idioma português.
I - se tratar de brasileiro, salvo se a aquisição dessa nacionalida-
de verificar-se após o fato que motivar o pedido; Art. 81.O pedido, após exame da presença dos pressupostos
II - o fato que motivar o pedido não for considerado crime no formais de admissibilidade exigidos nesta Lei ou em tratado, será
Brasil ou no Estado requerente; encaminhado pelo Ministério da Justiça ao Supremo Tribunal Fe-
III - o Brasil for competente, segundo suas leis, para julgar o deral.
crime imputado ao extraditando; Parágrafo único.Não preenchidos os pressupostos de que trata
IV - a lei brasileira impuser ao crime a pena de prisão igual ou o caput, o pedido será arquivado mediante decisão fundamentada
inferior a 1 (um) ano; do Ministro de Estado da Justiça, sem prejuízo de renovação do pe-
V - o extraditando estiver a responder a processo ou já houver dido, devidamente instruído, uma vez superado o óbice apontado.
sido condenado ou absolvido no Brasil pelo mesmo fato em que se Art. 82.O Estado interessado na extradição poderá, em caso de
fundar o pedido; urgência e antes da formalização do pedido de extradição, ou con-
VI - estiver extinta a punibilidade pela prescrição segundo a lei juntamente com este, requerer a prisão cautelar do extraditando
brasileira ou a do Estado requerente; por via diplomática ou, quando previsto em tratado, ao Ministério
VII - o fato constituir crime político; e da Justiça, que, após exame da presença dos pressupostos formais
VIII - o extraditando houver de responder, no Estado requeren- de admissibilidade exigidos nesta Lei ou em tratado, representará
te, perante Tribunal ou Juízo de exceção. ao Supremo Tribunal Federal.(Redação dada pela Lei nº 12.878, de
§ 1° A exceção do item VII não impedirá a extradição quando o fato 2013)
constituir, principalmente, infração da lei penal comum, ou quando o § 1oO pedido de prisão cautelar noticiará o crime cometido e
crime comum, conexo ao delito político, constituir o fato principal. deverá ser fundamentado, podendo ser apresentado por correio,
§ 2º Caberá, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal, a fax, mensagem eletrônica ou qualquer outro meio que assegure
apreciação do caráter da infração. a comunicação por escrito.(Redação dada pela Lei nº 12.878, de
§ 3° O Supremo Tribunal Federal poderá deixar de considerar 2013)
crimes políticos os atentados contra Chefes de Estado ou quaisquer § 2oO pedido de prisão cautelar poderá ser apresentado ao
autoridades, bem assim os atos de anarquismo, terrorismo, sabota- Ministério da Justiça por meio da Organização Internacional de Po-
gem, sequestro de pessoa, ou que importem propaganda de guerra lícia Criminal (Interpol), devidamente instruído com a documenta-
ou de processos violentos para subverter a ordem política ou social. ção comprobatória da existência de ordem de prisão proferida por
Estado estrangeiro.(Redação dada pela Lei nº 12.878, de 2013)
Art. 78. São condições para concessão da extradição: § 3oO Estado estrangeiro deverá, no prazo de 90 (noventa)
I - ter sido o crime cometido no território do Estado requerente dias contado da data em que tiver sido cientificado da prisão do ex-
ou serem aplicáveis ao extraditando as leis penais desse Estado; e traditando, formalizar o pedido de extradição. (Redação dada pela
II - existir sentença final de privação de liberdade, ou estar a Lei nº 12.878, de 2013)
prisão do extraditando autorizada por Juiz, Tribunal ou autoridade § 4oCaso o pedido não seja formalizado no prazo previsto no
competente do Estado requerente, salvo o disposto no artigo 82. § 3o, o extraditando deverá ser posto em liberdade, não se admi-
tindo novo pedido de prisão cautelar pelo mesmo fato sem que a
Art. 79. Quando mais de um Estado requerer a extradição da extradição haja sido devidamente requerida. (Redação dada pela
mesma pessoa, pelo mesmo fato, terá preferência o pedido daque- Lei nº 12.878, de 2013)
le em cujo território a infração foi cometida. Art. 83. Nenhuma extradição será concedida sem prévio pro-
§ 1º Tratando-se de crimes diversos, terão preferência, suces- nunciamento do Plenário do Supremo Tribunal Federal sobre sua
sivamente: legalidade e procedência, não cabendo recurso da decisão.
I - o Estado requerente em cujo território haja sido cometido o Art. 84. Efetivada a prisão do extraditando (artigo 81), o pedido
crime mais grave, segundo a lei brasileira; será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.
II - o que em primeiro lugar houver pedido a entrega do extra- Parágrafo único. A prisão perdurará até o julgamento final do
ditando, se a gravidade dos crimes for idêntica; e Supremo Tribunal Federal, não sendo admitidas a liberdade vigia-
III - o Estado de origem, ou, na sua falta, o domiciliar do extra- da, a prisão domiciliar, nem a prisão albergue.
ditando, se os pedidos forem simultâneos. Art. 85. Ao receber o pedido, o Relator designará dia e hora
§ 2º Nos casos não previstos decidirá sobre a preferência o Go- para o interrogatório do extraditando e, conforme o caso, dar-lhe-á
verno brasileiro. curador ou advogado, se não o tiver, correndo do interrogatório o
prazo de dez dias para a defesa.
§ 3º Havendo tratado ou convenção com algum dos Estados § 1º A defesa versará sobre a identidade da pessoa reclamada,
requerentes, prevalecerão suas normas no que disserem respeito à defeito de forma dos documentos apresentados ou ilegalidade da
preferência de que trata este artigo. extradição.
Art. 80.A extradição será requerida por via diplomática ou, § 2º Não estando o processo devidamente instruído, o Tri-
quando previsto em tratado, diretamente ao Ministério da Justiça, bunal, a requerimento do Procurador-Geral da República, poderá
devendo o pedido ser instruído com a cópia autêntica ou a certidão converter o julgamento em diligência para suprir a falta no prazo
da sentença condenatória ou decisão penal proferida por juiz ou improrrogável de 60 (sessenta) dias, decorridos os quais o pedido
autoridade competente. será julgado independentemente da diligência.

21
NOÇÕES DE DIREITO
§ 3º O prazo referido no parágrafo anterior correrá da data da Por esta intrínseca relação com a nacionalidade, a previsão é
notificação que o Ministério das Relações Exteriores fizer à Missão feito dentro do capítulo do texto constitucional que aborda o tema.
Diplomática do Estado requerente.
Art. 86. Concedida a extradição, será o fato comunicado atra- 3) Direitos políticos
vés do Ministério das Relações Exteriores à Missão Diplomática do Como mencionado, a nacionalidade é corolário dos direitos po-
Estado requerente que, no prazo de sessenta dias da comunicação, líticos, já que somente um nacional pode adquirir direitos políticos.
deverá retirar o extraditando do território nacional. No entanto, nem todo nacional é titular de direitos políticos. Os
Art. 87. Se o Estado requerente não retirar o extraditando do nacionais que são titulares de direitos políticos são denominados
território nacional no prazo do artigo anterior, será ele posto em cidadãos. Significa afirmar que nem todo nacional brasileiro é um
liberdade, sem prejuízo de responder a processo de expulsão, se o cidadão brasileiro, mas somente aquele que for titular do direito de
motivo da extradição o recomendar. sufrágio universal.
Art. 88. Negada a extradição, não se admitirá novo pedido ba-
seado no mesmo fato. 3.1) Sufrágio universal
Art. 89. Quando o extraditando estiver sendo processado, ou A primeira parte do artigo 14, CF, prevê que “a soberania popu-
tiver sido condenado, no Brasil, por crime punível com pena pri- lar será exercida pelo sufrágio universal [...]”.
vativa de liberdade, a extradição será executada somente depois Sufrágio universal é a soma de duas capacidades eleitorais, a
da conclusão do processo ou do cumprimento da pena, ressalvado, capacidade ativa – votar e exercer a democracia direta – e a capa-
entretanto, o disposto no artigo 67. cidade passiva – ser eleito como representante no modelo da de-
Parágrafo único. A entrega do extraditando ficará igualmente mocracia indireta. Ou ainda, sufrágio universal é o direito de todos
adiada se a efetivação da medida puser em risco a sua vida por cidadãos de votar e ser votado. O voto, que é o ato pelo qual se
causa de enfermidade grave comprovada por laudo médico oficial. exercita o sufrágio, deverá ser direto e secreto.
Art. 90. O Governo poderá entregar o extraditando ainda que Para ter capacidade passiva é necessário ter a ativa, mas não
responda a processo ou esteja condenado por contravenção. apenas isso, há requisitos adicionais. Sendo assim, nem toda pes-
Art. 91. Não será efetivada a entrega sem que o Estado reque- soa que tem capacidade ativa tem também capacidade passiva,
rente assuma o compromisso: embora toda pessoa que tenha capacidade passiva tenha necessa-
I - de não ser o extraditando preso nem processado por fatos riamente a ativa.
anteriores ao pedido;
II - de computar o tempo de prisão que, no Brasil, foi imposta 3.2) Democracia direta e indireta
por força da extradição; Art. 14, CF. A soberania popular será exercida pelo sufrágio
III - de comutar em pena privativa de liberdade a pena corporal universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos,
ou de morte, ressalvados, quanto à última, os casos em que a lei e, nos termos da lei, mediante:
brasileira permitir a sua aplicação; I - plebiscito;
IV - de não ser o extraditando entregue, sem consentimento do II - referendo;
Brasil, a outro Estado que o reclame; e III - iniciativa popular
V - de não considerar qualquer motivo político, para agravar
a pena. A democracia brasileira adota a modalidade semidireta, porque
Art. 92. A entrega do extraditando, de acordo com as leis brasi- possibilita a participação popular direta no poder por intermédio
leiras e respeitado o direito de terceiro, será feita com os objetos e de processos como o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular.
instrumentos do crime encontrados em seu poder. Como são hipóteses restritas, pode-se afirmar que a democracia in-
Parágrafo único. Os objetos e instrumentos referidos neste direta é predominantemente adotada no Brasil, por meio do sufrá-
artigo poderão ser entregues independentemente da entrega do gio universal e do voto direto e secreto com igual valor para todos.
extraditando. Quanto ao voto direto e secreto, trata-se do instrumento para o
Art. 93. O extraditando que, depois de entregue ao Estado re- exercício da capacidade ativa do sufrágio universal.
querente, escapar à ação da Justiça e homiziar-se no Brasil, ou por Por seu turno, o que diferencia o plebiscito do referendo é o
ele transitar, será detido mediante pedido feito diretamente por momento da consulta à população: no plebiscito, primeiro se con-
via diplomática, e de novo entregue sem outras formalidades. sulta a população e depois se toma a decisão política; no referendo,
Art. 94. Salvo motivo de ordem pública, poderá ser permitido, primeiro se toma a decisão política e depois se consulta a popula-
pelo Ministro da Justiça, o trânsito, no território nacional, de pes- ção. Embora os dois partam do Congresso Nacional, o plebiscito é
soas extraditadas por Estados estrangeiros, bem assim o da respec- convocado, ao passo que o referendo é autorizado (art. 49, XV, CF),
tiva guarda, mediante apresentação de documentos comprobató- ambos por meio de decreto legislativo. O que os assemelha é que
rios de concessão da medida. os dois são “formas de consulta ao povo para que delibere sobre
matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, legis-
2.7) Idioma e símbolos lativa ou administrativa” .
Art. 13, CF. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Na iniciativa popular confere-se à população o poder de apre-
Federativa do Brasil. sentar projeto de lei à Câmara dos Deputados, mediante assinatura
§ 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, de 1% do eleitorado nacional, distribuído por 5 Estados no mínimo,
o hino, as armas e o selo nacionais. com não menos de 0,3% dos eleitores de cada um deles. Em com-
§ 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter plemento, prevê o artigo 61, §2°, CF:
símbolos próprios. Art. 61, § 2º, CF. A iniciativa popular pode ser exercida pela
Idioma é a língua falada pela população, que confere caráter apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito
diferenciado em relação à população do resto do mundo. Sendo por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído
assim, é manifestação social e cultural de uma nação. pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por
Os símbolos, por sua vez, representam a imagem da nação e cento dos eleitores de cada um deles.
permitem o seu reconhecimento nacional e internacionalmente.

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NOÇÕES DE DIREITO
3.3) Obrigatoriedade do alistamento eleitoral e do voto 3.5) Inelegibilidade
O alistamento eleitoral e o voto para os maiores de dezoito Atender às condições de elegibilidade é necessário para poder
anos são, em regra, obrigatórios. Há facultatividade para os anal- ser eleito, mas não basta. Além disso, é preciso não se enquadrar
fabetos, os maiores de setenta anos e os maiores de dezesseis e em nenhuma das hipóteses de inelegibilidade.
menores de dezoito anos. A inelegibilidade pode ser absoluta ou relativa. Na absoluta,
Artigo 14, § 1º, CF. O alistamento eleitoral e o voto são: são atingidos todos os cargos; nas relativas, são atingidos determi-
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos; nados cargos.
II - facultativos para: Artigo 14, § 4º, CF. São inelegíveis os inalistáveis e os analfa-
a) os analfabetos; betos.
b) os maiores de setenta anos; O artigo 14, §4º, CF traz duas hipóteses de inelegibilidade, que
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. são absolutas, atingem todos os cargos. Para ser elegível é preciso
ser alfabetizado (os analfabetos têm a faculdade de votar, mas não
No mais, esta obrigatoriedade se aplica aos nacionais brasilei- podem ser votados) e é preciso possuir a capacidade eleitoral ativa
ros, já que, nos termos do artigo 14, §2º, CF: – poder votar (inalistáveis são aqueles que não podem tirar o título
Artigo 14, §2º, CF. Não podem alistar-se como eleitores os es- de eleitor, portanto, não podem votar, notadamente: os estrangei-
trangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os ros e os conscritos durante o serviço militar obrigatório).
conscritos. Artigo 14, §5º, CF. O Presidente da República, os Governadores
Quanto aos conscritos, são aqueles que estão prestando servi- de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver suce-
ço militar obrigatório, pois são necessárias tropas disponíveis para dido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos
os dias da eleição. para um único período subsequente.
Descreve-se no dispositivo uma hipótese de inelegibilidade re-
3.4) Elegibilidade lativa. Se um Chefe do Poder Executivo de qualquer das esferas for
O artigo 14, §§ 3º e 4º, CF, descrevem as condições de elegibi- substituído por seu vice no curso do mandato, este vice somente
lidade, ou seja, os requisitos que devem ser preenchidos para que poderá ser eleito para um período subsequente.
uma pessoa seja eleita, no exercício de sua capacidade passiva do Ex.: Governador renuncia ao mandato no início do seu último
sufrágio universal. ano de governo para concorrer ao Senado Federal e é substituído
Artigo 14, § 3º, CF. São condições de elegibilidade, na forma pelo seu vice-governador. Se este se candidatar e for eleito, não
da lei: poderá ao final deste mandato se reeleger. Isto é, se o mandato o
I - a nacionalidade brasileira; candidato renuncia no início de 2010 o seu mandato de 2007-2010,
II - o pleno exercício dos direitos políticos; assumindo o vice em 2010, poderá este se candidatar para o man-
III - o alistamento eleitoral; dato 2011-2014, mas caso seja eleito não poderá se reeleger para
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; o mandato 2015-2018 no mesmo cargo. Foi o que aconteceu com
V - a filiação partidária; o ex-governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, que assumiu
VI - a idade mínima de: em 2010 no lugar de Aécio Neves o governo do Estado de Minas
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da Re- Gerais e foi eleito governador entre 2011 e 2014, mas não pode se
pública e Senador; candidatar à reeleição, concorrendo por isso a uma vaga no Senado
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e Federal.
do Distrito Federal; Artigo 14, §6º, CF. Para concorrerem a outros cargos, o Presi-
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual dente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Fede-
ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; ral e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até
d) dezoito anos para Vereador. seis meses antes do pleito.
São inelegíveis absolutamente, para quaisquer cargos, os che-
Artigo 14, § 4º, CF. São inelegíveis os inalistáveis e os analfa- fes do Executivo que não renunciarem aos seus mandatos até seis
betos. meses antes do pleito eleitoral, antes das eleições. Ex.: Se a eleição
Dos incisos I a III denotam-se requisitos correlatos à naciona- aconteceu em 05/10/2014, necessário que tivesse renunciado até
lidade e à titularidade de direitos políticos. Logo, para ser eleito é 04/04/2014.
preciso ser cidadão. Artigo 14, §7º, CF. São inelegíveis, no território de jurisdição do
O domicílio eleitoral é o local onde a pessoa se alista como titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o se-
eleitor e, em regra, é no município onde reside, mas pode não o gundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Gover-
ser caso analisados aspectos como o vínculo de afeto com o local nador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de
(ex.: Presidente Dilma vota em Porto Alegre – RS, embora resida quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao plei-
em Brasília – DF). Sendo assim, para se candidatar a cargo no mu- to, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
nicípio, deve ter domicílio eleitoral nele; para se candidatar a cargo São inelegíveis absolutamente, para quaisquer cargos, cônjuge
no estado, deve ter domicílio eleitoral em um de seus municípios; e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por
para se candidatar a cargo nacional, deve ter domicílio eleitoral em adoção, dos Chefes do Executivo ou de quem os tenha substituído
uma das unidades federadas do país. Aceita-se a transferência do ao final do mandato, a não ser que seja já titular de mandato eletivo
domicílio eleitoral ao menos 1 ano antes das eleições. e candidato à reeleição.
A filiação partidária implica no lançamento da candidatura por Artigo 14, §8º, CF. O militar alistável é elegível, atendidas as
um partido político, não se aceitando a filiação avulsa. seguintes condições:
Finalmente, o §3º do artigo 14, CF, coloca o requisito etário, I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se
com faixa etária mínima para o desempenho de cada uma das fun- da atividade;
ções, a qual deve ser auferida na data da posse. II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela
autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato
da diplomação, para a inatividade.

23
NOÇÕES DE DIREITO
São inelegíveis absolutamente, para quaisquer cargos, os mili- 8. de redução à condição análoga à de escravo; (Incluído pela
tares que não podem se alistar ou os que podem, mas não preen- Lei Complementar nº 135, de 2010)
chem as condições do §8º do artigo 14, CF, ou seja, se não se afastar 9. contra a vida e a dignidade sexual; e (Incluído pela Lei Com-
da atividade caso trabalhe há menos de 10 anos, se não for agre- plementar nº 135, de 2010)
gado pela autoridade superior (suspenso do exercício das funções 10. praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando;
por sua autoridade sem prejuízo de remuneração) caso trabalhe há (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010)
mais de 10 anos (sendo que a eleição passa à condição de inativo). f) os que forem declarados indignos do oficialato, ou com ele
Artigo 14, §9º, CF. Lei complementar estabelecerá outros casos incompatíveis, pelo prazo de 8 (oito) anos; (Redação dada pela Lei
de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a Complementar nº 135, de 2010)
probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos
considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legiti- ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que
midade das eleições contra a influência do poder econômico ou o configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão
abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido sus-
direta ou indireta. pensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se
O rol constitucional de inelegibilidades dos parágrafos do ar- realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da
tigo 14 não é taxativo, pois lei complementar pode estabelecer decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71 da Constitui-
outros casos, tanto de inelegibilidades absolutas como de inelegi- ção Federal, a todos os ordenadores de despesa, sem exclusão de
bilidades relativas. Neste sentido, a Lei Complementar nº 64, de mandatários que houverem agido nessa condição; (Redação dada
18 de maio de 1990, estabelece casos de inelegibilidade, prazos de pela Lei Complementar nº 135, de 2010)
cessação, e determina outras providências. Esta lei foi alterada por h) os detentores de cargo na administração pública direta, in-
aquela que ficou conhecida como Lei da Ficha Limpa, Lei Comple- direta ou fundacional, que beneficiarem a si ou a terceiros, pelo
mentar nº 135, de 04 de junho de 2010, principalmente em seu abuso do poder econômico ou político, que forem condenados em
artigo 1º, que segue. decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial cole-
Art. 1º, Lei Complementar nº 64/1990. São inelegíveis: giado, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diploma-
I - para qualquer cargo: dos, bem como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguin-
a) os inalistáveis e os analfabetos; tes; (Redação dada pela Lei Complementar nº 135, de 2010)
b) os membros do Congresso Nacional, das Assembleias Legis- i) os que, em estabelecimentos de crédito, financiamento ou
lativas, da Câmara Legislativa e das Câmaras Municipais, que ha- seguro, que tenham sido ou estejam sendo objeto de processo de
jam perdido os respectivos mandatos por infringência do disposto liquidação judicial ou extrajudicial, hajam exercido, nos 12 (doze)
nos incisos I e II do art. 55 da Constituição Federal, dos dispositivos meses anteriores à respectiva decretação, cargo ou função de dire-
equivalentes sobre perda de mandato das Constituições Estaduais ção, administração ou representação, enquanto não forem exone-
e Leis Orgânicas dos Municípios e do Distrito Federal, para as elei- rados de qualquer responsabilidade;
ções que se realizarem durante o período remanescente do man- j) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado
dato para o qual foram eleitos e nos oito anos subsequentes ao ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, por corrupção
término da legislatura; eleitoral, por captação ilícita de sufrágio, por doação, captação ou
d) os que tenham contra sua pessoa representação julgada pro- gastos ilícitos de recursos de campanha ou por conduta vedada aos
cedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem cassação
proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso do registro ou do diploma, pelo prazo de 8 (oito) anos a contar da
eleição; (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010)
do poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem
k) o Presidente da República, o Governador de Estado e do Dis-
ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem
trito Federal, o Prefeito, os membros do Congresso Nacional, das
nos 8 (oito) anos seguintes; (Redação dada pela Lei Complementar
Assembleias Legislativas, da Câmara Legislativa, das Câmaras Mu-
nº 135, de 2010)
nicipais, que renunciarem a seus mandatos desde o oferecimen-
e) os que forem condenados, em decisão transitada em julga-
to de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de
do ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação
processo por infringência a dispositivo da Constituição Federal, da
até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da
Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei
pena, pelos crimes: (Redação dada pela Lei Complementar nº 135, Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante
de 2010) o período remanescente do mandato para o qual foram eleitos e
1. contra a economia popular, a fé pública, a administração pú- nos 8 (oito) anos subsequentes ao término da legislatura; (Incluído
blica e o patrimônio público; (Incluído pela Lei Complementar nº pela Lei Complementar nº 135, de 2010)
135, de 2010) l) os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos,
2. contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o merca- em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial
do de capitais e os previstos na lei que regula a falência; (Incluído colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa que im-
pela Lei Complementar nº 135, de 2010) porte lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde
3. contra o meio ambiente e a saúde pública; (Incluído pela Lei a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo
Complementar nº 135, de 2010) de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena; (Incluído pela Lei
4. eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liber- Complementar nº 135, de 2010)
dade; (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010) m) os que forem excluídos do exercício da profissão, por deci-
5. de abuso de autoridade, nos casos em que houver condena- são sancionatória do órgão profissional competente, em decorrên-
ção à perda do cargo ou à inabilitação para o exercício de função cia de infração ético-profissional, pelo prazo de 8 (oito) anos, salvo
pública; (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010) se o ato houver sido anulado ou suspenso pelo Poder Judiciário;
6. de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; (Incluí- (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010)
do pela Lei Complementar nº 135, de 2010) n) os que forem condenados, em decisão transitada em julga-
7. de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, do ou proferida por órgão judicial colegiado, em razão de terem
terrorismo e hediondos; desfeito ou simulado desfazer vínculo conjugal ou de união estável

24
NOÇÕES DE DIREITO
para evitar caracterização de inelegibilidade, pelo prazo de 8 (oito) f) os que, detendo o controle de empresas ou grupo de empre-
anos após a decisão que reconhecer a fraude; (Incluído pela Lei sas que atuem no Brasil, nas condições monopolísticas previstas no
Complementar nº 135, de 2010) parágrafo único do art. 5° da lei citada na alínea anterior, não apre-
o) os que forem demitidos do serviço público em decorrência sentarem à Justiça Eleitoral, até 6 (seis) meses antes do pleito, a
de processo administrativo ou judicial, pelo prazo de 8 (oito) anos, prova de que fizeram cessar o abuso apurado, do poder econômico,
contado da decisão, salvo se o ato houver sido suspenso ou anula- ou de que transferiram, por força regular, o controle de referidas
do pelo Poder Judiciário; (Incluído pela Lei Complementar nº 135, empresas ou grupo de empresas;
de 2010) g) os que tenham, dentro dos 4 (quatro) meses anteriores ao
p) a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsá- pleito, ocupado cargo ou função de direção, administração ou re-
veis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada presentação em entidades representativas de classe, mantidas, to-
em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, tal ou parcialmente, por contribuições impostas pelo poder Público
pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o pro- ou com recursos arrecadados e repassados pela Previdência Social;
cedimento previsto no art. 22; (Incluído pela Lei Complementar nº h) os que, até 6 (seis) meses depois de afastados das funções,
135, de 2010) tenham exercido cargo de Presidente, Diretor ou Superintendente
q) os magistrados e os membros do Ministério Público que de sociedades com objetivos exclusivos de operações financeiras e
forem aposentados compulsoriamente por decisão sancionatória, façam publicamente apelo à poupança e ao crédito, inclusive atra-
que tenham perdido o cargo por sentença ou que tenham pedido vés de cooperativas e da empresa ou estabelecimentos que gozem,
exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de proces- sob qualquer forma, de vantagens asseguradas pelo poder público,
so administrativo disciplinar, pelo prazo de 8 (oito) anos; (Incluído salvo se decorrentes de contratos que obedeçam a cláusulas uni-
pela Lei Complementar nº 135, de 2010) formes;
II - para Presidente e Vice-Presidente da República: i) os que, dentro de 6 (seis) meses anteriores ao pleito, hajam
a) até 6 (seis) meses depois de afastados definitivamente de exercido cargo ou função de direção, administração ou representa-
seus cargos e funções: ção em pessoa jurídica ou em empresa que mantenha contrato de
1. os Ministros de Estado: execução de obras, de prestação de serviços ou de fornecimento
2. os chefes dos órgãos de assessoramento direto, civil e mili- de bens com órgão do Poder Público ou sob seu controle, salvo no
tar, da Presidência da República; caso de contrato que obedeça a cláusulas uniformes;
3. o chefe do órgão de assessoramento de informações da Pre- j) os que, membros do Ministério Público, não se tenham afas-
sidência da República; tado das suas funções até 6 (seis) meses anteriores ao pleito;
4. o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas; I) os que, servidores públicos, estatutários ou não, dos órgãos
5. o Advogado-Geral da União e o Consultor-Geral da Repúbli- ou entidades da Administração direta ou indireta da União, dos Es-
ca; tados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos Territórios, inclu-
6. os chefes do Estado-Maior da Marinha, do Exército e da Ae- sive das fundações mantidas pelo Poder Público, não se afastarem
ronáutica; até 3 (três) meses anteriores ao pleito, garantido o direito à percep-
7. os Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica; ção dos seus vencimentos integrais;
8. os Magistrados; III - para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito
9. os Presidentes, Diretores e Superintendentes de autarquias, Federal;
empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações pú- a) os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Presidente
blicas e as mantidas pelo poder público; da República especificados na alínea a do inciso II deste artigo e, no
10. os Governadores de Estado, do Distrito Federal e de Terri- tocante às demais alíneas, quando se tratar de repartição pública,
tórios; associação ou empresas que operem no território do Estado ou do
11. os Interventores Federais; Distrito Federal, observados os mesmos prazos;
12. os Secretários de Estado; b) até 6 (seis) meses depois de afastados definitivamente de
13. os Prefeitos Municipais; seus cargos ou funções:
14. os membros do Tribunal de Contas da União, dos Estados e 1. os chefes dos Gabinetes Civil e Militar do Governador do Es-
do Distrito Federal; tado ou do Distrito Federal;
15. o Diretor-Geral do Departamento de Polícia Federal; 2. os comandantes do Distrito Naval, Região Militar e Zona Aé-
16. os Secretários-Gerais, os Secretários-Executivos, os Secre- rea;
tários Nacionais, os Secretários Federais dos Ministérios e as pes- 3. os diretores de órgãos estaduais ou sociedades de assistên-
soas que ocupem cargos equivalentes; cia aos Municípios;
b) os que tenham exercido, nos 6 (seis) meses anteriores à elei- 4. os secretários da administração municipal ou membros de
ção, nos Estados, no Distrito Federal, Territórios e em qualquer dos órgãos congêneres;
poderes da União, cargo ou função, de nomeação pelo Presidente IV - para Prefeito e Vice-Prefeito:
da República, sujeito à aprovação prévia do Senado Federal; a) no que lhes for aplicável, por identidade de situações, os
c) (Vetado); inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da Re-
d) os que, até 6 (seis) meses antes da eleição, tiverem compe- pública, Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito
tência ou interesse, direta, indireta ou eventual, no lançamento, Federal, observado o prazo de 4 (quatro) meses para a desincom-
arrecadação ou fiscalização de impostos, taxas e contribuições de patibilização;
caráter obrigatório, inclusive parafiscais, ou para aplicar multas re- b) os membros do Ministério Público e Defensoria Pública em
lacionadas com essas atividades; exercício na Comarca, nos 4 (quatro) meses anteriores ao pleito,
e) os que, até 6 (seis) meses antes da eleição, tenham exercido sem prejuízo dos vencimentos integrais;
cargo ou função de direção, administração ou representação nas c) as autoridades policiais, civis ou militares, com exercício no
empresas de que tratam os arts. 3° e 5° da Lei n° 4.137, de 10 de Município, nos 4 (quatro) meses anteriores ao pleito;
setembro de 1962, quando, pelo âmbito e natureza de suas ativida- V - para o Senado Federal:
des, possam tais empresas influir na economia nacional;

25
NOÇÕES DE DIREITO
a) os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Presidente V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.
da República especificados na alínea a do inciso II deste artigo e, no O inciso I refere-se ao cancelamento da naturalização, o que
tocante às demais alíneas, quando se tratar de repartição pública, faz com que a pessoa deixe de ser nacional e, portanto, deixe de ser
associação ou empresa que opere no território do Estado, observa- titular de direitos políticos.
dos os mesmos prazos; O inciso II trata da incapacidade civil absoluta, ou seja, da inter-
b) em cada Estado e no Distrito Federal, os inelegíveis para os dição da pessoa para a prática de atos da vida civil, entre os quais
cargos de Governador e Vice-Governador, nas mesmas condições obviamente se enquadra o sufrágio universal.
estabelecidas, observados os mesmos prazos; O inciso III refere-se a um dos possíveis efeitos da condenação
VI - para a Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa e Câ- criminal, que é a suspensão de direitos políticos.
mara Legislativa, no que lhes for aplicável, por identidade de situa- O inciso IV trata da recusa em cumprir a obrigação militar ou
ções, os inelegíveis para o Senado Federal, nas mesmas condições a prestação substitutiva imposta em caso de escusa moral ou reli-
estabelecidas, observados os mesmos prazos; giosa.
VII - para a Câmara Municipal: O inciso V se refere à ação de improbidade administrativa, que
a) no que lhes for aplicável, por identidade de situações, os tramita para apurar a prática dos atos de improbidade administra-
inelegíveis para o Senado Federal e para a Câmara dos Deputados, tiva, na qual uma das penas aplicáveis é a suspensão dos direitos
observado o prazo de 6 (seis) meses para a desincompatibilização; políticos.
b) em cada Município, os inelegíveis para os cargos de Prefeito Os direitos políticos somente são perdidos em dois casos, quais
e Vice-Prefeito, observado o prazo de 6 (seis) meses para a desin- sejam cancelamento de naturalização por sentença transitada em
compatibilização . julgado (o indivíduo naturalizado volta à condição de estrangeiro) e
§ 1° Para concorrência a outros cargos, o Presidente da Repú- perda da nacionalidade brasileira em virtude da aquisição de outra
blica, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefei- (brasileiro se naturaliza em outro país e assim deixa de ser con-
tos devem renunciar aos respectivos mandatos até 6 (seis) meses siderado um cidadão brasileiro, perdendo direitos políticos). Nos
antes do pleito. demais casos, há suspensão. Nota-se que não há perda de direitos
§ 2° O Vice-Presidente, o Vice-Governador e o Vice-Prefeito políticos pela prática de atos atentatórios contra a Administração
poderão candidatar-se a outros cargos, preservando os seus man- Pública por parte do servidor, mas apenas suspensão.
datos respectivos, desde que, nos últimos 6 (seis) meses anteriores A cassação de direitos políticos, consistente na retirada dos
ao pleito, não tenham sucedido ou substituído o titular. direitos políticos por ato unilateral do poder público, sem obser-
§ 3° São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o côn- vância dos princípios elencados no artigo 5º, LV, CF (ampla defesa
juge e os parentes, consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou e contraditório), é um procedimento que só existe nos governos
por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ditatoriais e que é absolutamente vedado pelo texto constitucional.
ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja
substituído dentro dos 6 (seis) meses anteriores ao pleito, salvo se 3.8) Anterioridade anual da lei eleitoral
já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. Art. 16, CF. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vi-
§ 4º A inelegibilidade prevista na alínea e do inciso I deste ar- gor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocor-
tigo não se aplica aos crimes culposos e àqueles definidos em lei ra até um ano da data de sua vigência.
como de menor potencial ofensivo, nem aos crimes de ação penal É necessário que a lei eleitoral entre em vigor pelo menos 1
privada. (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010) ano antes da próxima eleição, sob pena de não se aplicar a ela, mas
§ 5º A renúncia para atender à desincompatibilização com vis- somente ao próximo pleito.
tas a candidatura a cargo eletivo ou para assunção de mandato não O pluripartidarismo é uma das facetas do pluralismo político
gerará a inelegibilidade prevista na alínea k, a menos que a Justiça e encontra respaldo enquanto direito fundamental, já que regu-
Eleitoral reconheça fraude ao disposto nesta Lei Complementar. lamentado no Título II, “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”,
(Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010). capítulo V, “Dos Partidos Políticos”.
O caput do artigo 17 da Constituição prevê:
3.6) Impugnação de mandato Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de
Encerrando a disciplina, o artigo 14, CF, aborda a impugnação partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime de-
de mandato. mocrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa
Artigo 14, § 10, CF. O mandato eletivo poderá ser impugnado humana [...].
ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplo- Consolida-se, assim a liberdade partidária, não estabelecen-
mação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, do a Constituição um limite de números de partidos políticos que
corrupção ou fraude. possam ser constituídos, permitindo também que sejam extintos,
Artigo 14, § 11, CF. A ação de impugnação de mandato tramita- fundidos e incorporados.
rá em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se Os incisos do artigo 17 da Constituição indicam os preceitos
temerária ou de manifesta má-fé. a serem observados na liberdade partidária: caráter nacional, ou
seja, terem por objetivo o desempenho de atividade política no
3.7) Perda e suspensão de direitos políticos âmbito interno do país; proibição de recebimento de recursos fi-
Art. 15, CF. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda nanceiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação
ou suspensão só se dará nos casos de: a estes, logo, o Poder Público não pode financiar campanhas elei-
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em torais; prestação de contas à Justiça Eleitoral, notadamente para
julgado; resguardar a mencionada vedação; e funcionamento parlamentar
II - incapacidade civil absoluta; de acordo com a lei. Ainda, a lei veda a utilização de organização
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto du- paramilitar por parte dos partidos políticos (artigo 17, §4º, CF).
rarem seus efeitos; O respeito a estes ditames permite o exercício do partidarismo
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação de forma autônoma em termos estruturais e organizacionais, con-
alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; forme o §1º do artigo 17, CF:

26
NOÇÕES DE DIREITO
Art. 17, §1º, CF. § 1º É assegurada aos partidos políticos auto- Art. 18, caput, CF. A organização político-administrativa da
nomia para definir sua estrutura interna e estabelecer regras sobre República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados,
escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e provi- o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos
sórios e sobre sua organização e funcionamento e para adotar os desta Constituição.
critérios de escolha e o regime de suas coligações nas eleições ma- Ainda assim, inegável, pela redação do caput do artigo 18,
joritárias, vedada a sua celebração nas eleições proporcionais, sem CF, que o Brasil adota um modelo de Estado Federado no qual são
obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito considerados entes federados e, como tais, autônomos, a União,
nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Esta autonomia se
estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária. reflete tanto numa capacidade de auto-organização (normatização
Os estatutos que tecem esta regulamentação devem ser regis- própria) quanto numa capacidade de autogoverno (administrar-se
trados no Tribunal Superior Eleitoral (artigo 17, §2º, CF). pelos membros eleitos pelo eleitorado da unidade federada).
Quanto ao financiamento das campanhas e o acesso à mídia,
preveem os §§3º e 5º do artigo 17 da CF: Artigo 18, §1º, CF. Brasília é a Capital Federal.
Art. 17, §3º, CF. Somente terão direito a recursos do fundo par- Brasília é a capital da República Federativa do Brasil, sendo um
tidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os dos municípios que compõem o Distrito Federal. O Distrito Federal
partidos políticos que alternativamente: tem peculiaridades estruturais, não sendo nem um Município, nem
I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no um Estado, tanto é que o caput deste artigo 18 o nomeia em sepa-
mínimo, 3% (três por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo rado. Trata-se, assim, de unidade federativa autônoma.
menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de Artigo 18, §2º, CF. Os Territórios Federais integram a União, e
2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de
II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais dis- origem serão reguladas em lei complementar.
tribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. Apesar dos Territórios Federais integrarem a União, eles não
Art. 17, §5º, CF. Ao eleito por partido que não preencher os podem ser considerados entes da federação, logo não fazem parte
requisitos previstos no § 3º deste artigo é assegurado o mandato da organização político-administrativa, não dispõem de autonomia
e facultada a filiação, sem perda do mandato, a outro partido que política e não integram o Estado Federal. São meras descentraliza-
os tenha atingido, não sendo essa filiação considerada para fins de ções administrativo-territoriais pertencentes à União. A Constitui-
distribuição dos recursos do fundo partidário e de acesso gratuito ção Federal de 1988 aboliu todos os territórios então existentes:
ao tempo de rádio e de televisão. Fernando de Noronha tornou-se um distrito estadual do Estado de
Pernambuco, Amapá e Roraima ganham o status integral de Esta-
TÍTULO III dos da Federação.
DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO Artigo 18, §3º, CF. Os Estados podem incorporar-se entre si,
subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou for-
Da organização político-administrativa marem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação
O artigo 18 da Constituição Federal tem caráter genérico e re- da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do
gulamenta a organização político-administrativa do Estado. Basica- Congresso Nacional, por lei complementar.
mente, define os entes federados que irão compor o Estado brasi- Artigo 18, §4º, CF. A criação, a incorporação, a fusão e o des-
leiro. membramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do
Neste dispositivo se percebe o Pacto Federativo firmado entre período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão
os entes autônomos que compõem o Estado brasileiro. Na federa- de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municí-
ção, todos os entes que compõem o Estado têm autonomia, caben- pios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Munici-
do à União apenas concentrar esforços necessários para a manu- pal, apresentados e publicados na forma da lei.
tenção do Estado uno.
O pacto federativo brasileiro se afirmou ao inverso do que os Como se percebe pelos dispositivos retro, é possível criar, in-
Estados federados geralmente se formam. Trata-se de federalismo corporar e desmembrar os Estados-membros e os Municípios. No
por desagregação – tinha-se um Estado uno, com a União centrali- caso dos Estados, exige-se plebiscito e lei federal. No caso dos mu-
zada em suas competências, e dividiu-se em unidades federadas. nicípios, exige-se plebiscito e lei estadual.
Difere-se do denominado federalismo por agregação, no qual uni- Ressalta-se que é aceita a subdivisão e o desmembramento no
dades federativas autônomas se unem e formam um Poder federal âmbito interno, mas não se permite que uma parte do país se sepa-
no qual se concentrarão certas atividades, tornando o Estado mais re do todo, o que atentaria contra o pacto federativo.
forte (ex.: Estados Unidos da América). Art. 19, CF. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal
No federalismo por agregação, por já vir tradicionalmente das e aos Municípios:
bases do Estado a questão da autonomia das unidades federadas, I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los,
percebe-se um federalismo real na prática. Já no federalismo por embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus repre-
desagregação nota-se uma persistente tendência centralizadora. sentantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma
Prova de que nem mesmo o constituinte brasileiro entendeu o da lei, a colaboração de interesse público;
federalismo que estava criando é o fato de ter colocado o município II - recusar fé aos documentos públicos;
como entidade federativa autônoma. No modelo tradicional, o pac- III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
to federativo se dá apenas entre União e estados-membros, motivo Embora o artigo 19 traga algumas vedações expressas aos en-
pelo qual a doutrina afirma que o federalismo brasileiro é atípico. tes federados, fato é que todo o sistema constitucional traz impe-
Além disso, pelo que se desprende do modelo de divisão de dimento à atuação das unidades federativas e de seus administra-
competências a ser estudado neste capítulo, acabou-se esvaziando dores. Afinal, não possuem liberdade para agirem como quiserem
a competência dos estados-membros, mantendo uma concentra- e somente podem fazer o que a lei permite (princípio da legalidade
ção de poderes na União e distribuindo vasta gama de poderes aos aplicado à Administração Pública).
municípios.

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NOÇÕES DE DIREITO
Repartição de competências e bens § 1º É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito
O título III da Constituição Federal regulamenta a organização Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração di-
do Estado, definindo competências administrativas e legislativas, reta da União, participação no resultado da exploração de petróleo
bem como traçando a estrutura organizacional por ele tomada. ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia
Bens Públicos são todos aqueles que integram o patrimônio da elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plata-
Administração Pública direta e indireta, sendo que todos os demais forma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou
bens são considerados particulares. Destaca-se a disciplina do Có- compensação financeira por essa exploração.
digo Civil: § 2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de largura,
Artigo 98, CC. São públicos os bens de domínio nacional per- ao longo das fronteiras terrestres, designada como faixa de fron-
tencentes as pessoas jurídicas de direito público interno; todos os teira, é considerada fundamental para defesa do território nacio-
outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. nal, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei.
Artigo 99, CC. São bens públicos: Artigo 26, CF. Incluem-se entre os bens dos Estados:
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e
ruas e praças; em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorren-
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destina- tes de obras da União;
dos a serviço ou estabelecimento da administração federal, esta- II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no
dual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas ou terceiros;
jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
de cada uma dessas entidades. IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram- 1) Competência organizacional-administrativa exclusiva da
-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito União A Constituição Federal, quando aborda a competência da
público a que se tenha dado estrutura de direito privado. União, traz no artigo 21 a expressão “compete à União” e no artigo
Artigo 100, CC. Os bens públicos de uso comum do povo e os de 22 a expressão “compete privativamente à União”. Neste sentido,
uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualifi- questiona-se se a competência no artigo 21 seria privativa. Obvia-
cação, na forma que a lei determinar. mente, não seria compartilhada, pois os casos que o são estão enu-
Artigo 101, CC. Os bens públicos dominicais podem ser aliena- merados no texto constitucional.
dos, observadas as exigências da lei. Com efeito, entende-se que o artigo 21, CF, enumera compe-
Artigo 102, CC. Os bens públicos não estão sujeitos a usuca- tências exclusivas da União. Estas expressões que a princípio seriam
pião. sinônimas assumem significado diverso. Exclusiva é a competência
Artigo 103, CC. O uso comum dos bens públicos pode ser gra- da União que não pode ser delegada a outras unidades federadas
tuito ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela enti- (somente pode ser exercida pela União); privativa é a competên-
dade a cuja administração pertencerem. cia da União que pode ser delegada (por exemplo, para os Estados,
quando estes poderão elaborar lei específica sobre matérias que
Os bens da União estão enumerados no artigo 20 e os bens dos seriam de competência única da União).
Estados-membros no artigo 26, ambos da Constituição, que seguem O artigo 21, que traz as competências exclusivas da União, tra-
abaixo. Na divisão de bens estabelecida pela Constituição Federal balha com questões organizacional-administrativas.
denota-se o caráter residual dos bens dos Estados-membros por- Artigo 21, CF. Compete à União:
que exige-se que estes não pertençam à União ou aos Municípios. I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de
organizações internacionais;
Artigo 20, CF. São bens da União: II - declarar a guerra e celebrar a paz;
I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser III - assegurar a defesa nacional;
atribuídos; IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que for-
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, ças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele perma-
das fortificações e construções militares, das vias federais de comu- neçam temporariamente;
nicação e à preservação ambiental, definidas em lei; V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a interven-
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de ção federal;
seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material
com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele bélico;
provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; VII - emitir moeda;
IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com ou- VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as
tros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, operações de natureza financeira, especialmente as de crédito,
excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto câmbio e capitalização, bem como as de seguros e de previdência
aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental privada;
federal, e as referidas no art. 26, II; IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de orde-
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona nação do território e de desenvolvimento econômico e social;
econômica exclusiva; X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
VI - o mar territorial; XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos termos da lei,
VIII - os potenciais de energia hidráulica; que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um ór-
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; gão regulador e outros aspectos institucionais;
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão
e pré-históricos; ou permissão:
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens;

28
NOÇÕES DE DIREITO
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveita- § 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros,
mento energético dos cursos de água, em articulação com os Esta- na forma da lei:
dos onde se situam os potenciais hidroenergéticos; I - igualdade de tarifas, fretes, seguros e outros itens de custos
c) a navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura aeropor- e preços de responsabilidade do Poder Público;
tuária; II - juros favorecidos para financiamento de atividades priori-
d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre por- tárias;
tos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que transponham os limites III - isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos
de Estado ou Território; federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas;
e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e interna- IV - prioridade para o aproveitamento econômico e social dos
cional de passageiros; rios e das massas de água represadas ou represáveis nas regiões de
f) os portos marítimos, fluviais e lacustres; baixa renda, sujeitas a secas periódicas.
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Públi- § 3º Nas áreas a que se refere o § 2º, IV, a União incentivará a
co do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria Pública dos recuperação de terras áridas e cooperará com os pequenos e mé-
Territórios; dios proprietários rurais para o estabelecimento, em suas glebas, de
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o fontes de água e de pequena irrigação.
corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar
assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de servi- 2) Competência legislativa privativa da União
ços públicos, por meio de fundo próprio; A competência legislativa da União é privativa e, sendo assim,
XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geo- pode ser delegada. As matérias abaixo relacionadas somente po-
grafia, geologia e cartografia de âmbito nacional; dem ser legisladas por atos normativos com abrangência nacional,
XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões mas é possível que uma lei complementar autorizar que determina-
públicas e de programas de rádio e televisão; do Estado regulamente questão devidamente especificada.
XVII - conceder anistia;
XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as ca- Artigo 22, CF. Compete privativamente à União legislar sobre:
lamidades públicas, especialmente as secas e as inundações; I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário,
XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;
hídricos e definir critérios de outorga de direitos de seu uso; II - desapropriação;
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusi- III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e
ve habitação, saneamento básico e transportes urbanos; em tempo de guerra;
XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema nacional IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifu-
de viação; são;
XXII - executar os serviços de polícia marítima, aeroportuária V - serviço postal;
e de fronteiras; VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos
XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer metais;
natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de va-
enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comér- lores;
cio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes VIII - comércio exterior e interestadual;
princípios e condições: IX - diretrizes da política nacional de transportes;
a) toda atividade nuclear em território nacional somente será X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima,
admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso aérea e aeroespacial;
Nacional; XI - trânsito e transporte;
b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercializa- XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;
ção e a utilização de radioisótopos para a pesquisa e usos médicos, XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização;
agrícolas e industriais; XIV - populações indígenas;
c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, co- XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão
mercialização e utilização de radioisótopos de meia-vida igual ou de estrangeiros;
inferior a duas horas; XVI - organização do sistema nacional de emprego e condições
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da para o exercício de profissões;
existência de culpa; XVII - organização judiciária, do Ministério Público do Distrito
XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho; Federal e dos Territórios e da Defensoria Pública dos Territórios,
XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da bem como organização administrativa destes
atividade de garimpagem, em forma associativa. XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia
Envolve a competência organizacional-administrativa da União nacionais;
a atuação regionalizada com vistas à redução das desigualdade re- XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da poupança
gionais, descrita no artigo 43 da Constituição Federal: popular;
Artigo 43, CF. Para efeitos administrativos, a União poderá ar- XX - sistemas de consórcios e sorteios;
ticular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, XXI - normas gerais de organização, efetivos, material bélico,
visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades re- garantias, convocação e mobilização das polícias militares e corpos
gionais. de bombeiros militares;
§ 1º Lei complementar disporá sobre: XXII - competência da polícia federal e das polícias rodoviária
I - as condições para integração de regiões em desenvolvimento;
e ferroviária federais;
II - a composição dos organismos regionais que executarão, na
XXIII - seguridade social;
forma da lei, os planos regionais, integrantes dos planos nacionais
XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;
de desenvolvimento econômico e social, aprovados juntamente com
XXV - registros públicos;
estes.

29
NOÇÕES DE DIREITO
XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza; I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e ur-
XXVII - normas gerais de licitação e contratação, em todas as banístico;
modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas II - orçamento;
e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, III - juntas comerciais;
obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas IV - custas dos serviços forenses;
e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III; V - produção e consumo;
XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa maríti- VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, de-
ma, defesa civil e mobilização nacional; fesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e
XXIX - propaganda comercial. controle da poluição;
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Esta- VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turís-
dos a legislar sobre questões específicas das matérias relaciona- tico e paisagístico;
das neste artigo. VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consu-
midor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico
3) Competência organizacional-administrativa compartilhada e paisagístico;
União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios com- IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia,
partilham certas competências organizacional-administrativas. Sig- pesquisa, desenvolvimento e inovação;
nifica que qualquer dos entes federados poderá atuar, desenvolver X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas
políticas públicas, nestas áreas. Todas estas áreas são áreas que ne- causas;
cessitam de atuação intensa ou vigilância constantes, de modo que XI - procedimentos em matéria processual;
mediante gestão cooperada se torna possível efetivar o máximo XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;
possível os direitos fundamentais em casa uma delas. XIII - assistência jurídica e Defensoria pública;
XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de
Artigo 23, CF. É competência comum da União, dos Estados, do deficiência;
Distrito Federal e dos Municípios: XV - proteção à infância e à juventude;
I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias ci-
democráticas e conservar o patrimônio público; vis.
II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garan- § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da
tia das pessoas portadoras de deficiência; União limitar-se-á a estabelecer normas gerais.
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor § 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais
histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens natu- não exclui a competência suplementar dos Estados.
rais notáveis e os sítios arqueológicos; § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados
IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas pe-
obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cul- culiaridades.
tural; § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais sus-
V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à pende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário.
ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação;
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qual- O estudo das competências concorrentes permite vislumbrar
quer de suas formas; os limites da atuação conjunta entre União, Estados e Distrito Fede-
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; ral no modelo Federativo adotado no Brasil, visando à obtenção de
VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abaste- uma homogeneidade nacional, com preservação dos pluralismos
cimento alimentar; regionais e locais.
IX - promover programas de construção de moradias e a me- O cerne da distinção da competência entre os entes federados
lhoria das condições habitacionais e de saneamento básico; repousa na competência da União para o estabelecimento de nor-
X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginali- mas gerais. A competência legislativa dos Estados-membros e dos
zação, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos; Municípios nestas questões é suplementar, ou seja, as normas es-
XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos taduais agregam detalhes que a norma da União não compreende,
de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus notadamente trazendo peculiaridades regionais.
territórios; No caso do artigo 24, CF, a União dita as normas gerais e as
XII - estabelecer e implantar política de educação para a segu- normas suplementares ficam por conta dos Estados, ou seja, as pe-
rança do trânsito. culiaridades regionais são normatizadas pelos Estados. As normas
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a estaduais, neste caso, devem guardar uma relação de compatibili-
cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Mu- dade com as normas federais (relação hierárquica). Diferentemente
nicípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem- da competência comum em que as leis estão em igualdade de con-
-estar em âmbito nacional. dições, uma não deve subordinação à outra.
Entretanto, os Estados não ficam impedidos de criar leis regu-
4) Competência legislativa compartilhada lamentadoras destas matérias enquanto a União não o faça. Sobre-
Além de compartilharem competências organizacional-admi- vindo norma geral reguladora, perdem a eficácia os dispositivos de
nistrativas, os entes federados compartilham competência para lei estadual com ela incompatível.
legislar sobre determinadas matérias. Entretanto, excluem-se do
artigo 24, CF, os entes federados da espécie Município, sendo que 5) Limitações e regras mínimas aplicáveis à competência orga-
estes apenas legislam sobre assuntos de interesse local. nizacional-administrativa autônoma dos Estados-membros
Artigo 25, CF. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Cons-
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal le- tituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Cons-
gislar concorrentemente sobre: tituição.

30
NOÇÕES DE DIREITO
§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes 6) Limitações e regras mínimas aplicáveis à competência orga-
sejam vedadas por esta Constituição. nizacional-administrativa autônoma dos Municípios
§ 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante con- Os Municípios gozam de autonomia no modelo federativo bra-
cessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da lei, veda- sileiro e, sendo assim, possuem capacidade de auto-organização,
da a edição de medida provisória para a sua regulamentação. normatização e autogoverno.
§ 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir Notadamente, mediante lei orgânica, conforme se extrai do ar-
regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, tigo 29, caput, CF, o Município se normatiza, devendo esta lei guar-
constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para inte- dar compatibilidade tanto com a Constituição Federal quanto com
grar a organização, o planejamento e a execução de funções públi- a respectiva Constituição estadual. O dispositivo mencionado traça,
cas de interesse comum. ainda, regras mínimas de estruturação do Poder Executivo e do Le-
gislativo municipais.
O documento que está no ápice da estrutura normativa de um Por exemplo, só haverá eleição de segundo turno se o muni-
Estado-membro é a Constituição estadual. Ela deve guardar compa- cípio tiver mais de duzentos mil habitantes. Destaca-se, ainda, a
tibilidade com a Constituição Federal, notadamente no que tange exaustiva regra sobre o número de vereadores e a questão dos sub-
aos princípios nela estabelecidos, sob pena de ser considerada nor- sídios. Incidente, também a regra sobre o julgamento do Prefeito
ma inconstitucional. pelo Tribunal de Justiça.
A competência do Estado é residual – tudo o que não obrigato- O artigo 29-A, CF, por seu turno, detalha os limites de despesas
riamente deva ser regulamentado pela União ou pelos Municípios, com o Poder Legislativo municipal, permitindo a responsabilização
pode ser legislado pelo Estado-membro, sem prejuízo da já estuda- do Prefeito e do Presidente da Câmara por violação a estes limites.
da competência legislativa concorrente com a União.
O §3º do artigo 25 regulamenta a conurbação, que abrange Artigo 29, CF. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada
regiões metropolitanas (um município, a metrópole, está em desta- em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada
que) e aglomerações urbanas (não há município em destaque), e as por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promul-
microrregiões (não conurbadas, mas limítrofes, geralmente identifi- gará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na
cada por bacias hidrográficas). Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:
A estrutura e a organização dos Poderes Legislativo e Executi- I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores, para
vo no âmbito do Estado-membro é detalhada na Constituição es- mandato de quatro anos, mediante pleito direto e simultâneo rea-
tadual, mas os artigos 27e 28 trazem bases regulamentadoras que lizado em todo o País;
devem ser respeitadas. II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro
domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato dos
Artigo 27, CF. O número de Deputados à Assembleia Legislati- que devam suceder, aplicadas as regras do art. 77, no caso de Mu-
nicípios com mais de duzentos mil eleitores;
va corresponderá ao triplo da representação do Estado na Câmara
III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro do
dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido
ano subsequente ao da eleição;
de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze.
IV - para a composição das Câmaras Municipais, será observa-
§ 1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais,
do o limite máximo de: (Vide ADIN 4307)
aplicando- sê-lhes as regras desta Constituição sobre sistema elei-
a) 9 (nove) Vereadores, nos Municípios de até 15.000 (quinze
toral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de man-
mil) habitantes;
dato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas.
b) 11 (onze) Vereadores, nos Municípios de mais de 15.000
§ 2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei (quinze mil) habitantes e de até 30.000 (trinta mil) habitantes;
de iniciativa da Assembleia Legislativa, na razão de, no máximo, c) 13 (treze) Vereadores, nos Municípios com mais de 30.000
setenta e cinco por cento daquele estabelecido, em espécie, para os (trinta mil) habitantes e de até 50.000 (cinquenta mil) habitantes;
Deputados Federais, observado o que dispõem os arts. 39, § 4º, 57, d) 15 (quinze) Vereadores, nos Municípios de mais de 50.000
§ 7º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. (cinquenta mil) habitantes e de até 80.000 (oitenta mil) habitantes;
§ 3º Compete às Assembleias Legislativas dispor sobre seu re- e) 17 (dezessete) Vereadores, nos Municípios de mais de 80.000
gimento interno, polícia e serviços administrativos de sua secreta- (oitenta mil) habitantes e de até 120.000 (cento e vinte mil) habi-
ria, e prover os respectivos cargos. tantes;
§ 4º A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legis- f) 19 (dezenove) Vereadores, nos Municípios de mais de 120.000
lativo estadual. (cento e vinte mil) habitantes e de até 160.000 (cento sessenta mil)
habitantes;
Artigo 28, CF. A eleição do Governador e do Vice-Governador g) 21 (vinte e um) Vereadores, nos Municípios de mais de
de Estado, para mandato de quatro anos, realizar-se-á no primeiro 160.000 (cento e sessenta mil) habitantes e de até 300.000 (trezen-
domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de tos mil) habitantes;
outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do tér- h) 23 (vinte e três) Vereadores, nos Municípios de mais de
mino do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em pri- 300.000 (trezentos mil) habitantes e de até 450.000 (quatrocentos e
meiro de janeiro do ano subsequente, observado, quanto ao mais, cinquenta mil) habitantes;
o disposto no art. 77. i) 25 (vinte e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de
§ 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo 450.000 (quatrocentos e cinquenta mil) habitantes e de até 600.000
ou função na administração pública direta ou indireta, ressalvada (seiscentos mil) habitantes;
a posse em virtude de concurso público e observado o disposto no j) 27 (vinte e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de
art. 38, I, IV e V. 600.000 (seiscentos mil) habitantes e de até 750.000 (setecentos
§ 2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos Se- cinquenta mil) habitantes;
cretários de Estado serão fixados por lei de iniciativa da Assembleia k) 29 (vinte e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de
Legislativa, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, 750.000 (setecentos e cinquenta mil) habitantes e de até 900.000
II, 153, III, e 153, § 2º, I. (novecentos mil) habitantes;

31
NOÇÕES DE DIREITO
l) 31 (trinta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de VII - o total da despesa com a remuneração dos Vereadores
900.000 (novecentos mil) habitantes e de até 1.050.000 (um milhão não poderá ultrapassar o montante de cinco por cento da receita
e cinquenta mil) habitantes; do Município;
m) 33 (trinta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, pala-
1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) habitantes e de até 1.200.000 vras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Muni-
(um milhão e duzentos mil) habitantes; cípio;
n) 35 (trinta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de IX - proibições e incompatibilidades, no exercício da verean-
1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes e de até 1.350.000 ça, similares, no que couber, ao disposto nesta Constituição para
(um milhão e trezentos e cinquenta mil) habitantes; os membros do Congresso Nacional e na Constituição do respectivo
o) 37 (trinta e sete) Vereadores, nos Municípios de 1.350.000 Estado para os membros da Assembleia Legislativa;
(um milhão e trezentos e cinquenta mil) habitantes e de até X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça;
1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habitantes; XI - organização das funções legislativas e fiscalizadoras da Câ-
p) 39 (trinta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais mara Municipal;
de 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habitantes e de até XII - cooperação das associações representativas no planeja-
1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes; mento municipal;
q) 41 (quarenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais XIII - iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico
de 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes e de até do Município, da cidade ou de bairros, através de manifestação de,
2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes; pelo menos, cinco por cento do eleitorado;
r) 43 (quarenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de XIV - perda do mandato do Prefeito, nos termos do art. 28,
2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes e de até parágrafo único (assumir outro cargo).
3.000.000 (três milhões) de habitantes;
s) 45 (quarenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de Artigo 29-A, CF. O total da despesa do Poder Legislativo Mu-
3.000.000 (três milhões) de habitantes e de até 4.000.000 (quatro nicipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos
milhões) de habitantes; com inativos, não poderá ultrapassar os seguintes percentuais, re-
t) 47 (quarenta e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de lativos ao somatório da receita tributária e das transferências pre-
4.000.000 (quatro milhões) de habitantes e de até 5.000.000 (cinco vistas no § 5o do art. 153 e nos arts. 158 e 159, efetivamente reali-
milhões) de habitantes; zado no exercício anterior:
u) 49 (quarenta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais I - 7% (sete por cento) para Municípios com população de até
de 5.000.000 (cinco milhões) de habitantes e de até 6.000.000 (seis 100.000 (cem mil) habitantes; (Redação dada pela Emenda Consti-
milhões) de habitantes; tuição Constitucional nº 58, de 2009) (Produção de efeito)
v) 51 (cinquenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de II - 6% (seis por cento) para Municípios com população entre
6.000.000 (seis milhões) de habitantes e de até 7.000.000 (sete mi- 100.000 (cem mil) e 300.000 (trezentos mil) habitantes;
lhões) de habitantes; III - 5% (cinco por cento) para Municípios com população entre
w) 53 (cinquenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais 300.001 (trezentos mil e um) e 500.000 (quinhentos mil) habitantes;
de 7.000.000 (sete milhões) de habitantes e de até 8.000.000 (oito IV - 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento) para
milhões) de habitantes; e Municípios com população entre 500.001 (quinhentos mil e um) e
x) 55 (cinquenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 3.000.000 (três milhões) de habitantes;
8.000.000 (oito milhões) de habitantes; V - 4% (quatro por cento) para Municípios com população entre
V - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários 3.000.001 (três milhões e um) e 8.000.000 (oito milhões) de habi-
Municipais fixados por lei de iniciativa da Câmara Municipal, ob- tantes;
servado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e VI - 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) para Muni-
153, § 2º, I; cípios com população acima de 8.000.001 (oito milhões e um) ha-
VI - o subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas Câ- bitantes.
maras Municipais em cada legislatura para a subsequente, obser- § 1o A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por cen-
vado o que dispõe esta Constituição, observados os critérios estabe- to de sua receita com folha de pagamento, incluído o gasto com o
lecidos na respectiva Lei Orgânica e os seguintes limites máximos: subsídio de seus Vereadores.
a) em Municípios de até dez mil habitantes, o subsídio máximo § 2o Constitui crime de responsabilidade do Prefeito Municipal:
dos Vereadores corresponderá a vinte por cento do subsídio dos De- I - efetuar repasse que supere os limites definidos neste artigo;
putados Estaduais; II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; ou
b) em Municípios de dez mil e um a cinquenta mil habitantes, o III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei Or-
subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a trinta por cento çamentária.
do subsídio dos Deputados Estaduais; § 3o Constitui crime de responsabilidade do Presidente da Câ-
c) em Municípios de cinquenta mil e um a cem mil habitantes, mara Municipal o desrespeito ao § 1o deste artigo.
o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a quarenta por As competências legislativas e administrativas dos municípios
cento do subsídio dos Deputados Estaduais; estão fixadas no artigo 30, CF. Quanto à competência legislativa, é
d) em Municípios de cem mil e um a trezentos mil habitantes, suplementar, garantindo o direito de legislar sobre assuntos de in-
o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a cinquenta por teresse local.
cento do subsídio dos Deputados Estaduais; Artigo 30, CF. Compete aos Municípios:
e) em Municípios de trezentos mil e um a quinhentos mil habi- I - legislar sobre assuntos de interesse local;
tantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a sessenta II - suplementar a legislação federal e a estadual no que cou-
por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; ber;
f) em Municípios de mais de quinhentos mil habitantes, o sub- III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem
sídio máximo dos Vereadores corresponderá a setenta e cinco por como aplicar suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de pres-
cento do subsídio dos Deputados Estaduais; tar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei;

32
NOÇÕES DE DIREITO
IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação § 3º Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o
estadual; disposto no art. 27.
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de conces- § 4º Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Dis-
são ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o trito Federal, das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros
de transporte coletivo, que tem caráter essencial; militar.
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União
e do Estado, programas de educação infantil e de ensino funda- Artigo 33, CF. A lei disporá sobre a organização administrativa
mental; e judiciária dos Territórios.
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e § 1º Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos
do Estado, serviços de atendimento à saúde da população; quais se aplicará, no que couber, o disposto no Capítulo IV deste
VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territo- Título.
rial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e § 2º As contas do Governo do Território serão submetidas ao
da ocupação do solo urbano; Congresso Nacional, com parecer prévio do Tribunal de Contas da
IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural lo- União.
cal, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. § 3º Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes,
A fiscalização dos Municípios se dá tanto no âmbito interno além do Governador nomeado na forma desta Constituição, haverá
quanto no externo. Externamente, é exercida pelo Poder Legislativo órgãos judiciários de primeira e segunda instância, membros do Mi-
com auxílio de Tribunal de Contas. A constituição, no artigo 31, CF, nistério Público e defensores públicos federais; a lei disporá sobre as
veda a criação de novos Tribunais de Contas municipais, mas não eleições para a Câmara Territorial e sua competência deliberativa.
extingue os já existentes.
Artigo 31, CF. A fiscalização do Município será exercida pelo Intervenção
Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e pelos sis- A intervenção consiste no afastamento temporário das prer-
temas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma rogativas totais ou parciais próprias da autonomia dos entes fede-
da lei. rados, por outro ente federado, prevalecendo a vontade do ente
§ 1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido interventor. Neste sentido, necessária a verificação de:
com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do Municí- a) Pressupostos materiais – requisitos a serem verificados
pio ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde quanto ao atendimento de uma das justificativas para a interven-
houver. ção.
§ 2º O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre b) Pressupostos processuais – requisitos para que o ato da in-
as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só deixará de tervenção seja válido, como prazo, abrangência, condições, além da
prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara autorização do Poder Legislativo (artigo 36, CF).
Municipal. A intervenção pode ser federal, quando a União interfere nos
§ 3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, Estados e no Distrito Federal (artigo 34, CF), ou estadual, quando os
anualmente, à disposição de qualquer contribuinte, para exame e Estados-membros interferem em seus Municípios (artigo 35, CF).
apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, nos ter- Artigo 34, CF. A União não intervirá nos Estados nem no Distri-
mos da lei. to Federal, exceto para:
§ 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de I - manter a integridade nacional;
Contas Municipais. II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federa-
ção em outra;
7) Peculiaridades da competência organizacional-administra- III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
tiva do Distrito Federal e Territórios IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas uni-
O Distrito Federal não se divide em Municípios, mas em re- dades da Federação;
giões administrativas. Se regulamenta por lei orgânica, mas esta lei V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
orgânica aproxima-se do status de Constituição estadual, cabendo a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois
controle de constitucionalidade direto de leis que a contrariem pelo anos consecutivos, salvo motivo de força maior;
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas
O Distrito Federal possui um governador e uma Câmara Legis- nesta Constituição, dentro dos prazos estabelecidos em lei;
lativa, eleitos na forma dos governadores e deputados estaduais. VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
Entretanto, não tem eleições municipais. O Distrito Federal tem 3 VII - assegurar a observância dos seguintes princípios consti-
senadores, 8 deputados federais e 24 deputados distritais. tucionais:
Quanto aos territórios, não existem hoje no país, mas se vierem a) forma republicana, sistema representativo e regime demo-
a existir serão nomeados pelo Presidente da República. crático;
b) direitos da pessoa humana;
Artigo 32, CF. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Muni- c) autonomia municipal;
cípios, reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos com in- d) prestação de contas da administração pública, direta e in-
terstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara direta.
Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabeleci- e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impos-
dos nesta Constituição. tos estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na
§ 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legisla- manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços
tivas reservadas aos Estados e Municípios. públicos de saúde”.
§ 2º A eleição do Governador e do Vice-Governador, observa-
das as regras do art. 77, e dos Deputados Distritais coincidirá com a Artigo 35, CF. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem
dos Governadores e Deputados Estaduais, para mandato de igual a União nos Municípios localizados em Território Federal, exceto
duração. quando:

33
NOÇÕES DE DIREITO
I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos veredito da Corte Excelsa, autorizando o ato interventivo simples-
consecutivos, a dívida fundada; mente acata o resultado do veredito da Corte Excelsa, autorizando
II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei; o ato interventivo.”.
III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita muni-
cipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e Por fim temos a provocada, dependendo de provimento de re-
serviços públicos de saúde; presentação, dita assim por Pedro Lenza: “a) art.,, combinado com o
IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para art.,, primeira parte no caso de ofensa aos princípios constitucionais
assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Es- sensíveis, previstos no art.,, da, a intervenção federal dependerá de
tadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão provimento, pelo STF, de representação do Procurador-Geral da Re-
judicial”. pública, b) art. 34, VI, primeira parte, combinado com o art. 36, III,
Artigo 36, CF. A decretação da intervenção dependerá: segunda parte para prover a execução de lei federal (pressupondo
I - no caso do art. 34, IV (livre exercício dos Poderes), de solicita- ter havido recusa à execução de lei federal), a intervenção depen-
ção do Poder Legislativo ou do Poder Executivo coacto ou impedi- derá de provimento de representação do Procurador-Geral da Re-
do, ou de requisição do Supremo Tribunal Federal, se a coação for pública pelo STF (EC n./2004 e trata-se, também, de representação
exercida contra o Poder Judiciário; interventiva, regulamentada pela Lei n. 12562/2011).”
II - no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, de
requisição do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Após o decreto expedido pelo Presidente da República, o Con-
Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral; gresso fará o Controle Politico, aprovado ou rejeitando a Interven-
III de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de represen- ção Federal. Mediante rejeição, o Presidente deverá cessá-lo ime-
tação do Procurador-Geral da República, na hipótese do art. 34, VII diatamente, sob pena de cometer crime de Responsabilidade, nos
(observância de princípios constitucionais), e no caso de recusa à ditames do art. 85, II (atentado contra os Poderes constitucionais
execução de lei federal. do Estado).
§ 1º O decreto de intervenção, que especificará a amplitude,
o prazo e as condições de execução e que, se couber, nomeará o Aprovada a Intervenção, o Presidente nomeará um Interventor,
interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional afastando, até que volte para a normalidade, as autoridades envol-
ou da Assembleia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro vidas. Não havendo mais motivos para a intervenção, estes poderão
horas. ter seus cargos restabelecidos, salvo algum impedimento legal (art.
§ 2º Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a As- 36, § 4.º).
sembleia Legislativa, far-se-á convocação extraordinária, no mes-
mo prazo de vinte e quatro horas. CAPÍTULO VII
§ 3º Nos casos do art. 34, VI e VII (execução de decisão/lei fe- DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
deral e violação de certos princípios constitucionais), ou do art. 35,
IV (idem com relação à intervenção em municípios), dispensada a 1) Princípios da Administração Pública
apreciação pelo Congresso Nacional ou pela Assembleia Legislati- Os valores éticos inerentes ao Estado, os quais permitem que
va, o decreto limitar-se-á a suspender a execução do ato impug- ele consolide o bem comum e garanta a preservação dos interesses
nado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade. da coletividade, se encontram exteriorizados em princípios e regras.
§ 4º Cessados os motivos da intervenção, as autoridades afas- Estes, por sua vez, são estabelecidos na Constituição Federal e em
tadas de seus cargos a estes voltarão, salvo impedimento legal. legislações infraconstitucionais, a exemplo das que serão estudadas
Espécies de Intervenção federal: neste tópico, quais sejam: Decreto n° 1.171/94, Lei n° 8.112/90 e
Existem algumas espécies de Intervenção Federal: a espontâ- Lei n° 8.429/92.
nea, na qual o Presidente da República age por oficio e a provocada Todas as diretivas de leis específicas sobre a ética no setor pú-
por solicitação, quando o impedimento recair sobre o legislativo. blico partem da Constituição Federal, que estabelece alguns princí-
A Intervenção espontânea pode ser feita a qualquer momento pios fundamentais para a ética no setor público. Em outras palavras,
quando há algum dos motivos do art. 34, I, II, III e V, CF. Já a pro- é o texto constitucional do artigo 37, especialmente o caput, que
vocada dependerá de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder permite a compreensão de boa parte do conteúdo das leis especí-
Executivo coacto ou impedido, como preconiza o art. 34, IV, com- ficas, porque possui um caráter amplo ao preconizar os princípios
binado com o art. 36, I, primeira parte. Uma boa observação a ser fundamentais da administração pública. Estabelece a Constituição
quanto à Intervenção Provocada feita é que o Presidente pode agir Federal:
arbitrariamente, por força conveniência e oportunidade de decretar Artigo 37, CF. A administração pública direta e indireta de qual-
o ato interventivo, tratando-se, assim, de um Poder Discricionário. quer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
Há, ainda, a requisitada, que nas palavras de Uadi Lammêgo moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...]
Bulos é “decretada pelo residente da República, que se limita a sus-
pender a execução do ato impugnado, estabelecendo a duração e São princípios da administração pública, nesta ordem:
os parâmetros da medida interventiva. Essa espécie de intervenção Legalidade
inadmite controle politico por parte do Congresso Nacional, poden- Impessoalidade
do ser requisitada: (i) pelo STF, nas hipóteses de garantia do próprio Moralidade
Poder Judiciário (, art.,, c/c o art.,, 211 parte); ou (ii) pelo STF, STJ Publicidade
ou TSE, para preservar a autoridade das ordens e decisões judi- Eficiência
ciais (, art.,, 211 parte, c/c o art.,). Na intervenção por requisição,
o Presidente da República age de modo vinculado, ou seja, deve- Para memorizar: veja que as iniciais das palavras formam o vo-
rá, necessariamente, decretar o ato interventivo, exceto se for caso cábulo LIMPE, que remete à limpeza esperada da Administração Pú-
de suspensão da executoriedade do ato impugnado (, art.,). Desse blica. É de fundamental importância um olhar atento ao significado
modo, o Presidente da República simplesmente acata o resultado do de cada um destes princípios, posto que eles estruturam todas as

34
NOÇÕES DE DIREITO
regras éticas prescritas no Código de Ética e na Lei de Improbidade Artigo 37, §3º, CF. A lei disciplinará as formas de participação
Administrativa, tomando como base os ensinamentos de Carvalho do usuário na administração pública direta e indireta, regulando
Filho13 e Spitzcovsky14: especialmente:
a) Princípio da legalidade: Para o particular, legalidade significa I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos
a permissão de fazer tudo o que a lei não proíbe. Contudo, como em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento
a administração pública representa os interesses da coletividade, ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade
ela se sujeita a uma relação de subordinação, pela qual só poderá dos serviços;
fazer o que a lei expressamente determina (assim, na esfera estatal, II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações
é preciso lei anterior editando a matéria para que seja preservado sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII;
o princípio da legalidade). A origem deste princípio está na criação III - a disciplina da representação contra o exercício negligente
do Estado de Direito, no sentido de que o próprio Estado deve res- ou abusivo de cargo, emprego ou função na administração pública.
peitar as leis que dita.
b) Princípio da impessoalidade: Por força dos interesses que e) Princípio da eficiência: A administração pública deve manter
representa, a administração pública está proibida de promover o ampliar a qualidade de seus serviços com controle de gastos. Isso
discriminações gratuitas. Discriminar é tratar alguém de forma di- envolve eficiência ao contratar pessoas (o concurso público seleciona
ferente dos demais, privilegiando ou prejudicando. Segundo este os mais qualificados ao exercício do cargo), ao manter tais pessoas em
princípio, a administração pública deve tratar igualmente todos seus cargos (pois é possível exonerar um servidor público por inefi-
aqueles que se encontrem na mesma situação jurídica (princípio ciência) e ao controlar gastos (limitando o teto de remuneração), por
da isonomia ou igualdade). Por exemplo, a licitação reflete a im- exemplo. O núcleo deste princípio é a procura por produtividade e eco-
pessoalidade no que tange à contratação de serviços. O princípio nomicidade. Alcança os serviços públicos e os serviços administrativos
da impessoalidade correlaciona-se ao princípio da finalidade, pelo internos, se referindo diretamente à conduta dos agentes.
qual o alvo a ser alcançado pela administração pública é somente
o interesse público. Com efeito, o interesse particular não pode in- Além destes cinco princípios administrativo-constitucionais
fluenciar no tratamento das pessoas, já que deve-se buscar somen- diretamente selecionados pelo constituinte, podem ser apontados
te a preservação do interesse coletivo. como princípios de natureza ética relacionados à função pública a
c) Princípio da moralidade: A posição deste princípio no artigo probidade e a motivação:
37 da CF representa o reconhecimento de uma espécie de morali- a) Princípio da probidade: um princípio constitucional incluído
dade administrativa, intimamente relacionada ao poder público. A ad- dentro dos princípios específicos da licitação, é o dever de todo o
ministração pública não atua como um particular, de modo que enquan- administrador público, o dever de honestidade e fidelidade com o
to o descumprimento dos preceitos morais por parte deste particular Estado, com a população, no desempenho de suas funções. Possui
não é punido pelo Direito (a priori), o ordenamento jurídico adota trata- contornos mais definidos do que a moralidade. Diógenes Gasparii15
mento rigoroso do comportamento imoral por parte dos representantes alerta que alguns autores tratam veem como distintos os princípios
do Estado. O princípio da moralidade deve se fazer presente não só para da moralidade e da probidade administrativa, mas não há carac-
com os administrados, mas também no âmbito interno. terísticas que permitam tratar os mesmos como procedimentos
Está indissociavelmente ligado à noção de bom administra- distintos, sendo no máximo possível afirmar que a probidade ad-
dor, que não somente deve ser conhecedor da lei, mas também ministrativa é um aspecto particular da moralidade administrativa.
dos princípios éticos regentes da função administrativa. TODO ATO b) Princípio da motivação: É a obrigação conferida ao adminis-
IMORAL SERÁ DIRETAMENTE ILEGAL OU AO MENOS IMPESSOAL, trador de motivar todos os atos que edita, gerais ou de efeitos concre-
daí a intrínseca ligação com os dois princípios anteriores. tos. É considerado, entre os demais princípios, um dos mais importantes,
d) Princípio da publicidade: A administração pública é obriga- uma vez que sem a motivação não há o devido processo legal, uma vez
da a manter transparência em relação a todos seus atos e a todas que a fundamentação surge como meio interpretativo da decisão que
informações armazenadas nos seus bancos de dados. Daí a publica- levou à prática do ato impugnado, sendo verdadeiro meio de viabilização
ção em órgãos da imprensa e a afixação de portarias. Por exemplo, do controle da legalidade dos atos da Administração.
a própria expressão concurso público (art. 37, II, CF) remonta ao
ideário de que todos devem tomar conhecimento do processo sele- Motivar significa mencionar o dispositivo legal aplicável ao caso
tivo de servidores do Estado. Diante disso, como será visto, se negar concreto e relacionar os fatos que concretamente levaram à aplica-
indevidamente a fornecer informações ao administrado caracteriza ção daquele dispositivo legal. Todos os atos administrativos devem
ato de improbidade administrativa. ser motivados para que o Judiciário possa controlar o mérito do ato
No mais, prevê o §1º do artigo 37, CF, evitando que o princípio administrativo quanto à sua legalidade. Para efetuar esse controle,
da publicidade seja deturpado em propaganda político-eleitoral: devem ser observados os motivos dos atos administrativos.
Em relação à necessidade de motivação dos atos administrati-
Artigo 37, §1º, CF. A publicidade dos atos, programas, obras, vos vinculados (aqueles em que a lei aponta um único comportamento
serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter edu- possível) e dos atos discricionários (aqueles que a lei, dentro dos limites
cativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo nela previstos, aponta um ou mais comportamentos possíveis, de acor-
constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção do com um juízo de conveniência e oportunidade), a doutrina é unís-
pessoal de autoridades ou servidores públicos. sona na determinação da obrigatoriedade de motivação com relação
Somente pela publicidade os indivíduos controlarão a legali- aos atos administrativos vinculados; todavia, diverge quanto à referida
dade e a eficiência dos atos administrativos. Os instrumentos para necessidade quanto aos atos discricionários.
proteção são o direito de petição e as certidões (art. 5°, XXXIV, CF), Meirelles16 entende que o ato discricionário, editado sob os
além do habeas data e - residualmente - do mandado de segurança. limites da Lei, confere ao administrador uma margem de liberda-
Neste viés, ainda, prevê o artigo 37, CF em seu §3º: de para fazer um juízo de conveniência e oportunidade, não sendo
13CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. 15GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004.
Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010. 16MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. São Paulo: Malhei-
14SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São Paulo: Método, 2011. ros, 1993.

35
NOÇÕES DE DIREITO
necessária a motivação. No entanto, se houver tal fundamentação, Artigo 37, III, CF. O prazo de validade do concurso público será
o ato deverá condicionar-se a esta, em razão da necessidade de ob- de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período.
servância da Teoria dos Motivos Determinantes. O entendimento Artigo 37, IV, CF. Durante o prazo improrrogável previsto no
majoritário da doutrina, porém, é de que, mesmo no ato discricio- edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de pro-
nário, é necessária a motivação para que se saiba qual o caminho vas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre
adotado pelo administrador. Gasparini17, com respaldo no art. 50 novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira.
da Lei n. 9.784/98, aponta inclusive a superação de tais discussões
doutrinárias, pois o referido artigo exige a motivação para todos Prevê o artigo 12 da Lei nº 8.112/1990:
os atos nele elencados, compreendendo entre estes, tanto os atos Artigo 12, Lei nº 8.112/1990. O concurso público terá validade
discricionários quanto os vinculados. de até 2 (dois) anos, podendo ser prorrogado uma única vez, por
igual período.
2) Regras mínimas sobre direitos e deveres dos servidores §1º O prazo de validade do concurso e as condições de sua rea-
O artigo 37 da Constituição Federal estabelece os princípios lização serão fixados em edital, que será publicado no Diário Oficial
da administração pública estudados no tópico anterior, aos quais da União e em jornal diário de grande circulação.
estão sujeitos servidores de quaisquer dos Poderes em qualquer § 2º Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato
das esferas federativas, e, em seus incisos, regras mínimas sobre o aprovado em concurso anterior com prazo de validade não expirado.
serviço público:
Artigo 37, I, CF. Os cargos, empregos e funções públicas são O edital delimita questões como valor da taxa de inscrição,
acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabeleci- casos de isenção, número de vagas e prazo de validade. Havendo
dos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei. candidatos aprovados na vigência do prazo do concurso, ele deve
ser chamado para assumir eventual vaga e não ser realizado novo
Aprofundando a questão, tem-se o artigo 5º da Lei nº concurso.
8.112/1990, que prevê:
Artigo 5º, Lei nº 8.112/1990. São requisitos básicos para inves- Destaca-se que o §2º do artigo 37, CF, prevê:
tidura em cargo público: Artigo 37, §2º, CF. A não-observância do disposto nos incisos II
I - a nacionalidade brasileira; e III implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade respon-
II - o gozo dos direitos políticos; sável, nos termos da lei.
III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais; Com efeito, há tratamento rigoroso da responsabilização daquele
IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo; que viola as diretrizes mínimas sobre o ingresso no serviço público, que
V - a idade mínima de dezoito anos; em regra se dá por concurso de provas ou de provas e títulos.
VI - aptidão física e mental. Artigo 37, V, CF. As funções de confiança, exercidas exclusiva-
§ 1º As atribuições do cargo podem justificar a exigência de mente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em
outros requisitos estabelecidos em lei. [...] comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos ca-
§ 3º As universidades e instituições de pesquisa científica e sos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se
tecnológica federais poderão prover seus cargos com professores, apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento.
técnicos e cientistas estrangeiros, de acordo com as normas e os
procedimentos desta Lei. Observa-se o seguinte quadro comparativo18:
Destaca-se a exceção ao inciso I do artigo 5° da Lei nº 8.112/1990
e do inciso I do artigo 37, CF, prevista no artigo 207 da Constituição, Função de Confiança Cargo em Comissão
permitindo que estrangeiros assumam cargos no ramo da pesquisa,
ciência e tecnologia. Exercidas exclusivamente por Qualquer pessoa, observado o
servidores ocupantes de cargo percentual mínimo reservado
Artigo 37, II, CF. A investidura em cargo ou emprego público efetivo. ao servidor de carreira.
depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou Com concurso público, já que Sem concurso público,
de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do somente pode exercê-la o ressalvado o percentual
cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomea- servidor de cargo efetivo, mas mínimo reservado ao servidor
ções para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação a função em si não prescindível de carreira.
e exoneração. de concurso público.
Preconiza o artigo 10 da Lei nº 8.112/1990:
Somente são conferidas É atribuído posto (lugar) num
Artigo 10, Lei nº 8.112/90. A nomeação para cargo de carreira
atribuições e responsabilidade dos quadros da Administração
ou cargo isolado de provimento efetivo depende de prévia habilita-
Pública, conferida atribuições
ção em concurso público de provas ou de provas e títulos, obedeci-
e responsabilidade àquele que
dos a ordem de classificação e o prazo de sua validade.
irá ocupá-lo
Parágrafo único. Os demais requisitos para o ingresso e o de-
senvolvimento do servidor na carreira, mediante promoção, serão Destinam-se apenas às Destinam-se apenas às
estabelecidos pela lei que fixar as diretrizes do sistema de carreira atribuições de direção, chefia atribuições de direção, chefia
na Administração Pública Federal e seus regulamentos. e assessoramento e assessoramento
No concurso de provas o candidato é avaliado apenas pelo seu De livre nomeação e De livre nomeação e
desempenho nas provas, ao passo que nos concursos de provas e exoneração no que se refere exoneração
títulos o seu currículo em toda sua atividade profissional também à função e não em relação ao
é considerado. Cargo em comissão é o cargo de confiança, que não cargo efetivo.
exige concurso público, sendo exceção à regra geral.
18http://direitoemquadrinhos.blogspot.com.br/2011/03/quadro-comparativo-
17GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004. -funcao-de-confianca.html

36
NOÇÕES DE DIREITO
Artigo 37, VI, CF. É garantido ao servidor público civil o direito à Artigo 37, §10, CF. É vedada a percepção simultânea de pro-
livre associação sindical. ventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42
e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública,
A liberdade de associação é garantida aos servidores públicos ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os
tal como é garantida a todos na condição de direito individual e de cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em lei de livre
direito social. nomeação e exoneração.
Artigo 37, VII, CF. O direito de greve será exercido nos termos e
nos limites definidos em lei específica. Sobre a questão, disciplina a Lei nº 8.112/1990 nos artigos 40
e 41:
O Supremo Tribunal Federal decidiu que os servidores públicos Art. 40. Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de
possuem o direito de greve, devendo se atentar pela preservação cargo público, com valor fixado em lei.
da sociedade quando exercê-lo. Enquanto não for elaborada uma Art. 41. Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acres-
legislação específica para os funcionários públicos, deverá ser obe- cido das vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei.
decida a lei geral de greve para os funcionários privados, qual seja a § 1º A remuneração do servidor investido em função ou cargo
Lei n° 7.783/89 (Mandado de Injunção nº 20). em comissão será paga na forma prevista no art. 62.
Artigo 37, VIII, CF. A lei reservará percentual dos cargos e em- § 2º O servidor investido em cargo em comissão de órgão ou
pregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e defini- entidade diversa da de sua lotação receberá a remuneração de
rá os critérios de sua admissão. acordo com o estabelecido no § 1º do art. 93.
§ 3º O vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens de
Neste sentido, o §2º do artigo 5º da Lei nº 8.112/1990: caráter permanente, é irredutível.
Artigo 5º, Lei nº 8.112/90. Às pessoas portadoras de deficiên- § 4º É assegurada a isonomia de vencimentos para cargos de
cia é assegurado o direito de se inscrever em concurso público para atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder, ou entre ser-
provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a de- vidores dos três Poderes, ressalvadas as vantagens de caráter indi-
ficiência de que são portadoras; para tais pessoas serão reservadas vidual e as relativas à natureza ou ao local de trabalho.
até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no concurso. § 5º Nenhum servidor receberá remuneração inferior ao salá-
rio mínimo.
Prossegue o artigo 37, CF: Ainda, o artigo 37 da Constituição:
Artigo 37, IX, CF. - a lei estabelecerá os casos de contratação Artigo 37, XI, CF. A remuneração e o subsídio dos ocupantes
por tempo determinado para atender a necessidade temporária de de cargos, funções e empregos públicos da administração direta,
excepcional interesse público;(Vide Emenda constitucional nº 106, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes
de 2020) da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos
detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os
A Lei nº 8.745/1993 regulamenta este inciso da Constituição, proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos
definindo a natureza da relação estabelecida entre o servidor con- cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de
tratado e a Administração Pública, para atender à “necessidade qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal,
temporária de excepcional interesse público”. em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplican-
“Em se tratando de relação subordinada, isto é, de relação que do-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos
comporta dependência jurídica do servidor perante o Estado, duas Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no
opções se ofereciam: ou a relação seria trabalhista, agindo o Es- âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e
tado iure gestionis, sem usar das prerrogativas de Poder Público, Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desem-
ou institucional, estatutária, preponderando o ius imperii do Esta- bargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e
do. Melhor dizendo: o sistema preconizado pela Carta Política de vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em es-
1988 é o do contrato, que tanto pode ser trabalhista (inserindo-se pécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do
na esfera do Direito Privado) quanto administrativo (situando-se no Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério
campo do Direito Público). [...] Uma solução intermediária não dei- Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos.
xa, entretanto, de ser legítima. Pode-se, com certeza, abonar um
sistema híbrido, eclético, no qual coexistam normas trabalhistas e Artigo 37, XII, CF. Os vencimentos dos cargos do Poder Legis-
estatutárias, pondo-se em contiguidade os vínculos privado e admi- lativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos
nistrativo, no sentido de atender às exigências do Estado moderno, pelo Poder Executivo.
que procura alcançar os seus objetivos com a mesma eficácia dos
empreendimentos não-governamentais”19. Prevê a Lei nº 8.112/1990 em seu artigo 42:
Artigo 42, Lei nº 8.112/90. Nenhum servidor poderá perce-
Artigo 37, X, CF. A remuneração dos servidores públicos e o ber, mensalmente, a título de remuneração, importância superior
subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados à soma dos valores percebidos como remuneração, em espécie, a
ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em qualquer título, no âmbito dos respectivos Poderes, pelos Minis-
cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e tros de Estado, por membros do Congresso Nacional e Ministros do
sem distinção de índices. Supremo Tribunal Federal. Parágrafo único. Excluem-se do teto de
Artigo 37, XV, CF. O subsídio e os vencimentos dos ocupantes remuneração as vantagens previstas nos incisos II a VII do art. 61.
de cargos e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o dis-
Com efeito, os §§ 11 e 12 do artigo 37, CF tecem aprofunda-
posto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II,
mentos sobre o mencionado inciso XI:
153, III, e 153, § 2º, I.
Artigo 37, § 11, CF. Não serão computadas, para efeito dos li-
19 VOGEL NETO, Gustavo Adolpho. Contratação de servidores para atender a ne- mites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo,
cessidade temporária de excepcional interesse público. Disponível em: <http:// as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei.
www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_39/Artigos/Art_Gustavo.htm>.
Acesso em: 23 dez. 2014.

37
NOÇÕES DE DIREITO
Artigo 37, § 12, CF. Para os fins do disposto no inciso XI do caput § 3o Considera-se acumulação proibida a percepção de venci-
deste artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, mento de cargo ou emprego público efetivo com proventos da ina-
em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Constituições e tividade, salvo quando os cargos de que decorram essas remunera-
Lei Orgânica, como limite único, o subsídio mensal dos Desembar- ções forem acumuláveis na atividade.
gadores do respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa in-
teiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Art. 119, Lei nº 8.112/1990. O servidor não poderá exercer
Ministros do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto mais de um cargo em comissão, exceto no caso previsto no pará-
neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais grafo único do art. 9o, nem ser remunerado pela participação em
e dos Vereadores. órgão de deliberação coletiva.
Por seu turno, o artigo 37 quanto à vinculação ou equiparação Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à remune-
salarial: ração devida pela participação em conselhos de administração e fiscal
Artigo 37, XIII, CF. É vedada a vinculação ou equiparação de das empresas públicas e sociedades de economia mista, suas subsidiá-
quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração rias e controladas, bem como quaisquer empresas ou entidades em
de pessoal do serviço público. que a União, direta ou indiretamente, detenha participação no capital
Os padrões de vencimentos são fixados por conselho de políti- social, observado o que, a respeito, dispuser legislação específica.
ca de administração e remuneração de pessoal, integrado por ser-
vidores designados pelos respectivos Poderes (artigo 39, caput e § Art. 120, Lei nº 8.112/1990. O servidor vinculado ao regime
1º), sem qualquer garantia constitucional de tratamento igualitário desta Lei, que acumular licitamente dois cargos efetivos, quando
aos cargos que se mostrem similares. investido em cargo de provimento em comissão, ficará afastado de
Artigo 37, XIV, CF. Os acréscimos pecuniários percebidos por ambos os cargos efetivos, salvo na hipótese em que houver compa-
servidor público não serão computados nem acumulados para fins tibilidade de horário e local com o exercício de um deles, declarada
de concessão de acréscimos ulteriores. pelas autoridades máximas dos órgãos ou entidades envolvidos.
A preocupação do constituinte, ao implantar tal preceito, foi
de que não eclodisse no sistema remuneratório dos servidores, ou “Os artigos 118 a 120 da Lei nº 8.112/90 ao tratarem da acu-
seja, evitar que se utilize uma vantagem como base de cálculo de mulação de cargos e funções públicas, regulamentam, no âmbito
um outro benefício. Dessa forma, qualquer gratificação que venha do serviço público federal a vedação genérica constante do art. 37,
a ser concedida ao servidor só pode ter como base de cálculo o pró- incisos VXI e XVII, da Constituição da República. De fato, a acumu-
prio vencimento básico. É inaceitável que se leve em consideração lação ilícita de cargos públicos constitui uma das infrações mais co-
outra vantagem até então percebida. muns praticadas por servidores públicos, o que se constata obser-
vando o elevado número de processos administrativos instaurados
Artigo 37, XVI, CF. É vedada a acumulação remunerada de car- com esse objeto. O sistema adotado pela Lei nº 8.112/90 é relativa-
gos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, mente brando, quando cotejado com outros estatutos de alguns Es-
observado em qualquer caso o disposto no inciso XI: tados, visto que propicia ao servidor incurso nessa ilicitude diversas
a) a de dois cargos de professor; oportunidades para regularizar sua situação e escapar da pena de
b) a de um cargo de professor com outro, técnico ou científico; demissão. Também prevê a lei em comentário, um processo admi-
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de nistrativo simplificado (processo disciplinar de rito sumário) para a
saúde, com profissões regulamentadas. apuração dessa infração – art. 133” 21.
Artigo 37, XVII, CF. A proibição de acumular estende-se a em- Artigo 37, XVIII, CF. A administração fazendária e seus servidores
pregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas pú- fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, prece-
blicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e socieda- dência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei.
des controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público.
Segundo Carvalho Filho20, “o fundamento da proibição é im- Artigo 37, XXII, CF. As administrações tributárias da União, dos Es-
pedir que o cúmulo de funções públicas faça com que o servidor tados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao fun-
não execute qualquer delas com a necessária eficiência. Além disso, cionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas,
porém, pode-se observar que o Constituinte quis também impedir terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atua-
a cumulação de ganhos em detrimento da boa execução de tarefas rão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros
públicas. [...] Nota-se que a vedação se refere à acumulação remu- e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.
nerada. Em consequência, se a acumulação só encerra a percepção
de vencimentos por uma das fontes, não incide a regra constitucio- “O Estado tem como finalidade essencial a garantia do bem-
nal proibitiva”. -estar de seus cidadãos, seja através dos serviços públicos que dis-
ponibiliza, seja através de investimentos na área social (educação,
A Lei nº 8.112/1990 regulamenta intensamente a questão: saúde, segurança pública). Para atingir esses objetivos primários,
Artigo 118, Lei nº 8.112/1990. Ressalvados os casos previstos deve desenvolver uma atividade financeira, com o intuito de obter
na Constituição, é vedada a acumulação remunerada de cargos recursos indispensáveis às necessidades cuja satisfação se compro-
públicos. meteu quando estabeleceu o “pacto” constitucional de 1988. [...]
§ 1o A proibição de acumular estende-se a cargos, empregos A importância da Administração Tributária foi reconhecida ex-
e funções em autarquias, fundações públicas, empresas públicas, pressamente pelo constituinte que acrescentou, no artigo 37 da
sociedades de economia mista da União, do Distrito Federal, dos Carta Magna, o inciso XVIII, estabelecendo a sua precedência e de
Estados, dos Territórios e dos Municípios. seus servidores sobre os demais setores da Administração Pública,
§ 2o A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica condiciona- dentro de suas áreas de competência”22.
da à comprovação da compatibilidade de horários.
21MORGATO, Almir. O Regime Disciplinar dos Servidores Públicos da União. Dis-
ponível em: <http://www.canaldosconcursos.com.br/artigos/almirmorgado_ar-
20CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. tigo1.pdf>. Acesso em: 11 ago. 2013.
Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010. 22http://www.sindsefaz.org.br/parecer_administracao_tributaria_sao_paulo.

38
NOÇÕES DE DIREITO
Artigo 37, XIX, CF. Somente por lei específica poderá ser criada simples, podemos dizer que o governo deve comprar e contratar
autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de socie- serviços seguindo regras de lei, assim a licitação é um processo for-
dade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complemen- mal onde há a competição entre os interessados.
tar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação.
Artigo 37, XX, CF. Depende de autorização legislativa, em cada Artigo 37, §5º, CF. A lei estabelecerá os prazos de prescrição
caso, a criação de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que
anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de res-
privada. sarcimento.

Órgãos da administração indireta somente podem ser criados A prescrição dos ilícitos praticados por servidor encontra disci-
por lei específica e a criação de subsid