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PTC2459 Sistemas de Comunicações Cristiano Panazio

4 – Introdução às Redes ATM & Celso de Oliveira

Sistemas de Comunicações
Introdução às Redes ATM

Conceituação
ATM – Asynchronous Transfer Mode – é uma tecnologia de multiplexação e
chaveamento (comutação) de alto desempenho, baseada em células, que utiliza
pacotes de comprimento fixo para transportar diferentes tipos de tráfego de
informação. Uma característica fundamental do ATM é a possibilidade de estabelecer
classes de serviços. Entre as suas principais aplicações estão interconexões de LANs
em alta velocidade, e a transmissão de voz, vídeo, e multimídia em geral.

Visão geral
As redes de comunicação foram originalmente projetadas para voz. Recentemente
novas necessidades de comunicação apareceram, e se faz necessário evoluir as redes
de forma a poder trafegar também uma variedade de outras formas de informação tais
como dados e multimídia.
O ATM foi concebido com o objetivo de combinar estes vários tipos de informação
de maneira eficiente. Novos serviços avançados de comunicação baseados em
multiplexers e comutadores ATM, geralmente combinado com transporte SDH (ou
SONET), podem ser então desenvolvidos.
Um ponto chave da sua concepção é o gerenciamento de banda, essencial ao se
combinarem diversos tipos de informação na mesma rede.

Definição de ATM
Nos anos 1970-1980 desenvolveu-se na área das comunicações o conceito da RDSI de
banda larga (Rede Digital de Serviços Integrados de banda larga) – broadband ISDN
(“Integrated Services Digital Network”), que impulsionou o desenvolvimento do
ATM. Conceitualmente, o ATM pode ser considerado como uma evolução da
comutação de pacotes. Da mesma forma que outras soluções de redes de pacotes tais
como X.25, frame relay e TCP/IP (“Transmission Control Protocol – Internet
Protocol”), o ATM integra funções de comutação (ou chaveamento) com funções de
multiplex, sendo bem adaptado ao tráfego em rajadas (em contraste com a comutação
convencional, adaptada por sua vez ao tráfego de perfil uniforme no tempo1),
possibilitando comunicação entre dispositivos que operam em velocidade diferentes.
No entanto, diferentemente das redes de pacotes, o ATM foi projetado também para
apresentar alto desempenho com informação multimídia. Desta forma, ao combinar
bom desempenho tanto para informação em rajadas (pacotes) como para informação
de perfil uniforme (voz, multimídia, etc), o ATM pode ser a tecnologia básica para
interconectar uma grande variedade de dispositivos, tais como:
 PCs, estações de trabalho e servidores

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Nestas notas vamos nos referir a esta classe de informação, que inclui, por exemplo, voz, vídeo e
combinação de voz com vídeo – filmes, genericamente por multimídia. Uma característica quase
sempre presente na informação multimídia é o seu perfil uniforme no tempo, normalmente baseada em
uma taxa de amostragem fixa, e, portanto, requerendo alocação de banda para ser adequadamente
trafegada pela rede.

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 Grupos Ethernet, Grupos de trabalho token-ring
 Comutadores ATM empresariais
 Multiplexers ATM
 Comutadores ATM na borda (periferia) da rede
 Comutadores ATM no backbone da rede

Por que o ATM é mais eficiente que TDM


No sistema TDM2 cada usuário tem um intervalo de tempo ou fatia/janela de tempo
(“time-slot”) alocado, e nenhum outro usuário pode utilizar este time-slot. Mesmo no
caso de um certo usuário ter grande quantidade de informação a enviar, deve aguardar
a ocorrência do próximo time-slot de tempo a ele alocado, mesmo que todos os time-
slots anteriores, alocados ou alocáveis a outros usuários, estejam vazios. Ao contrário,
sempre que um usuário não tenha nada a transmitir quando o seu time-slot ocorrer,
este será desperdiçado, no sentido em que não transportará nenhuma informação.
Por causa da sua natureza assíncrona, o ATM é mais eficiente do que as tecnologias
síncronas. No caso do ATM, os time-slots se tornam disponíveis sob demanda, sendo
a fonte de informação identificada no cabeçalho de cada célula ATM.
Dada a natureza estatística do tráfego e a multiplexação dinâmica feita pelo ATM, que
permite partilhar um enlace com diversos usuários, permitindo a variação de suas
taxas, dizemos que o ATM realiza multiplexação estatística, i.e., exatamente o
contrário do que é feito no TDM.

Blocos de Implementação ATM – Circuito Virtual ATM


Os serviços são montados a partir de BIs – blocos de implementação (IB –
implementation blocks), sendo o bloco mais fundamental um Circuito Virtual ATM,
que é uma conexão fim-a-fim que possui os pontos terminais bem definidos, mas não
possui banda alocada à conexão. Neste caso, a banda é alocada sob demanda, à
medida que os usuários da rede gerem tráfego. Porém, o ATM também define várias
classes de serviços, um recurso muito importante para ampliar as possibilidades de
aplicação. Esta é a razão pela qual o ATM pode tratar com eficiência tanto informação
em rajadas (bursts) como multimídia.

Aproveitamento dos recursos da rede


Ao oferecer simultaneamente conexões fim-a-fim sem alocação de banda e classes de
serviços para tratamento de multimídia, o ATM consegue alto aproveitamento dos
recursos da rede sem prejudicar o desempenho para tráfego multimídia.
Algumas aplicações geram inerentemente informação em rajadas, para as quais a
alocação dinâmica de banda é adequada (sem alocação), entre as quais se incluem
email, comunicação cliente – servidor ou estação de trabalho – servidor, ou ainda
transferência de arquivos.

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TDM – “Time Division Multiplex” – Multiplexação por divisão de tempo, a exemplo dos sistemas
multiplex PCM plesiócronos e síncronos.

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Tráfego em Rajadas
As aplicações multimídia, apesar da sua característica mais uniforme, também podem
gerar dados com um certo perfil intermitente, ou de rajadas (em geral mais lentas que
os dados), e o ATM procura tirar partido deste perfil para otimizar a alocação dos
recursos da rede. Vamos entender melhor: (i) mesmo a voz em uma conversação tem
um perfil de rajadas, à medida que cada interlocutor fala a um tempo, e há períodos de
silêncio; (ii) filmes possuem, ao longo do tempo, cenas quase estáticas e cenas muito
dinâmicas, cenas intensamente coloridas e cenas com pouca variação de cor, som em
todos os canais de áudio ou silêncio, podendo ser transmitido utilizando bandas
diferentes em diferentes momentos, e assim mesmo sem prejudicar o espectador com
interrupções ou imperfeições de imagem ou de som.

Classes de Serviços
As classes de serviço são muito convenientes para permitir que as aplicações tenham
throughput3 variável sem afetar os requisitos de latência4 em uma rede única.

Escalabilidade
O ATM é escalonável tanto em porte de rede como em velocidade, aceitando desde
enlaces E1 (2,048Mb/s) até as hierarquia superiores de SDH a 2,5Gbit/s e 10Gbit/s.

Interfaces de Rede do ATM


Uma rede ATM é composta por um conjunto de comutadores ATM interconectados
por enlaces ATM ponto a ponto. Os comutadores ATM possuem dois tipos de
interface: UNI (“User Network Interface”) e NNI (“Network Node Interface”). Uma
interface UNI conecta um comutador ATM a um terminal ATM, enquanto uma
interface NNI conecta dois comutadores ATM.
UNI NNI NNI

Roteador

LAN switch

Estação
de
trabalho

Figura 1 – ATM – Interface de usuário e (UNI) Interface de nó de rede (NNI)

Formato de uma célula ATM


O cabeçalho de uma célula ATM pode ter dois formatos diferentes, um para cada
interface (UNI – interface de usuário ou NNI – interface de nó de rede), como mostra
a Figura 2.

3
throughput – também conhecida como vazão, é quantidade de informação que trafega por um
dispositivo ou canal de comunicação em um intervalo de tempo, normalmente medida em bit/s, kbit/s,
etc.
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latência – é o tempo de reação de um dispositivo ou de uma rede, associado ao atraso que a
informação sofre ao trafegar

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As células são comutadas individualmente e possuem tamanho fixo de 53 bytes dos
quais 5 são dedicados ao cabeçalho e 48 são dedicados ao payload. A idéia de se usar
célula pequenas é a de permitir a redução do atraso, do jitter (variação de tempo na
chegada das células) e da complexidade dos comutadores, uma vez que se pode usar
buffers pequenos.

Os campos do cabeçalho
GFC (Generic Flow Control) – raramente utilizado (=0000), é reservado para funções
locais tais como a identificação de múltiplas estações partilhando uma única interface
ATM.
VPI (Virtual Path Identifier) – Em conjunto com VCI, identifica o próximo destino de
uma célula que passa por um comutador em direção ao seu destino.
VCI (Virtual Channel Identifier) – Em conjunto com VPI, identifica o próximo
destino de uma célula que passa por um comutador em direção ao seu destino.
GFC VPI
VPI
VPI
Cabeçalho (5 bytes) VCI VCI
PT CLP PT CLP
HEC HEC

53
bytes

Payload (48 bytes) Payload (48 bytes) Payload (48 bytes)

8 bits

Figura 2 – Formato de uma célula ATM: o cabeçalho tem sempre 5 bytes, e o payload tem
sempre 48 bytes. Os cabeçalhos diferem para as interfaces UNI e NNI.
PT (Payload Type) – campo de 3 bits assim definidos: se for b 1 = 0 define que a célula
contém dados de usuário, e se b1 = 1, que a célula contém dados de controle. O
segundo bit indica congestionamento (b2 = 1 indica congestionamento), e o terceiro
bit indica se a célula é a última de um quadro (b3 = 1 indica última célula do quadro).
CLP (Cell Lost Priority) – campo de 1 bit que indica que a célula pode ser descartada
em caso de congestionamento, dando preferência a células com este bit zerado.
HEC (Header Error Control) – calcula o checksum dos 4 primeiros bytes do
cabeçalho, podendo assim corrigir um erro simples nestes bytes, permitindo nestes
casos recuperar a célula ao invés de descartá-la.
No caso de erro numa célula, esta e descartada e a retransmissão dos dados perdidos
fica a critério das camadas superiores. Vale lembrar ainda que não há sincronismo
entre a rede de transporte e a fonte. Isto quer dizer que as células não ocupam
posições fixas no tempo.

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Serviços de uma rede ATM


Há três tipos de serviços numa rede ATM: (i) circuitos virtuais permanentes (PVC),
(ii) circuitos virtuais comutados (SVC)5 e (iii) serviços sem conexão (conectionless) 6.
PVC permite conectividade direta entre os dois sites. Pode ser comparado a uma linha
alugada. Uma de suas vantagens é a garantia de existência de conexão sem exigir o
procedimento de conexão entre comutadores. Uma desvantagem é, por conseguinte, é
o fato de a conectividade ser estática, estabelecida manualmente. Cada equipamento
entre a origem e o destino precisa ser manualmente provisionado. Além disto, neste
caso a rede não apresenta resiliência7.
SVC é criado e liberado dinamicamente, permanecendo em uso apenas enquanto os
dados estão sendo transferidos. Pode ser comparado a uma chamada telefônica. O
controle dinâmico das chamadas exige um protocolo de sinalização entre os terminais
ATM e os comutadores ATM. A principal vantagem é a flexibilidade de conexão e
estabelecimento de chamada que pode ser controlado automaticamente por um
dispositivo de rede. A desvantagem é a sobrecarga de sinalização necessária para
estabelecer uma chamada.

O estabelecimento de uma chamada em uma rede


ATM
A sinalização ATM usa o método usual de conexão de todas as redes modernas de
telecomunicações8. Uma conexão por uma rede ATM é realizada da seguinte maneira:
inicialmente o terminal ATM de origem (fonte) envia um sinal de solicitação de
conexão; esta solicitação é então propagada pela rede, e como conseqüência as
conexões são estabelecidas. A solicitação de conexão chega ao destino que a aceita ou
rejeita.

Roteamento
O ATM possui um protocolo para roteamento (PNNI – Private Network-Network
Protocol) o qual roteia conexões baseadas nos endereços da origens e do destinos,
tráfego e QoS9 solicitados pela fonte. A Figura 3 ilustra o método de conexão
descrito.
Conexão com B Conexão com B Conexão com B Conexão com B

Terminal Terminal
ATM (A) ATM (B)
SIM SIM SIM SIM

Figura 3 – O estabelecimento de uma conexão por uma rede ATM

5
Tanto o PVC quanto o SVC são serviços orientados à conexão, i.e., serviços em que o acesso ao meio
de transmissão é controlado. Geralmente divido em três etapas: 1) estabelecimento da conexão, 2)
transferência de dados e 3) liberação da conexão.
6
Não há controle de acesso ao meio e não há garantia de entrega dos dados transmitidos
7
capacidade de se recuperar facilmente (de falhas).
8
por exemplo, a própria rede telefônica.
9
QoS = “Quality of Service” – Qualidade de serviço.

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As conexões virtuais do ATM
O ATM é basicamente orientado a conexão, o que significa que um canal virtual (VC
– “Virtual Channel”) precisa ser estabelecido ao longo da rede antes que algum dado
seja transferido. Um canal virtual pode ser considerado equivalente a um circuito
virtual.
Há dois tipos de conexões ATM: conexões de trajeto virtual (VP – “Virtual Path”),
que são identificadas pelos identificadores de trajeto virtual (VPI – “Virtual Path
Identifier”) e conexões de canais virtuais (VC – “Virtual Channel”), identificadas por
uma combinação de VPI e VCI.
Um trajeto virtual é a consolidação de um conjunto de canais virtuais que são
comutados de forma transparente ao longo da rede ATM, sendo as comutações
baseadas em um VPI comum. Todos os VPIs e VCIs, entretanto, possuem apenas
significado local, ao longo de um particular enlace, e são remapeados em cada
comutador. A Figura 4 ilustra esquematicamente a consolidação (ou concatenação) de
canais virtuais em trajetos virtuais.

VCs VP VP VCs
Trajeto de transmissão
VCs VP VP VCs

Figura 4 – Consolidação de canais virtuais em trajetos virtuais.

A operação de um comutador ATM


A operação de um comutador ATM é simples e direta. Uma célula é recebida através
de um enlace em uma VCI (“Virtual Circuit Identifier”) ou uma VPI (“Virtual Path
Identifier”). O comutador consulta uma tabela interna de tradução para definir a porta
de saída (ou as portas de saída) e o novo VCI ou VPI da conexão naquele link. Então
o comutador retransmite a célula naquele enlace de saída com os identificadores de
conexão adequados. Como todos os VCIs e VPIs somente têm significado local,
através de um dado enlace, estes valores são remapeados em cada comutador.
A tabela de comutação só é valida durante a conexão. Ela define uma relação lógica
de comutação nó-a-nó, permitindo que cada célula seja encaminhada ao seu destino
final.

Dispositivos de uma Rede ATM


Uma rede ATM é constituída basicamente de Comutadores ATM e de Terminais
ATM. Um comutador ATM é o órgão que possibilita o trânsito das células ATM pela
rede. A tarefa de um comutador ATM é bem definida: recebe as células de terminais
ATM ou de outros comutadores ATM, lê e atualiza o cabeçalho e imediatamente
chaveia a célula para uma interface de saída em direção ao seu destino. Um terminal
ATM contém uma interface de adaptação à rede ATM. São exemplos de terminais
ATM as estações de trabalho (“workstations”), os roteadores, os comutadores de
redes locais (“LAN switches”), os codificadores e decodificadores de vídeo (“Vídeo
CODECS”), etc (ver Figura 5).

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UNI NNI NNI

Roteador

LAN switch

Estação
de
trabalho

Figura 5 – Uma rede ATM é composta por comutadores ATM e terminais ATM
Os comutadores ATM podem pertencer à operadora de serviços de telecomunicações,
ou a um cliente privado. Mesmo quando pertencentes a uma operadora, podem ser
instalados nos prédios ou escritórios de clientes corporativos.

AAL – Níveis de adaptação do ATM – “ATM Adaptation


Layer”
Para que a capacidade do ATM seja devidamente aproveitada é necessário que cada
aplicação utilize um AAL apropriado ao padrão de dados por ela gerado. A AAL é
responsável por controlar o fluxo de informações de operação e manutenção relativas
ao nível escolhido e gerência os recursos e os parâmetros associados às entidades de
protocolo. A AAL segmenta e monta as unidades de informação do serviço (o
payload da célula) no payload de células10 e detecta células fora de seqüência.
A Tabela 1 mostra os AALs especificados e a sua principal utilização. Como AALs
diferentes oferecem diferentes serviços, é responsabilidade de cada aplicação
selecionar, no procedimento de conexão, o AAL que melhor se adapta às suas
necessidades.
AAL Serviços Suportados Usuários Principais

AAL 1 Emulação de Circuito (CBR) Aplicações CBR (Multimídia)

AAL 2 Baixa taxa de bit & VBR-RT Sistemas móveis (compressão)

AAL 3/4 Baixa taxa de bit & VBR-NRT

AAL 5 Dados em Pacotes Usuários de dados (principalmente IP) e


sinalização

Tabela 1 – Níveis de adaptação do ATM

As Classes de Serviços do ATM


Como já foi dito, o ATM é um sistema orientado a conexão. Isto significa que o
usuário pode especificar os recursos requeridos dinamicamente, conexão por conexão.
Há 5 classes de serviços que podem ser invocadas, cada uma das quais associada a
uma determinada qualidade de serviço (QoS – “Quality of Service”), como mostra a
Tabela 2.

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A inserção do cabeçalho é feita pela camada inferior, a camada ATM.

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Classe de Serviço ATM Qualidade de Serviço


CBR – “Constant Bit Rate” É usada para emular comutação de circuitos
(taxa constante de bits) (similar à comutação telefônica). A taxa de
ocorrência das células é constante no tempo. As
aplicações são, neste caso, sensíveis à variação no
atraso das células. Exemplos de uso de CBR são:
(i) tráfego telefônico (n x 64kb/s), (ii) televisão e
(iii) vídeo-conferência.
VBR-NRT – “Variable Bit Rate Permite aos usuários enviar dados a taxas que
– Non Real Time” variam com o tempo, dependendo da
(taxa variável de bits em tempo disponibilidade da informação do usuário. Neste
não real) caso se usa multiplexação estatística para otimizar
o uso dos recursos da rede. Um exemplo típico de
aplicação desta classe é o email multimídia.
VBR-RT – “Variable Bit Rate – Esta classe é similar à anterior, com a única e
Real Time” importante diferença que é a de pode ser utilizada
(taxa variável de bits em tempo de modo eficiente por aplicações sensíveis a
real) variações de atraso. Exemplos de aplicação desta
classe são: (i) voz com detecção de atividade do
locutor (rajadas intercaladas de locução
interrompidas por períodos de silêncio, e (ii) vídeo
comprimido.
ABR – “Available Bit Rate” O usuário pode declarar qual a taxa mínima de
(taxa de bits disponível) células necessária, o que é garantido pela rede. As
especificações não obrigam que o sistema garanta
uma variação máxima no atraso das células, porém
os comutadores, em geral, procuram minimizar
esta variação. Da mesma forma, não existe uma
especificação de taxa máxima de perda de células.
Dependendo da situação de congestionamento da
rede, o usuário pode ser solicitado a controlar a sua
taxa de informação. Aplicações típicas desta classe
são (i) email e (ii) transferência de arquivos.
UBR – “Unespecified Bit Rate” Esta classe compreende todos os casos não
(taxa de bits não-especificada) cobertos anteriormente, sendo largamente utilizada
hoje em dia pelo tráfego TCP/IP.
Tabela 2 – Classes de Serviço ATM

ATM – Medida da Qualidade da Comunicação


A qualidade da comunicação proporcionada por uma rede ATM é medida através de
certos parâmetros técnicos de qualidade, de tal forma que, dependendo do particular
serviço em questão, alguns destes parâmetros são mais relevantes ou críticos (e podem
ser controlados de alguma forma), sendo outros, eventualmente, menos importantes.
Estes parâmetros técnicos estão brevemente descritos na Tabela 3.
A flexibilidade do ATM para compor a espinha dorsal (“backbone”) de uma rede
digital capaz de trafegar informações de diferentes naturezas reside na existência das
classes de serviço, e da sua relação com os parâmetros técnicos anteriormente

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descritos. Claramente, cada classe de serviços atende a uma combinação específica
destes parâmetros técnicos, o que lhe confere determinadas capacidades adequadas a
certos serviços específicos, conforme mostra a Tabela 4.

As Normas de Padronização do ATM


Várias normas de padronização se aplicam ao ATM, cobrindo os diversos aspectos de
serviços e de inter-funcionamento com outras redes ou sistemas. A primeira, e mais
básica, é aquela que descreve em detalhe os serviços fim-a-fim descritos no tópico
anterior. Uma outra especifica o inter-funcionamento com “frame-relay”11.
Outras normas conhecidas como ATM-UNI – “ATM user network interface” estabe-
lecem como o usuário deve se conectar para acessar estes serviços. Destacam-se as
conexões com enlaces E1 (2,048Mb/s), e as várias hierarquias SDH (155Mb/s,
622Mb/s, etc). Por exemplo, a interface com SDH a 155Mb/s foi especificada tanto
para fibra monomodo (para áreas extensas) como para pares de fibra multimodo não
blindadas, de custo mais baixo, convenientes para aplicações internas em edifícios,
por exemplo.
Parâmetro de Qualidade Definição
CLR – “Cell Loss Ratio” Porcentagem de células não entregues ao des-tino
(taxa de perda de células) devido a congestionamento e transborda-mento de
buffers.
CTD – “Cell Transfer Delay” O atraso sofrido por uma célula entre o ponto de
(atraso de transferência das células) entrada e o ponto de saída da rede ATM. Inclui (i) o
tempo de propagação, (ii) atrasos em filas, atrasos
na comutação nos comu-tadores intermediários, e o
tempo de execução dos serviços.
CDV – “Cell Delay Variation” É a medida da variação do atraso ocorrido na
(variação do atraso das células) transferência das células. Variações altas po-dem
prejudicar tráfegos sensíveis a variação de atraso, a
exemplo de voz e vídeo.
PCR – “Peak Cell Rate” É a máxima taxa de células que o usuário vai
(taxa de pico de células) transmitir (o inverso do intervalo mínimo de
chegada das células).
SCR – “Sustained Cell Rate” É a taxa média de transferência de células, medida
num intervalo de tempo longo, nor-malmente a
duração de uma conexão.
BT – “Burst Tolerance” Determina a máxima rajada que pode ser envia-da à
taxa máxima. É utilizada pelos algoritmos de
controle de tráfego da rede.
Tabela 3 – Parâmetros de Qualidade do ATM para medida da qualidade da comunicação

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Frame-relay é uma tecnologia mais antiga de comunicação de dados que também utiliza circuitos
virtuais utilizando quadros de comprimento variável entre os usuários.

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Classe de Serviço  CBR VBR-NRT VBR-RT ABR UBR


Parâmetros de Qualidade 

CLR (“Cell Loss Ratio”) X X X X


CTD (“Cell Transfer Delay”) X X
CDV (“Cell Delay Variation”) X X X
PCR (“Peak Cell Rate”) X X X X
SCR (“Sustained Cell Rate”) X X
BT @ PCR X X
(“Burst Tolerance at Peak Cell
Rate condition”)
Controle de Fluxo X
Tabela 4 – Associação das classes de serviços com os parâmetros de qualidade

Aplicações de ATM
A tecnologia ATM pode ser aplicada a uma variedade de ambientes de rede conforme
ilustrado no diagrama da Figura 6 – Aplicações de ATM.

Backbone
WAN (LANE) Frame Relay

Banda larga Backbone Intraestrutura


residencial ATM das operadoras

Backbone da Redes Privadas


Internet Virtuais
Multimídia

Figura 6 – Aplicações de ATM

IP sobre ATM
O fórum ATM definiu o inter-funcionamento de redes IP e ATM, especificando o
mapeamento de datagramas IP sobre ATM (ARTMARP – Address Resolution
Protocol) – solicitações e respostas, – utilizando o nível de adaptação 5 do ATM
(AAL-5).
O interesse de se especificar o interfuncionamento destas tecnologias é permitir a
implementação de uma rede com espinha dorsal (“backbone”) ATM, considerada por
muitos como ideal para compatibilizar tráfegos de naturezas diversas, com redes IP,
inegavelmente um protocolo de facto que se popularizou através da Internet, e que
oferece algumas restrições à transmissão de tráfego sensível a variações de atraso (por
exemplo, multimídia). Ainda, provedores de serviços da Internet (ISPs) podem
desenvolver infra-estruturas ATM para poder ampliar a variedade de serviços
oferecidos, podendo habilitar classes de serviços de Internet e serviços de VPN. Neste
sentido, a convergência de serviços de telecomunicações (voz, email, rádio, TV, TV

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iterativa, vídeo sob demanda, etc) para assinante residencial pode ser baseada em
infra-estrutura ATM de comutação e multiplexação. Naturalmente esta estrutura deve
ser complementada por soluções viáveis de transporte: (i) backbone de fibras e
equipamentos SDH, e (ii) soluções para a última milha que podem variar desde o par
de cobre com voz e dados por modem ADSL, cabo coaxial (CATV), acesso fixo por
rádio – FRA (“Fixed Radio Access”), ou até mesmo a solução mais sofisticada, fibra
até a residência – FTTH (“Fiber To The Home”).

Emulação de Redes Locais em ATM: Interfuncionamento ATM


– Ethernet
LAN Emulation – (LANE) é um padrão que dá ao ATM as mesmas funcionalidades
das redes locais tradicionais tais como Ethernet e Tolken Ring. A Figura 7 compara
uma LAN física com uma LAN emulada por uma rede ATM.
Apesar da Ethernet tradicional a 10Mb/s ter-se estabelecido como uma tecnologia
aberta, fácil de usar, versões mais rápidas de Ethernet (a 1Gb/s e a 10Gb/s) podem
inegavelmente oferecer muitas vantagens, especialmente quando acopladas com
ATM.
O ATM possui características superiores de desempenho que incluem re-roteamento
automático em caso de falha, procedimentos de controle de tráfego (engenharia de
tráfego), qualidade de serviço fim-a-fim assegurada (QoS) e classes de serviços
selecionáveis pelo usuário (CoS).
Alguns benefícios básicos da Ethernet são a simplicidade, a sua larga utilização e a
grande aceitação como solução para redes corporativas e, em alguns casos, para redes
metropolitanas. Entretanto, a Ethernet não possui robustez comparável às tecnologias
tradicionais das operadoras de Telecomunicações (rede Telefônica, por exemplo)12. A
Ethernet também não desfruta de mecanismos adequados de engenharia de tráfego,
controle de resiliência e da qualidade de serviço requeridos por uma rede moderna.
Neste sentido, a combinação das duas tecnologias pode resgatar o melhor de cada uma
delas, e por isto é defendida por muitos como uma solução ideal.

Rede
ATM

LAN switch Roteador LAN switch Roteador


LAN FÍSICA

Figura 7 – uma rede ATM pode emular uma LAN física


Especificamente desenvolvido para possibilitar a interligação de LANs em áreas
metropolitanas, visando unificar as redes locais por exemplo de escritórios ou

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tipicamente, disponibilidade de serviços de 99,999%.

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agências de uma corporação13, o protocolo de emulação de redes locais em ATM –
LANE – possibilita alto nível de segurança e de desempenho.

Infraestrutura das operadoras


Algumas operadoras públicas de serviços de comunicações decidiram implementar
infra-estruturas ATM para aproveitar melhor a sua rede de transporte existente –
fibras e equipamentos SDH, – e assim melhorar a qualidade, a competitividade e a
diversidade dos serviços oferecidos.

Voz sobre ATM


Serviços de voz em tempo real têm sido oferecidos tradicionalmente por técnicas de
comutação de circuitos (centrais de comutação telefônica analógicas ou digitais,
equipamentos multiplex PCM, etc). Seria natural mapear estes circuitos em ATM
usando trajetos virtuais permanentes com taxa constante de bits (CBR – PVCs). Este
procedimento é chamado de emulação de circuito (“circuit emulation”) e, como já foi
explicado, não otimiza a utilização dos recursos do sistema, um vez que banda é
dedicada a este tipo de tráfego sem que seja necessariamente utilizada em
determinados momentos.
Com a evolução da tecnologia, a característica inerente de intermitência da voz, aliada
a algoritmos sofisticados de compressão permitem cursar voz por redes ATM usando,
por exemplo, conexões utilizando a classe de serviços ATM VBR-RT (“Variable Bit
Rate – Real Time”). Esta técnica, quando utilizada para voz, tira proveito da
característica intermitente da voz, com som intercalado com períodos de silêncio.

Vídeo sobre ATM


A forma mais direta para trafegar vídeo por uma rede ATM é através de emulação de
circuito (utilizando o nível de adaptação 1 do ATM (AAL 1) com taxa constante de
bits (CBR). Porém, similarmente ao caso anterior, este procedimento não otimiza a
utilização dos recursos da rede. Um exemplo de aplicação deste modo de operação é o
sistema de vídeo conferência baseada em comutação de circuitos, com quadros
compactados em JPEG (“motion JPEG”) à velocidade de 10Mb/s.
Mais recentemente o fórum ATM (“ATM forum”) especificou o uso do nível de
adaptação 5 do ATM para MPEG-214 em aplicações de vídeo sob demanda. É claro
que este procedimento faz uso muito mais eficiente dos recursos da rede (os dados são
transmitidos em pacotes, sem comutação de circuitos).

Redes Privadas Virtuais (VPN) Multimídia


Serviços típicos de empresas, incluindo interligação de Redes Locais – LANs,
interligação de servidores e terminais, comunicação de voz (por exemplo telefonia e
teleconferência) e comunicação de vídeo (videoconferência, por exemplo), podem ser
oferecidos com qualidade e com vantagem econômica através de backbones que
combinam a tecnologia ATM de comutação e multiplexação com transporte SDH.
Este tipo de instalação pode incluir equipamentos localizados nas dependências do
usuário, e em geral os serviços são prestados garantindo conectividade e qualidade
13
Um bom exemplo seriam as agências bancárias em bairros das grandes cidades ou mesmo em
cidades diferentes
14
MPEG (“Moving Picture Experts Group”) define um conjunto de normas que especificam
codificação de vídeo e de áudio “surrounding”, e também o sincronismo entre vídeo e áudio durante a
execução de programas codificados em MPEG.

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assegurada fim-a-fim, para interligar diferentes unidades (filiais, escritórios, etc) de
uma corporação.

Backbone Frame Relay


Operadoras que oferecem serviços de conexões do frame relay podem estabelecer um
backbone ATM para expandir os serviços rapidamente (o que é garantido pelo
interfuncionamento ATM – frame relay), e ao mesmo tempo podem planejar a
introdução gradual de serviços mais avançados.

ATM & SDH – Arquitetura de rede


NGN (“Next-Generation Networks”) – Redes de Nova Geração
Uma rede composta por comutadores e multiplexers ATM combinados com SDH para
transporte por fibra é sem dúvida uma solução interessante para constituir a espinha
dorsal de uma rede de telecomunicações de nova geração. Uma tal rede tem os
elementos necessários para o desenvolvimento de serviços corporativos e residenciais
que podem incluir comunicação de voz, dados e vídeo, ou genericamente, multimídia.
Há várias formas para se acessar uma rede ATM, desde um desktop ATM, Redes
Ethernet, Redes de telefonia celular, Redes de telefonia fixa, ou acessos ADSL, entre
outros. Uma rede ATM possui como elemento básico as classes de serviços aplicáveis
diretamente aos serviços nativos ATM, e extensíveis a serviços baseados em IP
(“Internet protocol”), em Frame Relay ou em Comutação de Circuitos em geral. O
ATM acomoda a natureza inerentemente intermitente das aplicações de dados, voz e
vídeo em uma estrutura única e versátil de pacotes, e ainda tirando ainda partido da
compressibilidade destes tipos de dados, resultando em ótimo aproveitamento dos
recursos da rede, evitando desperdício de banda. A Figura 6 mostra uma arquitetura
típica de rede ATM, mostrando que os usuários podem acessar uma variedade de
servidores dedicados a cada tipo de serviço.
Esta arquitetura pode ser considerada revolucionária quando comparada com a das
redes tradicionais, à medida que a sua espinha dorsal não utiliza comutadores de
circuitos tais como as centrais de comutação telefônica. Em seu lugar, comutadores de
pacotes ATM realizam o roteamento das chamadas, simultaneamente com a
comutação de pacotes de dados de tráfegos de outra natureza (dados, multimídia, etc).
Nesta arquitetura avançada de rede, a inteligência de estabelecimento e controle de
chamada não é mais uma função do comutador (como é o caso convencional das
centrais telefônicas), e sim de um servidor de chamadas centralizado, que pode estar a
dezenas ou centenas de quilômetros de distância do usuário, e pode gerenciar centenas
de milhares de usuários.
É oportuno observar que esta arquitetura de rede pode também utilizar um backbone
de faixa larga com tecnologia IP & SDH (IP combinado com SDH) em lugar de ATM
& SDH. Afinal, ATM e IP (com SDH) são apenas duas implementações de redes de
transporte baseadas em pacotes. Entretanto, esta comparação deve ser feita em maior
nível de detalhe para que se possa chegar a uma conclusão objetiva. Além disto, será
sempre necessário um meticuloso projeto de redes que leve em conta os serviços
pretendidos, o perfil de tráfego, a qualidade requerida e os aspectos econômicos. Em
especial, o desempenho do sistema para aplicações como voz sobre IP (VoIP) ou
ATM, vídeo sobre IP (VoIP) ou ATM, devem ser detalhadamente analisadas antes de
se definir a estratégia de rede mais adequada.

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4 – Introdução às Redes ATM & Celso de Oliveira

Servidores Chamadas Roteamento Vídeo Multimídia

Backbone de faixa larga


Transporte ATM & SDH

Fibra, Cabo, Rádio

Acesso

Figura 6 – Arquitetura de rede de faixa larga baseada em ATM e SDH

Exercícios

1. Voz e vídeo são informações de caráter intermitente? Como são tratadas pelos
sistemas de comutação telefônica tradicionais?
2. Qual o método mais adequado ao tráfego intermitente: comutação de circuitos
ou comutação de pacotes? Por quê?
3. ATM utiliza pacotes de tamanho fixo? Qual o comprimento do pacote? O que
é payload? O cabeçalho tem quantos bytes? Por quê?
4. Que tipo de conexão virtual é preferível em ATM? Circuito virtual
permanente ou circuito virtual comutado? Por quê?
5. A Classe de serviços CBR é mais adequada a e-mail ou a videoconferência?
Por que?
6. Pode-se usar a classe de serviços VBR-RT – “Variable Bit Rate – Real Time”
(taxa variável de bits em tempo real) para transmissão de vídeo? Em caso
afirmativo, qual o padrão de vídeo e qual nível de adaptação seriam
convenientes usar? Por quê?
7. Compare duas alternativas para trafegar voz por ATM: (i) trajetos virtuais
permanentes com taxa constante de bits (PVP-CBR), e taxa variável de bits
em tempo real (VBR-RT). Quais as vantagens e desvantagens em cada caso?
8. Para que serve a emulação de redes locais por ATM?

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4 – Introdução às Redes ATM & Celso de Oliveira
9. É possível se transmitir dados utilizando protocolo IP através de uma rede
ATM?
10. Quais os principais componentes de um backbone de rede de faixa larga? O
que é um servidor de voz? Qual o papel das centrais telefônicas convencionais
numa rede de faixa larga?
11. Uma conversação telefônica entre dois interlocutores (A e B) tem o seguinte
perfil de tráfego:
a. A fala 30% do tempo (B permanece em silêncio);
b. B fala 40% do tempo (A permanece em silêncio);
c. 5% do tempo ambos falam simultaneamente;
A voz é digitalizada no padrão brasileiro (PCM com 8kHz de freqüência de
amostragem, 8 bits por amostra – lei A de compressão).
Pergunta-se
a. Qual a taxa total de informação em cada sentido se for utilizado o
sistema TDM tradicional?
b. Qual a taxa de informação em cada sentido se for utilizado ATM com
classe de serviço CBR (incluindo cabeçalho ATM)
c. Qual a taxa de informação teórica em cada sentido se for utilizado
ATM com classe de serviço VBR-RT (incluindo o cabeçalho ATM)?
d. Qual a taxa de informação teórica em cada sentido se for utilizado
ATM com classe de serviço UBR (incluindo o cabeçalho ATM)?
e. Qual o sistema mais indicado (c) ou (d)? Por quê?
f. É possível obter-se desempenho melhor do que aquele do item (c)?
Como?
12. Qual a taxa de transmissão de pacotes ATM (pacotes por segundo) necessária
para se transmitir uma conversação telefônica (PCM – lei A) com emulação de
circuitos – classe de serviço CBR?

13. Um enlace digital de taxa bruta B=10Mb/s em cada sentido é utilizado para
cursar informação em padrão ATM, nas seguintes condições (supor comu-
nicação com características estatísticas equivalentes nos dois sentidos):

1) Esta taxa bruta inclui cabeçalho e payload;

2) No comissionamento do sistema houve o estabelecimento de 60 circuitos


comutados de voz, de 64kb/s, em regime permanente, com classe de serviço
CBR;

3) Da capacidade restante, pretende-se reservar 30% para voz com detecção de


atividade do locutor, sendo esta atividade estatisticamente estimada em 40% to
tempo, e utilizando compressão MP3 a 8kb/s, com classe de serviço VBR-RT.

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4 – Introdução às Redes ATM & Celso de Oliveira
4) O restante da capacidade será ainda subdividido em duas partes iguais, sendo a
primeira parte dedicada a aplicações de dados com classe ABR, e a segunda
para aplicações de dados com classe UBR.

Pede-se

a) Se a capacidade total do sistema fosse utilizada para circuitos de voz


comutados à taxa de 64kb/s cada, na classe CBR, quantas conversações
simultâneas seriam possíveis?

Nas condições estabelecidas nos itens de 1 até 4 anteriores, pede-se

b) Quantas conversações simultâneas serão possíveis na classe VBR-RT do item


3?

c) Será possível, para as conversações, a ocorrência de interrupções devidas a


sobrecarga do sistema? Em quais classes? Explicar.

d) Quantos usuários poderiam ser atendidos na classe ABR (item 4) com um


serviço que garanta taxa mínima de 100kb/s?

e) Se estes usuários tiverem uma taxa média real de 40kb/s, quanto restaria de
capacidade média total para os usuários da classe UBR?

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