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Brasília — DF

2021
Sumário
Apresentação 5

Ações de cuidado à saúde da mãe


e da criança indígena 9

Principais causas de adoecimentos e


mortes de crianças indígenas 19

Cuidados com o lixo na comunidade 21

Ações do Aisan que contribuem para


melhorar a qualidade da água 23

Referências 28
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Foto: Luis Oliveira
Apresentação
O Agente Indígena de Saúde (AIS) e o Agente In-
dígena de Saneamento (Aisan) são trabalhadores
muito importantes para o Subsistema de Atenção
à Saúde Indígena (SasiSUS). Eles integram a Equipe
Multidisciplinar de Saúde Indígena (Emsi) e contri-
buem diariamente para a promoção da saúde nas
comunidades e para o desenvolvimento do trabalho
da equipe no cuidado com a população.

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O AIS deve:
• Conhecer a comunidade e seus principais
problemas de saúde.
• Visitar as casas periodicamente.
• Realizar cuidados simples de saúde para as
pessoas nos diferentes ciclos da vida (crian-
ças, jovens, adultos e idosos), sob orientação
e supervisão dos profissionais da equipe.
• Participar de campanhas preventivas.
• Incentivar atividades comunitárias e de edu-
cação em saúde.
• Ajudar na comunicação entre Emsi, pacientes,
familiares, cuidadores tradicionais, lideranças
da comunidade.
• Executar algumas tarefas administrativas.
• Procurar os focos de doenças e realizar ações
de controle de doenças transmissíveis.

O Aisan trabalha com o AIS e com os outros mem-


bros da equipe, orientando a comunidade para pro-
moção da educação sanitária e ambiental.
• Realiza a manutenção dos sistemas de abas-
tecimento de água.
• Ajuda no controle das doenças que são trans-
mitidas por contaminação da água, do solo e
por outros problemas ambientais, como o lixo.

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Muitas das causas da mortalidade de crianças in-
dígenas podem ser percebidas e tratadas a tempo.
Os AIS e Aisan têm o papel de identificar problemas
e participar do desenvolvimento de atividades, em
conjunto com a comunidade e com a Emsi, para a
prevenção de doenças nas crianças e a redução de
mortes delas.
As populações indígenas têm formas próprias de
cuidar da gestação, do nascimento e das crianças,
que devem ser respeitadas e valorizadas. Os AIS e
Aisan têm uma forte ligação entre a comunidade e a
equipe de saúde das quais fazem parte.
Portanto podem colaborar, assim, com os outros
integrantes da equipe para conhecerem as práticas
de cuidado indígena da sua comunidade e contri-
buir para fortalecer o diálogo e a articulação dos
cuidados indígenas em saúde com aqueles que são
ofertados pela Emsi.
Com o objetivo de apoiar o trabalho desenvolvido
pelos agentes de saúde, a Secretaria Especial de Saú-
de Indígena (Sesai) elaborou este material e disponi-
bilizou kits visando à execução de ações prioritárias
para a redução da mortalidade infantil e para a pro-
moção do cuidado em saúde a crianças indígenas.

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Ações de
cuidado à
saúde da mãe
e da criança
indígena
O pré-natal é o acompanhamento da mulher pela
Emsi para avaliar sua saúde e o desenvolvimento
do bebê. Ele ajuda a identificar riscos e promover
uma gravidez tranquila e um parto seguro. Por isso,
é importante identificar uma mulher grávida o mais
rápido possível e orientá-la a fazer as consultas de
pré-natal.
Além dos cuidados do pré-natal, também fazem
parte da atenção integral à saúde da gestante as
medicinas tradicionais indígenas praticadas pela
comunidade. Ao AIS cabe a importante função de
facilitar e ajudar a articulação desses diferentes ti-
pos de cuidado com as famílias, os cuidadores tradi-
cionais e os demais profissionais da Emsi.
O AIS deve também estar sempre atento e informar
aos outros membros da equipe de saúde quando a
gestante relatar alterações ou perceber sinais de
alerta em qualquer momento da gravidez.

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Principais sinais de alerta na gestante:
• Perda de sangue pela vagina.
• Febre.
• Calafrios.
• Dor muito forte na barriga ou na cabeça.
• Dor ao fazer xixi (urinar).
• Pernas, mãos, braços ou olhos inchados.
• Vômito muitas vezes no dia.
• Não sentir o bebê mexendo ao final da gravidez.

Ao final da gravidez e após o nascimento do bebê, a


criança e a mãe precisam de atenção especial. O AIS
deve respeitar as regras de resguardo da família,
mas é importante que realize a visita nas primeiras
semanas após o parto.

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Além disso, ele precisa avisar aos outros mem-
bros da equipe, imediatamente, caso mãe ou bebê
apresentem ou relatem os sinais de alerta descri-
tos a seguir:

Principais sinais de alerta na mãe:


• Febre.
• Dor de cabeça muito forte e constante.
• Sangramento vaginal em grande quantidade.
• Calafrios.
• Dificuldade de fazer xixi (urinar).
• Inchaço exagerado e repentino.
• Falta de ar.

Principais sinais de alerta no bebê (até 2 meses):


• Criança muito quente (febre alta) ou muito fria (hipo-
termia) ao toque.
• Pele amarelada (icterícia).
• Lábios roxos (cianose) ou pele ao redor do umbigo
vermelha (com líquido ou pus).
• Dificuldade para mamar no peito.
• Vomita tudo.
• Criança “molinha”, com choro fraco ou gemendo muito.
• Palmas das mãos sem cor (pálida).
• Algum tipo de sangramento.
• Secreção (líquida ou pus) nos ouvidos ou nos olhos.
• Barriguinha inchada (distensão abdominal).
• Respira com dificuldade (muito rápida ou muito lenta).
• Presença de bolhas (com ou sem pus) pelo corpo.

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Nesse período, o AIS deve estimular o aleitamento
materno e informar a mãe sobre os cuidados com
o recém-nascido, como a limpeza do cordão (coto)
umbilical, sobre a importância das vacinas e das
consultas de acompanhamento do crescimento e do
desenvolvimento no primeiro ano de vida.
O leite da mãe é o melhor e mais completo alimento
para os bebês até o 6º mês de vida. Por isso, não é
preciso oferecer outros alimentos ou líquidos.

A mãe deve amamentar a criança desde a primeira hora


de vida, sempre que ela quiser mamar, de dia e de noite.

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O AIS deve orientar as mães que:
• Não existe leite fraco ou pouco leite. O bebê peque-
no mama pouco e, por isso, pede o peito a toda hora.
• Quanto mais a criança suga o peito, mais leite a mãe
produz. Não importa o tamanho do peito da mãe.
• Amamentar não deve doer nem machucar o peito.
Caso isso aconteça, busque apoio para a mãe.
• Não devem ser oferecidas mamadeiras ou chupetas
à criança, pois podem prejudicar a amamentação e
causar outros problemas.
Obs.: depois dos 6 meses, a criança precisa receber outros
alimentos consumidos pela família, além do leite materno.

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O bebê nasce com poucas defesas contra algumas
doenças, por isso ele precisa da proteção das vaci-
nas. O AIS deve colaborar nas ações de vacinação
desenvolvidas na comunidade, divulgando as cam-
panhas e mobilizando as famílias.
O AIS deve pesar e medir todas as crianças menores
de 5 anos. Os discos de avaliação do estado nutri-
cional, que compõem este kit, auxiliarão a verificar
se o peso e a altura estão adequados para a idade.
Todas as informações devem ser anotadas na Ca-
derneta de Saúde da Criança. Ela é um instrumento
importante para ajudar a equipe e a família a confe-
rir se as consultas e vacinas estão em dia, se a crian-
ça está crescendo e se desenvolvendo de acordo
com a idade.
As famílias devem ser orientadas a levar a Caderne-
ta sempre que a criança for receber qualquer aten-
dimento de saúde.

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É necessário que o AIS conheça os sinais de alerta
e de perigo nas crianças. Ao perceber algum deles,
deve avisar logo aos outros membros da equipe,
para que a criança seja atendida e não piore.
Caso não encontre profissionais de saúde na comu-
nidade, ele deve entrar em contato por algum meio
de comunicação disponível (telefone, radiofonia ou
outros) com o polo-base ou com o Distrito Sanitário
Especial de Saúde Indígena (Dsei).

Principais sinais de alerta e perigo em crianças (de 2


meses a menor de 5 anos):
• Criança “molinha”, com choro fraco ou gemendo muito.
• Não mama, não bebe ou não se alimenta.
• Vomita tudo.
• Convulsões (ataques) ou movimentos anormais.
• Dificuldade para respirar.
• Muita diarreia (mais de três vezes no dia).
• Perde peso muito rápido.
• Pés inchados.
• Palmas das mãos sem cor (pálida).
• Dor ou secreção (líquida ou pus) no ouvido.

É importante que o AIS identifique e apoie as famí-


lias com dificuldades no cuidado com as crianças,
sempre informando os outros membros da equipe
sobre crianças em situações de risco ou com suspei-
ta de maus-tratos.

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Os primeiros anos de vida são os mais importantes para
o crescimento e o desenvolvimento da criança. A família,
a comunidade e a equipe de saúde são responsáveis pelo
cuidado de todas as crianças indígenas!

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Principais causas
de adoecimentos
e mortes
de crianças
indígenas
As principais causas de adoecimentos e mortes de
crianças indígenas são as Infecções Respiratórias
Agudas (IRAs) e as doenças diarreicas agudas.

As IRAs, como as pneumonias, podem estar relacio-


nadas à qualidade do ar e são agravadas por quei-
madas ao redor da comunidade, casas com pouca
ventilação, fogo e fumaça dentro das casas, e o há-
bito de fumar perto das crianças.

As doenças que provocam as diarreias podem estar


relacionadas às condições precárias de saneamen-
to, de higiene pessoal e ambiental.

O acúmulo de lixo e o armazenamento inapropria-


do de água e dos alimentos também podem gerar
agentes causadores de doenças.

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Fatores que favorecem o aparecimento das diarreias:
• Lixo espalhado na comunidade e próximo às fontes
de água.
• Falta de água em grande quantidade e de boa qualidade.
• Despejo dos esgotos e dejetos (fezes) a céu aberto.
• Pontos de água parada.
• Falta de informação sobre higiene pessoal e ambiental.
• Falta de cuidado ao preparar ou armazenar alimentos.

Por isso, é importante que o Aisan e o AIS orientem sobre:


• Lavar as mãos em água corrente e com sabão antes
de preparar a comida.
• Manter os alimentos sempre protegidos de moscas e
outros insetos.
• Utilizar água o mais limpa possível (tratada, filtrada
e fervida), tanto para consumir quanto para preparar
os alimentos.
• Armazenar a água tratada em recipiente limpo e
coberto.
Fotos: Alejandro Zambrana/SESAI-MS

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Cuidados
com o lixo na
comunidade
O AIS e o Aisan devem buscar, com a comunidade e
com outros membros da equipe de saúde, soluções
para os problemas causados pelo lixo na sua aldeia.

É necessário que a equipe realize atividades de edu-


cação ambiental na comunidade para repensar seus
hábitos, a produção de lixo nas aldeias e a importân-
cia da conservação dos recursos naturais locais.

O Aisan deve manter a equipe do Dsei sempre in-


formada sobre as condições ambientais da aldeia e
as atividades educativas desenvolvidas.

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Ações do
Aisan que
contribuem
para melhorar
a qualidade
da água
COLETA
Coletar amostras de água com os frascos coletores
que estão no kit, para análise em diferentes pontos
da comunidade e também das unidades de saúde,
acompanhando possíveis alterações na qualidade
da água fornecida à comunidade.

TRATAMENTO
Para que a água fornecida à comunidade tenha boa
qualidade e esteja livre de doenças, é essencial que
o tratamento esteja em dia. Muitas doenças são
transmitidas por falta de tratamento da água, por-
tanto atitudes simples podem evitá-las.

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É responsabilidade do Aisan a reposição dos produ-
tos químicos fornecidos pelo Dsei para tratamento de
água (como hipoclorito de sódio, sulfato de alumínio,
hipoclorito de cálcio etc.) com a orientação dos técni-
cos do Serviço de Edificação e Saneamento Ambiental
Indígena (Sesani).
Quando há sistema de abastecimento, o cloro deve ser
adicionado. Se não houver sistema, devem-se distribuir
frascos de hipoclorito de sódio 2,5% nas moradias.

O AISAN DEVE OBSERVAR E COMUNICAR À


EQUIPE CASO OCORRAM MUDANÇAS NO
SISTEMA DE ABASTECIMENTO, COMO:
• Falta de abastecimento de água nas casas e em
outras construções (escolas, unidades de saúde
e outras).
• Falhas, em geral, no sistema de distribuição.
• Alterações nas características da água, como
cor, gosto ou mau cheiro.
• Doenças que apareceram na comunidade e pa-
reçam estar relacionadas à água.
• Excesso de cloro na água.

COMO MANTER O AMBIENTE DA MINHA


COMUNIDADE SAUDÁVEL?
Para as ações em saneamento, principalmente aquelas
relacionadas à educação em saúde, é fundamental que
o AIS e o Aisan mobilizem a comunidade, envolvendo
os parentes para um objetivo que é de todos.

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A MOBILIZAÇÃO DA COMUNIDADE PARA
UM INTERESSE COMUM PROPORCIONA:
• Dialogar com a comunidade.
• Compartilhar experiências.
• Decidir e agir coletivamente.
• Buscar soluções para os problemas locais.
• Fortalecer a identidade e o poder de decisão
próprios da comunidade.

PERGUNTAS PARA DIALOGAR


COM A COMUNIDADE:
• Quais são nossos problemas comuns?
• Quais informações temos que levar aos parentes?
• Como dialogar com as pessoas?
• Como podemos cooperar?
• Como dividir as responsabilidades?

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Essas questões auxiliarão no diálogo com a comu-
nidade e poderão contribuir para soluções coleti-
vas que promovam a saúde e o bem-estar da aldeia
como um todo.

Os primeiros anos de vida são


os mais importantes para o
crescimento e o desenvolvimento
da criança. A família, a
comunidade e a equipe de saúde
são responsáveis pelo cuidado de
todas as crianças indígenas!

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Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de
Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.
Departamento de Gestão da Educação na Saúde.
Programa de Qualificação de Agentes Indígenas de
Saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Saneamento
(AISAN). Brasília, DF: MS, 2016.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de
Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.
Departamento de Gestão da Educação na Saúde.
Agente Indígena de Saúde e Agente Indígena
de Saneamento: diretrizes e orientações para a
qualificação. Brasília, DF: MS, 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de
Atenção Primaria à Saúde. Departamento
de Promoção da Saúde. Guia alimentar para
crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília,
DF: MS, 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde; ORGANIZAÇÃO
PAN-AMERICANA DA SAÚDE; FUNDO DAS
NAÇÕES UNIDAS PARA A INFÂNCIA. Manual
AIDPI Criança: 2 meses a 5 anos. Brasília, DF:
MS, 2017.

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