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CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988, art. 70, parágrafo único.


Constituição do Estado do Maranhão, de 05 de outubro de 1989, art. 50, p. u.

Seção IX – DA FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA

Art. 70. (...)

Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou


privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e
valores públicos ou pelos quais a União [o Estado] responda, ou que, em nome
desta [deste], assuma obrigações de natureza pecuniária.

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional [da Assembleia


Legislativa], será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União [do Estado],
ao qual compete: (...)

II – julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens


e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e
sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal [estadual], e as contas
daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte
prejuízo ao erário público [do Estado]
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O inciso II do art. 71 da Constituição Federal [art. 51 da Constituição do Estado do Maranhão]
atribuiu ao Tribunal de Contas da União [Tribunal de Contas do Estado] a competência para julgar
dois tipos de contas:

1. Ordinárias
• Prestadas comumente por
administradores e demais responsáveis
por dinheiros, bens e valores públicos

2. Especiais
• Instauradas em caso de perda, extravio
ou outra irregularidade de que resulte
prejuízo ao erário
1. CONTAS ORDINÁRIAS
As contas ordinárias são contas de gestão, as quais trazem informações correspondentes a um
determinado período, podendo ser anual ou não.

• Referem-se às contas daqueles que gerem

1.1. Contas recursos públicos ocasionalmente, por


exemplo, o prefeito responsável pelos valores
estaduais transferidos mediante convênio
• Nesse caso, o período previsto para a

ordinárias prestação de contas é definido no próprio


termo de ajuste celebrado;
• As contas são prestadas ao órgão responsável

ocasionais pelo repasse da verba. Somente diante da


constatação de ocorrência de dano ao erário,
instaura-se um processo de tomada de contas
especial, o qual será julgado pelo TCE/MA.
1. CONTAS ORDINÁRIAS

• Referem-se aos dados de gestão de um


determinado exercício financeiro, e são
prestadas por gestores e demais agentes da

1.2. Contas Administração Pública Estadual Direta e


Indireta, submetidos à jurisdição do TCE/MA;
• Nessas contas são evidenciadas as
informações sobre todos os recursos,

ordinárias orçamentários e extraorçamentários,


utilizados, arrecadados, guardados
geridos pelo órgão ou pela entidade;
ou

anuais • Regulamentadas, por exemplo, pela IN n.º


017/2008, a qual dispõe em seu art. 10 que
as contas poderão ser julgadas regulares,
regulares com ressalvas ou irregulares.
• OBS: Tomada de Contas dos processos de
prestação de contas anual
2. CONTAS ESPECIAIS

• São instauradas em
Tomada de situações
destinando-se
excepcionais,
a apurar
Contas eventuais prejuízos
guarda ou aplicação de
na

Especial recursos públicos, com o


intuito de ressarcir ao erário;
LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
1. INSTRUÇÃO NORMATIVA TCE/MA N.º 050, DE 30 DE AGOSTO DE 2017

“Dispõe sobre medidas administrativas para elisão do dano e sobre instauração,


pressupostos de constituição, quantificação do débito, conclusão e encaminhamento
de tomada de contas especial para o julgamento pelo Tribunal de Contas do Estado
do Maranhão e disciplina o instituto da decadência”

2. DECISÃO NORMATIVA Nº 028, DE 06 DE DEZEMBRO DE 2017 – estabelece alterações da IN


n.º 050/2017, além de regulamentar hipótese de dispensa de instauração;
3. PORTARIA CONJUNTA STC/PGE Nº 001, DE 12 DE JANEIRO DE 2018 – medidas
administrativas a serem adotadas em caso de decadência da atuação administrativa do TCE/MA
para processamento de tomada de contas especial;
4. PORTARIA PGE Nº 200, DE 15 DE MARÇO DE 2018 – conteúdo e forma de recebimento pela
PGE das representações previstas em caso de decadência da atuação administrativa do TCE/MA
para processamento de tomada de contas especial;
5. INSTRUÇÃO NORMATIVA STC Nº 001, DE 14 DE MAIO DE 2018 – institui o Suprema 50
6. INSTRUÇÃO NORMATIVA TCE/MA Nº 056, DE 29 DE AGOSTO DE 2018 – altera e revoga
alguns artigos da IN TCE/MA n.º 050/2017.
LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
7. LEI ESTADUAL 8.258/2005 - Lei Orgânica do TCE/MA (art. 13):

“Diante da omissão no dever de prestar contas, da não comprovação da aplicação dos


recursos repassados pelo Estado ou Município, (...)da ocorrência de indícios de desfalque
ou desvio de dinheiros, bens ou valores públicos, ou, ainda, da prática de qualquer ato
ilegal, ilegítimo ou antieconômico de que resulte dano ao erário, a autoridade
administrativa competente, sob pena de responsabilidade solidária, deverá imediatamente
adotar providências com vistas à instauração da tomada de contas especial para apuração
dos fatos, identificação dos responsáveis e quantificação do dano.”

8. LEI ESTADUAL N.º 10.204, DE 23 DE FEVEREIRO DE 2015 – cria a Secretaria de Transparência e


Controle e dá outras providências;
9. DECRETO ESTADUAL N.º 21.331, DE 20 DE JULHO DE 2005 – regulamenta o Cadastro Estadual de
Inadimplentes e dá outras providências;
10. LEI ESTADUAL N.º 8.959, DE 08 DE MAIO DE 2009 – estabelece normas gerais para a elaboração
e tramitação dos atos e processos administrativos no âmbito do Poder Executivo do Estado do
Maranhão;
11. PORTARIA TCE/MA N.º 1.166/2018, DE 20 DE SETEMBRO DE 2018 – institui o e-TCEspecial;
12. DECISÃO NORMATIVA TCE/MA N.º 016, DE 25 DE JANEIRO DE 2012 – altera o valor do dano
apurado em tomada de contas especial.
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

1. CONCEITO

O Tribunal de Contas da União conceitua a tomada de contas especial como:

“[...] um processo administrativo devidamente formalizado, com rito próprio, para apurar
responsabilidade por ocorrência de dano à administração pública federal, com apuração
de fatos, quantificação do dano, identificação dos responsáveis e obter o respectivo
ressarcimento”

No mesmo sentido, a IN TCE/MA n.º 050/2017 dispôs, em seu art. 4º,


ser a tomada de contas especial um processo administrativo
devidamente formalizado e com rito próprio, destinado à apuração dos
fatos, identificação dos responsáveis e quantificação do dano causado
ao erário;
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

2. OBJETIVO
Obter o ressarcimento devido a uma lesão prévia aos cofres públicos

3. CARACTERÍSTICAS
• Medida de exceção; (art. 5º, IN TCE/MA 050/2017)
• De natureza administrativa;
i. Instauração – autoridade administrativa
ii. Julgamento – tribunais de contas
iii. Decisão – título executivo extrajudicial
• Processo administrativo específico;
• Subsidiado por elementos de outros processos;
• Duas fases distintas: “é, na fase interna, um procedimento de caráter excepcional, que visa
determinar a regularidade na guarda e aplicação de recursos públicos e, diante da irregularidade,
na fase externa, um processo para julgamento da conduta de agentes públicos” - Jorge Ulisses
Jacoby Fernandes.
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Fase interna (órgão ou Fase externa (Tribunal


entidade) – visa apurar de Contas do Estado
a regularidade na do Maranhão) – para
guarda e aplicação julgamento da conduta
dos recursos públicos dos agentes públicos
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
4. MEDIDAS ADMINISTRATIVAS (art. 3º e 15, inciso I, IN TCE/MA n.º
050/2017):

Art. 3º As medidas administrativas devem ser revestidas de eficácia material e adotadas


em até 60 (sessenta) dias, a contar da data do evento ou, quando desconhecida, da
ciência do fato pela autoridade administrativa competente.
[...]

Art. 15. A autoridade administrativa competente deve:

I - registrar e manter adequadamente organizadas as informações e documentos sobre


as medidas administrativas adotadas para a elisão do dano;

 São adotadas normalmente pelo setor responsável pela análise da prestação de contas, e não pela
Comissão de Tomada de Contas Especial;

 A TCE somente deve ser instaurada se esses esforços se mostrarem inócuos; afinal, seu
processamento demanda custo de pessoal e de tempo razoável, além de se tratar de medida de
exceção;
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
4. MEDIDAS ADMINISTRATIVAS

 São exemplos de procedimentos prévios: diligências, notificações, comunicações. Pode se dar via
postal, com aviso de recebimento, ou por ciência do interessado no próprio processo. Ou, ainda,
diante da frustração destas, por via editalícia;

 A recomposição do dano ao erário, durante essa fase, implicará na não instauração da tomada de
contas especial;

 Caso já tenha ocorrido a instauração, mas essa recomposição integral do débito atualizado
monetariamente ou, em se tratando de bens, a reposição ou restituição da importância equivalente
tenha se dado durante a fase interna da tomada de contas especial, ficará a autoridade
administrativa competente dispensada do seu encaminhamento ao TCE/MA (art. 11, inciso II, da IN
TCE/MA n.º 050/2017)
Dano ao erário
Pressupostos para
instauração da TCE
Medidas administrativas
preliminares
A TOMADA DE CONTAS ESPECIAL NÃO SE
CONFUNDE COM...
Tomada
de
Contas
Especial

Processos
Administrativos

PAD –
Processo
Administrativo
Sindicância
Disciplinar
DISTINÇÕES E SEMELHANÇAS
DISTINÇÕES

1. Quanto aos objetivos:


 A Tomada de Contas Especial objetiva o resguardo da integridade dos recursos públicos;
 O PAD e a Sindicância são instrumentos de que a Administração Pública dispõe a fim de
apurar a responsabilidade de servidor por infrações praticadas no exercício de suas funções;

2. Quanto ao julgamento:

 A TCE é julgada pelo Tribunal de Contas, e não pela autoridade administrativa que determina
sua instauração;
 A Sindicância e o PAD são julgados pela própria autoridade instauradora, ficando este
julgamento adstrito à própria Administração;
DISTINÇÕES E SEMELHANÇAS
3. Quanto aos efeitos patrimoniais:
 Na TCE, a decisão do Tribunal de Contas que imputar débito ou multa terá força de título
executivo extrajudicial, nos termos do art. 28 da Lei Estadual n.º 8.258/2005;
 Na Sindicância e no PAD, no caso de o relatório final sugerir a necessidade de recomposição
do erário por prejuízos que eventualmente lhe tenham sido causados, a ação de
ressarcimento caberá ao órgão de representação judicial do ente (PGE), ou a autoridade
administrativa competente determinará a instauração de tomada de contas especial.

SEMELHANÇAS

 Um mesmo fato pode ensejar a abertura de um, dois ou três desses processos
administrativos, os quais seguirão seu curso concomitantemente;
 Elementos de um ou mais processos podem subsidiar a instrução de outro; e
 Possibilidade de controle de legalidade dos atos praticados pelo Poder Judiciário, não
podendo este entrar, contudo, no mérito da decisão administrativa.
HIPÓTESES DE INSTAURAÇÃO
Os motivos para a instauração estão definidos no art. 2º, incisos I a
IV, da IN TCE/MA n.º 050/2017. São eles:

1. Omissão no dever de prestar contas

 Trata-se de grave violação ao princípio republicano, constituindo ato de improbidade


administrativa, além de presumir a ocorrência do desvio de recursos;
 Ocorre quando aquele que tinha o dever de prestar contas não o faz dentro do prazo previsto;
 Presume-se o valor original do dano como sendo o total repassado pelo órgão ou entidade
estadual que não foi comprovado (art. 7º, §1º, IN TCE/MA n.º 050/2017).

2. Não comprovação da boa e regular aplicação dos recursos


repassados mediante auxílios, subvenções, convênios,
acordos, ajustes ou outros instrumentos congêneres que
envolvam a transferência de recursos financeiros
HIPÓTESES DE INSTAURAÇÃO
2.1. Impugnação de despesas realizadas em desacordo com o
termo celebrado ou com a legislação vigente
Exemplos:

 Não utilização, total ou parcial, da contrapartida pactuada, na hipótese de não ter sido recolhida
no prazo estabelecido para apresentação da prestação de contas;
 Ausência de devolução dos rendimentos de aplicações financeiras que não foram utilizados na
consecução do objeto do convênio;
 Não devolução de saldo remanescente de recurso estadual, apurado após a execução do
objeto, no prazo estabelecido para a apresentação da prestação de contas;
 Ausência de documentos exigidos na prestação de contas que comprometam o julgamento pela
boa e regular aplicação dos recursos;
 Desvio de finalidade na aplicação dos recursos transferidos (OBS: possível responsabilização
da pessoa jurídica, se a nova finalidade tiver trazido benefício para a comunidade).

OBS: Dano gerado por inexecução de cláusula contratual


HIPÓTESES DE INSTAURAÇÃO
2.2. Inexecução total ou parcial do objeto pactuado
Observações:

 A execução parcial do objeto pactuado aliada à imprestabilidade da parcela realizada permite a


condenação do responsável pelo valor total dos recursos repassados (Acórdão 3.324/2015 –
Segunda Câmara – TCU);
 Nos casos de TCE instaurada por inexecução parcial do objeto do convênio, a quantificação do
dano ao erário deve levar em consideração o percentual das realizações físicas das obras e
serviços constantes do plano de trabalho, a existência de nexo de causalidade entre a
execução física e financeira e, ainda, o grau de utilidade da parte executada para o público a
ser beneficiado pela avença;
 Refuta-se a possibilidade de enriquecimento ilícito por parte do Estado.
HIPÓTESES DE INSTAURAÇÃO
3. Ocorrência de desfalque, alcance, desvio ou
desaparecimento de dinheiros, bens ou valores públicos
Ocorre quando o prejuízo ao erário decorre da ação, omissão, negligência ou participação direta
ou indireta de servidor ou empregado público, podendo ou não ter havido conluio com terceiros
beneficiados. São exemplos:

 Acumulação ilícita de proventos de aposentadoria por invalidez com remuneração de empregos,


cargos ou funções públicas;
 Apropriação indébita de receitas;
 Desvio de recursos públicos para contas bancárias ou aplicações financeiras particulares.

OBS: Nessa hipótese, o débito será apurado pelo valor total do dano verificado e será contado da
data do evento, se conhecida, ou da data da ciência do fato pela Administração Pública;
HIPÓTESES DE INSTAURAÇÃO
4. Prática de ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico de que
resulte dano ao erário, inclusive o decorrente de concessão
irregular de benefícios fiscais ou de renúncia de receitas
São exemplos:

 Contratação superfaturada;
 Aquisição de equipamentos da área da saúde sem mão de obra suficiente para manuseá-los;
 Pagamento antecipado por serviços não executados;
 Pagamento de diárias, ajuda de custo e indenização de transporte indevidas; e
 Fraude à licitação, com dano ao erário

OBS: o mero cometimento de grave irregularidade não implica na instauração de tomada de


contas especial, devendo sempre ser verificada a existência de dano ao erário. Assim dispõe o art.
13, da IN TCE/MA n.º 050/2017.
COMPETÊNCIA PARA INSTAURAÇÃO
1. Secretários ou dirigentes máximos do órgão/entidade concedente
do recurso, por sua iniciativa ou por recomendação da Secretaria de
Estado de Transparência e Controle;

2. Secretaria de Estado de Transparência e Controle, no âmbito da


própria secretaria ou, facultativamente e em situações específicas,
de forma direta ou por avocação, quanto às tomadas de contas
especiais de competência dos demais órgãos ou entidades (art. 2º,
inciso X, c/c art. 21 da Lei Estadual nº 10.204/2015);

3. Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, de ofício.


COMISSÃO DE TOMADA DE CONTAS
ESPECIAL
 A autoridade administrativa competente poderá designar um
único servidor como Tomador de Contas ou uma Comissão
responsável pelos trabalhos. As comissões poderão ser do tipo
permanente ou específica;

 Recomenda-se a composição por membros da assessoria


jurídica do órgão, bem como por um técnico caso o fato tenha se
dado em área que exige conhecimento específico, por exemplo,
tecnologia da informação;
 Não há necessidade de que sejam servidores públicos efetivos;

 Atribuições
CADASTRO ESTADUAL DE INADIMPLENTES –
CEI (Lei nº 6.690/96 e Decreto nº 21.33105)
 O CEI é uma banco de dados onde estão registrados os nomes de pessoas
físicas e jurídicas em débito para com órgãos e entidades da administração
pública estadual, direta e indireta;

 Podem ser incluídos no CEI aqueles que tenham celebrado convênio, acordo,
ajuste, contrato ou instrumento congênere com órgão ou entidade integrante da
administração pública estadual e se enquadrem em pelo menos uma das
situações seguintes:
i. Inadimplência em relação à apresentação da prestação de contas dos recursos
recebidos no prazo estabelecido;
ii. A prestação de contas dos recursos recebidos contenha ou demonstre vicio
insanável;
iii. Não-cumprimento, no todo ou em parte, do objeto do convênio, acordo, ajuste,
contrato ou instrumento congênere.
CADASTRO ESTADUAL DE INADIMPLENTES –
CEI (Lei nº 6.690/96 e Decreto nº 21.33105)

O órgão responsável pela administração do crédito deve notificar o


responsável pela obrigação vencida. Se a dívida não for regularizada
dentro de 15 dias, contados a partir da data de comunicação, o nome do
devedor será inscrito no cadastro;

Recomenda-se que a notificação referente à possibilidade de inserção


dos dados no CEI se dê ainda na fase de medidas administrativas
prévias, respeitando o prazo desta legislação e, ao mesmo tempo,
oportunizando que o (a) interessado (a) regularize sua situação, a fim de
que não haja a necessidade de se instaurar um processo de tomada de
contas especial.
CONSEQUÊNCIAS DA INSTAURAÇÃO
INTEMPESTIVA
 Esgotadas as medidas administrativas ou o prazo para a adoção destas sem
que o dano ao erário tenha sido elidido, a autoridade administrativa competente
deve providenciar a instauração da TCE em até 15 (quinze) dias, além de
comunicar ao Tribunal de Contas do Estado sobre a instauração em até 5 (cinco)
dias, sob pena de aplicação de multas, nos valores respectivos de R$ 1.100,00
(mil e cem reais) e R$ 600,00 (seiscentos reais) – art. 5º, §§1º e 4º, da IN
TCE/MA n.º 050/2017;

 Perda do prazo de 15 (quinze) dias: multa e determinação de instauração – art.


5º, §1º;

 Descumprimento da determinação: multa de R$ 11.000,00 (onze mil reais),


instauração de ofício pela própria Corte de Contas e possibilidade de
responsabilização solidária pelo dano.
CONSEQUÊNCIA DA INSTAURAÇÃO
INTEMPESTIVA
Esgotadas as medidas administrativas
em até 60 dias Diante do descumprimento, o TCE/MA
determinará a instauração em até 15 dias,
além da multa

Instauração em até 15 dias


Caso persista a desídia, o TCE/MA instaurará de ofício

Comunicação em até 5 dias


MULTA DE R$ 11.000,00 POSSIBILIDADE DE
RESPONSABILIZAÇÃO
SOLIDÁRIA
MULTA DE R$ 1.100,00 MULTA DE R$ 600,00
PRESSUPOSTOS DE CONSTITUIÇÃO
Elementos mínimos necessários à composição do processo, a fim
de que este seja devidamente conduzido. Estão descritos no art. 6º:
1) Demonstração* de elementos fáticos e jurídicos suficientes para
a comprovação da ocorrência do dano;
2) Identificação das pessoas naturais ou jurídicas responsáveis; e
3) Quantificação do dano causado ao erário.
* Esta demonstração deve consistir em uma descrição detalhada dos
fatos, bem como da quantificação do dano, lastreada em documentação
suficiente e adequada e, por fim, na comprovação do nexo de
causalidade (art. 6º, p.ú., incisos I a III)
PRESSUPOSTOS DE CONSTITUIÇÃO
INSTAURAÇÃO
 Os documentos que compõem a tomada de contas especial devem ser incluídos em ordem
cronológica, as páginas sequencialmente numeradas e rubricadas, conforme art. 25, § 4º da
Lei Estadual nº 8.959, de 08 de maio de 2009. Além disso, não deve ser incluído documento
em duplicidade;

 Deve ocorrer a identificação do processo com o número e o ano do processo no órgão de


origem, além do ente da federação ou órgão responsável pelo repasse do recurso;

 Por ser processo autônomo, não devem ser juntados aos autos outros processos que
precedam à tomada de contas especial. Ela própria deve ser constituída e organizada de
forma que as conclusões do trabalho formem um conjunto harmônico capaz de sustentar a
consolidação do juízo no âmbito da fase externa. Dessa forma, seu arcabouço probatório pode
conter elementos de outros processos, dos quais serão feitas cópias e juntados aos autos do
processo de tomada de contas especial.
IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS
Submete-se à jurisdição do TCE/MA todo aquele que utiliza recursos públicos,
em sua acepção mais lata, seja pessoa física ou jurídica, agente público ou
privado;

Entende-se por responsável a pessoa física ou jurídica que a Comissão, após


suas averiguações, considera ser a causadora do motivo determinante da
instauração da TCE;

De quem é a responsabilidade de prestar contas, do ente convenente ou do


gestor? E qual gestor, o que firmou a avença ou o que promoveu uma
execução eivada de irregularidades?

De quem é a responsabilidade pela elaboração e remessa da prestação de


contas no caso de a vigência do convênio ultrapassar mais de uma gestão?
IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS
Cabe responsabilizar todo aquele que der causa à ocorrência do dano ao erário.

•CULPOSA NEXO VÍNCULO TERCEIROS


CONDUTA DÉBITO
•DOLOSA CAUSAL FATÍDICO BENEFICIADOS

 Gestor falecido para o TCE/MA: considerou iliquidável a tomada de conta especial, em razão do
falecimento do interessado, no curso do feito e antes que pudesse ter sido efetivada sua citação
válida. (Acórdão PL – TCE n.º 353/2016);

 Saldo de convênio: de quem é a responsabilidade pela devolução de eventual saldo de convênio


existente?
IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS
Princípio da independência das instâncias: mesmo que o fato ensejador
já esteja sob análise no Poder Judiciário, cabe ao administrador, com vistas
à preservação do interesse público, instaurar a tomada de contas especial
se preenchidos os seus pressupostos, com o intuito de remetê-lo para
julgamento junto ao TCE/MA;

Rivalidade política: A alegação de rivalidade política, com impossibilidade


de acesso à documentação, pode exonerar a responsabilidade decorrente
da omissão no dever de prestar contas?

O que se espera do ente repassador do recurso: a) avaliar de forma


técnica e equilibrada a consistência dos projetos e dos planos de trabalho;
b) acompanhar as ações e os resultados; c) promover consistente exame
das prestações de contas.
RESPONSABILIDADE DO GESTOR SUCESSOR
Quanto à possibilidade de responsabilidade do gestor sucessor em sede de TCE, o
art. 7º, inciso III, da IN TCE/MA nº 45, de 09 de novembro de 2016, assevera que:

“Art. 7º. Empossado no cargo, o novo gestor deverá:


[...]
III - apresentar as contas referentes aos recursos estaduais recebidos por seu antecessor, quando
este não houver apresentado, ou, na impossibilidade de fazê-lo, adotar as medidas legais visando ao
resguardo do patrimônio público com a instauração da devida tomada de contas especial, sob pena
de responsabilidade solidária, na forma do art. 13 da Lei Estadual nº 8.258/2005.”

Súmula nº 230 do TCU, in verbis:

“Compete ao prefeito sucessor apresentar as contas referentes aos recursos federais recebidos por
seu antecessor, quando este não o tiver feito ou, na impossibilidade de fazê-lo, adotar as medidas
legais visando ao resguardo do patrimônio público com a instauração da competente Tomada de
Contas Especial, sob pena de co-responsabilidade.”
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA

Hipóteses previstas na IN TCE/MA n.º 050/2017:

1) Não atendimento da determinação de instauração da tomada de contas especial


no prazo de 15 (quinze) dias (art. 5º, III);

2) Responsáveis pelo controle interno (art. 16);

3) Autoridade administrativa competente (art. 13 da Lei Estadual nº 8.258/05)

OBS: diante da hipótese de responsabilidade solidária, torna-se despiciendo a


individualização das condutas (TJ-MG - Embargos Infringentes : EI 1807083-
52.2006.8.13.0686 e TJ-SP - Apelação : APL 994092971526). O contrário também é
válido. Logo, a responsabilização pode se dar de forma solidária quando não seja
possível fazer a individualização do dano.
QUANTIFICAÇÃO DO DANO
Segundo o art. 7º da IN TCE/MA n.º 050/2017, a quantificação do dano pode se
dar de duas formas:

1. VERIFICAÇÃO: quando for possível identificar com exatidão o valor devido;

2. ESTIMATIVA: quando, por meios confiáveis, for possível apurar a quantia


que seguramente não excederia o valor devido.

No parágrafo 1º do mesmo artigo, encontram-se os casos em que há a


presunção [relativa] do valor do dano, a saber: 1) omissão no dever de prestar
contas (art, 2º, I); e 2) não comprovação da boa e regular aplicação de recursos
repassados (art. 2º, II)
QUANTIFICAÇÃO DO DANO

No que diz respeito à atualização do débito, cumpre destacar duas observações:


1. Serviço de cálculo automático de débito do Tribunal de Contas da
União: http://contas.tcu.gov.br/debito/Web/Debito/CalculoDeDebito.faces;
2. Marco inicial da contagem:
Da data do crédito na conta bancária • Omissão no dever de prestar contas
específica, quando conhecida, ou da data do • Não comprovação da boa e regular aplicação
repasse dos recursos dos recursos públicos
Possível ocorrência do dano, na data estabelecida • Desfalque, alcance, desvio ou desaparecimento
em relatório final ou parecer da comissão de de bens ou valores públicos;
sindicância ou PAD • Prática de ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico

3. Contrapartida: impossibilidade da cobrança


CONSOLIDAÇÃO DE DÉBITOS
(art. 9º e art. 10 IN TCE/MA nº.050/2017)

Art. 15. A autoridade administrativa competente deve:


[...]
I - consolidar os diversos débitos do mesmo responsável durante o
exercício corrente, quando os valores dos danos causados ao erário
forem inferiores à quantia referida no inciso I do caput do art. 10, e
constituir nova tomada de contas especial e encaminhar ao TCE/MA
para julgamento, quando o somatório atingir a quantia referida no inciso
I do caput do art. 10; (R$ 23.000,00)

Consolidados os débitos, deve-se constituir nova TCE, a qual será encaminhada


ao Tribunal para julgamento.
CONCLUSÃO E ENCAMINHAMENTO DA TOMADA DE
CONTAS ESPECIAL PARA JULGAMENTO
(art. 9º e art. 10 IN TCE/MA nº.050/2017)
 A tomada de contas especial deve ser concluída no prazo de até 60
(sessenta) dias, contados da sua instauração, podendo ser prorrogado por
igual período a pedido da autoridade administrativa competente ou do
tomador de contas, desde que devidamente justificada a necessidade (art. 9º
caput e parágrafo único).
 Concluída a fase interna, deverá ser encaminhada a tomada de contas
especial para o TCE/MA no prazo máximo de 15 (quinze) dias caso o valor
original do dano seja no mínimo igual ao valor de alçada estipulado por esta
Corte em cada ano civil (R$ 23.000,00 atualmente – DN TCE/MA n.º 016);
 Na hipótese do valor original ser inferior a essa quantia, o processo somente
será encaminhado ao tribunal dentro de 60 (sessenta) dias após a abertura da
sessão legislativa. – trâmite e instrução iguais.
PRORROGAÇÃO DO PRAZO PARA A CONCLUSÃO
DA TOMADA DE CONTAS ESPECIAL

Art. 9º A tomada de contas especial deve ser concluída em até


sessenta dias, prorrogável por igual período.
Parágrafo único. A prorrogação referida no caput deste artigo necessita
de justificativa da autoridade administrativa competente ou do tomador
de contas designado acerca da necessidade adicional de prazo para a
conclusão do processo.
CONTROLE INTERNO

 CONSIDERANDO que os responsáveis pelo controle interno, ao


tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela
darão ciência ao Tribunal de Contas competente, sob pena de
responsabilidade solidária (art. 74, p.ú. da CF/88; art. 53, §1º da
Constituição do Estado do Maranhão; art. 65, p.ú. da Lei Orgânica do
TCE/MA).

 O controle interno deve recomendar que a autoridade administrativa


competente instaure a TCE, além de comunicar ao Tribunal de Contas
sobre as irregularidades constatadas.
CONTROLE INTERNO
 Cabe ao Controle Interno instaurar TCE?
“Quem controla não executa, quem executa não controla”.
Seria uma afronta ao princípio da segregação de funções.
(Jacoby).

A Lei nº 10.204/2015, que criou a Secretaria de Estado de


Transparência e Controle, permite à STC instaurar de forma
direta ou avocar tomada de contas especial de competência
originária de qualquer órgão ou entidade da administração
pública direta ou indireta (art. 2º, inciso X).
CONTROLE INTERNO
 Emissão de Parecer Conclusivo do responsável pelo controle
interno, com manifestação sobre (Anexos I e II da IN TCE/MA n.º
050/2017) :

a) Adequada caracterização dos fatos, com indicação das


normas ou regulamentos eventualmente infringidos, atentando
para a existência de documentos, relatórios, pareceres com
informações precisas sobre os fatos causadores do dano;
b) Correta identificação do responsável, com a avaliação do nexo
de causalidade entre a sua conduta e a irregularidade causadora
do dano;
c) Precisa quantificação do dano, dos valores eventualmente
recolhidos e consignação das respectivas datas de ocorrência;
CONTROLE INTERNO
 Emissão de Parecer Conclusivo do responsável pelo controle
interno, com manifestação sobre (Anexos I e II da IN TCE/MA n.º
050/2017):

d) Existência de todas as peças necessárias para a composição


do processo;
e) Tempestividade da adoção das medidas administrativas e da
instauração da tomada de contas especial;
f) Regularidade das contas.
CONTROLE INTERNO

 Da análise do controle interno, havendo necessidade de


diligências para a descrição detalhada dos fatos, a devida
quantificação do dano e a correta identificação dos
responsáveis, poderá este despachar o processo de tomada de
contas especial para saneamento pela autoridade administrativa
competente.
CONTROLE INTERNO

 O controle interno deve atuar de forma educativa perante as


autoridades instauradoras de tomada de contas especial,
apontando seus erros para que busquem melhorar pontos como
a correta instrução do processo, identificação dos responsáveis
e quantificação do dano.

 Em caso de erros recorrentes, cabe ao controle interno alertar as


autoridades instauradoras com vistas a diminuir esses erros, não
apenas na instrução formal dos processos, mas também quanto
à necessidade de um controle preventivo mais eficiente.
CONTROLE INTERNO

 Ainda quando a irregularidade ou ilegalidade constatada não


resultar em dano ao erário, a autoridade administrativa
competente e o responsável pelo controle interno devem
representar o fato ao TCE/MA.

 A responsabilidade solidária do controle interno pelo dano


causado ao erário estará caracterizada quando este tomar
ciência da irregularidade ou ilegalidade e não tomar as devidas
providências com vistas a saná-lo, de tudo devendo dar
ciência ao Tribunal (art. 16).
DECADÊNCIA
“Considerando o RESp 1.480.350/RS, Rel. Min. Benedito
Gonçalves, Dje 14.4.2016, que reconheceu a aplicação do prazo
quinquenal para a atuação do Tribunal de Contas da União e que,
pelo princípio da simetria constitucional, igualmente deve ser
aplicado aos demais Tribunais de Contas do Brasil”, a IN nº
050/2017 dispôs:
Art. 22 Após decorridos 5 (cinco) anos entre a data do evento ou,
quando desconhecida, a data da ciência do fato pela autoridade
administrativa competente e a instauração da tomada de contas
especial, resta configurada a decadência quanto à atuação
administrativa do TCE/MA.
DISPENSA DE INSTAURAÇÃO
A Decisão Normativa TCE/MA nº 028/2017 estabeleceu que:

Art. 2º Salvo determinação em contrário do Tribunal de Contas do


Estado do Maranhão, fica dispensada a instauração da tomada de
contas especial quando houver transcorrido prazo superior a cinco
anos entre a data provável de ocorrência do dano e a primeira
notificação dos responsáveis pela autoridade administrativa
competente.
DISPENSA DE ENCAMINHAMENTO E
ARQUIVAMENTO
A IN TCE/MA n.º 050/2017 previu hipóteses de dispensa de
encaminhamento da tomada de contas especial. Nesse caso, cabe à
autoridade administrativa competente o arquivamento desta. São elas:

• Não comprovação da
ocorrência do dano (art. 11, I);
• Recolhimento integral do débito
atualizado monetariamente ou Em razão da perda de objeto, vez
reposição ou restituição da que não persiste a lesão ao erário
importância equivalente no
caso de bens (art. 11, II);

• Reconhecimento da decadência Não se perde o objeto, mas por razão


da atuação administrativa do de decadência esta tomada de
Tribunal de Contas do Estado (art. contas não será julgada pelo TCE/MA
11, III).
DISPENSA DE ENCAMINHAMENTO E
ARQUIVAMENTO
Já a Portaria Conjunta STC/PGE nº 001/2018 foi quem previu a possibilidade
de arquivamento das tomadas de contas especial em que fosse constatada
hipótese de dispensa de encaminhamento, a saber:

Art. 1º Salvo determinação em contrário do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão


(TCE/MA), fica dispensada a instauração da tomada de contas especial quando verificada
a decadência da atuação do Tribunal, nos termos do art. 22 da Instrução Normativa
TCE/MA nº 50, de 30 de agosto de 2017.
Art. 2º A qualquer tempo no curso do processo administrativo aberto com a finalidade de
instauração de tomada de contas especial, ainda que já instaurada esta, se constatada a
hipótese de dispensa de sua instauração, a autoridade administrativa competente para a
instauração ou a comissão ou o tomador de contas designados promoverá o seu
arquivamento.
DISPENSA DE ENCAMINHAMENTO E
ARQUIVAMENTO
 §1º Se a hipótese de dispensa de tomada de contas especial for verificada pela
Secretaria de Estado de Transparência e Controle após o recebimento do processo para
a emissão de parecer conclusivo, os autos deverão ser devolvidos à autoridade
instauradora para que, confirmada esta circunstância, aplique o previsto no caput deste
artigo.
 §2º A promoção de arquivamento de que trata o caput será sempre comunicada à
Secretaria de Estado de Transparência e, quando já tiver havido a comunicação de
instauração da tomada de contas especial, na forma do art. 5º da Instrução Normativa
TCE/MA nº 050, de 30 de agosto de 2017, também ao TCE/MA

 Atenção 1: Segundo o art. 3º, a determinação de arquivamento não


impede a adoção de medidas administrativas para a elisão do dano, a
apuração dos fatos, nem o possível oferecimento de representação à PGE.
 Atenção 2: Cadastro de Processos Dispensados – SUPREMA 50
REPRESENTAÇÃO JUDICIAL
Portaria n.º 200/2018 da PGE/MA:

Art. 1º Quando verificada a decadência da atuação administrativa


do TCE/MA para o processamento de tomada de contas especial,
em casos de dispensa ou de arquivamento, de que trata os arts. 1º
e 2º da Portaria Conjunta STC/PGE nº 01, de 12 de janeiro de 2018,
deverá ser oferecida representação à Procuradoria Geral do Estado
para fins de ajuizamento de ação por ato de improbidade
administrativa ou de ação de ressarcimento, acompanhada do
respectivo processo administrativo.

OBS: Não se encaminha a tomada de contas especial, mas o processo


administrativo contendo todos documentos e as provas necessários à
instrução de um processo judicial (art. 2º com seus incisos).
REPRESENTAÇÃO JUDICIAL
Portaria n.º 200/2018 da PGE/MA:
Art. 3º No exercício da independência funcional, os Procuradores do Estado poderão
devolver aos órgãos ou entidades da administração pública estadual de origem as
representações que não preencham integralmente os requisitos exigidos no art. 2º desta
Portaria, acompanhadas dos respectivos processos de tomada de contas especial no bojo
dos quais houve o reconhecimento da decadência.
Parágrafo único. A hipótese prevista no caput se aplica inclusive aos processos
encaminhados à PGE pelo TCE/MA, sem a existência do título executivo extrajudicial
(acórdão), por reconhecimento da decadência da atuação do Tribunal, que poderão ser
devolvidos aos órgãos ou entidades da administração pública estadual de origem do dano
para eventual formulação da representação de que trata o art. 2º.

ATENÇÃO: Ainda que se constate, a qualquer tempo, a possibilidade de


arquivamento de tomada de contas especial já instaurada em razão da
decadência da atuação do TCE/MA, deve o processo seguir o rito normal, e
ser encaminhado ao órgão de controle interno, para análise e manifestação
DISPENSA DE ENCAMINHAMENTO E
ARQUIVAMENTO
Resumindo:
Verificada a hipótese de
Verificada a hipótese de dispensa de
dispensa de instauração encaminhamento /
(não existe TCE) arquivamento (já foi
instaurada TCE)

Segue seu rito normal


Não impede a adoção de
Inserção de durante a fase interna,
medidas administrativas devendo ser alimentados os
para a elisão do dano (art.
dados no 3º, Portaria Conjunta
dados via SUPREMA 50,
além do pronunciamento do
Cadastro de STC/PGE nº 001/2018)
Controle Interno
Processos
Dispensados –
SUPREMA 50 Avaliar o oferecimento de Deve-se comunicar a STC
representação à sobre o arquivamento do
Procuradoria Geral do processo, e ao TCE/MA
Estado, a fim de que esta quando já tiver havido
verifique a possibilidade de comunicação sobre a
ação de ressarcimento instauração
POSSIBILIDADE DE SANEAMENTO

A IN TCE/MA 050/2017 prevê que, já na fase externa da tomada de contas


especial, se a Corte de Contas constatar que não foram contemplados os
documentos do Anexo I, no todo ou em parte, determinará à autoridade
administrativa competente que providencie o saneamento dos autos e renove
o encaminhamento da tomada de contas especial ao Tribunal (art. 17).
CONTEÚDO DOS DOCUMENTOS
ELETRÔNICOS

1. Ofício de encaminhamento ao TCE/MA:


Tem o intuito de submeter o processo, já finalizado em sua fase interna, a
julgamento perante o Tribunal de Contas do Estado.

2. Formulário de Tomada de Contas Especial:


Contem um resumo detalhado do processo, com as seguintes
informações:
a) Identificação do processo;
b) Medidas administrativas preliminares adotadas;
CONTEÚDO DOS DOCUMENTOS
ELETRÔNICOS
c) Identificação dos responsáveis: nome completo; CPF ou CNPJ;
endereço de telefone e número de telefone atualizados; endereço
profissional e eletrônico, se conhecidos; cargo, função e matrícula
funcional, se for o caso; período de gestão, quando cabível; inventariante
ou administrador provisório do espólio ou herdeiros/sucessores, quando
falecido o responsável;
d) Demonstrativo individualizado do débito: discriminado por
responsável; hipótese cabível (qual dos incisos do art. 2º da IN TCE/MA
050/2017); data da ocorrência do dano e da ciência por parte da
autoridade administrativa; método de quantificação do débito; valor
original do débito; atualização monetária e juros moratórios aplicáveis;
valor atualizado do débito; e recolhimento, parcial ou integral, do débito,
reposição ou restituição de importância equivalente, se houver.
CONTEÚDO DOS DOCUMENTOS
ELETRÔNICOS
3. Relatório do Tomador de Contas ou da Comissão de Tomada de
Contas Especial:
a) Demonstração de elementos fáticos e jurídicos suficientes para a
comprovação da ocorrência do dano:
 Descrição detalhada da situação que deu origem ao dano, lastreada,
sempre que possível, em documentos, narrativas, entre outros;
 Exame da suficiência e adequação das informações dos pareceres de
agentes públicos, quanto à identificação dos responsáveis e à
quantificação do dano (pareceres jurídico e financeiro, por exemplo);
 Evidenciação do nexo de causalidade entre a situação verificada, que
deu origem ao dano, e a conduta de quem se imputa a obrigação de
ressarcir o Erário
CONTEÚDO DOS DOCUMENTOS
ELETRÔNICOS
b) Documentos utilizados para a demonstração da ocorrência do
dano: por exemplo, notas de empenho, ordens bancárias, extrato
bancário e outros documentos que comprovem os repasses efetuados
pelo Poder Público;
c) Notificações remetidas aos responsáveis: acompanhadas dos
respectivos avisos de recebimento ou de qualquer outro documento que
comprove a ciência por parte dos responsáveis; e
d) Outros documentos considerados necessários ao melhor julgamento
da tomada de contas especial pelo TCE/MA, inclusive o ato administrativo
de designação do tomador de contas especial, expedido pelas autoridade
administrativa competente para a apuração;
CONTEÚDO DOS DOCUMENTOS
ELETRÔNICOS
O art. 16, caput, da IN TCE/MA nº 050/2017, estabelece que:

Art. 16, Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de


qualquer irregularidade ou ilegalidade, inclusive quanto ao vencimento do
prazo a que se refere o art. 3º ou o art. 5º desta Instrução Normativa, dela
darão ciência ao Tribunal de Contas do estado do Maranhão, quando
envolver recursos estaduais ou municipais, sob pena de responsabilidade
solidária

Em sede do processo de Tomada de Contas Especial, o Parecer


Conclusivo do Controle Interno discorre sobre: a) a adequação das
medidas administrativas adotadas pela autoridade administrativa
competente para elisão do dano; e b) o cumprimento das normas
pertinentes a instauração, constituição, quantificação do débito e
desenvolvimento válido e regular da tomada de contas especial
CONTEÚDO DOS DOCUMENTOS
ELETRÔNICOS

5. Pronunciamento da Autoridade Administrativa


Competente: que ateste conhecimento do relatório do
tomador de contas e do parecer conclusivo do
responsável pelo controle interno e determine os
encaminhamentos necessários.
FORMALIZAÇÃO

DOCUMENTOS ELETRÔNICOS A SEREM ENCAMINHADOS AO


TCE/MA PARA JULGAMENTO DA TOMADA DE CONTAS
ESPECIAL

 PDF E ODS, 25 MB, ASSINATURA ELETRÔNICA


DOCUMENTOS CONTEÚDO
Ofício de encaminhamento ao Para submeter a tomada de contas
TCE/MA especial a julgamento
Formulário de tomada de contas Resumo do processo: identificação do
especial processo e dos responsáveis,
medidas administrativas,
demonstrativo atualizado do débito
(individualizado por responsável)
Relatório do Tomador de Contas (ou Descrição detalhada da situação
Comissão) fática que originou o dano, com o
estabelecimento do nexo causal entre
a conduta do responsável e o
resultado danoso ao erário, e
lastreada em documentação
suficientemente probante
Parecer Conclusivo do Controle Manifestação sobre o cumprimento
Interno das normas administrativas que
regulam a tomada de contas especial
Pronunciamento da autoridade Atesta o conhecimento das duas
administrativa competente últimas peças e determina os
encaminhamentos necessários
FLUXO DA TCE

Encaminhamento
ao TCE/MA

5 dias para comunicar ao TCE/MA


SANÇÕES
 Entre as funções básicas do Tribunal está a função sancionadora
(incisos VIII a XI do art. 71 da Constituição Federal), a qual configura-
se na aplicação de penalidades aos responsáveis, em caso de
ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas. As sanções estão
previstas na Lei Orgânica do TCE/MA e podem envolver desde
aplicação de multa, inabilitação para o exercício de cargo em comissão
ou função de confiança, a declaração de inidoneidade do licitante
fraudador.

 Cumpre destacar que essas penalidades não excluem a aplicação de


sanções penais e administrativas pelas autoridades competentes, em
razão das mesmas irregularidades constatadas pelo Tribunal de
Contas. Entre elas está a declaração de inelegibilidade por parte da
Justiça Eleitoral.
SANÇÕES
Além das multas previstas no art. 5º da IN TCE/MA n.º 050/2017, quanto
à instauração intempestiva de tomada de contas especial, a norma prevê:

Art. 18. O descumprimento dos prazos de que trata esta instrução normativa
caracteriza grave infração à norma legal ou regulamentar e sujeita a
autoridade administrativa competente e os responsáveis pelo controle interno
às sanções previstas no art. 67, inciso III da Lei Estadual n.º 8.258, de 6 de
junho de 2005.

Assim, o tribunal poderá aplicar multa de até R$ 100.000,00 (cem


mil reais) em razão do descumprimento dos prazos previstos pela
instrução normativa.
SANÇÕES
Segundo os arts. 65, 66, 67, 69 da Lei Orgânica do Tribunal de Contas do
Estado do Maranhão (Lei nº 8.258/2005), são sanções previstas
igualmente:

a) Multas (arts. 66 e 67);


b) Inabilitação para exercício de cargo em comissão ou função de
confiança (art. 69); - 5 a 8 anos
c) Inidoneidade do licitante fraudador – até 5 anos

OBS 1: Sanções previstas em lei específica: Crimes contra a


Administração Pública e Lei de Improbidade Administrativa

OBS 2: Desconsideração da personalidade jurídica (art. 70,


parágrafo único)
MEDIDAS CAUTELARES
Os arts. 72 a 75 da Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do
Maranhão (Lei nº 8.258/2005) dispõem sobre as medidas cautelares que
podem ser adotadas pelo Tribunal. A saber:

a) Afastamento temporário do responsável (art. 72);


b) Indisponibilidade de bens do responsável (art. 73);
c) Arresto dos bens dos responsáveis julgados em débito (art. 74);
d) Suspensão do ato ou do procedimento impugnado (art. 75)
Obrigada!
Obrigada!