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Exercícios sobre Classicismo.

Questão 1 - 
Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,


Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos


Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,


Dizendo: – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

(Luiz Vaz de Camões, 1524-1580)

Pela manhã, viu Jacó que tinha ficado com Lia. E disse a Labão: "Que me
fizeste? Não foi por Raquel que te servi? Por que me enganaste?"

(Gênesis, 29: 15-30)

Per Rachel ho servito e non por Lia.

(Petrarca, poeta humanista, 1307-1374)

Os fragmentos dos textos do Gênesis e de Petrarca, numa relação intertextual


com o poema de Camões, evidenciam que o poeta português segue o princípio
da imitação e aceitação de modelos preexistentes bíblicos, greco-latinos ou
humanistas. A esse fenômeno artístico da época camoniana chamamos de

a) religiosidade.
b) antiguidade.
c) racionalidade.
d) formalismo.
e) emulação (imitação).
Questão 2 - (UEL)

E vê do mundo todo os principais.


Que nenhum no bem público imagina;
Vê neles que não têm amor a mais
Que a si somente, e a quem Filáucia ensina.
Vê que esses que frequentam os reais
Paços, por verdadeira e sã doutrina
Vendem adulação, que mal consente

Mondar-se o novo trigo florescente.


Vê que aqueles que devem à pobreza
Amor divino e ao povo caridade,
Amam somente mandos e riqueza,
Simulando justiça e integridade.
Da feia tirania e de aspereza
Fazem direito e vã severidade:
Leis em favor do Rei se estabelecem,
As em favor do povo só perecem.

(CAMÕES, L. de. Os lusíadas. Obras. Porto: Lello & Irmão, 1970. p. 1344-
1345.)

Filáucia = amor-próprio

Mondar = limpar

O poema de Camões trata de uma circunstância fundamental para os povos de


todos os momentos – a moral dos homens públicos.

Assinale a alternativa que contempla as falhas morais consideradas pelo poeta.

a) Ganância, gula e devassidão.

b) Desconsideração, injustiça e autopromoção.

c) Orgulho, inveja e egoísmo.

d) Injustiça, egoísmo e fraude.

e) Cobiça, orgulho e preguiça.

 O texto menciona claramente os vícios da injustiça: "Leis em favor do Rei se


estabelecem / As em favor do povo só perecem"; do egoísmo: "Vê neles que
não têm amor a mais / Que a si somente, e a quem Filáucia ensina."; e da
fraude: "Vê que esses que frequentam os reais/ Paços, por verdadeira e sã
doutrina / Vendem adulação".

Questão 3 - (Enem - 2010)

Texto I
XLI
Ouvia:
Que não podia odiar
E nem temer
Porque tu eras eu.
E como seria
Odiar a mim mesma
E a mim mesma temer.
HILST, H. Cantares. São Paulo: Globo, 2004 (fragmento).

Texto II

Transforma-se o amador na cousa amada


Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.
Camões. Sonetos. Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br. Acesso em:
03 set. 2010 (fragmento).

Nesses fragmentos de poemas de Hilda Hilst e de Camões, a temática comum


é

a) o “outro” transformado no próprio eu lírico, o que se realiza por meio de uma


espécie de fusão de dois seres em um só.

b) a fusão do “outro” com o eu lírico, havendo, nos versos de Hilda Hilst, a


afirmação do eu lírico de que odeia a si mesmo.

c) o “outro” que se confunde com o eu lírico, verificando-se, porém, nos versos


de Camões, certa resistência do ser amado.

d) a dissociação entre o “outro” e o eu lírico, porque o ódio ou o amor se


produzem no imaginário, sem a realização concreta.

e) o “outro” que se associa ao eu lírico, sendo tratados, nos Textos I e II,


respectivamente, o ódio e o amor.

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