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TEORIAS SOBRE A FORMAÇÃO DO ESTADO

Numerosas e variadas teorias tentam explicar a origem do Estado e


todas elas se contradizem nas suas premissas e nas suas conclusões.
O problema é dos mais difíceis, já que a ciência não dispõe de
elementos seguros para reconstituir a história e os meios de vida das primeiras
associações humanas. Basta ter em vista que o homem apareceu na face da
terra há cem mil anos, pelo menos, enquanto os mais antigos elementos
históricos de que dispomos remontam apenas a seis mil anos.
Assim é que todas as teorias são baseadas em meras hipóteses. A
verdade permanece envolta nas brumas da era pré-histórica. Poucos são os
informes que temos, por exemplo, da formação do Estado egípcio que é um
dos mais antigos. Nem mesmo o bramanismo nos esclarece com dados
objetivos o início do Estado hindu.
Com esta nota preliminar fica a advertência de que as teorias sobre a
origem do Estado, que resumimos, são resultantes de raciocínios hipotéticos.
TEORIA DA ORIGEM FAMILIAR
Esta teoria, que de todas é a mais antiga, apoia-se na origem da
humanidade a partir de um casal originário. Portanto, é de fundo religioso.
Ela possui duas correntes principais: a) Teoria Patriarcal; e, b) Teoria
Matriarcal.
TEORIA PATRIARCAL – Essa teoria afirma que o Estado deriva de
um núcleo familiar, cuja autoridade suprema pertenceria ao ascendente varão
mais velho (patriarca). O Estado seria, assim, uma ampliação da família
patriarcal. Grécia e Roma tiveram essa origem, segundo a tradição. O Estado
de Israel (exemplo típico) originou-se da família de Jacob, conforme relato
bíblico.
Conta esta teoria com tríplice autoridade da Bíblia, de Aristóteles e do
Direito Romano.
Seus divulgadores foram Sumner Maine, Westermack e Starke. Na
Inglaterra um grande defensor foi Robert Filmer, que defendeu o absolutismo
de Carlo I perante o parlamento.
Os defensores da teoria patriarcal encontram na organização do
Estado os elementos básicos da família antiga: unidade do poder, direito de
primogenitura, inalienabilidade do domínio territorial, etc. Seus
argumentos, porém, se ajustam às monarquias, especialmente às antigas
monarquias centralizadas, nas quais o monarca representava, efetivamente, a
autoridade do pater famílias (o pai, ou chefe de família, segundo os romanos).
Praticamente todos concordam hoje, em sociologia, que os primeiros
grupos humanos tiveram origem em famílias. Entretanto, se esta teoria explica
de maneira aceitável a origem da sociedade, certo é que ela não consegue
explicar de maneira aceitável a origem do Estado como organização
política.
Mesmo que uma grande família possa originar um Estado,
normalmente, o Estado se forma pela reunião de várias famílias. Os
primitivos Estados gregos foram grupos de clans. Estes grupos formavam as
gens; um grupo de gens formava a frataria; um grupo de fratias formava a tribu;
e esta se constituía em Estado-Cidade (polis). O Estado-Cidade evoluiu para o
Estado nacional ou plurinacional.
TEORIA MATRIARCAL – Dentre as diversas correntes teóricas da
origem familiar do estado e em oposição formal ao patriarcalismo, destaca-se a
teoria matriarcal ou matriarcalística. Bachofen foi o principal defensor desta
teoria, seguido por Morgan, Grose, Kholer e Durkheim.
A primeira organização familiar teria sido baseada na autoridade da
mãe. De uma primitiva convivência em estado de completa promiscuidade,
teria surgido a família matrilínea, naturalmente, por razões de natureza
filosófica, já que era sempre se podia saber quem era de qual família, sabendo-
se quem era a sua mãe. Assim, como era geralmente incerta a paternidade,
teria sido a mãe a dirigente e autoridade suprema das primitivas famílias,
de maneira que o clan matronímico seria o fundamento do Estado, por ser a
mais antiga forma de organização familiar.
O matriarcado precedeu realmente o patriarcado, na evolução social.
Entretanto, é a família patriarcal a que exerceu crescente influência, em todas
as fases da evolução histórica dos povos.
TEORIA DA ORIGEM PATRIMONIAL
Essa teoria tem suas raízes, segundo alguns autores da filosofia de
Platão, que admitiu, no Livro II de sua República, originar-se o Estado da união
das profissões econômicas. Também Cícero explica o Estado como uma
organização destinada a proteger a propriedade e regulamentar as relações
de ordem patrimonial.
Como resultado dessa teoria pode-se, de certo modo, afirmar que o
direito de propriedade é um direito natural, anterior ao Estado.
Haller, que foi o principal defensor da teoria patrimonial, afirmava que a
posse da terra gerou o poder público e deu origem à organização estatal.
Modernamente esta teoria foi acolhida pelo socialismo, doutrina
política que considera o fator econômico como determinante dos fenômenos
sociais.
TEORIA DA FORÇA
Também chamada “da origem violenta do Estado”, afirma que a
organização política resultou do poder de dominação dos mais fortes sobre
os mais fracos.
Gumplowicz e Oppenheimer desenvolveram amplos estudos a respeito
das primitivas organizações sociais, concluindo que foram elas resultantes das
lutas travadas entre os indivíduos, sendo o poder público uma instituição que
surgiu com a finalidade de regulamentar a dominação dos vencedores e a
submissão dos vencidos. Franz Oppenheimer, médico, filósofo e professor
de ciência política em Frankfurt, escreveu textualmente: “o Estado é
inteiramente, quanto `a sua origem, e quase inteiramente quanto à sua
natureza, durante os primeiros tempos de sua existência, uma organização
social imposta por um grupo vencedor a um grupo vencido, destinada a manter
esse domínio internamente e proteger-se contra ataques exteriores”.
Thomas Hobbes, discípulo de Bacon, foi o principal sistematizador
desta doutrina, no começo dos tempos modernos. Este autor afirma que os
homens, no estado de natureza, eram inimigos uns dos outros e viviam em
guerra permanente. E como toda guerra termina com a vitória dos mais fortes,
o Estado surgiu como resultado dessa vitória, sendo uma organização do grupo
dominante para manter o domínio sobre os vencidos.
Segundo um entendimento mais racional, porém, a força que dá origem
ao Estado não poderia ser a força bruta, por si só, sem outra finalidade que não
fosse a dominação, mas sim, a força que promove a unidade, estabelece o
direito e realiza a justiça.

EMEF CAMPOS DO CRISTAL


Atividade Remota Referente à Semana 19
(de 5 a 9 de julho de 2021) TURMA: C31
Aluno: ……………………………….   Data: ……../..……./........ 
                       DISCIPLINA: FILOSOFIA (Prof. Diogo)

ATENÇÃO!!!!!!

DEVOLVA APENAS ESSA FOLHA DO EXERCÍCIO PARA O PROFESSOR. 

1) Segundo a teoria patriarcal e a teoria matriarcal, qual foi a


origem do Estado?

2) Segundo a teoria patrimonial para a origem do Estado, o que


foi que originou a organização estatal?
3) Descreva a formação do Estado segundo a teoria da força.

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