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Produção de Petróleo: A Influência das Matrizes Energéticas sobre o Pico de

Produção de Petróleo
Guilherme Freitas do Couto​1

Resumo
O objetivo deste artigo é travar uma discussão a respeito da produção mundial ​de
petróleo, e como essa pode ser afetada pela incidência de novas matrizes energéticas,
em principal nos meios transportes. Durante o estudo, utilizou-se um modelo do Pico de
Hubbert, que projeta o pico da produção mundial de petróleo, bem como o modelo de
Bass que analisa, neste artigo, analisa a difusão de novas fontes de energias entre os
consumidores. Por fim, identifica-se que a produção do mesmo tende a ter uma queda
de ao longo dos anos, porém essa queda não é justificada apenas pelo esgotamento das
jazidas, mas sim em sua maioria por alternativas de energias mais econômica e
modernas. Essa queda afetaria de forma diferente os setores da economia.

Palavras-chave:​ Petróleo. Matrizes Energéticas. Transportes.

Introdução
O petróleo ainda permanece como a principal fonte de energia no decorrer do
século XXI, que de acordo com o relatório da Agência Internacional de Energia - IEA
de 2018, o consumo de petróleo e seus derivados representam 31,9% de todo o consumo
de energia. No entanto, a incidência de novos combustíveis e tecnologias provocam
uma queda no consumo petróleo de forma gradativa. Durante o século XX, estudos
apontavam para um decaimento na oferta de petróleo que seria ocasionado pelo
esgotamento das jazidas de petróleo recuperável, contudo, estudos recentes apontam que
o mesmo pode acontecer também pela dinâmica econômica capitalista e das crescentes
limitações ambientais, que estimulam a utilização de novas fontes energias, somado a
isso, tem-se como fator terceiro, a volatilidade e sensibilidade do preço do petróleo
referentes a questões econômicas e geopolíticas.
Por meio de uma metodologia exploratória e qualitativa dos estudos apresentado
pelos autores citados. O objetivo deste trabalho é apresentar, como será a relação das
novas fontes de energia com o pico de produção mundial de petróleo, tomando como
referência o número de jazidas de petróleo e o comportamento que as mesmas possuem

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Graduando em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de São João Del Rei. E-mail:
guilhermefreitas2000@yahoo.com.br

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no processo de extração, de acordo com o modelo de Hubbert, além do modelo da Bass
que é capaz de modelar a difusão de novas tecnologias entre os consumidores,
mostrando de que forma a trajetória tecnológica e a dependência pelo caminho levam ao
trancamento tecnológico, esse modelo mede neste artigo mede o consumo energético
das frota em diferentes cenários existentes, cada um com um nível distinto de difusão de
carros elétricos na frota brasileira de veículos leves, e que utiliza uma metodologia
alternativa à curva de sucateamento normalmente utilizada (Baran, 2012, p.6). Desse
modo é possível estabelecer uma relação de causalidade entre a queda da produção
petróleo com as novas demandas energéticas?
Os resultados obtidos demonstram que a queda do consumo de petróleo, será
ocasionada de forma contínua, porém em um processo mais rápido do que os estudos
apresentados durante o século XX, isso é resultado das novas fontes de energias que
vem apresentando capacidade de suprir determinadas demandas, bem como a de
influenciar a oferta de petróleo.
O artigo é desenvolvido em três seções. a primeira irá analisar as estimativas do
pico de ocorrência de produção de petróleo, tomando como referência o pico de
Hubbert, no segundo tópico será apresentado a influência das novas matrizes
energéticas e como ela irão se relacionar com os consumidores.

O pico da produção de petróleo de acordo com Hubbert


Após o terceiro choque do petróleo em 1979, ocasionado pela crise política no
Irã, ​M. King Hubbert, em 1982, desenvolveu um método ​para prever o futuro da
extração de petróleo, em que o mesmo estimava a totalidade do petróleo existente e a
taxa de crescimento da produção, quando a produção acumulada atingia a metade do
total existente, a produção estaria no máximo e tenderia a declinar a partir desse ponto.
De acordo com Silveira (2004, p.33), o procedimento usado por Hubbert para
estimar o total de petróleo existente foi aprimorado com novas informações por seus
seguidores, a fim de estimar o total mundial [Campbell (1997), Laherrère (2000),
Deffeyes (2001)]. Os seguidores de Hubbert, bem como a Association for the Study of
Peak Oil&Gas (Aspo) estimam que as reservas provadas de petróleo convencional
representam 780 bilhões de barris, em um montante de 1850 bilhões de barris
recuperáveis.
O pico com base neste dado deveria ocorrer no ano de 2005, contudo, o aumento
da extração em regiões polares e de águas profundas deslocaria o pico para um período

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entre 2008 e 2011. A inclusão do petróleo não-convencional eleva o montante do
petróleo recuperável para cerca de 2,5 trilhões de barris. Essa projeção analisa os picos
regionais e os comportamentos histórico das jazidas, a fim de estimar o pico mundial.
Verifica-se o pico de Hubbert no gráfico a seguir:

Gráfico 1 - Pico de Hubbert para produção mundial de petróleo - 1950 - 2050

Fonte: Fundação de Economia e Estatística (2005, p.2)

Ao analisar o gráfico, percebe-se uma queda na oferta de petróleo, a partir da


primeira década do século XXI, contudo, o modelo de Hubbert não levava em
consideração as fontes de energias que poderiam vir a substituir a demanda por petróleo,
mesmo assim, a produção e comercialização do petróleo, como fonte energia, diminuiu
de 39% para 31,9%, desde de 2003, de acordo com a IEA, confirmando os estudos de
estimativas que apresentam um esgotamento das jazidas de forma gradativa. Porém é
preciso analisar qual é o efeito das demais fontes de energia sobre essa queda.

Influência das Matrizes Energéticas sobre a Produção de Petróleo


Entre 2003 e 2030, O consumo de energia deve crescer 71%, puxado pelo
desenvolvimento dos países orientais. Estima-se também um aumento no preço do
petróleo de aproximadamente 35% de 2006 até 2025, em principal, ocasionado pela
diminuição da oferta da commodity, segundo dados da Administração de Informações
de Energia (EIA). Assim, ganham grande importância as fontes de energia que possam
representar alternativas para esse cenário​. ​E um dos modelos que analisa o efeito dessas
novas tecnologias e fontes de energia é o modelo Bass, cujo objetivo do modelo é
mostrar o grau de dispersão de uma inovação num determinado conjunto de potenciais

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consumidores ao longo do tempo em um determinado produto, neste caso serão os
veículos automotores.
A difusão dos de veículos usuários de fontes alternativas ao petróleo no mercado
foi modelada a partir do Modelo Bass. este modelo utiliza estimativa de três parâmetros:
o coeficiente de inovação, o coeficiente de imitação e o potencial de mercado. Quando
analisado, tomando como referência modelos de carros, sendo o elétrico, o flex e os
movidos a apenas a gasolina, o potencial de mercado do carros movidos à etanol são
superior aos movidos à gasolina, um levantamento feito pelo Ministério de Minas e
Energia em 2010 já projetava uma demanda maior daquele em relação esse, conforme o
gráfico a seguir:

Gráfico 2 - Projeção da Demanda de Gasolina C e Etanol Hidratado

Fonte: MME/EPE (2010)


O modelo de Bass mostrou, por meio da projeção, que a frota brasileira de
automóveis poderá crescer em 170% ao longo dos próximos 20 anos, esses serão
constituídos por veículos híbridos, flex e elétricos. Em um dos cenários estudados, a
utilização da energia elétrica no transporte individual poderá reduzir o consumo de
gasolina em 2031 em até 41%, além de um aumento do consumo de eletricidade de
42,1% em relação à projeção oficial (Baran, 2012, p.111).
Por meio disso, percebe-se que a eletrificação dos automóveis, bem como a
utilização de novas fontes de energia no meio de transporte permitiria um alto ganho
econômico e ecológico por parte do consumidor, além da possibilidade de um melhor
controle da relação oferta-demanda, visto que essa substituição tornaria os
consumidores menos sensíveis a fatores geopolíticos que afetam o preço do petróleo.

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Conclusão
Percebe-se que a incidência de fontes alternativas ao petróleo apresenta uma
relação direta com a queda da oferta do mesmo, e que conforme os estudos
apresentados, o petróleo tende a perder a predominância como matriz energética até
2030. Essa substituição, contudo, seria sentido de forma diferente de acordo com o setor
da economia, os insumos petroquímicos, por exemplo, seriam os mais afetados, com
conseqüências imprevisíveis para a produção dos produtos plásticos, diferente do setor
de transporte que não seriam tão sensível a esta substituição. Por meio do estudo, foi
possível perceber que as novas matrizes energéticas teriam um efeito catalisador sobre
as estimativas de pico produção de petróleo, podendo estabelecer um relação de
causalidade entre estes.
A exaustão das reservas de petróleo é uma questão de tempo. Mesmo que ainda
restem algumas décadas para que isso ocorra, os preços não devem retornar aos
patamares do final do século passado. Nesse contexto, a utilização de seus derivados
como combustíveis se torna cada vez menos interessante.

Referências Bibliográficas
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GOLDENSTEIN, Marcelo. Combustíveis alternativos e inovações no setor automotivo:


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BARAN, Renato. A Introdução de Veículos Elétricos no Brasil: Avaliação do no


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Disponível em:
file:///C:/Users/TEMP.LAPTOP-UH1BSS4C/Downloads/1606568022883.pdf.

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