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CENTRO ECUMÊNICO DE ESTUDOS RELIGIOSOS SUPERIORES DO ESTADO
DO MARANHÃO ± CEERSEMA

ABUSO INFANTIL: UMA QUESTÃO DE ANÁLISE NA ÁREA DE ABUSO E


COMPORTAMENTOS ABUSIVOS E SUA INCLUSÃO NO CURRÍCULO ESCOLA
DO ENSINO FUNDAMENTAL.

DOM PEDRO ± MA
JANEIRO DE 2011
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MIRIAN CLEMENTINO FLORES ALVES

ABUSO INFANTIL: UMA QUESTÃO DE ANÁLISE NA ÁREA DE ABUSO E


COMPORTAMENTOS ABUSIVOS E SUA INCLUSÃO NO CURRÍCULO ESCOLA
DO ENSINO FUNDAMENTAL.

Ante Projeto Monográfico apresentado ao


curso de Pedagogia do Centro Ecumênico
de Estudos Religiosos Superiores do Estado
do Maranhão ± CEERSEMA, como pré-
requisito em Pesquisa e Prática
Educacional para o relatório de Estágio
Supervisionado de Ensino Médio sob
orientação do professor José Ribamar
Moura.

DOM PEDRO ± MA
JANEIRO DE 2011



ALVES, Mirian Clementino Flores.


Abuso Infantil: Uma Questão de Análise na Área de Abuso e
Comportamentos Abusivos e sua Inclusão no Currículo Escola do
Ensino Fundamental.
TOTAL DE LAUDAS ± ( )
ANTE PROJETO MONOGRÁFICO ± HABILITAÇÃO EM
PEDAGOGIA
CENTRO ECUMÊNICO DE ESTUDOS RELIGIOSOS
SUPERIORES DO ESTADO DO MARANHÃO ± CEERSEMA.
ANO ± 2011
ORIENTADOR: José Ribamar Moura
1 ± Abuso Infantil: Uma Questão de Análise na Área de Abuso e
Comportamentos Abusivos e sua Inclusão no Currículo Escola do
Ensino Fundamental. 2 ± Alunos da Educação Fundamental. 3 ±
Abuso Infantil. I Título 03
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MIRIAN CLEMENTINO FLORES ALVES

ABUSO INFANTIL: UMA QUESTÃO DE ANÁLISE NA ÁREA DE ABUSO E


COMPORTAMENTOS ABUSIVOS E SUA INCLUSÃO NO CURRÍCULO ESCOLA
DO ENSINO FUNDAMENTAL.

Ante Projeto Monográfico apresentado ao


curso de Pedagogia do Centro Ecumênico
de Estudos Religiosos Superiores do Estado
do Maranhão ± CEERSEMA, como pré-
requisito em Pesquisa e Prática
Educacional para o relatório de Estágio
Supervisionado de Ensino Médio sob
orientação do professor José Ribamar
Moura.

Projeto Monográfico aprovado em _____/_____/______

Banca Examinadora

_________________________________________________
1º Examinador

________________________________________________
2º Examinador

________________________________________________
3º Examinador
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A Deus, razão de tudo que


somos e fazemos.
Aos meus familiares.

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AGRADECIMENTOS

A Deus, o que seria de mim sem a fé que eu tenho nele;


Aos meus filhos, razão de minhas lutas, do que sou e do que faço;
À minha mãe, Arlete Clementino Flores e meu irmão Natanael Clementino
Flores Alves, que com carinho e compreensão me deram força e acreditaram em mim o
que me fez chegar a esta etapa de minha vida;
A uma pessoa especial, Avanildo Carlos da Silva, por ser minha fortaleza e de
forma extrema me dar apoio para essa conquista;
Ao professor José Ribamar Moura por seu apoio e inspiração no
amadurecimento dos meus conhecimentos e conceitos que me levaram a execução desse
projeto;
À coordenadora do CEERSEMA, Lucrécia Sousa de Carvalho, pelo convívio,
apoio, compreensão e amizade;
Ao gestor da faculdade Gaspir Portela Ramos, por ter trazido esta oportunidade
até mim;
A todos os amigos e colega da turma ³B´, em especial, Suely, Francilene, Maria
Francisca, Rosilene, pelo incentivo, apoio constante e paciência.
±


³Mire, veja: O mais importante e


bonito do mundo, é isto: que as
pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas.´

Guimarães Rosa
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MIRIAN CLEMENTINO FLORES ALVES; ABUSO INFANTIL: UMA QUESTÃO
DE ANÁLISE NA ÁREA DE ABUSO E COMPORTAMENTOS ABUSIVOS E SUA
INCLUSÃO NO CURRÍCULO ESCOLA DO ENSINO FUNDAMENTAL; ( )
LAUDAS; ANTE PROJETO MONOGRÁFICO (HABILITAÇÃO EM PEDAGOGIA);
CENTRO ECUMÊNICO DE ESTUDOS RELIGIOSOS SUPERIORES DO ESTADO
DO MARANHÃO ± CEERSEMA; 2011; ORIENTADOR: PROFESSOR JOSÉ
RIBAMAR MOURA.

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O conteúdo deste material reflete as preocupações de autoridades, médicos,


psicólogos, educadores e famílias a respeito desse grave problema, ao analisar os dados,
verá que ³maltratar´ é o verbo mais conjugado na sociedade.
Cerca de 60% dos habitantes de nosso país afirma que foram vítimas de castigos
físicos na infância, desde surras leves até surras que causaram graves seqüelas físicas.
Além de castigos físicos, há uma lista enorme de abusos hediondos, os quais são
mencionados.
Que nome dá a um acontecimento em que a inocência de uma criança é furtada?
E que palavras usamos quando uma criança é violentada de forma brutal? E o que dizer
de uma criança jogada em situação tão complicada a ponto de perder a confiança nos
pais e em si mesma? Você acha que a palavra abuso é pesada? Eu acho que não. As
crianças possuem nenhum tipo de controle sobre si mesma, e desse modo perdem a
chance de ter uma vida digna.
Identificar comportamentos abusivos não é muito difícil porque são atos
provocados por alguém, e as marcas na maioria das vezes são visíveis, o que precisamos
é ter certeza de está pensando nas mesmas coisas quando falamos sobre abuso infantil
como: Abuso Físico, comportamento agressivo como puxar, empurrar, etc. Abuso
Psicológico ou Emocional, que vem da crítica constante e áspera humilhação, e o Abuso
Sexual, qualquer coação a um ato sexual que não seja desejado.

PALAVRAS-CHAVE: Abuso, crítica, sexual.


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MIRIAN CLEMENTINO FLORES ALVES; ABUSO INFANTIL: UMA QUESTÃO
DE ANÁLISE NA ÁREA DE ABUSO E COMPORTAMENTOS ABUSIVOS E SUA
INCLUSÃO NO CURRÍCULO ESCOLA DO ENSINO FUNDAMENTAL; ( )
LAUDAS; ANTE PROJETO MONOGRÁFICO (HABILITAÇÃO EM PEDAGOGIA);
CENTRO ECUMÊNICO DE ESTUDOS RELIGIOSOS SUPERIORES DO ESTADO
DO MARANHÃO ± CEERSEMA; 2011; ORIENTADOR: PROFESSOR JOSÉ
RIBAMAR MOURA.
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The content of this material reflects the concerns of authorities, doctors,


psychologists, educators and families to I respect of that serious problem, when
analyzing the data, he/she will see that " to mistreat " it is the verb more conjugated in
the society.
About 60% of the inhabitants of our country he/she affirms that they were
victims of physical punishments in the childhood, from light beatings to beatings that
caused serious physical sequels.
Besides physical punishments, there is an enormous list of vile abuses, which are
mentioned.
What name does give the an event in what a child's innocence it is stolen? And
that words used when a child violent in a brutal way is? And the one what saying of a
child played in such complicated situation to the point of to lose the trust in the parents
and in herself? Do you think the word abuse is weighed? I don't think so. The children
possess any control type on herself, and in that way they lose the chance of having a
worthy life.
To identify abusive behaviors is not very difficult because they are acts
provoked by somebody, and the marks most of the time are visible, the one that we
needed is to have certainty of he/she is thinking about the same things when we talked
about infantile abuse as: Physical abuse, aggressive behavior as pulling, to push, etc.
Abuse Psychological or Emotional, that it comes from the constant critic and rough
humiliation, and the Sexual Abuse, any coercion to a sexual act that is not wanted.

KEYWORDS: I abuse, critic, sexual.


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SUMÁRIO

1 ± INTRODUÇÃO .......................................................................................12
2 ± OBJETIVOS ............................................................................................13
2.1- GERAL ...................................................................................................13
2.2 ± ESPECÍFICOS .............................. ........................................................13
3 ± JUSTIFICATIVA ....................................................................................14
4 ± HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO ...........................................................15
5 ± Educação Especial ...................................................................................17
5.1 ± Um Breve Histórico da Educação Especial no Brasil ..........................17
5.2 ± A Educação Especial a Caminho da Inclusão Escolar .........................18
5.3 ± O Papel da Educação Especial Atualmente .........................................19
6 ± Inclusão ...................................................................................................20
6.1 ± Público Alvo da Inclusão .....................................................................20
6.2 ± Inclusão Escolar: Barreiras e Desafios .................................................21
6.3 ± Educação Especial X Educação Inclusiva .......................................... ..21
7 ± O Movimento Pestalozziano no Brasil ....................................................23
7.1 ± No Maranhão ........................................................................................23
8 ± O Processo de Inclusão na Associação Pestalozzi de Dom Pedro ± MA .24
8.1 ± Associação Pestalozzi, Por quê? ...........................................................24
9 ± Sugestões para Efetivação da Inclusão ....................................................26
9.1 ± Ao que diz Respeito às Escolas.............................................................26
9.2 ± Competências dos Professores ..............................................................26
METODOLOGIA
Campo de Estudo
Técnica de Coleta de Dados
PROCEDIMENTOS
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
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Ao tratar do tema Abuso Infantil, busca-se considerar a infância como


algo essencial ou primordial da vida que engloba o papel fraternal do pai, da mãe
ou responsável. Não faltam leis bem embasadas nem declarações solenes,
usando a proteção da criança, contudo os abusos físicos, sexuais e psicológicos
ainda continuam arruinando a vida de milhões e milhões de pessoas. Existe uma
guerra abafada no âmbito da família e poucas pessoas ousam quebrar o silêncio
imposto pelos agressores.
Parte desse documento justifica a importância de se incluir o abuso
infantil como tema transversal nos currículos escolares, isto é, discorrer sobre o
papel e a postura do educador e da escola, descrevendo para tanto, as referencias
necessárias a melhor atuação educacional ao se tratar do assunto, trabalho que se
diferencia do tratamento da questão no ambiente familiar. Aborda ainda, por
meio do objetivo geral, as capacidades a serem desenvolvidas pelos alunos no
ensino fundamental.
A abordagem do tema Abuso Infantil na escola visa permitir ao aluno
encontrar na mesma, espaço de informação e de formação no que diz respeito às
questões referentes.
Quantas crianças ao redor do mundo são maltratadas, recebem uma carga
diária de maus tratos, são usadas como simples objetos, são desrespeitadas,
sentem-se como lixo, por não serem amadas por alguém que deveriam amar. É
bem possível que você conhece alguém nessa situação. São crianças que tem um
valor incalculável, e por isso são dignas de cuidados e apoio.
O objetivo pretensioso deste material está em promover reflexões e
discussões de técnicos, professores, equipes pedagógicas, órgãos como Conselho
Tutelar, o ECA, igrejas, responsáveis e o mais essencial a família, com a
finalidade de sistematizar a ação pedagógica no desenvolvimento dos alunos,
levando em conta os princípios morais de cada um respeitando também os
direitos humanos.


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GERAL
Conscientizar a gravidade que é o abuso infantil na sociedade.

ESPECÍFICOS:

š Aprender como quebrar o silêncio diante da situação do abuso sexual;


š Identificar as várias formas de abuso;
š Reconhecer que o primeiro passo para punir é denunciar;
š Saber como agir com vítimas de abuso.
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A discussão sobre inclusão da temática do abuso infantil no currículo escolar


tem se aumentando por ser considerada importante na formação global do individuo.
Precisamos educar nossas crianças a respeito do seu valor e personalidade, que
cada criança tem ao tomar decisões. Ensinar as meninas a terem segurança em suas
decisões, a valorizar suas próprias percepções respeitando a si próprias, saber como e
onde conseguir ajuda para eles, se alguma lei em nossa comunidade precisa ser mudada
para proteger os inocentes.
O abuso infantil certamente é um assunto difícil de ser abordado nas escolas,
pois cabe a exposição da criança, atualmente sabe-se que os pais reinvidicam a
orientação sobre o abuso infantil nas escolas, pois reconhecem não só a sua importância,
como também a dificuldade de falar abertamente sobre esse assunto em casa.
Por todos esses motivos se torna necessário que as escolas tenham educadores
preparados para esclarecer as dúvidas e obter a confiança dos alunos é importante que o
professor expresse graves preocupações quanto à crescente tendência rumo a um
comportamento abusivo e violento as crianças.
Enfim, a importância de uma metodologia voltada para o abuso infantil nas
escolas demonstra quão seriamente é preocupante e que só vem a contribuir para
desenvolver nas crianças o senso de valor pessoal.
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A análise do Abuso Infantil visa à discussão no contexto familiar que é chamada
também de violência domestica, e se manifesta por meio de ações ou omissões de um
ou mais membros que subestimam a integridade física, psíquica ou a liberdade do outro
e que produzem danos expressivos.
Levando em conta estas idéias, considera-se maus-tratos contra criança todas as
ações ou omissões que ocasionem dificuldades no desenvolvimento físico, psíquico ou
social. Uma criança é maltratada ou agredida quando sua saúde física, psíquica ou sua
segurança está em perigo seja porque se faça ou se deixe fazer algo. Essas ações podem
ser realizadas pela mãe ou pelo pai, ou demais adultos responsáveis pelo cuidado do
menor.
A criança é o ser mais frágil entre os indivíduos que vivem em sociedade. Ela
tem uma relação de dependência com o adulto que se faz muito suscetível de ser
dominada, submetida, tendo que aceitar situações sem poder se distanciar nem impor
limites a tempo.
As situações de violência podem ser vividas em qualquer família de diferentes
classes sociais, econômicas ou políticas, de dentro ou de fora de casa.
As estatísticas assustam, a UNICEF estima que 70% das crianças e adolescentes
recebem maus-tratos físicos dentro do seu núcleo familiar, e que a maior porcentagem
se encontra entre crianças menores de 03 anos e até me bebês, por chorar ou se recusar a
tomar mamadeira.
Os tipos mais comuns de maus-tratos à criança são físicos, abuso emocional ou
sexual, abandono físico ou emocional, negligência nos cuidados e ter que testemunhar
atos violentos.

4.1.1 ± O Desafio que as Escolas Precisam Enfrentar.


O abuso infantil se trata de um tema regido de valores de ordem pessoal sobre o
qual poucos professores adquiriram o hábito e a naturalidade para conversar a respeito,
pois desde os primeiros momentos de vida, a criança começa seu aprendizado. Sua
formação será diferenciada à medida que conquistar sua identidade por meios de valores
adquiridos, os quais acompanham pelo resto da vida. É por isso, mesmo entendendo a
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importância de se falar sobre abuso com seus alunos, muitos professores ainda
encontram dificuldades. É necessário saber reconhecer a diferença entre expressões para
identificar as necessidades dos alunos, fazer o diagnóstico de situações, definirem os
objetivos, identificar os resultados inesperados e traçar uma estratégia de intervenção.
Para isso é necessário desenvolver no professor o papel de analista. Além do lar e a
família a escola é um dos lugares mais apropriados para se realizar este tipo de trabalho,
por ter uma estrutura adequada, para proporcionar o aprendizado formal e por ser o
lugar freqüentado por um grande número de crianças durante várias horas do seu dia e
por um longo período de sua vida. A escola é a principal fonte de aprendizado, tem toda
condição para confirmar valores que podem contribuir para melhoria da qualidade de
vida das crianças. Uma orientação sobre abuso é um meio de intervir no processo
educacional de caráter preventivo, ela é uma ação que para poder ser exercida é
necessário que os professores saibam o que estão fazendo, e também deve promover aos
alunos, uma outra forma de se lidar com o mesmo fato, preenchendo lacunas que as
crianças tem para encontrar respostas para suas dúvidas e para fazer escolhas assertivas
para suas vidas. Mas, o desafio não termina aí, é preciso desenvolver na criança o senso
de valor pessoal, uma saudável auto-estima é formada quando as crianças são elogiadas
e incentivadas (quando a mãe, o pai, professores ou responsáveis se animam
mutuamente). As crianças tomam consciência do quanto são importantes para os seus
responsáveis, isso as ajudará a entender o valor que elas têm. Apesar disso, palavras
desanimadoras e, o que é pior, expressões que destroem a alma podem ser proferidas
muito descuidada e livremente.
³Você nunca consegue fazer nada certo?´ ³Como é que você consegue ser tão
burro?´ ³Quem dera que você nunca tenha nascido!´. Muitos responsáveis acham muito
fácil bater na criança, fazendo com que eles já na fase adulta nunca chegue a um
aprimoramento claro. Crianças abordadas desta forma acham difícil sentir-se valorizada
por alguém, ainda mais, pelos seus entes mais queridos. Todos, inclusive as crianças
aprendem a respeitar sendo respeitados. Ensinar respeito às crianças funciona melhor
quando conquistamos o respeito dela.
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Falta de disciplina própria. Se as crianças são governadas com castigos,
aprenderão a autodisciplina, e o que é pior com esta experiência há muitos adultos que
lutam a vida inteira para relacionar-se passivamente, tornam-se pessoas confusas, e
dificilmente, terá uma compreensão intelectual e provavelmente não conseguirá escapar
do medo.
Muitas pessoas na sociedade expressam graves preocupações quanto à crescente
tendência rumo a um comportamento violento, particularmente entre os jovens. Acredita
que se faz necessário um ³retorno´ aos castigos corporais. Em sua frustração, esses
cidadãos bem intencionados esquecem de que os piores ofensores são quase sempre
indivíduos que já foram espancados e abusados, em ocasiões incontáveis.

2.1 - O Abuso Infantil ± ³Assassinato da Alma´ da Criança.


A criança nasce indefesa de cuidados constantes e de exclusividade. Ela deve ter
certeza de que será protegida em toda situação, de que seu nascimento foi esperado e
desejado, de que seu choro será ouvido, de que o movimento de seus olhos será
respondido e seus medos acalmados; de que sua cede e fome será satisfeita; de que seu
corpo será amado; e que sua angústia jamais ignorada. Muitos autores dizem e nossa
prática confirma: ³A forma como o ser humano executa sua função parental depende de
como foi tratado na sua própria infância´.
Uma criança maltratada, rejeitada, abusada e abandonada está completamente só
na escuridão do medo e da confusão. Submetida à arrogância, humilhação e rejeição, ela
fica ³cega´ e exposta ao poder ignorante dos adultos. Sente-se desorientada e
completamente indefesa.
Quem nasce num ambiente frio e incessível, acredita que essa situação seja a
única existente. A confiança no futuro baseia-se nas primeiras experiências do
individuo. Nossa primeira visão de mundo é feita através dos olhos de uma criança
pequena que permanece conosco durante toda a vida. Por mais adultos e poderosos que
possamos parecer, ainda conservamos o desejo de sermos cuidados, amados e querendo
³colo´, como crianças que fomos.
Pais que jamais conheceram amor vieram ao mundo com indiferença,
insensibilidade e frieza. Omitem-se frente à adolescência e infância que tiveram, não
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tendo capacidade de transmitir amor. Como podem amar se não sabem o que isso
significa e como fazê-lo? Infelizmente, seus filhos sobreviverão e, assim como os pais,
também não se lembrarão das torturas a que foram submetidos, porque todas elas
tiveram que ser reprimidas.
Construímos grandes muralhas que nos protegem de eventos dolorosos, pelo fato
de não termos aprendido a viver com esses acontecimentos. Mas, por trás destas
muralhas, permanece a história da infância, da criança negligenciada e, para não nos
depararmos novamente com a dor do passado vivemos a ilusão de um presente
aparentemente ³calmo´ e ³harmonioso´.
Na verdade, o ser humano teme reviver o passado, mais ao mesmo tempo não foi
preparado para esquecê-lo (banir da consciência suas repressões). Logo que se tornarem
adultos essas crianças feridas estarão na posição de revidar as impunidades a que foram
submetidas: antes, vítimas; agora, agressores. O preço da repressão é alto, muito alto.
Para essas famílias, poderá ser muito natural não possuírem espaço físico ou
emocional preservado. Estão desvinculadas dos valores sociais, sem um elo
estruturante.

2.2 ± Papéis da Família.


Outra categoria importante são os papéis familiares. Para vários autores o que
determina, ou não, a saúde emocional na família é o que seus membros desempenham
no cumprimento das funções familiares essenciais relacionadas aos papéis de marido,
mulher, pai, mãe, filho, filha, irmão e irmã.
A família é facilitadora de saúde emocional, na medida em que cada membro
conhece e desempenha seu papel específico. Os papéis estão presentes quando os
subtemas familiares ± conjugal, parental, e filial tem limites claros do sistema familiar
mais amplo. Os papéis são definidos quando fica explicita, para a família, a função de
cada membro, de acordo com sua posição no grupo familiar. Os papéis são adequados
quando, no grupo familiar, cada membro se comporta tendo em vista definição de suas
funções específicas.
Os papéis são flexíveis quando permitem que os membros da família assumam
outras funções no funcionamento familiar, diferentes daquelas relativas ao papel
específico de cada um quando se faz necessário.
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A família facilita o crescimento de seus membros quando cada membro assume
papéis definidos e adequados, mas, sem estereotipia e rigidez. Portanto, a família tem a
responsabilidade de oferecer um espaço seguro ao filho infante, mas nem todas as
famílias conseguem essa façanha. Em nossa pesquisa, consideramos o abuso infantil um
³assassinato da alma´ da criança.
Gostaria de ressaltar que as pesquisas efetuadas por outros pensadores e por mim
na área do abuso sexual, são retrospectivas, tendo sido colocadas como ponto principal
a questão do silêncio e a revelação do abuso pode propiciar crédito à palavra da criança,
implicando cuidados sociais, psicológicos e médicos. Também contribui para apontar o
autor como culpado e responsável, retirando a criança desse silêncio. Muitas vezes
precisamos emprestar a voz para que essas crianças sejam ouvidas. Isso terá o efeito
terapêutico de eliminar a culpa e reabilitar a vítima. O silêncio é tóxico para os
pequenos. Às vezes, em curto prazo, mais normalmente só em longo prazo podemos
avaliar o impacto e as conseqüências afetivas do trauma sofrido.
Palavra de uma mulher que foi abusada na infância:
³Eu sabia que não devia; no entanto, não me movia, estava paralisada. Tornei-me uma
estátua de pedra. Deixara meu corpo. Deixara para ele apenas meu corpo vazio. Fugira
para outro lugar. A culpa tinha me apanhado, invadindo-me por inteiro. Se minha mãe
ficasse sabendo! Havia usurpado o lugar dela. Era preciso esconder essa vergonha,
camuflá-la, enfiá-la bem no fundo de mim mesma, fingir, tornar a vestir depressa
minhas roupas de menina inocente. Reassumir depressa meu papel de mais velha.
Minha mãe ia voltar: Depressa fazer as camas, refazer o leito conjugal, o leito onde eu
nascera, o leito onde vivera aquela coisa imunda. Depressa esconder tudo, minha mãe ia
chegar. Depressa recolocar a máscara de filha, capaz de assumir o papel de mãe junto
aos irmãos e irmãs´.
O abusador, sendo o pai ou outro individuo, mata o eu na criança que se tornara
mulher. A pessoa que já foi abusada viverá com a impossibilidade de dizer ³eu´ diante
de um homem que a deseja. Pode-se paralisar não contando nem mesmo com a fuga
para se defender. Fica dominada pelo desejo do outro. Então, algumas vezes, para dar a
si mesma a ilusão de dizer ³eu´ pode se oferecer, dando a impressão de que é dona do
seu nariz. Isso é uma mentira, pois a mulher perde seus pontos de referencias entre
verdade e mentira diante do homem.
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Ela é então o objeto deles, e a armadilha é o amor, a ternura. Seu pai ou a pessoa
em que a criança confia lhe preparou essa armadilha, já a muito tempo. Toda aquela
ternura tão boa e tão doce que recebera dele quando criança, não foi justamente para
levá-la até lá para sua cama numa noite? Como saber a verdade dos sentimentos do
homem? Como ter confiança daqui em diante?

2.2.1 ± Violência Familiar.


A violência na família envolve a agressão de qualquer tipo ± verbal, física,
emocional, sexual ou negligencia ativa ou passiva ± cometida por uma pessoa ou mais
pessoas contra outra dentro da família.
Em São Luis ± MA, uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do
Maranhão revelou que 85% dos casos de abuso infantil da periferia da cidade sofrem
com a violência em casa, como maus-tratos, abuso físico, psicológico e sexual, além de
negligencia no tratamento de doenças.
A violência, em todos os sentidos, é um fenômeno
mundial e cada dia mais presente na sociedade. Ao
contrário do que se pode parecer à primeira vista, um
elevado nível sócio cultural ou até mesmo uma religião
professada não são garantias contra a prática da violência.
Ao contrário podem ser disfarces de muitos agressores de
pessoas em geral e até mesmo de familiares.
(Iracy F. de Oliveira)
Ed. de livros na casa publicadora brasileira

2.2.2 - Quebrando o Silêncio.


Abusos praticados no recesso do ambiente familiar são uma guerra silenciosa e
dissimulada que deixa marcas para o resto da vida. É incontável a legião dos que ficam
com seqüelas físicas e psicológicas. Revolta, ressentimento, insegurança e baixa auto-
estima constituem o saldo de milhões e milhões de pessoas que não sabem o que é viver
com dignidade.
É preciso quebrar o silêncio imposto pelos agressores. Como já sabemos não
faltam leis.
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O artigo 227 da Constituição Federal Brasileira de 1988 diz: ³É dever da família,
da sociedade e do estado assegurar, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e a convivência familiar e comunitária, além de colocá-los
[membros da família] a salvo de toda forma de negligencia, descriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão´.
Todos os níveis de autoridade precisam envolver-se na salvaguarda da
integridade física, moral e psicológica dos membros da família. É preciso investir em
educação, em políticas sociais de resultados duradouros e em cristianismo prático. Não
se deve permitir que a cultura relativista da sociedade jogue por terra os valores morais
e éticos. Ao estado compeli o cumprimento das leis que visam à proteção da criança.
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O abuso implica o uso da força-psicológica, física ou econômica para produzir
um dano, e manifesta-se como forma patológica de exercício do poder.
A violência é um fenômeno que se aprende como modo de reação, como forma
de resolução de conflitos e até como maneira de se comunicar, manifestando-se em todo
tipo de vínculos.
No contexto familiar, é chamada também violência domestica, e se manifesta
por meio de ações e omissões de um ou mais membros que subestimam a integridade
física, psíquica ou a liberdade do outro, e que produzem danos expressivos.
Levando em conta estas idéias, considera-se maus-tratos contra criança todas as
ações e omissões que ocasionem dificuldades no desenvolvimento físico, psíquico ou
social. Uma criança menor de 18 anos é maltratada ou agredida quando sua saúde física,
psíquica ou sua segurança esta em perigo, seja porque se faça ou se deixe de fazer algo.
Essas ações podem ser realizadas pela mãe ou pelo pai, ou demais adultos responsáveis
pelo cuidado do menor.
A criança é o ser mais frágil entre os indivíduos que vivem em sociedade. Ela
tem uma relação de ser dominada, submetida, tendo que aceitar situações sem poder se
distanciar nem impor limites a tempo.
As situações de violência podem ser vividas em qualquer família de diferentes
classes sociais, econômicas ou políticas.
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O abuso sexual contra crianças podem ocorrer na família, através do pai, do
padrasto, do irmão ou outro parente qualquer. Outras vezes ocorrem fora de casa, como
por exemplo, na casa de um amigo da família, na casa da pessoa que toma conta da
criança, na casa do vizinho, de um professor ou mesmo de um desconhecido.
Em tese, defini-se abuso sexual como qualquer conduta sexual contra uma
criança levada a cabo por um adulto ou por outra criança mais velha. Isto pode
significar além da penetração vaginal ou anal na criança, tocar seus genitais ou fazer
com que a criança toque os genitais do adulto ou de outra criança mais velha ou o
contato oral genital ou ainda roçar os genitais do adulto com a criança.
Às vezes, ocorrem outros tipos de abuso sexual que chamam menos a atenção,
como por exemplo, mostrar os genitais de um adulto a uma criança, incitar a criança a
ver revistas ou filmes pornográficos, ou utilizar a criança para elaborar material
pornográfico ou obsceno.
A violência sexual contra crianças pode acontecer em duas situações distintas:
no ambiente doméstico ou social. No primeiro caso a violência sexual é praticada no
próprio seio familiar, que mantém convívio intenso com a criança vitimisada. No
segundo a sexualidade de crianças é exposta socialmente. Terceiro sem qualquer
vinculo afetivo com a vítima, relacionam-se sexualmente com ela direta ou
indiretamente. Em geral, as condutas de violência sexual deste último tipo envolvem
questões financeiras, além da satisfação de desejos íntimos, pelo fato de o abusador
realizar a comercialização da sexualidade das crianças.
O abuso infantil visa também à utilização de uma criança para experimentar
prazer ou satisfação sexual. Inclui qualquer tipo de prazer sexual de um adulto com uma
criança, não sendo necessário haver contato físico. Basta à utilização de uma criança
como objeto de estimulo à satisfação sexual. 90% dos abusados sexuais adultos são
masculinos e mais de 80% são pessoas conhecidas da criança. Por isso é habitual que
este problema ocorra dentro do âmbito familiar ou de amizades próximas.
Inclui o incesto, a violação, penetração oral, anal ou vaginal, o assedio, o contato
corporal, as crianças ou toques inadequados, a estimulação verbal e visual impróprias,
fotografar ou mostrar fotografias pornográficas, ou obrigar a criança a presenciar atos
sexuais adultos, exibir-se nu diante do menor com a finalidade de excitar-se ou, com
×

mesmo fim, fazer com que a criança o observe ao se vestir ou se desvestir quando
estiver no banheiro.

4.1 ± Pornografia Infantil na Internet.


O protocolo facultativo para a conversão sobre os direitos das crianças relativos
a vendo de crianças, prostituição e pornografia infantis definem a pornografia infantil
no seu artigo 2º, alínea ³c´ como qualquer representação, por qualquer meio, de uma
criança no desempenho de atividades sexuais explicitas reais ou simulados ou qualquer
representação dos órgãos sexuais de uma criança para fins predominantemente sexuais.
A Interpol (Internacional Organization Of Criminal Police) a definiu como a
³representação visual da exploração sexual de uma criança, concentrada na atividade
sexual e nas partes genitais dessa criança´, enquanto os especialistas participantes do
encontro sobre pornografia infantil na internet, realizado em maio de 1999 em Lyon,
França, a conceituaram com ³uma exposição sexual de imagens de crianças incluindo
fotografias de sexo explicito, negativos, projeções, revistas, filmes, vídeos e discos de
computadores´.
A produção pornográfica infantil considerada, então, como todo material
audiovisual utilizando crianças no contexto sexual, constitui exploração sexual. São
exploradores os produtores (fotográficos, videomarkers), os intermediários (aliciadores
e pessoas de apoio), os difusores (anunciantes, comerciantes, publicitários) e os
colecionadores ou consumidores do produto final.
Para evitar esta prática, o artigo 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA) tipificou a pornografia infantil como crime punido com pena de reclusão. (Veja
integra dos artigos 240 e 241 modificado pela lei federal).
Mas o ECA foi além. Também decidiu punir como crime, por meio do artigo
241, a apresentação, produção, venda, fornecimento, divulgação ou publicação por
qualquer meio de comunicação, fotografias ou imagens, com pornografia ou cenas de
sexo explicito envolvendo crianças ou adolescentes.
A Lei 10.764, aprovada em novembro de 2003 foi responsável por acrescentar a
internet no Artigo 241 como meio de comunicação capaz de vincular a pornografia
infantil.
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4.2 ± Mais que Inclusão Digital, Educação Digital.
Com a ³Inclusão Digital´ sem ³Educação Digital´, a tecnologia pode se tornar
uma arma trouxer novos riscos e perigos que merecem atenção e proteção. Pois aquele
que não conhecem o meio, os recursos e as formas adequadas e seguras de fazer uso
deles provavelmente se tornarão uma vítima ou um infrator, quer seja por ingenuidade
ou por falta de informação.
Por isso é essencial que as instituições de ensino se atualizam e assumam o papel
de segurança na formação dessa criança que é o profissional de amanhã. Questões como
³proteção da identidade digital´ ³plágio´, ³pirataria´, ³ofensas virtuais´, ³uso de
imagem não autorizada´, ³participação em comunidades ilícitas´, ³assédio em chats e
mensseger´, ³limites da liberdade de expressão´, entre outras devem ser trazidas para a
sala, para orientação e preparo de crianças da era digital.
Abordar de forma didática nossa legislação também é imprescindível, pois a
nova geração precisa conhecer as leis, os valores, a ética. Assim, escolas, colégios, bem
como projetos de inclusão digital devem desenvolver ações de prevenção e de educação
digital, criando regras claras para seus empregados, funcionários, colaboradores e
alunos, bem como desenvolver conteúdos específicos de Ética e Cidadania Digital e
capacitar seus professores para lidar com estas questões dentro e fora da sala de aula.

4.3 ± Terreno Perigoso.


E-mail, chat, MSN, orkut, skype, blog, fotolog, mxspace ± esses termos
desconhecidos até pouco tempo atrás já são bem familiares. O avanço tecnológico não
tem afetado apenas empresas e comercio, a rotina doméstica também tem sofrido
alteração desde que o computador ganhou espaço nos lares.
O computador e a internet não são ruins. Eles descortinam o mundo diante dos
nossos olhos.
Como pais e educadores, devemos proporcionar essa tecnologia às crianças, aos
adolescentes. No entanto, é nosso compromisso orientar-los para que essa ferramenta
seja utilizada de maneira responsável, adequada, ética e segura.
Instintivamente, pais assustados proíbem seus filhos de acessar a rede. Com as
notícias sobre pedofilia e outros abusos iniciados na internet zunindo seus ouvidos, eles
pensam que não ter internet em casa ou restringi-la os manterá protegidos. É um
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engano! Basta um clique para que uma informação inadequada seja transmitida. Aos
que não tem internet em casa, um lembrete: com dinheiro de troco, lan-houses permitem
que qualquer criança acesse o mundo por uma hora.

4.4 ± Estatísticas.
Toda busca por números sejam livros revistas ou sites, embora num problema:
os casos registrados de abusos ficam muito abaixo da realidade. Isso tem uma
explicação: imposição do silêncio pelo abusador. O medo causado pelas ameaças cria
um mero aparentemente intransponível.
Por isso, Pierre Mezinsk adverte: emparedar-se no silêncio não é uma solução:
pelo contrário é o melhor modo de se sentir cada vez mais isolado e excluído pelos
outros que justamente, não sabem... E também é o melhor meio de prolongar o ciclo
infernal do abuso, pois o agressor impune não tem nem uma razão para deixar de
agredir. De acordo com Ana Rita Fonseca e Cláudio G. Capitão, as crianças são levadas
a acreditar que aquilo que acontece durante o abuso é um segredo entre elas e o
abusador.

4.5 ± A Criança Abusada.


Devido ao fato de a criança muito nova não está preparada psicologicamente
para o estimulo sexual, e mesmo que não saiba da conotação ética e moral da atividade
sexual, quase invariavelmente acaba desenvolvendo problemas emocionais depois do
abuso sexual, exatamente por não ter habilidade de agir diante desse tipo de
estimulação.
A criança de 5 anos ou pouco mais, mesmo conhecendo e apreciando a pessoa
que abusa dela, se sente profundamente conflitante entre a lealdade para com essa
pessoa e a percepção de que essas atividades sexuais são imorais. Para aumentar ainda
mais esse conflito, está sujeita a profunda sensação de solidão e abandono.
Quando os abusos sexuais ocorrem na família, a criança pode ter muito medo da
ira do parente abusador, medo das possibilidades de vingança ou da vergonha dos
outros membros da família ou pior ainda, pode temer que a família se desintegre ao
descobrir seu segredo.
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A criança que é vítima de abuso sexual prolongado, desenvolve uma perda
violenta da auto-estima, tem a sensação de que não vale nada e adquire uma
representação anormal da sexualidade. A criança pode tornar-se muito retraída, perder a
confiança em todos os adultos e pode até chegar a considerar o suicídio, principalmente
quando existe a possibilidade de a pessoa que abusa dela a ameaçar de violência caso a
criança não se submeta a seus desejos.
Algumas crianças abusadas sexualmente podem ter dificuldades para estabelecer
relações harmônicas com outras pessoas, podem se transformar em adultos que também
abusem de outras crianças, podem-se inclinar para a prostituição ou podem ter outros
problemas sérios quando adultos.
Comumente as crianças abusadas ficam confusas e temerosas de contar sobre o
incidente. Com freqüência, permanecem silenciosas por não desejarem prejudicar o
abusador ou provocar uma desagregação familiar ou por receio de serem consideradas
culpadas ou castigadas. Crianças maiores podem sentir-se envergonhadas com o
incidente, principalmente se o abusador é alguém da família.
Mudanças bruscas no comportamento, apetite ou no sono podem ser um indício
de que alguma coisa está acontecendo, principalmente se a criança se mostra isolada,
muito perturbada quando deixada só ou quando abusador está perto.
O comportamento das crianças abusadas sexualmente pode incluir:
 Interesse excessivo ou evitação de natureza sexual;
 Problemas com o sono ou pesadelos;
 Depressão ou isolamento de seus amigos e da família;
 Achar que tem o corpo sujo ou contaminado;
 Medo de que haja algo de mal com seus genitais;
 Negar-se a ir à escola;
 Rebeldia e delinqüência;
 Agressividade excessiva.
 Comportamento suicida;
 Terror e medo de algumas pessoas ou alguns lugares;
 Isolar-se ou não querer participar de esportes;
 Respostas ilógicas (para-respostas) quando perguntamos sobre alguma ferida em
seus genitais;
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 Temor irracional diante do exame físico;
 Mudanças súbitas de conduta.
Algumas vezes, entretanto, crianças ou adolescentes portadores de conduta
severa fantasia e criam falsas informações em relação ao abuso sexual.

4.6 ± Quem é o Agressor Sexual.


Via de regra, quem abusa sexualmente de criança são pessoas que a criança
conhece e que, de alguma forma, podem controlá-la. De cada dez casos registrados, em
oito o abusador da vítima é conhecido. Essa pessoa, em geral, é alguma figura de quem
a criança gosta e em quem confia. Por isso, quase sempre acaba convencendo a criança
a participar desse tipo de atos por meio de persuasão ou ameaça.
Mas, quando o perigo não está dentro de casa, nem na casa do amiguinho, ele
pode rondar a creche, o transporte escolar, as aulas de natação do clube, o consultório
do pediatra de confiança e, quase impossível de acreditar, pode estar nas aulas de
catecismo da paróquia. Portanto, o mais sensato será acreditar que não há lugar
absolutamente seguro contra o abuso sexual infantil.
Segundo a doutora Miriam Tefelbom, o incesto pode ocorrer em até 10% das
famílias. Os adultos conhecidos e familiares próximos como, por exemplo, o pai, o
padrasto, ou irmão mais velho, são os agressores sexuais mais freqüentes e desafiadores.
Embora a maioria dos abusadores seja do sexo masculino, as mulheres também abusam
sexualmente de crianças e adolescentes.
Esses casos começam lentamente através da sedução sutil, passando à prática
de ³carinhos´ que raramente deixarão lesões físicas. É nesse ponto que a criança se
pergunta como alguém em quem ela confia, de quem ela gosta, que cuida dela e se
preocupa com ela, pode ter atitudes tão desagradáveis.

4.7 ± A Família da Criança Abusada Sexualmente.


A primeira reação da família diante da notícia de abuso sexual é de
incredulidade. Como é comum as crianças inventarem histórias, elas podem relatar
relações sexuais imagináveis com adultos, mas isso não é a regra. De modo geral,
mesmo que o suposto abusador seja alguém em quem se confiava, em tese, a denuncia
da criança deve ser considerada.
×È

Em geral, aqueles que abusam sexualmente de crianças podem fazer com que
suas vítimas fiquem extremamente amedrontadas de revelar suas ações, incutindo nelas
uma série de pensamentos torturantes, tais como culpa, medo de ser recriminada, punida
etc. Por isso, se a criança diz ter sido molestada sexualmente os pais devem fazê-la
sentir que o que ocorreu não foi sua culpa, devem procurar ajuda médica e levar a
criança para um exame com um psiquiatra.
Os psiquiatras da infância e adolescência podem ajudar crianças abusadas a
recuperar sua auto-estima, a lidar melhor com seus eventuais sentimentos de culpa sobre
o abuso sexual em crianças é um fato real em nossa sociedade e é mais comum do que
muitas pessoas pensam. Alguns trabalhos afirmam que pelo menos uma em cada cinco
mulheres adultas e em cada dez homens adultos se lembram de abusos sexuais durante a
infância.
O tratamento adequado pode reduzir o risco de a criança desenvolver sérios
problemas no futuro, mas a prevenção ainda continua sendo a melhor atitude. Os pais
podem tomar algumas medidas preventivas, fazendo com que essas regras de conduta
soem tão naturais quanto as orientações para atravessar uma rua, afastar-se de animais
ferozes, evitar acidentes etc. Se considera que a criança ainda não tem idade para
compreender adequadamente as questões sexuais simplesmente expliquem que algumas
pessoas podem tentar tocar as parte íntimas (apelidadas carinhosamente de acordo com
cada família), de forma que se sintam incomodadas.
 Dizer às crianças que ³se alguém lhes tocar o corpo e fizer coisas que as levem a
sentir-se mal se afastem da pessoa e contem em seguida o que aconteceu´.
 Ensinar às crianças que o respeito aos mais velhos não quer dizer que tem que
obedecer cegamente aos adultos e as figuras de autoridade. Por exemplo, dizer
que não tem que fazer tudo o que os professores, médicos ou outros cuidadores,
mandam fazer, enfatizando a rejeição daquilo que não as faça sentir-se bem.
 Ensinar as crianças a não aceitarem dinheiro ou favores de estranhos.
 Advertir as crianças para nunca aceitarem convite de quem não conhecem.
 A atenta supervisão da criança é a melhor proteção contra o abuso sexual, pois,
muito possivelmente, ela não separa as situações de perigo das de sua segurança
sexual.
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 Na grande maioria dos casos os agressores são pessoas que conhecem bem a
criança e a família; podem ser pessoas às quais as crianças foram confiadas.
 Embora seja difícil proteger as crianças do abuso sexual de membros da família
ou amigos íntimos, é uma atitude fundamental vigiar as situações potencialmente
perigosas.
 Estar sempre ciente do lugar em que a criança se encontra e o que ela está
fazendo.
 Pedir a outros adultos responsáveis que ajudem a vigiar as crianças quando os pais
não podem cuidar disso intensamente.
 Conhecer os amigos das crianças, especialmente os que são mais velhos do que
ela.
 Ensinar a criança a zelar de sua própria segurança.
 Orientar as crianças sob como proceder caso percebem más intenções de pessoas
pouco conhecidas ou mesmo íntimas.
 Orientar as crianças no sentido de buscar ajuda de outro adulto quando se
sentirem incomodadas.
 Explicar as opções de chamar a atenção sem se envergonhar, gritar e correr em
situações de perigo.
 Dizer as crianças que elas não devem estar sempre de acordo com iniciativas para
manter contato físico desconfortável, mesmo que sejam amigos ou parentes
próximos.
 Valorizar positivamente as partes íntimas do corpo da criança, de forma que o
contato nestas partes chame a atenção delas para o fato de algo inusitado e
estranho possa estar acontecendo.










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O abuso físico envolve o comportamento agressivo contra o corpo da vítima.
Isso inclui empurrar, beliscar, cuspir, chutar, bater, puxar os cabelos, esbofetear,
golpear, esmurrar, esganar, queimar, cacetear, lancinar, torcer os membros e confinar.
Também inclui lançar ácido, água quente ou objetos; jogar a vítima contra a parede ou
pelas escadas; mutilar com faca, tesoura ou outros objetos perigosos e o uso de arma de
fogo. A prática comum em algumas partes do aborto ou da amniocentese seletiva, ou
seja, a morte de recém nascidos do sexo feminino e mutilação genital feminina constitui
abuso físico violento.
Apesar do grande número de leis e órgãos estatais de proteção no Brasil o abuso
físico contra crianças ou violência doméstica como também é conhecida continua
merecendo destaque na mídia. Supostamente ocorre aumento deste aumento desse tipo
de abuso. Não obstante, inúmeras perguntas podem ser levantadas. O que está
acontecendo com a família? Até que ponto a família está falhando no dever de cuidar de
suas crianças. A proteção do estado é melhor do que a proteção que a família pode
oferecer?
A violência está dentro da família. Uma pesquisa de campo realizada com
crianças e adolescentes de rua na cidade de Curitiba indica que 14% saíram de casa
porque apanharam muito e 2% sofreram estupro na própria casa antes de abandoná-la
(Bondaruk, o império das casas abandonadas. p. 47-49). Por outro lado o abuso também
está fora da família. Em 2007, a mídia notificou que uma jovem adolescente fora
estuprada nas dependências de uma delegacia de polícia no Pará. Sociopatas criminosos
e estupradores podem estar em qualquer parte e não há motivos para crer que a família
como instituição tenha fracasso. Além disso, os problemas domésticos são
freqüentemente provocados pela desestruturação familiar, que podem surgir em virtude
de motivos diversos como, por exemplo, a morte dos pais.
O abuso físico trata-se de uma forma evidente de maus-tratos. Consiste em
agressão física que deixa marcas visíveis no corpo da criança. Esse tipo de abuso pode
ser efetuado pelo adulto, diretamente ou com objeto, como por exemplo, metais
quentes, objetos pontiagudos, chicotes, cintas, fios de metal, paus e etc. O abuso físico
ocorre mediante qualquer trauma, lesão ou ação não acidental por parte de um adulto
que provoque lesão física ou doença ao menor, ou que o coloque em grave risco de
c

sofrê-las como conseqüência de alguma negligencia intencional. Pode-se tratar de
queimaduras, contusões, hematomas, mordidas, entases, deslocamento de extremidades,
cortes espetados, lesões internas, asfixia, etc. É importante saber que nem sempre esse
tipo de violência deixa marcas. Freqüentemente representa castigo corporal severo ou
injustificado, que ocorre em geral, quando o adulto se sente frustrado, furioso e bate na
criança ou empurra violentamente. O dano pode ocorrer de um só episódio ou de vários,
de magnitudes e características variáveis.
Na maioria dos casos de abuso físico não é um mero ato físico para com a
criança, mas um padrão estabelecido de comportamento, um estilo que o adulto
demonstra para castigar ou disciplinar a criança. Quanto mais tempo durar essa situação,
mais sérios serão os golpes que a criança receberá e mais difícil será eliminar a conduta
abusiva do maior.
Dezoito mil crianças são vítimas de abuso doméstico por dia no Brasil. Os dados
apresentados pela sociedade internacional de prevenção ao abuso e negligencia na
infância (Sipani) representam 12% dos 55,6 milhões de crianças abaixo de 18 anos. A
UNICEF revela que 80% das agressões físicas contra crianças e adolescentes são
praticadas por parentes próximos. A mãe é responsável por cerca de 70% das agressões
físicas. Já o abuso sexual é praticado pelo pai, padrasto ou tio.
No Brasil 40% dos abusos ocorrem com violência física, sendo que 76% das
vítimas de abuso sexual são meninas, 37% das quais tem menos de 11 anos de idade.
(Relatório Abrapia)
Segundo o Ministério da Saúde, as agressões são a principal causa da morte de
jovens entre 5 a 19 anos. A maior parte dessas agressões acontece no ambiente
doméstico. A Unicef estima que diariamente 18 mil crianças e adolescentes sejam
espancados no Brasil e cerca de 7 mil mortes por ano são o resultado dessas agressões.
Os números de abusos são grandes! Não é possível contabilizar as possíveis agressões
diárias que crianças do Brasil inteiro estão sofrendo, pois as estimativas se baseiam em
denuncias. Mas levando em conta que já são tantas e que o silêncio impera em um
³não´ se sabe quantos casos, a incidência de abuso infantil, em seus diferentes casos, é
assustadora. Além disso, em muitos casos, a criança chega a um hospital com fratura ou
queimadura, e isso é caracterizado como acidente doméstico.
×

Embora o Brasil tenha uma vasta legislação visando proteger a criança, é
necessário que todo cidadão faça a sua parte. Mas qual a receita para que haja paz e
harmonia na família? Como prevenir feridas físicas e emocionais causadas por abuso e
violência? É possível perdoar o agressor? É imprescindível o perdão para restaurar a paz
interior?
Pessoas de todos os países estariam à disposta a pagar um elevado preço para ter
um pouco mais de harmonia no ambiente familiar. A paz nos relacionamentos e o
respeito à individualidade são tão necessários para a saúde emocional quanto à água
para o corpo.
O assassinato brutal da menina Isabela de 5 anos, cuja repercussão emocionou o
Brasil e mostrou a vulnerabilidade do ser humano diante da frieza de pessoas sem
coração, serve de alerta para as pessoas de bem. O fato é que o vôo sem retorno de uma
criança lançada impiedosamente pela janela de um apartamento na cidade de São Paulo,
no dia 29 de março de 2008, será sempre lembrado como uma nodua vergonhosa no
tecido social.
Isabela virou símbolo maior do abuso a que uma criança está exposta. Ela
representa a dor de milhares de crianças que são diariamente excluídos do círculo do
amor. A escrito Lya Luft, no artigo ³Menina quase morta, sozinha´ (Veja, 30 de abril de
2008), lamentou a ausência de alguns ³que a cobrisse de beijos e que a regasse de
lágrimas´.
Como se vê, a violência não poupa classe social, faixa etária nem sexo. O mundo
clama por ações contra o aumento da violência.
Por essa razão, a sociedade procura conter, por meio de leis, o avanço desse
câncer que corrói a vida de muita gente. Além disso, quebrar o silêncio é uma arma
disponível para todos os que desejam ajudar a sociedade na busca da paz.


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É caracterizada por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação,
desrespeito e punições exageradas. Ação ou omissão com o objetivo de degradar ou
controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de
intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, ou qualquer outra conduta que
implique prejuízo à saúde psicológica, à determinação ou ao desenvolvimento pessoal.
³A violência psicológica é difícil de ser identificada devido à ausência de marcas
visíveis diante de nossos olhos´. Ricardo de Moraes Cabezón, conhecido advogado, é
enfático: ³A violência física ou psicológica contra crianças e adolescentes é covarde. Se
fica um hematoma, a vítima nem sai de casa´.
A violência emocional tem a ver com a violência verbal habitual a uma criança
por meio de insulto, crítica, ameaça, menosprezo, descrédito e zombaria. Também
abrange o isolamento ± seja evitando a criança ou prendendo-a a indiferença e a rejeição
implícita. Além disso, inclui-se como maus-tratos ou violência emocional a ameaça que
possa causar comprometimento no desenvolvimento social ou intelectual da criança
com o adulto de interação da criança com o adulto. É importante reconhecer que pode
existir abuso emocional ou psicológico sem abuso físico, mas na ocorrência desta,
sempre há violência emocional.
As agressões verbais reiteradas de desprezo ou insulto, com palavras grosseiras,
vão provocando uma baixa na auto-estima e perturbações na personalidade, como
timidez, agressividade, mau humor, problemas de conduta, alterações escolares, etc. que
a criança vai manifestando em seu meio ambiente mais próximo, como o lar, a escola, a
igreja, ou com os amigos.
No extremo da violência psicológica está o abandono emocional, que consiste na
falta persistente de resposta às expressões emocionais e condutas que busquem uma
aproximação por parte da criança, é a falta de iniciativa de interação e contato por parte
de uma adulta estável.





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Este trabalho foi realizado de maneira a analisar variadas dúvidas inerentes ao


Abuso Infantil.
A pesquisa realizada deu prioridade de inicio ao estudo bibliográfico de vários
autores a respeito do assunto em questão, para que desta forma se pudesse ter um maior
conhecimento sobre o tema, em seguida, questões foram levantadas para melhor análise
a respeito do Abuso Infantil fossem sanadas.
Em seguida foi feita palestras na escola junto aos professores e alunos com
participações de membros do Conselho Tutelar, para desta forma ter os resultados para a
análise e as posteriores conclusões.
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No contexto familiar, o Abuso Infantil é chamado também de violência


domestica, e se manifesta por meio de ações ou omissões de um ou mais membros que
subestimam integridade física, psíquica ou a liberdade do outro, e que produzem danos
expressivos.
Levando em conta estas idéias, considera-se maus-tratos contra a criança todas
as ações ou omissões que ocasionem dificuldades no desenvolvimento físico, psíquico
ou social. Uma criança ± menor de 18 anos ± é maltratada ou agredida quando sua saúde
física, psíquica ou sua segurança esta em perigo, seja porque se faça ou se deixe de fazer
algo. Essas ações podem ser realizadas pela mãe ou pelo pai, ou demais adultos
responsáveis pelo cuidado do menor.
A criança é o ser mais frágil entre os indivíduos que vivem em sociedade. Ela
tem uma relação de dependência com o adulto que a faz muito suscetível de ser
dominada, submetida, tendo que aceitar situações sem poder se distanciar nem impor
limites a tempo.
As situações de abuso podem ser vividas em qualquer família de diferentes
classes sociais, econômicas ou políticas, em países de primeiro mundo, em países
subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.
Gostaria de ressaltar que as pesquisas efetuadas por outros pensadores e por mim
na área do Abuso Infantil, são retrospectivas, tendo sido colocadas como ponto
principal a questão do silêncio e a revelação dos fatos. O fato de se favorecer a
revelação do Abuso pode propiciar créditos à palavra da criança, implicando cuidados
sociais, psicológicos e médicos também contribui para apontar o autor como culpado e
responsável, retirando a criança desse silêncio. Muitas vezes, precisamos emprestar a
voz para que essas crianças sejam ouvidas. E isso terá um efeito terapêutico de eliminar
a culpa e reabilitar a vítima. O silêncio é tóxico para os pequenos. Às vezes, em curto
prazo, mas normalmente só em longo prazo podemos avaliar o impacto e as
conseqüências afetivas do trauma sofrido.
Apesar do abuso contra a infância parecer estar ligada a classes menos
favorecidas econômica e intelectualmente, ela se apresenta na verdade em todos os
'

campos, porque não está ligada ao alcoolismo ou à pobreza. O agressor já é predisposto
à violência. Mas isso fica adormecido dentro de si até que um fator externo desencadeie
o processo. O fator externo pode ser o álcool, a falta de dinheiro, o desemprego, a
separação conjugal ou qualquer outro ³motivo´. Naturalmente, o agressor também pode
precisar de ajuda, mas deve reconhecer isso e se empenhar para evitar o abuso. Deve
querer e procurar ajuda.
Recentemente discutiu-se muito sobre pedofilia nos meios católicos, mas
infelizmente o abuso contra crianças é uma covardia que não distingue raça, situação
econômica (em todos os seus tipos) está presente em outras religiões e todas as classes
sociais.
As estatísticas assustam. A UNICEF estima que 70% das crianças e adolescentes
recebem maus-tratos dentro do seu núcleo familiar, e o que mais espanta é que nos
casos de violência contra crianças, nem os bebês são poupados. Os maiores agressores
são os pais (cerca de 60% e a mães cerca de 20%).
±



 


A conclusão a qual cheguei é que o Abuso Infantil é uma ofensa às crianças tão
seriamente, que reserva a mais terrível conseqüência àqueles que foram os agressores,
quanto às vítimas.
É importante ter disciplina e ordem no lar ou na sociedade, mas esse ensino e
essa disciplina devem sempre ser ministrados no contexto da confiança. Muitas vezes, é
difícil aprender a fazer coisas de uma maneira diferente daquela que nos foi ensinado,
mas sabemos que não se deve conformar com as condições desse mundo doente, a
sociedade deve empreender uma luta de conscientização e combate à violência e ao
abuso em todas as suas formas.
Somando esses esforços a Órgãos Legais, recorrer a propostas para o
enfrentamento do problema, tudo para ajudar a minorar algo que faz parte do nosso dia-
a-dia e se constitui num sinal de injustiça, mas o que não podemos é perder a
capacidade de nos indignar com as injustiças e lutar para amenizar o sofrimento, a dor e
a vergonha que enfrenta a sociedade.
São muitas as histórias de Abuso Infantil e na maioria das vezes o criminoso é
um parente ou amigo da família, traindo a confiança de uma criança inocente.
Nosso mundo por causa de tudo isso é um mundo cheio de feridas.
No caso de abuso sexual, a personalidade da criança foi completamente alterada.
O abuso impede um desenvolvimento sadio tanto da personalidade como da
sexualidade. Mais tarde esse desenvolvimento inadequado leva o individuo a se tornar
um abusador. Alguns afirmam que sua masculinidade não ficou estragada. Outros
simplesmente acham que tendemos a repetir as experiências que vivemos no lar e na
vida. Outro fator é que o abuso faz a criança sentir-se má, indigna e sem valor, passando
a agir de acordo com seus sentimentos. É a lógica perversa de que os maus se portam
mal. Especialistas afirmam que o problema grave e que a sociedade tem que fazer mais
³barulho´ para criar a consciência de que este é um problema real, embora costume
ocultar-se detrás das portas de muitos lares. O silêncio e a indiferença não ajudam em
nada. O governo sozinho não pode resolver o problema. Precisa da participação das
pessoas e instituições sociais para prevenir e remediar este grave mal.
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Livro As faces da violência (VETOR. 2007) Cláudio G. Capitão e Rita A. Romaro.


Revista SINAIS DOS TEMPOS (edição especial 2008)
Revista SINAIS DOS TEMPOS (Rubens Lessa, 2009)
e-mail: beatrizcalotiore@cuidad.com.ar
www.quebrandoosilencio.com.br
www.mds.gov.br/programas/programas03
www.risolidaria.org.br/util/view_home
Almorque Recreio (São Paulo: Editora Abril, 2003)
Pierre Mezinsri; As faces da violência: como enfrentar a agressividade (São Paulo:
Editora Ática, 2007)
Marina Rezende Bagon. ³Um muro de silêncio que você pode derrubar´, NOVA
ESCOLA (São Paulo: Editora Abril S. A, dezembro de 2007).