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Módulo: 9906 – Socorrismo básico

Manual

Formadora: Luísa Lagarto

2021
Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Índice
Introdução ............................................................................................................................................................... 3
FINALIDADES DO SOCORRISMO................................................................................................................... 3
Princípios gerais do Socorrismo ................................................................................................................... 4
Sistema Integrado de Emergência Médica ............................................................................................... 5
Exame da vítima .................................................................................................................................................... 8
Suporte Básico de Vida ...................................................................................................................................... 9
Emergências médicas ...................................................................................................................................... 20
Perda de conhecimento, acidente vascular cerebral; dor torácica, diabetes, dificuldade
respiratória, convulsão ................................................................................................................................... 23
Intoxicações ......................................................................................................................................................... 27
Controlo de hemorragias ............................................................................................................................... 27
Lesões da pele ..................................................................................................................................................... 29
Traumatologia..................................................................................................................................................... 30
Traumatismos crânio-encefálicos e de coluna .................................................................................... 30
Imobilização e extração de vítimas........................................................................................................... 32
Queimaduras ....................................................................................................................................................... 33
Hemorragia externa por ferimento (corte) .......................................................................................... 36
Socorrismo e realidade ................................................................................................................................... 39
Procedimentos em caso de Acidente ....................................................................................................... 41
Saber mais ............................................................................................................................................................. 45
Conclusão .............................................................................................................................................................. 49
Referências Bibliográficas ........................................................................................................................ 50

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Introdução

Os acidentes e as situações de doença súbita podem, em alguns casos, ser evitados


através da adoção de medidas preventivas ou pela simples mudança de hábitos de vida.
No entanto, a possibilidade destes ocorrerem é sempre uma realidade presente.

Assim, a forma mais eficaz de eliminar ou reduzir nas vítimas as sequelas que resultam
destes incidentes, é através do socorro prestado nos primeiros minutos que sucedem ao
incidente. A eficácia deste primeiro socorro será tanto maior quanto maior for a
formação do socorrista.

O conhecimento das técnicas de primeiros socorros, por um lado, e a sua correta


aplicação, por outro, são muito importantes no sentido em que todos nós podemos, um
dia, vir a necessitar da ajuda de outros. Com a aplicação das técnicas de primeiros
socorros muitas vezes é possível evitarem-se complicações futuras graves (como a
paralisia ou amputação de membros) ou podemos até salvar a vida de alguém.

Neste contexto, revela-se fundamental uma oferta de formação profissional específica


que permita aumentar as competências e criar condições para uma prestação de
primeiros socorros e cuidados básicos de saúde de qualidade, quer no âmbito do
trabalho quer no dia-a-dia. Este curso de formação tem, assim, como objetivo a
preparação do cidadão comum em técnicas de primeiros socorros. Pretende-se habilitar
a pessoa para dar resposta a um conjunto de situações que correspondem àquelas que
mais frequentemente ocorrem.
Prevenção do agravamento do acidente

Pode parecer que algumas coisas sejam demasiado óbvias, mas ainda assim, pouca gente
as sabe fazer bem, em muito devido à irresponsabilidade e falta de civismo e interesse
das pessoas bem como de algumas entidades.

Acidentes, infelizmente, são ocorrência diária nas comunidades. Para as vítimas de


acidentes, muitas vezes, trata-se de questão de vida ou morte.

FINALIDADES DO SOCORRISMO

> Preservar a Vida> Evitar o agravamento do sinistrado

> Promover o seu restabelecimento

> Partilhar com a equipa de TAS (Tripulantes de Ambulâncias de Socorro) a situação e os


sinais/sintomas registados.

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Princípios gerais do Socorrismo

1º Prevenir
2º Alertar
3º Socorrer

Alerta dos serviços de socorros públicos

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), criado na década de 80, substituiu o


Serviço Nacional de Ambulâncias, com a função de apoiar e coordenar as atividades na
área da emergência médica, dando origem à mediatização do sistema através do
atendimento da chamada de socorro, bem como do envio de um médico ao local da
ocorrência. O «Sistema Integrado de Emergência Médica» (SIEM) é o conjunto de meios
e ações pré-hospitalares e intra-hospitalares, com a intervenção ativa dos vários
componentes de uma comunidade, programados de modo a possibilitar uma ação rápida,
eficaz, em situações de doença súbita, acidentes, catástrofes, nas quais a demora de
medidas adequadas de socorro pode acarretar graves riscos para a vida dos doentes.

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Sistema Integrado de Emergência Médica

1º Deteção – Corresponde ao momento em que alguém se apercebe da existência de uma


situação em que é necessário socorro;
2º Alerta – É a fase em que se contactam os meios de socorro;

3º Pré-socorro – É um conjunto de gestos simples que podem ser concretizados até à


chegada do socorro;

4º Socorro no local do acidente – Corresponde ao início do tratamento efetuado às


vítimas, com o objetivo de melhorar o seu estado ou evitar que este se agrave;

5º Transporte – Consiste no transporte do doente desde o local da ocorrência até à


unidade de saúde adequada, garantindo à vítima a continuação dos cuidados de
emergência necessários;

6º Transferência e tratamento definitivo – Corresponde à entrega do doente na unidade


de saúde adequada e à continuação do tratamento iniciado no local de ocorrência.

Após deteção de um acidente/doença deve acionar-se de imediato o serviço de


emergência local. Em caso de acidente ou doença súbita ligar o 112. A chama é gratuita e
acessível de qualquer ponto do país ou a qualquer hora do dia.

As chamadas efetuadas para o 112 (Número Europeu de Emergência) são atendidas, em


primeira linha, por uma Central de Emergência da PSP que apenas canaliza para os
Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM as chamadas que à saúde
digam respeito.

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A colaboração do Socorrista é fundamental. Este deve facultar todas as informações que


lhe forem solicitadas, para permitir um rápido e eficaz socorro à vítima.

Deve informar-se de forma simples e clara:

• Descrever corretamente qual a situação (doença, acidente, parto, etc.) e


responder às perguntas que a central de emergência faz (mesmo que isso possa parecer
perda de tempo);
• O local onde se encontra, se possível com indicação de pontos de referência;

• O número de telefone a partir do qual se está a ligar, para que se possa ser
contactado em caso de dúvida;
• O número, sexo e idade aparente das pessoas a necessitar de socorro;
• As queixas principais e as alterações que observa;

• A existência de qualquer situação que exija outros meios para o local, por exemplo
libertação de gases ou perigo de incêndio;

Desligar o telefone somente quando o operador da central de emergência indicar.

Prevenir

Evitar o agravamento do acidente e da vítima

Esta ação é também denominada prevenção secundária. É necessário, antes de tudo,


afastar o perigo da vítima ou a vítima do perigo. Devem ser desenvolvidas ações de forma
a evitar o agravamento do acidente ou que se produzam mais acidentes.

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A primeira atitude a tomar perante um acidente é avaliar a segurança do local do sinistro.


Segue-se a avaliação do estado de saúde da(s) vítima(s), averiguando a gravidade das
lesões e, por fim, a definição de um plano de intervenção.

É muito importante que o socorrista mantenha uma atitude serena, calma e tranquila
capaz de transmitir aos demais e principalmente ao(s) acidentado(s) valores como
confiança e conforto, quer nos gestos quer nas ações que terá de realizar.

Em primeiro lugar, o socorrista deve proteger-se do perigo, procurando usar o bom


senso. Evitar a todo o custo que surja mais uma vítima: o próprio socorrista.
Prevenção do agravamento de um acidente rodoviário:

De dia:

> Estacionar o automóvel, fora da faixa de rodagem, depois do local do acidente,


devidamente assinalado com as luzes de presença e os quatro piscas acesos.
> Sinalização do local do acidente:
> Colocar os triângulos a cerca de 150 metros do local do acidente nos 2 sentidos da faixa

> Perto dos triângulos deve estar alguém com lanternas ou com coletes refletores para
mandar abrandar o trânsito.
> Avaliar a segurança do local do local do acidente e do sinistrado

> Pedir a alguém que se certifique que nenhuma vítima foi expelida ou tentou mover-se
pelo seu próprio pé.

> Pequenos focos de incêndio podem ser apagados com um extintor ou com areia ou terra
(nunca pôr água pois espalha o combustível).

> Ver o estado do automóvel de modo que não ocorra outro acidente:
>> Desligar a ignição
>> Desligar a bateria
>> Puxar o travão de mão

>> Colocar calços nas rodas para que não haja deslocamento do veículo.
> Não mexer no carro nem nas vítimas

· Caso não consigamos afastar o perigo da vítima, devemos afastar a vítima do perigo (só
em último recurso em que a vítima corra risco de vida) por arrastamento.
> Distribuir as tarefas pelas pessoas que queiram ajudar.
De noite:

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Procede-se da mesma maneira, mas devemos estacionar o carro do socorrista antes do


local do acidente com os médios do carro do socorrista acesos ou com lanternas.

Alertar
Telefonar para o 112; dizer o estado da vítima e a localização do acidente.
Socorrer

Segundo os sintomas e sinais apresentados pela vítima

Exame da vítima

Exame primário (4 seg.)


Vítima inconsciente:
> Grau de consciência (consiste em ver se a vítima responde aos estímulos):

> Bater nos ombros


> Chamar a pessoa

> Beliscar
> Tocar nas pálpebras

1- Ventilação (10 segundos): VOS


V – ver o movimento da caixa torácica

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O – ouvir respiração
S – sentir o ar expirado do sinistrado a bater na cara

Suporte Básico de Vida

Circulação
avaliar o pulso (no pulso ou na artéria carótida no pescoço).

Para além da possibilidade de paragem cardíaca, a vítima pode-se encontrar em:


Taquicardia – quando tem muitos batimentos por minuto (aproximadamente 120/min)

Bradicardia – quando tem poucos batimentos por minuto


(aproximadamente 40/min)

Se a vítima apresentar somente paragem respiratória,


prosseguir imediatamente com a respiração artificial. Se
apresentar paragem cardiorrespiratórias, prosseguir com
RCP

Seguidamente farei um breve resumo destes dois


procedimentos.

RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL

1- Retire tudo o que esteja solto na boca (desobstrução


digital);

2- Assegure que a cabeça da vítima está em extensão e o


queixo levantado.

3- Tape o nariz da vítima, pinçando-o entre o polegar e o


indicador, mantendo com a outra mão a elevação do queixo sem fechar a boca da vítima,
Encha o peito com ar, coloque os lábios à volta da boca da vítima assegurando que não
há fugas de ar, e sopre para o interior da boca da vítima de forma a fazer mover o peito
da mesma com a entrada de ar. A insuflação de ar deve ser lenta (cerca de dois
segundos).Fazer duas insuflações eficazes.

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4- Mantendo sempre o posicionamento da cabeça da vítima, o reanimador deverá


afastar-se da boca da vítima para permitir a saída do ar. Depois de esperar cerca de
quatro segundos, deve repetir-se o procedimento da insuflação de ar.

Ritmo
2 insuflações eficazes

Uma insuflação de 4 em 4 segundos nos adultos


Uma insuflação de 3 em 3 segundos nas crianças
Uma insuflação de 2 em 2 segundos nos bebés

NOTA: Se houver resistência à entrada de ar ou o tórax da vítima não se elevar com a


insuflação de ar poderá ser por mau posicionamento da cabeça ou existência de um
obstáculo à entrada do ar. Reposicionar a cabeça e retirar objectos visíveis de dentro da
boca da vítima e voltar a insuflar o ar.

REANIMAÇÃO CARDIO-PULMONAR

1- O primeiro passo na RCP é colocar a vítima em hiperextensão, distendendo o pescoço


para garantir que as vias aéreas estão desobstruídas.

2- Seguidamente deve-se colocar uma das mãos sobre a testa e apanhando o nariz de
modo a evitar que o ar saia. A outra mão coloca-se por baixo do pescoço da vítima de
modo a que as vias respiratórias estejam desimpedidas.

3- Apertando o nariz com uma mão encosta-se a boca junto à da vítima e insufla-se
fortemente de modo a que seja visível a elevação do esterno. Após cada insuflação
soltamos a o nariz da vítima e enquanto se o recupera fôlego a cara do operador fica
situada por cima do nariz e da boca da vitima e com ela virada para o esterno da mesma,
deste modo poderemos sentir o ar a sair e estamos atentos ao movimento do esterno.

4- A primeira vez que se insufla ar injeta-se 3 vezes ar e 15 massagens. Só depois é que


passamos ás 2 insuflações e 15 massagens.

5- Após insuflar ar deve-se proceder à massagem cardíaca. Com os dedos entrelaçados e


com os braços esticados devemos proceder à massagem. Importante o pormenor dos
braços esticados, pois a força aplicada sobre o esterno provem do movimento de cintura
e não do dobrar dos braços. Movimento de cintura e não do dobrar dos braços.

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RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS NA RCP


Nunca interromper a RCP por mais de 10 segundos (por exemplo em pequenas
deslocações) e no global, 30 segundos.

> Não deslocar a vítima para um local mais conveniente até estar estabilizada a situação
e em condições de ser evacuada. Nunca comprimir o apêndice xifoide (final do esterno).

> Não fletir os membros superiores do socorrista enquanto se fazem CT (compressões


torácicas).

> Entre as CT (na descompressão) a base da mão deve manter-se em contacto com o
esterno, embora sem fazer pressão.

> A extensão da cabeça, ou subluxação do maxilar inferior, deve ser bem-feita em cada
insuflação realizada. Pode correr-se o risco de insuflar ar no estômago e provocar
regurgitamento do conteúdo gástrico com consequente aspiração do vómito.
> Não cruzar as mãos ao fazer CT.

> Não inclinar o corpo para trás. O reanimador deve ter os seus braços perpendiculares
ao corpo da vítima.
> Não tocar na caixa torácica com os dedos enquanto se fazem CT.
> Evitar movimentos secos, bruscos e imprevistos.

ATENÇÃO: Ás vezes, enquanto se fazem as CT, ouve-se um som tipo estalido. Não se deve
ficar alarmado. A crepitação provém das cartilagens ou das próprias costelas.

Espero que ao chegarem ao fim percebam e tenham em mente a importância que estes
conhecimentos poderão ter um dia... Nunca se sabe quando será. E, sabendo bem este
pequeno excerto, (não digo salvar uma vida) mas evitar uma morte torna-se
perfeitamente possível.

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Socorros de urgência

É um conjunto de procedimentos bem definidos com metodologias padronizadas, que


tem como objetivo reconhecer as situações de perigo de vida iminente, saber como e
quando pedir ajuda e saber iniciar de imediato, sem recurso a qualquer dispositivo,
manobras que contribuem para a preservação da ventilação e da circulação de modo a
manter a vítima viável até que possa ser instituído o tratamento médico adequado e,
eventualmente, se restabelecer o normal funcionamento respiratório.

As manobras de SBV não são, por si só, suficientes para recuperar a maior parte das
vítimas de PCR.

O SBV destina-se a ganhar tempo, mantendo parte das funções vitais até à chegada do
Suporte Avançado de Vida.

Em algumas situações em que a falência respiratória foi a causa primária da PCR, o SBV
poderá reverter a causa e conseguir uma recuperação total.

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“ O direito a ser reanimado conquista-se pelo dever de saber reanimar”

Etapas e Procedimentos

A sequência de procedimentos, após a avaliação inicial, segue as etapas “ABC”

Permeabilização da Via Aérea – Airway


Função Ventilatória – Breathing
Função Cardiocirculatória – Circulation

Posicionamento da Vítima e do Reanimador

As manobras de SBV devem ser executadas com a vítima em decúbito dorsal, no chão ou
num plano duro. O reanimador deve posicionar-se junto da vítima para que, se for
necessário, possa fazer insuflações e compressões sem ter que fazer grandes deslocações.

Sequência de Ações

Avaliação Inicial
A avaliação inicial consiste em:
Avaliar as condições de segurança no local;

Avaliar o estado de consciência da vítima.

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Avaliar as condições de segurança no local:

Utilizar Luvas;
Garantir a segurança do local.

Avaliar o Estado de Consciência da Vítima:

Aproxime-se da vítima e pergunte em voz alta:


“Está bem?”
“Sente-se bem?”

Estimule a vítima batendo suavemente nos ombros.

VÍTIMA RESPONDE:
Pergunte o que se passou;

Pergunte se tem alguma queixa;


Veja se existem sinais de ferimentos;
Se necessário, vá pedir ajuda, ligando 112;

Desde que não represente perigo acrescido, deixe-a na posição em que a encontrou.

VÍTIMA NÃO RESPONDE:

Se está sozinho: gritar de imediato por ajuda – 1º Pedido de Ajuda:


“Preciso de ajuda! Está aqui uma pessoa desmaiada!”

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Não abandone a vítima;


Prossiga com a avaliação.
Permeabilização da Via Aérea

Pelo facto da vítima se encontrar inconsciente


pode ocorrer obstrução da via aérea:

 Queda da língua;
 Corpos estranhos:
 Vómito;
 Sangue;
 Dentes partidos;
 Próteses dentárias soltas.

Extensão da cabeça com Elevação do Mento

Desaperte a roupa à volta do pescoço da vítima e exponha o tórax;

Se visualizar corpos estranhos na boca, deve removê-los. Não deve perder tempo a
inspecionar a cavidade oral;

Coloque a palma de uma mão na testa da vítima e os dedos indicador e médio da outra
mão no bordo do maxilar inferior;

Efetue simultaneamente a extensão da cabeça (inclinação da cabeça para trás) e elevação


do mento (queixo).

Notas:

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As próteses dentárias bem fixas não devem ser removidas;


Não executar a extensão da cabeça, se há suspeita de traumatismo da coluna cervical.

Avaliar a Ventilação Ver, Ouvir e Sentir (VOS)

Manter a permeabilidade da via aérea, aproximar a sua face da face da vítima olhando
para o tórax e:

Ver – movimentos torácicos;

Ouvir – ruídos de saída de ar pela boca ou nariz da vítima;

Sentir – na sua face se há saída de ar pela boca ou nariz da vítima.

Até 10 segundos

Nota: Na vítima inconsciente, a ausência de respiração normal, ou a presença de gasping,


são considerados sinais de PCR.

VÍTIMA RESPIRA NORMALMANENTE:

Se não existe suspeita de traumatismo cervical,


colocar a vítima em
Posição Lateral de Segurança (PLS);
Pedir ajuda;
Reavaliar novamente.

VÍTIMA NÃO RESPIRA NORMALMENTE:

2º Pedido de Ajuda: Ligar 112 (ou pedir a alguém que o faça);

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Iniciar de imediato as compressões torácicas.

Compressões Torácicas:

Colocar a vítima em decúbito dorsal sobre uma superfície rígida;


Coloque a base de uma mão no centro do tórax da vítima (na ½ inferior do esterno);
Coloque a outra mão sobre esta;

Entrelace os dedos e levante-os, ficando apenas a base de uma mão sobre o esterno, e de
forma a não exercer pão exercer pressão sobre as costelas;

Mantenha os braços esticados e, sem fletir os cotovelos, posicione-se de forma que os


seus ombros fiquem perpendiculares ao esterno da vítima;
Pressione verticalmente sobre o esterno, de modo a que este baixe pelo menos 5 a 6 cm;

Alivie a pressão, para que, o tórax possa descomprimir totalmente, mas sem perder o
contacto da mão com o esterno;

Repita o movimento de compressão e descompressão de forma a obter uma frequência


de pelo menos 100/min (no máximo 120/min);
Recomenda-se que comprima “com força e rapidez”;

O gesto de compressão deve ser firme, controlado e executado na vertical;


Os períodos de compressão e descompressão devem ter a mesma duração;
É útil contar em voz alta: “1 e 2 e 3 e 4 e 5 e 6 e…29 e 1. Permite:

Manter o ritmo adequado;


Ter a noção do número de ciclos;
Coordenar-se com o outro reanimador (se estiver presente).

Ao fim de 30 compressões, permeabilize a via aérea.

Insuflações
Efetue 2 insuflações, que deverão demorar cerca de 1 segundo cada;

As insuflações devem fazer elevar a caixa torácica;


No entanto, se não for o caso não deve repeti-las;

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Se as insuflações iniciais não promoverem uma elevação da caixa torácica, então na


próxima tentativa deve:

Observar a cavidade oral e remover qualquer obstrução visível;


Confirmar que está a ser efetuada uma correta permeabilização da via aérea;

Efetuar 2 insuflações antes de reiniciar compressões torácicas.

Sincronização das Compressões com as Insuflações

Reposicione as mãos sem demoras na correta posição sobre o esterno e efetue mais 30
compressões torácicas;

Mantenha as compressões torácicas e insuflações numa relação de 30:2.

Reanimação cardio-respiratória

Na pesquisa de circulação ou pesquisa de pulso é importante palpar o pulso para se saber


se existe ou não contrações cardíacas. A pesquisa poderá ser feita em vários locais,
nomeadamente nas artérias carótidas, femorais, radiais ou umerais.

Numa vítima inconsciente pesquisa-se sempre o pulso carotídeo. Por este ser um pulso
mais central, é mais fácil a sai palpação. Para localizar o pulso carotídeo deve colocar dois

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dedos (indicador e médio) na região da laringe (“maçã de Adão”) e deslizar os dedos


ligeiramente para o exterior do pescoço.

O reconhecimento do pulso carotídeo consome tempo e não é fiável, em particular


quando o reanimador não é profissional de saúde, pelo que esta técnica apenas deve ser
usada por profissionais de saúde treinados.

SBV
É fundamental garantir que o SBV é executado de forma ininterrupta e com qualidade;

Para isso devem minimizar-se as pausas e comprimir o tórax “com força e rapidez”.

SBV – Até Quando?

As manobras uma vez iniciadas devem ser continuadas


sem interrupção até que:

Chegue ajuda diferenciada e tome conta da ocorrência;


A vítima recupere: respiração normal, movimento ou abra os olhos;

O reanimador esteja exausto.

Interrupção das Manobras de SBV

Nas situações de PCR só deve interromper as manobras de SBV, para reavaliação da


vítima, caso esta apresente algum sinal de vida:

Respiração normal;
Tosse;
Presença de movimentos;

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Abertura dos olhos.

Neste caso o reanimador deve confirmar a presença de respiração normal, efetuado o


VOS.

Emergências médicas

O corpo de bombeiros define socorros de urgência ou primeiros socorros como as


medidas inicialmente tomadas por alguém que esteja qualificado para prestar o socorro
assim de manter os sinais vitais e evitar o agravamento de lesões já existentes em uma
pessoa que seja fora do ambiente hospitalar.

Já segundo a Cruz Vermelha americana socorros de urgência são os cuidados


imediatamente prestados a quem esteja selecionado ou subitamente adoecido quem
presta os socorros de urgência precisa saber também encorajar aquele que recebe os
socorros com palavras tranquilizadoras e motivadoras que demonstrem sua
competência para socorrer.

Assim quem presta Socorro deve saber o que fazer e o que não fazer evitando os erros
frequentemente cometidos por quem não está preparado para lidar com a situação de
urgência a diferença entre a vida e a morte em casos mais extremos ou entre uma rápida
recuperação ou um longo período de hospitalização e tratamento pode depender da
qualidade dos conhecimentos sobre socorros de urgência daquele que presta esse
atendimento.

Quando estamos em uma atividade corporal, seja uma aula de educação física na escola
ou seja uma atividade esportiva ou recreativa o risco de ocorrer uma lesão ou um
acidente está sempre presente em tais situações precisamos saber como fazer para
prestar Socorro a quem está lesionado acidentado ou subitamente se sente mal.
Pensamos em exemplos reais, ocorrências do cotidiano, das atividades corporais que
certamente todos já presenciamos, alguém que tenha recebido uma bolada no rosto e

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cujo nariz ou boca esteja sangrando, alguém que esteja passando mal com febre, desmaio,
em qualquer momento da vida podemos nos encontrar em uma situação na qual alguém
precise receber atendimento médico. Mesmo que esta situação ocorra em uma cidade
com médicos e hospitais por perto quem estiver próximo da pessoa que se machucou ou
que está se sentindo mal precisará às vezes prestar socorros e urgência.

Vale a pena ressaltar que após a aplicação dos procedimentos de primeiros socorros
mesmo que a vítima apresente uma aparente normalidade é recomendável seu
encaminhamento para o atendimento médico para que se faça uma avaliação mais
aprofundada do seu estado geral.
Primeiros socorros e conselhos de prevenção nos diferentes casos de dificuldade
respiratórias

O termo dificuldade respiratória é usado em sentido genérico para descrever um


desconforto ao respirar e a sensação de não conseguir respirar. O problema pode evoluir
gradualmente ou a respiração pode ficar subitamente mais difícil. A dificuldade para
respirar faz a pessoa sentir como se não conseguisse obter ar suficiente. Uma leve
dificuldade para respirar, como o cansaço após uma classe de aeróbica, não é problema.

A dificuldade respiratória pode ser causada por diversos quadros clínicos diferentes ou
pode se desenvolver em consequência de estresse ou ansiedade

A falta de ar frequente ou a dificuldade súbita e intensa para respirar pode ser sinal de
um grave problema de saúde que necessita de atenção médica.

A dificuldade para respirar é geralmente causada por questões ambientais simples e / ou


problemas comuns de saúde. Como por exemplo:
• Alergia à poeira, mofo ou pólen;

• Stresse e ansiedade;
• Bloqueio das vias aéreas causado por nariz entupido ou catarro na garganta;
• Redução no consumo de oxigênio após subir para uma altitude elevada.

Existem muitas doenças pulmonares que podem causar dificuldade para respirar. Todas
elas exigem atendimento médico imediato, algumas mais do que as outras:

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• A asma é uma inflamação com estreitamento das vias aéreas que pode causar falta
de ar, chiados, sensação de aperto no peito e tosse.

• A pneumonia é uma inflamação do pulmão causada por infeção. Os sintomas


incluem falta de ar, tosse, dor no peito, chiado, suor, febre, dor muscular e exaustão. Em
alguns casos, esse quadro clínico pode envolver risco de vida.

• DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) é o termo utilizado para se referir a


um grupo de doenças que causam dificuldade de exalar o ar e outros sintomas, como
chiado, tosse constante e aperto no peito. O enfisema, geralmente causado por vários
anos de fumo, pertence a essa categoria de doenças.

• Embolia pulmonar é o bloqueio de uma ou mais das artérias que suprem os


pulmões. Geralmente é causada por um coágulo sanguíneo que se deslocou, geralmente
da perna, até as artérias pulmonares. Esse problema pode oferecer risco de vida e requer
atendimento médico imediato. Outros sintomas são edemas nas pernas, dor no peito,
tosse, chiado, sudorese, taquicardia, tontura e/ou pele azulada.
• Hipertensão pulmonar é a pressão arterial alta que afeta as artérias do pulmão e
do coração. Essa doença é geralmente causada pelo estreitamento ou enrijecimento das
artérias pulmonares. Os sintomas dessa doença são muito semelhantes aos da embolia
pulmonar. É necessário atendimento médico imediato.

• Laringite é uma doença respiratória causada por uma infeção viral aguda e é
conhecida pela conhecida tosse de cachorro. O paciente deve marcar uma consulta com
o médico se ele(a) ou o filho apresentar sintomas de laringite. Crianças com menos de
cinco anos são mais suscetíveis a apresentar complicações mais graves relacionadas a
essa doença (Mayo Clinic, 2010).

• Epiglotite é um edema da epiglote (o tecido que cobre a traqueia) devido à infeção.


Esta doença pode oferecer risco de vida e requer atendimento médico imediato. Outros
sintomas são febre, dor de garganta, baba, pele azulada, dificuldade para respirar e
engolir, sons estranhos ao respirar, calafrios e rouquidão. Existem vacinas disponíveis
para a prevenção dessa doença.

• Hérnia de hiato é uma protrusão do estômago pelo diafragma em direção ao tórax.


Pessoas com essa doença também podem ter dor no peito, dificuldade para engolir e azia.
Pequenas hérnias de hiato podem geralmente ser tratadas com medicamentos e
mudanças no estilo de vida. Em caso de hérnias grandes, ou hérnias pequenas que não
respondem ao tratamento, pode haver necessidade de cirurgia.

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Perda de conhecimento, acidente vascular cerebral; dor torácica,


diabetes, dificuldade respiratória, convulsão

Dificuldades Respiratórias - Descrição


Ortopneia: É a dificuldade respiratória (dispneia) que ocorre quando a pessoa está
deitada.

Dispneia de decúbito: Dispneia que surge em decúbito dorsal e que melhora ao assumir
a posição ortostática. Geralmente, a pessoa dorme com vários travesseiros. Ex.
Insuficiência cardíaca congestiva.

Dispneia paroxística noturna: Dispneia que surge algum tempo após o adormecer, com
a pessoa acordando bruscamente com forte sensação de sufocação.

Trepopneia: Dispneia com a pessoa deitada de lado.


Platipneia: Dispneia na posição ortostática, que alivia com o decúbito.

Apneia: Paragem temporária da respiração.

Hipopneia: Diminuição da frequência e profundidade da respiração, abaixo das


necessidades do organismo.
Eupneia: É manutenção natural da frequência respiratória.
Parâmetros da eupneia:

Recém-nascido até 2 meses: Frequência respiratória normal até 60 ipm (incursões


respiratórias por minuto)
De 2 meses até 1 ano: Frequência normal até 50 ipm

De 1 ano até 5 anos: Frequência normal até 40 ipm

De 5 anos até os 12 anos considera-se normal a frequência respiratória variando entre


20 a 30 ipm. Após isso, o ritmo regular da respiração varia entre 12 a 20 ipm.

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Ferida inflamada
Reação do organismo a qualquer agente
agressor, como uma picada de inseto, uma
batida e um corte, entre outros. É
importante não confundir inflamação com
infeção. A infeção é gerada pela ação de
microorganismos como fungos, vírus e
bactérias. Já a inflamação é uma reação do
próprio organismo.
Como reconhecer:

- A inflamação se caracteriza por uma área geralmente avermelhada, inchada e dolorida.

Como agir:

- Faça compressas com bolsa de água fria ou pano húmido no local para aliviar a sensação
de calor;
- É possível fazer uso tópico de anti-inflamatórios em feridas inflamadas não abertas;

- Em feridas abertas, é necessário consultar um médico, pois há possibilidade da


inflamação se transformar em infeção.
Ferimento em crianças

Em caso de ferimento em crianças, mantenha a calma, afaste a criança do local do


acidente, acalme-a e limpe bem a área acidentada.

Como agir:
- Lave o local com água corrente em abundância e sabão. É importante limpar bem a
ferida, para tirar restos de areia, pedras ou qualquer outro tipo de resíduo do ferimento;

- Finalize a limpeza com um antisséptico e um curativo com gaze, trocando-o uma vez ao
dia;

- Se não tratados com a devida atenção, ferimentos leves podem infecionar. Se isso
acontecer, leve a criança a um serviço médico.

Como prevenir:
- Não deixe as crianças sem a supervisão de um adulto, seja em casa, na escola ou no
parque;

- Restrinja o acesso à cozinha colocando uma barreira na porta. Este é um dos locais onde
a maioria dos acidentes acontece;

- Jamais deixe a criança sozinha no banho;


- Proteja pontas de mesas, criados-mudos e todos os tipos de objetos pontiagudos;

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

- Tape as tomadas com proteção adequada.


Ferimento na cabeça

Os ferimentos na cabeça costumam assustar, pois o sangramento é intenso, já que é uma


região muito vascularizada do corpo. Se o ferimento for originado por uma batida muito
forte, é necessário buscar o atendimento médico imediatamente. Se for apenas um corte
superficial, é possível aplicar alguns procedimentos de primeiros socorros sem que seja
preciso ir ao hospital.
Fratura

Pode ser causada por quedas, impactos fortes ou


movimentos violentos. Há vários tipos de fraturas. As mais
comuns são as dos membros (mãos, pés, braços, pernas
etc.). Em geral, fraturas na cabeça, no pescoço e na coluna
exigem um cuidado maior no atendimento inicial.

Fraturas expostas são aquelas em que o osso quebrado


rompe os músculos e a pele e fica aparente. Nestes casos,
complexos e graves, o ferimento no local da fratura está
em contato com o ambiente e, se não for tratado, podem
dar origem a infeções e deficiências.

Como agir:

- A pessoa que sofreu uma fratura sentirá muita dor no local, ao apalpá-lo ou movimentá-
lo. Faça um primeiro diagnóstico observando o que aconteceu;
- Chame socorro imediatamente ou, se a pessoa estiver em condições de ser transportada
de carro, leve-a um hospital;

- Imobilize o membro fraturado segurando a área com firmeza ou com a ajuda de um


papelão, dobrando-o em três (como se fosse uma calha). É possível ainda usar um pedaço
de madeira, uma atadura e um lençol (sem apertar muito). A imobilização vai diminuir a
dor;

- Em caso de fratura exposta, imobilize o membro como está e não tente colocar o osso
no lugar. Cubra o local com um pano esterilizado ou bem limpo, para evitar o contato
com o ambiente;

- Se o socorro demorar, lave o local com água corrente abundante ou com soro fisiológico
e seque com o pano limpo. Não coloque nenhuma outra substância;

- Se houver um sangramento muito intenso, faça a compressão firme do local, segurando


o membro na posição oposta ao fluxo do sangue. Exemplo: fratura no pulso? compressão
no antebraço.

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Acidente respiratório

Ocorre quando há bloqueio na passagem de ar para os pulmões, podendo ser por


engasgamento. Esta é uma emergência que precisa de atendimento imediato. Após 3 a 4
minutos sem respirar, o cérebro para de
funcionar, uma condição que pode ser fatal.

Como agir para ajudar um adulto:


- Não peça para que a vítima levante os braços
ou coloque a cabeça para trás, isso só
aumentará a obstrução;
- Estimule a vítima a tossir;

- Abrace-a por trás, passando os braços por baixo das axilas. Posicione suas mãos na
região abdominal dela, na linha do umbigo. Uma mão deve estar com o punho fechado e
a outra, espalmada, cobrindo a primeira. Faça movimentos fortes e repetitivos, até a
pessoa expelir o que estiver obstruindo a passagem do ar.

Como agir para ajudar uma criança:

Coloque a criança deitada de bruços, apoiada sobre a sua coxa, com a cabeça voltada para
baixo;

Comprima, com uma das mãos, as costas da criança, exercendo pressão contínua até que
expila o que estiver provocando a obstrução.

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Intoxicações

Vivemos rodeados de possíveis tóxicos que utilizamos constantemente nas nossas casas,
garagens, fábricas, no campo. Quando acontece uma intoxicação precisamos de saber
como atuar. Os conselhos que aqui lhe deixamos são essenciais para a abordagem a este
tipo de situações e permitem que cada cidadão tenha o conhecimento necessário para
atuar em caso de intoxicação.

O que fazer:

 Verifique se tem condições de segurança para abordar a vítima;


 Mantenha a calma. Não se precipite, mas não perca tempo;
 Contacte o Centro de Informação Antivenenos (CIAV), através do número 800 250
250;
 Responda às perguntas do médico do CIAV:

1. Quem?
2. O Quê?
3. Quanto?
4. Quando?
5. Onde?
6. Como?

 Se não conseguir ligar para o CIAV, ligue 112 ou dirija-se ao hospital mais
próximo;
 Leve sempre consigo as embalagens dos produtos que originaram a intoxicação.

Não se esqueça:

 A calma é muito importante;


 Telefonar para o CIAV é essencial. Um médico atende-o e explica-lhe o que deve
fazer em caso de intoxicação;
 Grave o número do CIAV no seu telemóvel – 800 250 250

Controlo de hemorragias
Uma vítima que sangra continuamente corre risco de vida. É por isso vital controlar
esta perda de sangue o mais depressa possível. Tendo em conta que uma hemorragia
pode ser capilar, venosa ou arterial (sangue sai em jato), equacione a forma mais
adequada que permita o controlo da hemorragia.

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Como devemos atuar?

Aplique pressão: coloque uma compressa limpa e seca diretamente sobre o ferimento e
pressione com firmeza. Se a compressa ficar empapada de sangue, não a retire e
coloque outra por cima. Se necessário, retire ou corte as roupas para expor a lesão.

Eleve e apoie: se a hemorragia for num membro, deve elevá-lo para que fique num nível
superior ao do coração da vítima, de modo a diminuir o afluxo de sangue à zona
afetada.

Segure a compressa com uma ligadura: coloque uma ligadura em torno da compressa
para a segurar no lugar e manter a pressão. Se o sangue ensopar a compressa, cubra-a
com outra, utilizando uma nova ligadura para fixar.

Ligue 112 assim que possível.

Atenção:

 Procure utilizar luvas para garantir as melhores condições de segurança para si


e para a vítima;
 Caso a vítima se sinta cada vez mais fraca, deite-a e eleve-lhe as pernas
ligeiramente acima do nível do coração (+-30°);

Se existir algum objeto estranho a perfurar a vítima, não o remova: imobilize-o.

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Lesões da pele

Lesões de pele são interrupções da integridade cutâneo-mucosa que resultam no


desequilíbrio da saúde, muitas vezes impedindo ou dificultando atividades básicas do dia
a dia, como locomoção e convivência. As lesões de pele são organizadas em diversas
classificações e, por isso, exigem tratamentos diferenciados.

Dicas de primeiros socorros para idosos


1. Queimaduras

Elas costumam acontecer após o contato com objetos quentes, água fervente, vapor,
irradiação solar ou mesmo substâncias químicas. Para casos mais simples, como encostar
no fogão ou numa panela quente, indica-se lavar a área com água corrente para amenizar
a dor. Depois, pode-se higienizar a região com gaze embebida em soro fisiológico.

Se a queimadura for mais grave, jamais toque na área afetada, tampouco tente furar as
bolhas ou remover os pedaços que possam estar grudados sobre a pele. Não aplique
remédios caseiros como manteiga, água, gelo, azeite ou creme dental. Apenas um
profissional da saúde pode administrar medicamentos para as lesões.

As queimaduras por produtos químicos também pedem cuidados. Retire as roupas do


idoso sem tocar na região afetada. Lave o local com água corrente por aproximadamente
dez minutos. Higienize com a ajuda de uma gaze e vá imediatamente ao médico.
2. Corpo estranho no olho

Não deixe o idoso coçar ou apertar a região. Aplique algumas gotas de soro fisiológico e
peça para que ele fique com os olhos fechados por alguns minutos. Cubra com compressa
umidificada com água ou soro, se necessário. Vá imediatamente ao médico, caso o objeto
esteja cravado no olho.
3. Engasgamento

Com cuidado, pratique a manobra de Heimlich. Abrace a vítima por trás e posicione as
mãos sobre a boca do estômago, comprimindo uma com a outra. Faça cinco movimentos
bruscos para dentro e para cima. Repita se necessário. Caso o idoso esteja com falta de
ar, leve-o rapidamente para a emergência.

4. Queda

Analise o estado da vítima. Se ela sentir dor, mantenha-a imobilizada. Ligue rapidamente
para a emergência. Em casos mais simples, usar um saco de gelo pode diminuir o inchaço

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

e o arroxeado dos hematomas. Lembre-se: batidas de cabeça são perigosas e pedem


atenção redobrada.

5. Dores no peito

Leve o idoso ao médico sempre que ele reclamar de uma dor persistente no peito. Dores
de cabeça, no braço e falta de ar também são sintomas importantes e que devem ser
levados em conta. Jamais ignore esses sinais. Eles podem indicar o início de um infarto.

Traumatologia

Na medicina, a traumatologia (do grego trauma, significa lesão ou ferida) é o estudo de


feridas e lesões causadas por acidentes ou violência a uma pessoa, da cirurgia do trauma
e da reparação do dano. A traumatologia é um ramo da medicina . É frequentemente
considerado um subconjunto da cirurgia e, em países sem a especialidade da cirurgia de
trauma, é frequentemente uma sub-especialidade da cirurgia ortopédica . Traumatologia
também pode ser conhecida como cirurgia de acidente

Traumatismos crânio-encefálicos e de coluna

As pancadas na cabeça geralmente não precisam ser tratadas com urgência, no entanto,
quando o trauma é muito forte, como o que acontece em acidentes de trânsito ou em
quedas de grandes alturas, é preciso saber o que fazer para reduzir ou evitar possíveis
complicações.

Assim, é importante ligar para uma ambulância, observar se a pessoa está consciente e
iniciar a massagem cardíaca caso se a pessoa não responda aos chamados. Além disso,
após o acidente, a pessoa pode apresentar vômitos persistentes e, nesses casos, é
importante deitá-la de lado, tendo cuidado para não fazer movimentos bruscos com o
pescoço, colocando um suporte, como casaco ou almofada, debaixo da cabeça.

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Primeiros socorros para traumatismo craniano


Caso haja suspeita de traumatismo craniano, deve-se:
1. Chame uma ambulância, ligando para o 192;

2. Observe se a pessoa está consciente:


o Caso esteja consciente, deve acalmá-la até à chegada da ajuda médica;

o Caso o indivíduo esteja inconsciente e não respire, deve iniciar massagem


cardíaca, seguindo este passo-a-passo.

3. Mantenha a vítima imobilizada, evitando mexer no pescoço, pois podem existir


danos na coluna;

4. Pare hemorragias, caso existam, aplicando ligeira pressão sobre o local, com um
pano, gaze ou compressa limpa;

5. Vigie a vítima até à chegada da ambulância, observando se ela respira. Inicie a


massagem caso pare de respirar.
É importante que os primeiros socorros para o traumatismo craniano sejam realizados
corretamente, para evitar possíveis complicações, como o coma ou perda de movimento
de algum membro, por exemplo. Conheça as possíveis complicações do traumatismo
craniano.
Como identificar um traumatismo craniano

Os primeiros sinais que ajudam a identificar quando é necessário utilizar este tipo de
primeiros socorros incluem:
 Sangramento grave na cabeça ou rosto;

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

 Saída de sangue ou líquido pelos ouvidos ou nariz;


 Perda de consciência ou sonolência excessiva;
 Náuseas intensas e vômitos incontroláveis;
 Confusão, dificuldade para falar ou perda de equilíbrio.

O traumatismo craniano é mais comum em situações em que existe uma pancada muito
forte na cabeça, porém, no caso dos idosos ou crianças o traumatismo pode acontecer
mesmo em quedas mais simples.

Caso não exista nenhum sintoma após o acidente é importante vigiar a pessoa durante,
pelo menos 12 horas, pois pode existir um pequeno sangramento que vai acumulando e
só apresenta sintomas após algum tempo.

Imobilização e extração de vítimas

Sempre que exista a suspeita, mesmo que muito reduzida, de lesão osteoarticular,
sobretudo fratura, nunca se deve tentar movimentar a parte afetada,
independentemente do tipo de acidente, antes que a situação seja avaliada, já que uma
precipitada ou incorreta atuação pode agravar o problema ou até mesmo originar
complicações ainda mais graves do que as consequências do próprio traumatismo como,
por exemplo, a rutura de um vaso sanguíneo ou nervo pela deslocação de um fragmento
ósseo.

A primeira coisa a fazer é observar a zona lesionada sem, contudo, movê-la e, caso seja
necessário, rasgar a roupa do paciente, pois um atento exame evidenciará a existência de
feridas e até mesmo uma eventual fratura exposta. Nestes casos, deve-se travar a
hemorragia, comprimindo o local com gazes esterilizadas ou, caso estas não estejam
disponíveis, com um pano o mais limpo possível.

Existem vários sinais e sintomas que podem indiciar uma fratura, tais como o
aparecimento de dor e uma impotência funcional da zona, mas também possíveis
deformações, embora nunca se deva tentar comprovar a sua existência ao palpá-las com
uma pressão excessiva ou ao movimentar a parte lesionada. Caso o problema seja grave,
é preferível que o paciente seja atendido no local do acidente por profissionais
habilitados e seja, posteriormente, transportado para um centro médico nas devidas
condições e num veículo especialmente adaptado. Apenas se deve optar pelo transporte
do paciente para uma unidade de saúde por outros meios, quando a lesão é muito
localizada e o paciente consegue deslocar-se sem precisar de utilizar a parte afetada ou

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

ainda quando não existe outra solução, devido ao facto de o local do acidente ser muito
isolado. Em qualquer dos casos, a deslocação deve ser precedida pela aplicação de uma
forma de imobilização improvisada, com os elementos que se tenha à mão, de modo a
assegurar que a parte lesionada não se movimenta durante a viagem.

https://www.youtube.com/watch?v=ULQn1L68sV8

Queimaduras

Uma queimadura é uma lesão na pele causada por calor, eletricidade, substâncias
químicas, atrito ou radiação. As queimaduras que afetam apenas a camada superficial da
pele são denominadas superficiais ou de primeiro grau. Quando as lesões afetam também
algumas das camadas inferiores são denominadas queimaduras de segundo grau.
Quando todas as camadas de pele são afetadas denominam-se queimaduras de terceiro
grau. Quando existem lesões em tecidos mais profundos, como os músculos ou os ossos,
denominam-se queimaduras de quarto grau.

O tratamento necessário depende da gravidade da queimadura. As queimaduras


superficiais podem ser tratadas apenas com analgésicos, enquanto as de maior gravidade
requerem internamento prolongado em unidades hospitalares especializadas. Arrefecer
a lesão com água fresca corrente pode aliviar a dor e diminuir a extensão dos danos; no
entanto, a exposição prolongada ao frio pode provocar hipotermia. As queimaduras de
segundo grau podem necessitar de ser limpas com água e sabonete e de ser aplicado um
curativo. O melhor método para tratar as bolhas não é ainda claro, mas é provavelmente
razoável mantê-las intactas. As queimaduras de terceiro grau geralmente necessitam de
tratamentos cirúrgicos, como enxertos de pele. Em caso de queimaduras extensas,

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

geralmente é necessária hidratação intravenosa, uma vez que a resposta inflamatória


posterior causa edema e perda de líquidos capilares. As complicações mais comuns das
queimaduras estão relacionadas com infeções.

Para fazer o curativo deste tipo de queimadura é recomendado:


1. Lavar imediatamente o local com água fria e sabão neutro por mais de 5 minutos
para resfriar a pele e para que fique limpa e livre de microrganismos;

2. Nas primeiras horas, aplicar uma compressa de água potável gelada, trocando
sempre que ela já não estiver fria;

3. Aplicar uma fina camada de um bom creme hidratante, mas evitar passar vaselina,
pois a gordura pode piorar a queimação.

As queimaduras de sol, geralmente, são uma queimadura de primeiro grau e o uso de


uma loção pós-sol, como o Caladryl, em todo corpo, pode ajudar a aliviar a dor e evitar
que a pele descame. É importante também usar protetor solar e evitar a exposição ao sol
nas horas de maior calor.

Veja ainda um remédio caseiro que pode utilizar para acelerar a cicatrização.

O curativo para pequenas queimadura de 2º grau pode ser feito em casa, seguindo os
seguintes passos:

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

1. Lavar a região queimada com água por mais de 10 minutos para limpar a região e
diminuir a dor;

2. Evitar romper as bolhas que tenham se formado, mas, se necessário, utilizar uma
agulha esterilizada;
3. Aplicar uma gaze com pomada de sulfadiazina de prata a 1%;

4. Enfaixar o local cuidadosamente com uma atadura.

Nas queimaduras maiores do que 1 palmo é recomendado ir no pronto-socorro para


fazer um curativo profissional, uma vez que o risco de infecção é maior.
Após a cicatrização, para evitar que a região fique manchada é aconselhado passar um
protetor solar acima de 50 FPS e proteger a área do sol.

O curativo para este tipo de queimadura deve ser sempre feito no hospital ou no centro
de queimados pois é uma queimadura grave. Na maioria destes casos, geralmente é
preciso ficar internado para repor líquidos perdidos ou para fazer enxertos de pele, por
exemplo.

Caso exista dúvida sobre a profundidade e gravidade da queimadura, deve-se procurar


ajuda médica especializada ligando para os números 190 (Bombeiros) ou 0800 707 7575
(Instituto Pró-queimados).

Por corrente elétrica

O contato da corrente elétrica com o corpo humano propícia uma serie de efeitos
colaterais. Quando ocorre um choque elétrico a corrente atinge o organismo através da
pele, as queimaduras de origem elétrica representam até 20% dos atendimentos por
queimadura anualmente. A passagem de corrente por qualquer corpo acarreta na
elevação da temperatura, por isso, quando a passagem é pelo corpo, na maioria das vezes
os envolvidos apresentam queimaduras.

A pele humana apresenta alta resistência à passagem de corrente, devido a isso a


passagem de qualquer corrente pode acarretar em alterações estruturais, as “marcas de

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

corrente”. Por isso e pelo fato de a corrente elétrica ter contato com camadas profundas
da pele e outros órgãos do corpo, a queimadura elétrica possui características únicas.
– Queimaduras por contato

– Queimaduras por arco voltaico


– Queimaduras por vapor metálico
Acesse AQUI a Cartilha para tratamento de emergências das queimaduras do SUS

Como acontecem as lesões


As lesões por corrente elétrica ocorrem no percurso de passagem da corrente entre o
ponto de entrada e de saída do corpo. A voltagem e a amperagem, junto ao tempo de
exposição, a resistência do corpo, a magnitude e caminho percorrido pela corrente, são
os fatores que determinam a extensão e profundidade da lesão. Essa passagem pelos
tecidos pode levar a destruição das terminações nervosas, o que faz das queimaduras
elétricas menos dolorosas. No entanto, nisso reside um dos maiores riscos, porque esse
tipo de queimadura tente a progredir em profundidade, mesmo após desfeito o contato,
podendo encontrar órgãos vitais.

Não há necessidade de contato direto de uma pessoa com as partes energizadas, a


passagem da corrente pode ocorrer devido a uma descarga elétrica ou a um arco voltaico,
caso o indivíduo esteja próximo a partes energizadas. A eletricidade pode causar diversas
formas de queimadura, o que leva a uma taxa de mortalidade de 3% e 15%. Pela
diferença de cada tipo existe a seguinte classificação: queimaduras por contato;
queimaduras por arco voltaico; queimaduras por radiação (em arcos produzidos por
curtos-circuitos); queimaduras por vapor metálico.

Hemorragia externa por ferimento (corte)

Todo derramamento de sangue do organismo humano para fora dos vasos sanguíneos.
O sangue tem uma função vital e fundamental no organismo, além de transportar os
nutrientes e o oxigênio para as células. Também leva o gás carbônico e outros resíduos e
substâncias para os órgãos excretores do corpo.

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

O sangue tem funções nutritivas, excretoras e imunológicas essenciais ao nosso


organismo, o que leva a concluir que a perda de tal elemento em nosso corpo é
extremamente prejudicial e, dependendo da quantidade e do caso, mortal.

Uma hemorragia com muita perda de sangue não devidamente tratada pode levar a
vítima a um estado de choque e, posteriormente, a óbito. Já em casos de hemorragias de
menor proporção, pode trazer um quadro de anemia (falta de nutrientes, e baixa
quantidade de glóbulos vermelhos no sangue).

Hemorragia externa: É o tipo de sangramento exterior ao corpo, ou seja, que é facilmente


visível. Pode ocorrer em camadas superficiais da pele por corte ou perfurações, ou
mesmo atingindo áreas mais profundas através de aberturas ou orifícios gerados por
traumas. Pode ser contida, utilizando técnicas de primeiros socorros.

Hemorragia interna: A hemorragia interna se dá nas camadas mais profundas do


organismo com músculos ou mesmo órgão internos. Ela pode ser oculta ou exteriorizar-
se através de algum hematoma (mancha arroxeada) na região da hemorragia. A
hemorragia interna costuma ser mais grave pelo fato de na maioria dos casos ser
“invisível”, o que dificulta sabermos a dimensão e a extensão das lesões.

As hemorragias ainda têm um outro tipo de classificação que se dá quanto ao tipo de vaso
sanguíneo rompido. Podem ser:

Hemorragia Arterial: quando uma artéria é rompida ou cortada e o sangramento ocorre


em jatos intermitentes, na mesma pulsação das palpitações cardíacas. O sangue nesse
tipo de hemorragia, apresenta uma coloração vermelha clara e brilhante. Costuma ser
mais grave por ter uma perda mais rápida de sangue.

Comportamentos a seguir

Segundo Faria (1971), o homem tem uma constante preocupação com a segurança, pois,
toda atividade laboral possui algum risco. Por essa razão, a função segurança estuda,
investiga, classifica, assume ou transfere os riscos embutidos a qualquer atividade
laboral, fornecendo amparo contra o acaso.
Por ser tudo interdependente, a minimização dos acidentes é o maior ou, um dos maiores
adversários à inteligência do homem. São aplicados muitos esforços físicos e mental,
além de grandes quantidades de recursos, mesmo assim, a ocorrência de acidentes
permanece como um desafio constante a todos esses esforços (CARDELLA, 2010).

Como o risco é a parte agregada de perigo e dano que ocorre do desenvolvimento de uma
atividade laboral. Ele é capaz de anular as vantagens conquistadas com a realização da
atividade. Por ser um elemento aleatório que não pode ser previsto na íntegra. Nem
determinado, o risco deve ser frequentemente pesquisado (FARIA, 1971).

Segundo Cardella (2010), na função segurança, o controle de riscos objetiva a


manutenção destes abaixo de níveis tolerados. E para tal, os riscos são classificados em
dois tipos: transferíveis e intransferíveis. Os transferíveis podem ser assumidos por

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

empresas de seguros mediante o pagamento do prêmio estipulado na apólice de seguro;


os riscos intransferíveis estão atrelados à atividade ou procedimento de tal maneira, que
é quase impossível eliminá-los. Estes estimulam o aumento de custos, comprometendo
o lucro da organização (FARIA, 1971).

O processo de gestão de riscos é composto de ferramentas utilizado pelas organizações


no planejamento, operação e controle de suas atividades laborais em relação ao exercício
da função controle de riscos. Essas ferramentas que compõem o sistema de gestão são:
princípios, políticas e diretrizes, objetivos e metas, estratégias, métodos, sistemas
operacionais, programas e sistemas organizacionais (CARDELLA, 2010).

Nos riscos intransferíveis, o acaso é o elemento aleatório que dificulta a certeza da


segurança, sendo difícil seu cálculo (FARIA, 1971). Na ótica do mesmo autor, o resultado
do acaso é o acidente, cuja ocorrência prejudicial dribla a maior parte dos métodos de
controle e das técnicas aplicadas. Isso ocorre das características aleatórias que
constituem o infortúnio.

Cardella (2010) afirma que, a função controle de riscos pode ser aplicada através de
processos sofisticados, adotados em uma unidade fabril, ou processos simples que
auxiliam o controle de riscos de atividades, individualmente, de um operário. Para tal,
pode-se adotar, em quaisquer das situações os seguintes princípios:

• O acidente é um fenômeno, de origem multifacetada, onde nas organizações e


sociedades, é resultado das complexas interações ocorridas entre os agentes físicos,
biológicos, psicológicos, sociais e culturais;
• Todos os acidentes são evitáveis;

• A ocorrência dos acidentes é provocada pela dissociação da mente, envolvida no


trabalho e, o corpo;
• O homem, por si só, não consegue controlar os riscos de sua atividade.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em seu site, divulga o Programa Segurança


e Saúde no Trabalho que objetiva proteger a vida, promover a segurança e saúde do
trabalhador. Encontra-se, também, no site as Normas Regulamentadoras, Legislações e o
Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho com o objetivo à educação continuada
como uma das diretrizes a ser seguida com a inclusão de conhecimentos básicos em
prevenção de acidentes. Neste contexto, a Segurança do Trabalho não é apenas um ato
legal, mas também que deve ser cultuado pelas pessoas e as empresas, já que a educação
continuada estaria no currículo do ensino fundamental e médio da rede pública e privada,
bem como a revisão de referências curriculares para a formação de profissionais em
saúde e segurança no trabalho, de nível técnico, superior e pós-graduação. Dessa forma,
as pessoas já chegariam às empresas com o entendimento sobre segurança no trabalho,
o que facilitaria a socialização a cultura organizacional.

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Socorrismo e realidade

Lei n.º 27/2006, de 3 de Julho


Aprova a Lei de Bases da Protecção Civil

A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da


Constituição, o seguinte:

CAPÍTULO I
Objetivos e princípios

Artigo 1.º

Proteção civil

1 - A proteção civil é a atividade desenvolvida pelo Estado, regiões autónomas e


autarquias locais, pelos cidadãos e por todas as entidades públicas e privadas com a
finalidade de prevenir riscos coletivos inerentes a situações de acidente grave ou
catástrofe, de atenuar os seus efeitos e proteger e socorrer as pessoas e bens em perigo
quando aquelas situações ocorram.

2 - A atividade de proteção civil tem caráter permanente, multidisciplinar e


plurissectorial, cabendo a todos os órgãos e departamentos da Administração Pública
promover as condições indispensáveis à sua execução, de forma descentralizada, sem
prejuízo do apoio mútuo entre organismos e entidades do mesmo nível ou proveniente
de níveis superiores.

Artigo 2.º

Âmbito territorial

1 - A proteção civil é desenvolvida em todo o território nacional.

2 - Nas regiões autónomas as políticas e ações de proteção civil são da responsabilidade


dos Governos Regionais.

3 - No quadro dos compromissos internacionais e das normas aplicáveis do direito


internacional, a atividade de proteção civil pode ser exercida fora do território nacional,
em cooperação com Estados estrangeiros ou organizações internacionais de que
Portugal seja parte.

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Artigo 3.º
Definições de acidente grave e de catástrofe

1 - Acidente grave é um acontecimento inusitado com efeitos relativamente limitados no


tempo e no espaço, suscetível de atingir as pessoas e outros seres vivos, os bens ou o
ambiente.

2 - Catástrofe é o acidente grave ou a série de acidentes graves suscetíveis de provocarem


elevados prejuízos materiais e, eventualmente, vítimas, afetando intensamente as
condições de vida e o tecido socioeconómico em áreas ou na totalidade do território
nacional.

Artigo 4.º
Objetivos e domínios de atuação

1 - São objetivos fundamentais da proteção civil:

a) Prevenir os riscos coletivos e a ocorrência de acidente grave ou de catástrofe deles


resultante;
b) Atenuar os riscos coletivos e limitar os seus efeitos no caso das ocorrências descritas
na alínea anterior;

c) Socorrer e assistir as pessoas e outros seres vivos em perigo, proteger bens e valores
culturais, ambientais e de elevado interesse público;

d) Apoiar a reposição da normalidade da vida das pessoas em áreas afetadas por acidente
grave ou catástrofe.

2 - A atividade de proteção civil exerce-se nos seguintes domínios:


a) Levantamento, previsão, avaliação e prevenção dos riscos coletivos;
b) Análise permanente das vulnerabilidades perante situações de risco;

c) Informação e formação das populações, visando a sua sensibilização em matéria de


autoproteção e de colaboração com as autoridades;

d) Planeamento de soluções de emergência, visando a busca, o salvamento, a prestação


de socorro e de assistência, bem como a evacuação, alojamento e abastecimento das
populações;
e) Inventariação dos recursos e meios disponíveis e dos mais facilmente mobilizáveis, ao
nível local, regional e nacional;

f) Estudo e divulgação de formas adequadas de proteção dos edifícios em geral, de


monumentos e de outros bens culturais, de infraestruturas, do património arquivístico,
de instalações de serviços essenciais, bem como do ambiente e dos recursos naturais;

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

g) Previsão e planeamento de ações atinentes à eventualidade de isolamento de áreas


afetadas por riscos.

Procedimentos em caso de Acidente

Ferida- “é uma interrupção da integridade e das funções dos tecidos do corpo”.


Técnica de penso:
Lavar as mãos antes de fazer o penso;

Utilizar luvas aquando da execução do penso;


Irrigar a zona lesada com soro fisiológico;

Limpar a lesão com compressas esterilizadas da zona mais limpa para a mais suja, e
nunca ao contrário;
Desinfetar a ferida com um antisséptico (Betadine);

Secar a ferida com compressas, e aplicar compressas sobre a ferida, e posteriormente


adesivo ou ligadura.

Se a ferida for superficial e de pequenas dimensões, deixá-la sem proteção depois de


limpa ou aplicar uma compressa esterilizada.

Se a ferida for extensa ou mais profunda, ou com hemorragia, ou com tecidos esmagados,
ou com corpos estranhos, deverá apenas proteger com compressas esterilizadas e:

Contactar 112;
É uma situação grave que necessita transporte urgente para o Hospital.

Queimaduras - São lesões causadas por agentes exteriores (térmicos, químicos,


elétricos ou radioativos) que afetam diretamente a integridade da pele e até pode atingir
camadas mais profundas, como músculos, tendões e ossos. Outros revestimentos
corpóreos podem ser atingidos pelas diferentes formas de agentes: o tubo digestivo e a
árvore respiratória, por exemplo.

Cuidados Gerais:

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Se a roupa estiver a arder, envolver a vítima numa toalha molhada ou, na sua falta, fazê-
la rolar pelo chão ou envolvê-la num cobertor;
Se a vítima se queimou com água ou outro líquido a ferver, despi-la imediatamente;

Duche com água corrente morna, para retirar vestuário exterior;


Envolver em lençol limpo;
Nunca duas zonas queimadas devem estar em contacto;

Dar água a beber frequentemente, para evitar a desidratação – complicação frequente


das queimaduras;

Nunca esquecer que o primeiro e melhor socorro para uma queimadura é a água;

A aplicação de pensos, evita o contacto com o ar o que diminui a dor. Devem ser utilizados
pensos esterilizados para evitar a contaminação da superfície queimada;

Se a extensão da queimadura é grande, devem utilizar-se lençóis esterilizados, ou na falta


destes lençóis limpos.

Não se deve aplicar qualquer tipo de gorduras. Apenas se podem aplicar compressas
frias e húmidas para aliviar a dor;

Nas queimaduras dos dedos, das axilas, etc., sempre que duas zonas da pele estejam em
contacto, devem colocar-se pensos a separá-las, para impedir que adiram.
Queimaduras oculares – lavar os olhos com um jacto de água abundante direto.

Encaminhar sempre um queimado para o Hospital ou Centro de Saúde, dependendo do


grau de gravidade:

Queimaduras extensas;
Queimaduras oculares;
Queimaduras da face;
Queimaduras dos genitais;

Queimaduras das articulações;


Queimaduras de 2º e 3º grau, independentemente da extensão e da localização.

Encaminhar sempre um queimado para o Hospital ou Centro de Saúde, se apresentar


alguma das seguintes complicações:

Sinais visíveis de desidratação: apatia, fadiga, tonturas, olhos encovados, aumento da


sede, língua e boca seca e inchada;

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Sinais de infeção da queimadura: inchaço, rubor e dor em redor da zona da queimadura,


que se mantêm durante mais de 4 dias. Pode haver também saída de pus da queimadura.
Revisão dos efeitos tardios em certos acidentes

O envenenamento é o efeito produzido no organismo por um veneno, quer este seja


introduzido por via digestiva, por via respiratória ou pela pele.

Envenenamento por via digestiva


1.Produtos alimentares

Sinais e Sintomas:

- Arrepios e transpiração abundante, dores abdominais, náuseas e vómitos, diarreia,


vertigens, prostração, síncope, agitação e delírio.

O que deve fazer:


- Interrogar a vítima no sentido de tentar perceber a origem do envenenamento.

- Manter a vítima confortavelmente aquecida.

É uma situação grave que necessita de transporte urgente para o Hospital.


2.Medicamentos
Sinais e Sintomas:

Dependem do medicamento ingerido: pode-se observar vómitos, dificuldade


respiratória, perda de consciência, sonolência, confusão mental, etc.
O que deve fazer:

- Interrogar a vítima no sentido de tentar obter o maior número possível de informações


sobre o envenenamento.
- Pedir imediatamente orientações para o Centro de Informação Anti-Venenos:

Tel.: 21 795 01 43; 21 795 01 44; 21 795 01 46.

Indicar o produto ingerido, a quantidade provável, a hora a que foi ingerido e a hora da
última refeição.
- Manter a vítima confortavelmente aquecida.
É uma situação grave que necessita de transporte urgente para o Hospital.

3.Produtos Tóxicos

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Muitos produtos químicos são altamente tóxicos quando ingeridos: detergentes, outros
produtos de limpeza, lixívia, álcool puro ou similares, amoníaco, pesticidas, produtos de
uso agrícola ou industrial, ácidos (sulfúrico, clorídrico, nítrico e outros), gasolina, potassa
cáustica, soda cáustica, etc.

Sinais e Sintomas:

Constituem importantes sinais a informação da vítima ou de alguém indicando contacto


com o veneno ou a presença perto da vítima de algum recipiente que possa ter contido
ou contenha veneno.
Os sintomas variam com a natureza do produto ingerido; podem ser:

- Vómitos e diarreia.
- Espuma na boca.

- Face, lábios e unhas azuladas.

- Dificuldade respiratória.
- Queimaduras à volta da boca (venenos corrosivos).
- Delírio e convulsões.
- Inconsciência.

O que deve fazer:

- Se a vítima estiver consciente, interrogá-la no sentido de tentar obter o maior número


possível de informações sobre o envenenamento.
- Pedir imediatamente orientações para o Centro de Informação Anti-Venenos:
Tel.: 21 795 01 43; 21 795 01 44; 21 795 01 46.

- Em caso de ingestão de álcool, e apenas neste caso, dar uma bebida açucarada.
- Em caso de queimaduras nos lábios, molhá-los suavemente com água, sem deixar
engolir.

O que não deve fazer:


- Dar de beber à vítima, pois pode favorecer a absorção de alguns venenos.
- Provocar o vómito se a vítima ingeriu um cáustico, um detergente ou um solvente.

Em caso de intoxicação conduzir a vítima imediatamente ao Hospital, levando amostras


do veneno encontrado.
B. Envenenamento por via respiratória

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Os mais frequentes são o envenenamento pelo gás carbónico (fossas sépticas), pelo óxido
de carbono (braseiras) e pelo gás propano/ butano (gás de uso doméstico).
Sinais e Sintomas

A vítima começa por sentir um vago mal-estar, seguido de dor de cabeça, zumbidos,
tonturas, vómitos e uma apatia profunda que a impede de fugir do local onde se encontra.

A este estado segue-se o coma, se a vítima não rapidamente socorrida.


O que deve fazer:
- Entrar na sala onde ocorreu o acidente, contendo a respiração, e abrir a janela.

- Voltar ao exterior para respirar fundo.

- Entrar de novo e arrastar a vítima para fora.

- Colocar a vítima em local arejado.


- Desapertar as roupas.

- Se necessário fazer ventilação assistida.


Atenção:
Se se tratar de uma fossa séptica não tente retirar a vítima sem utilizar máscara anti-gás.
É uma situação grave que necessita de transporte urgente para o Hospital.

Saber mais
Primeiros Socorros Psicológicos

Este ano a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu como tema para o Dia Mundial
da Saúde Mental – 10 de Outubro – os Primeiros Socorros Psicológicos, sendo este artigo
um esclarecimento do que acontece perante um evento traumático e o que poderá fazer.

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Os desastres acontecem de forma inesperada, repentina e avassaladora. Em alguns casos


não há sinais visíveis de danos físicos mas existe um sério envolvimento emocional. É
comum as pessoas que sofreram situações traumáticas terem fortes reações emocionais.
Compreender as respostas normais em eventos anormais pode ajudá-lo(a) a lidar
eficazmente com os seus sentimentos, pensamentos e comportamentos, e ajudá-lo(a) ao
longo da recuperação.

O que acontece com as pessoas após um desastre ou outro evento traumático?

Choque e negação são respostas típicas a eventos traumáticos e desastres, especialmente


após a ocorrência. E ambas são reações normais de defesa e proteção. O choque é uma
perturbação do nosso estado emocional que aparece subitamente e é extremamente
intensa. A negação é não reconhecermos que algo de muito stressante aconteceu, ou não
sentirmos plenamente a intensidade do acontecimento. Nestas circunstâncias pode-se
sentir uma dormência e desconexão com a vida. Com o desaparecimento do choque
inicial, as reações podem variar de pessoa para pessoa.

Respostas normais a um acontecimento traumático:

Emoções intensas e por vezes imprevisíveis. Irritação e mudanças de humor drásticas.


Poderá desenvolver um quadro ansioso ou até depressivo.

Os pensamentos e comportamentos habituais poderão ser afetados pelo trauma e pelas


lembranças vividas do evento. Estas lembranças (flashbacks) podem ocorrer sem razão
aparente e podem manifestar-se também fisicamente através de taquicardia ou
transpiração excessiva. A concentração e tomada de decisão podem estar afetadas como
também os padrões de sono e alimentação.

Reações emocionais recorrentes são normais. Aniversários do evento, tais como o


primeiro mês ou o primeiro ano, podem desencadear lembranças perturbadoras da
experiência traumática. Estes “gatilhos” podem ser acompanhadas de medo que o evento
traumático se repita.

As relações com os outros muitas vezes tornam-se tensas. Conflitos e discussões são
frequentes e comuns entre familiares e colegas de trabalho. Por outro lado a pessoa
afetada pode retirar-se e isolar-se, evitando as suas atividades habituais.

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

O stress extremo pode originar sintomas físicos. Por exemplo: dores de cabeça, no peito
e náuseas que podem exigir atenção médica. Pré-condições médicas podem piorar
devido ao stress.

Como as pessoas respondem ao longo do tempo?

É importante perceber que não existe uma reação típica a uma experiência traumática.
Algumas pessoas respondem imediatamente enquanto que outras podem ter reações
tardias – às vezes meses ou até anos. Alguns sentem efeitos adversos por um longo
período de tempo enquanto que outros recuperam rapidamente. E as reações podem
mudar ao longo do tempo. Algumas pessoas sentem mais energia anímica na altura do
desastre que os ajuda a gerir o momento para depois entrar num estado de desânimo ou
depressivo.

Um número de fatores tendem a afetar o período de tempo necessário para a


recuperação, incluindo:

O grau de intensidade e de perda. Acontecimentos de longa duração, ameaçadores e onde


a perda de vida ou perda substancial de bem material está envolvida, muitas vezes
demoram mais tempo a resolver.

A capacidade para lidar com situações emocionalmente exigentes. As pessoas que já


passaram por situações stressantes podem lidar melhor com o trauma.

Outros eventos stressantes que precedem à experiência traumática. Pessoas


confrontadas com outras situações emocionalmente difíceis, como problema de saúde
grave ou problemas familiares, poderão ter reações mais intensas e irão precisar de mais
tempo para recuperar.

Como ajudar a sua família e a si próprio?

Existem uma série de passos que podem ajudar a restaurar o bem-estar emocional e um
sentido de controlo após um desastre ou experiência traumática, incluindo o seguinte:

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Módulo Nº. 9906 – Socorrismo básico

Tempo para adaptar-se. Prevê-se que este será um momento difícil na vida. Permita-se
lamentar as perdas que sofreu e tente ser paciente com as suas mudanças emocionais.

Peça apoio às pessoas que preocupam-se consigo, dispostas a ouvir e a empatizar com a
situação. Mas tenha em mente que o seu sistema de apoio habitual possa mudar se
aqueles que estão junto de si também passaram pela mesma experiência traumática.

Fale da sua experiência, da maneira que se sentir mais confortável – falar com a família,
amigos ou até escrever um diário.

Saiba mais sobre grupos de apoio locais ou pela Internet Estes podem ser úteis para
pessoas com pouco suporte social.

Tente encontrar grupos liderados por profissionais devidamente qualificados. A


discussão em grupo pode ajudar a perceber que outras pessoas já passaram pelo mesmo
e muitas vezes têm reações e emoções semelhantes.

Adote comportamentos saudáveis para melhorar a sua capacidade para lidar com stress
excessivo. Tenha uma alimentação equilibrada e descanse bastante. Se tiver problemas
em adormecer experimente técnicas de relaxamento. Evite álcool e/ou drogas.

Restabeleça rotinascomo comer as refeições em horários regulares e seguir uma prática


de exercício físico. Ter tempo para si, sem sentir as exigências da vida, como algum
passatempo ou outras atividades agradáveis.

Evite tomar decisões importantes para a sua vida, como a mudança de carreira ou de
emprego. Este tipo de mudança pode ser muito stressante.

Quando deve procurar ajuda?

Algumas pessoas são capazes de lidar eficazmente com as exigências físicas e emocionais
provocadas por eventos traumáticos, utilizando os seus sistemas de apoio. Porém é

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comum descobrir que problemas graves persistem e continuam a interferir com a vida
diária. Por exemplo: ansiedade elevada ou tristeza prolongada que afeta negativamente
o desempenho no trabalho e nas relações interpessoais.

Se tiver reações prolongadas deverá procurar um profissional de saúde mental.


Psicólogos e outros profissionais podem ajudá-lo(a) com as respostas normais ao stress
excessivo e a encontrar formas construtivas para lidar com o impacto emocional.

No caso das crianças: explosões emocionais persistentes e agressivas, problemas sérios


na escola, preocupação com o acontecimento traumático, isolamento extremo e outros
sinais de ansiedade extrema e contínua apontam para a necessidade de ajuda
profissional. Um profissional de saúde mental qualificado pode ajudar crianças e pais a
compreender e lidar com esses pensamentos, sentimentos e comportamentos que
resultaram do trauma.

Conclusão

A possibilidade de acidentes e situações e de doença súbita ocorrerem é sempre uma


realidade presente. A forma mais eficaz de eliminar ou reduzir nas vítimas as sequelas
que resultam destes incidentes é através do socorro prestado nos primeiros minutos que
sucedem ao incidente. A eficácia deste primeiro socorro será tanto maior quanto maior
for a formação do socorrista.

Os primeiros socorros são procedimentos básicos e simples prestados à vítima no local


do acidente, a fim de prevenir ou diminuir danos à saúde da mesma e ainda salvar a sua
vida, mantendo os sinais vitais evitando o agravamento do seu estado. Por este motivo,
este curso teve como finalidade a preparação das formandas em primeiros socorros que
dão resposta a um conjunto de situações que correspondem àquelas que mais
frequentemente ocorrem. Esta formação permite ainda a preparação para intervir em
situações de emergência em que o tempo, tal como as medidas que se tomam, podem
significar a diferença entre a vida e a morte.

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Referências Bibliográficas

AA VV., Compilação de dados estatísticos sobre sinistralidade laboral e doenças


profissionais em Portugal, Ed. UGT, 2012

AA VV., Manual de higiene e segurança no trabalho, Programa de formação PME, AEP

AA VV., Qualificação de Técnicos Superiores de Higiene e Segurança no Trabalho: Manual


de Formação, Ed. Associação Industrial Portuguesa – Confederação Empresarial, 2007

Espiga, M., Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho: textos de apoio, Ed. CECOA

Manual TAT/TAS “Abordagem à Vítima” (2012) INEM

Manual “Suporte Básico de Vida” (2012) INEM

Manual de situações de emergência e primeiros socorros (2010)

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