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Relatório de Pesquisa & Desenvolvimento SJS Campo Serviços de Consultoria e

Treinamento Agrícola

PRODUTOS

“Uso do CAULIM PROCESSADO pela empresa SBS MINÉRIOS –IND. E COM. LTDA. Em

pomares de laranja na Região Sudoeste Paulista”

A citricultura brasileira é notavelmente importante economicamente como também socialmente,

pois é responsável por um número significativo de empregos diretos e indiretos. Dados do

USDA, divulgado pelo último anuário citrícola, que consideram as últimas 5 safras, indicam que

a citricultura brasileira é responsável por 34% da laranja produzida e em torno de 56% do suco

produzido no mundo. Neste ainda relatam que o Brasil é responsável por 76% do comércio

mundial de suco de laranja, fazendo assim com que muitas divisas sejam trazidas ao País

(Neves & Trombin, 2017).

Atualmente o parque citrícola brasileiro é concentrado nos estados de São Paulo e Minas

Gerais, em cerca de 350 municípios, com uma produção em 2019 de 386 milhões de caixas de

40,8 kg (Fundecitrus, 2020). As principais regiões do estado de São Paulo onde são cultivadas

as plantas cítricas são as regiões norte (Bebedouro, Barretos e Triângulo Mineiro), centro

(Matão, Duartina e Brotas) e sudoeste (Avaré, Botucatu e Itapetininga). Esta última tem-se

destacado em termos de produtividade por se tratarem de áreas mais novas de cultivo, com

menor incidência dos principais patógenos e também por condições climáticas mais adequadas

às plantas cítricas.

Entretanto, a região sudoeste tem sofrido também com a principal doença da citricultura

brasileira: o Greening. Esta doença é causada pela bactéria Candidatusliberibacter, conhecida

mundialmente como Huanlongbing (HLB). É uma doença de difícil controle, pois é disseminada

por um inseto vetor: o psilídeo Diaphorina citri. Este inseto, alimentando-se de plantas

doentes, adquire a bactéria e passa a transmitir para plantas sadias. A capacidade de


disseminação deste inseto é alta (longas distâncias através de correntes de ar) e o controle

químico atualmente é a única ferramenta que os produtores tem utilizado de forma eficaz.

Recentemente o Fundo de Defesa da Citricultura - Fundecitrus, anunciou que estão

desenvolvendo trabalhos de pesquisa com a aplicação de caulim (silicato de alumínio) sob as

plantas de citros, com o intuito de promover uma cobertura refletiva nestas, visando a

repelência e/ou confundimento do psilídeo transmissor do Greening. Desta forma o que se

espera com o uso do caulim será a diminuição da disse minação da doença nos pomares,

através da interferência no comportamento do inseto vetor. Os estudos estão sendo realizados

em pomares novos e adultos, em bordaduras, local de entrada e início da transmissão da

doença, para que se tenha uma comprovação na eficiência deste novo método de controle do

inseto.

Também é importante ressaltarmos que outros estudos, realizados por outras importantes e

renomadas instituições de pesquisa nacionais e internacionais, em outras culturas (algodão,

tangerinas, café, etc), demonstraram e comprovaram outros benefícios às plantas com o uso

de caulim, sendo estes: protetor solar (diminuir danos de sol); diminuição de danos de pragas

e doenças; melhorar o conforto térmico das plantas, sob condições de elevadas temperaturas e

radiação solar; e outros.

Neste sentido, o presente Projeto teve como objetivo testar novas formulações de caulim, estes

produzidos pela empresa SBS MINÉRIOS, de ItapevaSP, visando avaliar o comportamento

prático dos mesmos sob alguns aspectos quando comparados com o caulim que esta sendo

testado pelo Fundecitrus – Surround WP®, importado pela empresa NovaSource e pelo

Profilm®, importado pela empresa Daymsa. Os aspectos que foram comparados e avaliados

foram: solubilidade e decantação em água; doses de aplicação e cobertura

nas plantas (folhas, brotos e frutos); persistência nas plantas após aplicação; mistura com

outros defensivos e aplicações com turboatomizador;


Material e métodos

Apresentaremos de forma resumida e separada as metodologias realizadas para avaliação dos

aspectos estudados.

1. Solubilidade e decantação em água (9 de outubro 2018)

Para este teste comparativo foram utilizados frascos contendo 1,0 (hum) litro de água de poço

e pesadas as quantidades de caulim da SBS MINÉRIOS (Caulim A – AS/SBS e B – PR/AC)


conforme as doses a serem testadas (3% e 6%) versus as doses padrões dos outros caulins

existentes no mercado: Surround WP® (3%) e Profilm® (2%). Para estes últimos, foram

utilizadas as doses recomendadas pelos respectivos fabricantes (Fotos 1 e 2). Foram

acrescidos na mistura dois adjuvantes (Tratamentos 3 e 6 – Sfera®; Tratamento 8 - Retenol®)

visando avaliar a mistura destes e uma possível alteração na calda.

Na tabela 1 estão demonstrados os tratamentos realizados.

As quantidades proporcionais ao volume de 1 (hum) litro, após serem pesadas, foram

colocadas nos frascos com água e agitadas com uma colher por 30 segundos. Após a agitação

foram deixadas em repouso para decantar por 3 minutos e posteriormente avaliadas.


Foto 1 – Tratamentos (doses e adjuvantes) utilizados para teste de solubilidade e
decantação.

Foto 2 – Detalhe dos Tratamentos 1, 2, 3, 4 e 5 (doses) utilizados para teste de solubilidade e


decantação.

2. Doses (concentração) de aplicação e cobertura nas plantas (folhas e brotos) com uso
de adjuvantes e fixadores

O intuito destes experimentos foi verificar visualmente as doses (em concentração) dos

produtos ‘Caulim A – AS/SBS’ e ‘Caulim B – PR/AC’ adicionados a alguns espalhantes e/ou

fixadores para comparar os efeitos de cobertura e permanência (após precipitações) nas


plantas (folhas, brotos e frutos), quando comparada com o produto Surround®. Assim, para

estes experimentos foi utilizado um pomar comercial de citros, localizado no Distrito de Campos

de Holambra, Município de Paranapanema – SP, sudoeste do Estado de São Paulo. O clima da

região é Cwa na classificação de Köppen, com precipitação média anual de 1500 mm. No local

experimental, a altitude média é de 610 metros.

Os experimentos foram realizados na fazenda Gorocaia, em pomar de laranja, não irrigado,

obtidos a partir de mudas enxertadas, sobre porta-enxerto de semente cultivar ‘Citrumelo

Swingle’, e cultivar copa ‘Natal’, Talhão 13 (imagem 1 e foto 3), implantado em 2017, com

espaçamentos 6,20 metros (entre linhas) x 2,20 metros (entre plantas).

Foram utilizadas três linhas de cultivo para instalação dos tratamentos, sendo que cada

tratamento continha 1 parcela com 10 plantas, sendo assim cada tratamento contou com 30

plantas tratadas.

Imagem 1 – Área experimental – Talhão 13 – Fazenda Gorocaia – Paranapanema-SP.


Foto 3 – Área experimental – Talhão 13 – Fazenda Gorocaia – Paranapanema-SP.

2.1 Experimento 01: Doses de Caulim´s x Surround (outubro 2018).

Aplicação dos tratamentos com pulverizador costal motorizado.


As doses e os produtos que foram aplicados estão demonstrados conforme a tabela 2. As

aplicações foram realizadas com turbo pulverizador costal motorizado (STHIL SR 450 – Foto 4)

utilizando-se um volume de calda de 0,3 litros por planta (padrão produtor).

As aplicações foram realizadas durante o pleno crescimento das plantas, nas datas 16 de

outubro de 2018 (duas aplicações seqüenciais) e uma terceira em 30 de outubro de 2018. Após

a aplicação realizada em 16 de outubro houve uma leve precipitação de 07 mm. Do dia 18 até

o dia 30 de outubro ocorreram mais 6 precipitações, totalizando-se 90 mm (dados obtidos junto

ao escritório da propriedade).

As avaliações dos tratamentos aplicados foram realizadas através de fotos e observações após

as aplicações para verificar as deposições dos produtos aplicados e a permanência dos

mesmos após a incidência de precipitações.

2.2 Experimento 02: Caulim x Fixadores (abril, agosto, setembro, novembro e dezembro
de 2019).

Neste experimento somente foi utilizado o ‘Caulim B – PR/AC’ (Paraná) na dose de 6%, dose

esta anteriormente testada e que apresentou cobertura similar ao alvo (Surround® 3%). Em

cada data foram acrescidos os fixadores, visando melhorar a fixação do Caulim nas plantas
após precipitações. Os fixadores testados foram: Tratamento 1: ‘Caulim B – PR/AC’ + Akro

Fix® (Nutriceller); Tratamento 2: ‘Caulim B – PR/AC’ 6% + Fixxer® (Biorare) e Tratamento 3:

‘Caulim B – PR/AC’ + Silwet Stick® (Momentive). As doses destes fixadores foram as doses

indicadas pelos seus fabricantes e também foram utilizadas doses alternativas. O tratamento

considerado alvo, foi o Tratamento 4: Surround® 3%, sem adição de fixadores.

As aplicações foram novamente realizadas com turbo pulverizador costal motorizado (STHIL

SR 450), porém utilizando-se um volume de calda um pouco maior (0,5 litros por planta), pois o

volume de calda padrão do produtor foi alterado. A primeira e segunda aplicações foram

realizadas nos dia 04 de abril e 01 de agosto, usando os fixadores Akro Fix® e Fixxer®. Nos

dias 7 e 8 de abril ocorreram precipitações volumosas (28 e 66 mm respectivamente) e em

agosto não houveram precipitações significativas após as aplicações.

As avaliações dos tratamentos aplicados novamente foram realizadas através de fotos e

observações após as aplicações para verificar as deposições dos produtos aplicados e a

permanência dos mesmos após a incidência de precipitações.

3. Aplicações práticas com turbo atomizadores de citros

Após a validação das doses ideais de Caulim e dos fixadores iniciaram-se os experimentos

semi-comerciais, utilizando-se os próprios equipamentos de pulverização dos produtores

clientes da SJS Campo. A intenção neste momento foi ver a aplicabilidade e manuseio do

produto em condições normais do dia a dia. Utilizou-se o ‘Caulim B – PR/AC’ nas doses de 5%

a 7,5% que foram misturados juntamente a calda padrão dos produtores, sendo que não houve

quaisquer alterações no uso dos produtos comumente utilizados pelos produtores

(enxofre/inseticidas/fungicidas/cobre).

3.1 Faz. Espírito Santo – Itapeva (junho/2019)

Em junho de 2019 foi realizada uma aplicação em pomar comercial, localizado na Fazenda

Espírito Santo, Município de Itapeva - SP. O talhão escolhido foi o talhão 01 – Natal, com um

ano e meio de idade. Dois tratamentos distintos foram realizados. Sendo o Tratamento 1:

‘Caulim B – PR/AC’ 5% e Tratamento 2: ‘Caulim B – PR/AC’ 7,5%. O volume de calda utilizado


foi o padrão do produtor, sendo gastos 300 litros de calda por hectare (0,5 litro por planta).

Conforme pode ser visto na foto abaixo, foi utilizado o pulverizador Natale de 4000 litros de

capacidade, sendo que somente parte dos bicos foram abertos para aplicação, pois eram

plantas novas.

Aplicação Faz. Espírito Santo – Itapeva – junho 2019

Foram avaliados inicialmente a mistura dos produtos no tanque de pulverização e a aplicação e

deposição do produto nas plantas. Nas fotos abaixo pode-se visualizar a cobertura e alteração

significativa da coloração das plantas, quando comparadas com as plantas não aplicadas.
Tratamento1: ‘Caulim B – PR/AC’ 5%

Tratamento 2 : ‘Caulim B – PR/AC’ 7,5%


Foto: aplicação Faz. Gorocaia – Campos de Holambra – setembro 2019

3.2 Faz. Gorocaia – Campos de Holambra (setembro/2019)

Em 24 de setembro de 2019 foi realizada uma nova aplicação em pomar comercial, localizado

na Fazenda Gorocaia, Município de Paranapanema - SP. O talhão escolhido foi o mesmo que

anteriormente foi realizado os testes de doses - talhão 13 – Natal. Um único tratamento foi

realizado, sendo este o Tratamento 1: ‘Caulim B – PR/AC’ 5%.

O volume de calda utilizado foi o padrão do produtor, sendo gastos 400 litros de calda por

hectare (0,6 litro por planta). Conforme pode ser visto na foto abaixo, foi utilizado o pulverizador

Natale de 4000 litros de capacidade, sendo que somente parte dos bicos foram abertos para

aplicação, pois eram plantas novas.

 Foram avaliados inicialmente a mistura dos produtos no tanque de pulverização e a aplicação

e deposição do produto nas plantas. Nas fotos abaixo pode-se visualizar a cobertura e

alteração significativa da coloração das plantas, quando comparadas com as plantas não

aplicadas.

 
Mistura do Caulim antes da aplicação - Faz. Gorocaia – Campos de Holambra – setembro 2019

preparo prévio para aplicação - Faz. Ribeirão do Cascalho – Itaí / SP – março 2020

3.3 Faz. Ribeirão do Cascalho – Itaí (março/2020)

Em 6 de março de 2020 foi realizada uma nova aplicação em pomar comercial, localizado na

Fazenda Ribeirão do Cascalho, Município de Itaí - SP. O talhão escolhido foi o Talhão 11 Rubi,
com 2 anos e meio de idade. A dose realizada ‘Caulim B – PR/AC’ a 5%. O volume de calda

utilizado foi o padrão do produtor, sendo gastos 700 litros de calda por hectare (1,1 litro por

planta). Conforme pode ser visto na foto abaixo, foi utilizado o pulverizador Jacto Arbus de

4000 litros de capacidade, sendo que somente parte dos bicos foram abertos para aplicação,

pois eram plantas relativamente novas.

Foram avaliados inicialmente a mistura dos produtos no tanque de pulverização e a aplicação e

deposição do produto nas plantas. Nas fotos abaixo pode-se visualizar a cobertura e alteração

significativa da coloração das plantas, quando comparadas com as plantas não aplicadas.

Aplicação Faz. Ribeirão do Cascalho – Itaí / SP – março 2020


Plantas após aplicação – Faz. Ribeirão do Cascalho – Itaí / SP – março 2020
Frutos, folhas e brotos após aplicação - Faz. Ribeirão do Cascalho – Itaí / SP – março 2020

Resultados e discussões

Abaixo apresentamos os resultados para cada teste realizado e as discussões pertinentes a

estes.

1. Solubilidade e decantação em água

Com relação à solubilidade em água foi possível verificar que após despejar na água a

quantidade de produto proporcional às respectivas doses, realizada a agitação e esperado o

tempo para decantação, todos os produtos apresentaram-se como insolúveis em água. Os

tratamentos 1, 2, 3 (Caulim A – AS/SBS) e 7 (Surround®) foram os que mais demoraram para

ocorrer a decantação total do precipitado no fundo do frasco (acima de 3 minutos), conforme

pode ser visualizado nas fotos 3, 4 e 5.


Tratamentos 7 e 8 após agitação e 3 minutos de repouso

Tratamentos 4, 5 e 6 após agitação e 3 minutos de repouso


Tratamentos 1, 2 e 3 após agitação e 3 minutos de repouso

Desta forma no momento da aplicação prática dos produtos recomenda-se que os

equipamentos de pulverização / aplicação tenham os agitadores mecânicos e hidráulicos em

perfeito estado de funcionamento para que a mistura esteja homogênea e fique uniforme.

2. Doses (concentrações) de aplicação e cobertura nas plantas (folhas e brotos)

2.1 Experimento 01: Doses de Caulim´s x Surround (outubro 2018)

Fixação na planta – após as observações realizadas após as aplicações dos tratamentos,

pode-se verificar que os as doses de 3% e 6% (tratamentos 1, 2, 3, 4, 5 e 6) dos produtos

‘Caulim A – AS/SBS’ (Itapeva), ‘Caulim B – PR/AC’ (Paraná) (sem e com adjuvantes) e o

tratamento Profilm (2%) foram altamente “lavados” pela ação da chuva (precipitação de 7mm –

16/10). Já o tratamento Surround (3%) suportou bem a precipitação, mantendo uma boa

cobertura nas folhas, conforme verifica-se no anexo 1. Após o dia 18, quando houveram uma

maior quantidade de precipitações e o volume total foi alto (90 mm) todos os tratamentos foram

lavados pelas precipitações.

Espalhamento e deposição sob as folhas e brotos novos – a adição do adjuvante ajudou a

realizar o espalhamento do caulim nas folhas. A deposição dos produtos nos ramos e

folhas/brotos novos é o maior desafio a ser alcançado, pois o principal alvo dos psilídeos são
esses brotos novos. Entretanto estudos preliminares desenvolvidos demonstram que o

confundimento dos insetos ocorre através da camuflagem das plantas como um todo (folhas,

brotos e frutos). As doses de 6% e 9% dos produtos ‘Caulim A – AS/SBS’ e ‘Caulim B – PR/AC’

foram as doses que mais se aproximaram dos resultados obtidos com o Surround® 3% (padrão

a ser alcançado), sendo que as doses de 6% foram suficientes em termos de cobertura das

folhas (seqüência de fotos 1). Nota-se que para brotações novas, tanto as doses de 6% e 9%

dos ‘Caulim A – AS/SBS’ e ‘Caulim B – PR/AC’ como a dose de 3% do produto Surround®

foram insuficientes para alterar significativamente a coloração das brotações, pois estas são

bem mais claras e mais transparentes (seqüência de fotos 2).


Seqüência de Fotos 1 – Tratamentos 2 (Caulim A – AS/SBS), 5 (Caulim B – PR/AC) e 7

(Surround) após aplicações.


Seqüência de Fotos 2 – Tratamentos 2 (Caulim A – AS/SBS), 5 (Caulim B – PR/AC) e 7

(Surround) após aplicações


2.2 Experimento 02: Caulim x Espalhantes/ Fixadores (abril, agosto, setembro, novembro
e dezembro de 2019)

Fixação na planta – as observações realizadas após as aplicações dos tratamentos e após as

chuvas ocorridas, pode-se verificar que todos os tratamentos (Caulim 6% e o Surround® 3%)

foram altamente “lavados” pela ação da chuva (precipitação mais de 100 mm – 7 e 8 de abril),

mesmo com uso de fixadores. Este efeito foi principalmente nos brotos novos. Nota-se nas

fotos abaixo o antes e depois da precipitação no tratamento alvo – Surround® 3%,


demonstrando assim que após altas precipitações faz-se necessário a reaplicação dos

produtos.

Foto 4 – Tratamento 3 – Surround® 3% após aplicação (4 de abril) e após as precipitações (8

de abril).
Espalhamento e deposição sob as folhas e brotos novos – ambos os adjuvantes foram

eficientes para realizar os espalhamentos dos produtos nas folhas. Pode-se verificar que todos

os tratamentos alteraram bastante a coloração das plantas, quando comparados com as

plantas controle (testemunhas – sem aplicação). Nas fotos abaixo podemos verificar o bloco de

plantas com os respectivos tratamentos.

Tratamento ‘Caulim B – PR/AC’ 6% + Akro Fix – 4 de abril de 2019

Tratamento Surround® 3% – 4 de abril de 2019


3. Aplicações práticas com turbo atomizadores de citros
Em todos as aplicações práticas realizadas nos produtores descritos acima não verificou-se

que: não houveram problemas de mistura dos produtos; não ocorreu entupimento de bicos de

pulverização; não ocorreram falhas ou interferências na tecnologia de aplicação utilizada pelo

produtor; não ocorreram fitoxicidades posteriores e/ou interferências na ações dos demais

produtos que foram misturados na calda de aplicação (fungicida/inseticida).

Em todos os casos, a deposição do Caulim nas plantas, nas doses descritas, foi similar aos

experimentos realizados com o equipamento costal motorizado, sendo que com o equipamento

do produtor, por se tratar de bicos mais técnicos (gotas menores), pode-se notar uma melhor

cobertura nas folhas e brotos.

Conclusões

Com base nas observações realizadas nos estudos desenvolvidos durante os anos de 2018,

2019 e início de 2020 podemos chegar em algumas conclusões técnicas as quais descrevemos

abaixo:

a) O produto ‘Caulim’ da empresa SBS MINÉRIOS – IND. E COM. LTDA pode ser amplamente

utilizado na cultura dos citros, quer seja em plantas novas (em formação) como também em

plantas adultas (em produção) visando criar uma película de coloração branca, que servirá

como camuflagem e repelência a determinados insetos praga;

b) A dose ideal a ser utilizada do produto ‘Caulim’ com o intuito de criar uma película de

coloração branca é de no mínimo 5%, sendo que as doses de 7,5% a 9% são mais eficientes

para promover a cobertura de brotos novos; Entretanto é importante salientar que o volume de

calda (cobertura sob as plantas) interfere significativamente nesta cobertura, sendo que deve-

se utilizar um volume de calda que cubra de forma uniforme as plantas, chegando-se no

máximo ao ponto de escorrimento.

c) Os fixadores testados e utilizados nos experimentos não foram efetivos em fixar o Caulim

nas folhas e principalmente nos brotos novos sob condições de alta precipitação após as

aplicações. Assim, recomenda-se que em épocas com histórico de altas precipitações não é

economicamente viável o uso destes fixadores. Acrescenta-se ainda o fato de que como o

Caulim trata-se de um produto de contato, os brotos em pleno crescimento rapidamente


precisam de constantes aplicações do Caulim, mesmo sem precipitações, para terem a película

branca sob os mesmos. Assim, como o Caulim não interfere e pode ser misturado com outros

produtos, recomenda-se que durante a fase de crescimento das plantas as aplicações devem

ser freqüentes (semanal a quinzenal) utilizando a dose de 5% (sem ocorrência de precipitações

nos intervalos) e doses maiores: 7,5% (após a ocorrência de precipitações elevadas) e também

se não houver previsão de novas precipitações no período subseqüente.

d) Faz-se necessários estudos detalhados sob a influência das doses e coberturas sob as

plantas no comportamento e ciclo de vida do psilídeo Diaphorina citri, vetor do Greening (HLB)

e também dos demais benefícios que podem ser alcançados com o uso do Caulim, como

proteção dos frutos aos danos de sol, controle de outras pragas que são prejudiciais à

citricultura, etc.

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