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METODOLOGIA E PRÁTICA DA

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

ALFABETIZAÇÃO EM UMA PERSPECTIVA


CONSTRUTIVISTA

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Olá!
Ao final desta aula, você será capaz de:

•identificar e examinar criticamente a teoria Construtivista;

•analisar os níveis descritos na pesquisa de Emília Ferreiro, a Psicogênese da Escrita.

Para dar início ao estudo desta aula, pense no processo de construção da escrita de uma criança e reflita sobre as

questões a seguir.

Que olhar devemos lançar para a escrita das crianças?

Qual é a lógica da criança no processo de construção da escrita?

O erro pode contribuir para a aprendizagem?

Essas são algumas das questões que discutiremos nesta aula.

1 Piaget - Construtivismo
Emília Ferreiro desenvolveu a pesquisa denominada “A Psicogênese da Escrita”, que tem como pressuposto a

Teoria Construtivista elaborada por Jean Piaget.

Confira os pressupostos da teoria construtivista do suíço Jean Piaget.

Um sujeito que cresce e se desenvolve na interação com o meio no qual está inserido. Um homem que é

inteligente e construtor do seu conhecimento.

Desenvolvimento impulsionado pela aprendizagem. Os indivíduos crescem de forma semelhante, passando por

estágios de desenvolvimento com características comuns aos diferentes homens.

O homem na perspectiva piagetiana é um “sujeito universal”, é um sujeito inteligente que constrói o seu

conhecimento na sua relação com o meio físico e social.

Agora, conheça a pesquisa feita por Emília Ferreiro.

Com base nos estudos de Piaget, Emília Ferreiro desenvolveu a pesquisa, em seu trabalho de doutorado,

investigando como as crianças constroem o seu conhecimento sobre a língua escrita.

Com a orientação do professor Piaget, Emília Ferreiro observou em seu estudo diferentes crianças em situações

de escrita. Era uma pesquisa experimental, mas não em situações de sala de aula com crianças sendo

alfabetizadas.

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2 Emília Ferreiro – A Psicogênese da Escrita
Como acabamos de ver, diferentes crianças foram colocadas em situações de leitura e escrita. Com base nas

observações, Emília Ferreiro formulou a “Psicogênese da Escrita”.

Descrevendo um percurso de como a criança constrói conhecimentos sobre a escrita, Emília Ferreiro preparou a

“Psicogênese da Escrita”.

Este percurso será analisado em forma de níveis, com características próprias e comuns às diferentes crianças.

O que poderemos ver é que, nos níveis de Psicogênese, são identificados marcas das escritas das crianças em

seus percursos de construção sobre este objeto de conhecimento.

Veja o que Smolka (1991) diz a esse respeito.

Na recente pesquisa de Ferreiro & Teberosky (1979) sobre a psicogênese da linguagem escrita, as autoras

apontam justamente que os métodos de alfabetização e os procedimentos de ensino baseados em concepções

adultas não estão de acordo com os processos de aprendizagem e as progressões das noções infantis sobre a

escrita. Partindo do pressuposto de que a criança é sujeito ativo e conhecedor, elas indicam a importância de se

compreender a lógica interna das progressões das noções infantis sobre a escrita, mostrando que as crianças

exigem de si mesmas uma coerência rigorosa no processo de construção do conhecimento.

Assumindo a perspectiva de epistemologia piagetiana e observando, desta ótica, o esforço das crianças para a

compreensão da correspondência entre a dimensão sonora e a extensão gráfica na escrita alfabética, Ferreiro &

Teberosky (1979) evidenciam o que elas chamam de conflito cognitivo no processo de construção do

conhecimento sobre a escrita. Nesse processo, elas mostram a importância do erro como fundamentalmente

construtivo na superação de contradições e conflitos conceituais, explicitando, numa progressão, etapas e

hipóteses que as crianças levantam sobre a escrita.

Assim também, Ferreiro & Palácio (1982:131) argumentam que apesar dos esforços dos docentes para fazerem

as crianças compreenderem de imediato as correspondências fonéticas que estão na base do sistema de escrita

alfabética, isto não ocorre, o que não quer dizer que as crianças não aprendam. Elas aprendem e avançam.

Recebem informação e a transformam. O processo de aprendizagem não é conduzido pelo professor, mas pela

criança.

Referência: SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. Discutindo pontos de vista. In: A criança na fase inicial da escrita.

Ed. Cortez, 1991.

A seguir, você conhecerá os níveis da psicogênese da língua escrita estudados por Emília Ferreiro e Ana

Teberosky.

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Saiba mais
Se desejar saber mais, consulte: FERREIRO, Emília & TEBEROSKY, Ana, Psicogênese da língua
escrita. Porto Alegre, Artes Médicas, 1989.

Nível 1 - Pré-Silábico

Nível 2 - Pré-Silábico

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Nível 3 – Silábico

Nível 4 – Silábico-Alfabético (período de transição)

Nível 5 – Alfabético

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Clique nos links para ver os vídeos sobre o estudo de Emília Ferreiro.

Parte 1:

http://www.youtube.com/watch?v=oXoGEHyGQzY&feature=related

Parte 2:

http://www.youtube.com/watch?v=icFlW3OjesE&feature=related

Parte 3:

http://www.youtube.com/watch?v=fXG_LUhZnA8&feature=related

Parte 5:

http://www.youtube.com/watch?v=YZ4ZcH0Gay4&feature=related

Hipóteses da Escrita:

http://www.youtube.com/watch?v=dT2GYOBdPAg&feature=related

3 Contribuições de Emília Ferreiro para o Processo de


Alfabetização
O estudo de Emília Ferreiro pode nos ajudar com as seguintes questões:

Com base nos estudos de Emília Ferreiro, como podemos olhar para a escrita das crianças?

Como pensar diferentes escolas e propostas de alfabetização que foram sendo organizadas tendo como base a

pesquisa de Emília Ferreiro?

Reflita sobre essas questões, mas lembre-se que Emília Ferreiro não criou um método de alfabetização.

Portanto, é um equívoco a indicação de que existe o método construtivista. Cabe ao professor organizar

situações pedagógicas que considerem o ponto de vista construtivista.

Mudando o foco da alfabetização, Emília Ferreiro buscou identificar a lógica da criança no processo de

construção da escrita.

Podemos identificar algumas contribuições do trabalho desenvolvido por Emília Ferreiro:


• olhar o processo de aprendizagem do ponto de vista da criança, mudando o foco do como se ensina para
o como se aprende;
• o erro passa a ser visto como um momento construtivo do processo de aprendizagem;
• necessidade de organizar o trabalho pedagógico tendo como referência o conhecimento da criança.
A síntese de Smolka sobre o estudo de Ferreiro:

Um outro ponto de vista (que se contrapõe ao primeiro) seria o da construção individual do conhecimento, que

considera a escrita como um objeto de conhecimento, que analisa o "conflito cognitivo" no processo de

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aprendizagem e vê o erro como fundamentalmente construtivo no processo. Leva em conta as tentativas e as

hipóteses infantis relativas à escrita como representação da fala (relação dimensão sonora/extensão gráfica),

analisando a escrita inicial em termos de níveis de desenvolvimento.

As implicações pedagógicas desse ponto de vista começam, agora, a se esboçar, a partir do trabalho de Ferreiro,

Teberosky & Palácio. Contudo, ao invés de se tomar o estudo de Ferreiro & Teberosky como contribuição para o

entendimento dos processos de aquisição da escrita, tem-se reduzido o ensino da escrita à questão da

correspondência gráfico-sonora, categorizando crianças e turmas de crianças em termos de níveis de hipóteses,

quando o processo de leitura e escrita abrange outros aspectos e outras dimensões.

O conflito cognitivo apontado por Ferreiro não pode, sem dúvida alguma, ser ignorado. Mas o que também deve

ser levado em consideração é que, entremeados nessa questão, estão os aspectos das funções e configurações da

escrita, da dimensão simbólica e do processo de conceitualização e elaboração das experiências, da

metalinguagem, além do conflito social mencionado anteriormente.

Referência: SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. Discutindo pontos de vista. In: A criança na fase inicial da escrita.

Ed. Cortez, 1991

CONCLUSÃO
Nesta aula, você:
• teve a oportunidade de refletir sobre a pesquisa desenvolvida por Emília Ferreiro, “A Psicogênese da
Escrita”, que tem como pressuposto teórico a Teoria Construtivista de Jean Piaget;
• compreendeu que Emília Ferreiro, em seu trabalho, muda o foco do processo de alfabetização do “como
se ensina” para o “como se aprende”, buscando identificar a lógica da criança no processo de construção
da escrita. Neste percurso o erro é visto como elemento construtivo do processo de aprender;
• identificou as similaridades do processo de construção da escrita na criança, descrita na pesquisa de
Ferreiro. Nos níveis da Psicogênese, são identificadas características que são comuns às crianças em seus
percursos de construção da escrita.

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