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FTEC – ENGENHARIAS

GRACIELE A MESQUITA SIMÃO


HERMES JÚNIOR
MAURÍCIO COZER
RICARDO GRIPA

Utilização da cinza da casca de arroz

como agregado na fabricação do concreto

PORTO ALEGRE
2015
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GRACIELE A MESQUITA SIMÃO


HERMES JÚNIOR
MAURÍCIO COZER
RICARDO GRIPA

Utilização da cinza da casca de arroz

como agregado na fabricação do concreto

Trabalho interdisciplinar para à


disciplina Ciências dos Materiais
na Graduação de Engenharia Civil.

Profa. Tamara Francisca Baggio

PORTO ALEGRE
2015
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1. INTRODUÇÃO

A casca de arroz é o resíduo gerado no beneficiamento do arroz. Esse resíduo, que


leva cinco anos para se decompor e durante esse período libera gás metano, era
depositado inadequadamente à céu aberto em margens de rios e beira de estradas
causando grandes problemas ambientais. Uma solução foi o uso da casca como adubo,
mas não se obteve sucesso já que há ausência de nutrientes demandados pelo solo.
Viu-se então que, a casca de arroz possui elevado poder calorífico (aproximadamente
16720 KJ/Kg, 50% da capacidade térmica de carvão betuminoso e 33% da capacidade
do petróleo), fez-se então, a substituição da lenha pela casca de arroz no processo de
geração de calor para os secadores de grãos. Gerou-se um novo resíduo: a cinza da
casca de arroz (CCA), que contém além de matéria orgânica remanescente, pó de
sílica, com partículas de forma acicular, que quando inaladas causam doença ao
sistema respiratório e em contato com a pele, irritação. Logo surgiram várias pesquisas
sobre o potencial dessa cinza da casca de arroz (CCA) como fonte de sílica,
fundamentadas no fato de que extraída a matéria orgânica e compostos alcalinos e
alcalino-terrosos indesejáveis, cerca de 95% de sílica no estado amorfo¹ pode ser
obtida. Esse alto teor de sílica amorfa das partículas e o tamanho extremamente
reduzido torna esse material bastante apropriado como adição de em concretos e
argamassas. O efeito pozolânico² da sílica, associado ao efeito microfiller³, propicia
melhora na microestrutura dos materiais a base de cimento. Dos 10 milhões de
toneladas de arroz que o país produz por ano, sobram 2 milhões de toneladas de casca
que rendem cerca de 400mil toneladas de sílica.

1 – Estado amorfo: substâncias que não possuem estrutura atômica definida;

2 - Efeito pozolânico: As pozolanas são materiais siliciosos, naturais ou artificiais, que contém um elevado teor de sílica em forma reativa,
isto é numa qualquer forma não cristalina e finamente pulverizada capaz de reagir, na presença de água e à temperatura normal,
com hidróxido de cálcio.

3 - Efeito microfiller: o produto da reação da sílica ativa na presença da água é o preenchimento dos espaços capilares, obstruindo os poros
vazios. Essa reação recebe o nome de “efeito microfiller”.
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2. JUSTIFICATIVAS

Dessa forma, temos nossas justificativas para a elaboração do trabalho:

1) A primeira justificativa para este trabalho e talvez a de maior relevância no


contexto global, é a necessidade de se dar um fim sustentável para o lixo
gerado no processo do beneficiamento do arroz, ou seja, sua casca e
consequentemente sua cinza;

2) A segunda justificativa e não menos importante, é a preocupação na área da


engenharia com os elevados custos na manutenção e reparo de estruturas de
concreto armado. Neste caso, é importante que o concreto dificulte ou impeça
a penetração do agente agressivo até a armadura, adequando-se às condições
de permeabilidade necessárias ao material. Existem diversas formas de alterar
a estrutura interna do concreto para reduzir a difusão de cloretos para seu
interior. Uma dessas formas é a adição de sílica.

3. OBJETIVO

1) Verificar alteração no desempenho físico do concreto com a adição de CCA


e comprovar que esta reduz eficientemente a porosidade do concreto e
consequentemente sua permeabilidade;

2) Verificar alteração no desempenho mecânico do concreto com a adição da


CCA e comprovar que esta aumenta sua resistência à compressão.

4. METODOLOGIA

Para efetivação do trabalho, realizaremos procedimentos descritos abaixo:

. Moldagem e cura de 08 corpos de prova: 04 corpos sem adição de CCA e 04 corpos com
adição de CCA utilizando os seguintes materiais:

. O cimento utilizado para fabricação do concreto de todos os corpos será


CP V-ARI4;
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. Substituição de 10% do cimento pela cinza da casca de arroz (CCA). Somente


nas amostras com adição.

. Como agregado graúdo será utilizado brita 1;

. Como agregado miúdo será utilizado areia média;

. Água potável na temperatura (23±2)°C;

. Desmolde dos 08 corpos em 24hs;

. Cura de 28 dias:

. No 27º dia, os 08 corpos serão retirados do recipiente com água;

. No 28º dia, 04 corpos (02 sem adição de CCA e 02 com adição de CCA) serão rompidos à
compressão em prensa e os outros 04 corpos (02 sem adição de CCA e 02 com adição de
CCA) irão secar a temperatura ambiente por três dias;

. No 31º dia, pesaremos os quatro 04 corpos secos e eles serão novamente imersos em
recipiente com água por mais três dias;

. No 35º dia, os 04 corpos serão retirados do recipiente com água e pesados novamente.

Através desses procedimentos, conseguiremos dados para análise do desempenho da


resistência à compressão e da permeabilidade do concreto.

4 - Cimento Portland de Alta resistência inicial (CP V-ARI): Aglomerante hidráulico que atende às exigências de alta resistência inicial,
obtido pela moagem de clínquer Portland, constituído em sua maior parte de silicatos de cálcio hidráulicos, ao qual se adiciona, durante a
operação, a quantidade necessária de uma ou mais formas de sulfato de cálcio. ARI representa o mínimo de resistência à compressão aos 7
dias de idade, ou seja, 34,0MPa.
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5. COLETA DOS DADOS

Tabela 1– Traço Unitário

Fonte: Autor

Tabela 2– Dados Slump Test

Fonte: Autor

Tabela 3 – Dados Ensaio à compressão axial

Fonte: Autor

Tabela 4 – Teor de umidade

Fonte: Autor
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RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO AOS 28 DIAS (MPa)


18
16,15
16 14,67
14 14,01
12
10 10,29
8
6
4
2
0
1 2 3 4
SEM CCA SEM CCA COM CCA COM CCA

Figura 1 – Gráfico Resistência

Fonte: Autor

TEOR DE UMIDADE (%)

3,00 2,70

2,50
1
SEM CCA
2,00
2
1,35 1,39
1,50 1,39 SEM CCA
3
1,00 COM CCA
4
0,50 COM CCA
0,00

Figura 2 – Gráfico Teor de Umidade

Fonte: autor
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6. CONCLUSÃO

Apesar de algumas literaturas considerarem o desempenho da CCA afirmativo, mesmo

obtendo resultados similares para corpos sem CCA e com CCA, tomando-se como referência

a substituição em massa de 10% do cimento por CCA e a não redução significativa da

resistência do concreto, concluímos que não é possível nenhuma afirmação concreta à respeito

das hipóteses propostas pelo grupo. É necessário a confecção de mais corpos e execução de

mais testes para o aprimoramento da pesquisa.


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7. BIBLIOGRAFIA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 10520. Informação e documentação: citações
em documentos: apresentação. Rio de Janeiro, 2002.

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adição da nanosílica de casca de arroz. Disponível em:
<https://uspdigital.usp.br/siicusp/cdOnlineTrabalhoVisualizarResumo?numeroInscrica
oTrabalho=4691&numeroEdicao=19>. Acesso em: 16 Jun. 2015.
• ISAIA, Geraldo Cechella; GASTALDINI, Antônio Luiz Guerra; MEIRA, Letícia;
DUART, Marcelo; ZERBINO, Raul. Viabilidade do emprego de cinza de casca de
arroz natural em concreto estrutural. Parte I: propriedades mecânicas e
microestrutura. Disponível em:
<http://www.seer.ufrgs.br/index.php/ambienteconstruido/article/view/9473/7439>.
Acesso em: 16 Jun. 2015.
• DAFICO, Dario de Araújo. Método de produção de cinza de casca de arroz para
utilização em concretos de alto desempenho. Disponível em:
<http://www2.ucg.br/nupenge/pdf/Dario_Resumo.pdf>. Acesso em: 16 Jun. 2015.
• Pesquisa FAPESP. Cimento nobre com casca de arroz. Disponível em:
<http://revistapesquisa.fapesp.br/2000/10/01/cimento-nobre-com-casca-de-arroz/>.
Acesso em: 16 Jun. 2015.
• ZUCCO, Loris L.; BERALDO, Antônio L. Efeito da adição de cinza da casca de
arroz em misturas cimento-casca de arroz. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/eagri/v28n2/a02v28n2.pdf>. Acesso em: 16 Jun. 2015.
• MASTELLA, Camila Gonçalves; EDUARDO, Pasche; FENGLER, Ricardo Zardin;
MENSCH, Natália Gutierres; BULIGON, Liliane Bonadiman; SOKOLOVICZ, Bóris
Casanova. Resistência do concreto convencional com adição de microssílica de casca
de arroz. Disponível em:
<http://www.edutecne.utn.edu.ar/cinpar_2010/Topico%203/CINPAR%20081.pdf>.
Acesso em: 16 Jun. 2015.
• VIEIRA, Fernanda P.; KULAKOWSKI, Marlova P.; DAL MOLIN, Denise; VILELA,
Antônio C. F. Durabilidade e resistência mecânica de concretos e argamassas com
adição de sílica ativa. Disponível em: <http://www.silicon.ind.br/wp-
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content/themes/silicon/estudos/Durabilidade_e_Resistencia_Mecanica_de_Concretos_
e_Argamassa.pdf>. Acesso em 16 Jun. 2015.
• ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 5732.
Cimento Portland comum. Rio de Janeiro, 1991.
• ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 5733.
Cimento Portland de alta resistência inicial. Rio de Janeiro, 1991.
• ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 9779.
Argamassa e concreto endurecidos – Determinação da absorção de água por
capilaridade. Rio de Janeiro, 1995.
• ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 5738.
Concreto – Procedimento para moldagem e cura de corpos de prova. Rio de
Janeiro, 2008.
• ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 7215.
Cimento Portland – Determinação da resistência à compressão. Rio de Janeiro,
1996.