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QUESTÕES SOBRE A

AULA
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QUESTÕES SOBRE A AULA


Julgue os itens a seguir, de acordo com o Direito Penal.

1. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


O erro de tipo essencial inevitável é causa de exclusão do fato típico, por inexigibilidade de
conduta diversa.
Certo ( ) Errado ( )
2. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +
O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Assim, o agente
responderá como se tivesse atingido a pessoa visada.
Certo ( ) Errado ( )
3. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +
Não se tratando de erro na execução, o agente que, visando determinado resultado, atinge um
resultado diverso do pretendido, responderá por este a título de culpa, se for previsto como
delito culposo. No caso de o agente conseguir o resultado almejado e também resultado diverso
do pretendido, responderá pela regra do concurso formal, prevista no art. 70 do Código Penal.
Certo ( ) Errado ( )
4. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +
Quando o agente, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, atinge pessoa diversa
ao invés de atingir a pessoa visada, responderá sempre por crime culposo.
Certo ( ) Errado ( )
5. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +
O erro sobre objeto é irrelevante para o Direito Penal, já que o agente, mesmo quando realiza
a conduta que recai sobre coisa alheia, responderá criminalmente pelo crime cometido nos
limites do tipo penal.
Certo ( ) Errado ( )
6. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +
O aberratio ictus é modalidade de erro acidental que não exclui a tipicidade, sopesando ao
agente uma responsabilização em âmbito penal.
Certo ( ) Errado ( )
7. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +
O erro inevitável ou evitável sobre a ilicitude do fato isenta o agente de pena.
Certo ( ) Errado ( )
8. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +
O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime sempre exclui o dolo e a culpa.
Certo ( ) Errado ( )
Questões sobre a aula 3

9. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


O terceiro que determina o erro não responde pelo crime.
Certo ( ) Errado ( )
10. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +
O erro de tipo essencial incide sobre elementar do tipo quando a falsa percepção de realidade
faz com que o agente desconheça a natureza criminosa do fato.

Certo ( ) Errado ( )
11. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +
Na confraternização de final de ano de um tribunal de justiça, Ulisses, servidor do órgão, e o
desembargador ganharam um relógio da mesma marca — em embalagens idênticas —, mas
de valores diferentes, sendo consideravelmente mais caro o do desembargador. Ao ir embora,
Ulisses levou consigo, por engano, o presente do desembargador, o qual, ao notar o sumiço do
relógio e acreditando ter sido vítima de crime, acionou a polícia civil. Testemunhas afirmaram
ter visto Ulisses com a referida caixa. No dia seguinte, o servidor tomou conhecimento dos
fatos e dirigiu-se espontaneamente à autoridade policial, afirmando que o relógio estava na
casa de sua namorada, onde fora apreendido.
Nessa situação hipotética, a conduta de Ulisses na festa caracterizou
a) erro do tipo.
b) Excludente de ilicitude.
c) arrependimento posterior.
d) Crime impossível.
e) erro de proibição.

12. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


A excludente de ilicitude afasta o aspecto ilícito do ato. É a circunstância que torna o ato
antijurídico. Não há, pois, crime, quando evidenciada uma causa que exclui a ilicitude do ato.
Indique a alternativa em que NÃO há exclusão da ilicitude:
a) Erro quanto à pessoa.
b) Legítima defesa.
c) Estado de necessidade.
d) Estrito cumprimento do dever legal.
e) Exercício regular de direito.
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13. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


José e João trabalhavam juntos. José, o rei da brincadeira. João, o rei da confusão. Certo dia,
discutiram acirradamente. Diversos colegas viram a discussão e ouviram as ameaças de morte
feitas por João a José. Ninguém soube o motivo da discussão. José não se importou com o fato
e levou na brincadeira. Alguns dias depois, em um evento comemorativo na empresa, João
bradou “eu te mato José” e efetuou disparo de arma de fogo contra José. Contudo o projétil
não atingiu José e sim Juliana, matando a criança que chegara à festa naquele momento,
correndo pelo salão.
Nesse caso, é correto afirmar que, presente a figura
a) do erro sobre a pessoa, nos termos do artigo 20, § 3o, do Código Penal, João deve
responder por homicídio doloso sem a agravante de crime cometido contra criança.
b) do erro sobre a pessoa, nos termos do artigo 20, § 3o, do Código Penal, João deve
responder por homicídio doloso, com a agravante de crime cometido contra criança.
c) aberratio criminis, artigo 74 do Código Penal, João deve responder por tentativa de
homicídio e homicídio culposo sem a agravante de crime cometido contra criança,
em concurso formal de crimes.
d) aberratio ictus, artigo 73 do Código Penal, João deve responder por homicídio doloso
sem a agravante de crime cometido contra criança.
e) aberratio ictus, artigo 73 do Código Penal, João deve responder por tentativa de
homicídio e homicídio culposo, com a agravante de crime cometido contra criança,
em concurso material de crimes.

14. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


O erro acidental não afasta o dolo do agente, podendo ocorrer em algumas situações.
Qual das hipóteses está CORRETA?
a) Erro sobre o objeto quando o autor, ao tentar matar o inimigo, por erro na pontaria
mata outra pessoa
b) Erro sobre a pessoa no caso do autor que, ao tentar causar dano, atira uma pedra
contra uma loja, e por erro atinge uma pessoa.
c) Erro sobre o curso causal, quando o autor, ao tentar matar a vítima por afogamento
e ao arremessar a vítima de uma ponte, esta bate na estrutura falecendo de trauma-
tismo. d) Erro na execução (aberratio ictus) quando, por exemplo, o autor, ao subtrair
uma saca de café, pensa ser uma saca de açúcar
d) Resultado diverso do pretendido, quando o autor, ao desejar matar seu filho, causa
a morte de seu funcionário.

15. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


Após intenso debate político repleto de ofensas, Ana, 40 anos, e Maria, 30 anos, iniciam uma
longa discussão. Ana, revoltada com o comportamento agressivo de Maria, arremessa uma faca
em direção a esta com a intenção de causar sua morte, mas a arma branca acaba por atingir
Joana, criança de 13 anos, que passava pela localidade, sendo o golpe de faca no coração a
causa eficiente de sua morte.
Questões sobre a aula 5

Descobertos os fatos pelo Ministério Público, considerando apenas as informações narradas,


é correto afirmar que Ana deverá ser responsabilizada pelo crime de homicídio
a) consumado com a causa de aumento da idade da vítima, em razão do erro sobre a pessoa.
b) doloso consumado sem a causa de aumento da idade da vítima, em razão do erro
de pessoa.
c) culposo consumado, em razão do erro de execução.
d) culposo consumado, em razão do erro sobre a pessoa.
e) doloso consumado sem a causa de aumento da idade da vítima, em razão do erro
de execução.

16. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


Ao final das comemorações da noite de Natal com sua família, Paulo, quando deixava o local,
acabou por levar consigo o presente do seu primo Caio, acreditando ser o seu, tendo em
vista que as caixas dos presentes eram idênticas. Após perceber o sumiço do seu presente e
acreditando ter sido vítima de crime patrimonial, Caio compareceu à Delegacia para registrar
o ocorrido, ocasião em que foram ouvidas testemunhas presenciais, que afirmaram ter visto
Paulo sair com aquele objeto. Paulo, ao tomar conhecimento da investigação, compareceu
em sede policial e indicou onde o objeto estava, sendo o bem apreendido no dia seguinte em
sua residência. Preocupado com sua situação jurídica, Paulo procurou a Defensoria Pública.
Sob o ponto de vista jurídico, sua conduta impõe o reconhecimento de que:
a) ocorreu erro de proibição, afastando a culpabilidade ou gerando causa de redução
de pena, a depender de ser considerado vencível ou invencível;
b) foi praticado crime de furto, mas deverá ser reconhecida a causa de diminuição de
pena do arrependimento posterior;
c) houve erro sobre a pessoa, devendo ser consideradas as características daquele que
se pretendia atingir;
d) ocorreu erro de tipo, o que faz com que, no caso concreto, sua conduta seja consi-
derada atípica;
e) houve erro na execução (aberratio ictus), logo a conduta deverá ser considerada atípica.

17. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


Durante uma festa rave, Bernardo, 19 anos, conhece Maria, e, na mesma noite, eles vão para
um hotel e mantém relações sexuais. No dia seguinte, Bernardo é surpreendido pela chegada
de policiais militares no hotel, que realizam sua prisão em flagrante, informando que Maria
tinha apenas 13 anos. Bernardo, então, é encaminhado para a Delegacia, apesar de esclarecer
que acreditava que Maria era maior de idade, devido a seu porte físico e pelo fato de que era
proibida a entrada de menores de 18 anos na festa rave.
a) erro de tipo, afastando o dolo, mas permitindo a punição pelo crime de estupro de
vulnerável culposo.
b) erro de proibição, afastando a culpabilidade do agente pela ausência de potencial
conhecimento da ilicitude.
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c) erro de tipo, tornando a conduta atípica.


d) erro sobre a pessoa, tornando a conduta atípica.
e) erro de tipo permissivo, gerando causa de redução de pena.

18. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


Considerando o erro de tipo, é correto afirmar que:
a) O erro de tipo essencial escusável afasta somente o dolo, podendo o agente respon-
der na forma culposa.
b) O erro de tipo essencial permissivo ocorre nos casos em que o erro incide sobre os
requisitos objetivos de uma causa que afasta a culpabilidade.
c) As descriminantes putativas por erro de tipo ocorrem quando a falsa percepção da
realidade incidir sobre o limite da causa justificante.
d) Considera-se erro quanto à pessoa quando o agente atinge sujeito diverso do que
pretendia atingir por confundi-lo com a vítima pretendida, não isentando de pena o
autor do delito.
e) O erro de tipo essencial vencível afasta dolo e culpa, impossibilitando que o agente
responda, mesmo que exista a modalidade culposa do crime.

19. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


A teoria do erro detém grande importância para avaliação da responsabilidade penal de indi-
víduo acusado do cometimento de delito. Sobre o erro de tipo, assinale a alternativa correta:
a) Erro de tipo é equívoco de representação, ou seja, o agente atinge terceiro achando
tratar-se de pessoa que visava atingir com sua conduta ilícita.
b) Conhecido como “aberratio ictus”, o erro de tipo se vislumbra quando do momento
da execução do delito terceiro é atingido sem que o agente tenha vontade de o fazê-lo
c) O erro de tipo é uma modalidade de erro que, quando verificada, não exclui o dolo,
cabendo ao julgador verificar a ocorrência de engano durante a execução do delito
e aplicar-lhe pena mais branda
d) Erro verificável quando o agente criminoso supõe que sua conduta recai sobre de-
terminada coisa e na realidade recai sobre outra
e) Trata-se de erro sobre elemento constitutivo do tipo legal, excluindo o elemento sub-
jetivo e permitindo uma condenação por ato culposo, quando previsto em lei penal.

20. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


Flavio, pretendendo matar seu pai Leonel, de 59 anos, realiza disparos de arma de fogo contra
homem que estava na varanda da residência do genitor, causando a morte deste. Flavio, então,
deixa o local satisfeito, por acreditar ter concluído seu intento delitivo, mas vem a descobrir
que matara um amigo de seu pai, Vitor, de 70 anos, que, de costas, era com ele parecido.
A Flavio poderá ser imputada a prática do crime de homicídio doloso, com erro:
a) sobre a pessoa, considerando a agravante de crime contra ascendente, mas não a
causa de aumento em razão da idade da vítima.
Questões Comentadas 7

b) sobre a pessoa, considerando a causa de aumento em razão da idade da vítima, mas


não a agravante de crime contra ascendente.
c) de execução, considerando a agravante de crime contra ascendente, mas não a causa
de aumento em razão da idade da vítima.
d) de execução, considerando a agravante de crime contra ascendente e a causa de
aumento em razão da idade da vítima.
e) de execução, considerando a causa de aumento da idade da vítima, mas não a agra-
vante de crime contra ascendente.

GABARITO
1. ERRADO 5. CERTO 9. ERRADO 13. D 17. C

2. CERTO 6. CERTO 10. CERTO 14. C 18. D

3. CERTO 7. ERRADO 11. A 15. E 19. E

4. ERRADO 8. ERRADO 12. A 16. D 20. A

QUESTÕES COMENTADAS
Julgue os itens a seguir, de acordo com o Direito Penal – Parte Geral.

1. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


O erro de tipo essencial inevitável é causa de exclusão do fato típico, por inexigibilidade de
conduta diversa.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: ERRADO
SOLUÇÃO RÁPIDA
Questão incorreta de acordo com o Direito Penal Brasileiro.
SOLUÇÃO COMPLETA
Questão incorreta de acordo com o Direito Penal Brasileiro.
O crime, em seu conceito analítico, é formado por três elementos: fato típico, ilicitude e culpabilidade (posição
da Doutrina majoritária).
Quando o agente comete um fato que se amolda perfeitamente à conduta descrita no tipo penal (direta ou indi-
retamente), temos um fato típico. Todavia, pode ser que o agente tenha praticado a conduta típica por equívoco.
Ou seja, o agente pratica um fato previsto como crime, mas o faz por ter incidido em erro sobre algum de
seus elementos.
O erro de tipo é a representação errônea da realidade, na qual o agente acredita não se verificar a presença
de um dos elementos essenciais que compõem o tipo penal (ex.: manter relação sexual com moça de 13 anos,
acreditando que esta possui mais de 14 anos. O agente pratica a conduta prevista no art. 217-A do CP por se
equivocar quanto à idade da parceira sexual).
O erro de tipo pode ser:
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- Escusável (inevitável) – Quando o erro é considerado inevitável tendo em conta as circunstâncias, ou seja, o
erro não pode ser considerado sequer como derivado de culpa por parte daquele que se equivocou. Nesse caso,
afasta-se o dolo e a culpa, de forma que teremos fato atípico.
- Inescusável (evitável) – Ocorre quando o agente incorre em erro sobre elemento essencial do tipo, mas
poderia, mediante um esforço mental razoável, não ter cometido o erro. Aqui ficará afastado o dolo, mas será
possível a punição a título culposo, se houver previsão legal.
Vejamos a redação do art. 20 do CP:
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Todavia, a exclusão do fato típico no erro de tipo inevitável se dá por ausência de elemento subjetivo (não há
dolo nem culpa), e não por inexigibilidade de conduta diversa, que é causa de exclusão da culpabilidade.

2. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Assim, o agente
responderá como se tivesse atingido a pessoa visada.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: CERTO
SOLUÇÃO RÁPIDA
Questão correta de acordo com o artigo 20º, §3º do Código Penal Brasileiro.
SOLUÇÃO COMPLETA
Questão correta de acordo com o artigo 20º, §3º do Código Penal Brasileiro.
É a literalidade do §3º do art. 20 do CP, vejamos:
Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984.
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram,
neste caso, as condições ou qualidades
da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. (Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

3. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


Não se tratando de erro na execução, o agente que, visando determinado resultado, atinge um
resultado diverso do pretendido, responderá por este a título de culpa, se for previsto como
delito culposo. No caso de o agente conseguir o resultado almejado e também resultado diverso
do pretendido, responderá pela regra do concurso formal, prevista no art. 70 do Código Penal.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: CERTO
SOLUÇÃO RÁPIDA
Questão correta de acordo com o artigo 70º do Código Penal Brasileiro.
Questões Comentadas 9

SOLUÇÃO COMPLETA
Questão correta de acordo com o artigo 70º do Código Penal Brasileiro.
Trata-se da literalidade do caput do art. 74, do Código Penal, vejamos:
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resul-
tado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como crime culposo; se ocorre
também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste código.
Concurso formal
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, apli-
ca-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso,
de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os
crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste código.

4. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


Quando o agente, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, atinge pessoa diversa
ao invés de atingir a pessoa visada, responderá sempre por crime culposo.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: ERRADO
SOLUÇÃO RÁPIDA
Questão incorreta de acordo com artigo 73º do Código Penal Brasileiro.
SOLUÇÃO COMPLETA
Questão incorreta de acordo com o artigo 73º do Código Penal Brasileiro.
De acordo com o CP em seu art. 73, vejamos:
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que
pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atenden-
do-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia
ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste código.

5. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


O erro sobre objeto é irrelevante para o Direito Penal, já que o agente, mesmo quando realiza
a conduta que recai sobre coisa alheia, responderá criminalmente pelo crime cometido nos
limites do tipo penal.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: CERTO
SOLUÇÃO RÁPIDA
Questão correta de acordo com o Direito Penal Brasileiro.
SOLUÇÃO COMPLETA
Questão correta de acordo com o Direito Penal Brasileiro.
O agente confunde o objeto material (coisa), atingindo outro que não o desejado. Nesse tipo de erro não há
exclusão de dolo ou de culpa, respondendo o sujeito pelo crime aferido em relação ao objeto atingido indepen-
dentemente de qual objetivava.
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6. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


O aberratio ictus é modalidade de erro acidental que não exclui a tipicidade, sopesando ao
agente uma responsabilização em âmbito penal.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: CERTO
SOLUÇÃO RÁPIDA
Questão correta de acordo com o artigo 73º Código Penal Brasileiro.
SOLUÇÃO COMPLETA
Questão correta de acordo com o artigo 73º Código Penal Brasileiro.
O aberratio ictus é o erro sobre a execução. Sujeito quer atingir uma pessoa (“A”) e acabou matando outra (“B”).
Definido no artigo 73 do CP:
Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que preten-
dia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao
disposto no § 3º do art. 20 deste Código.
Deve ser atentado que o agente responderá como se tivesse praticado o crime contra contra o pretendido e não
o atingido.

7. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


O erro inevitável ou evitável sobre a ilicitude do fato isenta o agente de pena.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: ERRADO
SOLUÇÃO RÁPIDA
Questão incorreta de acordo com o artigo 21º do Código Penal Brasileiro.
SOLUÇÃO COMPLETA
Questão incorreta de acordo com o artigo 21º do Código Penal Brasileiro.
A questão afirma o contrário do art. 21 do Código Penal, vejamos
Erro sobre a ilicitude do fato (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, SE INEVITÁVEL, ISENTA de pena;
SE EVITÁVEL PODERÁ DIMINUÍ-LA de um sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato,
quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

8. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime sempre exclui o dolo e a culpa.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: ERRADO
Questões Comentadas 11

SOLUÇÃO RÁPIDA
Questão incorreta de acordo com o artigo 20º do Código Penal Brasileiro.
SOLUÇÃO COMPLETA
Questão incorreta de acordo com o artigo 20º do Código Penal Brasileiro.
Vejamos a literalidade do caput do art. 20, CP:
Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Descriminantes putativas (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se
existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Erro determinado por terceiro (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Erro sobre a pessoa (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso,
as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

9. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


O terceiro que determina o erro não responde pelo crime.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: ERRADO
SOLUÇÃO RÁPIDA
Questão incorreta de acordo com o artigo 20º, § 2º do Código Penal Brasileiro.
SOLUÇÃO COMPLETA
Questão incorreta de acordo com o artigo 20º, § 2º do Código Penal Brasileiro.
De acordo com o artigo 20, § 2º, do Código Penal (CP). Senão vejamos:
Erro sobre elementos do tipo
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei.
Descriminantes putativas
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se
existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo.
Erro determinado por terceiro
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.
Erro sobre a pessoa
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso,
as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime
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10. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


O erro de tipo essencial incide sobre elementar do tipo quando a falsa percepção de realidade
faz com que o agente desconheça a natureza criminosa do fato.

Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: CERTO
SOLUÇÃO RÁPIDA
Questão correta de acordo com o Direito Penal Brasileiro.
SOLUÇÃO COMPLETA
Questão correta de acordo com o Direito Penal Brasileiro.
O erro de tipo essencial recai sobre elementos principais do tipo. Assim é a situação fática tomada por sujeito
com consciência que o faça crer estar agindo de determinada forma, porém, o faz, incidindo sobre um fato
típico.
A falsa percepção da realidade faz com que o agente cometa o crime, de modo que se fosse alertado, não conti-
nuaria a cometer.
Será inevitável quando não é possível exigir do sujeito comporta-se de maneira diversa. Evitável será quando
com algum nível de esforço há a possibilidade de evitar o erro. Sendo inevitável exclui dolo e culpa e evitável
somente o dolo.

11. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


Na confraternização de final de ano de um tribunal de justiça, Ulisses, servidor do órgão, e o
desembargador ganharam um relógio da mesma marca — em embalagens idênticas —, mas
de valores diferentes, sendo consideravelmente mais caro o do desembargador. Ao ir embora,
Ulisses levou consigo, por engano, o presente do desembargador, o qual, ao notar o sumiço do
relógio e acreditando ter sido vítima de crime, acionou a polícia civil. Testemunhas afirmaram
ter visto Ulisses com a referida caixa. No dia seguinte, o servidor tomou conhecimento dos
fatos e dirigiu-se espontaneamente à autoridade policial, afirmando que o relógio estava na
casa de sua namorada, onde fora apreendido.
Nessa situação hipotética, a conduta de Ulisses na festa caracterizou
a) erro do tipo.
b) Excludente de ilicitude.
c) arrependimento posterior.
d) Crime impossível.
e) erro de proibição.
GABARITO: A
SOLUÇÃO RÁPIDA
Gabarito letra A de acordo com artigo 20º do Código Penal Brasileiro.
a) erro do tipo.
SOLUÇÃO COMPLETA
Gabarito letra A de acordo com artigo 20º do Código Penal Brasileiro.
Questões Comentadas 13

A assertiva está correta, pois apresenta um caso de erro de tipo essencial, previsto no artigo 20 do Código
Penal, no qual ocorre uma falsa representação sobre elemento do tipo penal, ou seja, Ulisses pegou a caixa de
presente acreditando ser sua. Pelo fato de ser idêntica a de outro funcionário, não pensou na possibilidade de
estar pegando algo que não é seu. Assim, não objetivou subtrair “ coisa alheia”, mas sim coisa própria, o que não
configura crime. Logo, pelo fato de não ter agido com dolo de subtrair coisa alheia, mas apenas pegar o que é
seu, não é responsabilizado.
Erro sobre elementos do tipo
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei.

12. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


A excludente de ilicitude afasta o aspecto ilícito do ato. É a circunstância que torna o ato
antijurídico. Não há, pois, crime, quando evidenciada uma causa que exclui a ilicitude do ato.
Indique a alternativa em que NÃO há exclusão da ilicitude:
a) Erro quanto à pessoa.
b) Legítima defesa.
c) Estado de necessidade.
d) Estrito cumprimento do dever legal.
e) Exercício regular de direito.
GABARITO: A
SOLUÇÃO RÁPIDA
Gabarito letra A de acordo com o artigo 20º, § 3º do Código Penal Brasileiro.
a) Erro quanto à pessoa.
SOLUÇÃO COMPLETA
Gabarito letra A de acordo com o artigo 20º, § 3º do Código Penal Brasileiro.
Lembre-se que o enunciado pede a alternativa que não caracteriza excludente de ilicitude.
O erro quanto à pessoa é uma das modalidades de erro de tipo acidental. Vamos revê-las?
Erro de tipo acidental é o que ocorre sobre as circunstâncias do crime e a fatores irrelevantes do tipo penal.
Nesse caso, o crime continua existindo, e o agente deverá responder por ele.
De acordo com Michel Procopio (Direito Penal p/ Procurador da República (Curso Regular) Com videoaulas -
2020.2 Pré-Edita), a quem citaremos como “autor”, pode ocorrer das seguintes formas:

1) Erro de tipo sobre o objeto («error in objecto”): o agente confunde o objeto material, atin-
gindo um que é diferente do pretendido. Não há previsão legal, sendo construção doutrinária.
Veja o exemplo que o autor traz: “Pensem em uma mulher que quer danificar o carro de sua
concorrente na organização em que trabalham. Ao fim do expediente, lança uma pedra no
para-brisa do veículo na frente do prédio, acertando o carro de sua mãe, que fora lhe fazer
uma surpresa, em vez do carro da colega de trabalho”.
2) Erro de tipo sobre a pessoa («error in persona”): o agente queria atingir uma pessoa, mas
vem a atingir outra. A primeira é denominada “vítima virtual”, enquanto a segunda é nomeada
“vítima real”. Nesse caso, a responsabilização deve ocorrer de acordo com as características e
circunstâncias da vítima virtual, e não a real. É o que prevê o art. 20, § 3º do CP:
14

Erro sobre a pessoa


Art. 20, § 3º, CP. O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se conside-
ram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o
crime.
Veja o exemplo trazido pelo autor: “imaginem que Pedro, com nítido propósito de violência doméstica contra
a mulher, resolve matar sua esposa, que já havia agredido algumas vezes, e vai ao seu encontro na porta da
casa da sogra. Lá, confunde sua esposa com a sua cunhada, já que ambas são gêmeas. Então, dispara contra a
cunhada e a mata. Ele deve responder como se tivesse matado sua esposa”.

3) Erro de tipo sobre a execução («aberratio ictus»): nesse caso, o agente sabe exatamente
quem pretende atingir. Porém, acaba falhando na execução do crime, por acidente ou por
erro relacionado ao meio de execução, atingindo pessoa diversa. Nesse caso, o agente deve
responder pela vítima que queria atingir, e não aquela que atingiu por erro na execução. E,
caso acerte tanto a pessoa visada quanto outra pessoa, deverá responder por ambos os crimes,
em concurso formal. É o que extraímos do art. 73 do Código Penal:
Erro na execução
Art. 73, CP. Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que
pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-
-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia
ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Como exemplo, observe a situação narrada pelo autor: “Imaginem que o sujeito resolva se vingar do seu vizinho
por uma briga banal sobre a limpeza da calçada e, deste modo, resolve jogar uma pedra em sua cabeça quando
ele passar perto de sua casa. Entretanto, ao ver o seu vizinho perto da cerca da sua propriedade, lança a pedra e
atinge um transeunte qualquer. Ele deverá responder pelo crime como se tivesse atingido seu vizinho”.

4) Resultado diverso do pretendido («aberratio criminis» ou «aberratio delicti»): ocorre


quando o agente provoca lesão a bem jurídico diverso do pretendido por erro na execução.
Nesse caso, o agente deverá responder por culpa no resultado ocorrido, desde que haja pre-
visão da responsabilização na modalidade culposa . Está previsto no art. 74 do CP:
Resultado diverso do pretendido
Art. 74 , CP. Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém
resultado diverso do pretendido, o agente responde
por culpa, se o fato é previsto como crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra
do art. 70 deste Código.
O autor traz um exemplo: “podemos pensar no sujeito que, em uma forma delituosa de indignação, resolve lançar
um tijolo na janela do prefeito do Município onde mora, para danificar a casa do político. Entretanto, a janela,
de vidro, estava entreaberta, sendo que o objeto lançado atinge o rosto do prefeito, causando-lhe lesão corpo-
ral. O indignado cidadão deverá responder por lesão corporal culposa, que é o resultado causado, diverso do
pretendido.”

5) Erro sobre o nexo causal: o agente pratica a conduta e atinge o resultado pretendido, mas
este ocorre por outro nexo de causalidade, diverso do que o agente queria que fosse realizado.
Pode ocorrer de duas formas:
5.1) Erro sobre o nexo causal em sentido estrito: há a prática de um só ato pelo agente, que atinge o resul-
tado por causa diversa da que pretendia. Por exemplo, o “sujeito que lança a vítima do alto, para que caia no mar
e morra afogada, por não saber nadar. Entretanto, ela bate a cabeça numa rocha e morre com o impacto.”
Questões Comentadas 15

5.2) Dolo geral ou “aberratio causae”: nesse caso, há uma pluralidade de atos. O agente imagina que atingiu
o resultado com a primeira conduta, o que na realidade só ocorre com a ação seguinte. É o caso “ de quem atira
no seu inimigo e, imaginando que ele esteja morto, lança-o do penhasco. Se a vítima estava viva e só morre ao
ser lançada do penhasco, o autor deve responder por homicídio doloso, pois tinha intenção de matar (mesmo
que por outra forma)”.
Como pudemos ver acima, o erro quanto à pessoa NÃO exclui a ilicitude do fato (“não isenta de pena”).

13. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


José e João trabalhavam juntos. José, o rei da brincadeira. João, o rei da confusão. Certo dia,
discutiram acirradamente. Diversos colegas viram a discussão e ouviram as ameaças de morte
feitas por João a José. Ninguém soube o motivo da discussão. José não se importou com o fato
e levou na brincadeira. Alguns dias depois, em um evento comemorativo na empresa, João
bradou “eu te mato José” e efetuou disparo de arma de fogo contra José. Contudo o projétil
não atingiu José e sim Juliana, matando a criança que chegara à festa naquele momento,
correndo pelo salão.
Nesse caso, é correto afirmar que, presente a figura
a) do erro sobre a pessoa, nos termos do artigo 20, § 3o, do Código Penal, João deve
responder por homicídio doloso sem a agravante de crime cometido contra criança.
b) do erro sobre a pessoa, nos termos do artigo 20, § 3o, do Código Penal, João deve
responder por homicídio doloso, com a agravante de crime cometido contra criança.
c) aberratio criminis, artigo 74 do Código Penal, João deve responder por tentativa de
homicídio e homicídio culposo sem a agravante de crime cometido contra criança,
em concurso formal de crimes.
d) aberratio ictus, artigo 73 do Código Penal, João deve responder por homicídio doloso
sem a agravante de crime cometido contra criança.
e) aberratio ictus, artigo 73 do Código Penal, João deve responder por tentativa de
homicídio e homicídio culposo, com a agravante de crime cometido contra criança,
em concurso material de crimes.
GABARITO: D
SOLUÇÃO RÁPIDA
Gabarito letra D de acordo com o artigo 73º do Código Penal Brasileiro.
d) aberratio ictus, artigo 73 do Código Penal, João deve responder por homicídio doloso
sem a agravante de crime cometido contra criança.
SOLUÇÃO COMPLETA
Gabarito letra D de acordo com o artigo 73º do Código Penal Brasileiro.
A assertiva está correta, pois nesse caso o agente errou na execução do crime, uma vez que os disparos da
arma de fogo atingiram outra pessoa. Portanto, deve ser considerado que o crime foi cometido contra a vítima
pretendida, conhecida também como virtual. Diante disso, não há falar em agravante de delito cometido contra
criança, pois são consideradas as características da vítima virtual. A doutrina denomina esse fenômeno como
aberratio ictus, nos termos do art. 73 do CP:
16

Erro na execução
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que
pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-
-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia
ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.

14. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


O erro acidental não afasta o dolo do agente, podendo ocorrer em algumas situações.
Qual das hipóteses está CORRETA?
a) Erro sobre o objeto quando o autor, ao tentar matar o inimigo, por erro na pontaria
mata outra pessoa
b) Erro sobre a pessoa no caso do autor que, ao tentar causar dano, atira uma pedra
contra uma loja, e por erro atinge uma pessoa.
c) Erro sobre o curso causal, quando o autor, ao tentar matar a vítima por afogamento
e ao arremessar a vítima de uma ponte, esta bate na estrutura falecendo de trauma-
tismo. d) Erro na execução (aberratio ictus) quando, por exemplo, o autor, ao subtrair
uma saca de café, pensa ser uma saca de açúcar
d) Resultado diverso do pretendido, quando o autor, ao desejar matar seu filho, causa
a morte de seu funcionário.
GABARITO: C
SOLUÇÃO RÁPIDA
Gabarito letra C de acordo com o Direito Penal.
c) Erro sobre o curso causal, quando o autor, ao tentar matar a vítima por afogamen-
to e ao arremessar a vítima de uma ponte, esta bate na estrutura falecendo de
traumatismo.
SOLUÇÃO COMPLETA
Gabarito letra C de acordo com o Direito Penal.
Trata-se de erro sobre o nexo causal (aberratio causae). O autor provoca o resultado visado, porém, com outro
de nexo de causalidade. Isto porque, o agente desejava matar a vítima por afogamento, mas está acabou fale-
cendo em virtude de traumatismo ocasionado pela queda.
Na lição de Rogério Sanches:
“O erro sobre o nexo causal não possui previsao legal, sendo estudado apenas pela doutrina. É o caso em que o
resultado desejado se produz, mas com nexo diverso, de maneira diferente da planejada pelo agente. Divide-se
em duas espécies. A primeira é erro sobre o nexo causal em sentido estrito. Ocorre quando o agente, mediante
um só ato, provoca o resultado visado, porém com outro nexo de causalidade. Exemplo: “A” empurra a “B” de
um penhasco para que ele morra afogado, porém, durante a queda, “B” bate a cabeça contra uma rocha e
morre em razão de um traumatismo craniano. A segunda é o dolo geral ou aberratio causae, espécie em que
o agente, mediante conduta desenvolvida em pluralidade de atos, provoca o resultado pretendido, porém com
outro nexo. Exemplo: “A” atira em “B” (primeiro ato) e, imaginando que “B” está morto, joga seu corpo no mar,
vindo “B” a morrer por afogamento”.
Vale destacar que, a consequência da configuração do erro sobre o nexo causal é a punição do agente por um
crime único, a título de dolo, considerando o nexo ocorrido, e não o nexo pretendido.
Questões Comentadas 17

15. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


Após intenso debate político repleto de ofensas, Ana, 40 anos, e Maria, 30 anos, iniciam uma
longa discussão. Ana, revoltada com o comportamento agressivo de Maria, arremessa uma faca
em direção a esta com a intenção de causar sua morte, mas a arma branca acaba por atingir
Joana, criança de 13 anos, que passava pela localidade, sendo o golpe de faca no coração a
causa eficiente de sua morte.
Descobertos os fatos pelo Ministério Público, considerando apenas as informações narradas,
é correto afirmar que Ana deverá ser responsabilizada pelo crime de homicídio
a) consumado com a causa de aumento da idade da vítima, em razão do erro sobre a
pessoa.
b) doloso consumado sem a causa de aumento da idade da vítima, em razão do erro
de pessoa.
c) culposo consumado, em razão do erro de execução.
d) culposo consumado, em razão do erro sobre a pessoa.
e) doloso consumado sem a causa de aumento da idade da vítima, em razão do erro
de execução.
GABARITO: E
SOLUÇÃO RÁPIDA
Gabarito letra E de acordo com o artigo 73º do Código Penal Brasileiro.
e) doloso consumado sem a causa de aumento da idade da vítima, em razão do erro de
execução.
SOLUÇÃO COMPLETA
Gabarito letra E de acordo com o artigo 73º do Código Penal Brasileiro.
Verifica-se que Ana deverá ser responsabilizada pelo crime de homicídio doloso consumado, sem a causa de
aumento da idade da vítima, em razão do erro de execução.
É que, no caso exposto, deve-se considerar o dolo de matar, em relação à vítima virtual (Maria), e não contra a
adolescente Joana, conforme a intelecção do art. 73 do Código Penal (erro na execução):
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que
pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-
-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia
ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Nessa situação, serão consideradas as características de Maria, pessoa que Ana pretendia atingir com sua ação.
Portanto, não incidirá a causa de aumento da idade da vítima (art. 121, § 4º, do CP), devido ao mencionado erro
na execução (erro de pontaria, erro de mira, “aberratio ictus”).

16. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


Ao final das comemorações da noite de Natal com sua família, Paulo, quando deixava o local,
acabou por levar consigo o presente do seu primo Caio, acreditando ser o seu, tendo em
vista que as caixas dos presentes eram idênticas. Após perceber o sumiço do seu presente e
acreditando ter sido vítima de crime patrimonial, Caio compareceu à Delegacia para registrar
o ocorrido, ocasião em que foram ouvidas testemunhas presenciais, que afirmaram ter visto
18

Paulo sair com aquele objeto. Paulo, ao tomar conhecimento da investigação, compareceu
em sede policial e indicou onde o objeto estava, sendo o bem apreendido no dia seguinte em
sua residência. Preocupado com sua situação jurídica, Paulo procurou a Defensoria Pública.
Sob o ponto de vista jurídico, sua conduta impõe o reconhecimento de que:
a) ocorreu erro de proibição, afastando a culpabilidade ou gerando causa de redução
de pena, a depender de ser considerado vencível ou invencível;
b) foi praticado crime de furto, mas deverá ser reconhecida a causa de diminuição de
pena do arrependimento posterior;
c) houve erro sobre a pessoa, devendo ser consideradas as características daquele que
se pretendia atingir;
d) ocorreu erro de tipo, o que faz com que, no caso concreto, sua conduta seja consi-
derada atípica;
e) houve erro na execução (aberratio ictus), logo a conduta deverá ser considerada atípica.
GABARITO: D
SOLUÇÃO RÁPIDA
Gabarito letra D de acordo o artigo 20º do Código Penal Brasileiro.
d) ocorreu erro de tipo, o que faz com que, no caso concreto, sua conduta seja consi-
derada atípica;
SOLUÇÃO COMPLETA
Gabarito letra D de acordo artigo 20º do Código Penal Brasileiro.
A situação narrada descreve hipótese de erro de tipo, pois Paulo não tinha consciência de que estava come-
tendo um crime, porque simplesmente acreditava estar levando o seu presente e não do seu primo.
O erro de tipo está previsto no Código Penal, no art. 20:
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei.
Dessa forma, trata-se de conduta atípica, motivo pelo qual Paulo não responderá por crime nenhum.
Relembrando:
Não confundir erro de tipo e erro de proibição!
Erro de tipo – É uma falsa percepção da realidade. Afeta a tipicidade, excluindo o dolo, mas permitindo punição
por culpa (confirme seja vencível ou invencível).
Erro de proibição – O agente acha que a conduta é permitida. Afeta a culpabilidade, isentando ou reduzindo a
culpabilidade. 7Exemplo: “A” vê um grupo de pessoas fumando maconha durante o carnaval e pensa que naquela
área é permitido. Exemplo: Menina de 13 anos em boate que tem relação com maior. O fato é atípico

17. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


Durante uma festa rave, Bernardo, 19 anos, conhece Maria, e, na mesma noite, eles vão para
um hotel e mantém relações sexuais. No dia seguinte, Bernardo é surpreendido pela chegada
de policiais militares no hotel, que realizam sua prisão em flagrante, informando que Maria
tinha apenas 13 anos. Bernardo, então, é encaminhado para a Delegacia, apesar de esclarecer
que acreditava que Maria era maior de idade, devido a seu porte físico e pelo fato de que era
proibida a entrada de menores de 18 anos na festa rave.
Questões Comentadas 19

a) erro de tipo, afastando o dolo, mas permitindo a punição pelo crime de estupro de
vulnerável culposo.
b) erro de proibição, afastando a culpabilidade do agente pela ausência de potencial
conhecimento da ilicitude.
c) erro de tipo, tornando a conduta atípica.
d) erro sobre a pessoa, tornando a conduta atípica.
e) erro de tipo permissivo, gerando causa de redução de pena.
GABARITO: C
SOLUÇÃO RÁPIDA
Gabarito letra C de acordo com o artigo 20º do Código Penal Brasileiro.
c) erro de tipo, tornando a conduta atípica.
SOLUÇÃO COMPLETA
Gabarito letra C de acordo com o artigo 20º do Código Penal Brasileiro.
Conforme art. 20 do CP:
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei.
Erro de tipo exclui o dolo e não é punível estupro de vulnerável na modalidade culposa, portanto a conduta é
atípica.
Erro do tipo x erro de proibição
> Erro de tipo: falsa compreensão da realidade. O agente sabe que existe o crime porém, acredita que naquela
conduta não está presente os elementos penais. Exclui o dolo.
> Erro de proibição: falsa compreensão da ilicitude da conduta. O agente tem plena consciência da situação,
mas desconhece que a conduta é criminosa. Se inevitável, isenta de pena; se evitável diminui a pena.

18. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou


Considerando o erro de tipo, é correto afirmar que:
a) O erro de tipo essencial escusável afasta somente o dolo, podendo o agente respon-
der na forma culposa.
b) O erro de tipo essencial permissivo ocorre nos casos em que o erro incide sobre os
requisitos objetivos de uma causa que afasta a culpabilidade.
c) As descriminantes putativas por erro de tipo ocorrem quando a falsa percepção da
realidade incidir sobre o limite da causa justificante.
d) Considera-se erro quanto à pessoa quando o agente atinge sujeito diverso do que
pretendia atingir por confundi-lo com a vítima pretendida, não isentando de pena o
autor do delito.
e) O erro de tipo essencial vencível afasta dolo e culpa, impossibilitando que o agente
responda, mesmo que exista a modalidade culposa do crime.
GABARITO: D
20

SOLUÇÃO RÁPIDA
Gabarito letra D de acordo com o artigo 20º, §1º do Código Penal Brasileiro.
d) Considera-se erro quanto à pessoa quando o agente atinge sujeito diverso do que
pretendia atingir por confundi-lo com a vítima pretendida, não isentando de pena o
autor do delito.
SOLUÇÃO COMPLETA
Gabarito letra D de acordo o artigo 20º, §1º do Código Penal Brasileiro.
De acordo com o art. 20, §1º, do Código Penal, o erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra
quem o agente praticar o crime.
Exemplo: O agente quer matar seu pai. Em período noturno, o agente desfere um tiro contra uma pessoa,
supondo ser seu pai, mas descobre posteriormente que o alvo é uma terceira pessoa. Pois bem. Na espécie,
aplica-se a circunstância agravante descrita no art. 61, II, “e”, do Código Penal.

19. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


A teoria do erro detém grande importância para avaliação da responsabilidade penal de indi-
víduo acusado do cometimento de delito. Sobre o erro de tipo, assinale a alternativa correta:
a) Erro de tipo é equívoco de representação, ou seja, o agente atinge terceiro achando
tratar-se de pessoa que visava atingir com sua conduta ilícita.
b) Conhecido como “aberratio ictus”, o erro de tipo se vislumbra quando do momento
da execução do delito terceiro é atingido sem que o agente tenha vontade de o fazê-lo
c) O erro de tipo é uma modalidade de erro que, quando verificada, não exclui o dolo,
cabendo ao julgador verificar a ocorrência de engano durante a execução do delito
e aplicar-lhe pena mais branda
d) Erro verificável quando o agente criminoso supõe que sua conduta recai sobre de-
terminada coisa e na realidade recai sobre outra
e) Trata-se de erro sobre elemento constitutivo do tipo legal, excluindo o elemento sub-
jetivo e permitindo uma condenação por ato culposo, quando previsto em lei penal.
GABARITO: E
SOLUÇÃO RÁPIDA
Gabarito letra E de acordo com artigo 20º do Código Penal Brasileiro.
e) Trata-se de erro sobre elemento constitutivo do tipo legal, excluindo o elemento sub-
jetivo e permitindo uma condenação por ato culposo, quando previsto em lei penal.
SOLUÇÃO COMPLETA
Gabarito letra E de acordo com o artigo 20º do Código Penal Brasileiro.
Para o Direito Penal, o erro é a falsa percepção/engano sobre algo. Erro de tipo, por sua vez, é a falsa percepção,
pelo agente, da realidade que o cerca. Ocorre, portanto, quando o sujeito ativo se equivoca quanto ao mundo
exterior, interpretando-o de forma incorreta.
Um exemplo que é muito usado na doutrina é do sujeito que na entrada de uma confraternização, deixa seu cha-
péu/boné na entrada. Na saída, vê um chapéu/boné similar ao seu, e supondo ser o da sua propriedade, leva-o
Questões Comentadas 21

pra casa, porém o boné era de terceiro. Observe que do ponto de vista formal, houve o crime de furto (subtração
de coisa alheia móvel), entretanto, não há possibilidade de responsabilização objetiva e o agente não possuía
consciência do elementar consistente em a coisa móvel (boné) ser “alheia”. Pela falsa percepção da realidade,
incidiu em erro de tipo.
Existe o erro de tipo essencial e o erro acidental.
O erro de tipo essencial é aquele que recai sobre as elementares do crime, sendo que o erro impede o agente de
saber que está cometendo um determinado crime. Já o erro acidental, recai sobre dados da figura típica, sendo
irrelevantes para a configuração ou não do delito.
Trataremos, aqui, do objeto da alternativa, que aborda o erro de tipo essencial. Este, pode ser escusável/inevitá-
vel ou inescusável/vencível.
Erro de tipo essencial escusável/inevitável/invencível --> Erro imprevisível que não poderia ser evitado pelo
agente. É o caso do exemplo que foi dado acima do chapéu.
Erro de tipo essencial inescusável/evitável/vencível --> É o erro previsível, que poderia ter sido evitado pelo
agente com emprego de certa diligência. Neste caso, pune-se a título de culpa, caso haja previsão da figura
culposa.
A “chave da questão” está prevista no art. 20 do Código Penal, que prevê o conceito de erro de tipo:
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei.
Em síntese, no erro de tipo essencial o dolo sempre será afastado, sendo que só será possível a responsabiliza-
ção por culpa no caso de o erro de tipo ser evitável (vencível, inescusável ou indesculpável).

20. Ano: 2021 Banca: ALFACON Órgão: ALFACON Prova: Sou +


Flavio, pretendendo matar seu pai Leonel, de 59 anos, realiza disparos de arma de fogo contra
homem que estava na varanda da residência do genitor, causando a morte deste. Flavio, então,
deixa o local satisfeito, por acreditar ter concluído seu intento delitivo, mas vem a descobrir
que matara um amigo de seu pai, Vitor, de 70 anos, que, de costas, era com ele parecido.
A Flavio poderá ser imputada a prática do crime de homicídio doloso, com erro:
a) sobre a pessoa, considerando a agravante de crime contra ascendente, mas não a
causa de aumento em razão da idade da vítima.
b) sobre a pessoa, considerando a causa de aumento em razão da idade da vítima, mas
não a agravante de crime contra ascendente.
c) de execução, considerando a agravante de crime contra ascendente, mas não a causa
de aumento em razão da idade da vítima.
d) de execução, considerando a agravante de crime contra ascendente e a causa de
aumento em razão da idade da vítima.
e) de execução, considerando a causa de aumento da idade da vítima, mas não a agra-
vante de crime contra ascendente.
GABARITO: A
SOLUÇÃO RÁPIDA
Gabarito letra A de acordo com o artigo 20º, § 3º do Código Penal Brasileiro.
a) sobre a pessoa, considerando a agravante de crime contra ascendente, mas não a
causa de aumento em razão da idade da vítima.
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SOLUÇÃO COMPLETA
Gabarito letra A de acordo com o artigo 20º, § 3º do Código Penal Brasileiro.
A questão versa sobre o erro de tipo acidental.
Segundo a previsão do Código Penal:
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei.
O artigo 20 do CP traz a figura do erro de tipo essencial que segundo a doutrina, é aquele que se revela como
uma falsa representação da realidade pelo agente e recai sobre os elementares, circunstâncias ou qualquer
dado relacionado a figura típica. Como consequência, há exclusão do dolo do agente, mas permite a punição por
culpa se prevista em lei.
Art. 20. [...]
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste
caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
O § 3º do presente artigo traz a figura do erro de tipo acidental que de forma diversa do erro de tipo essen-
cial não exclui o dolo do agente, no caso o erro recai sobre a pessoa, é o chamado “erro in persona”, ocorre
quando o agente por erro na sua percepção atinge pessoa diversa da pretendida. Sobre o tema, colacionamos a
lição de Rogério Grecco:
“Ocorre o erro de tipo essencial quando o erro do agente recai sobre elementares, circunstâncias ou qualquer
outro dado que se agregue à figura típica. O erro de tipo essencial, se inevitável, afasta o dolo e a culpa; se
evitável, permite seja o agente punido por um crime culposo, se previsto em lei. O erro acidental, ao contrário do
essencial, não tem o condão de afastar o dolo (ou o dolo e a culpa) do agente, e, na lição de Aníbal Bruno, “não faz o
agente julgar lícita a ação criminosa. Ele age com a consciência da antijuridicidade do seu comportamento, apenas
se engana quanto a um elemento não essencial do fato ou erra no seu movimento de execução”.
Aplicando ao caso em comento, temos configurado o erro in persona, já que o dolo do agente Flavio era de
matar seu pai Leonel, de 59 anos (vítima virtual) e julgando que ele estava na varanda de sua casa realizou os
disparos para tanto, mas em verdade acabou por matar Vitor de 70 anos (vítima real), amigo daquele que com ele
era parecido. Desta forma, nos termos do § 3º responderá como se tivesse matado o próprio pai e não o amigo,
sendo lhe atribuído o crime de homicídio com a agravante de ter sido cometido contra ascendente.
Art. 121. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime:
[...]
II - ter o agente cometido o crime:
[...]
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;
E o que seria o erro na execução professor?
O erro na execução trata-se de outro erro de tipo acidental, é chamado pela doutrina como “aberractio ictus”, e é
previsto no artigo 73 do Código Penal, senão vejamos:
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa
que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela,
atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente
pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Da mesma forma que o erro sobre a pessoa, o erro na execução não exclui o dolo, se diferencia deste porque
incide sobre a execução da conduta. Utilizando o caso da questão como exemplo, teríamos por caracterizado
se tanto o pai de Flavio quanto seu amigo estivessem na varanda e este ao realizar os disparos por erro na
pontaria acertasse o amigo do pai. Note-se que, o erro não foi porque ele julgou uma pessoa no lugar da outra,
mas devido ao acidente na execução (erro na pontaria).

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