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Morfologia Portuguesa

Aula 1: Língua, Linguagem, Sincronia e Diacronia

Apresentação
Nessa aula, você vai vê os conceitos de língua, a linguagem e sistema linguístico, distinguir as características da
linguagem verbal e não verbal. Irá constatar que os fatos da língua podem ser analisados tanto diacrônica quanto
sincronicamente e também identi car o conceito de norma, percebendo que todas as variedades de língua são dotadas de
estrutura própria e são adaptáveis às novas necessidades de expressão.

Objetivos
Identi car as concepções de língua e linguagem enquanto sistema;

Reconhecer o funcionamento da estrutura da língua portuguesa;

Relacionar os fatos da língua sob uma perspectiva histórica (diacrônica) e atual (sincrônica);

De nir o conceito de signo linguístico.

A presença da palavra em nossas vidas é tão comum e seu uso tão espontâneo e natural que não vemos nela nada de
especial. No cotidiano, todos reconhecem que as palavras são símbolos que nomeiam as coisas e que as utilizamos para
entrar em contato com o outro. Daí, percebemos o real emprego deste recurso, acreditando que as pessoas se
comunicam e trocam ideias com a mesma destreza que executam tarefas organicamente possíveis, sempre com o
objetivo de perceber oque as cerca para que possam interagir com tudo e todos.

 Fonte: Raphael Schaller / Unsplash


E como o homem constrói este espaço? De que forma é possível chegar a este entendimento do mundo?

Através da faculdade da linguagem, que permite ao homem não só compreender as relações do e com o
mundo, mas também explicar estas relações através de seu conhecimento.

A linguagem é elemento indispensável da comunicação social e de domínio individual. Ao usá-La, o


indivíduo se integra com os seus semelhantes. Ela pode ser não verbal (sem o uso da palavra) ou verbal,
ambas as características favorecendo a transmissão de comunicação.
Linguagem verbal

 Fonte: Blake Barlow / Unsplash

Identi cada pela constituição de palavras faladas ou escritas nas seguintes manifestações, por exemplo:

textos manuscritos;

livros, artigos, receitas, bilhetes, e-mail;

conversa ao telefone, televisão, cinema;

reuniões, encontros de amigos, missa, cultos religiosos.

 Fonte: Jerry Wang / Unsplash

São pequeninos seres


Que em tudo dependem de nó
Dentro deles há um espírito que muito precisa aprender
Cabe a nós, adultos, a tarefa de lhes dar orientação.

Acreucho – Publicado no Recanto das Letras em 30/09/2007

Código do texto:T675166

O fragmento do texto acima transmite a ideia sobre o papel de um adulto na formação das crianças, alusivo ao dia das
crianças.

Linguagem não verbal


Identi cada, por exemplo, nas seguintes manifestações:
Na pintura, pelas cores, guras e outros elementos Na dança, pelo movimento e ritmo.
utilizados pelo artista.

Nos sinais de trânsito, nos sinais de matemática, nos Em cartuns, charges ou caricaturas.
símbolos utilizados em linguagem virtual.

Na charge, também alusiva ao dia das crianças, o cartunista mostra, de forma


irônica, através de Linguagem não verbal, a disputa dos candidatos à Presidência
do Brasil pelos votos de outra candidata, para um 2° turno de eleições.

Tanto o fragmento de texto de Acreucho como a charge de Clayton apresentam


signos, elementos constitutivos da linguagem. Os signos podem ser, portanto,
verbais, as palavras e não verbais, o desenho.

En m, tudo isto é Linguagem: representação do pensamento por sinais e/ou por


palavras.

A Linguagem
A linguagem humana é expressa por meio de um sistema de som vocal chamado língua. Esta possibilidade permite que o ser
humano utilize um código linguístico, a língua, em sua materialidade verbal, para se comunicar. Cada língua apresenta o seu
código, com regras e normas, sua maneira de arrumação das palavras na frase, sua própria estruturação.

Você verá a seguir mais algumas informações sobre a língua!

 Fonte: Shutterstock Por lassedesignen

"A língua é uma forma de conhecimento e um meio de


 construir, estabelecer, manter e modi car relações com os
outros. Por isso mesmo, uma mesma pessoa é capaz de
utilizar diferentes ‘estilos’ ou registros de língua, conforme o
contexto ou as nalidades da comunicação: quando se dirige
a um adulto ou quando fala a uma criança, quando fala a
pessoas reunidas em um auditório ou quando conversa de
modo descontraído numa roda de amigos, quando escreve
uma carta de candidato a emprego ou quando comparece
para uma entrevista com esse mesmo objetivo, quando relata
um acontecimento ou quando dá um conselho a alguém."
- AZEREDO, José Carlos. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. SP: Publifolha Houaiss, 2008: 57
Se o sistema da língua é social porque é comum a todos os falantes de uma
 comunidade linguística, podemos entender que a atividade linguística é
sistematizada, ou seja, segue um conjunto de elementos lexicais (palavras)
e gramaticais (organização do código) que fazem parte de uma língua, de
uma organização interna desses elementos e de suas regras combinatórias.

Para entendermos melhor, consideremos a seguinte situação de comunicação:

O signi cado da palavra desconto corresponde à ideia de redução em uma soma ou no total de uma
conta ou quantia. Pode-se dizer que este signi cado é o mesmo em qualquer situação ou  frase. A
situação acima apresenta claramente a relação de comunicação construída entre os participantes, onde
se estabelece que o sentido das palavras é razoavelmente estável, que não vive mudando, mas que se
adapta dentro de uma margem de compreensão compartilhada entre os falantes, ou seja, o contexto
favorece a compreensão da palavra desconto.

Contamos, desta forma, com uma característica fundamental da faculdade da linguagem humana, que
permite que o homem crie enunciados linguísticos in nitamente: a CRIATIVIDADE.

As experiências de vida de toda ordem (no cotidiano, nos grupos de amigos, no contato com culturas
diferentes), a convivência com textos de variadas espécies (poemas, lendas, crônicas), a possibilidade da
fala e da escrita contribuem signi cativamente para esta criatividade linguística.
Signo linguístico

A linguagem humana, conforme demonstrado no vídeo, apresenta-se, essencialmente,


fundamentada no signo.

É o instrumento através do qual a comunicação se realiza. Em uma ação de comunicação,


apresentamos nossos conceitos, ideias, pensamentos; en m, nossa visão de mundo, por
meio de palavras que trazem o signi cado que queremos transmitir.

Daí surgem os signos linguísticos (sons da língua + signi cado)

Exemplo

Para o conceito “livro”, o português utiliza o termo “livro”, o espanhol emprega “libro”, o inglês usa “book”; já no francês, temos
“livre”. Variaram os signi cantes, mas o signi cado é o mesmo, mesmo conceito.
 Fonte: Shutterstock Por fizkes

Durante todo o processo de avanço linguístico, tanto o processo de aquisição de linguagem como a sistematização da língua
em si vêm sofrendo alterações ao longo do tempo. Já houve uma época em que as línguas eram comparadas a seres vivos -
nasciam, cresciam, envelheciam e morriam. Sabemos, hoje, no entanto, que em qualquer fase da sua existência histórica, a
língua é dotada de uma estrutura complexa em qualquer fase que esteja. Elas são adaptáveis às novas necessidades e ondas
de crescimento de expressão de uma comunidade.

 Fonte: Shutterstock Por Festa

Se compararmos épocas, observamos que a língua não muda de vez em quando, mas sim, de modo contínuo. Em enunciados
como os apresentados abaixo, observamos signos que, ao longo do tempo, modi caram seu signi cante, mas que ainda
permanecem em nosso sistema linguístico nos dias de hoje, em seu conceito fundamental.

Sincronia e Diacronia
Foi o linguista Ferdinand de Saussure quem nos alertou sobre a possibilidade de estudarmos a língua sob dois aspectos:

1 2

Sincrônico Diacrônico
Procura estudar o sistema de uma língua em uma Mostra como as línguas se formaram, sua evolução natural.
determinada época ou período. Ex.: o plural de “pão” é “pães”; o Ex.: o vocábulo avença é um termo arcaico, que signi ca
plural de “cidadão” é “cidadãos”. “acordo”; entretanto, manteve-se na palavra desavença.
Entende-se, portanto, que os estudos lexicais envolvem,
principalmente, uma abordagem sincrônica, do momento atual, sem,
contudo, perder de vista uma abordagem do passado, uma
abordagem diacrônica.

Resumindo:

Clique nos botões para ver as informações.

SINCRONIA 

Os membros da comunidade linguística entendem-se e comunicam-se porque participam de um mesmo ‘estado da


língua’, partilhando dos mesmos hábitos linguísticos.

DICRONIA 

É a história interna de uma língua; uma sucessão de ‘estados da língua’, uma passagem sem interrupção, de uma
sincronia para outra.

O uso da língua

Saiba mais

Conforme observamos, a língua desempenha importante papel social. Reconhecemos, inclusive, muitas vezes, a condição
social de uma pessoa pela maneira de falar. Assim, há um conjunto de regras que precisamos respeitar. Ouça a canção Língua
e observe a letra.
A interpretação destas canções denota que o uso da língua é um ato individual. Porém, mesmo individual, esses atos são
normalmente realizados na e para a comunicação entre sujeitos ou indivíduos, que para compreender-se, precisam estar
“de acordo” sobre o que signi cam os sinais que usam. Este acordo refere-se à dimensão social e histórica da língua.
SOCIAL, porque pertence a todos e HISTÓRICA, pois é transmitida de geração em geração, através dos tempos.

O fato de pertencer a todos os falantes exerce sobre o uso da língua uma pressão padronizada, cujo efeito é a
semelhança de uso entre os membros da mesma comunidade linguística, a que denominamos norma.

 Fonte: Gerd Altmann / Pixabay

De acordo com Azeredo (2008:63), temos, então, portanto, três


conceitos fundamentais:

A
Língua como estrutura abstrata, uma espécie de denominador comum de todos os seus usos: o sistema.

B
O ato concreto de falar/ouvir ou escrever/ler a língua: o uso.

C
A soma dos usos histórica e socialmente consagrados numa comunidade e adotados como um padrão que se repete: a
norma.
Voltando às canções, Quanto à norma utilizada, Cabe a cada usuário da língua
percebemos que em ambas principalmente na primeira avaliar o contexto de uso e
podemos observar um canção, compreendemos que escolher a forma de expressão
denominador comum (a língua), esta pode ser caracterizada por mais apropriada. A nal,
podemos usá-las (ouvindo/lendo ser de cunho regional, social, paralelamente à sua condição de
a letra) e adotamos as “regras econômico, familiar ou de faixa sistema, a língua é expressão da
linguísticas” utilizadas tanto por etária. O mais importante na imagem que os usuários fazem
Adoniran Barbosa quanto por conceituação da norma é o seu da situação social em que se
Caetano Veloso como caráter coletivo e sua condição encontram – ou seja, é uma
consagradas em uma de uso, quer seja por escolha, forma de comportamento.
comunidade de falantes (a quer seja por herança sócio- (AZEREDO, 2008:66)
norma). histórica. Daí o conceito de
variação linguística.

"Falar corretamente signi ca o falar que a comunidade


espera: o erro em linguagem corresponde a desvios dessa
norma, sem relação alguma com o valor interno das palavras
ou formas."
- Celso Cunha, em Língua portuguesa e realidade brasileira, RJ: Tempo Brasileiro, 1970.

Referências
Notas
AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. Publifolha Houaiss, SP, 2008.

BASILIO, Margarida. Teoria lexical. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.CAMARA Jr. J.M. Estrutura da Língua Portuguesa. Petrópolis,
RJ: Vozes, 1982.

CARONE, Flávia. de Barros. Morfossintaxe. 9. ed. São Paulo: Ática, 2000.KEHDI, Valter.  Formação de palavras em português.
4.ed. São Paulo: Ática, 2007.

RIBEIRO, M.P. Gramática Aplicada da Língua Portuguesa: uma comunicação interativa., RJ:  Metáfora, 2005.ROSA, Maria
Carlota. Introdução à morfologia. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

VILELA, Mario; KOCH, Ingedore Villaça. Gramática da língua portuguesa. Coimbra: Almedina, 2001. 

Próxima aula
Os conceitos de morfologia na língua;

O conceito de palavra e vocábulo;

A relação da dupla articulação da linguagem na estrutura da língua portuguesa.

Explore mais

Pesquise na internet, sites, vídeos e artigos relacionados ao conteúdo visto. Em caso de dúvidas, converse com seu professor
online por meio dos recursos disponíveis no ambiente de aprendizagem.
Morfologia Portuguesa

Aula 2: Morfologia e a Dupla Articulação da Linguagem

Apresentação
Nessa aula, você vai vê que conceituar palavra não é tão simples quanto reconhecê-la. Veri car os critérios que facilitam a
identi cação das palavras e relacionou as ideias de palavra e vocábulo. Como articular palavras é dividi-las em partes para
entendê-las melhor, além de identi car o conceito de dupla articulação da linguagem e da função de cada uma das
articulações para a compreensão da estrutura vocabular.

Objetivos
Identi car a relação entre os conceitos de palavra e vocábulo;

Reconhecer a relação da dupla articulação da linguagem que favorece as combinações de articulação de forma e
som de uma língua.

Quantas formas existem de dizer alguma coisa a alguém?


De quantas palavras precisamos para nos comunicar?
Como viveríamos nos dias de hoje se as palavras não existissem?

A nal, o que é palavra?


A existência de palavras é assumida como realidade pela maioria das pessoas. No entanto, embora sejam fáceis de
reconhecer, não é tão simples de nir o que é uma palavra. Na Linguística, como em outra ciência qualquer, precisamos
identi car critérios para de nirmos as unidades básicas de estudo.

 Fonte: shutterstook Por Indre Pau


Os critérios abordados como possíveis para o trato sobre PALAVRA são:

Critério de signi cado (semântico): Este critério não deve ser observado isoladamente, como a rma
Mattoso Câmara, pois o sentido depende da forma, ou seja, a palavra é um somatório de forma e sentido,
como mostra o exemplo na tirinha acima, em que a palavra xadrez assume dois sentidos – uma para
cada personagem –, independente dos componentes que a formam. Além disso, muitos processos de
formação não mudam a classe das palavras, como mostra o exemplo a seguir, em que a palavra coisa é,
nas três frases, um substantivo, mesmo no grau diminutivo.

“Ó coisinha tão bonitinha do pai...”, em que coisinha signi ca pessoa.


Ele briga por qualquer coisinha..., em que coisinha signi ca motivo.
Não tive tempo de almoçar. Fui à lanchonete e comi uma coisinha! Em que coisinha signi ca comida.

Critério de som (fonológico):


É praticamente impossível elaborar um conceito de palavra sob este critério, pois a forma de falar do brasileiro in uencia
bastante na distinção dos sons formadores de cada enunciado, como mostra o exemplo abaixo que explora a ambiguidade:

Critério da funcionalidade (sintático):

Parece funcionar em qualquer língua do mundo, pois as palavras recebem


nomenclaturas que as diferenciam dentro dos enunciados. Porém, este é um
critério que abrange somente uma de nição: a de ordem da organização e
funcionamento da língua, desconsiderando-se os seus elementos formadores
como, no exemplo a seguir, na palavra votais, que é classi cada como um verbo e
que é assim reconhecida, independente neste critério, da maneira como a palavra
aqui é formada:  Fonte: //www.acharge.com.br/index.htm, em
16/10/2010.
 Fonte: shutterstook Por Castleski

Critério formal (mór co) - É o critério que se baseia na caracterização da estrutura do vocábulo, aqui se veri cando a aceitação
ou não da combinação das formas, conforme mostrado abaixo nas palavras destacadas:

Dez doleiros 1 giraram U$ 2,4 bi 2 em 42 contas nos EUA 3 .

 Fonte: shutterstook Por Sukhonosova


Anastasia

Para reforçar a opção por esses critérios, convém lembrar que a língua é organizada a partir de um sistema de elementos e de
relações simultâneas.

Esse sistema é formado de sistemas menores conhecidos por níveis:

a) nível fonológico (de som);


b) nível morfossintático (de forma e funcionalidade);
c) nível semântico (signi cado).
Palavra e vocabulário, há diferença?

Segundo Kehdi, 2007, a palavra Os vocábulos seriam também a Para Azeredo (2008), PALAVRA é
seria um conjunto marcado por constituição de fonemas e a menor unidade signi cativa
um só acento tônico: mármore, sílabas mesmo que desprovidos autônoma constituída de um ou
café, trânsito. Entretanto, a de sentido ou de tonicidade, mais elementos dispostos em
expressão com o chinelo, por como os elementos com e o uma ordem estável.
exemplo, também constitui citados no exemplo acima. E
marcação com um acento tônico, palavra seria mais adequado do
na medida em que chinelo ponto de vista semântico, como:
possui acentuação na sílaba do chinelo, sapato etc. Mas ambas,
meio (ne) e os termos com e o para os linguistas, são
são átonos, e isso não faz da equivalentes.
expressão em questão uma
palavra.

Saiba mais

Para complementar seu entendimento, faça a leitura do material no site.

Pelo que lemos, pergunta-se:

Como podemos perceber as palavras fazendo sentido?

Como entendemos o que as pessoas querem nos dizer?

Através da articulação, ou seja, da possibilidade de análise,


da divisão em partes.

Melhor explicando, da DUPLA ARTICULAÇÃO DA


LINGUAGEM.

 Fonte: shutterstook Por fizkes


Na estrutura linguística, os elementos (palavras/vocábulos) que a
compõem são passíveis de  divisão, de segmentação. Esta
possibilidade nos conduz a re etir sobre as combinações necessárias
para que estes elementos produzam sentido e possam ser utilizados
em construções maiores, como no discurso, por exemplo. Dessa
forma, passemos à informação que segue.

A linguagem é um sistema de sinais auditivo-orais, articulados, de emprego numa


comunidade. Articular signi ca agrupar unidades menores numa outra maior,
todas caracterizadas por uma parcela signi cativa, ou distintiva.

Vejamos a palavra gatinhas. À primeira vista, trata-se de uma unidade, mas se


analisarmos descobriremos quatro elementos distintivos cuja soma é que nos dá
o conjunto maior:

gato (1) + inho (2) + (a) 3 + s (4)

1 — o animal
2 — o tamanho
3 — o sexo
4 — a quantidade

Para o linguista francês André Martinet, que primeiro utilizou a expressão “dupla articulação da linguagem”, as combinações
legítimas na língua obedecem à seguinte formatação:

DUPLA ARTICULAÇÃO DA LINGUAGEM:


2ª articulação: unidades fonológicas –
1ª articulação: unidades signi cativas –
som, unidades distintivas, chamadas


forma, chamadas morfemas ou monemas
fonemas, que tem a função de
que tem a função de SIGNIFICAR.
DISTINGUIR.
Ex.: gat – dá origem a palavra
Ex.: g + a + t + i + n (nasal) + a
inh – demonstra o diminutivo
diferente de latinha ou patinha
a – demonstra o feminino
(sons distintivos).
s – demonstra o plural
Sons de cada letra – fonema.

1 2

Estas articulações são simultâneas; São pertinentes à linguagem humana, distinguindo-se de


quaisquer outras produções vocais não linguísticas;

A articulação é o método mais utilizado para entendermos


como se constitui ou se estrutura uma língua.

Saiba mais

Para esclarecer, acesse o site.

Notas

doleiros 1

Criação recente de jornais que alia a palavra dólar mais o su xo – eiro, que signi ca indivíduo que exerce alguma atividade em
relação ao objeto que serve de base para formação da palavra base, no caso dólar.

bi 2

Que é uma redução para bilhões.

EUA 3

Sigla que remete ao Estados Unidos da América


Referências

AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. Publifolha Houaiss, SP, 2008.


BASILIO, Margarida. Teoria lexical. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.CAMARA Jr. J.M. Estrutura da Língua Portuguesa. Petrópolis,
RJ: Vozes, 1982.

CARONE, Flávia. de Barros. Morfossintaxe. 9. ed. São Paulo: Ática, 2000.KEHDI, Valter. Formação de palavras em português.
4.ed. São Paulo: Ática, 2007.

RIBEIRO, M.P. Gramática Aplicada da Língua Portuguesa: uma comunicação interativa., RJ: Metáfora, 2005.ROSA, Maria Carlota.
Introdução à morfologia. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

VILELA, Mario; KOCH, Ingedore Villaça. Gramática da língua portuguesa. Coimbra: Almedina, 2001.

Próxima aula

A estrutura da língua portuguesa e identi cará as partes que constituem as palavras;

O processo que dá origem a estruturação da nossa língua.

Explore mais

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online por meio dos recursos disponíveis no ambiente de aprendizagem.
Morfologia Portuguesa

Aula 3: Morfemas I

Apresentação
Nessa aula, você vai ver a relação entre os conceitos de palavra e vocábulo, como reconhecer a relação da dupla
articulação da linguagem, que favorece as combinações de articulação de forma e som de uma língua.

Objetivos
Identi car o conceito de morfema na língua portuguesa;

De nir as unidades que constituem a estrutura das palavras da língua portuguesa;

Distinguir os tipos de morfemas;

Classi car os tipos de morfes.

Morfemas

Como vimos nas aulas anteriores, a morfologia é a parte da gramática


que estuda as partes que compõem uma palavra ou vocábulo.
Quando olhamos uma palavra, independentemente da escolaridade,
somos capazes de perceber que ela é composta por partes.

Veja as palavras: Gata, pata, menina e cachorra.


»
O que há de comum entre elas? Todas terminam com ‘-a’.

O que isso indica em termos morfológicos?

» Morfologicamente, esse ‘-a’ é uma das partes que compõem essas palavras e
indica que elas estão no feminino.

» Por que percebemos a exão nessas palavras?


Porque somos capazes de opor gato x gata; pata x pato; menina x menino.

"Cada uma das partes que compõem uma palavra é


chamada morfema: “[...] as menores unidades formais
dotadas de signi cado.” "
- Monteiro, 2002, p. 13.

Vejamos o que Monteiro (2002,p.13), em Morfologia Portuguesa, nos diz sobre morfema.

Em princípio, todo morfema se compõe de um ou vários fonemas, e destes difere, fundamentalmente, pelo fato de
apresentarem signi cado (GLEASON JUNIOR, 1978). Como é fácil perceber, isoladamente os fonemas nada signi cam. Se
pronunciamos /p/ ou /t/, ninguém associa ao som emitido nenhuma ideia. Mas, de modo oposto, em geral, só existe o
morfema quando a unidade mínima apresenta um signi cado.

 Fonte: Clem Onojeghuo on Unsplash

Saiba mais

Sabemos que as palavras são formadas por várias partes e que uma palavra pode ser entendida como equivalente a um
vocábulo – autônoma e constituída de morfemas. Conheça a visão tradicional desses Morfemas.
Morfemas Cumulativos

Carone (1995) em seu Morfossintaxe nos apresenta dois processos de


depreensão: o processo de COMUTAÇÃO e o consequente processo de
SEGMENTAÇÃO. Segundo a autora, “ [...] depreensão dos morfemas de uma
língua realiza-se a partir da cadeia sintagmática, isto é, a partir de um
conjunto de unidades articuladas, que formam um todo maior, seja ele
vocábulo ou frase”.
Comutação: Segundo Carone (1995), quando realizamos o processo de comutação, alteramos um
elemento no plano da expressão, e isso gera uma alteração no plano do conteúdo. Veja os exemplos
fornecidos pela autora na página 28:

Am a va   Ø     indicativo    pretérito imperfeito


ra          indicativo     pretérito mais-que-perfeito
rá          indicativo     futuro do presente
ria         indicativo     futuro do pretérito
sse       subjuntivo    pretérito imperfeito

A cada troca, alteramos tempo e modo, ou seja, os morfemas trocados possuem os dois valores
acumulados e são, por isso, chamados de morfemas cumulativos.

Segmentação: Quando realizamos a operação de


comutação, acabamos por descobrir quais são os
morfemas que constituem um vocábulo.

Exemplo: A forma verbal ‘amava’ é formada por am + a + va.

Ao comutarmos, descobrimos também que alguns


morfemas podem se repetir em conjuntos de vocábulos. Por
exemplo, em ‘ cantava’ temos a repetição de ‘a’ + ‘va’, ou
seja, esses morfemas se repetem. Por quê? Que tipo de
morfemas são esses?

Esses morfemas usados na exão do verbo são chamados


de morfemas gramaticais. Mas e o radical ‘cant-‘? Que tipo
de morfema ele é? O radical é um exemplo de morfema
lexical.

 Fonte: Alexander Michl on Unsplash


 Fonte: shutterstock Por Motortion Films

Um morfema gramatical é aquele que expressa um aspecto gramatical da língua. São exemplos de morfemas gramaticais: as
desinências modo-temporais e número-pessoais dos verbos e as desinências de gênero e de número dos nomes. Segundo
Carone (1995, p. 29) , os morfemas gramaticais  “[...] pertencem a um paradigma numericamente restrito e estável, isto é, a um
inventário fechado.”

 Fonte: shutterstock Por Billion Photos

Um morfema lexical é a parte da palavra em que temos o signi cado básico, é o núcleo semântico da palavra. Segundo Carone
(1995, p. 29), esses morfemas fazem parte do inventário aberto da língua, já que novas palavras podem surgir.

Clique nos botões para ver as informações.

Formas livres 

São morfemas que podem aparecer sozinhos em um enunciado. 

Exemplo:_ Quem chegou mais cedo?

_ Ele.

Formas presas 

São morfemas que não aparecem isoladamente como, por exemplo, os su xos, as desinências etc. Exemplo:  caseiro.
Formas dependentes 

Essas formas foram classi cadas por Mattoso Câmara Jr. (1970) e, segundo o autor, não são formas livres porque não
constituem enunciados, e não são formas presas porque existem como vocábulos. Segundo Carone (1995, p. 32), são
exemplos dessas formas dependentes: artigos, preposições, algumas conjunções e pronomes oblíquos átonos. Exemplo:
café com leite.

Morfes e Morfemas
Monteiro (2002, p. 14), em Morfologia Portuguesa, apresenta-nos uma interessante relação entre morfe e morfema.

O morfe é a concretização de um morfema, ou seja, uma sequência fonêmica mínima a que se pode atribuir um
signi cado.
[...]
Essa distinção é muito semelhante à que existe entre fonema e fone. O fonema constitui uma entidade abstrata que,
quando se realiza, pode consistir em sons diferentes. O [t], por exemplo, não se pronuncia do mesmo jeito em tela e tive.
A realização de um fonema se denomina de fone e, como sempre, há mais de uma possível; todo fonema na prática
apresenta diversos alofones.

Nem sempre, porém, os autores são rigorosos quanto a isso. E assim o termo morfema costuma ser usado em
contextos em que seria mais preciso falar-se de morfe. Mas é bom pelo menos guardar a analogia:

 shutterstock Por Billion Photos


Tipos de morfema

 Fonte: Ross Joyner on Unsplash

Além do morfema lexical que vimos anteriormente, temos outros tipos de morfemas.

a) Morfema derivacional: São aqueles que possibilitam a criação de novas palavras.

São exemplos de morfemas derivacionais os pre xos, os in xos e os su xos.

Exemplos: cas [inha]; cas [eiro].

 Fonte: Josh Applegate on Unsplash

b) Morfema categórico: São morfemas exionais, ou seja, são as desinências nominais e verbais, representando, assim,
morfemas gramaticais.

A função dos morfemas categóricos é indicar as exões que as formas assumem.

Exemplos: casa[s]; menin[a].

Monteiro 1 (2002, p. 16) explica-nos o uso do termo categórico.


Tipos de Morfes
Morfes alternantes: Temos morfes alternantes quando o
morfema se realiza mediante a permuta entre dois fones: é
um caso de alternância morfofonológica. Essa alternância
não é foneticamente condicionada como em incondicional /
irreal (o pre xo [in] passa a [i] quando a consoante inicial é
líquida).

Alternância vocálica

Ex. Pude ≠ pôde - z ≠ fez - pus ≠ pôs.

 Fonte: NeONBRAND on Unsplash

(Bechara:2000, 350) - Há 3 grupos de alternância do timbre da vogal tônica com função de indicações gramaticais:

1 2

a) |ê| - |é|; |ô| - |ó|;  esse / essa   novo / novos   ovo / ovos b)  |ê| - |i|; |ô| - |u|: este, esse / isso    aquele/aquilo     todo / tudo
Nos verbos da 2ª. Conjugação, é marcada, no pres. do
indicativo, a oposição entre a 1ª. pessoa e as outras
rizotônicas: devo / deves  -deve, devem - Torço / torces, torce,
torcem 

c)  |i| - |ê|; |u| - |ô|; |i| - |é|; |u| - |ó|


Em verbos da 3ª conjugação, o morfe alternante marca, no
presente do indicativo, a oposição entre a 1ª pessoa e as
outras rizotônicas 2 : minto / mentes;   sinto / sentes;
   sumo / somes;     ro /feres;   durmo / dormes.
Exemplos de alternância Alternância acentual: Exemplos de alternância
consonantal: Nesse caso, temos um morfema acentual:
Trag - o ≠ traz - es suprassegmental, ou seja, temos fábrica/fabrica – a incidência de
[dig ] - o ≠ [diz] - es. a variação de intensidade e altura maior tonicidade numa ou noutra
com signi cado gramatical. Em sílaba é o elemento diferenciador
português, só a intensidade tem do comportamento gramatical de
valor gramatical, ainda que a cada uma dessas palavras (nome
variação de altura traga ou verbo).
signi cado e possibilite a
distinção entre asserção e Exército/exercito

interrogação (Ele já viajou. /Ele já Retí ca/reti ca

viajou?). História/historia

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Morfe cumulativo 

É um morfe que expressa mais de um signi cado (não há correspondência ideal entre morfe e morfema).

Ex.: [mos] em viajamos – desinência número-pessoal (1a. pessoa/ plural).

GN considera que [o] em lindo é morfe cumulativo (VT + desinência de gênero).

Morfe redundante 

Ocorre quando mais de um traço opõe duas formas.

Ex.: Na exão de número, temos avô/ avós (abertura da vogal + morfema [s] como marcas de plural).

Na exão de número, temos avô/ avós (abertura da vogal + morfema [s] como marcas de plural).

Outros exemplos - (BECHARA, 2000, p. 123): Caroço, choco, corpo, corvo, destroço, esforço, fogo, forno, fosso, imposto,
jogo, miolo, olho, osso, porco, reforço, socorro, tijolo, torto, troco, troço, entre outras.

Na exão de gênero: Nos pares esse / essa e novo / nova, temos, além da inserção da desinência que indica a exão, a
abertura da vogal.
Morfe homônimo 

Ocorre quando um único morfe corresponde a morfemas distintos.

Ex.: [s]

A[s] casa[s] – marca plural

(tu) ama [s] – desinência número-pessoal

Notas

Monteiro 1

O termo categoria tem aqui sentido restrito e equivale à exão. Há para os nomes duas categorias: a de gênero e a de número.
O gênero tem as subcategorias de masculino e feminino. O número, as subcategorias de singular e plural. Nos verbos
encontram-se as categorias de modo, tempo, aspecto, número e pessoa, divididas em diversas subcategorias.

Rizotônica 2

Rizotônica: forma verbal cuja sílaba tônica se acha no radical.

Arrizotônica: forma verbal cuja sílaba tônica se acha fora do radical.

Referências

AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. Publifolha Houaiss, SP, 2008.

BASILIO, Margarida. Teoria lexical. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.CAMARA Jr. J.M. Estrutura da Língua Portuguesa. Petrópolis,
RJ: Vozes, 1982.

CARONE, Flávia. de Barros. Morfossintaxe. 9. ed. São Paulo: Ática, 2000.KEHDI, Valter.  Formação de palavras em português.
4.ed. São Paulo: Ática, 2007.

RIBEIRO, M.P. Gramática Aplicada da Língua Portuguesa: uma comunicação interativa., RJ:  Metáfora, 2005.ROSA, Maria
Carlota. Introdução à morfologia. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

VILELA, Mario; KOCH, Ingedore Villaça. Gramática da língua portuguesa. Coimbra: Almedina, 2001. 

Próxima aula

Você ampliará seus conhecimentos acerca da noção de morfema através do estudo do fenômeno da alomor a e do
morfe zero;
Veremos também a questão das noções de gênero e sexo, assim como trataremos da noção de exão.

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Morfologia Portuguesa

Aula 4: Morfemas II

Apresentação
Na aula passada, fomos apresentados à noção de morfema. Nesta aula trataremos, do conceito de alomorfe e de morfe.
Vamos veri car a estrutura da língua portuguesa e identi car as partes que compõem uma palavra, fundamentais para a
formação de enunciados, além de de nir as unidades que constituem a estrutura das palavras da língua portuguesa.

Objetivos
Retomar o conceito de morfema;

Distinguir morfema e alomorfe;

Distinguir morfema e morfema zero.

Morfema e alomorfe
"Se quisermos usar os termos de modo bem preciso,
deveremos compreender que o morfema é uma entidade
abstrata que não se confunde com uma única e mesma
forma. Na prática, um morfema pode apresentar variações
formais. Assim, se observarmos as palavras vida e vital
parece evidente que em ambas existe um mesmo morfema
que se realiza como [vid] e [vit]. A realização de um morfema
se denomina de morfe e quando há mais de uma, já podemos
adiantar que constituem alomorfes."
- Monteiro (2002, p. 14), em Morfologia Portuguesa.

Alomor a

1 2

A palavra alomorfe vem do grego (állos = outro + morphé = A alomor a constitui, portanto, uma diferença de signi cantes,
forma) e indica a realização de um morfema por dois ou mais não de signi cado: o morfe é outro, o morfema é o mesmo.
morfes diferentes. Quer dizer, é a concretização em morfes
diferentes de dois segmentos com os mesmos valores
signi cativos.

Se você não se lembra do conceito de signo linguístico de


Saussure, relembre e veja sua composição em signi cante e
signi cado.

Exemplo

No verbo levas, o morfema –s caracteriza a 2ª pessoa do singular, que também pode ser caracterizado por –ste em levaste ou
–es em levares.

O segmento / - s / marca plural, e / -es / tem a mesma função: casas x mares.

Quando ocorre a alomor a, a forma de mais alta frequência deve ser considerada a forma-base; a outra é uma variante, seu
alomorfe.
Assim, no imperfeito do indicativo, primeira conjugação, a forma-base é –va-; a variante é –ve- (cantáveis). No futuro do
pretérito, -rie- (cantaríeis) é alomorfe de –ria-.

No futuro do pretérito, -rie- (cantaríeis) é alomorfe de –ria-.

1° conjunto imperfeito do indicativo:

Desinência / va /
Va é a norma
Cantava, cantavas.

Nas demais conjugações, a desinência muda e temos: corria, corrias / a / é um alomorfe.

Partia, partias.

Exemplos de almor a

» Alomor a na raiz. Os morfemas lexicais. / ordem /, / orden-/ /ordin-/ têm a mesma


signi cação em ordem, ordenar e ordinário.

» Alomor a no pre xo. O pre xo / in / passa a / i / em inapto / ilegal.

» Alomor a no su xo. No par bananal / cafezal o su xo / al / passa a / zal / e no par


relator / falador o su xo / or /passa a / dor /.

» Alomor a na vogal temática. Em pão / pães, a vogal temática /o /transforma-se


em/ e /.

Alomor a na desinência de gênero. No par, avô ≠ avó, os traços distintivos / ô / e /

» ó / podem ser considerados alomorfes das desinências Ø (masculino) e / a /


(feminino).

» Alomor a na desinência modo-temporal. Em cantáramos / cantáreis, a desinência


modo-temporal / ra / passa a/ re /.
A alomor a pode ou não ser fonologicamente condicionada:


Não condicionada: Implica variações livres que independem de causas fonéticas.

Exemplo: alternâncias vocálicas em faz, fez, z.


Condicionada: Aglutinação de fonemas nas partes nais e iniciais de constituintes, acarretando mudança fonética. É uma
mudança morfofonêmica = opera entre fonemas e altera o plano mór co da língua.

Exemplo: redução de / in- / a / i- / diante de consoante nasal: incapaz, imutável

Morfema zero (ø)

O morfema zero ou morfe zero caracteriza-se pela ausência de


segmento fônico que representaria determinada noção. Essa oposição
entre presença e ausência é importante – ambos são realidades
morfêmicas, cada um deles só existe graças à existência do outro. A
categoria gramatical de número só existe porque um par opositivo a
instaura: singular e plural. Temos, nesse caso, o que se chama de
ausência signi cativa.

Exemplo

O contraste singular/plural: bar – bares (o morfema –s), em que a ausência do plural, morfema –s, designaria o singular, por
inexistência de morfema marcador.

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Marca de gênero 

A exão de gênero em português acontece pelo acréscimo do morfema exional [a] à forma masculina: o feminino é a
forma marcada pela presença do morfema / a /. Sua ausência é signi cativa como característica de masculino –
morfema zero para o masculino em português.

Exemplos: marca de gênero: mestre / mestra; leitor / leitora; professor / professora; marquês/ marquesa; menino/menina.

Marca de número 

Exemplos:

1. Mar – mares. A ausência da marca de plural / -es / no morfema lexical mar indica singular.

2. Ourives, lápis, pires. O / -s / não é marca de plural: o plural dessas palavras é marcado sintaticamente.

Em muitas formas verbais encontramos o morfema zero em oposição a outros morfemas.

Exemplo: (tu) estud + a + va + s

(ele) estud + a + va + ø

(ele) estud + a + ø + ø

Morfe zero (Ø) para a conjugação verbal 

Segundo Mattoso Câmara (1970), a constituição da forma verbal portuguesa é T ( R + VT) + D (DMT + DNP), ou seja, o
tema é formado pela raiz e pela vogal temática e a esse tema podem ser acrescidas as desinências (desinência modo-
temporal e desinência número-pessoal).

Nem todas as formas verbais possuem VT.

A DMT é Ø para o indicativo no presente, para o pretérito perfeito (até a 2ª pessoa do plural e –ra para a 3ª pessoa do
plural.

Cant – Ø - o Cante – Ø – i canta- ra – m

A DNP é Ø:

1ª pessoa do singular do presente do indicativo (exceto quando aparece –o);

3ª pessoa do pretérito perfeito do indicativo.

Tabela
 Fonte: Agence Olloweb on Unsplash

a) Por que em uma palavra como ‘lápis’, que tem a mesma forma para singular e plural, não se deve considerar a existência de
morfema zero na desinência de número?

O morfema s existe tanto no singular quanto no plural:

O lápis ø / Os lápis

O plural desse tipo de palavra não é morfológico, é sintático: será o determinante (artigo, pronome demonstrativo etc.) quem
marcará o número.

 Fonte: Santi Vedrí on Unsplash

b) Por que substantivos comum de dois gêneros como estudante e dentista não têm morfema zero para desinência de gênero?

O feminino em português é marcado pelo morfema [a]. Nesses substantivos, tem-se a mesma forma para os dois gêneros. O
gênero desses substantivos não é morfológico, é sintático: sabe-se o gênero pelos morfemas categóricos dos termos a que
eles se referem: meu dentista/ bela estudante.

Assim, em bela estudante, o feminino é marcado por dois traços: um mór co e outro sintático. O traço mór co é a desinência a
e o traço sintático é a presença do determinante esta.

A exão de gênero
Ao nal de nossa discussão sobre morfema zero, tivemos um breve
comentário acerca desse morfema e a exão de gênero. Vamos, agora,
discutir um pouco mais a exão de gênero em Português.

Exemplo

Embora alguns autores falem sobre ‘sexo real ou convencional’ ou ainda sobre ‘sexo real ou ctício’, Monteiro (2002, p. 86)
a rma que “O gênero é uma categoria gramatical; o sexo é um conceito biológico.” Esse é o melhor tratamento a ser dado a
essa questão já que temos inúmeros substantivos que designam seres assexuados como mesa, roupa, teto, chão.

Leitura

Recomendamos a leitura do texto Sexa, de Luiz Fernando Veríssimo.

Vimos que o acréscimo do morfema [a] marca a exão de gênero. A regra para a composição do feminino estabelece que,
morfologicamente, temos o processo de exão se adicionamos a desinência [a], retirando-se a vogal temática, se ela estiver
presente no masculino.

Exemplos:

Professor + a = professora

Mestre + a= mestrea = mestra

Casos de alomor a na raiz


Monteiro (2002, p. 83) comenta que em exemplos como rei/rainha, abade/abadessa, entre outros, temos,
além da desinência [a], o acréscimo de um su xo derivacional para formar o feminino. Segundo o autor,
sincronicamente não se percebe, por exemplo, [inh] como um su xo e, assim, [rainh] e [abadess] seriam
alomorfes de [re] e [abad].

O autor acrescenta:

“Por diversas vezes, já comprovamos que mesmo professores e alunos de Letras não têm consciência
da presença do su xo. Por incrível que pareça, até em galinha, poucos destacam o elemento [inha]. E,
quando o fazem, percebem que o conteúdo semântico se tornou vazio.”(p.84)

Algumas classi cações de gênero


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Gênero heteronímico 

No entanto, nem todas as palavras são marcadas exionalmente. Koch e Silva (1989) em Linguística aplicada ao
português: morfologia, a rmam que:

“Em razão da ausência de distinção entre processo exional e processo lexical, é comum ler-se em gramáticas do
português que mulher é feminino de homem, que cabra é o feminino de bode. Trata-se de casos de heteronímia dos
radicais, isto é, de vocábulos lexicalmente distintos, que, tradicionalmente, têm sido utilizados para indicar a categoria de
gênero.”

Sobrecomuns 

Além da heteronímia, há outras formas de se expressar o gênero sem o uso do mecanismo exional. A Gramática
Normativa nos apresenta substantivos masculinos e femininos e estabelece que os substantivos também podem ser:
Sobrecomuns – nomes de um só gênero gramatical que se aplicam indistintamente a homens e mulheres.

Exemplos: o cônjuge, a ferrugem, a criatura, a criança, o indivíduo, a pessoa, o ser, a testemunha, a vítima, entre outros.

Eles se enquadram na subcategoria do feminino ou do masculino, uma vez que os determinantes que os acompanham
terão que apresentar um ou outro gênero. ‘O cônjuge’, independentemente do sexo do referente, será sempre do gênero
masculino; ‘a criança’ será sempre do gênero feminino.
Comum de dois gêneros 

substantivos que têm uma só forma para os dois sexos e necessita de um determinante para distinguir se o referente é
masculino e feminino. Nesse caso, a marcação de gênero é sintática e não morfológica, porque a categoria de gênero
será expressa pelo determinante.

A marcação de gênero pode ser redundante, já que pode se encontrar tanto pela presença do morfema exional quanto
pela presença do determinantes.

Exemplo: o menino, a menina. Temos a presença do artigo (o/a) e do morfema zero e da desinência de gênero.

Também pode determinar o gênero somente através de determinantes, ou seja, sintaticamente, como fazemos no par o
dentista / a dentista.

Dentista – o [a] nal dos substantivos comuns de dois gêneros não deve ser considerado desinência de feminino, já que
no masculino ele também está presente.

Trata-se de um [a] temático que elimina a desinência [a] pelo fenômeno da crase. Assim: dentista +a = dentistaa ->
dentista.

Exemplos: o estudante / a estudante; o mártir/ a mártir

O substantivo comum de dois gêneros e a questão do referente

Exemplo: os meninos foram as principais vítimas do acidente.

O gênero feminino de vítimas é indicado pelo determinante as. A ideia de sexo está no lexema meninos.

Testemunha: é sempre gênero feminino, quer se trate de homem ou de mulher. Só se sabe pelo referente.

Exemplo: a testemunha chegou atrasada. Ela usava um lindo vestido preto.

Epicenos 

Representam nomes de animais a que são agregadas as formas macho/fêmea para distinção de sexo.

Cabe aqui uma crítica. Nesses substantivos, o gênero ca privativamente masculino ou feminino.

Koch e Silva (1989, p. 42) a rmam que “Não cabe também falar em uma distinção de gênero expressa pelas palavra
macho e fêmea , não só porque o acréscimo não é obrigatório (podemos falar em cobra e tigre sem acrescentar os
aposto), mas também porque o gênero não muda com a indicação precisa de sexo (continua-se a ter cobra macho no
feminino, como assinala o artigo a e o tigre fêmea no masculino, conforme indica o artigo o.”

Exemplos: Jacaré macho/ cobra fêmea.


Divisão proposta em Monteiro (2002, p. 85) :

I
Nomes de gênero único: Não podem ser mor camente considerados masculinos ou femininos porque lhes falta o traço
desinencial contrastivo. A inexistência de oposição na estrutura mór ca é compensada por oposições na estrutura sintática.

Exemplos: abelha ferrugem cônjuge onça pulga mesa indivíduo pessoa soprano personagem ferrugem: a abelha, a onça, a
pulga, o cônjuge. Soprano no dicionário é comum de dois gêneros: o soprano / a soprano.

‘Vítima”: O homem foi atropelado por outro homem. Sabe-se que a vítima encontra-se hospitalizada, mas passa bem.”
(Gênero feminino / sexo masculino).

II
Nomes de dois gêneros sem exão:

Exemplos: aprendiz, colega, personagem, solista: o aprendiz/ a aprendiz; o colega / a colega; o solista / a solista; o
personagem / a personagem (AURÉLIO, 1986, 1316).

III
Nomes de dois gêneros com exão redundante:

Exemplos: chefe, saco, chinelo, aluno, mestre, pavão, professor: o chefe / a chefa; o aluno / a aluna; o mestre / a mestra; o
pavão/ a pavoa; o chinelo / a chinela. (‘Chinela’ veio primeiro: ‘cianela’, italiano)

Signi cados de nomes no feminino


Embaixadora e Trabalhadora e Imperadora e imperatriz:
embaixatriz: trabalhadeira: Imperadora = esposa do
Embaixadora = representante Trabalhadora = aquela que imperador;
diplomática; trabalha como empregada de
alguém; Imperatriz = aquela que governa
Embaixatriz = esposa do
embaixador. Trabalhadeira = mulher que gosta
de trabalhar, cuidadosa.

Nomes que mudam de signi cado quando se muda o gênero

A cabeça (parte do corpo) x o cabeça (líder) A rádio (a estação ) x o rádio (aparelho)

A capital (cidade) x o capital (dinheiro)


Referências

AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. Publifolha Houaiss, SP, 2008.


BASILIO, Margarida. Teoria lexical. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.CAMARA Jr. J.M. Estrutura da Língua Portuguesa. Petrópolis,
RJ: Vozes, 1982.

CARONE, Flávia. de Barros. Morfossintaxe. 9. ed. São Paulo: Ática, 2000.KEHDI, Valter. Formação de palavras em português.
4.ed. São Paulo: Ática, 2007.

RIBEIRO, M.P. Gramática Aplicada da Língua Portuguesa: uma comunicação interativa., RJ: Metáfora, 2005.ROSA, Maria Carlota.
Introdução à morfologia. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

VILELA, Mario; KOCH, Ingedore Villaça. Gramática da língua portuguesa. Coimbra: Almedina, 2001.

Próxima aula

Processos de formação de palavras.

Distinção entre os processos de exão e derivação, as relações verbais e nominais.

Retomaremos questões como número, gênero etc.

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Morfologia Portuguesa

Aula 5: Processos de formação de palavras I

Apresentação
Nesta aula, você vai aprender que as noções de derivação e de exão são importantes no que tange aos processos de
formação de palavras na nossa língua. Além de veri car aspectos relativos à exão verbal e à exão nominal bem como
questões importantes acerca de gênero, número etc.

Objetivos
Identi car o conceito de exão X derivação;

Distinguir exão verbal e exão nominal;

Veri car questões relevantes acerca das noções de número e gênero;

Veri car o conceito de grau em português.

Nas aulas de Morfologia dos ensinos fundamental e médio,


aprendemos sempre que há classes de palavras variáveis e
outras invariáveis. Além disso, veri camos que podemos
formar novas palavras a partir de elementos conhecidos da
língua. Tudo isso diz respeito ao fato de as palavras da
língua passarem por dois processos: derivação e exão. 

Entretanto, é preciso diferenciar essas duas noções, uma


vez que a exão, em linhas gerais, ocorre independente da
vontade do falante, enquanto que a derivação se faz
necessária somente a partir de uma decisão de quem fala
ou escreve.

 Fonte: Shutterstock Por LStockStudio


Mattoso Camara Jr (1972) distinguia dois processos, retomando o
que o gramático latino Varrão (116 aC – 26 aC):

1
Derivatio voluntaria - Cria novas palavras; caráter fortuito e desconexo do processo. Com efeito, as palavras derivadas não
obedecem a uma pauta sistemática e obrigatória para uma classe homogênea do léxico. Ex.: cantar-cantarolar, mas para
falar ou gritar não existem as formas falarolar ou gritarolar. Os morfemas gramaticais de derivação não constituem assim
um quadro regular, coerente e preciso. Acresce a possibilidade de opção, para usar ou deixar de usar o vocábulo derivado. Os
su xos derivacionais criam novos vocábulos.

2
Derivatio naturallis – para indicar modalidades especí cas de uma dada palavra. A exão indica que um dado vocábulo se
dobra a novos empregos, havendo obrigatoriedade e sistematização coerente. Apresenta-se em português sob o aspecto de
segmentos fônicos propostos ao radical como, por exemplo, em caixa/caixas e em gato/gata, em que se acrescentaram os
su xos exionais ou desistências de número para o primeiro par de palavras e de gênero para o segundo par.

Saiba mais

Para saber mais sobre Varrão e sua obra, veja uma tese a respeito do seu “Livro VII” e sua vida.

Dessa forma, podemos chegar à conclusão da


sistematicidade do processo de exão versus a
assistematicidade da derivação. Na exão, o falante não
consegue criar: se o –s é a marca do plural em português, o
falante não poderá expressá-lo, trocando o –s por –i, por
exemplo, de “carros” dizer “carroi”, etc. Na derivação, devido
à sua assistematicidade e imprevisibilidade, a língua pode
ser recriada e enriquecida por conta da atuação e das
necessidades de comunicação de seus usuários.

Em outras palavras, a exão é obrigatória, pois não há outra


opção no sistema da língua. A derivação é voluntária, em
razão de sua possibilidade criadora.
 Fonte: Alex Suprun on Unsplash

Flexão e derivação
A distinção entre exão e derivação é perceptível quando se pode conceituar e analisar o vocábulo pelo seu signi cado e sua
forma.

1 2

Flexão Derivação
É obrigatória devido à concordância que antecederá a palavra, Pode alterar a categoria da palavra resultante, mas a exão
o que faz da derivação um processo sem preocupação não muda a classe da palavra que resulta.
obrigatória.

Dentre as distinções do processo de exão e derivação está a


produtividade dos processos, ou seja, a ausência de marcas exionais
nos dá palavras incompletas; não há o mesmo tipo de obrigatoriedade
para a derivação. Outra marca para distinguir esses dois processos é
a regularidade. Um novo nome em português faz prever que o que
distingue esses dois processos é a regularidade: esse novo nome em
português pode ter plural ou feminino, mas não obrigatoriamente terá
derivados em –ista ou –oso, já que a exão é previsível enquanto a
derivação é imprevisível.

Flexão nominal e verbal

O processo de exão apresenta duas características essenciais: regularidade e obrigatoriedade.


1
Consiste na associação regular à base de a xos que manifestam valores obrigatórios para determinadas classes de
2 palavras da língua.

A associação dos a xos são obrigatórios para determinadas classes de palavras da língua.
3
O vocábulo “ exão” é a tradução do termo alemão “biegung” que signi ca curvatura, desdobramento. Por isso,
podemos a rmar que um vocábulo pode se “desdobrar” em outras aplicações por meio do fenômeno gramatical da
4
exão.

Entretanto, a exão, de acordo com Câmara Jr. (1972:71), ocorre por meio de acréscimo de segmento fônico ao
5 radical chamado su xo exional ou desinência.

O acréscimo de pre xo e/ou su xo fará com que tenhamos outro processo: a derivação.
6

Dessa forma, podemos a rmar que a exão nominal, nosso ponto de interesse nesta parte da aula, dá-se nas classes de
palavras a que denominamos de variáveis, principalmente no que concerne aos substantivos e adjetivos. Muitos autores, como
(KOCH; SILVA, 2005), por exemplo, adotam o termo adjetivo englobando todos os outros determinantes do substantivo, como
os pronomes, artigos, numerais e o próprio adjetivo, uma vez que podemos perceber a exão dessas classes em número, pelo
menos.

O – oS / ele – eleS / primeiro – primeiroS etc.

"Funcionalmente, muitos dos nomes podem ser, conforme o


contexto, substantivos (termos determinados) ou adjetivos
(termos determinantes). Assim, no enunciado um diplomata
mexicano, o segundo vocábulo é substantivo e o terceiro
adjetivo, já em um mexicano diplomata dá-se o inverso."
- KOCH; SILVA.

Todavia, podemos a rmar que há nomes que são essencialmente substantivos e outros essencialmente adjetivos no que tange
aos seus usos funcionais?

Koch e Silva (2005) a rmam que sim, mas, “a distinção funcional não é
absoluta”. Se nos voltarmos para nosso mestre Machado de Assis, o
narrador de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” a rma não ser um “autor
defunto”, mas um “defunto autor”. Isso nos mostra que a categorização de
um nome em substantivo ou adjetivo depende não só de sua forma, mas,
principalmente, de seu uso na frase.

Flexão nominal em termos formais


No âmbito formal, substantivo e adjetivo, via de regra, apresentam diferenças muito pequenas. Tanto um quanto outro são
marcados por vogais temáticas , desinências de gênero e de número, vejamos:
1 2

Mestre Menina
E = vogal temática (substantivo ou adjetivo). A = desinência de gênero + Morfema zero apontando o
singular.

Meninas
S = desinência de número.
Obs.: Para revisar os morfemas e seus tipos, favor rever as
aulas 3 e 4.

A exão de gênero
Sabe-se que em Língua Portuguesa há dois gêneros: masculino e feminino. Formalmente, costuma-se a rmar que –o marca
masculino, como em GAROTO, e o –a feminino, como em GAROTA.

"Tal exão ( a de gênero) opera através do acréscimo do


morfema exional –a átono nal à forma masculina. Quando
a forma masculina é atemática, há simplesmente o acréscimo
mencionado: peru – perua  autor – autora; mas, quando tal
forma termina em vogal temática como pombo, parente, essa
vogal é suprimida, através de uma mudança morfofonêmica,
decorrente do acréscimo do morfema –a: pombo –o + a =
pomba; parente –e + a = parenta.”"
- Koch e Silva (2005:48).
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A partir dessa explicação, podemos a rmar que o masculino seria a forma não marcada, uma vez que a desinência nominal de
gênero seria somente –a, o que nos dá um morfema zero na forma masculina. Além disso, trata-se de um fator de economia
linguística e há outras maneiras de se apresentar o masculino, como em PROFESSOR. O masculino só é veri cado pela
ausência da desinência nominal de gênero –a, presente em PROFESSORA.

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Há, ainda, as palavras cujo gênero só pode ser marcado pelo uso de um determinante, uma vez que a vogal nal marca
somente a classe gramatical da palavra, como criança, mestre, bico etc. Não há oposição entre masculino e feminino, como
em MENINO e MENINA. Dessa forma, rati camos que a vogal –o de MENINO e de BICO, o –a de CRIANÇA e o –e de MESTRE
são vogais temáticas, e não desinências de gênero.

A respeito das vogais temáticas e da desinência de gênero, advoga Henriques (2007:68): “É certo que o


papel gramatical dessas vogais não tem uma delimitação especí ca como nos verbos. Interessa, porém,
descrever de que forma ocorrem, para então se chegar à constatação de que essas vogais se caracterizam
nos nomes por sua posição postônica nal, o que as aproxima das desinências de gênero, igualmente
postônicas nais  (A e O), tornando necessário distinguir com clareza umas e outras.”

Tal a rmação de Henrique nos de agra um problema metateórico da consideração da vogal –o de


MENINO, por exemplo, como vogal temática ou como desinência de gênero. Se considerarmos Câmara Jr.
(1972), Koch e Silva (2005), entre outros autores, veremos que o masculino é a forma não marcada e, o
feminino a forma marcada. Já Henriques (2007), como vimos anteriormente, entre outros, consideram a
vogal –o desinência de gênero.

Entretanto, o próprio Henriques (2007:68-69) apresenta citações de diversos autores que são quase

 unânimes em considerar somente –a desinência de gênero e para o masculino, temos o morfema zero, a
forma não marcada, o que nos parece o posicionamento mais coerente, uma vez que nem todos os nomes
masculinos são marcados pelo –o, como já veri camos acima.
O mesmo autor propõe uma classi cação alternativa, a partir do seguinte quadro:

Terminação Gênero da palavra Análise

-a (átono) Feminino DG

-a (átono) Masculino VT

-e (átono) (irrelevante) VT

-o (átono) Masculino DG

-o (átono) Feminino VT

Segundo o autor, com essa proposta de classificação, apenas um número mínimo de palavras não teria desinência de gênero, que seriam
aquelas em que a vogal átona final não coincide com o gênero da palavra. Ele fornece-nos alguns exemplos, como: O diademA; O
genomA; O gramA, entre outros.

Gênero X Sexo
Outro ponto delicado no que tange à exão nominal é a confusão entre gênero e sexo, uma vez que masculino e feminino são
adjetivos desses dois termos. 

Além disso, não podemos dizer que MESA e RETRATO, por exemplo, são do SEXO feminino e masculino, respectivamente, só
porque são do GÊNERO feminino e masculino. Koch e Silva (2005:49) fornecem-nos dois argumentos contrários à interpretação
de gênero relativo ao sexo seres, vejamos:

 
1 2

O gênero abrange todos os nomes substantivos portugueses, O conceito de sexo não está necessariamente ligado ao de
quer se re ram a seres animados, providos de sexo, quer gênero: mesmo em substantivos referentes a animais e
designem apenas “coisas”, como: mesa, ponte, tribo, que são pessoas há algumas vezes discrepância entre gênero e sexo.
femininos (precedidos do artigo a) ou sofá, pente, prego, que Assim, a testemunha, a cobra são sempre femininos e o
são masculinos (precedidos pelo o); cônjuge, o tigre, sempre masculinos, quer se re ram a seres do
sexo masculino ou feminino.

Dessa forma, podemos contestar algumas gramáticas, principalmente as escolares, no que tange à classi cação dos
substantivos em epicenos, sobrecomuns ou comuns de dois gêneros.

De acordo com Cegalla (2005:138): 


Epicenos Sobrecomuns Comuns de dois gêneros
Designam certos animais e têm Designam pessoas e têm um só Sob uma só forma, designam os
um só gênero, quer se re ram ao gênero, quer se re ram a homem indivíduos dos dois sexos. São
macho ou à fêmea. Quando se ou a mulher.  Ex.: a criança – o masculinos ou femininos, a
quer indicar precisamente o sexo, neném.  depender do determinante que os
usam-se as palavras macho ou acompanha. 
fêmea.  Ex. – o colega X a colega; o fã X a
Ex.: a onça macho X a onça fã.
fêmea. 

Primeiramente, porque tal classi cação leva, necessariamente, em consideração o sexo dos seres, o que já vimos ser
improcedente. Além disso, exão é uma característica formal, morfológica das palavras, e tal classi cação leva em conta
critérios semânticos, uma vez que devem ser consideradas características externas à palavra.

"É comum lermos em nossas gramáticas que mulher é o


feminino de homem. A descrição exata é dizer que o
substantivo mulher é sempre feminino, ao passo que outro
substantivo, a ele semanticamente relacionado, é sempre do
gênero masculino. (…) Da mesma sorte, não cabe para os
substantivos epicenos (…) falar numa distinção de gênero
expressa pelas palavras macho e fêmea. Em primeiro lugar, o
acréscimo não é imperativo e podemos falar (como
usualmente fazemos) em cobra e tigre sem acrescentar
obrigatoriamente aqueles termos. Em segundo lugar, o
gênero não mudou a indicação precisa do sexo. Continuamos
a ter a cobra macho (…) o tigre fêmea.”"
- Câmara Jr. (1972:79).

A exão de número
No que concerne à exão de número, parece-nos algo muito mais simples e coerente, uma vez que se trata da oposição entre 1
e mais de 1 elemento/indivíduo, o que é formalmente marcada pela presença ou ausência da desinência –s e alguns alomorfes,
como veremos agora.

Henriques (2007:76): Koch e Silva (2005:52): Câmara Jr (1972:84):


“constata-se com facilidade que o Apontam para duas exceções à Chama a nossa atenção para outra
reconhecimento do plural será feito oposição 1 mais de 1 indivíduo, a forma de alomor a no que diz
através do acréscimo de um saber: respeito ao plural, que não é
morfema. A partir disso, podemos • A situação especial dos coletivos, fonologicamente condicionada,
a rmar que a marca de singular em que a forma singular envolve mas se dá por razões puramente
em nossa língua é a ausência uma signi cação de plural, e morfológicas.
(morfema zero) e que só no plural Continue lendo... Continue lendo...
haverá a representação grá ca
propriamente dita.”
Continue lendo...

A questão do grau


Tradicionalmente, a rma-se que o substantivo varia em gênero, número e grau. A
pergunta é: será que podemos falar em grau como exão? 

Se considerarmos que a exão, como vimos no início de nossa aula, é

 gramaticalmente motivada, veremos que a resposta é não. Uma vez que usar o
aumentativo ou o diminutivo pode ser mera opção do falante. Observe.

Considerada um tipo de exão por alguns gramáticos e um tipo de derivação pelos


linguistas, a exão de grau é discutida entre os estudiosos pelo questionamento

 em caracterizá-la com um tipo de derivação ou de exão. É comum incluírem-se


nas relações dos su xos derivacionais os a xos caracterizadores de grau
(aumentativo e diminutivo).

Por isso, os linguistas acreditam que não cabe falar em “ exão de grau” pois não
deveríamos incluir no processo de exão su xos derivacionais que podem indicar

 a categoria do grau, tendo em vista que a exão é um fenômeno em que se


acrescentam a xos ao radical ou à própria palavra. Parte-se do pressuposto que a
colocação de su xos ao radical consiste em ser um tipo de derivação.
"(...) Anote-se a propósito que o conceito semântico de grau
abrange tanto os superlativos como os aumentativos e os
diminutivos. Por isso, Otoniel Motta considerou aumentativos
e diminutivos uma <> dos substantivos, pelo exemplo dos
superlativos, porque não ousou considerar os superlativos
uma derivação, como são logicamente considerados
aumentativos e diminutivos por toda gente. A expressão de
grau não é um processo exional em português, porque não
é um mecanismo obrigatório e coerente, e não estabelece
paradigmas exaustivos e de termos exclusivos entre si. A sua
inclusão na exão nominal decorreu da transposição pouco
inteligente de um aspecto da gramática latina para a nossa
gramática.”"
- Mattoso Camara Jr (1972: 83).

Assim, tem-se que alguns autores consideram que o morfema gramatical de grau não é um caso de exão, e sim de
derivação. Os adjetivos portugueses tristíssimo para triste, facílimo para fácil e, nigérrimo para negro, que as gramáticas
costumam de nir como processo de exão de grau, não apresentam um mecanismo obrigatório, coerente e exaustivo e
de termos exclusivos entre si. Do mesmo modo os graus aumentativo e diminutivo para os substantivos não podem ser
considerados uma categoria gramatical como o são, por exemplo, as categorias de gênero e número.

 Fonte: ElasticComputeFarm por Pixabay

"“Tanto o diminutivo quanto o aumentativo, em sua função


central de indicar uma dimensão menor ou maior daquilo que
é considerado implicitamente como um padrão normal,
apresentam também uma função de expressar uma atitude
emocional do falante [...] o tamanho de um ser que pode ser
expresso de maneira neutra pela aposição de adjetivos como
‘grande’ ou ‘pequeno’, passa a ser expresso de uma maneira
subjetiva [...]”"
- Basílio (1991:84).
Exemplo

(a) João comprou um apartamento grande.


(b) João comprou um apartamentão.

A exão verbal
A exão verbal indica noções gramaticais e semânticas diversas, como por exemplo, tempo, modo, pessoa, número e
aspecto. No que tange ao seu aspecto formal, resumidamente, temos:

PALAVRA fal a va m

CLASSIFICAÇÃO RAIZ VOGAL TEMÁTICA DESINÊNCIA MODO DESINÊNCIA NÚMERO


TEMPORAL PESSOAL

FUNÇÃO elemento que é elemento que enquadra o radical em elemento que indica elemento que indica o
a base do uma classe (verbo ou substantivo, por o modo e tempo do número (plural) e a pessoa
significado exemplo) verbo (3ª) do verbo

Vejam que todos os morfemas exionais do nosso exemplo estão expressos por uma necessidade gramatical, o que comprova
o caráter exional dos verbos. Resumidamente, temos:

TEMA (RADICAL + VOGAL TEMÁTICA) + DESINÊNCIAS


FLEXIONAIS (DMT + DNP)
Entretanto, qualquer elemento dessa fórmula, exceto o radical, pode faltar ou
sofrer variações formais, a não ser por casos de alomor a, como pode ocorrer
no caso dos verbos irregulares.

Não vamos nos alongar no que diz respeito a esses morfemas formadores
dos verbos, pois já os estudamos nas duas aulas anteriores a essa, as aulas 3
e 4.

Vamos, por conseguinte, tratar de algumas considerações relevantes a respeito do comportamento exional dos verbos.

Henriques (2007:32-34) mostra-nos uma oposição formal entre a 1ª conjugação, marcada pela vogal temática – A, e a 2ª e 3ª
conjugações, com VT – E e – I. Tal noção nos parece coerente, uma vez que temos CANTAVA – VENDIA – PARTIA, por
exemplo. As três formas verbais estão no pretérito imperfeito do modo indicativo, na primeira pessoa do singular e a DMT é a
mesma em VENDIA e em PARTIA. O mesmo ocorre com todas as outras pessoas destes verbos nesse mesmo tempo, bem
como no pretérito perfeito, no futuro do presente etc.

A exão verbal nos oferece um modelo razoavelmente regular, no que tange às estruturas paradigmáticas dos verbos. Isso,
segundo Henriques (2007:39), possui nalidades práticas que são:
1 2

Formatar todos os verbos da língua portuguesa conforme sua Identi car qualquer irregularidade existente na exão de um
conjugação, substituindo-se apenas o radical de um pelo verbo, esteja ela na mudança do radical no in nitivo (soub-
radical de outro; emos), no apagamento de uma desinência (coube-Ø), no
reaparecimento de uma vogal temática (sa-i-am), na mudança
do timbre da vogal temática ( z-e-sse), no deslocamento da
sílaba tônica (est-ou).

Saiba mais

Veja o paradigma para a conjugação dos verbos regulares em Português.

Verbos Irregulares
São aqueles que não obedecem ao paradigma dos chamados verbos regulares. Dessa forma, teríamos: VERBOS TERMINADOS
EM – EAR

Clique nos botões para ver as informações.

1° conjugação: 

Verbos em –EAR - Os verbos terminados em -ear, como passear, recear, cear, etc. sofrem o acréscimo de um i no radical
das formas rizotônicas, isto é, nesses verbos se intercala um i entre o radical e a desinência quando o acento cai no e, o
que se dá nas três primeiras pessoas do singular e na 38 pessoa do plural do presente do indicativo e do subjuntivo, e na
28 pessoa do singular do imperativo:
PASSEAR:
2° conjugação: 

VERBO CABER:

3° conjugação: 

VERBO ABOLIR

Esse verbo é defectivo nas formas em que ao L do radical seguiria a ou o, o que ocorre apenas no presente do indicativo e
seus derivados. Assim também são conjugados os verbos: banir, brandir, carpir, colorir, comedir-se, delir, demolir, extorquir,
esculpir, delinquir etc.
Notas

O que é a xo?

Bechara (2000:339), “Pre xos e a xos recebem o nome de a xos; são pre xos os a xos que se antepõem ao radical e su xos
os que se lhe pospõem.” 

Azeredo (2010:449) advoga que “A derivação padrão se faz por meio de a xos (pre xos e su xos), ao passo que a exão
padrão é expressa por meio de desinências.” 

Já Castilho (2010:664) considera o processo a que chama de a xação como “Processo das línguas exivas em que sílabas
curtas (=a xos) se agregam a uma raiz, formando o radical. Os a xos mais importantes são os pre xos (…) e os su xos(…).”

vogais temáticas

No que diz respeito à vogal temática, podemos ter, para os nomes, -a, -e, ou –o, como em: criançA, mestrE e medO,
respectivamente. Entretanto, não podemos a rmar que só temos nomes terminados por essas vogais, uma vez que podemos
ter nomes atemáticos, ou seja, palavras terminadas por consoantes ou por vogais tônicas, como em jiló, urubu, protetor,
freguês etc. A presença da vogal temática não é su ciente para marcar um nome.

Azeredo (2009:71) a rma que “existem vogais temáticas nominais, que enquadram substantivos, adjetivos e pronomes em três
classes temáticas”. Entretanto, segundo o autor, “Nomes terminados em vogal tônica e em consoante não apresentam vogal
temática, por isso se chamam atemáticos.

” Outra noção importante de Azeredo é a de que a vogal temática é um morfema gramatical que se junta ao radical para
enquadrar a palavra numa classe formal. Todavia, uma vez que a vogal temática não é su ciente para dar a classe de uma
palavra, podemos a rmar que essas vogais podem enquadrar as palavras na classe geral dos nomes.

Henriques

Outro ponto importante diz respeito a palavras que são atemáticas no singular, por razões fonológicas, mas receber de volta a
vogal temática no plural oi ainda tê-la novamente suprimida pelas mesmas razões fonológicas. É o caso de palavras
terminadas em l, r, s e z, como em:

ANIMAL – ANIMALES – ANIMAIS


MAR – MARES
FREGUÊS – FREGUESES
PAZ – PAZES

Koch e Silva

• a de certos nomes em que a forma de plural refere-se a um conceito linguisticamente indecomponível, como em óculos,
núpcias, algemas etc.
Assim como na exão em gênero, o número possui a forma do singular não marcada (morfema zero) e a forma do plural
marcada pela desinência de gênero –s que está assim presente em nomes terminados no singular em:

a) Vogais – porta – portas; bolo – bolos etc.


b) Ditongos orais: céu – céus etc.
c) Ditongos nasais átonos e alguns tônicos: benção – bênçãos; irmão – irmãos.

Essa seria a regra geral do plural em Português. Todavia, temos casos de alomor a, por conta da complexidade nesse tipo de
exão no que tange às mudanças morfofonêmicas que podem ocorrer. Assim ocorre com nomes terminados em –r, z- e –n,
precedidos de vogal tônica, que formam o plural com o acréscimo do alomorfe –es, como em país – países; radar – radares;
vez – vezes.

Entretanto, há outros casos de alomor a, a saber: 

• Nomes terminados em –l, precedidos de vogal diferente de –i – plural em –is: coronel – coronéis; caracol – caracóis; azul –
azuis.
• Nomes terminados em –l precedidos de vogal –i, a mudança morfofonêmica irá depender da tonicidade da vogal. Se tônica,
haverá crase, como em ANIL – ANIIS – ANIS. Se átona, há regressão de I para E, como em FÓSSIL – FÓSSIIS – FÓSSEIS.
• Nomes terminados em X e S, precedidos de vogal átona – a oposição singular X plural só é veri cada pelo contexto: O/OS
TÓRAX; A/AS CÚTIS.
• Nomes cuja vogal média tônica é o O fechado. Além do acréscimo de –S, troca-se o fonema fechado pelo aberto, como em
ESFORÇO – ESFORÇOS; CORPO – CORPOS. São os chamados plurais metafônicos.

Koch e Silva (2005:53-54) revela-nos ainda que:

“A simplicidade estrutural na descrição de número só é até certo ponto perturbada pela possibilidade de variação, sem nenhum
condicionamento fonético, dos vocábulos terminados em –ão. Certo número deles forma o plural com o acréscimo do
morfema –s (todos os paroxítonos e um número pequeno de oxítonos: sótão-sótãos, cristão-cristãos); a maioria (nesse grupo
incluem-se os aumentativos), além do acréscimo o –s, apresenta alternância da vogal e da semivogal (balão – balões; ladrão  -
ladrões; valentão – valentões); e, nalmente, um número reduzido apresenta, além do –s, uma alternância  da semivogal
(alemão – alemães; capelão – capelães).”

Câmara Jr

É o caso das palavras como SIMPLES e OURIVES, em que o plural só é estabelecido mediante a concordância com algum outro
elemento, vejamos:

FLOR SIMPLES x FLORES SIMPLES


OURIVES PERITO x OURIVES PERITOS

Observe

 -mente, -ense, -íssimo: formam palavras, enriquecem o léxico, possibilitam o indivíduo a escolha de uma forma vocabular.
Esses elementos não têm a mesma função na língua portuguesa que elementos como –s.

-a ou –va (categorizadores de número e gênero dos nomes e de tempo e aspecto e modo nos verbos. Indicam modalidades
especí cas das palavras, são elementos de caracterização exclusiva (ex: singular/plural).
Em relação à exão de grau, tem-se que o substantivo pode apresentar três graus: normal, diminutivo, e aumentativo. Em
relação ao par diminutivo/aumentativo há duas possibilidades de formação – a adjunção de su xos (processo morfológico) ou
o emprego de determinantes que modi quem o conteúdo semântico com o acréscimo das noções de grandeza ou pequenez
(processo sintático)

Referências

AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. Publifolha Houaiss, SP, 2008.

BASILIO, Margarida. Teoria lexical. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.CAMARA Jr. J.M. Estrutura da Língua Portuguesa. Petrópolis,
RJ: Vozes, 1982.

CARONE, Flávia. de Barros. Morfossintaxe. 9. ed. São Paulo: Ática, 2000.KEHDI, Valter.  Formação de palavras em português.
4.ed. São Paulo: Ática, 2007.

RIBEIRO, M.P. Gramática Aplicada da Língua Portuguesa: uma comunicação interativa., RJ:  Metáfora, 2005.ROSA, Maria
Carlota. Introdução à morfologia. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

VILELA, Mario; KOCH, Ingedore Villaça. Gramática da língua portuguesa. Coimbra: Almedina, 2001. 

Próxima aula

Você ampliará seus conhecimentos acerca da noção dos processos de formação de palavras tal como nas gramáticas
normativas em geral.

Veremos a diferença entre os processos de derivação e composição, bem como os outros processos que formam
palavras em nossa língua.

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Morfologia Portuguesa

Aula 6: Processos de formação de palavras II

Apresentação
Como já vimos em outras aulas, as pessoas comunicam-se por meio das palavras ao utilizarem a linguagem verbal.
Certamente, tal a rmação parece simples, mas aparências enganam! 

Vamos estudar dois processos muito úteis para a formação das palavras em nossa língua. São tão produtivos que, ao
criarmos uma palavra qualquer, geralmente o fazemos por meio desses dois processos, derivação e composição.

Objetivos
Identi car e analisar os dois processos básicos de formação de palavras: a derivação e a composição;

Diferenciar a derivação e a composição e depreender suas subdivisões.

"São dois os processos principais de formação de palavras


em português: a composição, onde se agrupam radicais
diferentes na formação de um novo vocábulo, e a derivação,
onde ao radical da forma primitiva se acrescenta um a xo
qualquer.”"
- Henriques (2007, p.113).

Basílio (2007, p. 33-34) a rma que o que caracteriza o processo da composição é a sua estrutura, uma vez que as bases, ou
seja, os radicais que se unem para formar a nova palavra têm seu papel de nido pela estrutura. Observe:

Palavras formadoras Palavra composta formada Significado

amor + perfeito amor-perfeito nome de uma flor


amor e perfeito amor perfeito um sentimento amoroso

COMPOSIÇÃO consiste em produzir palavras compostas a partir de palavras


simples. Palavras simples são aquelas em que existe um único radical como
AMOR e PERFEITO. Para produzir uma palavra composta, é necessário
estabelecer o signi cado das palavras formadoras isoladamente e
desvinculá-lo das palavras simples da nova palavra formada para surgir um
novo signi cado. A noção de palavra composta surge do fato de termos
mais de uma base, ou seja, mais de um radical na formação da nova palavra.

Isso é observável, segundo a autora, quando a palavra composta é formada por dois substantivos ou por um verbo +
substantivo. No primeiro caso, o segundo substantivo será um modi cador do primeiro, cabendo a ele uma função adjetiva. Já
no caso verbo + substantivo, a classe nominal parece funcionar como objeto direto do verbo. Vejamos:

1 2

Sofá-cama (cama é a função do sofá, sua característica) Mata-mosquito (mosquito é o complemento do verbo matar,
que é transitivo direto)

Já Azeredo (2010, p. 99-98), em seu livro Fundamentos de Gramática Portuguesa, acrescenta-nos as características
gramaticais e semânticas da composição, a saber:
CARACTERÍSTICAS CARACTERÍSTICAS
GRAMATICAIS SEMÂNTICAS
“Uma palavra composta é vista “Uma palavra composta é
como uma estrutura xa, um interpretada como uma nova
sintagma bloqueado unidade de signi cado. Este
gramaticalmente reinterpretado signi cado novo pode ser
como uma unidade lexical nova. entendido, muitas vezes, como a
Seus componentes não sofrem soma dos signi cados
elipse.” particulares dos lexemas
componentes.”

Composição
Existem dois tipos de composição:

Clique nos botões para ver as informações.

Composição por JUSTAPOSIÇÃO 

consiste em formar palavras compostas que cam lado a lado, ou seja, juntam-se dois ou mais radicais, justapostos, sem
perda de letras ou sons.  Em outras palavras, não há redução alguma dos morfemas que formam a nova palavra.

Henrique (2007, p. 113) advoga que ocorre supercomposição “quando se reúne num único vocábulo formal um verdadeiro
conglomerado de radicais, como vemos em três substantivos que servem de nome para uma ave da Amazônia (adivinhe-
quem-vem-hoje, gente-de-fora-já-chegou, gente-de-fora-vem), no nome da planta “comigo-ninguém-pode” ou em
neologismos ocasionais (…)” 

Outro aspecto importante da composição por justaposição decorre do fato de as palavras poderem ser formadas com ou
sem hífen. Muitas pessoas pensam que todas as palavras formadas por esse processo possuem hífen, o que NÃO é
verdade!

Podemos a rmar que todas as palavras compostas com hífen são por justaposição, mas o oposto não é verdadeiro, ou
seja, nem todas as palavras formadas por justaposição são com hífen. Nos exemplos a seguir, TODAS as palavras são
formadas por JUSTAPOSIÇÃO:

mandachuva, passatempo, guarda-pó, pé-de-galinha, cachorro-quente.


Composição por AGLUTINAÇÃO 

consiste em formar palavras compostas nas quais pelo menos uma das palavras (radical/base) perde a sua integridade
sonora, ou seja, pelo menos um dos vocábulos formadores sofre alterações de ordem fonética ou fonológica. Observe os
exemplos abaixo:

planalto = plano + alto

vinagre = vinho + acre

Derivação
DERIVAÇÃO é a formação de vocábulos por meio do acréscimo de pre xos e su xos ao radical. Convém, neste caso,
falarmos em palavra primitiva e palavras derivadas.  Na aula 5, vimos a diferença entre exão e derivação. A exão é fruto
de uma necessidade gramatical (derivatio naturlais).

Já a derivação é fruto da criação do falante atendendo à determinada necessidade comunicativa, mas não gramatical
(derivatio voluntaria).

Trata-se de um processo muito produtivo na língua, pois muitas novas palavras podem ser criadas.

 Fonte: Sandrachile . on Unsplash

Leitura

Leia a pesquisa Morfológica e Castilhamente: um Estudo das Construções X-mente no Português do Brasil acerca da
produtividade da derivação. Que trata da produtividade do su xo –mente formador de advérbio.

Observe:

Palavras primitivas (aquelas que na língua Palavras derivadas (aquelas que na língua
portuguesa não provém de outras palavras) portuguesa provém de outras palavras)

pedra pedreiro, pedraria, pedregulho

flor florido, florescer, aflorado

A derivação pode ser classi cada em: 


Derivação pre xal (pre xação): a palavra nova é formada pelo acréscimo de um pre xo ao
radical.

In + comum= incomum

Des + leal = desleal 

Derivação su xal (su xação): a palavra nova é formada pelo acréscimo de um su xo ao


radical. 

Feliz + mente = felizmente

Leal + dade = lealdade

Derivação pre xal e su xal (pre xação e su xação): a palavra é formada por acréscimo de pre xo e su xo à palavra base, com
a possibilidade de retirar esses a xos e, ainda assim, teremos uma palavra.

Observe que se retirarmos o pre xo in, a palavra felizmente continua com o seu
signi cado e se retirarmos o su xo mente, a palavra infeliz também mantém o seu
signi cado.

Derivação parassintética (parassíntese): a palavra nova é obtida pelo acréscimo simultâneo de pre xo e su xo, que não podem
ser retirados, pois a palavra perderia o seu signi cado. Por parassíntese geralmente formam-se verbos.
Derivação regressiva e derivação imprópria:

1
Derivação regressiva: A palavra nova é obtida pela redução da palavra primitiva, ou seja, consiste na subtração de
elementos. Geralmente, esse processo forma nomes oriundos de verbos.

Atrasar - atraso →
Regressão
Embarcar - embarque →

2
Derivação imprópria: A palavra nova é obtida pela mudança de categoria gramatical da palavra primitiva. Não ocorre
alteração da forma, só da classe gramatical. Trata-se de um caso especial de derivação, uma vez que não há acréscimo ou
supressão de morfemas.

Homem-aranha → o adjetivo aranha deriva do substantivo aranha.

Outros exemplos:

• substantivo comum a próprio: Figueira, Ribeiro, Fontes;


• de substantivo/adjetivo/verbo a interjeição: Silêncio! Bravo! Viva!
• de adjetivo a substantivo: circular - ouvinte.

Estrutura das palavras


Em termos de estrutura das palavras, ocorre que algumas possuem estrutura mais complexa, conforme exempli ca Kehdi
(2007):

Segmentação da palavra DESRESPEITOSAMENTE

des respeit osa mente

Para que esta análise da formação seja realizada, recorre-se a uma análise em constituintes imediatos 1 .

Seguindo o critério de superposição de camadas, veremos, de acordo com Kehdi (2007), que a palavra em questão não é mera
sequência de morfemas, pois:
O substantivo forma recebe o su xo al para formar o adjetivo formal
que, por sua vez, recebe o su xo izar para formar o verbo formalizar.
Para a formação do substantivo formalização, temos o acréscimo do
su xo ção ao verbo formalizar. Temos, então, que esse substantivo só
poderia ser formado a partir dessa forma verbal, con rmando o
entendimento de superposição de camadas ao invés de sequência de
morfemas de uma só vez, em que não poderíamos ter o substantivo
forma sendo acrescido dos su xos al, izar e ção ao mesmo tempo,
considerando que cada um desses su xos necessita de uma base
(palavra) adequada para formar outras.

Dica

Acesse os exercícios e teste seus conhecimentos sobre o conteúdo estudado.

Notas

constituintes imediatos 1

São SUPERPOSIÇÃO DE CAMADAS, ou seja, combinação de construções que formam uma palavra ou frase.

Tomemos como exemplo a palavra formalização, que segmentada caria: 

{forma(a)}  + {al} + {iz} + {a} + {ção}

Referências

AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. Publifolha Houaiss, SP, 2008.

BASILIO, Margarida. Teoria lexical. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.CAMARA Jr. J.M. Estrutura da Língua Portuguesa. Petrópolis,
RJ: Vozes, 1982.

CARONE, Flávia. de Barros. Morfossintaxe. 9. ed. São Paulo: Ática, 2000.KEHDI, Valter.  Formação de palavras em português.
4.ed. São Paulo: Ática, 2007.

RIBEIRO, M.P. Gramática Aplicada da Língua Portuguesa: uma comunicação interativa., RJ:  Metáfora, 2005.ROSA, Maria
Carlota. Introdução à morfologia. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

VILELA, Mario; KOCH, Ingedore Villaça. Gramática da língua portuguesa. Coimbra: Almedina, 2001. 

Próxima aula
Você conhecerá um pouco mais acerca das classes gramaticais da nossa língua e verá a classe dos substantivos, dos
adjetivos, dos numerais, dos pronomes e dos artigos.

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Aula 7: Classes de Palavras I

Apresentação
Nesta aula, você vai estudar as classes de palavras, vê que os substantivos podem ser de nidos a partir de critérios
semânticos, mór cos ou funcionais, e também que os substantivos podem ser simples e compostos; primitivos ou
derivados; concretos ou abstratos; próprios e comuns; coletivos.

Além de aprender a distinguir os substantivos das demais classes e que outras classes de palavras podem funcionar
como substantivos. Estudará os adjetivos e verá que há, na Língua Portuguesa, diversas formas de se adjetivar, além do
fato de que uma mesma palavra pode funcionar como adjetivo ou como substantivo, dependendo do contexto.

Ao estudar os numerais, você vai perceber que eles podem funcionar como substantivos e adjetivos. Por m trataremos
os pronomes, os tipos de pronomes, os artigos e a distinção entre artigos e pronomes.

Objetivos
Conhecerá a classe dos substantivos;

Distinguirá os tipos de substantivos;

Diferenciará substantivos e adjetivos;

Estudará a classe dos numerais;

Conceituará e distinguir os diferentes pronomes;

Conceituará e distinguirá o artigo de nido do artigo inde nido;

Diferenciará artigo e pronome.


Classes e funções
A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), um guia criado em 1958 que contém um resumo do conteúdo a ser
utilizado nos livros de Língua Portuguesa, propõe 10 classes de palavras: substantivo, artigo, adjetivo, numeral, pronome,
verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.

 Fonte: Amador Loureiro on Unsplash

Saiba mais

A NGB é uma espécie de resumo dos conteúdos gramaticais referentes ao português falado no Brasil e funciona como um guia
para o ensino da nossa língua.

A NGB foi criada em 1958 por um grupo de estudiosos e gramáticos de muito prestígio, como Antenor Nascentes, Rocha Lima
e Celso Cunha. No ano seguinte, foi transformada em lei por uma portaria do presidente Juscelino Kubitscheck e passou a ser
utilizada obrigatoriamente nas escolas de todo o Brasil. Antes da existência dessa lei, o estudo da gramática não era uni cado
e havia muita confusão com o uso de diversas terminologias. Leia mais sobre a NGB.

Substantivos
Os substantivos, juntamente com os adjetivos, os verbos e os advérbios representam uma classe aberta em nossa língua, ou
seja, novos substantivos, novos adjetivos, novos verbos e novos advérbios são criados constantemente na língua pelos
mecanismos de que esta dispõe para formar novas palavras.
 Fonte: Shutterstock Por Rawpixel.com

Os substantivos podem ser de nidos a partir de critérios diferentes.

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Critério semântico ou nocional 

Baseia-se no modo de signi cação, extralinguístico e intralinguístico, do vocábulo. Cunha e Cintra (2008, p. 92), assim
como muitos outros gramáticos, de nem substantivo a partir de um critério semântico como “a palavra com que
designamos os seres em geral”. Esses autores colocam que são substantivos “[...] nomes de noções, ações, estados e
qualidades tomados como seres” (p. 191).

José Lemos Monteiro, em Morfologia Portuguesa (2002, p. 226), considera que há problemas nessa de nição:

1. O que um ‘ser’?
2. Justiça, fé, doença, ideia são substantivos e não são seres.
3. Qualquer vocábulo assume a função de substantivo quando antecedido por um determinante: o sim, o viver, o aqui-e-
agora.

Critério formal ou mór co 

Esse critério se refere às características da estrutura do vocábulo. Assim, por esse critério, substantivo é o vocábulo
formado por base lexical mais morfemas gramaticais: vogal temática nominal; desinências (gênero e número) e su xo
(nominal).

Critério mór co ou de natureza formal 

Que se baseia em propriedades de forma gramatical que podem apresentar. Margarida Basílio, em Teoria Lexical, a rma
que “[...] substantivo é de nido como uma palavra que apresenta as categorias de gênero é número com as exões
correspondentes.” (1991)Problemas: segundo Basílio, substantivos e adjetivos possuem as mesmas exões.

Problemas: segundo Basílio, substantivos e adjetivos possuem as mesmas exões.


Critério funcional 

Esse critério baseia-se na função ou papel que o vocábulo desempenha na oração. Desse modo, substantivo é o vocábulo
que funciona como núcleo de uma expressão ou como termo determinado. Em termos funcionais, o substantivo pode ser,
segundo Basílio (1991), núcleo do sujeito, do objeto ou do agente da passiva.

Classi cação dos substantivos


Tradicionalmente, os substantivos podem ser concretos e abstratos. Um substantivo concreto “designa ser
de existência independente” e um substantivo abstrato “designa ser de existência dependente.” (BECHARA,
2000, p. 113).

Mas o que signi ca, a nal, dependência e independência nesse contexto de classi cação de substantivos?


Por exemplo, quando pensamos em ‘sol’ temos um substantivo concreto porque o sol não precisa de
outros seres para existir; quando pensamos em ‘concentração’ ou ‘felicidade’ temos um substantivo
abstrato: para que ‘concentração’ ou ‘felicidade’ se manifestem é preciso que haja alguém ou alguma coisa
acontecendo.

Por que esses substantivos são chamados de abstratos?


Leia a primeira estrofe da música Imagine que estejamos Fernando Moura, em Gramática
Verdade, verdadeira, cantada por brincando de mímica e aplicada ao texto (2002, p. 18), ao
Martinho da Vila: queiramos fazer a mímica da comentar a nomenclatura
palavra verdade. Como faríamos? abstrato, a rma que “[...] de um
O homem não é um animal E a da palavra mentira? Os papel branco, de um pano
Mas é irracional substantivos abstratos são muito branco, de uma nuvem abstrai-se
A verdade é verdadeira difíceis de serem descritos nessa a idéia de branco. Brancura é
E a mentira é mentirosa brincadeira. Poderíamos assim um substantivos abstrato.
Mentirosa, a mentira é mentirosa considerar o substantivo Da idéia de morrer, tira-se a idéia
Toda rosa é uma or felicidade como mais fácil de ser de morte.”
Mas nem toda or é uma rosa apresentado: tentaríamos um
Uma rosa só a rosa é uma rosa sorriso, uma cara alegre, talvez
uma gargalhada. Com certeza,
nossos companheiros no jogo
nos diriam muitas outras
palavras antes de inferir que a
palavra correta é felicidade, se é
que o fariam.

1 2

Um substantivo concreto pode ser próprio e comum. Um Substantivos primitivos ou derivados: substantivos
substantivo próprio designa um indivíduo em particular de primitivos são aqueles que não vêm de outra palavra na
uma espécie como ‘Fusca’ ou ‘Mariana’. Um substantivo língua, como é o caso de ‘ or’; substantivos derivados são
comum designa todos os indivíduos de uma espécie como aqueles formados a partir de outras palavras na língua pelo
‘carro’ e ‘criança’. processo de derivação, como em ‘ orista’.

3 4

Substantivos simples e compostos: substantivos simples Substantivo coletivo: nomeia um conjunto de seres de uma
apresentam um único radical ( or) e o substantivo mesma espécie, como é o caso de ‘assembleia’, coletivo que
composto apresenta mais de um radical ( or-de-lis). nomeia um grupo de pessoas reunidas.

Você já parou para pensar na razão pela qual pessoas


pouco escolarizadas usam com tanta frequência “A gente
fomos”? Isso acontece porque os substantivos coletivos,

por serem nomes no singular que se referem a um conjunto,


acabam por gerar variação na concordância verbal.
Ressalte-se que a forma ‘a gente’, acompanhada de verbo
conjugado na terceira pessoa do singular, embora comum
na língua falada, deve ser evitada em ambientes de
formalidade, já que ela não é prescrita pela gramática
normativa.

 Fonte: Shutterstock Por Lisa F. Young

Como sabermos se uma palavra é substantivo?

"como e por que aprender análise (morfo)sintática, considera


que o critério sintático é o mais e ciente para a identi cação
e classi cação dos substantivos. “[...] Só é substantivo, em
português, a palavra que se deixa anteceder por
determinantes.”"
- Sautchuk, em seu livro Prática de morfossintaxe, (2004, p. 16).

É possível que palavras que não sejam substantivos funcionem como tal, pois uma palavra de outra classe gramatical pode
ocupar uma função sintática típica do substantivo. Observe os exemplos a seguir:

1 O não é uma característica de todos os chefes.

2 Vamos aos nalmentes!

3 O andar dele é muito esquisito.

4 Seu falar me irrita.


Em todos os exemplos anteriores, as palavras sublinhadas
pertencem, originariamente, a outras classes. Nas
sentenças 1 e 2, os itens sublinhados pertencem à classe
dos advérbios; nas sentenças 3 e 4, à classe dos verbos.

No entanto, nas quatro, verbos e advérbios encontram-se


antecedidos por um item gramatical chamado de forma.

Assim, muitas palavras pertencentes a outras classes


podem se tornar substantivos quando antecedidas por
determinantes.

 Fonte: Eliott Reyna on Unsplash

Saiba mais

No ano de 1975, a Rede Globo exibiu a novela O Bem Amado, escrita por Dias Gomes. Nela, havia O prefeito Odorico, que cou
conhecido do público, pelas inúmeras palavras por ele criadas ao longo da novela. Se você quiser, assista a um trecho da
novela.

Adjetivos
Adjetivos são palavras que indicam qualidade, defeito, característica (aspecto ou estado) ou origem de um substantivo,
podendo ser simples (branco) ou compostos (branco-gelo). Em língua portuguesa, há diferentes recursos com a função de
apresentar atributos e características dos seres, ou seja, tem-se a classe de palavra chamada de ‘adjetivo’ e outras formas para
que se exerça a função de adjetivar.
Continuando nossa conversa sobre adjetivos, vamos analisar o trecho a seguir, retirado do capítulo XIII do livro Dom Casmurro
e observar o que o autor descreve da personagem Capitu.

"Não podia tirar os olhos daquela criatura de quatorze anos,


alta, forte e cheia, apertada em um vestido de chita, meio
desbotado. Os cabelos grossos [...] desciam-lhe pelas costas.
Morena, olhos claros e grandes, nariz reto e comprido, tinha a
boca na e o queixo largo.” "
- Trecho do livro Dom Casmurro, p. 27

Podemos observar que ao utilizar a adjetivação dos substantivos ‘criatura’, ‘vestido’, ‘cabelo’, ‘olhos’, ‘nariz’, ‘boca’ e ‘queixo’, o
autor nos dá uma breve descrição da personagem Capitu.

Criatura de quatorze anos, alta, forte, cheia, que está apertada em um vestido de chita.
Conforme dito, nem sempre utilizamos o adjetivo para caracterizar o substantivo. Esse processo de
adjetivação pode ser feito através de um conjunto de palavras que tem valor de adjetivo: são as locuções
adjetivas, normalmente formadas por uma preposição e um substantivo ou por uma preposição e um
advérbio. Muitas dessas locuções possuem adjetivos equivalentes, como a locução ‘de mãe’ equivalente
ao adjetivo ‘materno’.

Na expressão ‘de chita’, usada anteriormente, quali ca o vestido: Capitu não usa um vestido de seda,
nem um vestido de cetim: caracterizando seu vestido como ‘de chita’, o autor nos remete à ideia de um
vestido simples, feito de um algodão barato e geralmente, estampado com ores. Apesar da simplicidade
do vestido, Machado de Assis escreve “Não conseguia tirar os olhos daquela criatura [...]”, o que nos
mostra o profundo efeito que Capitu produzia, desde a infância dos personagens.

Conforme dissemos, muitas locuções possuem adjetivos equivalentes. No entanto, há casos em que essa correspondência
não ocorre. A seguir, temos o primeiro parágrafo da crônica Brasília Fashion, escrita por Tony Bellotto. Nesse trecho, há
adjetivações realizadas através de locuções, não substituíveis por adjetivos, que contribuem para o estabelecimento do
signi cado no texto.
"O deputado da meia será afastado do cargo. E assim entrará
para a história: como o deputado da meia. Não se fazem mais
políticos importantes com nomes imponentes como Ulysses
Guimarães, Tancredo Neves ou Rui Barbosa. Agora os
políticos se imortalizam por alcunhas edi cantes como o
deputado da meia, o senador do bigode, o prefeito da cueca,
o vereador da peruca, o governador do panetone, a deputada
da bolsa, o assessor da mala, a senadora da propina, o
ministro do cartão corporativo, o suplente da pochete e assim
por diante.”"
- Crônica Brasília Fashion por Tony Bellotto (1°parágrafo).

Se procurarmos o signi cado da palavra adjetivo em um dicionário, veremos que, originariamente, ela signi ca ‘colocado ao
lado de’. Isso nos mostra como o adjetivo funciona: para sabermos o que é um adjetivo, precisamos relacioná-lo ao substantivo
ao qual se refere. Como substantivos e adjetivos compartilham características, frequentemente a distinção entre eles depende
de elementos fornecidos pelo contexto.

Exemplos:

O idoso brasileiro conseguiu muitos benefícios.

O brasileiro idoso conseguiu muitos benefícios.

Na primeira frase, idoso é substantivo e brasileiro é adjetivo; na segunda, os papéis se invertem.

Vejamos agora os exemplos a seguir:

Meu amigo velho continua frequentando minha casa.

Meu velho amigo continua frequentando minha casa.

Ao estudarmos os substantivos, discutimos a possibilidade de outras classes gramaticais tornarem-se substantivos pela
presença do determinante. Essa possibilidade também existe em relação ao adjetivo: é possível substantivá-lo utilizando essa
mesma estratégia. Na Bíblia, em Mateus 5, temos: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.” A palavra
‘manso’, originariamente um adjetivo, tornou-se nesse contexto um substantivo.

Há muitos adjetivos que podem ser substantivados, quando precedidos por determinantes.
Apesar de haver casos de adjetivos que podem atuar como
substantivos, Basílio (1991, p. 82), a rma que adjetivos
como bonito, satisfeito, emocionante, dentre outros, são
usados exclusivamente como adjetivos.

Exemplo: Esse lme é emocionante.

* O emocionante foi visto por milhares de pessoas.

Ilari e Basso, no livro O português da gente: a língua que


estudamos, a língua que falamos (2006, p. 111), mostram
que há palavras e frases que, embora não sejam
originariamente adjetivos, acabam por funcionar como tal.
Os autores apresentam os casos a seguir:

Ela sempre usa roupas muito cheguei.


 Fonte: shutterstock Por Monkey Business Images
Ele é um cara muito família.
Ele é um banana!

O grau dos adjetivos e os efeitos de sentido

Quando estudamos o substantivo, vimos que há diferença de sentido nas


duas formas previstas pela gramática para se fazer o aumentativo,
fenômeno que se repete em relação ao adjetivo. O superlativo do adjetivo,
ou seja, a expressão de intensidade em uma qualidade expressa pelo
adjetivo, pode ser feito com o su xo –íssimo ou construído com muito. Dizer
que “João é muito inteligente” não acarreta o mesmo signi cado que temos
ao dizermos que “João é inteligentíssimo”. Além disso, cabe comentar o uso
de ‘super’ para indicar uma qualidade positiva.
"[...] é usada a composição de super + adjetivo ou
substantivo: superescola, superluxo, supertroca,
superinteligente. A composição com super tem como
acepção primária a expressão do grau de intensidade. Dessa
noção passa-se à noção de intensi cação positiva. É de se
observar que composições com super via de regra não
funcionam com base de valor negativo: super-riqueza,
*superpobreza, superinteligente/*superburro.”"
- Afirma Basílio (1991, p. 88).

De nição de adjetivo: Opinião de Margarida Basílio:


O que é um adjetivo? A visão tradicional de ne adjetivo Respeitada professora e pesquisadora, considera que
como um item que promove a delimitação. há uma problema nessa de nição de adjetivo.

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O uso do meio como adjetivo e como advérbio


Aproveitando a discussão acerca do adjetivo, vamos tratar de uma questão recorrente, tanto na fala, quando na escrita,
que é o uso da palavra meio, que tanto pode funcionar como numeral e atuar como adjetivo, quanto como advérbio de
intensidade.

Quando usamos meio e ele signi ca ‘um pouco’, ele funciona como advérbio e é invariável, ou seja, não concordará com a
palavra a qual se refere. Um advérbio pode atuar como modi cador de um verbo, de um adjetivo e de um outro advérbio.
Mas, como saber se a palavra meio corresponde ao adjetivo ou ao advérbio? Simples: quando meio for adjetivo ele
signi ca metade. Daí, dizemos “É meio dia e meia”, signi cando “É meio dia e meia hora.” Veja mais alguns exemplos .

 shutterstock Por Amanda Carden


Classes dos numerais e dos pronomes:

1
A classe dos numerais - A visão tradicional considera que os numerais são uma classe de palavras “[...] de função
quanti cadora que denota valor de nido.” (Bechara, p. 2000, 203).

No entanto, José lemos Monteiro, em Morfologia Portuguesa, considera que numerais fazem parte da classe dos nomes e
assim exercem função de adjetivo e de substantivo. (MONTEIRO, p.235).

Dois é par.

Substantivo

Dois pares de sapatos.



Adjetivo

2
A classe dos pronomes – Infante, em Curso de gramática aplicada aos textos, apresenta uma de nição que resume o que é
um pronome: “Pronome é a palavra que denota os seres ou se refere a eles, considerando-os como pessoas do discurso ou
relacionando-os.” (INFANTE, 2000, p. 287). Desse modo, pronomes xam o campo mostrativo da linguagem e valem sempre
como sinais, ou seja, pronomes indicam ‘dêixis’ (“o apontar para”).

Pronomes
Temos seis tipos de pronomes:

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Pronomes pessoais 

Indicam diretamente a pessoa do discurso e apresentam três grupos de funções:

pronomes retos – eu, tu, ele/ela, nós, vós eles/elas.

Embora não listados pela Gramática Normativa, os pronomes de tratamento como você/vocês, senhores/senhoras,
prezado cliente, dentre outros, podem funcionar como pronomes retos.

Os pronomes de tratamento são chamados de ‘segunda pessoa indireta’, porque, embora estejamos falando com alguém
que está conosco, usamos o verbo na 3ª pessoa. Segundo Infante, “Ao tratarmos um deputado por ‘Vossa Excelência’ , por
exemplo, estamos nos endereçando à excelência que esse deputado supostamente tem para poder ocupar o cargo que
ocupa.” (INFANTE, 1999, p. 290).

Pronomes oblíquos átonos (aparecem sem preposição) – me, te, lhe, o/a, se, nos, vos, lhes, os/as, se;

Pronomes oblíquos tônicos (aparecem com preposição) – mim, ti, ele, ela, si, nós, vós, eles, elas, si, comigo, contigo,
consigo, conosco.

Pronomes possessivos 

São pronomes que estabelecem uma relação de posse, de propriedade entre algo e as pessoas do discurso. 

SINGULAR
1ª pessoa: meu, minha, meus, minhas
2ª pessoa: teu, tua, teus, tuas
3ª pessoa: seu, sua, seus, suas

PLURAL
1ª pessoa: nosso, nossa, nossos, nossas
2ª pessoa: vosso, vossa, vossos, vossa
3ª pessoa: seu, sua, seus suas

Pronomes demonstrativos 

Indicam a posição dos seres em relação às três pessoas do discurso. Essa localização pode ser no tempo, no espaço ou
no discurso:

1ª pessoa: este, estes, esta, estas; isto


2ª pessoa: esse, esses, essa, essas, isso
3ª pessoa: aquele, aqueles, aquelas, aquelas, aquilo

Conforme Bechara (2000, p. 167) “São ainda pronomes demonstrativos o, mesmo, próprio, semelhante e tal. Considera-se
o pronome demonstrativo [...] quando funciona com valor ‘grosso modo’ de isto, isso, aquilo ou tal: Não o consentirei
jamais.”
Pronomes inde nidos 

Bechara (2000, p. 168) a rma que pronomes inde nidos aplicam-se à 3ª pessoa com sentido vago ou para indicar
quantidade indeterminada.

São exemplos de pronomes inde nidos: alguém, ninguém, tudo, nada, algo, outrem, nenhum, outro e um quando
aparecem isolados, qualquer, cada, muito, mais, menos, diverso etc.

Pronomes relativos 

Os pronomes relativos “são os que normalmente se referem a um termo anterior chamado antecedente.” (BECHARA,
2000, p. 71).

São pronomes relativos em Língua Portuguesa, acompanhados ou não de artigos: que, o qual, os quais, a qual, as quais,
cujo, cuja, cujos, cujas, quem, onde, quanto, quanta, quantos, quantas, quando, como.

Pronomes interrogativos 

“São os pronomes inde nidos quem, que, qual e quanto que se empregam nas perguntas, diretas ou indiretas.” (BECHARA,
2000, 170).

A classe dos artigos


Artigo é uma palavra que acompanha um substantivo, particularizando-o (artigo de nido) ou generalizando-o (artigo
inde nido).

O artigo de nido assinala que se trata de ‘ser’ devidamente situado e é considerado pronome demonstrativo quando antecede a
preposição de ou o pronome relativo que.

O artigo inde nido: Bechara (2000, p. 153) a rma que “Artigos inde nidos representam emprego especial da generalização do
numeral um.”
A B

‘Um, uma’ (singular) = artigos   Um = algum, qualquer (pronomes inde nidos)


‘Uns, umas’ (plural) = pronomes

Notas

velho

Na primeira frase, velho indica a idade do amigo; na segunda, quando colocamos o adjetivo anteposto, esse adjetivo passa a
indicar afetividade. Assim, podemos concluir que quando colocamos o adjetivo após o substantivo ele conserva seu sentido de
forma mais objetiva; quando o posicionamos antes do substantivo, ele passa a ter um valor mais sentimental. Essas diferentes
colocações do adjetivo são usadas pelos autores para demonstrar suas intenções e seus pensamentos acerca do mundo que
os cercam.

Esse asterisco signi ca que a frase, embora correta sintaticamente, causará em um falante de Língua Portuguesa certo
estranhamento.

De nição de adjetivo (continue lendo...)

Ou seja, “[...] por caracterizar as possibilidades designativas do substantivo, orientando delimitativamente a referência a uma
parte ou a um aspecto denotado.” (BECHARA, 2000, 142). Isso signi ca, resumidamente, que “Adjetivo é a palavra que expressa
qualidade.” (Idem, p. 227)

Opinião de Margarida Basílio (continue lendo...)

Pois ela considera que o adjetivo não se caracteriza pelo signi cado e sim pela função. Segundo ela, o adjetivo tem uma “[...]
vocação sintática. De fato, o adjetivo não pode ser de nido por si só, sem a pressuposição do substantivo, já que sua razão de
ser é a especi cação do substantivo” (BASÍLIO, p. 50)

exemplo

Estou meio cansada.  

Cansada é adjetivo, portanto meio é um advérbio. 


Comi meio pacote de biscoitos. Comi meia barra de chocolate.

Pacote é um substantivo masculino.

Barra é um substantivo feminino.

Nos dois exemplos, a palavra meio corresponde ao adjetivo metade. Se ela é um adjetivo, deverá concordar com o substantivo
ao qual se refere.

Referências

AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. Publifolha Houaiss, SP, 2008.

BASILIO, Margarida. Teoria lexical. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.CAMARA Jr. J.M. Estrutura da Língua Portuguesa. Petrópolis,
RJ: Vozes, 1982.

CARONE, Flávia. de Barros. Morfossintaxe. 9. ed. São Paulo: Ática, 2000.KEHDI, Valter.  Formação de palavras em português.
4.ed. São Paulo: Ática, 2007.

RIBEIRO, M.P. Gramática Aplicada da Língua Portuguesa: uma comunicação interativa., RJ:  Metáfora, 2005.ROSA, Maria
Carlota. Introdução à morfologia. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

VILELA, Mario; KOCH, Ingedore Villaça. Gramática da língua portuguesa. Coimbra: Almedina, 2001. 

Próxima aula

Continuaremos a estudar as classes de palavras e veremos os verbos, os advérbios, as preposições, as conjunções e as


interjeições.

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online por meio dos recursos disponíveis no ambiente de aprendizagem.
Morfologia Portuguesa

Aula 8: Classe de palavras II

Apresentação
Nesta aula, você vai estabelecer a relação entre os verbos e seus reais usos na língua portuguesa, relacionando-os a
outras classes gramaticais no sintagma verbal. Além de observar o problema em relação às interjeições e veri car o uso
das classes relacionais: conjunção e preposição.

Objetivos
Identi car e analisar as classes de palavras (classes gramaticais) que compõem o sintagma verbal;

Compreender o papel dos verbos no uso da língua;

Discutir a classi cação das interjeições como uma classe de palavras.

O Verbo

Quando observamos a etimologia da palavra ‘verbo’, percebemos o


quanto esse elemento é complexo. A palavra verbo origina-se do
latim verbum, que signi ca ‘palavra’.
"[...] os romanos quiseram dizer que o verbo é a palavra por
excelência, a mais rica, a de morfologia mais farta. O verbo
continua sendo em português a classe de palavras que
assume o maior número de formas exionadas [...] O que é
menos evidente é que essa riqueza morfológica tem forte
contrapartida semântica: ela faz com que, em qualquer
sentença, seja reservada ao verbo a tarefa de prestar uma
série de informações [...]”"
- (ILARI E BASSO, 2006, p. 112).

Ao estudarmos os verbos, devemos observar que, em uma oração, ele nos transmite muitas informações, que contribuem para
a compreensão acerca das intenções do autor de um texto:

1 2

Em relação ao tempo em que algo ocorre (presente, passado, Em relação ao mundo real ou da fantasia, quando, por
futuro); exemplo, uma criança nos conta uma história;

Em relação à atitude do falante que pode a rmar algo, mas


pode, também, modalizar seu discurso usando uma oração
como “Ele estaria no local do crime.”
 Fonte: shutterstock Por Gustavo Frazao

Se observarmos a classe dos nomes substantivos e a classe dos verbos, perceberemos que o substantivo é o núcleo do
sintagma nominal. Esse sintagma nominal pode funcionar sintaticamente, como sujeito, objeto direto, predicativo do sujeito
etc. No entanto, o verbo é o núcleo do sintagma verbal. O sintagma verbal sempre exerce a função sintática de predicado. Vale
lembrar que substantivos e verbos são variáveis; a diferença está no fato de os verbos apresentarem exão de tempo
(+aspecto), modo e pessoa (+número), enquanto os substantivos apresentam exão de gênero e número.

 Fonte: shutterstock Por dotshock

Embora saibamos que verbos variam em tempo, número, modo e pessoa, é importante ressaltar que a separação entre as
classes de palavras não é xa. O verbo pode funcionar como nome ao ocupar o núcleo do sintagma nominal, antecedido ou
não por um determinante, processo muito produtivo na língua.

Exemplo

1. Viver em uma grande cidade é muito perigoso.


2. Todos desejam viver.
A função dos modos e tempos verbais – Emprego dos modos
verbais:

1
Modo indicativo - Marca a realidade do fato expresso: há certeza na a rmação. Esse tempo é usado quando consideramos
como certo, real ou verdadeiro o conteúdo daquilo que é dito ou está escrito. Exemplo: Caminho pela manhã para emagrecer.

2
Modo subjuntivo - Marca a incerteza do fato expresso: não se sabe se o fato expresso pelo verbo ocorre, ocorreu ou
ocorrerá. Esse modo é usado quando se dá como possível, duvidoso ou hipotético o conteúdo daquilo que está escrito ou é
dito. Exemplo: Se eu caminhasse pela manhã, talvez emagrecesse.

3
Modo imperativo - Marca pedido, ordem, súplica, conselho. Exemplo: Caminhe pela manhã e emagrecerá.

Para lembrar: “Vem pra Caixa você também”. O slogan da propaganda da Caixa Econômica causou certa polêmica. Isso
porque a forma verbal ‘vem’ é uma forma da segunda pessoa do singular (tu) do imperativo a rmativo do verbo ‘vir’. Por isso,
ela con ita com o pronome de tratamento ‘você’, que pertence à terceira pessoa.

Deixando de lado a discussão sobre ‘pra’ e ‘para a’, de acordo com a prescrição da gramática normativa, a frase deveria
assumir uma das duas formas:

Vem pra Caixa tu também. / Venha pra Caixa você também.

Saiba mais

Para saber mais, leia o artigo a respeito da formação do subjuntivo e do imperativo.

Emprego dos tempos verbais


Da mesma forma que os modos do verbo veiculam signi cados, também, ao utilizarmos um determinado tempo verbal,
devemos observar que ele imprime um sentido particular ao nosso texto.

Tempo presente: Pretérito perfeito: Pretérito imperfeito:


a) O tempo presente do Esse tempo verbal é usado O pretérito imperfeito do
indicativo é usado para indicar: quando estabelecemos limites indicativo caracteriza-se por
um fato atual. na duração da fala. expressar uma ação
prolongada.
Continue lendo... Continue lendo...
Continue lendo...

Travaglia (2001, p. 212) comenta que é comum crianças, brincando de


casinha, utilizarem o pretérito imperfeito como uma forma de marcar a
irrealidade usando sentenças do tipo “Vamos brincar de casinha? Eu era a
mãe, você era a lha e ela era a prima que vinha fazer uma visita.”

Exemplo

Algumas pessoas confundem os usos do pretérito perfeito e do pretérito imperfeito. Vejamos:

a. Saiu de casa para viajar pelo mundo. Alguns anos depois, voltava à casa de sua mãe.
b. Saiu de casa para viajar pelo mundo. Alguns anos depois, voltou à casa de sua mãe.

Embora saibamos que, muitas vezes, os indivíduos utilizam os tempos verbais de forma inadequada, segundo a prescrição, ao
utilizar nas frases acima o pretérito imperfeito temos duas situações:

A
O pretérito imperfeito tem-se por parte do falante um indicativo de dúvida quanto à volta do indivíduo à
casa da mãe.

B
O uso de pretérito perfeito indicaria que o falante acreditava na volta da pessoa em questão à casa de
sua mãe.

Segundo Ilari e Basso (2006, p. 113), se você ouvisse a frase


“Ele veio para a festa de carro, mas morreu no caminho”,
provavelmente acharia que essa frase soou estranha porque
‘veio’ nos transmite a ideia  de uma ação acabada, fato que
con ita com o que está exposto na segunda parte da
sentença. No entanto, se disséssemos “Ele vinha para a
festa, mas morreu no caminho” ou “Ele estava vindo para a
festa, mas morreu no caminho”, esse con ito se desfaz. A
essa distinção entre os tempos do passado, por exemplo,
chamamos de aspecto verbal.

 Fonte:Shutterstock Por Syda Productions

Saiba mais

Para saber mais, leia o artigo sobre aspecto verbal.

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Pretérito mais-que-perfeito 

Embora seja também um tempo indicativo de passado, seu uso mostra que o processo em questão, ainda que tenha
ocorrido no passado, o fez de forma anterior ao que é indicado pelo pretérito perfeito. Além desse signi cado, segundo
Garcia (1997, p. 71), esse tempo também indica desejo ou esperança.

Exemplos:
Atualmente, o uso desse tempo verbal está vinculado a ambientes de uso formal da língua. Em textos escritos com menor
formalidade e na fala, é mais comum o emprego da forma composta: ‘eu tinha viajado’ em lugar de ‘viajara’.

Exemplos:
Ele trabalhara mais do que devia.
Quem me dera eu ganhasse na loto!
Futuro do presente 

Representa o fato como não concluído e o situa em um tempo posterior ao presente. Esse tempo indicativo de futuro
atua, basicamente, para mostrar um fato provável de ocorrer.

Exemplo:
Amanhã, irei à praia.

Embora não seja comum o uso desse tempo verbal com esse signi cado, o futuro do presente também pode ser usado
em lugar do imperativo, para atenuar uma ordem, fazer um pedido, sugerir algo.

Exemplo:
“Honrarás pai e mãe”.

Com frequência, substituímos o futuro do presente pela locução verbal formada pelo verbo ir + verbo no in nitivo, como
em “Vou sair cedo amanhã”.

Futuro do pretérito 

Representa o fato como não concluído e o situa em um intervalo de tempo no passado. Exprime um fato futuro tomado
em relação ao passado, sendo também usado para indicar dúvida em relação a algo. Usar o futuro do pretérito demonstra
o grau de comprometimento de quem fala diante do tema tratado.

Exemplo:
Segundo me disseram, ele depositaria quase trinta mil no banco.

Ao usar ‘depositaria’, tem-se uma hipótese, um fato passível de ter ocorrido, mas, ainda assim, apenas uma possibilidade.

Observações gerais

O presente do indicativo indica um fato habitual presente, enquanto o pretérito


imperfeito indica um fato habitual passado.

I Exemplos:
• Eu compro pão todo dia.
• Eu comprava pão todo dia quando morava naquela rua.

Em Língua Portuguesa, usa-se o presente do indicativo do verbo estar mais o

II
gerúndio do verbo para indicar que algo ocorre concomitante ao momento da fala.
Exemplo:
• Ele sempre come bem, mas hoje não está comendo nada.

As formas nominais do verbo


Os verbos apresentam três formas nominais: o in nitivo (amar, comer, dormir, pôr, ler), o particípio (amado, comido, dormido,
posto, lido) e o gerúndio (amando, comendo, dormindo, partindo, lendo).
É comum a substantivação do in nitivo através da presença de um determinante como em ‘seu falar’, assim como o uso do
particípio como adjetivo (‘Ele é malfalado no lugar em que mora). Assim, vale salientar quer o in nitivo pode assumir o valor de
um substantivo, bem como o particípio pode assumir o valor de um adjetivo e, por isso, são conhecidos como formas
nominais.

 Fonte: Shutterstock Por wavebreakmedia

Saiba mais

Para saber mais, leia o artigo acerca do uso do in nitivo.


Problemas em relação ao uso do gerúndio em português
Como o gerúndio tem sido a forma nominal mais problemática nos textos, falaremos um pouco mais sobre ele. Vejamos
o trecho da letra da música a seguir:

Procissão
(Gilberto Gil)

Olha lá vai passando a procissão


Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
Acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos
Os homens escutando tiram o chapéu
Eles vivem penando aqui na terra
Esperando o que Jesus prometeu [...]

Analise o uso do gerúndio usado em Procissão.

 Fonte: rawpixel.com - www.freepik.com

O problema em relação ao gerúndio reside no uso de sua forma


composta: frequentemente o verbo ir conjugado + o verbo estar no
in nitivo + o gerúndio. Dizer Vou estar dormindo na hora da novela
está correto sob o ponto de vista da gramática normativa, já que o
verbo indica uma ação que ocorre no momento de outra. Pode-se
também usar essa estrutura quando dizemos Amanhã, vou estar
trabalhando o dia todo, na qual essa estrutura indica um processo
duradouro e contínuo.
 Fonte: shutterstock Por GaudiLab

O uso do chamado ‘gerundismo’, ou seja, o uso inadequado do gerúndio, representa um problema quando não queremos
comunicar a ideia de eventos ou ações simultâneas, mas falar de uma ação especí ca, pontual, em que a duração não é a
preocupação dominante. Nesse caso, o correto é usar ‘vou falar’, pois, assim, indicamos algo que vai acontecer a partir de
agora, do nosso momento de fala: o uso do in nitivo representa garantia do cumprimento da ação. O uso de ‘Vou estar falando’
em uma situação desse tipo é inadequado porque se perde a referência na ação em si, tornando um evento que deveria ser
preciso, enfocando a ação, em uma situação em curso.

 Fonte: shutterstock Por fizkes

Esse uso do ‘gerundismo’ ocorre, com frequência, em situações de interação por motivos comerciais e é considerado um
problema, tendo em vista o grande número de ocorrências. Podemos observar que não utilizamos uma sentença como ‘Vamos
estar tomando uma cerveja’, porque soa de forma arti cial.

Reportagem sobre o uso do gerúndio

Leitura

Leia o artigo acerca do uso dos particípios.

Verbos e esvaziamento semântico: a questão do vocabulário

Clique nos botões para ver as informações.


1 

Todo ser humano normal aprende a falar a língua do grupo social ao qual pertence.  É preciso, no entanto que essa fala
seja re nada pela escola; não devemos alimentar a ideia de que a fala é um ‘vale-tudo’. A escola faz com que nos
preocupemos muito mais com nossa escrita do que com nossa fala. Sabemos que aprender a modalidade escrita da
língua depende, em um primeiro momento,  de uma instrução adequada. Aprimorá-la passa por processos como o de
organização sintática, de planejamento e de seleção vocabular. Se falarmos em um ambiente de maior formalidade, faz-se
necessário o monitoramento e isso também ocorre na escolha de palavras que consideramos mais adequadas ao
ambiente. Discutiremos a seguir a questão da escolha de verbos para compor um texto.

2 

Alguns verbos também se comportam assim. Analisemos os vários signi cados do verbo pôr nas sentenças a seguir: 

a) O funcionário pôs o aviso na parede. (= pendurou, colou)


b) O diretor pôs o dinheiro no banco. (= depositou)
c) Os pais sempre põem a culpa nos lhos. (= culpam os lhos)
d) O médico pôs a luva para a cirurgia. (= vestiu)
e) A bibliotecária pôs os livros na estante. (= guardou)

3 

Há outros casos como os dos verbos ver, ter, fazer, dentre outros, cujos empregos são mais amplos que outros mais
especí cos. Por exemplo:

O verbo ver pode ser substituído por observar, contemplar, distinguir, espiar, tar etc.
O verbo dizer utilizado frequentemente em lugar de a rmar, revelar, declarar, anunciar, publicar.
O verbo fazer substituindo os verbos realizar, promover, determinar, estabelecer, xar, aprovar, provocar, integrar, inaugurar
etc.

Formas e Classi cações de Neologismos


Os neologismos podem ser apresentados sob algumas formas e classi cações, a m de que se compreendam as suas
implicações para o dinamismo da língua.

Advérbios: Conjunção: Preposição:


A classe dos advérbios funciona Consiste em uma classe de É a palavra invariável que atua
como modi cadora do processo palavras invariáveis que unem como conectivo entre palavras
verbal. termos de uma oração ou ou orações, estabelecendo
orações. sempre uma relação de
Continue lendo... subordinação.
Continue lendo...
Continue lendo...
Leitura

Veja o que os professora Pasquale e Infante dizem sobre as interjeições.

Notas

Tempo presente (Continuar lendo…)

Exemplo: Estamos na praia.


b) algo que acontece habitualmente.
Exemplo: Sempre tomo café após o almoço.  
c) algo que representa uma verdade universal.
Exemplo: O sol nasce todas as manhãs.
d) um fato futuro próximo a acontecer e de realização considerada certa.
Exemplo: Amanhã, viajamos para Paris.
e) o presente histórico, ou seja, aparece na narração de um fato passado, como forma de realçar esse acontecimento.
Exemplo: Em 22 de abril de 1500, chega ao Brasil a nau de Cabral.

Pretérito perfeito (Continuar lendo…)

Representa um fato concluído. Chama-se ‘perfeito’ porque, ao usá-lo, acredita-se que a ação tenha sido levada até o m.

Pretérito imperfeito (Continuar lendo…)

Não sendo possível esclarecer sobre a ocasião em que ela terminou ou teve início. Esse tempo verbal também é conhecido
como o ‘tempo das fábulas’: ao dizer “Era uma vez” a pessoa que emite essa fala faz-nos passar do mundo real ao mundo da
fantasia.

O uso mais frequente do pretérito imperfeito é para indicar algo habitual no passado. “Eu caminhava na beira da praia quando
morava em Copacabana.”

gerúndio

Nessa letra, é possível perceber o uso do gerúndio na primeira estrofe como forma de descrever uma cena que se desenvolve
enquanto a música é cantada.  Essa procissão é mostrada por meio de uma série de verbos na forma simples do gerúndio -
passando, arrastando, cantando, escutando, penando, esperando. O uso do gerúndio presente no texto acima corresponde a
um uso prescrito pelas gramáticas, já que ele é utilizado para indicar uma ação progressiva, ou seja, um processo prolongado.
 O gerúndio também pode ser usado quando tratamos de uma ação concomitante à outra que pode ser percebida quando
dizemos “Sempre caminho ouvindo música.”
É preciso que tenhamos cuidado com uma implicância generalizada, surgida recentemente em torno do uso do gerúndio. Essa
forma nominal do verbo possui usos considerados adequados à comunicação, como os comentados no texto anterior ou ainda
em sentenças como “Chorando, ela voltou para casa”, na qual o verbo indica o modo como a pessoa em questão voltou. Pode-
se também usar o gerúndio como adjetivo, embora esse uso seja menos frequente. É o que temos na sentença “vejo crianças
correndo no parque”, em que o gerúndio serve para indicar que não falamos de quaisquer crianças e sim daquelas que brincam
no parque.

Advérbios (continue lendo...)

Vajamos o que diz o prof. Renato Aquino em seu livro de Português para concurso (2010).

Conjunção (continue lendo...)

As conjunções podem relacionar termos de mesmo valor sintático ou orações sintaticamente equivalentes - as chamadas
orações coordenadas - ou  podem relacionar uma oração com outra que nela desempenha função sintática - respectivamente,
uma oração principal e uma oração subordinada, como você já deve ter observado nas aulas de sintaxe. Vejamos alguns
exemplos:

Nossa questão social é urgente (e) necessária.

A situação social do país é urgente, (mas) ainda existem aqueles que só buscam seus próprios interesses.

Não se pode deixar de notar (que) a situação social do país é urgente. 

Veja uma lista com conjunções e alguns exercícios com gabarito.

Preposição (continue lendo...)

Isso quer dizer que entre os termos ou orações ligados por uma preposição haverá uma relação de dependência, em que um
dos termos, ou uma das orações, assume o papel de subordinante e o outro, de subordinado:  

Assisto (subordinado) ao jogo do Flamengo sempre. (subordinante).

Em alguns casos (particularmente nas locuções adverbais), as preposições não apenas  conectam termos da oração, mas
também indicam noções fundamentais à  compreensão da frase. Observe:

Saí (com) pressa.


Saí (sem) pressa.
Pus (sob) a mesa.
Pus (sobre) a mesa.
Estou (com) vocês.
Estou (contra) vocês.

Referências

AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. Publifolha Houaiss, SP, 2008.

BASILIO, Margarida. Teoria lexical. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.CAMARA Jr. J.M. Estrutura da Língua Portuguesa. Petrópolis,
RJ: Vozes, 1982.
CARONE, Flávia. de Barros. Morfossintaxe. 9. ed. São Paulo: Ática, 2000.KEHDI, Valter.  Formação de palavras em português.
4.ed. São Paulo: Ática, 2007.

RIBEIRO, M.P. Gramática Aplicada da Língua Portuguesa: uma comunicação interativa., RJ:  Metáfora, 2005.ROSA, Maria
Carlota. Introdução à morfologia. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

VILELA, Mario; KOCH, Ingedore Villaça. Gramática da língua portuguesa. Coimbra: Almedina, 2001. 

Próxima aula

Você conhecerá um pouco mais acerca das noções de neologia e neologismo, além de outros processos de formação de
palavras.

Explore mais

Pesquise na internet, sites, vídeos e artigos relacionados ao conteúdo visto. Em caso de dúvidas, converse com seu professor
online por meio dos recursos disponíveis no ambiente de aprendizagem.
Morfologia Portuguesa

Aula 9: Outros processos de formação de palavras

Apresentação
Nesta aula, você vai reconhecer o acervo lexical de nossa língua e aplicar os conceitos abordados sobre os processos de
formação de palavras. Além de identi car o conceito de neologismo na língua portuguesa e avaliar as suas implicações
para o processo de acréscimo vocabular.

Objetivos
Reconhecer o conceito de neologismo da língua e suas implicações para o processo de criação vocabular;

Reconhecer outros processos de formação de palavras.


 Fonte: Christin Hume on Unsplash

Sabemos que a linguagem é tudo aquilo que permite a comunicação entre as pessoas, desde a expressão de sentimentos e
desejos até nossas ideias e emoções. Desta forma, não existe sociedade sem comunicação.

Indispensável para a comunicação humana, nem por isso a linguagem deixa de pertencer ao cunho individual. Quando usa a
linguagem, o ser humano busca a integração com outro ser e então exercita a sua participação na sociedade.

 Fonte: shutterstock Por jaywaii

Para que tal comunicação aconteça de maneira competente, sabemos que as palavras são fundamentais para esse processo e
que a cada dia surgem inúmeras formas de comunicação entre as pessoas que valorizam o ser humano no espaço em que ele
vive.

Com o tempo, a forma de comunicação vem se modi cando e as palavras, logicamente, passam pelo mesmo movimento,
alterando-se, reformando-se e até desaparecendo do uso contínuo.

Saiba mais

Observe as propagandas das Havaianas dos anos 70 e depois uma mais atual e re ita, comparando-as e analisando de que
forma o tempo vem desencadeando mudanças no léxico.
Você observou com o tempo passa e a forma de se comunicar vai mudando ao longo do tempo? Pois é,
as palavras pertencem ao mundo e o mundo vai adaptando as novas formas de tornar-se visível e
interativo.
O mundo é recheado de ações, movimento, pessoas, mudanças e inovações as quais não conseguimos
individualmente controlar. Por isso, como a rma a Prof.ª Maria Emilia Barcelos, “é no léxico ainda que se
gravam as designações que rotulam as mudanças encadeadoras dos caminhos e descaminhos da
humanidade, além de comporem o cenário de revelação tanto da realidade quanto dos fatos culturais
que permearam a sua história.”

Outros processos de formação de palavras


Além da composição e da derivação, existem outros processos de formação de palavras em nossa língua, como o neologismo,
onomatopeia, hibridismo, reduplicação e sigla/abreviação.

Clique nos botões para ver as informações.

Onomatopeia 

Trata-se de palavra formada por meio de uma tentativa de reproduzir sons e vozes. Vejam os exemplos: bangue-bangue;
piu-piu etc.
Hibridismo 

Como sabemos, nossa língua é formada por heranças deixadas por outras línguas mais antigas. Às vezes, pensamos que
somente o Latim nos deixou um legado, mas o grego e algumas outras línguas também o zeram.

Dessa forma, o resultado da combinação ou união de palavras ou morfemas pertencentes a idiomas diferentes chama-se
hibridismo.

Exemplos: Reportagem (inglês + latim); televisão (grego + latim); sur sta (inglês + grego); Sociologia (latim + grego);
Sambódromo (africano + grego).

Reduplicação 

Segundo Henriques (2007, p. 126), a Reduplicação “consiste na repetição de sílabas semelhantes ou iguais, com o intuito
de formar palavra onomatopaica (imitativa) ou hipocorística (afetiva).” O autor sugere os seguintes exemplos: reco-reco,
tique-taque, cricri, vovô, teteia e Bebeto.

Ele advoga ainda que “nem toda onomatopeia e nem todo hipocorístico,  assim como nem sempre a coincidência total ou
parcial de sílabas são casos de reduplicação. Podem ser simples ocorrências de palavras primitivas (crás, brum; Filé,
Tico), de abreviação (Bete»Elizabeth, Zé » José), de aglutinação (Joca » João Carlos; Marilu »Maria Lúcia), de justaposição
(pegue-pague; bem-te-vi). E podem, também servir de base para derivação (zigue-zague + ar = ziguezaguear) ou
composições (mamãe + sacode = mamãe-sacode, sinônimo de “cachaça”)” (op. cit, p.126).

Sigla/Abreviação 

Sigla - As siglas e abreviações são muito utilizadas no dia a dia da língua. Eu mesmo tenho um amigo a quem chamo de
JL, pois se chama José Luiz.

SIGLA é a palavra formada pela combinação das letras iniciais das palavras que compõem um nome. 

PIB – Produto interno bruto.


PT – Partido dos trabalhadores.
IBGE – Instituto brasileiro de geogra a e estatística.

Abreviação - A ABREVIAÇÃO ocorre quando optamos por não utilizar a palavra completa, como em endereços, quando
usamos R. = Rua; TV. =Travessa; AV. = Avenida, e assim por diante. Na internet, por exemplo, podemos veri car várias
abreviações por conta das novas necessidades de velocidade do mundo tecnológico globalizado. O famoso Internetês faz
parte desse processo.
Neologismo 

Quantas informações recebemos por dia, por hora? Temos a nítida impressão de que precisamos sempre nos fazer
presentes neste mundo contemporâneo e de rápido acesso às informações, pois o mundo é das imagens, das cores, dos
sons e das palavras, criadas por movimentos necessários e por nós, seres humanos e falantes, que precisamos delas
para enunciar nossos pensamentos e ações,

E, a nal de contas, que nome damos a todo este processo de criação lexical que invade o nosso dia?

Chegamos ao conceito de Neologismo. NEOLOGIA é o processo de formação de novas unidades lexicais, ou seja, as
palavras podem ser oriundas ou não de outras já existentes ou, ainda, serem atribuídas de um novo signi cado que não o
dicionarizado, obtendo como produto o NEOLOGISMO.

O neologismo pode originar-se de outra língua e pode se adaptar ao nosso sistema morfofonêmico, como exempli cado
em: 

- “Entre 1995 e 1997, o PIB do agronegócio encolheu quase 3%.” (idem);

- “Eis uma boa oportunidade para os neodemocratas.” (Veja, edição 1799/ ano 36 – nº 16);

- “Em algumas capitais já existem mais pet shops do que farmácias.” (Veja, edição 1799/ ano 36–nº 16);

- “Pegou carona na enorme popularidade de Garotinho, mas foi atropelado pelos ‘bondes’, como são chamados os
comboios formados por tra cantes que espalham o terror pelas ruas do Rio.” (Veja, edição 1800/ ano 36 – nº 17).

Saiba mais

Conheça mais a respeito do internetês citado anteriormente.

"O léxico de todas as línguas vivas é essencialmente


marcado pela mobilidade; as palavras e as expressões com
elas construídas surgem, desaparecem, perdem ou ganham
signi cações, de sorte a promover o encontro marcado do
falante com a realidade do mundo biossocial que o acolhe: o
homem e o mundo encontram-se no signo."
- SILVA, Maria Emília Barcelos da. O dinamismo lexical: o dizer nosso de cada dia em Língua Portuguesa em debate. Petrópolis: Vozes,
1999, p. 42.

Formas e Classi cações de Neologismos


Os neologismos podem ser apresentados sob algumas formas e classi cações, a m de que se compreendam as suas
implicações para o dinamismo da língua.

Neologismo lexical ou Neologismo semântico Neologismos sintáticos


vocabular: ou de sentido: ou locucionais:
Consiste na criação de novos Consiste na apropriação de caracterizam-se por serem
signi cantes ou palavras para signi cados novos para expressões cujos componentes,
compor a língua. signi cantes já existentes, separadamente, estão
Continue lendo... atribuindo a este vocábulo um dicionarizados, mas que, juntos,
conteúdo que ele não tinha até têm um valor semântico novo.
então. Continue lendo...
Continue lendo...

Neologismo fonológico: caracteriza-se pela combinação


inédita de fonemas, não procedente de nenhuma palavra já
existente na língua. 

Ex.:Não gostei deste vestido! É meio chinfrim!          

Os formandos bebemoravam a data. 

Os exemplos apresentados são claros no que tange à


combinação de fonemas. O primeiro exemplo trabalha com
uma junção de sons/fonemas que aludem à idéia de coisa
sem graça, sem estilo, sem vida, enquanto o segundo
exemplo apresenta uma junção dos verbos beber +
comemorar, em uma união de sons, que efetivam um novo
signi cado.

 Fonte: Quentin Dr on Unsplash

"São mais de cinco mil os neologismos inseridos na nova


edição do Vocabulário Ortográ co da Língua Portuguesa da
Academia Brasileira de Letras. Não obstante haver
questionamentos quanto à inclusão de alguns neologismos e
à ausência de outros, ca comprovada a força das criações
neológicas diante de números tão expressivo."
- VALENTE, André. A produtividade lexical em diferentes linguagen em Língua Portuguesa em debate. Petrópolis: Vozes, 1999, p. 42.

Estrangeirismos
Não poderíamos deixar de lado os estrangeirismos. Sabemos que, principalmente com a globalização, as culturas e,
consequentemente, as línguas ganharam um maior contato. Dessa forma, temos várias palavras estrangeiras em nossa língua,
como:

 
Shopping Show

Só precisamos ter dois cuidados:

1 2

Veri car se há um correspondente aceito pela maioria dos Perceber se houve mudanças na gra a quando da passagem
falantes em nossa língua. para o Português, como é o caso de ESLIDE (do inglês, SLIDE).

Notas

Neologismo lexical ou vocabular (continuar lendo):

Ex.: 1) A bola pererecou na área e ninguém chutou.

2) “O salário do trabalhador é imexível.” – Neologismo da década de 90, do Ministro Antonio Rogério Magri.

3) O Ministro Fernando Henrique Cardoso é um médico frustrado. Vive fazendo diagnósticos da situação inconvivível da
economia. – Veja. SP, Abril, 15.09.93, p. 25.

Os três exemplos grifados nos enunciados mostram claramente a possibilidade de criação de novas palavras para atender à
necessidade de comunicação, a partir da estruturação de pre xos e su xos. No exemplo 1, a palavra pererecou originou-se do
substantivo perereca e transformou-se em verbo por uma necessidade de comparar o movimento de pulo do animal ao
movimento da bola feita na área. Nos exemplos 2 e 3, os enunciadores zeram uso da parassíntese para criar estas palavras,
que à época, foram propagadas na mídia, com destaque para a possibilidade de ambas comunicarem.

Neologismo semântico ou de sentido (continuar lendo):

Ex.: 1) Meu vizinho foi multado por fazer um gato na rede elétrica.

2) Os scais perceberam que se tratavam de laranjas!

3) Este trabalho não cou bom; é melhor deletar esta parte! 

As palavras grifadas nos exemplos dados apresentam as seguintes características: nos exemplos 1 e 2, os substantivos gato e
laranjas, ambos pertencentes à língua, como elementos signi cativos, tiveram os seus sentidos alterados para provocarem
nova compreensão aos interlocutores nas expressões dadas. Já no exemplo 3, a palavra deletar é atribuído um signi cado de
uma palavra já existente, mesmo que em outra língua (aqui no caso, apagar). 

Dessa forma, dizemos que a neologia vocabular equivale à de forma e à neologia semântica, à de sentido.
Neologismos sintáticos ou locucionais (continuar lendo):

São resultantes de uma combinatória de elementos mór cos já existentes no léxico, ou até emprestados.

Ex.: 1) João Paulo II reinventa a igreja papalizando com êxito.

2) Nas últimas eleições não admitiram boca de urna.

Os exemplos apresentados tomam como parâmetro a ideia da derivação, como em papalizando, em que à palavra papa é
acrescida de su xo. No caso de boca de urna, o efeito é de composição por justaposição, em que os elementos mór cos se
juntam para dar um único sentido à ideia apresentada.

Referências

AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. Publifolha Houaiss, SP, 2008.

BASILIO, Margarida. Teoria lexical. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.CAMARA Jr. J.M. Estrutura da Língua Portuguesa. Petrópolis,
RJ: Vozes, 1982.

CARONE, Flávia. de Barros. Morfossintaxe. 9. ed. São Paulo: Ática, 2000.KEHDI, Valter.  Formação de palavras em português.
4.ed. São Paulo: Ática, 2007.

RIBEIRO, M.P. Gramática Aplicada da Língua Portuguesa: uma comunicação interativa., RJ:  Metáfora, 2005.ROSA, Maria
Carlota. Introdução à morfologia. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

VILELA, Mario; KOCH, Ingedore Villaça. Gramática da língua portuguesa. Coimbra: Almedina, 2001. 

Próxima aula

Abordagem acerca do Acordo Ortográ co que entrou em vigor em 2009 e suas relações com a disciplina Morfologia
Portuguesa.

Explore mais

Pesquise na internet, sites, vídeos e artigos relacionados ao conteúdo visto. Em caso de dúvidas, converse com seu professor
online por meio dos recursos disponíveis no ambiente de aprendizagem.
Morfologia Portuguesa

Aula 10: A morfologia e o novo acordo ortográ co

Apresentação
Nesta aula, você vai reconhecer as razões para o acordo ortográ co, bem como sua importância para os falantes do
Português no mundo. Além de compreender as principais mudanças para o Português do Brasil.

Objetivos
Aprender o que é e para que serve o novo acordo ortográ co;

Relacionar o novo acordo à disciplina Morfologia Portuguesa.

O novo acordo ortográ co


Muito se fala sobre o acordo ortográ co. Mas, o que é isso? A gramática mudou? Há novas regras gramaticais? Acalmemo-nos,
pois o bicho não é tão feio quanto parece. O novo acordo ortográ co é fruto de um documento assinado por representantes
dos países falantes de Língua Portuguesa, com o intuito de uni car a ORTOGRAFIA da língua. Em outras palavras, os
responsáveis por essa reforma pretendiam construir um sistema ortográ co comum, mas não houve alterações na gramática
da língua.
 Fonte: Michael Schwarzenberger from Pixabay

ORTOGRAFIA - tem a ver com a escrita das palavras. Z ou S? X ou CH? Acento agudo ou circun exo? Isso é ortogra a! Dessa
forma, estima-se que somente 0,5% das palavras vigentes seria afetado.

OS MOTIVOS DO NOVO ACORDO - O motivo principal deste acordo é promover a uni cação ortográ ca dos países que têm o
português como língua o cial, os quais são: Brasil, Portugal, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e
Príncipe e Timor Leste. Segundo os organizadores, o Acordo ortográ co representa um passo importante para a defesa da
unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional. (cf. BECHARA, 2008)

O Novo Acordo Ortográ co da Língua Portuguesa passa a valer a partir de


2009 no Brasil. O período de transição para que a população se adapte às
mudanças vai até o m de 2012 - a partir de 1º de janeiro de 2013, a nova
ortogra a será a única considerada correta.

Acordo ortográ co bom ou ruim?


Seguindo os preceitos de NOGUEIRA (2009, p. 153), ortogra a se resolve com a leitura e com o ato de escrever, por memória
visual. Assim, precisamos memorizar e praticar a m de estarmos aptos às novas regras. Entretanto, temos problemas mais
sérios a resolver no país antes dos problemas de ortogra a. Mesmo assim, trata-se de um dispositivo legal e, como tal, deve
ser seguido. Veja o que dizem os favoráveis e os contrários ao acordo.

Clique nos botões para ver as informações.


Favoráveis ao acordo: 

Os favoráveis ao acordo defendem que ele facilitaria o processo de intercâmbio cultural e cientí co entre os países que
falam Português; ampliaria a divulgação do idioma e da literatura de língua portuguesa, além de reduzir custos de
produção e adaptação de livros. Poderia, ainda, facilitar a aprendizagem da língua pelos estrangeiros, o que nos parece
grande falácia, pois se aprende uma língua pela oralidade, em primeiro lugar.

Contrários ao acordo: 

Os contrários ao Novo Acordo, por sua vez, advogam que todos que já possuem interiorizadas as normas gramaticais
terão de aprender novas regras e isso seria motivação para o surgimento de dúvidas. Há também o alto custo de
adaptação de documentos e publicações. As editoras, principalmente as de livros escolares, agradecem! Em última
análise, outros aspectos que mereciam mudanças não foram contemplados a m de, verdadeiramente, facilitar a
compreensão

As principais mudanças

1
As mudanças ocorridas foram na acentuação e no emprego do hífen. Houve também o retorno das letras K, W e Y que, na
prática, nunca deixaram de existir.

2
O trema não mais existe em Língua Portuguesa a partir do acordo. Todavia, será mantido em palavras derivadas de nomes
próprios estrangeiros e nos nomes de origem estrangeira: hübneriano, Müller etc. Vale salientar que, apesar da queda do
trema, a pronúncia das palavras não muda!

Acentuação
No que concerne aos acentos, as mudanças ocorreram nas paroxítonas, palavras cuja sílaba tônica é a penúltima. Vejamos as
principais mudanças:

1 2
Nos ditongos abertos éi e ói das paroxítonas o acento caiu. O acento no i e u tônicos não existe mais quando vierem
Assim, termos como: colméia, estréia, geléia, idéia, jibóia, depois de ditongos nas paroxítonas. Dessa forma,
heróico, platéia, jóia, apóio (de apoiar), dentre outras, cam: vocábulos como: feiúra, baiúca, bocaiúva e cauíla, cam:
colmeia, estreia, geleia, ideia, jiboia, heroico, plateia, joia, feiura, baiuca, bocaiuva e cauila.
apoio.

3 4

Nas formas verbais paroxítonas que possuem o e tônico Na vogal tônica fechada (^) em o nas paroxítonas,
fechado em hiato (sons vocálicos adjacentes que cam em precedidas ou não de “s”: abençoo, doo (do verbo doar),
sílabas separadas) com a terminação – na terceira pessoa enjoo, voo, povoo, perdoo etc. Com exceção dessas duas
do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo. situações o restante continua igual!

Atenção

Lembre-se de que a primeira regra citada é válida para as paroxítonas e, portanto, as oxítonas, ou seja, as palavras cujo
acento tônico recai sobre a última sílaba continuam acentuadas: anéis, éis, papéis, heróis, troféu, chapéu etc.

Os verbos “ter” e “vir” continuam com a conjugação normal na terceira pessoa do plural do indicativo: eles/elas têm,
eles/elas vêm.

1 2

U tônico I e U tônicos
A letra u não será mais acentuada nas sílabas que, qui, gue, gui As palavras paroxítonas que têm i ou u tônicos precedidos por
dos verbos como arguir, redarguir, apaziguar, averiguar, ditongos não serão mais acentuadas. Desta forma, agora
obliquar. Assim, temos apazigue (em vez de apazigúe), argui escreve-se feiura, baiuca, boiuno, cauila. Essa regra não vale
(em vez de ele argúi), averigue, oblique. quando se trata de palavras oxítonas; nesses casos, o acento
permanece. Assim, continua correto Piauí, teiús, tuiuiú.

Acento diferencial
O acento diferencial é utilizado para auxiliar na identi cação de palavras homófonas (que
possuem a mesma pronúncia). Com o acordo ortográ co, ele deixará de existir nos seguintes
casos: Exemplos: pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.

Entretanto, existem duas palavras que continuarão recebendo acento diferencial: pôr (verbo) -
> para não ser confundido com a preposição por. pôde (verbo poder conjugado no passado) -
> para que não seja confundido com pode (forma conjugada no presente).

Torna-se facultativo o acento de fôrma, para diferenciar de forma


substantivo ou terceira pessoa do singular do verbo FORMAR no
presente do indicativo. Na prática, a sugestão de Bechara (2008) é
que a gra a fôrma deve ser usada apenas nos casos em que houver
ambiguidade, como nos versos do poema “Os sapos”, de Manuel
Bandeira: “Reduzi sem danos| A fôrmas a forma.”

O hífen
A alteração mais complexa, certamente, diz respeito ao uso do hífen. Veja o quadro com um resumo feito pelo Prof. Sérgio
Nogueira para o portal do G1, na Internet:

Prefixos Usa hífen Não usa hífen

Agro, ante, anti, arqui, Quando a palavra seguinte começa com h ou Em todos os demais casos: autorretrato,
auto, contra, extra, infra, intra, com vogal igual à última do prefixo: auto- autossustentável, autoanálise, autocontrole,
macro, mega, hipnose, auto-observação, anti-herói, anti- antirracista, antissocial, antivírus,
micro, maxi, mini, semi, imperialista, micro-ondas, mini-hotel. minidicionário, minissaia, minirreforma,
sobre, supra, tele, ultra... ultrassom.

Hiper, inter, super. Quando a palavra seguinte começa com h ou Em todos os demais casos: hiperinflação,
com r: super-homem, inter-regional. supersônico.

Sub. Quando a palavra seguinte começa com b, h Em todos os demais casos: subsecretário,
ou r: sub-base, sub-reino, sub-humano subeditor
Vice. Sempre: vice-rei, vice-presidente.

Pan, circum. Quando a palavra seguinte começa com h, m, Em todos os demais casos: pansexual,
n ou vogais: pan-americano, circum- circuncisão
hospitalar

Leitura

Leia o decreto e texto do novo acordo ortográ co.

Referências

AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. Publifolha Houaiss, SP, 2008.

BASILIO, Margarida. Teoria lexical. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.CAMARA Jr. J.M. Estrutura da Língua Portuguesa. Petrópolis,
RJ: Vozes, 1982.

CARONE, Flávia. de Barros. Morfossintaxe. 9. ed. São Paulo: Ática, 2000.KEHDI, Valter.  Formação de palavras em português.
4.ed. São Paulo: Ática, 2007.

RIBEIRO, M.P. Gramática Aplicada da Língua Portuguesa: uma comunicação interativa., RJ:  Metáfora, 2005.ROSA, Maria
Carlota. Introdução à morfologia. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

VILELA, Mario; KOCH, Ingedore Villaça. Gramática da língua portuguesa. Coimbra: Almedina, 2001. 

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