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TRATAMENTO DE MADEIRA

NA PROPRIEDADE RuRAL
TRATAMENTO DE MADEIRA
NA PROPRIEDADE RURAL
Este folheto indica a maneira de preparar uma solução imunizadora para
tratamento de madeira roliça de Eucalipto e Pinus com a compra em separado
dos ingredientes, de forma a baratear seu custo.

ESCOLHA DO LOCAL PARA interno aproximado de 57 cm. É im-


TRATAMENTO portante o uso desse tipo de tambor,
porque os cálculos das quantidades de
Para esta imunização CASEIRA de madeira e dos ingredientes foram feitos
madeira, o local de tratamento deve com base nesse padrão.
ser coberto, para que a chuva e o sol Será usado o dicromato de sódio
não atrapalhem o processo, e aberto como fornecedor de cromo, por ser este
nas laterais, para que os vapores dos mais barato que o dicromato de potás-
produtos químicos exalem com faci- sio. O material para preparo de 100 litros
lidade. Deve também ser afastado de da solução preservadora, chamada de
habitações e protegido de animais. CCB (cromo, cobre, boro), é o seguinte:

• 1900 gramas de dicromato de


PREPARO DO MATERIAL
sódio (cromo)
Para colocar a madeira e a solução • 1700 gramas de sulfato de cobre
imunizadora, deve-se usar um tambor ou sulfato cúprico (cobre)
padrão de 200 litros, com diâmetro
• 1200 gramas de ácido bórico (boro)
RECOMENDAçõES DE PREPARO DA MADEIRA
SEguRANçA

Deve ser usada madeira roliça, reta,


e de preferência sem nós, com diâmetro
entre 7,5 e 15 cm, e comprimento má-
ximo de 2,50m. Quanto menor for diâ-
metro, melhores serão os resultados do
Usar máscara, luvas, avental e tratamento. Não usar madeira rachada
botas para o manuseio dos produtos ou serrada. Furos na madeira devem ser
químicos, seguindo todas as orienta- feitos somente após o tratamento.
ções do fabricante, contidas no rótu- Para madeira com diâmetro de
lo do produto. Lembrar que o cromo 12 cm, aproximadamente 15 peças
contido no Dicromato de Sódio é um poderão ser tratadas em cada carga
metal pesado, que não é eliminado do tambor metálico.
pelo corpo. Havendo contato con- Quando a madeira for usada fincada
tinuado com a pele, esse elemento no chão, em pé e ao ar livre, o seu topo
químico irá se acumulando, podendo deve ser cortado em chanfro ou bisel,
provocar sérias conseqüências para a para que a água da chuva, ao cair, es-
saúde humana e animal. corra e não se acumule em cima da peça.
Para consumir restos da solução Neste processo só a madeira roliça
imunizadora, recomenda-se usar al- verde poderá ser usada, uma vez que há
gumas peças de madeira para absor- substituição de seiva da planta pela solu-
ção dos resíduos, de forma a evitar o ção imunizadora. Não usar madeira ser-
descarte no solo, o que pode provo- rada ou lascada. À medida que a seiva do
car sua contaminação. tronco for se evaporando pela parte de
cima, a solução imunizadora estará pe- Em um tambor separado, colocar
netrando pela parte de baixo do tronco o dicromato de sódio, o sulfato de co-
pelo processo chamado de ”capilarida- bre e o ácido bórico nas quantidades
de”. Além disso, haverá uma penetração indicadas, adicionando água suficiente
lateral na área dos troncos que estiverem para formar uma pasta.
imersas na solução , pelo processo de “di- Continuar a adicionar água, agi-
fusão”. O tratamento deve de preferên- tando com uma pá de madeira sem pa-
cia ser realizado logo depois do corte da rar até a completa dissolução dos ingre-
madeira, e no máximo 24 horas depois. dientes, e inteirar os 100 litros.
Em qualquer caso, a madeira deve
ser descascada no próprio local de trata- PROCEDIMENTOS PARA O
mento, porque é importante que imedia- TRATAMENTO
tamente após a retirada da casca, as peças
sejam colocadas na solução imunizadora.
Uma forma prática de descascar o
eucalipto é bater no tronco com um ma-
cete de madeira, fazendo com que a cas-
ca fique solta e possa ser puxada. Deve-se
tomar cuidado para não lascar a madeira.

PREPARO E MISTuRA DOS


INgREDIENTES

Colocar a madeira no tambor de


tratamento e, com carga completa,
adicionar a solução imunizadora até
atingir 55 cm da altura. Colocar uma
camada de 1 cm de óleo (queimado) de
motor sobre a solução, para diminuir
sua evaporação, o que é muito impor-
tante. A quantidade de óleo necessária
vai variar conforme a carga de madeira.
A partir desse momento, have-
rá absorção da solução imunizadora
pela madeira, e portanto é necessário lução imunizadora, antes de completado
completar, diariamente ,o nível até os o tratamento, preparar nova receita,
55 cm de altura com essa solução (não com a mesma quantidade de produtos.
usar água), anotando a quantidade de O tempo para absorção da quan-
litros acrescentada. tidade indicada da solução imuniza-
dora variará conforme a temperatura
NOTE BEM: Somente deverão ambiente, a umidade, etc., devendo
ser anotados os litros de solução imu- acontecer em mais ou menos dez dias.
nizadora acrescentados DEPOIS de Lembrar entretanto que, não havendo a
colocado o volume inicial de 55cm
absorção da quantidade recomendada
de altura. Essa quantidade que esta-
da solução imunizadora, o tratamento
rá sendo adicionada corresponde ao
não estará completo.
volume de solução imunizadora em
absorção pela madeira. Terminada essa fase, para peças
que ficarão ao ar livre, recomenda-se
O correto tratamento das peças proporcionar uma proteção adicional da
acontecerá quando tiver sido adicionada parte superior. Para tanto, inverter as
a litragem de solução imunizadora indi- peças, deixando-as de cabeça para bai-
cada na tabela abaixo. Acabando a so- xo na solução imunizadora por três dias.

TABELA DE SOLuçÃO IMuNIzADORA A SER ABSORvIDA POR CARgA


DE TAMBOR, COM DIÂMETRO INTERNO DE 57cm.

PARA EUCALIPTO PARA PINUS


Para pinus, o volume de alburno* con-
siderado é de 100%, resultando na ta-
bela abaixo
COMPRIMENTO VOLUME DA SOLUÇÃO COMPRIMENTO VOLUME DA SOLUÇÃO
DAS PEÇAS EM A SER ABSORVIDO EM DAS PEÇAS EM A SER ABSORVIDO EM
METROS LITROS METROS LITROS
(aproximadamente) (aproximadamente)

1,80 70 1,80 100


2,00 78 2,00 111
2,20 86 2,20 122
2,50 97 2,50 138
* Alburno – Parte mais clara da madeira
entre a casca e o cerne.
EMPILHAMENTO E SECAgEM BIBLIOgRAFIA
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS. Mourões
preservados para cercas – Norma
registrada da ABNT NBR 9480
– Sistema Nacional de Metrolo-
gia, Normalização e Qualidade
Industrial. 1986. 18p.
HUNT, G. M.; G. A. GARRAT.
Wood Preservation, 2ª ed. New
York: McGraw Hill, 1953. 417p.
WEHR, Jan Peter Paul, Tratamento
de madeiras por banho frio e
Para secar, as peças devem ser em- substituição de seiva. In: Anais
pilhadas de forma gradeada, para que do II Encontro Brasileiro em Pre-
haja bastante ventilação. servação de Madeiras. 1982.
Aguarde 30 dias para usar as pe- SILVA, José de Castro; LELES, José
ças, mesmo que pareçam secas. Neste Gabriel de. Considerações sobre
período os produtos químicos estarão a durabilidade natural e os
reagindo e se fixando na madeira. Fa- métodos práticos de preservação
zendo o tratamento corretamente, es- de madeira. In: 70a Semana do
pera-se um aumento de três a cinco Fazendeiro, Viçosa.: UFV,
vezes em sua durabilidade. 1999.12p.

Eng. Florestal M.Sc.


OBSERvAçõES
Ivo Pera Eboli
Departamento Técnico da Emater–MG
Os procedimentos descritos nes-
te material referem-se a procedimen- Eng. Florestal
tos CASEIROS, impróprios para pro- Antônio Henrique Pereira
Coordenador Técnico Regional da Emater–MG
dução em maior escala.
A formulação aqui indicada atin- Fotos: Carlos Magno de Mesquita
Escritório Local da EMATER-MG/Paraguaçu
ge um amplo espectro de agentes
que danificam a madeira, mas não a Série Ciências Agrárias
todos. Tema Agricultura
Área Silvicultura

MINAS CADA vEz MELHOR PARA SE vIvER