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Sejam Bem-Vindos!

Prática do AT
Aspectos Teóricos e Práticos
Por - Felipe Colombini -
Mestre em Psicologia da Educação – PUC-SP
Especialização em Clínica Analítico-Comportamental
Facilitador do Programa de Qualidade
da Interação Familiar
Formação em OBM (Organizational Behavior Management)
Aprimoramento em AT – IPq-HCFMUSP
Desenvolvimento Atípico e Terapia Infantil
Coordenador e Professor do Curso de Aprimoramento em AT da Equipe AT
Professor do GREA-IPq-HCFMUSP
Diretor de equipe AT
● Considerações Iniciais

● Retomada Histórica

● Intervenções e
Agenda da
Técnicas Aula
● Recorde – Caso Clínico
● Apresentar alguns
números...

● Contextualizar a atuação
do AT
Objetivos
● Sobre o AT | Atualidades da Aula
● Avaliação e técnicas

● Questões práticas e éticas


Considerações
Iniciais
Frequência na semana

Meses

Atividades na rotina Saídas de casa Relatos de ansiedade

Frequência na Semana
Clientes

Pais
Dias no mês

Meses
Atendimentos por semana

Meses
Cliente Paola
Cliente Mariane
Considerações
Iniciais
Retomada
Histórica
Modificação de Comportamento

Intervenções sobre
Indivíduos Contingências Reforçamento
comportamentos
institucionalizados e ambientais/atuação arbitrário
específicos e
“controlados” direta/mensuração (comestíveis,
operacionalizáveis
(hospitais, prisões...) (laboratório 🡪 fora) cigarros...)
(ações visíveis)

Compreender para
Treino para
evitar críticas fora
profissionais e/ou
do contexto atual
familiares próximos
das intervenções
Após a Segunda Guerra Década de 60: Clínica Vila Pinheiros (Rio de Clínica Pinel (Argentina):
Mundial: repensar o movimentos da Janeiro): Auxiliar psiquiátrico Dra. Carmen Dametto -
atendimento psiquiátrico Antipsiquiatria (Itália e - treino e atuação direta treino de enfermeira
Inglaterra)

Década de 70: Ano de 1979: “amigo Década de 80: Década de 90: pessoas Atualmente:
comunidades qualificado” para “náufrago” do com psicose/esquizofrenia questionamento
terapêuticas e “amigo acompanhante movimento - técnicas quanto à
qualificado” terapêutico (AT) Antipsiquiátrico. comportamentais nomenclatura e
Auxiliares sem emprego! atuação

AT - Brasil e no Mundo
AT - Brasil

Auxiliar Amigo de Ferramenta Problemas com


Aplicador de Professor
do aluguel / a mais no nomenclatura
técnicas tutor
clínico amigo tratamento e atividade
● Contingências artificiais na sessão têm
pouca chance de competir com as
contingências em geral mais antigas,
mais significativas e mais frequentes da
vida do sujeito.

● O máximo que se pode esperar é contar


com a sorte ou mesmo criar
Modificação do
contingências na sessão para a
formulação de conselhos ou regras que
Comportamento
então serão seguidas; desmanchar alguns
estímulos aversivos eliciadores de
ansiedade e reforçar o cliente produzindo
um fugaz sentimento de autoestima
(Guedes, 1993, grifo nosso).
Se a teoria em que se baseia a terapia comportamental é correta, então a solução para um
problema comportamental não pode se restringir a contingências especialmente arranjadas no
ambiente particular da clínica. Se o problema “tem que ser corrigido, é necessário modificar as
contingências do ambiente natural” (Holland, 1978, p. 166, grifo nosso)
Sobre o AT
Funções e características
PARA NÓS
Atuação fora do consultório

Conceituação do caso

Orientação parental/familiar

Redes de contato (equipe)


Planejamento e execução da
Intervenção
Modelos, dicas e ação
PSICÓLOGO

Acompanhante Terapêutico
O Processo
● Tratamento do AT
● Terapeuta como pessoa
● Mantê-lo no AT
● Equilibrá-lo nas interações
● Dar/manter o contexto
● Compromisso
● Manejo da motivação
● Comunidade de terapeutas
● Cuidado/modelo na equipe

Equipe = Cuidado
Principal Valor
Ao entrar na equipe, concorda-se em ser responsável pelos resultados de todos
os clientes atendidos pela equipe (célula em questão). Não é uma
responsabilidade menor se preocupar com os resultados dos outros terapeutas.
Caso um cliente cometa suicídio, todos dirão “sim” quando perguntados se já
tiveram algum cliente que cometera suicídio. A responsabilidade é de todos, os
bônus e os ônus.
Instrumento de Coesão
Instrumento de Participação
Modelos – BARS (Behaviorally Anchores Rating Scale)
Ancoragem
Habilidades da
mínimas de realidade
linguagem Habilidades (ter e criar Punição!
Pré-requisitos motoras relações)
aprendidos para Superproteção!
cedo na vida modificar o Seguimento
ambiente de regras; Genética!
Sensibilidade abstração;
ao ambiente mudar suas
próprias
condições

Por que se precisa do AT?


TRANSTORNOS DE
INCAPACIDADES FUNCIONAIS ADESÃO AO TRATAMENTO
APRENDIZAGEM
COMPLEMENTAÇÃO DE DIFICULDADES DA FAMÍLIA DIFICULDADES NO ESTUDO
TERAPIA
ACESSO A
LIMITES DA PSICOTERAPIA
CRIANÇAS/ADOLESCENTES
SUBSTITUIÇÃO DA
DIFICULDADE DE VÍNCULO
INTERNAÇÃO

FALTA DE ROTINA ESCOLAR CLASSES DIAGNÓSTICAS

DÉFICIT NO
COMPORTAMENTO SOCIAL
Por que o AT?
O AT trabalha com o “repertório mínimo do cliente” e tem sua atuação no
ambiente natural (Cassas, 2013, p. 133).

Esse repertório diz a respeito à modelagem de comportamento verbal que


permitirá ao cliente modificar, sozinho, o próprio ambiente (Cassas, 2013, p.
135).

Quando o cliente não tem repertório para modificar o seu próprio ambiente de
forma independente, o terapeuta opera mudando o ambiente do cliente de
maneira a construir uma condição de aprendizagem (Cassas, 2013, p.140).
● Questão importante: qual estratégia • Pesquisar relacionadas às intervenções –
para garantir que a pessoa mude seu. pesquisas de processo e de resultado
comportamento “problema” e
mantenha essa mudança em sua vida? • Descrição dos processos
● Ao invés de “dicotomizar” ou de adotar comportamentais envolvidos
uma visão “maniqueísta” é importante
reconhecer que é necessário pesquisas
de processo e de resultados que
direcionam as estratégias adotadas.

Por que o AT?


Algumas subclasses do trabalho do AT (Beltramello,
2018):

● 911 subclasses selecionadas


● Execução de técnicas e procedimentos com
propriedades aversivas
● Modelo e modelagem
● Vínculo com membros da equipe


multidisciplinar
Avaliação dos objetivos terapêuticos com a
família e equipe
Atualidade
● Capacitar pessoas no ambiente
● Observar comportamentos das pessoas ao redor
● Alteração em processos comportamentais
(intervenções diretas)
● Estratégias e observação sistemática
Algumas subclasses do trabalho do AT (Beltramello,
2018):
● O AT é um “verdadeiro analista do
comportamento”?
● Avaliar, programar, projetar, promover,
revisar, alterar, implantar...
● Intervenções diretas e também as indiretas...
● “Olhar em rede” (Beltramello, 2018, p. 119).
● Construção de novas referências de rede;
nosso diferencial da clínica!
Atualidade
● AT é prioritariamente um profissional de
rede; construção e cooperação!
● Foco nas agências de controle, mas não são
vinculados à elas...
Sem maniqueísmo

CONSULTÓRIO

ACOMPANHAMENTO
TERAPÊUTICO
Comportamento e habilidades do AT
Habilidades do AT
Flexibilidade e
Compromiss variação
Manejo comportamenta
Teoria o
Clínico l
Autoco- Tolerância
Assertivi-dade nhecimento à
frustação
Previsão Boa Repertório em
Empatia & Comunicação cultura geral
Controle
Trabalho em Tolerância
Organi-zação aos pp.
Equipe sentimentos

Habilida-des Sensibilidade
Plane-jamento ao outro
Sociais
Retomada
Histórica
Intervenções
e
Técnicas
O raciocínio é

Como um comportamento é
Visão de mundo e de homem
Aprendido?
Nada acontece do nada Por que ele se mantém?

Níveis de determinação Quais dados procurar?


Um ser que se comporta Devo olhar o ambiente?
(Filogenético, Ontogenético e
Cultural)
Entender (se possível) a
Relação com o ambiente
Ele é a chave! (história e mudança) história
Relação terapêutica é norteador
Relação Terapêutica

Problemas sendo
Padrão de modificados na
Comportamento relação

Menor chance de
Dados sobre o que punição +
o ambiente sente acolhimento

Problemas Confiança
acontecendo na (desafios!)
relação
Relação
Terapêutica
Generalização
Generalização

1. Treinar exemplares suficientes

2. Garantir contingências naturais de manutenção

TÁTICAS 3. Flexibilizar o treino

DE 4. Reduzir a “discriminabilidade” das contingências

GENERALIZAÇÃO 5. Programar estímulos salientes comuns

6. Ensinar respostas mediadoras

7. Treinar a generalizar
Exemplos de Técnicas

ANTECEDENTE RESPOSTA CONSEQUÊNCIA ESTÍMULO RESPOSTA


COMPORTAMENTO OPERANTE COMPORTAMENTO RESPONDENTE
Autoconhecimento Role-playing Modelagem Dessensibilização Relaxamento de
Autocontrole Modelação DRO/DRA/DRI sistemática Jacobson

Time-out Extinção e punição Exposição Treino de respiração

Fading Economia de fichas


Regras e autorregras

(Del Prette & Almeida, 2012)


Indicação

Primeiro Contato

Entrevista Inicial

Primeiros Atendimentos

Conexão de Rede

Processo
Conceituação do Caso

Objetivos

Planejamento de Intervenção

Observação dos Resultados

Processo
Equipe
como ferramenta interdisciplinar
Alguns outros aspectos

● Interdisciplinaridade 🡪 vamos tornar claro/operacionalizar


● AT = cooperação ≠ subordinação
● Nosso guia = atuação processual e horizontal
● Cooperação = aprender e ensinar / ouvir e discutir (rediscutir)
● Comportamentos = combinar o feedback/comunicação, promover contatos e
reuniões, orientar e ser orientado
● Valorizar a posição estratégica do AT = acessibilidade, intensidade, observação
treinada e generalização
● Como executar apenas tarefas se a avaliação é constante?
● A avaliação em ambiente natural = variabilidade
● Para sermos ferramentas precisamos avaliar muito!!!
Desafio
Prática do AT
Famílias & Famílias
O AT é uma visita?

Alguém que supervisionará a casa?

Sirvo café da manhã? Almoço? Jantar?!?

Uhu!! Um psicólogo para toda a família

Ele vai se intrometer na educação do meu filho?


Contrato Terapêutico

Como é o primeiro encontro entre o AT e o paciente/família?

Paciente ter a noção do papel do AT e sua atuação em equipe

Informações passadas entre AT e equipe = “livres passagem”

“Semipermeabilidade” de informação entre o AT e familiares. O que é isso?

Questões práticas!
● Documentações necessárias.
● Consentimento prévio.
● Medidas de segurança.
● Planejamento do local.
● Objetivo do AT.

Casa, Rua, Balada, Feira, Banco, Colégio...


● Expectativas do profissional que o contatou
para o caso.

● Quais as expectativas do cliente. Ele(a)


sabe que você foi chamado?

● O que você fará no ambiente do cliente?


Vale a pena o AT?

● Quais as dificuldades a serem


encontradas? Equipe
● Outras abordagens envolvidas.

● Reuniões e mais reuniões...

● Questões financeiras.
● Ser o único amigo, única fonte de atenção].
● Observar o impacto do cliente e vice-versa.
● Intimidade é amizade?
● Fronteiras da intervenção.

Equipe
● Tal questão envolve as habilidades pessoais
do AT.
● Questões financeiras.
AT online?
Práticas Atuais
ATUALIDADE
● Adaptação e criatividade
● Manejo da tecnologia
● Fracionamento dos atendimentos
● Momentos lúdicos e de “descompressão”
● Oportunidades de ativação em conjunto: fazer e participar junto
● Gamificação
● Ensinar observação e automonitoramento
● Monitoria e organização/planejamento do AT
● Diversificar ambientes físicos
● Comunicação intensiva nas redes
Intervenções
e
Técnicas
Recorte
Caso Clínico
Caso Clínico
(Igor*)
Igor, 18 anos, estudante de um colégio Estava nesse colégio por ter dificuldades de
particular de São Paulo interação social – dados para avaliação
funcional / formulação de hipóteses
Indicado pela orientadora pedagógica e
psicóloga do colégio
Estudava em uma classe de pessoas de
desenvolvimento atípico e pessoas com
Ele não tinha nenhum desses diagnósticos transtornos de aprendizagem

*Nome Fictício
Caso Clínico
Morava na casa da avó (problemas de
Queixa: isolamento no momento do
saúde).
intervalo, faltas constantes, pouca
interação com colegas e professores
Tia se queixava de Igor na presença dele
(reunião inicial)
Ficava muito tempo no computador
(quarto para o colégio e vice – versa)
Contrato com a tia do adolescente

Importância da parceria com o colégio –


Falava com um tom de “desdém” e pouco
relatos são importantes
afeto
Distanciamento do pai (ausente) e da mãe
(depressão)
Caso Clínico
Primeiro dia de atendimento/reunião:
Igor e a tia Relatos da tia e da orientadora foram
importantes – dados para avaliação .
Igor ficava de cabeça baixa sem olhar
para o AT Posteriormente: relatos do próprio Igor
(foi um dos indicadores de evolução).
Tia falava por ele, sem nenhum
“pudor”, acusando o pela falta de Pensar em como definir uma linha de
“expressão” base (Observações, anotações e
esquematizações) e indicadores de
Igor emitiu respostas curtas: “Ok”, “É”,
resultados/evoluções
“Certo” (sic)
Caso clínico
Avaliação ao longo do processo
(avaliação constante) Avó: uma verdadeira AT – seu relato e
seu comportamento em relação ao Igor
Aspectos formais do comportamento
(topografia) e situacionais (funcionais) Investimento na relação terapêutica –
agir diferente de seu pai, mãe e tia
Quarto: lugar mais seguro para o Igor –
foco das intervenções

Presença da avó: ele erguia um pouco Aproximar-se da avó (pareamento


mais a cabeça e olhava importante)
(temporariamente) no olho dela
(planejamento da modelagem)
Caso Clínico
Objetivos inicias traçados (podem ser Relatar sobre seus sentimentos, ações e
revistos ao longo do processo) pensamentos (autodescrição e
autoconhecimento).
“Puxar” um assunto qualquer e/ou
perguntar algo (modelação,
modelagem e exposição).

Ficar mais com a cabeça erguida e olhar


mais nos olhos (seleção de Sair fora de sua casa com o AT
comportamentos da modelagem e (esvanecimento e exposição).
esvanecimento).
Sair do quarto e frequentar outros
espaços da casa.
Caso Clínico

Relação terapêutica + procedimentos Orientador atenta a esses “pequenos


(exposição, treinamento em habilidades grandes” passos do Igor (modelagem)
sociais, ensaios comportamentais,
modelação, modelagem + atenção e humor
(reforçadores positivos – constatados pelo
AT). O caso continua (mais avaliações funcionais)

Igor começou a interagir com o colega de


classe indo aos mesmos locais que Existem casos e casos...Não é mágica. É
frequentava com o AT (possível efetividade ciência!
e generalização)
Equipe AT
Sobre nós
● Equipe, empresa e marca
● 7 anos em março/2020
● Estrutura física - Sala Equipe AT
● 8 células (3 formadoras - Fluxo)
● 8 supervisores (Networking/MKT)
● 6 projetos (suporte nos ATs)
● Cursos internos e externos
● Comunicação oral
● Supervisão temática e de
referências
● Grupos de estudos
● Curso de Aprimoramento (2020)

A equipe AT
Equipe AT
Nossos Processos Internos
• Feedback = informação sobre • Feedback formativo = antes de iniciar
desempenho que possibilita mudar um a tarefa.
comportamento. • Feedbacks individuais e coletivos.
• Feedback subsidia o reforço/facilitar o • Foco na melhora!
reforço efetivo. • Precisa ser claro, visível e palpável!
• Oportunidade para melhorar o • Facilitar o automonitoramento de
desempenho. Papel do reforço! todos da equipe.
• Tentar o feedback imediato! Quanto
antes melhor!
• Feedback positivo = imediatamente
após a tarefa.

Cultura do Feedback
• Reuniões estratégicas e de • Formação da própria equipe
feedback. (cursos, eventos,
• Comunicação constante (grupos comunicações...)
de Whatsapp/diretrizes). • Coesionando (Comunicação
• Regras de comunicação com o interna).
supervisor responsável; entre • Marketing de serviços e de
supervisores; entre relacionamento (coquetéis,
coordenadores e vice-versa. eventos, cursos, mídias, livros,
• Cultura de célula (casos de toda a redes sociais...)
Equipe AT). • Estratégia para distribuir os
• Intensidade das supervisões casos (início, meio e fim).
(média 32 horas semanais)

Cultura do Feedback
Equipe AT
Nossos Organogramas
ACOMPANHAMENTO
TERAPÊUTICO (AT)

Fluxo e
Equipe AT Equipe de
QG e o Equipe AT
(social,
Rolê Consultoria Pais
pedagógico
e escolar)
Livros – Indicações
Livros -Indicações
Contatos
Recorte
Caso Clínico
Obrigado!

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