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Funções Pares e Ímpares

Por
Marcos Venícios Almeida Bezerra
Professor efetivo da Escola estadual Lourival Pinho – SEE/AC

José Ivan da Silva Ramos


Professor titular do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas da UFAC

Resumo

Desde que estejam definidas uma operação e uma operação □ nos


conjuntos não vazios e , respectivamente, podemos estabelecer uma
correspondência entre esses conjuntos e, em relação às propriedades inerentes a
essas operações, estender o conceito de e de que
comumente são definidos sobre o corpo dos números reais.

Abstract

Provided they are defined an operation and a □ operation in the non-


empty sets and , respectively, we can establish a correspondence between
these sets and, in relation to the properties inherent to these operations, extend
the concept even function and odd function which commonly are defined on the
body of real numbers.

Palavras chave: Conjuntos, operações, propriedades, funções e generalizações.


1. Introdução
Geralmente as discussões sobre funções pares e ímpares são bastante
acanhadas ou ignoradas em quase todos os livros didáticos que tratam sobre as
funções. Mesmo assim, quando ela é feita, induz a ideia de que esse assunto é
exclusivo das funções reais.
Um olhar cuidadoso mostra que é possível explorarmos esses pequenos
conceitos e, a partir das operações e propriedades que definem a estrutura de seus
domínios e contra domínios, propormos conceitos mais gerais.

Revisão bibliográfica e formalização de conceitos


Os babilônios, por volta do ano 2000 a.C., já utilizavam a ideia de função
quando faziam tabelas colocando alguns números na primeira coluna e o produto
desses números por um valor constante na segunda coluna. (ROQUE, [06]).
No decorrer da história, d.C., vários foram os matemáticos que contribuíram
para que se chegasse ao conceito atual de função. As contribuições efetivas para a
construção do conceito de função surgiram com os trabalhos de Isaac Newton
(1642-1727) e Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716). Em 1718, Jean Bernoulli
(1661-1718) faz a primeira definição de função (BOYER, [03]).
A representação de uma função pela notação (lê-se: de ) foi
atribuída ao matemático suíço Euler (1707-1783), no século XVIII. O matemático
alemão Dirichlet (1805-1859) escreveu uma primeira definição de função muito
semelhante àquela que usamos atualmente (DANTE, [04]):
“Uma variável y se diz fun o de uma variável se, para todo valor
atribuído a , corresponde, por alguma lei ou regra, um único valor de . Nesse
caso, denomina-se variável independente e , variável dependente.”.
No fim do século XIX, com a disseminação da teoria dos conjuntos, tornou-
se possível a definição formal do conceito de função por meio de conjuntos
(DANTE, [04]):
“Dados os conjuntos e , uma função : (lê-se: uma função de em
) é uma regra que determina como associar a cada elemento x um único
elemento y = (x) .”
As funções são usadas por matemáticos e por cientistas para descrever as
relações entre quantidades variáveis e, assim, desempenham um papel central no
cálculo e nas aplicações (ANTON, [01]).

1.1 Definições: Sejam e conjuntos não vazios. Dizemos que é uma função de
em se, e somente se, é uma regra que a cada elemento em associa um único
elemento em . Escrevemos para denotar que é uma função de em

. Nesse caso,

a) é chamado de domínio da função e é indicado por .

b) é chamado de contra domínio de e é indicado por .

c) é chamado de conjunto imagem (ou imagem


direta) de .

d) é sobrejetiva se, e somente se, o conjunto imagem de coincide com o seu


contra domínio . Isso significa que e assim, , existe ao
menos um tal que .

e) é injetiva se, e somente se, quaisquer que sejam e elementos em


, se é diferente de , implica que é diferente de .
Equivalentemente, , , se ; então, vale que = .

f) é denominada de função bijetiva se, e somente se, é, ao mesmo


tempo, injetiva e sobrejetiva.

Comumente, para cada , dizemos que o elemento


chama-se imagem (direta) de pela função e temos “ é igual a de ”.

É importante notar que, se os conjuntos e são finitos e é sobrejetiva


o contradomínio nunca tem mais elementos que o domínio .
1.2 Exemplos: A função

é tal que para e , vale que . Além

disso, , existe uma matriz tal

que . Assim, é uma função sobrejetiva que não é injetiva.

A função , em que é um número real não nulo, é denominada

de função linear. Em particular, quando , essa função é chamada de função

identidade em que denotamos por .

O “batismo” da função linear está diretamente ligado às operações de adição


e multiplicação definidas em . Essa função satisfaz as seguintes condições:
, , , vale que e .

A função definida por não é injetiva, pois


.

A função , se , recebe o nome de .


, se

Notemos que tanto quanto não são injetivas. Além disso, vale que
, e . No entanto, essas
funções não agem da mesma maneira ponto a ponto. Por exemplo, vale que
. Esse caso ajuda na compreensão da seguinte

1.3 Definição: Dizemos que as funções e , são iguais se, e somente se, tivermos
, e .

Parte do estudo sobre as funções recai sobre as qualidades ou propriedades


que elas apresentam. Mas, podemos olhar as funções como elementos de um
conjunto e, dentro desse conjunto, definir uma maneira de operacionalizar esses
objetos.
1.4 Definição: Seja / é uma função} o conjunto de todas as
funções reais. Podemos definir, , , as operações:

, .
. . .

Não é difícil perceber que essas operações são induzidas diretamente das
operações de adição e multiplicação definidas no conjunto dos números.

1.5 Observação: Consideremos as operações de adição e multiplicação definidas em


. Então, , , , valem as seguintes propriedades:
e (associatividade).
e (comutativa).

Em existem as funções e que são,

respectivamente, os elementos neutros da adição e da multiplicação.

A função é o inverso aditivo de e é

o inverso multiplicativo da função ,


desde que .

Isso significa a existência de elemento inverso para a adição e existência de


inverso multiplicativo para quase todas as funções constantes.
(distributividade da multiplicação
em relação à adição).
Demonstração: Todas essas propriedades são de fácil verificação. Para isso é
necessário considerar a definição de igualdade de funções.

1.6 Definição: Dado qualquer elemento e qualquer função em ,


podemos definir a multiplicação (por) escalar

.
Essa definição de multiplicação por escalar permite que realizemos
decomposições de uma função real como soma de uma função par com uma função
ímpar. Faremos referência a esse fato mais tarde.

1.7 Observação: , , e , , valem as seguintes propriedades:


: ;
: ;
: ;
: ; e .
Demonstração: Também é imediata e é necessário considerar a definição de
igualdade de funções.

Não é difícil imaginar uma definição mais geral de uma operação definida
sobre um conjunto de funções.

1.8 Definição: Seja um conjunto. Por uma fun o


vamos denotar o conjunto de todas as funções de em .

Notemos que se é uma operação definida em ; então essa operação induz


uma opera o “ ” em . Temos:

,
.

Se a operação , definida no conjunto , apresenta determinadas


propriedades, ent o, a opera o “ ”, induzida no conjunto , apresenta, quase
sempre, as mesmas propriedades. Isso é bastante natural. Como já observamos as
propriedades da adição e da multiplicação, em , são induzidas pelas
propriedades da adição e da multiplicação, em .
Por exemplo, se é comutativa; então, em , a operação “ ” é
comutativa: , temos .
Isso mostra que , ou seja, em a opera o “ ” comutativa.
1.9 Exemplo: Uma função em é idempotente se, e somente se, tivermos que
, .
Assim, teremos em que se, e somente se, todos os elementos
de são idempotentes.

Homomorfismos

Sejam e conjuntos não vazios. Suponha que é uma operação bem


definida em e que □ uma opera o bem definida em . Uma
função é denominada de homomorfismo se, e somente se, , ,

em , valer que □ .
Um homomorfismo injetivo é denominado monomorfismo. Se for
sobrejetivo é denominado endomorfismo. Se for bijetivo é denominado
isomorfismo.

1.10 Exemplos:

1) Consideremos a função (identidade) . Essa função é um

homomorfismo, já que , , vale que e .


. . Além disso, a função é uma bijeção. Portanto, ela é um isomorfismo.
2) As funções reais (do Cálculo) e também são exemplos de
homomorfismos. Notemos que enquanto uma leva um produto em uma soma a
outra leva uma soma em um produto, respectivamente.

1.11 Observação: Seja um isomorfismo de em . Então, valem as seguintes


propriedades:
a) Seja o elemento com relação à operação definida em . Seja ’ o elemento
neutro com rela o à opera o □ definida em . Então, se em valem as leis do
cancelamento, temos que ’.
b) Se é o inverso de um elemento em , então .
Demonstração: Primeiramente, temos que . Portanto, podemos escrever
a igualdade ’ □ = ( ) = ( ) = ( ) □ ( ); já que é um
homomorfismo. Cancelando em ambos os membros da igualdade, fica
demonstrado o item a).
Agora, de x = , obtemos = . Como é um
homomorfismo e, pelo item a), ’, vem que ( )□ ’. Isso mostra
que e b) fica demonstrado também.

1.12 Exemplo: Consideremos o conjunto , , . Em


podemos definir as seguintes operações: , , , ,
, , , .
. , . , , .

É fácil ver que, para essa adição e essa multiplicação definidas em , valem
todas as propriedades listadas em 1.3.1, em [2]. Além disso, a função

é um isomorfismo.
,
Primeiramente, vale que: , se
, vale que , , e . Assim, obtemos que
. Isto mostra que é injetiva. Também temos que, para toda dupla
, em , um número complexo em D , tal que
, . Portanto, é sobrejetiva.
Por fim, , , temos
, , , . E,
também, . ,
, , . Isso mostra que isomorfo a .
A equivalência e , , , usada para mostrar a
injetividade da função , depende do conceito de igualdade entre pares ordenados,
o que consideramos entendido.

Funções pares e funções ímpares


Funções pares e funções ímpares comumente são definidas sobre o
conjunto dos números. Mas, esses conceitos relacionados para as funções reais
podem ser estendidos para funções definidas sobre qualquer conjunto, no qual
uma adição bem definida admita a existência de inversos. Por exemplo, sobre o
conjunto das matrizes quadradas de ordem sobre . Isso, de certa forma,
já é uma extensão desses conceitos de função.
Recordemos os conceitos de função par e função ímpar que comumente são
relacionados com o conjunto dos números reais.

1.13 Definições: Observado que todo elemento possui inverso aditivo


, se é uma função, definimos que:
i) é uma função par se, e só se, vale que ; = D( ).
ii) é uma função ímpar se, e só se, valer que ; = .

1.14 Exemplos:
amos analisar a fun o .

Seu gráfico é uma parábola cujo eixo de


simetria coincide com o eixo do sistema de
eixos cartesianos. Isso porque qualquer que
seja pertencente ao domínio de ,
temos ; ou seja, é uma função
par.
2) A função é tal que para todo

pertencente ao domínio de , vale


que = . Assim, é uma função
ímpar. Seu gráfico, ao lado, apresenta uma
simetria em relação ao eixo horizontal do plano
cartesiano
3) As funções periódicas: , e a fun o “serra”, comumente estudadas
em um curso introdutório de cálculo, são, respectivamente, exemplos de uma
função ímpar, par e nem par nem ímpar

É possível, fazermos uma decomposição do conjunto como uma soma


do conjunto das funções pares com o conjunto das funções ímpares. Esse fato
depende da definição de produto por escalar que relacionamos na definição do
item 1.6, neste texto.

. Toda função em pode ser escrita como uma


soma de uma função par com uma função ímpar.
Demonstração: Primeiramente, se é um elemento em ; então a função ,
definida por é uma função par e a função , definida por

é uma função ímpar.

Agora, toda função em , tem sua lei de formação dada por


, que é

a soma de uma função par com uma função ímpar.

A observação acima nos dá uma boa estratégia para, a partir da lei de


formação de uma função real qualquer, obter a lei de formação de uma função par
ou de uma função ímpar. Noutro sentido, existem casos em que podemos perceber
que a lei de formação de uma dada função já é uma soma de uma função par com
uma função ímpar. É o que vemos no exemplo a seguir.

. A função tem sua lei de formação como uma

soma das leis de formação de e que são,

respectivamente, uma função par e uma função ímpar.

Seja o conjunto das funções reais pares e o conjunto das funções


reais ímpares. Vale que . Também, .
A função é, ao mesmo tempo, uma função par e uma função

ímpar. Vale que . Equivalentemente, se : é


uma função tal que e, ao mesmo tempo, , então,
temos ; ; ou seja, é a
função nula. Isso mostra que .

. Consideremos o conjunto de todas as funções reais. Então


valem e são de fácil verificação as seguintes afirmações:
a) Vale que ; ou seja, existem funções reais que não são nem
pares nem ímpares.
b) Uma função real ímpar definida na origem é nula na origem.
c) A adição definida em também está definida em e em ; ou seja, a
soma de duas funções reais pares é uma função par e a soma de duas funções reais
ímpares é uma função real ímpar.
d) O produto definido em também está definido em ; ou seja, o produto
de duas funções reais pares é uma função par.
e) O produto de duas funções reais ímpares é uma função real par.
f) O produto de uma função par por uma função ímpar, ou vice versa, é uma função
ímpar.
g) A derivada de uma função real par é uma função ímpar.
h) A derivada de uma função real ímpar é uma função par.
Demonstração: Cada uma dessas relações é de fácil verificação. Para justificar o
item a), por exemplo, temos que a função do exemplo 2.4 não é

par, pois e nem ímpar, pois


.

2. Generalização de Conceitos

2.1 Definições: Sejam e conjuntos não vazios e uma função que a cada
elemento associa um elemento .
i) Suponhamos que em esteja definida uma operação que admite elemento
neutro . Dizemos que é uma função par com respeito à operação se, e somente
se, ; onde é o inverso do elemento com respeito à operação ,
que deve existir, .
ii) Suponhamos que em esteja definida uma operação □ que admite elemento
neutro ’. Dizemos que é uma função ímpar com respeito às operações e □

(nessa ordem) se, e somente se, onde é o inverso do

elemento a com respeito à operação , que deve existir, e éo


inverso de com respeito à operação □, que deve existir, para todo
.

2.2 Exemplos:
a) Consideremos a função .
Para toda matriz em , existe

em . Além disso, = e pela propriedade 3 em 1.5.4,


em [2], temos que . Logo, , definida sobre
, é uma função par, com respeito à operação de adição usual de matrizes.
b) Consideremos, agora, a função .
Temos que: ,

. Daí, ; ou
seja, . Logo, , definida sobre , é uma função ímpar,
com respeito às operações de adição usual de matrizes e a adição dos números.

Mais geral é o resultado a seguir.

. Seja , o conjunto das matrizes quadradas de ordem

sobre o corpo dos números reais. Então, é uma

função:
i) par, com respeito às operações de adição usual de matrizes e a adição dos
números, se é um número par.
ii) ímpar, com respeito às operações de adição usual de matrizes e a adição dos
números, se é um número ímpar.
Demonstração: Pela propriedade 3 em 1.5.4, em [2], vale que para toda matriz
, com , det . Logo, se é
par, temos det . Isso significa que é uma função par e i) fica
demonstrado. Se é ímpar, temos = e ii) está demonstrado.

Até aqui já devemos perceber que nossas considerações sobre uma função
ou ímpar já avançaram para um universo diferente de . Na observação acima,
a adição em , domínio da função , uma opera o “diferente” da adi o
em , que é o contra domínio de .

. Seja invers vel . Então, a função


é ímpar.

Demonstração: , existe e, em [2], pelos itens i) e ii) de 1.5.7, vale

que (A) , ( ) e det , ou seja,

( )= ; o que mostra que essa função é ímpar.


Os exemplos relacionados neste parágrafo incluem as operações de adição e
multiplicação de matrizes. Portanto, os conceitos de função par e função ímpar não
devem estar especificamente relacionados com adição definida no conjunto .

. A função é uma função par, pois olhando na forma

algébrica do polinômio , que é ... ; com


e vale que .

. Seja . A função é tal

que toda matriz quadrada de ordem é transformada em um número que é a soma


dos elementos de sua diagonal principal. O número
é chamado de traço da matriz
Vale que , e
. Isso mostra que é uma função ímpar.

. Se é um isomorfismo de em , vale que .


Portanto, é uma função ímpar.

Seja , , . é um espaço vetorial sobre um corpo e


/ é uma função}. As propriedades das operações de adição e
multiplicação por escalar que definem (veja [4], cap. 5), permitem decompor
toda função em , como soma de uma função par com uma função ímpar.
Claro que esse fato é uma generalização da observação em 1.15.

. Se é um espaço vetorial sobre um corpo , toda função no


conjunto pode ser escrita como soma de uma função par com uma função
ímpar.
Demonstração: Toda função em pode ser escrita na
forma ; onde , definida por , é uma função

par e , definida por , é uma função ímpar.


Particularmente, todo operador linear em pode ser escrita como
soma de uma matriz simétrica com uma matriz antissimétrica. Nesse caso, usamos
a multiplicação por escalar para escrever essa soma.
Temos que ; onde é uma matriz

simétrica e é uma matriz antissimétrica.

Encerramos as nossas discussões estabelecendo um resultado análogo à


observação em 1.15. Vamos considerar uma operação definida em um conjunto
e o conjunto uma fun o , de todas as funções de
em , munido da operação , induzida por .

. Seja um conjunto não vazio e uma operação definida em .


Seja . Se é uma função idempotente (veja o exemplo em 1.9) e satisfaz
todas as propriedades listadas em 1.1.2, em [2]; podemos escrever ;
onde, com respeito à operação , é uma função par e é uma função ímpar.
Demonstração: A função satisfaz a condição de que

e por
isso é uma função par. Agora, a função satisfaz a

condição

. Daí, a função é uma


função ímpar. Por fim, para todo em , temos

Concluímos, então, que , onde, com respeito à operação , é


uma função par e é uma função ímpar.

Os passos de nossas argumentações estão resguardados pelas propriedades


da operação em e pelas propriedades da opera o “ ”, induzida por , em .
Notemos, ainda, que o caso particular em que e é a operação de
adição definida em , a decomposição de uma função real como soma de uma
fun o par com uma fun o mpar depende da “imposi o” de um fator de
multiplicação igual a (conforme observação em 1.15). Em 2.9, impomos à função
a condição dela ser idempotente. Isso elimina “mais um ” que aparece nas
argumentações. Precisamente, nas igualdades .

. Se é um isomorfismo;

é uma função (par) constante e

é uma função ímpar. Assim, pela construção feita mais uma vez em 2.8, temos que
. De qualquer modo, se não
for idempotente, nos vemos impedidos de fazermos a decomposição ,
onde, com respeito à operação , é uma função par e é uma função ímpar.

Os conjuntos idempotentes, nos quais estejam definidas operações que


satisfaçam todas as propriedades listadas em 1.1.2, em [2], são conjuntos
“pequenos” e esse caminho nos impede de darmos um exemplo da decomposi o
análoga à que relacionamos em 1.15. Deixamos para quem nos acompanhou nas
discussões que fizemos até este momento a tarefa de pensar em um exemplo
concreto para ilustrar esse resultado. Esse exemplo existe?

3. Considerações finais
O ponto de partida para escrevermos este pequeno trabalho foi uma das
investigações que regularmente fazemos sobre o material didático que é
disponibilizado para o ensino da Matemática.
Sem fugir do padrão de escrita que comumente é exigido para os trabalhos
escritos em nossa área de estudo, começamos relacionando alguns conceitos gerais
da teoria dos conjuntos para em seguida descrevermos minimamente a estrutura
dos conjuntos numéricos, do conjunto das matrizes e dos polinômios. Isso porque,
como fica claro no desenvolvimento deste texto, as propriedades das operações
definidas nesses conjuntos estão diretamente ligadas com as propriedades das
funções que por ventura possam ser definidas sobre eles.
Acreditamos que, a partir do que estudamos e da leitura deste trabalho, é
necessário, sempre que falarmos de funções pares e funções ímpares,
especificarmos o domínio em que ela atua ou a operação que está sendo
considerada nesse domínio. É como no estudo das potências relativas a uma
opera o definida em um conjunto. N o se deve afirmar que “todo número elevado
a zero igual a ” ou que , o que pode ser tolerável, se afirmado por
alguém que não vive no mundo da Matemática.
A discussão que fizemos é da Matemática para a Matemática. Apesar de o
assunto permitir que o relacione com a Geometria, observando os aspectos quando
as funções estão definidas sobre o conjunto dos números ou com os vários
problemas de nosso cotidiano, nossa meta, essencialmente, foi observar os
aspectos mais gerais e que merecem ser considerados para que se possa definir
uma função par ou uma função ímpar.
Acreditamos que a abordagem feita sobre esse assunto deve nos convencer
que os conceitos de função par e função ímpar são mais gerais do que o que
comumente vemos nas literaturas que discutem a matemática básica.

4. Referências
[01] ANTON, Howard. Cálculo um Novo Horizonte. 6 ed. Vol. 1, Editora Bookman,
Porto Alegre-RS (2000).
[02] BEZERRA, Marcos V. A.; Funções Pares e Ímpares (Generalização de Conceitos)
TCC-PROFMAT/AC (2016);
[03] BOYER, Carl Benjamin. A História da Matemática. 2 Ed. Editora Edgard Blücher,
São Paulo (1996).
[04] DANTE, Luiz Roberto. Matemática: Contexto e Aplicações. Vol.1. 2 ed. Editora
Ática (2013).
[05] GONÇALVES, Adilson e SOUSA, Rita Maria Lopes de Introdução à Álgebra Linear.
Ed. Blücher; São Paulo (1977).
[06] ROQUE, Tatiana. História da matemática: Uma visão crítica, desfazendo mitos
e lendas. Editora Zahar; RJ (2012).

José Ivan da Silva Ramos Marcos Venícios Almeida Bezerra


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