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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

DEPARTAMENTO DE QUÍMICA

QUÍMICA ORGÂNICA EXPERIMENTAL

MARIA ROSA MARTINS SALES BARRETO

CONHECENDO MATERIAIS DE LABORATÓRIO

VITÓRIA

AGOSTO, 2021
1. INTRODUÇÃO

“A atividade experimental possibilita a introdução de conteúdos a partir de seus


aspectos macroscópicos, por meio de análises qualitativas dos fenômenos”
(MACHADO, 2008, p. 57). Sendo assim, devido à sua importância, toda e
qualquer atividade desempenhada em um laboratório, especialmente o de
química, requer atenção e cuidado maiores por parte de quem irá executá-las,
visto que a variedade de peças e equipamentos, assim como a de substâncias
e compostos nocivos é grande, colocando muito em risco, caso haja uma
postura inadequada para este ambiente.

Nesse cenário, existem diversas vidrarias e instrumentos que exigem cuidados


específicos, como o correto manuseio dos diferentes tubos de ensaio e/ou
balões volumétricos, provetas, buretas, entre outros. Cada um desses
equipamentos é destinado à sua determinada função, sendo necessário o
estudo e a compreensão de todas elas, pois qualquer desvio pode resultar em
perdas significativas tanto para o experimento realizado, quanto para o
laboratório físico num aspecto geral.

Portanto, conhecer os aparelhos de um laboratório é de extrema importância e


requer seriedade, para que acidentes e desperdícios sejam evitados da melhor
forma possível e para que todo o conteúdo a ser analisado seja adquirido e
aproveitado.

1.1 OBJETIVOS

Por ser “uma ciência extremamente prática que tem grande impacto no
dia-a-dia” (BROWN, LEMAY, BURSTEN. 2005. P.17), a Química requer um
estudo aprofundado e experimental, que é proporcionado nas aulas práticas,
nos laboratórios. Os objetivos da primeira aula experimental no modelo de
ensino a distância incluem proporcionar um contato maior entre os estudantes
e os equipamentos fundamentais do mesmo, para que seja possível fazer a
correta utilização deles, associando-se a nomenclatura adequada às suas
respectivas funções.

2. PARTE EXPERIMENTAL

2.2 MATERIAL UTILIZADO:


Inicialmente, na aula de modelo EARTE foram apresentados à turma as
seguintes vidrarias e materiais próprios de laboratório: tubos de ensaio, tubo de
polietileno (eppendorf), bécher, erlenmeyer, kitassato, balão volumétrico (o
balão de fundo chato, de fundo redondo, de destilação, de 2 ou 3 juntas),
proveta, bureta, pipeta (graduada e volumétrica), o pipetador ou pêra,
micropipetas e ponteiras, funil, funil de separação ou ampola, funil de Buchner,
vidro de relógio, dessecador, condensador (o reto, o de bolas, o de espiral),
gral e pistilo, suporte universal, mufa e garra, pinças, pinça de madeira, bico de
Bunsen, tripé, tela de amianto, argola, espátula, bastão de vidro, estante,
pissete, escovas, balança, balança analítica, centrífuga, estufa, chapa elétrica
ou placa aquecedora, forno mufla, banho-maria e manta aquecedora. Desse
ponto em diante, será discutido um experimento que colocará em prática o uso
de alguns materiais citados.

Foram utilizados os seguintes materiais nos experimentos realizados:


● 1 béquer de 50 e 100 mL, com escala
● 1 erlenmeyer de 125 mL, com escala
● 1 proveta de 25 e 50 mL, com escala
● 1 pipeta graduada de 5 mL
● 1 pipeta volumétrica de 10 (P) e 25 mL
● 1 pipetador (pêra) de borracha (P)
● 1 bureta de 50 mL
● Suporte universal com pinça dupla tipo Casteloy para bureta
● 1 balão volumétrico de 100 mL (P)
● 6 tubos de ensaio P
● 1 pisseta
● 1 espátula
● 1 bastão de vidro
● 1 funil de vidro com haste curta (P)
● 1 balança analítica
Os reagentes utilizados foram:
● 0,15 g de NaCl (cloreto de sódio)
● 100 mL de água destilada

2.3 PROCEDIMENTO:
Foram realizados dois procedimentos no total. No primeiro, o objetivo era
demonstrar como devem ser utilizadas as vidrarias de medição de volumes
precisos e, no segundo, demonstrar como utilizar a balança semi-analítica ou a
analítica digital.
No primeiro procedimento, foram realizados cinco experimentos. No primeiro
desses experimentos foi utilizado um béquer de 100 mL e uma proveta de 50
mL. Precisou-se medir 50 mL de água no béquer de 100 mL, transferir para a
proveta de 50 mL, medir o nível da água na escala e, em seguida, calcular o
erro relativo. No segundo experimento, foi utilizado um erlenmeyer de 125 mL
para medir 50 mL de água, transferir para uma proveta de 50 mL, medir o nível
da água na escala e, assim, calcular o erro relativo. No terceiro experimento, foi
cheia uma bureta de 50 mL com água até seu menisco, caracterizado por ser a
superfície do líquido (a substância utilizada nesse experimento foi a água
comum) comparada com a escala do recipiente utilizado, e transferida, gota a
gota, o volume da bureta para um béquer de 100 mL. Em seguida, foi
transferida novamente para uma proveta de 50 mL. Observando-se o limite da
água na escala, comparou-se com as anteriores e calculou-se o erro relativo.
No quarto experimento, foi usada uma pipeta volumétrica de 25 mL com água
para transferir para uma proveta de 25 mL. Logo após, observou-se o limite da
água na proveta e mediu-se o erro relativo. No quinto experimento, foi usada
uma pipeta graduada de 5 mL; 1 mL; 2 mL; 1,5 mL; 2,7 mL e 3,8 mL.
Posteriormente, transferiu-se esses volumes para tubos de ensaio com o
objetivo de treinar o manuseio do instrumento e o uso da pipetagem.
O segundo procedimento foi dividido em duas partes. A primeira consistiu no
preparo da solução de cloreto de sódio (NaCl) e água destilada, com os
devidos cuidados, utilizando a balança analítica para dosar corretamente a
quantidade necessária do sal. Depois, iniciou-se a etapa da diluição. Nesse
momento, a solução, que foi misturada mecanicamente com um bastão em um
béquer, perdeu cerca de 10 mL de seu volume, que foi transferido para outro
balão volumétrico de 100 mL, visto que não havia um de 50 mL disponível para
o grupo naquele momento. Ao fim da operação, calculou-se a concentração em
mol.L-1 da solução produzida, relevando o valor da concentração da solução
diluída e do valor pesado da massa de NaCl. 
Ao término de todos os experimentos realizados na aula, todas as vidrarias
utilizadas pelo grupo foram devidamente lavadas e guardadas, e todas as
soluções usadas foram corretamente descartadas.

Foto 1- Imagem de um balão volumétrico, que no experimento foi utilizado para


dissolver a solução de NaCl.

Foto 2 - Tubos de ensaio com tamanhos variados.


Foto 3 – exemplo de uma Proveta, material que no experimento foi utilizada
para medir 5 mL; 1 mL; 2 mL; 2,7 mL e 3,8 mL e os tubos de ensaio com as
respectivas quantidades de água.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

No experimento foi necessário medir 50 mL de água em um béquer de 100 mL


e, logo após, transferir para a proveta de 50 mL. Verificando-se as medidas e
comparando-as, foi-se obtido um erro relativo de 8%, como mostra o cálculo
abaixo:

E relativo = │(X-Xv/Xv).100│

Onde:

X = volume aferido (nesse experimento o volume aferido foi de 46 mL)

Xv = volume determinado pelo fabricante a 20 ºC (nesse caso, o volume é de


50 mL)

E relativo = │( 46 – 50 / 50 ) . 100│

E relativo = │( - 4 / 50 ) . 100│

E relativo = │( - 0,08 ) . 100│


E relativo = │- 8 │

E relativo = 8%

O erro relativo refere-se à diferença existente entre o grau de precisão das


vidrarias utilizadas para medir o volume da solução, que tiveram uma margem
de erro de 8%, nesse caso.

No experimento II, item b, 50 mL de água foi medido em um erlenmeyer de 125


mL e, logo depois, também foi transferido para uma proveta de 50 mL. Ao se
comparar as escalas obtidas, percebeu-se um erro relativo de 6%, onde:

E relativo = │(X-Xv/Xv).100│

X = volume aferido (nesse experimento o volume aferido foi de 53 mL)

Xv = volume determinado pelo fabricante a 20 C (nesse caso, o volume é de 50


mL)

E relativo = │( 53 – 50 / 50 ) . 100│

E relativo = │( - 3 / 50 ) . 100│

E relativo = │( - 0,06 ) . 100│

E relativo = │- 6 │

E relativo = 6%

Já no experimento III do item b da apostila, uma bureta de 50 mL foi cheia com


água (certificando-se o menisco e a presença ou não de bolhas de ar no
recipiente). Após essa etapa, a substância foi transferida, gota a gota, para um
béquer de 50 mL.

Cálculo:

E relativo = │(X-Xv/Xv).100│

X = volume aferido (nesse experimento o volume aferido foi de 49 mL)

Xv = volume determinado pelo fabricante a 20 ºC (nesse caso, o volume é de


50 mL)
E relativo = │( 49 – 50 / 50 ) . 100│

E relativo = │( - 1 / 50 ) . 100│

E relativo = │( - 0,02 ) . 100│

E relativo = │- 2 │

E relativo = 2%

E, logo depois, transferiu-se o volume do béquer para uma proveta, também de


50 mL.

E relativo = │(X-Xv/Xv).100│

X = volume aferido (nesse experimento o volume aferido foi de 53 mL)

Xv = volume determinado pelo fabricante a 20 ºC (nesse caso, o volume é de


50 mL)

E relativo = │( 53 – 50 / 50 ) . 100│

E relativo = │( - 3 / 50 ) . 100│

E relativo = │( - 0,06 ) . 100│

E relativo = │- 6 │

E relativo = 6%

Ainda no item b, o experimento IV consistia em medir, com uma pipeta


volumétrica, 25 mL de água e, depois, transferir para uma proveta de 25 mL.
Comparando-se as escalas, obteve-se:

E relativo = │(X-Xv/Xv).100│

X = volume aferido (nesse experimento o volume aferido foi de 24,9 mL)

Xv = volume determinado pelo fabricante a 20 ºC (nesse caso, o volume é de


25 mL)

E relativo = │( 24,9 – 25 / 25 ) . 100│

E relativo = │( - 0,1 / 25 ) . 100│


E relativo = │( - 0,004 ) . 100│

E relativo = │- 0,4 │

E relativo = 0,4%

4. CONCLUSÃO

Ao final dessa primeira aula experimental de Química Orgânica, pode se


observar e conhecer melhor a maioria das vidrarias e equipamentos de
laboratórios.

Ademais, foi possível constatar, com os experimentos, a existência do


chamado erro relativo, ou seja, a incerteza e a imprecisão de instrumentos de
medida que, por mais confiáveis e reconhecidos que sejam, sempre oferecem
uma margem de erro para as experiências que necessitam ser levados em
consideração para que danos maiores possam ser evitados ou, pelo menos,
computados, caso a sua ocorrência possa não ser impedida.

5. BIBLIOGRAFIA

ANSELMO, P. D. (2010). Técnicas de Trabalho com Material. Acesso em 07


de Setembro de 2019, disponível em portais.ufg.br:
https://portais.ufg.br/up/56/o/Transformacoes_volumetrico.pdf

BROWN, T. L.; LEMAY JR, H. E.; BURSTEN, B. E. Química: a ciência central.


Trad. RM Matos. 2005.

ISHAK, R.; LINHARES, Alexandre da Costa; ISHAK, M. O. G. Biossegurança


no laboratório. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, v.
31, n. 2, p. 126-131, 1989. 
MACHADO, Patricia Fernandes Lootens; MÓL, G. de S. Experimentando
química com segurança. Química nova na escola, v. 27, n. 1, p. 57-60, 2008.

SAVOY, Vera L. Noções básicas de organização e segurança em laboratórios


químicos. Biológico, São Paulo, v. 65, n. 1/2, p. 47-49, 2003. 

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