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EDUCAR PARA PREVENIR

PREPARO
PARA O PARTO

Medicina Preventiva
PREPARO PARA O PARTO

A gravidez e o parto são processos naturais.


Durante a gestação, a natureza prepara o corpo
da mulher para facilitar o desenvolvimento e o
nascimento dos filhos.

Para que a mulher consiga prevenir agravos


à saúde devido às alterações da gravidez e
participar ativamente do trabalho de parto, é
fundamental conhecer a evolução natural da
gestação, praticar relaxamento e preparar
a musculatura com exercícios adequados
para essa fase especial da vida. Por isso, a
gravidez deve ser avaliada periodicamente
por especialistas, por meio do chamado
“acompanhamento pré-natal”.

Alterações emocionais

Durante a gravidez, é comum a mulher ficar


emotiva, irritada e reagir exageradamente a
pequenos acontecimentos devido às alterações
hormonais. Assim, junto à sensação de triunfo,
euforia e alegria pela espera do bebê, há
também sentimentos negativos, dúvidas,
medos, insegurança e depressão.
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A gestante passa a ser vista e a ver o mundo de
modo diferente do que estava habituada. Uma
preocupação comum é a de não voltar a ter
formas atraentes, mas o ideal é que a gestante
considere as mudanças em seu corpo como
sinal de fertilidade e de potência. Quando
encarada assim, a gravidez promove na mulher
a sensação de ser uma pessoa excepcional.

Ignorar ou negar medos e outros sentimentos


negativos não fará com que eles desapareçam.
Reprimidos, tais sentimentos podem voltar à
tona a qualquer momento, transformando-se
em problemas maiores. Tudo isso poderá ser
evitado se todos os sentimentos forem postos
para fora à medida que surgirem.

Em geral, a adaptação a uma nova situação


demora algum tempo. Por isso, a comunicação
com pais, familiares e amigos é importante.
O contato com outras grávidas também é
extremamente saudável, pois a troca de
experiência pode ajudar a resolver alguns
conflitos, a aumentar a compreensão e a
aceitação.

A chegada de um novo membro à família gera


expectativas em todos, até mesmo devido
às mudanças dos papéis sociais que tal
fato implica. Tornar-se avô ou avó pode ser
interpretado como sinal de envelhecimento
e a condição de tia nem sempre é bem
aceita. Muitas vezes os novos papéis são
perturbadores, requerendo compreensão e
auxílio para que não influenciem a própria
gestante, cujos problemas emocionais tendem
a se avolumar. Caso as tensões não sejam
suportáveis, a família pode contar com o auxílio
profissional de psicoterapeutas experientes.
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Relaxamento muscular

Existem técnicas de relaxamento muscular


extremamente benéficas para amenizar
indisposições da gravidez e muito importantes
na hora do parto, quando a gestante deverá
manter-se calma, relaxada e participativa.

Para obter um bom resultado no momento


oportuno é fundamental o treino diário da
técnica escolhida.

Recomendamos a denominada Relaxamento


Autógeno. Confira a seguir:

Posição: Utilize um travesseiro sob a cabeça


para aliviar a tensão da musculatura. Deite
do lado que o bebê mexe menos. Estenda a
perna que ficou por baixo e flexione a outra,
podendo utilizar um travesseiro sob o joelho
também flexionado.

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Técnica: Feche os olhos, inspire profundamente
e expire três ou quatro vezes. Solte os braços
na lateral do corpo e concentre sua atenção
em um deles, imaginando firmemente que
seu peso está aumentando até senti-lo
completamente solto. Repita: “meu braço está
pesado... cada vez mais pesado... pesado
como chumbo...”. Quando sentir que conseguiu
relaxar completamente a musculatura de um
braço, repita o processo com o outro e com
cada uma das pernas.

Proceda da mesma forma com o tronco


e com o abdômen. Quando todo o corpo
estiver relaxado, procure sentir a cabeça
vazia, os pensamentos soltos. A sensação de
sonolência e o abandono físico obtidos são
muito agradáveis e favorecem a circulação do
sangue.

Observe que os movimentos do bebê se


intensificam, indicando que ele está recebendo
mais sangue e, consequentemente, maior
quantidade dos elementos necessários ao seu
desenvolvimento.

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Alterações físicas

Devido à ação de hormônios, o organismo da


gestante fica sujeito a um grande número de
modificações que fazem parte do dia a dia. No
entanto, algumas exigem cuidados especiais
para que este período tão importante da vida seja
vivido com mais tranquilidade. Confira a seguir:

PARTE
RISCOS E
DO ALTERAÇÕES
CONSEQUÊNCIAS
CORPO
• Formas mais arre-
• Manchas se
dondadas
fixam pela ação
• Surgimento de
Rosto dos raios solares
manchas escuras
• Aparecimento
• Aumento da oleo-
de espinhas
sidade

• Inchaço das gen-


givas e aumento da • Sangramento e
sensibilidade inflamação
Boca
• Aumento da quan- • Maior probabili-
tidade e da acidez dade de cáries
da saliva

• Crescem e se pre-
param para produzir
• Aparecimento
leite
de estrias
• Aréolas ficam maiores
Mamas • Dor
e mais escuras
• Rachaduras no
• Maior sensibilidade e
bico do seio
vasos aparentes

• Digestão mais
lenta
• Azia, queimação
Estômago • Pode causar
• Náuseas
refluxos (volta dos ali-
mentos para o esôfago)
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PARTE DO RISCOS E
ALTERAÇÕES
CORPO CONSEQUÊNCIAS
• O peso do
útero comprime a • Maior tendência
Bexiga bexiga, obrigando a infecções
a urinar mais • Dor
vezes

• Cresce e fica
mais sensível
• Região mediana
• Podem apare-
mais pigmentada
cer estrias
ou com pelos (de-
Barriga • Dor no baixo-
saparecem após
ventre (parte in-
o parto)
ferior da barriga)
• Distensão dos
ligamentos que
sustentam o útero
• Tendem a ficar
mais “preguiço- • Acúmulo de
Intestinos sos” gases
• Fezes mais • Hemorroidas
endurecidas
• Tornam-se
inchados e es-
• Maior tendên-
curos
cia de corrimen-
• Aumento na
tos infectados
Genitais secreção vaginal
• Pode apresen-
natural, que não
tar dor nas
arde, não coça,
relações sexuais
não tem mau
cheiro e é incolor

• Tracionada para
frente, devido
• Dor
Coluna ao aumento de
• Desequilíbrio
volume e do peso
do útero
• Incham, princi- • Dor
Pernas e
palmente à tarde • Cansaço
Pés
e à noite • Varizes
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Cuide-se!

• Não tome sol sem proteção.

• Não use cremes com hormônios.

• Use creme hidratante somente no abdômen e


na pele da mama, nunca nos bicos e aréolas.

• Escove os dentes e use o fio dental todas as


vezes que ingerir algum alimento.

• Visite o dentista no 3º ou 4º mês e no 7º e 8º


meses da gestação.

• Pratique exercícios para fortalecer a


musculatura, de preferência caminhadas.
Procure praticar exercícios adequados.

• Evite esforços prolongados, carregar peso ou


permanecer muito tempo na mesma posição.

• Procure descansar pelo menos trinta minutos


ao longo do dia.

• Alimente-se com maior frequência, de 5 a


6 vezes por dia, procure não ingerir líquidos
durante as refeições, nem antes de dormir.

• Mantenha dietas ricas em fibras vegetais.

• Evite dormir logo após comer.

• Tome muito líquido, de preferência água,


ingerindo de 2 a 3 litros por dia.
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• Lave os genitais após evacuações.

• Urine com a frequência necessária, não prenda.

• Observe, com a ajuda de um espelho, o


aspecto dos genitais. Se houver qualquer
alteração, como irritação, coceira, mau cheiro,
caroços ou manchas, consulte seu médico.

• Evite banhos de imersão ou assento.

• Procure manter a coluna reta ao andar ou sentar.

• Ao levantar, apoie-se transferindo o peso


para os braços, ombros e pernas.

• Consulte seu médico se deve usar meias


elásticas.

• Procure descansar e durma com os pés


sobre um travesseiro ou com colchão elevado
mais ou menos 30 cm.

• Use sapatos confortáveis com salto grosso


de 3 a 4 cm.

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Aumento de peso

O aumento de peso não deverá ultrapassar


12 kg no final da gestação. Quando este
valor é ultrapassado, pode aumentar
consideravelmente os riscos de diabetes,
pressão alta, dores nas costas, dores ciáticas,
cansaço, além de ser maior o risco de
complicações para o parto.

A volta ao peso normal também é mais


demorada e complicada. O excesso de peso
compromete muito a saúde e a qualidade de
vida da mãe e do bebê.

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Exercícios

Os principais objetivos da ginástica


durante a gravidez são: melhorar a
resistência, elasticidade e força, manter a
estética, proporcionar relaxamento e
controle neuromuscular, melhorar a circulação
sanguínea e condicionar a respiração e a
musculatura envolvida no processo do parto.

Os exercícios descritos a seguir são simples,


passíveis de serem realizados até mesmo por
quem nunca tenha feito ginástica anteriormente.
Se forem praticados com regularidade,
poderão contribuir para diminuir a fadiga e a
irritabilidade, mantendo uma boa disposição
física e evitando ou suavizando pequenos
incômodos que a gravidez pode acarretar. Siga
as recomendações do seu médico.

Aquecimento

São exercícios para preparar os músculos


para os esforços que serão realizados.
Pratique todos os dias antes de fazer os outros
exercícios:

• Ande ou marque passo durante 5 minutos;

• Eleve o joelho bem alto ao lado do corpo,


alternando várias vezes as pernas;

• Procure alcançar as nádegas com os


calcanhares, alternando várias vezes as
pernas.
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ALONGAMENTO

São exercícios para facilitar a percepção


corporal e alongar a musculatura:

• Em pé, com as pernas ligeiramente


separadas, tente alcançar o teto elevando os
braços alternadamente em movimentos lentos,
fazendo com que seu corpo se alongue;

• Na mesma posição, fixe um ponto no teto


e eleve os calcanhares, respirando fundo e
levantando os dois braços simultaneamente.
Repita algumas vezes.

MAMAS

Exercícios para fortalecer a musculatura de


sustentação:

• Sente-se no chão com as pernas cruzadas,


segure firmemente os antebraços com as mãos
opostas, mantendo-os na altura do busto,
inspire profundamente, prenda a respiração e
empurre firmemente os antebraços para fora,
sem soltá-los. Você sentirá que as mamas se
mexem. Faça ritmadamente uma série de 10
movimentos com respiração presa. Solte o ar
e reinicie, completando várias séries de dez
movimentos;

• A seguir, inspire e erga os braços acima da


cabeça. Expire e volte à posição inicial. Repita
dez vezes.

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CoLUNA VERTEBRAL

Exercícios para aliviar as dores nas costas:

• Deite-se com a barriga para cima, levante


as pernas esticadas e segure os pés com as
mãos opostas;

• Role o corpo sobre a região lombar para um


lado e para o outro, várias vezes;

• De joelhos e mãos apoiadas no chão, erga


a cabeça e mantenha a coluna reta, inspire
profundamente, abaixe a cabeça até o queixo
encostar no peito e eleve as costas soltando a
respiração. Repita várias vezes;

• De joelhos e mãos apoiadas no chão. Separe


os joelhos, inspire profundamente e sente-se
nos calcanhares sem deslocar as mãos;

• Volte à posição inicial deslizando para frente


com o tronco bem baixo. Quando a cabeça
estiver na direção das mãos, erga o corpo.

ABDÔMEN

Exercício para fortalecer a musculatura e


estimular a movimentação intestinal:

• Deite-se com a barriga para cima e mãos


na nuca, pedale como se estivesse andando
de bicicleta, bem devagar, respirando
normalmente, sem forçar a barriga.
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Períneo

Exercícios para facilitar o parto normal:

• Em pé, em frente a uma cadeira fixa ou com


o apoio de outra pessoa, firme as duas mãos e
separe bem as pernas, flexione os joelhos até
ficar de cócoras, mantendo os pés totalmente
em contato com o solo e com as pontas
ligeiramente voltadas para fora, para encaixar
a barriga com facilidade;

• Para melhor equilíbrio, permaneça com as


mãos apoiadas no assento da cadeira, ou
segurada por alguém, enquanto estiver de
cócoras. Quando cansar, sente-se no chão
com as pernas estendidas, movimentando-as
para facilitar a circulação;

• Sente-se no chão com as costas bem eretas,


junte as solas dos pés e tente encostar os
joelhos no piso auxiliando com as mãos.

Pernas e pés

Exercícios para melhorar a circulação, prevenir


câimbras e evitar dores nas pernas:

• Sente-se no chão com coluna reta, pernas


estendidas e ligeiramente separadas, pés
fletidos, faça movimentos como se quisesse
traçar círculos no ar com os dedos dos pés;
gire dez vezes num sentido, depois no outro.
Um pé de cada vez e depois os dois juntos;

• Sente-se com as pernas esticadas, force as


pontas dos pés fletindo-se em direção à cabeça:
mantenha essa posição durante algum tempo
e depois solte, como um estilingue, sem forçar
para baixo, apenas solte. Repita várias vezes.
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MANTENHA-SE CALMA!

Encerre as ginásticas repetindo alguns


exercícios de aquecimento e alongamento.

Pratique-os cada vez mais lentamente e


termine andando ou marcando passo devagar.
Isto fará com que a frequência do pulso e da
respiração voltem aos valores normais.

Condicionando a respiração

Durante a gestação o bebê recebe o oxigênio


que necessita através da placenta e do cordão
umbilical. Quando começa o trabalho de parto,
as contrações rítmicas do útero afetam o fluxo
de sangue e consomem energia, reduzindo a
quantidade de oxigênio que chega ao bebê.
Por isso, as gestantes precisam aprender
técnicas de respiração que proporcionam
melhores condições na hora do nascimento
de seus filhos.

O “sopro de vela” consiste em inspirar


profundamente pelo nariz, expandindo o
abdômen, e expirar lentamente pela boca como
se quisesse fazer oscilar a chama de uma vela,
sem apagá-la. Não repita mais do que 3 ou 4
vezes porque poderá sentir tonturas e acelerar
os batimentos cardíacos.

Praticando todos os dias, você estará se


condicionando ao controle respiratório exigido
durante o trabalho de parto e, desde já,
beneficiando o bebê com maiores quantidades
de oxigênio.
15
Quando procurar a maternidade

No final da gestação, é comum existir


uma grande preocupação relacionada ao
momento adequado para a ida ao hospital. A
hospitalização antecipada não é conveniente
porque uma espera demorada e longe dos
familiares pode aumentar a ansiedade e criar
dificuldades.

Por outro lado, deixar para a última hora, com


risco de o bebê nascer no trajeto, também não
é uma decisão acertada. O conveniente é saber
reconhecer os principais sinais indicadores
de que o trabalho de parto começou e
poder identificar os sinais de perigo se eles
ocorrerem.

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Principais sinais
do trabalho de parto

Perda do tampão - Quando a fase de dilatação


tem início, a substância gelatinosa e viscosa
que recobre a abertura do útero se desprende e
é eliminada, acompanhada ou não de pequena
quantidade de sangue.

Isso é apenas um primeiro aviso e não significa


que a gestante deva ir imediatamente para
a maternidade, pois este fato pode ocorrer
vários dias antes do parto. Todavia, se
existirem contrações, elas precisam ter o ritmo
cuidadosamente observado, pois o trabalho
de parto pode ter começado.

Contrações uterinas - Nas últimas semanas


de gravidez podem aparecer contrações de
intensidade variável com intervalos irregulares.
Quando o trabalho de parto tem início, elas
se tornam rítmicas e mais fortes, duram cerca
de um minuto e são separadas por intervalos
longos, que aos poucos diminuem.

A gestante pode permanecer em casa,


ocupando-se com pequenos afazeres ou
caminhando um pouco e massageando
com movimentos circulares a parte posterior
da bacia (região do cóccix), atividades que
facilitam a dilatação do colo do útero e
tornam as contrações mais eficazes e menos
dolorosas.

Na primeira gravidez, quando os intervalos


entre as contrações forem de 10 minutos, a
gestante deve ir para a maternidade.
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Rompimento da bolsa - Devido à pressão
exercida durante as contrações, a membrana
que envolve o bebê pode se romper, soltando
o líquido que o protege. Nesta ocasião,
geralmente a mulher se surpreende por estar
molhada, como se estivesse urinado sem
querer. Recomenda-se deitar imediatamente
durante alguns minutos para evitar que o
cordão umbilical seja arrastado pelo líquido.

Normalmente o líquido é claro, esbranquiçado,


assemelha-se à água de coco e tem cheiro
de esperma, diferenças que permitem a
constatação de que não se trata de uma
perda involuntária de urina. A cor clara
indica que o bebê está passando bem.
Mesmo assim, não é necessário aguardar as
contrações. Após o rompimento da bolsa,
a gestante deve ir para a maternidade.
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Sinais de perigo

Em qualquer uma destas situações, a


gestante deve se dirigir imediatamente para a
maternidade:

• Líquido de cor esverdeada indica que o bebê


está sofrendo e precisa nascer logo;

• Sangramento intenso (semelhante ao que


ocorre no segundo dia da menstruação) é a
placenta que pode estar obstruindo a passagem
ou se descolando. São eventualidades raras,
mas que necessitam de intervenção imediata;

• Contração forte e permanente, o que acarreta


dificuldade na passagem do oxigênio para o bebê;

• Data provável do parto ultrapassada em mais


de 10 dias. Neste caso, a placenta começa a
envelhecer, perdendo progressivamente sua
capacidade de manter a saúde do bebê.

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Parto

Após o reconhecimento de que o trabalho


de parto teve início, a gestante deverá ser
conduzida à maternidade, onde será examinada
para confirmação diagnóstica.

O toque vaginal, a contagem dos batimentos


cardíacos do bebê (foco) e a observação das
contrações permitem saber se o parto vai ser
normal ou cirúrgico.

Na admissão, além do preenchimento de dados


de identificação, são anotados o histórico da
paciente e a evolução da gestação.

Para facilitar, é importante que a futura mamãe


leve consigo documentos de identificação
pessoal, do convênio e a carteirinha do
pré-natal. Em seguida, poderá ser feita a
raspagem dos pelos pubianos (tricotomia) e a
lavagem do final do intestino (fleet enema ou
enteroclisma).

Para nascer, o bebê terá que sair do útero


e percorrer o canal vaginal até a vulva,
atravessando toda a bacia, de cima para baixo.
Este percurso é feito no parto normal quando
todas as condições forem favoráveis, desde
a posição do bebê (cabeça para baixo) até o
tamanho da bacia óssea da mãe.

Caso não existam condições para o parto


normal, caberá ao médico adotar as medidas
que reduzam ao máximo os riscos para a mãe
e para a criança.

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Período de dilatação

O trabalho de parto normal é dividido


esquematicamente em três fases. Na primeira,
denominada fase de dilatação, ocorre a
abertura do colo do útero, que atinge uma
dimensão capaz de permitir a passagem da
cabeça do bebê (cerca de 10 cm de diâmetro).
Nas gestantes de 1º parto, essa fase dura de
8 a 14 horas. Nas mulheres que já tiveram
filhos, a duração é menor, usualmente em
torno de 4 a 8 horas.

Durante este período, é aconselhável que


a gestante permaneça deitada do lado que
o bebê mexe menos, pratique a respiração
indicada e relaxe.

Deitar de barriga para cima não é recomendado,


pois dificulta a respiração e comprime os vasos
sanguíneos pela posição do útero. Deve-se
preferir deitar de lado.

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Durante a fase de dilatação, progressivamente,
o útero se contrai com maior intensidade, em
intervalos cada vez mais curtos. Isso afeta o
fluxo sanguíneo e consome energia, diminuindo
a quantidade de oxigênio que o bebê recebe,
por isso, quando uma contração estiver
chegando (sensação de cólica que começa
nas costas), a respiração indicada é a do tipo
“sopro de vela”, que proporciona aumento do
teor de oxigênio e beneficia o bebê.

Repita os movimentos respiratórios até que


a contração se efetive. Quando estiver forte,
procure desviar a atenção da dor e se ligar
mentalmente à presença do bebê, tentando
transmitir calma, confiança e carinho. Nos
intervalos entre as contrações, relaxe e
mantenha a respiração normal.

Caso a bolsa d’água permaneça íntegra, o


médico decidirá o momento de rompê-la, o que
não provoca dor, já que a bolsa não é ligada ao
sistema nervoso da mãe nem ao da criança.

PERÍODO EXPULSIVO

Uma vez completada a dilatação do colo do


útero, inicia-se o período expulsivo. Esta é
a segunda fase: o bebê percorre o canal de
parto, empurrado pela ação conjugada das
contrações do útero, da musculatura abdominal
e do diafragma.

A forma mais utilizada para ajudar o bebê a


nascer numa mesa de parto é deitar com as
pernas encaixadas nas perneiras.
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Ao iniciar uma contração
siga as instruções abaixo

• Inspire profundamente e prenda o ar.

• Encoste o queixo no peito.

• Coloque os braços na posição de remar e


puxe os apoiadores da mesa de parto.

• Faça força para baixo como se fosse


evacuar.

Nos intervalos, apoie a cabeça, relaxe e expire


todo o ar pela boca. Se houver tempo, faça o
“sopro da vela”.

Se a musculatura do períneo for muito elástica,


a cabeça (normalmente a primeira porção do
corpo da criança a se apresentar à luz) se
exterioriza sem rompê-la; caso contrário, será
feita uma incisão (episiotomia) para facilitar a
passagem do bebê.

Depois do nascimento, a criança passa a


respirar o ar do ambiente, deixando de
depender do sangue da mãe. Então, o cordão
umbilical será cortado e o bebê receberá
cuidados especiais: avaliação das condições
gerais, remoção de secreções da boca e do
nariz, oxigenação (se necessária), identificação,
aplicação de nitrato de prata nos olhos para
evitar infecção, etc.
23
Dequitação

Em seguida, a placenta será expulsa. É a


chamada dequitação, que constitui a terceira
e última fase do trabalho de parto. Se houver
corte de períneo, serão dados os pontos
necessários e o médico fará a revisão das
condições da mãe.

O útero evolui até o tamanho de uma bola


de futebol de salão, denominada “globo de
segurança”, o que garante a diminuição das
perdas exageradas de sangue no pós-parto
imediato.

PÓS-PARTO IMEDIATO

Após o parto, a paciente é conduzida para o


quarto, onde são verificados seus parâmetros
vitais (temperatura, pulso e pressão arterial).
O sangramento (lóquio) é cuidadosamente
observado. A paciente permanecerá em
repouso nas 6 primeiras horas se o parto
for normal, e por no mínimo 12 horas se for
cirúrgico (fórceps ou cesárea).

É comum neste período haver intenso tremor


(tremedeira) como consequência do “estresse
do parto”, aliado à recuperação da anestesia.
Não há o que temer. Normalmente, a auxiliar de
enfermagem providenciará mais cobertas para
aquecer a paciente, o que traz uma sensação
reconfortante e o tremor cessa logo a seguir.
24
Se o parto for cirúrgico, com anestesia
raquidiana, o período de descanso será de 12
horas. Vencido este prazo, é recomendável
a deambulação para melhorar a circulação e
prevenir tromboses, problemas pulmonares e
acúmulo de gases intestinais.

Ao se levantar, é usual a mãe sentir tonturas


porque o centro da gravidade do corpo
deslocou-se novamente.

Se existirem pontos no períneo, a região


deverá ser mantida sempre limpa, lavada com
sabonete neutro após todas as evacuações
ou micções. Prefira água corrente, evitando
o banho de imersão e trocando o absorvente
(sempre externo) todas as vezes após a
higienização.

Os pontos do períneo caem sozinhos, em geral,


de cinco a dez dias. Usualmente, nos primeiros
dias, a função intestinal será restabelecida.
Impõe-se, também, o esvaziamento frequente
da bexiga, para evitar a distensão.

O banho diário deve ser completo (é permitida


a lavagem da cabeça), até mesmo se o parto
for cesárea. Neste caso, enxugar bem o local
dos pontos, sendo dispensável cobrir a incisão
cirúrgica. Os pontos serão retirados após sete
a dez dias.

O sangramento permanece intenso nos


primeiros dias e vai diminuindo até cessar,
levando tempo bastante variável, de uma
semana a quarenta dias. A observação desse
sangramento é importante tanto em relação à
quantidade, que não deve aumentar, quanto
ao odor, que não deve ser fétido; caso isso
ocorra, o médico deve ser consultado. Tanto
o sangramento exagerado como o odor fétido
podem ser sinais de retenção dos restos
placentários, que precisam ser retirados
imediatamente, pois oferecem risco de
infecção puerperal.
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É conveniente o uso de cinta tipo calcinha
de cintura alta por 3 meses, para manter o
útero em posição normal e proporcionar
compressão abdominal.

A dieta deverá ser rica em proteínas, vitaminas


e sais minerais, com abstenção de doces,
massas, refrigerantes, bebidas alcoólicas
e temperos fortes. Convém ingerir grande
quantidade de líquidos, de preferência sucos
de frutas, chás ou água, sem acrescentar
açúcar.

Descanse durante o dia, principalmente


enquanto o bebê não mantiver um sono
noturno regular.

Evite carregar objetos pesados e fazer


outros esforços intensos. Dependendo da
estrutura emocional, até mesmo durante os
dias de permanência na maternidade, pode
ter início uma crise psicológica denominada
“depressão pós-parto”, que é grave e deve
ser tratada o quanto antes.

O afastamento do convívio familiar, a


rotina hospitalar, o esgotamento físico e
a separação do bebê são os principais
fatores que podem causar angústia, apesar
do ambiente de comemoração por parte de
todos e da euforia da própria mãe.

Além disso, as atenções recebidas pela


mulher durante a gestação voltam-se agora
para o bebê. O amor materno nem sempre
se estabelece instantaneamente, porque a
realidade pode não corresponder às fantasias
criadas durante a gestação (por exemplo,
o bebê não possuir as características
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sonhadas). Além do mais, outros fatores
ligados ao psiquismo podem dificultar a
adaptação às novas condições.

Participe dos cursos promovidos pelo Grupo


NotreDame Intermédica às gestantes, tanto
para acelerar a recuperação física quanto
para obter mais conhecimentos sobre as
necessidades do bebê. São eles:

Exercícios pós-parto;

Shantala (massagem do bebê);

Reeducação postural.

27
CENTRAL DE ATENDIMENTO
SÃO PAULO (11) 3660-1020
CAMPINAS (19) 3741-2211
JUNDIAÍ (11) 4527-6205
SANTOS (13) 3229-1503
SOROCABA (19) 3212-9370
BAHIA (71) 2104-3586
MINAS GERAIS (31) 2121-9045
PERNAMBUCO (81) 2121-1073
RIO DE JANEIRO (21) 3984-2955

Para mais informações sobre nossos programas, acesse:

www.intermedica .com.br/qualivida
ANS-nº359017