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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS


DEPARTAMENTO ADMINISTRAÇÀO PÚBLICA E GESTÃO SOCIAL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA

ALUNO: Alex Sandro Dantas de Medeiros


DISCIPLINA: Inovação da Gestão Pública – PPGP0025

Resenha Crítica – Inovação da gestão pública

Inovar na Administração Pública uma tarefa árdua – enfrentamento aos meios de controle
e flexibilização na burocracia

Preliminarmente temos que referenda a necessidade da inovação no setor público, o que,


no entanto, não podemos obstar da presença da opinião pública e dos servidores, postos que a
estes são os portadores da prestação do serviço e o outro os receptadores dos serviços a serem
prestados. O que se tem que delinear é que as inovações, impostas no setor público, tem entraves
quanto a sua dinamização e controle imposta pelos políticos, bem como pelo controle e falta de
flexibilização inerente a própria Administração Pública.

Dentro desta temática, oportuno mencionar que o novo nem sempre é aceito ou pelo
menos sempre haverá barreiras e portas a serem ultrapassadas e estas, em muitos embates, são
amargas e com dissabores que atrasam o processo da inovação, assim é o entendimento do
professor Peter Spink vejamos: “Mudança nem sempre é considerada boa; há mudanças vistas
coletivamente como positivas, mas também há mudanças vistas como negativas. A inovação
segure o mesmo caminho...vista por essa ótica, a relação do novo com o existente é e sempre será
conflitante, e as consequências desse processo sempre serão abertas a interpretações diferentes e
podem assumir os mais variados caminhos”.
Ora se o novo é a porta a ser aberta para inovação, preciso parafrasear Renê Descate,
“Penso, logo existo”, neste sentido, a inovação deve ser inserida, onde o pensar e o existir deve
ser imprimido na Administração Pública, visando um choque de gestão e de iniciativas que visem
a impulsionar a Administração, logo, o dever de introduzir novos padrões comportamentais, sob
pena de suplantar o novo modelo gerencial e de perpetuar as velhas práticas patrimonialistas e
burocrática de gestão pública.

Neste sentido, não adiante ver o servidor enquanto ator e parte imprescindível a
organização e funcionamento da engrenagem do Estado, muito menos dotá-lo de capacidade
laborativa, com conhecimento e ferramentas, sem afastar as amarras que puxam o freio de mão na
dinamização e otimização das soluções a serem determinadas para uma melhor eficiência e
eficácia dos atos da Administração Pública. Logo, o que se deve abolir são as gestões dos “donos
do poder”, flexibilizar as leis que corroboram a estagnação da burocracia e introduzir o estilo
privado na gestão, assim a visão de Administração Pública deixava de preocupar-se com o fim e
focava no resultado, assim no entendimento de Motta, o “NPM apresentou-se com o objetivo
primordial de fazer a Administração Pública operar como uma empresa privada e, assim, adquirir
eficiência, reduzir custos e obter maior eficácia na prestação de serviços”.

Na resenha da professora De Negri, acerca da inovação no Brasil, afirma que “a formação


de pessoas dedicadas à ciência e à inovação é vetor mais importante para o progresso
tecnológico e, nesse aspecto, o Brasil tem muito a empreender”. Noutro aspecto, afirma
também que o caminho não seria único e que dependeria “fortemente do financiamento público”,
no entanto, havendo necessidade de sistematizar as ações visando mudanças institucionais, logo,
quebrando paradigmas institucionalizados com o engessamento da legislação que deverá
necessariamente ser revista afastando a burocratização e o clientelismo, embora que alguns
autores ainda acreditem ser necessário a política de coalização.

Em que pese a formatação dos laboratórios de inovação, mapeando e diagnosticando


experiência, proposto pelo professor Hironobu Sano, o que assumo predileção para o tema e
comungo com a LISP, devemos avançar na ideia proposta pelo professor Motta, mormente
quanto a introdução de dimensões privadas na gestão pública, mas necessariamente quanto a
“possibilidade de convício mais adequado e eficiente” com a política, pois o que se enxerga,
inicialmente, são os conflitos típicos do pluralismo do sistema de grupos políticos por meio de
esquemas administrativos”.

Assim, no entender do professor Hironobu Sano, a “criação dos Lisp está inserida num
contexto mais amplo de expansão dos living labs, que são espaços conduzidos por organizações
privadas ou da sociedade civil que buscam fomentar a inovação aberta e incorporam os atores
externos como cocriadores da inovação (Alves, 2013; Bommert, 2010; Mergel, 2017)”.

O que se percebe é que os modelos de Administração Pública foram avançando a medida


que os direitos e garantias foram oportunizados à sociedade, necessariamente, quantos aos
direitos sociais, no entanto, talvez de forma relapsa, o que não acredito, mas pela própria
intervenção política visando a evitar sua derrocada.

Parece-nos que o mote deve ser a introspecção no pensamento da própria sociedade,


receptor imediato dos serviços públicos, logo, “Abrúcio sugere que a Administração Pública
eficiente e efetiva emerge como fruto da cobrança e do controle pela sociedade” e para isso,
conforme aqui já delineado, devemos afastar ao máximo, embora pudéssemos entender sua
coexistência, do sistema de coalização imposta pelo legislativo ao executivo.

Assim, os laboratórios de inovação no setor público, embora vetor da criatividade de


metodologia visando a otimização da administração pública, deve sistematizar holisticamente a
própria Administração Pública, a política, os meios de controle e a sociedade como suporte para
transcender a concepção das práticas empresariais na própria Administração Pública.

Por tudo exposto, somos convictos que um dos caminhos para potencializar a eficiência e a
eficácia na Administração Pública são os Lisp, no entanto deverá haver a sustentação pelo “patrocinador
político” e forte investimento capacitação teórica e empírica, conforme proposto pelo professor Pedro
Cavalcante, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA.
Bibliografia:

De Negri, Fernanda. Novos caminhos para a inovação no Brasil. Brasília: IPEA, 2018.
Inovação no setor público: teoria, tendências e casos no Brasil/organizadores: Pedro Cavalcante...
[et al.]. – Brasília : Enap : Ipea, 2017.

FERRAREZI, Elisabete; LEMOS, Joselene, BRANDALISE, Isabella. Experimentação e novas


possibilidades em governo: aprendizados de um laboratório de inovação. Brasília: Enap,
2018.

MOTTA, Paulo Roberto de Mendonça. O estado da arte da gestão pública. Rev. adm. empresa.
vol.53 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2013.

Sano, Hironobu. Laboratórios de inovação no setor público: mapeamento e diagnóstico de


experiências nacionais / Hironobu Sano. -- Brasília: Enap, 2020.