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PED 04: Planejando o Currículo


Leitura para Aula 01
Criando Sala de Aulas Culturalmente Responsivas e Inclusivas?
Winifred Montgomery

Salas de aula culturalmente receptivasresponsivas reconhecem, de forma específica,


especificamente a presença de alunos culturalmente diversificados, bem como a
necessidade desses alunos de encontrarem conexões relevantes entre eles próprios e o
conteúdo e as tarefas que os professores lhes pedem para executar.
assim como a necessidade de encontrar vínculos relevantes entre eles, a matéria e as
tarefas que os professores lhes pedem para executar.
Vamos repetir isso: salas de aula culturalmente responsivas reconhecem, de forma
específica, a presença de alunos culturalmente diversificados, bem como a
necessidade desses alunos de encontrarem conexões relevantes entre eles próprios
e o conteúdo e as tarefas que os professores lhes pedem para executar.salas de aula
culturalmente receptivas reconhecem especificamente a presença de alunos
culturalmente diversificados, assim como a necessidade de encontrar vínculos
relevantes entre eles, a matéria e as tarefas que os professores lhes pedem para
executar. Nesses programas, os professores reconhecem os diferentes estilos de
aprendizado aprendizagem de seus alunos e desenvolvem abordagens instrucionais que
acomodaem esses estilos. À luz do valor de práticas instrucionais culturalmente
receptivasresponsivas, escolas e distritos secretarias de educação precisam dar apoio aos
professores, na missão de aprender o uso dessas estratégias (vide caixa “Nossas Salas de
Aula Cada Vez Mais Diversificadas”). Este artigo oferece diretrizes para criar salas de aula
culturalmente receptivas e inclusivas. Professores podem usá-las com alunos de formação
cultural e linguística diversa, em todos os tipos de salas de aula, mas sobretudo em
situações inclusivas, em que educadores genéricos e especialistas trabalham juntos, para
promover as habilidades acadêmicas, sociais e comportamentais de todos os alunos.
Primeiro, os professores precisam olhar honestamente para as próprias condutas e práticas
atuais.
Fazer uma Autoavaliação
Muitos professores se deparam com uma compreensão limitada da cultura alheia e com a
possibilidade de que essa limitação afete negativamente a capacidade dos alunos de se
tornar aprendizes bem-sucedidos. Sendo assim, devem analisar criticamente o
relacionamento com os alunos e a compreensão sobre a cultura deles (Bromley, 1998;
Patton, 1998). A autoavaliação na Figura 1, baseada no trabalho de Bromley, em 1998, é
uma ferramenta que pode ser usada para examinar pressuposições e preconceitos, de uma
maneira atenciosa e potencialmente produtiva.

Figura 1. Autoavaliação sobre a diversidade


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 Qual é a minha definição de diversidade?


 As crianças na minha sala de aula e escola possuem origens culturais diferentes?
 Qual é a minha percepção sobre alunos de diferentes grupos raciais ou étnicos?
De idiomas ou dialetos diferentes do meu? E com necessidades especiais?
 Quais são as fontes dessas percepções (ex.: amigos, parentes, televisão, filmes)?
 Como recebo os alunos, com base nessas percepções?
 Já vivenciei pressuposições sobre mim vindas de outros, com base na minha
participação em grupos específicos? Como me senti?
 Que medidas preciso tomar para aprender mais sobre os alunos de origens
diversas, da minha escola ou sala de aula?
 Com que frequência relacionamentos sociais se desenvolvem entre os alunos de
raças ou etnias diferentes, na minha sala de aula ou escola? Qual é a natureza
desses relacionamentos?
 De que maneira faço o meu programa instrucional mais receptivo para as
necessidades dos diversos grupos em minha sala de aula?
 Que tipos de informações, habilidades e recursos preciso adquirir para ensinar
efetivamente, a partir de uma perspectiva multicultural?
 De que maneira colaboro com outros educadores, familiares e grupos
comunitários para abordar as necessidades de todos os meus alunos?

Fonte: Adaptado de Bromley (1998).

Muitos professores se deparam


com uma compreensão limitada da
cultura alheia e com a
possibilidade de que essa
limitação afete negativamente a
capacidade dos alunos de se
tornar aprendizes bem-sucedidos.
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Após a autoavaliação, os professores precisam se dispor a refletir sobre as respostas (o


que aprenderam sobre si mesmos) e tomar algumas decisões críticas, relacionadas a
formas de acolher a diversidade de maneira construtiva e, assim, criar ambientes de
aprendizagem que atendam às necessidades dos alunos.

Use uma Variedade de Métodos e Materiais Culturalmente Significativo


Além da autoavaliação, um componente importante em salas de aula culturalmente
receptivas é o uso de métodos e materiais instrucionais diversos (Broomley, 1998). Os
professores precisam usar esses meios de forma personalizada, adaptando-os às
situações, aos alunos e à matéria. Ao variar e adaptar esses métodos e materiais, eles
podem melhorar as chances de sucesso dos alunos. A seguir, métodos instrucionais
culturalmente significativos e eficazes:
Instrução Clara e Estratégica
Instruções claras e estratégicas mostram aos alunos o que fazer, além de por quê, como e
quando fazê-lo. Uma estratégia eficaz envolve o método de “pensar alto”; um procedimento
que se aproveita dos benefícios da exemplificação. No “pensar alto”, o professor lê um
trecho e explica o processo racional com os alunos. O objetivo é mostrar como podem fazer
perguntas a si mesmos, na medida em que vão compreendendo o texto.
Outra estratégia importante é a ação recíproca, em que os professores e alunos se
envolvem em uma leitura, uma discussão e um questionamento compartilhado (Leu e
Kinzer, 1999). O objetivo principal dessa estratégia é ajudar os alunos a aprender a se
questionar sobre o significado que estão construindo, conforme vão lendo.
Unidades Interdisciplinares
Unidades interdisciplinares incluem e associam o aprendizado das matérias com línguas e
literatura culturalmente diversificadas (Cooper, 2000; Leu e Kinzer, 1999). Muitas salas de
aula eficientes são organizadas envolvendo temas interdisciplinares ou transcurriculares,
com os alunos participando em atividades significativas de leitura, escrita, escuta e fala, na
medida em que exploram o tema por meio de diversos exercícios e livros. O tema pode ser
retirado da vida e dos interesses das crianças e, às vezes, do currículo escolar. Os
professores podem ajudá-los a participar de atividades transcurriculares com sucesso,
demonstrando como buscar relações dentro do currículo por meio da literatura; fazendo
conexões evidentes entre os livros; e ajudando-os a lembrar como atividades e experiências
anteriores estão relacionadas aos estudos atuais.
“Scaffolding” Instrucional
O “Scaffolding” instrucional envolve usar a demonstração do professor e o molde das
estratégias que os alunos precisam para obter êxito com textos sobre a matéria (Galda,
Cullinan e Strickland, 1997; Leu e Kinzer, 1999). Na instrução “scaffolded”, os professores
determinam a diferença entre o que os alunos conseguem realizar com apoio instrucional e
o que conseguem de forma independente. Os professores, então, elaboram instruções que
forneçam apenas o apoio suficiente para que os alunos possam participar das tarefas
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momentaneamente fora de sua alçada. Com o tempo, na medida em que as elas estejam
sob o controle do aprendiz, o professor poderá introduzir tarefas mais difíceis.

Nossas Salas de Aula Cada Vez Mais Diversificadas


Por várias razões, as escolas nos EUA vêm atendendo a um número crescente de
estudantes de origens cultural e linguisticamente diversas (Obiakor e Utley, 1997; Salend,
2001). De fato, a população de alunos nos Estados Unidos cresce rapidamente nos
seguimentos em que, tradicionalmente, vêm obtendo sucesso mínimo: afroamericanos e
hispânicos.

 Representatividade excessiva de Educação Especial. Um número


desproporcional de estudantes de origens cultural e linguisticamente diversas tem
sido tomado como ponto de referência e considerado como educação especial
(Yates, 1998). Dados da Secretaria de Direitos Civis revelam que alunos
afrodescendentes e hispano-americanos – sobretudo homens – possuem
excessiva representatividade, quanto à identificação dentro de categorias relativas
à perturbação emocional grave e ao retardamento mental (Oswald, Coutinho, Best
e Singh, 1999). Esses dados também mostram que esses alunos, os quais
necessitam de serviços educacionais especiais, tendem mais a obtê-los em
situações mais restritivas do que seus pares caucasianos.
 Os efeitos negativos do Rastreamento. A representatividade excessiva de
alunos de origens cultural e linguisticamente diversas, em processo de educação
especial, pode afetar negativamente os estudantes e o desempenho escolar
deles, já que os coloca num registro separado e desigual, negando-lhes acesso
ao currículo escolar geral. Além disso, uma vez colocados em classes de
educação especial, frequentemente se deparam com baixa expectativa vinda dos
professores, currículo moderado e instruções menos eficazes, o que pode exercer
efeitos deletérios sobre o desempenho escolar, a autoestima, o comportamento, a
educação e a carreira, bem como sobre a motivação para a realização pessoal
(Nieto, 1996). Como resultado, esses alunos normalmente não retornam à
colocação educacional geral e, frequentemente, deixam a escola antes de se
formar.
 Necessidade de Instrução Culturalmente Receptiva. Embora uma série de
fatores contribuam para a representatividade desproporcional de estudantes de
origens cultural e linguisticamente diversas em educação especial (Artiles e
Zamora-Duran, 1997), um aspecto importante é a falha dos professores de
educação geral ao usar práticas instrucionais culturalmente receptivas, que
abordem necessidades educacionais, sociais e culturais (Smith, Finn e Dowdy,
1993).

Professores precisam usar métodos instrucionais de forma


personalizada, adaptando-os às situações, aos alunos e à matéria.
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No questionamento recíproco, os professores e alunos participam de leituras, discussões


e debates.

Diários
Escrever em diários oferece oportunidades para que os alunos compartilhem impressões
pessoais relativas a leituras variadas, em diversos contextos culturais, os quais informam,
esclarecem, explicam e ensinam sobre nossa sociedade culturalmente diversificada
(Montgomery, no prelo). Por exemplo, diários sobre a análise de personagens permitem que
os alunos mantenham vínculos pessoais com um específico, na medida em que leem a
história. Eles desenvolvem a própria percepção sobre os personagens e acontecimentos, e
têm autonomia para escrever o que quiserem. O professor lhes dá tempo para compartilhar
o que escreveram, em pequenos grupos cooperativos de aprendizagem, com professores,
tutores ou parceiros de leitura.

Instruções estratégicas e claras mostram aos alunos o que fazer, por


quê, como e quando.

Projetos abertos
Projetos abertos permitem que os alunos contribuam de acordo com os diversos níveis de
habilidades. Esses projetos funcionam bem com vários aprendizes, já que estes não
precisam começar ou terminar ao mesmo tempo. Os alunos podem explorar o tema de
interesse extraído da leitura da literatura culturalmente ampla ou do conteúdo que estiverem
estudando no momento. Eles podem escolher se desejam escrever relatórios ou preparar
apresentações orais, e criar trabalhos artísticos que ilustrem alguns dos maiores conceitos
incorporados ao tema. Goforth (1998) sugere um projeto em que os alunos interessados
façam artefatos, tais como bonecos ou “livros de pano”, representando um grupo cultural ou
étnico. Talvez também queiram escrever histórias ou poemas sobre os artefatos.

Estabeleça um Ambiente Em Sala de Aula que Respeite Indivíduos e Suas Culturas


Professores podem melhorar a autoestima dos alunos quando criam ambientes de
aprendizado que reflitem a adesão cultural da turma. Essa estratégia vai além da decoração
para gerar uma atmosfera: professores precisam atender a todos os alunos e tentar
envolvê-los igualmente, em todas as atividades da aula. Esse reconhecimento lhes
proporciona uma sensação positiva sobre seu valor como indivíduos e membros produtivos
na sala de aula. Algumas estratégias para atingir uma atmosfera positiva incluem:

 Quadros de anúncio atualizados e relevantes, que mostrem atividades positivas e


úteis, bem como eventos que envolvam pessoas de diversas culturas. Inclua, por
exemplo, matérias de jornal (local ou nacional), relatando eventos ou
acontecimentos notáveis, envolvendo pessoas de cor; fotografias de líderes da
comunidade de origens culturalmente diversas; pôsteres, feitos por alunos,
descrevendo fatos históricos culturalmente relevantes; e histórias e poemas originais
(escritos por alunos), com temas diversamente culturais.
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 Um cantinho do livro com uma grande variedade de livros culturalmente


diversificados, ficção ou não (vide “Ambiente Culturamente Complexo”). (CONT.)

Ambiente Culturalmente Complexo


Criar um cantinho do livro que atraia todas as crianças pode ser um desafio para o
professor. A Internet se tornou um recurso excelente para se buscar o tipo de literatura de
qualidade que expõe as crianças a outros contextos culturais. Professores podem
encontrar links valiosos para literatura infantil adequada, que ajudará os alunos a
entender e valorizar uma gama de experiências humanas e origens culturais.

 O website Multicultural Resources oferece seleções de artigos, resenhas e


literatura, organizadas em grupos culturais específicos
(http://falcon.jmu.edu/~ramseyil/multipub.html).
 Um excelente recurso online para literatura infantil, que aborda diferenças
culturais, é The Children’s Literature Web Guide (http://www.acs.ucal-gary.
ca/~dkbrown/lists.html)
 The Reading Zone of the Internet Public Library
(http://www.ipl.org/youth/lapage.html) é uma página central, útil para professores e
alunos.

CONT.
Os livros escolhidos também devem lidar razoavelmente com deficiências e necessidades
especiais. Os personagens devem ser incorporados naturalmente à história e não ser
representados como anomalias ou peculiaridades na sociedade (Russell, 1994).

 Grupos de discussão de literatura multiculturais, onde alunos discutam livros de ficção


ou não-ficção que descrevam com autenticidade os diversos membros dos grupos
culturais. Grupos de discussão ajudam todos os alunos a ter orgulho de si mesmos e de
sua cultura, quando veem sua origem valorizada em leitura e atividades em sala de
aula. Em pequenos grupos, eles podem ler um único trabalho de sua própria autoria;
seguir as experiências de um determinado personagem, juntamente com os problemas
dele; formar opiniões sobre uma questão específica, formulada no texto; ou contestar
algum evento significativo da vida do personagem (Montgomery, 2000). Por exemplo, o
conteúdo e a caracterização em livros culturalmente diversos, tais como, Amazing
Grace (Hoffman, 1991), Local News (Soto, 1993), Smoky Night (Bunting, 1994), The
Story of Ruby Bridges (Coles, 1995) e Black Cowboys, Wild Horses (Lester e Pinkney,
1998) podem estimular grande interesse na leitura e na leitura voltada para o
aprendizado.
 Programas de Línguas e Estudos Sociais oferecem aos alunos oportunidades de
compartilhar relatórios, escritos e orais, relativos à sua herança e a suas tradições
culturais. Os professores podem introduzir unidades temáticas, que propiciem às
crianças oportunidades – em termos de legibilidade -- de explorar uma gama de formas
variadas de literatura, que examina intensivamente uma única experiência cultural ou
étnica (Leu e Kinzer, 1999). Para que os aprendizes compreendam tradições culturais
com êxito, devem-se disponibilizar livros para trocas na sala de aula e na biblioteca,
para sustentar essas estratégias.
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Promova uma Ambiente de Aprendizagem em Sala de Aula Interativa


Os alunos devem receber oportunidades de interagir uns com os outros – para que
participem de pesquisas e descobertas compartilhadas – nos esforços para solucionar
problemas e efetuar tarefas. A seguir, sugestões de atividades para a participação interativa
no processo de aprendizado:

 Grupos de aprendizado cooperativo. Grupos cooperativos aproximam os alunos, em


uma variedade de exercícios de aprendizado de apoio e cooperação. O uso desse
tipo de grupo de aprendizado permite que todas as crianças vejam as vantagens de
unir pessoas com históricos diferentes para realizar tarefas de solução de
problemas. Elas usam a escuta, fala, leitura e escrita em conjunto, para alcançar
objetivos em comum e, durante esse processo, tornam-se responsáveis, já que o
desempenho delas afeta os resultados do grupo. Tornam-se usuários ativos da
língua e aprendem a respeitar as opiniões alheias (Bromley, 1998). Por exemplo, I-
Search Strategy (Leu e Kinzer, 1999) consiste em um processo de investigação
interdisciplinar, voltado para alunos, que enfatiza a participação e o
compartilhamento dos resultados de pesquisa, em pequenos grupos de
aprendizagem cooperativa, bem como em configurações com todo o grupo. Para
implementar essa estratégia, as crianças selecionam um tema estimulante; com o
auxílio do professor, formulam os próprios planos de pesquisa. Feito isso, seguem e
revisam o plano, na medida em que reúnem informações e, então, preparam papéis,
pôsteres, apresentações ou relatórios orais.
 Grupos de debate guiados e informais. Discussões informais oferecem a alunos com
mais ou menos aptidão oportunidades de colaborar, construindo significado a partir
de textos, e os capacitam para aprender uns com os outros, compartilhando
reflexões, opiniões, interpretações e questões. O professor dá exemplos de técnicas
de discussão e os orienta alunos durante sessões de debate antecipadamente. Na
medida em que os alunos desenvolvem as habilidades de debate e passam a se
sentir mais à vontade falando sobre o conteúdo e as suas opiniões, começam a
testar novas ideias, sem se preocupar se estão errados ou se aparentam não
entender a história.
 A Internet. Na rede, crianças podem vivenciar trocas culturais fascinantes. Keypals
(vide quadro) é o equivalente online de pen pals. Trata-se de uma atividade via e-
mail, que pode ser particularmente vantajosa para alunos aprendendo uma segunda
língua, tendo em vista que são capazes de se comunicar com crianças de origens
culturais e linguísticas semelhantes, na língua materna delas. Além disso,
desenvolvem-se amizades importantes entre todos os alunos, já que descobrem
sobre a vida em outra parte do mundo, compartilham websites úteis e, até mesmo,
ajudam uns aos outros com o dever de casa (Leu e Kinzer, 1999).

Keypals

A Internet aumenta o interesse por atividades de pen pal na sala de


aula. Um ótimo website para contatos de Keypal é:
http://www.stolaf.edu/network/iecc

Nessa página, Conexões de Email em Aula interculturais, os


professores podem encontrar bons recursos para desenvolver
keypals de países diferentes. Há uma séries de listas de
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correspondência para professores buscando parcerias na sala de


aula. Eles podem se inscrever diretamente no website.

Aplique Constantemente Avaliações Culturalmente Conscientes


Em salas de aula culturalmente receptivas, os professores aplicam, de forma constante e
sistemática, avaliações de competências, interesses, condutas e habilidades sociais. Essa
informação oferece a base para a tomada de decisões instrucionais e (CONT.)

Os professores podem elaborar instruções que forneçam apenas o apoio suficiente para
que os alunos possam participar das tarefas atualmente fora de sua alçada.

Muitas salas de aula eficientes são organizadas envolvendo temas interdisciplinares ou


transcurriculares.
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(CONT.) proporciona percepções sobre o que e como ensinar. Além disso, há uma ênfase
na participação do aluno no processo avaliatório. Quando isso é permitido, eles conseguem
refletir sobre o próprio progresso e oferecer noções que talvez os adultos não tenham.
Exemplos de avaliações culturalmente significativas incluem:

 Observação diária do comportamento social e de aprendizado nas salas de aula.


Observações podem ser registradas em listas de controle, cadernos de anotação ou
fichas, ou qualquer meio que permita que os professores resumam as observações
de uma forma coerente e significativa. Por exemplo, a lista de chamada pode ser
usada como uma forma conveniente de registrar as observações. O professor
enumera o nome dos alunos na classe e, em seguida, faz colunas subsequentes, ao
longo do topo da lista, para identificar o projeto, a atividade ou o comportamento
observado.
 Avaliação do portfólio. O aluno e o professor selecionam amostras de trabalho que
revelam necessidades e habilidades diversas. Professores, alunos e membros da
família fazem uma reflexão sobre o que os alunos fizeram ao longo do tempo, como
estão se desempenhando e em que áreas precisam se aprimorar.

Através da Internet, alunos que aprendem uma segunda língua podem se comunicar na
língua materna das crianças de origens culturais e linguísticas semelhantes.

 Testes elaborados por professores, diretamente ligados aos programas


instrucionais. Dá-se atenção especial aos estilos cognitivos de todos os alunos e às
habilidades acadêmicas em desenvolvimento. Por exemplo, os professores podem
criar um teste para avaliar o conhecimento ou desempenho dos alunos, dentro de
uma lição específica da matéria.
 Autoavaliação do aluno. Os alunos podem responder a questões sobre seu
aprendizado durante conferências periódicas com os professores. Podem-se usar
portfólios durante essas reuniões. Por exemplo, os alunos podem ver seus
trabalhos, discuti-los com os professores e, depois, avaliar o progresso feito.
 Autoavaliação do professor. A autoavaliação é parte integral da eficácia do ensino. O
tipo de questões que os professores fazem a si mesmos, quanto às escolhas de
comportamentos e estratégias de ensino, a efetividade e relevância cultural das
lições e as reações e respostas à diversidade cultural em sala de aula podem
contribuir amplamente para continuar o crescimento no ensinamento e no
aprendizado.
Colabore com Familiares e Outros Profissionais
A colaboração e comunicação com famílias de origens diversas e com outros profissionais
são elementos essenciais de classes culturalmente receptivas. Famílias são componentes
críticos de um programa instrucional e devem ser regularmente informadas sobre o
progresso do aluno e incentivadas a participar das atividades das aulas e da escola, sempre
que possível. Também é importante estabelecer relacionamentos de forte colaboração, para
desenvolver programas instrucionais que ampliem as oportunidades de aprendizado de
todos os alunos. A seguir, exercícios colaborativos específicos que podem ser usados por
professors e familiares:
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 Consulte outros professores que trabalham com os alunos e compartilhe ideias com
eles regularmente. Reúna-se com outros professores para discutir sobre o progresso
acadêmico e social dos alunos, bem como necessidades de aprendizado.

Envie informativos a todas as famílias, fornecendo uma síntese sobre as metas


culturalmente receptivas do currículo escolar, atividades em sala de aula, assim como
histórias e poemas escritos pelos alunos.

 Comunique-se regularmente com as famílias. Por exemplo, envie informativos para


todas as famílias, fornecendo uma síntese sobre as metas culturalmente receptivas
do currículo escolar, atividades em sala de aula, assim como histórias e poemas
escritos pelos alunos.
 Convide as famílias a participarem de celebrações culturais em sala de aula e a
auxiliar no planejamento desses eventos. Incentive famílias culturalmente diversas a
visitar a sala de aula, para conhecer o que ocorre no ambiente de ensino e observar
como as crianças estão se saindo, tanto acadêmica quanto socialmente.
 Inicie um programa tutorial de voluntariado para pais e mães.
 Use recursos da comunidade culturalmente diversos. Convide a vir à escola líderes
cívicos diversos, empresários, artistas e escritores, membros da polícia ou do corpo
de bombeiros, professores universitários e estudantes secundarista
academicamente bem-sucedidos.
 Compareça a eventos do bairro ou da comunidade culturalmente diversa.

Reflexões finais

É primariamente importante, em qualquer sala de aula culturalmente receptiva, que o


professor acredite que alunos de origem culturalmente diversa desejam aprender. Segundo,
estratégias instrucionais e comportamentos didáticos específicos podem incentivar todos os
alunos a participar de atividades de aprendizado, as quais levarão a conquistas acadêmicas
aprimoradas. Em terceiro lugar, o desenvolvimento de programas instrucionais que
previnam o fracasso e o aumento de oportunidades de sucesso devem ser o objetivo de
todo professor. As estratégias delineadas neste artigo podem se tornar maneiras
importantes de ajudar todas as crianças a encontrar propósito, orgulho e sucesso no
esforço diário de aprender.
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Saiba Mais Sobre o Assunto


Os seguintes recursos podem ajudar os professores a analisar os resultados da
autoavaliação.

Livros

Au, K. (1993). Literacy instruction in multicultural settings. New York: Harcourt Brace.

Garcia, E. (1994). Understanding and meeting the challenge of student cultural diversity.
Boston: Houghton Mifflin.

Artigos

Montgomery, W. (2000). Literature discussion in the elementary school classroom.


Multicultural Education, 8(1), 33-36.

Nieto, S. (1994). Lessons from students on creating a chance to dream. Harvard


Educational Review, 64, 392-426.

Websites

Cultural Diversity in the Classroom (http://education.indiana.edu/cas/tt/v2i2/cultural.html)

ERIC Digests on Cultural Diversity


(http://www.uncg.edu/edu/ericcass/diverse/digests/tableoc.htm)

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Goforth, F. S. (1998). Literature and the learner. Belmont, CA: Wadsworth.
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Presentation at the annual meeting of the Council for Exceptional Children, Minneapolis,
MN.

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Winifred Montgomery, Professor Universitário, Departamento de Educação Primária,


Universidade de Nova Iorque, e New Paltz. Endereço para correspondência do autor, para o
PED BRASIL

Departamento de Educação Primária da Universidade de Nova Iorque, 75 S. Manheim


Blvd., New Paltz, NY 12561-2443 (e-mail: montgomw@matrix.newpaltz.edu).

Direitos autorais 2001 CEC

No. 4, pp. 4-9.

Copyright 2001 CEC.

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