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TURMA: 3INFO

COMPONENTE CURRICULAR: Língua Portuguesa e Literatura Portuguesa III


PROFESSOR: Cátia Cristina Sanzovo Jota

CARGA HORÁRIA: 6 horas.


METODOLOGIA:
- leitura dos textos teóricos;
- realização das atividades que seguem sobre o assunto abordado.

DEVOLUTIVA: para ser computada a frequência, o aluno deverá entregar para a professora as respostas das referidas
atividades através do GOOGLE CLASSROOM.

PRAZO DE ENTREGA: 02/08/2021


CONTATO DO PROFESSOR: catia.jota@ifc.edu.br

Dentro da Língua Portuguesa, paralelismo é um recurso linguístico de coesão textual que consiste na
sequência de expressões com uma estrutura paralela, isto é, simétrica. Há paralelismo quando há um
encadeamento harmonioso e lógico entre as diferentes partes da oração e do texto.

● Paralelismo semântico

Esse paralelismo estabelece a semelhança entre sentidos dos termos e das ideias usados em um texto.

“É preciso que os governantes entendam que uma mudança tão brusca como essa afetará a vida de milhões
de brasileiros e crianças que vivem no país.”

A estrutura destacada causa, no leitor, a impressão de que brasileiros exclui crianças, ou seja, teríamos
brasileiros e crianças de outras nacionalidades. Uma possível solução seria o exemplo a seguir:

“É preciso que os governantes entendam que uma mudança tão brusca como essa afetará a vida de milhões
de brasileiros, quer sejam adultos quer sejam crianças, que vivem no país.”

Outro exemplo:

“Sou fã de Bossa Nova, de MPB e de saltos altos.”

Repare que “saltos altos” não estabelece relação de sentido com “Bossa Nova” e “MPB”, que são gêneros
musicais. Para solucionar o problema, poderia ser feita a substituição da expressão “saltos altos” por outros
gêneros musicais.

● Paralelismo sintático

É uma sequência de estruturas sintáticas, como termos e orações, que são semelhantes ou possuem igual valor
sintático. O uso de estruturas com essa simetria sintática confere clareza, objetividade e precisão ao discurso.

Exemplos com e sem paralelismo sintático


Sem:
Eu pedi para ele vir cedo e que trouxesse guardanapos.
Com:
Eu pedi que ele viesse cedo e que trouxesse guardanapos.

Sem:
O professor sempre foi disponível, compreensivo e teve paciência.
Com:
O professor sempre foi disponível, compreensivo e paciente.

Sem:
O atleta brasileiro vencedor da maratona foi seguido pelo atleta argentino e do atleta uruguaio.
Com:
O atleta brasileiro vencedor da maratona foi seguido pelo atleta argentino e pelo atleta uruguaio.

Sem:
Após o incêndio, eles vieram com coragem, mas querendo justiça.
Com:
Após o incêndio, eles vieram com coragem, mas quiseram justiça.

Sem:
Ela não só é professora, como também vende perfumes.
Com:
Ela não só é professora, como também vendedora de perfumes.

Sem:
Peguei todas as respostas da prova no site e da apostila.
Com:
Peguei todas as respostas da prova no site e na apostila.

Mais exemplos de paralelismo sintático:

1. Entre orações com verbos no infinitivo:


Ex.: A amizade serve não só para alegrar a vida, mas também para aliviar o estresse.

2. Entre orações com verbos no gerúndio:


Ex.: A amizade tem auxiliado não só alegrando a vida, mas também aliviando o estresse.

3. Entre orações com verbos conjugados:


Ex.: A amizade não só alegra a vida, mas também alivia o estresse.

4. Entre substantivos:
Ex.: A amizade ajuda não só a alegria da vida, mas também o alívio do estresse.

5. Entre adjetivos:
Ex.: A amizade é não só importante, mas também essencial para a vida.

6. Concordância entre os tempos verbais:


Ex.: Se a maioria amasse, haveria menos violência entre as pessoas.

Casos especiais de paralelismo sintático:

● Ideia de adição na comparação entre as situações:

Errado: As meninas não só comeram o bolo, mas também os salgados.


Correto: As meninas comeram não só o bolo, mas também os salgados.
Nas correlações entre “não só ... mas também”, deve-se cuidar para que os elementos correlacionados
tenham a mesma estrutura: correlaciona-se sintagma nominal com sintagma nominal, sintagma verbal
com sintagma verbal, etc. Na frase acima, observa-se que o primeiro elemento da correlação é “comeram
o bolo” (sintagma verbal, pois tem-se o verbo “comer”) e o segundo é “os salgados” (sintagma nominal,
pois tem-se o substantivo, ou nome, “salgados”); daí falta de paralelismo e a carência de reestruturação
da frase.

Errado: Tanto era bom cantor, quanto professor.


Correto: Ele era tanto bom cantor quanto bom professor.

Errado: Ele não vive e nem deixa viver.


Correto: Ele não vive nem deixa viver.

A conjunção “nem”, quando significa “e não” (como exemplo acima), isto é, quando se refere a
uma adição negativa, não deve vir acompanhada de outra conjunção aditiva como “e”. Agora, se não
houver correlação aditiva negativa, não há problemas no uso de “e nem”: “Ela veio aqui e nem me
telefonou!” (“Ela veio aqui” é afirmativa e, portanto, o “nem” não está relacionado a um “não”
anterior).

● Ideia de alternância:

Errado: Seja por maldade ou por imprudência, ele cometeu um erro gravíssimo.
Certo: Seja por maldade seja por imprudência, ele cometeu um erro gravíssimo.

Errado: Ou ela fará os exercícios, ou o trabalho doméstico.


Certo: Ela fará ou os exercícios, ou o trabalho doméstico.

Errado: Iremos ao cinema, quer ele vá junto ou não.


Certo: Iremos ao cinema, quer ele vá junto quer não.

ATIVIDADES
1. Assinale o período em que há erro de paralelismo sintático:

a) Os ministros negaram estar o governo atacando a Assembleia e estar fazendo tudo para prolongar a
votação do projeto.
b) O presidente sentia-se acuado pelas constantes denúncias de corrupção em seu governo e o
crescimento na Constituinte da pressão em favor da fixação de seu mandato em quatro anos.
c) Quando o ditador morreu, seu porta-voz conseguiu transformar-se no comandante das Forças de
Defesa e ser o homem forte do país.
d) Poucas horas antes de um emissário lhe trazer a notícia e antes de inteirá-lo dos fatos, ele se divertia
com os netos.
e) Aos poucos ele foi tomando consciência de que nem tudo dependia de sua presença e de que uma
mão forte agia por trás dos últimos acontecimentos.

2. Assinale o período em que há erro de paralelismo sintático:

a) Com isso, conseguia-se o objetivo duplo de fortalecer o governo amigo e ainda por cima os oposicionistas
eram incriminados.
b) Não só todos ficaram perplexos, mas também partiram desesperançados.
c) O carnaval ritualiza o reinício da vida com a descentralização do rei e com a entronização de um outro.
d) A expansão do narcotráfico no Brasil deve-se à desinformação dos males causados pelas drogas e à falta de
um melhor policiamento.
e) O técnico da seleção ficou cheio de esperanças ao convocar jogadores tarimbados e ao saber que eles estavam
disponíveis.
3. Reescreva as frases a seguir, estabelecendo paralelismo sintático:

a) É verdade que naquela época havia menos crianças abandonadas e os pais eram mais responsáveis.
É verdade que naquela época havia menos crianças abandonadas e que
os pais eram mais responsáveis.
b) Os cuidados com as crianças representam não só um bem para a sociedade e é para que as famílias
sejam melhores.
Os cuidados com as crianças representam um bem não só para a
sociedade como também para que as famílias sejam melhores.
c) Maria tanto é professora, e ainda se tornou dançarina.
Maria tanto é professora como dança.
d) Funcionários cogitam uma nova greve e isolar o governador.
Funcionários cogitam uma nova greve e o isolamento do governador.

4. Analise a tirinha abaixo e explique por que o paralelismo semântico contribuiu para o humor do
texto:

5. Leia o texto abaixo e assinale a opção correta:

Até hoje se pergunta: para que serve a arte, para que serve a poesia? Intelectuais se aprumam, pigarreiam, começam a
responder dizendo "Veja bem..." e daí em diante é um blablablá teórico que tenta explicar o inexplicável. Poesia serve
exatamente para a mesma coisa que serve uma vaca no meio da calçada de uma agitada metrópole. Para alterar o curso do
seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia,
para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum
encantamento.
MEDEIROS, Martha. Doidas e santas. Porto Alegre: L&PM, 2011. p. 10.

A expressividade da argumentação da autora relativamente à importância da poesia na vida


cotidiana das pessoas se evidencia principalmente por meio de:

a) paralelismo sintático constituído por orações que exprimem causa.


b) uma comparação inusitada entre a poesia e uma vaca no meio da calçada de uma metrópole.
c) paralelismo sintático constituído por orações que exprimem finalidade.
d) referência irônica à maneira como os intelectuais tentam explicar a importância da poesia.
e) figuras de linguagem, como por exemplo, "explicar o inexplicável" (paradoxo) e "inferno que é viver"
(hipérbole).

6. Com base nas informações transmitidas pelos textos motivadores e em uma reflexão acerca do
tema de que tratam, escreva, na norma padrão da língua portuguesa, uma dissertação
argumentativa sobre “a importância do resgate da humildade do ser humano para reconhecer
os próprios limites, pois é impossível alguém saber tudo”.

TEXTO I
Das transformações que presenciamos ao longo dos últimos anos trazidas pela tecnologia, é inegável que
a maioria nos beneficia como indivíduos e como grupo. Dos avanços da medicina à maior eficácia dos
transportes, da educação à distância ao amplo e facilitado acesso à informação, das conexões viabilizadas pelas
redes sociais à praticidade das compras on-line, que nos fazem ganhar tempo. Teria o homem encontrado tão
rapidamente uma vacina eficaz para uma doença tão mortífera como a Covid-19 sem servir-se dos aparatos
tecnológicos que criou? Dificilmente. Ainda assim, como é possível que, diante da genialidade humana ao lidar
com a inovação, consigamos a façanha de usar esse patrimônio tecnológico contra nós mesmos? O acesso quase
irrestrito à informação, viabilizado pela internet, aflorou em muitos de nós um sentimento de autossuficiência
que não encontra respaldo na realidade. Valendo-se de informações nem sempre verdadeiras ou manipuladas nas
redes, grupos de pessoas vêm contestando a ciência, a medicina, a política, a Justiça, a imprensa e outras áreas de
expertise, como se fossem senhores da razão e da verdade. O ápice desse estado de coisas é aquilo a que
assistimos hoje: grupos sem qualquer conhecimento técnico ou formação adequada, incluindo um chefe de
Estado, lançam mão de informação disponível na internet para questionar o uso de vacinas desenvolvidas pelos
maiores laboratórios do mundo com o objetivo de impedir a propagação do vírus mais mortal de que se tem
notícia nos últimos 100 anos. O cientista político Tom Nichols, que fez carreira acadêmica em Harvard e nas
escolas militares americanas, nos seus dois livros ainda não lançados no Brasil, mostra como o narcisismo move
as pessoas a negarem o conhecimento estabelecido. E argumenta que a internet acaba criando uma falsa ilusão
de igualdade — pelo fato de termos acesso às informações contidas ali, seríamos todos igualmente capazes de
processá-las, não importando a formação de cada um. Essa onipotência é um bálsamo para egos frágeis. Em sua
tese, joga luz sobre o que o desrespeito à expertise pode causar. Infelizmente, a solução para o problema não
está somente na criação de leis que responsabilizem cada um pelo mau uso da informação na internet. Está,
sobretudo, na capacidade do ser humano de reconhecer que nem tudo sabe, que não entende de todos os
assuntos e que, em determinados casos, não será capaz de aprender. Ou seja, a boa e velha dose de humildade.

O RESGATE DA HUMILDADE. ÉPOCA. São Paulo. Globo. Disponível em:


https://epoca.globo.com/sociedade/o-resgate-da-humildade-24809699 - adaptado.

TEXTO II

TEXTO III

A única maneira de adquirir credibilidade e respeito das pessoas é demonstrando para as mesmas que
estamos no mesmo nível, ou seja, que somos todos iguais, independentemente de qualquer coisa. Pode parecer
algo simples e aparentemente sem importância, todavia a modéstia e a simplicidade são duas das características
mais poderosas que um ser humano pode ostentar. Confúcio sabiamente disse: “A humildade é a única base
sólida de todas as virtudes.” O filósofo defendeu que tal atributo é a espinha dorsal do caráter de um homem
porque todas as outras qualidades dependem dela. Em outras palavras, uma pessoa arrogante, prepotente e
soberba é sempre mal vista diante da sociedade, mesmo que possua aptidões divinas. Ser humilde nada mais é do
que compreender que independentemente do cenário montado, todos possuímos um único valor. Portanto, não
importa a formosura, o poderio financeiro e tampouco o nível de Q.I, porquanto essas coisas são trapos de
imundície perto da preciosidade que cada ser humano representa para o universo. O que quero dizer é o
seguinte: a forma como o nosso reino foi montado não necessariamente demonstra como as coisas realmente
são, tendo em conta que as forças superiores não enxergam as coisas sob a mesma ótica nossa. Assim, alienados
são todos aqueles que aceitam o que a unanimidade humana propaga, enganando e sendo enganados
constantemente. Sem dúvidas, isso é consequência da nossa era, que é de longe a de maior pobreza intelectual e
moral que já existiu, ou seja, as pessoas amam mais a mentira do que a verdade e por ilação, o conhecimento
verdadeiro está sendo substituído por coisas superficiais e genéricas. Desta forma, para não ser altivo é
necessário também ter personalidade, pois para romper os padrões já estabelecidos precisamos do espírito dos
leões, criando nossa virtude e seguindo as atmosferas da justiça e da honra.

BRAVIN, Pablo. A importância da humildade para o crescimento de uma pessoa. Disponível em:
https://administradores.com.br/artigos/a-importancia-da-humildade-para-o-crescimento-de-uma-pessoa - adaptado.

Humildade: a base sólida de todas as virtudes

Em primeiro lugar, a humildade não é uma atitude externa na convivência humana. A humildade é acima
de tudo a atitude de uma pessoa para com Deus. O orgulho nega e destrói algo, a humildade reafirma e
consolida: a condição da criação humana. Este estado constitui a natureza mais profunda do homem. Portanto, a
humildade, como "obediência do homem a Deus", é o apego a essa condição necessária primitiva e é
consentimento.
Segundo essa definição, é difícil entender como o conceito de humildade se transforma em objeto de
luta. Se devemos abandonar o poder dos demônios e nos concentrar no bem, especialmente neste aspecto da
personalidade cristã, então essa transformação só poderá ser alcançada quando a própria consciência cristã tiver
eliminado o conceito de humildade. Em todos os ensaios de São Tomás sobre humildade e orgulho, não há uma
única palavra que possa indicar uma atitude de constante auto depreciação, baixa autoestima, que humildade ou
quaisquer outras virtudes cristãs podem ser feitas em princípio
Não há dúvida de que isso é fruto do nosso tempo, as pessoas amam mais a mentira do que a verdade, o
que significa que o verdadeiro conhecimento está sendo substituído por coisas superficiais.

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