Você está na página 1de 3

O que é democracia

Etimologicamente falando o termo democracia tem sua origem nas palavras gregas demo = povo e kratia =
poder e tem como seu significado mais sintético poder do povo, tal modelo se constitui primeiramente na
Grécia Antiga e sofreu muitas alterações até os dias modernos, ou seja, o modelo de democracia que
conhecemos apesar de ter semelhanças com seu modelo inicial se distancia deste especialmente por ser um
fruto histórico que se atualizou com o passar do tempo.
A democracia se relaciona com o modelo de república e esta segunda vem do latim res publica ou coisa
pública é significa um modo de governo onde o interesse pessoal de poder deve ser refreado e dar lugar a
preocupação com o bem comum e o interesse da comunidade e assim constatamos entre elas várias
semelhanças, mas as duas não tem estritamente o mesmo significa e podemos inclusive observar casos de
repúblicas não democráticas.
Para entender melhor sobre a democracia é preciso rever aquelas que são suas bases de origem,
primeiramente se faz necessário reconhecer a importância da criação do espaço público que não pertencesse
a ninguém especificamente não fosse privado de um cidadão e também não fosse propriedade de um rei ou
soberano, um segundo ponto que garantiu a criação da politica e da democracia na sociedade grega foi a
urbanização e a constituição das Pólis (cidades estado), mas a característica essencial desse processo foi a
separação dos poderes do pai de família, do chefe militar e do chefe religioso que se uniam anteriormente na
figura do rei, de tal forma a política se origina na separação de tais poderes fato que ocasionou o fim da
visão (pelo menos na Grécia) de um líder representante de deuses e entidades divinas dotado de poderes
transcendentais.
Basicamente esse é um breve relato da origem e significados básicos da democracia, mas indo mais a fundo
conseguiremos entender melhor o sentido pleno da palavra democracia e suas características e formas na
modernidade. Algo que nos ocorre nos dias atuais é ter frente aos nossos olhos tão somente a definição
liberal de democracia que a caracteriza como governo onde se garante a liberdade (livre iniciativa privada-
qualquer cidadão pode fazer parte do mercado sem depender de uma aprovação governamental), e a
competição como simples competição de cidadãos e partidos políticos resultando numa simples troca
daqueles que tem o poder, porém a definição verdadeira de filosofia vai além desta neoliberal e a supera de
muitas formas.
Isso porque democracia é um governo baseado nos conceitos de isegoria igualdade de expressão de todos os
cidadãos, e isonomia igualdades de todos perante a leis (inclusive na democracia tais leis são formuladas
direta ou indiretamente por estes mesmos cidadãos), estes dois conceitos são os basilares para os três direitos
mais básicos e essenciais que marcam a democracia são eles a liberdade, a igualdade e a participação no
poder.
A liberdade se caracteriza como o direito de todos poderem expor em público suas ideias e opiniões desde
que essas não firam a liberdade de outrem, além disso este direito também deve simbolizar a garantia de que
todos os cidadãos possam (e até mesmo devam) lutar contra as diversas formas de tirania, exploração e
dominação que os façam reféns, o segundo direito basilar que está intimamente ligado as ideias de isegoria e
isonomia e que torna possível o governo democrático é a igualdade, este direito diz respeito a seguinte
questão em um governo democrático todos estar sujeitos as mesmas leis, devem possuir os mesmos direitos
e serem tratados da mesma forma (imparcialmente), independentemente de cor, raça, credo ou outra
particularidade. O terceiro direito essencial e básico em uma democracia é o direito a participação no poder
este por sua vez significa que todos podem opinar e ajudar a decidir sobre as questões que regem tal
sociedade podendo escolher o futuro desta (nas atuais democracias esse papel é exercido no voto, seja nas
eleições, plebiscitos ou referendos) estes três direitos resumem em si um pouco de todos os demais direitos
(direitos fundamentais – a vida, a moradia, a educação, a alimentação, a saúde), (direitos civis – a liberdade
de expressão, de imprensa, de crença, de pensamento etc) (direitos sociais – de participar na herança social,
garantia a segurança), (e por fim os direitos políticos - direito a pleitear cargos públicos e direito ao voto).
No conceito neoliberal de democracia as leis são vistas como a troca das mãos que detêm o poder, de um
governante que o detêm e passa para outro, porém o sentido real das eleições em uma democracia é algo
muito mais grave e muito maior, pois simboliza que nesta forma de governo o poder não pertence a ninguém
especifico, e sim ao povo e a eleição é a troca daquele que em nome do povo exercerá o poder, mas não o
terá como seu mais do que como líder ele deve ver-se como súdito pois os verdadeiros líderes devem ser os
cidadãos que formam o povo. É importante ressaltar também que um representante é eleito pela maioria dos
votos, todavia em seu exercício visará o trabalho em prol de toda a população e não somente da maioria que
lhe concedeu esse cargo.
A democracia se caracteriza também como a forma de governo da pluralidade de ideias, onde os pontos
contrastantes tem especial importância e devem ser levados em conta e serem debatidos, sendo assim o
conflito é considerado legitimo e necessário para uma verdadeira aplicação da democracia. Além de tudo
isso a democracia se diferencia dos demais governos pois está se atualizando e evoluindo com o tempo, com
a criação de novos direitos e a ampliação da cidadania.
Mas se ela só é possível com a criação de novos direitos, como é feita essa criação como é possível criar e
ampliar direitos, eles só são possíveis com a luta das classes populares contra a estagnação e paralização dos
direitos pois tal estagnação tornaria confortável a situação da classe dominante e os faria reter o poder em
suas próprias mãos fazendo com nem os direitos avançassem e evoluíssem e nem a democracia fosse
exercida de forma plena.
Contratualismo
Contrato é um acordo fixado e estabelecido entre os cidadãos livres e o soberano, os indivíduos abrem mão
de certos direitos ou liberdades que possuem e cedem esses seus direitos espontaneamente ao soberano para
que se possa organizar um governo, liderado por um poder maior ou um conjunto de autoridades, contrato é
ainda um acordo regidos por direitos e deveres a serem cumpridos.
Thomas Hobbes
Segundo Hobbes o estado de natureza do homem é um estado instintivo, onde o homem é o deus de outro
homem (cidadãos entre si), e o homem é o lobo do homem (é capaz de procurar somente o seu próprio bem,
cometendo barbaridades contra o outro) dessa forma para ele o estado de natureza é perigoso e por isso o
homem abre mão dele e de algumas liberdades e se sujeita ao estado civil, para que este então lhe garanta a
segurança, este garantir a segurança aqui não deve ser visto só como garantir a vida, mas como garantia de
paz e de segurança com vista na felicidade dos cidadãos.
Para Hobbes o contratualismo se fixa no direito de livremente contratar de escolher o soberano e por mais
que com isso ele buscava defender a forma de governo da soberania, porém tal constatação coincide com a
forma de governo da democracia onde também temos a liberdade para conscientemente escolher o nosso
líder e representante, por isso o leviatã de Hobbes e democracia apesar de serem formas distintas de governo
elas não se excluem.
Jean Jacques Rousseau
É também um grande contratualista que divergia em diversos pontos com Hobbes, a iniciar pelo estado de
natureza, pois para Rousseau o estado de natureza do homem é um estado perfeito onde não existe nada de
externo que leve o homem a agressão mútua ou a desigualdade, porem ao iniciar o estado civil o homem foi
se corrompendo e foi aflorando em si os impulsos de egoísmo e agressividade, outro grave questão iniciada
pelo estado civil é a propriedade privada que posteriormente gerou as desigualdades.
Propõe que o estado civil resgate os valores do estado de natureza e desta forma propõe um modelo de
governo onde se preze em especial pela igualdade e pela liberdade, para ele o único modelo capaz disso
seria o modelo democrático, contudo ele dizia ser necessária uma democracia direta e participativa onde o
povo exercesse de fato o poder por meio de assembleias, ou seja, ele não apoiava o modelo de democracia
moderno (a democracia demonstrativa) onde o povo exerce seu poder somente pela escolha de seus
representantes e estes é que irão tomar de fato as decisões. Para ele deve ser levada em conta a vontade
geral, esta não significa simplesmente vontade da maioria, mas simboliza aquilo que é melhor para todos os
cidadãos para isso seria essencial que ao tomar as decisões as pessoas não buscassem o seu beneficio
somente, mas sim o benefício mútuo de todos (deve-se buscar o bem comum).