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2018

CURSO – ATP

Prof. Fernando Guilherme Kaehler Guarda


UFSM-CS / CEESP / Membro IEEE PES
12/11/2018
Sumário
INTRODUÇÃO ............................................................... 3
OBJETIVOS .................................................................... 5
INSTALAÇÃO ................................................................. 6
BÁSICO ......................................................................... 8
INTERMEDIÁRIO ......................................................... 17
EXEMPLOS DIVERSOS ................................................. 30
Energização de Banco de Capacitores ................... 30
Energização de Transformadores (correntes de
Inrush) .................................................................... 32
Saturação de Transformadores de Corrente ......... 33
Modelo de Curto-circuito de alta impedância
utilizando MODELS ................................................. 36
Anexo A ...................................................................... 41
INTRODUÇÃO
huei Liu. A partir disso, surgiram diversas distribuições
baseadas no código fonte do ATP e, dentre essas,
destacam-se a título de conhecimento: MingW
(distribuição utilizada no curso), Salford e Watcom.

O ATP (Alternative Transients Program) é um Como será explicado nos próximos capítulos, o ATP
conjunto completo de ferramentas para simulação não é um programa de domínio público e o
digital e análise de transitórios eletromagnéticos. Foi licenciamento é necessário para a sua utilização legal
inicialmente desenvolvida para analisar sistemas (maiores informações durante o capítulo INSTALAÇÃO
elétricos de potência. É também capaz de simular na página 6 deste documento ou através de:
sinais de controle, aplicações de eletrônica de HTTP://WWW.EMTP.ORG/ATPLIC.HTML).

potência e demais situações híbridas envolvendo as


Dentro das ferramentas que são foco do curso,
áreas comentadas acima. Destaca-se ainda que o ATP
destaca-se o ATPDraw. Esse é um pré-processador
possui consideráveis capacidades de modelagem e
para o ATP. É resultado da cooperação entre
outras importantes ferramentas além das aplicações
Bonneville Power Administration e Norwegian
com transitórios.
Electric Power Research Institute. Seu
O método de simulação presente no ATP envolve a desenvolvimento foi motivado pelas facilidades
utilização de matrizes de admitâncias de barras. A operacionais encontradas no ambiente Windows. No
formulação matemática baseia-se no método das ATPDraw o usuário constrói o seu circuito na tela,
características (Método de Bergeron) para elementos selecionando os componentes nos menus oferecidos,
com parâmetros distribuídos e na regra de fazendo as devidas conexões e fornecendo os
integração trapezoidal para parâmetros parâmetro necessários. Como resultado é criado um
concentrados. Durante a solução são utilizadas arquivo de extensão .acp que servirá de entrada para
técnicas de esparsidade e de fatorização triangular o ATP.
otimizada de matrizes.
Além do ATPDraw, destacam-se as ferramentas
O programa permite a representação de PlotXY e GTPLOT que são responsáveis por plotar os
dispositivos com parâmetros concentrados ou gráficos dos projetos através dos arquivos .pl4
distribuídos e, também, componentes não lineares, gerados pelo ATP. Também são abordadas durante o
tais como: transformadores e reatores por exemplo. curso, outras ferramentas de uso específico como o
Além disso, são apresentadas diversas alternativas Armafit (programa de identificação de sistemas
para essa finalidade. lineares no domínio da frequência utilizado na
modelagem de linhas de transmissão dependentes da
De um modo geral, as informações necessárias frequência, transformadores, reatores, entre outras
para o processamento de casos no ATP envolvem o utilidades) e o WindSyn (geração de dados
fornecimento de um arquivo de dados contendo relacionados com máquinas síncronas e de indução
informações gerais tais como, por exemplo: passo de para simulações) por exemplo.
integração, tempo máximo de simulação e
informações específicas que descrevem a rede O curso é dividido basicamente em quatro
elétrica, chaves, fontes de tensão ou corrente e ainda capítulos principais. No BÁSICO, o usuário entra em
uma especificação de saída de resultados. contato com os conceitos iniciais de projeto no ATP.
Através de exemplos básicos, a assimilação e a prática
Segundo informações do site mantido pelo Dr. são estimuladas (é importante neste ponto que o
Kizilcay (WWW.EMTP.ORG), o ATP tem sido usuário familiarize-se com o ATP e suas ferramentas).
continuamente desenvolvido através de contribuições
internacionais de diversos pesquisadores e No INTERMEDIÁRIO , outras funcionalidades como os
organizações de usuários licenciados (veja os “User TACs (análises de transitórios de sistemas de
Groups” listados no site acima destacado). A primeira controle), a criação de novos elementos pelo usuário
versão (código fonte) surgiu no início de 1984 e seus e ferramentas mais específicas como o Armafit e o
desenvolvedores foram os Drs. W. Scott Meyer e Tsu- WindSyn são abordadas. Além disso, exemplos e
aplicações de nível intermediário acompanham os
conteúdos acima mencionados.

No AVANÇADO, a linguagem de descrição de uso


geral MODELS é analisada e detalhada através de
exemplos diversos de aplicação. Em seguida, um
capítulo extra de EXEMPLOS visa ajudar o usuário com
um banco de aplicações e estudos de casos.

No último capítulo são apresentadas as


considerações finais e as recomendações para a
continuidade dos trabalhos e documentações.
OBJETIVOS

Este curso é direcionado para engenheiros e


acadêmicos que estejam envolvidos com análise,
projeto, operação e instalação de sistemas elétricos
de potência em geral. O curso é dividido em três
blocos de dificuldade e busca abranger todas as
possíveis necessidades e aplicações que requeiram o
ATP.

Dessa maneira, busca-se contribuir com o


desenvolvimento e a divulgação das ferramentas do
ATP e, bem como, colaborar através de mais
conhecimento aplicado sobre o programa como um
todo.

Uma bibliografia completa em Português Brasileiro


que abranja todas as funcionalidades do ATP não foi
encontrada até o momento da elaboração deste
documento. A partir disso, o Curso – ATP –
Alternative Transients Program tenta contribuir
diminuindo esta lacuna presente em nosso meio
acadêmico e de trabalhos em geral.

A criação de um banco de dados, representado


materialmente neste documento através do capítulo
EXEMPLOS, surge na tentativa de ajuda e contribuição
com os projetos e pesquisas realizadas pelo Centro de
Estudos em Energia e Meio Ambiente (CEEMA –
WWW.UFSM.BR/CEEMA) na Universidade Federal de
Santa Maria (UFSM – WWW.UFSM.BR) que necessitem
do ATP. Através disso, o curso contribuirá também
com as possíveis necessidades dos leitores
dependendo das pesquisas e interesses dos mesmos.
Atualmente, existem bancos de dados, projetos e
estudos nos grupos de usuários licenciados. Um banco
de dados e projetos local e em Português Brasileiro
como o comentado pode ajudar projetos que
necessitem de blocos básicos, de modelagens de
elementos, de padrões de simulação, entre outras
necessidades. Além de contribuir com a totalidade
dos demais bancos de dados licenciados.
INSTÃLÃÇÃO
Após as devidas e necessárias explicações,
retornamos ao processo de instalação. Tendo posse
do pacote de instalação básica comentado
anteriormente (o arquivo é chamado de
InstATPxxx.exe, onde “xxx” varia conforme a versão
A instalação do ATP (como um todo) envolve um do pacote), siga o passo-a-passo direcionado pelo
processo de configuração de arquivos de inicialização, processo de instalação que se apresentará (a janela
instalação de ferramentas básicas e/ou inicial é apresentada na figura abaixo).
complementares (ATPDraw, PlotXY, GTPLOT, um
editor de textos, conversores de formato de arquivos,
entre outras), instalação de aplicações específicas
(Armafit, Windsyn, entre outras), adequação às
distribuições disponíveis (MingW, Salford, Watcom) e
atribuições de endereços de localização de arquivos
(onde os arquivos resultantes de uma simulação serão
instalados por exemplo).

Pelo fato de o processo acima descrito ser


praticamente manual e com possíveis variações de
usuário para usuário, optou-se pela utilização do
pacote de instalação fornecido e mantido por Hajime
Urai, Shinichi Kondo (os dois anteriores são membros
da Hitachi, Ltd. Power and Industrial Systems R&D Figura 1 - Janela inicial da instalação do pacote básico.
Laboratory) e Japanese ATP Users Group (JAUG). O
pacote básico de instalação contém todos os arquivos
necessários para rodar o ATPDraw (versão 5.6), rodar Nesse momento, aconselha-se que o usuário utilize
a distribuição ATP/MingW e plotar um gráfico a instalação Full e verifique se a opção Associations
utilizando as ferramentas PlotXY ou GTPPLOT (ambos está selecionada. Essa é responsável por associar
com as últimas versões de 2010). todos os arquivos com extensões .atp, .adp e .pl4 com
os programas ATPLnch (launcher do ATP e suas
Destaca-se nesse momento, que o acesso aos
ferramentas desenvolvido por Hajime Urai da Hitachi,
arquivos comentados é realizado através de
Ltd. Power and Industrial Systems R&D Laboratory),
servidores FTP que são mantidos por organizações de
ATPDraw e PlotXY respectivamente.
usuários licenciados, desenvolvedores e professores
de diversas localidades (Japanese ATP Users Group – Além disso, é aconselhado que o nome do
JAUG e European EMTP-ATP Users Group – EEUG, por diretório de instalação não possua “espaços” como
exemplo). Dessa maneira, aconselha-se que o usuário em C:\Program Files (x86). Ao invés disso, crie um
licencie-se com uma organização para adquirir direito novo diretório para o ATP como, por exemplo,
de cópia e acesso aos servidores (aconselha-se aos C:\Tools\ATP.
acadêmicos procurarem um professor/pesquisador
em suas respectivas universidades caso necessitem do Após a instalação terminar normalmente e
pacote de instalação ou qualquer outra conforme o padrão, um atalho do ATPLnch aparecerá
funcionalidade do ATP). O ATP possui os direitos de na tela de trabalho. Um atalho do ATP aparecerá
cópia vinculados ao Canadian/American (Can/Am) também no menu Iniciar como pode ser verificado na
EMTP Users Group e não é um programa de domínio figura abaixo.
público. Contudo, o ATP pode ser utilizado livre de
royalties por qualquer um ou qualquer organização
que aceitou e assinou os termos de licença de uma
determinada organização (para maiores informações
acesse o site oficial do EMTP – WWW.EMTP.ORG).
Figura 3 - Acesso ao Help do ATPDraw.

Figura 2 - Atalhos do ATP no menu Iniciar.

Através do ATPLnch todas as ferramentas do ATP


podem ser acessadas e os arquivos .atp estão
associados a essa funcionalidade. Dessa maneira,
aconselha-se por fins didáticos e metodológicos que o
usuário utilize o ATPLnch durante os seus projetos.

Recentemente, uma nova versão do ATPDraw foi


disponibilizada em HTTP://WWW.ATPDRAW.NET. Para
Figura 4 - Tópicos do Help no ATPDraw.
instalar a versão ATPDraw 5.7p6 (direitos de cópia
vinculados a Hans Kristian Høidalen – NTNU –
Noruega) recomenda-se baixar o pacote de instalação
encontrado no site (Setup.exe). A instalação é simples Se todos os passos explicados anteriormente
e deve-se seguir o passo-a-passo apresentado. Apenas foram seguidos corretamente e sem problemas, o
usuário terá instalado o ATP e ferramentas adicionais
tenha o cuidado de mudar o diretório de instalação
para o diretório do ATPDraw instalado anteriormente. com sucesso. Assim, terá condições de continuar os
Se o usuário utilizou os nomes padrões, o diretório a próximos capítulos tranquilamente.
ser instalada a nova versão fica em ...\ATP\atpdraw. Ressaltamos que a instalação de ferramentas
Para maiores informações sobre a instalação do adicionais e de uso específico (como o Windsyn, por
ATPDraw, acesse o Manual do ATP versão 5.6 exemplo) possui a particularidade de cada pacote.
Assim, aconselha-se ao usuário seguir o tutorial de
encontrado também em HTTP://WWW.ATPDRAW.NET.
configuração que geralmente acompanha cada
A versão ATPDraw 5.7p6 apresenta uma série de pacote.
mudanças. O visual do ATPDraw tornou-se mais
moderno, novas funcionalidades foram adicionadas e
os arquivos de projeto que antigamente eram salvos
no formato .adp são salvos agora em .acp. Para
informações mais detalhadas sobre as atualizações,
acesse o capítulo “News in ATPDraw” presente no
“Getting Started” do Help. O mesmo pode ser
acessado através do menu principal do ATP como
pode ser verificado nas figuras abaixo.
BÃSICO
No ATPDraw, o arquivo a ser salvo possui a
extensão .acp, diferentemente do arquivo de códigos
do programa que recebe a extensão .atp.

Para salvar o circuito, deve-se clicar em File e em


seguida em Save As (conforme Figura 3). O mesmo
Visando um melhor entendimento dos comandos e
configurações básicas do ATP, o presente capítulo é resultado é obtido clicando-se em na tela geral do
baseado na resolução de um pequeno exemplo. O ATPDraw. O circuito deve ser salvo como
exemplo consiste em uma fonte trifásica 380 V (RMS) “Exemplobásico” (evite nomes separados).
– 60 Hz alimentando uma carga resistivo-indutiva
(conectada em estrela não aterrada) através de
condutores resistivos de 0,02Ω. Uma visão geral do
exemplo pode ser verificada na figura abaixo.

Figura 7 - Salvando o circuito.

Para uma melhor organização dos trabalhos e


Figura 5 - Circuito do exemplo. projetos no ATPDraw, aconselha-se a criação de
diretórios dentro da pasta raiz do programa. Para este
exemplo básico, criou-se um diretório chamado
“Exemplobásico” como pode ser verificado na Figura
Para criar um novo circuito, na tela inicial do
8.
programa deve-se clicar em File e em seguida em New
(veja a Figura 6). O mesmo procedimento pode ser
realizado clicando-se em . Um arquivo em branco é
criado. É importante salvar este arquivo assim que for
criado, pois pode-se perder o arquivo quando o
mesmo não for salvo se o programa for fechado Figura 8 - Diretório criado dentro da pasta raiz do ATP.
(mesmo que simulações já tenham sido realizadas).

Se todos os procedimentos expostos acima foram


realizados corretamente, a nova aba do arquivo em
branco receberá o nome “Exemplobásico” e se
apresentará conforme evidenciado na figura abaixo.

Figura 6 - Criando um novo projeto.

Figura 9 - Situação atual do ATP após os passos tomados.


Para conseguirmos simular o circuito proposto no
início do capítulo, precisamos inserir componentes no
arquivo. Para tanto, na pasta .../atpdraw/Projects Ao abrir o arquivo “All.acp” (a Figura 11 apresenta
existe um arquivo chamado “All.acp”. Este arquivo uma visão geral do arquivo), esse permanecerá
contém todos os principais componentes suportados sobreposto à aba do arquivo “Exemplobásico.acp”
pelo ATP. criado anteriormente. Nele estão presentes todos os
elementos básicos (separados por tipo) necessários à
Para abrir o arquivo comentado acima, deve-se simulação de circuitos simples no ATPDraw. Para o
clicar em File na tela inicial do ATPDraw e, em exemplo proposto neste capítulo, serão utilizados os
seguida, em Open conforme é demostrado na Figura elementos de medição (Probes), elementos de carga
10. Além disso, a mesma ação pode ser realizada linear (Branch) e fontes (Sources).
através do ícone . Após os passos destacados, Pode-se, então, copiar os elementos do arquivo
seleciona-se o arquivo presente no seguinte “All.acp” para a tela do nosso projeto
endereço: “C:/Tools/ATP/atpdraw/Project/All.acp” “Exemplobásico.acp”. Dessa maneira, podemos
(o endereço indicado pode variar conforme a construir no ATPDraw o circuito foco desse capítulo
instalação realizada por cada usuário) . (reveja na Figura 5) e já explicado anteriormente.

Por exemplo, um simples resistor (simbologia:


) pode ser adicionado ao projeto da seguinte
maneira: clicar com o botão esquerdo do mouse sobre
o elemento no “All.acp” e em seguida copiá-lo para o
arquivo “Exemplobásico.acp”.

.
Figura 10 - Abrindo um arquivo no ATP.

Figura 11 - Visão geral do arquivo "All.acp".

Além do procedimento comentado acima, pode-se mouse em qualquer tela de projeto no ATPDraw
adicionar os mesmos elementos presentes no arquivo (Figura 12).
“All.acp” através do menu de acesso rápido que
aparece quando clica-se com o botão direito do
O ATPDraw possui uma fonte trifásica pronta (

). Contudo, para este exemplo básico, serão


utilizadas três fontes monofásicas defasadas de 120° (

). A partir disso, todos os elementos são


dispostos conforme apresentado na Figura 13.

Figura 13 - Disposição dos elementos do exemplo básico.


Figura 12 - Menu de acesso rápido aos elementos básicos do
ATP.

Assim, todos os circuitos são dispostos de acordo


A conexão entre os componentes é feita clicando-
com o circuito foco desse capítulo. Em qualquer
se com o botão esquerdo do mouse no ponto de
momento, pode-se efetuar a cópia de um elemento
conexão do componente e levando até o ponto de
previamente colocado no arquivo, selecionando-o
outro componente (simbologia dos pontos de
com o botão esquerdo do mouse e efetuado o
conexão, ). Salienta-se que o ATP não apresenta
processo de copiar (CTRL+C ou ) e colar (CTRL+V atalhos ou outro método para realizar os
ou ). Além disso, pode-se simplesmente utilizar o procedimentos de conexão, tornando o processo de
elaboração de circuitos praticamente manual.
comando copiar + colar (CTRL+D ou ).
Uma vez conectados os componentes conforme
O usuário possui ainda alternativas durante a
exposto na Figura 5, temos a seguinte configuração:
elaboração de um circuito em um determinado
projeto. Pode-se destacar a função de recortar
por exemplo. Além disso, funcionalidades como
desfazer e refazer também são de grande
utilidade.

Voltando ao exemplo proposto nesse capítulo, os


demais componentes do circuito podem ser
adicionados em “Exemplobásico.acp” através dos
mesmos procedimentos explicados anteriormente. Figura 14 - Circuito do exemplo básico no ATP.

Salientamos que na última versão do ATPDraw


(5.7p6) o processo acima comentado foi melhorado e
facilitado através de uma nova metodologia de acesso O próximo passo é definir os parâmetros dos
aos elementos básicos. Por exemplo, diversos tipos de elementos do circuito. Para definir as grandezas dos
fontes (monofásica, trifásica, corrente, tensão, etc.) componentes, deve-se clicar duas vezes com o botão
podem ser acessados no mesmo menu de esquerdo do mouse sobre o elemento. Uma janela é
configuração de parâmetros do elemento AC Source aberta onde se podem modificar os atributos dos
(1&3). Isso será explicado mais detalhadamente nos componentes.
próximos passos.
Nas definições das grandezas dos condutores Por exemplo, ao clicarmos em Help na janela de
resistivos de 0,02Ω a seguinte janela de configuração configuração do resistor, os seguintes dados e
estará presente (Figura 15): explicações são apresentadas em um bloco de notas:

NAME: RESISTOR

CARD: BRANCH

DATA: RES = RESISTANCE IN OHM

NODE: FROM= START NODE OF RESISTOR

TO = END NODE OF RESISTOR

RULEBOOK: IV.A

A informação RuleBook fornece o local onde são


encontradas todas as informações relativas ao
elemento, no diretório do ATP na Internet e no livro
Figura 15 - Definições das grandezas do resistor.
de regras.

Durante a configuração dos parâmetros dos


Em VALUE, digita-se o valor desejado de indutores, ao clicarmos no Help, existe uma
resistência. Na caixa Output, pode-se escolher ter no informação de grande importância relacionada com o
arquivo de saída (entenda plotagem) os valores de parâmetro Xopt. como pode ser visto abaixo:
tensão, corrente, potência ou energia associados ao
elemento como pode ser verificado a seguir (Figura
16): DATA: L= INDUCTANCE IN M H IF XOPT.=0

INDUCTANCE IN OHMS IF XOPT.=POWER FREQUENCY

XOPT. IS SET IN MENU : ATP| SETTINGS /SIMULATION.

Pode-se notar que o valor do indutor deve ser


colocado em mH se Xopt. = 0 e em Ω se Xopt. =
frequência do sistema. Para ajustar esse parâmetro,
Figura 16 - Possibilidades de saída de arquivo. deve-se acessar “Settings” no menu ATP conforme
apresentado pelas Figura 17 e Figura 18.

O botão Help fornece


informações imprescindíveis da maneira como devem
ser inseridos os atributos de cada elemento.
Aconselha-se que o usuário sempre verifique Figura 17 - Acesso ao “Settings”.
cuidadosamente o Help e as respectivas informações
disponibilizadas para cada elemento. Assim, possíveis
erros de configuração são evitados.
Figura 19 - Novas funcionalidades na versão 5.7p6.

Outro procedimento importante é a nomeação dos


nós para que depois seja mais fácil trabalhar e analisar
os dados de saída. Para nomear um nó basta clicar
duas vezes com o botão esquerdo do mouse em um
e atribuir um nome (marque a opção “Name on
Screen” se desejar que os nomes dos nós sejam
visíveis na tela de projeto).

Figura 18 - Menu "Settings...".

Aconselha-se que Xopt. = 60 Hz (frequência do


sistema) para que o valor da indutância possa ser
introduzido em Ω como é apresentado neste capítulo.
Para os valores de carga vamos definir R = 7 Ω e L =
17,32 Ω.

No que tange às fontes de alimentação, no menu


Help podem ser encontradas informações de como os Figura 20 - Atribuindo um nome a um nó.

valores devem ser inseridos na janela de parâmetros


das fontes de alimentação. Por exemplo, AmplitudeA
corresponde ao valor de pico da onda de tensão, ou Abaixo seguem possíveis nomes dos nós para o
seja, 220 𝑉 × √2 = 311 𝑉. Para criar um sistema circuito do “Exemplobásico.acp” (atenção - evite
trifásico de 380 V, as três fontes de tensão são nomes com letras minúsculas).
defasadas de 120° cada, ajustando o parâmetro
PhaseAngleA. Os tempos de funcionamento da fonte
também podem ser definidos através dos parâmetros
StartA (tempo de início de funcionamento) e StartB
(tempo de saída de funcionamento).

Na nova versão do ATPDraw (5.7p6), algumas das


janelas de parâmetros foram melhoradas.
Especificamente no caso das fontes de alimentação,
por exemplo, foram adicionadas diversas opções de
Figura 21 - Nomes atribuídos aos nós do circuito.
configuração (veja na figura abaixo). Dessa maneira,
para esse elemento, o processo de configuração
tornou-se menos massivo como era em versões
Neste capítulo básico, nos contentaremos
anteriores (no caso, cópia e colagem de elementos
simplesmente com as formas de onda de tensão e
entre o arquivo do projeto e “All.acp”).
corrente do exemplo proposto como resultado final.
Para tanto, a leitura dos sinais deve ser realizada
através de componentes do ATP que representam o
Finalmente, para efetuarmos a simulação é
necessário ajustar novamente os parâmetros no menu
amperímetro ( ) e o voltímetro ( ou ), os “Settings” como o tempo de simulação, o passo de
quais podem ser encontrados clicando com o botão simulação e a frequência do sistema. Segue a
direito do mouse e selecionando os elementos Probe explicação de alguns parâmetros encontrados no
Volt e Probe Curr respectivamente no menu Probes & menu e evidenciados na Figura 18:
3-phase (veja a Figura 22). Além disso, o mesmo
resultado é obtido através do procedimento de cópia
e colagem de elementos do arquivo “All.acp”.
Delta_T = Passo de simulação;

Tmax = Tempo máximo de simulação;

Simulation type = Indica as possibilidades de


simular no tempo, na frequência e na análise de
harmônicas.

Para o exemplo básico deste capítulo, vamos


definir os valores de Tmax e Delta_T como 0,15 e 10-3
(1E-3) respectivamente.

Após os passos explicados acima, a simulação pode


ser realizada através do menu ATP e, em seguida,
clicando-se em run ATP (Figura 24). Uma tela no
padrão DOS irá aparecer mostrando o progresso da
simulação. Quando a simulação do circuito for
concluída, a seguinte mensagem irá aparecer na tela:
“Hit any key to close this window”. Em seguida, basta
Figura 22 - Acesso ao elemento "Probe Volt".
pressionar a tecla Enter para fechar a janela.

Se desejarmos medir a tensão e a corrente na


saída da fonte e na entrada da carga, a seguinte
configuração deve ser implementada no
“Exemplobásico.acp”:

Figura 24 - Iniciando uma simulação no ATP.

Se nenhum erro ocorrer, podemos seguir para a


análise dos sinais. O ATPDraw possui um visualizador
previamente instalado em seu sistema que pode ser
acessado através do menu ATP e, em seguida,
clicando-se em run Plot como pode ser visto na Figura
25.

Ao executá-lo são visualizados todos os sinais de


Figura 23 - Configuração final do exemplo básico.
tensão e corrente correspondentes aos medidores
dispostos no circuito do exemplo básico (veja a Figura
26).
Figura 25 - Acessando Plot.

Figura 27 - Acesso à ferramenta PlotXY.

Figura 26 - Análise dos sinais no visualizador básico do ATPDraw.

O visualizador básico do ATPDraw de sinais não


possui uma apresentação amigável. Aqui referimos
que não é possível mudar as cores dos gráficos,
visualizar os eixos de coordenadas e outras
funcionalidades de interesse em um momento de
análise e estudo dos dados por exemplo. Por isso,
aconselha-se utilizar a ferramenta PlotXY. Essa
ferramenta apresenta várias vantagens ao
compararmos com as demais e será utilizada como a
ferramenta padrão de plotagem durante o decorrer
de todo o curso.

Para executar a ferramenta PlotXY após as


simulações do ATP serem finalizadas, clique em
PlotXY no menu ATP conforme ilustrado na Figura 27.
Ao executá-lo são visualizados todos os sinais de
tensão e corrente correspondentes aos medidores em
um menu chamado Variables, além de outras
funcionalidades (veja a Figura 28).

Figura 28 - Janela de saída do PlotXY para o exemplo básico.


Selecionando, por exemplo, a tensão e a corrente Ainda sobre o PlotXY, pode-se destacar algumas
da fase A na entrada da carga (sinais v:XX0004 e c:va) funcionalidades simples de cálculo presentes na
presentes no menu Variables, essas serão destacadas ferramenta. Essas são encontradas logo acima das
na aba Plot1 do PlotXY já em cores diferentes abas e correspondem as funções de soma, de
(vermelho e verde no caso). Dependendo da subtração, de multiplicação e de integração de sinais
complexidade da simulação e do número de dados a (veja a figura abaixo). Para utiliza-las o usuário deve
serem analisados, o usuário pode preferir analisar os clicar em algum determinado sinal, em seguida clicar
gráficos em diferentes janelas. Para tanto, os sinais de na operação desejada e, após isso, clicar no outro
saída podem ser distribuídos em cinco abas (de Plot1 sinal que deseja realizar a soma, a subtração ou a
até Plot5). Dessa maneira, os sinais em cada aba multiplicação (aqui os sinais são encarados como
corresponderão a janelas de saída do PlotXY. operadores). Para a operação de integração, basta
Especificamente, para o exemplo deste capítulo, selecionar o sinal e clicar no símbolo da integral.
apenas uma única aba é suficiente. As figuras abaixo
destacam as abas comentadas, os sinais selecionados
na aba Plot1 e as janelas de saída do PlotXY para os
sinais desejados.
Figura 32 - Operações básicas de cálculo do PlotXY.

Outra funcionalidade de grande importância em


Figura 29 - Sistemas de abas do PlotXY. trabalhos de Engenharia é a extração de dados do
PlotXY gerados pelo ATP como uma matriz de dados
(.mat) para posterior uso no MATLAB por exemplo.
Para tanto, basta selecionar as variáveis desejadas e

clicar no botão “Save variables...” ( ) localizado


na parte inferior da janela do PlotXY (verifique na
Figura 28). Em seguida, uma janela para escolha de
diretório é mostrada (Figura 33). Nela deve-se
escolher o diretório em que se deseja salvar as
variáveis, atribuir um nome (“Exemplobásico”, por
Figura 30 - Sinais selecionados na aba Plot1. exemplo) e selecionar na caixa de opção de salvar
como a extensão do MATLAB (.mat).

350,0 Portanto, nesse capítulo foi abordada uma visão


262,5
geral dos conceitos iniciais de projeto no ATP. Através
de um exemplo básico de um circuito elétrico trifásico
175,0
(Figura 5) um simples fluxo de projeto foi explicado e
87,5
finalizado. Etapas de elaboração do circuito no
0,0
ATPDraw, configurações de simulação, plotagem e
-87,5
outras funcionalidades foram explicadas.
-175,0

-262,5
Este capítulo é imprescindível à familiarização do
usuário com os padrões de simulação do ATP e suas
-350,0
0,00 0,03
(f ile Exemplobásico.pl4; x-v ar t) v :XX0004
0,06
c:VA -XX0001
0,09 0,12 [s] 0,15
ferramentas adicionais. Nos próximos capítulos, os
conceitos aqui utilizados serão utilizados
Figura 31 - Gráfico dos sinais de tensão e corrente na fase A do
intensivamente.
exemplo básico.
Figura 33 - Salvando os sinais como uma matriz de dados para o
MATLAB.
INTERMEDIÃRIO
fontes de frequência variável, projetos com respostas
não lineares, desenvolvimento de novos modelos
(resistência de um arco elétrico, por exemplo) e a
simulação de sistemas mecânicos e eletromecânicos
estão entre os principais destaques dos TACS.
Objetivo principal deste capítulo é o estudo dos
No ATP, o processamento dos TACS ocorre através
TACS (Transient Analysis of Control Systems). TACS de um método diferente e separo dos sistemas
são módulos de simulação para análises no domínio elétricos estudados anteriormente (analise a Figura
do tempo de sistemas de controle. Inicialmente,
35). Basicamente, o ATP analisa o sistema
foram introduzidos no ATP durante o ano de 1976 e
desenvolvido e processa os TACS para cada intervalo
tinham como objetivos a modelagem de conversores de tempo. Por conseguinte, é importante que o
de corrente contínua e alta tensão e, também,
usuário tenha a noção que esse processo introduz
modelar interações entre os transientes do sistema e
atrasos no processamento de resultados.
os sinais de controle. Atualmente, como pode ser
visto através de alguns módulos na Figura 34, os TACS
são representados no ATPDraw como blocos de sinais
e funções de sistemas de controle (bem como,
variáveis, constantes, entre outros). Sistema Medidas
TACS
Elétrico
Sinais de controle

Figura 35 - Relação entre os TACS e o projeto no ATP.

No que tange ao formato, os TACS foram


desenvolvidos com o ponto de vista de reproduzir
diagramas de blocos no domínio de Laplace. Ademais,
os nomes de variáveis e sinais estão limitados em seis
caracteres e podem ser programadas pequenas
expressões em FORTRAN. A interface com o ATPDraw
realiza-se da mesma maneira como ocorreu nos
capítulos anteriores. Contudo, aconselha-se ao
usuário que não utilize em excesso conexões entre
componentes através de linhas (ou pelo menos
Figura 34 - Alguns módulos TACS presentes no ATPDraw.
busque limitar o uso). Utilize nomes de variáveis ao
invés disso para realizar as conexões entre os
componentes. Se utilizar esse processo, quando rodar
pela primeira vez o arquivo “.acp”, serão geradas
De modo geral, TACS podem modelar sistemas de
mensagens de aviso sobre nomes duplicados (não se
controle como o controle “bruto” e o sistema de
preocupe!).
excitação de um gerador; controlar loops para
conversores elétricos de potência; inicializar circuitos TACS possuem algumas variáveis pré-definidas
da área de Eletrônica de Potência; e o acionamento de como pode ser verificado abaixo com as suas
relés por exemplo. Além disso, podem monitorar e respectivas descrições:
pós-processar variáveis com aplicações diversas nas
áreas de filtros digitais e analógicos; cálculo de
potências ativa e reativa; cálculo do torque e do fluxo
ZERO = 0.0
de motores; entre outras. Ainda, aplicações com
MINUS1 = - 1.0

UNITY = PLUS1 = 1.0 Tipo 24 ( ) = Rampa (amplitude aumenta em


rampa até um valor pré-definido pelo usuário e o sinal
PI = constante do compilador de FORTRAN para o
repete-se em intervalos configurados).
número π.

Pode-se também definir funções de transferência


As fontes TACS (acessadas como mostra a Figura com os TACS através de polinômios no domínio de
36) de uso definido pelo usuário são utilizadas como
Laplace com o seguinte formato:
entradas para os blocos TACS ou como controle de
fontes TACS da malha do sistema. Bem como ocorre 𝐺(𝑠) =
com as fontes disponíveis do sistema elétrico de 𝑁0 + 𝑁1 𝑠 + 𝑁2 𝑠 2 + 𝑁3 𝑠 3 + ⋯ + 𝑁𝑚 𝑠 𝑚
= 𝐺𝑎𝑛ℎ𝑜
potência, o usuário define os tempos de início e fim. 𝐷0 + 𝐷1 𝑠 + 𝐷2 𝑠 2 + 𝐷3 𝑠 3 + ⋯ + 𝐷𝑚 𝑠 𝑚

O bloco responsável (General - ) pela


representação das funções de transferência encontra-
se através do menu representado na figura abaixo:

Figura 36 - Acesso aos componentes TACS do ATP.

Existem quatro fontes TACS:

Tipo 11 ( ) = Fonte de corrente contínua


(chamada de Level Signal no RuleBook);
Figura 37 - Acesso ao bloco General (função de transferência
genérica).

Tipo 14 ( ) = Fonte de corrente alternada


(cosseno);
Os atributos do bloco General podem ser
configurados clicando-se duas vezes sobre o símbolo
do mesmo no ATPDraw. A janela representada através
Tipo 23 ( ) = Pulso (fonte alternante entre 0.0 e da Figura 38 aparecerá e a equação de transferência
um valor pré-definido pelo usuário); pode ser moldada com a sua visualização na parte
inferior da janela. Os valores são atribuídos na tabela
da esquerda e atualizados automaticamente na
equação resultante (veja abaixo).  Operadores matemáticos: + (soma ), -

(subtração ), * (multiplicação

), / (divisão ) e ** (exponencial
);

 Operadores relacionais (saídas podem ser 0.0

ou 1.0): .EQ. (igual ), .NE. (diferente),


.LT. (menor que), .LE. (menor ou igual que), .GE.

(maior ou igual que ), .GT. (maior que

Figura 38 - Configurando os atributos de uma equação de


transferência. );

Outra funcionalidade de grande interesse dos TACS Seguem abaixo resumidamente algumas funções
é a utilização de pequenas expressões em FORTRAN. suportadas pelo ambiente (apenas para
Como pode ser verificado na Figura 39, existe uma conhecimento, para informações detalhadas
gama variada de funções matemáticas, lógicas, entre aconselha-se o usuário acessar o arquivo “All.acp” e
outras disponíveis no ATPDraw. verificar os blocos pré-existentes e suas respectivas
ajudas – Help).

 SQRT, ABS, EXP, LOG e LOG10;


 SIN, COS, TAN e COTAN;
 ASIN, ACOS e ATAN;
 SINH, COSH e TANH;
 TRUNC, MINUS e INVRS;
 RAD, DEG e NOT;
 SIGN;
 SEQ6, RAN.

Com o conhecimento básico das sintaxes do


FORTRAN e expressões comentadas anteriormente,
pode-se também adicionar expressões personalizadas
Figura 39 - Funções em FORTRAN presentes no ATP.

através do bloco General (FORTRAN1 no


RuleBook) do FORTRAN statements. Se o usuário
Destacam-se dentre as funções e blocos presentes: acessá-lo através de dois cliques sobre o símbolo, a
seguinte janela aparecerá:
O modelo puramente elétrico é projetado
conforme procedimentos explicados no capítulo
BÁSICO. Os dados do projeto são:

Fonte de alimentação = 10 V (CC);

Resistência = 5,0 Ω;

Indutância = 10,0 mH;

Capacitância = 100,0 μF;

Além disso, é utilizada uma chave controlada por


Figura 40 - Janela do General (FORTRAN1).
tempo ( - presente no menu
Switches/Switch Time Controlled) com tempo de
Dessa maneira, podemos adicionar expressões em fechamento e abertura especificados em 0,0001 e 1
FORTRAN na caixa de entrada presente na parte segundos respectivamente.
inferior da janela do General. Por exemplo, pode-se
Segue a modelagem e a tensão de saída (VLC) até 10
adicionar uma expressão do tipo:
microssegundos desenvolvida no ATPDraw:

SQRT(ABS(INVRS( VARIÁVEL DE INTERESSE)))

A programação em FORTRAN no ATP possui


algumas limitações também. Expressões do tipo
SQRT(A**2+B**2) não são permitidas. Além disso,
não são permitidas funções como GOTO, IF, DO,
SUBROUTINE ou FUNCTION (ao invés disso, serão
Figura 41 - Modelagem de um circuito RLC com componentes
utilizadas rotinas do MODEL’s que serão estudadas no elétricos do ATP.
capítulo AVANÇADO).

Para contextualizarmos os conceitos sobre TACS


15
aprendidos até o momento, realizaremos uma
[V]
comparação entre a modelagem de circuito elétrico
12
RLC através de componentes elétricos padrões do ATP
e através de uma modelagem pura em TACS. Os dois 9

principais objetivos do problema proposto são:


6

3
 Comparar as respostas da tensão de saída dos
circuitos desenvolvidos em TACS com os 0
0 2 4 6 8 [ms] 10
desenvolvidos através de componentes (f ile CircuitoRLC.pl4; x-v ar t) v :VLC

elétricos normais;
Figura 42 - Tensão de saída do circuito RLC em Volts até 10
 Comparar e visualizar o atraso acrescentado microssegundos.
pelo processamento das TACS pelo ATP.
O modelo desenvolvido em TACS do circuito RLC de transferência que correspondem ao circuito RLC.
proposto precisa ser suprido pelos dados da tensão de Desse modelo sairá o sinal de tensão do circuito.
alimentação do modelo elétrico original. Através da
resposta desses aplicados em modelos do circuito O sinal de tensão retirado do ponto VLC (veja a
proposto no domínio da frequência, poderá ser Figura 43) será processado por uma simples função
realizada a comparação alvo do exemplo. 𝐺(𝑠) = 1⁄1 e analisado por um voltímetro. Ou seja, o
sinal de tensão é simplesmente repassado para
O usuário nesse momento deve entender que este sistema TACS (um voltímetro manualmente
exemplo é meramente ilustrativo e comparativo. Em construído no ATPDraw digamos). Dessa maneira,
projetos e aplicações reais, os TACS lidam com sinais poderemos analisar o atraso introduzido pelo ATP ao
de controle e necessitam adquirir variáveis dos compararmos o sinal simplesmente retirado do
modelos elétricos de sistemas para realizarem suas sistema com o sinal processado através de funções de
operações de análise e controle. Nesse raciocínio, transferência.
destaca-se a utilidade do exemplo proposto.
O sistema comentado acima é simplesmente
Para conectarmos o sistema de TACS com o criado conforme a figura abaixo ilustra.
modelo elétrico e retirarmos os sinais de tensão e
corrente comentados, utilizaremos conectores

chamados de Circuit Variables (a simbologia é eo


nome no RuleBook é EMTP_OUT). Esses possuem a
função de converter os dados “elétricos” em dados
“TACS”. A figura abaixo ilustra as duas conexões
necessárias com o modelo elétrico para o
funcionamento do modelo em TACS. Os conectores
são do tipo 90 extraem a tensão no ponto de conexão
do modelo elétrico (verifique o Help do componente
para maiores informações).

Figura 44 - Processamento do sinal de tensão retirado do ponto


VLC.

O sistema é elaborado através de uma função de


transferência 𝐺(𝑠) = 1⁄1 configurada em um bloco
General (veja a configuração da função de
transferência em Figura 45). Além disso, são utilizados
um voltímetro (probe de tensão), uma resistência
“infinita” e uma fonte TACS controlada do tipo 60 (

Figura 43 - Conectores presentes no modelo elétrico.


). Utilize um valor exagerado para a resistência e
limite o tempo de início e de fim da fonte em 0 e 10
segundos respectivamente. Essa fonte tem por
O sinal de tensão retirado do ponto VSRC (veja a função, simplesmente repassar os dados de tensão
Figura 43) será introduzido em um modelo de funções
em TACS para valores elétricos reconhecíveis pelo Nesse ramo, o circuito elétrico é modelado através
voltímetro. de duas funções de transferência em blocos General.
Uma é destinada para o cálculo da corrente
(FTCorrente). Então, o resultado é repassado para o
cálculo final da tensão (FTTensão). Ambas as funções
são descritas abaixo:

0,0001𝑠
𝐺(𝑠)𝐹𝑇𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 =
1 + 0,0005𝑠 + 10−6 𝑠 2

1
𝐺(𝑠)𝐹𝑇𝑇𝑒𝑛𝑠ã𝑜 =
0,0001𝑠

Ademais, um probe TACS é utilizado no final do


ramo para retirar o valor de VOUT diretamente do
sistema TACS. Finalmente, segue abaixo o circuito
final para o exemplo proposto:
Figura 45 - Configuração da função de transferência da saída
LDEL.

Agora já possuímos o ramo do circuito em TACS


responsável por capturar a tensão de saída do circuito
sem um prévio processamento e cálculos
representativos do circuito. Dessa maneira, sem
atrasos incluídos pelo processamento em TACS.

O sistema elaborado para o ramo do circuito do


sinal de tensão retirado de VSRC é elaborado
conforme ilustrado abaixo:

Figura 47 - Modelagem final em TACS de um circuito RLC.

Para realizarmos as comparações comentadas na


proposta desse exemplo, é necessário plotar e
analisar LDEL e VOUT como pode ser verificado nas
próximas figuras.

Figura 46 - Ramo do circuito para o sinal de tensão retirado em


VSRC.
15 9,3289

[V]
9,3267
12

9,3245
9

9,3223

6
9,3201

3
9,3180

0 9,3158
0 2 4 6 8 [ms] 10 2,7758 2,7766 2,7774 2,7782 2,7790 2,7798 [ms] 2,7805
(f ile CircuitoRLC.pl4; x-v ar t) v :LDEL (f ile CircuitoRLC.pl4; x-v ar t) t: VOUT v :LDEL

Figura 48 - Resposta de LDEL. Figura 51 - Zoom específico em um determinado ponto da figura


anterior para destacar o atraso.

15

Imediatamente verifica-se através das Figura


12 48Figura 49Figura 50 que os modelos elétrico e TACS
apresentam o mesmo comportamento característico
9
de um circuito RLC. Contudo, um atraso na faixa de
0,002 segundos aproximadamente está presente
6
como já era esperado devido ao processamento dos
3
TACS.

O próximo exemplo utiliza o bloco RMS disponível


0
0 2
(f ile CircuitoRLC.pl4; x-v ar t) t: VOUT
4 6 8 [ms] 10
no ATPDraw para calcular o valor RMS de um sinal.
Uma vez que o bloco RMS disponível calcula o valor
Figura 49 - Resposta de VOUT.
RMS de apenas uma fase, quando for preciso calcular
o valor RMS das três fases, será preciso inserir três
blocos RMS, ou seja, um em cada fase. De modo a
15
facilitar esse processo, será explicada uma maneira de
criar um bloco RMS trifásico.
12

No ATPDraw, o bloco RMS é chamado de RMS


9
meter – 66. Esse elemento localiza-se na opção
Devices do menu TACS como evidenciado pela Figura
6
52. Para esse exemplo, ainda necessitaremos inserir
3 uma fonte monofásica (AC Type 14) e um resistor.

0
A Figura 53 mostra como devem ser dispostos os
0 2 4 6 8 [ms] 10
(f ile CircuitoRLC.pl4; x-v ar t) t: VOUT v :LDEL componentes destacados anteriormente. Como não é
possível conectar uma fonte diretamente ao bloco
Figura 50 - Respostas de LDEL (verde) e VOUT (vermelho) em um
mesmo gráfico.
RMS, um resistor é utilizado.

O bloco RMS realiza a soma de todas as entradas e


calcula o valor RMS dessa soma. Caso se tenha apenas
uma entrada, como é o caso do exemplo, conecta-se o
sinal de entrada em qualquer um dos terminais de
entrada, deixando os outros livres.
 IN5 = nome do nó (se não for especificado, o
que é o caso, o ATP atribuirá nomes padrões
aos nós);
 Tipo = pode ser:

Output = terminal de saída;

Positiv = terminal de entrada com sinal positivo;

Negative = terminal de entrada com sinal negativo;

Disconnected = terminal de entrada desconectado


(somente é necessário se o nome do nó for
especificado. Caso contrário, é possível deixar os
terminais não utilizados abertos).

Figura 52 - Acesso ao elemento RMS meter - 66.


Para o correto funcionamento do bloco RMS, todos
os nós devem ser configurados como Disconnected,
menos o nó onde o sinal de entrada está conectado,
que deve ser configurado como Positiv.

Clicando duas vezes sobre o bloco RMS aparecerá


a janela de configurações do elemento como
mostrado na Figura 55.

Figura 53 - Disposição dos componentes para o bloco RMS


trifásico.

Clicando com o botão do mouse sobre os terminais


aparecerá uma janela como é ilustrado na figura
abaixo. Nesse caso, clicou-se no terminal de entrada
número 5, por isso IN5 aparece na figura.

Figura 55 - Janela de configurações do bloco RMS.

Existem dois parâmetros para serem ajustados:


Figura 54 - Exemplo de configuração dos nós do bloco RMS.

Type = pode receber três valores distintos: 88 –


Os parâmetros que aparecem na Figura 54 podem interno; 98 – saída; e 99 – entrada (valor que deve
ser especificados como: ser utilizado para esse exemplo).
Freq = deve ser igual à frequência do sinal de 350,0

entrada. Será mantida em 60 Hz. 262,5

175,0

87,5

Agora, é preciso configurara fonte de entrada e o 0,0

resistor. Essa etapa já foi explicada em exemplos -87,5

anteriores. Deve-se clicar duas vezes sobre os -175,0

componentes e alterar os dados na janela de


-262,5
configuração. A fonte de alimentação monofásica
-350,0
deve ser alterada para 311 V, 60 Hz. O resistor deve 0,00 0,02
(f ile blocorms.pl4; x-v ar t) t: XX0001
0,04
v :XX0006
0,06 0,08 [s] 0,10

ser alterado para 10 Ω.


Figura 57 - Resultado final. Em verde o sinal de tensão e em
Nesse momento, é necessário integrar o bloco vermelho o sinal RMS de saída.

RMS (perceba que é um sistema em TACS) ao circuito


(modelagem em circuitos elétricos) através de um
probe de Circuit Variables/EMTP_OUT configurado Para o modelo trifásico serão inseridos três blocos
como nó de tensão (tipo 90).
RMS e dois slitters. O splitter ( ) encontrado
Para finalizar, é preciso colocar os medidores para na seção de componentes Probes & 3-phase tem a
que se possam analisar os resultados graficamente. finalidade de abrir um circuito trifásico nos seus três
Para se ver os resultados de saída é necessário utilizar condutores ou unir os três condutores. Deve-se
o medidor para TACS (probe TACS) na saída do bloco montar o circuito como o mostrado na figura abaixo.
RMS. Para plotar a tensão de entrada, se pode usar o
medidor convencional (probe volt). Assim, o circuito
final será como o mostrado na Figura 56.

Figura 56 - Circuito final.

Antes de simular, ainda é preciso ajustar os Figura 58 - Primeira etapa do bloco RMS trifásico.
parâmetros de simulação em Settings (no menu ATP).
O passo de simulação (delta T) será considerado como
sendo 10−5 segundos e o tempo máximo de Deve-se, em seguida, inserir os medidores e
simulação como 0,1 segundos. probes necessários para o correto funcionamento do
Finalmente, a simulação pode ser realizada. Abaixo bloco conforme Figura 59.
segue os sinais de tensão (verde) e saída RMS do
bloco (vermelho).
Após o procedimento anterior, aparecerá uma
janela como a mostrada na Figura 61. Nota-se que
todos os componentes que aparecem na Figura 59
estão na lista Objects (à esquerda). Ainda para cada
um desses objetos estão associados dados (data) e
nós (nodes), conforme mostram as setas da Figura 61.

Figura 59 - Circuito com medidores e probes.

Com esse circuito é possível obter os valores RMS


das três fases de um circuito. Porém, para não ser
preciso montar esse circuito sempre que for
necessário calcular o valor RMS das três fases, é
possível agrupar tudo em um único bloco.
Figura 61 - Configuração do processo de compressão.

Deve-se selecionar todo o circuito (além de utilizar


a seleção com o mouse, existem os atalhos ou
CTRL+A) e então clicar em Compress, presente no Então, o que está sendo explicado é a criação de
menu Edit (Figura 60). um único bloco que terá dois terminais como
ilustrado na Figura 59. Porém, os três blocos RMS, os
probes e medidores estarão compactados em um
único bloco e, assim, não se terá mais acesso às
janelas individuais de configuração de cada
componente que estão sendo compactados. Nesse
ponto é que o leitor precisa se perguntar: “O que eu
quero que esteja disponível para o usuário alterar no
meu novo bloco?”. Para o exemplo, a resposta é Type
(88, 98, 99) e frequência de cada bloco RMS.

Devem-se seguir os seguintes passos (destaca-se


que ao selecionar um componente em Objects, o
elemento correspondente é destacado em cor verde
na janela de projetos do ATPDraw):

 Clicar em um dos Device66. Após isso, dois


dados (Type/99 e Freq./60) e seis nós estarão
disponíveis (OUT, IN1, IN2, IN3, IN4, IN5);
 Adicionar os dois dados ao grupo através da

flecha que aponta para a direita ( ). Esses


dados aparecerão na coluna "Added to group”;
 Realizar o mesmo procedimento para os outros
dois Device66’s;
 Adicionar ao grupo os nós IN de cada splitter.
Figura 60 - Acesso ao comando Compress.
Após os procedimentos destacados acima, a janela O próximo passo é configurar a pinagem das
de configuração da compressão ficará da seguinte entradas e saídas do bloco final. Na janela de
maneira: configuração da compressão há um quadrado com
doze terminais (destacado na Figura 64), sendo que
qualquer um desses terminais pode ser as entradas e
saídas do bloco que está sendo criado.

Figura 64 - Configurando a pinagem do novo bloco.


Figura 62 - Adicionando dados e nós ao grupo.

O novo bloco terá dois terminais, um de entrada


Nota-se que os dados e nós que foram adicionados pelo qual entrará o sinal de tensão e um de saída pelo
ao grupo possuem nomes repetidos. Se não for qual sairá o valor RMS. O terminal 2 será escolhido
alterado, a janela de configuração do novo bloco irá como terminal de entrada e o 8 como terminal de
mostrar apenas um “Type” e uma “Freq.”. Como se saída. Para realizar isso, clica-se no nó IN (já
quer ter acesso à configuração dos três blocos RMS, é adicionado ao grupo) e escolhe-se a posição 2. Depois,
preciso alterar esses nomes. Isso é feito clicando duas clica-se no nó OUT (já adicionado ao grupo) e escolhe-
vezes sobre cada um dos nomes. Após a alteração dos se a posição 8.
nomes, chega-se a figura abaixo.
Se todos os procedimentos foram realizados
conforme descrito aqui, clique em OK e o novo bloco
estará pronto e aparecerá na janela de projetos do
ATPDraw conforme Figura 65.

Figura 65 - Novo bloco RMS trifásico.

Caso se queira refazer o bloco, alterando algum


parâmetro que ficou errado, não é necessário
redesenhar o circuito. É possível descompactar o
bloco clicando-se em Extract no menu Edit (não faça
isso se quiser realmente alterar algo. Se o fizer, terá
que começar o processo de compactação desde o
início).

Figura 63 - Janela de configuração da compressão com destaque


aos elementos adicionados ao grupo após mudanças de nomes.
Clicando-se duas vezes sobre o novo bloco, Para testarmos o novo bloco insira em um novo
aparecerá a janela de configuração do elemento como projeto os seguintes componentes: uma fonte de
evidenciado na Figura 66. tensão alternada trifásica, um bloco RLC trifásico, o
bloco RMS trifásico criado anteriormente (copiar) e
um medidor de tensão (ajustar para medir as três
fases). Monte o circuito conforme a ilustrado abaixo.

Figura 69 - Circuito para testar o bloco RMS.

Figura 66 - Janela de configuração do bloco RMS trifásico. A fonte de tensão será de 311 V, 60 Hz e o bloco
RLC (encontrado em Branch Linear/RLC-3-ph) conterá
somente resistores de 10 Ω. Os parâmetros de
Após isso, clicando-se em “Edit definitions” ( simulação delta T e Tmax são 10−5 e 0,1 segundos
respectivamente.
) abrirá uma janela de alteração do
ícone (geralmente em Bitmap) representativo do Rode o ATP e abra o PlotXY. Note que aparecem as
componente como mostrado na Figura 67. Pode-se, tensões e os valores RMS das três fases. Plotando a
por exemplo, escrever “Bloco RMS trifásico” no lugar tensão da fase A juntamente com o valor RMS da fase
das escritas padrões do ATPDraw dentre outras A, obtém-se a Figura 70 que é a mesma Figura 57
funcionalidades (Figura 68). (caso monofásico) validando o modelo.

350,0

262,5

175,0

87,5

0,0

-87,5

-175,0

-262,5

-350,0
0,00 0,02 0,04 0,06 0,08 [s] 0,10
(f ile blocormstri.pl4; x-v ar t) t: X0002A v :X0001A

Figura 70 - Resposta do bloco RMS trifásico.


Figura 67 - Janela de configuração dos ícones dos componentes.

Portanto, nesse capítulo foi abordada uma visão


geral dos conceitos intermediários de projeto no ATP.
Através de um exemplo de um circuito elétrico RLC
(Figura 5) foi explicada a modelagem de componentes
Figura 68 - Uma das possíveis mudanças no ícone do novo bloco. em TACS. Etapas de elaboração do circuito no
ATPDraw, configurações de simulação, plotagem e
outras funcionalidades foram explicadas.

Um segundo exemplo envolvendo o cálculo do


valor RMS englobou conhecimentos de TACS e o
desenvolvimento de novos blocos no ATPDraw.
EXEMPLOS
Dessa maneira, o estudo desse fenômeno torna-se
de grande importância para a correta parametrização

DIVERSOS
dos relés de proteção.

Essa característica dos bancos de capacitores pode,


de maneira bastante fácil, ser simulada no software
ATP.

Serão apresentados e explicados a seguir exemplos A figura abaixo apresenta o circuito esquemático
relacionados com problemas de interesse na área de de uma banca de capacitores de 900 kVAr conectada
Sistemas Elétricos de Potência. em estrela não aterrada em um alimentador elétrico.

Para todos os exemplos, os valores que devem ser


parametrizados em Settings correspondem aos
apresentados na Figura 71.

Em todos os exemplos serão utilizadas as fontes


tipo AC Source (1&3) e a cargas serão formadas por
componentes RLC.

Figura 72 - Circuito esquemático de um banco de capacitores.

As figuras abaixo apresentam as telas de


parametrização dos dispositivos presentes no circuito
a ser simulado.

Figura 71 - Configuração do Settings para os exemplos do


capítulo.

Energizaçao de
Banco de Capacitores

Uma das grandes dificuldades que os engenheiros


de proteção enfrentam no estudo da coordenação e
seletividade são os transitórios na rede. Como
exemplo desse fenômeno, pode-se citar a energização Figura 73 - Tela de configuração da fonte VA.
de bancos de transformadores em redes de
distribuição. Esses equipamentos quando colocados
em operação podem sensibilizar os relés nas As fontes VB e VC irão ter a mesma parametrização
subestações ou os religadores ao longo da rede. de VA apenas substituindo o campo Pha por 240 e
120, respectivamente.
Figura 74 - Tela de configuração das cargas a montante do Banco Figura 78 - Tela com a parametrização da carga (ZC2) a jusante
de Capacitores (ZC1). do banco de capacitores.

Após os ajustes explicados acima, a simulação


pode ser realizada através do menu ATP e, em
seguida, clicando-se em run ATP. Se nenhum erro
ocorrer, a análise dos sinais de corrente pode ser feita
através da ferramenta PlotXY.

A figura abaixo apresenta a tela da ferramenta


PlotXY com a corrente das três fases do alimentador.
Pode-se observar que no instante 0,025 segundos, no
Figura 75 - Tela para parametrização das impedâncias (Zl) do
alimentador elétrico. qual o banco de capacitores é chaveado, ocorre uma
oscilação na amplitude e forma das correntes das três
fases.

Figura 76 - Tela para parametrização das Chaves controladas por


Tempo (t1).

Figura 79 - Sinais de corrente afetados pelo chaveamento do


banco de capacitores.

Figura 77 - Tela para parametrização dos capacitores ©.


Energizaçao de
Transformadores
(correntes de Inrush)

Outro equipamento no sistema elétrico de


potência que provoca transientes na rede são os
transformadores de tensão. Esses equipamentos
quando energizados provocam picos de corrente que
podem chegar a sete vezes a corrente nominal do
equipamento. Ao aumento da corrente provocada
pela energização desses equipamentos dá-se o nome
de Correntes de Inrush.

Esse fenômeno também pode ser simulado, com Figura 81 - Parametrização dos transformadores.
facilidade, no software ATP. A Figura abaixo apresenta
o circuito esquemático de um alimentador elétrico
onde está conectado um transformador com potência Como a Corrente de Inrush é um fenômeno que
nominal de 300 kVA, sem carga e com ligação em ocorre em transformadores devido sua característica
delta no lado primário. magnética, devemos acrescentar uma curva de
magnetização a esse equipamento. Isso pode ser feito
na aba Characteristic nas propriedades do Saturable 1
Phase . A Figura abaixo apresenta os dados de uma
curva típica para ser inserida no transformador.

Figura 80 - Esquemático do exemplo.

Como pode ser visto na figura acima, o


transformador trifásico é formado por um banco de
transformadores monofásicos. Para simular o efeito
da corrente de Inrush, o transformador a ser utilizado
é o monofásico saturável (Saturable 1 Phase).

A figura abaixo apresenta os dados que devem ser A parametrização dos outros elementos do circuito
inseridos na parametrização dos transformadores é idêntica às realizadas no Exemplo 1 – Energização de
monofásicos. Banco de Capacitores.
Após os ajustes explicados acima, a simulação disso, pode existir fluxo remanescente no núcleo do
pode ser realizada através do menu ATP e, em TC, causando o fenômeno da saturação mais
seguida, clicando-se em run ATP. Se nenhum erro rapidamente. Um TC saturado produz significante
ocorrer, a análise dos sinais de corrente pode ser feita distorção na forma de onda da corrente secundária.
através da ferramenta PlotXY conforme a figura Essa distorção pode implicar na má operação de relés
abaixo. de proteção, pois os mesmos baseiam-se no valor
RMS da corrente secundária do TC.

Dessa maneira, o estudo do comportamento dos


TCs em diversas condições de operação é muito
importante para os sistemas de proteção.

O Software ATP permite a simulação do


comportamento de qualquer modelo de
transformador de corrente, bastando apenas
conhecer a curva de magnetização do seu núcleo.

A Figura abaixo apresenta o circuito que deve ser


implementado no ambiente ATP para simulação do
efeito da saturação em transformadores de corrente.

Como se pode perceber, no instante 0,025


segundos existe um pico de corrente ocasionado pela
energização do transformador. A amplitude dessa
elevação na corrente está relacionada diretamente a
potência nominal do transformador. Quanto maior
sua capacidade, maior será seu impacto na corrente
vista pela subestação.

O transformador utilizado é o Saturable 1 Phase,


pois, como foi mostrado no Exemplo 2, esse bloco
Saturaçao de permite a inserção da curva de magnetização do
núcleo do transformador.
Transformadores de Como se pode observar na Figura acima a fonte de

Corrente tensão é conectada no lado secundário do


transformador e a carga no primário. Essa disposição
se deve ao fato de que os dados da curva de
magnetização são aplicados a bobina primária do
transformador, ou seja, apenas o lado primário sofre o
Os TCs são componentes fundamentais para a efeito da saturação do núcleo. Essa informação pode
proteção do Sistema Elétrico de Potência (SEP), pois ser verificada na Figura abaixo juntamente com os
propiciam o acesso às suas altas correntes por meio dados da curva de magnetização que devem ser
de réplicas reduzidas dos sinais, de forma segura, inseridos.
prática e fiel, permitindo a identificação de curto-
circuito e outras perturbações na rede, e
consequentemente a operação de relés de proteção.

Durante o curto-circuito, as correntes atingem


níveis elevados, podendo conter uma componente
unidirecional (CC) somada à componente alternada, o
que pode causar a saturação do núcleo do TC. Além
Figura 83 - Tela para parametrização da impedância (ZC) da
carga.
As figuras abaixo apresentam os dados que devem
ser inseridos nos componentes do circuito a ser
simulado.

Figura 84 - Tela para parametrização do transformador (TR).

Figura 82 - Tela para parametrização da impedância da linha (Zl).

Figura 85 - Tela para parametrização do transformador (TR).


Depois de salvo, deve-se apagar os dados da curva de
magnetização que está parametrizada no
transformador. Para isso basta acessar a aba
Characteristic do transformador e selecionar os dados
e clicar em Delete conforme figura abaixo.

Figura 86 - Tela para parametrização da fonte.

Para inserir um ponto de aterramento em um nó


basta dar dois cliques no nó desejado e selecionar a
caixa Ground.

Após os ajustes explicados acima, a simulação


pode ser realizada através do menu ATP e, em
seguida, clicando-se em run ATP. Se nenhum erro Feito isto, deve-se salvar o circuito com um nome
ocorrer, a análise dos sinais de corrente pode ser feita diferente do salvo antes de apagar a curva de
através da ferramenta PlotXY conforme a figura magnetização do transformador. Depois de salvo,
abaixo. pode-se rodar a simulação novamente clicando em
ATP e após run ATP.

Após o circuito ter sido simulado, pode-se passar


para análise do sinal com a ferramenta PlotXY. Com a

ferramenta aberta, deve-se clicar no ícone e


depois em LOAD. A pasta que aparece como padrão
contem os arquivos já simulados no ATPDraw. Nessa
tela, deve-se selecionar o arquivo com o mesmo nome
do salvo antes de apagar a curva de magnetização do
transformador. Com os dois arquivos abertos, podem-
se relacionar gráficos de simulações diferentes.

A figura abaixo mostra a corrente no lado da carga


do transformador de corrente antes e depois de
retirar os dados da curva de magnetização do
transformador. Dessa maneira, pode-se perceber a
Como se pode perceber a partir do instante 0,23 s diferença na corrente de um transformador com
o sinal de corrente passa a sofrer distorções que são núcleo saturado (sinal na cor verde) e a corrente no
causadas pela saturação do núcleo do transformador. mesmo transformador se esse não estivesse com o
núcleo saturado (sinal na cor vermelha).
Neste exemplo vamos apresentar outra
ferramenta que pode ser útil na análise se sinais.
Primeiramente se deve salvar o circuito simulado.
Para os engenheiros de proteção o estudo desse
tipo de curto-circuito é crítico, pois a amplitude das
suas correntes, geralmente, é da mesma ordem de
grandeza que as correntes de carga do sistema o que
dificulta o ajuste dos relés. A presença do arco elétrico
é outro fator agravante, pois torna difícil a previsão da
magnitude e forma da corrente de curto-circuito.

Dessa maneira, a simulação computacional desse


tipo de falta tem grande importância, pois possibilita
aos engenheiros de proteção verificar o
comportamento das correntes de curto-circuito e do
arco elétrico nas mais variadas situações.

Modelo de Curto-
As correntes durante faltas de alta impedância
apresentam três características padrões:

circuito de alta a) Distorção da forma de onda: essa distorção é


produzida pela não linearidade da resistência
impedancia do arco elétrico gerado no interior do solo
(ver figura abaixo);
utilizando MODELS

De forma simplificada, as intensidades das


correntes de curto-circuito dependem da tensão no
instante de falta e da impedância que existe entre a
fonte geradora de tensão e o ponto do curto-circuito.
Essa tensão no decorrer das linhas de distribuição e
transmissão é relativamente constante, entretanto a
impedância do curto-circuito pode variar, pois
depende de vários fatores como: tipo de curto-
circuito, dimensões do condutor e local em que
ocorreu a falta.
b) Assimetria entre semi-ciclos: diferença entre
O tipo de curto-circuito mais comum no sistema de
as amplitudes dos ciclos positivos e negativos
potência é o fase–terra e é esse que possui níveis de
da forma de onda da corrente de falta;
correntes mais variáveis, pois depende diretamente
c) Crescimento da amplitude da corrente: após a
do tipo de superfície que o condutor mantém contato
queda do cabo e consequente contato com a
no momento da falta. Solos formados, por exemplo,
superfície de falta, a corrente apresenta uma
por areia, asfalto, pedras ou cimento possuem uma
fase de crescimento de sua amplitude
grande resistência elétrica enquanto solos mais
denominada buildup. Durante essa fase de
úmidos geram pouca resistência a passagem da
crescimento pode-se observar alguns trechos
corrente elétrica.
em que a amplitude permanece constante
Os curtos-circuitos que envolvem os solos com antes de voltar a crescer. Esses trechos são
grande resistência elétrica são chamado de curtos- denominados shoulders. A figura abaixo
circuitos de alta impedância e geram correntes de apresenta essa característica.
pequena magnitude.
resultante da falta de alta impedância utilizando-se
duas resistências variantes no tempo em série. Uma
das resistências é usada para produzir a distorção e a
assimetria da característica tensão-corrente
observadas em todos os ciclos da corrente de falta
(R1). A outra é utilizada para modelar o buildup e
shoulders (R2).

Essa característica de resistências que variam no


tempo exige o uso da ferramenta MODELS do ATP,
pois para produzir esse efeito precisamos utilizar laços
como WHILE e FOR e também condições como o IF. O
uso desses laços permitem que a cada iteração a
resistência de falta obtenha um valor diferente.
As características a) e b) definidas anteriormente
definem um comportamento padrão de tensão versus Para simular o arco elétrico no solo que produz a
corrente durante a falta de alta impedância. Esse corrente de falta com as características já descritas
padrão pode ser observado através das curvas VxI anteriormente, utilizou-se um modelo constituído por
típica para este tipo de ocorrência. A figura abaixo duas resistências variáveis do tipo R(TACS) Type 91.
apresenta essas curvas. Essas resistências possuem um terceiro terminal onde
será conectado o bloco do MODELS que irá controlar
seus valores.

Também serão utilizadas três chaves do tipo TACS


SWITCH (Type 13). Essas chaves também possuem um
terceiro terminal ao qual será conectado o bloco do
MODELS. A função dessas chaves é definir se o curto-
circuito será do lado da fonte ou da carga.

A figura abaixo apresenta a disposição dos


componentes conforme explicado acima.

Analisando as informações anteriores, é possível


concluir que a característica VxI da falta de alta
impedância pode ser representada por uma
resistência variável conveniente. Com isso, a
representação das características a) e b) da corrente
de falta de alta impedância estaria garantida.

A terceira característica da corrente de falta de alta


impedância está relacionada à envoltória do
crescimento desta corrente de falta, podendo
também ser representada por uma resistência Como já comentado, o objetivo do controle da
variável devidamente implementada. resistência R1 é reproduzir a distorção e a assimétrica
Portanto, para fazer com que o sistema reaja de existente em todos os ciclos da corrente de falta. Para
acordo com o esperado, representa-se o arco elétrico realizar essa tarefa, o controle de R1 calcula, para
cada instante de tempo, o valor da resistência em resistência de falta (Rfalta) será definida como o valor
função da tensão de fase existente no ponto de falta assumido por R1 no pico da corrente, isto é, Rfalta é
naquele instante. calculado como a relação entre tensão de pico e a
corrente de pico.
Essa rotina é implementada de forma a reproduzir
a característica VxI da falta para os ciclos de regime Uma dificuldade em se trabalhar com o modelo
permanente da falta. Tal característica é constituída apresentado reside no fato de ser necessário levantar
por dois semi-ciclos: o semi-ciclo de subida (composto a característica VxI para cada falta a ser simulada.
pelos valores que definem o aumento da tensão e da Mesmo que a forma da corrente de falta fosse
corrente, partindo do menor para o maior valor de mantida, sendo alterado apenas seu valor de pico (o
ambas as grandezas) e o semi-ciclo de descida que corresponde a se trabalhar com um solo de
(definido pelos pontos que iniciam no maior valor de resistividade diferente, isto é Rfalta diferente), seria
tensão e corrente e terminam nos menores valores necessário alterar a característica VxI. Isto não seria
das grandezas). prático e inviabilizaria a utilização do modelo
proposto. Para contornar essa dificuldade foi
Dada a tensão no ponto de falta em determinado implementado o modelo de falta de alta impedância
instante de tempo, através da característica VxI utilizando a característica VxI em valores por unidade
obtém-se a corrente de falta e a seguir calcula-se a (pu).
correspondente resistência. Ou seja, definida a tensão
na entrada do controle de R1 e conhecendo-se o seu O controle da resistência R2 é responsável pela
sentido (derivada positiva ou negativa), calcula-se a etapa de buildup. Essa resistência tem um valor
corrente através de uma interpolação simples. A elevado no começo da falta e diminui durante a etapa
partir destes dois valores, calcula-se R1. Na rotina de buildup até tornar-se zero no regime permanente.
implementada a característica VxI é descrita através A equação abaixo reproduz essa característica. Esse
de uma tabela de pares tensão-corrente e a cálculo deve ser executado a cada intervalo de tempo.
interpolação para o calculo da resistência R1 é feita
como descrito a seguir:
𝑅2(𝑡) = 10 ∗ 𝑅𝑓𝑎𝑙𝑡𝑎 ∗ 2.903097061
25
∗ 𝑒 −0.2731517629∗𝑡∗0.8
a) Dada a tensão no ponto de falta - v(t) – o
algoritmo determina em que faixa da tabela
tensão-corrente essa tensão se encontra, isto
A figura abaixo apresenta o modelo que deve ser
é:
implementado no ATPDraw para simulação da falta de
𝑣𝑛 ≤ 𝑣(𝑡) < 𝑣𝑛+1
alta impedância. Nele, pode-se perceber que existe
b) Corrente correspondente a v(t) é estimada apenas uma resistência do tipo controlada por TACS.
através da interpolação: Essa resistência é a resultante das outras duas (soma
𝑖𝑛+1−𝑖𝑛 de duas resistências em série). Esse soma é realizada
𝑖(𝑡) = 𝑖𝑛 + (𝑣(𝑡) − 𝑣𝑛 ) no próprio algoritmo implementado em MODELS. Isso
𝑣𝑛+1 − 𝑣𝑛
foi feito para deixar o ambiente de trabalho do
c) Conhecidos v(t) e i(t) calcula-se a resistência: ATPDraw mais “limpo”, utilizando menos
𝑣(𝑡) componentes. Entretanto, os blocos com linguagem
𝑅1(𝑡) = MODELS podem ter quantas saídas forem necessárias.
𝑖(𝑡)

É conveniente observar que para gerar as


características de não linearidade e assimetria
observadas nas correntes de falta, a resistência de
falta R1 não é constante, variando de valor em cada
instante de tempo ao longo do ciclo. Neste trabalho, a
O bloco chamado MOD é o responsável por A variável Rfalta representa a máxima resistência
controlar a abertura e fechamento das chaves e do solo, Vnomin é o valor de pico da tensão de fase
também o valor da resistência de falta. Para adicionar do circuito, DT é o intervalo de amostragem (mesmo
esse bloco basta ir em MODELS e após Files parametrizado no Settings do ATPDraw), Sfault
(sub/mod). Feito isso, será preciso carregar o determina se a falta será do lado da carga ou da fonte
algoritmo escrito na linguagem MODELS ao bloco. O (tabela abaixo apresenta os valores possíveis) e InsF é
algoritmo pode ser escrito no próprio Bloco de Notas o instante em segundos que ocorre a falta.
do Windows, entretanto sua extensão deverá ser
trocada de .txt para .mod. Tabela – Valores possíveis de entrada para Sfault

O ANEXO A contém o algoritmo para simular a falta Valor para Sfault Lado do Curto-Circuito
0 Carga
de alta impedância.
1 Fonte
Para adicionar o arquivo .mod ao bloco Files 2 Não ocorre Curto-
Circuito
(sub/mod), basta clicar duas vezes no bloco e
selecionar a aba Library. Na caixa de nome Source,
deve-se clicar no ícone e selecionar o arquivo A figura abaixo apresenta o circuito completo
.mod. Feito isso, deve-se clicar em Reload e após em implementado.
No. Para concluir o processo, clica-se em OK.

Após concluído esses passos, no bloco irá aparecer


5 terminais. Esses são referentes às variáveis de
entrada e de saída do algoritmo que podem ser
melhor entendidas no ANEXO A.

No algoritmo implementado existem algumas


constantes que devem ser inseridas no bloco. Para
isso basta clicar duas vezes no bloco e preencher os
campos conforme a figura abaixo.

O circuito utilizado é o mesmo do estudo da


energização de capacitores e de transformadores.

Após os ajustes explicados acima, a simulação


pode ser realizada através do menu ATP e, em
seguida, clicando-se em run ATP. Se nenhum erro
ocorrer, a análise dos sinais de corrente pode ser feita
através da ferramenta PlotXY conforme a figura
abaixo.

Na figura pode-se notar o comportamento da


corrente da fase A em que ocorreu a falta. Como se
pode perceber a variação na corrente, no momento
da falta, vista pela fonte é pequena (+-20 A), isso pode
levar o sistema de proteção a interpretar o curto-
circuito como uma variação de carga normal do
sistema e não sensibilizá-lo.
ÃNEXO Ã
MODEL Rfault

comment ****************************************************************

* *

* Function: set or cancel the gap firing control signal *

* Inputs : voltage and current across ZnO resistor *

* Output : the firing signal to the electrical ZnO component *

* *

************************************************************* endcomment

INPUT V

DATA Rfalta -- Resistencia de falta [ohm]

Vnomin -- Tensao de fase [V]

DT -- Intervalo entre amostras

SFault -- Se =0 Falta do lado da carga

-- Se =1 Falta do lado da fonte

-- Se =2 Nao ocorre a falta

InsF -- Instante em que a falta ocorre (segundos)

VAR Iq -- Corrente [A]

R1

VUP[1..28]

IUP[1..28]

VDOWN[1..28]

IDOWN[1..28]

Posv

Posvv

Ibase
Vbase

Rbase

IDER1

timex

R2

RFAULT

FaultC

FaultF

NFault

timex2

OUTPUT Rfault

NFault

FaultC

FaultF

INIT IDER1:=0

timex:=0

Faultc:=1

FaultF:=1

NFault:=-1

timex2:=0

ENDINIT

EXEC

------------------------------------------------------------------

Vbase:=Vnomin

Ibase:=Vbase/Rfalta

VUP[1] := -13.644122

IUP[1] := -198.544131

VUP[2] := -13.340064

IUP[2] := -196.141947
VUP[3] := -12.830094

IUP[3] := -188.444040

VUP[4] := -12.118059

IUP[4] := -176.396724

VUP[5] := -11.302106

IUP[5] := -160.509554

VUP[6] := -10.234054

IUP[6] := -138.835305

VUP[7] := -9.012049

IUP[7] := -116.687898

VUP[8] := -7.586055

IUP[8] := -90.700637

VUP[9] := -6.110027

IUP[9] := -62.766151

VUP[10] := -4.276056

IUP[10] := -38.689718

VUP[11] := -2.494045

IUP[11] := -17.015469

VUP[12] := -0.662000

IUP[12] := -4.021838

VUP[13] := 0.101994

IUP[13] := -0.163785

VUP[14] := 1.935964

IUP[14] := 5.131938

VUP[15] := 3.463952

IUP[15] := 10.900819

VUP[16] := 4.939981

IUP[16] := 18.125569

VUP[17] := 6.314015

IUP[17] := 28.717015
VUP[18] := 7.638014

IUP[18] := 42.202002

VUP[19] := 8.809985

IUP[19] := 60.491356

VUP[20] := 9.878037

IUP[20] := 81.201092

VUP[21] := 10.948013

IUP[21] := 104.786169

VUP[22] := 11.660048

IUP[22] := 127.898089

VUP[23] := 12.476001

IUP[23] := 149.099181

VUP[24] := 12.984047

IUP[24] := 165.950864

VUP[25] := 13.544053

IUP[25] := 178.471338

VUP[26] := 13.800000

IUP[26] := 187.606915

VDOWN[1] := 13.800000

IDOWN[1] := 195.323021

VDOWN[2] := 13.290029

IDOWN[2] := 186.169245

VDOWN[3] := 12.730024

IDOWN[3] := 176.050955

VDOWN[4] := 11.864036

IDOWN[4] := 160.163785

VDOWN[5] := 10.846019

IDOWN[5] := 141.874431

VDOWN[6] := 9.624014

IDOWN[6] := 119.235669
VDOWN[7] := 8.198020

IDOWN[7] := 93.230209

VDOWN[8] := 6.619997

IDOWN[8] := 68.680619

VDOWN[9] := 5.041975

IDOWN[9] := 43.166515

VDOWN[10] := 3.055976

IDOWN[10] := 21.019108

VDOWN[11] := 1.171970

IDOWN[11] := 2.711556

VDOWN[12] := -0.508046

IDOWN[12] := -7.388535

VDOWN[13] := -2.290057

IDOWN[13] := -12.211101

VDOWN[14] := -3.868080

IDOWN[14] := -17.506824

VDOWN[15] := -5.192079

IDOWN[15] := -26.169245

VDOWN[16] := -6.670032

IDOWN[16] := -38.216561

VDOWN[17] := -7.790043

IDOWN[17] := -51.210191

VDOWN[18] := -8.910055

IDOWN[18] := -69.990901

VDOWN[19] := -9.978106

IDOWN[19] := -89.736124

VDOWN[20] := -10.844094

IDOWN[20] := -111.938126

VDOWN[21] := -11.760117

IDOWN[21] := -133.539581
VDOWN[22] := -12.372082

IDOWN[22] := -154.249318

VDOWN[23] := -12.982123

IDOWN[23] := -170.627843

VDOWN[24] := -13.340064

IDOWN[24] := -182.656961

VDOWN[25] := -13.594087

IDOWN[25] := -192.283894

VDOWN[26] := -13.594087

IDOWN[26] := -200.000000

IF Sfault=2 then

NFault:=-1

FaultC:=1

FaultF:=1

Rfault:=10

endif

if timex>InsF and Sfault<>2 then

IF Sfault=0 then

FaultF:=-1

FaultC:=1

NFault:=1

endif

IF Sfault=1 then

FaultC:=-1

FaultF:=1

NFault:=1

endif

--Colocar curva em pu

for j:=27 to 2 by -1 do

VUP[j]:=1000*VUP[j-1]
IUP[j]:=IUP[j-1]

VDOWN[j]:=1000*VDOWN[j-1]

IDOWN[j]:=IDOWN[j-1]

endfor

Vup[1]:=Vup[2]*1.3

Iup[1]:=Iup[2]*1.3

Vup[28]:=Vup[27]*1.3

Iup[28]:=Iup[27]*1.3

Vdown[1]:=Vdown[2]*1.3

Idown[1]:=Idown[2]*1.3

Vdown[28]:=Vdown[27]*1.3

Idown[28]:=Idown[27]*1.3

for j:=1 to 28 do

VUP[j]:=(VUP[j]/13800)*Vbase

IUP[j]:=(IUP[j]/200)*Ibase

VDOWN[j]:=(VDOWN[j]/13800)*Vbase

IDOWN[j]:=(IDOWN[j]/200)*Ibase

endfor

IF (V-IDER1)>=0 THEN

for j:=1 to 27 DO

IF V>=VUP[j] and V<=VUP[j+1] then

Posv:=j

ENDIF

ENDFOR

I:=IUP[Posv+1]-IUP[Posv]

I:=I/(VUP[Posv+1]-VUP[Posv])

I:=I*(V-VUP[Posv])

I:=IUP[Posv]+I

ENDIF

IF (V-IDER1)<0 THEN
for j:=1 to 27 DO

IF V<=VDOWN[j] and V>=VDOWN[j+1] then

Posv:=j

ENDIF

ENDFOR

I:=IDOWN[Posv+1]-IDOWN[Posv]

I:=I/(VDOWN[Posv+1]-VDOWN[Posv])

I:=I*(V-VDOWN[Posv])

I:=IDOWN[Posv]+I

ENDIF

IDER1:=V

R1:=abs(V/I)

--Calcula R2

R2:=10*Rfalta*2.9030970612*EXP(-0.2731517629*(timex2*25/(0.800)))

--Calcula Rfault

Rfault:=R1+R2

timex2:=timex2+DT

endif

if timex<Insf and Sfault<>2 then

NFault:=-1

FaultC:=1

FaultF:=1

Rfault:=10

endif

timex:=timex+DT

------------------------------------------------------------------

ENDEXEC

ENDMODEL

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