Você está na página 1de 46

RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA DO BRASIL

MINISTÉRIO DE FORMAÇÃO

APOSTILA 3
MÓDULO BÁSICO

GRUPO DE ORAÇÃO
C O M I S S Ã O N A C I O N A L DE F O R M A Ç Ã O D A R E N O V A Ç Ã O CARISMÁTICA C A T Ó L I C A

ATUALIZADA

" 3

RCCBRASIL
Renovação Carismática Católica
Copyright © Escritório Administrativo da R C C B R A S I L - 2013

A r t e , diagramação e capa >


Priscila L. G . F. Carvalho

Revisão d e s t a edição:

Comissão Nacional de Formação da Renovação Carismática Católica

RCCBRASIL

CIP. B r a s i l . C a t a l o g a ç ã o n a F o n t e
B I B L I O T E C A NACIONAL - FUNDAÇÃO M I G U E L DE C E R V A N T E S

ISBN: 978-85-52740-66-4 CDU:2

ISBN:CDU:2
Caro leitor, pessoas cristãs, ou simplesmente honestas, não necessitam do jugo da lei para
fazerem o que é certo. Pensando nisso, a RCCBRASIL está lhe dando cinco bons motivos para
não copiar o material contido nesta publicação (fotocopiar, reimprimir, etc), sem permissão
dos possuidores dos direitos autorais. Ei-los: - ' * =- •
1. A RCC precisa do dinheiro obtido com a sua venda para manter as obras de evangelização
que o Senhor a tem chamado a assumir em nosso País;
2. É desonesto com a RCC que investiu grandes recursos para viabilizar esta publicação;
3. É desonesto com relação aos autores que investiram tempo e dinheiro para colocar o
fruto do seu trabalho à sua disposição;
4. É um furto denominado juridicamente de plágio com punição prevista no artigo 184 do
Código Penal Brasileiro, por constituir violação de direitos autorais (Lei 9610/98);
5. Não copiar material literário publicado é prova de maturidade cristã e oportunidade de
exercera santidade.

IMPRESSO N O BRASIL
Printed in Brazil
SUMARIO

Capítulo 1. O GRUPO DE ORAÇÃO


1. I N T R O D U Ç Ã O 09
2. O COORDENADOR DO GRUPO DE O R A Ç Ã O 11
3. O NÚCLEO DE SERVIÇO 12
3. L Critérios para composição do núcleo de serviço: !3
3.2. As finalidades do núcleo são : 13
3.3. A reunião do núcleo de serviço 14
4. O SERVO DE JESUS NO GRUPO DE O R A Ç Ã O DA RCC 15
5. MINISTÉRIOS N O GRUPO DE O R A Ç Ã O 16
5.1. Cada ministério é sustentado por um carisma específico 17
5.2. A autoridade do ministro é exercida na autoridade de .lesus 17
5.3. O Espírito Santo é a fonte dos ministérios 17
6. F U N D A M E N T A Ç Ã O DOUTRINÁRIA 17
7. C O N C L U S Ã O 18

Capítulo!. A REUNIÃO DE ORAÇÃO:


CONCEITO. FINALIDADES E CARACTERÍSTICAS

1. I N T R O D U Ç Ã O 19
2. CONCEITO 19 "••
2.1 A reunião de oração não é: 20
3. FINALIDADES 21
3.1. Para louvar o Senhor 21
3.2. Para proporcionar a experiência do batismo no Espírito 21
3.3. Para evangelizar querigmaticamente 21
3.4. Para construir a comunidade cristã ———— 21
4. CARACTERÍSTICAS 22
4.1. Centralizada na pessoa de Jesus 22
4.2. Carismática 22
4.3. Fraterna e alegre —-— 22
4.4. Espontânea e expressiva 22
4.5. Ordenada— — 22
5. C O N C L U S Ã O 23

Capítulo 3. PREPARAÇÃO E CONDUÇÃO DA REUNIÃO DE ORAÇÃO


1. I N T R O D U Ç Ã O 25
2. P R E P A R A Ç Ã O 25
Apostila 3 do Módulo Básico - G r u p o de O r a ç ã o

2.1 Intercessão 25
2.2 Rhema 26
2.3 Oração antecedente da equipe 26
3. C O N D U Ç Ã O 26
3.1 Preliminares 26
3.2 Animação 26
3.3 A oração; o papel do dirigente 27
3.4. Sucedentes 28
4. C O N C L U S Ã O 29

Capítulo 4. ELEMENTOS DA REUNIÃO DE ORAÇÃO


1. I N T R O D U Ç Ã O 31
2. ELEMENTOS DA R E U N I Ã O DE O R A Ç Ã O 32
2 . 1 . 0 louvor 32
2.2. A oração em línguas 33
2.3. O canto 33
2.4. O silêncio 34
2.5. Ato Penitencial 34
2.6. A pregação 34
3. C O N C L U S Ã O 37

Capítulo 5. OS SERVIÇOS N A REUNIÃO DE ORAÇÃO


1. I N T R O D U Ç Ã O 39
2. A L G U M A S EQUIPES DE SERVIÇO DA REUNIÃO DE O R A Ç Ã O 39
2.1. Equipe de arrumação 39
2.2. Equipe de acolhimento e recepção 39
2.3. Ministério de música 40
2.4. Ministério para crianças — — — 40
2.5. Ministério de intercessão 40
2.6. Ministério de Pregação — — 41
2.7. Ministério de oração por cura e libeilação 41
3. C O N C L U S Ã O 42

Capítulo 6. O GRUPO DE PERSEVERANÇA


1. INTRODUÇÃO _ • — 43
2. C O N S I D E R A Ç Õ E S GERAIS 43
3. A L G U M A S O B S E R V A Ç Õ E S IMPORTANTES ACERCA DO GRUPO DE PERSEVERANÇA 44
4. GRUPO DE PERSEVERANÇA: COMO ORGANIZAR 44
5. LÍDERES E M POTENCIAL 45
6. F U N D A M E N T A Ç Ã O BÍBLICA 46
7. COMO L I D A R C O M PROBLEMAS NO GRUPO DE PERSEVERANÇA 47
8. F U N D A M E N T A Ç Ã O DOUTRINÁRIA 48
9. C O N C L U S Ã O 49

BIBLIOGRAFIA 50

6
--^ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

APRESENTAÇÃO

Esta formação quer aprofundar a reflexão sobre o Grupo de Oração, uma das
mais importantes expressões da R C C , sua célula principal.
Grupo de Oração é a caminhada de uma pequena comunidade da R C C , inserida
numa Paróquia, Capela, etc.
Baseados em A t 2,1-47, se estudará o G O em seus três momentos distintos:
Equipe Núcleo de Serviço (grupo fechado). Reunião de Oração (aberto) e Grupo de
Perseverança (fechado).

Neste momento a manifestação da vivência da "Cultura de Pentecostes" não


se pode recuar! É hora de buscar a vivência da identidade da R C C em todas as suas
dimensões!

<s O Batismo no Espírito Santo que se expressa numa experiência do derrama-


mento do Espírito Santo,gerando verdadeira transformação de vida, como diz o Santo
Padre: " O movimento carismático católico é um dos numerosos frutos do Concílio
Vaticano II que, como um novo Pentecostes, suscitou na vida da Igreja um extraordi-
nário florescimento de agregações e movimentos, particularmente sensíveis à ação do
Espírito. C o m o não dar graças pelos preciosos frutos espirituais que a Renovação ge-
rou na vida da Igreja e de tantas pessoas? Quantos fiéis leigos - homens, mulheres, jo-
vens, adultos e anciãos - puderam experimentar na própria vida o maravilhoso poder
do Espírito e dos seus dons! Quantas pessoas redescobriram a fé, o gosto da oração,
a força e a beleza da Palavra de Deus, traduzindo tudo isto num generoso serviço à
missão da Igreja! Quantas vidas mudaram de maneira radical!" (Discurso do Papa João
Paulo II à Comissão Nacional Italiana da Renovação no Espírito Santo, em 11/04/98).

ESPIRITUALIDADE

A espiritualidade desta formação é dada pelos textos: A t 1,14; 2,39.42. Nestes


textos encontramos toda a dinâmica carismática da Igreja Primitiva após o primeiro
Pentecostes. Queremos seguir os apóstolos porque vimos que deu certo!

7
Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

CAPITULO 1

GRUPO DE ORAÇÃO

1. INTRODUÇÃO

o Grupo de Oração é a célula fundamental da O Grupo de Oração da R C C é uma comunida-


Renovação Carismática Católica; é o lugar da expec- de carismática presente numa diocese, paróquia, ca-
tativa e, ao mesmo tempo, da realização da promessa pela, colégio, universidade, presídio, empresa, fazen-
perene de Deus; é cenáculo de Pentecostes dos dias da, condomínio, residência, e t c , que cultiva a oração,
atuais, onde juntamente com Maria nos reunimos a partilha e todos os outros aspectos da vivência
em humilde e unânime oração, para que se cumpra do Evangelho, a partir da experiência do batismo no
a promessa feita tanto para os homens de ontem, Espírito Santo.Tem na reunião de oração sua expres-
quanto para os de hoje:"...acontecerá que derrama- são principal de evangelização querigmatica e que,
rei o meu Espírito sobre todo ser vivo" (Joel 3, la). conforme sua especificidade e mantendo sua identi-
A Palavra de Deus mostra que Jesus dera uma dade, se insere no conjunto da pastoral diocesana e/
ordem a seus discípulos: " E comendo com eles, or- ou paroquial, em espírito de comunhão, participação,
denou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas obediência e serviço. Pessoas engajadas na R C C , lí-
que esperassem aí o cumprimento da promessa de deres e servos - através de encontros, orações e
seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca; por- formação - buscam "fazer acontecer um processo
que João batizou na água, mas vós sereis batizados poderoso de renovação espiritual, que transforma a
no Espírito Santo daqui há poucos dias" (At 1,4-5). vida pessoal do cristão e todos os seus relaciona-
O s discípulos, obedientes a seu Mestre, fizeram exa- mentos com Deus, com a família, com a Igreja e a
tamente o que Jesus lhes ordenara: "Tendo entrado comunidade"'.
no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde cos-
" O objetivo do grupo de oração é levar os par-
tumavam permanecer.Todos eles perseveravam una-
ticipantes a experimentar o pentecostes pessoal, a
nimemente na oração, juntamente com as mulheres,
crescer e chegar à maturidade da vida cristã plena
entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele" (At
do Espírito, segundo os desejos deJesus:'Eu vim para
I , l 3 a . 14). O Grupo de Oração é o mesmo cenácu-
que as ovelhas tenham vida e a tenham em abundân-
lo hoje, o lugar por excelência de cumprimento da
cia' (jo I O, I Ob)"^. Nesse sentido, caracteriza-se por
promessa do Pai, que sempre quer derramar o Espí-
três momentos distintos, porém interdependentes:
rito Santo sobre seus filhos, promovendo assim uma
núcleo de serviço, reunião de oração e grupo de
conversão sincera, uma busca decidida de santidade,
perseverança. Estudaremos aqui estes três momen-
uma vida sob o senhorio de Jesus Cristo, um ardor
tos entrelaçados, com base em Atos 2,1 -47. Observe
missionário renovado, relacionamentos renovados,
na tabela.
um coração voltado para Deus e para os irmãos.

' Alírio J. P E D R I N I , Grupos de Oração, p. 13

' lbid,p. 14

9
Apostila 3 do Módulo Básico - G r u p o de O r a ç ã o

O GRUPO DE ORAÇÃO
A t o s 2 - Igreja Primitiva Grupo de Oração

O s apóstolos e discípulos, Núcleo de serviço — os servos que


reunidos com Maria, a Mãe de lideram o grupo devem experimentar e
Jesus, experimentam o derra- testemunhar o batismo no Espírito San-
Primeiro
mamento do Espírito Santo e to. Eles são responsáveis pelo Grupo de
momento
são transformados por Ele. Esta Oração como um todo. Daí a necessidade
A t 2,1-4 da formação dos diversos serviços: acolhi-
comunidade apostólica sai do ce-
náculo para realizar a missão e mento, pregação, pastoreio, cura, interces-
formar a Igreja com a multidão. são, aconselhamento, formação, música,
ação social, juventude, casais, etc.

Reunião de oração - momento em que


A multidão se ajunta na
a multidão é evangelizada, experimenta a
porta do cenáculo, vê a transfor-
Segundo ação de Deus, testemunha os carismas e
mação dos apóstolos, tem seus
momento tem seu coração tocado. O centro des-
corações compungidos, deseja e
A t 2,5-41 te momento é o louvor, a pregação com
é batizada...
poder e o clamor pela efusão do Espírito
Santo.

Grupo de perseverança - O s que fo-


ram evangelizados devem ser conduzidos
aos grupos de perseverança para cresce-
rem na doutrina, na fraternidade, na parti-
A Igreja Primitiva persevera: cipação da Eucaristia e na vida de oração.
O início da caminhada deve ser feito atra-
1. Na doutrina dos apóstolos vés de um Seminário de Vida no Espírito
seguida de uma Experiência de Oração e
Aprofundamento de Dons, onde as pes-
2. Na comunhão fraterna
soas ouvem e acolhem o 1° anúncio (que-
rigma), que será alicerce para o início da
3. N a fração do pão construção espiritual. Segue-se o Módulo
Terceiro
momento Básico e às Formações específicas dos di-
4. Nas orações. versos ministérios, processo esse deno-
A t 2,42-47
Forma-se, assim, a comunidade minado Escola Permanente de Formação,
cristã, onde não havia necessita- de onde sairão aqueles que serão forma-
dos. dos para assumirem serviços necessários
ao Grupo de Oração. Essas etapas bem
definidas (iniciação querigmatica. Módulo
Básico de Formação e Formações espe-
cíficas para o exercício dos diversos Mi-


nistérios) formam o Processo Formativo
proposto pela R C C B R A S I L Além disso,
mas não sem critério de início e ingresso,
tem-se os Grupos de Perseverança para
todos os participantes, que será uma ca-
tequese permanente.

10
„ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

Importante é salientar que tanto o primeiro se esmerar para implantá-lo em seus Grupos de
momento (Reunião de Núcleo) quanto o terceiro Oração. Discorreremos, de forma prática, sobre
(Grupo de Perseverança) são serviços do Grupo cada um dos três momentos interdependentes que
de Oração, são momentos que convergem para compõem o Grupo de Oração e sobre como levar
o segundo momento que é a Reunião de Oração. os seus participantes à vivência do batismo no Es-
Note-se que nem todos os Grupos de Oração da pírito Santo, para uma vida de santidade e serviço.
Renovação Carismática Católica existentes em
Mas, antes, é preciso descrever a missão do
nosso País possuem o terceiro momento ( G r u -
"servo coordenador do Grupo de Oração". "Tudo
po de Perseverança), mas nem por isso deixam de
o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para
ser um Grupo de Oração da R C C . Entretanto, vi-
o Senhor e não para os homens, certos de que re-
sando à formação contínua da parcela do Povo de
cebereis, como recompensa, a herança das mãos
Deus que lhe foi confiada, as coordenações devem
do Senhor. Servi a Cristo, Senhor" ( C o l 3,23-24).

2. O COORDENADOR DO GRUPO DE ORAÇÃO

Cada grupo de oração deve ter um coor- ordenador, conhecendo as necessidades das pes-
denador que, junto com o núcleo de serviço, soas que participam do Grupo de Oração, agindo
num trabalho conjunto, é responsável por ele. com toda sabedoria e discernimento do Espíri-
" O papel do chefe consiste, principalmente, to, deve buscar a unidade do grupo, "Para que to-
em dar exemplo de oração na própria vida. C o m dos sejam um, assim como tu. Pai, estás em mim
esperança fundada e solicitude cuidadosa, toca e eu em ti, para que também eles estejam em nós
ao chefe assegurar que o multiforme patrimônio e o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17,21).
da vida de oração na Igreja seja conhecido e apli- O coordenador não deve fazer nada mecâni-
cado por aqueles que procuram renovação es- ca ou superficialmente. Nada de negligência (cf Jr
piritual, meditação sobre a Palavra de Deus, uma 48,1 Oa).A obra é do Senhor e, por isso, é necessário
vez que a ignorância da Escritura é ignorância fazer tudo com amor e por amon Para isso, deve pe-
de Cristo (...) Deveis estar interessados em pro- dir os dons do Espírito Santo, principalmente os da
porcionar comida sólida para a alimentação es- Sabedoria, Entendimento e Discernimento:"A sabe-
piritual, partindo o pão da verdadeira doutrina"^ doria do coordenador alimenta-se permanentemen-
Desta afirmação pode-se extrair alguns tópicos te de sua experiência de Deus e do relacionamento
importantes: É importantíssimo que o coordenador pessoal e profundo com Ele... Aliás, a experiência de
seja uma pessoa de intimidade com Deus, de intensa Deus Pai, de Jesus vivo e do Espírito Santo é o funda-
vida de oração e de escuta - seja um Amigo de Deus, mento da vida cristã e a graça maior do batismo no
para que Jesus seja o Senhor do Grupo de Oração Espírito Santo"^. Deve-se lembrar,ainda que a missão
e o Espírito Santo o conduza. O líder a serviço é precisa ser o extravasamento da graça recebida na
aquele que orienta e conduz. Liderança não é do- oração; do contrário, se dará somente de si mesmo.
minação; a liderança espiritual é diferente da lide- É importante que o coordenador observe
rança humana. Coordenar não é fazer tudo, não é outros coordenadores e troque experiências, bem
autoritarismo, mas sim distribuir os trabalhos para como visite outros grupos para absorver os frutos
que a equipe funcione harmonicamente (ministeria- da oração comunitária de maneira mais livre, sem
lidade orgânica), ouvindo a vontade do Senhor na que esteja com a responsabilidade da coordenação
oração, para colocar cada pessoa na atividade certa. geral do grupo do qual faz parte. Note-se que o que
Acerca disso, convém lembrar de uma sábia expres- se propõe aqui não é que o coordenador deva servir
são utilizada pelos bispos brasileiros no Documento também em outro Grupo de Oração, mas visitá-lo.
62 da C N B B , referindo-se ao ministério ordenado, Experiências bem sucedidas devem ser partilhadas
mas que cabe ser aplicada aqui analogamente:"numa e podem enriquecer outros grupos de oração. Em
Igreja toda ministerial, não detém o monopólio da resumo, são características do bom coordenador:
ministerialidade da Igreja. Não é, pode-se dizer, a 'sín-
tese dos ministérios' mas o 'ministério da síntese""*. í J O Ã O P A U L O II apud R E N O V A Ç À O C A R I S M Á T I C A C A T Ó L I C A , L/de-
rança na RCC, p. 54.^ Ibid, p. 14
O modelo do servo líder é Jesus. Por isso, o C N B B , D o c u m e n t o 6 2 , n.° 87.
coordenador deve estar sempre a serviço (cf Mt ' A l í r i o J. P E D R I N I , Grupos de oração, p. 25-26.

20,25-28). A prioridade do serviço é o amor. O co-


11
Apostila 3 do Módulo Básico - G r u p o de O r a ç ã o ^

• Aberto, acolhedor, não se abate facilmente, • Apoie e reconheça o crescimento do irmão;


é artífice da unidade e da paz; possui uma chama viva • Forme servos-líderes melhores que ele e
dentro de si que contagia a todos (cf. 2Tim 1,6-9); não tenha medo de "perdê-los" para outros serviços
• Organizado, obediente, de boa intenção (cf. dentro da R C C , até porque independentemente de
Bar 6,59-62); outros chamados, devem permanecer fieis ao Grupo
• Tem consideração com os outros (cf. I Tes 5,12-13); de Oração, que é a célula principal da R C C ;

• É um " b o m " pastor, acompanhando as "ove- • Não resista às mudanças (cf. Rm 12,2);
lhas" de perto, com todo o zelo e dedicação; • Não seja apegado ao "cargo" de coordena-
• Caminha no Espírito (cf. G l 5,24-26); dor, mas enxergue tal função como algo sublime e de
grande responsabilidade; um chamado para deter-
• Trabalhaemequipe,nãocentralizaasatividades;
minado tempo em sua vida. Nessa perspectiva, sua
• Tem domínio, encorajando os tímidos, con- coordenação "precisa ser a melhor coordenação da
trolando os faladores; história em prol do Reino de Deus", não se tratan-
• Temzelo,ordem,compromissoepontualidade; do aqui de uma competição com ex-coordenadores
• É perseverante em todos os momentos do e entre líderes, mas cada um precisa ter essa meta
Grupo de Oração; bem definida, para o bem das almas.

• Tem uma mentalidade aberta à ação do Es-


pírito Santo, que quer transformar sem cessar e se C a b e t a m b é m ao c o o r d e n a d o r discernir
manifesta com criatividade; c o m o núcleo d e s e r v i ç o as necessidades do
G r u p o de O r a ç ã o e , a p a r t i r daí:
• É conhecedor da doutrina da Igreja;
• Mantém vínculos estreitos de comunhão • Usar criatividade nas reuniões de oração;
com as demais instâncias de coordenação da R C C , • Proporcionar seminários, retiros de experi-
estando sempre a par dos acontecimentos e inseri- ência de oração,aprofundamentos de finais de semana;
do nas moções proféticas dadas ao Movimento;
• Encaminhar para eventos da R C C e outros;
• É amplamente comunicativo, fazendo chegar • Aproveitar todas as oportunidades para o
todas as informações relativas à vida do Movimento crescimento,a perseverança e a santidade de cada um.
ao povo a ele confiado, motivando todas as pessoas
O coordenador é um servo líder. O Grupo de
a sempre se inserirem no contexto.
Oração precisa de sua liderança fiel ao Senhor, sábia
e santa."Não fostes vós que me escolhestes, mas eu
Ainda, é necessário que o coordenador:
vos escolhi a vós e vos constituí para que vades e
• Dê oportunidade a todos, sem preconceitos produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim
ou "rotulações". O que erra hoje, amanhã poderá se vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao
tornar um grande líder nas mãos do Senhor; Pai em meu nome, ele vos conceda" (jo 15,16).

3. O NÚCLEO DE SERVIÇO:
Primeiro momento do grupo de oração

O Grupo de Oração não se resume à reunião estão indo. Inclui também mecanismos para desen-
de oração, embora esse seja o seu momento pecu- volver o crescimento e a perseverança dos mem-
liar. Há necessidade de se ter uma caminhada progra- bros, introduzindo-os numa experiência comunitária
mada que considere as necessidades dos participan- e catequética.
tes e como fazer para supri-las de forma contínua e Todo grupo de oração carismático tem sua co-
com qualidade. esão, boa ordem, planejamento e continuidade asse-
U m bom planejamento para o Grupo de O r a - gurados pelo núcleo de serviço, que é um pequeno
ção abrange todos os serviços e ministérios, e as- grupo de servos que assume o grupo todo em sua
sim pode-se trabalhar de forma coordenada porque espiritualidade e estrutura.
cada um sabe o que fazer, e todos sabem para onde

12
. Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

3.1. C r i t é r i o s p a r a c o m p o s i ç ã o d o n ú - 3.2.As finalidades do núcleo são':


cleo de serviço:
a) Avaliar o que Deus fez em cada reunião de
O Núcleo de Serviço deve ser composto pelo oração, não dizendo "foi b o m " ou "deveria ter sido
Coordenador do Grupo de Oração, pelo ex-co- melhor", mas discernindo em oração o que Deus
ordenador imediatamente anterior ao atual, pelos disse. Pode-se avaliar como foi a reunião de oração
respectivos coordenadores/ representantes dos di- anterior respondendo, com todo o núcleo, a alguns
versos ministérios exercidos no Grupo de Oração questionamentos, tais como: " A Palavra pregada foi
(Intercessão, Música, Crianças, Pregação, Oração por acolhida?","Os louvores foram cheios de amor e ale-
C u r a e libertação, Formação,Arrumação,Acolhimen- gria?", " O s cantos foram ungidos e levaram o povo
to e recepção, e t c ) , podendo-se, ainda, de acordo a louvar?", " C o m o foi a acolhida?","Houve profecias
com a necessidade, convidar outras pessoas que em- e outras práticas carismáticas?", "Houve testemu-
bora não coordenem qualquer ministério no Grupo nhos?","Como foi a evangelização?","Foi enriquece-
de Oração, preencham os quesitos mínimos neces- dora a manifestação da caridade, da fraternidade, da
sários para tal função, dentre eles, uma adequada for- comunhão?", etc.
mação e razoável capacidade de discernimento, além
b) Acompanhar e assistir os fieis que estão no
da confirmação da comunidade.
grupo em suas necessidades pessoais (doenças, difi-
Nos Grupos em que não haja ainda o exercí- culdades de oração, perda de paciência, ausência das
cio dos ministérios elencados acima, o núcleo será reuniões, etc) encaminhando-os aos serviços (inter-
composto pelo Coordenador do Grupo de O r a - cessão, oração por cura e libertação, cura interior,
ção, pelo ex-coordenador imediatamente anterior grupo de perseverança, etc).
ao atual e por um grupo de pessoas que possuam c) Revezor-se na condução da reunião de oração,
discernimento, sejam emocionalmente equilibradas, sempre em um clima de fraternidade e cooperação.
possuam reputação moral e espiritual ilibada, sejam
d) Interceder constantemente pelo Grupo de
afeitas à formação permanente e sejam espiritual-
Oração do qual faz parte.
mente amadurecidas.
e) Preparar as reuniões do Grupo de Oração,
O s Grupos de Oração da R C C surgem, geral-
distribuindo os serviços e responsabilidades, esco-
mente, a partir de um Seminário de Vida no Espírito,
lhendo, preparando a pregação e rezando por aque-
seja por iniciativa missionária de membros de outro
les que desempenharão alguma função.
Grupo ou da coordenação diocesana/regional da
R C C , seja a pedido da comunidade paroquial. Nesta O s membros do núcleo de serviço do
hipótese de criação de um novo Grupo de Oração, o Grupo de Oração devem ser bem forma-
seu núcleo será formado por alguns dos servos que dos e profundamente dados à oração, treina-
trabalharão no Seminário, apoiados de perto pela dos no discernimento comunitário, obedientes
Equipe Diocesana e/ou pela equipe do Grupo que e dispostos a dar a vida no serviço do Senhor.
o originou, sendo-lhes assegurada ampla formação C o m o o próprio nome diz, núcleo de serviço é
para sua missão. um serviço do Grupo de Oração (cf A t 6,1 -7); é um
grupo de pessoas a serviço dos irmãos. As pessoas
que o integram devem assumi-lo como um chamado
O B S . : É muito importante que todas as lideran-
do Espírito.
ças da R C C perpassem todo o Processo Formativo
do Movimento, que se inicia com o seu Processo Fazer parte do núcleo não é condição de des-
de Iniciação que é querigmático (SVE, Experiência taque, mas posto de serviço aos irmãos, para que
de Oração e Aprofundamento de Dons), prossegue Jesus seja o destaque em suas vidas. O objetivo do
com o Módulo Básico de Formação (I I encontros núcleo de serviço é louvar, orar, interceder pelo gru-
incluindo-se o Módulo de Formação Humana in- po, discernir e aplicar a orientação para o grupo. Sua
tercalado às apostilas do Módulo Básico, conforme missão é evangelizar e formar os membros do grupo
orientação do Ministério de Formação da R C C ) , e levá-los a uma profunda experiência com Deus, de
seguido das formações específicas para o exercício vida no Espírito Santo, inserindo-os no conjunto da
dos diversos ministérios, conforme o discernimento Igreja. " Q u e os homens nos considerem, pois, como
vocacional de cada um para servir a Deus no Movi- simples operários de Cristo e administradores dos
mento. mistérios de Deus. O r a , o que se exige dos adminis-
tradores é que sejam fiéis" (I C o r 4,1 -2).

' Cf. E m m i r N O G U E I R A et al, Grupo de oração, p. 7.

13
Apostila 3 do Módulo Básico - G r u p o de O r a ç ã o ^
'//////////////////////////^^^^

O perfil Ideal do participante do núcleo inclui: do núcleo é base para toda a motivação do povo.
Nesse sentido, a reunião de núcleo envolve
• Constância nas reuniões de oração;
uma ampla prática carismática, privilegiando-se a es-
• Frutos de conversão; cuta profética do Senhor visando o direcionamento
• Responsabilidade; geral para o Grupo de Oração, bem como à prepa-
ração da próxima reunião de oração mediante a Pa-
Maturidade humana e espiritual;
lavra Rhema (chave, direção certa) que será pregada
• Equilíbrio emocional; e a moção que conduzirá aquela Reunião de Oração.
• Reputação moral e espiritual ilibada;
A motivação é o amor de Deus. O núcleo tem
• Carisma de liderança; que rezar, rezar e rezar para que o Pentecostes se
• Senso eclesial; repita para ele e para todos aqueles que são chama-
dos de acordo com a vontade de Deus (cf.At 2,39) e
• Relativa aceitação comunitária, entre outras
que renove as manifestações dos carismas.
características.
O núcleo d e s e r v i ç o do Grupo de Oração
Nem sempre a pessoa que "reza mais" ou aque- deve reunir-se semanalmente, com dia e horário de-
la mais "espiritual" é a mais indicada para fazer parte finido, para melhor exercer seu apostolado; e deve
do núcleo. N o geral, o coordenador deve escolher haver sigilo absoluto do que ali for tratado. Frise-
seus auxiliares em oração e com bastante cautela e se que e s t a reunião s e m a n a l d a qual e s t a m o s
discernimento. t r a t a n d o é r e s t r i t a ao núcleo, q u e é u m a das
Geralmente as pessoas precisam de algum tem- diversas equipes do G r u p o d e O r a ç ã o e é par-
po de caminhada no Grupo de Oração antes de fa- te da grande equipe. Portanto, esta reunião não é
zerem parte do núcleo de serviço. Uma pessoa que destinada a todos os servos do Grupo de Oração,
está chegando no Grupo de Oração precisa, antes, mas somente aos membros do núcleo de serviço.
ser "conquistada", "seduzida" por Jesus através de Nada impede - e é até recomendável - que periodi-
uma evangelização querigmatica bem sedimentada, camente todos os servos do Grupo de Oração - in-
seguida de uma inserção sempre mais profunda na cluindo-se, obviamente, o Núcleo - se reúnam para
X etapa da evangelização, isto é, a formação. Supri- rezar, escutar o Senhor e serem batizados no Espíri-
mir esse processo de iniciação pode gerar grandes to Santo. Inclusive, seria saudável que cada uma das
prejuízos à pessoa convidada a servir no núcleo, bem várias equipes dos ministérios exercidos no Grupo
como ao próprio Grupo de Oração. de Oração - além do Ministério de Intercessão -
pudessem se reunir semanalmente, para crescerem
As pessoas menos indicadas para pertencerem em seu ministério. N o entanto, a reunião de Núcleo,
ao núcleo de serviço são: as que têm algum desequi- definitivamente, não é o momento para que todos
líbrio emocional/psíquico ou carências afetivas mui- os servos se reúnam.
to fortes; as que se relacionam mal e perturbam a
paz; pessoas autoritárias, imaturas no uso dos caris- Ainda acerca da reunião de núcleo, esta deve
mas ou que tenham restrições à doutrina da Igreja. contemplar uma avaliação criteriosa da reunião de
Também é preciso tomar cuidado com aquelas que oração anterior, que ressalte os pontos positivos -
utilizam o núcleo para tentarem solucionar proble- que devem ser sempre valorizados, bem como os
mas pessoais ou para se auto-afirmarem. pontos de melhoria, sejam do grupo como um todo
ou relativo a determinadas pessoas do núcleo e de-
mais equipes. Observe-se que toda avaliação deve
3.3. A r e u n i ã o d o n ú c l e o d e s e r v i ç o
ser construtiva, isto é, movida pelo empenho de ob-
A reunião do núcleo é o momento da experi- ter sempre mais aperfeiçoamento espiritual e huma-
ência de Pentecostes, como que a repetição do cená- no, tudo isso regado a muita caridade cristã. Aquele
culo vivido pelos primeiros cristãos (cf.At 2,1 -4). N a que recebe a avaliação deve, por sua vez, processá-la
reunião do núcleo, cada participante vai ficar motiva- em seu coração com o amor e paz dos filhos de
do e vai motivar o Grupo de Oração a partir de sua Deus, aproveitando a exortação para se aperfeiçoar
experiência. A reunião de oração deve transbordar sempre mais na obra do Senhor.Assim, as peculiari-
a experiência que o núcleo de serviço teve, pois S. dades no exercício dos diversos ministérios devem
Pedro, em seu discurso, afirmou que o Espírito Santo ser avaliadas para o bem comum.
estava sendo derramado e era possível ver e ouvir Nesse sentido, não deve haver em nosso meio
isto ( c f . A t 2,33). Daí brota a pregação, que supera um excesso de respeito humano, isto é, não querer
as expectativas de todo o povo. Então, a experiência desagradar o outro com sua avaliação, o que impe-

14
Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

de O verdadeiro crescimento do irmão de núcleo. Cabe ao Núcleo, ainda, interceder confiante-


Cuidado para não cair na tentação de dizer "tudo mente por todas as necessidades do Grupo de O r a -
vai bem, quando na verdade, tudo vai mal (Jr 8,1 I ) , ção e pelo bom andamento do mesmo, implorando
quando for o caso. Por outro lado, de modo al- ao Senhor o derramamento perene de sua graça e
gum pode-se fazer de nossas reuniões de núcleo bênçãos sobre todos os seus membros e consagran-
momentos de desgastes de relacionamento ou de do ao Senhor o seu povo. O s membros do Núcleo
discussões entre irmãos. Daí decorre também a ne- são os primeiros intercessores do Grupo de Oração,
cessidade de maturidade da parte dos membros do sem prejuízo da equipe do Ministério de Intercessão.
núcleo.
O s assuntos administrativos referentes ao G r u -
Alguns aspectos da avaliação devem ser obser- po de Oração também serão discutidos e resolvidos
vados: na reunião de núcleo.
1) O q u e a c o n t e c e u n a verdade? (É impor- Uma observação importante:"Os membros do
tante a boa comunicação na avaliação) núcleo de serviço devem fazer uma pequena reunião
2) Possíveis causas p a r a tal a c o n t e c i m e n t o . pelo menos meia hora antes do início da Reunião de
(Ir à raizdo problemaé umgrande passo paradirimi-lo) Oração para não entrarem na mesma 'a frio'. Devem
'aquecer-se' na presença do Senhor. Isto é de valor
3) C o m o s a n a r as causas d o q u e não foi
inestimável e jamais deve ser omitido, sendo incal-
t ã o bom?
culáveis as bênçãos e inspirações que se recebem
nesse momento"^.

4. O SERVO DE JESUS NO GRUPO DE ORAÇÃO DA RCC


Jo 13,1-15;F12,1-11

O que é ser servo hoje? A sociedade tem uma era do senhor que vinha toda provisão, sustento; o
visão totalmente contrária à palavra de Deus, o ego- senhor que supria todas as necessidades do servo,
ísmo tomou conta da sociedade. Mas a Palavra de em troca o servo tinha fidelidade, lealdade, compro-
Deus ensina que é dando que se recebe, é servindo misso e obediência ao seu senhor. Quando se toma
que se é servido,assim comoJesus.Sobre isso,seguem a decisão de ser servo do Senhor Jesus, tem que ter
alguns tópicos de acordo com a Palavra de Deus. a certeza de que Ele vai cuidar de tudo.

d) F a z e r a vontade do Mestre - Jo 5,30


4.1 S e r s e r v o d e J e s u s h o j e é t e r d i s -
posição de: ; o^l) O próprio Jesus não veio a este mundo para
fazer a sua vontade, mas a do Pai Celestial que o
a) R e n u n c i a r a p r ó p r i a v o n t a d e - Mt 16,24- enviou. O servo deve fazer o mesmo (ver G l 2,20).
25 O servo não tem querer, ele sempre faz a vonta- Quando se fala " C r i s t o vive em mim", tem que ter
de do seu Senhor, ele cuida dos negócios do Senhor, a convicção de que a própria vontade foi crucificada
passa a ser propriedade do Senhor em favor de cumprir a vontade de Deus, e de que a
Palavra de Deus diz que esta vontade é boa, perfeita
b) A p r e n d e r e p e r m a n e c e r nas m ã o s do
e agradável (cf. Rm 12.2; C L 3,1 -3).
M e s t r e - P v 12,1; 15,14; 18,15
O servo é aquele que gosta de aprender com o e ) S e r v i r o a m i g o e ©"inimigo"- Mt 20,25-28
Mestre, pois a Bíblia fala que Ele tem palavras de Vida O homem de hoje valoriza muito a posição, e
Eterna. Mais do que aprender deve ter disponibili- status, mas o Mestre Jesus ensina a servir, pois aquele
dade de colocar em prática aquilo que o Mestre lhe que quer ser importante e destacado, deve ser aquele
ensina e fazer a vontade do seu Senhor N a realidade que serve. Quando se vê no texto de C l 2,5 que tem
é obrigação ter o caráter do Mestre (cf. C l 2,6-7). que ter o mesmo modo de pensar de Jesus, ve-se que
Esta união que o texto fala significa estar tão ligado Ele, mesmo sendo mestre, serviu aos seus discípulos
que não dá para separar um do outro. (cf. Jo 13,1-5). É bom lembrar que mesmo sabendo
que Judas ia traí-lo Jesus o serviu lavando seus pés.
c ) D e p e n d e r t o t a l m e n t e do Mestre - Mt
6,24-34A dependência tem que ser somente do Se-
nhor. Voltando para o contexto da época de Jesus, C H A G A S , D o m C i p r i a n o . Grupos de Oração Carismáticos, p. 13.

15
Apostila 3 do Módulo Básico - G r u p o de O r a ç ã o .

f) S e r v i r c o m alegria - SI 99/100,2 o mesmo que Ele fez. O Papa se intitula "servo dos
Qualquer servo que reconhece Aquele a quem servos de Jesus C r i s t o " , isto é, aquele que deve ser-
ele serve será cheio de alegria. C o m o verdadeiro vir a todos. O mundo deixou uma mentalidade - a
servo, deve sempre servir com alegria, não com tris- de empregado - de fazer coisas para ser recompen-
teza e murmuração. O servir não pode ser um peso, sado. Porém o Senhor Jesus deixou algo muito me-
mas prazer (cf. Is 65,14). lhor - o espírito de Servo, fazer coisas para agradar
ao Senhor, e abençoar aos irmãos, mesmo que não
g) S e r v i r onde for c h a m a d o - Lc 17,7-10 receba nada em troca.
O servo nunca procura se destacar ou servir O coordenador do Grupo de Oração é um dos
por interesse. Não escolhe o que fazer, faz o que servos do seu grupo, responsável por todos, para
pedem, e o faz com amor e alegria. servir a todos. E os membros de Núcleo, verdadei-
ros pastores do rebanho do Senhor são convidados
Jesus deu o exemplo e ordenou que se fizesse a dar esse testemunho eloquente de serviço.

5. MINISTÉRIOS NO GRUPO DE ORAÇÃO

O termo "ministério" é amplamente usado na que ensine; o dom de exortar, que exorte; aquele
Renovação Carismática para designar de uma manei- que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade;
ra geral os diversos serviços do Grupo de Oração. aquele que preside, presida com zelo; aquele que
São estes os mais comuns: ministério de oração por exerce a misericórdia, que o faça com afabilidade"
cura, ministério de música, ministério de intercessão, (Rm 12,6-8).
ministério de pregação, entre outros. " A cada um é dada a manifestação do Espíri-
U m ministério é um serviço específico den- to para proveito comum.A um é dada pelo Espírito
tro do Grupo de Oração. É um trabalho para ser- uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de
vir à comunidade cristã, uma maneira de exercitar ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo
o apostolado. Cada batizado é chamado a crescer, mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças,
amadurecer continuamente, dar cada vez mais fruto no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a
na descoberta cada vez maior de sua vocação, para outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espí-
vivê-la no cumprimento da própria missão. ritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim,

" O s ministérios são diversos, mas um só é o a interpretação das línguas" ( I C o r 12,7-10).

Senhor" (I C o r 12,5). Fazendo esta afirmação, São As pessoas que formarão as diversas equipes
Paulo coloca todos os ministérios -serviços - em para os diversos serviços do Grupo de Oração de-
submissão a Jesus Cristo e dentro de um contexto vem ser recrutadas dentre aquelas que já se identi-
de comunhão eclesial (cf também Ef 4,1 1-16).Assim, ficam com a espiritualidade da R C C e que possuam
devem funcionar harmonicamente como em uma alguma experiência dos carismas e sejam disponíveis.
orquestra onde cada um faz o seu " s o m " , mas o todo É importante observar que estas pessoas devem es-
é que faz a beleza. tar inseridas no Processo Formativo da R C C .

As equipes ou ministérios devem ser forma- Deus chama cada um dos seus fiéis a exercer
dos na medida da necessidade e da realidade de um serviço específico dentro da sua Igreja, com a
cada Grupo de Oração. Seus membros devem ser finalidade de cada vez mais edificar o C o r p o de
escolhidos em oração e de acordo com os vários Cristo. Cada batizado deve desempenhar a missão
dons que surgem. Para cada necessidade há pessoas que Deus lhe deu e para a qual o capacitou com o
ungidas pelo Espírito para seu atendimento: "Temos objetivo de que todos cheguem à unidade da fé e à
dons diferentes, conforme a graça que nos foi con- plenitude do conhecimento de Cristo e assim sejam
ferida. Aquele que tem o dom de profecia, exerça-o novas criaturas. Quando a missão é desempenhada,
conforme a fé. Aquele que é chamado ao ministério, vivida com grande amor, a caridade é evidenciada (cf
dedique-se ao ministério. Se tem o dom de ensinar. I C o r l3,4-8a).

16
Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

5.1. C a d a m i n i s t é r i o é s u s t e n t a d o p o r de Jesus Cristo. É um dom do Espírito Santo; e isto


u m c a r i s m a específico é que faz a diferença entre a sua e as outras autori-
dades. Não é uma simples delegação de poder, mas
O s ministros exercem seu serviço participan-
o ministro participa da missão de Jesus. Ele exerce
do do ministério de Jesus. Portanto, ministério é um
o seu ministério como o próprio Jesus exerceria (cf.
serviço prestado à comunidade com a capacitação
Jo 15,16).
dos carismas. "Ministério é, antes de tudo, um caris-
ma, ou seja, um dom do Alto, do Pai, pelo Filho, no Portanto, o ministro ao exercer seu serviço
Espírito, que torna seu portador apto a desempe- hoje, conta com o mesmo poder de Jesus Cristo (cf.
nhar determinadas atividades, serviços e ministérios Jo 14,12). O poder é de Jesus; então, nada de orgulho,
em ordem à salvação"^. nada de se achar o melhor, o mais santo. O ministro
deve saber separar as coisas e reconhecer que toda
Todos os cristãos têm os carismas do Espíri-
a obra boa que realiza vem de Jesus e por mais que
to Santo na medida da necessidade da comunidade,
realize grandes e muitas coisas, é sempre servo inú-
mas exercem um ministério específico que depende
til (cf. Lc 17,10). U m servo olha não para as obras
mais de um carisma do que de outro. Por exem-
de suas mãos, mas para o Autor que é Deus. Nunca
plo, o ministro de oração por cura necessita muito
deve atribuir a si os méritos das obras que realiza,
mais do carisma de cura; o coordenador de gru-
mas unicamente a Ele.
po de oração necessita da palavra de sabedoria e
do discernimento e assim por diante. N o entanto,
apesar de serem estes os carismas mais específicos 5 . 3 . 0 Espírito Santo é a fonte dos m i -
destes ministérios, nenhum carisma existe ou pode nistérios
ser exercido isoladamente. Seja qual for o ministério
É importante a consciência de que todos os
ao qual o Senhor nos chama, necessitaremos sem-
serviços prestados ao Reino de Deus, em nome de
pre do auxílio de todos os carismas para exercê-lo
Jesus Cristo, são, em última análise, de origem divi-
com o poder de Deus. A o instituir seus ministros.
na, acontecem sob a ação do Espírito Santo. É Ele
Deus os capacita para exercerem sua missão, que
quem dá a força para testemunhar Jesus Cristo "até
sempre terá como objetivo a glorificação de Deus e
os confins da t e r r a " (cf.At 1,8). O s ministros devem
a conversão dos seus filhos. Por isso. Ele dota seus
realizar suas tarefas sob o influxo do Espírito Santo.
ministros dos dons, dos talentos e das aptidões que
É Ele que os cumula de carismas; sem Ele a missão
eles vão precisar para exercer os ministérios, de tal
será de baixa eficiência, fraco desempenho, ausência
forma que possam contar sempre com a sua graça,
de criatividade, de zelo e de perseverança.
a fim de não cair na tentação da auto-suficiência e
de um exercício simplesmente humano de serviço O Espírito Santo comunica ao ministro sua for-
à Igreja. "Mas, só pode ser considerado ministério o ça e o capacita para a ação de servir à comunidade.
carisma que, na comunidade e em vista da missão na Foi o que aconteceu com os apóstolos e os discípu-
Igreja e no mundo, assume a forma de serviço bem los de Jesus em Pentecostes (cf.At 2,1-13); com os
determinado"'. diáconos, após a oração feita sobre eles (cf.At 6,1 -7);
e com Paulo, após a imposição das mãos de Ananias
(cf.At 9,10-30). C o m a ação do Espírito Santo, todos
5.2. A a u t o r i d a d e d o m i n i s t r o é e x e r -
se tornaram intrépidos ministros do Senhor O desin-
cida n a autoridade de Jesus
teressado e oblativo exercício dos ministérios, tor-
A autoridade do ministro vem da autoridade na-se fonte de santificação para quem os exerce.

6. FUNDAMENTAÇÃO DOUTRINARIA

A título de "fundamentação doutrinária" se- éis de todas as classes distribui individualmente e a


guem em destaque alguns trechos do Magistério da cada um, conforme entende, os seus dons e as gra-
Igreja, para consulta e aprofundamento: ças especiais, que os tornam aptos e disponíveis para

a) "Além disso, o mesmo Espírito Santo não se


limita a santificar e a dirigir o povo de Deus por meio
^ C N B B , Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas, n. 84.
dos sacramentos e ministérios, mas também, nos fi-
' Ibid., n. 85.

17
Apostila 3 do Módulo Básico - G r u p o de O r a ç ã o >^

assumir os diversos cargos e ofícios úteis à renova- sário, a sua própria vida (Evangelli Nuntiandi, 5).
ção e maior incremento da Igreja... Devem aceitar- d) " A formação dos fiéis leigos tem como obje-
se estes carismas com ação de graças e consolação, tivo fundamental a descoberta cada vez mais clara da
pois todos, desde os mais extraordinários aos mais própria vocação e a disponibilidade cada vez maior
simples e comuns, são perfeitamente acomodados e para vivê-la no cumprimento da própria missão.
úteis às necessidades da Igreja" (Lúmen Gentium 12). Deus chama-me e envia-me como trabalhador para
b) "Impõe-se, pois, a todos os cristãos o dever a sua vinha; chama-me e envia-me a trabalhar para
luminoso de colaborar para que a mensagem divina o advento do seu Reino na história: esta vocação e
da salvação seja conhecida e acolhida por todos os missão pessoal define a dignidade e a responsabili-
homens em toda a parte. Para exercerem tal apos- dade de cada fiel leigo e constitui o ponto forte de
tolado, o Espírito Santo - que opera a santificação do toda ação formativa, em ordem ao reconhecimento
povo de Deus através do ministério e dos sacramen- alegre e agradecido de tal dignidade e ao cumpri-
tos - confere ainda dons peculiares aos fiéis (cf. I C o r mento fiel e generoso de tal responsabilidade. C o m
12,7),'distribuindo-os a todos, um por um, conforme efeito. Deus, na eternidade pensou em nós e amou-
quer (I C o r 12,1 I ) , de maneira que 'cada qual, segun- nos como pessoas únicas e irrepetíveis, chamando
do a graça que recebeu, também a ponha a serviço cada um de nós pelo próprio nome, como o bom
de outrem' e sejam eles próprios'como bons dispen- Pastor que 'chama pelo nome as suas ovelhas' (jo
sadores da graça multiforme de Deus' ( I P e d 4,10), 10,3). Mas, o plano eterno de Deus só se revela a
para a edificação de todo o corpo na caridade (cf. Ef cada um de nós na evolução histórica da nossa vida
4,16). D a aceitação destes carismas, mesmo dos mais e das suas situações, e, portanto, só gradualmente:
simples, nasce em favor de cada um dos fiéis o direi- num certo sentido, dia a dia" (Christifidelis Laici, 58).
to e o dever de exercê-los para o bem dos homens
e) " A graça é antes de tudo e principalmente o
e a edificação da Igreja, dentro da Igreja e do mundo,
dom do Espírito que nos justifica e nos santifica. Mas
na liberdade do Espírito Santo, que'sopra onde quer'
a graça compreende igualmente os dons que o Espí-
(jo 3,8), e ao mesmo tempo na comunhão com os
rito nos concede para nos associar à sua obra, para
irmãos em C r i s t o " (Apostolicam Actuositatem, 3).
nos tornar capazes de colaborar com a salvação dos
c) Pareceu-nos de capital importância uma outros e com o crescimento do corpo de Cristo,
Exortação deste género, porque a apresentação da a Igreja. São as graças sacramentais dons próprios
mensagem evangélica não é para a Igreja uma contri- dos diferentes sacramentos. São além disso as graças
buição facultativa: é um dever que lhe incumbe, por especiais, designadas também "carismas", segundo a
mandato do Senhor Jesus, a fim de que os homens palavra grega empregada por S. Paulo, e que signifi-
possam acreditar e ser salvos. Sim, esta mensagem é ca favor, dom gratuito, benefício. Seja qual for o seu
necessária, ela é única e não poderia ser substituída. caráter, às vezes extraordinários, como o dom dos
Assim, ela não admite acomodação. É a salvação dos milagres ou das línguas, os carismas se ordenam à
homens que está em causa. (...) Por isso, bem mere- graça santificante e têm como meta o bem comum
ce que o apóstolo lhe consagre todo o seu tempo, da Igreja.Acham-se a serviço da caridade, que edifica
todas as suas energias e lhe sacrifique, se for neces- a Igreja" (Catecismo n.2003).

7. CONCLUSÃO

Até aqui se discorreu sobre o primeiro momento do Grupo de Oração: o nú-


cleo de serviço.A graça recebida nesse momento do Grupo de Oração desaguará nos
outros dois momentos, tal é a importância da reunião de núcleo semanal. O s ensinos
seguintes (2, 3, 4 e 5) farão referências aos diversos aspectos da reunião de oração,
que é o segundo momento. Já o 6° ensino abordará especificamente o terceiro mo-
mento, que é o grupo de perseverança.

18
, Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

CAPITULO 2

A REUNIÃO DE ORAÇÃO:
C O N C E I T O , FINALIDADES E CARACTERÍSTICAS

1. INTRODUÇÃO

O segundo momento do Grupo de Oração A reunião de oração - esse "caloroso espaço de


é a reunião de oração. A reunião de oração é um oração comunitária que alimenta o fogo de um ardor
meio privilegiado para comunicação do batismo incontído" - é informal, marcada antes de tudo pela
no Espírito Santo e a consequente experiência de espontaneidade dos participantes e pela abertura ao
Deus. É, portanto, um dos principais momentos Espírito. Por isso mesmo, não existem esquemas ou
da dinâmica da Renovação Carismática Católica. propostas rígidos para o seu desenrolar, como fór-
Atende plenamente ao clamor dos bispos da mulas de oração, listas pré definidas e quantidade de
América Latina e do Caribe, reunidos em Apareci- músicas a serem cantadas, e t c . Acontece de acordo
da/SP durante a s u a V Conferência Geral, em 2007: com o mover do Espírito naquela assembleia reunida.
"Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do N o entanto,a reunião de oração não se desenvol-
cansaço, da desilusão, da acomodação ao ambien- ve de maneira indefinida e sem direção. Há um conjun-
te; esperamos uma vinda do Espírito que renove to de orientações que imprimem a ordem e o respei-
nossa alegria e nossa esperança. Por isso, é impe- to, proporcionando melhor ambiente para a atuação
rioso assegurar calorosos espaços de oração co- livre do Espírito Santo, evitando excessos e eventuais
munitária que alimentem o fogo de um ardor in- desvios. Portanto, o que segue não tem a finalidade
contido e tornem possível um atrativo testemunho de enquadrar ou padronizar as reuniões, mas de au-
de unidade 'para que o mundo creia'(Jo 17,21)"'°. xiliar em sua condução e melhorar seus resultados.

2. CONCEITO

Reunião de oração é o momento em que os sesperados, depressivos, revoltados, entre outros.


participantes do Grupo de Oração se encontram, Alguns vão à reunião por livre vontade, sem motivo
semanalmente, para a oração, especialmente o lou- aparente, ou simplesmente porque foram convida-
vor. Esse momento é aberto para outras pessoas dos; outros, notadamente os jovens, vão por causa da
que poderão, a partir dele, começarem a fazer parte animação; outros, ainda, estão buscando algo para si
do Grupo de Oração, iniciando uma caminhada de ou para outrem (cura física, libertação das drogas ou
conversão e crescimento perseverante na fé. Assim, da bebida, conversão de um parente ou amigo, etc).
pode-se concluir que a porta de entrada na célula
A reunião de oração é, por assim dizer, um mo-
principal da R C C é a reunião de oração, segundo
mento pentecostal: com os corações compungidos
momento da dinâmica do Grupo de Oração, que
( c f A t 2,37), os fiéis são levados à vivência da fé, na fra-
envolve três momentos distintos, conforme já visto.
ternidade e no comprometimento missionário. Nela,
Por isso mesmo, é comum que os participan- os carismas devem ser manifestados sem restrições,
tes da reunião de oração sejam bastante diversos, a pois fazem parte do"ver e ouvir" que convence àque-
exemplo da multidão no dia de Pentecostes (cf A t
2,1 -13). Além dos perseverantes membros do grupo
(aqueles que estão na reunião todas as semanas), é
C N B B . D o c u m e n t o final d a V C o n f e r ê n c i a G e r a l d o Episcopado Latino
comum se introduzirem nela: curiosos, ociosos, de- A m e r i c a n o e do C a r i b e , n.° 3 6 2 .

19
Apostila 3 do Módulo Básico - G r u p o de O r a ç ã o

les que estão chegando.Trata-se, ainda, do "ruído de na Palavra do Senhor, certos de que é mais fácil pas-
Pentecostes" que precisa ser ouvido mesmo do lado sarem o céu e a terra do que ela deixar de cumprir-
de fora do cenáculo,causando admiração (cfA t 2,6-7). se, confiaremos a Ele todas as nossas preocupações,
porque Ele se preocupa conosco ( c f I Pd 5,7). Ele é
tão bom que nos responderá antes mesmo que o
2.1 A r e u n i ã o d e o r a ç ã o n ã o é ; —
chamemos, e solucionará até os problemas que nós
mesmos ignoramos que existam em nossas vidas"'^.
2.1.1 U m a a u l a

2.1.4 U m a r e u n i ã o s o c i a l
Não se trata de um momento de ensino bíblico,
teológico ou moral. Não se pode dizer nem mesmo
A reunião de oração não pode se transformar
que a reunião é um aprofundamento catequético,
numa simples ocasião para encontro de amigos, para
a não ser como realidade vivencial. O essencial é a
tratar de assuntos de interesse comum ou para to-
experiência do batismo no Espírito, do louvor e da
mar lanche e chá. A reunião tem finalidades muito
conversão. Portanto, apesar do seu caráter instruti-
bem definidas, centradas na pessoa de Jesus.
vo e de se reservar um momento específico para a
pregação, o mais importante da reunião de oração é
a sua dinâmica de falar e ouvir Deus. 2.1.5 U m a r e u n i ã o e c l e s i a l d i v e r s a d a
proposta

2.1.2 U m g r u p o d e d i s c u s s ã o
Não raro veem-se algumas pessoas entenden-
do ser cabível e até saudável substituir, vez por outra,
A reunião de oração não é para discussão po-
a dinâmica espontânea da reunião de oração da R C C
lítica, social ou mesmo religiosa, por mais importan-
(louvor, profecia, pregação querigmatica, batismo no
tes que sejam tais assuntos. Existem ou devem ser
Espírito Santo, testemunhos) por outras atividades
criados espaços propícios para esse tipo de debate.
tais como: partilha de textos bíblicos ou extra-bíbli-
Sobretudo em pequenos grupos, é comum que cos (evidentemente pode-se conduzir uma oração
no momento da pregação ou fora dele, pessoas an- durante a reunião baseada em algum texto bíblico
siosas por dizer algo ou com nível maior de politiza- que tenha confirmado alguma moção profética), re-
ção, introduzam questões que podem gerar tumulto citação do Terço, novenas do Padroeiro da paróquia,
ou provocar o desinteresse da maioria dos presen- adoração ao Santíssimo Sacramento, excesso de di-
tes. A liderança da reunião deve acautelar-se contra nâmicas de integração comunitária, ou mesmo fazer
tais coisas e conter habilidosamente essas pessoas. do Grupo um Círculo Bíblico. "Não se confunde o
grupo de oração carismático com outras reuniões
2.1.3 U m a s e s s ã o d e t e r a p i a de fieis. Ele não é um Círculo Bíblico. Q u e r e r con-
verter o grupo de oração em círculo bíblico é que-
A reunião de oração não é um momento cria- rer desfigurá-lo e esvaziá-lo. (...) O grupo de oração
do para descarregar tensões emocionais adquiridas também não é um grupo de reflexão, de intercâmbio
durante a semana.Algumas pessoas fazem do tempo de ideias"'\e que todas essas atividades são
de oração semanal uma espécie de sessão terapêu- importantíssimas e salutares na vida de todo cristão
tica, para repor energias. Há pessoas que pensando católico, mas cada qual a seu tempo (cf Ecle 3,1)
estar louvando o Senhor, contam suas mazelas ou
dão testemunho de algo ocorrido durante a semana.
Veremos a seguir o que realmente significa o louvor.

Embora possa fazer parte da reunião a retoma-


da do vigor e do ânimo ou até a cura das emoções,
isso acontece no próprio desenrolar da oração,
quando a pessoa louva e experimenta a presença de
Deus e não por rezar o tempo todo na expectativa
de receber um favor " O mais importante não deve " C f . J o s é H . P r a d o F L O R E S . A s reuniões deoraçõo.p. 12-13.

ser nem mesmo a cura do Senhor, mas o Senhor que Ibid.p. 13

cura. O que se há de buscar em primeiro lugar não " C H A G A S , D o m C i p r i a n o , O S B . Grupos de Oração Carismáticos, I. Rio de
Janeiro: E d . L o u v a - a - D e u s , I 9 7 8 , p p . 10
é a saúde, mas a santidade. (...) Se temos confiança

20
Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

3. FINALIDADES

Podem ser indicadas pelo menos quatro finali- de Deus. Enfim, vive-se a Cultura de Pentecostes,
dades principais de uma reunião de oração: a única capaz de implantar a Civilização do A m o r !

3.1. P a r a l o u v a r o S e n h o r ' " 3.3. P a r a evangelizar querigmatica-

Apesar de não se prescindir de outros tipos de mente

oração (petição, intercessão, cura, etc), o louvor exer- A reunião de oração tem, por sua própria natu-
ce certo primado na reunião. A experiência da Re- reza, a facilidade em comunicar querigmaticamente
novação Carismática Católica é uma experiência de o Evangelho, sobretudo o amor de Deus e a salvação.
resgate da oração de louvor, centralizada na pessoa Uma reunião conduzida na unção do Espírito pode fa-
de Jesus muito mais que nas necessidades do orante. zer com que as pessoas descubram e sintam que Deus
Por isso, o louvor ocupa lugar privilegiado. as ama incondicionalmente e que foi capaz de dar o
Nele, o Senhor atua derramando graças. O louvor é próprio Filho para resgatá-las do pecado."Assim,toda
como que o preparo para que o Senhor comunique reunião de oração é uma ação salvífica de D e u s " " .
a sua palavra de forma atual, por meio da profecia.
" O centro da reunião de oração é Cristo, a alma é 3.4. Para construir a comunidade
o Espírito Santo, e sua finalidade é adorar, louvar e cristã'^
glorificar o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que
A reunião de oração também tem a finalidade
é também nosso Pai"'^Acerca do louvor se tratará
de inserir as pessoas numa realidade comunitária. Ela
mais detalhadamente em seguida.
constrói laços, gerando a necessidade da partilha e
da comunhão. Assim, a reunião de oração induz a
3.2. P a r a p r o p o r c i o n a r a e x p e r i ê n c i a
uma experiência religiosa mais frequente e compro-
do batismo no Espírito
metida seja no próprio Grupo de Oração ou numa
outra realidade comunitária eclesial.
Essa finalidade não deve ser colocada em plano
secundário. Tampouco, o batismo no Espírito Santo
deve ser considerado ponto ulterior a uma etapa de
formação. Portanto, a reunião deve favorecer sem-
pre o derramamento do Espírito, proporcionando
aos participantes uma experiência de Deus.

Essa experiência é quase sempre manifestada


no interior das pessoas e constitui-se em ponto de
partida para sua vida de conversão. Apesar disso, o
batismo no Espírito não deve ser confundido com
uma experiência meramente subjetiva, embora pos-
sa trazer consigo uma boa carga de emotividade.

Convém lembrar do que foi visto na Apostila OI


desse módulo, acerca do batismo no Espírito Santo
como uma das principais características do D N A da
Renovação Carismática Católica.A partir dessa expe-
riência impactante de Deus, se é impelido a uma bus-
ca contínua pela santidade, passa-se a ter mais amor
pelas Escrituras, Jesus Cristo passa a ser o Senhor e
Salvador Absoluto, cultiva-se um amor renovado por
Maria Santíssima e pela Mãe Igreja, há uma renova- C f . J o s é H . P r a d o F L O R E S . A s reuniões deoraçõo.p. 7-8. ^ -

• Í Í ; : Ibid., p. 8
ção nos relacionamentos e na forma de enxergar o
Cf. a propósito, O ^pWíto %anlo na vida da Igreja, In. R o n a l d o José de
mundo.Toma-se consciência de que se é templo vivo S O U S A , O impacto da R e n o v a ç ã o C a r i s m á t i c a , pp. 13-24

" José Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p, 8

21
Apostila 3 do Módulo Básico - G r u p o de O r a ç ã o

4. CARACTERÍSTICAS

É possível destacar como principais caracterís- 4.3. F r a t e r n a e alegre


ticas de uma autêntica reunião de oração:
A reunião de oração deve t e r uma atmosfera
de fraternidade e alegria, pela qual as pessoas se sen-
4.1. C e n t r a l i z a d a n a p e s s o a d e Jesus tem acolhidas, amadas e felizes durante o tempo em
que ali estiverem. Esse clima é que faz com que, mui-
Conforme foi referido, " o centro de cada reu- tas vezes, aqueles que vêm à reunião pela primeira
nião de oração é o Senhor Jesus. Ele é o pólo de vez, sintam o desejo de voltar " A alegria, às vezes
atração da comunidade e a fonte donde emana toda explosiva, às vezes serena e profunda, é uma outra
a sua força"'^ U m a autêntica reunião de oração é nota distintiva das reuniões de o r a ç ã o " " .
cristocêntrica, eliminando toda perspectiva mera-
mente individualista. 4.4. E s p o n t â n e a e e x p r e s s i v a

4.2. C a r i s m á t i c a " C o m o dito, o encontro de oração é informal.


A reunião não é uma solenidade, embora possa ter
A reunião de oração deve ser essencialmen- momentos com esse caráter Sua marca é a espon-
te carismática, tendo como princípio dinâmico o taneidade dos participantes que, na liberdade do Es-
Espírito Santo. A Renovação Carismática Católica pírito, sentem-se à vontade para louvar em voz alta,
caracteriza-se pelo uso abundante dos carismas - cantar, bendizer e gesticular
trata-se de outra principal característica do D N A da
O s gestos livres tornam a reunião expressiva,
Renovação, aliás, a que mais nos distingue das demais
de maneira que os bons sentimentos interiores dos
expressões eclesiais devido à leitura especial que fa-
participantes sejam "comunicados" e suscitem ou-
zemos dos carismas, conforme visto na Apostila 01
tras atitudes interiores."A expressividade é também
deste Módulo. Portanto, será comum nas reuniões a
traço característico da reunião de oração na Reno-
oração em línguas, as profecias, as curas e também
vação Carismática"^^ "Sempre que o homem ora,
os outros carismas (cf. I C o r 12,4-1 I),todos ordena-
põe em jogo seu espírito, sua alma e seu corpo. É o
dos à caridade, até porque " O Espírito, que é dado a
homem inteiro que se dirige a Deus, que o escuta e
toda a Igreja, torna-se visível nos ministérios à Igreja
se compromete com Ele. Por isso, levantar as mãos,
e ao mundo. Neste sentido o Espírito e seus caris-
aplaudir, mover-se e até dançar, são diversas manifes-
mas são inseparáveis (...). Uma vez que o Espírito e
tações da oração do homem..."^^
seus dons são parte essencial da natureza da Igreja
como dons gratuitos, não é possível existir a Igreja
sem um ou sem os outros. Sem o Espírito e seus 4.5. O r d e n a d a
carismas não há lgreja"^°.
Apesar de expressiva e espontânea, a reunião
O s dirigentes da reunião de oração não devem
de oração deve ser marcada pela ordem (cf. I C o r
resistir aos carismas, por medo ou indefinição. Isso
14,26-40). Por isso, toda reunião de oração, por me-
seria recusar o poder de Deus. O s carismas são ele-
nor que seja, deve ter um dirigente principal. Mes-
mentos normais da oração; "ao contrário, a sua au-
mo a equipe que lhe auxilia não deve "passar por
sência é que seria de estranhar Quando não apare-
cima" dos seus direcionamentos. A função da equi-
cem esses sinais do Espírito, devemos analisar qual é
pe auxiliar é "descobrir a vontade do Senhor para
o obstáculo que impede essa demonstração.A fé nos
deve levar a deixar manifestar todos os seus dons e
frutos"^'. " lbid.,p.7

Reuniões de oração sem carismas transfor- ^ C o o r d . C A R D E A L S U E N E N S , Orientações Teotógícas e Pastorais da Reno-


vação Carismática Católica. São Paulo: E d . Loyola. 1975. pp. 19
mam-se em círculos oracionais comuns, talvez bas- José Prado F L O R E S , As reuniões de oração, pp. 15-18

tante frutuosos, porém fora do contexto pentecos- " Ibid., p. 17

tal próprio da R C C . " E não podemos ter um grupo C i p r i a n o C H A G A S , Grupos de oração carismáticos, p. 10.

de oração carismático se não queremos ter os dons " J. H. P r a d o F L O R E S , As reuniões de oração, p. 19.

do Espírito Santo, o poder do alto em ação"^^. " C f . Ronaldo José de S O U S A , O Evangelho no subjetividade humana. In.: O
Impacto da R e n o v a ç ã o C a r i s m á t i c a , p. 25.

22
_ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

a assembleia e, ao mesmo tempo, ser um apoio de sabedor de que não domina o Espírito, mas precisa
oração para o dirigente principal. Esta equipe serve da ajuda dos irmãos no serviço.
também como filtro para as profecias, testemunhos,
O ritmo imprimido pelo dirigente e sua equipe
visualizações e todo o tipo de manifestações caris-
não deve impedir a ação do Espírito, mas, pelo con-
máticas que surgem durante a reunião"^'. Portanto,
trário, facilitá-la. O s dirigentes devem tomar cuidado
a equipe auxiliar ajuda o dirigente no discernimento
para não monopolizar a oração, inibindo a participa-
dos passos a serem dados, mas deve sempre sugerir
ção de todos. É também importante que se respeite
e não encobrir, para não comprometer a autoridade
o horário para o início e para o fim, evitando-se as-
do dirigente e confundir a assembleia. O dirigente,
sim problemas com outros compromissos, sobretu-
por sua vez, deve ouvir sempre os seus auxiliares.
do os familiares.

5. CONCLUSÃO

A reunião de oração é o momento em que os participantes do Grupo de O r a -


ção, juntamente com outras pessoas, se reúnem para a oração.Tem como finalidades
principais: louvar o Senhor, proporcionar a experiência do batismo no Espírito Santo,
evangelizar querigmaticamente e construir a comunidade.
Para estar no contexto pentecostal da Renovação Carismática Católica, a reu-
nião precisa ser: centralizada na pessoa de Jesus, carismática, fraterna e alegre, espon-
tânea e expressiva, mas, sobretudo, ordenada.

J . H . Prado F L O R E S , As reuniões de oraçõo, p. 23.

23
Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

CAPITULO 3

PREPARAÇÃO E CONDUÇÃO DA
REUNIÃO DE ORAÇÃO

1. INTRODUÇÃO

O s responsáveis pela preparação e condução tal, o seu momento principal e decisivo, a sua am-
da reunião de oração são os membros do núcleo bientação e o desenrolar dos cantos, gestos, pala-
de serviço do Grupo de Oração. Esse processo en- vras e mensagens. Evidentemente as referências
volve diversos aspectos pertinentes ao núcleo, ex- são genéricas, evitando qualquer tipo de legalismo
postos e discutidos aqui mesmo nesse conjunto^^. ou padronização e, ao mesmo tempo, procurando
respeitar a liberdade do Espírito em suas moções.
Aqui cabe referir-se à reunião de oração como

2. PREPARAÇÃO

A preparação da reunião de oração é um dos obtidas, deve ser feito. Chegar até os corações e
itens de grande importância.Alguns líderes, sob pre- movê-los, isto é obra do Espírito Santo e Ele o fará
texto de que confiam na ação do Espírito Santo, tanto mais quanto se fizer bem a parte de ambien-
vão para a reunião sem nenhum tipo de elaboração, tação e preparo.
achando que "no fim vai dar tudo certo". A Palavra Entre os aspectos preliminares à reunião de
de Deus tem um apelo muito forte a esse respeito: oração, três coisas são particularmente importantes:
"Não negligencies o carisma que está em ti (...) Põe
nisto toda a diligência e empenho, de tal modo que 2.1 Intercessão
se torne manifesto a todos o teu aproveitamento"
( I T m 4,14-15). É necessário dedicar esforço e cari- Normalmente, os grupos dispõem de uma
nho na preparação da reunião, dando liberdade para equipe ou ministério que intercedem pela reunião
que o Espírito Santo possa mudar tudo, caso queira, de oração noutro dia da semana. Essa equipe é fun-
adequando à vontade do Pai. damental! Ela antecipa os pedidos pelo bom êxito da
Assim, a preparação do local, a arrumação das reunião de oração, rogando para que todos os seus
cadeiras, colocação de mensagens evangelizadoras elementos (oração, pregação, música, testemunhos,
(na forma de cartazes ou pequenos folhetos deixa- etc) sejam conduzidos pelo Espírito Santo. Além
dos nos bancos ou cadeiras), a disposição da mesa e disso, pede pelos participantes da reunião, para que
dos equipamentos de som (quando houver), a limpe- estejam abertos às graças que Deus quer derramar
za e a higiene do local, tudo deve estar perfeito antes sobre eles (cf Mt 6,32b).
que cheguem os primeiros participantes. É comum A intercessão ajuda no discernimento do nú-
se observar que as pessoas já estão sentadas e a cleo, através de palavras e moções dadas por Deus,
equipe de música ainda está afinando instrumentos, sempre que solicitada acerca de alguma intenção es-
escolhendo cantos ou mesmo instalando os equipa- pecífica. Porém, não deve interferir diretamente na
mentos. Seria bom evitar essa situação, pois ela pode preparação da reunião, tomando iniciativas ou dando
quebrar o clima de espiritualidade que deve reinar ordens que supõe virem de Deus. Qualquer palavra.
desde o começo até o fim da reunião.

Aquilo que estiver ao alcance para tornar tudo


" Cf. Ensino 01 desta apostila.
agradável e perfeito, para que as finalidades sejam

25
Apostila 3 do Módulo Básico - G r u p o de O r a ç ã o

moção, profecia ou ciência deve ser encaminhada ao tazes e mensagens relacionados ao tema poderão
coordenador do grupo. O coordenador discerne a ser afixados no local; os dirigentes poderão preparar
aplicação ou não do que veio da intercessão. dinâmicas que facilitem a oração de perdão; o prega-
dor daquela reunião será orientado sobre o rhema
2.2 Rhema^8 e preparará sua pregação de acordo com ele. Enfim,
todo o conjunto da reunião estará em torno de um
A reunião de oração é bastante livre e inédi- núcleo central. Isso facilitará em muito a compreen-
ta. O Espírito pode conduzi-la de modo a fazer Sua são e posterior vivência da mensagem da parte dos
vontade de forma imprevista pelos dirigentes. Po- que vierem à reunião.
rém, frequentemente o núcleo de serviço, em sua
reunião, recebe de Deus uma moção em forma de 2.3 O r a ç ã o a n t e c e d e n t e d a e q u i p e
rhema, como um princípio norteador da oração.As-
sim, colocando-se dóceis às inspirações do Espírito É conveniente que se encontrem uma ou meia
Santo, o dirigente e sua equipe vão para a condução hora antes do início da reunião de oração: o núcleo
sabendo de antemão qual o caminho a seguir, em- de serviço, isto é, o dirigente principal (aquele mem-
bora usualmente sem saber em detalhes que passos bro do núcleo escolhido para conduzir a reunião), a
devem ser dados. equipe auxiliar, o ministério de música, o responsável
pela pregação daquele dia e, eventualmente, a equipe
O rhema auxilia na preparação e ambientação
de acolhimento. Durante esse tempo, eles se prepa-
da reunião. Por exemplo, se na reunião do núcleo o
ram para conduzir em unidade aquela reunião. ,
Senhor recorda a palavra bíblica: "Respondeu Jesus:
'Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes "Essa é a ocasião para pedir ao Senhor que faça
sete'" (Mt 18,22), de antemão, podem ser escolhidos deles um só Corpo - para pedir a liberação do Espí-
cantos relacionados ao perdão e à fraternidade; a rito Santo sobre eles e o encontro. Eles (...) rezam
equipe de acolhimento poderá receber as pessoas uns pelos outros para que todos sejam canais visíveis
com um "perdoai-vos" em vez de "boa noite"; car- de Seu amor curador"^'.

3. CONDUÇÃO

3.1 Preliminares

A reunião de oração, de certo modo, já se ini- É preciso evitar muita agitação e buscar um am-
cia quando os primeiros participantes chegam. Esse biente propício à oração. Em alguns casos se observa
tempo é usado para ambientar e formar fraternida- que a animação acaba por causar constrangimentos
de através da acolhida e de outros elementos, como àqueles que são mais tímidos ou que estão vindo
distribuição de mensagens ou diálogos informais. pela primeira vez.
Alguns colocam o ministério de música em A animação inicial pode ser feita por um minis-
ação já desde esse momento, cantando músicas ani- tro de música ou pelo próprio dirigente da reunião.
madas e introduzindo as pessoas no clima de alegria Em qualquer dos casos, deve-se evitar interrupções
e louvor Uma alternativa é colocar C D ' s musicais bruscas das músicas animadas para entrar nas mú-
animados como fundo para a chegada das pessoas. sicas lentas. À s vezes, a animação cansa um pouco
as pessoas, deixando-as agitadas e com dificuldades
3.2 A n i m a ç ã o de silenciar interiormente. O ideal é que se passe
das músicas ritmadas para algumas moderadas, para
Normalmente, a reunião propriamente dita co- depois virem as lentas.
meça com cantos animados, para fazer com que as
pessoas abandonem as preocupações e tensões que
o t e r m o é c o m u m e n t e usado no ambiente da R C C e significa u m a pa-
trouxeram de casa. Em geral, as pessoas vêm aos en- lavra inspirada o u r e c o r d a d a de f o r m a atual, para o m o m e n t o o u situação presente.

contros deprimidas, sem nem mesmo dar-se conta " R o b e r t D E G R A N D I S , Vem e segue-me, p. 6 3 .

da extensão do peso que sentem.

26
^ y^ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

o movimento seria: acordo com suas próprias necessidades ou, quando


Primeiro - músicas animadas; muito, rezam o tempo todo em nome da assembleia,
como se fosse um interlocutor entre ela e Deus,
Segundo - músicas moderadas;
deixando as pessoas presentes como meros expec-
Terceiro - músicas lentas. tadores.
O ministro ou dirigente vai passando de umas O dirigente deve estar atento às ações e rea-
para outras sem quebrar a sequência, de maneira ções da assembleia, o modo como cantam, rezam,
que a assembleia nem perceba o encadeamento da aderem ou não às ordens emitidas. Quando a oração
reunião, mas desfrute do clima agradável que ele cria. não estiver decorrendo satisfatoriamente, é preciso
Observe-se, por outro lado, para que não haja discernir o que está acontecendo e o que fazer para
um excesso de músicas no início da reunião de ora- alterar a situação. As vezes, as pessoas estão opri-
ção.Aliás, esta é uma observação muito importante: midas por alguma coisa e, por isso, por mais que se
não é próprio da Reunião de Oração uma sequência diga, elas não louvam com fluência nem se sentem
numerosa, definida ou indefinida, de apresentações inseridas no contexto da reunião. Nesse caso, o di-
musicais como ocorre na ministração de um show, rigente proporá, de acordo com a moção de Deus,
por exemplo; as músicas devem favorecer e ceder à uma oração de libertação, um ato penitencial, uma
ministração da oração, favorecem a abertura e pre- canção ou outra coisa inspirada. Isso poderá devol-
paração dos corações. Atente-se, pois, aos momen- ver às pessoas o interesse e a espontaneidade na
tos em que é necessário o silêncio fecundo. Não se oração. " A profundidade do círculo de oração de-
pode pensar numa Reunião de Oração toda cantada, penderá, em grande parte, da fé corajosa do diri-
ou toda agitada por gestos animados, que não pro- gente. Ele deve, é claro, ter prudência, mas nunca ter
porcione a espontaneidade da oração de louvor in- medo (...). Deve ter coragem para tomar decisões,
dividual e coletivo, a entrega e abertura espontânea controlar situações e, sobretudo, para manifestar o
do coração mediante a partilha da oração, o silên- plano de Deus"^'.
cio expectante para a escuta profética e/ou para a Em algumas reuniões podem ocorrer proble-
adoração a Deus no interior, a resposta individual e mas, como as atitudes exaltadas ou emotivas demais
coletiva àquilo que Deus falou a seu povo reunido. da parte de uma ou mais pessoas. Às vezes, alguém
pode emitir palavras ou moções supostamente vin-
3.3 A o r a ç ã o : o p a p e l d o d i r i g e n t e das de Deus, mas que são meros devaneios de sua
subjetividade, acabando por atrapalhar a reunião,
O dirigente da reunião de oração é, por as- desviando a atenção dos outros do eixo central e
sim dizer, o responsável por introduzir as pessoas proveitoso da oração. Esses casos devem ser con-
na presença de Deus. Por isso, deve estar aberto às tornados pelo dirigente com discernimento, bom
moções do Espírito para aquele instante, discernin- senso e, sobretudo, com caridade. Não se deve fazer
do quais os passos a serem dados e emitindo ordens exortações ásperas nem tomar atitudes extremas,
curtas e concretas nesse sentido. "Sua liderança as- como, por exemplo, mandar calar a boca. Mas tam-
semelha-se à de um regente de orquestra - quais as bém não se pode permitir que uma ou duas pessoas
partes que ele deve deixar que se destaquem e quais confundam o sentido e o objetivo da reunião. O di-
as que deve manter em silêncio até outro momento rigente deve agir destramente, para não conturbar
do encontro. O líder não pode ser apenas passivo a oração.
pois alguém mais, de alguma outra forma não defini- A mesma destreza é necessária quando alguém
da, poderá acabar na realidade liderando o grupo"^°. critica ou contesta algo diretamente no momento da
É importante salientar que todo o restante do nú- oração ou pregação. Nesses casos, "o melhor será
cleo e os demais servos do Grupo de Oração devem o líder dar respostas simples e diretas e, então, vol-
ser dóceis ao sentido que o dirigente está dando tar prontamente à atividade de louvar e partilhar"^^
à reunião de oração, evitando-se atropelos, desen- Certamente, é bom lembrar aqui da promessa do
contros e quebra de unidade. De modo especial, o Senhor: "Naquele momento ser-vos-á inspirado o
ministério de música precisa ficar atento e "submis- que haveis de dizer" (Mt 10,19b). N o contexto da
s o " a tal direção para que, no momento oportuno, reunião de oração, também é preciso evitar:
ministre a canção mais apropriada.

O dirigente, por sua vez, deve se convencer " V i c e n t M . W A L S H , Conduzi o meu povo, p. 20.

de que ali, na reunião de oração, não é o momento J . H . Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 50.

de uma oração pessoal. Alguns começam a rezar de " R o b e r t D E G R A N D I S , Vem e segue-me, p. 62.
Apostila 3 do Módulo Básico - G r u p o de O r a ç ã o

3.3.1 I n t r o d u ç õ e s l o n g a s atirador que dispara em várias direções, sem deter-


minar o alvo.
Supondo que a moção seja para que a assem-
bleia louve o Senhor coletivamente e em vernáculo Nesse aspecto, é muito comum que, durante a
(idioma pátrio). O dirigente poderá dizer: "Vamos manifestação dos carismas, sejam pronunciadas vá-
agora louvar o Senhor com nossas palavras. Dizer rias palavras bíblicas, mensagens proféticas, palavras
que Ele é bom, é maravilhoso, que não há Deus de ciência e sabedoria.Algumas estarão fora do con-
como Ele. Louvá-lo porque Ele nos salvou. Ele nos texto da oração e refletem mais os sentimentos e
deu a paz, libertou-nos dos vícios, devolveu a har- necessidades das pessoas que as pronunciaram. O
monia às nossas famílias.Vamos louvá-lo porque Ele mesmo pode acontecer com simples orações indivi-
é poderoso, porque realiza prodígios e milagres em duais. O dirigente deve, no Espírito e com habilidade,
nosso meio, porque sua sabedoria é infinita, etc, etc". examinar tudo e ficar com o que é bom e propício
Quando ele terminar, as pessoas já estarão sem von- para aquele momento, dando os próximos direcio-
tade de louvar; ou então, não se lembrarão mais de namentos a partir daquelas palavras e moções mais
nenhum motivo que já não tenha sido dito pelo di- oportunas e autênticas.
rigente; ou, ainda, estarão sentadas e com os olhos
N o caso de palavras bíblicas durante a oração,
abertos. •
"a atitude dos ouvintes, em vez de procurar os tex-
D o contrário, se o dirigente fizer uma introdu- tos na sua Bíblia, há de ser a de concentrar toda a
ção breve como: "Vamos levantar os nossos braços sua atenção em escutar a Palavra, deixando-a pene-
e louvar ao Senhor com alegria por tudo o que Ele trar como a chuva que entranha na terra, fecunda-a
é e faz nas nossas vidas", assim, todos haverão de e a faz germinar"".
louvar e a reunião prosseguirá normalmente. As in- Em função do caráter livre e espontâneo da
troduções mais longas só cabem em circunstâncias reunião de oração, pode haver momentos em que a
peculiares, por força da moção do Espírito. assembleia, introduzida na presença do Senhor, sinta-
se como que autónoma para rezar Esse é o momen-
3.3.2 O r d e n s i n c o m p r e e n s í v e i s
to do dirigente "recuar" e permitir que as pessoas
É preciso que as ordens dadas sejam claras, de sigam os impulsos do Espírito nelas mesmas. Isso
maneira que todos entendam o que devem fazer; do acontece, por exemplo, num longo momento de ora-
contrário, a assembleia ficará confusa e tumultuada. ção em línguas, em que a assembleia insiste no lou-
Por exemplo, se o dirigente disser:"Fique fren- vor ininterrupto. Sempre que a oração atingir esse
te a frente com seu irmão da direita e orem um pelo nível, o dirigente interferirá menos, apenas quando
outro". O r a , todos virarão para a direita e ninguém houver necessidade de uma nova motivação. Ele co-
saberá se deve voltar-se ou esperar que a pessoa da locará a oração de volta no caminho certo, quando
frente se volte. perceber que ela está se desviando para outra cono-
tação. O dirigente deve propor a oração conforme o
C o m o obedecer a uma ordem como essa?:"Va-
momento que o povo está vivendo. Daí a reunião de
mos, irmãos, louvar o Senhor por sua bondade, pe-
oração não ter um esquema rígido e fixo.
dir que Ele nos abençoe nessa noite, interceder por
aqueles que não estão aqui, para que se convertam. 3.3.4 A a n s i e d a d e d o d i r i g e n t e
Rezemos ao Senhor".
O s momentos de silêncio na reunião de ora-
Há três indicações contidas numa só: louvar o ção, especialmente após um momento de louvor, são
Senhor por sua bondade, pedir bênção e interceder propícios para a escuta do Senhor O c o r r e que após
pelos que não estão na reunião. Qual das três se- uma ou duas mensagens proféticas, alguns dirigentes,
guir? A menos que a pessoa tenha facilidade em sis- por medo do silêncio, interrompem a escuta quando
tematizar, para fazer uma coisa após outra e dar-lhes possivelmente o Senhor ainda quisesse continuar fa-
sentido, ficará confusa. Alguns louvarão, outros pe- lando ao seu povo. Devemos dar amplo espaço para
dirão, outros intercederão. Porém, muitos não farão que a prática carismática flua pela assembleia.
nenhuma coisa nem outra, porque não entenderão
Outras vezes, por exemplo, o dirigente inter-
a ordem.
rompe momentos frutuosos de oração por cura
3.3.3 F r a g m e n t a ç ã o d a s m o ç õ e s quando o Senhor ainda quer tocar e curar os seus.
Em outras ocasiões, em pleno louvor, o dirigente
O ideal é que a reunião seja relativamente
conexa em suas partes. O dirigente que não obede-
ce a um núcleo central de moção é como um franco J.H. Prado F L O R E S . A s reuniões de o r a ç ã o , p. 33.

28
Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

o interrompe e pede ao povo para se sentar, com Outras sugestões podem ser dadas, de ele-
medo de estar cansando os participantes.Tais atitu- mentos que se sucedem à oração e pregação com
des atrapalham o desenrolar da reunião de oração e o intuito de possibilitar ou enriquecer a vivência da
prejudicam a unção. reunião de oração:

• Propostas de uma direção para a semana:


3.4. S u c e d e n t e s palavra de meditação baseada em algum versículo
das citações utilizadas na pregação, leitura orientada
Após um bom tempo de oração carismática, da Bíblia, de um livro, de um tema, etc;
segue-se a pregação querigmatica e, logo após esta,
• Panfletos com os eventos da R C C , com o
novo momento de oração para sedimentar o conte-
funcionamento do Grupo de Oração, da Paróquia,
údo da pregação, seguindo-se á ação de graças. Logo
Capela, etc;
em seguida, apêndices como: avisos, testemunhos,
outros. É bastante salutar que a reunião, no seu final, • Convidar para a próxima reunião de oração;
seja sintetizada em sua mensagem ou ação princi- • Panfletos indicando os serviços do Grupo
pal^''. Isso ajuda aos participantes compreenderem de Oração (formação, acompanhamento, juventude,
e aplicarem na vida o que Deus realizou e propôs casais, música...) como oportunidade de engajamen-
naquele momento. A síntese também serve como to dos participantes.
recurso de memorização, o que facilita a retenção
da mensagem.

4. CONCLUSÃO

A reunião de oração será mais proveitosa tanto quanto for bem preparada e
dirigida, criando assim melhores condições para a ação do Espírito. Para dirigir bem
uma oração é necessário, antes de tudo, ter o carisma confirmado para esse ministé-
rio.Além disso, a facilidade em dirigir reuniões dependerá do nível de intimidade do
servo-líder com Deus a partir da própria oração. Pessoas de intensa vida de oração
terão mais afinidade e abertura ao Espírito e conduzirão melhor as reuniões.Vicent
Walsh fala de três qualidades necessárias a um dirigente: estabilidade emocional, vida
profunda no Espírito e sensibilidade à ação de Deus no encontro".
" O Espírito Santo é soberano e o que Ele pode querer fazer numa reunião de
oração talvez seja algo nunca antes realizado, algo diferente do que já conhecemos
e, no entanto, se é obra sua, é tão importante que não lhe devemos opor nenhum
obstáculo"^'.

" Cf. I b i d , p. 6 1 - 6 2 .

Cf. Conduzi o meu povo, p. 17-18

" C i p r i a n o C H A G A S , Grupos de oração carismáticos, p. 2.

29
^ ^ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

CAPÍTULO 4

E L E M E N T O S DA REUNIÃO DE
ORAÇÃO

1. I N T R O D U Ç Ã O

É importante que o Espírito Santo conduza Maria, aguardando o cumprimento da promessa feita
tudo na vida do cristão, principalmente na Reunião por Jesus, nossos Grupos também precisam ser esse
de Oração. É assim que Jesus quer: lugar da constante expectativa e, ao mesmo tempo,
de cumprimento da promessa, isto é, de derrama-
"Sereis batizados no Espírito Santo daqui há
mento do Espírito Santo, como em Pentecostes. A
poucos dias. Descerá sobre vós o Espírito Santo e
Beata Elena Guerra nos ensina:
vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Je-
rusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins
do mundo" (At 1,5.8). " O Pentecostes não terminou; de fato é sem-
Jesus prometeu e derramou seu Espírito, capa- pre Pentecostes em todos os tempos e em todos
citando sua Igreja a ser sua testemunha. O Espírito os lugares, porque o Espírito Santo deseja arden-
Santo é a alma da Igreja. Foi Ele que a conduziu até temente dar-se a todos os homens e, aqueles que
aqui, nestes mais de vinte séculos. É o Espírito Santo o desejam, podem recebê-lo sempre; portanto não
que suscita novos movimentos, que renovam con- temos nada a invejar aos Apóstolos e aos primeiros
tinuamente a Igreja de Jesus Cristo. Foi o Espírito cristãos; nós só temos que nos dispor, como eles, a
Santo que suscitou na Igreja a Renovação Carismá- recebê-lo bem e Ele virá a nós como veio a eles";"o
tica Católica. Ele é a alma da renovação. Chama-se mistério de Pentecostes é um mistério permanente;
Renovação Carismática porque se identifica com os o Espírito continua a vir sobre todas as almas que
carismas, porque utiliza os cirismas do Espírito San- verdadeiramente o desejam"; "não foi somente so-
to, não sem fundamentação, mas à luz do Sagrado bre os Apóstolos que desceu o Espírito Santo, como
Magistério da Igreja. mostrou também por meio de sucessivas aparições
nos dias que se seguiram a Pentecostes, mas vem
Sabemos que é importante buscar os carismas;
para todos os fiéis, em todos os lugares, em qualquer
porém, mais do que buscar e desejar os carismas, é
idade, basta que o queiram, que O invoquem, e lhe
importante ter anseio e procurar continuamente es-
dêem lugar no próprio coração."
tar plenos de seu Doador: o próprio Espírito Santo.
Portanto, para o carismático, todo momento, toda Importante é esclarecer que a Efusão do Espí-
circunstância, em qualquer situação é hora de clamar rito Santo não é um momento estanque, automáti-
o Espírito Santo, de deixar-se conduzir por Ele, mas, co. Requer interiorização, preparação dos corações
particularmente, ao preparar e conduzir a Reunião pela Palavra, abertura interior, ministração ungida.
de Oração. Tampouco se baseia em gritos desordenados ou cla-
mores demasiadamente exaltados, mas num coração
Toda Reunião de Oração deve levar os parti-
sedento do Espírito Santo, para que essa efusão pos-
cipantes à Efusão do Espírito Santo, a uma nova ex-
sa gerar frutos de conversão, de santidade, de rea-
periência com o Paráclito. Aliás, nossos Grupos de
vivamento espiritual, de manifestação poderosa dos
Oração como um todo precisam se considerar os
carismas. É preciso, pois, preparar o ambiente inte-
cenáculos dos dias de hoje. Assim como os discípu-
rior, verdadeiramente ansiar beber e mergulhar na
los permaneceram reunidos em oração em torno de
Água Viva, abrir-se e dar liberdade ao Poder de Deus.

31
Apostila 3 do Módulo Básico - G r u p o de O r a ç ã o ^ .

2. ELEMENTOS DA REUNIÃO DE
ORAÇÃO

Alguns elementos da reunião de oração me- Deus sem cessar sacrifícios de louvor, isto é, o fruto
recem destaque, pela importância que têm em seu dos lábios que celebram o seu nome" (Hb 13,15).
conjunto. Não é imperativo que todos estejam pre- Q u e se pretendeu dizer com 'sacrifício de louvor'?
sentes em todas as reuniões, mas normalmente es- N o Antigo Testamento, sacrifício requeria morte.
tão em maior ou menor grau e devem ser aprovei- U m animal era morto. Mas, no 'sacrifício de louvor',
tados adequadamente. O enfoque maior será sobre é o ego da pessoa que precisa m o r r e r É necessário
o louvor e a pregação, por se tratarem de dois dos sacrificar o próprio julgamento, a própria opinião,
poios principais da reunião de oração. a própria avaliação quanto àquilo que é correto e
bom; vence-se a preguiça, a frieza e o abatimento
2 . 1 . 0 louvor " espiritual, a dureza de coração. É necessário louvar a
Deus por todas as coisas.
" O louvor é a forma de oração que reconhe- A experiência de Deus e a oração de louvor ca-
ce o mais imediatamente possível que Deus é Deus. minham de mãos dadas. Quem convive com o Deus
Canta-o pelo que Ele mesmo é, dá-lhe glória, mais do Vivo, conhecido por experiência, sente-se natural-
que pelo que Ele faz, por aquilo que Ele é. Participa mente impelido a louvá-lo, por descobrir sempre
da bem-aventurança dos corações puros dos que o mais como Ele é maravilhoso e quão grandes são
amam na fé antes de o verem na glória. Por ela, o Es- suas obras. Quem proclama os louvores do Deus
pírito se associa ao nosso espírito para atestar que Vivo, manifesta sua experiência de Deus e,ao mesmo
somos filhos de Deus, dando testemunho do Filho tempo, cresce nela. Forma-se, assim, o círculo virtuo-
único em quem somos adotados e por quem glori- so: quanto mais experiências do Deus Vivo, maior o
ficamos o Pai. O louvor integra as outras formas de louvor E, quanto mais se louva, maior a consciência
oração..." (Catecismo n. 2639). da experiência de Deus.
A reunião de oração é um momento propí- Em que consiste louvar? Louvar é elogiar al-
cio para aprender a louvar a Deus. Nunca é demais guém por alguma qualidade, virtude, obra ou reali-
louvar o Senhor Reconhece-se e proclama-se tudo zação que desperta admiração. Louvar é, portanto,
aquilo que o Senhor representa para cada um. É uma fazer elogios ao Deus Vivo por algo que nele causa
oração libertadora. A o louvar a Deus, as pessoas admiração ou encantamento.
libertam-se para confiar plenamente no Pai que as
C o m o se percebe, o louvor é uma atitude
ama incondicionalmente, desviando a atenção delas
muito simples. Na reunião de oração, os tipos mais
mesmas e concentrando-se em Jesus. Quando se
comuns de louvor são os individuais e os coletivos.
louva o Senhor, naturalmente se afugenta para longe
N o louvor individual, convém que a pessoa que o
as vãs preocupações, o desânimo, a tristeza, a amar-
faz por primeiro não diga palavras muito difíceis
gura, porque se reconhece que há um Deus que é
ou frases enfeitadas, para não inibir aqueles que só
grande e Todo-Poderoso. Deus habita nos louvores
sabem fazer louvores bem simples. " O importante
de seu povo. O louvor que brota do coração humil-
não é dizer frases literalmente bem elaboradas, nem
de agrada o Senhor
cheias de profundo conteúdo teológico, pois não se
O louvor deve ser dado a Deus mesmo quando trata de impressionar, nem doutrinar a comunidade;
as situações são dolorosas, humilhantes e até desas- o importante é abrir simplesmente o coração para
trosas. Não é difícil louvar quando as circunstâncias Deus"^^ Essas intervenções também não devem ser
são favoráveis. É normal alegrar-se no momento do demasiadamente longas e cansativas.
sucesso, da prosperidade, da boa saúde e da fama.
A confiança para participar em voz alta nasce
Mas São Paulo diz:"Rendei graças, sem cessar e por
da familiaridade que o ambiente proporciona, mas
todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Se-
também "graças à experiência que o Espírito Santo
nhor Jesus C r i s t o " (Ef 5,20).

A inspiração para o louvor é reação espontâ-


nea e/ou cultivada a partir da percepção da grandeza " Alírio J. P E D R I N I , Exper/êncío de Deus, p. I 19-121. R o b e r t D E G R A N D I S ,
Lourai a Deus diariomeme, p. 46-47.
e bondade de Deus. "Por ele (então) ofereçamos a
" J. H. Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 20.

32
^ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

nos concede de nos sentirmos filhos de Deus, e da as demais equipes de serviço da reunião, tem a pre-
capacidade que nos dá de gritar: Abba, Papai"^'. Em ocupação de ajudar as pessoas a se colocarem na
qualquer caso, a oração individual ajuda a desinibir o presença de Deus. D e modo algum se quer colocar
participante. Aqui cabe uma observação importante: em segundo plano a necessidade de se ter músicos
é possível que os louvores dos irmãos neoconverti- de excelência técnica em nosso meio, mas tal exce-
dos apresentem " e r r o s " teológi-cos e/ou doutrinais, lência precisa estar submetida ao poder e unção do
os quais N Ã O devem ser corrigidos diante de toda a Espírito Santo.
assembleia, bem como deve-se evitar olhares e ges-
O ministério de música deve estar em obediên-
tos de recriminação, julgamento ou mesmo sarcas-
cia e comunhão com o dirigente principal da reunião.
mo, atitudes não cristãs. Tais atitudes podem desen-
O dirigente é a autoridade naquela hora. Por isso,
cadear um profundo bloqueio no coração daqueles
durante a oração não é bom inserir cantos sem que
que estão desabrochando para o Senhor.
ele saiba quando e quais, a menos que um ministro
de música julgado experiente e em unidade suficien-
2 . 2 . A o r a ç ã o e m línguas te seja encarregado disso previamente. D e qualquer
modo, o ministério de música deverá ter sempre al-
Quanto mais espontânea a oração em línguas, guém à frente durante a reunião, que responde por
melhor será o clima do louvor Por isso, o dirigen- ele junto ao dirigente principal.
te deve conduzir e não induzir ou "forçar a barra"
Não é preciso dizer que as letras dos cantos
com orações estridentes ao microfone. É o Espírito
devem estar em consonância com as moções da reu-
que, antes de qualquer pessoa, move cada um para
nião. " A música mesma (...) deve ir-se adaptando ao
que use o dom. N o entanto, não há problemas em
ambiente, ao tom que está tomando a oração"'". U m
incentivar ou pedir para que as pessoas orem em
canto ou mesmo um ritmo mal colocado pode des-
línguas. Deve-se evitar a expressão "linguagem dos
viar completamente o rumo da reunião de oração.
anjos", pois que não possui qualquer respaldo bíblico
ou teológico. Pode-se dizer:Vamos orar no Espírito, Padre Joãozinho''^ observa que a reunião de
ou, vamos deixar o Espírito orar em nós. oração emana do culto eucarístico e ali encontra
seu sentido. Por isso, conclui que na reunião o can-
O essencial é deixar que o próprio Espírito ore
to "será tanto mais santo quanto mais intimamente
nas pessoas e imprima a ressonância e a tonalida-
estiver ligado ao momento da ação litúrgica que se
de que quiser A tonalidade ajuda a fazer com que a
estiver revivenciando"''^ É oportuno observar aqui,
oração em línguas não se torne gritante e sem har-
então, algumas formas e expressões do canto na reu-
monia. " O s muitos cantos diferentes se harmonizam
nião de oração:''^
num só, cheio de paz ou de poder, em que cada um
é instrumento incomparável dirigido pelo próprio 2.3.1 C a n ç ã o c o m p a l m a s : as palmas devem
Espírito"''". ser um complemento da oração, por isso, espontâ-
Durante o louvor ou a oração em línguas, o Se- neas e alegres. As Escrituras estão cheias deste tipo
nhor pode revelar - através de palavra de ciência - as de oração (cf SI 46/47,2; SI 97/98,8). N o entanto, há
curas e libertações que está realizando. O dirigente que se ter cuidado para não substituir o canto do
deve proclamar para a assembleia e assim, suscitar povo pelas simples palmas. Da mesma forma, as pal-
os testemunhos. mas devem expressar um extravasamento corporal
da alegria interior e não simplesmente um gesto co-
letivo sem maior sentido.
2.3.0 canto

2.3.2 C a n ç ã o c o m as m ã o s levantadas:
A música é um elemento fundamental para a é expressão que manifesta nossa dependência de
reunião de oração. Porém, se não for adequada, pode Deus e nosso clamor sincero a Ele (cf SI 62/63,5;
comprometer o desenrolar das expressões de lou- 133/134,2; 140/141,2).
vor da assembleia e até mesmo a reunião de oração
como um todo.

Há um evidente perigo da reunião se transfor- " lbid.,p.40.


mar numa espécie de festival de músicas, sobretudo C i p r i a n o C H A G A S , Grupos de oração carismáticos, p. 19,

quando se tem um ministério que supervaloriza o " lbid.,p. 16.

preparo técnico. O melhor ministério de música é " C f João C a r l o s A L M E I D A , Cantar em espirito e verdade, p. 8 8 .

aquele orante e ungido que, num só coração com « Ibid., p.89

« Cf. Ibid., p. 89-94.

33
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração >^,

2.3.3 C a n ç ã o de júbilo: a experiência pro- não nos fala, mas talvez não tenhamos nos dado con-
funda de Deus às vezes é tão intensa que é preci- ta de que somos nós que não lhe damos a oportuni-
so gritar É fruto do Espírito (cf. SI 46/47,1; 80/81,2; dade de fazê-lo"''^ i .
99/100,1).
2.5. A t o Penitencial"''
2.3.4 C a n ç ã o de a d o r a ç ã o : manifesta o re-
conhecimento da grandeza de Deus e de nossa pe-
O perdão dos pecados é dado por Deus a quem
quenez. É uma maneira de proclamar que Jesus é o
reconhece seus erros, "Se reconhecemos os nossos
Senhor (cf. SI 94/95,6).
pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar
2.3.5 C a n ç ã o c o m danças: É bom, santo e os pecados e para nos purificar de toda iniquidade"
bíblico orar com danças como fazia o Rei Davi (cf. (IJo 1,9). Jesus deixou o sacramento da Penitência,
2Sm 6,14).Todo o ser deve se voltar para Deus: es- a confissão. O s pecados graves precisam passar pela
pírito, alma e corpo. Nada mais natural e salutar do absolvição sacramental, dada pelo sacerdote; os pe-
que soltar-se, de modo equilibrado e não eufórico, cados veniais, leves, podem também, ser perdoados
nos louvores do Senhor de outros modos, como numa celebração peniten-
cial apropriada, sempre que o pecador pedir sincera-
2.3.6 C a n ç ã o de luta: denuncia o homem mente perdão a Deus; também por jejuns, esmolas,
velho. O exemplo maior é o canto de Maria:"Derru- penitências e boas obras realizadas nesta intenção,
bou do trono os poderosos e exaltou os humildes" acompanhada do desejo de verdadeira conversão.
(Lc 1,52). Esse canto anuncia a grandeza de um Deus
Servindo-se do próprio fluxo da reunião de
que faz maravilhas pelos seus.
oração, o dirigente terá a oportunidade de fazer a
2.3.7 C a n ç ã o de regozijo: era o grito atra- cura espiritual acontecer pelo perdão. Pode, tam-
vés do qual Israel louvava a Deus por seus porten- bém, promover orações de cura espiritual através
tos. "Toda multidão dos discípulos tomada de alegria, de atos penitenciais devidamente inspirados.
começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas Para que o perdão aconteça é necessário que
as maravilhas que tinha visto" (Lc 19,37). aquele que pecou:

2.3.8 L o u v o r i n s t r u m e n t a l : tocar diante do • Reconheça o seu pecado;


Senhor por si só já é uma oração. A música instru- • Arrependa-se;
mental só será santa se brotar de um coração re-
• Peça perdão a Deus, sinceramente;
novado. O amor e o júbilo são expressos nos sons
dos instrumentos. Deve-se atentar, contudo, para • Proponha-se a vencer e evitar o pecado;
a necessidade do silêncio exterior para que haja o • Proponha-se à reparação (ex: devolver o
interior Assim, o louvor instrumental não deve ser que roubou, perdoar a quem o ofendeu, pedir per-
normativo para todos os momentos em que o di- dão a quem ofendeu, e t c ) .
rigente e/ou a assembleia se calarem. Deve brotar
Deus está sempre esperando e pronto para
naturalmente de acordo com a unção do momento.
perdoar "Se vossos pecados forem escarlates, tor-
nar-se-ão brancos como a neve! Se forem verme-
2 . 4 . 0 silêncio lhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã!"
(Is I , l 8 b ) .
O dirigente deve estar atento para proporcio-
nar momentos de silêncio durante a reunião de ora-
2.6. A p r e g a ç ã o
ção. Alguns momentos propícios para isso são: após
a oração em línguas (para favorecer a profecia), após
A pregação é um momento dos mais importan-
a profecia (para assimilação das palavras mais fortes)
tes da reunião de oração. Ela motiva o povo a rezar e
e ao final da pregação.
faz aumentar a fé. A pregação visa atingir o coração,
O silêncio ajuda a "balancear" a reunião, tor- leva a experimentar a misericórdia de Deus que se
nando-a ainda mais dinâmica. D e modo algum reflete manifesta em seu Filho Jesus.
monotonia e cansaço. "Em toda reunião deve haver
momentos de silêncio fecundo e cheio da presença
do Senhor Não um silêncio vazio, tímido e tenso, « J. H _ Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 31.

mas o silêncio que favorece a comunicação de Deus « C f A l í r i o J. P E D R I N I , Grupos de oroçâo,p. 41 ss.

conosco. Muitas vezes nos queixamos de que Deus

34
Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

Nos Atos dos Apóstolos é esta a sequência: Pe- querigma tem uma divisão sistemática e didática, em-
dro, cheio do Espírito Santo, se destaca dos demais e bora a mensagem central seja sempre o enfoque de
com voz forte anuncia o Evangelho aos que se ajun- Jesus morto e ressuscitado - Jesus Salvador:
tavam ali que, com os corações atingidos, perguntam
a) A m o r de Deus - mostra a face paterna/ma-
o que devem fazer para receber, também eles, o dom
terna de Deus; que Ele ama incondicionalmente a to-
do Espírito. Pedro faz a pregação. O povo reage e
dos os homens, com amor eterno. Um bom exemplo
pergunta. Ele faz uma proposta de conversão e tudo
é a parábola do filho pródigo. Para ler e meditar: Lc
vai acontecendo (cf.At 2,14-41).
15,1 1-30; Is 49,14-16; IJo 3 , l ; 4 , 7 - 8 ; O s I 1,1-4.
Assim deve acontecer nas reuniões de oração.
b) Pecado - o homem ao afastar-se de Deus
A pregação motiva e o povo reage, pedindo, louvan-
caiu no pecado. " O homem tentado pelo Diabo,
do, cantando. A Palavra de Deus anunciada deve to-
deixou morrer em seu coração a confiança em seu
car e levar o povo a reagir através da oração, do lou-
Criador e, abusando da sua liberdade, desobedeceu
vor, do canto, da disposição do coração para receber
ao mandamento de Deus. Foi nisto que consistiu o
o Espírito Santo.
primeiro pecado do homem. Todo pecado daí em
Ensina o Concílio Vaticano II: diante, será uma desobediência a Deus e uma falta
de confiança em sua bondade" (Catecismo n.397).
"Impõe-se, pois, a todos os cristãos o dever
Para ler e meditar: O s 5,3-4; SI 52/53,2-4; SI 50/51;
luminoso de colaborar para que a mensagem divi-
Rm 3,23; Rm 5 , l 2 ; G a l 5,19.
na da salvação seja conhecida e acolhida por todos
os homens em toda a parte. (...) Para exercerem tal c) Salvação - Jesus morto e ressuscitado remiu
apostolado, o Espírito Santo - que opera a santifica- o mundo, dando de novo ao homem o livre acesso
ção do povo de Deus através do ministério e dos ao Pai. Para ler e meditar: Jo 3,16; I Jo 4,9-10; Rm
sacramentos - confere ainda dons peculiares aos fi- 5,6-1 1.18-20; Hb 9,1 1-14.26-28.
éis (cf I C o r 12,7) 'distribuindo-os a todos, um por
d) Fé e conversão - ao ouvir a proposta de salva-
um, conforme quer' ( I C o r 12,1 I ) . (...) Da aceitação
ção, cabe ao homem respondê-la, aceitando-a numa
destes carismas, mesmo dos mais simples, nasce em
adesão de fé, dispondo-se a uma mudança de valores
favor de cada um dos fiéis o direito e o dever de
e de vida, passando a caminhar conforme os ensina-
exercê-los para o bem dos homens e a edificação da
mentos cristãos. Para ler e meditar: Hb 11,1 -2; Cal
Igreja, dentro da Igreja e do mundo, na liberdade do
5,1 I ; Ef 3,8; 2 T m 3,14; Eclo 17,21-24; D t 4,29-31 .
Espírito Santo...'"*'.
e) Espírito Santo - É o Espírito Santo que toca
A pregação leva as pes; oas a conhecerem Jesus. e muda o coração do homem, que o fortalece, que
"Porém, como invocarão aquele em quem não têm revela as verdades e o leva a adorar ao Pai em ver-
fé? E como crerão naquele de quem não ouviram dade. É o Espírito Santo que opera interiormente a
falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pre- salvação conquistada por Jesus. Daí a necessidade de
gue?" (Rm 10,14). Na reunião de oração ela deve pedir o batismo no Espírito Santo, para receber a ca-
ser querigmatica. A diferença básica das mensagens, pacidade de viver a vida nova proposta. Para ler e me-
em especial a querigmatica e a catequética, consiste ditar: Mt 28,19; Jo 15,26; I C o r 3,16-17; Rm 8,26-27.
no fato de que a primeira (o querigma = do grego
KERISSEIN = proclamar,gritar,anunciar) é o anúncio f) Comunidade - Para ser igual ao Pai, como Jesus
fundamental da fé cristã, que apresenta o Deus vivo. pediu, o homem tem que viver em comunidade. Para
Deus de Amor, tendo como centro Jesus morto e ler e meditar: Jo 17,20-23;At 2,42; Ef 4,1 -6; I Pd 1,22.
ressuscitado. Já a mensagem catequética visa ensinar
2 . 6 . 2 . 0 pregador
aqueles que abraçaram a fé, doutrinando-os. O que-
rigma é o tocar dos sinos, enquanto que a catequese O pregador é aquele que tem a consciência que
é o ressoar O u ainda, podemos dizer que o tempo Deus se deixa encontrar, porque já O encontrou.
do querigma é hoje, é o momento da salvação; já o Não há como falar de Deus, sem conhecê-Lo.
tempo da catequese é a partir de hoje, ou seja, será A Igreja recomenda aos que se consagram ao
um ensino progressivo e gradual da fé e suas razões. ministério da palavra (podem ser incluídos aqui os
pregadores do grupo de oração), que "se apeguem
2 . 6 . L O querigma às Escrituras, mediante assídua leitura sacra e dili-
O conteúdo do querigma não deve ser muda- gente estudo, para que não venha a ser 'vão prega-
do - Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre. Porém,
na pregação ele pode ser adaptado à realidade. O CVW. Apostolicam Actuositatem, n.. 3.

35
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^,

dor da palavra de Deus externamente, quem não a pessoa "não pode ser um recém-convertido, para
escuta interiormente""'^. não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a
Também na Sagrada Tradição e no Magistério cair na mesma condenação que o demónio. Importa,
da Igreja o pregador deve buscar o conhecimento de outrossim, que goze de boa consideração por parte
Deus,apoiando-se na sabedoria dos santos doutores dos de fora, para que não se exponha ao desprezo e
e na sã doutrina. C o m o ensina São Paulo: "Ficai fir- caia assim nas ciladas diabólicas (...) Antes de pode-
mes e conservai os ensinamentos que de nós apren- rem exercer o seu ministério, sejam provados para
destes, seja por palavras, seja por carta nossa. Nosso que se tenha certeza de que são irrepreensíveis"
Senhor Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou ( I T i m 3,6-7.10)
e nos deu consolação eterna e boa esperança pela
sua graça, console os vossos corações e os confirme 2.7. O s t e s t e m u n h o s
para toda boa obra e palavra" (2Tes 2,15b-16).
O s testemunhos têm a função de manifestar
Deus, ainda, se revela através de locuções inte-
a glória de Deus e edificar a comunidade. Por isso
riores, palavras de sabedoria ou de ciência, visuali-
mesmo,"devem ser centralizados na pessoa de Jesus
zações, profecias e sinais, aos quais o pregador deve
e não em quem fala. Se possível, as pessoas devem
estar atento, discernindo o que é bom. Para preparar
ser orientadas quanto ao conteúdo e ao modo de
a mensagem de pregação para a reunião de oração
dar seu testemunho"^'.
deve-se, sobretudo, orar e escutar o Senhor Após
discernir a vontade de Deus, preparar-se, buscando O s dirigentes devem acautelar-se de pessoas
que insistem em falar em todas as reuniões, quase
nas fontes de conhecimento o apoio e o fundamento
sempre como forma de exibir-se. Nem sempre é sau-
seguro para a pregação atingir o coração do povo.
dável facultar a palavra para testemunhos, pois pode
O pregador é uma pessoa guiada pelo Espírito
servir como espaço para desabafos e apresentações.
Santo, com o objetivo único de conquistar as pes-
"Por outro lado, é preciso estimular todos os que
soas para Jesus. Ele é a voz que clama, é a seta que
foram tocados pelo Senhor a que dêem testemunho,
indica o caminho. Mas não é, jamais, "a Palavra", "o
pois se o testemunho é para a glória de Deus, não
Caminho", que é Deus."João Batista foi a voz.Jesus é
proclamá-lo, seja por timidez ou por vergonha, será
a Palavra, a Palavra de Deus. Acontece que a Palavra
roubar de Deus a glória que só a Ele pertence"".
de Deus não cessa, não passa, não se extingue. Pelo
contrário, tem de estar sempre presente entre os Além disso, os tes emunhos devem ser breves
homens, entre os cristãos. Mas, como a voz de João e compreensíveis a todos. Robert Degrandis fala do
Batista passou, a voz de todo pregador também pas- "princípio a b e " " : audível, breve e centralizado em
sa. Por isto, em cada geração Jesus conta com a tua Cristo. "Considere antes, durante e depois: qual era
voz, com minha voz, com nossa voz"'". a situação que precisava ser resolvida? C o m o Cristo
interveio? Quais são os resultados de seu envolvi-
O pregador é um servidor da verdade, um ar-
mento? Se relatados corretamente, os testemunhos
tífice da unidade da Igreja. Por isso é muito impor-
ensinam, motivam e levam as pessoas ao louvor
tante que o pregador da reunião de oração seja uma
Quando as pessoas dão testemunho, sua própria fé
pessoa madura na fé, animada pelo amor, tenha o
é fortalecida, bem como a dos ouvintes"^"*.
fervor dos santos e que conheça bem Jesus, que é o
Verbo do Pai, a Palavra verdadeira, o único caminho.

Além disso, deve ser testemunha, ter zelo pelo


Evangelho, deve viver o que prega, pois " O homem
contemporâneo escuta com melhor boa vontade as
testemunhas do que os mestres, ou então se escuta
C V ll,De/Verbum,n.25.
os mestres, é porque eles são testemunhas. (...) Será, João M O H A N A , Como ser um bom pregador, p. 24. Cf., a propósito, R o -

pois, pelo seu comportamento, pela sua vida, que naldo José de S O U S A , U m a v o z clama no d e s e r t o . In. Pregador ungido, pp. 60-68.

" P A U L O VI, Papa. Exortação Apostólica Evar\gelli Nuntiandi. n. 4 1 .


a Igreja há de, antes de mais nada, evangelizar este
Cf., p o r e x e m p l o , Patti M A N S F I E L D , Publicai os seus feitos moroW/hosos, 94 p.
mundo; ou seja, pelo seu testemunho vivido com fi-
" J . H . Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 60.
delidade ao Senhor Jesus"^°. " Cf. Vem e segue-me, p. 68-69.

São Paulo orienta que para ser capaz de ensinar. " Ibid., p. 69.

36
^ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

2.8. O s a v i s o s

A boa comunicação é fundamental na obra do próprio Grupo de Oração ou eventos e projetos da


Senhor O s avisos devem ser claros de tal forma que R C C em suas diversas instâncias.
todos os presentes captem perfeitamente a informa- Não há motivos para prolongar a reunião por
ção e sejam motivados a se interessar pela proposta. causa de comunicados exaustivos. O grupo e a pa-
Devem ser, na medida do possível, rápidos, sempre róquia devem utilizar outros mecanismos para isso.
ao final da reunião. Normalmente, eles dizem respei-
to a algum aspecto da caminhada da Igreja local, do

4. CONCLUSÃO

A s referências feitas não esgotam os temas, nem abrangem todos os aspectos


da reunião de oração. Muitos grupos desenvolvem bons mecanismos não necessaria-
mente comuns para suas reuniões, mas que são profundamente válidos e eficientes.
O essencial é compreender que, na dinâmica do Espírito, os dirigentes devem
submeter suas capacidades ao Senhor e zelar, com reta intenção, por aquilo que Deus
lhes confiou.

37
Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

CAPITULO 5

OS SERVIÇOS NA REUNIÃO DE
ORAÇÃO

1. INTRODUÇÃO

Todo Grupo de Oração deve possuir servos servos na R C C passem por um profícuo e sistemáti-
que se responsabilizem pela realização da reunião, co Processo de Iniciação (SVE, Experiência de O r a -
que é a porta de entrada, onde a evangelização que- ção, Aprofundamento de Dons), seguido do Módulo
rigmatica e o batismo no Espírito Santo se realizam. Básico de Formação e das Formações Específicas
Essas pessoas devem ser organizadas em equipes de para cada ministério.
serviços específicos, receber formação adequada e
Existem várias equipes que atuam na reunião
ter momentos de oração em equipe.As pessoas que
de oração. Aqui será feita uma breve abordagem so-
se sentem chamadas a estes serviços, devem fazer
bre aquelas mais comuns.
uma boa experiência no uso dos carismas. Lembran-
do mais uma vez, que é fundamental que todos os

2. ALGUMAS EQUIPES DE SERVIÇO


DA REUNIÃO DE ORAÇÃO

2.1. E q u i p e de a r r i . m a ç ã o

É a equipe encarregada de preparar o ambiente soas para este ministério formando a equipe de re-
para um grande momento de louvor, que é a reu- cepção. A cada reunião, os membros dessa equipe
nião de oração. Cuida da arrumação e disposição estarão às portas para acolher desde o início as pes-
das cadeiras, da caixinha de pedidos de oração, da soas que vão chegando, dando-lhes as boas-vindas.
mesa ou ambão para o pregador (se for o caso), da Deve-se atentar para não dar mais atenção a alguns
preparação do altar e decoração do ambiente (quan- (amigos pessoais, pessoas mais chegadas), em detri-
do necessário) a fim de propiciar um lugar limpo e mento de outros que vão chegando.
acolhedor aos que chegam e criar um clima favorável
Esse contato pessoal é muito importante.
à fraternidade. Não se trata de um serviço acessó-
C o m o São Paulo diz:"Entre vós imitamos a mãe que
rio, sem grande relevância; ao contrário, os membros
acalenta o filho ao colo. (...) Fomos falar a cada um
dessa equipe devem se deixar encher pelo Espírito
como de um pai para o filho..." (ITes 2,7-12). Essa
Santo a fim de que arrumem tudo com o amor cris-
atmosfera de fraternidade e de amor será mais fa-
tão que faz toda a diferença.
cilmente criada por meio do contato pessoal e da
A o final do encontro, deixa a sala arrumada e amabilidade com que se recebem os que vão che-
limpa. gando, seja num grupo pequeno, seja numa grande
assembleia.
2.2. E q u i p e d e a c o l h i m e n t o e r e c e p ç ã o
O s componentes dessa equipe devem ser pes-
soas com carisma de relacionamento com os outros,
O acolhimento e a recepção parecem óbvios, chamadas por Deus, para colocar seus dons naturais
mas nem sempre sua importância é reconhecida. a serviço dos irmãos.
Convém que os dirigentes do grupo designem pes-

39
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração >^ .

2.3. M i n i s t é r i o d e m ú s i c a ao início da reunião de oração, em que as pessoas


vão chegando e se sentando.
C o m o já dito, a música é muito importante na U m músico ungido servirá mais do que lidera-
reunião de oração. Ajuda muito começar a reunião rá, e concentrar-se-á em auxiliar o povo a louvar e
com cantos alegres e rápidos, gestos, palmas e movi- adorar o Senhor A música deve facilitar o louvor e
mentação. Muitos chegam deprimidos e cansados e tais a adoração. Um bom ministro de música cuidará de
cantos ajudam a relaxar e afezer desaparecerem obstáculos. dosar convenientemente o canto e o silêncio.
A música é um poderoso instrumento usado
por Deus para trazer pessoas para mais perto dele. 2.4. M i n i s t é r i o p a r a c r i a n ç a s
Ela pode expressar adoração e louvor diferentemen-
te de todos os outros meios. É muito importante O Grupo de Oração deve se preparar para ter
que o Grupo de Oração tenha um ministério de mú- uma equipe que ficará com as crianças no horário da
sica organizado ou que pelo menos tenha um gru- reunião de oração. A equipe não somente "cuidará"
po de pessoas que assuma a responsabilidade pelos das crianças para que não "atrapalhem" a condução
cantos da reunião. Em todos os casos, esse grupo de do louvor Há que se fazer um cuidadoso planeja-
servos deve se reunir periodicamente para orar, e mento de evangelização também para as crianças
dentre outras coisas, ensaiar as músicas, privilegian- com o objetivo de ensiná-las a louvar e orar, forman-
do-se aquelas do livrinho de cânticos "Louvemos o do um verdadeiro "grupinho de oração" levando em
Senhor", largamente utilizado na R C C , e que tem conta suas necessidades e de acordo com as faixas
sido esquecido por muitos carismáticos. etárias. É importante ressaltar que não se trata de
uma mera recreação. Esse "grupinho" deve praticar
O principal objetivo de uma equipe de música
os carismas, deve contemplar uma pequena prega-
é, obviamente, ministrar o amor e a Palavra de Deus,
ção querigmatica adaptada para as crianças, deve le-
criando ambiente propício para o batismo no Espí-
vá-las à experiência do batismo no Espírito Santo.
rito. C o m muita frequência, a música é vista como
mera tarefa a ser executada. Mas essa atitude impe- O s servos encarregados de desempenhar este
de que Deus a use como efetivamente deseja fazê-lo. serviço devem possuir o carisma da alegria, da paci-
A música é um ministério, no verdadeiro sentido da ência, do amor aos pequeninos, da animação e muita
palavra. Ela pode evangelizar, ensinar, inspirar, enco- criatividade e domínio, pois assim conseguirão man-
rajar. É uma parte vital da reunião e deve receber ter a boa ordem e despertarão nas crianças o gosto
atenção cuidadosa. pela oração e pelo louvor, de forma espontânea.

Existem duas características necessárias aos


membros do ministério de música: obediência e hu- 2.5. M i n i s t é r i o d e i n t e r c e s s ã o
mildade. A obediência se dá no entrosamento entre
o ministério de música e a coordenação.A humilda- "Acima de tudo, recomendo que se façam pre-
de consiste em reconhecer que sem o Senhor nada ces, orações, súplicas, ações de graças por todos os
se pode fazer (cf.Jo 15,5). É Ele quem faz a obra. Não homens, pelos reis e por todos os que estão consti-
importa saber muito ou pouco, todos precisam ter tuídos em autoridade, para que possamos viver uma
humildade. Mais do que saber as músicas, o ponto vida calma e tranquila, com toda a piedade e honesti-
importante é saber comunicar o amor de Deus às dade. Quero, pois, que os homens orem em todo lu-
pessoas. gar, levantando as mãos puras, superando todo ódio
e ressentimento" ( I T m 2,1-2.8).
As vozes dos ministros que lideram o louvor
devem se sobressair aos instrumentos. Por mais belo Frise-se que o serviço da intercessão se dá fora
que seja o som do instrumento musical, seu fim não da reunião de oração, dando-se prioridade aos pedi-
é substituir a voz humana, e sim acompanhá-la. Por dos escritos pelos participantes do Grupo de O r a -
isso, deve-se evitar que um som muito forte domi- ção, ao sustento espiritual do mesmo, às eventuais
ne a voz e gere irritabilidade nos participantes. Se o intenções específicas apresentadas pelo Núcleo e à
grupo não possuir instrumentos, pode-se encorajar Rede de Intercessão oriunda do ministério em nível
o povo a cantar juntos em harmonia. nacional.

É importante ensinar as músicas às pessoas C o m o já dito, os primeiros intercessores de


para que o canto saia bonito e bem feito para o um Grupo de Oração da R C C são os membros do
Senhor, porém, sem perfeccionismo. U m momento seu núcleo de serviço, que devem interceder pelo
propício para esse ensaio é imediatamente anterior Grupo em cada uma de suas reuniões, independen-

40
.^ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

temente da atuação do ministério de intercessão. 2.6. M i n i s t é r i o d e P r e g a ç ã o


N o decorrer da reunião de oração, também são
os membros do núcleo que devem interceder pelo Todo grupo de oração deve possuir uma equipe
bom êxito da mesma. de pregadores que ministra o ensino, a instrução e a
Assim, na inexistência de equipe de intercessão, proclamação querigmatica da Palavra de Deus. Nesse
o próprio núcleo de serviço é o grande responsável ministério devem estar os servos que possuem o dom
pela função exercida por ela. de ensinar, de falar sob a unção do Espírito. "Prega a
Palavra, insiste oportuna e importunamente, repreen-
Intercessão é a oração daquele que fala a Deus
de, ameaça, exorta com toda a paciência e empenho
dos problemas dos homens. E a oração de quem ofe-
de instruir.. Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente
rece a generosidade do seu coração em favor dos
nos sofrimentos, cumpre a missão dem pregador do
outros. O intercessor coloca-se como canal aberto
Evangelho, consagra-se ao teu ministério" (2Tm 4,2.5).
à vontade de Deus, para que nele e através dele, o
Espírito Santo possa agir. A exemplo de Moisés, que Nesse sentido, não necessariamente a pregação
chamado e enviado para levar o povo cativo e opri- ficará toda semana a cargo dos membros do núcleo
mido, dedicou-se a ele como intercessor, o ministé- de serviço, podendo este discernir um dos servos da
rio de intercessão ora pelo povo sofrido e cativo do equipe de pregadores que fará a pregação de acordo
pecado. com a palavra rhema e toda a moção discernida na
reunião de núcleo, ser-lhe-á de antemão comunicada
A equipe de intercessão é composta de pesso-
pelo coordenador da equipe de pregadores.
as que se sentem chamadas a exercerem tal ministé-
rio. E preciso evitar cair na tentação de colocar para E coerente que um Grupo de Oração cresça
a intercessão aquelas pessoas que, à primeira vista, espiritual e quantitativamente, pois as pessoas estão
"não sabem fazer outra coisa", como: tocar instru- sedentas de Deus. Isso significa dizer que os minis-
mentos, cantar, pregar, aconselhar, etc. O ministério térios naquele Grupo de Oração também devem
de intercessão é tão sério quanto todos os outros; crescer e amadurecer para que sirvam cada vez
as pessoas que o desempenham devem ser prepara- melhor à comunidade. Diante disso precisamos nos
das para tal, prontas para exercerem o discernimen- perguntar: como iremos desenvolver nossos minis-
to, com eficaz vida de oração pessoal e comunitária, teriados e, aqui, de modo especial, nossos pregado-
além de adequada formação. res? A resposta é imediata: motivando-os à formação
continuada e colocando-os para servir ao seu pró-
O s intercessores fortalecem-se através do es-
prio Grupo de Oração. Isso significa dizer que não é
tudo da Palavra, da escuta de Deus, da Eucaristia, da
proibido convidarmos pregadores de outros grupos
penitência, da adoração ao Santíssimo e, principal-
ou localidades para ministrarem em nosso Grupo
mente, possuem um amor que se entrega e confia,
de Oração, mas também precisamos desenvolver as
ajudando a sustentar a fragilidade do outro. Fortale-
nossas próprias ovelhas. Por vezes investimos no mi-
cem-se, ademais, participando da reunião de oração,
nistério dos outros - e isso não é depreciativo - mas
já que, como visto, seu serviço acontece fora desta.
relegamos a segundo plano aqueles que o Senhor
O momento de oração do ministério de in- deu prodigamente ao nosso próprio Grupo de O r a -
tercessão é voltado para as necessidades de todas ção. N o tocante a convidar pregadores de outras
as pessoas do Grupo de Oração. O s ministros ofe- dioceses, é preciso informar e pedir autorização à
recem-se a si mesmos como vasos de bênçãos em coordenação diocesana da R C C , pois isto é fruto de
favor dos outros. Esquecem-se as necessidades pes- Pentecostes: unidade, comunhão, consideração devi-
soais e ora-se pelo grupo. da a quem está investido em autoridade..
O s servos intecessores reunem-se pelo menos
uma vez por semana, podendo ser diante do sacrário 2.7. Ministério de oração por cura e libertação
desde que aconteça em local onde ninguém possa
"Agora o Senhor enviou-se para curar-te e li-
ter acesso devido ao absoluto sigilo necessário. Nes-
vrar-te... Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assis-
sa reunião, ora-se pelas necessidades do Grupo de
timos na presença do Senhor" (Tb 12,14-15).
Oração e também pelos pedidos feitos durante a
reunião de oração e pelos pedidos diocesanos, esta- O s servos da equipe de oração por cura e li-
duais e nacionais. Deve haver uma pessoa responsá- bertação são, antes de tudo, profundos intercessores,
vel pelo ministério de intercessão, que o representa- ou seja, devem ser pessoas de intimidade com Deus,
rá no núcleo de serviço. que tenham conhecimento e afinidade com Sua Pa-
lavra e tenham experiência e bom uso dos carismas,

41
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração <^.

principalmente do carisma de cura e libertação. servos do Grupo de Oração.


As pessoas que frequentam as reuniões de ora- Essa equipe pode prestar atendimento às pes-
ção e o Grupo de Oração como um todo são geral- soas antes ou depois da reunião de oração (ou du-
mente feridas e doentes. Há necessidade, portanto, rante, se houver algum caso que assim o necessite).
de dar-lhes atendimento. É esse o trabalho da equipe Também o atendimento pode ser feito noutros dias,
de oração por cura e libertação. Não é demais es- em horários previamente marcados.
clarecer que esse serviço é também voltado para os

3. CONCLUSÃO

A Igreja de Jesus necessita de mulheres e homens novos, renovados no Espírito


Santo, que acreditam no Cristo Salvador, esperam nas suas promessas e dão frutos
abundantes por sua união a Cristo.
O Espírito Santo já começou esta obra maravilhosa de transformação e o co-
ração daqueles que se sentem tocados está inquieto. Por isso, é preciso ler e reler,
meditar e "ruminar" a Palavra: "Estou persuadido de que Aquele que iniciou em vós
esta obra excelente lhe dará o acabamento até o dia de Jesus C r i s t o " (Fl 1,6)."O Se-
nhor completará o que em meu auxílio começou" (SI 137/138,8a). "Se o Senhor não
edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem" (SI 126/127,1 a).

42
Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

CAPÍTULO 6 : -uontn y.:^ ^

O GRUPO DE PERSEVERANÇA

1. INTRODUÇÃO

Não basta despertar a fé e promover a experi- Existem dois riscos: o primeiro é formar gru-
ência de pentecostes. O fiel deve ser conduzido ao pos de oração que atendam eficazmente à neces-
crescimento e à formação. A evangelização querig- sidade de aprofundamento e catequese e não aco-
matica deve levar à evangelização catequética. lhem bem aqueles que precisam de uma experiência
O objetivo final de toda evangelização é a for- inicial; o segundo é formar grupos que atendam à
mação da comunidade cristã e ela só é formada com necessidade de uma experiência de conversão e não
a perseverança daqueles que foram evangelizados. criam mecanismos para aprofundar a fé. Daí a neces-
Muitas vezes, os grupos de oração são lugares por sidade de momentos distintos para o mesmo Grupo
onde as pessoas passam, chegam, ficam algum tempo de Oração: querigma e catequese. Dois momentos
e depois saem porque não encontram um alimento que se complementam e acontecem em tempos dis-
adequado à sua espiritualidade. Portanto, o sentido tintos. ^
do termo "perseverança" aqui é manter-se num lo- Em alguns lugares este momento de perseve-
cal, aprofundar-se em algo, persistir num propósito, rança é chamado de grupo fechado, grupo de abas-
criar raízes, tornar-se efetivo. O Grupo de Perse- tecimento, grupo de partilha ou grupo de perseve-
verança é, pois, o terceiro momento do Grupo de rança. Aqui foi adotado este último por ser mais
Oração e está a serviço deste. próximo daquilo a que ele se destina.

2. CONSIDERAÇÕES GERAIS

Participar de um grupo de perseverança é, an- ou não, de acordo com as situações e circunstâncias


tes de tudo, um convite a começar um caminho. D e em que as pessoas vivem. Refletem também o pro-
um modo geral, podemos dizer que uma pessoa que cesso de evangelização de cada uma.
inicia o caminho num grupo de perseverança possui:
O grupo de p e r s e v e r a n ç a não é apenas;
• Uma experiência pessoal do amor de Deus e
• U m grupo que trabalha unido;
do batismo no Espírito Santo;
• A realização de uma série de atividades;
• Uma atitude de procura, manifestada no dese-
jo de dar um sentido à sua vida; • U m ambiente em que as pessoas se sentem bem;

• U m desejo de dinamizar a fé pessoal através • U m ambiente em que as pessoas são respei-


de uma relação mais constante e intensa com Deus; tadas, aceitas, queridas, ajudadas ou compreendidas;

• U m desejo de transformar o contexto em • U m grupo de pessoas "santas", mas gente que


que vive; procura a santidade com sinceridade, com a ajuda de
Jesus e a força do Espírito Santo; portanto, em uma
• Uma necessidade de viver com os outros, de
atitude de constante conversão.
se relacionar na amizade e de crescer "na graça e
no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus
C r i s t o " (2Pd 3,18).
" Cf. Partilha, n. 00, passim. R E N O V A Ç Ã O C A R I S M Á T I C A CATÓLICA,
G r u p o de oração, p. 51.
Estas motivações aparecem mais claramente

43
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração t>

3. ALGUMAS OBSERVAÇÕES IMPORTANTES


ACERCA DO GRUPO DE PERSEVERANÇA:

o grupo de perseverança é o terceiro momen- na Sagrada Escritura, na Sagrada Tradição e no Magis-


to do Grupo de Oração. Já foi visto que o primeiro tério da Igreja, revisado, preferencialmente, por um
momento é o núcleo de serviço, tratado no ensino teólogo clérigo ou leigo de notório saber teológico.
OI desta apostila, e o segundo é a reunião de oração, • As reuniões do Grupo de Perseverança te-
analisado nos demais ensinos até aqui. Acerca deste rão duração média de 2 (duas) horas e consistirá em
terceiro momento, deve-se atentar para alguns as- oração com prática dos carismas, ministração ungida
pectos: do ensino proposto para aquele dia de encontro, re-
• Tal atividade não substitui, tampouco se flexão pessoal ou comunitária (dinâmica) e partilha
confunde com a reunião de oração.Assim, deve pos- do grupo, sem prejuízo de outras iniciativas relevan-
suir dia e/ou horário diferente, a fim de que todos os tes para o crescimento do grupo.
participantes do grupo de perseverança participem O certo é que "ninguém pode progredir na vida
igualmente da reunião de oração. Isso é fundamental espiritual permanecendo sozinho, indo uma vez por
e é o que dá a razão de ser dos grupos de perseve- semana apenas rezar junto com outros já abertos
rança. para o louvor do Senhor O s pequenos grupos fa-
• O conteúdo a ser ensinado e refletido no cilitam a comunicação frequente e fraterna, a ajuda
Grupo de perseverança não deve ser o Módulo Bá- mútua, o apostolado comum. Há um crescimento no
sico de Formação da R C C e tampouco as formações amor e na doação de si mesmo, bem como formação
específicas dos diversos ministérios exercidos na de lideranças e de discipulado. Entretanto, tais gru-
R C C , mas os subsídios oferecidos pela R C C B R A S I L pos e tais resultados ficarão ameaçados se cederem
e pelas iniciativas das instâncias de serviço locais. à tentação do fechamento sobre si mesmos. O gru-
po de crescimento existe em função do grupo maior
Todo o conteúdo ensinado e refletido no G r u -
e não o substitui"^*.
po de perseverança deve encontrar fundamentação

4. GRUPO DE PERSEVERANÇA:
COMO ORGANIZAR

Tendo sido evangelizadas querigmaticamen- rança se reúna 2 horas antes da reunião de oração
te através do Seminário de Vida no Espírito e da ou nas 2 horas seguintes à mesma, isto é, no mesmo
Experiência de Oração as pessoas são convidadas dia da reunião de oração, mas em horário distinto.
a perseverar no crescimento espiritual através do Todos os servos e participantes do Grupo de
Grupo de Perseverança, em paralelo ao Aprofun- Oração precisam estar em constante aprofunda-
damento de Dons e ao Módulo Básico intercalado mento, inclusive o Coordenador do grupo; assim,
com a Formação Humana, as pessoas terão inicia- todos devem participar do grupo de perseverança.
do uma caminhada de aprofundamento da fé e C a -
O coordenador do grupo de perseveran-
tequese. Serão, portanto, convidados pelo Núcleo
ça pode ser o próprio coordenador do Grupo de
do Grupo de Oração a participarem do Grupo de
Oração, ou um servo-formador por ele indicado. O
Perseverança, cuja periodicidade pode ser semanal
formador indicado para a coordenação do grupo de
ou quinzenal, conforme a realidade local, com dia e
perseverança fará parte do Núcleo de Serviço e se
hora definidos, onde serão formados. Conforme já
responsabilizará pelo desenvolvimento do grupo de
acentuado, o Grupo de Perseverança deve possuir
perseverança juntamente com outros formadores.
dia e/ou horário diferente, a fim de que todos os
participantes do grupo de perseverança participem
igualmente da reunião de oração. E possível, se as- " C H A G A S . D o m C i p r i a n o . Grupos de Oroçõo Cammàúcas. R i o de Janeiro:
sim discernir o Núcleo, que o Grupo de Perseve- Ed. L o u v a - a - D e u s , 1978. R 31.

44
.^ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

Num Grupo de Oração mais numeroso, é pos- • Ter carisma de pastoreio.


sível que os participantes do grupo de perseverança
Exercer o ministério de formação, sendo mem-
também o sejam. Nesta hipótese, formam-se peque-
bro da equipe de serviço do Grupo de Oração.
nos grupos (no máximo 12 participantes), onde um
deles será o líder (pastor) do pequeno grupo. Esse Além disso, os servos (pastores) devem ser ins-
líder (pastor) será um membro da equipe de forma- truídos sobre:
ção do Grupo de Oração ou da equipe de serviço • C o m o conduzir oração;
em geral. Nesse caso, a formação deve ser ministra-
• C o m o ordenar uma partilha, para não deixar
da para todos juntos por um formador designado
que pessoas dominem, nem que alguém fique dema-
ou pelo próprio coordenador do ministério de for-
siadamente calado;
mação do Grupo de Oração, separando-se os gru-
pinhos de 12 pessoas para a reflexão (dinâ-mica) e • C o m o levar o grupinho a descobrir ou reno-
partilha, etc. var a ação do Espírito Santo nas suas vidas;

• O pastoreio dos participantes do grupinho;


O s pastores dos grupinhos devem reunir-se
periodicamente com o coordenador do Grupo de • Orientar os momentos de oração, explicar as
Perseverança para partilharem as experiências e as atividades, apresentar os eventuais palestristas e fa-
dificuldades mútuas. zer ligação entre os temas e as dinâmicas.

O s pastores dos grupinhos devem ter anota- O núcleo de serviço, em comunhão com os
dos todos os dados essenciais de cada participante: servos pastores dos grupos de perseverança, deve
nome, endereço, telefone, estado civil, profissão, local fazer um planejamento progressivo e sistemático
de trabalho, data de nascimento, entre outros. Além dos ensinos a serem ministrados neles e discerni-
disso, deve registrar bem a frequência de cada pes- rem, se for o caso, que tipo de estudo bíblico pessoal
soa, para melhor acompanhá-las. Cabe a este servo: será aplicado para os membros.

• Receber cada pessoa de modo acolhedor; A participação nestes grupos de perseverança,


como já dito, não exclui a participação nas reuniões
• Estimular os participantes do grupo quanto à
de oração, onde poderão testemunhar aos demais e
frequência, à vivência dos temas abordados, à oração
desta forma movê-los a caminhar na vida do Espírito.
pessoal e comunitária e o compromisso com a co-
munidade da qual participa; Após a evangelização querigmatica através do
SVE e da Experiência de Oração, as pessoas come-
• Levar as pessoas a perceberem a vida de re-
çam a dar os primeiros passos rumo à formação
lacionamento com Deus na comunidade, com os ir-
para o engajamento no trabalho de evangelização e
mãos, no poder do Espírito Santo;
no serviço da Igreja na R C C através dos GP's, sem
• Ser pessoa de vida de oração bem ordenada: prescindirem, contudo, das demais etapas do Pro-
orante; cesso Formativo do Movimento: Aprofundamento
•Ter visão clara do que é o grupo de perseverança; de Dons, Módulo Básico com Formação Humana,
seguindo-se à formação específica para o exercício
dos diversos ministérios.

5. LÍDERES EM POTENCIAL

O s grupos de perseverança devem fazer emer- tar com o óbvio e o tradicional.


gir pessoas que possam assumir lideranças; por isso
• Mediador: ajuda a trazer harmonia entre os
é importante observar alguns sinais para reconhe-
membros, em especial os que estão discordando;
cer líderes em potencial. Estas características devem
procura encontrar soluções mediadoras, aceitáveis
ser trabalhadas e lapidadas. As características que
por todos.
seguem são as mais frequentes naqueles que mais
tarde, e com formação apropriada, poderão desem- • Sir)tetízador: é capaz de juntar os pedaços; re-
penhar funções e serviços de liderança: úne as partes diferentes da solução ou do plano e
as sintetiza.
• Cumso: está sempre partindo para âmbitos
• Prático: sempre pronto para pôr em prática a
novos, investigando novos caminhos, sem se conten-
proposta dada e aceita comunitariamente; versado
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração

em organizações; procura estar sempre em ativida- atendem a um ou outro requisito destes, podem ter
de, sendo fiel no pouco que lhe for confiado. perspectiva de se tornarem líderes, desde que rece-
• Proponente: dá ideias e propõe ações; mantém bam formação adequada e que amem sinceramente
as coisas em andamento. a Deus e aos irmãos. Mas é fundamental que seja
identificado nas pessoas o carisma para esse tipo de
Essas características não devem ser procuradas
serviço, pois nem todos são chamados a liderar.
de maneira absoluta. Muitas vezes, pessoas que não
^/^v lííí ;:.MJ 'zJ^íi-ÍÍJ--^ t'i^ í- . --^
r /' '' • ' ' .

6. FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA

"Pertseveravam eles na doutrina dos apóstolos, b) Comunhão fraterna


nas reuniões em comum, na fração do pão e nas ora-
Podemos traduzir a expressão "comunhão fra-
ções" (At 2,42).
terna" por fraternidade. O s participantes dos grupos
O s grupos de perseverança são fundamentados de perseverança têm a oportunidade de se conhece-
em quatro princípios: rem melhor e, desta maneira, exercerem a caridade
• Doutrina dos Apóstolos e a solidariedade uns com os outros.

• Comunhão fraterna =r ^ A meta é atingir o que se dizia dos cristãos:


"entre eles não havia necessitados" (At 4,34a). O lí-
• Fração do Pão •
der de cada grupo de perseverança deve promover
• Oração ações que facilitem o relacionamento e o conheci-
mento dos seus participantes.
a) £)outr\na áos kpóstoSoz
A partilha é fundamental para estreitar os laços
O ensinamento dos apóstolos consistia, antes na comunidade. O tempo é algo muito precioso, que
de tudo, nos gestos, palavras e ações de Jesus Cristo. os participantes precisam saber partilhar. É muito di-
O s servos precisam desenvolver nos grupos de per- fícil amar sem conhecer. É necessário compartilhar
severança um relacionamento conforme o que Jesus da vida do outro para que cresça a responsabilidade
ensinou: viver, orar e trabalhar juntos, e tudo dentro e o amor por ele:
do amor que se recebe de Deus, por seu Espírito,
"Avaliando nossas atitudes, nossos comporta-
para dá-lo aos irmãos.
mentos diante das pessoas, diante daqueles que nos
Nos grupos de perseverança da atualidade não solicitam, daqueles que querem conversar conos-
se trata de copiar tudo o que se fazia antes, mas sim co, daqueles que nos param quando estamos com
de ter a mesma atitude, a mesma disposição interior pressa, atarefados, ou cheios de problemas; avaliando
e o mesmo espírito que movia as comunidades pri- nossas reações diante destas situações, poderemos
mitivas. Na realidade, trata-se de um alinhamento ao sentir como estamos vivendo em comunhão, verda-
espírito das comunidades primitivas, nas quais o Se- deiramente. Comunhão envolve perder, digo, ganhar
nhor ressuscitado vivia, estava presente, era o centro tempo com o meu irmão, eu ganho, ele ganha. Parti-
da comunidade sempre movida pelo Espírito Santo. lho das minhas riquezas e misérias.A partilha sempre
enriquece quando é vivida no a m o r " " .
A doutrina dos apóstolos é a doutrina da Igre-
ja. Portanto os grupos de perseverança devem ser
instruídos nos ensinos da Igreja, principalmente os c) Fração do Pão
contidos no Catecismo da Igreja Católica. Devem A participação na Santa Eucaristia desencadeia
existir momentos de catequese, onde a doutrina é uma espiritualidade eucarística.A Eucaristia é o cen-
exposta e os participantes são instruídos, a modelo tro e o cume da espiritualidade cristã. O grupo de
do que ocorria nas comunidades primitivas. Este en- perseverança deve incentivar a vivência da Eucaristia
sino deve ser programado de tal forma que a doutri- e dos demais sacramentos da Igreja.
na seja ministrada de maneira contínua, progressiva
e sequencial, não aleatoriamente. Existe a necessida-
" Luis Virgílio N É S P O L I et al, Subsídios para s e r Igreja n o novo milénio,
de de preparar catequistas e mestres capacitados e p- 38. .. , _ .

competentes para este serviço.

46
.^ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

Nos grupos de perseverança, o pão da Palavra é na própria R C C , com a manifestação dos carismas
deve ser alimento constante, portanto a "fração do efusos. N o grupo de perseverança, por ser menor, há
pão", a partilha do pão, se reveste também da parti- possibilidade do exercício dos dons de maneira mais
lha da Palavra, sendo incentivada a leitura e a refle- aberta e possível para todos.
xão partilhada das Sagradas Escrituras.
Além das orações em comum, deve ser incenti-
vada a vida de oração pessoal. O s dirigentes do gru-
á) Oração po de perseverança podem acompanhar e verificar a
O grupo de perseverança é parte do Grupo espiritualidade de seus participantes. Na R C C , cha-
de Oração. Portanto, nele a oração deve ser como ma-se de pastoreio este acompanhamento.

7. COMO LIDAR COM PROBLEMAS NO


GRUPO DE PERSEVERANÇA

Todo grupo de perseverança enfrenta proble- c) Como controlar os que falam muito
mas. Sabendo lidar com eles, podem se transformar É tarefa difícil. O líder pode pedir a contri-
em oportunidades de crescimento. Segue-se algumas buição dos outros, perguntando: " Q u e acham os
"dicas" para os líderes de grupos de perseverança, outros?", ou dirigir as perguntas a outras pessoas
quanto aos problemas mais frequentes. de maneira específica. Se isso não der certo, talvez
tenha de conversar em particular com o "tagarela",
a) Como retornar ao assunto explicando a necessidade de participação do grupo,
Muitas vezes aparecem questões que precisam conseguindo com que o falador ajude a "puxar pela
ser postas à parte para dar continuidade à reunião. língua" de todos.
Em geral, o reconhecimento da situação ajuda. O lí- U m bom método é esperar que a pessoa pare
der diria: "Essa questão é interessante, entretanto, para respirar e fazer uma pergunta ou um comentá-
saímos de nosso tópico. Talvez possamos discutir rio rápido que movimente a discussão.
mais sobre ela, depois que o grupo terminar de dis-
cutir o assunto em pauta". O u sugere-se que a ques- d) Como lidar com o silêncio
tão seja adiada até que se complete a ideia que está
O líder não deve temer as pausas. As pessoas
sendo discutida.
precisam de tempo para pensar.Talvez o silêncio faça
Contudo, o líder deve ser sincero e realmente mais bem do que a discussão. Quiçá os momentos
voltar à questão e abordá-la se os membros quiserem. de silêncio sejam desconfortáveis, mas não impro-
A regra geral é: "Nunca sacrifique o progresso do dutivos.
grupo em favor da curiosidade de uma única pessoa".

e) Responder sem responder


b) Como motivar todo o grupo
O líder nunca deve ter medo de dizer "não sei".
O papel do líder é o de condutor, não de pro- Quando não sabe respostas não deve inventar uma.
fessor Por isso, deve estar alerta para não dominar Em todo caso, não deve ter medo de deixar per-
situações nem parecer ser a maior autoridade nas guntas sem resposta imediata, comprometendo-se,
questões que surjam. É bom lembrar-se dos que contudo, a pesquisar e respondê-las noutra ocasião.
nada têm contribuído nas discussões e dirigir-lhes
algumas perguntas.
f) Como tratar com assuntos controversos
O líder precisa assegurar-se de que as pergun- Quando o grupo leva a sério a busca da verda-
tas sejam fáceis, para que os que vão respondê-las de, há receio de que a amizade e camaradagem pos-
não fiquem embaraçados. Se necessário, o líder deve sam ser prejudicadas. Sempre existe a tentação de
chamar os membros do grupo pelo nome para aju- contornar as questões vitais e confiar em respostas
dá-los a participar Deve ser-lhes concedido tempo superficiais.A melhor maneira de lidar com assuntos
suficiente para responderem. controversos que venham à tona é apoiando-os na
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^,.

doutrina da Igreja. Se o dirigente desconhece a po- Em geral, o grupo reage conforme a atitude do
sição da Igreja, é bonn sugerir adiamento da questão líder, que deve rezar pedindo entusiasmo. Se quiser
para quando for possível opinar ou responder cor- que o grupo seja entusiasmado, o líder tem de de-
retamente. monstrá-lo verdadeiramente, não apenas com uma
exaltação superficial e externa.
g) Como tratar um grupo apático

8. FUNDAMENTAÇÃO DOUTRINÁRIA

Alguns textos do Magistério da Igreja podem doutrinal do próprio leigo, como as diversas circuns-
ser indicados, a título de fundamentação: tâncias de coisas, pessoas e encargos a que a sua
atividade se deve acomodar" (Apostolicam Actuo-
a) " É urgente a formação doutrinal de todos os
sitatem, 28)
fiéis, seja para o natural dinamismo da fé, seja para
iluminar com critérios evangelizadores os graves e e) " O s movimentos eclesiais, trazendo a con-
complexos problemas do mundo contemporâneo" tribuição do seu próprio carisma (...), cuidem da for-
(Christifidelis Laici,60). r_. mação de seus membros, pondo sua organização a
serviço da evangelização..." ( C N B B , Doe. 6 1 , 2 8 9 ) .
b) "Dê-se especial importância à formação bí-
blica que ofereça sólidos princípios de interpreta- f) " U m a tarefa das mais urgente da Igreja de
ção. Estimule-se a prática da leitura orante da Bíblia hoje é a formação de fiéis leigos.A formação dos fiéis
(=Lectio Divina), fazendo dela fonte de inspiração leigos tem como objetivo fundamental a descoberta
de nosso encontro com Deus e com os irmãos" cada vez mais clara da própria vocação e a disponibi-
( C N B B , Doe. 53, n. 36 e 37). lidade cada vez maior para vivê-la no cumprimento
da própria missão. Por conseguinte, ela deve ser uma
c) " A formação doutrinal dos fiéis leigos mos-
das vossas prioridades. N o mundo secularizado de
tra-se hoje cada vez mais urgente, não só pelo natu-
hoje, que propõe modelos de vida sem valores espi-
ral dinamismo de aprofundar a sua fé, mas também
rituais, esta é uma tarefa urgente como nunca. A fé
pela exigência de 'racionalizar a esperança' que está
esmorece quando se limita ao costume, ao hábito, à
dentro deles, perante o mundo e os seus problemas
experiência meramente emotiva. Ela deve ser culti-
graves e complexos. Torna-se, desse modo, absolu-
vada, ajudada a crescer, tanto a nível pessoal como
tamente necessária, uma sistemática ação de cate-
comunitário. Sei que a Renovação se prodigaliza para
quese, a dar-se gradualmente, conforme a idade e
responder a esta necessidade, procurando formas e
as várias situações da vida, e uma mais decidida pro-
modalidades sempre novas e mais adequadas às exi-
moção cristã da cultura, como resposta ás eternas
gências do homem de hoje. Agradeço-vos o quanto
interrogações que atormentam o homem e a socie-
fazeis, peco-vos que persevereis no vosso empenho".
dade hoje" (Christifideles Laici, 60).
(João Paulo II, Discurso à Comissão Nacional Italiana
da R C C , 4 abril de 1998).
d) " A plena eficácia do apostolado só se pode
alcançar com uma formação multiforme e integral.
Exigem-na tanto o contínuo progresso espiritual e

48
. Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL

9. CONCLUSÃO

É importante trabalhar na conscientização dos católicos para trilhar o caminho


da busca de formação, entrosamento e perseverança. Engajando-se bem nos trabalhos
da R C C , que é um movimento eclesial, a pessoa estará engajada na Igreja a serviço
do Senhor O trabalho no Grupo de Oração identifica-se com a missão de todo ba-
tizado e também é chamado do Senhor "Permanecei em mim e eu permanecerei em
vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim,
também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim... Se
permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo
o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito
fruto e vos torneis meus discípulos" (jo 15,4.7-8). A aceitação, entrega e participação
de todos irá tornando mais claro e transparente o amor do Senhor Jesus para cada
um; a salvação experimentada no interior do grupo de perseverança será a força que
impulsionará os participantes a levá-la aos outros. U m grupo de perseverança poderá
ser testemunha, um indicador de uma experiência onde cada um encontrou o amor
misericordioso de Jesus Cristo feito realidade acessível para seguir, sendo salvação
para todos.

49
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^.

BIBLIOGRAFIA

1. A L M E I D A , João Carlos, Cantor em Espírito e 13. João Paulo II apud R C C , Liderança na RCC, p.
verdade, p.88. 54

2. Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria, Edição 14. MANSFIELD, Patti, Publicai os seus feitos ma-
Claretiana - 2010 - Revisada. ravilhosos, p.94.

3. Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica 15. M O H A N A , João, Como ser um bom pregador,
Vaticana, Edições Loyola. p.24. C f , a propósito, Ronaldo José de S O U S A , Uma
voz clama no deserto. In. Pregador ungido, pp.60-68.
4. C H A G A S , Dom Cipriano, O S B . Grupos de
Oração Carismáticos, I. Rio de Janeiro: Ed. Louva-a- 16. N É S P O L I , Luis Virgílio, Subsídios para ser Igre-
Deus, 1978, pp. 10. ja no novo milénio, p.38.

5. C N B B , Documento 62, n. 87 17. N O G U E I R A , Maria Emmir, Grupo de Oração,


p.7.
6. C N B B . Documento final da V Conferência /
geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 18. P A U L O VI, Papa. Exortação Apostólica Evan-
n. 362. gelli Nuntiandi, n. 41.

7. C N B B , Documento, Missão e Ministério dos 19. PEDRINI, Alírio José, Grupos de oração: como
cristãos leigos e leigas, ns. 84-85. fazer a graça acontecer, pp.25-26.

8. CONCILIO E C U M É N I C O V A T I C A N O II, 20. RENOVAÇÀO CARISMÁTICA CATÓLI-


Apostolican Actuositatem. C A , Grupo de Oração, p. 51.

9. CONFERÊNCIA CATÓLICA DOS EUA, 20. S O U S A , Ronaldo José, O impacto da Renova-


Declaração pastoral sobre a R C C . ção Carismática. O Espírito Santo na vida da Igreja,
pp. 13-24.
10. CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA Lúmen
Gentium, do Concílio Vaticano II. 21. S U E N N E S , Cardeal, Orientações Teológicas e
Pastorais da Renovação Carismática Católolica. S. Paulo:
I I. D E G R A N D I S , Robert, Vem e segue-mês. Ed. Loyola, 1975, pp. 19.
R63
22. VALSH,Vicent M., Conduzi o meu povo, p.lO.
12. Flores, J . H. Prado, As Reuniões de oração, p.
12-13.

50

Você também pode gostar