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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

ORIGEM E A NATUREZA DO CONHECIMENTO

Sidine Murachene

Código: 708206571

Curso: Licenciatura Em Ensino Geografia

Disciplina: Filosofia I

Ano de Frequência: 2021

Turma C

Chimoio, Julho,2021
Folha para recomendações de melhoria:A ser preenchida pelo tutor

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Introdução

O presente trabalho trata de conteúdo relacionados coma origem do do conhecimento a


natureza de conhecimento. O racionalismo considera a razão a fonte principal e verdadeira do
conhecimento. O conhecimento seguro é aquele que se encontra através da razão
independentemente da experiência sensível.
Conceito ou ideia  é a representação intelectual da essência de um objecto, representa aquilo que
há de permanente, imutável e comum em todos os objectos de uma espécie. Chama-se conceito
porque a sua formação dá-se no espírito: uma espécie de concepção, pela união da inteligência
com o objecto, cujo fruto é o conceito ou ideia.Este conhecimento é logicamente necessário,
porque apenas pode ser interpretado de uma única forma, caso contrário estaríamos em
contradição. É também universalmente válido pois o seu valor é constante em todo o lado para
toda a Humanidade

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Objectivo geral
Compeender a origem do conhecimento.
Objectivos especificos
Mencionar niveis de conhecimentos;
Definir à Lógica;
Explicar as dimensões do discurso humano.

1. Origem do conhecimento
Platão e Aristóteles dedicaram grande parte da sua reflexão ás questões do conhecimento, mas
só na época moderna, nos séculos XVII e XVIII, que filósofos como Decartes, Jonh Locke,
David Hume e Kant elegeram a teoria do conhecimento ou gnosiológica como uma das áreas
fundamentais da Filosofia.
No que toca, especificamente, à origem do conhecimento surgem perguntas como: “Qual é,
realmente, a origem do conhecimento?”, “Será que o conhecimento provém unicamente da
experiência?”, “Será que o conhecimento tem origem na razão?”, “Ou provirá de ambas as
fontes, mas com diferentes graus de verdade?”.
Numa tentativa de responder a essas perguntas surgiram duas correntes filosóficas: o
empirismo e o racionalismo.
Racionalismo
O racionalismo considera a razão a fonte principal e verdadeira do conhecimento. O
conhecimento seguro é aquele que se encontra através da razão independentemente da
experiência sensível.
Este conhecimento é logicamente necessário, porque apenas pode ser interpretado de uma única
forma, caso contrário estaríamos em contradição. É também universalmente válido pois o seu
valor é constante em todo o lado para toda a Humanidade.
Este tipo de conhecimento é dado pela ciência formal, Matemática, que nos obriga à sua
O empirismo

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Diz que a origem das Ideias é o processo de abstração que se inicia com a percepção que temos
das coisas através dos nossos sentidos. Daí diferencia-se o empirismo: não preocupado com a
coisa em si, estritamente objectivista; nem tão pouco com a ideia que fazemos da coisa
atribuída pela Razão, como ensina o Racionalismo; mas puramente como percebemos esta
coisa, ou melhor dizendo, como esta coisa chega até nós através dos sentidos.

2. Natureza do conhecimento

O homem sentiu, desde sempre, necessidade de explicar o mundo que o rodeia. Por isso, o
problema do conhecimento foi colocado logo desde o início da filosofia grega. Embora o
conhecimento seja, não um estado mas sim um processo e, como tal, necessariamente
relacionado com a actividade prática do homem (conhecer não é só possuir uma representação
mental do mundo, étambém actuar no mundo a partir da representação que dele temos),
tradicionalmente, o conhecimento foi descrito como uma relação entre um sujeito, enquanto
agente conhecedor, e um objecto, enquanto coisaconhecida. 
Um dos grandes problemas se coloca:
O realismo: é a doutrina segundo a qual conhecer é o acto no qual o sujeito aprende um objecto que é
independente e distinto dele.
Esta posição não é, contudo, simplista ou ingénua. Admitindo que há uma realidade independente do
sujeito e que é o objecto de conhecimento não confunde os dados sensíveis, as percepções ou
representações da realidade, com a própria realidade. A percepção sensível e o conhecimento que nela
se pode fundamentar as percepcionamos ou apreendemos. 

O idealismo:é corrente não nega propriamente a existência do mundo externo, mas afirma que o
conhecimento que temos desse mundo não atinge a realidade em si mesma. Reduz o conhecimento a
meras representações ou ideias dos objectos.
O idealismo, em sentido estrito, nega que o conhecimento atinja realidades exteriores às nossas
representações: o objecto de conhecimento não é uma realidade independente mas algo imanente ao
sujeito.

3. Níveis do conhecimento
Conhecimento Empírico
Popular ou vulgar é o modo comum, corrente e espontâneo de conhecer, que se adquire no trato
direto com as coisas e os seres humanos, as informações são assimiladas por tradição,

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experiências causais, ingênuas, é caracterizado pela aceitação passiva, sendo mais sujeito ao erro
nas deduções e prognósticos. “é o saber que preenche nossa vida diária e que se possui sem o
haver procurado, sem aplicação de método e sem se haver refletido sobre algo”(Babini,
1957:21).
Conhecimento Científico
O conhecimento científico vai além da visão empírica, preocupa-se não só com os efeitos, mas
principalmente com as causas e leis que o motivaram, esta nova percepção do conhecimento se
deu de forma lenta e gradual, evoluindo de um conceito que era entendido como um sistema de
proposições rigorosamente demonstradas e imutáveis, para um processo contínuo de construção,
onde não existe o pronto e o definitivo, “é uma busca constante de explicações e soluções e a
reavaliação de seus resultados”.

Conhecimento Filosófico
É o conhecimento que se baseia no filosofar, na interrogação como instrumento para decifrar
elementos imperceptíveis aos sentidos, é uma busca partindo do material para o universal, exige
um método racional, diferente do método experimental (científico), levando em conta os
diferentes objetos de estudo.
Conhecimento Teológico
Conhecimento adquirido a partir da aceitação de axiomas da fé teológica, é fruto da revelação da
divindade, por meio de indivíduos inspirados que apresentam respostas aos mistérios que
permeiam a mente humana, “pode ser dados da vida futura, da natureza e da existência do
absoluto”.

4. A Introdução à Lógica
Lógica Formal
Mesmo que o nosso espírito não dê conta, os princípios que acabamos de apresentar garantem a
articulação e a coerência do nosso pensamento.
No entanto, os instrumentos lógicos do pensamento são os conceitos, os juízos e os raciocínios.
Por isso se consideram normalmente três domínios principais da Lógica:

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A lógica do conceito
A lógica do juízo
A lógica do raciocínio.
Rigorosamente falando, a Lógica diz respeito ao raciocínio ou ao que normalmente se considera
o discurso correcto do pensamento na passagem de umas proposições a outras.
Mas o raciocínio pressupõe que façamos juízos; e fazer juízos implica, por sua vez, o uso de
conceitos. Temos, portanto, de abordar a Lógica do conceito e a Lógica do juízo antes da Lógica
do raciocínio.
Lógica do conceito
Conceito ou ideia – é a representação intelectual da essência de um objecto, representa aquilo
que há de permanente, imutável e comum em todos os objectos de uma espécie. Chama-se
conceito porque a sua formação dá-se no espírito: uma espécie de concepção, pela união da
inteligência com o objecto, cujo fruto é o conceito ou ideia.
Uma observação que deve ser tomada em conta é que um conceito sozinho não pode ser
considerado verdadeiro nem falso, porque nele nada se afirma e nada se nega.
Termo como expressão do conceito – o termo é a expressão externa (verbal) de um conceito ou
ideia, tal como, a linguagem é a expressão do pensamento. Assim, chama-se termo a uma ou
várias palavras (expressões gramaticais) ou gestos que exprimem um conceito. Por isso, o termo
não se reduz nem se confunde com uma palavra.
Exemplo:
Aristóteles = o filósofo estagirita ou o fundador da lógica.
O termo é como que a ideia exteriorizada e concretizada, visto que, concebido um conceito, só
lhe damos existência depois de encontrarmos o termo que a pode exprimir.
Propriedades lógicas do conceito
Do ponto de vista lógica cada conceito é constituído de duas propriedades diferentes, mas
inseparáveis uma da outra: compreensão e extensão.
A compreensão de um conceito é conjunto de qualidades ou características que definem esse
conceito.
  Exemplo: a compreensão da ideia «Homem» implica os seguintes caracteres: animal e racional.
A extensão de um conceito – refere-se aos seres ou objectos designados por esse conceito.

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      Exemplo: extensão do conceito «Homem» é moçambicano, angolano, chinês, branco, negro,
Malangatana, Fany, etc.- isto é, todos os seres a quem se aplica o conceito Homem.

5. As dimensões do discurso humano


Defender que o discurso humano é pluridimensional é aceitar que existem diversas dimensões
que o constituem. Como se pode concluir, umas podem ser consideradas mais importantes que as
outras, como é o caso das dimensões sintática, semântica e pragmática, a que daremos maior
desenvolvimento.
Existem, no entanto, outras dimensões que não devemos ignorar e que abordaremos
primeiramente.
A importância desses discursos parece-nos facilmente compreensível, assim como será fácil
estabelecer entre elas as respectivas relações e implicações. Dentre elas podemos destacar as
seguintes dimensões: linguística, textual, lógico-racional, expressiva ou subjectiva, intersubjetiva
ou comunicacional, argumentativa, apofântica ou representativa, comunitária, institucional e
ética.
Dimensões sintáctica, semântica e pragmática
Dada a importância destas três dimensões e por razões metodológicas, daremos grande
desenvolvimento a cada uma. Iremos concluir que não estamos perante dimensões auto-
suficientes e independentes, mas sim perante dimensões indissociáveis.
A importância destas dimensões foi particularmente destacada pelo filósofo contemporâneo
Charles Morris (nascido em 1901, nos EUA). Este autor procurou estabelecer uma teoria geral
dos sinais, ou semiótica e, segundo ele, são três os níveis de análise dos processos de
comunicação: sintáctico, semântico e pragmático.
Dimensão sintáctica
Etimologicamente, a palavra «sintaxe» deriva do grego syn + taxis, «co-ordem, coordenação».
Tradicionalmente, define-se a sintaxe como a parte da gramática que trata das regras
combinatórias entre os diversos elementos da frase.
Recorrendo a uma definição mais abreviada, podemos dizer que a sintaxe trata da relação
interlinguística dos signos entre si (Karl-Otto Apel Sprachpragmatik und Philosophie, Frankfurt,

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1975) ou estuda as relações internas que os signos mantém entre si (Michel Meyer Lógica,
Linguagem e Argumentação; Teorema; Lisboa; 1992).
Usando uma definição mais elaborada, podemos dizer que «é o conjunto dos meios que nos
permitem organizar os enunciados, afectar a cada palavra uma função e marcar as relações que se
estabelecem entre as palavras. A ordem das palavras é um dos traços característicos de qualquer
sintaxe.» (Marina Yaguello; Alice no País da Linguagem; Estampa; Lisboa; 1990).
Dimensão semântica
O termo semântico encontra a sua raiz no grego semantiké (tékhne), que literalmente significa «a
arte da significação», ou «arte (ciência) do significado».
Michel Bréal define a semântica como ciência que se dedica ao estudo das significações. Para
Michel Meyer, a semântica trata da relação dos signos com o seu significado e, logo, com o
mundo.
Portanto, a semântica trata das relações dos signos (as palavras ou frases) com os seus
significados (significação) e destes com as realidades a que dizem respeito (referência).
No que se refere ao domino da semântica linguística podemos considerar:
Dimensão pragmática
A palavra «pragmática» encontra no grego pragmatiké (de pragma, «acção») a sua raiz. Entre os
precursores da pragmática encontramos, entre outros, o filósofo e critico literário alemão Von
Humboldt (1767-1835) que afirmou que a essência da linguagem era a acção. Michel Meyer
define-a como a disciplina que se prende com os signos na sua relação com os utilizadores.

6. Os Princípios da razão
Os princípios da razão: identidade, não-contradição, terceiro excluído e razão suficiente.
A Lógica assenta em três princípios fundamentais sem os quais não haveria pensamento possível.
A Lógica clássica formula-os em termos de coisas, enquanto a Lógica moderna e a logística
exprimem-nos em termos de proposições. Entretanto, cada um dos princípios lógicos será
enunciado nos dois sentidos: um ontológico (ou em relação aos seres e coisas), por um lado; e,
por outro, no sentido proposicional.

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Princípio de identidade
No sentido ontológico:
Uma coisa é o que é.
O que é, o que não é, não é.
A é A (A designando qualquer objecto de pensamento).
No sentido proposicional:
Uma proposição é equivalente a si mesma.
Princípio de contradição (ou de não contradição) e a negação das proposições
No sentido ontológico:
Uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo, segundo uma mesma perspectiva.
Este enunciado clássico exige alguns esclarecimentos. Ele significa que não há contradição quando a
realidade de que falamos não é julgada, quer num mesmo instante, quer num mesmo ponto de
vista, mesmo quando se obtém juízos que se opõem (...).
No sentido proposicional:
Uma proposição não pode ser falsa e verdadeira ao mesmo tempo.
Uma proposição e a sua negação não podem ser simultaneamente verdadeiras.
Duas proposições contraditórias não podem ser simultaneamente verdadeiras.
Princípios de terceiro excluído (ou de meio excluído) e a negação dos conceitos

7. Conveniência politica entre os homens


Antes de começarmos a discussão deste assunto, sugerimos uma breve reflexão sobre o seguinte:
Alguma vez já participou num debate público? De que tratava? Se participou, então estamos num
bom caminho. Quando se fala de participação política do cidadão, uma das formas é essa – os
debates públicos. É nos debates públicos onde o cidadão expõe as suas ideias, dá as suas opiniões
com vista ao melhoramento e ao bem estar da sua sociedade. A outra forma de participação do
cidadão na política é exercendo o seu direito de voto. Portanto, se você está em idade de votar,
tem mais uma oportunidade de participar na política. E mais ainda, a outra forma de participação
na política do cidadão é fazer parte de um partido político, porque é a partir desse partido que
você poderá contribuir com as ideias comuns do partido com vista ao melhoramento da sua
sociedade. Portanto, caro aluno, são estas, entre outras, as formas de participação política.

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8. Os direitos humanos
Direitos humanos
Sempre que nos encontramos em apuros exigimos os nossos direitos. E é muito bom que assim
seja. Mas o que são direitos? Consegue responder a esta pergunta? Direito é tudo aquilo que nos
pertence e que precisamos de tê-lo. E portanto os direitos humanos são um conjunto de
princípios essenciais à existência humana condigna e que apelam a um reconhecimento mútuo
entre homens enquanto seres de direito. Entre tantos direitos humanos que o ser humano tem, os
básicos são: direito a vida, a saúde, boa alimentação, a educação. A declaração universal dos
direitos humanos foi adoptada pela ONU a 10 de Dezembro de 1948.
Justiça social
A Justiça social preconiza a redistribuição equitativa do bem comum, a distribuição justa do
rendimento ou da riqueza de acordo com as necessidades das pessoas. Por isso, há uma relação
estreita entre os direitos humanos e justiça social, uma vez que a justiça social preconiza a
criação de condições razoáveis para a existência humana: onde não se respeitam os direitos
humanos humanos não há justiça social e vice-versa.

9. A FILOSOFIA POLICA NA HISTORIA


 A Filosofia política na Antiguidade
Os sofistas
Os primeiros filósofos da Grécia antiga preocuparam-se com as questões da Natureza.
As explicações cosmológicas giravam em torno da procura do arqué (princípio) de todas as
coisas. Os sofistas foram os primeiros a desviar a rota tradicional de pensamento dos pré-
socráticos, que se centrava na Natureza, concentrando a sua no Homem e nas questões da moral
e da política.
   

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Platão (428 – 347 a. C.)
O pensamento político de Platão (428 – 347 a. C.) está contido sobretudo nas obras A
República e O Político e as Leis. Era ateniense, provinha de uma família aristocrática e tinha um
grande fascínio pela política.
 A República, foi uma importante obra da cultura ocidental, é uma utopia.
"Utopia” significa, etimologicamente, em nenhum lugar. Platão imagina uma cidade (que não
existe), mas que deve ser o modelo de todas as cidades terrenas: é a cidade ideal. Na obra,
examina a questão do bom governo e do regime justo (justiça). O bom governo depende da
virtude dos bons governantes.
  Em Platão, há a considerar quatro abordagens: a origem do Estado, comunismo/idealismo, a
questão das classes sociais e as formas de governo.
Origem do Estado
 A origem do Estado deve-se ao facto de o Homem não ser auto-suficiente. De facto, ninguém
pode ser, ao mesmo tempo, professor, advogado, mecânico, técnico de frio, etc. Para satisfazer
todas as suas necessidades, o Homem deve associar-se a outros homens e dividir com eles as
várias ocupações. Dividindo os encargos e o trabalho, poderá satisfazer todas as suas
necessidades do melhor modo possível, porque cada um se torna especialista numa área.
Comunismo/idealismo
 Em A República, Platão imagina que todas as crianças devem ser criadas pelo Estado e que até
aos vinte anos todos devem receber a mesma educação. Nessa altura, ocorre o primeiro corte e
definem-se as pessoas que, por possuírem «alma de bronze», tem uma sensibilidade grosseira e
por isso devem dedicar-se agricultura, ao artesanato e ao comércio. Os outros prosseguem os
estudos durante mais dez anos, momento em que acontecerá um segundo corte. Os que têm
«alma de prata» dedicar-se-ão à defesa da cidade. Os mais notáveis, por terem «alma de ouro»,
serão instruídos na arte de pensar a dois (dialogar). Conhecerão, então, a Filosofia, que eleva a
alma até ao conhecimento mais puro e que é a fonte da verdade.
  
Classes sociais
A partir do comunismo de Platão podemos antever a sua organização social. Ele parte do
princípio de que os homens são diferentes e que, portanto, deverão ocupar lugares e funções

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diferentes na sociedade. Dependendo do metal da alma de cada um, a sociedade organiza-se em
três classes: trabalhadores (camponeses, artesãos e comerciantes), soldados e magistrados
(governantes). Os trabalhadores deverão garantir a subsistência da cidade; os soldados, a sua
defesa e os magistrados, dirigir a cidade, mantendo-a coesa.
Formas de governo
Teoricamente falando, a melhor forma de governo, segundo Platão, é a monarquia, sob o
comando de um filósofo-rei, que governaria a polis de acordo com a justiça e preservaria a sua
unidade.
 A sua segunda opção seria a aristocracia composta por filósofos e guerreiros. Porém, cedo
constatou que este tipo de governo facilmente degeneraria e se converteria numa timocracia (a
Virtude seria substituída pela norma da guerra), Estando a direcção da cidade nas mãos de
ambiciosos de poder e honra.
Aristóteles
Nascido em Estagira, na Trácia, em 384 a. C, Aristóteles foi discípulo de Platão e cedo se tornou
critico do seu mestre.
 Na base da divergência estão as influências que cada um deles sofreu. Platão apreciava mais as
ciências abstractas e a Matemática, enquanto Aristóteles, por ser filho de um médico, foi
fortemente influenciado pelo estudo da Biologia. Assim se justifica o seu gosto pela observação,
o que o levou a analisar 158 constituições existentes na época, Este estudo fez com que a sua
política fosse mais descritiva, além de normativa.
A origem do Estado
  O Estado, segundo Aristóteles, é produto da Natureza: «é evidente que o Estado é uma criação
da Natureza e que o Homem é, por natureza, um animal político». O facto de o Homem ser capaz
de discursar prova a sua natureza política. Historicamente, explica Aristóteles, o Estado
desenvolveu-se a partir da família: ao unirem-se, as famílias deram origem a aldeias.

Filosofia política na Idade Média


Santo Agostinho
A doutrina política de Santo Agostinho encontra-se na abra A Cidade de Deus. Para ele, o mundo
divide-se em duas cidades: a Cidade de Deus e a Cidade terrena. A Igreja é a encarnação da

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cidade de Deus, apesar de isto não se aplicar a todos os seus membros, nem a todos os seus
ministros sagrados. O Estado é a encarnação da cidade terrena, uma necessidade imposta ao
Homem pelo pecado original. Na sua presente condição, o Homem precisa do Estado para
obrigar os membros da comunidade ao cumprimento da lei, Santo Agostinho acredita que o
Homem é mais divino do que o Estado, porque o Homem tem um fim natural que transcende o
fim do estado terrestre. Para este padre, a Igreja é superior ao Estado.
Santo Agostinho defende a existência da autoridade política, para que se mantenha a paz, a
justiça, a ordem e a segurança.
São Tomas de Aquino
A obra De Regimine Principum (Do Governo dos Príncipes) espelha o pensamento político de
São Tomas de Aquino. Versa sobre a origem e a natureza do Estado, as várias formas de governo
e as relações entre o Estado e a igreja.
Quanto à origem do Estado, Tomas de Aquino recusa-se a aceitar a concepção augustiniana,
segundo a qual a origem do Estado se deve ao pecado original, e concorda com Aristóteles: este
nasce da natureza social do Homem e não das limitações do individuo.
Filosofia política na Idade Moderna
A Filosofia moderna surge no início do século XVI e termina no fim do século XVIII, período
extremamente rico em acontecimentos políticos (fim do significado político do império e do
papado, afirmação das potencias nacionais, primeiro da Espanha, depois da França, da Inglaterra,
da Holanda, e outros países, contestação do poder absoluto dos soberanos e introdução dos
governos constitucionais, etc.).
Nicolau Maquiavel (1469 – 1527)
Com o fim do império cristão e com o enfraquecimento do poder político do papado, surgem,
fora de Itália, Estados nacionais e, em Itália, as repúblicas e as senhorias. Eram regimes onde se
respirava o ar de liberdade e onde se procurava, acima de tudo, o bem-estar material dos
cidadãos, em detrimento do bem-estar espiritual.
  Maquiavel viveu em Florença no tempo dos Médici. Observava com apreensão a falta de
estabilidade da Vida política numa Itália dividida em principados e condados, onde cada um
possuía a sua própria milícia. Esta fragmentação do poder transformava Itália numa presa fácil

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de outros povos estrangeiros, principalmente franceses e espanhóis. Maquiavel, que aspirava ver
a Itália unificada, esboça a figura do príncipe capaz de promover um Estado forte e estável.
 Por isso, em O Príncipe, Maquiavel desenha as linhas gerais do comportamento de um príncipe
que pudesse unificar a sua Itália. Para tal, Maquiavel parte do pressuposto de que os homens, em
geral, seguem cegamente as suas paixões, esquecendo-se mais depressa da morte do pai do que
da perda do património.
 As paixões que se colocam em primeiro lugar são, além da cobiça e do desejo de prazeres, a
preguiça, a vileza, a duplicidade e a insolência. Por isso torna-se imperioso que o governante da
república prepare as leis segundo o pressuposto de que todos os homens são réus e que procedem
sempre com malicia em todas as oportunidades que tiverem.
O Príncipe deve impor-se mais pelo temor do que pelo amor, para alcançar os seus objectivos:
preservar a sua Vida e a do Estado. Porém, Maquiavel adverte que o príncipe não deve esquecer
a sua reputação.
Critica a "O Príncipe"
  
Os filósofos ingleses
No século XVII, registavam-se, em Inglaterra, lutas acesas entre o rei e D parlamento, com o
predomínio ora de um, ora de outro, acabando por se impor definitivamente Q parlamento, no
fim do século. Por isso, Hobbes, Locke, Berkeley e, posteriormente Hume, deram o seu
contributo para a política do seu pais. Enquanto em França o absolutismo triunfava sem
precedentes, a Inglaterra sofria revoluções lideradas pela burguesia, visando limitar a autoridade
dos reis. O primeiro movimento revolucionário foi a chamada Revolução Puritana, em meados
do século XVII, culminando com a execução do Rei Carlos I e a ascensão de Cromwell. Mas a
efectiva liquidação do absolutismo deu-se com a Gloriosa, em 1688, quando Guilherme III foi
proclamado rei, após ter aceite a declaração de direitos, que limitava muito a sua autoridade e
concedia mais poderes ao parlamento.
Com a tendência muito em voga da secularização do pensamento político, os filósofos do século
XVII estavam preocupados em justificar racionalmente e legitimar o poder do Estado, sem
recorrer intervenção divina ou a qualquer explicação religiosa. Dai decorre a preocupação com a
origem do Estado.

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Thomas Hobbes (1588 – 1679)
Inglês, oriundo de uma família pobre, conviveu com a nobreza, da qual recebeu apoio e
condiqöes para estudar, e defendeu fortemente a direito absoluto dos reis, ameaçado pelas novas
tendências liberais. Teve contacto com Descartes, Francis Bacon e Galileu. Preocupou-se com a
problemática do conhecimento e da política. A sua doutrina política encontra-se patente nas
obras De Cive e Leviatã.
Para Hobbes, a origem do Estado é fruto de um «contrato social, decorrendo de conflitos entre
os indivíduos. Na sua óptica, o Homem conheceu dois estados: o primeiro é natural e o segundo
contratual. A situação dos homens deixados entregues a si próprios é de anarquia, geradora de
insegurança, angústia e medo. Os interesses egoístas predominam e o homem torna-se um lobo
para o outro homem (homo homini lupus). As disputas geram uma guerra de todos contra todos
(bellum omnium contra omnes). A situação de guerra não acomoda o Homem. O medo e o
desejo de paz levaram o homem a fundar um estado social e a autoridade política, abdicando dos
seus direitos em favor do soberano, que, por sua vez, terá um poder absoluto.
 A renúncia de poder deve ser total, caso contrário, se se conservar um pouco que seja da
liberdade natural do Homem, instaura-se de novo a guerra. Este poder exerce-se ainda pela força,
pois só a iminência do castigo pode atemorizar os homens. Cabe ao soberano julgar sobre o bem
e o mal, sobre o justo e o injusto; ninguém pode discordar, pois tudo que o soberano faz é
resultado do investimento da autoridade consentida pelo súbdito.
John Locke (1632-1704)
Igualmente inglês e contemporâneo de Hobbes, era descendente de uma família de burgueses
comerciantes. Esteve refugiado durante algum tempo na Holanda por se ter envolvido com
pessoas acusadas de atentar contra o rei Carlos II. Interessou-se também, para além dos
problemas gnoseológicos, pelos problemas políticos.
Charles de Montesquieu (1689 – 1755)
Pensador de reconhecido saber enciclopédico e pai do constitucionalismo liberal moderno,
escreveu L'Esprit de Lois, em 1748.
Esta obra compreende 31 livros, dos quais dois são dedicados à problemática religiosa. Na sua
obra, pretende descobrir as leis naturais da Vida social. A lei social entende-a não como um

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princípio racional do qual se deve deduzir todo um sistema de normas abstractas, mas à relação
intercorrente dos fenómenos empíricos.
 As leis são relações indispensáveis emanadas da natureza das coisas. Por isso, ser algum pode
existir sem leis. Tanto a divindade como o mundo material e as inteligências superiores ao
Homem possuem as suas leis, da mesma forma que este último também as possui. Existem as
seguintes leis:
Montesquieu procura determinar os diversos tipos de associação política, estabelecendo tanto a
natureza quanto o espírito dos mesmos. Define como tipos sociológicos fundamentais do Estado,
a democracia, a monarquia e o despotismo e apresenta as leis constitutivas de cada um nos
vários sectores da Vida humana.
Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778)
Rousseau nasceu em Genebra, na Suíça, e viveu a partir de 1742 em Paris, onde fervilhavam as
ideias liberais que culminaram na Revolução Francesa, em 1789. Conquistou a amizade de
Diderot, filósofo do grupo iluminista, do qual fazia parte Voltaire, entre outros, e que se
tornaram conhecidos como enciclopedistas, pelo facto de elaborarem uma enciclopédia que
divulgava os novos ideais, a saber: tolerância religiosa, confiança na razão livre, oposição à
autoridade excessiva, naturalismo, entusiasmo pelas técnicas e pelo progresso.

Filosofia política na época contemporânea


Hegel e o hegelianismo
Falar de Filosofia política contemporânea sem referir Hegel é procurar dificultar a compreensão
da filosofia política da nossa época.
 A Filosofia do Estado de Hegel resume-se à subordinação do individuo ao Estado, no qual este
se dissolve em nome de uma ordem suprema, a ideia absoluta que norteia as outras inteligências
e vontades, legitimando-se, desta maneira, o regime ditatorial. Objecto e não o sujeito do seu
destino. A sua vontade é sufocada pela vontade do Estado e o individuo perde a sua liberdade.
  

John Rawls

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O pensamento político do filósofo norte-americano John Rawls encontra-se patente nas
abras Uma Teoria de Justiça, de 1971, e O Liberalismo Político, resultando esta última da
revisão do pensamento expresso na primeira, devido às infirmaras críticas feitas por «libertários»
e comunitários. A obra Uma Teoria de Justiça está dividida em três partes. A primeira parte trata
das teorias, a segunda das instituições e a terceira dos fins. Na primeira parte, Rawls apresenta
ideias principais a desenvolver ao longo da obra; na segunda, a necessidade de uma democracia
constitucional como pano de fundo para a das ideias referidas na primeira; e, na -terceira,
descreve o estabelecimento da relação entre a teoria da justiça e os valores da sociedade e o bem
comum.
10. A ciência

11. A Estética
Na era em que nos encontramos, há cada vez maior afirmação das culturas, a nível local.
Uma das formas usadas para a manifestação da cultura é a estética. Estetiza-se o corpo, na dança,
a paisagem, na pintura, o som, na música, os seres, na escultura.
Existem padrões para a manifestação artística? Em que consiste a beleza de uma obra de arte?
 Qual é a sua importância? Estas são apenas algumas das perguntas que podemos formular ao
reflectirmos sobre a estética. Nas páginas que se seguem vamos reflectir sobre estas perguntas, à
luz das experiências de filósofos que sobre ela reflectiram ao longo da história.
Conceito de estética
A palavra «estética» vem do grego aisthetiké, que etimologicamente significa tudo o que pode
ser percebido pelos sentidos. Atribui-se a sua origem igualmente à palavra grega aisthesis, que
significa «sentido» ou «sensibilidade». Quando falamos de estética, referimo-nos à disciplina da
Filosofia que se ocupa do estudo do belo.
 Kant define a estética como a ciência que trata das condições da percepção pelos sentidos.
 Todavia, sabe-se que o sentido que se atribui à estética nos nossos dias (coma teoria do belo e
das suas manifestações através da arte) remonta a Alexander Baumgarten.
 O objecto de estudo da estética, enquanto ciência e teoria do belo, é o tipo de conhecimento
adquirido pelos sentidos como bela arte. O seu conceito refere o campo da experiência Humana
que o leva a classificar um objecto como bolo, agradável, em contradição com o que não é.

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A estética, enquanto problemática filosófica, compreende os seguintes problemas,
nomeadamente: a natureza da arte, o seu fim e a sua relação com as outras esferas da Vida
humana.

12. A expressão antiética

A palavra ética vem do grego ethos, que significa costume, comportamento, caráter, modo de
ser, hábito, forma de vida. Leisinger e Schmitt (2001) distinguem os conceitos de ética e moral.
Segundo os autores, a moral corresponde às normas que orientam o comportamento prático,
enquanto a ética consiste na ciência que realiza a avaliação crítica da moral. Portanto, ética é o
tratado da moral, o estudo das escalas de valores do bem e do mal, do certo e do errado. Um dos
graves problemas antiéticos encontrados em determinadas organizações consiste no assédio
moral.

13. Experiência religiosa, experiência


Experiência religiosa,  experiência mística ou experiência espiritual é uma
experiência subjectiva em que um indivíduo tem um encontro ou uma união com uma entidade
divina, ou ter tido contacto com uma realidade transcendental. Muitas tradições religiosas e
místicas vêem a experiência religiosa como um encontro directo com Deus, deuses ou contacto
com outras realidades[1] e a visão científica normalmente afirma que a experiência religiosa é
uma experiência normal do cérebro humano que evoluiu em algum momento durante o curso da
evolução do cérebro.
A experiência religiosa, com suas características comuns, tem diferentes nomes em diferentes
culturas, como:
 Experiência mística
 Experiência sacra
 Experiência espiritual
 Unio mystica (cabala)
 Irfan (islamismo - sufismo)

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 Samadhi (hinduismo - vedanta)
 Moksa (jainismo)
 Theosis (cristianismo místico)
 Gnosis (filosofia helenística)
 Henosis (neoplatonismo)
Conclusao
O conhecimento científico vai além da visão empírica, preocupa-se não só com os efeitos, mas
principalmente com as causas e leis que o motivaram, esta nova percepção do conhecimento se
deu de forma lenta e gradual, evoluindo de um conceito que era entendido como um sistema de
proposições rigorosamente demonstradas e imutáveis, para um processo contínuo de construção,
onde não existe o pronto e o definitivo, “é uma busca constante de explicações e soluções e a
reavaliação de seus resultados Os primeiros filósofos da Grécia antiga preocuparam-se com as
questões da Natureza.As explicações cosmológicas giravam em torno da procura
do arqué (princípio) de todas as coisas. Os sofistas foram os primeiros a desviar a rota tradicional
de pensamento dos pré-socráticos, que se centrava na Natureza, concentrando a sua no Homem e
nas questões a moral e da política
Platão (428 – 347 a. C.) O pensamento político de Platão (428 – 347 a. C.) está contido
sobretudo nas obras A República e O Político e as Leis. Era ateniense, provinha de uma família
aristocrática e tinha um grande fascínio pela política. A República, foi uma importante obra da
cultura ocidental, é uma utopia. "Utopia” significa, etimologicamente, em nenhum lugar. Platão
imagina uma cidade (que não existe), mas que deve ser o modelo de todas as cidades terrenas: é
a cidade ideal. Na obra, examina a questão do bom governo e do regime justo (justiça). O bom
governo depende da virtude dos bons governantes.

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Bibliografia
1. GEQUE, Eduardo; BIRIATE, Manuel. Filosofia 12ª Classe – Pré-universitário. 1ª Edição.
Longman Moçamique, Maputo, 2010.
2. CHAMBISSE, Ernesto Daniel; COSSA, José Francisco. Fil11 - Filosofia 11ª Classe. 2ª
Edição. Texto Editores, Maputo, 2017.

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