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AULA 2 – TEXTO 3

"A CIÊNCIA E A ARTE DE SER DIRIGENTE”

A organização será melhor se seus


dirigentes forem melhores.

A arte e o aprendizado da gerência

           A gerência é a arte de pensar, de decidir e de agir, é a arte de fazer acontecer, de obter
resultados. Resultados que podem ser definidos, previstos analisados e avaliados, mas que têm que
ser alcançados através das pessoas e numa interação humana constante.

De um lado, pode-se tratar a gerência como algo científico, racional, enfatizando as análises e as
relações de causa-efeito, para se prever e antecipar ações de forma mais conseqüentemente e
eficiente. De outro, tem-se de aceitar a existência, na gestão, de uma face de imprevisibilidade e de
interação humana que lhe conferem a dimensão do ilógico, do intuitivo, do emocional e espontâneo
e do irracional. Dirigentes devem entender a gestão moderna em ambos os sentidos.

A formação do lado racional e técnico da gerência permite dar aos indivíduos uma grande
capacidade analítica. Eles entenderão melhor os problemas organizacionais, saberão analisá-los, ou
seja, decompô-los em diferentes partes e reordená-los na busca de uma nova solução. Constitui
normalmente o objetivo e a ênfase dos estudos em escolas de administração.

Profissionais de administração são formados para serem técnicos, analistas, projetistas, para
interferirem na realidade através de passos seqüenciais, previamente estruturados segundo uma
lógica de natureza cientifica. Atuam, portanto, como qualquer outro profissional, de engenharia,
medicina ou direito, por exemplo. As possibilidades de se tornarem bons ou maus dirigentes são
praticamente as mesmas dos oriundos de qualquer outra profissão. Se podem ter a vantagem de
conhecer a dimensão analítico-racional-científica da administração, têm igualmente de adquirir,
como qualquer outro profissional, a capacidade gerencial na arte de pensar e julgar para melhorar
decidir e agir.

O vício do pensamento excessivamente técnico, restrito a uma área ou profissão pode ser uma
desvantagem para o exercício da função gerencial. A visão extremamente técnica é análoga a uma
visão através de um túnel: vê-se a luz ou ambiente ao final, porém restrita à dimensão deste túnel. Na
profissão, vê-se somente um caminho obscurecido pela impenetrabilidade dos raios de outros
conhecimentos.

A arte de pensar e julgar que caracteriza a gerência exige maior amplitude e lateralidade de
pensamento. Por isso é recomendado aos dirigentes que adquiram mais conhecimentos ou mesmo
formação avançada para estimular a sua mente e curiosidade, na busca de novos horizontes e
perspectivas sobre a realidade em que estão inseridos.
Assim o aprendizado sobre a gestão para formar dirigentes e líderes também não deve se limitar
ao domínio de técnicas administrativas. Estas técnicas servem apenas para melhorar as estruturas e
procedimentos organizacionais. Melhorar o que existe é importante, mas aprender coisas novas é
crucial para sobrevivência e relevância. Rotinizar tecnicamente a instituição contribui apenas para
que os atuais dirigentes executem melhor suas tarefas do que seus antecessores e que seus sucessores
se saiam tão bem quanto eles. Especialistas em técnicas administrativas são essenciais, mas não mais
difíceis de se encontrar no mercado de trabalho. Capacidade gerencial é mais rara, pois exige
habilidades mais complexas: capacidade analítica, de julgamento, de decisão e liderança e de
enfrentar riscos e incertezas. Além do mais, o mundo moderno exige dos dirigentes uma grande
capacidade de negociação entre interesses e demandas múltiplas e de integração de fatores
organizacionais cada dia mais ambíguos e diversos. Essa capacidade gerencial moderna só se
consegue através do aprendizado gerencial mais sistematizado. Não se trata de um processo
educacional para formar um produto, mas para abrir um caminho a novos valores e alternativas.

(Texto extraído do capítulo 2 da obra de Paulo Roberto Motta, “Gestão Contemporânea: A Ciência e a Arte
de Ser Dirigente”, Record, 7ª edição).

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