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EXEMPLOS DA IGREJA PRIMITIVA


EXEMPLOS DA IGREJA PRIMITIVA

(Tomo como base para este estudo, as lições nº 2 e 3 da revista Educação Cristã, vol. X, publicada pela SOCEP.
Títulos das lições: "Significado do Pentecoste" e "Efeitos do Pentecoste na Vida da Igreja")

"De sorte que foram batiz ados os que de bom grado receberam a sua palavra; e, naquele dia, agregaram-
se quase três mil almas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e
nas orações. Em cada alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faz iam pelos apóstolos. Todos os
que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e faz endas e repartiam
com todos, segundo cada um tinha necessidade. E, perseverando unânimes todos os dias no templo e
partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singelez a de coração, louvando a Deus e caindo na
graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar."
(Atos 2:41- 47 RC)

1. A Igreja Primitiva, ou a Igreja nos seus primeiros anos de vida, deixou muitos bons exemplos, os quais
precisamos estar constantemente estudando e aplicando na Igreja atual.
2. Só por estes versos que coloquei acima, podemos perceber que aquela era uma Igreja que aprendia, uma
Igreja que amava, uma Igreja que adorava, e era uma Igreja evangelística.
3. Vamos estudar um pouquinho sobre cada uma dessas características?

I. Uma Igreja Que Aprendia

"... perseveravam na doutrina dos apóstolos..." (Atos 2:42 RC)

1. É óbvio que a "doutrina dos apóstolos" não era necessariamente dos apóstolos, mas ensinamentos
alicerçados nas palavras de Jesus, de quem eles haviam aprendido pessoalmente, e também ensinamentos
inspirados pelo Espírito Santo.
2. Aqueles irmãos estavam preocupados em aprender, e, por isso, davam ouvidos à doutrina dos apóstolos, e
nela perseveravam.
3. Em outras passagens bíblicas também lemos de pessoas que estavam preocupadas em aprender, e aprender
o que é certo, o que condiz com a verdade vinda de Deus.
4. Em Atos 17, por exemplo, nos versículos 10- 12, encontramos o testemunho de que, em Beréia, muitos não só
ouviam e recebiam de bom grado a Palavra, como também examinavam cada dia nas Escrituras, conferindo
se o que ouviam era de fato a verdade. E deles foi dito: "... eram mais nobres que os de Tessalônica...".
5. Belíssimo exemplo para nós os crentes atuais.
6. Penso que muitos de nós não estamos nem um pouco preocupados em aprender a Palavra de Deus.
7. Veja um exemplo (que não posso diz er que é a situação de todas as igrejas - certamente que há exceções):
a. Qual ou quais são os dias em sua igreja em que os cultos são mais direcionados ao estudo bíblico,
sem muitos cânticos e outros números musicais?
b. Quantas pessoas geralmente estão presentes nesses cultos?
c. Agora, qual é o dia em que o culto tem muitas apresentações musicais, muitos cânticos, mas a
mensagem não é diretamente para os crentes, e sim uma mensagem evangelística (ainda que o
Espírito possa manifestar- se na vida dos crentes por ela)? Na minha igreja esse dia é o Domingo à
noite. Quantos crentes estão geralmente presentes nesse culto? Geralmente o número não é bem maior
que nos demais? Talvez na sua igreja não seja assim, mas na minha, e em muitas outras que
conheço, sim. Além disso, é sabido que muitos crentes de hoje também não estudam a sua Bíblia em
casa.
8. Mas o aprendiz ado bíblico é muito precioso, e, por mais que saibamos, sempre é importante reforçar o que já
sabemos, e também sempre há algo mais a aprender.
9. Uma antiga fábula romana conta- nos sobre um jovem chamado Fortunato...

... Esse jovem possuía uma miraculosa algibeira onde ele levava uma moeda de ouro. E, apesar de ele
gastar a moeda, sempre havia uma outra moeda todas as vez es que ele abria a bolsa. Sob alguns
aspectos, a Bíblia é semelhante à algibeira de Fortunato. Sempre que nós a abrimos encontramos uma
verdade preciosa, por mais que já a tenhamos aberto. A Bíblia é uma mina inesgotável que jamais será
exaurida. (Manancial de Ilustrações, de Moysés Marinho de Oliveira, p. 41. JUERP)

10. Que possamos ser como a Igreja primitiva nesse aspecto!


11. Passemos à segunda característica:

II. Uma Igreja Que Amava

"... perseveravam... e na comunhão..." (Atos 2:42 RC)

1. Veja que eles perseveravam não apenas na doutrina dos apóstolos, mas na comunhão também.
2. Comunhão é tradução de koinonia, que vem de koinós, que significa "comum".
3. Essa palavra, aqui utiliz ada, e também em outros lugares, dá testemunho da vida comunitária da Igreja em
dois sentidos:
a. O que eles tinham em comum (o que eles compartilhavam, vindo de Deus)
i. E o que eles tinham em comum, vindo de Deus, era o próprio Deus. A comunhão era com
o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo: "o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que
também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus
Cristo".(1 João 1:3 RC). E havia também a comunhão do Espírito Santo: "A graça do Senhor Jesus
Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém! (2
Coríntios 13:14 RC)
ii. Em Deus, por intermédio de Cristo na cruz , judeus ou gentios, pobres ou ricos, crentes em
Jesus, passaram a comungar de uma mesma família, se tornaram irmãos.
iii. Conta- se que

"depois da segunda guerra mundial, tornou- se muito difícil para as nações da Europa
desvencilharem- se dos preconceitos que umas e outras tinham experimentado. Em uma
Igreja Batista Internacional, na Suíça, um jovem crente dinamarquês, sentado
reverentemente em um banco, estava procurando adorar a Deus com cristãos de outros
países. No momento em que se achava lendo as Escrituras este jovem notou que um
soldado alemão acabara de entrar na capela. O crente dinamarquês levantou- se
imediatamente, e saiu sem poder ocultar o seu desgosto. Todavia, regressou minutos após,
e continuou participando do culto de adoração. No momento oportuno, na mesma reunião,
deu o seguinte testemunho: - "Ao deixar este santuário com o meu coração cheio de ódio,
repentinamente pensei no amor de Deus manifestado na cruz , onde Cristo morreu por mim!
Certamente ele não quer que este militar alemão, que cumpriu o seu dever, permaneça fora
deste culto... este homem é meu irmão!" (Manancial de Ilustrações, de Moysés Marinho de
Oliveira, p. 41. JUERP)

b. O que eles partilhavam uns com os outros


i. Era isso que revelava o amor fraternal que tinham uns para com os outros.
ii. Eles não amavam só de palavras, mas por obra, por ação.
iii. Veja no v. 45 que eles partilhavam suas próprias propriedades à medida que alguém tinha
necessidade.
iv. Isso, da maneira como foi feita, foi algo incomum e que não durou muito tempo, mas
naqueles dias

"é provável que isso tivesse se tornado necessário por causa das severas perseguições
contra os cristãos judeus, o que os reduz iu a grande estado de penúria, exigindo que os
crentes distribuíssem seus bens uns com os outros, a fim de que pudessem sobreviver".
(Informação extraída de O N. T. Int. Vers. por Vers., volume 3, de R. N. Champlin, editora
Candeia)

v. "Quando precisou eles o fiz eram, impulsionados pelo amor. Quando não precisou mais,
eles pararam de faz er, mas o amor já estava provado naquele ato".
vi. Mais tarde vemos diversas vez es eles se ajudando mutuamente, levantando ofertas para
esse fim, cuidando dos órfãos e das viúvas, etc. João , em sua primeira epístola, diz :
"Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe
o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra,
nem de língua, mas de fato e de verdade." (1 João 3:17-18 RA)
4. Aquela Igreja amava de verdade, sendo capaz de se despir para vestir os outros, os que tinham necessidade.
5. Precisamos pensar muito neste exemplo.
6. Outra característica, a terceira:

III. Uma Igreja Que Adorava

"... perseveravam... no partir do pão e nas orações" (Atos 2:42 RC)

1. Estavam juntos adorando a Deus, celebrando a ceia e realiz ando cultos de orações.
2. Isso provavelmente era feito todas as noites, sendo que, de uma maneira mais formal, embora simples, a ceia
como ordenança, era realiz ada uma vez por semana, no primeiro dia.
3. Veja o v. 46: "E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com
alegria e singeleza de coração" (Atos 2:46 RC).
4. Não é incrível?
5. Não é um exemplo para nós hoje, que já achamos muito dois ou três dias por semana?
6. Vamos a outra característica:

IV. Uma Igreja Evangelíst ica

1. Até aqui vimos os aspectos internos na vida da Igreja, e vimos que eles eram perseverantes nestas áreas.
Mas é importante que a Igreja se movimente também em direção ao mundo, num movimento de
evangeliz ação.
2. Charles H. Spurgeon já diz ia:

"Preferiria ser o instrumento para salvar uma alma da morte a ser proclamado como o melhor pregador da
Terra. Sim, sentiria um júbilo bem mais intenso em traz er uma pobre mulher aos pés de Cristo do que ser
designado Arcebispo de Canterbury. Ganhar uma alma que ia diretamente para o inferno é um triunfo mais
glorioso do que ser coroado príncipe na arena das controvérsias religiosas. Oh, que alegria ao se voar
para os céus, encontrar lá uma multidão de convertidos, e, ao entrar na glória, poder diz er: "Aqui estou,
Pai, com os filhos que me deste!"(Extraído de Manancial de Ilustrações, de Moysés M. de Oliveira – JUERP)

3. Aquela Igreja era uma Igreja que ganhava almas, uma Igreja evangelística. É só lermos a parte b do v. 47 para
chegarmos a essa conclusão: "E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar."
(Atos 2:47 RC)
4. Mas notem que:
a. Era o Senhor quem acrescentava à igreja. Porém, sem dúvida, ele o faz ia através da pregação dos
apóstolos e do testemunho dos membros da Igreja, do amor impressionante na vida comunitária deles
e do exemplo de todos, pois estavam louvando a Deus e contando com a simpatia de todos.
b. O Senhor acrescentava pessoas dia a dia. Isso mostra que a evangeliz ação não era algo ocasional
na vida da Igreja Primitiva, mas algo diário.

"O culto deles era diário, e assim também o testemunho. O louvor e a proclamação eram o
transbordamento natural de corações cheios do Espírito Santo. Eles buscavam pessoas de fora
continuamente, e então os convertidos eram acrescentados continuamente"(John R. W. Stott, em
"Efeito do Pentecoste na Vida da Igreja", publicado na revista Educação Cristã, Vol. X – SOCEP)

5. Este é outro grande exemplo daquela Igreja que devemos seguir.


6. Precisamos nos esforçar para sermos uma Igreja evangelística, que colha diariamente os seus frutos.

Conclusão

1. Desejo de aprender,
2. Koinonia (comunhão) motivada pelo amor,
3. Adoração e
4. Evangeliz ação.
5. Estas são marcas de uma Igreja neotestamentária, uma Igreja cheia do Espírito Santo.
6. A Igreja Primitiva dá- nos esses exemplos.
7. Que possamos aprender como seguí- los, e seguí- los fielmente.

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