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Tribunal de Contas da União

Secretaria das Sessões

PLENÁRIO
Sessão Extraordinária

ATA Nº 14, DE 30 DE ABRIL DE 2019

Data da aprovação: 15 de maio de 2019

Data da publicação no D.O.U.: 20 de maio de 2019

Acórdãos apreciados por relação: 993 a 1027

Acórdãos apreciados de forma unitária: 952 a 992


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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ATA 14, DE 30 DE ABRIL DE 2019


(Sessão Extraordinária do Plenário)

Presidência: Ministro José Mucio Monteiro


Representante do Ministério Público: Procuradora-Geral Cristina Machado da Costa e Silva
Secretário das Sessões: AUFC Marcelo Martins Pimentel
Subsecretário do Plenário, em substituição: TEFC Paulo Morum Xavier

Às 10 horas, a Presidência declarou aberta a sessão ordinária do Plenário, com a presença dos
Ministros Walton Alencar Rodrigues, Benjamin Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo
Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo; dos Ministros-Substitutos Augusto Sherman
Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa, André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira; e da Representante
do Ministério Público, Procuradora-Geral Cristina Machado da Costa e Silva.

HOMOLOGAÇÃO DE ATA

O Plenário homologou a ata nº 13, referente à sessão realizada em 24 de abril de 2019.

PUBLICAÇÃO DA ATA NA INTERNET

Os anexos desta ata, de acordo com a Resolução 184/2005, estão publicados na página do Tribunal
de Contas da União na internet.

PROCESSOS EXCLUÍDOS DE PAUTA

Foram excluídos de pauta, nos termos do artigo 142 do Regimento Interno, os seguintes processos:

- 028.317/2016-5, cujo Relator é o Ministro Walton Alencar Rodrigues;

- 041.327/2012-8, de relatoria do Ministro Benjamin Zymler;

- 014.971/2014-3, cujo Relator é o Ministro José Mucio Monteiro;

- 022.906/2018-5, de relatoria do Ministro Augusto Nardes;

- 005.487/2006-6, cujo Relator é o Ministro Aroldo Cedraz;

- 021.899/2014-2 e 035.388/2017-0, de relatoria do Ministro Raimundo Carreiro;

- 029.260/2017-5, cujo Relator é o Ministro Vital do Rêgo;

- 003.305/2017-1, 012.496/2016-2, 012.497/2016-9, 019.370/2013-0, 020.042/2018-3,


020.302/2017-7, 023.657/2015-4, 026.335/2018-2 027.512/2017-7, 034.887/2017-2 e 036.144/2016-9, de
relatoria do Ministro-Substituto André Luís de Carvalho; e

- 036.948/2018-7, cujo Relator é o Ministro-Substituto Weder de Oliveira.

PROCESSOS APRECIADOS POR RELAÇÃO


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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

O Plenário aprovou as relações de processos a seguir transcritas e proferiu os acórdãos de nºs 993 a
1027.

RELAÇÃO Nº 12/2019 – Plenário


Relator – Ministro WALTON ALENCAR RODRIGUES

ACÓRDÃO Nº 993/2019 - TCU – Plenário


Os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão de Plenário, ACORDAM, por
unanimidade, com fundamento nos arts. 143, inciso V, “e”, e 183, inciso I, “d”, do Regimento
Interno/TCU, em prorrogar o prazo, para 10/5/2019, para o atendimento dos itens 9.1, 9.2, 9.3, 9.8 e 9.9
do Acórdão 2.901/2018 – TCU – Plenário, e para 7/5/2019, para o atendimento do item 9.5.1 do mesmo
acórdão, de acordo com o parecer da SecexPrevidência:

1. Processo TC-027.831/2017-5 (RELATÓRIO DE AUDITORIA)


1.1. Apensos: 030.158/2017-6 (RELATÓRIO DE AUDITORIA); 029.794/2017-0 (RELATÓRIO
DE AUDITORIA); 028.886/2017-8 (RELATÓRIO DE AUDITORIA); 029.867/2017-7 (RELATÓRIO
DE AUDITORIA); 028.130/2017-0 (RELATÓRIO DE AUDITORIA)
1.2. Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social (extinta) (05.526.783/0001-65)
1.3. Órgão/Entidade: Banco Central do Brasil; Banco do Brasil S.a.; Banco do Nordeste do Brasil
S.a.; Caixa Econômica Federal; Casa Civil da Presidência da República; Embrapa/sct; Instituto Nacional
de Colonização e Reforma Agrária; Min. do Meio Ambiente, dos Rec. Hídricos e da Amazônia Legal
(extinta); Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (vinculador); Ministério da Fazenda
(extinta); Ministério da Integração Nacional (extinta); Ministério de Minas e Energia (vinculador);
Ministério do Desenvolvimento Social (extinta); Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão
(extinta); Ministério do Trabalho (extinta); Ministério dos Direitos Humanos (extinta); Secretaria de
Governo da Presidência da República; Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento
Agrário
1.4. Relator: Ministro Walton Alencar Rodrigues
1.5. Representante do Ministério Público: não atuou
1.6. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo da Previdência e da Assistência Social
(SecexPrevi).
1.7. Representação legal: Guilherme Lopes Mair (32261/OAB-DF), representando Caixa
Econômica Federal; Jose David Pinheiro Silverio e outros, representando Casa Civil da Presidência da
República.
1.8. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

RELAÇÃO Nº 11/2019 – Plenário


Relator – Ministro BENJAMIN ZYMLER

ACÓRDÃO Nº 994/2019 - TCU - Plenário

Os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão Plenária, ACORDAM, por


unanimidade, com fundamento no art. 1º, inciso II, da Lei 8.443/1992 c/c os arts. 143, inciso III, e 241 do
RITCU, quanto ao processo a seguir relacionado, em considerar cumpridas as recomendações constantes
dos subitens 9.1 e 9.2 do Acórdão 2.348/2017-Plenário, conforme pareceres emitidos nos autos, sem
prejuízo da adoção das medidas a seguir:

1. Processo TC-017.778/2016-6 (ACOMPANHAMENTO)


1.1. Órgão: Central de Compras e Contratações do Ministério da Economia (antigo Ministério do
Planejamento, Desenvolvimento e Gestão)
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

1.2. Relator: Ministro Benjamin Zymler


1.3. Representante do Ministério Público: não atuou
1.4. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog)
1.5. Representação legal: não há
1.6. Determinações/Recomendações/Orientações:
1.6.1. arquivar os presentes autos, com fundamento no art. 169, inciso V, do RITCU.

ACÓRDÃO Nº 995/2019 - TCU - Plenário

Os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ACORDAM, por


unanimidade, com fundamento nos arts. 1º, inciso II, e 43, inciso I, da Lei 8.443/1992, c/c os arts. 143,
inciso III; e 250, inciso II, do Regimento Interno, quanto ao processo a seguir relacionado, de acordo com
os pareceres emitidos nos autos, em:

1. Processo TC-039.072/2018-5 (Relatório de auditoria)


1.1. Órgão/Entidade: Comitê Olímpico Brasileiro (COB); Confederação Brasileira de Atletismo;
Ministério do Esporte (vinculador)
1.2. Relator: Ministro Benjamin Zymler
1.3. Representante do Ministério Público: não atuou
1.4. Unidade Técnica: Secretaria do TCU no Estado de São Paulo (Sec-SP).
1.5. Representação legal: não há
1.6. Determinações/Recomendações/Orientações:
1.6.1. submeter os seguintes achados do relatório de auditoria à equipe coordenadora da
Fiscalização de Orientação Centralizada (FOC):
1.6.1.1. ausência de cobrança pelo COB de atualização monetária sobre valores glosados em
prestações de contas de 2014 a 2016;
1.6.1.2. quantidade excessiva de projetos custeados com recursos provenientes da Lei Agnelo Piva;
1.6.1.3. descumprimento do limite para realização de despesas administrativas com recursos da Lei
Agnelo Piva em 2017;
1.6.1.4. ausência de medidas pelo COB para evitar duplicidade de despesas em projetos financiados
por mais de uma fonte;
1.6.2. determinar à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) que, no prazo de noventa dias,
comprove:
1.6.2.1. a adequação de seu site ao estabelecido nos arts. 2º, parágrafo único, inciso I, e 18-A, inciso
IV, da Lei 9.615/1998 e nos arts. 11 e 12 da Portaria-ME 115/2018, ressaltando que o atendimento a esses
dispositivos é requisito para que a Confederação possa receber recursos da administração pública federal
direta e indireta, nos termos da legislação em vigor;
1.6.2.2. o estabelecimento de indicadores de desempenho relevantes e o acompanhamento de seus
índices.

ACÓRDÃO Nº 996/2019 - TCU - Plenário

Os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão Plenária, ACORDAM, por


unanimidade, com fundamento nos arts. 1º, inciso II, e 43, inciso I, da Lei 8.443/1992, c/c os arts. 143,
inciso III, 235, 237, inciso VI e parágrafo único, do RITCU, quanto ao processo a seguir relacionado, em
conhecer da representação e considerar prejudicado o julgamento de mérito, de acordo com os pareceres
emitidos nos autos, dando ciência ao interessado, nos termos abaixo:

1. Processo TC-023.487/2017-8 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Órgão: Prefeitura Municipal de Avelino Lopes/PI
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

1.2. Relator: Ministro Benjamin Zymler


1.3. Representante do Ministério Público: não atuou
1.4. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo da Educação (SecexEduc)
1.5. Representação legal: não há
1.6. Determinações/Recomendações/Orientações:
1.6.1. apensar definitivamente o presente processo ao TC 018.130/2018-6, com fundamento no art.
169, inciso I, do RITCU; e
1.6.2. dar ciência do presente acórdão aos representantes, remetendo-lhes cópia da instrução
técnica inserta à peça 3.

ACÓRDÃO Nº 997/2019 - TCU – Plenário

Os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão Plenária, ACORDAM, por


unanimidade, com fundamento nos arts. 1º, inciso II, e 43 da Lei 8.443/1992 c/c os arts. 143, inciso III,
169, inciso V, 237, inciso VI e parágrafo único, 250, inciso I, do Regimento Interno do Tribunal de
Contas da União, quanto ao processo a seguir relacionado, em conhecer da representação, considerá-la
parcialmente procedente e determinar o arquivamento do feito, conforme pareceres emitidos nos autos,
nos termos abaixo:

1. Processo TC-034.925/2017-1 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Representante: Secretaria de Controle Externo no Estado do Piauí (Secex/PI)
1.2. Órgão: Prefeitura Municipal de Cocal/PI
1.3. Relator: Ministro Benjamin Zymler
1.4. Representante do Ministério Público: não atuou
1.5. Unidade Técnica: Coordenação-Geral de Controle Externo de Gestão de Processos e
Informações (Copin)
1.6. Representação legal: não há
1.7. Determinações/Recomendações/Orientações: não há

RELAÇÃO Nº 13/2019 – Plenário


Relator – Ministro AUGUSTO NARDES

ACÓRDÃO Nº 998/2019 - TCU - Plenário

Considerando tratar-se de acompanhamento, autuado nos termos do art. 3º da IN-TCU 48/2004,


para análise da gestão de recursos repassados ao Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) por força da Lei
9.615/1998 (Lei Pelé), alterada pela Lei 10.264/2001 (Lei Agnelo/Piva) e pela Lei 12.395/2011, no
período de 1º/1/2013 a 31/12/2014;

Considerando que a Secretaria Federal de Controle Interno da Controladoria-Geral da União


(SFC/CGU) encaminhou os relatórios de auditoria referentes às gestões de 2013 e 2014 a este Tribunal,
nos quais foram identificadas somente pequenas falhas, sem a ocorrência de irregularidades ou de falhas
graves que merecessem maior aprofundamento por esta Corte de Contas;

Considerando que parte dos achados nas auditorias acima mencionadas foi devidamente tratados no
âmbito da Fiscalização de Orientação Centralizada realizada no CPB, que analisou a regularidade da
aplicação de recursos provenientes da Lei 10.264/2001, no período de 2013 a 2015, tendo resultado no
Acórdão de Relação 1.706/2016-TCU-Plenário (Ministro Relator: Vital do Rêgo);
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Considerando que outra parte dos achados dessas auditorias foi objeto de recomendações da CGU,
as quais serão fiscalizadas em futuras ações de controle daquele órgão;

Os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ACORDAM, por


unanimidade, com fundamento nos artigos 143, incisos III e V, “a”, e 169, inciso V, do Regimento
Interno/TCU e art. 33 da Resolução TCU nº 259/2014, em arquivar o presente processo, sem prejuízo de
que seja dada ciência da presente deliberação ao Comitê Paraolímpico Brasileiro, de acordo com os
pareceres emitidos nos autos.

1. Processo TC-013.898/2016-7 (ACOMPANHAMENTO)


1.1. Entidade: Comitê Paraolímpico Brasileiro
1.2. Responsável: Andrew George William Parsons, CPF: 052.420.207-92.
1.3. Relator: Ministro Augusto Nardes
1.4. Representante do Ministério Público: não atuou
1.5. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo do Trabalho e Entidades Paraestatais
(SecexTrab).
1.6. Representação legal: Paulo Victor Barchi Losinskas (306109/OAB-SP), Luiz Fernando de
Moraes (OAB/DF 27.437) e outros, representando Comitê Paraolímpico Brasileiro;
1.7. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 999/2019 - TCU - Plenário

Os Ministros do Tribunal de Contas da União, quanto ao processo a seguir relacionado,


ACORDAM, por unanimidade, com fundamento nos arts. 143, incisos III e V, alínea “a”, 235 e 237,
inciso VII e parágrafo único, 250, inciso I, todos do Regimento Interno deste Tribunal c/c o art. 113, § 1º,
da Lei 8.666/1993, e no art. 103, § 1º, da Resolução - TCU 259/2014, e ainda de conformidade com a
proposta da unidade técnica (peça 11), em conhecer da representação, uma vez satisfeitos os requisitos de
admissibilidade pertinentes a espécie, e indeferir o pedido de concessão de medida cautelar formulado
pelo representante, tendo em vista a inexistência dos elementos necessários para sua adoção, sem prejuízo
das providencias descritas no subitem 1.6 desta deliberação.

1. Processo TC-006.781/2019-5 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Órgão/Entidade: Prefeitura Municipal de Belo Horizonte - MG
1.2. Relator: Ministro Augusto Nardes
1.3. Representante do Ministério Público: não atuou
1.4. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog).
1.5. Representação legal: não há.
1.6. Determinações/Recomendações/Orientações:
1.6.1. Apensar em definitivo do presente processo ao TC 021.474/2018-4 (em tramitação no TCU),
com fulcro no art. 36 da Resolução - TCU 259/2014, para análise em conjunto, posto que há conexão
entre seus objetos;
1.6.2. Comunicar ao representante e à Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte/MG
(Semusa/BH) o inteiro teor desta deliberação.

RELAÇÃO Nº 13/2019 – Plenário


Relator – Ministro AROLDO CEDRAZ

ACÓRDÃO Nº 1000/2019 - TCU - Plenário


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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão de Plenário, ACORDAM, por


unanimidade, com fundamento no artigo 143, inciso V, alínea “d”, do Regimento Interno, c/c o enunciado
145 da Súmula de Jurisprudência predominante do Tribunal, em retificar, por inexatidão material, o
Acórdão 2623/2018 – TCU – Plenário, prolatado na sessão de 14/11/2018, Ata 45/2018, relativamente ao
subitem “9.4”, de modo que onde se lê: “Ocorrência: não comprovação da boa e regular aplicação dos
recursos federais geridos no período de 8 a 30/7/2014, recebidos”, leia-se: “Ocorrência: não comprovação
da boa e regular aplicação dos recursos federais geridos no período de 8 a 30/7/2004, recebidos”,
mantendo-se inalterados os demais termos do acórdão ora retificado, de acordo com os pareceres emitidos
nos autos.

1. Processo TC-035.129/2011-5 (RECURSO DE REVISÃO EM TOMADA DE CONTAS


ESPECIAL)
1.1. Responsáveis: Altemir Antônio Tortelli (402.036.700-00); Federação dos Trabalhadores Na
Agricultura Familiar da Região Sul (05.684.806/0001-60)
1.2. Recorrente: Ministério Público junto ao TCU – MP/TCU, Subprocurador-Geral.
1.3. Órgão/Entidade: Ministério do Desenvolvimento Agrário (extinta)
1.4. Relator: Ministro Aroldo Cedraz
1.5. Representante do Ministério Público: Subprocurador-Geral Lucas Rocha Furtado
1.6. Relator da deliberacao recorrida: Ministro-Substituto André Luís de Carvalho
1.7. Unidades Técnicas: Secretaria de Recursos (SERUR); Secretaria de Controle Externo da
Agricultura e do Meio Ambiente (SecexAmb).
1.8. Representação legal: Geferson Luís Chetsco (45333/OAB-PR) e outros, representando Altemir
Antônio Tortelli, Federação dos Trabalhadores Na Agricultura Familiar da Região Sul, Altemir Antônio
Tortelli, Federação dos Trabalhadores Na Agricultura Familiar da Região Sul e Celso Ricardo Ludwig.
1.9. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 1001/2019 - TCU - Plenário

Considerando a análise da unidade técnica (peça 3), onde conclui que a contestação em tela não
merece ser conhecida, por ser intempestiva, uma vez que que foi apresentada ao TCU em 22/3/2019, data
posterior ao final do prazo de quinze dias da publicação dos percentuais de participação dos estados e do
Distrito Federal na Cide fixados pela Decisão Normativa - TCU 174/2019;
Os Ministros do Tribunal de Contas da União, quanto ao processo a seguir relacionado,
ACORDAM, por unanimidade, com fundamento nos arts. 290, 291 e 292-A, do Regimento Interno do
TCU, e em consonância com a proposta da unidade técnica nos autos (peça 3), em não conhecer da
presente contestação, em razão da sua intempestividade, e em determinar o apensamento do presente
processo ao TC 001.893/2019-0, que trata do cálculo dos percentuais individuais de participação dos
estados, do Distrito Federal e dos municípios na distribuição dos recursos da Cide-Combustíveis para o
exercício de 2019, após ciência do teor desta deliberação ao representante.

1. Processo TC-006.353/2019-3 (CONTESTAÇÃO DE COEFICIENTES DE


TRANSF.OBRIGATÓRIAS)
1.1. Interessado: Governo do Estado do Maranhão (06.354.468/0001-60)
1.2. Relator: Ministro Aroldo Cedraz
1.3. Representante do Ministério Público: não atuou
1.4. Unidade Técnica: Secretaria de Macroavaliação Governamental (SEMAG).
1.5. Representação legal: não há.
1.6. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 1002/2019 - TCU - Plenário


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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão de Plenário, ACORDAM, por


unanimidade, com fundamento nos artigos 143, inciso V, alínea “a”, e 169, inciso I, do Regimento
Interno, em considerar cumprida a determinação constante do subitem 9.1 do Acórdão 2.062/2013 – TCU
– Plenário, e determinar o apensamento do processo a seguir relacionado aos autos do TC-013.071/2013-
0, sem prejuízo de que seja dada ciência da presente deliberação aos interessados, de acordo com os
pareceres emitidos nos autos.

1. Processo TC-007.974/2015-9 (MONITORAMENTO)


1.1. Responsável: Alexandre Navarro Garcia (385.346.061-53)
1.2. Interessado: Ministério da Integração Nacional (extinta) (03.353.358/0001-96)
1.3. Órgão/Entidade: Ministério da Integração Nacional (extinta)
1.4. Relator: Ministro Aroldo Cedraz
1.5. Representante do Ministério Público: não atuou
1.6. Unidade Técnica: Secretaria de Infraestrutura Hídrica, de Comunicações e de Mineração
(SeinfraCOM).
1.7. Representação legal: não há.
1.8. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 1003/2019 - TCU - Plenário

Os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão de Plenário, ACORDAM, por


unanimidade, com fundamento nos artigos 143, inciso V, alínea “a”, e 169, inciso I, do Regimento
Interno, em considerar cumpridas as determinações contidas nos itens 9.2 e 9.3 do Acórdão 2557/2015 -
TCU - Plenário, e determinar o apensamento do processo a seguir relacionado aos autos do TC-
015.358/2012-7, sem prejuízo de que seja dada ciência da presente deliberação aos interessados, de
acordo com os pareceres emitidos nos autos.

1. Processo TC-030.050/2018-9 (MONITORAMENTO)


1.1. Órgão/Entidade: Caixa Econômica Federal
1.2. Relator: Ministro Aroldo Cedraz
1.3. Representante do Ministério Público: não atuou
1.4. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo da Fazenda Nacional (SecexFazen).
1.5. Representação legal: não há.
1.6. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

RELAÇÃO Nº 10/2019 – Plenário


Relator – Ministro RAIMUNDO CARREIRO

ACÓRDÃO Nº 1004/2019 - TCU - Plenário

VISTO, relacionado e discutido este Recurso de Revisão em Tomada de Contas Especial, interposto
pelo Sr. Marcio Gerard, contra o Acórdão 5.544/2014-TCU-2ª Câmara - (Peça 20) Relator Ministro
Augusto Sherman Cavalcanti.

Considerando que, à vista dos elementos contidos nos autos não foram atendidos os requisitos
específicos de admissibilidade estabelecidos pelo art. 35 da Lei n. 8.443/92;

Considerando o parecer do Ministério Público junto a este Tribunal;


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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ACORDAM, os Ministros do Tribunal de Contas da União, por unanimidade, com fundamento no


art. 35 da Lei Orgânica do TCU, c/c os arts. 143, IV, “b” e 288, do RI/TCU, em:
a) não conhecer do recurso de revisão interposto por Marcio Gerard, por não atender aos requisitos
específicos de admissibilidade, nos termos do artigo 35 da Lei 8.443/92, c/c artigo 288 do RI/TCU;
b) dar ciência ao recorrente e aos órgãos/entidades interessados do teor Do presente Acórdão,
encaminhando-lhes cópia, bem como informando-lhes que o respectivo pode ser consultado em
www.tcu.gov.br/acordaos, nos termos do Memorando-Circular Segecex 45/2017, de 25/8/2017.

1. Processo TC-026.075/2013-0 - RECURSO DE REVISÃO (TOMADA DE CONTAS


ESPECIAL)
1.1. Apensos: 003.463/2015-0 (COBRANÇA EXECUTIVA)
1.2. Recorrente: Marcio Gerard (730.216.526-20)
1.3. Órgão/Entidade: Município de Reduto - MG
1.4. Relator: Ministro Raimundo Carreiro
1.5. Representante do Ministério Público: Procuradora-Geral Cristina Machado da Costa e Silva
1.6. Relator da deliberação recorrida: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti
1.7. Unidades Técnicas: Secretaria de Recursos (SERUR); Secretaria do TCU no Estado de Minas
Gerais (Sec-MG).
1.8. Representação legal: Mauro Jorge De Paula Bomfim (OAB/MG)
1.9. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 1005/2019 - TCU - Plenário

VISTO, relacionado e discutido estes autos de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos por


Andréa Regina Fontana, em face do Acórdão 2202/2016 – Plenário (peça 147 – Relator: Ministro José
Múcio Monteiro).

Considerando que a embargante teve ciência da decisão recorrida em 5/9/2016 (peça 151) e
protocolou os embargos em 24/1/2017.

Os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão Plenária, quanto ao processo a


seguir relacionado, com fundamento nos arts. 32 e 34 da Lei n.º 8.443, de 1992, c/c o art. 287 do
Regimento Interno do TCU, ACORDAM em:
a) não conhecer dos Embargos de Declaração opostos pela Srª Andrea Regina Fontana (peça 152)
em face do Acórdão 2206/2016 – Plenário (peça 147 – Relator: Ministro José Múcio Monteiro) por ser
intempestivo, tendo em vista que a embargante teve ciência da decisão recorrida em 5/9/2016 (peça 151)
e protocolou os embargos em 24/1/2017;
b) dar ciência deste Acórdão a interessada; e
c) restituir os autos à SeinfraCom.

1. Processo TC-007.193/2010-6 - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (RELATÓRIO DE


AUDITORIA)
1.1. Recorrente: Andréa Regina Fontana (020.034.527-37)
1.2. Interessado: Congresso Nacional (vinculador)
1.3. Órgão/Entidade: Entidades/órgãos do Governo do Estado de Santa Catarina; Ministério da
Integração Nacional; Departamento Estadual de Infraestrutura de Santa Catarina – Deinfra-SC.
1.4. Relator: Ministro Raimundo Carreiro
1.5. Representante do Ministério Público: Procurador Sergio Ricardo Costa Caribé
1.6. Relator da deliberação recorrida: Ministro José Mucio Monteiro
10

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

1.7. Unidades Técnicas: Secretaria de Recursos (SERUR); Secretaria de Infraestrutura Hídrica, de


Comunicações e de Mineração (SeinfraCOM).
1.8. Representação legal: Adriano Silva Soromenho e outros, representando Andréa Regina
Fontana; Alessandra Oliveira Ramos Piccoli (15203/OAB-SC), representando Sotepa Sociedade Tecnica
de Estudos, Projetos e Assessorialtda.
1.9. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 1006/2019 - TCU - Plenário

Considerando a manifestação da unidade técnica lavrada nos seguintes termos:


“TC 004.676/2019-0 Não conhecimento
UNIDADE JURISDICIONADA UASG
Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo – TRE/SP 70018
OBJETO
Prestação de serviços relativos à produção de vídeo institucional, videoclipes, fotografias, vídeos em
motion graphics (design em movimento), videocasts e podcasts informativos e jornalísticos, direcionados
à comunicação interna e institucional do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo – TRE/SP.
REPRESENTANTE CNPJ
Explorata Produtora Ltda. – ME 19.206.602/0001-28
HÁ PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL? PROCURAÇÃO
Não Peça 3
MODALIDADE NÚMERO CRITÉRIO DE JULGAMENTO
Pregão Eletrônico 14/2018 Menor preço global
VIGÊNCIA VALOR CONTRATADO
12 meses (peça 7, p. 28) R$ 107.882,20
FASE DO CONTRATO
1. Em 11/6/2018, foi publicado no DOU (peça 9, p. 6), Ata de Registro de Preço, para eventual
prestação de serviços técnicos e especializados de produção, captação e edição de vídeos institucionais,
assinada pelo Sr. Rodrigo Curado Fleury, Diretor-Geral da Secretaria do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), e pelo Sr. Rafael Maia Batista Ferreira, representante legal da empresa Explorata Produtora
Ltda. – ME.
2. Em 7/1/2019 (peça 5), o Exmo. Presidente do TRE/SP, em decisão final no âmbito
administrativo, manteve o entendimento das áreas técnicas, rescindindo unilateralmente o
contrato e aplicando as respectivas penalidades à contratada, dentre elas multa e impedimento
de licitar e contratar com a União pelo prazo de dois anos.
3. As irregularidades que teriam sido cometidas pela contratada, ensejando a decisão acima, seriam: (i)
ausência de apresentação de garantia contratual; (ii) indícios de subcontratação irregular de
funcionários; (iii) atraso na entrega de serviços; e (iv) dificuldades na comunicação com a empresa.
B. ALEGAÇÕES DO REPRESENTANTE
4. Em 21/2/2019, a Explorata Produtora Ltda. – ME protocolou a presente representação no
TCU, questionando, basicamente, a legalidade do ato que rescindiu unilateralmente o contrato
por ela celebrado com o TRE/SP e da consequente aplicação de penalidades, mormente o
impedimento de licitar com a União. Para tanto alegou que:
a) não houve tentativa de solução consensual dos eventuais conflitos, nem oportunidade de
defesa técnica, devendo ser declarada a nulidade do Processo Administrativo 6070/2018,
instaurado pelo TRE/SP;
b) as supostas faltas em nada prejudicaram a Administração, não sendo justificável a aplicação
automática das sanções;
c) houve violação ao princípio da proporcionalidade, em virtude da aplicação da pena de
impedimento de licitar com a União pelo prazo de dois anos;
11

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

d) a interrupção abrupta dos serviços causará prejuízos à própria União Federal, uma vez que a
empresa possui contratos públicos em curso com vários outros órgãos da Administração;
e) a multa aplicada provocará o enriquecimento sem causa da União, posto que foi aplicada
sem a devida gradação.
5. Diante dessas alegações, a representante solicitou (peça 1):
a) liminarmente, que fosse concedida medida cautelar para afastar as sanções aplicadas à
empresa, mormente o impedimento de licitar/contratar com a administração;
b) no mérito, que fosse anulada a decisão do Diretor-Geral do TRE/SP; e
c) alternativamente, que fosse dada interpretação restritiva ao impedimento do item ‘a’, a fim
que esteja limitada ao órgão que a aplicou.
6. Analisando os elementos carreados aos autos, a Unidade Técnica, no pronunciamento à peça
15, concluiu pela inexistência de interesse público no trato da matéria, ressaltando que eventual
aplicação de sanção pelo TRE/SP à empresa Explorata, em virtude irregularidades na execução
do contrato é de interesse subjetivo da representante e, portanto, não é afeita às competências
desta Corte de Contas. O mesmo pode-se dizer da rescisão unilateral do ajuste por
descumprimento contratual. Em não havendo indício de má-fé dos gestores e/ou tentativa de
beneficiar indevidamente terceiros com tais decisões, não foi constatado ofensa ao interesse
público, mas, tão somente, controvérsias instaladas em contratos firmados entre jurisdicionado e
particular.
7. Dessa forma, a proposta da Unidade Técnica foi no sentido de não conhecer da presente
representação, e, por consequência, indeferir o pedido de cautelar pleiteado e arquivar os autos.
8. Em 1º/4/2019, a representante juntou novos elementos aos autos, a fim de comprovar o
interesse público na matéria, razão pela qual o Exmo. Ministro Relator, Raimundo Carreiro, em
Despacho de 4/4/2019, restituiu os presentes autos para reanálise, à luz das novas alegações
trazidas pela representante.
9. Na documentação acostada à peça 17, a representante alega, em suma, que:
a) há ausência de especificação do verbo disposto no art. 7º da Lei 10.520/2002, em afronta ao
art. 93, IX, da CF/1988;
b) não se pode aplicar o impedimento de licitar, pois não foi configurada má-fé ou fraude,
requisito essencial para aplicação da sanção contida no art. 7° da Lei 10.520/2002, fato que
revela a desproporcionalidade da medida;
c) a sanção toma contornos extraterritoriais, uma vez que obsta a continuação dos serviços em
andamento com outros órgãos em outros estados, pondo em risco o interesse público, em face da
descontinuidade desses serviços.
d) o interesse público está caracterizado pelo fato de que eventual derrocada da empresa,
pertencente a um segmento especializado de mercado, afetaria negativamente a livre
concorrência de preços, havendo risco do surgimento de oligopólio, o que prejudicaria futuras
contratações realizadas pela Administração Pública.
10. Diante dessas alegações, a representante requer (peça 17):
a) preliminarmente, o conhecimento da representação, vez que demonstrado o interesse público,
ante exigência contida no art. 113, §1°, da Lei 8.666/1993;
b) a concessão da medida cautelar, a fim de sustar os efeitos decorrentes das sanções impostas.
C. EXAME DE ADMISSIBILIDADE
LEGITIMIDADE DO AUTOR
O representante possui legitimidade para representar ao Tribunal? Sim
(Fundamento: art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993, c/c o art. 237 do Regimento
Interno/TCU)
REDAÇÃO EM LINGUAGEM COMPREENSÍVEL
A representação está redigida em linguagem clara e objetiva, contém nome legível, Sim
12

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

qualificação e endereço do representante?


(Fundamento: art. 235 do Regimento Interno/TCU)
INDÍCIO CONCERNENTE À IRREGULARIDADE OU ILEGALIDADE
A representação encontra-se acompanhada do indício concernente à irregularidade Sim
ou ilegalidade apontada pelo autor?
(Fundamento: art. 235 do Regimento Interno/TCU)
COMPETÊNCIA DO TCU
A representação trata de matéria de competência do TCU? Não
(Fundamento: art. 235 do Regimento Interno/TCU)
INTERESSE PÚBLICO
Os argumentos do autor indicam a possibilidade de existência de interesse público, Não
caso restem comprovadas as supostas irregularidades apontadas na peça inicial.
(Fundamento: art. 103, § 1º, da Resolução - TCU 259/2014)
CONCLUSÃO QUANTO AO EXAME DE ADMISSIBILIDADE
11. A nova documentação acostada aos autos (peça 17), onde a empresa Explorata Produtora Ltda. – ME
rebate os pontos que ensejaram a proposta de não conhecimento da presente representação, não trouxe
elementos novos aptos a modificar o entendimento adotado pela Unidade Técnica, no pronunciamento à
peça 15, uma vez que a representante limitou-se a repetir os mesmos argumentos apresentados na inicial
(peça 1), de que as sanções impostas foram desproporcionais e que os gestores não buscaram solucionar
o problema por consenso ou pela aplicação de medida menos gravosa.
12. Logo, permanece o entendimento de que a matéria tratada nos autos configura interesse subjetivo da
representante, o que afasta a competência do TCU.
13. Além disso, no pronunciamento à peça 15 restou evidenciada a inexistência de interesse público no
trato da matéria, tendo-se concluído que eventual aplicação de sanção pelo TRE/SP à empresa Explorata,
em virtude irregularidades na execução do contrato é de interesse subjetivo da representante.
14. Os novos elementos trazidos aos autos pela representante (peça 17) buscam, entre outros, demonstrar
o interesse público envolvido no caso concreto, ressaltando que eventual descontinuidade nas atividades
da empresa Explorata, decorrente da sanção de impedimento de licitar com a Administração pública por
dois anos, acarretaria prejuízos à livre concorrência, uma vez que a empresa pertencente a um segmento
especializado de mercado, e, consequentemente, prejudicaria futuras contratações por parte da
Administração Pública, que sofreria uma redução no universo de possíveis fornecedores aptos a lhe
ofertarem uma proposta vantajosa.
15. Em que pese os argumentos trazidos pela representante, conforme consulta às bases de dados
informatizadas desse Tribunal, a atividade principal da empresa Explorata é a prestação de serviços de
organização de feiras, congressos, exposições e festas. Dessa forma, tal atividade não pode ser
caracterizada como exclusiva, a ponto de ocasionar inviabilidade de competição ou redução da
competitividade dos certames promovidos pela Administração pública.
16. Ademais, conforme mencionado na peça 15, o único ponto que, em tese, poderia prejudicar o interesse
público seria a rescisão do contrato, caso seu objeto fosse essencial ao funcionamento do TRE/SP, o que
não se configura, razão pela qual a Administração pode prescindir temporariamente da prestação desses
serviços.
17. Quanto à alegação de que a sanção que lhe foi aplicada toma contornos extraterritoriais, uma vez que
obstaria a continuação dos serviços em andamento em outros órgãos, vale ressaltar que os efeitos de
eventual penalização da representante nesses outros contratos têm como objetivo resguardar a
administração de contratar com empresas que possam vir a não cumprir adequadamente os contratos
firmados, não sendo possível afirmar, no caso concreto, se esses efeitos afrontariam de fato o interesse
público, como alega a representante, ou se iriam ao seu encontro.
18. Assim, após análise dos novos elementos trazidos aos autos pela representante (peça 17), não restou
evidenciado qual o interesse público a ser tutelado, na espécie, e a jurisprudência dominante do TCU é no
sentido de que não é este Tribunal a Corte competente para tutelar interesses que sejam estritamente
privados, como a solução de controvérsias instaladas no âmbito de contratos firmados entre seus
jurisdicionados e terceiros ou a prolação de provimentos jurisdicionais, reclamados por particulares para
a salvaguarda de seus direitos e interesses subjetivos, salvo, se, de forma reflexa, afetarem o patrimônio
13

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

público ou causarem prejuízo ao erário, conforme se depreende dos Acórdãos 3.273/2013, Relator
Ministro André de Carvalho, e 332/2016, Relator Ministro Bruno Dantas, ambos do Plenário desta Corte,
dentre outros.
19. Ausentes os requisitos de admissibilidade constantes no art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993, c/c os
arts. 235 e 237, VII, do Regimento Interno/TCU, e no art. 103, § 1º, da Resolução - TCU 259/2014, a
representação não deve ser conhecida.
D. PEDIDO DE INGRESSO AOS AUTOS E DE SUSTENTAÇÃO ORAL
Há pedido de ingresso aos autos? Não
Há pedido de sustentação oral? Não
E. PROCESSOS CONEXOS E APENSOS
Há processos conexos noticiando possíveis irregularidades na contratação ora Não
em análise?
Há processos apensos? Não
F. PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO
20. Em virtude do exposto, propõe-se:
20.1. não conhecer a presente documentação como representação, visto não estarem presentes os
requisitos de admissibilidade previstos no art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993, c/c os arts. 235 e 237, VII,
do Regimento Interno deste Tribunal e no art. 103, § 1º, da Resolução - TCU 259/2014;
20.2. informar ao representante que o conteúdo da deliberação que vier a ser proferida poderá ser
consultado no endereço www.tcu.gov.br/acordaos; e
20.3. arquivar os presentes autos, nos termos do art. 237, parágrafo único, c/c o art. 235, parágrafo
único, do Regimento Interno deste Tribunal, e do art. 105 da Resolução - TCU 259/2014.”

Acolho a proposta da unidade nos termos do seguinte acórdão:


ACORDAM, os Ministros do Tribunal de Contas da União, com fundamento nos arts. 143, 237, VII
e 250, II do Regimento Interno/TCU, em:
a) não conhecer a presente documentação como representação, visto não estarem presentes os
requisitos de admissibilidade previstos no art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993, c/c os arts. 235 e 237, VII, do
Regimento Interno deste Tribunal e no art. 103, § 1º, da Resolução - TCU 259/2014;
b) informar ao representante que o conteúdo desta deliberação poderá ser consultada no endereço
www.tcu.gov.br/acordaos; e
c) arquivar os presentes autos, nos termos do art. 237, parágrafo único, c/c o art. 235, parágrafo
único, do Regimento Interno deste Tribunal, e do art. 105 da Resolução - TCU 259/2014.

1. Processo TC-004.676/2019-0 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Representante: Explorata Produtora Ltda. – ME (CNPJ 19.206.602/0001-28)
1.2. Órgão/Entidade: Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo
1.3. Relator: Ministro Raimundo Carreiro
1.4. Representante do Ministério Público: não atuou
1.5. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog).
1.6. Representação legal: não há.
1.7. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 1007/2019 - TCU - Plenário

Considerando a manifestação da unidade técnica lavrada nos seguintes termos:


“TC 006.456/2019-7 Proposta: Indeferimento de cautelar; mérito pela
improcedência
UNIDADE JURISDICIONADA UASG
Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) – 153047
14

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam)


OBJETO
Contratação de empresa especializada no fornecimento de refeição transportada para atender à
Unidade de Nutrição Clínica/Hucam/EBSERH
REPRESENTANTE CNPJ
Nutrivip Alimentação Ltda. 09.487.591/0001-48
HÁ PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL? PROCURAÇÃO
Não Peça 1, p. 13
MODALIDADE NÚMERO TIPO
Pregão Eletrônico 164/2018 Menor preço global
VIGÊNCIA VALOR HOMOLOGADO
Doze meses, prorrogáveis por até R$ 3.149.342,64 (peça 4)
sessenta meses, nos termos do inc.
II do art. 57 da Lei 8.666/1993
(Peça 1, p. 47, item 3.3)
FASE DO CERTAME
O certame foi homologado em 20/3/2019 para a empresa Sabor Vitória Alimentação Ltda. (peça
4).
B. ALEGAÇÕES DO REPRESENTANTE
1. O representante alega, em suma, que (peça 1):
a) o item 6.1.1 do Anexo I ao edital do certame (peça 1, p. 53) estabelece, como critério de habilitação
técnica, a apresentação de um atestado de capacidade técnica que comprove que o licitante já forneceu
objeto compatível com o licitado, o que, segundo afirma, seria a comprovação de prestação de serviços de
fornecimento de refeições para unidades hospitalares destinadas, entre outros, a pacientes (adulto e
infantil) que necessitam de uma dieta específica, de acordo com suas necessidades e recomendações
médicas, caracterizando-se como um serviços de alta complexidade operacional por atender à população
enferma;
b) a licitante vencedora do certame, Sabor Vitória Alimentação Ltda, apresentou atestados emitidos por
pessoas jurídicas que não exercem atividades compatíveis, similares ou análogas às que serão
contratadas pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), tendo fornecido
refeições para presidiários e empresas de engenharia; e
c) a empresa também não teria comprovado o fornecimento de refeições de forma transportada.
C. EXAME DE ADMISSIBILIDADE
LEGITIMIDADE DO AUTOR
O representante possui legitimidade para representar ao Tribunal? Sim
(Fundamento: art. 87, § 2º, da Lei 13.303/2016, c/c o art. 237 do Regimento
Interno/TCU)
REDAÇÃO EM LINGUAGEM COMPREENSÍVEL
A representação está redigida em linguagem clara e objetiva, contém nome legível, Sim
qualificação e endereço do representante?
(Fundamento: art. 235 do Regimento Interno/TCU)
INDÍCIO CONCERNENTE À IRREGULARIDADE OU ILEGALIDADE
A representação encontra-se acompanhada do indício concernente à irregularidade Sim
ou ilegalidade apontada pelo autor?
(Fundamento: art. 235 do Regimento Interno/TCU)
COMPETÊNCIA DO TCU
A representação trata de matéria de competência do TCU? Sim
(Fundamento: art. 235 do Regimento Interno/TCU)
INTERESSE PÚBLICO
Os argumentos do autor indicam a possibilidade de existência de interesse público, Sim
15

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

caso restem comprovadas as supostas irregularidades apontadas na peça inicial.


(Fundamento: art. 103, § 1º, da Resolução - TCU 259/2014)
Análise quanto ao interesse público: Confirmadas as alegações do representante, há potencial risco de
inexecução ou execução insatisfatória do contrato.
CONCLUSÃO QUANTO AO EXAME DE ADMISSIBILIDADE
2. Presentes todos os requisitos de admissibilidade constantes no art. 87, § 2º da Lei 13.303/2016, c/c
os arts. 235 e 237, VII, do Regimento Interno/TCU, e no art. 103, § 1º, da Resolução - TCU 259/2014, a
representação deve ser conhecida.
D. MEDIDA CAUTELAR – AVALIAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS
PERIGO DA DEMORA
O contrato/a ata decorrente do certame já foi assinado(a)? Não
Há decisão judicial ou administrativa, sem especificação de prazo, para suspender o Não há
andamento do processo licitatório ou a contratação? informação
Análise:
3. Está configurado o pressuposto do perigo da demora em razão de a homologação do certame ter
ocorrido em 20/3/2019 (peça 4), com a iminente assinatura do contrato.
PERIGO DA DEMORA REVERSO
O serviço/bem é essencial ao funcionamento das atividades do órgão/entidade? Sim
O órgão ou entidade está coberto contratualmente pelo serviço com razoável Não há
vigência (há a possibilidade de voltar a fase ou refazer o certame, a depender informação
da consequência da concessão de cautelar no caso concreto) ou admite
prorrogação excepcional?
Caso haja a possibilidade de manutenção do contrato com a atual prestadora Não há
dos serviços, as condições dessa contratação seriam melhores (menor preço e informação
atendimento satisfatório) que o que se está em vias de contratar?
Análise:
4. Em função de não haver informações sobre eventual contrato vigente para a execução dos serviços
licitados, não é possível concluir sobre a presença do perigo da demora reverso.
PLAUSIBILIDADE JURÍDICA
O órgão/entidade está sujeito aos normativos supostamente infringidos? Sim
Há plausibilidade nas alegações do representante? Não
Há indício de sobrepreço ou superfaturamento? Não
Há grave risco de lesão ao erário, inexecução ou execução insatisfatória do objeto? Não
Conclusão quanto à necessidade de adoção de medida cautelar:
5. As alegações do representante quanto à compatibilidade dos atestados apresentados com os serviços
prestados baseiam-se no fato de a licitante vencedora não ter fornecido refeições para unidades
hospitalares destinadas a pacientes enfermos (peça 1, p. 3) e de forma transportada (peça 1, p. 5)
6. O item 6.1.1. do termo de referência anexo ao edital (peça 1, p. 53) requer, como critério de
habilitação técnica, a apresentação de um atestado de capacidade técnica que comprove que o licitante já
forneceu objeto compatível com o licitado, sem especificar a necessidade de experiência em fornecimento
de refeições para unidades hospitalares.
7. O mesmo questionamento ocorreu em sede recurso administrativo interposto durante a realização do
certame (peça 1, p. 161-184), e a reposta do órgão (peça 1, p. 180) foi no sentido de que o atestado deve
ser compatível com o objeto do certame, e não idêntico a este.
8. Considerou, neste caso, que os atestados apresentados pela licitante vencedora comprovam o
fornecimento de refeições, incluindo almoço e jantar, sendo suficientes, no entendimento da área técnica,
para comprovar que a empresa possui capacidade de fornecer o objeto licitado.
9. De forma complementar, informou que a empresa forneceu, em sede de diligência (art. 43, § 3°, da Lei
8.666/1993), declaração que comprova o fornecimento de dietas específicas para atender ao contrato
firmado com a Secretaria de Justiça do Estado do Espírito Santo (Sejus/ES).
10. Quanto à capacidade de fornecimento das refeições pela empresa, convém destacar que o mesmo item
16

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

6.1.1 do termo de referência estabelece como quantitativo mínimo a ser comprovado o fornecimento de
trezentas refeições diárias, enquanto a licitante apresentou comprovação de fornecimento de 2.504
refeições diárias (peça 1, p. 179).
11. A licitante comprovou, assim, uma capacidade de produção consideravelmente superior à solicitada,
possuindo instalações suficientes para atender a grandes demandas. Com a estrutura comprovada e sob a
orientação de um nutricionista, como exigido no edital, é possível afirmar que a empresa possui a
capacidade de produzir qualquer tipo de refeição.
12. A representante alegou que a complexidade do fornecimento de refeições hospitalares foi atestada
(peça 1, p. 6-7) na licitação realizada pela mesma Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
(EBSERH) no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (Pregão eletrônico
63/2016 - edital à peça 1, p. 185-261), quando uma licitante teria sido desclassificada por não comprovar
o fornecimento de alimentação hospitalar (peça 1, p. 265-266).
13. Naquele certame, o item 11.28 do termo de referência (peça 1, p. 252) estabeleceu explicitamente que
o licitante deveria ter prestado o serviço em instituições de saúde ou similares. Os dois pregões possuem
objeto semelhante em características, mas com diferentes quantidades, uma vez que o valor estimado na
contratação do PE 63/2016, de R$ 13.750.636,20 (peça 1, p. 258), é consideravelmente superior ao valor
homologado para a licitação em tela, de R$ 3.149.342,64 (peça 4). A quantidade de refeições contratadas
naquele certame não se encontra disponível.
14. No entanto, para que se possa chegar a qualquer conclusão, seria necessário, primeiramente,
verificar se tal exigência não se mostrou desarrazoada naquela ocasião, o que parece ter ocorrido, uma
vez que não há justificativa aparente para a exigência de experiência específica no fornecimento de
refeições hospitalares.
15. A jurisprudência do TCU é no sentido de que caracteriza restrição à competitividade da
licitação a exigência, como critério de habilitação, de atestado de qualificação técnica
comprovando experiência em tipologia específica de serviço, salvo se imprescindível à certeza da
boa execução do objeto e desde que devidamente fundamentada no processo licitatório (Acórdãos
TCU 744/2015-2ª Câmara – Relatora: Ministra Ana Arraes e 433/2018-Plenário – Relator: Ministro
Substituto Augusto Sherman).
16. Note que o representante não demonstrou a real necessidade da comprovação de experiência no
fornecimento de refeições hospitalares, não tendo apontado elementos objetivos que fundamentassem as
alegações, limitando-se a afirmar que o serviço é especializado e estabelecendo comparação com outro
certame, o que não vincula a exigência neste.
17. Outro fator que deve ser considerado é o fato de a equipe técnica do Hospital Universitário
Cassiano Antônio Moraes não ter realizado tal exigência e ter reafirmado, em resposta ao
recurso administrativo apresentado, que ela não era necessária, sendo a decisão da entidade no
sentido de ampliar a competitividade do certame, em consonância com o caput do art. 31 da Lei
13.303/2016 e com o art. 3°, II, da Lei 10.520/2002, sem prejuízo aparente na prestação dos
serviços.
18. Assim, se a própria entidade entendeu não ser necessário realizar tal exigência, não cabe ao
TCU, portanto, substituir o papel do gestor e adotar qualquer medida que possa reduzir a
competitividade do certame, sendo improcedentes alegações do representante quanto a este
ponto.
19. Quanto à alegação de que os atestados apresentados pelo licitante não comprovam o
fornecimento de refeição de forma transportada, em que pese não constar expressamente no
atestado fornecido pela Sejus/ES (peça 1, p. 119), é possível presumir que o fornecimento das
refeições ocorreu de forma transportada, visto que, uma vez que a empresa produz as refeições
em determinado local, a única forma de prestar os serviços é transportando o produto até o local
de consumo. Além disso, a logística necessária para se transportar trezentas refeições é
relativamente simples, sendo possível ser realizada em um veículo utilitário de médio porte, não
sendo este um fator limitante ou determinante na execução do contrato.
20. O termo de referência também estabeleceu, no item 8.7.1 (peça 1, p. 29), a exigência de que a
empresa possua instalações na Grande Vitória, o que foi atendido pela licitante, conforme
17

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

posicionamento da entidade na resposta aos recursos administrativos interpostos durante a


realização do certame (peça 1, p. 183), sendo improcedentes as alegações do representante
quanto a este ponto.
21. Por fim, convém ressaltar que a licitante cujos atestados são questionados nesta
representação, Sabor Vitória Alimentação, ofereceu o menor preço para a execução dos
serviços, o que demonstra a assertividade da decisão de não restringir a disputa a um grupo de
empresas com experiência específica.
22. Tendo em vista as considerações supra, resta afastado o pressuposto da plausibilidade jurídica uma
vez que as alegações do representante não são procedentes, motivo pelo qual será proposto o
indeferimento do pedido de medida cautelar.
23. Além disso, os elementos constantes dos autos permitem, desde já, a avaliação quanto ao mérito da
representação pela improcedência.

E. IMPACTO DOS ENCAMINHAMENTOS PROPOSTOS


Haverá impacto relevante na entidade e/ou na sociedade, decorrente dos Não
encaminhamentos propostos?
F. PEDIDO DE INGRESSO AOS AUTOS E DE SUSTENTAÇÃO ORAL
Há pedido de ingresso aos autos? Não
Há pedido de sustentação oral? Não
G. PROCESSOS CONEXOS E APENSOS
Há processos conexos noticiando possíveis irregularidades na contratação ora Não
em análise?
Há processos apensos? Não
H. PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO
24. Em virtude do exposto, propõe-se:
24.1. conhecer da representação, satisfeitos os requisitos de admissibilidade constantes no art. 87, § 2º
da Lei 13.303/2016, c/c os arts. 235 e 237, VII,do Regimento Interno deste Tribunal, e no art. 103, § 1º,
da Resolução - TCU 259/2014, para, no mérito, considerá-la improcedente.
24.2. indeferir o pedido de concessão de medida cautelar formulado pelo representante, tendo em vista a
inexistência dos elementos necessários para sua adoção;
24.3. informar à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Hospital Universitário Cassiano
Antônio Moraes (Hucam) e ao representante que o conteúdo da deliberação que vier a ser proferida
poderá ser consultado no endereço www.tcu.gov.br/acordaos; e
24.4. arquivar os presentes autos, nos termos do art. 250, I, c/c art. 169, V, do Regimento Interno deste
Tribunal.”

Acolho a proposta da unidade nos termos do seguinte acórdão:


ACORDAM, os Ministros do Tribunal de Contas da União, com fundamento nos arts. 143, 169,
237, VII e 250, II do Regimento Interno/TCU, em:
a) conhecer da representação, satisfeitos os requisitos de admissibilidade constantes no art. 87, § 2º
da Lei 13.303/2016, c/c os arts. 235 e 237, VII,do Regimento Interno deste Tribunal, e no art. 103, § 1º,
da Resolução - TCU 259/2014, para, no mérito, considerá-la improcedente.
b) indeferir o pedido de concessão de medida cautelar formulado pelo representante, tendo em vista
a inexistência dos elementos necessários para sua adoção;
c) informar à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Hospital Universitário Cassiano
Antônio Moraes (Hucam) e ao representante que o conteúdo desta deliberação proferida poderá ser
consultada no endereço www.tcu.gov.br/acordaos; e
d) arquivar os presentes autos, nos termos do art. 250, I, c/c art. 169, V, do Regimento Interno deste
Tribunal.
18

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

1. Processo TC-006.456/2019-7 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Representante: Nutrivip Alimentação Ltda.
1.2. Órgão/Entidade: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
1.3. Relator: Ministro Raimundo Carreiro
1.4. Representante do Ministério Público: Subprocurador-Geral Paulo Soares Bugarin
1.5. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog).
1.6. Representação legal: não há.
1.7. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 1008/2019 - TCU - Plenário

Considerando a manifestação da unidade técnica lavrada nos seguintes termos:


“1. Trata-se de representação de licitante (peça 1), com pedido de medida cautelar, a respeito de
alegadas irregularidades que teriam ocorrido no Pregão 61/2019, promovido pelo Hospital Nossa
Senhora da Conceição Ltda. - HNSC, tendo por objeto “a aquisição de material médico hospitalar
(materiais cirúrgicos para procedimentos de facoemulsificação e vitrectomia com comodato de
equipamento, bisturi, cânula, lente intraocular, solução estéril, entre outros), pelo Sistema de Registro de
Preços, pelo período de 12 (doze) meses” (peça 5, p.2).
EXAME DE ADMIBSSIBILIDADE
2. Inicialmente, deve-se registrar que a representação preenche os requisitos de admissibilidade
constantes no art. 235 do Regimento Interno do TCU, haja vista a matéria ser de competência do
Tribunal, referir-se a responsável sujeito a sua jurisdição, estar redigida em linguagem clara e objetiva,
conter nome legível, qualificação e endereço do representante, bem como encontrar-se acompanhada de
indício concernente à possível ocorrência de irregularidade ou ilegalidade.
3. Ademais, deve-se registrar que a referida empresa Mediphacos possui legitimidade para
representar ao Tribunal, consoante disposto no inciso VII do art. 237 do RI/TCU c/c o art. 87, § 2º, da
Lei 13.303/2016).
4. Ainda, conforme dispõe o art. 103, § 1º, “in fine”, da Resolução – TCU 259/2014, verifica-se a
existência do interesse público no trato das supostas irregularidades/ilegalidades, visto que, na hipótese
de confirmação do quanto questionado, o Hospital poderia se ver privado, em tese, de realizar a
aquisição em condições mais vantajosas, ante o prejuízo à competitividade.
ANÁLISE TÉCNICA
5. O questionamento da Representante diz respeito à inclusão de cláusulas restritivas no edital do
certame impondo a cessão de equipamentos em comodato e a opção pela licitação por lote, ambas
acarretando, no seu entender, restrição à competitividade. Segundo ela, os itens 1 (bisturi angulado); 3
(campo cirúrgico descartável em plástico, TNT ou SMS); 17 (lente intraocular dobrável); e 18 (lente
intraocular multifocal difrativa) não são insumos para os aparelhos de facoemulsificador ou do
vitreófago para que fosse necessário vinculá-los ao comodato desses equipamentos, devendo ser licitados
em separado, fora do lote 1.
6. Com relação ao comodato de equipamentos, verifica-se constar do objeto do referido pregão,
nos seguintes termos (peça 5, p. 2):
2 - DO OBJETO:
2.1 O presente Pregão Eletrônico tem por objeto a Aquisição de Material Médico Hospitalar (MATERIAIS
CIRÚRGICOS PARA PROCEDIMENTOS DE FACOEMULSIFICAÇÃO E VITRECTOMIA COM COMODATO
DE EQUIPAMENTO, BISTURI, CANULA, LENTE INTRAOCULAR, SOLUCAO ESTERIL, ENTRE OUTROS),
pelo Sistema de Registro de Preços, pelo período de 12 (doze) meses, para o Hospital Nossa Senhora da
Conceição S.A., conforme especificações e condições constantes deste edital e seus anexos.
7. A Representante baseia-se no Acórdão 2981/2009-TCU-Plenário, da relatoria do Ministro José
Múcio Monteiro, pela impossibilidade do comodato, como se infere do item 1.5.4, abaixo reproduzido:
1.5.4. não inclua nos objetos de suas licitações e/ou contratações a concessão de equipamentos em regime
19

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

de comodato, máxime quando se tratar de equipamentos de elevado valor, devendo realizar a locação ou compra
dos equipamentos, preferencialmente, antes da licitação para fornecimento dos insumos, os quais deverão ser
compatíveis com os equipamentos comprados/alugados, ampliando a concorrência e estabelecendo custos
unitários de todos os itens envolvidos na contratação, conforme preceitua o caput do artigo 3° c/c com o artigo 7,
§ 2°, inciso II, da Lei n° 8.666/93;
8. Com referência à aquisição em lote único, recorre a Representante à súmula 247 do TCU, cujo
enunciado se reproduz, in verbis:
SÚMULA TCU 247: É obrigatória a admissão da adjudicação por item e não por preço global, nos editais
das licitações para a contratação de obras, serviços, compras e alienações, cujo objeto seja divisível, desde que
não haja prejuízo para o conjunto ou complexo ou perda de economia de escala, tendo em vista o objetivo de
propiciar a ampla participação de licitantes que, embora não dispondo de capacidade para a execução,
fornecimento ou aquisição da totalidade do objeto, possam fazê-lo com relação a itens ou unidades autônomas,
devendo as exigências de habilitação adequar-se a essa divisibilidade.
9. É importante salientar que a empresa Mediphacos Indústrias Médicas S/A já representou contra
o HNSC pelas mesmas supostas irregularidades no Pregão 498/2017, que tinha o mesmo objeto da
contratação em análise (TC 002.473/2018-6). O Acórdão 6.230/2018 – 1ª Câmara, relatoria do Min.
Bruno Dantas, considerou improcedente a representação e indeferiu a medida cautelar pleiteada, nos
seguintes termos:
ACÓRDÃO Nº 6230/2018 - TCU - 1ª Câmara
Considerando que o Hospital Nossa Senhora da Conceição Ltda. (HNSC) demonstrou ter realizado estudos
prévios que motivaram tecnicamente a opção, no objeto do Pregão 498/2017, pela cessão em comodato de
equipamentos (Vitreófago e Facoemulsificador) associada ao fornecimento de insumos para procedimentos
cirúrgicos oftalmológicos;
Considerando que, de acordo com os elementos constantes dos autos e o exame realizado pela unidade
instrutora, esse modelo de aquisição é comum em licitações similares realizadas por unidades hospitalares;
Considerando que a unidade jurisdicionada demonstrou ter realizado pesquisa prévia de preços de mercado
com vistas a verificar possível vantagem da aquisição ou locação dos referidos equipamentos antes de optar pelo
regime de comodato;
Considerando que, conforme a Lei 8.666/1993 e a Súmula 247 do TCU, a admissão da adjudicação por item
e não por preço global, nos editais das licitações para a contratação de obras, serviços, compras e alienações não
é uma regra absoluta, tendo ficado demonstrado que a especificidade dos insumos, no caso concreto, por razões
técnicas de compatibilidade com um determinado modelo de equipamento a ser utilizado, justificou seu
agrupamento em lotes;
Considerando que o Pregão 498/2017, objeto desta representação, resultou fracassado por preço excessivo,
conforme justificativa da pregoeira no processo licitatório;
Considerando que as alegações e documentos juntados aos autos não demonstram configuração de infração
a norma legal, tampouco malversação de recursos públicos ou dano ao erário aptos a clamar pela atuação do
TCU;
Considerando, finalmente, que a ausência do fumus boni iuris conduz à impossibilidade de adoção de
medida cautelar;
Os Ministros do Tribunal de Contas da União ACORDAM, por unanimidade, com fundamento no art. 43,
inciso I, da Lei 8.443/1992, arts. 17, inciso IV; 143, inciso III; 235 c/c o art. 237, inciso VII e parágrafo único,
todos do Regimento Interno/TCU, em conhecer da presente representação, por preencher os requisitos de
admissibilidade, para, no mérito, considerá-la improcedente; indeferir, por consequência, a medida cautelar
pleiteada, e em dar ciência desta deliberação à unidade jurisdicionada e à representante, junto com a instrução
(peça 16), de acordo com os pareceres emitidos nos autos.
10. Tendo em vista que se trata de situação análoga e já tendo essa Corte de Contas se manifestado
a respeito, eis que os altos valores envolvidos para aquisição desses insumos, a necessidade de
compatibilidade entre os insumos e os modelos dos equipamentos, a vantagem operacional para o
hospital público, a utilização de equipamento moderno e com adequadas manutenções e a evidente
utilização dessa modalidade de contratação pela administração pública caracteriza prática usual do
mercado, pode-se concluir que os argumentos da Representante não procedem.
20

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

CONCLUSÃO
11. O documento constante da peça 1 deve ser conhecido como representação, por preencher os
requisitos previstos nos arts. 235 e 237, inciso VII, do Regimento Interno/TCU, c/c– art. 87, § 2º, da Lei
13.303/2016) e no art. 103, § 1º, da Resolução – TCU 259/2014.
12. No que tange ao requerimento de medida cautelar, entende-se que este não deve ser acolhido,
por não estarem presentes nos autos os requisitos do perigo da demora e da plausibilidade jurídica.
13. Além disso, diante dos fatos apurados, concluiu-se pela improcedência da presente
representação, razão pela qual será proposto o seu arquivamento (item 10).
PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO
14. Ante todo o exposto, submetem-se os autos à consideração superior, propondo:
a) conhecer da presente representação, satisfeitos os requisitos de admissibilidade previstos nos
arts. 235 e 237, inciso VII, do Regimento Interno/TCU, c/c– art. 87, § 2º, da Lei 13.303/2016) e no art.
103, § 1º, da Resolução – TCU 259/2014, para, no mérito, considerá-la improcedente;
b) indeferir o requerimento de medida cautelar formulado por Mediphacos Indústrias Médicas
S/A, tendo em vista a inexistência dos pressupostos necessários para adoção da referida medida;
c) informar ao Grupo Hospitalar Conceição - GHC e ao representante que o conteúdo da
deliberação que vier a ser proferida poderá ser consultado no endereço www.tcu.gov.br/acordaos; e
d) arquivar os presentes autos, nos termos do art. 237, parágrafo único, c/c os arts. 250, inciso I, e
169, V, do Regimento Interno/TCU.”

Acolho a proposta da unidade nos termos do seguinte acórdão:


ACORDAM, os Ministros do Tribunal de Contas da União, com fundamento nos arts. 143, 237, VII
e 250, II do Regimento Interno/TCU, em:
a) Conhecer da presente representação, satisfeitos os requisitos de admissibilidade previstos nos
arts. 235 e 237, inciso VII, do Regimento Interno/TCU, c/c– art. 87, § 2º, da Lei 13.303/2016) e no art.
103, § 1º, da Resolução – TCU 259/2014, para, no mérito, considerá-la improcedente;
b) Indeferir o requerimento de medida cautelar formulado por Mediphacos Indústrias Médicas S/A,
tendo em vista a inexistência dos pressupostos necessários para adoção da referida medida;
c) Informar ao Grupo Hospitalar Conceição - GHC e ao representante que o conteúdo desta
deliberação proferida poderá ser consultada no endereço www.tcu.gov.br/acordaos; e
d) Arquivar os presentes autos, nos termos do art. 237, parágrafo único, c/c os arts. 250, inciso I, e
169, V, do Regimento Interno/TCU.

1. Processo TC-006.759/2019-0 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Representante: Mediphacos Indústrias Médicas S/A, (CNPJ 21.998.885/0001-3)
1.2. Órgão/Entidade: Hospital Nossa Senhora da Conceição S.A.; Ministério da Saúde (Vinculador).
1.3. Relator: Ministro Raimundo Carreiro
1.4. Representante do Ministério Público: não atuou
1.5. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog).
1.6. Representação legal: Wanderley Romano Donadel (OAB/MG 78.870)
1.7. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 1009/2019 - TCU - Plenário

Considerando a manifestação da unidade técnica lavrada nos seguintes termos:


1. “Tratam os autos de representação, com pedido de medida cautelar, a respeito de possíveis
irregularidades ocorridas no âmbito do Pregão Presencial 10/2019, realizado pela Prefeitura Municipal de
Sousa – PB, o qual tem por objeto a aquisição de unidades móveis de saúde.
21

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

exame de admissibilidade
2. Inicialmente, deve-se registrar que a empresa Fiori Veicolo S/A possui legitimidade para
representar ao Tribunal, consoante disposto no inciso VII, do art. 237 do RI/TCU c/c o art. art. 113, §1º,
da Lei 8666/1993.
3. No entanto, a representação não preenche os requisitos de admissibilidade constantes no art. 235,
assim como no art. 103, §1º, da Resolução-TCU 259/2014 do Regimento Interno do TCU, haja vista
inexistir suficientes indícios de irregularidade ou se tratar de indício alheio à competência desta Corte.
4. Consoante disposto na exordial dos presentes autos, a empresa representante, em suma, alega a
existência das seguintes possíveis irregularidades relativas à licitante vencedora do certame: ausência de
requisitos para comercializar os veículos objeto do certame; e estaria usufruindo de benefícios fiscais de
forma indevida, com suposta sonegação fiscal. Diante disso, pleiteia o recebimento da presente
documentação como representação; a concessão de medida cautelar com vistas a suspender qualquer ato
decorrente do Pregão Presencial 10/2019; caso haja a constatação das ilegalidades noticiadas, a emissão
de deliberação desta Corte no sentido de que ocorra republicação do edital com as correções necessárias;
e o ingresso nos autos como interessada (peça 1).
5. Conforme se demonstrará, inexistem indícios suficientes acerca da suposta ausência de requisitos
da licitante vencedora para comercializar os veículos objeto do certame. Quanto à possível prática de
sonegação fiscal, trata-se de matéria não afeta às competências desta Corte de Contas, de modo que se
proporá a notificação da Secretaria de Fazenda do Estado da Paraíba.
Da suposta ausência de requisitos da licitante vencedora para comercializar os veículos
objeto do certame
6. Segundo a representante, a empresa Vereda Comércio Distribuidor de Veículos e Máquinas
(CNPJ 01.411.114/0001-97) teria se sagrado vencedora do Pregão Presencial 10/2019. Todavia, essa
empresa não possuiria as condições necessárias ao fornecimento de veículos novos, haja vista não se
tratar de fabricante ou concessionária autorizada (peça 1).
7. Nesse sentido, informa que o edital de licitação exigira o fornecimento de ambulâncias zero
quilômetro (peça 1, p. 2). Quanto a esse aspecto, afirma que a venda de veículos novos se reserva ao
fabricante ou às concessionárias autorizadas. Fundamenta essa posição na Lei 6729/1979, 2º, §1º c/c art.
12 (peça 1, p. 3).
8. Defende que a aquisição de veículos por pessoas físicas ou jurídicas do fabricante, com a
posterior comercialização do bem, caracterizaria a revenda de veículos seminovos. Quanto a isso,
esclarece que a aquisição de um veículo novo diretamente do fabricante por uma pessoa jurídica exige a
imobilização desse bem no patrimônio da empresa adquirente. Além disso, em razão do desconto obtido
nessa aquisição direta, o veículo objeto da compra somente poderia ser comercializado doze meses após a
aquisição (peça 1, p. 3).
9. Informa que a Deliberação 64/2008, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), estabeleceria o
conceito de veículo novo como aquele para o qual ainda não teria ocorrido o registro ou licenciamento.
Nesse sentido, transcreve trecho da mencionada norma (peça 1, p. 4).
10. Menciona a Nota Técnica 4/2013, do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), assim
como o Parecer 414/2006 AJ, do Departamento Estadual de Trânsito do Estado da Paraíba (Detran-PB).
Entende que, nos termos dessas normas, veículo novo seria aquele sujeito ao primeiro emplacamento
(peça 1, p. 4-5).
11. Transcreve trecho do Convênio ICMS 51/2000, do Confaz. Entende que, segundo esse
normativo, a venda de veículos novos possuiria como adquirente o consumidor final, de modo que
existira a intenção de utilizá-lo e não de comercializá-lo. Além disso, a venda a esse consumidor se daria
pelo fabricante ou montadora, com a intermediação da concessionária autorizada (peça 1, p. 5).
12. Cita trecho de decisão judicial proferida no Processo 0272012004448-5, do Poder Judiciário do
Estado da Paraíba, a qual versou sobre mandado de segurança interposto em razão de pregão presencial
que tinha por objeto a aquisição de veículos novos e do qual se sagrou vencedora empresa não fabricante
22

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ou concessionária autorizada. Consoante trecho transcrito pela representante, houve a concessão da


segurança pleiteada e, nesse sentido, a determinação de desclassificação da empresa vencedora do
certame, haja vista a ausência de requisitos necessários ao atendimento do instrumento convocatório
(peça 1, p. 6).
13. Menciona ainda, o Acórdão 1630/2017-TCU-Plenário, o qual tratou de representação formulada
por licitante que teria sido desclassifica do certame por não se enquadrar como montadora ou
concessionária autorizada. Segundo informa a representante, esta Corte de Contas teria arquivado a
mencionada representação (peça 1, p. 6).
14. Conclui ratificando o entendimento de que, diante dos argumentos e normativos apresentados, a
aquisição de veículo novo decorre de compra junto à montadora ou concessionária autorizada. Assim, os
veículos adquiridos de empresas que não se enquadrem em uma dessas duas possibilidades se
caracterizariam como seminovos (peça 1, p. 8).
Análise
15. De início, cabe destacar que, em consulta à página eletrônica da Prefeitura Municipal de Sousa
– PB, obteve-se cópia do Contrato 119/2019 (peça 33), o qual decorreu do Pregão Presencial 10/2019 e
foi firmado entre a mencionada prefeitura, o Fundo Municipal de Saúde e a empresa Vereda Comércio
Distribuidor de Veículos e Máquinas Ltda. Assim, resta evidenciado que a empresa Vereda se sagrou
vencedora do certame, consoante informado pela representante. Não se obtiveram informações acerca da
execução do contrato, motivo pelo qual caberá propor a realização de diligência.
16. Com relação às alegações da representante, o fato de o TCU, no Acórdão 1630/2017-Plenário
(TC 009.373/2017-9, Relator Min. Benjamin Zymler), ter admitido como regular a restrição, no edital da
licitação, de participação, em uma licitação para aquisição de veículos novos, apenas a empresas
fabricantes de automóveis ou revendas formalmente credenciadas pelos fabricantes, não torna a não
exigência irregular. Ademais, cabe destacar que sequer houve questionamento acerca da legalidade do
instrumento convocatório da licitação.
17. Dessa forma, não tendo sido feita essa restrição, não pode a Administração, descumprindo o
edital, desclassificar a licitante vencedora com base em uma condição que não foi estabelecida no edital.
Assim sendo, também não há ilegalidade na conduta da Prefeitura por ter cumprido o edital e adjudicado
o objeto à empresa vencedora.
18. O cerne da questão está, então, em saber se o veículo a ser entregue atende ou não às exigências
do edital.
19. Nesse sentido, o edital de licitação dispôs nos seguintes termos (peça 30, p. 1 e 9):
1.1 Contratação de empresa especializada para aquisição de unidades móveis de saúde, 0 km,
visando atender as demandas da Secretaria de Saúde Sousa/PB, conforme especificações constantes no
Termo de Referência no Anexo I deste Edital, os quais é parte integrante do mesmo.
(...)
12.1 Conforme solicitado, declaro haver disponibilidade orçamentária e financeira para
contratação de empresa especializada para aquisição de unidades móveis de saúde, 0 km, visando
atender as demandas da Secretaria de Saúde Sousa/PB, conforme segue:
(...)
14.4 Fornecer as ambulâncias novas (0 Km), ano 2018 e ou 2018/2019, sem uso anterior (...) (grifo
nosso)
20. Quanto ao termo de referência, trouxe o seguinte teor (peça 30, p. 13-14):
2. Objeto Contratação de empresa especializada para aquisição de unidades móveis de saúde, 0
km, visando atender as demandas da Secretaria de Saúde Sousa/PB.
(...)
5. Das Obrigações da Contratada
(...)
23

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

d) Fornecer as ambulâncias novas (0 Km), ano 2018 e ou 2018/2019, sem uso anterior
(...)
21. Não se identifica, no edital, de forma expressa, a restrição de que o veículo não deveria ter
registro e licenciamento anterior ou qualquer menção à Deliberação 64/2008 do Conselho Nacional de
Trânsito (Contran), que conceitua: “2.12. VEÍCULO NOVO - veículo de tração, de carga e transporte
coletivo de passageiros, reboque e semi-reboque, antes do seu registro e licenciamento” (peça 6, p. 4).
22. Assim, não parece ter sido a intenção da Prefeitura Municipal de Souza – PB adquirir veículos
antes de seu registro e licenciamento, mas adquirir veículos “zero quilômetro”, ainda que, eventualmente,
em alguns lugares do edital tenha se referido a veículo “novo”.
23. De fato, se a intenção da Prefeitura tivesse sido adquirir veículo “novo” no conceito do Contran,
bastaria que tivesse limitado a participação na licitação a fabricantes de automóveis ou revendas
formalmente credenciadas pelos fabricantes, ou citado a deliberação do mencionado conselho, o que não
ocorreu.
24. Assim entendido, a pretensão da Prefeitura com sua licitação não parece ter sido a aquisição de
veículo “novo” no conceito do Contran, mas veículo “zero quilômetro”.
25. Transcreve-se a seguir resposta a diligência feita ao Departamento Nacional de Trânsito, no
âmbito do TC 009.373/2017-9, peça 39 (processo em que se prolatou o mencionado Acórdão 1630/2017-
TCU-Plenário):
c) caso haja registro em nome da revenda não autorizada, o veículo deixa de ser “zero quilômetro”
ou “novo”, apenas em razão do registro?
Resposta: O simples fato de o veículo ser registrado em nome da revendedora não retira a
característica de veículo “zero quilômetro”. Todavia, a partir do momento em que o veículo sai da
fabricante/concessionária (ou revenda autorizada) deixa de ser um veículo novo. (grifo nosso)
26. Dessa forma, ainda que a empresa vencedora da licitação seja uma revendedora e não uma
concessionária, isso não lhe retira a possibilidade de cumprir o edital e entregar um veículo “zero
quilômetro”, como aparenta ter pretendido a Prefeitura Municipal de Souza – PB.
27. Cabe destacar que o Decreto-lei 4.657, de 4 de setembro de 1942 (a Lei de Introdução às
Normas do Direito Brasileiro), em seu art. 20, exige a consideração das consequências práticas do ato e,
em seu art. 22, § 1º, estabelece a necessidade de serem consideradas as circunstâncias práticas que
condicionam a ação dos agentes.
28. Assim, a atuação desta Corte para que a Prefeitura Municipal de Souza – PB receba um veículo
“novo” ao invés de um “zero “quilômetro”, sem realmente saber a pretensão do executivo muicipal, não
se mostra razoável e em consonância com a citada norma. Ademais, há de se considerar o custo dessa
nova licitação e o custo de oportunidade pela não disponibilidade do veículo até a conclusão da nova
licitação.
29. Por tudo isso, inexistem indícios suficientes acerca da suposta ausência de requisitos da licitante
vencedora para comercializar os veículos objeto do certame.
Do pedido de ingresso nos autos como interessado
30. Consoante a peça 1, p. 15, a representante pleiteou o ingresso nos autos como interessada.
Todavia, não houve a apresentação motivação para esse pedido.
31. O art. 146, § 1º, do Regimento Interno deste Tribunal prevê que o pedido de ingresso deverá
demonstrar, de modo claro e objetivo, razão legítima para intervir no processo. Ademais, a jurisprudência
desta Corte, a exemplo do Acórdão 2728/2015-TCU-Plenário, da relatoria do Ministro José Múcio
Monteiro, mostra-se consolidada no sentido de que o representante não é considerado, automaticamente,
parte processual, devendo demonstrar razão legítima para intervir no processo.
32. Assim, inexistem razões que justifiquem o ingresso da representante como interessada, motivo
pelo qual caberá propor o indeferimento da solicitação.
24

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Proposta de encaminhamento
33. Ante todo o exposto, submetem-se os autos à consideração superior, propondo:
33.1. não conhecer a presente documentação como representação, por não atender os requisitos de
admissibilidade previstos no art. 235, do RI/TCU, bem como no art. 103, § 1º, da Resolução-TCU
259/2014 (parágrafos 2-29 deste pronunciamento);
33.2. encaminhar cópia desta documentação e da decisão que vier a ser adotada à Secretaria de
Fazenda do Estado da Paraíba (parágrafo 5 deste pronunciamento);
33.3. com fundamento no RITCU, art. 144, §2º, indeferir o pedido da representante de ingressar nos
autos como interessada (parágrafos 30-32 deste pronunciamento);
33.4. Determinar liminarmente o arquivamento deste processo, com fundamento no parágrafo único
do art. 237, c/c o parágrafo único do art. 235, do RI/TCU, e no art. 105 da Resolução-TCU 259/2014; e
33.5. Comunicar a decisão que vier a ser adotada ao representante. ”

Acolho a proposta da unidade nos termos do seguinte acórdão:


ACORDAM, os Ministros do Tribunal de Contas da União, com fundamento nos arts. 143, 237, VII
e 250, II do Regimento Interno/TCU, em:
a) Não conhecer a presente documentação como representação, por não atender os requisitos de
admissibilidade previstos no art. 235, do RI/TCU, bem como no art. 103, § 1º, da Resolução-TCU
259/2014 (parágrafos 2-29 da instrução);
b) Encaminhar cópia da instrução e do presente Acórdão adotado à Secretaria de Fazenda do
Estado da Paraíba (parágrafo 5 da instrução);
c) Indeferir o pedido da representante de ingressar nos autos como interessada (parágrafos 30-32
da instrução) com fundamento no RITCU, art. 144, §2º;
d) Arquivar o presente processo, com fundamento no parágrafo único do art. 237, c/c o parágrafo
único do art. 235, do RI/TCU, e no art. 105 da Resolução-TCU 259/2014; e
e) Comunicar este Acórdão ao representante.

1. Processo TC-007.704/2019-4 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Representante: Fiori Veicolo S/A (CNPJ 35.715.234/0008-76)
1.2. Órgão/Entidade: Município de Sousa - PB
1.3. Relator: Ministro Raimundo Carreiro
1.4. Representante do Ministério Público: não atuou
1.5. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog).
1.6. Representação legal: Gustavo Cavalcanti Neves (CPF 187.584.524-00)
1.7. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

RELAÇÃO Nº 13/2019 – Plenário


Relatora – Ministra ANA ARRAES

ACÓRDÃO Nº 1010/2019 - TCU - Plenário

Trata-se de representação formulada pela Secretaria de Fiscalização de Tecnologia da Informação


(Sefti) a respeito de possíveis irregularidades ocorridas no Pregão Eletrônico para Registro de Preços
9/2017 (PE SRP 9/2017) – promovido pelo Ministério da Educação (MEC), mediante critério de menor
preço global, cujo objeto consistiu no registro de preços objetivando contratação de empresa
especializada para expansão da plataforma de governança de dados, no valor estimado de R$
57.348.434,00 –, ante a ausência de justificativas para exclusão de cláusula de habilitação econômico-
financeira.
25

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Considerando que o certame foi revogado pelo MEC (peça 87), ainda em 2017, e que a cautelar de
suspensão dos atos da licitação perdeu o objeto;
considerando, não obstante, que a relevância da matéria justificou a continuidade das análises das
respostas às oitivas dos atores envolvidos, o que se materializou por intermédio da instrução técnica
inserta à peça 88, aprovada no âmbito da Sefti; e
considerando que essa avaliação final evidenciou lacunas e falhas na condução da pregão
eletrônico por parte do órgão, as quais, resumidamente, podem ser descritas pela ausência de justificativas
da contratação e de seus requisitos, dos aspectos quantitativos da solução, da não divulgação da Intenção
de Registro de Preços e da decisão de não parcelar o objeto; pela ausência de justificativa técnica e
econômica para indicação da marca; pela ausência de estudo comparativo de custo total de propriedade
das alternativas; pela ausência de indefinição de métricas de qualidade para os serviços de operação
assistida; pela ausência de especificação dos benefícios e dos resultados esperados de cada tarefa do
catálogo de serviços da solução; e pela desconsideração, sem a devida justificativa, de estimativas de
preço provenientes de contratações públicas e de contratação anterior do próprio ministério, no âmbito da
pesquisa de preços;
considerando que uma das finalidades do controle é atuar de maneira concomitante, formulando
recomendações e dando ciência aos jurisdicionados de indícios de irregularidades como os ora apurados
nesta ocasião, a fim de que não venham à tona por meio de novos atos praticados pela Administração;
os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão extraordinária do Plenário,
ACORDAM, por unanimidade, de acordo com a instrução aprovada pela unidade técnica (peça 88), e
com fundamento nos art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993, c/c os arts. 235 e 237, inciso VI, do Regimento
Interno deste Tribunal, e no art. 103, § 1º, da Resolução-TCU 259/2014, em:
a) conhecer da representação e considerá-la procedente;
b) dar ciência desta deliberação ao Ministério da Educação, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento
da Educação, ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, à Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e à sociedade empresária TGV Tecnologia Ltda.; e
c) arquivar o processo.

1. Processo TC-006.631/2017-7 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Classe de Assunto: VII.
1.2. Interessada: TGV Tecnologia Ltda. (CNPJ 04.989.440/0001-74).
1.3. Unidade: Ministério da Educação.
1.4. Relatora: Ministra Ana Arraes.
1.5. Representante do Ministério Público: não atuou.
1.6. Unidade Técnica: Secretaria de Fiscalização de Tecnologia da Informação (Sefti).
1.7. Representação legal: Diego Silva Abreu, representando Ministério da Educação; Mariana
Mello Lombardi (OAB/DF 53.879), Maria Augusta Rost (OAB/DF 37.017), Pedro Henrique Fernandes
Barros (OAB/DF 53.251), Rodrigo de Araújo Freitas Resende (OAB/DF 18.683) e Ricardo Barretto de
Andrade (OAB/DF 32.136), representando TGV Tecnologia Ltda.
1.8. Dar ciência ao Ministério da Educação das seguintes ocorrências apuradas nestes autos, para
que sejam adotadas medidas internas com vistas à prevenção de situações semelhantes:
1.8.1. ausência de justificativa da contratação, identificada no planejamento da contratação do PE
SRP 9/2017 do MEC, o que afronta o disposto no art. 12, incisos I e IV da IN SLTI/MP 4/2014;
1.8.2. ausência de justificativa dos aspectos quantitativos da solução, como a quantidade de
licenças e a quantidade de UST, identificada no planejamento da contratação do PE SRP 9/2017 do
MEC, o que afronta o disposto no art. 6º, inciso IX, alínea “f”, da Lei 8.666/1993;
1.8.3. ausência de justificativa dos requisitos da contratação, identificada no planejamento da
contratação do PE SRP 9/2017 do MEC, o que afronta o art. 6º, inciso IX, alíneas “c” e “d”, da Lei
8.666/1993;
26

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

1.8.4. ausência de estudo comparativo de custo total de propriedade das alternativas, identificada
no planejamento da contratação do PE SRP 9/2017 do MEC, em afronta ao disposto no art. 12, inciso
III, da IN SLTI/MP 4/2014;
1.8.5. ausência de justificativa técnica e econômica para a indicação de marca, identificada no
planejamento da contratação do PE SRP 9/2017 do MEC, em afronta ao disposto no art. 15, § 7º, inciso
I, e 25, inciso I, da Lei 8.666/1993, excepcionalmente admitida nos casos em que for tecnicamente
justificável, conforme prevê o art. 7º, § 5º, da referida Lei;
1.8.6. indefinição de métricas de qualidade para os serviços de operação assistida, identificada no
planejamento da contratação do PE SRP 9/2017 do MEC, o que afronta a previsão contida no art. 20,
inciso I, da IN SLTI/MP 4/2014;
1.8.7. ausência de justificativa para não divulgação da Intenção de Registro de Preços,
identificada no planejamento da contratação do PE SRP 9/2017 do MEC, em desacordo com o disposto
no art. 4º, § 1º, do Decreto 7.892/2013;
1.8.8. ausência de justificativa para a decisão de não parcelar o objeto, identificada no
planejamento da contratação do PE SRP 9/2017 do MEC, o que afronta as disposições previstas no art.
15, inciso IV, e no §1º do art. 23 da Lei 8.666/1993, bem como no art. 14, § 2º, inciso I, da IN SLTI/MP
4/2014 e na jurisprudência desta Corte;
1.8.9. ausência de especificação dos benefícios e dos resultados esperados de cada tarefa do
catálogo de serviços da solução, identificada no planejamento da contratação do PE SRP 9/2017 do
MEC, o que afronta os arts. 11, inciso II e 12, inciso IV, alínea “c”, da IN SLTI/MP 4/2014;
1.8.10. desconsideração, sem respectiva justificativa, de estimativas de preço provenientes de
contratações públicas e de contratação anterior do próprio ministério, no âmbito da pesquisa de preços,
identificada no planejamento da contratação do PE SRP 9/2017 do MEC, o que se põe em desacordo
com o disposto no art. 22 da IN SLTI/MP 4/2014, no §1º do art. 2º da IN SLTI/MP 5/2014 e na
jurisprudência desta Corte; e
1.9. Dar ciência à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, ao Fundo
Nacional de Desenvolvimento da Educação e ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira sobre a ausência de estudos técnicos preliminares prévios à demonstração de interesse
em participar de ata de registro de preços, identificada no planejamento da contratação no âmbito da
Capes, do FNDE e do Inep, o que afronta o disposto no art. 6º, inciso IX, da Lei 8.666/1993 e no art. 9º,
inciso II, da IN SLTI/MP 4/2014.

ACÓRDÃO Nº 1011/2019 - TCU – Plenário

Vistos estes autos de representação da empresa Bio Resíduos Soluções Ambientais, apontando
possíveis irregularidades ocorridas na condução do Pregão Eletrônico 18/2019, da Universidade Federal
de Goiás – UFG, para prestação de serviços de tratamento de Resíduos dos grupos A e E (resíduos
infectantes e perfurocortantes) e do grupo B (resíduos químicos), coleta, transporte e disposição final, na
Regional Jataí da UFG.
Considerando que a representante alegou, em suma, a ocorrência dos seguintes vícios no edital,
caracterizados pela ausência de previsão da:
a) possibilidade de participação de empresas não enquadradas como ME e EPP, desatendendo o art.
49 da Lei complementar 123/2006;
b) dispensa da visita técnica com a substituição por declaração de conhecimento das condições
locais dos serviços;
c) apresentação de capital social como prova de qualificação econômica;
27

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

considerando que o exame da Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas – Selog,


sobre a resposta à diligência dirigida ao pregoeiro da UFG, demonstrou o seguinte:
i) ausência de informações taxativas, no edital e seus anexos, sobre a exclusividade do certame à
participação de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte (inclusive diante da imprecisão textual dos
itens 7.3.1 e 7.3.2 do edital), desatendendo a jurisprudência desta Corte quanto aos requisitos de clareza e
objetividade dos instrumentos convocatórios (Acórdãos 1.633/2007-Plenário, 2.377/2008-2ª Câmara e
2.441/2017-Plenário);
ii) ausência de justificativa no processo licitatório sobre a imprescindibilidade da realização de
visita técnica por parte dos licitantes, contrariando o entendimento jurisprudencial do TCU de que tal
exigência prejudica a competitividade e a impessoalidade do certame, devendo ser justificada a sua
necessidade ou facultada a sua realização, incluindo, neste último caso, cláusula editalícia que estabeleça
ser da responsabilidade do contratado a ocorrência de eventuais prejuízos em virtude de sua omissão na
verificação dos locais dos serviços, com vistas a proteger o interesse da Administração na fase de
execução do contrato, conforme jurisprudência desse Tribunal (Acórdãos 2.990/2010-TCU-Plenário,
2.796/2011-TCU-2ª Câmara, 795/2014-TCU-2ª Câmara e 234/2015-TCU-Plenário);
iii) ausência de informações, no processo licitatório, acerca da efetiva verificação da existência
mínima de três ME e EPP sediadas local ou regionalmente, para cumprimento do disposto no art. 49 da
LC 123/2006;
iv) ausência de análise, pelo órgão licitador, de um dos questionamentos contidos na impugnação
ao edital oferecida pela empresa Bio Resíduos Soluções Ambientais (não opção de apresentação de
capital social mínimo ou patrimônio líquido mínimo no lugar dos índices de liquidez e solvência
exigidos), ainda que impertinente tal questionamento, contrariando o disposto no art. 50 da Lei
9.784/1999 (precedente: Acórdão 3.240/2014-TCU-Plenário);
v) inexistência da presença dos requisitos para a concessão de medida cautelar pleiteada pelo
representante, posto que as falhas antes descritas são de caráter formal e o objeto licitado é de R$
12.500,00 ao ano, possuindo baixa representatividade, além do que, não foi consignado qualquer urgência
imperiosa na contratação dos serviços, ainda mais que o certame previu registro de preços;
considerando que nesse contexto, é oportuna a expedição de ciências à UFG para que sejam
adotadas medidas internas com vistas à prevenção de ocorrência de outras semelhantes;
considerando que este processo cumpriu a sua finalidade;
considerando, finalmente, o disposto no inciso III, do art. 143, do Regimento Interno deste
Tribunal;
os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão extraordinária do Plenário,
ACORDAM, por unanimidade, de acordo com os pareceres emitidos nos autos e com fundamento no art.
113, §1º, da Lei 8.666/1993 c/c os arts. 235, 237, inciso V, e art. 169, inciso V, do Regimento Interno do
TCU, art. 7º da Resolução TCU 265/2014, em:
a) conhecer desta representação e considerá-la procedente;
b) indeferir o pedido de concessão de medida cautelar;
c) dar ciência à unidade jurisdicionada das falhas elencadas adiante;
d) dar ciência desta deliberação, bem como da instrução da unidade técnica à peça 9, à
Universidade Federal de Goiás – UFG e à empresa Bio Resíduos Soluções Ambientais; e
e) arquivar o presente processo.

1.Processo TC-006.760/2019-8 (REPRESENTAÇÃO)


1.1 Classe de Assunto: VII.
1.2. Unidade: Universidade Federal de Goiás.
1.2.1. Representante: Bio Resíduos Soluções Ambientais (CNPJ 22.096.126/0002-25).
1.3. Relatora: ministra Ana Arraes.
1.4. Representante do Ministério Público: não atuou.
1.5. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas - Selog.
28

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

1.6. Representação legal: não há.


1.7. dar ciência à Universidade Federal de Goiás sobre as seguintes impropriedades/falhas,
identificadas no Pregão Eletrônico 18/2019, para que sejam adotadas medidas internas com vistas à
prevenção de ocorrência de outras semelhantes:
1.7.1. ausência de informações taxativas, no edital e seus anexos, sobre a exclusividade do certame
à participação de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte (inclusive diante da imprecisão textual dos
itens 7.3.1 e 7.3.2 do edital), desatendendo a jurisprudência desta Corte quanto aos requisitos de clareza e
objetividade dos instrumentos convocatórios (Acórdãos 1.633/2007-Plenário, 2.377/2008-2ª Câmara e
2.441/2017-Plenário);
1.7.2. ausência de justificativa no processo licitatório sobre a imprescindibilidade da realização de
visita técnica por parte dos licitantes, contrariando o entendimento jurisprudencial do TCU de que tal
exigência prejudica a competitividade e a impessoalidade do certame, devendo ser justificada a sua
necessidade ou facultada a sua realização, incluindo, neste último caso, cláusula editalícia que estabeleça
ser da responsabilidade do contratado a ocorrência de eventuais prejuízos em virtude de sua omissão na
verificação dos locais dos serviços, com vistas a proteger o interesse da Administração na fase de
execução do contrato, conforme jurisprudência desse Tribunal (Acórdãos 2.990/2010-TCU-Plenário,
2.796/2011-TCU-2ª Câmara, 795/2014-TCU-2ª Câmara e 234/2015-TCU-Plenário);
1.7.3. ausência de informações, no processo licitatório, acerca da efetiva verificação da existência
mínima de três ME e EPP sediadas local ou regionalmente, para cumprimento do disposto no art. 49 da
Lei Complementar 123/2006; e
1.7.4. ausência de análise, pelo órgão licitador, de um dos questionamentos contidos na
impugnação ao edital oferecida pela empresa Bio Resíduos Soluções Ambientais (não opção de
apresentação de capital social mínimo ou patrimônio líquido mínimo no lugar dos índices de liquidez e
solvência exigidos), ainda que impertinente tal questionamento, contrariando o disposto no art. 50 da Lei
9.784/1999 (precedente: Acórdão 3.240/2014-TCU-Plenário).

ACÓRDÃO Nº 1012/2019 - TCU - Plenário

Trata-se de representação formulada pela sociedade empresária Una Marketing de Eventos Ltda. a
respeito de ilicitude na condução do Pregão Eletrônico 2/2019, a cargo do Serviço Nacional de
Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo (Sescoop/SP), destinado à “(...) contratação de
serviços de organização, assessoria, fornecimento de infraestrutura e apoio logístico, sob demanda, para
atendimento das ações de cunho educacional, promoção social e de monitoramento a serem realizadas
pelo Sescoop/SP em cidades do Estado de São Paulo e do Rio Grande do Sul (...)”.
Considerando que a representante ofertou, para mais de cem itens previsto no orçamento de
referência, preços superiores aos limites máximos admitidos no certame;
considerando que o fato consistiu em descumprimento frontal às disposições editalícias, não tendo
havido omissão ou erro sanável que ensejasse diligência prévia para que a representante efetuasse
correção (sem alteração) do valor global originalmente proposto, o que torna improcedente, portanto, a
alegação de não atendimento ao disposto no item 8.16 do edital; e
considerando que a representante teve a oportunidade de interpor recurso administrativo à decisão
que a desclassificara da licitação, direito esse por ela exercido, porém de forma intempestiva, o que
justificou o não conhecimento do apelo;
os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão extraordinária do Plenário,
ACORDAM, por unanimidade, de acordo com o parecer emitido pela Secretaria de Controle Externo de
Aquisições Logísticas (peça 50), e com fundamento nos art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993, c/c os arts. 235
e 237, VII, do Regimento Interno deste Tribunal, e no art. 103, § 1º, da Resolução-TCU 259/2014, em:
a) conhecer da representação e considerá-la improcedente; e
29

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

b) arquivar o processo, após dar ciência desta deliberação ao Sescoop/SP.

1. Processo TC-006.900/2019-4 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Classe de Assunto: VII.
1.2. Representante: Una Marketing de Eventos Ltda. (CNPJ 05.969.672/0007-19).
1.3. Unidade: Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo.
1.4. Relatora: ministra Ana Arraes.
1.5. Representante do Ministério Público: não atuou.
1.6. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog).
1.7. Representação legal: Mikaela Minare Brauna (OAB/DF 18.225) e outros, representando Una
Marketing de Eventos Ltda.
1.8. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 1013/2019 - TCU - Plenário

Cuidam os autos de representação formulada pela empresa Granel Química Ltda., com pedido de
medida cautelar, acerca de possíveis irregularidades no Leilão 5/2018 promovido pela Agência Nacional
de Transportes Aquaviários (Antaq) com vistas ao arrendamento de terminal STS13 de granéis líquidos
no Porto de Santos/SP.

A representante é a atual ocupante do terminal. Por sua vez, a Empresa Brasileira de Terminais e
Armazéns Gerais Ltda. – EBT, por maior lance, sagrou-se vencedora do certame.

Alega o representante, em síntese, três supostas irregularidades: a necessidade de nova audiência


pública em virtude das alterações promovidas no Estudo de Viabilidade Técnica, Econômico-Financeira e
Ambiental (EVTEA) de 2013 pela Empresa Brasileira de Logística (EBL); a falha na modelagem ao
prever a desmobilização da área em caso de o vencedor não ser a representante; e os problemas
concorrenciais em virtude de o vencedor do certame ter sido a Empresa Brasileira de Terminais Gerais
Ltda. (EBT), a qual controla dois outros terminais de granéis líquidos com propostas semelhantes em
Santos/SP (Ageo e Ageo Norte).

Considerando que as duas primeiras irregularidades foram tratadas no TC 034.173/2018-8


(Acórdão 11.861/2018 – 2ª. Câmara), que considerou a validade da audiência pública realizada em 2013
como ato inicial para a licitação do terminal STS13 e a razoabilidade da modelagem do certame
relativamente à desmobilização do terminal atual;

considerando que, diante dos dados constantes do estudo de demanda do STS13, o terminal licitado
possuirá cerca de 6% da participação da capacidade estática do mercado de movimentação e
armazenagem de granéis líquidos;

considerando que o referido mercado possui diversos players e que a participação somada nos
terminais Ageo e Ageo Norte no cluster de São Paulo é de 25%, não evidenciando que a empresa EBT
deterá poder de mercado relevante;

considerando que o compete a Antaq regular, supervisionar e fiscalizar as atividades de prestação


de serviços de transporte aquaviário e de exploração de infraestrutura portuária e aquaviária exercidas por
terceiros;
30

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

considerando que, após a confecção do estudo de mercado, o Poder Concedente não teceu
quaisquer restrições de participação no edital de licitação, tal como o fez em outros arrendamentos em
que se identificou a concentração excessiva ou a baixa quantidade de players;

considerando a ausência de plausibilidade jurídica, pressuposto para a adoção da medida cautelar


prevista no art. 276 do Regimento Interno;

os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão de Plenário, ACORDAM, por


unanimidade e de acordo com os pareceres emitidos nos autos, em:
a) conhecer da presente representação, nos termos do art. 113, §1°, da Lei 8.666/1993 e dos arts.
235 e 237, VII, do Regimento Interno;
b) indeferir o pedido de medida cautelar formulado pela representante;
c) dar ciência do presente acórdão ao representante, ao Ministério da Infraestrutura e à Agência
Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq);
d) apesar definitivamente os presentes autos ao TC 029.083/2013-3, nos termos do art. 36 da
Resolução TCU 259/2014.

1.Processo TC-007.134/2019-3 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Classe de Assunto: VII.
1.2. Representante: Granel Química Ltda.
1.3. Unidade: Agência Nacional de Transportes Aquaviários.
1.4. Relatora: ministra Ana Arraes.
1.5. Representante do Ministério Público: não atuou.
1.6. Unidade Técnica: Secretaria de Fiscalização de Infraestrutura Portuária e Ferroviária
(SeinfraPor).
1.7. Representação legal: Benjamin Caldas Gallotti Beserra (14967/OAB-DF) e outros,
representando A/s Rederiet Odfjell.
1.8. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

RELAÇÃO Nº 9/2019 – Plenário


Relator – Ministro BRUNO DANTAS

ACÓRDÃO Nº 1014/2019 - TCU - Plenário

Considerando que a Secretária-Geral Executiva da Defensoria Pública da União – DPU não possui
legitimidade para formular consulta a esta Corte, porquanto não se encontra no rol de autoridades do art.
264 do Regimento Interno/TCU;
Os Ministros do Tribunal de Contas da União ACORDAM, por unanimidade, com fundamento no
artigo 1º, inciso XVII, da Lei 8.443/92, c/c os artigos 15, inciso I, alínea "o", 143, inciso, V, alínea "a",
264 e 265, todos do Regimento Interno/TCU, em não conhecer da presente consulta, por não preencher
requisitos de admissibilidade aplicáveis à espécie, e em dar ciência deste acórdão à interessada,
juntamente com a instrução (peça 3), de acordo com os pareceres emitidos nos autos.

1. Processo TC-005.461/2019-7 (CONSULTA)


1.1. Órgão: Defensoria Pública da União
1.2. Relator: Ministro Bruno Dantas
1.3. Representante do Ministério Público: não atuou
1.4. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog).
1.5. Representação legal: não há.
1.6. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.
31

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ACÓRDÃO Nº 1015/2019 - TCU - Plenário

Os Ministros do Tribunal de Contas da União ACORDAM, por unanimidade, com fundamento no


art. 143, inciso V, "a" e 169, inciso V, do Regimento Interno/TCU, em considerar cumpridas as
deliberações contidas nos itens 9.7.1, 9.7.2 e 9.7.3 do Acórdão 1.009/2018-TCU-Plenário; dar ciência
deste acórdão à Coordenação-Geral do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde em São Paulo e ao
Município de Valinhos/SP; encaminhar cópia integral destes autos e do TC 028.321/2016-2 ao Tribunal
de Contas do Estado de São Paulo, em face da existência de recursos do Tesouro Municipal de
Valinhos/SP na execução do contrato de gestão da UPA de Lenheiro, para conhecimento e adoção das
medidas eventualmente cabíveis; e em determinar o apensamento destes autos ao TC 028.321/2016-2, de
acordo com os pareceres emitidos nos autos.

1. Processo TC-024.662/2018-6 (MONITORAMENTO)


1.1. Órgão: Ministério da Saúde (vinculador); Município de Valinhos - SP
1.2. Relator: Ministro Bruno Dantas
1.3. Representante do Ministério Público: não atuou
1.4. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo da Saúde (SecexSaude).
1.5. Representação legal: não há.
1.6. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 1016/2019 - TCU - Plenário

Considerando as oitivas da Superintedência Regional do DNIT no Estado de Minas Gerais e das


empresas contratadas no âmbito dos Contratos 200/2017, 591/2014 e 718/2015 em relação ao indício de
reajustamento indevido de preços contratuais;
Considerando a constatação de falhas nas cláusulas do edital padrão que tratam do reajustamento de
preços, das quais não decorreram prejuízo ao erário;
Considerando que, nos termos do art. 40, inciso XI, da Lei 8.666/1993, há duas possibilidades de
termo inicial para a contagem do prazo para reajustamento: a data prevista para apresentação da proposta
ou a data do orçamento a que essa proposta se referir;
Considerando que os achados de fiscalização de abrangência nacional serão tratados no processo de
consolidação da FOC, TC 023.720/2018-2, e que os demais achados consistem em falhas formais ou
descumprimento de leis, normas ou jurisprudência que não ensejam aplicação de multa, determinação ou
recomendação;
Os Ministros do Tribunal de Contas da União ACORDAM, por unanimidade, com fundamento nos
arts. 1º, incisos II, da Lei 8.443, de 16 de julho de 1992, c/c o art. 143, inciso III, do Regimento
Interno/TCU, em adotar as medidas a seguir e em encaminhar cópia deste acórdão, juntamente com a
instrução (peça 71) e o relatório de fiscalização (peça 18), ao Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transportes – Dnit, à Coordenação-Geral de Manutenção e Restauração Rodoviária e à Superintendência
Regional do Dnit no Estado de Minas Gerais, de acordo com os pareceres emitidos nos autos.

1. Processo TC-034.519/2018-1 (RELATÓRIO DE AUDITORIA)


1.1. Responsáveis: Construtora Visor Ltda (71.002.125/0001-07); Construtora Zag Ltda
(00.356.328/0001-45); Fabiano Martins Cunha (855.813.486-34); Lf Consultoria e Equipamentos Ltda. -
Epp (16.873.137/0001-90)
1.2. Órgão: Superintendência Regional do DNIT no Estado de Minas Gerais - DNIT/MT
1.3. Relator: Ministro Bruno Dantas
1.4. Representante do Ministério Público: não atuou
32

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

1.5. Unidade Técnica: Secretaria de Fiscalização de Infraestrutura Rodoviária e de Aviação Civil


(SeinfraRodoviaAviação).
1.6. Representação legal: Samuel Teixeira Soutto Mayor (102.614/OAB-MG) e outros,
representando Lf Consultoria e Equipamentos Ltda. - Epp; Marcelo do Prado Zago, representando
Construtora Zag LTDA; Leonardo Martins Ribeiro, representando Construtora Visor LTDA.
1.7. Nos termos do art. 43, inciso I, da Lei 8.443/1992, e art. 250, inciso II, do Regimento Interno
do TCU, determinar à Superintendência Regional do DNIT no Estado de Minas Gerais que, no prazo de
60 dias, revise o conteúdo de seu edital padrão e anexos no que tange aos critérios de reajuste, devendo
uniformizar e compatibilizar as cláusulas do edital com a fórmula de reajuste no que se refere ao marco
inicial adotado para a contagem do prazo, quer seja a data prevista para apresentação da proposta ou a
data do orçamento do DNIT a que essa proposta se referir, em observância ao art. 40, inciso XI, da Lei
8.666/1993;
1.8. Dar ciência à Superintendência Regional do DNIT no Estado de Minas Gerais, com base no art.
7º da Resolução TCU 265/2014, sobre as impropriedades abaixo mencionadas, no intuito de que adote
providências internas para atualizar os atos de gestão e fiscalização dos contratos de manutenção
rodoviária sob sua administração, de modo que se tornem compatíveis com as normas atualmente
vigentes, bem como para evitar a ocorrência de outras semelhantes em qualquer contratação:
1.8.1. presença de segmentos rodoviários, sob sua administração, sem cobertura contratual de
nenhum tipo de ação de manutenção, o que afronta o art. 80 da Lei 10.233/2001, bem como a Meta 040E
do Objetivo 280 do Programa 2087 inserida no Anexo I do atual Plano Plurianual (Lei 13.249/2016);
1.8.2. contratação de serviços de manutenção rodoviária, por meio dos Contratos 200/2017,
591/2014, 718/2015 e 501/2017, sem suporte em parecer técnico prévio relativo ao tipo de intervenção
mais adequado, o que afronta o disposto nos subitens 9.1.2 do Acórdão 1.097/2014-TCU-Plenário e 9.1.3
do Acórdão 194/2014-TCU-Plenário;
1.8.3. ausência de previsão de vinculação dos pagamentos aos requisitos de qualidade do serviço ou
do produto nos editais dos Contratos 200/2017, 591/2014, 718/2015 e 501/2017, o que afronta o disposto
no subitem 9.1.6.2 do Acórdão 2.730/2009-TCU-Plenário;
1.8.4. ausência de segregação de funções, falha constatada na fase de planejamento e fiscalização
dos Contratos 591/2014, 718/2015, 200/2017 e 501/2017, pois os fiscais designados para acompanhar a
execução do objeto de tais instrumentos também foram responsáveis pela requisição e especificação dos
serviços contratados, situação essa que contraria a jurisprudência do TCU e o Item 4 do Manual de
Diretrizes para Gestão, Acompanhamento e Fiscalização de Contratos do DNIT (IS/DG 6/2018), que
reitera a necessidade de se conferir a agentes distintos atividades sensíveis de planejamento e fiscalização
de suas contratações;
1.8.5. ausência de designação de Gestor e Fiscal Administrativo, falha constatada na execução dos
Contratos 591/2014, 718/2015, 200/2017 e 501/2017, o que configura a inobservância do Manual de
Diretrizes para Gestão, Acompanhamento e Fiscalização de Contratos do DNIT, nos termos dos Itens 3,
3.1 e 5.5.1 (IS/DG 5/2017) ou Itens 3, 3.1, 6.5.1 e Anexo I (IS/DG 6/2018), que estabeleceram a
necessidade de elaboração de portaria de designação para expressamente indicar os aludidos agentes;
1.8.6. ausência de cálculo do Índice de Gestão de Contratos (IGC), fato constatado na designação
das equipes de fiscalização dos Contratos 591/2014, 718/2015, 200/2017 e 501/2017, não guardando
conformidade com o princípio constitucional da eficiência (art. 37 da Constituição Federal), bem como
em afronta ao Item 6.6.6 e Anexo II do Manual de Diretrizes para Gestão, Acompanhamento e
Fiscalização de Contratos do Dnit (IS/DG 6/2018) que, em específico, estabelece metodologia para a
alocação otimizada dos recursos humanos a ser efetivamente implementada na execução dos contratos
vigentes;
1.8.7. ausência de reunião inicial prévia à execução do objeto contratado, falha constatada na
condução do Contrato 501/2017, que infringe o disposto no Manual de Diretrizes para Gestão,
Acompanhamento e Fiscalização de Contratos do Dnit, conforme Item 4.2 (IS/DG 5/2017) e Item 5.2
33

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

(IS/DG 6/2018), evento esse que deve estar registrado em ata a ser juntada no processo administrativo e
observar todos os requisitos constantes dos referidos dispositivos.

ACÓRDÃO Nº 1017/2019 - TCU - Plenário

Considerando tratar-se de representação acerca de possíveis irregulares ocorridas em procedimento


licitatório do Banco do Brasil S/A, sob o sistema de registro de preços, visando à contratação de serviços
comuns de engenharia para adequações e conservações prediais em imóveis localizados no Mato Grosso;
Considerando o perigo da demora reverso, caracterizado pelo fato de o serviço ser essencial ao
funcionamento das atividades da entidade e de as Atas de Registro de Preços derivadas de licitação
anterior com o mesmo objeto possuírem validade somente até julho deste ano;
Considerando que a exigência, como critério de habilitação, de visto no Conselho Federal de
Engenharia e Agronomia (Crea) da unidade da federação onde os serviços serão prestados não se coaduna
com o disposto no art. 58 da Lei 13.303/2016 c/c art. 28 da Lei 8.666/1993, bem como com o art. 1º, II,
da Resolução-Confea 413/1997 e a jurisprudência do TCU, exemplificada nos Acórdãos 979/2005,
1.768/2008, 1.735/2009 e 434/2016, todos do Plenário do Tribunal e Acórdão 992/2007-TCU-1ª Câmara;
Considerando que, em uma licitação, apenas o licitante vencedor efetivamente exercerá a atividade
que se está a contratar e que, portanto, terá a obrigação do registro no Crea competente;
Considerando que, da análise da Ata de Sessão do certame em tela, se verifica que houve a
participação de quinze empresas para os Lotes 1 e 2, com a obtenção de descontos de 29,25% e 30,07%,
respectivamente, em face ao valor estimado de R$ 24.726.320,00, comum aos dois lotes;
Considerando que, embora tenha realizado pedido de ingresso nos autos (peça 21), a representante
não demonstrou razão legítima para intervir no processo, nem a possibilidade de lesão a direito subjetivo
próprio, à luz do art. 146 do Regimento Interno/TCU c/c o art. 2º, § 2º, da Resolução-TCU 36/1995, com
redação dada pelo art. 1º da Resolução-TCU 213/2008;
Os Ministros do Tribunal de Contas da União ACORDAM, por unanimidade, em conhecer da
representação, porquanto satisfeitos os requisitos de admissibilidade constantes no art. 87, § 2º da Lei
13.303/2016, c/c os arts. 235 e 237, VII, do Regimento Interno deste Tribunal, e no art. 103, § 1º, da
Resolução - TCU 259/2014, para, no mérito, considerá-la procedente, com fundamento no art. 276, § 6º,
do RI/TCU; em indeferir o pedido de concessão de medida cautelar, tendo em vista a existência do perigo
da demora reverso; e em adotar as medidas descritas a seguir.

1. Processo TC-005.989/2019-1 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Entidade: Banco do Brasil S.A.
1.2. Relator: Ministro Bruno Dantas
1.3. Representante do Ministério Público: não atuou
1.4. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog).
1.5. Representação legal: Marcelo Henrique Silva de Siqueira (OAB-GO/30.911), representando
Consienge Construção e Engenharia Ltda.
1.6. Dar ciência ao Banco do Brasil, com fundamento no art. 7º da Resolução – TCU 265/2014,
sobre a seguinte impropriedade, identificada na Licitação Eletrônica 2019/00518 (7421), para que sejam
adotadas medidas internas com vistas à prevenção de outras ocorrências semelhantes:
1.6.1. o item 8.3.8 do edital da Licitação Eletrônica 2019/00518(7421), que exige “Em atenção à
Lei 5.194/1966, prova de que possui inscrição ou visto de execução de obras/serviços no Conselho
Regional Profissional da(s) Unidade(s) Federativa(s) em que será executado o objeto deste Edital” está
em desacordo com o princípio da isonomia disposto no art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, no
art. 31 da Lei 13.303/2016 e na Súmula 272 do Tribunal de Contas da União, o que pode restringir
indevidamente a participação de licitantes em novos certames
34

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

1.7. Indeferir o pedido formulado por Consienge Construção e Engenharia Ltda. de ser considerado
como parte interessada, autorizando lhe, caso requeira, vista e cópia das peças não sigilosas dos presentes
autos.
1.8. Dar ciência desta deliberação à representante e ao Banco do Brasil, informando que o conteúdo
deste Acórdão pode ser consultado no endereço www.tcu.gov.br/acordaos.

ACÓRDÃO Nº 1018/2019 - TCU - Plenário

Os Ministros do Tribunal de Contas da União ACORDAM, por unanimidade, com fundamento no


art. 143, inciso V, "a" e 169, inciso V, do Regimento Interno/TCU, em considerar atendidas as medidas
solicitadas nos itens 9.2.1 e 9.3.1 a 9.3.5, do Acórdão 125/2018-TCU-Plenário e em dar ciência deste
acórdão à Diretoria Regional de Brasília da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, juntamente com
a instrução (peça 138), de acordo com os pareceres emitidos nos autos.

1. Processo TC-013.775/2015-4 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Apensos: 005.260/2018-3 (SOLICITAÇÃO); 026.388/2015-4 (REPRESENTAÇÃO);
011.830/2018-2 (SOLICITAÇÃO)
1.2. Entidade: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
1.3. Relator: Ministro Bruno Dantas
1.4. Representante do Ministério Público: não atuou
1.5. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog).
1.6. Representação legal: Cleucio Santos Nunes (129613/OAB-SP) e outros, representando
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
1.7. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

RELAÇÃO Nº 11/2019 – Plenário


Relator – Ministro VITAL DO RÊGO

ACÓRDÃO Nº 1019/2019 - TCU - Plenário

Os Ministros do Tribunal de Contas da União ACORDAM, por unanimidade, com fundamento nos
arts. 143, inciso III, e 243 do Regimento Interno do TCU, de acordo com o parecer emitido nos autos, em:
a) considerar cumprida a determinação contida no item 9.2 do Acórdão 1.564/2015-TCU-Plenário;
b) considerar implementadas as recomendações contidas nos itens 9.1.1, 9.1.2, 9.1.3, 9.1.5, 9.1.8 e
9.1.9 do Acórdão 1.564/2015-TCU-Plenário;
c) considerar em implementação as recomendações contidas nos itens 9.1.4, 9.1.6 e 9.1.7 do
Acórdão 1.564/2015-TCU-Plenário;
d) encaminhar cópia desta deliberação, acompanhada da instrução da unidade técnica, à
Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste; e
e) apensar definitivamente os presentes autos ao TC 013.745/2014-0, nos termos do art. 169, inciso
I, do Regimento Interno/TCU.

1. Processo TC-018.107/2015-0 (MONITORAMENTO)


1.1. Entidade: Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (em Liquidação) – MI.
1.2. Relator: Ministro Vital do Rêgo.
1.3. Representante do Ministério Público: não atuou.
1.4. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo do Desenvolvimento Econômico
(SecexDesenvolvimento).
1.5. Representação legal: não há.
1.6. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.
35

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ACÓRDÃO Nº 1020/2019 - TCU - Plenário

Os Ministros do Tribunal de Contas da União ACORDAM, por unanimidade, com fundamento nos
arts. 17, § 1º, 143, inciso III, 235, 237, inciso VII e parágrafo único, todos do Regimento Interno/TCU,
c/c o art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993, de acordo com o parecer emitido nos autos, em:
a) conhecer da presente representação, eis que satisfeitos os requisitos de admissibilidade previstos
no RITCU, para, no mérito, considerá-la procedente;
b) indeferir o requerimento de medida cautelar formulado pelo representante, tendo em vista a
inexistência dos pressupostos necessários para sua concessão;
c) dar ciência ao Banco do Brasil S.A. de que a exigência, para fins de habilitação, de que a licitante
comprove possuir inscrição ou visto no Conselho Regional Profissional da Unidade Federativa em que
será executado o objeto, identificada na Licitação eletrônica 2019/00060, realizada pelo Cesup Compras e
Contratações - São Paulo (SP), afronta o disposto na jurisprudência firmada pelo Tribunal de Contas da
União (Acórdão 2.239/2012-TCU-Plenário, Acórdão 348/1999-TCU-Plenário), para que sejam adotadas
medidas internas com vistas à prevenção de ocorrência de outras semelhantes;
d) encaminhar cópia desta decisão, acompanhada da instrução da unidade técnica, à representante e
ao Banco do Brasil S.A.; e
e) apensar o presente processo ao TC 005.989/2019-1, nos termos do art. 36 da Resolução TCU
259/2014.

1. Processo TC-006.959/2019-9 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Entidade: Banco do Brasil S.A.
1.2. Relator: Ministro Vital do Rêgo.
1.3. Representante do Ministério Público: não atuou.
1.4. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog).
1.5. Representação legal: Marcelo Henrique Silva de Siqueira (OAB/GO 30.911).
1.6. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

RELAÇÃO Nº 9/2019 – Plenário


Relator – Ministro-Substituto AUGUSTO SHERMAN CAVALCANTI

ACÓRDÃO Nº 1021/2019 - TCU - Plenário

VISTOS e relacionados estes autos de tomada de contas especial instaurada pela Secretaria da
Saúde do Estado de Goiás (SES/GO) a partir de determinação contida no item 9.2.3 do Acórdão 45/2008-
TCU-Plenário, em razão de realização de pagamentos irregulares às empresas Cellofarm Ltda. e Produtos
Roche Químicos Farmacêuticos S.A., decorrentes da aquisição de medicamentos de alto custo com
recursos federais transferidos ao ente federativo por meio do Sistema Único de Saúde (SUS),
Considerando que mediante o Acórdão 3007/2016 – Plenário foram julgadas irregulares as contas,
com condenação solidária em débito dos responsáveis Cairo Alberto de Freitas, ex-Secretário de Estado
da Saúde, Antônio Durval de Oliveira Borges, ex-Superintendente de Administração e Finanças de Goiás,
e das empresas Cellofarm Ltda. e Produtos Roche Químicos Farmacêuticos S.A., sem a aplicação de
multa proporcional,
Considerando que mediante o Acórdão 180/2017 – Plenário este Tribunal expediu quitação à
empresa Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S/A em face do recolhimento da quantia de débito
que lhe foi atribuída,
Considerando que a empresa Cellofarm Ltda. apresentou comprovação de recolhimento do débito
que também lhe foi imputado pelo acórdão condenatório,
36

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Considerando que em pronunciamento constante de peça 323 a Sec-GO consigna que o débito é
solidário aos Srs. Cairo Alberto de Freitas e Antônio Durval de Oliveira Bordes, e que não houve
expedição de quitação a eles também quanto ao débito solidário anteriormente quitado pela empresa
Produtos Roche, de maneira que propõe a expedição de quitação aos referidos gestores por ambos os
débitos que lhes foram imputados, bem como à empresa Cellofarm Ltda., em face do débito por ela
recolhido,
Considerando que em pronunciamento de peça 325 o Ministério Público manifestou-se de acordo
com essas proposições, e, em acréscimo, apontou que posteriormente a empresa Aspen Pharma Indústria
Farmacêutica Ltda., atual denominação da empresa Cellofarm Ltda., formulou pedido de restituição de
quantia recolhida a maior aos cofres públicos, em razão de falhas no sistema débito, devendo sua análise
ser procedida em autos apartados, conforme precedentes sobre a matéria (Acórdãos 611/2009 e
1.371/2009, ambos do Plenário) e Portaria Conjunta Segecex/Segedam 1, de 25/5/2014,
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão de Plenário, por
unanimidade, em:
a) expedir quitação, com fundamento nos arts. 27 da Lei 8.443/1992 e 218 do Regimento
Interno/TCU aos srs. Cairo Alberto de Freitas e Antônio Durval de Oliveira Borges, respectivamente, ex-
Secretário de Estado da Saúde e ex-Superintendente de Administração e Finanças de Goiás, e à empresa
Cellofarm Ltda. (atual Aspen Pharma Indústria Farmacêutica Ltda.), com relação ao débito solidário de
que trata o subitem 9.3 do Acórdão 3.007/2016-TCU-Plenário, ante o recolhimento, por referida empresa,
do débito fixado no acórdão condenatório;
b) expedir quitação, com fundamento nos arts. 27 da Lei 8.443/1992 e 218 do Regimento
Interno/TCU aos srs. Cairo Alberto de Freitas e Antônio Durval de Oliveira Borges, com referência ao
débito solidário indicado no subitem 9.4 do referido Acórdão 3.007/2016-Plenário, considerando que o
Acórdão 180/2017-Plenário expediu quitação somente em favor da Produtos Roche Químicos e
Farmacêuticos S.A, empresa que efetivamente recolheu o valor integral do débito;
c) determinar à Sec-GO que constitua processo apartado, por cópias, sob a natureza de processo
administrativo, incluindo os documentos às peças 148 e 315 em diante, e o encaminhe à Secretaria-Geral
de Administração – Segedam, para que, mediante a devida anuência da Secretaria-Geral de Controle
Externo, nos termos da Portaria Conjunta Segecex/Segedam 1, de 25/5/2014, providencie o
reconhecimento do crédito perante a Fazenda Pública Federal em favor da empresa Aspen Pharma
Indústria Farmacêutica Ltda. (antiga Cellofarm), CNPJ 02.433.631/0001-20, em decorrência de
recolhimento a maior do valor do débito de que trata o item 9.3 do Acórdão 3.007/2016 – Plenário,
conforme documentos constantes dos autos.

1. Processo TC-016.838/2009-6 (TOMADA DE CONTAS ESPECIAL)


1.1. Responsáveis: Antônio Durval de Oliveira Borges (194.347.401-00); Cairo Alberto de Freitas
(216.542.981-15); Cellofarm Ltda. (02.433.631/0001-20); Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S
A (33.009.945/0001-23)
1.2. Relator: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti
1.2.1. Ministro que alegou impedimento na Sessão: Aroldo Cedraz
1.3. Representante do Ministério Público: Procurador Júlio Marcelo de Oliveira
1.4. Unidade Técnica: Secretaria do TCU no Estado de Goiás - Sec-GO.
1.5. Representação legal: Marlus Vínicius da Silva Siqueira (32.670/OAB-GO) e outros,
representando Medcomerce Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda; Bernardo de
Freitas Ramos (175.791/OAB-GO) e outros, representando Cellofarm Ltda; Marco Aurelio Martins
Barbosa (29.783/OAB-DF) e outros, representando Produtos Roche Quimicos e Farmaceuticos S A;
Arthur Simas Pinheiro (48314/OAB-DF) e outros, representando Cairo Alberto de Freitas; Euripedes
Barsanulfo Lima (22.619/OAB-GO), representando Maria Lúcia Carnelosso.
1.6. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.
37

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ACÓRDÃO Nº 1022/2019 - TCU - Plenário

VISTOS e relacionados estes autos de denúncia a respeito de possíveis irregularidades ocorridas no


Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Pará – Crea/PA, relativas, em síntese, à contratação de
escritório de advocacia, por inexigibilidade de licitação, no valor de R$ 9.000,00, à perseguição a
funcionários e a situações de nepotismo;
Considerando que a denúncia não contém o nome do denunciante, sua qualificação e endereço, bem
como não está acompanhada de indícios concernentes às irregularidades; e
Considerando os pareceres convergentes no sentido de arquivar os autos;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão de Plenário, com
fundamento no art. 143, inciso V, alínea “a”, do Regimento Interno do TCU, por unanimidade, em:
a) não conhecer da presente denúncia, por não preencher os requisitos de admissibilidade previstos
no art. 235 do Regimento Interno do TCU e no art. 103, §1º, da Resolução TCU 259/2014;
b) retirar a chancela de sigilo que recai sobre estes autos, com fundamento no art. 55 da Lei
8.443/1992;
c) arquivar este processo, com fundamento no parágrafo único do art. 235 do Regimento Interno do
TCU e no art. 105 da Resolução/TCU 259/2014.

1. Processo TC-042.920/2018-3 (DENÚNCIA)


1.1. Denunciante: Identidade preservada (art. 55, caput, da Lei n. 8.443/1992)
1.2. Órgão/Entidade: Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Pará – Crea/PA.
1.3. Relator: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti.
1.4. Representante do Ministério Público: não atuou.
1.5. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo no Estado do Pará (SECEX/PA).
1.6. Representação Legal: não há.

ACÓRDÃO Nº 1023/2019 - TCU - Plenário

VISTOS e relacionados estes autos de monitoramento do cumprimento de determinação proferida


em processo de denúncia (TC-019.562/2017-9), que tratou de irregularidade ocorrida no âmbito da
Tomada de Preços 3/2016 conduzida pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro -
CAU/RJ para contratação de empresa de serviços de publicidade a serem prestados por intermédio de
agência de propaganda,
Considerando que o Tribunal, por meio do Acordão 2251/2017-Plenário, determinou ao CAU/RJ,
que se abstivesse de prorrogar o contrato decorrente da Tomada de Preços 3/2016, bem como, caso
assinados, os ajustes originários das Tomadas de Preços 2/2016 e 1/2017;
Considerando a demonstração de que os contratos celebrados foram encerrados;
Os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão de Plenário, ACORDAM, por
unanimidade, com fundamento nos arts. 143, inciso V, alínea "a", e 243, todos do Regimento Interno, em
considerar atendida a determinação constante do item 9.3 do Acórdão 2251/2017 - Plenário e apensar os
presentes autos ao processo originário, TC-019.562/2017-9, nos termos do art. 5º, inciso II, da Portaria-
Segecex 27/2009.

1. Processo TC-028.895/2017-7 (MONITORAMENTO)


1.1. Órgão/Entidade/Unidade: Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro - CAU/RJ
1.2. Relator: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti
1.3. Representante do Ministério Público: não atuou
1.4. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo no Estado do Rio de Janeiro (SECEX-RJ).
1.5. Representação legal: não há.
1.6. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ACÓRDÃO Nº 1024/2019 - TCU - Plenário

Os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ACORDAM, por


unanimidade, com fundamento no art. 217 do Regimento Interno do TCU, em:
a) autorizar, com fundamento no art. 26 da Lei 8.443/1992 c/c o art. 217 do Regimento Interno do
TCU, o pagamento parcelado da multa aplicada por meio do subitem 9.4 do Acórdão 1949/2016-TCU-
Plenário a José Amsterdam de Miranda Sandres Sobrinho (CPF 029.743.982-00) em 36 (trinta e seis)
parcelas mensais, incidindo sobre cada parcela a partir da segunda, corrigida monetariamente, os
correspondentes acréscimos legais;
b) estabelecer a data contados 15 (quinze) dias a partir da notificação do presente acórdão como
data de vencimento da primeira parcela;
c) dar ciência ao responsável de que a falta de pagamento de qualquer parcela importará no
vencimento antecipado do saldo devedor, nos termos do art. 26, parágrafo único, da Lei 8.443/1992;
d) encerrar o processo de cobrança executiva TC-002.702/2018-5, autuado em desfavor do
responsável para cobrança da multa ora objeto de parcelamento.

1. Processo TC-012.948/2013-6 (RELATÓRIO DE AUDITORIA)


1.1. Apensos: 010.289/2018-6 (SOLICITAÇÃO)
1.2. Responsáveis: José Amsterdam de Miranda Sandres Sobrinho (029.743.982-00); Maria
Auxiliadora Marques de Lima (079.491.462-49); Maria Miosótis Lameira Cavalcante (195.979.322-53);
Suely de Souza Melo da Costa (079.243.212-68)
1.3. Órgão/Entidade: Entidades/Órgãos do Governo do Estado do Acre
1.4. Relator: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti
1.5. Representante do Ministério Público: não atuou
1.6. Unidade Técnica: Secretaria do TCU no Estado do Acre (Sec-AC).
1.7. Representação legal: não há.
1.8. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 1025/2019 - TCU - Plenário

VISTOS e relacionados estes autos de representação, com pedido de medida cautelar, apresentada,
com fulcro no § 1º do art. 113 da Lei 8.666/1993 e no inc. VII do art. 237 do Regimento Interno desta
Casa, pela empresa Hotmachine Serviços de Tecnologia da Informação Ltda., acerca de possíveis
irregularidades na realização, pela Superintendência Regional de Polícia Federal em Rondônia –
SRPF/RO, do Pregão Eletrônico 1/2019, cujo objeto seria a contratação de serviços de suporte técnico
especializado em atendimento ao usuário de tecnologia da informação e comunicação e em infraestrutura
de tecnologia da informação, manutenção preventiva, corretiva e evolutiva de equipamentos de TIC, com
valor estimado de R$ 511.044,00,
Considerando o aspecto de a documentação em tela preencher os requisitos legais e regulamentares,
em especial o disposto no § 1º do art. 113 da Lei 8.666/1993, no inc. VII do art. 237 do Regimento
Interno desta Casa e no § 1º do art. 103 da Resolução TCU 259/2014, para ser conhecida como
Representação, passando-se ao exame de seu mérito;
Considerando a alegação da representante de que os itens 7.3.9.3, 7.3.9.4 e 7.3.9.5 do Termo de
Referência do Edital 1/2019-CPL/SELOG/SR/PF/RO, em função de explicitarem exigências de
apresentação de certificações desnecessárias, direcionariam a licitação em tela (fls. 2, peça 9);
Considerando os acréscimos da representante, em documento suplementar, de que igualmente
deveriam ser alterados ou excluídos, do edital e do termo de referência do certame em tela, os itens
8.9.1.1.4, 25.12.1.4, 8.9.1.1.12, 25.12.2.12, 8.9.1.1.13, 25.12.1.13, 8.9.1.1.14, 25.12.1.14, 8.9.1.1.18,
39

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

25.12.3, 7.3.6 e 7.3.6.1, assim como que o prazo de experiência profissional exigido para toda a equipe
técnica deveria ser reduzido para seis meses (fls. 2, peça 9);
Considerando, igualmente, as alegações, também constantes do referido documento suplementar, de
que: (i) o Contrato 3/2014, celebrado entre a SRPF/RO e a empresa Ibrowse – Consultoria e Informática
Ltda., teria como origem a adesão irregular a Ata de Registro de Preços realizada pela SRPF/MG, tendo
em vista não haver sido realizada a adequação aos quantitativos de usuários, apontando-se, além disso,
que a implantação da Central de Serviços não haveria sido executada; (ii) igualmente no referido contrato,
não estariam sendo cumpridos os itens 10.2.1.3, 10.2.2.2 e 6.10.3 do Termo de Referência, já que nenhum
dos profissionais técnicos da contratada seria certificado nos termos exigidos, também se verificando a
insuficiência de técnicos disponibilizados; (iii) o TRT14 haveria celebrado o Contrato 31/2015 com a
empresa Lanlink Serviços de Informática S/A, mediante adesão à Ata de Registo de Preços do TRT6, sem
abrir oportunidade de apresentação de proposta pela empresa com contrato vigente à época, sem
adequação dos valores ao quantitativo de usuários, números de chamados e varas/localidades atendidas do
TRT14 e sem exigir algumas das certificações requeridas no Registro de Preços do TRT6 e a
exclusividade da Central de Serviços em 1º nível (fls. 2/3, peça 9);
Considerando, ainda, a assertiva da representante de que a empresa DSS Serviços de Tecnologia da
Informação Ltda. não haveria apresentado as certificações requeridas na execução do Contrato 1/2019,
celebrado com o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia – TRE/RO (fls. 3, peça 9);
Considerando, com relação ao item 7.3.9 e desdobramentos do termo de referência, as conclusões
da Sec-RO quanto a tratarem-se de exigências destinadas a garantir a realização dos serviços por
profissionais devidamente qualificados e que guardam estreita relação com o objeto da contratação, além
de, conforme esclarecimentos tempestivamente prestados pelo pregoeiro, somente deverem ser
comprovadas quando da assinatura do contrato, não gerando, portanto, ônus prévio aos licitantes (fls. 3,
peça 9);
Considerando, igualmente, o registro daquela unidade técnica quanto a não haver identificado
ilegalidade alguma em relação aos itens do Edital e do Termo de Referência cuja alteração ou exclusão
são requeridas pela representante, tendo em vista tratarem-se de dispositivos atinentes a relevante métrica
de qualidade dos serviços prestados (itens 8.9.1.1.4 e 25.12.1.4), adequadamente justificados pelo
pregoeiro (itens 8.9.1.1.12 e 25.12.1.12), razoáveis e que atendem às boas práticas de contratação em TI
(itens 8.9.1.1.13 e 25.12.1.13 – em consonância, inclusive, com recomendação deste Tribunal – vide
Acórdão 2613/2011 – TCU – Plenário), com nítida finalidade de facilitar eventuais diligências quanto à
idoneidade de atestados apresentados (itens 8.9.1.1.14 e 25.12.1.14), como meio de garantir a celeridade e
racionalidade dos trabalhos da equipe de apoio (itens 8.9.1.1.18 e 25.12.3) e compatíveis com a
complexidade dos serviços, quando da execução contratual (itens 7.3.6 e 7.3.6.1) (fls. 3/5, peça 9);
Considerando, quanto à exigência de comprovação de experiência profissional mínima de 2 e 3
anos (itens 7.3.6.2, 7.3.6.3, 7.3.7.3.2 e 7.3.8.3.4), as ponderações da unidade instrutiva quanto a tratar-se
de aspecto que foi tempestivamente esclarecido pelo pregoeiro e que se mostra compatível com o disposto
no subitem b do item 10.6 do Anexo VII-A da IN/MP 5/2017 (fls. 5/6, peça 9);
Considerando, ainda, a ponderação da Sec-RO quanto a não dever ser conhecida a representação em
relação aos fatos incidentais noticiados acerca dos contratos 3/2014, firmado entre o SRPF/RO e a
empresa Ibrowse – Consultoria e Informática Ltda., 31/2015, firmado entre o TRT14 e a empresa Lanlink
Serviços de Informática S/A, e 1/2019, firmado entre o TRER/RO e a empresa DSS Serviços de
Tecnologia da Informação Ltda., em função de não dizerem respeito ao objeto desta representação e por
estarem desacompanhados de indícios concernentes às supostas irregularidades apontadas (fls. 6, peça 9);
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão de Plenário, por
unanimidade, em:
a) com fundamento no § 1º do art. 113 da Lei 8.666/1993, no inc. VII do art. 237 do Regimento
Interno desta Casa e no § 1º do art. 103 da Resolução TCU 259/2014, conhecer da presente
Representação em relação aos fatos originalmente noticiados, por preencher os requisitos de
admissibilidade, para, no mérito, considerá-la improcedente;
40

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

b) com fundamento nos arts. 235, parágrafo único, e 237, parágrafo único, do Regimento Interno
desta Casa, não conhecer da presente Representação em relação aos fatos incidentais noticiados acerca
dos contratos 3/2014, firmado entre o SRPF/RO e a empresa Ibrowse – Consultoria e Informática Ltda.,
31/2015, firmado entre o TRT14 e a empresa Lanlink Serviços de Informática S/A, e 1/2019, firmado
entre o TRER/RO e a empresa DSS Serviços de Tecnologia da Informação Ltda., em função de não
dizerem respeito ao objeto desta representação e por estarem desacompanhados de indícios concernentes
às supostas irregularidades apontadas (fls. 6, peça 9), sem prejuízo de o Tribunal vir a analisar a matéria
novamente em processos distintos, se apresentados elementos necessários a sua apuração;
c) indeferir a cautelar sugerida pela representante, tendo em vista a ausência de requisitos para sua
adoção;
d) determinar o encaminhamento de cópia deste Acórdão à Representante e à Superintendência
Regional da Polícia Federal em Rondônia – SRPF/RO;
e) autorizar o arquivamento deste feito, com fulcro no inc. V do art. 169 do Regimento Interno.

1. Processo TC-006.224/2019-9 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Representante: Hotmachine Serviços de Tecnologia da Informação Ltda., CNPJ
27.848.223/0001-52.
1.2. Órgão/Entidade: Superintendência Regional de Polícia Federal em Rondônia – SRPF/RO.
1.3. Relator: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti.
1.4. Representante do Ministério Público: não atuou.
1.5. Unidade Técnica: Sec-RO.
1.6. Representação legal: não há.
1.7. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

RELAÇÃO Nº 10/2019 – Plenário


Relator – Ministro-Substituto MARCOS BEMQUERER COSTA

ACÓRDÃO Nº 1026/2019 - TCU - Plenário

Os Ministros do Tribunal de Contas da União ACORDAM, por unanimidade, com fundamento nos
arts. 143, inciso V, alínea e, e 183, parágrafo único, do Regimento Interno/TCU, em prorrogar o prazo,
por mais 30 (trinta) dias, a contar do término do prazo anteriormente concedido, para que o Comando da
Aeronáutica cumpra a determinação constante do subitem 9.2.2 do Acórdão 1.843/2018 – Plenário, de
acordo com o parecer da SecexDefesa

1. Processo TC-003.043/2017-7 (DESESTATIZAÇÃO)


1.1. Apenso: TC-021.431/2017-5 (Desestatização).
1.2. Interessado: Tribunal de Contas da União.
1.3. Órgão/Entidade: Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo – Ciscea
– MD/CA.
1.4. Relator: Ministro-Substituto Marcos Bemquerer Costa.
1.5. Representante do Ministério Público: não atuou.
1.6. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo da Defesa Nacional e da Segurança Pública
(SecexDefesa).
1.7. Representação legal: Erivelton Araujo Graciliano, representando Secretaria-geral do Ministério
da Defesa; Marcelo Feijo e outros, representando Centro de Controle Interno da Aeronáutica; Vinicius
Camargo Araujo, representando Secretaria do Tesouro Nacional.
1.8. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

ACÓRDÃO Nº 1027/2019 - TCU - Plenário


41

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Os Ministros do Tribunal de Contas da União ACORDAM, por unanimidade, com fundamento no


art. 113, § 1º, da Lei n. 8.666/1993, c/c os arts. 143, inciso V, alínea a, 235, 237, inciso VII, e 250, inciso
I, do Regimento Interno/TCU, em conhecer da presente representação, para, no mérito, considerá-la
improcedente e encaminhar cópia desta deliberação à representante e ao Grupamento Apoio de Recife –
GAP/RF, por intermédio do Centro de Controle Interno da Aeronáutica – Cenciar, promovendo-se, em
seguida, o arquivamento dos autos, de acordo com o parecer da Selog:

1. Processo TC-003.885/2019-4 (REPRESENTAÇÃO)


1.1. Representante: Universo Empreendimentos Eireli (03.446.513/0001-19).
1.2. Órgão/Entidade: Ministério da Defesa/Comando da Aeronáutica (vinculador).
1.3. Relator: Ministro-Substituto Marcos Bemquerer Costa.
1.4. Representante do Ministério Público: não atuou.
1.5. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog).
1.6. Representação legal: Karina de Abreu Ruas e outros, representando Ministério da
Defesa/Comando da Aeronáutica (vinculador).
1.7. Determinações/Recomendações/Orientações: não há.

PROCESSOS APRECIADOS DE FORMA UNITÁRIA

Por meio de apreciação unitária de processos, o Plenário proferiu os acórdãos de nºs 952 a 992, a
seguir transcritos, incluídos no Anexo I desta Ata, juntamente com os relatórios e os votos em que se
fundamentaram.

ACÓRDÃO Nº 952/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 004.592/2010-7.
2. Grupo I – Classe de Assunto: I - Recurso de reconsideração em tomada de contas especial
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
3.1. Interessado: Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (02.529.964/0001-57)
3.2. Responsáveis: Antônio Durval de Oliveira Borges (194.347.401-00); Cairo Alberto de Freitas
(216.542.981-15); Hospfar Industria e Comercio de Produtos Hospitalares S.A. (26.921.908/0001-21);
Medcomerce Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda. (37.396.017/0001-10)
3.3. Recorrentes: Medcomerce Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda
(37.396.017/0001-10); Cairo Alberto de Freitas (216.542.981-15); Hospfar Industria e Comercio de
Produtos Hospitalares S.A. (26.921.908/0001-21).
4. Órgão: Secretaria de Estado da Saúde de Goiás.
5. Relator: Ministro Walton Alencar Rodrigues
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti.
6. Representante do Ministério Público: Procurador Júlio Marcelo de Oliveira.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Recursos (SERUR).
8.1. Lincoln Magalhaes da Rocha (24.089/OAB-DF) e outros, representando Hospfar Industria e
Comercio de Produtos Hospitalares S.A.
8.2. Pedro Henrique Gomide Rodrigues (25.687E/OAB-GO) e outros, representando Medcomerce
Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda., e Medcomerce Com de Med e Prod
Hospitalares Ltda.;
8.3. Arthur Simas Pinheiro (48314/OAB-DF) e outros, representando Cairo Alberto de Freitas.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes recursos de reconsideração interpostos contra o Acórdão
42

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

1.543/2016-Plenário.
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator e com fundamento nos arts. 32 e 33 da Lei 8.443/1992, em:
9.1. conhecer dos recursos de reconsideração interpostos por Cairo Alberto de Freitas, Medcomerce
- Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda. e Hospfar Indústria e Comércio de Produtos
Hospitalares Ltda., para, no mérito, negar-lhes provimento; e
9.2. dar ciência desta deliberação às recorrentes, à Procuradoria da República no Estado de Goiás,
ao Ministério Público do Estado de Goiás, ao Tribunal de Contas do Estado de Goiás e à Secretaria de
Estado de Saúde de Goiás.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0952-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues (Relator),
Benjamin Zymler, Augusto Nardes, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa e
Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 953/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 009.758/2009-3.
1.1. Apensos: 029.549/2009-0; 020.388/2009-7; 019.076/2014-2
2. Grupo II – Classe de Assunto: I - Pedido de reexame em Relatório de Levantamento
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
3.1. Interessados: Alumini Engenharia S.a. - Em Recuperacao Judicial (58.580.465/0001-49);
Congresso Nacional (vinculador) (); Consorcio Cii - Consorcio Ipojuca Interligacoes (11.387.267/0001-
08); Consorcio Cncc - Camargo Correa - Cnec (10.517.133/0001-93); Consorcio Enfil/veolia - Rnest - PE
(10.793.948/0001-03); Consorcio Entre Montcalm e Ses Para Rnest - Petrobras (11.406.160/0001-51);
Consorcio Rnest - Conest (11.045.775/0001-08); Consorcio Rnest O. C. Edificacoes (10.710.987/0001-
91); Consorcio Techint Confab Umsa (10.701.834/0001-88); Consorcio Tome Alusa Galvao
(10.751.878/0001-12); Construcap - Progen (11.040.123/0001-72); Consórcio Conduto-egesa
(11.207.104/0001-98); Consórcio Etdi (11.185.091/0001-01); Galvão Engenharia S/a (01.340.937/0001-
79); Jaragua Equipamentos Industriais Ltda (60.395.126/0001-34)
3.2. Responsáveis: Glauco Colepicolo Legatti (257.952.286-72); Ivo Baer (291.043.199-15); José
Sérgio Gabrielli de Azevedo (042.750.395-72); Petróleo Brasileiro S.a. (33.000.167/0001-01); Sérgio dos
Santos Arantes (335.417.367-04)
3.3. Recorrentes: Consorcio Techint Confab Umsa (10.701.834/0001-88); Consorcio Cncc -
Camargo Correa - Cnec (10.517.133/0001-93); Consorcio Cii - Consorcio Ipojuca Interligacoes
(11.387.267/0001-08); Consorcio Rnest - Conest (11.045.775/0001-08).
4. Órgão/Entidade: Petróleo Brasileiro S.A..
5. Relator: Ministro Walton Alencar Rodrigues
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Benjamin Zymler.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidades Técnicas: Secretaria de Recursos (SERUR); Secretaria Extraordinária de Operações
Especiais em Infraestrutura (SeinfraOpe).
8. Representação legal :
8.1. Antonio Carneiro Maia Neto (138.278/OAB-RJ) e outros, representando Petróleo Brasileiro
S.a..
8.2. Flávia Regina Rapatoni (141669/OAB-SP) e outros, representando Consorcio Enfil/veolia -
43

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Rnest - PE.
8.3. Tathiane Vieira Viggiano Fernandes (27.154/OAB-DF) e outros, representando Consorcio
Techint Confab Umsa, Consorcio Cii - Consorcio Ipojuca Interligacoes, Consorcio Rnest - Conest e
Construcap - Progen;
8.4. Mauro Grecco (81445/OAB-SP) e outros, representando Consorcio Camargo Correa/ Cnec.
8.5. Gilberto Mendes Calasans Gomes (43.391/OAB-DF), representando Consorcio Camargo
Correa/ Cnec e Consorcio Cncc - Camargo Correa - Cnec;
8.6. Wellington Cristiano da Fonseca e outros, representando Egesa Engenharia S/a.
8.7. Raquel Maria Silva Campos (108.953/OAB-MG), representando Egesa Engenharia S/a e
Consórcio Conduto-egesa.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de pedidos de reexame interpostos contra o Acórdão
2.007/2017-Plenário, integrado pelo Acórdão 2.191/2017-Plenário, que tratou de relatório de auditoria
sobre irregularidades da “verba de chuva” prevista nos contratos das obras de construção da Refinaria
Abreu e Lima;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator e com fundamento nos artigos 32, 33 e 48 da Lei 8.443/92, em:
9.1. conhecer do recurso interposto pelo Consórcio Camargo e Correa – Cnest, para, no mérito, dar-
lhe provimento quanto a preliminar relativa ao cerceamento de defesa, declarando a nulidade do item 9.1.
do Acórdão 2007/2017-Plenário e do item 9.1 do Acórdão 2191/2017-Plenário;
9.2. conceder vista e cópia das peças relacionadas no item 9.4 do acórdão 2007/2017-Plenário às
partes do processo que as solicitarem, estendendo-lhes a guarda do sigilo;
9.3. dar ciência desta deliberação aos recorrentes, à Petróleo Brasileiro S.A, ao Ministério de Minas
e Energia e aos demais interessados;
9.4. restituir os autos ao relator a quo.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0953-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues (Relator),
Benjamin Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e
Vital do Rêgo.
13.2. Ministros que alegaram impedimento na Sessão: Aroldo Cedraz e Vital do Rêgo.
13.3. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 954/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 013.395/2017-3.
2. Grupo II – Classe de Assunto VII - Representação
3. Interessados/Responsáveis:
3.1. Responsável: Paulo Roberto Costa (302.612.879-15)
4. Entidade: Petróleo Brasileiro S.A.
5. Relator: Ministro Benjamin Zymler.
6. Representante do Ministério Público: Subprocurador-Geral Paulo Soares Bugarin.
7. Unidade Técnica: Secretaria Extraordinária de Operações Especiais em Infraestrutura
(SeinfraOpe).
8. Representação legal: Representação legal: Taísa Oliveira Maciel (OAB-RJ 118.488) e outros,
44

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

representando Petróleo Brasileiro S.A.; João Mestieri (OAB/RJ 13.645) e outros, representando Paulo
Roberto Costa.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de representação autuada, de forma apartada ao
processo TC 016.119/2016-9, para apurar a participação do Sr. Paulo Roberto Costa, ex-Diretor de
Abastecimento, em razão de supostas fraudes ocorridas nas licitações conduzidas pela Petrobras para
implantação da Refinaria Abreu e Lima em Ipojuca/PE, também denominada de Refinaria do Nordeste –
Rnest.
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. sobrestar, com fundamento no art. 157, caput, do Regimento Interno do TCU, a apreciação da
participação do Sr. Paulo Roberto Costa na fraude ocorrida nas licitações para a contratação das Tubovias
de Interligações, da Unidade de Coqueamento Retardado (UCR), da Unidade de Hidrotratamento de
Diesel e de Nafta (UHDT), da Unidade de Geração de Hidrogênio (UGH) e da Unidade de Destilação
Atmosférica (UDA) e das obras de Terraplenagem, da Rnest, até a demonstração de que ele cumpriu suas
obrigações no acordo de colaboração premiada celebrado com o Ministério Público Federal;
9.2. suspender a prescrição da pretensão punitiva desta Corte de Contas, com relação aos fatos
designados em análise neste processo, até que haja manifestação do órgão signatário do acordo de
colaboração especificado no item anterior quanto ao cumprimento ou descumprimento das obrigações
pactuadas pelo Sr. Paulo Roberto Costa, com fulcro no subitem 9.1.5 do Acórdão 1.441/2016-Plenário;
9.3. determinar à SeinfraOperações que:
9.3.1. promova o acompanhamento periódico dos atos processuais relativos ao compromisso
designado no subitem 9.1, realizando as diligências que entender cabíveis junto aos órgãos competentes; e
9.3.2. promova a imediata instrução da matéria, caso não mais subsistam as condições para o
sobrestamento do presente processo;
9.4. dar ciência desta deliberação ao responsável, à Petróleo Brasileiro S.A., ao Ministério Público
Federal, à Força Tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba e ao titular da 13ª Vara Federal de Curitiba.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0954-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler (Relator), Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministro que alegou impedimento na Sessão: Aroldo Cedraz.
13.3. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 955/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 013.397/2017-6.
2. Grupo II – Classe de Assunto VII - Representação
3. Interessados/Responsáveis:
3.1. Responsável: Pedro José Barusco Filho (987.145.708-15).
4. Órgão/Entidade: Petróleo Brasileiro S.A.
5. Relator: Ministro Benjamin Zymler.
6. Representante do Ministério Público: Subprocurador-Geral Paulo Soares Bugarin.
7. Unidade Técnica: Secretaria Extraordinária de Operações Especiais em Infraestrutura
(SeinfraOpe).
45

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

8. Representação legal: Taísa Oliveira Maciel (118.488/OAB-RJ) e outros, representando Petróleo


Brasileiro S.A.; Antonio Augusto Lopes Figueiredo Basto (16.950/OAB-PR), representando Pedro José
Barusco Filho.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de representação autuada, de forma apartada ao
processo TC 016.119/2016-9, para apurar a participação do Sr. Pedro José Barusco Filho, ex-Gerente-
Executivo da Diretoria de Serviços da Petrobras, em razão de supostas fraudes ocorridas nas licitações
conduzidas pela Petrobras para implantação da Refinaria Abreu e Lima em Ipojuca/PE, também
denominada de Refinaria do Nordeste – Rnest.
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. sobrestar, com fundamento no art. 157, caput, do Regimento Interno do TCU, a apreciação da
participação do Sr. Pedro José Barusco Filho na fraude ocorrida nas licitações para a contratação das
Tubovias de Interligações, da Unidade de Coqueamento Retardado (UCR), da Unidade de
Hidrotratamento de Diesel e de Nafta (UHDT), da Unidade de Geração de Hidrogênio (UGH) e da
Unidade de Destilação Atmosférica (UDA) e das obras de Terraplenagem, da Rnest, admitida pelo
responsável, até a demonstração de que ele cumpriu suas obrigações no acordo de colaboração premiada
celebrado com o Ministério Público Federal;
9.2. suspender a prescrição da pretensão punitiva desta Corte de Contas, com relação aos fatos
designados em análise neste processo, até que haja manifestação do órgão signatário do acordo de
colaboração especificado no item anterior quanto ao cumprimento ou descumprimento das obrigações
pactuadas pelo Sr. Pedro José Barusco Filho, com fulcro no subitem 9.1.5 do Acórdão 1.441/2016-
Plenário;
9.3. determinar à SeinfraOperações que:
9.3.1. promova o acompanhamento periódico dos atos processuais relativos ao compromisso
designado no subitem 9.1, realizando as diligências que entender cabíveis junto aos órgãos competentes; e
9.3.2. promova a imediata instrução da matéria, caso não mais subsistam as condições para o
sobrestamento do presente processo;
9.4. dar ciência desta deliberação ao interessado, à Petróleo Brasileiro S.A., ao Ministério Público
Federal, à Força Tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba e ao titular da 13ª Vara Federal de Curitiba.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0955-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler (Relator), Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros que alegaram impedimento na Sessão: Augusto Nardes e Aroldo Cedraz.
13.3. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 956/2019 – TCU – Plenário

1. Processo: TC nº 023.481/2018-8.
2. Grupo II – Classe VII – Representação com pedido de cautelar.
3. Unidades jurisdicionadas: Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações -
MCTIC e Telecomunicações Brasileiras S.A. - Telebras.
46

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

4. Responsáveis: Gilberto Kassab (CPF nº 088.847.618-32), Ministro de Estado da Ciência,


Tecnologia, Inovação e Comunicações, e Jarbas José Valente (CPF nº 184.059.671-68), Presidente da
Telebras.
5. Relator: Ministro Benjamin Zymler.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidades Técnicas: Secretaria de Recursos - Serur e Secretaria de Infraestrutura Hídrica, de
Comunicações e de Mineração - SeinfraCom.
8. Representação legal:
8.1. Marcelo Lindoso Baumann das Neves (OAB/DF 33.079) e outros representando a
Telecomunicações Brasileiras S.A.;
8.2. Luís Inácio Lucena Adams (OAB/DF 29.512) e outros representando o Sindicato Nacional das
Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal; e
8.3. José Affonso de Albuquerque Netto, advogado da União, e outros representando a Advocacia-
Geral da União.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos que cuidam de representação com pedido de cautelar
formulada pelo Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal
(SindiTelebrasil), tendo em vista irregularidades supostamente praticadas na contratação da empresa
Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras) pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e
Comunicações (MCTIC) - Contrato MCTIC 02.0040.00/2017, visando à prestação de serviços destinados
ao programa Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac);
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, com
fulcro nas razões expostas pelo Relator, em:
9.1. considerar cumpridas as determinações 9.4.1, 9.4.2, 9.5.1, 9.5.2, 9.5.3 e 9.6 do Acórdão
2.487/2018 – Plenário;
9.2. dar ciência deste acórdão ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações
(MCTIC) e à empresa Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras);
9.3. encerrar o presente processo, com fulcro no art. 169, V, do Regimento Interno do TCU.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0956-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler (Relator), Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 957/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 000.904/2011-2.
1.1. Apensos: 032.290/2013-6; 032.291/2013-2.
2. Grupo II – Classe de Assunto: I - Embargos de declaração (Tomada de Contas Especial).
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
3.1. Interessado: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (00.378.257/0001-81).
3.2. Responsáveis: José Frederico César Carrazzoni (005.385.664-34); Renato Ribeiro da Costa
(288.201.694-87).
3.3. Recorrente: espólio de Renato Ribeiro da Costa (288.201.694-87).
47

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

4. Órgão/Entidade: Município de Itambé - PE.


5. Relator: Ministro Augusto Nardes.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Augusto Nardes.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: não atuou.
8. Representação legal:
8.1. Luís Alberto Gallindo Martins (OAB/PE 20.189).

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes embargos de declaração opostos pelo espólio do Sr. Renato
Ribeiro da Costa contra o Acórdão 2.576/2018-TCU-Plenário, prolatado em recurso de revisão interposto
contra o Acórdão 4.449/2012-TCU-1ª Câmara, de natureza condenatória.
ACORDAM os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão Plenária, com
fundamento nas razões expostas pelo relator e nos arts. 32, inciso II, e 34 da Lei 8.443/1992 c/c o art. 287
do Regimento Interno, em:
9.1. conhecer dos presentes embargos de declaração e, no mérito, rejeitá-los; e
9.2. dar ciência deste acórdão ao embargante.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0957-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes (Relator), Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministra que alegou impedimento na Sessão: Ana Arraes.
13.3. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 958/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 020.829/2017-5.
2. Grupo I – Classe de Assunto: V – Relatório de Auditoria.
3. Interessados/Responsáveis: não há.
4. Órgãos/Entidades: Administração Regional do Senac no Estado do Mato Grosso do Sul;
Administração Regional do Senar no Estado do Mato Grosso do Sul; Administração Regional do Sesc no
Estado do Mato Grosso do Sul; Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado de Mato Grosso do Sul;
Conselho Regional de Administração do Mato Grosso do Sul; Conselho Regional de Contabilidade do
Estado de Mato Grosso do Sul; Conselho Regional de Corretores de Imóveis 14ª Região (MS); Conselho
Regional de Economia 20ª Região (MS); Conselho Regional de Educação Física da 11ª Região (MS);
Conselho Regional de Enfermagem do Mato Grosso do Sul; Conselho Regional de Engenharia e
Agronomia do Estado de Mato Grosso do Sul; Conselho Regional de Farmácia do Estado do Mato Grosso
do Sul; Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 13ª Região (MS); Conselho
Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso do Sul; Conselho Regional de Odontologia do Mato
Grosso do Sul; Conselho Regional de Psicologia 14ª Região (MS); Conselho Regional de Química XX
Região (MS); Conselho Regional de Representantes Comerciais do Estado do Mato Grosso do Sul;
Conselho Regional de Serviço Social 21ª Região (MS); Conselho Regional de Técnicos em Radiologia
12ª Região (MT e MS); Departamento Regional do Senai no Estado do Mato Grosso do Sul;
Departamento Regional do Sesi no Estado do Mato Grosso do Sul; Fundação Universidade Federal da
Grande Dourados; Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul; Instituto Federal de Educação,
48

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Ciência e Tecnologia do Mato Grosso do Sul; Núcleo Estadual do Ministério da Saúde no Estado do Mato
Grosso do Sul; Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Mato Grosso do Sul; Serviço
Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado do Mato Grosso do Sul; Superintendência
Estadual da Funasa no Estado do Mato Grosso do Sul; Superintendência Regional do Incra no Estado do
Mato Grosso do Sul; Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Estado do Mato Grosso do
Sul; Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região/MS; Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do
Sul.
5. Relator: Ministro Augusto Nardes.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria do TCU no Estado do Mato Grosso do Sul (Sec/MS).
8. Representação legal: Danilo da Cunha Davet (16.455/OAB-MS) e outros, representando
Departamento Regional do Sesi no Estado do Mato Grosso do Sul e Departamento Regional do Senai no
Estado do Mato Grosso do Sul.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Relatório de Auditoria realizada em parceria pela
Secretaria do TCU no Estado do Mato Grosso do Sul, CGU/MS, TCE/MS, CGE/MS e a CGM/Campo
Grande/MS, destinada a avaliar susceptibilidade à fraude e à corrupção das organizações públicas do
estado, em face de seus respectivos poderes de compra e de regulação;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. Recomendar às unidades dos órgãos do Poder Judiciário, Conselhos de Classe e Sistema “S”
situados no Mato Grosso do Sul, dispostos no Apêndice ‘J’ do relatório precedente, com fulcro no art. 43,
inciso I, da Lei 8.443/1992, combinado com art. 250, inciso III, do Regimento Interno do Tribunal de
Contas da União que implementem as boas práticas de combate à fraude e corrupção de maneira
proporcional ao seu poder de compra ou de regulação, conforme diagnóstico individual a ser enviado pelo
TCU (peças 201 a 203);
9.2. Determinar, com fulcro no art. 43, inciso I, da Lei 8.443/1992, combinado com art. 250, inciso
II, do Regimento Interno do Tribunal de Contas da União, às unidades dos órgãos do Poder Judiciário,
Conselhos de Classe e Sistema “S” situados no Mato Grosso do Sul, dispostos no Apêndice ‘J’ do
relatório precedente, que encaminhem ao TCU, conforme art. 243 do seu Regimento Interno, parágrafos
196/197-202/207 do Manual Anop, aprovado pela Portaria Segecex 4/2010; parágrafos 167-169 do
Anexo à Portaria TCU 280/2010 e Portaria Segecex 27/2009, no prazo de até 90 dias da ciência, plano de
ação contendo o cronograma de adoção das medidas necessárias à implementação da recomendação
proferida, com definição dos responsáveis, prazos e atividades acerca das medidas a serem tomadas;
9.3. Recomendar às unidades dos órgãos da administração direta, autárquica e fundacional do Poder
Executivo Federal (sujeitas ao Decreto 9.203/2017) situados no Mato Grosso do Sul, dispostos no
Apêndice ‘J’ do relatório precedente, com fulcro no art. 43, inciso I, da Lei 8.443/1992, combinado com
art. 250, inciso III, do Regimento Interno do Tribunal de Contas da União que implementem as boas
práticas de combate à fraude e corrupção de maneira proporcional ao seu poder de compra ou de
regulação - conforme diagnóstico individual a ser enviado pelo TCU (peças 201 a 203) - naquilo em que
forem compatíveis com seu programa de integridade, formulado segundo disposição do Decreto
9.203/2017 e Portaria CGU 57/2019;
9.4. Determinar, com fulcro no art. 43, inciso I, da Lei 8.443/1992, combinado com art. 250, inciso
II, do Regimento Interno do Tribunal de Contas da União, às unidades dos órgãos da administração direta,
autárquica e fundacional do Poder Executivo Federal (sujeitas ao Decreto 9.203/2017), situados no Mato
Grosso do Sul, dispostos no Apêndice ‘J’ do relatório precedente, que encaminhem ao TCU, conforme
art. 243 do seu Regimento Interno, parágrafos 196/197-202/207 do Manual Anop, aprovado pela Portaria
Segecex 4/2010; parágrafos 167-169 do Anexo à Portaria TCU 280/2010 e Portaria Segecex 27/2009, no
prazo de até 90 dias da ciência, plano de ação contendo o cronograma de adoção das medidas necessárias
49

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

à implementação da recomendação proferida, com definição dos responsáveis, prazos e atividades acerca
das medidas a serem tomadas, bem como justificativas para a não implementação, caso ocorra, de práticas
consideradas incompatíveis com o seu programa de integridade;
9.5. Recomendar aos dirigentes máximos das organizações da administração direta, autárquica e
fundacional do Poder Executivo Federal, listadas no apêndice J, para que considerem as deficiências no
cumprimento das práticas de combate à fraude e corrupção, identificadas no presente trabalho, na
formulação/revisão de seus programas e planos de integridade;
9.6. Encaminhar cópia desta deliberação à CGU, a fim de que avalie, no âmbito das reuniões do
Comitê Interministerial de Governança, a oportunidade e conveniência de se aproveitar a metodologia
utilizada neste trabalho em eventual formatação de indicadores para monitorar o estágio de evolução da
integridade institucional das organizações sujeitas ao Decreto 9.203/2017;
9.7. Autorizar a Segecex a disponibilizar o Relatório da Unidade Técnica e o diagnóstico de
aderência às boas práticas de fraude e corrupção individuais que integram os autos, na página do Tribunal
na Internet, com acesso público, destacando, no entanto, para as organizações federais que foram objeto
do Acórdão 2.604/2018 – TCU – Plenário, as diferenças metodológicas entre aquele trabalho e o presente;
9.8. Autuar processo de monitoramento das determinações contidas neste acórdão, nos termos do
art. 35 da Resolução-TCU 259/2014.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0958-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes (Relator), Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 959/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 025.954/2014-8.
2. Grupo I – Classe de Assunto: I - Pedido de reexame (Relatório de Auditoria).
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
3.1. Responsáveis: Hélio Franco de Macedo Júnior (043.665.812-72); Sérgio de Amorim
Figueiredo (243.372.262-49).
3.2. Recorrente: Sérgio de Amorim Figueiredo (243.372.262-49).
4. Órgão/Entidade: Prefeitura Municipal de Belém - PA.
5. Relator: Ministro Augusto Nardes.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Benjamin Zymler.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidades Técnicas: Secretaria de Recursos (SERUR.
8. Representação legal: não há

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de pedido de reexame interposto por Sérgio de Amorim
Figueiredo, Secretário Municipal de Saúde do Município de Belém/PA, contra o Acórdão 370/2018-
TCU-Plenário,
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão de Plenário, com
fundamento no art. 48 da Lei 8.443/92, e ante as razões expostas pelo Relator, em:
50

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

9.1 conhecer dos recursos para, no mérito, negar-lhes provimento;


9.2 dar ciência desta deliberação ao recorrente e aos interessados.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0959-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes (Relator), Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 960/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 032.625/2017-0.
2. Grupo I – Classe de Assunto: II – Solicitação do Congresso Nacional.
3. Interessados: Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.
4. Órgãos/Entidades: Fundação Oswaldo Cruz; Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-
Manguinhos/Fiocruz); Ministério da Saúde (vinculador).
5. Relator: Ministro Augusto Nardes.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo da Saúde (SecexSaude).
8. Representação legal:
8.1. Luis Gustavo Haddad (184147/OAB-SP) e outros, representando Blau Farmacêutica S.A.
8.2. Daniel Godoy de Jesus Miranda, representando Fundação Oswaldo Cruz.

9. Acórdão:
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Solicitação do Congresso Nacional (SCN) formulada
pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados (PFC nº 138/2017, de
autoria do Deputado Federal Wilson Filho, remetida ao TCU pelo Presidente da referida comissão,
Deputado Federal Wilson Filho, Ofício 262/2017/CFFC-P) para que este Tribunal verificasse a
regularidade da celebração e da execução do contrato de transferência de informação técnica (licença de
patente) e fornecimento da eritropoietina humana recombinante, firmado entre a Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz), por meio de seu Instituto de Tecnologia e Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), e a empresa
cubana Cimab S.A.,
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão Plenária, ante as
razões expostas pelo relator, em:
9.1. considerar integralmente atendida a presente Solicitação do Congresso Nacional, nos termos
do art. 14, inciso IV, da Resolução-TCU 215/2008;
9.2. dar ciência da presente deliberação à Comissão Permanente de Fiscalização Financeira e
Controle da Câmara dos Deputados, ao Exmo. Sr. Deputado Léo Motta, Presidente da citada comissão, ao
Exmo. Sr. Deputado Hugo Motta, relator da Proposta de Fiscalização e Controle 138/2017, e à Comissão
de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, tendo em vista o Of. Pres. n. 006/2018/CDC, de 14
de março de 2018;
9.3. arquivar os presentes autos, com base no art. 14, inciso IV, da Resolução-TCU 215/2008 c/c
art. 169, incisos III e V, do Regimento Interno do TCU;

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


51

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.


12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0960-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes (Relator), Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 961/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 014.240/2016-5.
2. Grupo I – Classe de Assunto: V - Relatório de Auditoria.
3. Interessados/Responsáveis:
3.1. Interessado: Congresso Nacional (vinculador).
3.2. Responsáveis: Consórcio Ponte do Guaíba (20.131.086/0001-07); Delmar Pellegrini Filho
(335.704.260-68); Engevix Engenharia e Projetos S. A. (00.103.582/0001-31); Fabio Pessoa da Silva
Nunes (514.591.402-49); Pedro Luzardo Gomes (401.223.600-87); Roger da Silva Pegas (410.106.550-
00); Tarcísio Gomes de Freitas (180.777.838-05).
4. Órgão/Entidade: Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
5. Relator: Ministro Aroldo Cedraz.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Fiscalização de Infraestrutura Rodoviária e de Aviação Civil
(SeinfraRod).
8. Representação legal:
8.1. Alexandre Aroeira Salles (28.108/OAB-DF) e outros, representando Consórcio Ponte do
Guaíba.
8.2. Paulo Aristóteles Amador de Sousa, representando Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transportes.
8.3. Barbara Pupin de Almeida (316.074/OAB-SP) e outros, representando Engevix Engenharia e
Projetos S.A.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Relatório de Auditoria realizada no âmbito do
Fiscobras 2016, na execução das obras de construção da Segunda Ponte do Guaíba, objeto do Contrato
316/2014, que tem como contratado o Consórcio Ponte do Guaíba, no valor de R$ 649.622.699,00 (data
base 1/3/2013);
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. determinar ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT, com
fundamento art. 43, inciso I, da Lei 8.443/1992 e art. 250, inciso II, do Regimento Interno do TCU, que
adote, no prazo de 60 (sessenta) dias, providências com vistas a incluir em seus normativos internos a
obrigação de que seja exigido dos projetistas, durante a fase de elaboração dos anteprojetos e projetos
básicos que subsidiarem processos licitatórios, a análise comparativa de custos entre soluções viáveis de
fundações em obras de Pontes Rodoviárias, de modo a atender plenamente o disposto no art. 9, da Lei
12462/2011, bem como atender a jurisprudência do TCU proferida por meio do Acórdão 796/2012-TCU-
Plenário;
9.2. dar ciência ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT, com
fundamento no art. 7º da Resolução-TCU 265/2014, de que a ausência de análise devidamente
fundamentada e motivada, com base em referências oficiais e com análise crítica sobre a composição dos
52

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

serviços unitários para que seja possível a autorização da subdivisão de etapas entre fabricação e
colocação/cravação de elementos pré-fabricados nas contratações feitas com base no Regime
Diferenciado de Contratação – RDC, afronta o disposto no § 2º, do art. 42 e art. 75 do Decreto 7581, e §
3º, do art. 9, da Lei 12.462/2011;
9.3. dar ciência ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT, com
fundamento no art. 7º da Resolução-TCU 265/2014, sobre a falta de clareza acerca das responsabilidades
da contratada na execução da produção habitacional nos projetos de reassentamento definitivo da
população atingida pelo empreendimento, identificada no Edital do RDC 537/2013 e no Contrato, o que
afronta o disposto no art. 9, § 2º, inciso I, alínea “a”, da Lei 12.242/2011 (RDC), com vistas à adoção de
providências internas que previnam a ocorrência de outras semelhantes;
9.4. comunicar ao DNIT, ao Consórcio Ponte do Guaíba e à Engevix Engenharia e Projetos S.A. da
presente deliberação;
9.5. arquivar os presentes autos, nos termos do art. 237, parágrafo único, c/c o art. 250, inciso I, do
Regimento Interno do/TCU.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0961-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz (Relator), Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 962/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 022.969/2015-2.
1.1. Apensos: TC 019.402/2017-1, TC 019.403/2017-8 e TC 019.401/2017-5.
2. Grupo II – Classe – I – Recurso de Revisão (em Tomada de Contas Especial).
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
3.1. Responsáveis: Flávia Helena Portela de Carvalho (CPF 279.585.071-00) e Prefeitura dos
Condomínios do Setor de Diversões Sul de Brasília-DF (CNPJ 00.487.651/0001-58).
3.2. Recorrente: Prefeitura dos Condomínios do Setor de Diversões Sul de Brasília-DF (CNPJ
00.487.651/0001-58).
4. Órgão/Entidade: Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, vinculada ao então
denominado Ministério da Justiça e Cidadania, (atual Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial, vinculada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos).
5. Relator: Ministro Aroldo Cedraz.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Benjamin Zymler.
6. Representante do Ministério Público: Procurador Sergio Ricardo Costa Caribé.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Recursos (Serur).
8. Representação legal: Jorginaldo Fernando de Sousa Aguiar (OAB/DF 37.157), representando a
Prefeitura dos Condomínios do Setor de Diversões Sul de Brasília/DF (procuração à peça 26).

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Tomada de Contas Especial (TCE), ora em fase de
Recurso de Revisão interposto pela Prefeitura dos Condomínios do Setor de Diversões Sul de Brasília/DF
contra o Acórdão 3.060/2016-TCU-Plenário, mediante o qual esta Corte de Contas decidiu, entre outros
encaminhamentos, julgar irregulares as contas da ora recorrente e de sua então presidente, Sr.ª Flávia
53

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Helena Portela de Carvalho, condenando-as solidariamente ao ressarcimento do dano apurado nos autos e
aplicando-lhes a multa prevista no art. 57 da Lei 8.443, de 16/7/1992;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão de Plenário, diante
das razões expostas pelo relator e com fulcro nos arts. 32, inciso III, e 35, inciso III, da Lei 8.443/1992,
combinados com os arts. 281 e 288, inciso III, do Regimento Interno/TCU, em:
9.1. conhecer do Recurso de Revisão em exame, para, no mérito, dar-lhe provimento parcial,
estendendo os efeitos dessa decisão à Sr.ª Flávia Helena Portela de Carvalho, de modo a:
9.1.1. reduzir para R$ 16.000,00 (dezesseis mil reais) o valor da multa aplicada, nos termos do
subitem 9.2 do Acórdão 3.060/2016-TCU-Plenário, a cada uma das responsáveis em epígrafe;
9.1.2. reduzir para 4 (quatro) anos o tempo da pena de inabilitação imposta à Sr.ª Flávia Helena
Portela de Carvalho, nos termos do subitem 9.3 do Acórdão 3.060/2016-TCU-Plenário, para o exercício
de cargo em comissão e função de confiança no âmbito da Administração Pública;
9.2. manter em seus exatos termos os demais subitens do Acórdão 3.060/2016-TCU-Plenário, em
especial o valor do débito imputado à ora recorrente e à Sr.ª Flávia Helena Portela de Carvalho;
9.3. dar ciência desta decisão à recorrente, à Sr.ª Flávia Helena Portela de Carvalho, à Secretaria
Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e ao Procurador-Chefe da Procuradoria da
República no Distrito Federal, fazendo remissão, no caso desses dois últimos destinatários,
respectivamente, aos ofícios 0857/2016 e 0858/2016, expedidos em 6/12/2016 pela Secretaria de Controle
Externo da Previdência, do Trabalho e da Assistência Social (peças 41 e 42).

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0962-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz (Relator), Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 963/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 028.490/2017-7.
2. Grupo I – Classe de Assunto: I – Pedido de Reexame (em Aposentadoria).
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
3.1. Interessados: Solismonte Demarco Rodrigues (169.336.210-49); Sonia Maria Trindade Moraes
(091.978.000-82); Terezinha Moehlecke (165.669.200-72).
3.2. Recorrentes: Solismonte Demarco Rodrigues (169.336.210-49); Sonia Maria Trindade Moraes
(091.978.000-82); Terezinha Moehlecke (165.669.200-72).
4. Órgão/Entidade: Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Estado do Rio Grande do
Sul.
5. Relator: Ministro Aroldo Cedraz.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Benjamin Zymler.
6. Representante do Ministério Público: Procurador Júlio Marcelo de Oliveira.
7. Unidades Técnicas: Secretaria de Recursos (Serur); Secretaria de Fiscalização de Pessoal (Sefip).
8. Representação legal:
8.1. Felipe Teixeira Vieira (31718/OAB-DF) e outros, representando Sonia Maria Trindade Moraes,
Terezinha Moehlecke e Solismonte Demarco Rodrigues.

9. Acórdão:
54

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Pedidos de Reexame interpostos por por Solismonte
Demarco Rodrigues, Sonia Maria Trindade Moraes e Terezinha Moehlecke, ex-servidoras da
Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Estado do Rio Grande do Sul, contra o Acórdão
2.882/2017-TCU-Plenário, que considerou legal os atos de aposentadorias dos recorrentes, mas
determinou àquela Superintendência que cessasse o pagamento do Bônus de Eficiência e Produtividade
previsto na Lei 13.464/2017 (subitem 9.2.1 do Acórdão);
ACORDAM os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante as
razões expostas pela relatora, e com fundamento no art. 48 da Lei 8.443/1992, c/c o art. 286 do
Regimento Interno, em:
9.1. conhecer dos Pedidos de Reexame interpostos por Solismonte Demarco Rodrigues, Sonia
Maria Trindade Moraes e Terezinha Moehlecke para, no mérito, dar-lhes provimento parcial;
9.2. alterar o comando expresso no item 9.2.1 do Acórdão 2.882/2017-TCU-Plenário, que passa a
ter a seguinte redação:
“9.2.1. na hipótese de desconstituição da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança
35.494/DF, em trâmite no Supremo Tribunal Federal, faça cessar, sob pena de responsabilidade
solidária da autoridade administrativa omissa, o pagamento aos inativos do Bônus de Eficiência e
Produtividade, previsto na Lei 13.464/2017, por incompatível com o art. 40, caput e §§ 1º, 3º, 4º e 18, da
Constituição Federal, dada a expressa exclusão da vantagem remuneratória, de caráter pro labore
faciendo, da base de cálculo de contribuição previdenciária”;
9.3. encaminhar ao Departamento de Assuntos Extrajudiciais da Advocacia-Geral da União, nos
termos da questão de ordem aprovada pelo Plenário do TCU em 8/6/2011, as informações necessárias ao
acompanhamento do Mandados de Segurança 35.494 no Supremo Tribunal Federal, para adoção das
providências cabíveis, com ciência à Consultoria Jurídica desta Corte;
9.4. dar ciência desta deliberação às recorrentes e aos demais interessados.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0963-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz (Relator), Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 964/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 028.574/2017-6.
2. Grupo I – Classe de Assunto: I - Pedido de Reexame (em Aposentadoria).
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
3.1. Interessados: Geraldo Pampanelli Ligeiro (283.698.826-68); Getulio Ferreira Furtado
(160.394.326-91); Ivone Corgosinho Baumecker (355.351.806-53); José de Paula Leite (058.870.976-04);
João Paulo Mendes de Almeida (272.865.096-91).
3.2. Recorrentes: João Paulo Mendes de Almeida (272.865.096-91); Geraldo Pampanelli Ligeiro
(283.698.826-68); Ivone Corgosinho Baumecker (355.351.806-53); Getulio Ferreira Furtado
(160.394.326-91); José de Paula Leite (058.870.976-04).
4. Órgão/Entidade: Superintendência Regional do Trabalho e Emprego No Estado de Minas Gerais.
5. Relator: Ministro Aroldo Cedraz.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Benjamin Zymler.
6. Representante do Ministério Público: Procurador Marinus Eduardo De Vries Marsico.
55

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

7. Unidades Técnicas: Secretaria de Recursos (Serur); Secretaria de Fiscalização de Pessoal (Sefip).


8. Representação legal:
8.1. Claudio Renato do Canto Farag (14005/OAB-DF) e outros, representando José de Paula Leite,
Getulio Ferreira Furtado, Ivone Corgosinho Baumecker, Geraldo Pampanelli Ligeiro e João Paulo
Mendes de Almeida.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Pedidos de Reexame interpostos por Geraldo
Pampanelli Ligeiro, Getulio Ferreira Furtado, Ivone Corgosinho Baumecker, José de Paula Leite e João
Paulo Mendes de Almeida, ex-servidores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no
Estado de Minas Gerais, contra o Acórdão 2.884/2017–TCU–Plenário, que considerou legal os atos de
aposentadorias dos recorrentes, mas determinou àquela Superintendência que cessasse o pagamento do
Bônus de Eficiência e Produtividade previsto na Lei 13.464/2017 (subitem 9.2.1 do Acórdão);
ACORDAM os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante as
razões expostas pela relatora, e com fundamento no art. 48 da Lei 8.443/1992, c/c o art. 286 do
Regimento Interno, em:
9.1. conhecer dos Pedidos de Reexame interpostos por Geraldo Pampanelli Ligeiro, Getulio Ferreira
Furtado, Ivone Corgosinho Baumecker, José de Paula Leite e João Paulo Mendes de Almeida para, no
mérito, dar-lhes provimento parcial;
9.2. alterar o comando expresso no item 9.2.1 do Acórdão 2.884/2017–TCU–Plenário, que passa a
ter a seguinte redação:
“9.2.1. na hipótese de desconstituição da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança
35.498/DF, em trâmite no Supremo Tribunal Federal, faça cessar, sob pena de responsabilidade
solidária da autoridade administrativa omissa, o pagamento aos inativos do Bônus de Eficiência e
Produtividade, previsto na Lei 13.464/2017, por incompatível com o art. 40, caput e §§ 1º, 3º, 4º e 18, da
Constituição Federal, dada a expressa exclusão da vantagem remuneratória, de caráter pro labore
faciendo, da base de cálculo de contribuição previdenciária;”
9.3. encaminhar ao Departamento de Assuntos Extrajudiciais da Advocacia-Geral da União, nos
termos da questão de ordem aprovada pelo Plenário do TCU em 8/6/2011, as informações necessárias ao
acompanhamento do Mandados de Segurança 35.498/DF no Supremo Tribunal Federal, para adoção das
providências cabíveis, com ciência à Consultoria Jurídica desta Corte;
9.4. dar ciência desta deliberação às recorrentes e aos demais interessados.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0964-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz (Relator), Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 965/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 039.801/2018-7.
2. Grupo I – Classe de Assunto: VII – Solicitação.
3. Interessados: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.
4. Entidade: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.
5. Relator: Ministro Aroldo Cedraz.
56

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

6. Representante do Ministério Público: não atuou.


7. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Tomada de Contas Especial (SecexTCE).
8. Representação legal: não há.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos da Solicitação formulada pelo Sr. Rodrigo Rossi,
assessor especial do Presidente/FNDE, com a finalidade de solicitar a prorrogação do prazo estabelecido
no art. 19-A da IN TCU 71/2012 para 1º de dezembro de 2020, com vistas ao encaminhamento ao TCU
de Tomadas de Contas Especial instaurada pelo órgão;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. deferir, com fundamento no art. 11, § 3º, da Instrução Normativa/TCU 71/2012, pedido de
prorrogação do prazo estabelecido no art. 19-A da IN TCU 71/2012 para 1º de dezembro de 2020;
9.2. nos termos do art. 7º da Resolução-TCU 265/2014, dar ciência ao Chefe de Gabinete do
Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) de que a prorrogação de prazo
para envio da Tomada de Contas Especial de referência, sem ter sido subscrita pelo Ministro da
Educação, infringiu o § 2º do art. 11 da IN/TCU 71/2012;
9.3. arquivar os presentes autos.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0965-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz (Relator), Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 966/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 004.772/2014-8.
1.1. Apensos: 001.877/2015-1; 001.879/2015-4; 001.878/2015-8.
2. Grupo I – Classe de Assunto: I Recurso de Revisão (Tomada de Contas Especial).
3. Interessados: Valdir Barbosa Nascimento (CPF 427.875.214-87).
4. Entidade: Radiodifusão Comunitária de Rubiataba (GO).
5. Relator: Ministro Raimundo Carreiro.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Walton Alencar Rodrigues.
6. Representante do Ministério Público: Subprocurador-Geral Lucas Rocha Furtado.
7. Unidades Técnicas: Secretaria de Recursos (Serur).
8. Advogado constituído nos autos: Rodrigo Faria Leite (OAB/GO 40.523), Leandro Bernardo dos
Santos (OAB/GO 40.482) e Edimeire Sousa Ribeiro Pereira Leal (OAB/GO 34.871)

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos que tratam, nesta fase processual, de Recurso de
Revisão em face do Acórdão n.º 6.035/2014-1ª Câmara, da relatoria do Ministro Walton Alencar
Rodrigues,
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, em sessão do Plenário, ante as razões
expostas pelo Relator, em:
57

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

9.1 conhecer do recurso de revisão interposto pelo Sr. Valdir Barbosa Nascimento, com fundamento
no art. 285 do Regimento Interno, para, no mérito, dar-lhe provimento parcial;
9.2 alterar a redação do item 9.3 do acórdão recorrido, para que passe a figurar como:
9.3. aplicar a Valdir Barbosa Nascimento e à Associação de Radiodifusão Comunitária de
Rubiataba/GO, a multa individual prevista no art. 57 da Lei n° 8.443/92 c/c o art. 267 do Regimento
Interno do TCU, no valor de R$ 14.000,00 (quatorze mil reais), fixando-lhes o prazo de quinze dias, a
contar da notificação, para que comprovem, perante o Tribunal (art. 214, inciso III, alínea “a”, do
Regimento Interno), o recolhimento da multa ao Tesouro Nacional, atualizada monetariamente da data
do presente acórdão até a do efetivo recolhimento, se forem pagas após o vencimento, na forma da
legislação em vigor;
9.3 dar ciência da presente deliberação ao interessado.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0966-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro (Relator), Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa e
André Luís de Carvalho.

ACÓRDÃO Nº 967/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 010.794/2002-5.
1.1. Apensos: 005.561/2002-2; 025.701/2007-3
2. Grupo I – Classe de Assunto: I – Recurso de reconsideração em Prestação de Contas
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
3.1. Interessados: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(03.659.166/0035-51); Ministério Público Junto Ao Tribunal de Contas da União ()
3.2. Responsável: Antonio Moyses da Silva Netto (063.947.103-00); 3.3.
Recorrente: Antonio Moyses da Silva Netto (063.947.103-00).
4. Órgão/Entidade: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
5. Relator: Ministro Raimundo Carreiro
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Valmir Campelo.
6. Representante do Ministério Público: Procurador Marinus Eduardo De Vries Marsico.
7. Unidades Técnicas: Secretaria de Recursos (SERUR); Secretaria de Controle Externo da
Agricultura e do Meio Ambiente (SecexAmb).
8. Representação legal:
8.1. Marcos Pinheiro de Lima Filho e outros, representando Maria de Nazaré da Silva Coelho.
8.2. Alexandre Souza Farias (9052/OAB-MA), representando Maria da Graca Reis Ribeiro.
8.3. Ricardo Augusto Figueiredo Moyses (7319/OAB-MA), representando Antonio Moyses da
Silva Netto.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Recursos de Reconsideração interposto pelo Sr.
Antônio Moyses da Silva Netto, ex-Gerente Executivo do Ibama/MA, em face do Acórdão nº 2.049/2013
- TCU – Plenário (peça 116), o qual, após acolher recurso de revisão interposto pelo MP/TCU, julgou
irregulares as presentes contas em relação ao recorrente, condenando solidariamente os responsáveis ao
pagamento do débito, e, individualmente, em multa,
58

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ante as


razões expostas pelo Relator, em:

9.1. com fundamento nos art. 32, inciso I e 33, da Lei nº 8.443/1992 e art. 285, caput, do RI/TCU,
conhecer do recurso de reconsideração interposto pelo Sr. Antônio Moysés da Silva Netto (CPF
063.947.103-00), ex-Gerente Executivo do Ibama/MA, para, no mérito, negar-lhe provimento, mantendo
inalterado o Acórdão nº 2.049/2013 - TCU – Plenário;
9.2. de acordo com o art. 5°, XLV, da CF/88, tornar sem efeito a multa aplicada ao Sr. Antônio
Moysés da Silva Netto (CPF 063.947.103-00), diante do falecimento do responsável; e
9.3. dar conhecimento deste acórdão, encaminhando cópia do respectivo relatório e voto, ao filho do
Recorrente identificado à peça 213 e aos demais interessados.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0967-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro (Relator), Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 968/2019 – TCU – Plenário

1. Processo: TC 016.061/2018-7
2. Grupo I, Classe de Assunto VII – Representação
3. Representante: Trivale Administração Ltda. (CNPJ 00.604.122/0001-97)
3.1. Responsável: Super Card Eireli ME (CNPJ 27.126.951/0001-68)
4. Órgão/Entidade/Unidade: Justiça Federal – Seção Judiciária/CE – TRF
5. Relator: Ministro Raimundo Carreiro
6. Representante do Ministério Público: não atuou
7. Unidade Técnica: Secretaria do TCU no Estado do Ceará (Sec-CE)
8. Representação legal: Wanderley Romano Donadel OAB-MG 78.870

9. Acórdão
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Representação formulada pela empresa Trivale
Administração Ltda. em razão de supostas irregularidades quanto à consistência do atestado de
capacidade técnica apresentado pela empresa Super Card Eireli ME, no Pregão Eletrônico 12/2018
realizado pela Justiça Federal no Ceará,
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão Plenária, diante das
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. conhecer da presente representação, satisfeitos os requisitos de admissibilidade previstos no
artigo 235 do Regimento Interno deste Tribunal, c/com o artigo 103, § 1º, da Resolução-TCU 259/2014,
para, no mérito, considerá-la procedente;
9.2. rejeitar as razões de justificativa apresentadas pela empresa Super Card Eireli ME (CNPJ
27.126.951/0001-68);
9.3. aplicar a multa prevista no art. 58, inciso II, da Lei 8.443/1992 à empresa Super Card Eireli
ME (CNPJ 27.126.951/0001-68), no valor de R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais), com a fixação do
prazo de 15 (quinze) dias, a contar da notificação, para comprovar, perante o Tribunal (art. 214, inciso III,
alínea “a”, do Regimento Interno), o recolhimento da dívida ao Tesouro Nacional, atualizada
59

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

monetariamente desde a data do acórdão que vier a ser proferido até a dos efetivos recolhimentos, se
forem pagas após o vencimento, na forma da legislação em vigor;
9.4. autorizar a cobrança judicial da dívida, desde logo, nos termos do art. 28, inciso II, da Lei
8.443/1992, caso não atendidas as notificações;
9.5. autorizar o parcelamento da dívida, em até 36 (trinta e seis) parcelas mensais e consecutivas
caso seja solicitado e se o processo não tiver sido remetido para cobrança judicial, nos termos do art. 26
da Lei 8.443/1992 c/c o art. 217 do RI/TCU, fixando-se o vencimento da primeira parcela em quinze dias,
a contar do recebimento da notificação, e os das demais a cada trinta dias, devendo incidir sobre cada
valor mensal os correspondentes acréscimos legais, na forma prevista na legislação em vigor; bem como
esclarecer ao responsável que, em caso de parcelamento da dívida, a falta de pagamento de qualquer
parcela importará no vencimento antecipado do saldo devedor (art. 217, § 2º, do RI/TCU).

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0968-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro (Relator), Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 969/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 018.119/2018-2
2. Grupo II – Classe V – Relatório de Acompanhamento.
3. Interessado: Tribunal de Contas da União.
4. Unidades: Câmara dos Deputados, Conselho da Justiça Federal, Conselho Nacional de Justiça,
Defensoria Pública da União, órgãos da Justiça Eleitoral, da Justiça Federal, da Justiça Militar e da Justiça
do Trabalho, Ministério Público da União, Presidência da República, Senado Federal, Superior Tribunal
de Justiça, Supremo Tribunal Federal, Tribunal de Contas da União e Tribunal de Justiça do Distrito
Federal e dos Territórios.
5. Relatora: ministra Ana Arraes.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Macroavaliação Governamental - Semag.
8. Representação legal: não há.

9. Acórdão:
VISTO, relatado e discutido o acompanhamento relativo ao 1º quadrimestre de 2018 do
cumprimento das determinações previstas em dispositivos legais que dispõem sobre os relatórios de
gestão fiscal.
ACORDAM os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão extraordinária do
Plenário, diante das razões expostas pela relatora, e com fundamento no art. 7º da Resolução-TCU
265/2014 e nos art. 169, inciso V, e 250, inciso II, do Regimento Interno, em:
9.1. considerar atendidas, pelos poderes e órgãos relacionados no art. 20 da Lei Complementar
101/2000 - LRF, as exigências de publicação, disponibilização no Sistema de Informações Contábeis e
Fiscais do Setor Público Brasileiro - Siconfi e encaminhamento ao TCU dos relatórios de gestão fiscal
referentes ao 1º quadrimestre de 2018, definidas nos arts. 54 e 55 daquele diploma legal, no art. 5º, inciso
I, da Lei 10.028/2000 (Lei de Crimes Fiscais) e no art. 136 da Lei 13.473/2017 (LDO 2018);
60

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

9.2. considerar cumpridos, pelos referidos entes, no quadrimestre avaliado, os limites prudencial e
máximo de despesa com pessoal, com a ressalva de que foram considerados como limites dos órgãos da
Justiça do Trabalho aqueles fixados no Ato Conjunto TST/CSJT 12/2015, cujo mérito ainda não foi
apreciado por este Tribunal;
9.3. considerar o nível da dívida consolidada líquida da União de 414,1% da receita corrente
líquida, relativo ao 1º quadrimestre de 2018, incompatível com o limite de 350% estabelecido pelo
Projeto de Resolução do Senado 84/2007;
9.4. considerar o nível da dívida mobiliária da União de 727,5% da receita corrente líquida,
referente ao 1º quadrimestre de 2018, incompatível com o limite de 650% estabelecido pelo Projeto de
Lei da Câmara 54/2009;
9.5. considerar atendidos os limites previstos na Resolução do Senado Federal 48/2007 para o
montante de operações de crédito contraídas e de garantias concedidas pela União;
9.6. considerar cumpridas as determinações dos subitens 9.4 do Acórdão 553/2017 - Plenário,
quanto à publicação e ao envio ao TCU dos demonstrativos dos limites de despesa com pessoal relativos
ao 1º quadrimestre de 2018, e 9.6 do Acórdão 883/2018 - Plenário, pertinentes à retificação por parte do
Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região do demonstrativo da disponibilidade de caixa e dos restos a
pagar no relatório de gestão fiscal do 1º quadrimestre de 2018;
9.7. determinar ao Ministério da Economia, em conjunto, se for o caso, com a Controladoria-Geral
da União, que:
9.7.1. adote, no prazo de 90 (noventa) dias, contado da ciência desta deliberação, as providências
necessárias para alterar a sistemática de recebimento de informações pelo Siconfi e adequar a Portaria
Interministerial MPOG/MF/CGU 424/2016, de forma a:
9.7.1.1 atender aos requisitos de publicação oficial dos relatórios, nos termos dos arts. 37, caput, da
Constituição de 1988 e 51, 52 e 55 da LRF; e
9.7.1.2. assegurar que os relatórios de gestão fiscal contenham obrigatoriamente as assinaturas
previstas no art. 54 da LRF.
9.7.2. informe a este Tribunal, tão logo vencido o referido prazo, o resultado das providências
implementadas.
9.8. dar ciência ao Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região sobre a imprescindibilidade de,
doravante, observar o prazo estabelecido nas Leis de Diretrizes Orçamentárias anuais, na forma
regulamentada pela Secretaria do Tesouro Nacional (art. 3º, § 1º, da Portaria STN 549/2018, atualmente
vigente), para disponibilizar e homologar o relatório de gestão fiscal no Siconfi, de modo a evitar a
repetição da ocorrência apontada pela equipe de fiscalização neste processo;
9.9. determinar à Secretaria de Macroavaliação Governamental que:
9.9.1. reclassifique o grau de confidencialidade atribuído às peças 77/9, tornando-as de caráter
público; e
9.9.2. monitore o cumprimento das medidas indicadas no subitem 9.7 desta deliberação.
9.10. enviar cópia deste acórdão à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização
do Congresso Nacional, à Secretaria do Tesouro Nacional e à Secretaria de Orçamento Federal.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0969-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes (Relatora), Bruno Dantas e
Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Marcos Bemquerer Costa, André Luís de Carvalho e Weder
de Oliveira.
61

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ACÓRDÃO Nº 970/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 018.236/2010-3
1.1. Apensos: TC 030.346/2017-7 e TC 015.292/2014-2
2. Grupo II – Classe I – Embargos de Declaração.
3. Embargantes: Wadson Nathaniel Ribeiro (CPF 033.330.476-40) e João Ghizoni (CPF
342.333.859-87).
3.1. Responsáveis: Associação João Dias de Kung-fu Desporto e Fitness (CNPJ 05.537.081/0001-
87), Gianna Lepre Perim (CPF 539.629.079-04), João Dias Ferreira (CPF 579.185.621-00), João Ghizoni
(CPF 342.333.859-87), Júlio César Monzú Filgueira (CPF 118.407.288-41), Marília Fonseca Cerqueira
(CPF 718.355.391-49), Milena Carneiro Bastos (CPF 020.200.274-88), Rafael de Aguiar Barbosa (CPF
286.988.354-49), Ronaldo Torres de Oliveira (CPF 222.915.801-59) e Wadson Nathaniel Ribeiro (CPF
033.330.476-40).
4. Unidades: Secretaria Executiva do Ministério do Esporte e Secretaria Nacional de Esporte
Educacional/ME.
5. Relatora: ministra Ana Arraes.
5.1. Relatora da deliberação recorrida: ministra Ana Arraes.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: não atuou.
8. Representação legal: Luiz Fernando de Moraes (OAB/DF 27.437) e outros representando
Wadson Nathaniel Ribeiro; Leonardo Estevam Maciel Campos Marinho (OAB/DF 23.119) e outros
representando Rafael de Aguiar Barbosa; Vinícius Nunes Gonçalves (OAB/DF 35.214) e outros
representando João Dias Ferreira; Sérgio Augusto Santana Silva (OAB/DF 25.097) representando Milena
Carneiro Bastos e Gianna Lepre Perim.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes embargos de declaração, apresentados por Wadson Nathaniel
Ribeiro e João Ghizoni contra o Acórdão 2.440/2018-Plenário.
ACORDAM os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão extraordinária do
Plenário, ante as razões expostas pela relatora, e com fundamento nos arts. 32 e 34 da Lei 8.443/1992,
em:
9.1. conhecer dos embargos de declaração e rejeitá-los;
9.2. dar ciência desta deliberação aos embargantes.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0970-14/19-P.

13. Especificação do quórum:


13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes (Relatora), Bruno Dantas e
Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Marcos Bemquerer Costa, André Luís de Carvalho e Weder
de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 971/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 004.139/2014-3
1.1. Apenso: TC 031.446/2013-2
62

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

2. Grupo I – Classe I – Recurso de Reconsideração.


3. Recorrentes: Joelina de Nazaré Pereira (CPF 209.803.532-20) e Risoneide de Lima Santana (CPF
264.323.072-87).
4. Unidade: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
5. Relatora: ministra Ana Arraes.
5.1. Relator da deliberação recorrida: ministro-substituto Marcos Bemquerer Costa.
6. Representante do Ministério Público: procurador Marinus Eduardo De Vries Marsico.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Recursos - Serur.
8. Representação legal: Jean Roberto da Silva Houat (OAB/AP 361-A) e outros representando
Risoneide de Lima Santana; Rúbia Aretuzia Pereira Oliveira (OAB/AP 1.718) representando Joelina de
Nazaré Pereira.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes recursos de reconsideração interpostos por Joelina de Nazaré
Pereira e Risoneide de Lima Santana contra o Acórdão 1.117/2018-Plenário.
ACORDAM os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão extraordinária do
Plenário, diante das razões expostas pela relatora, e com fundamento nos arts. 32, inciso I, e 33 da Lei
8.443/1992, em:
9.1. conhecer dos recursos de reconsideração interpostos por Joelina de Nazaré Pereira e Risoneide
de Lima Santana e negar-lhes provimento;
9.2. dar ciência deste acórdão às recorrentes e ao procurador-chefe da Procuradoria da República
no Estado do Amapá.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0971-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes (Relatora), Bruno Dantas e
Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 972/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 027.410/2017-0
1.1. Apenso: TC 024.140/2018-0
2. Grupo II – Classe VII – Representação.
3. Responsável: Fernando Tolentino de Sousa Vieira (CPF 027.029.915-72).
4. Unidade: Imprensa Nacional.
5. Relatora: ministra Ana Arraes.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo da Administração do Estado -
SecexAdministração.
8. Representação legal: José Vigilato da Cunha Neto (OAB/DF 1.475) e outros representando
Fernando Tolentino de Sousa Vieira.
9. Acórdão:
VISTA, relatada e discutida esta representação, formulada pela Secretaria de Controle Externo da
Administração do Estado - SecexAdministração sobre possíveis irregularidades na Imprensa Nacional
(IN).
63

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ACORDAM os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão extraordinária do


Plenário, ante as razões expostas pela relatora, e com fundamento nos arts. 235, 237, inciso VI e
parágrafo único, do Regimento Interno, 3º e 4º da Instrução Normativa TCU 71/2012, alterada pela IN
76/2016, e nos arts. 2º, 3º e 8º, inciso I, da Resolução-TCU 265/2014, em:
9.1. conhecer da representação para, no mérito, julgá-la procedente;
9.2. determinar à Imprensa Nacional que:
9.2.1. adote imediatas medidas administrativas para caracterização ou elisão do dano, observados
os princípios norteadores dos processos administrativos, com vistas à identificação dos responsáveis e
quantificação dos valores devidos pelas empresas de publicidade relativos aos serviços de publicação
prestados no período que compreende os anos de 2009 a 2014, tomando por referência o Relatório do
Grupo de Trabalho constituído por meio da Portaria IN 196/2014, sendo que, em caso de insucesso,
instaure a devida tomada de contas especial e a encaminhe a este Tribunal;
9.2.2. adote as medidas abaixo indicadas e as comunique a esta Corte de Contas, dentro do prazo de
90 (noventa) dias:
9.2.2.1. solucione, com o auxílio do Ministério da Economia e do Serviço Federal de
Processamento de Dados, as pendências pertinentes à integração do Sistema de Envio de Matérias
(INCom) a serem publicadas no Diário Oficial da União com o Sistema de Divulgação de Compras
(Sidec) relacionadas às matérias que lhe são enviadas pelos órgãos para publicação, por meio do Siasgnet,
observando as regras de validação dos dados de faturamento estabelecidas pelo INCom;
9.2.2.2. avalie, em conjunto com a Secretaria do Tesouro Nacional, a possibilidade de implementar
solução tecnológica no Siafi/INComFat com o objetivo de evitar o pagamento parcial de faturas, bem
como de possibilitar a identificação da fatura na GRU paga pelo cliente;
9.2.2.3. identifique os clientes relativos às matérias ainda não faturadas do período de fevereiro de
2013 a dezembro de 2015 e promova as respectivas cobranças;
9.2.2.4. realize o levantamento individualizado das 3.336 faturas informadas como liquidadas, e
não pagas, em auditoria realizada pela Ciset/PR no ano de 2016 (Relatório de Auditoria Especial Ciset/PR
1/2016);
9.2.2.5. realize estudo de viabilidade quanto à aplicação de correção monetária e de juros para o
caso de faturas vencidas, bem como de sanções, a exemplo da criação de regras de bloqueio de clientes
inadimplentes, via sistema, para novas solicitações de publicação no DOU, estabelecendo em norma, se
for o caso, tais procedimentos;
9.2.2.6. implemente, com o auxílio do Serviço Federal de Processamento de Dados, rede local
virtual para utilização do Siafi Extra, no sentido de que sejam executados os lançamentos de faturamento
nesse sistema;
9.2.2.7. promova, após a conclusão da integração dos sistemas INCom e Sidec, o ajuste da
diferença entre as informações constantes do Sistema de Faturamento da Imprensa Nacional (Sisfat) e os
saldos registrados no Siafi, referente às contas de Faturas a Receber (item 4.1 do Relatório de Auditoria
Operacional 1/2016), em observância aos princípios da contabilidade pública e da legislação vigente.
9.3. determinar à Secretaria de Controle Externo da Administração do Estado que monitore o
cumprimento das determinações acima expedidas;
9.4. encaminhar cópia deste acórdão à Imprensa Nacional e à Ciset/PR.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0972-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes (Relatora), Bruno Dantas e
Vital do Rêgo.
64

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,


André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 973/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 036.547/2018-2
2. Grupo II – Classe V – Relatório de Acompanhamento.
3. Interessado: Tribunal de Contas da União.
4. Unidades: Câmara dos Deputados, Conselho da Justiça Federal, Conselho Nacional de Justiça,
Defensoria Pública da União, órgãos da Justiça Eleitoral, da Justiça Federal, da Justiça Militar e da Justiça
do Trabalho, Ministério Público Federal, Presidência da República, Senado Federal, Superior Tribunal de
Justiça, Supremo Tribunal Federal, Tribunal de Contas da União e Tribunal de Justiça do Distrito Federal
e dos Territórios.
5. Relatora: ministra Ana Arraes.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Macroavaliação Governamental - Semag.
8. Representação legal: não há.

9. Acórdão:
VISTO, relatado e discutido o acompanhamento relativo ao 2º quadrimestre de 2018 do
cumprimento das determinações previstas em dispositivos legais que dispõem sobre os relatórios de
gestão fiscal;
ACORDAM os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão extraordinária do
Plenário, diante das razões expostas pela relatora, e com fundamento no art. 7º da Resolução/TCU
265/2014 e no art. 169, inciso V, do Regimento Interno, em:
9.1. considerar atendidas, pelos poderes e órgãos relacionados no art. 20 da Lei Complementar
101/2000, as exigências de publicação, disponibilização no Sistema de Informações Contábeis e Fiscais
do Setor Público Brasileiro e encaminhamento ao TCU dos relatórios de gestão fiscal referentes ao 2º
quadrimestre de 2018, definidas nos arts. 54 e 55 daquele diploma legal, no art. 5º, inciso I, da Lei
10.028/2000 (Lei de Crimes Fiscais) e no art. 136 da Lei 13.473/2017 (LDO 2018);
9.2. considerar cumpridos, pelos referidos entes, no quadrimestre avaliado, os limites prudencial e
máximo de despesa com pessoal, com a ressalva de que foram considerados como limites dos órgãos da
Justiça do Trabalho aqueles fixados no Ato Conjunto TST/CSJT 12/2015, cujo mérito ainda não foi
apreciado por este Tribunal;
9.3. considerar o nível da dívida consolidada líquida da União de 392,8% da receita corrente
líquida, relativo ao 2º quadrimestre de 2018, incompatível com o limite de 350% estabelecido pelo
Projeto de Resolução do Senado 84/2007;
9.4. considerar o nível da dívida mobiliária da União de 719,4% da receita corrente líquida,
referente ao 2º quadrimestre de 2018, incompatível com o limite de 650% estabelecido pelo Projeto de
Lei da Câmara 54/2009;
9.5. considerar atendidos os limites previstos na Resolução do Senado Federal 48/2007 para o
montante de operações de crédito contraídas e de garantias concedidas pela União;
9.6. considerar cumprida a determinação do subitem 9.4 do Acórdão 553/2017 - Plenário quanto à
publicação e ao envio ao TCU dos demonstrativos dos limites de despesa com pessoal atinentes ao 2º
quadrimestre de 2018;
9.7. dar ciência à Secretaria do Tesouro Nacional a respeito da necessidade de, doravante, atualizar
tempestivamente os saldos dos contratos garantidos, na forma dos arts. 48, caput, e 50, inciso II, da Lei
Complementar 101/2000, a fim de que os registros constantes do Siafi reflitam com fidedignidade os
saldos das garantias e das contragarantias da União e de que seja evitada a repetição de ocorrências de
diferença entre os valores registrados naquele sistema e os publicados nos relatórios de gestão fiscal;
65

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

9.8. enviar cópia desta deliberação à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e
Fiscalização do Congresso Nacional, à Secretaria do Tesouro Nacional e à Secretaria de Orçamento
Federal; e
9.9. arquivar os presentes autos.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0973-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes (Relatora), Bruno Dantas e
Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 974/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 000.373/2019-2.
2. Grupo II – Classe de Assunto: I – Embargos de declaração (Representação).
3. Recorrente: Trivale Administração Ltda. (00.604.122/0001-97).
4. Entidade: Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
5. Relator: Ministro Bruno Dantas.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Bruno Dantas.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog).
8. Representação legal: Wanderley Romano Donadel (OAB/MG 78.870) e Thales Rodrigo
Gonçalves Santos (OAB/RJ 222.288), representando Trivale Administradora Ltda.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos em que se apreciam embargos de declaração opostos por
Trivale Administradora Ltda. contra o Acórdão 269/2019-TCU-Plenário, por meio do qual foi
comunicado à Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGAS) sobre a incompatibilidade entre a
fundamentação aplicada na condenação da empresa Trivale (art. 7º da Lei 10.520/2002) e seu registro no
Sistema CEIS (art. 87, III, da Lei 8.666/1993), para correção;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. não conhecer dos embargos de declaração, por não atendidos requisitos de admissibilidade
dispostos no art. 34, § 1º, da Lei 8.443/1992;
9.2. dar ciência deste acórdão à embargante e à Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGAS).

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0974-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas (Relator) e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.
66

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ACÓRDÃO Nº 975/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 011.950/2018-8.
2. Grupo II – Classe de Assunto: V – Relatório de Auditoria
3. Interessados: Consórcio CLD-SMG (21.127.240/0001-21), composto pelas empresas CLD
Construtora, Laços Detetores e Eletrônica Ltda. (55.996.615/0001-01) e Soemeg Terraplenagem,
Pavimentação e Construções Ltda. (43.693.761/0001-89)
4. Órgãos/Entidades: Caixa Econômica Federal; Ministério do Desenvolvimento Regional;
Município de São Paulo/SP.
5. Relator: Ministro Bruno Dantas.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Fiscalização de Infraestrutura Urbana (SeinfraUrbana).
8. Representação legal: Caroline Moura Maffra (OAB/SP 293.935) e outros, representando CLD
Construtora, Laços Detetores e Eletrônica Ltda.

9. Acórdão:
VISTO, relatado e discutido este relatório de auditoria, realizada no âmbito do Fiscobras 2018, nas
obras de implantação do Corredor Leste – Aricanduva, em São Paulo/SP,
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante
as razões expostas pelo Relator, em:
9.1. determinar ao Serviço de Informação de Fiscalização de Obras Públicas (Siob) que
reclassifique:
9.1.1. de IGP para F/I os achados de sobrepreço decorrente de preços excessivos frente ao mercado
e duplicidade de serviços e de restrição à competitividade da licitação decorrente de adoção indevida de
pré-qualificação e de critérios inadequados de habilitação e julgamento, apurados nos presentes autos;
9.1.2. de IGC para F/I o achado de projeto básico deficiente e desatualizado;
9.2. comunicar à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso
Nacional que os indícios de irregularidades graves do tipo IG-P, apontados no Contrato 141/Siurb/14 e no
Edital de Pré-qualificação 3/2012-SPObras, relativo aos serviços de elaboração de projeto executivo e
execução das obras do Corredor leste - Aricanduva (São Paulo/SP), não mais se enquadram no inciso IV
do § 1º do art. 112 da Lei 13.408/2016 (LDO 2017), tendo sua classificação sido alterada para F/I (art. 2°,
inciso VII, da Resolução-TCU 280/2016), em função da rescisão do Contrato 141/Siurb/14;
9.3. com fundamento no art. 7º da Resolução TCU 265/2014, para que sejam adotadas medidas
internas com vistas à prevenção de ocorrência de outras semelhantes, dar ciência à Prefeitura Municipal
de São Paulo, à Caixa Econômica Federal e ao Ministério do Desenvolvimento Regional de que:
9.3.1. o edital da Concorrência 030120130/2012-SPObras continha cláusulas que desrespeitaram a
ampla competitividade, o que afronta o disposto no art. 3º da Lei 8.666/1993;
9.3.2. o orçamento-base da Concorrência 030120130/2012-SPObras continha preços unitários não
aderentes aos referenciais de mercado, em ofensa aos arts. 3º, 4º, 5º e 6º do Decreto 7.983/2013;
9.3.3. foram identificadas no Contrato 141/Siurb/14 e no Edital de Pré-qualificação 3/2012 as
seguintes irregularidades:
9.3.3.1. sobrepreço decorrente de preços excessivos frente ao mercado no valor global de
R$ 17.381.184,52, correspondente a 17,9% do valor total referencial e a 29,94% da amostra analisada,
identificado no orçamento do Contrato 141/Siurb/14 - Corredor Leste - Aricanduva, o que afronta o
disposto nos arts. 3º, 4º, 5º e 6º do Decreto Federal 7.983/2013;
9.3.3.2. restrição à competitividade da licitação decorrente da adoção indevida de pré-qualificação,
identificada no Edital de Pré-qualificação 3/2012 - Corredor Leste - Aricanduva, o que afronta o art. 114
da Lei 8.666/1993 e o disposto na jurisprudência do TCU (cf. Acórdãos 2.005/2007-TCU-Plenário,
2.350/2007-TCU-Plenário, 1.223/2013-TCU-Plenário e 2.028/2006-TCU-1ª Câmara);
9.3.3.3. restrição à competitividade da licitação decorrente de critérios inadequados de habilitação e
67

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

julgamento, verificados no Edital de Pré-qualificação 3/2012 - Corredor Leste - Aricanduva, os quais


afrontam o disposto nos arts. 3º e 30 da Lei 8.666/1993 e o disposto na jurisprudência do TCU (cf.
Súmulas TCU 275/2011 e 263/2011 e Acórdãos 1.636/2007, 2.359/2007, 1.237/2008, 2.150/2008,
2.882/2008, 1.733/2010, 222/2013, 1.023/2013, 1.223/2013, 1.998/2013, 2.373/2013, 602/2015 e
1.252/2016, todos do Plenário), sobretudo no que concerne à:
9.3.3.3.1. vedação a que uma mesma empresa seja contratada para mais de um empreendimento;
9.3.3.3.2. restrição à funcionalidade de obra nas exigências de habilitação técnico-operacional;
9.3.3.3.3. limitação de atestados para atender as exigências de habilitação técnico-operacional para
contratos únicos ou simultâneos;
9.3.3.3.4. utilização de critérios subjetivos de avaliação de metodologia de execução;
9.3.4. foram identificadas deficiências no projeto básico da obra, violando o art. 6º, inciso IX, da
Lei 8.666/1993;
9.4. dar ciência ao Ministério do Desenvolvimento Regional, com fundamento no art. 7º da
Resolução TCU 265/2014, de que a seleção do empreendimento (obras do Corredor de Ônibus Leste
Aricanduva) pela pasta ministerial para receber aportes de recursos federais não foi realizada com a
sustentação técnica necessária, tendo sido formalizada sem o atendimento a critérios mínimos de
enquadramento e em desrespeito à exigência de motivação;
9.5. encaminhar cópia desta deliberação ao Ministério do Desenvolvimento Regional, à Caixa
Econômica Federal, ao município de São Paulo/SP e ao Consórcio CLD-SMG.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0975-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas (Relator) e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 976/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 015.268/2018-7.
2. Grupo II – Classe de Assunto: I – Embargos de declaração (Relatório de Acompanhamento).
3. Recorrente: Departamento Nacional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(Senai/DN).
4. Órgãos/Entidades: Congresso Nacional (vinculador); Conselho Federal da Ordem dos Músicos
do Brasil; Conselho Federal de Administração; Conselho Federal de Biblioteconomia; Conselho Federal
de Biologia; Conselho Federal de Biomedicina; Conselho Federal de Contabilidade; Conselho Federal de
Corretores de Imóveis; Conselho Federal de Economia; Conselho Federal de Economistas Domésticos;
Conselho Federal de Educação Física; Conselho Federal de Enfermagem; Conselho Federal de
Engenharia e Agronomia; Conselho Federal de Estatística; Conselho Federal de Farmácia; Conselho
Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional; Conselho Federal de Fonoaudiologia; Conselho Federal de
Medicina; Conselho Federal de Medicina Veterinária; Conselho Federal de Museologia; Conselho
Federal de Nutricionistas; Conselho Federal de Odontologia; Conselho Federal de Psicologia; Conselho
Federal de Química; Conselho Federal de Relações Públicas; Conselho Federal de Representantes
Comerciais; Conselho Federal de Serviço Social; Conselho Nacional do Ministério Público; Defensoria
Pública da União (vinculadora); Ministério Público da União (vinculador); Presidência da República
(vinculador); Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo - Unidade Nacional; Serviço Social
da Indústria - Conselho Nacional; Serviço Social da Indústria - Departamento Nacional; Serviço Social do
68

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Comércio - Administração Nacional; Serviço Social do Transporte - Conselho Nacional; Supremo


Tribunal Federal (vinculador); Tribunal de Contas da União (vinculador).
5. Relator: Ministro Bruno Dantas.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Bruno Dantas.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo da Administração do Estado (SecexAdmin).
8. Representação legal: Hannah Beatrice Pereira Bezerra e outros, representando Serviço Social da
Indústria – Departamento Nacional e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Senai.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes embargos de declaração opostos pelo Departamento Nacional
do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/DN) contra o Acórdão 2699/2018 – Plenário,
proferido nos autos de relatório de acompanhamento, realizado para analisar a capacidade de governança
e gestão de órgãos da Administração Pública Federal em 2018;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ante os
motivos expostos pelo Relator, em:
9.1. conhecer e acolher parcialmente os embargos de declaração, com fulcro nos arts. 32, II, e 34 da
Lei 8.443/1992, estendendo seus efeitos para o Serviço Social da Indústria - Departamento Nacional
(Sesi/DN);
9.2. tornar nulos os itens 9.1. e 9.2. do Acórdão 2699/2018 – Plenário;
9.3. esclarecer ao embargante e ao Serviço Social da Indústria - Departamento Nacional (Sesi/DN)
que:
9.3.1. os levantamentos e acompanhamentos realizados por este Tribunal acerca de governança e
gestão podem ter como destinatários tanto órgãos e entidades da Administração Pública Federal, como
pessoas jurídicas de direito privado que gerenciem recursos públicos federais;
9.3.2. as requisições de documentos e informações desta Corte, ainda que realizadas no âmbito de
processos de levantamento ou acompanhamento, são cogentes, por força dos art. 42 e 87 do Lei
8.443/1992;
9.4. determinar à Secretaria de Controle Externo de Administração do Estado (SecexAdministração)
que realize, no prazo de trinta dias, a contar deste acórdão, as seguintes retificações:
9.4.1. no FAQ do TCU sobre o Levantamento Integrado de Governança Organizacional Pública,
disponível no portal eletrônico do TCU, na pergunta “1”, onde consta “organizações públicas federais”,
passe a constar “organizações públicas federais e outros entes jurisdicionados do TCU”;
9.4.2. em outros documentos elaborados nas fiscalizações sobre governança e gestão (orientações,
ofícios etc.), onde constar “Administração Pública Federal” ou “organizações públicas federais”,
acrescentar “e outros entes jurisdicionados do TCU”;
9.5. dar ciência deste acórdão ao embargante e ao Serviço Social da Indústria - Departamento
Nacional (Sesi/DN).

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0976-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas (Relator) e Vital
do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 977/2019 – TCU – Plenário


69

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

1. Processo nº TC 008.498/2019-9.
2. Grupo I – Classe de Assunto: VII – Administrativo.
3. Interessados: não há.
4. Órgão: Tribunal de Contas da União.
5. Relator: Ministro Vital do Rêgo.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo da Administração Pública Indireta no Estado do
Rio de Janeiro (SecexEstatais).
8. Representação legal: não há.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de processo administrativo que tem por finalidade
subsidiar a instrução do TC 004.980/2017-4, que trata de representação formulada pelo Procurador junto
ao TCU, Marinus Eduardo de Vries Marsico, acerca da legalidade da aplicação do teto remuneratório
constitucional, de que trata o inciso XI e o § 9° do art. 37 da Constituição Federal, aos empregados
públicos e dirigentes do BNDES;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão de Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. requisitar, com base no art. 101 da Lei 8.443/1992, c/c o art. 297 do Regimento Interno do
TCU, servidor do Banco Central do Brasil, especialista na área de contabilidade bancária, lotado em
repartição daquele Banco situada na cidade do Rio de Janeiro/RJ, para a prestação de serviços técnicos
especializados, sem quaisquer ônus para o TCU, a ser executado no prazo máximo de vinte dias úteis;
9.2. determinar que a execução da auditoria financeira realizada com vistas a subsidiar a instrução
do TC 004.980/2017-4 conte, também, com a participação de auditores lotados na Secretaria da
Macroavaliação Governamental (Semag) e na Secretaria de Controle Externo da Fazenda Nacional
(SecexFazenda);
9.3. apensar os presentes autos ao TC 004.980/2017-4;
9.4. arquivar o presente processo, nos termos do disposto no art. 169, incisos I e V, do RITCU.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0977-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo
(Relator).
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 978/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 019.735/2017-0.
1.1. Apenso: 017.317/2018-5.
2. Grupo II – Classe de Assunto: I - Embargos de Declaração (Relatório de Auditoria).
3. Embargante: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).
4. Entidade: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).
5. Relator: Ministro Vital do Rêgo.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Vital do Rêgo.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
70

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

7. Unidade Técnica: não atuou.


8. Representação legal: Herbert Milhomens de Vasconcelos (OAB/DF 29.585); Marcos Antônio
Tavares Martins (OAB/DF 18.508) e outros.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de embargos de declaração opostos pela Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), em face do Acórdão 2.768/2018-TCU-Plenário;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão de Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1 conhecer, com fundamento no art. 34, caput e § 1º, da Lei 8.443/1992, os embargos de
declaração opostos pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) para, no mérito, dar-lhes
provimento parcial e conferir nova redação a subitens do item 9.1 do Acórdão 2.768/2018-TCU-Plenário,
nos seguintes termos:
9.1 determinar, nos termos do art. 250, inciso II, do RITCU, à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(ECT) que:
(...)
9.1.2. adote, no prazo de até 180 (cento e oitenta) dias, a contar da ciência desta deliberação, os
procedimentos necessários para que seus normativos internos passem a compreender a obrigatoriedade de
evidenciação expressa da motivação de cada patrocínio firmado, espelhando os critérios de seleção fixados
normativamente pela entidade, orientados para os objetivos institucionais de comunicação previamente
estabelecido, com vistas a promover a objetividade e a impessoalidade nos referidos processos seletivos;
9.1.3 precifique, no prazo de até 180 (cento e oitenta) dias, a contar da ciência desta deliberação, suas ações
futuras de patrocínio com base na expectativa de atingimento dos objetivos de comunicação mensuráveis e
previamente definidos, conforme o que prescreve o art. 25, §1º, c/c o art. 2º, inciso II, e art. 4º, inciso XI, da
IN-Secom/PR 9/2014 e de acordo com os limites estabelecidos no art. 93 da Lei 13.303/2016, de modo a conter
elementos objetivos que fundamentem a decisão do patrocinador pelo montante a ser aplicado;
9.1.4. adote, no prazo de até 180 (cento e oitenta) dias, a contar da ciência desta deliberação, as medidas
necessárias para que os mecanismos de mensuração de retorno dos patrocínios concedidos pela instituição
permitam aferir a relação custo-benefício resultante de cada ação, tendo em vista os valores por ela empregados,
em conformidade com o art. 34, inciso V, da IN Secom 9, de 19/12/2014;
(...)
9.1.6. formalize, no prazo de até 180 (cento e oitenta) dias, a contar da ciência desta deliberação, todos os
processos de concessão de benefícios (ingressos e pacotes de viagens) em razão da celebração de contratos de
patrocínios esportivos, incluindo todas as decisões atinentes a essas concessões, em homenagem à transparência e
de modo a demonstrar os critérios utilizados para definir os destinatários de tais benefícios, a motivação e a
vantagem institucional para cada concessão;
9.1.7. adote, no prazo de até 180 (cento e oitenta) dias, a contar da ciência desta deliberação, providências
com vistas à divulgação, em seu sítio na internet, da celebração de contratos de patrocínio esportivo, explicitando,
exceto no que se refere a informações protegidas por sigilo comercial, (a) as razões da escolha do patrocinado, em
atendimento aos princípios e diretrizes previstos no art. 4º, caput, inciso I, e art. 5º, inciso I, da IN-Secom/PR
9/2014, c/c o art. 50 da Lei 9.784/1999 e o art. 3º, inciso I, da Lei 12.527/2011; (b) a expectativa de atingimento
dos objetivos de comunicação associada ao valor estipulado para a ação de comunicação, em atendimento aos
princípios e diretrizes previstos no art. 4º, caput, inciso XI, da IN-Secom/PR 9/2014, c/c o art. 3º, inciso I, da Lei
12.527/2011; e (c) os resultados alcançados com a iniciativa, em atendimento aos princípios e diretrizes previstos
no art. 4º, caput, inciso XI, e art. 5º, inciso I, da IN-Secom/PR 9/2014, c/c o art. 3º, inciso I, da Lei 12.527/2011;
9.2. de ofício, alterar a redação da determinação contida no subitem 9.1.5 do Acórdão 2.768/2018-
TCU-Plenário para o seguinte:
9.1.5. aprofunde os exames realizados nos contratos de patrocínio firmados no caso da existência de
problemas observados por ocasião da fiscalização por amostragem e implemente mecanismos adicionais de
controle que garantam a adequada execução dos ajustes e o cumprimento de todas as cláusulas contratuais, em
cumprimento ao art. 31 da IN Secom/PR 9/2014;
9.3 dar ciência desta deliberação à recorrente.
71

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0978-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo
(Relator).
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 979/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 023.796/2015-4.
1.1. Apensos: 021.521/2017-4; 021.520/2017-8.
2. Grupo I – Classe de Assunto: I - Recurso de Reconsideração (Tomada de Contas Especial).
3. Recorrente: João Dilmar da Silva (041.258.433-68).
4. Entidade: Município de Limoeiro do Norte/CE.
5. Relator: Ministro Vital do Rêgo.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro-Substituto Marcos Bemquerer Costa.
6. Representante do Ministério Público: Subprocurador-Geral Lucas Rocha Furtado.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Recursos (Serur).
8. Representação legal:

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos, que nesta fase cuidam de recurso de reconsideração
interposto por João Dilmar da Silva em face do Acórdão 561/2016-TCU-Plenário;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União reunidos em Sessão Plenária, ante as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. conhecer do recurso de reconsideração interposto por João Dilmar da Silva contra o
Acórdão 561/2016-TCU-Plenário, para, no mérito, negar-lhe provimento; e
9.2. dar ciência desta deliberação ao recorrente, ao órgão concedente dos recursos e à Procuradoria
da República no Estado do Ceará.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0979-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo (Relator).
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 980/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 024.246/2016-6.
2. Grupo I – Classe de Assunto: I - Recurso de reconsideração (Tomada de Contas Especial).
3. Recorrentes: Talento Produções Ltda. - ME (10.344.060/0001-85); José Diogo Drumond Neto
(844.542.026-72).
4. Entidade: Município de Teixeiras/MG.
5. Relator: Ministro Vital do Rêgo.
72

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Walton Alencar Rodrigues.


6. Representante do Ministério Público: Subprocurador-Geral Lucas Rocha Furtado.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Recursos (Serur).
8. Representação legal: Vinícius Ibrahim Silva (OAB/MG 99.416); Cláudio Lúcio Drumond
(OAB/MG 93.386), outros.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes recursos de reconsideração interpostos por José Diogo
Drumond Neto e Talento Produções Ltda., em face do Acórdão 368/2018-TCU-Plenário;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator, com fundamento nos arts. 34 da Lei 8.443/1992 e 287, § 1º, do Regimento
Interno do TCU em:
9.1. conhecer dos recursos interpostos por José Diogo Drumond Neto e Talento Produções Ltda. –
ME, para, no mérito, negar-lhes provimento; e
9.2. dar ciência desta decisão aos recorrentes e aos interessados.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0980-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo (Relator).
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 981/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 033.318/2016-6.
2. Grupo I – Classe de Assunto: V – Relatório de auditoria.
3. Interessados: Congresso Nacional; Geosistemas Engenharia e Planejamento Ltda.
(70.073.275/0001-30); Ivai Engenharia de Obras Sociedade Anônima (76.592.542/0001-62).
4. Entidades: Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
5. Relator: Ministro Vital do Rêgo.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Fiscalização de Infraestrutura Rodoviária e de Aviação Civil
(SeinfraRodoviaAviação).
8. Representação legal: Igor Fellipe Araujo de Sousa (OAB/DF 41.605) e outros, representando Ivaí
Engenharia de Obras Sociedade Anônima; Paulo Aristóteles Amador de Sousa, representando Dnit.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de auditoria realizada no Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes (Dnit), no âmbito do Fiscobras 2017, que teve por escopo as obras de
adequação da BR-304/RN – Reta Tabajara;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão Plenária, antes as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. alterar a medida cautelar adotada por meio do Acórdão 1.843/2017-TCU-Plenário, para
determinar ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT que mantenha suspensa
apenas a execução dos serviços de pavimentação das vias marginais da BR-304/RN - Contrato
TT 939/2015-00, até que seja comprovada a viabilidade técnica e econômica da estrutura do pavimento
73

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

projetada das referidas vias marginais, tendo em vista os apontamentos contidos no relatório que integra a
presente deliberação;
9.1.1. promover a oitiva do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, com fulcro no
§ 3º do art. 276 do Regimento Interno do Tribunal de Contas da União, para que se manifeste, se assim
desejar, no prazo de 15 dias, acerca dos pressupostos que ensejaram a manutenção da cautelar de que trata
o subitem anterior;
9.2. determinar a oitiva do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, com fulcro
no art. 250, inciso V, do Regimento Interno do Tribunal de Contas da União, para que, no prazo de 15
dias, apresente sua manifestação acerca dos indícios de superestimativa nos quantitativos de serviços de
terraplenagem relativos à 2ª Revisão de Projeto em Fase de Obras – Contrato TT 939/2015-00, em razão
das seguintes constatações:
9.2.1. inclusão de quantitativos de serviços referentes a reconstituição de aterros deteriorados
durante a paralisação das obras, deixando de considerar que houve avanço desproporcional das frentes de
serviços de terraplenagem em relação aos serviços de pavimentação, situação contrária à jurisprudência
desta Corte de Contas em relação ao tema;
9.2.2. terem sido considerados os serviços de escavação, carga e transporte do material proveniente
da limpeza superficial, bem como sua compactação, como item passível de medição, contrariando o
disposto na Norma DNIT 104/2009-ES e no Manual de Implantação Básica de Rodovia – Publicação
IPR/DNIT 742/2010, p. 594;
9.2.3. ter sido desconsiderada a possibilidade de utilizar o solo destinado a bota-fora como
alargamento do corpo estradal ou como bermas, contrariando o disposto no Manual de Implantação
Básica de Rodovia (IPR/DNIT 742/2010, p. 598);
9.2.4. não terem sido expurgados dos quantitativos de terraplenagem os volumes decorrentes da
correção de erros de cálculos supostamente presentes em versão anterior do projeto, deixando de
apresentar a respectiva documentação comprobatória, nos termos da IS-209 – Projeto de Terraplenagem,
constante das Diretrizes Básicas Para Elaboração de Estudos e Projetos Rodoviários – IPR/DNIT2005, p.
298; e
9.2.5. distribuição de massas antieconômica, em virtude da desconsideração de caixas de
empréstimos localizadas ao longo do segmento, acrescendo indevidamente as distâncias médias de
transporte, em discordância com o disposto no Manual de Implantação Básica de Rodovia (IPR/DNIT
742/2010, p. 205).

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0981-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo (Relator).
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 982/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC-010.334/2017-3.
2. Grupo: II – Classe: I – Assunto: Embargos de declaração (tomada de contas especial).
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
3.1. Responsáveis: Adilson Florencio da Costa (359.351.621-72); Alexej Predtechensky
(001.342.968-00); José Carlos Rodrigues Sousa (184.722.491-15); Monica Christina Caldeira Nunes
(313.855.241-20); Ricardo Oliveira Azevedo (471.567.401-72)
74

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

3.2. Recorrentes: Alexej Predtechensky (001.342.968-00); Adilson Florencio da Costa


(359.351.621-72); José Carlos Rodrigues Sousa (184.722.491-15); Ricardo Oliveira Azevedo
(471.567.401-72); Monica Christina Caldeira Nunes (313.855.241-20).
4. Órgão/Entidade/Unidade: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos; Superintendência
Nacional de Previdência Complementar.
5. Relator: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti.
6. Representante do Ministério Público: Subprocurador-Geral Paulo Soares Bugarin.
7. Unidade técnica: Secretaria de Controle Externo da Previdência e da Assistência Social
(SecexPrevi).
8. Representação legal: Guilherme Loureiro Perocco (OAB/DF 21.311) e outros.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de embargos de declaração opostos por Alexej
Predtechensky, Adilson Florêncio da Costa, Ricardo Oliveira Azevedo, José Carlos Rodrigues Souza,
Mônica Christina Caldeira Nunes e João Carlos Penna Esteves em face do Acórdão 2.883/2018-TCU-
Plenário,
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário e diante
das razões expostas pelo Relator, em:
9.1. conhecer dos presentes embargos de declaração por atenderem aos requisitos de admissão
dispostos nos arts. 32, inciso II, e 34 da Lei 8.443/1992 para, no mérito, rejeitá-los; e
9.2. notificar os embargantes da presente decisão.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0982-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti (Relator), Marcos Bemquerer
Costa, André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 983/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC-012.230/2016-2
1.1. Apenso: TC-005.521/2017-3.
2. Grupo: II – Classe: I – Assunto: Embargos de declaração (Relatório de Auditoria).
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
3.1. Responsáveis: Adilson Florencio da Costa (359.351.621-72); Alexej Predtechensky
(001.342.968-00); André Luis Carvalho da Motta e Silva (993.006.567-91); Antonio Carlos Conquista
(010.852.708-58); Bny Mellon Servicos Financeiros Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
(02.201.501/0001-61); Ernani de Souza Coelho (404.247.317-20); Guilherme Campos Junior
(048.890.978-30); José Carlos Rodrigues Sousa (184.722.491-15); José Roberto Ferreira (382.925.136-
04); João Carlos Penna Esteves (453.536.546-68); Julio Vicente Lopes (058.304.868-49); Marcos
Antonio da Silva Costa (411.927.537-04); Monica Christina Caldeira Nunes (313.855.241-20); Reginaldo
Chaves de Alcântara (307.353.514-49); Ricardo Oliveira Azevedo (471.567.401-72); Rogério Ferreira
Ubine (138.567.678-78); Tania Regina Teixeira Munari (589.767.879-00)
3.2. Recorrentes: Alexej Predtechensky (001.342.968-00); Adilson Florencio da Costa
(359.351.621-72); José Carlos Rodrigues Sousa (184.722.491-15); João Carlos Penna Esteves
(453.536.546-68); Monica Christina Caldeira Nunes (313.855.241-20); Ricardo Oliveira Azevedo
75

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

(471.567.401-72).
4. Órgão/Entidade/Unidade: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos; Superintendência
Nacional de Previdência Complementar.
5. Relator: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade técnica: Secretaria de Controle Externo da Previdência e da Assistência Social
(SecexPrevi).
8. Representação legal: Guilherme Loureiro Perocco (OAB/DF 21.311) e outros.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de embargos de declaração opostos por Alexej
Predtechensky, Adilson Florêncio da Costa, Ricardo Oliveira Azevedo, José Carlos Rodrigues Souza,
Mônica Christina Caldeira Nunes e João Carlos Penna Esteves em face do Acórdão 2.860/2018-TCU-
Plenário,
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário e diante
das razões expostas pelo Relator, em:
9.1. conhecer dos presentes embargos de declaração por atenderem aos requisitos de admissão
dispostos nos arts. 32, inciso II, e 34 da Lei 8.443/1992 para, no mérito, rejeitá-los; e
9.2. notificar os embargantes da presente decisão.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0983-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti (Relator), Marcos Bemquerer
Costa, André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 984/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC-013.471/2014-7
2. Grupo: II – Classe: I – Assunto: Embargos de declaração (Denúncia).
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
3.1. Interessado: Identidade preservada (art. 55, caput, da Lei 8.443/1992).
3.2. Responsável: Identidade preservada (art. 55, caput, da Lei 8.443/1992).
3.3. Recorrente: Identidade preservada (art. 55, caput, da Lei 8.443/1992).
4. Órgão/Entidade/Unidade: Conselho Regional de Representantes Comerciais do Estado do Paraná.
5. Relator: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade técnica: Secretaria do TCU no Estado do Paraná (Sec-PR).
8. Representação legal:
8.1. Willian Tomasi Perin (50773/OAB/PR) e outros, representando Conselho Regional de
Representantes Comerciais do Estado do Paraná.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos, originalmente, de Denúncia acerca de possíveis
irregularidades que estariam ocorrendo no âmbito do Conselho Regional dos Representantes Comerciais
76

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

do Paraná (Core/PR), relativas a diversas áreas administrativas da autarquia, nesta oportunidade


apreciando-se Embargos de Declaração opostos em face do Acórdão 3.066/2018-Plenário (peça 38),
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. conhecer dos Embargos de Declaração interpostos pelo Conselho Regional dos Representantes
Comerciais do Paraná (Core/PR), para, no mérito, rejeitá-los; e
9.2. dar ciência ao embargante.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0984-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti (Relator), Marcos Bemquerer
Costa, André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 985/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 021.281/2017-3.
2. Grupo I – Classe de Assunto: VII – Denúncia
3. Interessados/Responsáveis:
3.1. Interessado: Identidade preservada (art. 55, caput, da Lei n. 8.443/1992)
3.2. Responsável: Marcus Vinícius Romano Áthila (672.672.707-00).
4. Órgão/Entidade: Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro.
5. Relator: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria do TCU no Estado do Rio de Janeiro – Sec-RJ.
8. Representação legal: não há

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de denúncia formulada em face de possível
irregularidade praticada pelo Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro (CRF-RJ), na
contratação de empresa para a realização do 8º Congresso Riopharma, ocorrido no período de 15 a
17/10/2015, sem que se tivesse adotado o devido processo licitatório, em afronta à Lei 8.666/1993,
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão de Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. conhecer da denúncia, satisfeitos os requisitos de admissibilidade previstos nos arts. 53 da Lei
8.443/1992, 234 e 235, do Regimento Interno/TCU, e no art. 103, § 1º, da Resolução - TCU 259/2014,
para, no mérito, considerá-la parcialmente procedente;
9.2. rejeitar parcialmente as razões de justificativa apresentadas pelo responsável, Sr. Marcus
Vinicius Romano Áthila, então Presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de
Janeiro (CRF-RJ), e aplicar-lhe a multa prevista no art. 58, II, da Lei 8.443/1992, no valor de R$
10.000,00 (dez mil reais), fixando-lhe o prazo de 15 (quinze) dias, a contar da notificação, para que
comprove, perante o Tribunal (art. 214, inciso III, alínea “a”, do Regimento Interno/TCU), o
recolhimento da dívida ao Tesouro Nacional, atualizada monetariamente desde a data deste acórdão até a
do efetivo recolhimento, se for paga após o vencimento, na forma da legislação em vigor;
9.3. autorizar, desde logo, nos termos do art. 28, inciso II, da Lei 8.443/1992, a cobrança judicial da,
dívida caso, não atendida a notificação;
9.4. dar ciência ao Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro (CRF/RJ) de que a
77

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ausência ou fragilidade dos controles internos administrativos inerentes ao desenvolvimento dos


processos licitatórios, bem como à avaliação, acompanhamento e fiscalização da celebração e execução
físico-financeira de contratos e convênios, além de expor a unidade a riscos elevados de fraudes, desvios,
desfalques, malversação de recursos e de apropriação indébita de dinheiro público, poderá configurar a
inobservância ao atual disciplinamento contido na Lei 8.666/1993 e Decreto 5.450/2005;
9.5. dar ciência deste acórdão ao Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro
(CRF-RJ) e ao denunciante;
9.6. retirar o sigilo que recai sobre a matéria tratada nestes autos.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0985-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti (Relator), Marcos Bemquerer
Costa, André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 986/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC-002.695/2013-8.
2. Grupo: II – Classe de Assunto: V – Relatório de Auditoria.
3. Responsáveis: Maria do Carmo de Alcântara Silva (425.026.833-00), Edimar da Silva
(487.609.863-87), André Luiz Mendonça Bastos (651.855.105-44), Nadjany Gomes de Sousa
(056.405.834-36), Pedro Coelho Amaro Junior (952.828.901-00), Flaviane Nogueira Mota (713.184.021-
15), Maria Edinalva Teixeira da Silva Veras (924.770.621-15), Renato Silva Monteiro (412.098.343-91),
Poliene Queiroz do Nascimento (011.860.361-25), Manoel Evandro de Araújo Sousa (766.641.471-49),
Paulo Esse da Silva Ramos (801.704.801-78), Damon Coelho Lima (466.003.296-53), N.A. Construções
Eireli (05.140.429/0001-06), Construtora Reis Assunção Ltda. (10.699.930/0001-39), A.P.S. Engenharia
Ltda. (11.170.601/0001-69), A. J. Messias (05.660.284/0001-66), Elisângela Rocha Araújo
(13.178.525/0001-63), Soloágua Construções e Empreendimentos Ltda. (04.815.675/0001-40), Locagyn
Máquinas e Equipamentos Ltda. (01.570.529/0001-03), Inpal Indústria e Comércio de Peças Agrícolas
Ltda. (07.246.118/0001-43), H.B. Construções Ltda. (09.072.438/0001-50), J.O. Posto de Combustíveis
Ltda. (10.826.902/0001-35), Autogiro Peças e Serviços Ltda. (02.695.358/0001-01), e Panificadora
Shalon Ltda. (06.151.216/0001-34).
4. Entidade: Município de Augustinópolis/TO.
5. Relator: Ministro-Substituto Marcos Bemquerer Costa.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria do TCU no Estado do Tocantins – SEC-TO.
8. Representação legal: Renato Silva Monteiro (sem OAB); Regis Antônio Caetano (OAB/TO
1.863); José Gabriel de Castro (sem OAB); Sarah Jamel Matrak (OAB/GO 23.637); Soraya Jamel Matrak
(OAB/GO 25.777); Sérgio Barros de Souza (OAB/TO 748); Luiz Armando Carneiro Veras (OAB/TO
5.057); David Antônio Queiroz Daúde (OAB/TO 7.207); Fernando Eduardo Marchesini (OAB/TO
2.188); José Antonio Silva Pereira (OAB/MA 5.797); Denis Martinelli Júnior (OAB/MA 13.258); Juliana
de Meneses Silva Pereira (OAB/MA 13.196); Edson Borba Manoel (OAB/MA 13.617); Gustavo
Henrique Chaves Messias (OAB/MA 13.588); Reginaldo Cruz de Oliveira Júnior (OAB/MA 13.227);
Eduardo Antônio Almeida Andrade (sem OAB); Reginaldo Gomes Freitas (OAB/TO 7514-B); Ricardo
Alexandre Guimarães (OAB/TO 2.100-B); Auridéia Pereira Loiola (OAB/TO 2.266).

9. Acórdão:
78

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

VISTOS, relatados e discutidos estes autos do Relatório de Auditoria, em fase de exame dos
elementos de defesa dos responsáveis, nos termos do Acórdão 10.041/2015 – 2ª Câmara, que apreciou a
fiscalização realizada pela então Secex/TO, com a finalidade de avaliar a gestão dos recursos públicos
federais repassados ao Município de Augustinópolis/TO, nos exercícios de 2011 e 2012, por meio de
transferências voluntárias e de fundo a fundo.
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão Extraordinária do
Plenário, ante as razões expostas pelo Relator, em:
9.1. aplicar individualmente aos responsáveis a seguir indicados a multa prevista no art. 58, inciso
II, da Lei 8.443/1992, nos valores adiante consignados, fixando-lhes o prazo de 15 (quinze) dias, a contar
do recebimento das notificações, para que comprovem, perante o Tribunal, o recolhimento das dívidas ao
Tesouro Nacional (art. 214, inciso III, alínea a, do Regimento Interno/TCU), atualizadas monetariamente
desde a data deste Acórdão até a data do efetivo recolhimento, se forem pagas após o vencimento, na
forma da legislação em vigor:
Responsável Valor (R$)
Maria do Carmo de Alcântara Silva 30.000,00
Nadjany Gomes de Sousa 15.000,00
Manoel Evandro de Araújo Sousa 15.000,00
Renato Silva Monteiro 10.000,00
Maria Edinalva Teixeira da Silva Veras 3.500,00
Flaviane Nogueira Mota 5.000,00
Poliene Queiroz do Nascimento 3.500,00
Paulo Esse da Silva Ramos 3.500,00
Pedro Coelho Amaro Junior 5.000,00
Damon Coelho Lima 10.000,00
Edimar da Silva 10.000,00
André Luiz Mendonça Bastos 10.000,00
9.2. autorizar, caso requerido, nos termos do art. 26 da Lei 8.443/1992 c/c o art. 217 do Regimento
Interno/TCU, o parcelamento das dívidas em até 36 (trinta e seis) parcelas mensais e sucessivas, sobre as
quais incidirão os correspondentes acréscimos legais (multa: atualização monetária), esclarecendo aos
responsáveis que a falta de pagamento de qualquer parcela importará no vencimento antecipado do saldo
devedor, sem prejuízo das demais medidas legais;
9.3. autorizar, desde logo, com base no art. 28, inciso II, da Lei 8.443/1992, a cobrança judicial das
dívidas, caso não atendidas as notificações;
9.4. determinar à Sec/TO, ou à unidade técnica que vier a assumir as atividades de controle externo,
com base no art. 43 da Resolução/TCU 259/2014, que constitua processo apartado de natureza de tomada
de contas especial para apuração da sobreposição dos objetos do Contrato de Repasse 373.342-0/2011 e
do Convênio 26/2004, ambos firmados com o Município de Augustinópolis/TO e financiados com
recursos públicos federais, bem como para a identificação dos responsáveis e a quantificação do dano,
devendo ainda ser tratada no referido apartado a questão abordada no subitem 9.4.1.23 do Acórdão
10.041/2015 – 2ª Câmara.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0986-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa
(Relator), André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 987/2019 – TCU – Plenário


79

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

1. Processo 043.183/2018-2.
2. Grupo: II; Classe de Assunto: VII – Representação.
3. Interessada: Daten Tecnologia Ltda. (04.602.789/0001-01).
4. Unidade Jurisdicionada: Comando de Aquisições Específicas – CAE (antigo Grupamento de
Apoio do Rio de Janeiro).
5. Relator: Ministro-Substituto Marcos Bemquerer Costa.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidades Técnicas: Sec/RJ e Sefti.
8. Representação legal: Christiann Nogueira Genú Leão (OAB/RJ 102.837); Cláudio Renato do
Canto Farág (OAB/DF 14.005 e OAB/SP 389.410); Felipe Teixeira Vieira (OAB/DF 31.718), Peterson
de Jesus Ferreira (OAB/DF 30.946).

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos em que se trata da Representação formulada pela Daten
Tecnologia Ltda. acerca de possíveis irregularidades ocorridas no Pregão Eletrônico 127/2018, sistema de
registro de preço, do tipo menor preço, conduzido pelo então Grupamento de Apoio do Rio de Janeiro – Gal
do Comando da Aeronáutica, atualmente denominado de Comando de Aquisições Específicas – CAE, para a
aquisição de equipamentos de Tecnologia da Informação – TI visando à padronização dos equipamentos da
Força Aérea Brasileira.
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão Extraordinária do
Plenário, ante as razões expostas pelo Relator, em:
9.1. conhecer da Representação, satisfeitos os requisitos de admissibilidade previstos nos arts. 237,
inciso VII, e 235 do RI/TCU, para, no mérito, considerá-la prejudicada, por perda de objeto, tendo em
vista a revogação do Pregão Eletrônico 127/2018;
9.2. determinar à Sec/RJ que encaminhe cópia das peças 116, 150 e 154, todas destes autos, ao CAE; e
9.3. arquivar o presente processo.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0987-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa
(Relator), André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 988/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 014.148/2014-5.
2. Grupo II – Classe IV – Assunto: Tomada de Contas Especial.
3. Responsáveis: Antônio Joab Cavalcante de Albuquerque (CPF 977.012.703-53); Carlos Nunes
Dourado (CPF 371.600.603-34); Construtora C&A Ltda. – Compact Construções e Projetos Ltda. (CNPJ
08.222.396/0001-23); Construtora Costa Machado Ltda. (CNPJ 09.392.304/0001-16); Daniely Silva de
Souza (CPF 811.707.343-91); Décio Paulo Bonilha Munhoz (CPF 310.971.540-68); Fábio Cavalcante de
Albuquerque (CPF 846.805.983-87); Fabrício Falcão Lopes (CPF 907.852.583-53); Francisca Silva
Rodrigues (CPF 468.359.703-91); Giane Santos Almeida (CPF 004.608.563-75); Jayme Renan Machado
Costa (CPF 005.297.133-30); Jean Arruda Nunes (CPF 107.349.088-22); Joaquim Ciriaco Ramires (CPF
116.554.453-91); Joaquim Nunes Dourado (CPF 074.770.151-20); José Airton de Lima (CPF
073.146.801-59); José Cláudio de Castro Lima (CPF 390.594.803-68); Margarida de Alacoc Diniz
80

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Dourado (CPF 285.787.913-04); Nunes & Cia. Ltda. (CNPJ 06.019.939/0001-84); Raysa Mara Machado
Costa (CPF 005.297.163-56); Walmir Queiroz Sampaio Junior (CPF 683.539.363-72).
4. Entidade: Município de Cascavel – CE.
5. Relator: Ministro-Substituto André Luís de Carvalho.
6. Representante do Ministério Público: Procurador Sergio Ricardo Costa Caribé e Procuradora-
Geral Cristina Machado da Costa e Silva (manifestação oral)
7. Unidade Técnica: Secretaria do TCU no Estado do Ceará (Sec-CE).
8. Representação legal:
8.1. Francisco Artur de Souza Munhoz (18458/OAB-CE), entre outros, representando Décio Paulo
Bonilha Munhoz;
8.2. Antônio Flávio Pedrosa Holanda (37125/OAB-CE), entre outros, representando Fabrício Falcão
Lopes;
8.3. Marcelo Cordeiro de Castro (19194/OAB-CE), representando a Construtora Costa Machado
Ltda.;
8.4. Alanna Castelo Branco Alencar (6854/OAB-CE), entre outros, representando José Airton de
Lima, Décio Paulo Bonilha Munhoz, Daniely Silva de Souza, José Cláudio de Castro Lima, Francisca
Silva Rodrigues, Jean Arruda Nunes e Giane Santos Almeida.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de tomada de contas especial autuada como apartado ao
TC 015.160/2012-2 por força dos Acórdãos 1.298/2014 e 1.510/2014, do Plenário do TCU, com vistas a
apurar os indícios de fraude na aplicação dos recursos repassados pelo Ministério do Turismo ao
Município de Cascavel – CE por intermédio do Contrato de Repasse 280319/2009 (Siafi 650276)
celebrado pela Caixa Econômica Federal (Caixa) para a pavimentação, em pedra tosca, de vinte ruas no
referido município sob o valor de R$ 1.539.500,00, tendo a vigência do ajuste sido estipulada para o
período de 25/2/2009 a 30/9/2012;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, diante
das razões apresentadas pelo Relator, em:
9.1. excluir da presente relação processual os Srs. Carlos Nunes Dourado e Antônio Joab
Cavalcante de Albuquerque e a Sra. Margarida de Alacoc Diniz Dourado;
9.2. considerar revel o Sr. Joaquim Ciriaco Ramires, nos termos do art. 12, § 3º, da Lei nº 8.443, de
16 de julho de 1992;
9.3. julgar irregulares as contas de Décio Bonilha Munhoz, Joaquim Ciriaco Ramires, José Airton
de Lima, Jean Arruda Nunes, Daniely Silva de Souza, Francisca Silva Rodrigues, José Cláudio de Castro
Lima, Giane Santos Almeida, Fabrício Falcão Lopes, Walmir Queiroz Sampaio Júnior, Joaquim Nunes
Dourado, Fábio Cavalcante de Albuquerque, Jayme Renan Machado Costa e Raysa Mara Machado Costa,
nos termos dos arts. 1º, I, 16, III, alínea “c”, e 19, caput, da Lei nº 8.443, de 1992, para condená-los, em
solidariedade com a Construtora C&A Ltda. (sucessora da Compact Construções e Projetos Ltda.), a
Nunes & Cia. Ltda. e a Construtora Costa Machado Ltda., ao pagamento do débito apurado nos autos,
atualizado monetariamente e acrescido de juros de mora calculados desde as datas informadas até o
efetivo recolhimento, fixando-lhes o prazo de 15 (quinze) dias, contados da notificação, para que
comprovem perante o Tribunal (art. 214, III, “a”, do Regimento Interno do TCU – RITCU), o
recolhimento da referida dívida em favor do Tesouro Nacional, na forma da legislação em vigor, sob as
seguintes condições:

Valor Original (em R$) Data da Ocorrência


335.669,98 21/6/2010
262.637,27 9/11/2010
249.433,45 14/2/2011
333.394,49 5/10/2010
81

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

161.881,00 4/8/2011
194.385,97 9/12/2011

9.4. aplicar, individualmente, em desfavor de Décio Bonilha Munhoz, Joaquim Ciriaco Ramires,
José Airton de Lima, Jean Arruda Nunes, Daniely Silva de Souza, Francisca Silva Rodrigues, José
Cláudio de Castro Lima, Giane Santos Almeida, Fabrício Falcão Lopes, Walmir Queiroz Sampaio Júnior,
Nunes & Cia. Ltda.; Joaquim Nunes Dourado, Fábio Cavalcante de Albuquerque, Jayme Renan Machado
Costa e Raysa Mara Machado Costa, além da Construtora C&A Ltda. (sucessora da Compact
Construções e Projetos Ltda.), da Nunes & Cia. Ltda. e da Construtora Costa Machado Ltda., a multa
prevista no art. 57 da Lei nº 8.443, de 1992, sob o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), fixando-lhes
o prazo de 15 (quinze) dias, contados da notificação, para que comprovem, perante o Tribunal (art. 214,
III, “a”, do RITCU), o recolhimento das referidas dívidas ao Tesouro Nacional, atualizadas
monetariamente na forma da legislação em vigor;
9.5. autorizar, caso requerido, nos termos do art. 26 da Lei nº 8.443, de 1992, e do art. 217 do
RITCU, o parcelamento das dívidas fixadas por este Acórdão em até 36 (trinta e seis) parcelas mensais e
sucessivas, sobre as quais incidirão a atualização monetária e os correspondentes acréscimos legais,
esclarecendo aos responsáveis que a falta de pagamento de qualquer parcela importará no vencimento
antecipado do saldo devedor, sem prejuízo das demais medidas legais;
9.6. autorizar, desde logo, a cobrança judicial das dívidas fixadas por este Acórdão, nos termos do
art. 28, inciso II, da Lei nº 8.443, de 1992, caso não atendida a notificação;
9.7. declarar a inidoneidade da Construtora C&A Ltda. (sucessora da Compact Construções e
Projetos Ltda.), da Construtora Costa Machado Ltda. e da Nunes & Cia. Ltda. para participarem de
licitação na administração pública federal ou nos certames promovidos pelos Estados, DF e Municípios
com a aplicação de recursos federais, pelo período de 3 (três) anos, nos termos do art. 46 da Lei nº 8.443,
de 1992;
9.8. considerar, preliminarmente, graves as infrações cometidas Décio Bonilha Munhoz, Joaquim
Ciriaco Ramires, José Airton de Lima, Jean Arruda Nunes, Daniely Silva de Souza, Francisca Silva
Rodrigues, José Cláudio de Castro Lima, Giane Santos Almeida, Fabrício Falcão Lopes, Walmir Queiroz
Sampaio Júnior, Joaquim Nunes Dourado, Fábio Cavalcante de Albuquerque, Jayme Renan Machado
Costa e Raysa Mara Machado Costa, nos termos do art. 60 da Lei nº 8.443, de 1992, e do art. 270, § 1º,
do RITCU;
9.9. inabilitar os responsáveis (Décio Bonilha Munhoz, Joaquim Ciriaco Ramires, José Airton de
Lima, Jean Arruda Nunes, Daniely Silva de Souza, Francisca Silva Rodrigues, José Cláudio de Castro
Lima, Giane Santos Almeida, Fabrício Falcão Lopes, Walmir Queiroz Sampaio Júnior, Joaquim Nunes
Dourado, Fábio Cavalcante de Albuquerque, Jayme Renan Machado Costa e Raysa Mara Machado
Costa), pelo período de 5 (cinco) anos, para o exercício de cargo em comissão e de função de confiança
no âmbito da administração federal, nos termos do art. 60 da Lei nº 8.443, de 1992, e do art. 270 do
RITCU;
9.10. determinar que a Controladoria-Geral da União adote as providências cabíveis para o efetivo
cumprimento dos itens 9.7 e 9.9 deste Acórdão; e
9.11. determinar que a unidade técnica envie a cópia deste Acórdão, acompanhado do Relatório e da
Proposta de Deliberação que o fundamenta, à Controladoria-Geral da União, para o cumprimento do item
9.10 deste Acórdão, e à Procuradoria da República no Estado do Ceará, nos termos do art. 16, § 3º, da Lei
nº 8.443, de 1992, para o ajuizamento das ações civis e penais cabíveis.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0988-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
82

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho (Relator) e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 989/2019 – TCU – Plenário

1. Processo TC 015.563/2013-8.
2. Grupo: II; Classe de Assunto: I – Embargos de Declaração.
3. Embargante: Paulo Leniman Barbosa Silva (CPF 422.905.624-91).
4. Entidade: Município de Formoso do Araguaia – TO.
5. Relator: Ministro-Substituto André Luís de Carvalho.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro-Substituto André Luís de Carvalho.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Não atuou.
8. Representação legal: Pamella Cristina Barbosa Dutra Barros (OAB/TO 6.840), representando
Paulo Leniman Barbosa Silva.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos que, no presente momento, tratam de embargos de
declaração opostos pelo Sr. Paulo Leniman Barbosa Silva em face do Acórdão 810/2018 proferido pelo
Plenário do TCU no sentido de não conhecer, por intempestividade, do agravo interposto contra o
despacho decisório prolatado pelo então Ministro-Relator Augusto Nardes no bojo do processo de tomada
de contas especial autuado diante de irregularidades na aplicação dos recursos federais transferidos ao
Município de Formoso do Araguaia – TO por meio do Termo de Compromisso aprovado pela Portaria
97/2009 da Secretaria de Infraestrutura Hídrica do então Ministério da Integração Nacional, nos termos
do art. 3º, § 2º, da Lei n.º 11.578, de 2007;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, diante
das razões expostas pelo relator, em
9.1. conhecer dos embargos de declaração para, no mérito, rejeitá-los, nos termos dos arts. 32, II, e
34 da Lei n.º 8.443, de 1992, e do art. 287 do RITCU; e
9.2. dar ciência da presente deliberação ao embargante.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0989-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho (Relator) e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 990/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 036.694/2018-5.
2. Grupo II – Classe de Assunto: I – Embargos de Declaração.
3. Embargante: Construtora Queiroz Galvão S/A (CNPJ 33.412.792/0001-60).
4. Entidade: Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras).
5. Relator: Ministro-Substituto André Luís de Carvalho
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro-Substituto André Luís de Carvalho.
83

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

6. Representante do Ministério Público: não atuou.


7. Unidade Técnica: Secretaria Extraordinária de Operações Especiais em Infraestrutura
(SeinfraOperações).
8. Representação legal:
8.1. Luis Justiniano Haiek Fernandes (OAB-DF 2.193-A), entre outros, representando a Construtora
Queiroz Galvão S/A.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos que, no presente momento, tratam de embargos de
declaração opostos pela Construtora Queiroz Galvão S/A em face do Acórdão 424/2019 proferido pelo
Plenário do TCU, ao apreciar o processo de representação autuada para a oitiva da Construtora Queiroz
Galvão S/A por força do Acórdão 2.238/2018 prolatado pelo Plenário, no âmbito do TC 029.988/2017-9,
em face das evidências de fraude às licitações conduzidas pela Petrobras para a realização das obras da
Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar);
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ante às
razões expostas pelo Relator, em:
9.1 conhecer dos presentes embargos de declaração para, no mérito, rejeitá-los, nos termos do art.
34 da Lei nº 8.443, de 1992; e
9.2 determinar que a unidade técnica envie a cópia do presente Acórdão, acompanhado do Relatório
e da Proposta de Deliberação que o fundamenta, à ora embargante, para ciência.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0990-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministro que alegou impedimento na Sessão: Augusto Nardes.
13.3. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho (Relator) e Weder de Oliveira.

ACÓRDÃO Nº 991/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 027.202/2016-0.
2. Grupo I – Classe III – Assunto: Monitoramento.
3. Interessados/Responsáveis:
3.1. Interessado: Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo - Unidade Nacional
(03.087.543/0001-86).
4. Entidades: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Departamento Nacional;
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - Administração Central; Serviço Social da Indústria -
Conselho Nacional; Serviço Social da Indústria - Departamento Nacional; Serviço Social do Transporte -
Conselho Nacional.
5. Relator: Ministro-Substituto Weder de Oliveira.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo do Trabalho e Entidades Paraestatais
(SecexTrabalho).
8. Representação legal:
8.1. Leticia de Oliveira Lourenco Gallo (104144/OAB-MG) e outros, representando Serviço Social
da Indústria - Departamento Nacional.
8.2. Eliziane de Souza Carvalho (14.887/OAB-DF) e outros, representando Serviço Nacional de
84

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Aprendizagem Rural - Administração Central.


8.3. Aldo Francisco Guedes Leite (50072/OAB-DF) e outros, representando Serviço Nacional de
Aprendizagem do Cooperativismo - Unidade Nacional.
8.4. Larissa Moreira Costa (16745/OAB-DF) e outros, representando Serviço Brasileiro de Apoio
Às Micro e Pequenas Empresas - Departamento Nacional.
8.5. Felipe Sarmento Cordeiro (40.917/OAB-DF) e outros, representando Serviço Social do
Transporte - Conselho Nacional.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de monitoramento do cumprimento do acórdão
699/2016-TCU-Plenário, que trata de auditoria que avaliou o nível de transparência das entidades do
Sistema S.
ACORDAM os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão extraordinária do
Plenário, ante as razões expostas pelo Relator, em:
9.1. modificar a redação dos itens 9.1.3 e 9.3 do acórdão 699/2016-TCU-Plenário, nos termos
abaixo:
“9.1.3. as demonstrações contábeis, elaboradas, no que couber, de acordo com a NBC TSP EC (ou
outra norma do Conselho Federal de Contabilidade que vier a sucedê-la), assinadas pelos contadores
responsáveis e com a indicação dos nomes dos dirigentes; e
9.3. determinar às entidades do Sistema S que, no prazo de um ano, contado da notificação dessa
deliberação, adequem seus sistemas contábeis, caso ainda não o tenham feito, de forma que suas
demonstrações contábeis sejam elaboradas, no que couber, com base na contabilidade aplicada ao setor
público, seguindo os moldes exigidos pela NBC TSP EC (ou outra norma do Conselho Federal de
Contabilidade que vier a sucedê-la), admitindo-se a utilização concomitante da contabilidade empresarial,
se assim entender necessário e conveniente;”
9.2. determinar à Secretaria de Controle Externo do Trabalho e Entidades Paraestatais
(SecexTrabalho) que:
9.2.1. constitua seis processos apartados, de natureza monitoramento, para realizar, em até 90
(noventa) dias, novo monitoramento do acórdão 699/2016-TCU-Plenário, por área de atuação de cada
serviço social autônomo, utilizando como base o acórdão 1877/2018-TCU-Plenário;
9.2.2. constitua um processo apartado específico, de natureza monitoramento, para realizar a oitiva
da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e da Secretaria de Política Econômica do Ministério da
Economia, para que, se assim desejarem, apresentem esclarecimentos sobre a atuação do órgão central de
contabilidade da União no tocante aos recursos federais arrecadados e geridos pelos serviços sociais
autônomos;
9.3. dar ciência à Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), à Agência Brasileira
de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), à Associação das Pioneiras Sociais (APS) e
à Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) sobre a decisão do Conselho
Federal de Contabilidade (CFC) no sentido de que as demonstrações contábeis devem ser elaboradas, no
que couber, com base na contabilidade aplicada ao setor público, seguindo os moldes exigidos pela NBC
TSP EC (ou outra norma do CFC que vier a sucedê-la), admitindo-se a utilização concomitante da
contabilidade empresarial, se assim entender necessário e conveniente;
9.4. dar ciência desta decisão aos entes nacionais do Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Nacional de
Aprendizagem Comercial (Senac), Serviço Social do Transporte (Sest), Serviço Nacional de
Aprendizagem do Transporte (Senat), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Serviço
Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas (Sebrae);
9.5. encerrar o processo e arquivar os presentes autos.
85

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0991-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira (Relator).

ACÓRDÃO Nº 992/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 017.413/2017-6.
2. Grupo II – Classe I – Assunto: Embargos de Declaração.
3. Embargante: Agência Nacional do Cinema (CNPJ 04.884.574/0001-20).
4. Entidade: Agência Nacional do Cinema.
5. Relator: Ministro-Substituto André Luís de Carvalho.
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro-Substituto André Luís de Carvalho.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: então Secex-RJ e Secretaria de Controle Externo do Trabalho e Entidades
Paraestatais (SecexTrabalho).
8. Representação legal:
8.1. Bruno Francisco Cabral Aurélio (247.054/OAB-SP), entre outros, representando a Associação
Brasileira de Produtores Independentes de Televisão, o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de
São Paulo e o Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual;
8.2. Fabrício Duarte Tanure (Procurador Federal), entre outros, representando a Agência Nacional
do Cinema;
8.3. Patrícia Alvares de Azevedo Oliveira (Chefe da Assessoria Especial do Controle Interno), entre
outros, representando o então Ministério da Cultura.
9. Acórdão:

VISTOS, relatados e discutidos estes autos que, no presente momento, tratam de embargos de
declaração opostos pela Agência Nacional do Cinema em face do Acórdão 721/2019 proferido pelo
Plenário do TCU no bojo do processo de auditoria realizada, durante o período de 1º a 25/8/2017, com o
objetivo de verificar a conformidade da nova metodologia empregada sob o título de Ancine+Simples
para a análise das prestações de contas dos recursos públicos destinados a projetos audiovisuais pelo
aporte de incentivos fiscais previstos em lei, como fomento indireto, ou de repasses provenientes da
Ancine e do Fundo Setorial do Audiovisual – FSA, como fomento direto;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ante
as razões expostas pelo Relator, em:
9.1. conhecer dos embargos de declaração opostos pela Agência Nacional do Cinema (Ancine)
em face do Acórdão 721/2019-TCU-Plenário para, no mérito, rejeitá-los;
9.2. determinar, nos termos do art. 250, II, do RITCU, que, em cumprimento ao Acórdão
4.835/2018-2ª Câmara e ao Acórdão 721/2019-Plenário, a Agência Nacional do Cinema passe a
apresentar bimestralmente todas as informações sobre o verdadeiro grau de efetivo atendimento de todos
os planos de ação ali exigidos pelo TCU, com a identificação de cada etapa e do nível de cumprimento
entre a meta fixada e a meta realizada, entre outros relevantes elementos de convicção, e, assim, a Ancine
deve enviar as respectivas informações ao TCU, via relatório bimestral específico, até o 5º (quinto) dia
útil nos meses de julho, setembro e novembro de 2019 e nos meses de janeiro, março e maio de 2020,
correspondendo a cada bimestre imediatamente anterior;
86

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

9.3. determinar, nos termos do art. 157 do RITCU, que, no âmbito do processo de tomada de
contas especial a ser autuado em cumprimento ao item 9.7 do Acórdão 721/2019-TCU-Plenário, a
unidade técnica promova a específica citação de João Marcio Silva de Pinho, como especialista em
regulação, após o cumprimento da medida assinalada pelo item 9.5 deste Acórdão, por ter se manifestado,
no Relatório de Análise de Cumprimento do Objeto (RACO) 0347806, acatando as supostas justificativas
apresentadas pela produtora de “À Deriva” sem efetuar qualquer análise consistente, ao ter, basicamente,
anuído às meras alegações oferecidas na prestação de contas sem a necessária atenção para a efetiva
elucidação das irregularidades, e por ter, assim, contribuído diretamente para o subsequente dano ao
erário pela prática do ato omissivo-comissivo, com erro grosseiro e violação ao dever de cuidado, em
ofensa ao art. 113 da Lei nº 8.666, de 1993, ao art. 22, VI, da então vigente IN Ancine nº 124, de 2015, e
aos arts. 58 e 59 da então vigente IN Ancine nº 125, de 2015;
9.4. determinar, nos termos do art. 157 do RITCU, que, desde já, a unidade técnica promova a
audiência dos gestores responsáveis pela prática do ato de imediata suspensão dos acordos no âmbito da
Ancine, a partir do Comunicado ao Setor com a informação sobre a decisão de prontamente suspender o
andamento dos processos administrativos inerentes acordos para a liberação de recursos públicos em prol
dos projetos audiovisuais, em função da infundada alegação de cumprimento ao referido Acórdão
721/2019-Plenário, por configurar a prática do correspondente ato ilegítimo e antieconômico com o
subjacente prejuízo à sociedade e ao erário, ante o evidente tumulto causado em desfavor da adequada
formulação do regular ambiente de negócios, públicos e privados, no setor audiovisual brasileiro durante
o andamento, por exemplo, do Rio2C, além de configurar a grave infração orçamentário-financeira pela
indiscriminada prática do ato de imediata suspensão dos acordos no âmbito da Ancine, em frontal
dissonância com a prévia definição dos critérios técnicos para o efetivo cumprimento dos planos de ação
anunciados pelo Acórdão 721/2019-TCU-Plenário e pelo Acórdão 4.835/2018-2ª Câmara durante o
razoável prazo de 12 (doze) meses, além do evidente descompasso, pois, com os princípios
administrativos da razoabilidade, da isonomia e da eficiência;
9.5. determinar, nos termos do art. 157 do RITCU, que, no âmbito do processo de tomada de
contas especial a ser autuado por força do item 9.7 do Acórdão 721/2019-Plenário, a unidade técnica
condicione a realização das citações e das audiências dos responsáveis à referida manifestação conclusiva
sobre a apresentação do 2º relatório bimestral emitido pela Ancine para o cumprimento dos respectivos
planos de ação, em atendimento ao item 9.2 deste Acórdão, devendo, para tanto, a unidade técnica
submeter o seu parecer técnico ao Ministro-Relator, antes de promover a citação ou a audiência dos
responsáveis, com a efetiva avaliação, durante os dois primeiros bimestres, sobre os parâmetros para a
efetiva apuração do eventual dano ao erário no aludido processo de tomada de contas especial e sobre o
grau de aplicação, entre outros, do art. 3º do Decreto n.º 8.282, de 2014, ante o eventual emprego de
amostragem nas ações de fiscalização dos projetos audiovisuais e, indevidamente, nas ações de análise e
aprovação das correspondentes prestações de contas dos projetos audiovisuais;
9.6. reiterar a determinação anteriormente proferida pelos itens 9.4 e 9.5 do Acórdão 721/2019-
Plenário, rememorando que ali não subsistiria o impedimento para a assinatura de novos acordos, e,
assim, fixar o novo prazo de 60 (sessenta) dias, contados da ciência deste Acórdão, para a Agência
Nacional do Cinema providenciar a eventual reapresentação dos planos de ação correspondentes ao item
9.4, entre outros, do Acórdão 721/2019, em sintonia com o já anunciado Achado III.3, sem prejuízo do
aproveitamento dos planos de ação já eventualmente apresentados ao TCU, com o intuito de promover o
efetivo cumprimento das respectivas providências ao longo do subjacente prazo de 12 (doze) meses, e não
imediata, açodada e indiscriminadamente como foi promovido pela iniciativa da própria Ancine em
flagrante descompasso com o aludido prazo de doze meses então anunciado pelo TCU e com os
princípios administrativos da razoabilidade, da isonomia e da eficiência;
9.7. determinar que a unidade técnica envie a cópia do presente Acórdão, acompanhado do
Relatório e da Proposta de Deliberação, aos seguintes destinatários:
9.7.1. à Agência Nacional do Cinema (ora embargante), para ciência e cumprimento dos itens 9.2
e 9.6 deste Acórdão, informando-lhe que, a despeito de a Ancine até poder eventualmente contribuir para
87

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

o atendimento das respectivas providências junto ao aludido ministério, a determinação prolatada pelo
item 9.6 do Acórdão 721/2019-Plenário deve ser adequadamente atendida pelo Ministério da Cidadania
em pleno exercício da supervisão ministerial finalística para a formulação da política pública na relevante
função de Cultura; e
9.7.2. à Casa Civil da Presidência da República, ao Ministério da Cidadania, à Controladoria-
Geral da União, à Comissão Permanente de Cultura da Câmara dos Deputados, à Comissão Permanente
de Educação, Cultura e Desporto do Senado Federal e ao Conselho Nacional de Desburocratização, para
ciência e eventuais providências.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0992-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho (Relator) e Weder de Oliveira.

ENCERRAMENTO

Às 11 horas e 30 minutos, a Presidência encerrou a sessão, da qual foi lavrada esta ata, a ser
aprovada pelo Presidente e homologada pelo Plenário.

(Assinado eletronicamente)
PAULO MORUM XAVIER
Subsecretário do Plenário, em substituição

Aprovada em 15 de maio de 2019.

(Assinado eletronicamente)
JOSÉ MUCIO MONTEIRO
Presidente

ANEXO I DA ATA 14, DE 30 DE ABRIL DE 2019


Sessão Extraordinária do Plenário)

ACÓRDÃOS PROFERIDOS DE FORMA UNITÁRIA

Relatórios e Votos emitidos pelo respectivo relator, bem como os Acórdãos de nºs 952 a 992, aprovados
pelo Plenário.

GRUPO I – CLASSE I – Plenário


TC 004.592/2010-7
Natureza: I - Recurso de reconsideração em tomada de contas especial
Órgão: Secretaria de Estado da Saúde de Goiás.
Responsáveis: Antônio Durval de Oliveira Borges (194.347.401-00); Cairo Alberto de Freitas
(216.542.981-15); Hospfar Industria e Comercio de Produtos Hospitalares S.A. (26.921.908/0001-21);
Medcomerce Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda. (37.396.017/0001-10)
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Interessado: Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (02.529.964/0001-57)


Representação legal: Lincoln Magalhaes da Rocha (24.089/OAB-DF) e outros, representando
Hospfar Industria e Comercio de Produtos Hospitalares S.A.; Pedro Henrique Gomide Rodrigues
(25.687E/OAB-GO) e outros, representando Medcomerce Comercial de Medicamentos e Produtos
Hospitalares Ltda. e Medcomerce Com de Med e Prod Hospitalares Ltda.; Arthur Simas Pinheiro
(48314/OAB-DF) e outros, representando Cairo Alberto de Freitas.

SUMÁRIO: TOMADA DE CONTAS ESPECIAL. SES/GO. RECURSOS FEDERAIS DO SUS.


AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS DE ALTO CUSTO. PAGAMENTOS A MAIOR. ACRÉSCIMO
DO ICMS AOS VALORES PROPOSTOS NA LICITAÇÃO, QUE JÁ SE ENCONTRAVAM
ONERADOS PELO IMPOSTO. CITAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO DAS ALEGAÇÕES DE DEFESA
DOS RESPONSÁVEIS PELO PAGAMENTO NEM DAS EMPRESAS FORNECEDORAS.
IRREGULARIDADE. DÉBITO. DETERMINAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS ALEGADOS. RECURSOS DE RECONSIDERAÇÃO. ALEGAÇÕES
INCAPAZES DE MODIFICAR O MÉRITO DA DECISÃO RECORRIDA. CONHECIMENTO.
NEGATIVA DE PROVIMENTO.

RELATÓRIO

Adoto como relatório a instrução peça 145, elaborada por auditor da Secretaria de Recursos (Serur),
vazada nos termos a seguir transcritos, que contou com a anuência dos dirigentes da unidade técnica e do
Ministério Público junto ao TCU:
“1. Trata-se de recursos de reconsideração (peças 82, 110 e 120) interpostos por Hospfar Ind e
Com de Produtos Hospitalares Ltda. – Hospfar, Cairo Alberto de Freitas e Medcomerce - Comercial de
Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda. – Medcomerce, contra o Acórdão 1543/2016 – TCU –
Plenário (peça 54), relator Exmo. Ministro Augusto Sherman Cavalcanti, mantido em seus exatos termos
pelo Acórdão 1316/2017 - TCU - Plenário (peça 95) que rejeitou os embargos de declaração opostos
pelos recorrentes mantendo o julgamento pela irregularidade das contas dos responsáveis e a
condenação ao pagamento do débito apurado.
1.1. A deliberação recorrida apresenta o seguinte teor:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de tomada de contas especial instaurada por determinação do
Acórdão 45/2008 – TCU – Plenário, em razão de indícios de irregularidades na aquisição de medicamentos pela
Secretaria de Estado da Saúde de Goiás por meio do Pregão 201/2005, destinado à contratação de empresa
especializada no fornecimento dos medicamentos de alto custo para o atendimento à Central de Medicamentos de
Alto Custo Juarez Barbosa/SES-GO,
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão de Plenário, ante as razões
expostas pelo Relator, em:
9.1. excluir desta relação processual o Sr. Adriano Kennen de Barros;
9.2. com fundamento nos arts. 1º, inciso I, 16, inciso III, alíneas ‘b’ e ‘c’, e § 2º da Lei 8.443/1992, c/c os
arts 19 e 23 da mesma lei, e com os arts. 1º, inciso I, 209, incisos II e III, e § 5º, 210 e 214, inciso III, do Regimento
Interno do TCU, julgar irregulares as contas dos responsáveis Srs. Cairo Alberto de Freitas, então Secretário de
Estado da Saúde, e Antônio Durval de Oliveira Borges, então Superintendente de Administração e Finanças de
Goiás, e das empresas Hospfar Indústria e Comércio de Produtos Hospitalares Ltda. e Medcomerce – Comercial
de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda., condenando-os em débito, consoante a seguir discriminado, e
fixar-lhes o prazo de 15 (quinze) dias, a contar da notificação, para que comprovem, perante este Tribunal (art.
214, inciso III alínea ‘a’, do Regimento Interno), o recolhimento das dívidas aos cofres do Fundo Nacional de
Saúde, atualizadas monetariamente e acrescidas dos juros de mora, calculados das respectivas datas até as datas
dos efetivos recolhimentos, na forma prevista na legislação em vigor:
9.2.1. solidariamente, os Srs. Cairo Alberto de Freitas e Antônio Durval de Oliveira Borges e a empresa
Hospfar Indústria e Comércio de Produtos Hospitalares Ltda., pelas seguintes quantias:
Nota
Nota Fiscal Valor (R$) Data Valor (R$) Data
Fiscal
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Nota
Nota Fiscal Valor (R$) Data Valor (R$) Data
Fiscal
99729 4.159,30 21/11/2007 89456 2.512,91 21/11/2007
95053 10.398,24 21/11/2007 92070 4.473,56 21/11/2007
9.2.2. solidariamente, os Srs. Cairo Alberto de Freitas e Antônio Durval de Oliveira Borges e a empresa
Medcomerce – Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda., pelas seguintes quantias:

Nota Fiscal Valor (R$) Data Nota Fiscal Valor (R$) Data

44702 18.433,14 18/9/2006 45151 19.457,21 18/9/2006

45344 107.526,68 18/9/2006


9.3. autorizar, desde logo, nos termos do art. 28, inciso II, da Lei 8.443/1992, a cobrança judicial das
dívidas, caso não atendidas as notificações;
9.4. determinar à Secretaria de Estado de Saúde de Goiás que, no prazo de sessenta dias contados da
ciência deste acórdão, providencie a instauração e remessa a este Tribunal de novos processos de tomada de
contas especial relativos aos pagamentos porventura efetuados por conta dos fornecimentos licitados mediante o
Pregão 201/2005/SES/GO com recursos federais após a instauração desta TCE por essa unidade, sendo um
processo para cada empresa contratada no referido pregão, em cujos fornecimentos se verifique a não
desoneração do ICMS nas propostas apresentadas pelos licitantes, uma vez que:
9.4.1. o dano apurado neste processo de tomada de contas especial levou em consideração apenas as notas
fiscais pagas por ocasião do fechamento do Relatório Conclusivo 010/2009 da comissão instauradora de TCE e,
portanto, apenas a parte das notas fiscais até então emitidas pelas empresas Medcomerce – Comercial de
Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda. e Hospfar Indústria e Comércio de Produtos Hospitalares Ltda.;
9.4.2. há, no referido Relatório Conclusivo 010/2009, informação da existência de um dano potencial que
poderia se concretizar com a realização de pagamentos integrais às empresas, em face da emissão de notas fiscais
e de suas propostas, consideradas por essas como já tendo sido desoneradas do ICMS, o que só não ocorreu em
razão das retenções que vinham sendo efetuadas por essa unidade;
9.4.3. o Memorando 762/2011-SGPF/SES de 5/12/2011 e o Ofício 8946/2011-GAB/SES, remetem à
informação de que a Procuradoria Geral do Estado, por meio do Parecer 003225/2011 e do Despacho ‘GAB’
004670/2011, orientou acerca da impossibilidade da manutenção da retenção de pagamentos por falta de amparo
legal (peça nº 33), de modo que, assim, possibilitou-se, com esses documentos, a realização dos pagamentos
pleiteados pelas empresas, concretizando-se, possivelmente, o dano potencial apurado pela comissão instauradora
da TCE;
9.5. determinar à Secex/GO que:
9.5.1. como subsídio ao atendimento da determinação constante do item 9.4 retro, encaminhe à Secretaria
de Estado da Saúde de Goiás cópia integral deste processo em meio eletrônico, juntamente com cópia do inteiro
teor deste acórdão;
9.5.2. monitore cumprimento, pelo órgão estadual, da determinação proferida por este Tribunal e, tão logo
receba o (s) processo (s) de tomada (s) de contas especial (is) assim constituído (s), realize a citação dos
responsáveis nela (s) identificados;
9.6. encaminhar cópia dos elementos pertinentes à Procuradoria da República no Estado de Goiás, para
ajuizamento das ações civis e penais que entender pertinentes, tendo em vista o disposto no art. 16, § 3º, da Lei
8.443/1992;
9.7. dar ciência do inteiro teor deste acórdão ao Tribunal de Contas do Estado de Goiás e ao Ministério
Público daquele estado, por intermédio de sua 4ª Promotoria de Justiça, para que adote as medidas que entender
pertinentes, tendo em vista a utilização de recursos estaduais na compra de medicamentos de que trata o Pregão
201/2005/SES/GO.
HISTÓRICO
2. Trata-se de tomada de conta especial instaurada pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás –
SES/GO, a partir de determinação contida no item 9.2.3 do Acórdão 45/2008-TCU-Plenário (relator
Exmo. Ministro Raimundo Carreiro), em decorrência de realização de pagamentos irregulares às
90

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

empresas Hospfar Indústria e Comércio de Produtos Hospitalares Ltda. e Medcomerce - Comercial de


Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda. – Medcomerce, para aquisição de medicamentos de alto
custo, mediante o Pregão 201/2005, com recursos federais transferidos ao ente federativo por meio do
Sistema Único de Saúde (SUS).
2.1. Conforme preceituado pelo item 5.3 do edital (peça 3, p. 15), o valor proposto na licitação
deveria abranger todos os impostos, inclusive o ICMS. Esse valor onerado com o ICMS tinha o propósito
de servir apenas para fins de julgamento e comparação entre propostas, visto que a Secretaria de Estado
da Saúde não era contribuinte do imposto. Ainda, de acordo com o instrumento convocatório, a empresa
fornecedora de medicamentos estabelecida no Estado de Goiás que viesse a ser vencedora do certame,
atendendo aos termos do Convênio ICMS 87/02-Confaz e do Decreto Estadual 5825/2003, que
concediam isenção do recolhimento do ICMS relativo aos produtos cotados, deveria destacar na nota
fiscal essa isenção e excluir do valor adjudicado a respectiva parcela.
2.2. Todavia, quando do faturamento, as empresas Hospfar Indústria e Comércio de Produtos
Hospitalares Ltda. e Medcomerce - Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda.
acresciam novamente o valor do tributo na nota fiscal para, em seguida, abatê-lo a título de cumprir a
isenção tributária aplicável. Como resultado, as empresas embolsavam a totalidade do valor adjudicado,
em vez de receberem somente a diferença entre o valor adjudicado e o valor do imposto originalmente
incluído nas propostas.
2.3. No âmbito deste Tribunal, foram responsabilizados solidariamente pelo débito os a) Cairo
Alberto de Freitas, então Secretário de Estado da Saúde; b) Antônio Durval de Oliveira Borges, então
Superintendente de Administração e Finanças; c) Adriano Kennen de Barros, Pregoeiro; d) Hospfar
Indústria e Comércio de Produtos Hospitalares Ltda.; e) Medcomerce - Comercial de Medicamentos e
Produtos Hospitalares Ltda (peça 56, p. 9-10).
2.4. Concluiu-se, no entanto, pela exclusão da responsabilidade do Sr. Adriano Kennen de Barros,
ex-Pregoeiro, pelo fato de o dano ao erário ter se concretizado no momento do pagamento e não quando
da licitação.
2.5. A falta de desoneração do ICMS foi apontada inicialmente na Representação formulada pela
4ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Goiás (TC 017.576/2005-2, Acórdão 45/2008 –
Plenário, relator Exmo. Ministro Raimundo Carreiro).
2.6. Naqueles autos, a Secex/GO empreendeu auditoria junto aos órgãos e entidades do Governo
do Estado de Goiás e constatou que a prática da não desoneração do ICMS nas faturas relacionadas à
aquisição de medicamentos repetia-se em vários processos de compra, razão pela qual solicitou à
Secretaria de Estado da Saúde de Goiás – SES/GO cópia de vinte e três processos de pregões,
determinando a instauração de tomadas de contas especiais.
2.7. Posteriormente, nos autos do TC 008.322/2010-4, relativo à Representação deflagrada pela
Procuradoria da República no Estado de Goiás, mais uma vez a matéria sobre a falta da desoneração do
ICMS veio à pauta, havendo o Tribunal determinado à SES/GO que adotasse providências para
apuração integral das falhas noticiadas e que instaurasse, se necessário, de maneira apartada, processos
de tomadas de contas especiais, relativas a vinte procedimentos licitatórios (Acórdão 1789/2010 –
Plenário, relator Exmo. Ministro Augusto Sherman).
2.8. Por derradeiro, no Acórdão 2770/2011 – 2ª Câmara, relator Exmo. Ministro Augusto
Sherman, adotado no TC 008.322/2010-4, o Tribunal fixou prazo para que a SES/GO cumprisse as
disposições do Acórdão 1789/2010 – 2ª Câmara, no que se refere à instauração das tomadas de contas
especiais.
2.9. Destaque-se a relevância da matéria em razão de reiterada prática irregular nas aquisições de
medicamentos pela SES/GO, com envolvimento de recursos públicos federais transferidos àquele Estado
à conta do SUS – Sistema Único de Saúde.
2.10. Cumpre, ainda, registrar a importância do tema aqui tratado. Conforme noticiado no portal
do Ministério Público do Estado de Goiás em maio/2010, apurações conduzidas pelo MPF e pelo MPE
contabilizaram prejuízos da ordem de R$ 13 milhões aos cofres públicos em fraudes nas compras de
91

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

medicamentos feitas pela SES/GO nos anos de 2002 a 2008. Nesse contexto, deve ser enfatizado que já se
encontram em tramitação nesta Corte diversas tomadas de contas especiais relacionadas a esses fatos.
2.11. No caso tratado nestes autos, a dívida concernente aos medicamentos indevidamente
faturados pelas empresas Hospfar e Medcomerce baseia-se na planilha constante do relatório do
tomador de contas (peça 16, p. 13-14).
2.12. No âmbito destas contas especiais, as alegações de defesa oferecidas pelos demais
responsáveis arrolados foram incapazes de afastar a irregularidade apontada e, em consequência, o
Tribunal julgou irregulares as presentes contas, fundamentado no art. 16, inciso III, alíneas b e c, da Lei
8.443/1992, condenando os responsáveis (Srs. Cairo Alberto de Freitas e Fernando Passos Cupertino de
Barros, então Secretários de Estado da Saúde, e Antônio Durval de Oliveira Borges, então
Superintendente de Administração e Finanças de Goiás) e as empresas beneficiárias em débito solidário.
2.13. Em seguida, a empresa Hospfar e o Sr. Cairo Alberto de Freitas opuseram embargos de
declaração rejeitados pelo Acórdão 1316/2017 - TCU - Plenário (peça 95), o qual manteve inalterado o
teor da decisão ora recorrida.
2.14. Neste momento recursal, os recorrentes apresentam argumentos que consideram suficientes
para afastar a sua condenação.
EXAME DE ADMISSIBILIDADE
3. Reitera-se o exame de admissibilidade às peças 122-124, ratificados à peça 128 pelo Exmo.
Ministro Walton Alencar, que conheceu dos recursos de reconsideração interpostos pelas empresas
Medcomerce - Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda., Hospfar Indústria e Comércio
de Produtos Hospitalares Ltda. e pelo Sr. Cairo Alberto de Freitas contra o contra o Acórdão 1543/2016
– TCU – Plenário (peça 54), relator Exmo. Ministro Augusto Sherman Cavalcanti, mantido em seus
exatos termos pelo Acórdão 1316/2017 - TCU - Plenário (peça 95), bem como suspendeu os efeitos dos
subitens 9.2, 9.2.1, 9.2.2 e 9.3 da referida decisão, estendendo seus efeitos a todos os responsáveis
condenados em solidariedade com os recorrentes.
EXAME TÉCNICO
PRELIMINAR
4. Delimitação
4.1. Constitui objeto do presente recurso verificar se é possível afastar a decisão recorrida, tendo
em vista a tese de sobrestamento processual.
5. Sobrestamento processual
5.1. A recorrente argui a necessidade de afastar a sua responsabilidade, tendo em vista, a seu ver,
que a decisão recorrida teria violado o direito à ampla defesa, pois o STF concedeu repercussão geral
ao RE 852.475, o que impactará todas as causas que busquem o ressarcimento ao erário, havendo
necessidade de sobrestar o processo para impedir interpretações diversas (peça 120, p. 1-3).
5.2. Requer sobrestamento do presente processo até que o STF julgue definitivamente o RE
852.475.
Análise
5.3. Não assiste razão à recorrente. No que tange ao RE 852.475, cumpre reproduzir excerto do
voto proferido no Acórdão 8712/2017 – Segunda Câmara, Ministro Relator Augusto Nardes, que
enfrentou exaustivamente a mesma questão suscitada pela recorrente em sede de embargos de
declaração no âmbito do TC 020.045/2015-8, com cuja análise se anui plenamente:
4. Quanto ao julgado utilizado como paradigma pela embargante para sustentar a prescrição do débito (RE
852.475 – STF), permito-me tecer algumas considerações.
5. O então relator do RE 852.475, Ministro Teori Zavascki, assinalou que no RE 669.069, também de sua
relatoria, o STF reconheceu a repercussão da matéria no sentido de que ‘é prescritível a ação de reparação de
danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil’. Entretanto, essa tese não alcançou prejuízos que decorram de
atos de improbidade administrativa, espécie de ilícito civil, regidos pela Lei 8.429/1992, ou os de direito penal,
que permanecem, portanto, imprescritíveis.
92

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

6. Dessa decisão, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, opôs embargos de declaração, o que
instou o STF, em 16/6/2016, a posicionar-se mais claramente acerca de alguns pontos, especialmente quanto à
delimitação do alcance do julgado, não obstante formalmente tenha rejeitado os embargos:
a) a tese da prescritibilidade alcança somente os atos danosos ao erário que violem normas de direito
privado, como, por exemplo, acidentes de trânsito provocados por agentes públicos ou privados que causem dano
ao erário;
b) A prescritibilidade da pretensão de ressarcimento ao erário em face de agentes públicos por ato de
improbidade administrativa, objeto do Tema 897 de repercussão geral, ou atos cometidos no âmbito de relações
jurídicas de caráter administrativo, não foi alcançada pela tese da prescritibilidade fixada no julgado embargado;
c) a tese firmada no julgamento do MS 26.210/DF (prescrição de ressarcimento fundado em título oriundo
de tribunal de contas) encontra-se pendente de apreciação definitiva nos autos do RE 636.886.
7. O então relator do Recurso Extraordinário 636.886, Exmo. Min. Teori Zavascki, assim se manifestou, em
13/5/2016:
‘3. Não se desconhece que, ao apreciar o MS 26.210 (Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal
Pleno, DJe de 10/10/2008), impetrado contra acórdão do TCU proferido em tomada especial de contas, este STF
assentou a imprescritibilidade de pretensão de ressarcimento ao erário análoga à presente. No entanto, no
julgamento do já citado RE 669.069, houve manifestações dos juízes desta Corte em sentido aparentemente diverso
do fixado no precedente, formado quando a composição do Supremo era substancialmente diversa. Em face disso,
incumbe submeter novamente à análise do Plenário desta Corte, sob a sistemática da repercussão geral, o alcance
da regra estabelecida no § 5º do art. 37 da CF/88, relativamente a pretensões de ressarcimento ao erário fundadas
em decisões de Tribunal de Contas. 4. Diante do exposto, manifesto-me pela existência de repercussão geral da
questão suscitada.’
8. Foi então assentado o seguinte tema de repercussão geral (Tema 899): ‘Possui repercussão geral a
controvérsia relativa à prescritibilidade da pretensão de ressarcimento ao erário fundada em decisão de Tribunal
de Contas’.
9. Por meio da Petição/STF 34.087/2016, este Tribunal de Contas da União postulou a habilitação no RE
636.886, na qualidade de amicus curiae, o que foi deferido pelo Relator, Min. Teori Zavascki, em decisão de
29/9/2016. O então Ministro do STF determinou igualmente
‘a suspensão do processamento de todas as demandas pendentes em tramitação no território nacional, mas
exclusivamente aquelas em que esteja em debate a prescrição do pedido de ressarcimento ao erário baseado em
título de Tribunal de Contas. Oficie-se aos Presidentes de todos os Tribunais do país e da Turma. Nacional de
Uniformização dos Juizados Federais, com cópia desta decisão e do acórdão do Supremo Tribunal Federal em que
se reconheceu a repercussão geral. A comunicação aos juízos de 1º grau e às turmas recursais de juizados deverá
ser feita pelo Tribunal de 2ª instância com os quais mantenham vinculação administrativa’
10. Entrementes, com o falecimento do Min. Teori, foi nomeado, em 22/3/2017, novo relator do RE 636.886,
o Min. Alexandre de Moraes, permanecendo pendente de decisão definitiva o referido recurso extraordinário.
11. Ao fim e ao cabo, a decisão de suspensão de processamento de demandas em que esteja em debate a
prescrição do pedido de ressarcimento ao erário baseado em título de Tribunal de Contas alcançou tão somente a
fase judicial de cobrança do título extrajudicial exarado com a decisão das Cortes de Contas, não atingindo
diretamente os processos de contas em trâmite neste Pretório de Contas, em face do princípio da independência
das instâncias administrativa e judicial.
5.4. Por fim, o referido Acórdão 8712/2017 – TCU – Segunda Câmara assim dispôs (grifos
acrescidos):
9.1. conhecer dos presentes embargos de declaração opostos pela empresa Hospfar Ind e Com de Produtos
Hospitalares Ltda, uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade previstos nos arts. 32, inciso II, e 34 da
Lei 8.443/1992, para, no mérito, acolhê-los parcialmente, para esclarecer que o posicionamento atual do
Supremo Tribunal Federal em nada altera a imprescritibilidade do débito nos processos em curso nesta Corte de
Contas, mantendo-se, entretanto, a parte dispositiva da decisão recorrida em seus exatos termos;
5.5. Nesse sentido, não é possível acatar o pedido para sobrestar o presente processo de contas na
fase administrativa em que se encontra.
MÉRITO
6. Delimitação
6.1. Constitui objeto do presente recurso verificar se é possível afastar a decisão recorrida diante
da alegação de que não houve prática de ato irregular.
93

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

7. Ausência de Irregularidade
7.1. A recorrente afirma a necessidade de afastar a sua condenação, tendo em vista a alegação de
que não há irregularidade passível de condenação nas presentes contas, com base nos seguintes
argumentos (peças 82, 110 e 120):
a) o princípio da vinculação do edital não deve ser observado se houver comando legal em sentido
contrário, como no presente caso, em que havia lei concedendo isenção ao imposto, pois a lei é superior
ao edital, princípio da legalidade; assim, se há isenção legal, os produtos não poderiam ser licitados
com impostos, a seu ver (peça 120, p. 3, 6 e 9-10, 13, 15 e 41-42);
b) no Acórdão 140/2012 – TCU – Plenário, relator Ministro Walton Alencar Rodrigues, orientou-
se a cotação dos preços considerando a isenção do ICMS, o que contraria a decisão recorrida e
demonstra que a matéria não estava sedimentada no âmbito da Administração Pública e no Acórdãos
3596/2014 – TCU – Plenário, relator Ministro André Luís de Carvalho, e 1154/2013 – TCU – Plenário,
relator Ministro Valmir Campelo, houve entendimento pela inexistência de débito, cabendo o valor a
título de ICMS ser cobrado pelo fisco e a justiça estadual entendeu pela necessidade de realizar perícias
antes de decidir (peça 110, p. 4-7 e peça 120, p. 3);
c) há orientação do Ministério da Saúde, da Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás e da
Procuradoria Geral do Estado de Goiás para apresentação da proposta de preço já desonerada do
ICMS (peça 82, p. 3-11 e peça 120, p. 3, 7-8);
d) não há provas de que o preço tenha sido apresentado contendo o ICMS (peça 120, p. 12);
e) o preço faturado é o mesmo do ofertado, sem a incidência do ICMS e de acordo com preço de
mercado, não tendo recebido qualquer valor de forma indevida, o que torna a sua condenação
descabida, sob pena de inexequibilidade da proposta e enriquecimento ilícito da Administração Pública
(peça 120, p. 3, 10 e 30 e 34);
f) todas as empresas concorrentes na licitação teriam afirmado ter apresentado o preço
desonerado (peça 120, p. 31);
g) o que ocorreu foi mera falha formal, descontar o ICMS na proposta ao invés da nota fiscal (peça
120, p. 14);
h) as empresas agiram de boa-fé e não praticaram superfaturamento porque declararam em sua
proposta de preço que os preços já estariam livres do ICMS, sendo esta declaração específica, se
sobrepondo à declaração genérica de aceite dos termos do edital (peça 82, p. 4-5 e peça 120, p. 4, 14, 35
e 38);
i) houve violação do princípio da não-cumulativade do ICMS pelo Confaz e pelo edital, tendo em
vista que tinha que assumir o ICMS da entrada e entregar os produtos desonerados do imposto para a
Administração Pública (peça 120, p. 4-5 e 11-12);
j) poderia se adotar a tese de que a isenção era facultativa, não podendo ser exigida a
desoneração, em não havendo a desoneração a competência seria do Estado de Goiás para quem deveria
o imposto (peça 120, p. 13)
k) o convênio não determinou que a desoneração fosse 17%, não sendo possível calcular o débito
com base na alíquota máxima; sugere-se a alíquota de 10%, pois esse seria o percentual caso não
houvesse a isenção (peça 82, p. 14-16 e peça 120, p. 6 e 18-26);
l) o pregoeiro aceitou as propostas como se estivessem desoneradas do imposto, devendo
prevalecer o princípio da presunção de validade dos atos administrativos, sob pena de violar a
segurança jurídica, assim, não podem ser aceitos argumentos com base na alegação de que não foram
analisados os documentos apresentados, como atuou de forma negligente, o pregoeiro deve ser
responsabilizado (peça 82, p. 4 e 11-14 e peça 120, p. 13-15 e peça 110, p. 11-13);
m) o cálculo do prejuízo ao erário deveria considerar o preço de mercado (verdade real) (média
entre o preço máximo ao consumidor e o preço de fábrica), sob pena de enriquecimento sem causa do
Estado, tendo em vista que os preços desonerados não superaram o preço máximo ao consumidor (peça
120, p. 26-38);
94

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

n) há retenções pela Secretaria da Saúde do Estado de Goiás em valores superiores ao débito a ela
imputado, o que deve ser averiguado por esta Corte e abatido do débito a ser pago, sob pena de ser
cobrada três vezes pelo mesmo fato (peça 120, p. 37-42);
o) não há nexo de causalidade entre a conduta do Sr. Cairo, agente político, e o débito cominado,
pois agiu de boa-fé ao suspender os pagamentos a partir do conhecimento do fato, tendo mantido a
retenção durante a sua gestão, não podendo ser responsabilizado por atos posteriores (peça 110, p. 8-11,
14 e 17);
p) considerando os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, a responsabilidade não
pode ser solidária, pois o Sr. Cairo não se beneficiou dos valores, mas somente a empresa que agiu de
má-fé (peça 110, p. 15-19).
7.2. Informe-se que a recorrente Medcomerce apresenta juntamente a sua peça recursal os
documentos citados por ela em suas razões recursais para fins de consulta, tais como procurações e
inteiro teor de pareceres e portarias (peça 82, p. 18-112).
7.3. Requerem o afastamento da condenação, ou, alternativamente, a redução do débito ou somente
aplicação da pena de multa do art. 58 da Lei 8443/1992.
Análise
7.4. Não assiste razão aos recorrentes. Leitura atenta do relatório e voto da decisão recorrida
permite concluir que os indigitados trouxeram no mérito os mesmos argumentos apresentados em sede de
alegações de defesa (peças 55 e 56). Diante do efeito devolutivo do recurso, suas alegações foram
reanalisadas, mas não conseguiram superar as conclusões da decisão recorrida nem aquelas expostas no
voto da decisão que rejeitou os embargos de declaração (peça 96). Explica-se.
7.5. Diante da anuência integral ao exposto na decisão recorrida, as quais não merecem reparos,
serão apenas destacados trechos importantes para o deslinde questão, bem como acrescentadas
ponderações relevantes, diante dos princípios da eficiência e da celeridade processual.
7.6. Inicialmente, cumpre pontuar haver outros processos com a mesma matéria da presente TCE
ante a identificação da mesma prática irregular causadora de dano ao erário, como o Acórdão
1344/2013 – Plenário, relator Ministro Augusto Sherman proferido no âmbito do TC 027.013/2010-3 e
os TCs 038.211/2012-2, 001.922/2009-5, 004.592/2010-7, 004.596/2010-2, 016.592/2010-7,
016.828/2009-0 e 027.019/2010-1.
7.7. Ademais, há julgados que enfrentaram recursos de reconsideração com o mesmo tema tratado
nestes autos e mantiveram a condenação dos responsáveis intacta: TC 016.833/2009-9, Acórdão
1989/2014 – TCU – Plenário, Relatora Ministra Ana Arraes e TC 006.096/2013-1, Acórdão 5732/2017 –
TCU – 1ª Câmara, Relator José Múcio Monteiro.
7.8. É preciso notar que a alegação de que o edital não deveria ser observado, pois contraria o
normativo que estabelecia à época da licitação a isenção do imposto para a compra de remédios de alto
custo, não procede. Isto porque o edital não comandou a cobrança do imposto, mas determinou a forma
como ele deveria ser apresentado na proposta de preço para posterior desoneração e o fez de forma
inequívoca e não ambígua e contraditória como alega a empresa Medcomerce. Anui-se, portanto, ao
exposto no voto da decisão recorrida a respeito, à peça 55, p. 15-16, itens 68-69.
7.9. Atente-se que as alegadas orientações do Ministério da Saúde, da Secretaria da Fazenda do
Estado de Goiás e da Procuradoria Geral do Estado de Goiás para apresentação da proposta de preço
já desonerada do ICMS não se sobrepõe à regramento específico trazido pelo edital. Dessa forma, não
sendo omisso o edital de licitação, que explicitamente determinou às licitantes a apresentação de
proposta de preços onerada com o ICMS, não há que se falar em erro imputável à Administração
Pública, já que, nos termos do art. 3º da Lei 8.666/1993, a licitação será processada e julgada em
conformidade com o princípio da vinculação ao instrumento convocatório.
7.10. Note-se que o Parecer GOT 104/2004 da Sefaz estabelece três opções de procedimento para
composição de preço em caso de omissão do edital. O argumento de que a matéria sobre a desoneração
de ICMS era controversa tem sido apresentado também em outros processos de tomada de contas que já
tramitam no TCU, ora pelos ex-gestores da SES/GO ora pelas empresas contratadas. A propósito,
95

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

reproduz-se a seguir, excerto do Voto do Acórdão 1344/2013 – TCU – Plenário, aplicável por inteiro ao
presente caso, em que o Relator, Ministro Augusto Sherman Cavalcanti, assim examinou essa questão
(grifos acrescidos):
‘V- Hospfar - Alegações de Mérito: Observância ao Parecer GOT 104/2004 da Sefaz
42. Em outra alegação, a empresa afirmou que não havia consenso sobre a questão da
oneração/desoneração do ICMS entre diversas unidades estaduais atuantes no caso e que o procedimento adotado
por ela e pelas demais concorrentes observou os ditames do Parecer GOT 104/2004 da Secretaria de Fazenda do
Estado de Goiás (Sefaz/GO).
43. Diga-se que o parecer da Sefaz/GO, Parecer 104/2004-GOT, não dá guarida à tese defendida pela
empresa. O texto afirma claramente que, nos casos em que o edital da licitação fosse omisso, poderiam ser
adotados, alternativamente, três procedimentos, a saber, i) a apresentação da proposta desonerada com acréscimo
e abatimento posteriores do ICMS na nota fiscal; ii) a apresentação da proposta onerada com desconto do imposto
na nota fiscal; ou, iii) apresentação da proposta com os dois valores, onerado e desonerado.
44. Convém ressaltar que o citado parecer autorizava a adoção de procedimentos alternativos na hipótese
de o edital ser omisso. Ocorre que, no caso presente, o edital não era omisso. Como transcrito acima, o
instrumento convocatório estabelecia expressamente o procedimento cabível, isto é, a apresentação da proposta
onerada e o subsequente desconto do valor do tributo na nota fiscal. Portanto, a teor do parecer mencionado na
defesa, o único procedimento aplicável era aquele previsto no edital do Pregão 174/2005, ou seja, a apresentação
de proposta onerada.
(...)
XIV - Sr. Fernando Passos Cupertino de Barros - Alegações de Mérito
84. O Sr. Fernando Passos defendeu o procedimento adotado pela empresa Hospfar, por entendê-lo
compatível com o edital. Prosseguiu sustentando que, durante sua gestão na SES/GO, não lhe foi dado
conhecimento de que havia irregularidades e, portanto, não poderia ser responsabilizado por atos de seus
subordinados, conforme previsto no art. 80, § 2º, do Decreto-lei 200/67. Por fim, alegou que o tema da
desoneração/oneração do ICMS não era consenso entre os órgãos estaduais envolvidos.
85. Sobre o procedimento de oneração/desoneração do ICMS, faço remissão aos comentários tecidos nas
seções anteriores, que demonstram a irregularidade da conduta da empresa e dos pagamentos efetuados pelo
gestor.
86. No tocante aos argumentos de ausência de responsabilidade do gestor e de controvérsia sobre a
oneração/desoneração, não há como aceitá-los.
87. É certo que o Sr. Fernando Passos dependia da atuação de seus subordinados para realizar tarefas
vinculadas ao ato final de autorização de pagamento da despesa, como a preparação do respectivo processo e a
atestação da entrega do material, entre outras. No entanto, há que se ressaltar que a autorização de pagamento
não se resume à mera aposição de assinatura na ordem bancária. É necessário que o gestor adote procedimentos
independentes para se certificar da correção da despesa que lhe é apresentada para pagamento. No caso em tela,
bastaria que o gestor retrocedesse algumas folhas no processo de pagamento para verificar que o preço unitário
lançado na ordem de fornecimento havia sido majorado nas notas fiscais (vide peça 12). Como os processos
seguiram seu curso e resultaram na concretização de pagamentos indevidos, conclui-se que, ou o gestor agiu com
negligência deixando de efetuar verificações mínimas quando da autorização, ou concordou com o procedimento,
atuando de forma conivente.
88. Nesse contexto, tem-se que a existência de controvérsia sobre a oneração/desoneração não releva a
conduta do gestor. Como já destacado nas seções anteriores, a regra estabelecida nos editais da SES/GO era a
apresentação de propostas oneradas. Essa regra era notória. Mesmo havendo questionamento, as respostas
elaboradas por diversas instâncias jurídicas deixavam claro que a regra fixada no edital deveria ser observada,
cabendo adotar procedimentos alternativos apenas quando o instrumento convocatório fosse omisso ou quando da
edição de novos editais.
89. Tal é o caso do multicitado Parecer GOT 104/2004, emitido pela Gerência de Orientação Tributária da
Secretaria de Fazenda. O documento afirmava claramente que, nos casos em que o edital da licitação fosse
omisso, poderiam ser adotados, alternativamente, três procedimentos, a saber, i) a apresentação da proposta
desonerada com acréscimo e abatimento posteriores do ICMS na nota fiscal; ii) a apresentação da proposta
onerada com desconto do imposto na nota fiscal; ou, iii) apresentação da proposta com os dois valores, onerado e
desonerado. Como no caso em tela o edital não era omisso, era obrigatória da disposição ali estabelecida, ou seja,
a apresentação de propostas oneradas.
96

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

90. Seguindo nessa direção, diversos pareceres emitidos pela Procuradoria Geral do Estado (e. g. Despacho
AG 1298/2007) deixavam assente que a alteração da regra de oneração das propostas somente poderia ser
aplicada em editais futuros (vide comentários nas seções anteriores).
91. Por conseguinte, considerando que o Sr. Fernando Passos Cupertino de Barros não adotou providências
que garantissem a observância dos termos do edital, de modo a impedir a efetivação de pagamentos indevidos e a
concretização do dano ao erário, não há como afastar sua responsabilidade sobre o débito.’
7.11. Neste caso, o edital explicitou claramente sua regra. Não se denota ilegalidade acrescer o
imposto e depois retirá-lo diante da sua isenção, até porque essa isenção é para alguns remédios, e ao
retirá-la demonstra-se, assim, o atendimento ao normativo de forma transparente.
7.12. Portanto, não se verifica a alegada irregularidade no edital, tendo em vista que este não
impõe a cobrança de imposto isento, mas sim sua consideração no preço, para posterior desoneração,
informando aos órgãos competentes o atendimento aos dispositivos legais. Conclui-se, assim, que a
observância estrita dos termos do edital não traria qualquer prejuízo à ordem legal, inexistindo a
ilegalidade apontada.
7.13. Registre-se não ser competência das empresas licitantes modificarem as regras do edital por
conta própria sob a alegação de que entenderam que determinado dispositivo era ilegal. Há meios
próprios para alteração das regras, que não foram utilizados pela recorrente, optando, segundo alega,
por agir por conta própria, sob pena de futura responsabilização. Essa alegação apenas permite concluir
que assumiu o risco de contrariar os termos do edital sem qualquer amparo jurídico ou administrativo.
7.14. Nesse sentido, havendo declaração de que as empresas licitantes anuíram aos termos do
edital, comprova-se que o ICMS estava embutido no preço, e a sua não desoneração causou prejuízo ao
Erário, diante da isenção do imposto. Dessa forma, a demonstração nos autos de que o ICMS foi incluído
na proposta é aceitação pelas empresas dos termos do edital, caso contrário, deveriam ter sido
eliminadas do certame, o que não ocorreu, conforme afirmou o pregoeiro, que se baseou nas declarações
de aceitação integral dos termos do edital diante da ausência de questionamentos tanto do edital quanto
das propostas das licitantes (peça 55, p. 14, item 14). Destaque-se que no voto da decisão recorrida
delimitou-se a origem do dano ao erário de forma cristalina e exaustiva (peça 55, p. 3-6, itens 11-24).
7.15. Considera-se que, acertadamente, a declaração dita genérica pelos recorrentes se sobrepôs à
específica, sob pena de desclassificação das propostas. Atente-se que a participação na licitação implica,
automaticamente, na aceitação integral dos termos do Edital, de seus anexos e leis aplicáveis, ou seja,
bastava sua participação, mas havia também a declaração de aceite dos termos do edital. Nessa linha, a
soma desses fatos reforça a prova dos autos no sentido de que as propostas já estavam oneradas
conforme edital e que não foi realizada sua desoneração no momento da cobrança.
7.16. Veja-se que o edital previa expressamente a inclusão do tributo nos preços propostos, bem
como a necessidade de destacar a isenção na nota fiscal e excluir o montante do valor a ser pago, como
a seguir transcrito (peça 3, p. 15).
5.3. Os preços propostos deverão ser apresentados com a inclusão de todos os tributos, inclusive ICMS.
5.3.1. As empresas que venham a ser vencedoras do certame deverão atender aos termos do Convênio ICMS
nº 87/2002-CONFAZ, e ao Decreto nº 5.825/03, no que couber, devendo conceder a isenção do ICMS relativo ao
produto cotado quando da emissão da nota fiscal, incluindo no bojo da referida nota o destaque do valor da
isenção concedida.
OBS: A empresa estabelecida no Estado de Goiás que venha a ser vencedora do certame, deverá atender
aos termos do Convênio ICMS 26/03 CONFAZ, regulamentado pelo Decreto Estadual nº 5.825 de 05.09.2003, que
concede isenção do recolhimento do ICMS relativo ao produto cotado, para tanto, quando da emissão da Nota
Fiscal, deverá destacar em seu histórico esta isenção e excluir do valor a ser pago pela parcela do numerário
referente à isenção visto que a Secretaria de Estado da Saúde não é contribuinte deste tributo.
7.17. No que tange à perda de isonomia entre os licitantes, estas deveriam ter arguido essa questão
no momento oportuno, uma vez superada a fase recursal no âmbito da licitação, tem-se que todos os
participantes anuíram aos termos do edital e, portanto, sabendo da regra do ICMS imposta pela lei
interna do certame para formulação da proposta de empresa, cada empresa deveria adotar a estratégia
mais interessante para vencer a licitação considerando todos os ônus inerentes a sua condição. Nesse
97

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

sentido, anui-se ao entendimento do Acórdão 1.344/2013 – Plenário, relator Exmo. Ministro Augusto
Sherman (TC 027.013/2010-3), no seguinte sentido quando afastou a aplicabilidade do Acórdão
140/2012-TCU-Plenário, relator Exmo. Ministro Walton Alencar Rodrigues, àquele caso concreto (grifos
acrescidos):
77. Ocorre que os editais-padrão adotados no Estado de Goiás consideraram a hipótese de fornecimento de
medicamentos abrangidos por ambos os convênios, não separando, em cada caso, editais específicos para
compras de medicamentos constantes do Convênio ICMS 87/2002 de outros não integrantes de seu anexo. Ao
considerar também nos editais a incidência do Convênio ICMS 26/2003, optou o Estado de Goiás por comparar
propostas oneradas com ICMS, não importando se o medicamento estava, ou não, enquadrado também no
Convênio ICMS 87/2002. Basta ler o que consta dos itens 5.3, 5.3.1 e respectiva observação constantes do edital.
78. De se ver, portanto, que a escolha do edital foi a apresentação de propostas oneradas com ICMS, pouco
importando, para fins de aceitação da proposta, se haveria desoneração na ocasião do imposto por conta de um
ou de outro convênio. As discussões sobre a exigência ou não de propostas oneradas por ICMS nos editais de
compra de medicamento passaram ao largo do problema tratado nestes autos, pois aqui não se questiona se um
ou outro procedimento atenderia ao princípio licitatório da isonomia entre licitantes conforme analisado no
Acórdão 140/2012, mas se a empresa, ao apresentar proposta considerada válida, aderiu ou não aos termos do
edita l, e, assim o fazendo, só poderia sua proposta ser considerada onerada de ICMS, pois isto foi claramente
exigido no edital, na lei interna da licitação. É justamente o que se demonstrou ao longo de todo o processo, seja
pela comissão instauradora da TCE, seja pelos pareceres da unidade técnica e do Ministério Público, seja em
razão do demonstrado por este Relator.
7.18. Leitura atenta do excerto acima permite concluir que também não é possível aplicar a este
caso as conclusões do Acórdão 140/2012-TCU-Plenário, relator Ministro Walton Alencar Rodrigues,
pois as regras do edital eram claras, não tendo sido questionadas oportunamente seja no âmbito recursal
da licitação ou até mesmo nesta Corte de Contas por meio de representação. Apesar de afirmar que
todas as empresas teriam ofertado seus preços sem a incidência do ICMS, não era possível saber nem
presumir previamente que todas resolveriam contrariar o edital, como alegam. Violar o princípio da
isonomia, seria acatar, neste momento, o não cumprimento dos termos do edital.
7.19. No mesmo sentido deve ser afastado do presente caso concreto o entendimento proferido no
âmbito do Acórdão 3596/2014 – TCU – Plenário, relator Ministro André Luís de Carvalho. Isto porque
no referido caso o edital facultava a apresentação do preço com a dedução do imposto. Já no presente
caso a regra era clara e impositiva. Para reforçar esse argumento, reproduz-se excerto do relatório do
Acórdão 3596/2014 – TCU – Plenário (grifos acrescidos):
32. Para corroborar a tese da não compulsoriedade da isenção do ICMS, junta aos autos cópia do edital do
Pregão Presencial para Registro de Preços nº 086/2007, realizado pela Secretaria de Saúde do Estado de São
Paulo, onde consta que ‘é facultada a apresentação do preço do item cotado com a dedução relativa à isenção do
ICMS prevista no Convênio Confaz nº 87/2002’ (peça 63, p. 4).
7.20. Já no âmbito do Acórdão 1154/2013 – TCU – Plenário, relator Ministro Valmir Campelo, os
responsáveis foram condenados em multa e foi determinada apuração de débito pela Secex/PB. Importa
consignar que se encontra em tramitação na Secex/PB processo de tomada de contas especial (TC
023.957/2016-6), instaurada mediante o Acórdão 1701/2016-TCU-Plenário, que foi proferido no âmbito
do TC 018.267/2015-7, o qual foi autuado como monitoramento, em atendimento ao item 9.9.2 do
referido acórdão, o qual determinou que se promovesse novo cálculo para apurar possível dano aos
cofres públicos federais decorrente das vendas de medicamentos excepcionais à SES/PB por preços
acima do Preço Máximo de Venda ao Governo (PMVG). Dessa forma, o debito não foi afastado como
alega o recorrente.
7.21. No presente caso, a Corte entendeu que o cálculo do débito não necessita de mais produção
de prova. Nessa linha, como instância distinta da judiciária, possui liberdade para entender que as
provas que contam dos autos são suficientes para tomada de decisão.
7.22. A alegação de que a desoneração do imposto acarretaria propostas inexequíveis veio
desacompanhada de documentação comprobatória. Há no mercado farmacêutico preços variados para
cada medicação havendo preço máximo ao consumidor, mas não preço mínimo estabelecido para venda,
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

devendo argumentos como esses serem cabalmente demonstrados, o que não se fez nos presentes autos.
O que se depreende das alegações da empresa é inconformismo pela diferença de preço ofertado entre
ela e suas concorrentes.
7.23. O valor do ICMS não era zero real como alega a recorrente. Quando há isenção de imposto,
renuncia-se a receita tributária e tal renúncia deve ser adequadamente contabilizada, devendo, portanto,
constar do documento fiscal. Inexistência de imposto é diferente de isenção de imposto. O edital da
licitação em questão estabeleceu a metodologia para inclusão de todos os impostos e posterior
desoneração daqueles isentos, o que foi desrespeitado pelas contratadas, que cobraram do contratante o
imposto já embutido no preço, quando deveriam tê-lo descontado para, então, ser pago o preço isento do
imposto, daí decorre o dano ao erário calculado pela decisão recorrida.
7.24. Quanto à alíquota a ser utilizada no cálculo do débito, considera-se adequada a alíquota de
17% pelo simples fato de ter sido essa a alíquota aplicada pelas empresas nas notas fiscais contestadas.
Note-se, ainda, que no voto da decisão recorrida, à peça 55, p. 18-19, itens 79 e 80, esse argumento foi
assim afastado:
VI – Da impossibilidade de considerar uma alíquota menor nos fornecimentos
79. Conforme indicado no derradeiro parecer do Ministério Público, precavendo-se contra a eventual
derrocada de seus argumentos anteriores, as empresas Hospfar e Medcomerce tentam, em linha adicional de
defesa, minimizar seus possíveis prejuízos lembrando que, como distribuidoras atacadistas de medicamentos,
seriam beneficiadas pela redução do ICMS de 17% para 10% (10,25%), garantida pela Lei 4.852/1997
(Regulamento do Código Tributário do Estado de Goiás), anexo IX, art. 8º, inc. VIII. Assim, na eventualidade de
terem de restituir valores ao erário em razão da incidência indevida de ICMS no contrato considerado, pleiteiam
que esses valores não sejam calculados com base no percentual de 17%, como se fez na presente TCE, mas sim de
10%.
80. Conforme considerações apresentadas pelo Parquet especializado e demais elementos dos autos, os
quais desautorizam o raciocínio da empresa defendente, são incontestes alguns fatos contrários ao pleiteado pelas
responsáveis: a) consta dos autos a seguinte declaração expressa da Hospfar: ‘Declaramos que a alíquota de
ICMS para o Estado de Goiás é de 17% (dezessete por cento)’, conforme fls. 13, peça nº 4; b) os preços cotados
pelas licitantes para os itens 1, 3, 4 e 6 foram iguais ou superiores àqueles constantes da estimativa da licitação,
os quais sabidamente estavam onerados com ICMS à alíquota de 17%; c) as notas fiscais foram emitidas com
majoração e posterior dedução do ICMS à alíquota de 17% e não de 10%, conforme pleiteiam as empresas.
Ademais, a aplicação do percentual referido pelas defendentes nas faturas objeto de impugnação carece de efetiva
comprovação. Portanto, não se sustenta tal alegação de defesa.
7.25. Anui-se ao entendimento acima.
7.26. No que tange às alegações relativas aos preços cotados e os de mercado, é importante
esclarecer que não se questionou a ocorrência de sobrepreço ou desconformidade de preços com o
mercado, mas sim a adoção de procedimento contrário ao edital, que resultou em pagamentos indevidos
à empresa fornecedora dos medicamentos. Como já explanado anteriormente, o edital da licitação
determinava a apresentação de propostas com os preços onerados pelo ICMS e o abatimento do tributo
quando do pagamento. No entanto, a empresa sob o pretexto de que havia apresentado proposta
desonerada, faturava o valor adjudicado, que já incluía o ICMS, e acrescia novamente o imposto,
embolsando, portanto, valor superior ao devido.
7.27. A recorrente considera, ainda, ter havido violação do princípio da não cumulatividade do
ICMS. Esse questionamento deve ser levado ao foro adequado, pois considera que não deveria ter sido
cobrado ICMS quando adquiriu o produto para distribuição com isenção de imposto à Administração
Pública. Note-se que a Administração Pública tem apenas a obrigação de pagar pelo medicamento com
isenção do ICMS, sob pena de dano ao erário, conforme ocorrido neste processo. Caso a empresa
considere que ela possui um crédito tributário em relação a contrato firmado com outra empresa
privada, ela deve recorrer às instâncias competentes.
7.28. Atente-se que os agentes públicos responsáveis também foram condenados pelos atos que
contribuíram para ocorrência do dano ao erário, não sendo seus erros motivo de afastamento da causa
99

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

primária da ocorrência do dano ao erário, qual seja, descumprimento dos termos do edital pela
recorrente.
7.29. O TCU entendeu pelo afastamento da responsabilidade do pregoeiro, pois seus atos não
estavam relacionados aos pagamentos irregulares (peça 55, p. 20, item 91), não cabendo neste momento
recursal rediscutir a sua culpabilidade. Note-se que a decisão recorrida realizou a individualização da
conduta de cada agente que contribuiu para o dano, devendo cada responsável afastar o ato irregular
que lhe foi atribuído (peça 56, p. 8-9).
7.30. Ademais, não há que se falar em mera falha formal quando se identifica dano ao Erário
resultante de inobservância de regra clara constante do edital.
7.31. No que tange aos atos relatados pelo Sr. Cairo para retenção pagamentos quando percebeu a
falha, esta ação foi considerada pela decisão recorrida como atenuante, tendo sido afastadas a pena de
multa incidente sobre o débito (art. 57 da Lei 8443/1992, peça 70, p. 22, itens 90-92). Portanto, esse
argumento já foi considerado para atenuar a condenação. No entanto, não se pode aplicar a pena de
multa do art. 58 da Lei 8443/1992, como requer o indigitado, pois este praticou atos de pagamentos
irregulares que contribuíram para a ocorrência do dano ao Erário, daí decorrendo sua responsabilidade
solidária pelo débito. A lei não impõe provar locupletamento indevido, mas apenas que seus atos
contribuíram para o dano, ou seja, que este decorreu de ato de gestão ilegítimo ou antieconômico (Lei
8443/1992, art. 16 § 2°).
7.32. Isso posto, mantêm-se inalteradas as imputações de débito. Quanto ao juízo de irregularidade
atribuído às condutas dos então dirigentes da SES/GO, não está condicionado à investigação da
existência de boa-fé, porquanto suas responsabilidades advêm do fato de terem autorizado os
questionados pagamentos, prescindindo-se da obrigação de se aterem aos dispositivos licitatórios.
7.33. O edital é a lei do certame e deve ser observado em todos os momentos, inclusive quando
forem praticados atos de pagamento. Não é possível aceitar a alegação de que o recorrente Sr. Cairo era
agente político com muitas atribuições, porque foi ele que diretamente autorizou os pagamentos sem
observar as regras do edital e que, portanto, deram causa ao dano ao erário. Nessa linha, as contas do
recorrente foram julgadas irregulares com consequente condenação em débito, em razão de pagamentos
indevidos à empresa Medcomerce (peça 56, p. 8, item 55), decorrentes da aquisição de medicamentos
viabilizada pelo Pregão 201/2005, considerando-se que os valores faturados deveriam coincidir com os
valores consignados em ordem de fornecimento e em seguida serem desonerados do tributo de ICMS,
conforme estipulado em edital, mas assim não procedeu atraindo para sai reponsabilidade solidária
pelo dano ao Erário.
7.34. Ademais, há que se ressaltar que a autorização de pagamento não se resume à mera aposição
de assinatura na ordem bancária. É necessário que o gestor adote procedimentos independentes para se
certificar da correção da despesa que lhe é apresentada para pagamento. No caso em tela, bastaria que
o gestor retrocedesse algumas folhas no processo de pagamento para verificar que o preço unitário
lançado na ordem de fornecimento havia sido majorado nas notas fiscais. Como os processos seguiram
seu curso e resultaram na concretização de pagamentos indevidos, conclui-se que, ou o gestor agiu com
negligência deixando de efetuar verificações mínimas quando da autorização, ou concordou com o
procedimento, atuando de forma conivente.
7.35. De outro modo, a responsabilidade dos agentes políticos, que segundo jurisprudência do
TCU, também se opera pela culpa in eligendo, para os atos descentralizados praticados sob a
determinação do dirigente hierárquico. Assim, o Secretário de Saúde é quem escolhe os seus
subordinados. No momento da escolha o gestor não pode ser negligente ao preencher os principais
cargos de comando operacional da máquina administrativa, que, neste caso, acabaram por propiciar
prejuízo ao erário. Portanto, não cabe acolhida aos argumentos da defesa.
7.36. Por fim, quanto a valores que teriam sido retidos pelo Estado de Goiás, importante informar
que à peça 55, p. 19, itens 81-84 esta Corte entendeu não haver recursos federais retidos pelo ente
estadual.
100

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

7.37. Ademais, não haverá tríplice cobrança sobre um mesmo fato gerador. Note-se que o
reconhecimento do dano pode ocorrer em diferentes esferas jurídicas, com consequências jurídicas
distintas, mas o ressarcimento será apenas um, sob pena de enriquecimento ilícito da União, o que seria
afastado judicialmente. Atente-se estar diante de processo de conhecimento, o de execução será em outra
oportunidade. No âmbito do processo de execução, poder-se-á comprovar que o ressarcimento já foi
realizado, como alegam os recorrentes, mediante a apresentação das provas que julgar adequadas.
7.38. Nesse sentido, foge à competência desta Corte de Contas arbitrar conflitos entre a
Administração Estadual e as empresas contratadas e demais devedores solidários, o que deve ser
dirimido no âmbito do processo judicial, bem como arguido no processo de execução do débito cominado
pela decisão recorrida. Anui-se, assim, ao disposto no voto da decisão recorrida, à peça 55, p. 19, itens
81-84 e peça 56, p 11.
7.39. Os recorrentes, se desejarem, podem utilizar-se, por exemplo, da ação regressiva, quando
serão analisadas todas as provas bem como respeitado o devido processo legal para defesa de todas as
partes envolvidas. No âmbito desta Corte, resta caracterizado o dano ao erário e a necessidade de
ressarcir os cofres públicos federais. Caso esse ressarcimento já tenha sido feito, até mesmo a maior
como alega a indigitada, no momento e ação oportunos será feito o necessário e justo ajuste. Portanto, o
fato de haver a possiblidade de inexistir a necessidade de devolver os recursos aos cofres públicos, o que
será averiguado em momento posterior, não afasta a ocorrência do dano ao erário, sendo, improcedente
o pedido de afastamento do débito.
INFORMAÇÃO ADICIONAL
8. A empresa Hospfar solicita que as comunicações sejam encaminhadas ao seu advogado Antônio
Augusto Rosa Gilberti (OAB/GO 11.703) (peça 120, p. 42). Já a empresa Medcomerce requer que as
comunicações sejam encaminhadas ao seu advogado Marlus Vinicius Siqueira (OAB/GO 32.670) (peça
82, p. 16).
8.1. Informe-se, por fim, o impedimento do Exmo. Ministro Aroldo Cedraz (peça 122, p. 3, item
2.6.2).
CONCLUSÃO
9. Da análise anterior, conclui-se, preliminarmente, que não cabe sobrestar o presente processo na
medida em que o posicionamento atual do Supremo Tribunal Federal em nada altera a
imprescritibilidade do débito nos processos em curso nesta Corte de Contas.
9.1. No mérito, entendem-se adequadas as conclusões da decisão recorrida no sentido de que
houve dano ao erário na contratação resultante do Pregão 201/2005 diante da inobservância dos termos
do edital no momento do pagamento das faturas, tendo em vista que estas não descontaram dos preços
ofertados, diante de sua isenção, o ICMS, que já havia onerado o preço no momento da elaboração das
propostas de preço.
9.2. Dessa forma, propõe-se o não provimento dos recursos.
PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO
10. Ante o exposto, submete-se à consideração superior a presente análise dos recursos de
reconsideração interpostos por Hospfar Ind e Com de Produtos Hospitalares Ltda. – Hospfar, Cairo
Alberto de Freitas e Medcomerce - Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda. –
Medcomerce, contra o Acórdão 1543/2016 - TCU - Plenário, com fundamento no art. 32 e 33, da Lei
8.443/1992 c/c art. 285 do RI/TCU:
a) conhecer dos recursos e, no mérito, negar-lhes provimento; e
b) comunicar da decisão que vier a ser adotada à Procuradoria da República no Estado de Goiás,
em consonância com o disposto no art. 16, § 3º, da Lei 8.443/1992, bem como ao Ministério Público do
Estado de Goiás, ao Tribunal de Contas do Estado de Goiás e à Secretaria da Saúde do Estado de Goiás,
aos recorrentes bem como aos demais interessados.”

VOTO
Cuidam os autos, originalmente, de tomada de conta especial instaurada em cumprimento à
101

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

determinação do item 9.2.3 do Acórdão 45/2008-Plenário, pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás
(SES/GO), em decorrência de indícios de pagamentos irregulares referentes aos contratos oriundos do
Pregão 201/2005, celebrados com as sociedades empresárias Hospfar Indústria e Comércio de Produtos
Hospitalares Ltda. e Medcomerce - Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda., para
aquisição de medicamentos de alto custo, com recursos federais, transferidos ao ente federativo, por meio
do Sistema Único de Saúde (SUS).
Mediante o Acórdão 1.543/2016-Plenário (peça 54), esta Corte julgou irregulares as contas de Cairo
Alberto de Freitas, então Secretário de Estado da Saúde, de Antônio Durval de Oliveira Borges, então
Superintendente de Administração e Finanças de Goiás, e das empresas Hospfar e Medcomerce,
condenando-os ao pagamento de débito e multa.
O Acórdão 1.543/2016 foi mantido, na íntegra, pelo Acórdão 1.316/2017-Plenário, que rejeitou os
embargos de declaração opostos por Cairo Alberto de Freitas e pela empresa Hospfar.
Na atual fase processual, apreciam-se os recursos de reconsideração interpostos contra o Acórdão
1.543/2016-Plenário, por Cairo Alberto de Freitas, Hospfar e Medcomerce.
Em preliminar, a Hospfar requer sobrestamento processual, até que o E. STF julgue o RE 852.475,
ao qual foi concedida repercussão geral, o que, no seu entender, impactará todas as causas que busquem o
ressarcimento ao Erário.
No mérito, o cerne da defesa apresentada pelas empresas contratadas está na alegação de que
propuseram preços já desonerados de ICMS, sendo, portanto, descabido voltar a deduzir, por ocasião dos
pagamentos, o valor correspondente a esse tributo.
O gestor, por sua vez, alega que, à época, a matéria não se encontrava sedimentada no âmbito da
Administração; reteve parte dos pagamentos para evitar a consecução do dano; era do pregoeiro, e não
sua, a obrigação de fiscalizar as propostas das licitantes; não se beneficiou dos valores pagos a maior; e
atuou com convicção de que sua conduta estava correta.
A unidade instrutiva propõe, com anuência do representante do MP/TCU, a negativa de provimento
aos recursos.
Feita essa breve síntese dos fatos, passo a decidir.
Conheço dos recursos, porquanto preenchidos os requisitos de admissibilidade atinentes à espécie.
Não há como acolher o pedido de sobrestamento dos autos. Os efeitos da repercussão geral
concedida do RE 852.475, sobre os processos desta Corte de Contas, foram minuciosamente examinados
no âmbito do TC 020.045/2015-8, que também trata de TCE instaurada a partir de determinação contida
no subitem 9.2.2 do Acórdão 45/2008-Plenário, em razão de pagamentos a maior, realizados em benefício
das sociedades empresárias ora recorrentes.
Naqueles autos, o E. Ministro-Relator Augusto Nardes consignou que “a decisão de suspensão de
processamento de demandas em que esteja em debate a prescrição do pedido de ressarcimento ao erário
baseado em título de Tribunal de Contas alcançou tão somente a fase judicial de cobrança do título
extrajudicial exarado com a decisão das Cortes de Contas, não atingindo diretamente os processos de
contas em trâmite neste Pretório de Contas, em face do princípio da independência das instâncias
administrativa e judicial”.
Com base nesse entendimento, esta Corte proferiu o Acórdão 8.712/2017-2ª Câmara, acolhendo
parcialmente os embargos para “esclarecer que o posicionamento atual do Supremo Tribunal Federal em
nada altera a imprescritibilidade do débito nos processos em curso nesta Corte de Contas, mantendo-se,
entretanto, a parte dispositiva da decisão recorrida em seus exatos termos”.
Oportuno mencionar que, entre os vários processos autuados em decorrência do comando contido
no Acórdão 45/2008-Plenário, em pelo menos quatro deles, esta Corte examinou recursos de
reconsideração que continham o argumento e manteve a condenação em débito das contratadas: TC
016.833/2009-9 (Acórdão 1.989/2014-Plenário, Relatora Ministra Ana Arraes); TC 006.096/2013-1
(Acórdão 5.732/2017-1ª Câmara, Relator José Múcio Monteiro), TC 003.490/2015-7 (Acórdão
6.308/2018-2ª Câmara, Relator Ministro Augusto Nardes) e TC 020.045/2015-8 (Acórdão 3.780/2018-2ª
Câmara, Relator José Múcio Monteiro).
102

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

No mérito, as alegações recursais foram devidamente refutadas pela unidade instrutiva, por
intermédio da instrução transcrita no relatório, cujas análises e conclusões incorporo na íntegra às minhas
razões de decidir, sem prejuízo dos comentários a seguir.
Não socorre os recorrentes a alegação de que os preços por elas propostos estavam desonerados de
ICMS.
Na época da licitação, os medicamentos a cuja aquisição se destinava o Pregão 201/2005 estavam
isentos do recolhimento de ICMS para estabelecidas no Estado de Goiás, conforme Convênio ICMS
87/02-Confaz e Decreto Estadual 5.825/2003. Buscando conferir isonomia entre licitantes beneficiados
pela isenção e instalados nos demais estados da federação, o instrumento convocatório estabeleceu,
expressamente, para fins de julgamento e comparação entre propostas, que os preços ofertados pelas
licitantes deveriam incluir todos os impostos. Porém, por ocasião da emissão da nota fiscal, o valor do
imposto deveria ser destacado e excluído do valor a ser pago.
“5.3. Os preços propostos deverão ser apresentados com a inclusão de todos os tributos, inclusive ICMS.
5.3.1. Para o ICMS relativo ao produto cotado, deverá ser utilizada alíquota interna de origem (art. 155,
parágrafo 2º, inciso VII, alínea ‘b’, da Constituição Federal), bem como para emissão das respectivas Notas
Fiscais.
OBS: A empresa estabelecida no Estado de Goiás que venha a ser vencedora do certame deverá atender aos
termos do Convênio ICMS 87/02 Confaz, regulamentado pelo Decreto Estadual nº 5.825, de 05.09.2003, que
concede isenção do recolhimento do ICMS relativo ao produto cotado, para tanto, quando da emissão da Nota
Fiscal, deverá destacar em seu histórico esta isenção e excluir do valor a ser pago pela parcela do numerário
referente à isenção visto que a Secretaria de Estado da Saúde não é contribuinte deste tributo.” (grifei)
Ocorre que, ao faturarem os medicamentos, as contratadas acresceram o valor do ICMS na nota
fiscal, para, em seguida, removê-lo, o que, na prática, fez com que os valores pagos incluíssem o tributo,
mesmo com as sociedades empresárias se beneficiando da isenção fiscal.
Ora, as propostas apresentadas pelas licitantes foram julgadas em consonância com o que dispunha
o edital, e não com a vontade não externada dos ora recorrentes. Se a Hospfar e a Medcomerce
discordavam ou reputavam inválida a regra, cabia-lhes impugnar o instrumento convocatório ou, em
último caso, absterem-se de participar do certame. Jamais apresentarem propostas dissonantes do que
dispunha o texto do edital, fundadas na interpretação que lhes convinha. Ao assim procederem,
assumiram o risco de que a literalidade instrumento convocatório ao final prevalecesse e, com isso,
viessem a ser obrigadas a fornecer o objeto contratado nos exatos termos da regra editalícia de que
dissentiam.
Não socorre Cairo Alberto de Freitas a alegação de que não foi omisso e agiu de boa-fé. Ao
autorizar e realizar os pagamentos indevidos sem atentar para as regras do edital, o ex-Secretário de
Estado da Saúde contribuiu decisivamente para concretização do dano, o que lhe impõe a
responsabilização solidária de ressarcimento ao Erário. A posterior adoção de medidas corretivas pelo
gestor foi sopesada por esta Corte por ocasião da prolação da deliberação recorrida. Tanto assim que não
lhe foi aplicada multa.
Por essas razões, em consonância com os precedentes desta Corte que examinaram condutas e
argumentos equivalentes, bem assim com a instrução transcrita no relatório, reputo que os recursos de
reconsideração em tela não contêm elementos capazes de modificar o entendimento em que se baseia a
condenação dos recorrentes.
Ante o exposto, voto por que o Tribunal adote a deliberação que submeto a este Colegiado.

ACÓRDÃO Nº 952/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 004.592/2010-7.
2. Grupo I – Classe de Assunto: I - Recurso de reconsideração em tomada de contas especial
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
103

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

3.1. Interessado: Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (02.529.964/0001-57)


3.2. Responsáveis: Antônio Durval de Oliveira Borges (194.347.401-00); Cairo Alberto de Freitas
(216.542.981-15); Hospfar Industria e Comercio de Produtos Hospitalares S.A. (26.921.908/0001-21);
Medcomerce Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda. (37.396.017/0001-10)
3.3. Recorrentes: Medcomerce Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda
(37.396.017/0001-10); Cairo Alberto de Freitas (216.542.981-15); Hospfar Industria e Comercio de
Produtos Hospitalares S.A. (26.921.908/0001-21).
4. Órgão: Secretaria de Estado da Saúde de Goiás.
5. Relator: Ministro Walton Alencar Rodrigues
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti.
6. Representante do Ministério Público: Procurador Júlio Marcelo de Oliveira.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Recursos (SERUR).
8.1. Lincoln Magalhaes da Rocha (24.089/OAB-DF) e outros, representando Hospfar Industria e
Comercio de Produtos Hospitalares S.A.
8.2. Pedro Henrique Gomide Rodrigues (25.687E/OAB-GO) e outros, representando Medcomerce
Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda., e Medcomerce Com de Med e Prod
Hospitalares Ltda.;
8.3. Arthur Simas Pinheiro (48314/OAB-DF) e outros, representando Cairo Alberto de Freitas.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes recursos de reconsideração interpostos contra o Acórdão
1.543/2016-Plenário.
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator e com fundamento nos arts. 32 e 33 da Lei 8.443/1992, em:
9.1. conhecer dos recursos de reconsideração interpostos por Cairo Alberto de Freitas, Medcomerce
- Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda. e Hospfar Indústria e Comércio de Produtos
Hospitalares Ltda., para, no mérito, negar-lhes provimento; e
9.2. dar ciência desta deliberação às recorrentes, à Procuradoria da República no Estado de Goiás,
ao Ministério Público do Estado de Goiás, ao Tribunal de Contas do Estado de Goiás e à Secretaria de
Estado de Saúde de Goiás.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0952-14/19-P.

13. Especificação do quórum:


13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues (Relator),
Benjamin Zymler, Augusto Nardes, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa e
Weder de Oliveira.

GRUPO II – CLASSE I – Plenário


TC 009.758/2009-3 [Apensos: TC 029.549/2009-0, TC 020.388/2009-7, TC 019.076/2014-2]
Natureza: Relatório de Levantamento
Órgão/Entidade: Petróleo Brasileiro S.A.
Responsáveis: Glauco Colepicolo Legatti (257.952.286-72); Ivo Baer (291.043.199-15); José
Sérgio Gabrielli de Azevedo (042.750.395-72); Petróleo Brasileiro S.a. (33.000.167/0001-01); Sérgio dos
Santos Arantes (335.417.367-04)
104

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Interessados: Alumini Engenharia S.A. - Em Recuperação Judicial (58.580.465/0001-49);


Congresso Nacional; Consórcio CII – Consórcio Ipojuca Interligações (11.387.267/0001-08); Consórcio
Camargo Correa - Cnec (10.517.133/0001-93); Consórcio Enfil/Veolia - Rnest - PE (10.793.948/0001-
03); Consórcio Entre Montcalm/SES Rnest - Petrobras (11.406.160/0001-51); Consórcio Rnest - Conest
(11.045.775/0001-08); Consórcio Rnest O. C. Edificações (10.710.987/0001-91); Consórcio Techint
Confab UMSA (10.701.834/0001-88); Consórcio Tome Alusa Galvão (10.751.878/0001-12); Consórcio
Construcap - Progen (11.040.123/0001-72); Consórcio Conduto-Egesa (11.207.104/0001-98); Consórcio
Etdi (11.185.091/0001-01); Galvão Engenharia S/A (01.340.937/0001-79); Jaraguá Equipamentos
Industriais Ltda. (60.395.126/0001-34)
Representação legal: Antonio Carneiro Maia Neto (138.278/OAB-RJ) e outros, representando
Petróleo Brasileiro S.a.; Flávia Regina Rapatoni (141669/OAB-SP) e outros, representando Consórcio
Enfil/Veolia - Rnest - PE; Tathiane Vieira Viggiano Fernandes (27.154/OAB-DF) e outros, representando
Consórcio Techint Confab Umsa, Consórcio Ipojuca Interligacoes, Consórcio Rnest - Conest e
Construcap - Progen; Mauro Grecco (81445/OAB-SP) e outros, representando Consórcio Camargo
Correa/ Cnec; Gilberto Mendes Calasans Gomes (43.391/OAB-DF), representando Consórcio Camargo
Correa/ Cnec e Consórcio Cncc - Camargo Correa - Cnec; Wellington Cristiano da Fonseca e outros,
representando Egesa Engenharia S/A; Raquel Maria Silva Campos (108.953/OAB-MG), representando
Egesa Engenharia S/A e Consórcio Conduto.

SUMÁRIO: RELATÓRIO DE AUDITORIA. IRREGULARIDADES NO ANEXO


CONTRATUAL RELATIVO AO RESSARCIMENTO DE PARALISAÇÕES DE FRENTES DE
SERVIÇO EM RAZÃO DE CHUVAS E DESCARGAS ATMOSFÉRICAS. PEDIDOS DE REEXAME.
CONHECIMENTO. PROVIMENTO QUANTO À PRELIMINAR SOBRE CERCEAMENTO DE
DEFESA. ANULAÇÃO DO ITEM 9.1. DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONCESSÃO DE VISTA E
CÓPIA DAS PEÇAS RESTRITAS À PETROBRÁS. ANÁLISE DE EVENTUAIS NOVOS
ELEMENTOS DE DEFESA NOS PROCESSOS DETERMINADOS PELO ITEM 9.2. DO ACÓRDÃO
RECORRIDO. CIÊNCIA.
- O Tribunal deve garantir o exercício do direito de defesa das partes de forma plena, sem restringir
o acesso a documentos classificados como sigilosos, sem a devida fundamentação para a restrição
adotada.

RELATÓRIO
Adoto, como relatório, instrução elaborada no âmbito da Secretaria de Recursos (Serur), que contou
com a anuência do corpo diretivo da unidade técnica (peças 495-497):
INTRODUÇÃO
1. Trata-se de pedidos de reexame (peças 442-448, 452, 455-457) interpostos por Consórcio
Techint Confab UMSA, Consórcio Camargo Correa – Cnec, Consórcio CII - Consórcio Ipojuca
Interligações e Consórcio Rnest O. C. Edificações, contra o Acórdão 2007/2017 – TCU – Plenário (peça
379) integrado pelo Acórdão 2191/2017 – TCU – Plenário (peça 386), da relatoria do Exmo. Ministro
Benjamin Zymler.
1.1. A deliberação recorrida apresenta o seguinte teor:
Acórdão 2007/2017 – TCU – Plenário
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de relatório de auditoria realizada nas obras de construção da
Refinaria Abreu e Lima (RNEST), localizada no Município de Ipojuca, no Estado de Pernambuco (Fiscobras
2009);
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ante as razões
expostas pelo Relator, em:
9.1.com fulcro no art. 71, inciso IX, assinar o prazo de 15 (quinze) dias para que a Petróleo Brasileiro S.A.
(Petrobras) anule os anexos denominados “Procedimento para avaliação e pagamento por ocorrência de chuvas,
descargas atmosféricas e suas consequências” dos Contratos n°s 0800.0045921.08-2 – Cafor, 8500.0000058.09.2
105

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

- Infraestrutura civil, 0800.0053457.09-2 – UCR, 0800.0057000.10.2 – Tubovias, 0800.0055153.09.2 – Dutos,


0800.0053453.09.2 – ETDI, 0800.0049741.09-2 – ETA, 0800.0053456.09-2 – UDA, 0800.0055148.09.2 -
UHDT/UGH, 0800.0049742.09-2 – Edificações, 0800.0056431.10.2 – Caldeiras, 8500.0000080.10.2 -
Interligações Elétricas, 8500.0000070.10.2 - Fornos UCR - e 8500.0000072.10.2 - Reformadores tubulares;
9.2. determinar a Petrobras que, no prazo de 90 (noventa) dias:
9.2.1. com fulcro no art. 59 da Lei 8.666/1993, quantifique o valor da indenização devida aos signatários
dos contratos mencionados no item anterior, segundo os critérios descritos na instrução de mérito da
SeinfraOperações, com a ressalva indicada nos itens 80 e 81 do voto, abatendo os valores já pagos se houver
crédito a favor dos contratados;
9.2.2. caso o valor pago supere o valor da indenização devida por cada contratado, implemente, dentro do
mesmo prazo especificado no subitem 9.2., as medidas administrativas necessárias para o respectivo
ressarcimento aos cofres da Petrobras, instaurando a competente tomada de contas especial em caso de não
pagamento;
9.2.3. abstenha-se de prever, em seus instrumentos contratuais, o pagamento de indenização às contratadas
em virtude da ocorrência de chuvas e descargas atmosféricas, usualmente conhecida como “verba de chuva”,
tendo em vista o farto histórico de ineficiências e sobrepreço verificado nos contratos que contemplaram tal
metodologia;
9.3. determinar à SeinfraOperações que:
9.3.1. monitore o cumprimento das determinações, autorizando a realização das diligências e inspeções que
se fizerem necessárias; e
9.3.2. identifique, com a celeridade que o caso requer, os responsáveis pela celebração dos anexos de chuva
dos contratos analisados no presente feito, em processo apartado e específico para cada contrato, a fim de
possibilitar o exercício do poder sancionatório desta Corte de Contas.
9.4. classificar como sigilosas as peças relacionadas no “Cadastro de Informações com Restrição de
cesso”, anexo ao presente relatório (Anexo 1), e considerar, para fins de concessão de vistas e cópias processuais,
os grupos de acesso ali indicados, nos termos da Lei 12.527/2011;
9.5 autorizar a juntada de cópia da instrução de mérito da SeinfraOperações, do relatório, do voto e do
presente acórdão aos processos de tomadas de contas especial relativos aos seguintes contratos: Consórcio
Camargo Corrêa - Cnec (Contrato 0800.0053457.09-2 - UCR); Consórcio Rnest-Conest (Contratos
0800.0053456.09-2 - UDA e 0800.0055148.09-2 - UHDT/UGH);
9.6. encaminhar cópia da presente deliberação à Petrobras, aos interessados e ao Congresso Nacional.
Acórdão 2191/2017 – TCU – Plenário
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de relatório de auditoria realizada nas obras de construção da
Refinaria Abreu e Lima (RNEST), localizada no Município de Ipojuca, no Estado de Pernambuco (Fiscobras
2009);
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ante as razões
expostas pelo Relator, em:
9.1.com fulcro no art. 71, inciso IX, assinar o prazo de 15 (quinze) dias para que a Petróleo Brasileiro S.A.
(Petrobras) anule os anexos denominados “Procedimento para avaliação e pagamento por ocorrência de chuvas,
descargas atmosféricas e suas consequências” dos Contratos 0800.0049716.09.2 - Tanques Lote I e
800.0049738.09-2 - Tanques Lote II;
9.2. determinar à Petrobras que, no prazo de 90 (noventa) dias:
9.2.1. com fulcro no art. 59 da Lei 8.666/1993, quantifique o valor da indenização devida aos signatários
dos contratos mencionados no item anterior, segundo os critérios descritos na instrução de mérito da
SeinfraOperações, com a ressalva indicada nos itens 80 e 81 do voto do Acórdão 2007/2017-Plenário, abatendo os
valores já pagos se houver crédito a favor dos contratados;
9.2.2. caso o valor pago supere o valor da indenização devida por cada contratado, implemente, dentro do
mesmo prazo especificado no subitem 9.2., as medidas administrativas necessárias para o respectivo
ressarcimento aos cofres da Petrobras, instaurando a competente tomada de contas especial em caso de não
pagamento;
9.3. determinar à SeinfraOperações que:
9.3.1. monitore o cumprimento das determinações, autorizando a realização das diligências e inspeções que
se fizerem necessárias; e
106

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

9.3.2. identifique, com a celeridade que o caso requer, os responsáveis pela celebração dos anexos de chuva
dos contratos analisados no presente feito, em processo apartado e específico para cada contrato, a fim de
possibilitar o exercício do poder sancionatório desta Corte de Contas.
9.4. encaminhar cópia da presente deliberação à Petrobras, aos interessados e ao Congresso Nacional.
HISTÓRICO
2. Em exame relatório de auditoria realizada, no âmbito do Fiscobras 2009, nas obras de
construção da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), localizada no Município de Ipojuca, no Estado de
Pernambuco.
2.1. A matéria controvertida no presente feito se resume ao achado “critério de medição
inadequado ou incompatível com o objeto real pretendido (verba de chuva)”, verificado nos contratos
principais da RNEST.
2.2. O achado de auditoria em exame diz respeito à inadequação dos critérios definidos no “Anexo
XV – Procedimento para avaliação e pagamento por ocorrência de chuvas, descargas atmosféricas e
suas consequências”. Tal anexo foi incluído em vários contratos firmados pela Petrobras, com a
finalidade de regulamentar o ressarcimento, pela entidade, dos custos decorrentes da paralisação das
frentes de serviços em virtude da ocorrência de chuvas, descargas atmosféricas e suas consequências.
2.3. Conforme apontado pela equipe de auditoria, identificou-se a existência de inconsistências
nesse anexo, as quais seriam aptas a ocasionar pagamentos indevidos às contratadas, lesando os cofres
da Petrobras.
2.4. Nos termos do relatório de auditoria, os custos para ressarcimento eram calculados da
seguinte forma: (i) registravam-se o tempo (número de horas) e as frentes de serviço que ficaram
impossibilitadas de trabalhar devido às chuvas ou descargas atmosféricas (discriminando a mão de obra
direta, a mão de obra indireta relacionada à mão de obra direta e os equipamentos); (ii) multiplicavam-
se as horas paradas registradas pelos custos unitários obtidos a partir do Demonstrativo de Formação
de Preço (DFP) do contrato para remuneração dos equipamentos e da mão de obra; (iii) o custo final a
ser pago era obtido pela soma dos custos da mão de obra e dos equipamentos, acrescidos de tributos e de
encargos sociais e outros custos incidentes sobre a mão de obra, conforme DFP.
2.5. Após oitiva dos interessados (peça 381, p. 1), a unidade técnica especializada elaborou
metodologia aprovada pelo Plenário desta Corte Contas com as ressalvas contidas nos itens 80 e 81 do
voto (peça 380, p. 13).
2.6. Portanto, tem-se que, neste momento processual, os recorrentes apresentam argumentos que
consideram suficientes seja para afastar a redação das determinações tecidas pela decisão recorrida,
seja para complementar a metodologia proposta pela unidade técnica e aprovada pelo TCU.
EXAME DE ADMISSIBILIDADE
3. Reiteram-se os exames de admissibilidade contidos nas peças 479-482, em que se propôs o
conhecimento dos recursos interpostos por Consórcio Techint Confab UMSA, Consórcio Camargo
Correa – Cnec, Consórcio CII - Consórcio Ipojuca Interligações e Consórcio Rnest O. C. Edificações,
contra o Acórdão 2007/2017 – TCU – Plenário, integrado pelo Acórdão 2191/2017 – TCU – Plenário,
relator Exmo. Ministro Benjamin Zymler, suspendendo os efeitos dos itens 9.1, 9.2, 9.2.1 e 9.2.2 da
referida decisão, conforme despacho do Exmo. Relator, Ministro Walton Alencar Rodrigues (peça 488).
EXAME TÉCNICO
PRELIMINAR
4. Delimitação
4.1. Constitui objeto do presente recurso avaliar se houve cerceamento de defesa ao Consórcio
Camargo Correa – Cnec diante da impossibilidade de obter vistas de documentos sigilosos.
5. Cerceamento de defesa
5.1. A recorrente assegura a necessidade de anular a decisão recorrida, em face dos seguintes
argumentos (peça 452, p. 5-9):
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a) as informações que basearam os cálculos da unidade técnica especializada foram anexadas aos
autos sob a proteção de sigilo (peça 452, p. 6-8), impossibilitando o contraditório material bem como
violando o devido processo legal; e
b) negar a produção de provas se assemelha a negar vistas de provas constantes dos autos, pois
ambos geram nulidade (peça 452, p. 8-9).
5.2. Requer seja anulada a decisão recorrida e retomada a fase de auditoria para notificar todos os
envolvidos disponibilizando acesso a todos os elementos utilizados pela unidade técnica.
Análise
5.3. Não assiste razão à recorrente. Explica-se.
5.4. No que tange ao sigilo processual, observaram-se os termos da Lei 12.527/2011, Lei de acesso
à informação, tendo sido explicitado o seguinte no relatório e na decisão recorrida a esse respeito (peça
381, p. 44 e 46 e peça 379, p. 2, grifos acrescidos):
SIGILO DAS INFORMAÇÕES
232. Considerando o teor do revogado, acerca do tratamento de informações com grau de confidencialidade
em processos da Petrobras; e considerando as normas aplicáveis à proteção das informações sigilosas produzidas
ou custodiadas pelo TCU: Lei 12.527/2011 – Lei de Acesso à Informação, colhe-se do ensejo para a necessária
inclusão de peça para cadastro de informações com restrição de acesso, conforme modelo introduzido pelo. Com
esse objetivo, foi inserido o Anexo 1 a esta instrução.
(...)
234.4 classificar como sigilosas as peças relacionadas no “Cadastro de Informações com Restrição de
Acesso”, anexo ao presente relatório (Anexo 1), e considerar, para fins de concessão de vistas e cópias
processuais, os grupos de acesso ali indicados, nos termos da Lei 12.527/2011;
(...)
9.4. classificar como sigilosas as peças relacionadas no “Cadastro de Informações com Restrição de
cesso”, anexo ao presente relatório (Anexo 1), e considerar, para fins de concessão de vistas e cópias processuais,
os grupos de acesso ali indicados, nos termos da Lei 12.527/2011;
5.5. Importante reproduzir o conteúdo legal a respeito, Lei 12.527/2011, art. 25 (peça 318):
Seção III
Da Proteção e do Controle de Informações Sigilosas
Art. 25. É dever do Estado controlar o acesso e a divulgação de informações sigilosas produzidas por seus
órgãos e entidades, assegurando a sua proteção. (Regulamento)
§ 1o O acesso, a divulgação e o tratamento de informação classificada como sigilosa ficarão restritos a
pessoas que tenham necessidade de conhecê-la e que sejam devidamente credenciadas na forma do regulamento,
sem prejuízo das atribuições dos agentes públicos autorizados por lei.
§ 2o O acesso à informação classificada como sigilosa cria a obrigação para aquele que a obteve de
resguardar o sigilo.
§ 3o Regulamento disporá sobre procedimentos e medidas a serem adotados para o tratamento de
informação sigilosa, de modo a protegê-la contra perda, alteração indevida, acesso, transmissão e divulgação não
autorizados.
5.6. A atuação do TCU de proteção do sigilo decorre de obrigação legal. Portanto, anui-se aos
entendimentos acima proferidos, não tendo sido verificado violação ou cerceamento de defesa, na
mediada em que o acesso à informação considerou as regras legais pertinentes ao caso concreto.
5.7. Além da Lei de acesso à informação utiliza-se como parâmetro também o entendimento do
Acórdão 520/2012 – TCU – Plenário, no seguinte sentido: “a concessão de vista e cópia não abrangeu
elementos cuja divulgação possa vir a prejudicar os interesses da Petrobras.”. A discussão acerca da
colisão de princípios constitucionais: restrição da publicidade para resguardo de conhecimentos,
supostamente sigilosos e estratégicos, da Petrobras versus exercício da ampla defesa e do contraditório
por parte dos interessados é superada pelo comando legal que determina a proteção de determinadas
informações sigilosas.
5.8. Registre-se, ainda, que à peça 301 listaram-se documentos com os respectivos grupos de
acesso à documentação acostada aos autos até à peça 297. O quadro constante dessa peça foi utilizado
pela recorrente neste momento recursal para qual solicita acesso (peça 452, p. 6). À peça 305 por meio
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de despacho é deferida à recorrente cópia integral dos autos com as devidas restrições de acesso da peça
301. Note-se que a indigitada naquele momento não se insurgiu contra o despacho de expediente que
determinou a observância da restrição de acesso, deixando transcorrer o processo sem arguir
cerceamento de defesa.
5.9. Ademais, considera-se que não houve cerceamento de defesa nem violação ao devido processo
legal, pois a recorrente teve acesso à metodologia elaborada pela unidade técnica especializada,
podendo, de acordo com a sua realidade, contrapor os pontos que entendeu controversos, tendo, assim,
exercido a ampla defesa e o contraditório. Veja-se que à peca 378 foi acostado pedido de vista e cópia do
processo pela recorrente tendo acesso às peças processuais, em especial às 349-352, ou seja, à instrução
processual e aos elementos comprobatórios e evidências que a embasaram. Os dados sigilosos
protegidos pelo TCU devem assim permanecer diante da obrigação que a Lei de acesso à informação
impôs.
5.10. Superada a preliminar, passe-se à análise do mérito processual.
MÉRITO
6. Delimitação
7. Constitui objeto do presente recurso avaliar a adequabilidade da metodologia aprovada pela
decisão recorrida ante a alegada necessidade da inclusão de itens de custos adicionais na metodologia
aprovada pela decisão recorrida bem como o momento de aplicação da nova metodologia, se ex nunc ou
ex tunc.
8. Adequabilidade da metodologia aprovada pela decisão recorrida ante a necessidade de inclusão
de itens de custos adicionais.
8.1. As recorrentes afirmam serem necessários ajustes à metodologia elaborada pela Petrobras
para indenização decorrente de chuvas e descargas atmosféricas e avaliada por esta Corte de Contas
sob o ponto de vista da sua economicidade, conforme os argumentos abaixo (peça 254, p. 8-11):
a) custos de retomada:
a.1) devem ser acrescidos à metodologia porque a sua exclusão modifica a equação financeira do
contrato, não havendo custo reduzido o suficiente que não deva ser incluído na metodologia de
remuneração contratual, evitando o enriquecimento sem causa da União e quebra do equilíbrio
econômico financeiro do contrato (peça 452, p. 11-13, peça 457, p. 17);
a.2) diante da perda de produtividade provocada pelas condições adversas resultantes dos
períodos de chuvas, necessitando a realização de serviços adicionais para recomposição das condições
de trabalho, devem-se considerar os custos de retomada das operações de forma eficiente e segura, como
montagem e desmontagem de andaimes, execução de pintura e movimentação de carga, avaliações de
risco (segurança), recuperação de unidades de operação alagadas, ou seja, custos reais incorridos
unicamente em razão das chuvas (peça 457, p. 8-10); como soldagem dos tanques, tratamento superficial
e pintura dos tanques, trabalho em altura (peça 442, p. 9-11); e serviços da construção civil, como
terraplanagem, montagem eletromecânica, como pintura de tubulações, isolamento térmico de
tubulações e equipamentos, soldagem, movimentação de cargas e condições de tráfego e acessos
provisórios (peça 455, p. 8-14);
a.3) o contrato não previa custos relacionadas às chuvas, o que seria ressarcido posteriormente
(custos dos equipamentos e custos de retomada, consequências das chuvas, conforme Acórdão 3077/2010
– TCU – Plenário, da relatoria do Exmo. Ministro Augusto Nardes) (peça 442, p. 12-13, peça 455, p. 14-
15 e peça 457, p. 15-16); e
a.4) não houve análise da materialidade dos custos envolvidos, o que caberá à Petrobras no
momento da quantificação do valor da indenização, com base nas premissas definidas pelo TCU, não
tendo sido analisado em momento algum deste processo a materialidade dos custos inseridos na
metodologia (peça 442, p. 13-14, peça 455, p. 16-147 e peça 457, p. 17-18);
b) serviços em locais abrigados: devem ser considerados nos casos em que a atividade for
paralisada em decorrência de descargas atmosféricas e percolação da umidade do solo (peça 452, p. 13-
14);
109

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

c) impossibilidade de violar o sigilo comercial para aferição da remuneração devida, diante dos
princípios constitucionais da livre concorrência e livre iniciativa, sendo inadequado exigir divulgação
dos contratos firmados com fornecedores diante do necessário sigilo em relação aos custos que
incorreram na formação dos preços (peça 452, p. 15-16 e 33-37);
d) a contratada incorre em maior risco do que a contratante, pois os ganhos de produtividade com
equipamentos especiais somente se refletirão em redução de custos caso se sobreponham às perdas das
chuvas (peça 452, p. 15-16);
e) a mão de obra direta e indireta deve ser calculada a necessidade de ressarcir 220 horas
mensais, o que impõe melhor detalhamento da metodologia para não gerar dúvidas (peça 452, p. 19);
f) poderia haver recusa imotivada de ressarcimento já que cabe à contratante eleger quais
profissionais seriam imprescindíveis à equipe nos locais afetados pela chuva (peça 452, p. 20);
g) o ressarcimento do equipamento deveria ser de acordo com a capacidade real utilizada e não
com a necessária ao serviço em face da otimização da mobilização de equipamentos (peça 452, p. 20-
21);
h) quanto à Administração local, a nova metodologia exclui da possiblidade de ressarcimento as
categorias profissionais não indicadas na metodologia, o que altera a condição original do contrato bem
como o fato de a contratada não ter previsto o custo de extensão de permanência de sua estrutura de
canteiro retirando parte dos custos de mão de obra indireta, assim, o período objeto da extensão do
prazo contratual deve considerar os recursos incorridos no momento da causa da extensão e não os
recursos que ficarão após o término do contrato, já reduzidos (peça 452, p. 22-23);
i) a regra de que cabe a contratante avaliar quais ações teriam sido suficientes para mitigar os
efeitos das paralisações deve indicar os parâmetros a serem utilizados pela contratante em sua análise
(peça 452, p. 23);
j) as premissas adotadas para modificação da metodologia estão equivocadas, devendo ser
mantida a metodologia anterior que se baseia na mão de obra e equipamento alocados, inexistindo
possiblidade de remuneração excessiva ou incompatível com a realidade dos custos incorridos (peça
452, p. 24-26);
k) custo de manutenção:
k.1) deve ser incluído para os contratos atuais, a partir do mesmo raciocínio empregado para o
custo de depreciação, já que ambos consideram o fator “vida útil” em seus cálculos (peças 442, 455 e
457, à p. 4-6);
k.2) no caso de paralisação por chuvas, haveria redução unilateral do período de disponibilidade
para fins de pagamento pela manutenção dos equipamentos, impossibilitando a apropriação integral da
despesa (peças 442, 455 e 457, à p. 7); e
k.3) os equipamentos devem ser mantidos em condições de retomada imediata dos serviços,
devendo ser ressarcido além do desgaste operativo, o custo de oportunidade (peças 442, 455 e 457, à p. 7
e peça 452, p. 20-21).
8.2. Requerem modificação da metodologia de custos para indenização decorrente de chuvas e
descargas atmosféricas aprovada pela decisão recorrida.
Análise
8.3. Não assiste razão aos recorrentes. Explica-se.
8.4. Inicialmente cumpre informar que essencialmente as recorrentes reapresentam argumentos já
apresentados em sede de oitiva a esta Corte de Contas. Leitura atenta da decisão recorrida permite
concluir pela sua adequabilidade bem como pela exaustão da análise lá empreendida. Como se anui
integralmente aos seus termos, os temas serão revistos em face do caráter devolutivo do recurso, em face
à ampla defesa, mediante destaques de excertos importantes, em respeito ao princípio da economia
processual.
8.5. Cumpre registrar que três recorrentes, Consórcio Techint Confab UMSA, Consorcio CII -
Consorcio Ipojuca Interligações e Consórcio Rnest O. C. Edificações consideram a metodologia
elaborada pela Petrobras para indenização decorrente de chuvas e descargas atmosféricas e avaliada
110

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

por esta Corte de Contas sob o ponto de vista da sua economicidade um avanço importante na definição
de uma metodologia mais justa para a natureza indenizatória da verba de chuvas, descargas
atmosféricas e suas consequências (peças 442, 445 e 457, todas à p. 4, item 10), destacando apenas a
necessidade de inclusão de dois itens de custos, o de retomada e o de manutenção. Outro recorrente,
Consórcio Camargo Correa – Cnec, além dos referidos custos questiona a metodologia também em
outros aspectos. Portanto, a análise se inicia com o que arguem em comum, em seguida, serão
analisados os demais argumentos.
8.6. Os argumentos apresentados acerca da necessidade de inclusão dos custos de retomada não
devem ser acolhidos. Isto porque conforme consta da peça 381, p. 23-25 bem como da peça 380, p. 14 e
15, relatório e voto da decisão recorrida, análise exaustiva da questão com a qual se anui. Atente-se que
nas citadas análises resta comprovado que a metodologia paradigma engloba os custos de retomada bem
como esclarecida a necessidade de quantificação pelas contratadas dos valores que alegam que seriam
justos a título de ressarcimento. Nesse sentido, reproduzem-se os seguintes excertos suficientes para o
deslinde da questão, grifos acrescidos:
Relatório
128. Em linhas gerais, as contratadas sustentam que a elaboração de suas propostas comerciais
não contemplou os valores pertinentes à mitigação e à baixa produtividade vinculadas aos efeitos da
“retomada”. Essa assertiva pressupõe a existência de orçamento transparente, a ponto de se poder
identificar, claramente, o suposto impacto do não contingenciamento da “retomada”. Contudo, em
nenhum momento as empresas aventaram o compartilhamento de tais informações nestes autos, o que
afasta, da análise de mérito, peça que se prestaria a quantificar o real impacto da rubrica pleiteada
antes do início da execução dos contratos.
129. Já durante a execução contratual, esperar-se-ia das contratadas a efetivação de apropriações
in loco visto que, a priori, discute-se o pagamento de cifras reais e nada irrisórias. Ou seja, em sendo a
“retomada” quantia suscetível de comprovação, e ante o longo decurso do processo, as defendentes já
teriam condições de submeter suas apropriações à fiscalização da Petrobras, e, de forma reflexa, ao
TCU, de modo a validar a hipótese de significância dos valores aqui debatidos. Entretanto, os
esclarecimentos expostos carecem de evidências, mesmo diante do estágio avançado dos contratos, o que
fragiliza os apontamentos das empresas manifestantes.
130. Percebe-se, no teor das manifestações, o emprego de argumento que, na verdade, melhor se
presta a sustentar o posicionamento já firmado por este órgão de Controle Externo. Trata-se da maior
associação dos efeitos da retomada em obras industriais com a mão de obra.
131. De plano, cumpre elucidar que, para a mão de obra, a metodologia em análise pressupõe
mecanismos de ressarcimento dissociados dos de equipamentos. Ademais, no caso de pessoal afetado
pelos efeitos das chuvas, há, basicamente, duas possiblidades: paralisação parcial ou total,
comprometendo, de forma proporcional, a produtividade. Tais situações estão previstas na metodologia
até então proposta, nos seguintes termos:
i) paralisação parcial comprometendo a produtividade – neste caso, para a parcela dos serviços
realizáveis (ainda que sob menores produtividades) há a remuneração das atividades realizadas pelos
itens das planilhas de preços que refletem o custo horário operativo (usualmente adotam-se as Estruturas
Analíticas de Projeto – EAP). O impacto negativo da menor produtividade, em si, será mensurado e
ressarcido quando da majoração do prazo contratual em virtude das chuvas;
ii) paralisação total comprometendo integralmente a produtividade – já nessa situação, não há
qualquer remuneração pois não há avanço na execução de serviços contratados. Nesse passo, há que se
ressarcir plenamente a mão de obra paralisada, além de se preverem indenizações relacionadas ao
provável aumento do prazo contratual.
132. Em suma, pelos cenários citados, configura-se a frustrada intenção de se justificar o
ressarcimento da “retomada” apresentando situações já indenizadas de acordo as premissas da
metodologia que se discute, que não considera somente a “retomada” para os equipamentos.
111

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

133. Outro ponto apenas repetido nas alegações consiste na exposição de serviços qualificados
como de “retomada” e, a princípio, não ressarcidos. Essencialmente são trazidas atividades que
tipicamente prejudicam obras de terra (recomposição de caminhos de serviço, preparação de aterros,
entre outras). Ademais, constam outros itens que já têm ressarcimento previsto diante das majorações no
prazo, como por exemplo, a baixa produtividade na remobilização.
134. Desta forma, torna-se intricada a possibilidade de se derrogar o entendimento estabelecido na
metodologia em análise quanto à não consideração da “retomada”, especialmente ao se sopesar que a
própria contratante – Petrobras – percebendo as particularidades de cada contrato, foi proativa ao
retirar essa rubrica das obras industriais e mantê-la especificamente para as obras de terraplenagem do
Comperj (Acórdão 3.077/2010-TCU-Plenário).
135. Frente ao analisado, não há elementos de convicção a ponto de ensejar alteração do critério
defendido desde o início, motivo pelo qual mantém-se a desconsideração da “retomada” no cômputo do
ressarcimento em virtude das chuvas e descargas atmosféricas.
Voto
313. É válido registrar que os serviços destacados tinham uma expressividade em termos materiais,
em função da obra objeto do indigitado Voto ser uma obra de terraplenagem. Em outras palavras, cada
um dos serviços relacionados no trecho do Voto trazido acima, apresenta uma representatividade
material elevada em razão da natureza dos serviços vinculados ao caso do Comperj.
(...)
94. Nesse cenário, caberia aos interessados deduzir elementos de prova da extensão e a
materialidade dos custos associados à retomada, o que não foi providenciado, mesmo após seguidas
oportunidades de defesa.
(...)
97. Dessa forma, considerando a análise da SeinfraOperações no sentido de não ser devido o
pagamento de mão de obra a título de retomada, por constituir parcela cuja indenização já foi
contemplada na metodologia paradigma, e considerando, ainda, o caráter conservador das premissas
adotadas pelo Tribunal, que adotou a produtividades favoráveis aos interessados, julgo indevido o
pagamento dos eventuais custos de retomada.
8.7. No presente caso concreto, os recorrentes não demonstraram a expressividade em termos
materiais dos custos de retomada a fim de afastar a constatação da decisão atacada de que os custos já
estariam contemplados pela metodologia seja em face dos itens listados pelo relatório seja pelo
conservadorismo da metodologia destacado pelo voto da decisão recorrida. Ademais, não
demonstraram, em termos de planilha de custo do ajuste firmado com a Petrobras, a ausência de
cobrança de valores que supririam esses custos.
8.8. Atente-se, ainda, que os indigitados, mesmo em face dos alertas constantes do relatório e voto
no que tange à ausência de elementos de prova que demonstrassem os custos de retomada, não
apresentaram os custos já incorridos nos contratos em análise a fim de comprovarem suas alegações. Ao
contrário, alegaram que se trata de metodologia elaborada em tese. No entanto, o debate em tese
avançará para a verificação da adequabilidade dos valores pleiteados. A unidade técnica se restringiu o
estudo ao campo teórico, tão somente por conta da ausência de compartilhamento de dados apropriados
pelas contratadas (peça 381, p. 22, item 109). Mas no momento oportuno esses dados serão apresentados
pela Petrobras ao controle externo que averiguará se o valor a título de indenização é justo.
8.9. No que tange ao custo de manutenção, anui-se também integralmente ao teor da decisão
recorrida. Como restou demonstrado à peça 167, p. 18, peça 381, p. 20-23 e peça 380, p. 14 e 18, “não
cabe a apropriação de tal item durante a paralisação dos serviços, uma vez que todas as despesas
necessárias à manutenção dos equipamentos já estão incluídas no custo operativo dos equipamentos.”.
Veja-se o seguinte exemplo demonstrado pelo relatório da decisão recorrida (peça 381,p. 22):
112. Naturalmente, o custo total da manutenção (R$ 20.000,00, pelo exemplo acima) permanece o
mesmo caso se opte por diluí-lo nas horas disponíveis do equipamento (presumindo-se inalteradas as
condições de operação). Nesse caso, visto que as horas disponíveis superam as horas operativas, ter-se-
112

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

ia um custo horário da manutenção inferior àquele existente no Sicro (ou inferior a dois reais por hora –
ainda valendo-se do exemplo supra). Essa lógica descarta as alegações dos consórcios contratados de
que a fórmula do Sicro prejudicaria o completo ressarcimento da rubrica manutenção.
8.10. Esse exemplo demonstra de forma lógica e matemática a adequabilidade da metodologia
aprovada pela decisão recorrida, o que impõe o não acolhimento dos argumentos apresentados.
Ressalte-se, ainda, que também nesse aspecto as recorrentes não apresentam os custos incorridos além
dos já englobados pelo custo de manutenção integralmente diluído nas horas produtivas:
108. Impende anotar, ademais, que carece de evidências a afirmação acerca de custos expressivos
com óleos e lubrificantes. As contratadas impugnam o entendimento exposto na metodologia em exame
sem dados ou documentos para comprovação analítica da opinião por elas defendida.
8.11. Portanto, quando os argumentos são desacompanhados de elementos de prova suficientes
para sua comprovação, estes devem ser afastados na medida da insuficiência para superar as
constatações da decisão vergastada.
8.12. No que tange aos serviços realizados em locais abrigados (peça 167, p. 12), estes não devem
ser considerados para efeitos de indenização em função da ocorrência de chuvas, pois, em regra, os
serviços são executados normalmente. Note-se que mesmo que não tivesse explícita essa regra, ela está
implicitamente contida no entendimento dado ao termo consequências (peça 167, p. 11, item 65), qual
seja, “a impossibilidade ou impedimento de tráfego ou operação, em condições normais de uso dos
equipamentos e de segurança das operações nas frentes de serviços ou fases.” Dessa forma, entende-se
que se faz jus à indenização de verba de chuva se e somente se a ocorrência se enquadrar nessa regra,
observando-se, ainda, o fato de que não serão também realizados pagamentos devido a (peça 167, p. 12,
alínea “i”): paralisações que poderiam ter sido evitadas ou mitigadas mediante a adoção, pela
contratada, de medidas e soluções construtivas específicas, a exemplo de: coberturas provisórias,
estruturas portáteis, entre outros, o que será analisado em cada caso concreto. Ora, se era possível
realizar o serviço em cobertura provisórias, também o será em locais abrigados. Caso, ocorram
situações excepcionais comprovadas pela contratada no momento da requisição da indenização por
verba de chuva, estas serão adequadamente avaliadas e consideradas para tomada de decisão. No
entanto, não há que se modificar a regra, como sugere a indigitada. As excepcionalidades serão tratadas
caso a caso, seguindo a premissa descrita anteriormente acerca das “consequências”.
8.13. Quanto à violação do sigilo comercial, o tema foi abordado à peça 381, p. 30-32 e à peça
380, p. 11 de forma exaustiva. Anui-se integralmente ao exposto no relatório e voto da decisão recorrida
a respeito. Nesse sentido, não assiste razão ao recorrente, cabendo destacar que o sigilo comercial resta
resguardado diante da possiblidade de “imposição do dever de manutenção do sigilo das informações
perante terceiros, com exceção, por óbvio, dos órgãos de controle.” (peça 380, p. 11 item 71). Ademais,
contratos de locação de equipamentos podem ser facilmente cotados no mercado, não havendo risco ao
sigilo do negócio, como destacou o relatório à peça 381, p/ 31, senão veja-se:
181. A previsão de comprovação dos custos reais da contratada, ademais, não é novidade na seara
pública. São recorrentes e lícitas modelagens editalícias a prever tais condições, por corresponderem,
em respeito às peculiaridades do mercado e do caso concreto, à metodologia mais viável para a
promoção da transparência e conformidade dos pagamentos. Contratos de manutenção de veículos
públicos feitos pela administração são um caso clássico. Em verdade, avenças que prevejam cláusulas
de natureza indenizatória – como essa – são típicos dessas possibilidades.
182. Outrossim, não há como recepcionar a ideia de que se compromete a competitividade pela
revelação do segredo do negócio. Isso porque se trata de matéria que, a priori, todas as proponentes
deveriam avaliar de forma bastante similar, já que seriam apenas ressarcidas pelos custos incorridos.
Ou seja, diante da indenização prometida, a competição entre as proponentes reduzir-se-ia a pequenas
variações de preços de serviços paradigmas de mercado.
183. Portanto, em decorrência dos argumentos contrapostos, por não comprometer o sigilo
comercial das contratadas, mantém-se intacta a metodologia em exame.
113

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8.14. Atente-se que no caso de equipamentos especiais novamente cabe o emprego da premissa
“consequências” exposta à instrução de peça 167, p. 11, item 65, na medida que a ressalva é “cujo
tempo de permanência na obra não seja afetado pela ocorrência de chuvas”. Entende-se que o raciocínio
empregado pela indigitada é equivocado na medida que não se atenta para a natureza indenizatória da
verba de chuva. Na medida que indenizatória, os seus ganhos de produtividade estão garantidos
conforme contratado. No entanto, o que a metodologia visa é estabelecer o preço justo dessa indenização
para que não haja perda injustificada para ambas as partes, contratante e contratada (peça 167, p. 19).
Nessa linha, se o equipamento especial não parou de funcionar em função das chuvas, não há o que se
indenizar. Novamente, entende-se que essa regra encontra-se implícita na premissa “consequência”, mas
a Petrobras optou por explicitá-la, não gerando dúvidas. Portanto, não assiste razão ao recorrente.
8.15. No que tange à mão de obra direta e indireta, verifica-se que à peça 167, p. 14-15 há
explicação exaustiva a respeito da forma de calcular o custo-horário do profissional de mão de obra
direta e indireta a ser indenizado. Note-se que a metodologia considera as 220 horas mensais destacadas
pelo recorrente. Destaque-se a necessidade de o indigitado analisar o anexo de chuvas elaborado pela
Petrobras de forma integrada à decisão recorrida. Não se verifica necessidade de esclarecimentos ou
integração da metodologia. Serão ressarcidas “o resultado do produto do valor unitário dos custos
horários de mão de obra direta (CHD) pela quantidade de horas de mão de obra não trabalhadas em
decorrência das chuvas, descargas atmosféricas e suas consequências.” (grifos acrescidos). Esse
entendimento não merece reparos nem ajustes.
8.16. Em relação ao ressarcimento de mão de obra imprescindível tem-se que esse conceito se
alinha ao principio da razoabilidade. Não há que se ressarcir mão de obra que tenha sido alocada de
forma desnecessária para a execução de determinado serviço, sob pena de se indenizar injustamente
despesas desnecessárias. Cabe à empresa contratada comprovar a necessidade da mão de obra
empregada para adquirir o direito ao ressarcimento. Caso haja recusa imotivada ou que a contratada
considere injusta, cabe a esta recorrer da decisão, seja administrativamente, no âmbito da própria
Petrobras e do controle externo, seja judicialmente. A regra é que os atos administrativos sejam
motivados. Portanto, não cabe alteração da metodologia, na medida que traz regra clara e lógica:
somente serão ressarcidas a mão de obra necessária, imprescindível à execução do serviço que se
enquadrou na premissa “consequências” das chuvas (peça 167, p. 11, item 65).
8.17. Note-se que quanto ao ressarcimento de equipamentos, a lógica da metodologia é acertada
ao colocar que se deve ressarcir os equipamentos adequados ao serviço e não o disponível no canteiro de
obra (peça 167, p. 18). Isto porque se está indenizando as consequências das chuvas. Ora, a
consequência é a não execução de determinado serviço programado para o momento específico em que
as chuvas ocorreram. E por este raciocínio deverá ser ressarcida a capacidade necessária ao serviço, na
medida que a real não está operativa. A capacidade real executada é estratégia da contratada para
otimizar a execução do serviço contratado, buscando a eficiência do gasto, essa é paga pelos termos do
contrato. A indenização, por sua vez, decorre das despesas consequência das chuvas. Essa lógica de
entendimento é a mesma aplicada à mão de obra, anteriormente descrita. Portanto, não assiste razão ao
indigitado. Atente-se para o fato de haver a possiblidade de ressarcimento de equipamentos “especiais”
(peça 167, p. 19) bem como para o fato de que “Para equipamentos não constantes no DFP ou nas
referidas tabelas, esse valor base deverá ser negociado entre a contratada e a Petrobras, a partir das
melhores condições e informações disponíveis no mercado, o que denota flexibilidade da metodologia.
Não foram identificados pontos a serem ajustados no caso de equipamentos.
8.18. Em relação ao período de extensão do prazo contratual, o raciocínio do recorrente está
equivocado no sentido de que a metodologia elaborada visa ressarcir de forma justa os períodos parados
em consequência das chuvas. Trata-se de operação de ressarcimento e não de remuneração. Os custos
com administração local que serão estendidos serão de fato os incorridos ao final do contrato,
considerado o prazo sem a ocorrência de chuva. Aqueles ocorridos no decorrer do contrato já estão
cobertos pelo contrato original, sob pena de se pagar duas vezes pelo mesmo serviço prestado. Note-se
114

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

que o relatório da decisão recorrida assim dispôs a respeito, peça 381, p. 16-17, itens 67- 69, grifos
acrescidos:
67. Com isso, atender-se-ia à condição de somente ressarcir “as horas paradas de categorias
profissionais pertinentes à mão de obra indireta alocada exclusivamente nas atividades impactadas pelas
chuvas e imprescindíveis à equipe que executa os trabalhos afetados” (Peça 167, p. 56).
68. Já a segunda fonte ocorre em contexto específico, voltada estritamente para os profissionais da
mão de obra indireta alocados com a gerência, manutenção e administração do canteiro. Nesse cenário,
em consequência das chuvas, seria necessário o pagamento de tais profissionais ante o aumento no prazo
contratual. À vista disso, a apropriação tomaria por base a situação existente após o prazo original (sem
chuva alguma) e abrangeria tão somente os profissionais cuja permanência fosse “prolongada” na obra,
face ao tempo chuvoso “prorrogado”.
69. Pelas explicações relatadas, em caso de chuvas que prejudiquem o andamento dos serviços
após o prazo virtual original (sem chuvas), procede-se tal qual explanado para a primeira fonte de mão
de obra indireta, evitando-se quaisquer duplicidades (e isso é o mais importante) ou contagens indevidas
de profissionais da mão de obra indireta que não sejam prejudicados pelos efeitos das chuvas e
descargas atmosféricas.
70. Cabe encerrar este tópico, que reviu a forma de ressarcimento da administração local,
relembrando a imprescindível manutenção de todas as evidências em registros apropriados, no intuito de
se comprovar um nexo causal sólido entre eventuais atrasos e a ação das chuvas e descargas
atmosféricas. Tal cuidado mostra-se crucial caso o prolongamento do contrato se dê por causas
concorrentes, o que é sobejamente comum.
8.19. Anui-se integralmente ao disposto acima bem como ao contido na peça 380, p. 13 (voto da
decisão recorrida). Nesse sentido, não assiste razão ao recorrente.
8.20. Entende-se não ser necessário especificar parâmetros para a avaliação da contratante
quanto aos serviços necessários que poderiam ter sido empreendidos para mitigar os efeitos da chuva, na
medida que a referida análise deve se pautar pelos princípios constitucionais da razoabilidade e
proporcionalidade. O que a contratada entender que se afastou ou violou referidos princípios deve
negociar com a contratante e, se entender cabível, a acionar administrativa e/ou juridicamente para
solução da aventada lide.
8.21. Por fim, tem-se que a metodologia anterior era inadequada na mediada em que não atendia
ao princípio da economicidade, senão veja-se excerto extraído do voto da decisão recorrida, com cuja
análise se anui plenamente (peça 380, p. 7-8):
29. Conforme visto, o valor da indenização a ser paga aos contratados em virtude da ocorrência de
chuvas e descargas atmosféricas, segundo os anexos contratuais pertinentes, era obtido pela
multiplicação das horas paradas registradas pelos preços unitários extraídos do Demonstrativo de
Formação de Preço (DFP) dos contratos para remuneração da mão de obra e dos equipamentos. Tais
preços correspondiam aos custos dos insumos correspondentes acrescidos de tributos, encargos sociais e
outras despesas indiretas, a título de BDI.
30. Considerando que o DFP contempla os custos que servirão de parâmetro para quantificar os
valores devidos ao contratado quando da execução de serviços (custos operativos), o Tribunal entendeu,
em juízo preliminar, que a metodologia foi construída em bases inadequadas sob o ponto de vista
técnico, porquanto permitia o pagamento das horas paradas dos equipamentos e da mão de obra pelos
seus custos operativos. Conforme assinalado pela então denominada SecobEnergia, tratava-se de “um
evidente contrassenso técnico já que as máquinas, quando paradas por conta das chuvas, desligam os
motores”.
(...)
38. Dessa forma, o que a unidade técnica e o TCU, em último grau, fizeram até então no processo
foi construir, a partir de um procedimento dialógico, um referencial de preço justo do denominado anexo
de chuvas, a partir de premissas técnicas extraídas dos sistemas oficiais e da boa técnica de engenharia,
para o fim de avaliar a correção dos contratos sob o ponto de vista de sua economicidade.
115

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

39. O estabelecimento de um parâmetro de controle com base nas melhores práticas da Engenharia
de Custos se mostra necessário para a avaliação da legalidade e da economicidade dos anexos
pertinentes à verba de chuvas e para a especificação das medidas corretivas, se for o caso, com fulcro no
art. 71, inciso IX, da Constituição Federal.
8.22. Portanto, a metodologia elaborada pela Petrobras para indenização decorrente de chuvas e
descargas atmosféricas e avaliada por esta Corte de Contas sob o ponto de vista da sua economicidade
deve ser mantida em seus exatos termos.
9. Momento adequado para aplicação da nova metodologia
9.1. O recorrente afirma que a nova metodologia não deve ser aplicada aos contratos já firmados
anteriormente a nova metodologia, com base nos seguintes argumentos (peça 452):
a) serviços não programados: há serviços que foram executados sem programação, “as
programações de trabalho e os controles de paralisações devido às chuvas não fossem realizados de
forma a permitir a devida rastreabilidade e, consequentemente, a habilitação para o ressarcimento.”
(peça 452, p. 14), portanto, essa alteração após a execução contratual impedirá o ressarcimento dos
custos incorridos devido às chuvas;
b) o prazo de 24 horas para apresentar as paralisações demanda custos indiretos de adequação
contratual, não previsto no contrato original, em que se atualizavam as horas paralisadas duas vezes por
semana; essa regra impedirá o ressarcimento já pleiteado decorrente das chuvas;
c) a necessidade de registrar a ocorrência de chuvas por meio de pluviômetros inviabiliza o
ressarcimento pleiteado anteriormente, pois foram utilizados outros métodos de aferição;
d) o recorrente não especificou o equipamento ao elaborar suas programações não sendo possível
relacioná-los para fins de ressarcimento do impacto das chuvas (peça 452, p. 18 e 20);
e) há violação do princípio constitucional do equilíbro econômico financeiro do contrato, cabendo
à Administração Pública modificar apenas cláusulas regulamentares, mas não as econômicas como está
ocorrendo no presente caso contrato (peça 452, p. 27-33), já que não se trata, a seu ver, de verba
indenizatória já que integra o contrato sendo o TCU incompetente para atuar como gestor;
f) a nova metodologia só deve ser implementada em contratos futuros em face da impossibilidade
constitucional de violar direito adquirido e ato jurídico perfeito (segurança jurídica) bem como da
jurisprudência desta Corte nos Acórdãos 589/2005 e 329/2010, ambos do Plenário e da relatoria do
Exmo. Ministro Augusto Nardes (peça 452, p. 37-42).
9.2. Requer que a decisão recorrida seja aplicada somente a contratos futuros da Petrobras.
Análise
9.3. Não assiste razão ao recorrente. Explica-se.
9.4. Inicialmente cumpre informar que esta Corte entendeu que a opção pela verba de chuva em
contratos futuros não deve ser praticada. Leitura atenta do voto à peça 380, p. 7-8 permite concluir que
a análise da economicidade do contrato elaborado pela Petrobras refere-se aos contratos em análise
neste processo e não aos futuros. Anui-se plenamente com esse entendimento, senão veja-se excerto
contido à peça 380, p. 7-8 (grifos acrescidos):
III
40. Além das inconsistências reveladas na definição dos critérios de pagamento do anexo de
chuvas, entendo que a própria decisão da Petrobras de excluir os custos relacionados a chuvas e
descargas atmosféricas do valor das propostas e, por conseguinte, dos preços contratuais (preço “seco”)
pode não ter representado a medida mais adequada, sob o ponto de vista legal e econômico.
41. Na prática, a Petrobras assumiu o risco decorrente da ocorrência de chuvas e descargas
elétricas, o que impediu que houvesse competição entre os licitantes quanto ao preço da administração
desses riscos pelos próprios contratados e aumentou a burocracia havida na fiscalização dos ajustes e no
controle dos pagamentos.
42. Ademais, tal opção incluiu um fator de ineficiência ao contrato, uma vez que o contratado, ao
ser necessariamente remunerado por todos os custos inerentes a chuvas e descargas atmosféricas,
116

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

passou a ter menos incentivo para gerir adequadamente a obra de forma a evitar as paralisações
decorrentes de tais eventos climáticos.
43. Dito de outra forma, a formatação dos contratos, com a inclusão da denominada “verba de
chuvas”, afetou a estrutura de incentivos das empresas contratadas, que, diante da dificuldade usual de a
outra parte monitorar ou controlar perfeitamente o seu comportamento, abriu espaço para ganhos
indevidos em detrimento da Administração.
44. Ainda que uma efetiva fiscalização da Petrobras pudesse reduzir os efeitos do fenômeno do
risco moral, compreendo que a melhor opção para a entidade teria sido permitir que as próprias
contratadas assumissem os riscos da ocorrência de chuvas e descargas atmosféricas. Tal medida, além
de eliminar os fatores indesejados indicados acima – ausência de competição entre os licitantes quanto à
eficiência na gestão desses riscos e burocracia na gestão do contrato – estaria de acordo com a máxima
segunda a qual cada risco deve ser concedido a quem mais bem puder gerenciá-lo.
45. Com isso, entendo necessário determinar à Petrobras que se abstenha de prever, em seus
instrumentos contratuais, o pagamento de indenização em virtude da ocorrência de chuvas e descargas
atmosféricas, usualmente conhecida como “verba de chuva”, tendo em vista o farto histórico de
ineficiências e sobrepreço verificado nos contratos que contemplaram tal metodologia.
9.5. Leitura atenta do excerto acima permite concluir que o voto da decisão recorrida foi bem
enfático quanto a não ingerência na tomada de decisão da Petrobras, atuando apenas para aferir a
adequabilidade da decisão aos princípios que regem a matéria.
9.6. Note-se, portanto, que a decisão recorrida respeitou os ajustes firmados no que tange a
existência de verba de chuva apesar das suas ineficiências. No entanto, fizeram-se necessários ajustes
justamente para equilibrar econômica e financeiramente os contratos em que se previu a verba de chuva.
9.7. A nova metodologia não visa colher benefícios econômicos suplementares ao previsto em
detrimento da parte contratada. Ao contrário, visa assegurar legitimidade, assertividade e transparência
nos valores pagos a título de indenização trazendo para a equação do equilíbrio econômico-financeiro
segurança jurídica para ambas as partes.
9.8. Esse é o papel do controle externo, ao perceber falhas na contratação que impõem ônus
elevado a uma das partes sem a devida transparência e assertividade, deve agir para mediar a
necessária correção e responsabilização dos agentes que não atuaram como o esperado.
9.9. Note-se que se trata de indenização imprevisível e não constante do contrato firmado na
medida da incerteza da sua ocorrência, portanto, não há alteração de ônus e direitos, mas sim
regulamentação de meios de cálculo de indenização.
9.10. O fato de a verba ser regulamentada não retira de pronto seu caráter indenizatório, posto que
condicionado a um evento natural incerto e aleatório. A natureza da verba não se altera em face da
previsão contratual.
9.11. Dessa forma, anui-se também integralmente ao exposto na peça 381, p. 32-33 acerca da
segurança jurídica bem como da aplicabilidade imediata da metodologia elaborada pela Petrobras.
Considera-se pertinente reproduzir a referida análise diante da sua exaustividade sobre a questão
novamente abordada pelo recorrente:
III.5.9.2 – Análise
192. Para a exposição dos entendimentos que fundamentam a metodologia contestada, há se
destacar que o item reflete questão interconexa com vários dos pontos já analisados ao longo desta
instrução, especialmente com o que cuida do equilíbrio econômico-financeiro. Ou seja, estudo isolado
desse tópico tenderia a ser tão teórico quanto não efetivo para um caso concreto, em virtude das várias
nuanças que o tema exibe.
193. De início, depreende-se que a própria utilização do artigo 2º da Lei 9.784/1999 apresenta
limitações para seu uso, retratadas pelos entendimentos já consolidados nesta instrução. Para tanto,
basta repetir que a metodologia em exame se fez indispensável justamente para atender ao interesse
público, extirpando cláusulas danosas – ao interesse público – do Anexo XV contratual.
117

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

194. Nesse contexto, vale, aqui, alguns dos argumentos já porfiados neste relatório. Reproduzindo
alguns deles: “alega-se a certeza do direito e a segurança jurídica na manutenção das cláusulas
inicialmente avençadas, em equilíbrio dos contratos; mas ignora-se que a mantença desses critérios seria
provocar, sim, a certeza do “mau direito”. Não se mantém o equilíbrio de avenças ilícitas. Inexiste a
segurança jurídica para cláusulas nulas. Vícios – quais sejam, dispositivos contratuais a viabilizar
“sobrepagamentos” e enriquecimento sem causa – em afronta a valores basilares licitatórios e
constitucionais, devem ser imediatamente corrigidas. É disso que se trata”.
195. No tópico que tratou do Equilíbrio Econômico-Financeiro afirmou-se o descabimento de
qualquer alegação no sentido de se impor prejuízos ao consórcio, que, na verdade, passaria a perceber
quantia compatível com os custos incorridos, de forma a manter justa, para ambos os lados, a avença
pactuada.
196. Entende-se, também, que a aplicação da metodologia apenas para contratos futuros implica,
relativamente aos contratos vigentes, enriquecimento sem causa das contratadas, à custa dos cofres da
estatal.
197. Impende colocar que a única medida que até aqui agregou alguma segurança ao processo foi
a postura cautelosa da Petrobras em suspender quaisquer pagamentos das verbas de chuvas até a
definição no mérito por parte do TCU quanto à metodologia de ressarcimento.
198. Adicionalmente, podem-se listar alguns princípios que se prestam a explicar com clareza a
correção, quanto ao objetivo desta Corte, de pretender o saneamento já para os contratos em curso, no
que tange a forma de ressarcimento.
199. Cita-se a harmonização dos princípios ou concordância prática em que se buscam preservar
os direitos fundamentais e valores constitucionais envolvidos. Também cabe mencionar o pacta sunt
servanda, ponderado pelo jus cogens, no sentido de não se cumprirem cláusulas que firam preceitos da
legislação cogente. Perante o enriquecimento ilícito antes citado, há que se assentar que esses princípios
forçam o gestor à repactuação dos contratos, propiciando a prevalência do interesse público.
200. Em resumo, ante o exposto, descaracterizou-se a existência de rompimento dos princípios da
segurança jurídica, boa-fé e proteção da confiança pela invalidação das fontes adotadas pela própria
defesa, que não teria aplicação apropriada para o caso em comento.
9.12. Portanto, diante de flagrante violação dos princípios da legalidade, da economicidade,
transparência e eficiência, não há que se falar em irretroatividade nem erro de interpretação, como
alega o recorrente.
9.13. No que tange aos serviços programados acerca dos quais não foram feitos registros pela
contratada, tem-se que a metodologia é para indenização dos serviços que deveriam ser realizados
naquele período com os equipamentos e mão de obra adequados. Não há previsão de indenização para
serviços não programados (peça 12, alínea “g”). Nesse sentido, quanto aos serviços, com os seus
respectivos equipamentos, executados sem programação e sem registros, de fato não serão indenizados,
o que demonstra a economicidade da metodologia elaborada pela Petrobras que impede ressarcimentos
indevidos. Não é possível acatar os argumentos apresentados seja acerca dos serviços não programados
ou dos equipamentos não relacionados, na medida em ferem os princípios da transparência e da
economicidade.
9.14. Note-se que, no caso da aferição da ocorrência de chuvas, essa deve ocorrer mediante
método confiável, transparente e acurado. No caso das chuvas já ocorridas e que o pleito pela
indenização já tenha ocorrido, cabe a Petrobras avaliar se o método utilizado é reconhecido
cientificamente. Ela estabeleceu o ideal, mas se o sistema for confiável, cabe a aplicação do princípio da
razoabilidade e da proporcionalidade (peça 167, p. 12, item 70). Não há necessidade de adaptações da
metodologia.
9.15. No caso da comunicação ter que ser feita imediatamente à fiscalização acerca de frentes
paralisadas (peça 167, p. 12, alínea “e”), considera-se prazo razoável para se comunicar que os
serviços foram paralisados em face das chuvas. Portanto, serão ressarcidos os casos em que houve
comunicação imediata à fiscalização da contratante. Se o prazo ultrapassou um pouco as 24 horas, a
118

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

contratante irá observar o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade no momento da tomada de


decisão, motivando a aprovação ou a recusa do pleito.
9.16. Portanto, diante de todas as considerações apontadas nesta instrução, na instrução de peça
167, relatório, peça 381 e voto peça 380, os recursos ora analisados não foram suficientes para
modificar a metodologia elaborada pela Petrobras com os ajustes realizados por esta Corte, na medida
em que alinhada aos princípios da legalidade, da economicidade, transparência e eficiência.
INFORMAÇÃO ADICIONAL
9.17. Informe-se conter à peça 485 destes autos pedido da Odebrecht S.A. de agendamento de
reunião com o Exmo. Ministro Benjamin Zymler, colocando-se a disposição para iniciar colaboração
ampla e contínua em relação aos processos de controle externo, conforme orientação do Ministério
Público Federal. Nesse mesmo sentido, foram identificados no âmbito da Serur em mais três processos as
seguintes peças com o mesmo pedido: TC 006.970/2014-1, peça 386; TC 000.400/2018-1, peça 4; e TC
036.660/2016-7, peça 8.

CONCLUSÃO
10. Das análises anteriores, verificou-se não haver incongruências na metodologia elaborada pela
Petrobras para indenização decorrente de chuvas e descargas atmosféricas e avaliada por esta Corte de
Contas sob o ponto de vista da sua economicidade no âmbito da decisão recorrida, devendo, portanto,
serem mantidas as determinações guerreadas sem qualquer alteração de conteúdo.
10.1. Com base nessas conclusões, propõe-se o não provimento do recurso.
PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO
11. Ante o exposto, submete-se à consideração superior a presente análise dos pedidos de reexame
interpostos por Consórcio Techint Confab UMSA, Consórcio Camargo Correa – Cnec, Consorcio CII -
Consorcio Ipojuca Interligações e Consórcio Rnest O. C. Edificações, contra o Acórdão 2007/2017 –
TCU – Plenário integrado pelo Acórdão 2191/2017 – TCU – Plenário, propondo-se, com fundamento no
art. 48 c/c os arts. 32 e 33 da Lei 8.443/1992:
a) conhecer dos recursos e, no mérito, negar-lhes provimento;
b) dar ciência da deliberação à Petrobras, ao Congresso Nacional, aos recorrentes, bem como aos
demais interessados.
É o relatório.

VOTO

Trata-se de pedidos de reexame interpostos por Consórcio Techint Confab UMSA, Consórcio
Camargo Correa - Cnec, Consórcio Ipojuca Interligações - CII e Consórcio Rnest O. C. Edificações,
contra o Acórdão 2.007/2017-Plenário, integrado pelo Acórdão 2.191/2017-Plenário.
Os acórdãos recorridos foram exarados em relatório de auditoria nas obras de construção da
Refinaria Abreu e Lima (RNEST), no âmbito do Fiscobras 2009. Concluíram por irregularidades nos
anexos contratuais relativos ao ressarcimento de despesas decorrentes de paralisações ocasionadas por
chuvas e descargas elétricas (verba de chuva).
Mediante o Acórdão 271/2011-Plenário, o Tribunal determinou à Petrobrás que realizasse
adequações na forma de apropriação do tempo parado e nos custos unitários empregados para cálculo das
indenizações.
Considerando a ausência de oitiva da empresa e dos consórcios contratados, o julgado foi anulado
pelo Acórdão 2.270/2011-Plenário, que assegurou a manifestação dos interessados, ressalvado o acesso
às peças sigilosas. A Petrobrás opôs embargos a tal decisão alegando que ainda restavam expostos dados
confidenciais da empresa às contratadas, como as suas estimativas de custos e os demonstrativos de
formação de preços (DFP).
119

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

O Tribunal, por meio do Acórdão 520/2012-Plenário, rejeitou os embargos da estatal e concluiu


que os documentos até então classificados como sigilosos observaram os critérios definidos no Acórdão
1.784/2011-Plenário e assim deveriam permanecer.
O Acórdão 2.144/2013-Plenário, considerando as manifestações nos autos e alterações promovidas
na metodologia de ressarcimento, determinou novas oitivas da Petrobrás e dos consórcios, fornecendo
apenas cópia da última instrução e do “Novo Anexo de Chuvas”.
Finalmente, o acórdão recorrido determinou à Petrobrás que anulasse os anexos de chuva dos
contratos auditados e calculasse as indenizações das empresas contratadas de acordo com metodologia
modificada pela estatal e analisada pela SeinfraOperações. Determinou, ainda, que não conste dos
contratos futuros o pagamento de verba de chuva, tendo em vista as ineficiências e sobrepreços
verificados nos ajustes que a previram.
A fim de contextualizar devidamente a questão tratada nos presentes autos, cabe informar que o
anexo de chuvas original foi criado por grupo de trabalho no qual atuou a Associação Brasileira de
Engenharia Industrial (Abemi), integrada, à época, por empresas arroladas na Operação Lava Jato.
O acórdão recorrido deixou assente que, em razão da ausência de provas cabais de que tal
documento tenha sido elaborado intencionalmente para atender interesse privado, não adotou referido
conluio como razões de decidir, o que poderia ensejar a nulidade absoluta da verba de chuva. Esclareceu
que, no presente caso, o controle objetivo dos contratos considerou apenas a adequação das premissas
técnicas estabelecidas para cálculo da referida verba.
II
O Consórcio Camargo Correa – Cnec, no pedido de reexame, alega, preliminarmente, cerceamento
de defesa em razão da não disponibilização de peças sigilosas para elaboração da sua resposta à oitiva.
Afirma que informações utilizadas para os cálculos conduzidos pela equipe de auditoria foram
resguardadas por sigilo imposto pela Petrobras (peça 452, p.6). Requer a anulação do acórdão recorrido e
vista dos documentos listados.
Além dessa preliminar, todas as recorrentes consideram que a metodologia aprovada apresenta
equívocos nas premissas utilizadas, entre outros: (i) não consideração de custos de retomada e de
manutenção; (ii) proibição de indenizar serviços em locais abrigados; (iii) não consideração de ganhos de
produtividade; e (iv) ressarcimento dos equipamentos de acordo com capacidade necessária ao serviço.
Defendem, ainda, a não aplicação da metodologia aos contratos já firmados, o decorrente
desequilíbrio econômico-financeiro e o impedimento de fornecer documentos para cálculo das
indenizações, em razão de sigilo comercial.
A Serur concluiu pelo não provimento dos pedidos de reexame. De forma geral, apontou a
repetição dos argumentos já apresentados nas oitivas e considerou a metodologia aprovada pelo Tribunal
devidamente detalhada e adequada. Refutou os argumentos sobre cerceamento de defesa, tendo em vista o
dever de o Tribunal resguardar a classificação de sigilo das informações recebidas, a ausência de
questionamento da não concessão de vista das peças sigilosas na resposta à oitiva e o fato de considerar
que os documentos disponibilizados são suficientes para os cálculos das indenizações e formulação de
defesa.
III
Ratifico o conhecimento dos recursos que efetuei mediante despacho (peça 488), tendo em vista o
preenchimento dos requisitos previstos no artigo 48 c/c artigos 32 e 33 da Lei 8.443/1992.
Preliminarmente, discordo do parecer da Serur quanto à alegada ausência de prejuízo ao
contraditório e ampla defesa ocasionado pela negativa de acesso às peças sigilosas dos autos.
De fato, nos termos da Lei 12.527/2011, cabe ao Tribunal preservar o grau de sigilo de informações
recebidas dos jurisdicionados. No entanto, tal dever, no presente caso, conflita com a obrigação de
observar os princípios basilares do contraditório e ampla defesa em relação às partes do processo, bem
como deve observar se a classificação das peças pela Petrobrás é condizente com as condições impostas
pela legislação.
120

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Os documentos considerados sigilosos pela estatal fazem referência às suas estimativas de custos
de contratação, memórias de cálculo das verbas de chuva, propostas comerciais, atas de negociação,
relatórios da comissão de licitação, respostas e manifestações sobre as irregularidades identificadas nos
autos.
Segundo o relatório que fundamentou o Acórdão 520/2012-Plenário, o então relator determinou à
Secob-3 que indicasse as peças do processo que deviam ser consideradas sigilosas à luz do Acórdão
1784/2011 - Plenário, proferido em situação análoga.
A unidade técnica relatou que a classificação dos dados e documentos foi objeto de instrução
elaborada anteriormente (peça 6, p. 29-32), que, apesar de apontar a ausência de motivação para a
restrição requerida e apontar violação de princípios constitucionais e do Decreto 2.745/1998 pela
Petrobrás, concluiu por adotar a classificação da documentação recebida conforme estabelecido pela
auditada, em razão do risco de descumprimento do código de ética dos servidores do TCU.
Assim, concluo que a classificação das peças deste processo como sigilosas se deu unicamente de
acordo com a atribuição conferida pela Petrobrás, sem apresentação de justificativas.
Ocorre que o próprio Acórdão 1.784/2011-Plenário, que manteve como sigilosas as estimativas de
custos da Petrobras, concedendo acesso apenas às planilhas de cálculo de sobrepreços, elaboradas com
informações retiradas de tais estimativas, concluiu:
“26. Ressalto que a opção da Petrobras em manter o absoluto sigilo de suas estimativas de custos
(referências de precificação), antes do lançamento de suas licitações e após seu encerramento, não tem
amparo no ordenamento jurídico vigente”
(...)
29. Além disso, conforme bem destacado pela Secob-3, o Decreto nº 2.745, de 1998, que aprovou o
Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da Petrobras, traz diversas disposições, a seguir
transcritas, que privilegiam a publicidade e a consequente transparência, e não o sigilo das licitações no
âmbito da companhia (o que inclui seus atos preparatórios, como as estimativas de custos).
30. Assim, mesmo que a Petrobras entenda – de modo equivocado e sem fundamentação jurídica, a
meu ver – que não deve se submeter à Lei de Licitações, por defender que deveria observância tão
somente à lei complementar prevista no art. 173, § 1º, da CF, que ainda não foi editada, incorre a
estatal, neste momento, em desrespeito à Carta Política e ao seu próprio Regulamento do Procedimento
Licitatório Simplificado, ao privilegiar o sigilo de seus orçamentos, em detrimento da publicidade e da
transparência.”
O Tribunal evoluiu em relação a esse entendimento mediante os acórdãos 1.854/2015, 2.554/2016
e 2.014/2017, todos do Plenário, em que concluiu que os documentos restritos não eram imprescindíveis à
segurança da sociedade e do Estado, não se enquadravam nas condições relativas à proteção da
intimidade e não continham informações protegidas por sigilo comercial ou segredo industrial. Nesses
casos, concedeu vista e cópia das informações aos responsáveis ou determinou nova classificação das
peças, considerando motivação apresentada pela empresa.
Por entender elucidativo, transcrevo trecho do voto que fundamentou o Acórdão 1.854/2015-
Plenário:
28. Em verdade, não se trata de conflito de princípios constitucionais a ser resolvido por meio da
técnica da harmonização e da concordância prática. Ainda que a validade jurídica do Decreto
2.745/1998 possa ser questionada, principalmente por questões formais, o fato é que o Presidente da
República, ao regulamentar a matéria, deu conteúdo aos princípios da publicidade e da proteção do
segredo comercial, excluindo da esfera deste último as informações relativas aos orçamentos das
licitações da Petrobras.
29. Sendo assim, o que ocorreu, no presente caso, foi a incorreta classificação das informações
pela própria Petrobras, que indevidamente qualificou como sigilosas as suas estimativas de custo,
mesmo havendo norma expressa dispondo de forma contrária.
121

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

30. Por esse motivo, entendo que o aludido ato não pode ser oposto ao Tribunal, ainda mais para o
fim de obstaculizar o exercício do contraditório pelas partes interessadas e, em última instância,
restringir a atividade de controle externo da Administração Pública.
Diante da jurisprudência consolidada, afirmo que o Tribunal deve garantir o exercício do direito
de defesa de forma plena. A restrição ao acesso a documentos classificados como sigilosos deve ser
devidamente fundamentada, para ter validez jurídica. No presente caso, não deve o Tribunal apontar quais
são as informações necessárias ou suficientes para que os consórcios elaborem defesa ou manifestação
quanto à deliberação que afeta os valores a serem indenizados.
A própria Lei de Acesso à Informação prevê, em seu artigo 21, que não pode ser negado acesso à
informação necessária à tutela judicial ou administrativa de direitos fundamentais.
Por fim, em que pese o Consórcio Carmargo Correa - Cnec não ter questionado a negativa de
acesso às peças sigilosas na resposta à segunda e última oitiva determinada neste processo (Acórdão
2.144/2013), verifico que o recorrente se insurgiu contra tal restrição na resposta apresentada em razão do
Acórdão 271/2011-Plenário, primeira oportunidade de manifestação do consórcio nos presentes
autos.
Tal argumento não foi detidamente enfrentado pelo Acórdão 2.144/2013-Plenário, uma vez que
foram determinadas novas oitivas em razão de fatos supervenientes. Observo, ainda, que entre o referido
julgado e a decisão recorrida, a contratada solicitou cópia integral dos autos e as obteve sem as peças
classificadas como restritas à Petrobrás (peças 304, 305, 365, 367, 390).
Assim, divirjo do parecer da Secretaria de Recursos quanto a preliminar suscitada pelo Consórcio
Camargo Correa – Cnec e entendo que as recorrentes podem ter acesso às peças sigilosas relacionadas no
item 9.4 do Acórdão 2.144/2013-Plenário, de forma a assegurar o pleno contraditório e ampla defesa.
IV
Quanto à validade e adequação da metodologia de indenização aprovada pelo Tribunal, acolho os
pareceres da unidade instrutiva como razões de decidir.
Nos recursos, as contratadas apresentam argumentos já analisados em decisões anteriores do
Tribunal, sem apresentação de documentos comprobatórios dos custos incorridos. Nesse contexto,
entendo que não cabem reparos ao entendimento firmado pelo Tribunal, conforme tratarei a seguir.
O Tribunal entendeu que a previsão de indenizar as contratadas pela ocorrência de chuvas constitui
indevida alocação de risco à Petrobrás e impede a competição entre os licitantes quanto ao preço da
administração desses riscos pelos próprios contratados, além de aumentar a burocracia havida na
fiscalização dos ajustes e no controle dos pagamentos.
43. Dito de outra forma, a formatação dos contratos, com a inclusão da denominada “verba de
chuvas”, afetou a estrutura de incentivos das empresas contratadas, que, diante da dificuldade usual de a
outra parte monitorar ou controlar perfeitamente o seu comportamento, abriu espaço para ganhos
indevidos em detrimento da Administração.
Concluiu, ainda, que os anexos de chuva dos contratos vigentes eram ilícitos e antieconômicos,
pois, entre outros problemas, permitiam o ressarcimento de paralisações com base nos custos operativos
dos equipamentos.
Após detida análise dos documentos apresentados pela Petrobrás e contratadas, determinou, então,
que contratos futuros não prevejam a verba de chuva. Para os contratos em andamento, determinou
correção da metodologia de ressarcimento, de forma que fossem indenizados os custos efetivamente
incorridos pelas contratadas, a partir de premissas extraídas dos sistemas oficiais e da boa técnica de
engenharia de custos.
Assim, de pronto, cabe afastar a requerida aplicação da metodologia apenas para contratos futuros.
O acórdão recorrido diferenciou e fundamentou devidamente a diferença de tratamento para contratos
futuros e em andamento.
Cabe rechaçar, também, a alegação de quebra do equilíbrio econômico-financeiro decorrente da
adoção da nova metodologia de indenização. Os anexos de chuva pactuados eram claramente ilegais e
antieconômicos.
122

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Nesse sentido, não há reparos a serem feitos na decisão do Tribunal:


58. Sobre o tema, concordo com a análise da SeinfraOperações de que, em verdade, havia um
desequilíbrio econômico-financeiro de origem no aludido anexo contratual, decorrente do não
atendimento de diversos aspectos técnicos relativos à boa técnica de orçamentação e à própria
finalidade do anexo: indenizar custos havidos pela contratada em razão da ocorrência de chuvas e
descargas elétricas.
(...)
60. Nesse quadro, em que o equilíbrio econômico-financeiro inicial se assentou em bases
ilegitimamente antieconômicas, não há qualquer direito dos particulares a sua preservação, na medida
em que o anexo contratual não se consumou segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou.
Considerando o descumprimento do princípio da economicidade desde a origem contratual, não há que
se falar em ato jurídico perfeito nem em direito adquirido à manutenção de situação lesiva aos cofres da
Petrobras.
(...)
67. No presente caso, o contrato estava ilegitimamente desfavorável a Petrobras, conforme
apurado pela unidade técnica. Portanto, julgo que a anulação dos anexos contratuais relativos à “verba
de chuvas” e a determinação para a quantificação da indenização segundo os critérios especificados
pela SeinfraOperações, a fim de sanear a irregularidade verificada, não implicam uma indevida quebra
do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, não assistindo, portanto, razão ao Consórcio Camargo
Correa-Cnec.
(...)
72. No que se refere à assertiva da que devem ser preservados os princípios da segurança jurídica,
da boa-fé e da proteção da confiança, destaco, inicialmente, que a preservação dos efeitos jurídicos de
um contrato administrativo exige que ele tenha sido produzido segundo a legislação de regência e o
princípio da economicidade.
Outro argumento repetido pelas recorrentes nos autos é o fato de o sigilo comercial impedir a
demonstração dos custos incorridos ao Tribunal e à Petrobrás, para cálculo das indenizações conforme
nova metodologia, o que motivaria a manutenção dos anexos de chuvas originais.
Não há reparos ao entendimento fixado no acórdão recorrido. A previsão de comprovação dos
custos reais da contratada não é novidade na seara pública e é comum em contratos que prevejam
indenizações de custos.
Ademais, o Supremo Tribunal Federal (STF), já fixou a não oponibilidade dos sigilos bancário e
empresarial às requisições de informações do Tribunal de Contas da União, em razão de suas
prerrogativas constitucionais de controle e fiscalização, previstas nos artigos 70 e 71 da Constituição
Federal, no Mandado de Segurança 33.340/DF.
Quanto aos custos de retomada, o Tribunal demonstrou que os períodos de baixa produtividade e
de paralisação da mão de obra são devidamente indenizados pela metodologia. A mão de obra direta é
sempre remunerada de acordo com os valores das planilhas de preços e ainda há ressarcimento mediante
majoração do prazo contratual para mão de obra indireta. Assim, alinho-me à decisão do Tribunal de que
não é devido o pagamento de custos de retomada para situações já indenizadas.
No que se refere aos custos de retomada dos equipamentos, ficou consignado que somente a
comprovação de tais despesas poderiam fundamentar ressarcimentos:
Ou seja, em sendo a “retomada” quantia suscetível de comprovação, e ante o longo decurso do
processo, as defendentes já teriam condições de submeter suas apropriações à fiscalização da Petrobras,
e, de forma reflexa, ao TCU, de modo a validar a hipótese de significância dos valores aqui debatidos.
Entretanto, os esclarecimentos expostos carecem de evidências, mesmo diante do estágio avançado dos
contratos, o que fragiliza os apontamentos das empresas manifestantes.
Não há reparos na decisão atacada. As recorrentes repetem o mesmo procedimento observado
anteriormente, ou seja, a apresentação de argumentos sem a devida comprovação de valores e
123

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

quantitativos. Citam uma série de custos incorridos, sem apresentarem documentos comprobatórios, o que
determina a ausência de elementos capazes de fundamentar alterações na metodologia aprovada.
A não comprovação dos valores incorridos também não permite acolher suposta analogia com a
obra do Comperj, fiscalizada pelo acórdão 3077/2010-Plenário, tendo em vista que os presentes autos
distinguiram claramente a natureza dos serviços previstos em cada um dos contratos e concluiu pela
elevada materialidade de custos de retomada em obras de terraplanagem, no Comperj, e pela
“inexpressividade dos serviços integrantes da Retomada nas obras da Rnest”, de característica industrial.
Considero correta a conclusão de que não cabe apropriação de despesas de manutenção durante a
paralisação dos serviços, “uma vez que todas as despesas necessárias à manutenção dos equipamentos já
estão incluídas no custo operativo dos equipamentos”:
98. A respeito da limitação das horas a serem ressarcidas de cada equipamento, julgo correta a
análise da unidade técnica, pois o pagamento de todas as horas disponíveis, sem a correspondente
redução dos custos de propriedade (depreciação, seguros e juros), levaria ao pagamento de um valor
superior ao seu custo de propriedade, após a sua vida útil.
99. Em outras palavras, se a manutenção já é paga na operação (e tão somente durante a operação
das máquinas), tanto faz se chove mais ou menos, de modo que não há qualquer influência das
paralisações sobre o montante total da manutenção. Em um exemplo de ordem prática, supondo-se que o
somatório com os custos de manutenção de determinado equipamento atinja determinado valor até o
final de sua vida útil, tem-se que esse valor será rateado ao longo das horas operativas a fim de se
chegar a um custo horário adequado e alinhado com as melhores práticas de elaboração de orçamentos.

Sobre a utilização do Sicro como referencial das fórmulas de cálculo, também não há reparos a
serem efetuados no acórdão recorrido:
103. Por fim, cabe destacar que a aceitação do Sicro às obras da Petrobras constitui, em verdade,
fator conservador e favorável aos interessados. Isso porque tal sistema de referência, por se relacionar a
serviços de construção de estradas, com maior interferência e menores platôs de terraplenagem, possui
menores produtividades, acarretando um maior preço de referência.
Considero que o exemplo matemático utilizado na decisão demonstra claramente que diluir o valor
da manutenção pelas horas disponíveis do equipamento e não pelas horas operativas, resulta em valor de
manutenção anual inferior ao previsto no referencial. Assim, são descabidos os argumentos segundo os
quais o Sicro não permite o completo ressarcimento da rubrica.
Sobre a manutenção, registro, ainda, que as recorrentes continuam a argumentar elevadas despesas
com óleos e lubrificantes nos equipamentos parados, sem apresentar documentos comprobatórios.
As contratadas requerem o ressarcimento das horas paradas em locais abrigados, alegando
influência das descargas atmosféricas e percolação do solo.
Quanto a esse ponto, ressalto que a própria Petrobras vedou expressamente o pagamento e extensão
do prazo contratual em razão de paralisações de serviços em locais abrigados. Estabeleceu, ainda, que não
haverá indenizações para paralisações que poderiam ter sido evitadas ou mitigadas mediante a adoção,
pela contratada, de medidas e soluções construtivas específicas, a exemplo de coberturas provisórias,
estruturas portáteis, entre outros.
A princípio, parece óbvia a conclusão de que não sejam indenizados serviços paralisados em locais
abrigados. Razoável, então, a vedação estabelecida na nova metodologia da Petrobrás.
Caso sejam comprovadas paralisações em locais abrigados em decorrência de descargas
atmosféricas e percolação da umidade do solo, que não puderam ser evitadas, entendo que o entendimento
adotado pelo acórdão recorrido para os serviços não programados, também vedados pela metodologia,
pode ser aproveitado:
Já quanto à impossibilidade aventada de se ter previamente programados todos os equipamentos (a
fim de se garantir o ressarcimento), julga-se oportuno que tal nuança seja resolvida entre a fiscalização
da Petrobras e as contratadas, pois que depende do aparato operacional de ambas. Em todo o caso,
124

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

trata-se de premissas colocadas tão somente para coibir eventuais abusos no uso dessa metodologia
inovadora e complexa. Ainda assim, sempre haverá espaço para que se justifiquem casos excepcionais.
Nos recursos, as empresas não comprovaram tais casos excepcionais, o que deve acarretar a
rejeição de meras alegações tendentes a protelar a execução das decisões do Tribunal.
Considerando que a metodologia aprovada definiu, de forma acertada, a indenização de custos
efetivamente incorridos, não procedem argumentos sobre considerar ganhos de produtividade ou de
eficiência, bem como custos de oportunidade, por não serem compatíveis com a metodologia baseada na
engenharia de custos.
Quanto ao novo anexo de chuvas exigir ressarcimento do equipamento com a capacidade
necessária ao serviço e não com a capacidade real utilizada, não cabe razão às recorrentes. O Tribunal
entendeu ser possível o ressarcimento do custo do equipamento que esteja planificado para executar o
serviço paralisado pela chuva, desde que devidamente justificado, mesmo quando não é o mais adequado
ao porte do serviço (peça 167).
Finalmente, não acolho argumentos sobre dificuldades de registrar e informar os períodos de chuva
e consequente paralisação dos serviços à Petrobrás, uma vez que o anexo original previa tais
procedimentos. Eventuais diferenças na forma de efetuá-los, em períodos anteriores ao novo anexo de
chuvas, devem ser tratadas nos processos de cálculo das indenizações, em que a estatal poderá, de forma
justificada e fundamentada, acatar ou rejeitar as informações prestadas. Entendo que esses argumentos
não se prestam para invalidar a nova metodologia e menos ainda para manter os anexos de chuvas
originais, flagrantemente ilegais.
Deixo de tecer comentários sobre as demais alegações, tendo em vista a análise efetuada pela
Serur, que adoto como razões de decidir.
Dessa forma, entendo que devem ser conhecidos os pedidos de reexame apresentados e
parcialmente providos, exclusivamente no que se refere ao cerceamento de defesa decorrente da não
disponibilização de peças sigilosas.
Tendo em vista que o item 9.2 do acórdão recorrido determinou à Petrobras que avaliasse a
ocorrência de indenizações indevidas às empresas, instaurando, se necessário, tomadas de contas
especiais, e considerando o longo decurso de prazo dos presentes autos e a avançada execução dos ajustes
firmados e dos cálculos das verbas de chuva pela Petrobrás (peça 501), acolho sugestão do E. Ministro
Benjamin Zymler, mediante contato com meu Gabinete, para que novas manifestações de defesa,
decorrentes da concessão de vista e cópia das peças sigilosas, sejam analisadas nos processos de
acompanhamento das indenizações e nas tomadas de contas especiais.
Tal medida não implica prejuízo à defesa das recorrentes, uma vez que, no âmbito das tomadas de
contas especiais, em que serão analisados todos os fatos e argumentos relativos aos cálculos das verbas de
chuva, por força da Lei Orgânica do TCU e dos dispositivos da IN-TCU 71/2012, será assegurado o pleno
direito de contraditório e ampla defesa das empresas.
Assim, manifesto-me por declarar a nulidade apenas do item 9.1 do Acórdão 2007/2017-Plenário e
do item 9.1 do Acórdão 2.191/2017-Plenário, em decorrência do cerceamento de defesa causado pela não
disponibilização das peças sigilosas.
Feitas essas considerações, voto para que o Tribunal adote o acórdão que ora submeto à apreciação
do Plenário.

ACÓRDÃO Nº 953/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 009.758/2009-3.
1.1. Apensos: 029.549/2009-0; 020.388/2009-7; 019.076/2014-2
2. Grupo II – Classe de Assunto: I - Pedido de reexame em Relatório de Levantamento
3. Interessados/Responsáveis/Recorrentes:
3.1. Interessados: Alumini Engenharia S.a. - Em Recuperacao Judicial (58.580.465/0001-49);
125

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Congresso Nacional (vinculador) (); Consorcio Cii - Consorcio Ipojuca Interligacoes (11.387.267/0001-
08); Consorcio Cncc - Camargo Correa - Cnec (10.517.133/0001-93); Consorcio Enfil/veolia - Rnest - PE
(10.793.948/0001-03); Consorcio Entre Montcalm e Ses Para Rnest - Petrobras (11.406.160/0001-51);
Consorcio Rnest - Conest (11.045.775/0001-08); Consorcio Rnest O. C. Edificacoes (10.710.987/0001-
91); Consorcio Techint Confab Umsa (10.701.834/0001-88); Consorcio Tome Alusa Galvao
(10.751.878/0001-12); Construcap - Progen (11.040.123/0001-72); Consórcio Conduto-egesa
(11.207.104/0001-98); Consórcio Etdi (11.185.091/0001-01); Galvão Engenharia S/a (01.340.937/0001-
79); Jaragua Equipamentos Industriais Ltda (60.395.126/0001-34)
3.2. Responsáveis: Glauco Colepicolo Legatti (257.952.286-72); Ivo Baer (291.043.199-15); José
Sérgio Gabrielli de Azevedo (042.750.395-72); Petróleo Brasileiro S.a. (33.000.167/0001-01); Sérgio dos
Santos Arantes (335.417.367-04)
3.3. Recorrentes: Consorcio Techint Confab Umsa (10.701.834/0001-88); Consorcio Cncc -
Camargo Correa - Cnec (10.517.133/0001-93); Consorcio Cii - Consorcio Ipojuca Interligacoes
(11.387.267/0001-08); Consorcio Rnest - Conest (11.045.775/0001-08).
4. Órgão/Entidade: Petróleo Brasileiro S.A..
5. Relator: Ministro Walton Alencar Rodrigues
5.1. Relator da deliberação recorrida: Ministro Benjamin Zymler.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidades Técnicas: Secretaria de Recursos (SERUR); Secretaria Extraordinária de Operações
Especiais em Infraestrutura (SeinfraOpe).
8. Representação legal :
8.1. Antonio Carneiro Maia Neto (138.278/OAB-RJ) e outros, representando Petróleo Brasileiro
S.a..
8.2. Flávia Regina Rapatoni (141669/OAB-SP) e outros, representando Consorcio Enfil/veolia -
Rnest - PE.
8.3. Tathiane Vieira Viggiano Fernandes (27.154/OAB-DF) e outros, representando Consorcio
Techint Confab Umsa, Consorcio Cii - Consorcio Ipojuca Interligacoes, Consorcio Rnest - Conest e
Construcap - Progen;
8.4. Mauro Grecco (81445/OAB-SP) e outros, representando Consorcio Camargo Correa/ Cnec.
8.5. Gilberto Mendes Calasans Gomes (43.391/OAB-DF), representando Consorcio Camargo
Correa/ Cnec e Consorcio Cncc - Camargo Correa - Cnec;
8.6. Wellington Cristiano da Fonseca e outros, representando Egesa Engenharia S/a.
8.7. Raquel Maria Silva Campos (108.953/OAB-MG), representando Egesa Engenharia S/a e
Consórcio Conduto-egesa.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de pedidos de reexame interpostos contra o Acórdão
2.007/2017-Plenário, integrado pelo Acórdão 2.191/2017-Plenário, que tratou de relatório de auditoria
sobre irregularidades da “verba de chuva” prevista nos contratos das obras de construção da Refinaria
Abreu e Lima;
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator e com fundamento nos artigos 32, 33 e 48 da Lei 8.443/92, em:
9.1. conhecer do recurso interposto pelo Consórcio Camargo e Correa – Cnest, para, no mérito, dar-
lhe provimento quanto a preliminar relativa ao cerceamento de defesa, declarando a nulidade do item 9.1.
do Acórdão 2007/2017-Plenário e do item 9.1 do Acórdão 2191/2017-Plenário;
9.2. conceder vista e cópia das peças relacionadas no item 9.4 do acórdão 2007/2017-Plenário às
partes do processo que as solicitarem, estendendo-lhes a guarda do sigilo;
9.3. dar ciência desta deliberação aos recorrentes, à Petróleo Brasileiro S.A, ao Ministério de Minas
e Energia e aos demais interessados;
9.4. restituir os autos ao relator a quo.
126

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0953-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues (Relator),
Benjamin Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e
Vital do Rêgo.
13.2. Ministros que alegaram impedimento na Sessão: Aroldo Cedraz e Vital do Rêgo.
13.3. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

GRUPO II – CLASSE VII – Plenário


TC 013.395/2017-3
Natureza: Representação
Entidade: Petróleo Brasileiro S.A.
Responsável: Paulo Roberto Costa (302.612.879-15)
Representação legal: Taísa Oliveira Maciel (OAB-RJ 118.488) e outros, representando Petróleo
Brasileiro S.A.; João Mestieri (OAB/RJ 13.645) e outros, representando Paulo Roberto Costa.

SUMÁRIO: REPRESENTAÇÃO. SUPOSTA PARTICIPAÇÃO DO RESPONSÁVEL EM


FRAUDES À LICITAÇÃO NA RNEST. OITIVA. CELEBRAÇÃO DE ACORDO DE
COLABORAÇÃO PREMIADA COM O MINISTÉRIO PÚBLICO. AUSÊNCIA DE PROVAS
AUTÔNOMAS ALÉM DAS COMPARTILHADAS PELO JUÍZO FEDERAL APTAS A SUSTENTAR
A CONDENAÇÃO. PRINCÍPIO DA AQUISIÇÃO CONDICIONADA DA PROVA OBTIDA EM
DECORRÊNCIA DE ACORDOS DE COLABORAÇÃO. SOBRESTAMENTO DA APLICAÇÃO DE
EVENTUAL SANÇÃO ATÉ A DEMONSTRAÇÃO DO CUMPRIMENTO DO ACORDO.

RELATÓRIO

Cuidam os autos de representação autuada, de forma apartada ao processo TC 016.119/2016-9,


para apurar a participação do Sr. Paulo Roberto Costa, ex- Diretor de Abastecimento da Petrobras, em
supostas fraudes ocorridas nas licitações conduzidas pela Petrobras para implantação da Refinaria Abreu
e Lima em Ipojuca/PE, também denominada de Refinaria do Nordeste – Rnest.
2. Inicialmente, cabe destacar que o escopo do processo original envolve a ocorrência de supostas
irregularidades nas seguintes contratações no âmbito da Rnest: implantação da Unidade de Coqueamento
Retardado (UCR), da Unidade de Hidrotratamento de Diesel e de Nafta (UHDT), da Unidade de Geração
de Hidrogênio (UGH), da Unidade de Destilação Atmosférica (UDA) e das Tubovias de Interligações; e
execução das obras de terraplenagem.
3, No aludido processo, que cuida de representação formulada por unidade técnica acerca dos
mesmos fatos apreciados no presente feito, envolvendo todas as sociedades empresárias e os agentes
públicos da Petrobras que supostamente participaram das fraudes, foi lavrado o Acórdão 1.583/2016-
Plenário, por meio do qual o Tribunal conheceu da representação e ordenou a oitiva das empresas e a
audiência dos responsáveis.
4. No que se refere ao Sr. Paulo Roberto Costa, o subitem 9.2.2 do Acórdão 1.583/2016-Plenário
determinou a sua audiência, em virtude das seguintes condutas:
127

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

“Irregularidade: Viabilizar a atuação do cartel mediante o recebimento de propina (peças 3-15 e


18-41) e pela prática, em especial, das seguintes condutas:
a) utilização da prevalência hierárquica e funcional para, deliberadamente, facilitarem o
funcionamento do cartel e o direcionamento das contratações às empresas cartelizadas (peças 20, 23-25,
30-31 e 32-34);
b) antecipação de cronograma da entrada em operação da refinaria, o que provocou que as
contratações ocorressem sem que os projetos básicos estivessem suficientemente maduros e facilitou a
atuação do cartel (peças 3, p. 20-21; 16; 20, p. 6; 24, p. 3; 28 e 34);
c) compartilhamento de informações sigilosas ou restritas com as empresas integrantes do Cartel
(peças 3, p. 13; 20, p. 6; 24, p. 3; 28 e 34);
d) direcionamento do certame, mediante a escolha das empresas a serem convidadas, consoante
seleção efetuada pelo “Clube (peças 16 e 18-41);
(...)
g) injustificada não-inclusão de novos concorrentes após o cancelamento de um procedimento
licitatório por preços excessivos (peças 16 e 25, p. 3-4);”
5. Após o cumprimento da aludida medida processual, os auditores da SeinfraOperações analisaram
a resposta enviada pelo responsável, na forma da instrução transcrita parcialmente a seguir com os ajustes
de forma que entendi convenientes (peça 123):
“2. Importa repisar a atuação do TCU nas obras da Rnest desde 2008. Naquele ano, analisou-se o
contrato de terraplenagem de implantação do empreendimento. Consubstanciaram-se diversas
irregularidades, tais como: projeto básico deficiente; superfaturamento decorrente de preços excessivos
em relação ao mercado; ausência de assinatura de termo aditivo; ausência, no edital, de critério de
aceitabilidade de preços máximos; e inadequação ou inexistência de critérios de aceitabilidade de preços
unitários e global (TC 008.472/2008-3).
3. Em 2009, auditaram-se os contratos e procedimentos licitatórios referentes ao início das
implantações das unidades da refinaria, a exemplo da Casa de Força, Estação de Tratamento de Água,
Tanques, Unidade de Coqueamento Retardado (UCR), Unidade de Destilação Atmosférica (UDA), além
do acompanhamento do contrato de terraplenagem (TC 009.758/2009-3).
4. Posteriormente, em 2010, já com o início da construção das unidades de processo da refinaria,
este Tribunal apontou indícios de sobrepreço em quatro contratos do empreendimento: UDA (Contrato
0800.0053456.09.2); UCR (Contrato 0800.0053457.09.2); Tubovias (Contrato 0800.0057000.10.2) e
UHDT-UGH (Contrato 0800.0055148.09.2). Na oportunidade, foi apontado relevante sobrepreço de R$
1,3 bilhão nos orçamentos desses quatro contratos. Tal irregularidade foi classificada, por meio do
Acórdão 3.362/2010-TCU-Plenário (Min. Relator Benjamin Zymler), como grave com recomendação de
paralisação (IG-P).
5. Em face da materialidade do sobrepreço e do estágio inicial das obras, o TCU comunicou à
Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional (CMO) que o
indício de irregularidade detectado se enquadrava no disposto no inciso IV do § 1º do art. 94 da Lei
12.017/2009 (LDO/2010), ou seja, indicou ao Congresso a clara necessidade de bloqueio dos recursos
orçamentários até que fossem sanadas as falhas, de forma a minimizar a magnitude dos prejuízos.
6. Em oposição à indicação do TCU, o Governo Federal entendeu por bem não interromper as
previsões de investimentos orçamentários nas obras de implantação da Refinaria Abreu e Lima. Dessa
forma, os prejuízos ao erário então alardeados (dissecados no decorrer do devido processo legal no
âmbito administrativo), foram de fato consumados no decorrer da execução das obras, implicando
diretamente em partes significantes dos danos descortinados com a Operação Lava Jato, quatro anos
depois.
7. Destaca-se que, por ocasião do Fiscobras/2011 e do Fiscobras/2012, o TCU ratificou a
indicação de IG-P aos contratos, tendo em vista a não adoção de quaisquer medidas saneadoras por
parte da Petrobras, tampouco terem sido oferecidas garantias suficientes à cobertura integral dos
128

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

supostos prejuízos potenciais ao erário, conforme previsto nas respectivas leis de diretrizes
orçamentárias.
8. Em 2013, diante do não bloqueio orçamentário por parte do Governo Federal e do avançado
estágio de execução física dos contratos da Rnest, o TCU reclassificou os indícios de irregularidades
graves com recomendação de paralisação (IG-P) para irregularidades graves com recomendação de
continuidade (IG-C), remetendo a análise do sobrepreço para cada processo autuado para esse fim
(Acórdão 572/2013-TCU-Plenário, Min. Relator Benjamin Zymler).
9. Em contexto atual, os prejuízos então apontados redundaram na abertura de tomadas de contas
especiais específicas para quantificar amiúde os danos e identificar os responsáveis em face da lesão aos
cofres da Petrobras. Destaca-se que parte desses apartados já se encontra em fase de citação.
10. Esse resumo histórico se faz importante para delinear o quadro fático de conhecimento que os
funcionários da companhia e mesmo a sua alta cúpula detinham sobre os riscos de prejuízo aos cofres da
estatal, precipuamente nos últimos oito anos.
11. Não bastasse os apontamentos de irregularidades em auditorias realizadas pelo TCU, a
denominada “Operação Lava Jato”, desde 2014, vem desvelando de forma cada vez mais contundente o
ambiente de formação de cartel e de corrupção entre as empreiteiras para proveito ilícito nos
investimentos da Petrobras, bem como direcionamento e fraude às licitações na estatal.
12. Os desdobramentos da “Operação Lava Jato” e julgados do Juiz titular da 13ª Vara da Justiça
Federal em Curitiba/PR, além de decisões em 2ª instância do Tribunal Federal da 4ª Região (TRF-4,
Porto Alegre), atestaram a existência de esquema criminoso envolvendo cartel, fraude à licitação,
pagamento de propinas a agentes públicos e lavagem de dinheiro a partir de obras da Petrobras, entre
elas as da Rnest. Dessa forma, esta unidade técnica representou a esta Corte de Contas (peça 42) com
vistas à apuração das consequências administrativas advindas de fraudes relativas a licitações de cinco
obras da Refinaria do Nordeste.
13. Ressalta-se que, conforme notícias veiculadas na mídia nacional, v.g. a matéria do Jornal do
Brasil de dezembro/1993, apresentada na Figura 1 abaixo, esse modus operandi de cartelização e
corrupção remonta a décadas. Essa matéria resgatada por esse mesmo jornal em 22/3/2017, após o TCU
declarar a inidoneidade de algumas empresas envolvidas em esquema de conluio e corrupção em Angra
3, se assemelha ao ocorrido no presente caso da Petrobras. Naquela matéria, são citados os nomes das
empresas envolvidas nos ilícitos àquela época – OAS, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Camargo
Corrêa e Odebrecht (peça 117).
(...)
Figura 1: Cópia digital de capa do Jornal do Brasil, de 2/12/1993
Fonte: cópia digital de jornal publicado à época.
14. Naquela época (1993), o TCU recebeu solicitação de auxílio do então Deputado Federal
Vivaldo Barbosa (TC 016.457/1993-5), membro da Comissão Parlamentar de Inquérito do Orçamento,
por meio de expediente no qual afirmava que “os trabalhos realizados [...] já demonstram claramente o
envolvimento de oito das maiores empreiteiras do País – TRATEX, QUEIROZ GALVÃO, ANDRADE
GUTIERREZ, CBPO, COWAN, C. R. ALMEIDA, SERVAZ E OAS”. A partir dessa solicitação, foi
prolatada a Decisão 497/1993-TCU-Plenário, Min. Relator Luciano Brandão, (peça 118), na qual o
Plenário desta Corte de Contas solicita ao deputado Federal que “envie ao TCU, através da Presidência
da CPI do Orçamento, cópia da documentação comprobatória ali reunida” para fins de declaração de
inidoneidade prevista no art. 46 da Lei 8.443/1992.
15. Em 1994, considerando as providências em andamento no TC 016.457/1993-5, decorrente da
solicitação do Deputado Federal Vivaldo Barbosa, após denúncia do Sindicato dos Servidores do Poder
Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União – SINDILEGIS – (TC 018.490/1993-0 e TC
018.491/1993-6), o TCU determinou a adoção de providência também em relação às empresas
NORBERTO ODEBRECHT, CONSTRAN, MENDES JUNIOR, EIT e CAMARGO CORREIA, conforme
item 2.1 da Decisão 075/1994-TCU-Plenário (peça 119, p. 5), Min. Relator Luciano Brandão.
129

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

16. Contudo, esses processos foram arquivados, por meio da Decisão 509/1995-TCU-Plenário
(peça 120), Rel. Min. Iram Saraiva, em razão da instauração de outros 37 processos autônomos,
conforme Voto do Min. Relator.
17. Mais recentemente, por meio do Acórdão 1.583/2016-TCU-Plenário (peça 49), de Relatoria do
Exmo. Min. Benjamin Zymler, o Tribunal conheceu da representação da qual este processo constitui
apartado, determinando, com fundamento no art. 46 da Lei 8.443/1992 (subitem 9.2.1 do Acórdão
1.583/2016-TCU-Plenário), a oitiva das empresas relacionadas, alertando-as da possibilidade de serem
declaradas inidôneas para participar, por até cinco anos, de licitações na Administração Pública
Federal.
18. Ainda nesse Acórdão 1.583/2016-TCU-Plenário, por meio do subitem 9.2.2, com fundamento
nos art. 43, inciso II; 58, inciso II, ambos da Lei 8.443/1992, e art. 250, inciso IV, do Regimento Interno
do TCU, foi determinada a audiência de Paulo Roberto Costa, Renato de Souza Duque, e Pedro José
Barusco Filho, incluindo alerta acerca da possibilidade de aplicação de inabilitação para o exercício de
cargo em comissão ou função de confiança no âmbito da Administração Pública, além de multa, nos
seguintes termos
(...):
19. Esclarece-se que os débitos alusivos aos contratos citados no item 9.2 do acórdão supracitado,
como mencionado alhures, estão sendo apurados em processos de tomada de contas especiais (TCE)
específicos, com a devida identificação dos respectivos responsáveis.
20. Já foram confirmados os superfaturamentos de R$ 1,004 bilhão no contrato da UHDT-
UGH/Rnest, de R$ 429 milhões no contrato da UDA/Rnest, conforme Acórdão 2.109/2016-TCU-Plenário
(TC 000.168/2016-5, Min. Relator Benjamin Zymler), e de R$ 682 milhões no contrato de
Tubovias/Rnest, Acórdão 2.428/2016-TCU-Plenário (TC 004.038/2011-8, Min. Relator Benjamin
Zymler), ambos os processos estão em fase de citação. Já no contrato da UCR/Rnest, foi apontado o
sobrepreço de R$ 522 milhões, Acórdão 3.362/2010-TCU-Plenário (TC 027.542/2015-7, Min. Relator
Benjamin Zymler). Já o sobrepreço apontado no contrato de terraplenagem somou R$ 69,5 milhões,
conforme abordado no Acórdão 2.290/2013-TCU-Plenario (TC 008.472/2008-3, Min. Relator Valmir
Campelo). Até aqui, o prejuízo à estatal foi estimado em um total de R$ 2,7 bilhões, a valores históricos,
apenas nesses cinco contratos.
21. O ofício de comunicação do TCU acerca da audiência e da prorrogação de prazo, os
comprovantes de ciência, e a manifestação do responsável constam das peças especificadas na Tabela 1
a seguir:
Tabela 1: Relação de peças de ofícios de comunicação e manifestação do responsável
Peça Natureza Ciência Prorrogação Manifestação
73* Audiência 114*/231* 194* 111/112
* Fonte: os números das peças originais constam do processo TC 016.119/2016-9 (peça 295)
22. Registre-se que, após análise preliminar das respostas às oitivas promovidas na representação
de origem, verificou-se que a empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A (CCCC),
diversamente das outras empresas, confirma a existência do conluio e admite sua participação em
fraudes às licitações da Rnest (peça 246 do TC 016.119/2016-9), esclarecendo ter celebrado acordos de
colaboração com as investigações em outras instâncias, a saber: Acordo de Leniência firmado com a
Força-Tarefa do Ministério Público Federal que integra a Operação Lava Jato; Termo de Compromisso
de Cessão de Prática celebrado com o Cade, com participação do MPF; e colaborações premiadas de
executivos da companhia.
23. Tendo em vista a celeridade processual que o caso requer e a complexidade das várias
manifestações dos responsáveis implicados, mediante Despacho (peça 116), o Exmo. Min. Relator
Benjamin Zymler autorizou a constituição de processos apartados para análise individualizada das
manifestações de cada responsável envolvido.
Tabela 2: Relação de processos apartados instaurados a partir do TC 016.119/2016-9
130

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

(...)
Fonte: peça 416 do TC 016.119/2016-9
EXAME TÉCNICO
24. O presente exame técnico avalia a participação do Sr. Paulo Roberto Costa no esquema de
fraude às licitações da Rnest, mormente nos contratos de: Unidade de Coqueamento Retardado (UCR),
Unidades de Hidrotratamento de Diesel e de Nafta (UHDT) e Unidade de Geração de Hidrogênio
(UGH), Tubovias de Interligações; Unidade de Destilação Atmosférica (UDA); e execução das obras de
terraplenagem.
25. Para facilitar o entendimento, o presente exame técnico constitui-se dos seguintes tópicos: (I)
Breve contextualização das irregularidades; (II) Das alegações do responsável e respectivas análises;
(III) Da responsabilização e individualização das condutas; e (IV) Da dosimetria da declaração de
inabilitação.
(I) Breve contextualização da irregularidade
26. Conforme apresentado na instrução inicial da representação (peça 42, p. 5-6), o conceito de
cartel está sedimentado na literatura especializada, sendo caracterizado pela coligação entre empresas
de mesma categoria, com o objetivo de obter vantagens indevidas por meio de supressão da livre
concorrência e sobre-elevação artificial de preços, assemelhando-se ao controle de mercado alcançado
em uma situação de monopólio.
27. Segundo a Secretaria de Direito Econômico – SDE/MJ, a experiência internacional demonstra
que as empresas participantes de cartéis em licitações públicas utilizam-se das seguintes estratégias:
propostas fictícias ou de cobertura (“cover bidding”); supressão de propostas (“bid suppression”);
propostas rotativas ou rodízio (“bid rotation”); divisão do mercado (“market allocation” ou “market
division”); e subcontratação. Estratégias essas que se apresentam, em sua maioria, descritas nas
atuações do grupo de empresas para, em conluio, direcionar e fraudar licitações no âmbito da
Petrobras, inclusive em licitações para a implantação da Rnest.
28. As empresas, por meio de ajuste prévio, definiam em conluio qual delas seria a vencedora do
certame, as demais empresas apresentavam propostas com valores acima do limite aceitável pela
Petrobras, com intuito de acobertar a fraude ao processo licitatório, ou se abstinham de participar do
certame, conforme devidamente comprovado por meio das provas compartilhadas com o TCU, oriundas
da “Operação Lava Jato”, devidamente explicadas e referenciadas na instrução inicial da representação
(peça 42, p. 6-38).
29. O êxito do esquema era garantido por diretores da estatal, mediante recebimento de vantagem
financeira indevida (propina), conforme descrito na instrução inicial da representação (peça 42, p. 17-
18).
30. Maiores detalhes sobre os conceitos de cartel e conluio podem ser vistos na representação
original (peça 42).
(II) Das alegações do responsável e respectivas análises
31. Por meio do Acórdão 1.583/2016-TCU-Plenário (peça 49), Min. Relator Benjamin Zymler, o
TCU conheceu da representação e determinou, com fundamento nos arts. 43, inciso II; 58, inciso II; 60
da Lei 8.443/1992 e 250, inciso IV, do Regimento Interno do TCU, as audiências das pessoas físicas
relacionadas, entre elas Paulo Roberto Costa, por fraude comprovada à licitação em contratos
especificados nas obras da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), mediante conluio entre as empresas.
32. As condutas do responsável foram: utilização da prevalência hierárquica e funcional para,
deliberadamente, facilitar o funcionamento do cartel e o direcionamento das contratações às empresas
cartelizadas; antecipação de cronograma da entrada em operação da refinaria, o que gerou
contratações sem projetos básicos suficientemente maduros e facilitou a atuação do cartel;
compartilhamento de informações sigilosas ou restritas com as empresas integrantes do Cartel;
direcionamento do certame, mediante a escolha das empresas a serem convidadas, consoante seleção
efetuada pelo “Clube”; alteração de percentuais da fórmula de reajuste de preços por sugestão de
empresas licitantes, em prejuízo econômico direto aos cofres da Petrobras, e viabilizador de pagamentos
131

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

irregulares a terceiros no decorrer da execução das avenças; injustificada não-inclusão de novos


concorrentes após o cancelamento de procedimento licitatório por preços excessivos.
(II.1) Da manifestação de Paulo Roberto Costa
33. Paulo Roberto Costa (peça 112) informa que, na condição de Diretor de Abastecimento, não
tinha poder de viabilizar a atuação do cartel, pois as licitações eram feitas pela Diretoria de Serviços,
que criava uma comissão de licitação, que era responsável por todo o processo licitatório e que as
empresas eram escolhidas no cadastro da Petrobras, de acordo com o porte da obra e sua complexidade.
34. Afirma ainda que nunca usou sua posição hierárquica para direcionar nenhum contrato, e que
só veio conhecer o processo de cartel no período em que a DABAST passou a realizar obras maiores,
isso no final de 2006 e início de 2007.
35. Quanto ao projeto básico suficientemente maduro dito pelo TCU, afirma que se trata de um
erro de conceito de engenharia, asseverando que o que poderia ser feito era o projeto de detalhamento,
antes de licitar, mas não era a definição que a Petrobras utilizava, pois estenderia o prazo de inicio do
processo licitatório.
36. Afirma que nunca participou de nenhuma reunião do referido cartel, como também não
compartilhou informações sigilosas, pois quem tinha conhecimento do processo licitatório era a
comissão de licitação.
37. Assevera que a não inclusão de novas empresas após cancelamento de processo por preço
excessivo era uma atribuição total da comissão de licitação e diz que não há provas de que esteja
implicado nas irregularidades apontadas pelo TCU.
38. O responsável apresenta ainda dados dos desdobramentos de sua colaboração premiada, para
indicar que fora efetiva.
39. Por fim, o responsável afirma que não tomou e nem poderia haver tomado qualquer decisão
que pudesse ensejar prejuízo para a Petrobras e que as decisões tratadas nestes autos são privativas da
Diretoria de Serviços e de seu Diretor Executivo de Engenharia. Garante que não participou das
reuniões e não aprovou, tecnicamente, como Diretor da DABAST, a assinatura de contrato envolvendo
serviços com a RNEST e requer, no mérito, a improcedência do processo, ao menos em relação a ele, por
ausência de responsabilidade pelas possíveis ilegalidades na condução de processos de contratação e de
serviços da RNEST. Adicionalmente, requer a manutenção do sigilo de seus dados pessoais.
Análise
40. Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Pedro Barusco tinham ciência do funcionamento de um
cartel de empreiteiras em detrimento da Petrobras e, cooptados pelos pagamentos de propinas,
mantiveram-se coniventes e omitiram-se nos deveres que decorriam de seus ofícios, sobretudo o dever de
imediatamente informar irregularidades e adotar as providências cabíveis em seu âmbito de atuação.
41. O presente processo está pleno de evidências das omissões acima citadas. Nesse sentido,
destaca-se a peça 9, que, em relação a Paulo Roberto Costa, entre as páginas 113 e 127 traz extratos de
suas declarações ao juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba. A leitura desses depoimentos permite
comprovar que, em relação à empreiteira Odebrecht, o recebimento de propinas por Paulo Roberto
Costa não se deveu a prática de atos concretos específicos que teria tomado para beneficiá-la. As
propinas foram pagas pela empreiteira para manter com os agentes da Petrobrás um bom
relacionamento. Como benefício concreto, há apenas a omissão de Paulo Roberto Costa em tomar, como
deveria, qualquer providência contra o cartel das empreiteiras e os ajustes fraudulentos de licitação.
42. Além disso, Paulo Roberto Costa também admitiu o recebimento de propinas no contrato de
fornecimento da Nafta Petroquímica pela Petrobrás à Braskem. As propinas também teriam sido pagas
em parte por depósitos nas contas no exterior. No caso das propinas pagas pela Braskem, Paulo Roberto
Costa declarou que, em contrapartida, agilizava demandas da Braskem junto à Petrobrás, mas negou
que tivessem como origem a renegociação havida em 2009, após a qual o preço da Nafta, de ARA mais
USD 2,00 por tonelada, caiu para cerca de 93% do ARA, em favor da Braskem e em detrimento da
Petrobrás. Todavia, essa parte de seu depoimento, como bem frisou o juiz da 13ª Vara Federal de
Curitiba, deve ser vista com reservas. Assim expõe o juiz (peça 9, p. 126):
132

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

‘Como a propina no contrato de fornecimento de Nafta era paga mesmo antes da renegociação em
2009, é certo que não teve esta por causa. Entretanto, é evidente que o pagamento de propina pela
Braskem a Paulo Roberto Costa não contribuiu para que ele defendesse com intensidade os interesses da
Petrobrás na renegociação em 2009. Em outras palavras, na mesa de negociação em 2009, o principal
negociador da Petrobrás estava na "folha de pagamento" da Braskem, o que, à toda evidência, desde o
início comprometeu as chances da estatal de obter uma posição mais favorável na revisão do preço da
Nafta.’
43. Cabe observar que o responsável foi instado a se manifestar quanto à viabilização da atuação
do cartel mediante o recebimento de propina. Evidentemente, a sua omissão, comprada à custa de
contratações prejudiciais à Petrobras, que renderam propinas para si e para terceiros, permitiu a
atuação do cartel. Isso independe do fato de ele participado efetivamente de reuniões do cartel. Sua
decisão de omissão, portanto, ensejou prejuízos à Petrobras.
44. Adicionalmente, Augusto Mendonça, em seu Termo de Colaboração Complementar 02,
transcrito na Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa 5006628-92.2015.4.04.7000
(peça 3, p. 14), afirma que Pedro Barusco, Renato Duque e Paulo Roberto Costa tinham conhecimento
prévio das empresas que seriam convidadas e agiam para alterar essa lista de convidadas em favor do
grupo cartelizado.
(III) Da responsabilização e individualização das condutas
Responsável: Paulo Roberto Costa (CPF 302.612.879-15) - Diretor de Abastecimento da Petrobras
(2004 a 2012)
Conduta: viabilizar a atuação do cartel mediante o recebimento de propina e, em especial, por
meio de: utilização da prevalência hierárquica e funcional para, deliberadamente, facilitar o
funcionamento do cartel e o direcionamento das contratações às empresas cartelizadas; antecipação de
cronograma da entrada em operação da refinaria, o que gerou contratações sem projetos básicos
suficientemente maduros e facilitou a atuação do cartel; compartilhamento de informações sigilosas ou
restritas com as empresas integrantes do cartel; direcionamento do certame, mediante a escolha das
empresas a serem convidadas, consoante seleção efetuada pelo “Clube”; alteração de percentuais da
fórmula de reajuste de preços por sugestão de empresas licitantes, em prejuízo econômico direto aos
cofres da Petrobras, e viabilizador de pagamentos irregulares a terceiros no decorrer da execução das
avenças; injustificada não-inclusão de novos concorrentes após o cancelamento de um procedimento
licitatório por preços excessivos. Essas condutas infringiram o disposto nos arts. 37, caput e inciso XXI,
170, inciso IV e 173, §1º, inciso III, todos da Constituição Federal (CF/1988), bem como no item 1.2 do
Decreto 2.745/1998, configurando fraude comprovada à licitação para fins do disposto no art. 60 da Lei
8.443/92.
Nexo de causalidade: As práticas omissivas adotadas pelo responsável resultaram em: fraudes às
licitações; restrição à competitividade; contratações de empresas e consórcios por valores acima
daqueles que seriam praticados em ambiente competitivo e prejuízo à transparência e ao controle social.
Culpabilidade: Considerando o ambiente de conluio e de corrupção trazido na instrução, não é
possível afirmar que houve boa-fé do responsável. Com isso, conclui-se que a conduta do responsável é
culpável.
45. A participação do responsável, juntamente com os demais responsáveis e empresas citados à
Tabela 2, acima, implicados no bojo do processo de representação original (TC 016.119/2016-9), foi
confirmada pelas investigações da Operação Lava Jato, conforme sentenças condenatórias da 13ª Vara
Federal de Curitiba/PR (peças 9 a 14).
46. Essa participação também é evidenciada nas ações por ato de improbidade administrativa
proposta pelo Ministério Público Federal (peças 3 a 8, 45 e 46).
47. No Histórico de Conduta do Cade, referente ao Acordo de Leniência firmado junto ao Cade, a
empresa SOG Óleo e Gás, signatária do acordo, confirma atuação das empresas (peça 31, p. 1), em
conluio, para burlar processos licitatórios da Petrobras, caracterizando fraude à licitação da estatal.
133

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

48. Reforçando o conjunto probatório da ocorrência de fraude comprova às licitações para as


obras da Rnest especificadas nesta Instrução, a representação se baseou ainda nas seguintes evidências
probatórias: Laudos de Perícia Criminal da Polícia Federal 2400/2015-SETEC/SR/DPF/PR (peças 26 a
29) e 0777/2015-SETEC/SR/DPF/PR (peça 47); Relatório de apuração da Petrobras sobre licitações na
Rnest (peça 16); depoimentos e termos de colaboração (peças 18 a 20, 23 a 25, 30 a 34, e 48);
Denúncias oferecidas pelo MPF-PR (peças 15, 21 e 22, e 36 a 41); e Auto de Apreensão 1117/2014 da
Polícia Federal (peça 35) contendo planilhas e regramentos apreendido na sede da empresa Engevix
referentes à organização do esquema criminoso.
49. A manifestação da empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. (CCCC), em
resposta à oitiva realizada, confirma todas as declarações e provas produzidas por ela no âmbito dos
acordos firmados com o Cade (peça 246, p. 47 232, do TC 016.119/2016-9) e com o MPF (peça 246, p.
34-46, do TC 016.119/2016-9). A CCCC “(...) admite ter participado de conluio (...)” (peça 246, p. 6-7,
do TC 016.119/2016-9), ratificando as provas já carreadas nestes autos.
50. A título de exemplificação, Pedro José Barusco Filho, ex-Gerente de Serviços da Diretoria de
Serviços da Petrobras, em seu Termo de Colaboração Premiada 5 (Peça 20, p. 2), afirmou a existência
do conluio para direcionar os convites da Petrobras às empresas do cartel ou simpatizantes, fraudando a
finalidade concorrencial dos certames da estatal:
‘QUE afirma a atuação do cartel na PETROBRAS já se dava há muito tempo, mas foi facilitada a
partir de 2006 até 2011, em razão do grande volume de obras de grande porte, sendo que o critério
técnico de seleção das empresas das Petrobras costumava sempre indicar as mesmas empresas do cartel
e outras que eram 'simpatizantes', o que proporcionava as ações do cartel no sentido de dividir entre si
as obras; QUE as empresas que compunham uma espécie de 'núcleo duro' do cartel eram em torno de 14
(quatorze), isto é, a CAMARGO CORRÊA, a ANDRADE GUTIERREZ, a ODEBRECHT, SETAL/SOG -
ÓLEO E GÁS, a OAS, a UTC, a SKANSKA, a PROMON ENGENHARIA, a TECHINT, a QUEIROZ
GALVÃO, a ENGEVIX, a MENDES JÚNIOR, a SHAIN e a MPE; QUE essas eram as empresas mais
convidadas, as mais atuantes dentro da PETROBRAS;’
51. O senhor Alberto Youssef, em seu interrogatório na ação penal 5026212-82.2014.404.7000
(peça 30, p. 38), detalhou como as empresas acertavam previamente o vencedor do certame:
‘Ministério Público Federal: - O senhor pode afirmar então que elas se reuniam? Os executivos
dessas empresas confidenciaram alguma vez pro senhor essas reuniões?
Interrogado: - Sim, com certeza.
Ministério Público Federal: - E, e como funcionava daí, depois que elas definissem a empresa que
seria a vencedora pra um determinado certame, elas passavam esse nome pro senhor ou ao senhor Paulo
Roberto Costa?
Interrogado: - Era entregue uma lista das empresas que ia participar do certame e nessa lista já
era dito quem ia ser, quem ia ser a vencedora. Essa lista era repassada pro Paulo Roberto Costa.
Ministério Público Federal: - Em qual momento era repassada essa lista?
Interrogado: - Logo que, que ia se existir os convites.’
52. O Senhor Pedro José Barusco Filho, em seu Termo de Colaboração 05 (peça 20, p. 3), também
declarou ocorrência de cartel e fraude às licitações da Rnest, inclusive com violação do sigilo das
empresas a serem convidadas, corroborando o depoimento de Alberto Youssef acima, nos seguintes
termos:
‘(...) QUE neste caso da RNEST houve claro superfaturamento; QUE indagado sobre como
concluiu que havia cartel na PETROBRAS, afirma que a ação das empresas ‘era orquestrada’ no sentido
de que havia uma organização entre elas acerca de qual licitação seria vencida por cada uma delas;
QUE quase sempre as mesmas empresas eram convidadas; QUE indagado se recebeu lista prévia das
empresas cartelizadas para definição de quais deveriam ser convidadas dentro do procedimento
licitatório, afirma que houve um fato específico, em maio ou abril de 2008, antes de se iniciar processos
licitatórios para obras na RNEST, em que o declarante foi procurado por ROGÉRIO ARAÚJO, Diretor
da ODEBRECHT, o qual apresentou uma lista manuscrita à caneta ou impressa contendo relação de
134

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

empresas que deveriam ser convidadas para as licitações dos grandes pacotes de obras da RNEST; QUE
ROGÉRIO disse na ocasião que já havia acertado, definido com PAULO ROBERTO COSTA, à época
Diretor de Abastecimento, a lista de empresas que iriam participar; QUE afirma que leu a lista e nela
constavam grande parte das 14 (quatorze) empresas acima referidas integrantes do ‘núcleo duro’ do
cartel;’
53. Confirmando as evidências exemplificadas acima, no âmbito do Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade) foi formalizado acordo de leniência com empresa envolvida no cartel (Setal
Engenharia e Construções e SOG Óleo e Gás). O acordo descreve a "prática de condutas
anticompetitivas no mercado de obras de montagem industrial 'onshore' no Brasil, em licitações da
Petrobras" (peça 31, p. 1) por meio do documento "Histórico de Conduta", principalmente nas grandes
obras da Rnest (peça 31, p. 25-26).
‘(...) Segundo os Signatários, a partir de 2003/04 nove empresas formaram um
‘CLUBE’/‘Grupo’/‘Mesa’, e combinaram de não competir entre si nas licitações da Petrobras. O ajuste
consistia em as empresas sinalizarem entre si opções de escolha, dentro do programa de obras da
Petrobras, daquelas obras que lhes fossem mais adequadas, de modo a chegarem a um acordo para que
as demais não ‘atrapalhassem’ sua respectiva vitória quando o edital da licitação fosse publicado. (...)
(...) As 09 (nove) empresas pertencentes ao ‘Clube das 9) eram: (i) Camargo Corrêa S/A, (ii)
Construtora Andrade Gutierrez S/A, (iii) Construtora Norberto Odebrecht S/A (CNO), (iv) Mendes
Junior Trading Engenharia (MJr), (v) MPE Montagens e Projetos Especiais S/A, (vi) Promon S.A, (vii)
Setal, (viii) Techint engenharia e Construção S/A e (ix) UTC Engenharia S.A (Utratec).’
54. Consta do "Sumário Executivo” desse “Histórico de Conduta” que as "condutas
anticompetitivas consistiram em acordos de (i) fixação de preços, condições, vantagens e abstenção de
participação, e (ii) divisão de mercado entre concorrentes, em licitações públicas de obras de montagem
industrial 'onshore' da Petrobras no Brasil.". Ele apresenta ainda uma relação de empresas membros do
grupo cartelizado, incluindo a CCCC (peça 31, p. 1):
‘As empresas participantes da conduta anticompetitiva, durante o chamado ‘Clube das 9’, foram:
(i) Camargo Corrêa S/A, (ii) Construtora Andrade Gutierrez S/A, (iii) Construtora Norberto Odebrecht
S/A, (iv) Mendes Junior Trading Engenharia, (v) MPE Montagens e Projetos Especiais S/A, (vi) Promon
S/A, (vii) Setal/SOG Óleo e Gás, (viii) Techint Engenharia e Construção S/A e (ix) UTC Engenharia S/A.
Em seguida, com a ampliação do grupo e a criação do chamado ‘Clube das 16’, as empresas que
também passaram a ser participantes da conduta anticompetitiva foram: (x) Construtora OAS S/A, (xi)
Engevix Engenharia, (xii) Galvão Engenharia S/A, (xiii) GDK S/A, (xiv) lesa Óleo e Gás, (xv) Queiroz
Galvão Óleo e Gás e (xvi) Skanska Brasil Ltda. (...)’
55. No item "VI.3.1.5. R-NEST (Refinaria Nordeste, Abreu e Lima/Pernambuco)" do citado
documento do Cade, encontra-se descrito que as empresas participantes do “Clube Vip” não aceitariam
a divisão de algumas obras da Rnest, e que as demais empresas do “Clube das 16” dariam propostas de
cobertura (Peça 31, p. 59-61):
‘(...) Previamente à realização da licitação da R-NEST, houve diversas reuniões do "Clube das 16"
para decidir como dividir entre as empresas algumas das oportunidades de obras existentes em 2009,
(...)
(...) Diante da existência de muitas empresas no “Clube das 16” e das dificuldades de se chegar a
um acordo para todas as licitações, os Signatários informam que Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade
Gutierrez e Queiroz Galvão (pertencentes ao “Club VIP”, sem a UTC nessa situação em específico)
informaram que não aceitariam a divisão de algumas obras dessa licitação, pois R-NEST seria a
prioridade delas. Informaram, também, que a R-NEST não seria contratada no modelo EPC, mas sim
apenas montagem.
(...) Diante disso, impuseram que as obras de maior valor, quais sejam, HDT (R$ 3.500.000), OFF
SITE (sinônimo de ‘interligações’ e de ‘tubovias’) (R$ 2.400.000), UCR (sinônimo de ‘COQUE’) (R$
3.500.000) e UDAV (sinônimo de ‘destilação’) (R$ 1.400.000), seriam apenas dessas quatro empresas.
Ao final, os Signatários informam que decidiu-se pela seguinte divisão das obras de maior valor:
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

a. HDT seria da Odebrecht (que posteriormente convidou a OAS para participar do consórcio);
b. UDA seria da Odebrecht (que posteriormente convidou a OAS para participar do consórcio);
c. OFF SITE seria da Queiroz Galvão (que posteriormente convidou a Iesa para participar do
consórcio); e
d. UCR seria da Camargo Corrêa (que posteriormente convidou a CNEC para participar do
consórcio).
(...) Nessas licitações, as demais empresas do ‘Clube das 16’ formariam consórcios para oferecer
propostas de cobertura, a fim de que as empresas acima indicadas vencessem os maiores pacotes e obras
da R-NEST. A Signatária, por exemplo, se comprometeu a oferecer proposta de cobertura para as
licitações em pelo menos dois pacotes de obras.’
56. O ajuste prévio das empresas é evidenciado também por meio de uma tabela apreendida na
sede da empresa Engevix Engenharia (peça 28, p. 2), de 11/6/2008, em que consta a divisão das obras,
estabelecendo a cargo de qual empresa seria destinada cada obra da Rnest, conforme bem explicado na
Instrução de Representação (peça 42, p. 13-14):

57. A íntegra das planilhas apreendidas pela Polícia Federal está apresentada no Auto de
Apreensão 1117/2014 (peça 35). Destaca-se aqui as planilhas de distribuição das obras que seriam
licitadas pela Petrobras para implantação das refinarias Rnest, Repar e Comperj (peça 35, p. 12-13).
58. Além da definição prévia da distribuição das obras, os Diretores da Petrobras Pedro Barusco,
Renato Duque e Paulo Roberto Costa tinham conhecimento prévio das empresas que seriam convidadas
e agiam para alterar essa lista de convidadas em favor do grupo cartelizado, conforme declara Augusto
Mendonça, em seu Termo de Colaboração Complementar 02, transcrito na Ação Civil Pública por Ato
de Improbidade Administrativa 5006628-92.2015.4.04.7000 (peça 3, p. 14):
‘(...) QUE questionado acerca da entrega de lista ou sobre o modo como as empresas do CLUBE
faziam para que apenas elas fossem convidadas pela PETROBRAS, o depoente informou que a
interlocução do CLUBE com PEDRO BARUSCO, RENATO DUQUE e PAULO ROBERTO COSTA se
dava sobretudo por intermédio de RICARDO PESSOA, representante da UTC que ocupava a presidência
da ABEMI, e por isso tinha justificativa para ter acesso frequente aos dirigentes da estatal; QUE ao que
tem conhecimento, RICARDO PESSOA intercedia junto aos diretores da estatal para que apenas as
empresas do CLUBE fossem convidadas, tendo conhecimento que antes de os convites fossem
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

formalizados pela PETROBRAS era necessário obter a aprovação dos diretores diretamente envolvidos,
no caso das refinarias, os Diretores RENATO DUQUE e PAULO ROBERTO COSTA, os quais ficavam
como o encargo de submeter o procedimento ao colegiado da diretoria; QUE no interregno entre o
recebimento do procedimento licitatório e sua submissão ao colegiado da diretoria, os Diretores
obtinham o conhecimento das empresas que seriam convidadas e tinha o poder de alterar a lista das
convidadas para atender os interesses do CLUBE; que para contemplar os interesses do CLUBE
chegaram a incluir ou até, com base em argumentos técnicos, excluir empresas que seriam convidadas,
todavia com a real finalidade de favorecer as empresas do CLUBE; QUE, por vezes, a influência dos
referidos DIRETORES ocorria em etapas anteriores ao recebimento formal do recebimento do processo
licitatório para encaminhamento à aprovação do colegiado de diretores, que era concretizada meio DIP
(...)’
59. Portando, resta comprovada a ocorrência de fraudes nas licitações conduzidas pela Petrobras,
relacionadas a certames para obras de implantação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), mediante conluio
entre as empresas para a prática das seguintes condutas: combinação de preços, quebra de sigilo das
propostas, divisão de mercado, oferta de propostas de cobertura para justificar o menor preço ofertado,
combinação prévia de resultados e consequente direcionamento das licitações, e ausência de formulação
de proposta para beneficiar a empresa escolhida pelo cartel.
60. Também resta demonstrada a participação de Paulo Roberto Costa no esquema fraudulento
acima referido.
61. Em face do exposto, conclui-se que a conduta é reprovável, devendo acarretar, no mérito, a
declaração de inabilitação de Paulo Roberto Costa para o exercício de cargo em comissão ou função de
confiança no âmbito da Administração Pública, com fundamento no art. 60, da Lei 8.443/1992, conforme
dosimetria a seguir.
(IV) Da prescrição da pretensão punitiva
62. Por fim, cabe observar as repercussões para o caso concreto do debate acerca da prescrição
da pretensão punitiva exercida pelo TCU.
63. Recentemente, o Info Conjur 2, de 27/03/2018, apresentou comentários quanto ao julgamento
do MS 32.201, pelo STF, 1ª Turma, de relatoria do Ministro Roberto Barroso, em que a controvérsia
girou em torno da prescrição da pretensão punitiva no âmbito do TCU.
64. De acordo com o Ministro Barroso, embora a Lei Orgânica do TCU (Lei 8.443/92) não preveja
prazo prescricional, “é praticamente incontroverso o entendimento de que o exercício da competência
sancionadora do TCU é temporalmente limitado”.
65. No caso concreto, MS 32.201, tratava-se de conduta omissiva e o Ministro Barroso considerou
como termo inicial da prescrição a data em que o impetrante deixou o cargo de Superintendente do
INCRA/MS. Assim procedeu o relator por aplicação do caput do art. 1º da Lei 9.873/99, que estabelece
como termo inicial “data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em
que tiver cessado”. Nas palavras do relator: “Considerando que a conduta imputada ao impetrante
possui natureza omissiva, a infração deve ser tida como permanente, somente tendo cessado com a
exoneração do impetrante do cargo, o que ocorreu com a publicação da respectiva portaria em
13.02.2003. Este é, portanto, o termo inicial da prescrição”.
66. No âmbito do TCU, por meio do Acórdão 1.441/2016-Plenário, cujo redator foi o Ministro
Walton Alencar Rodrigues, fixou-se entendimento de que a pretensão punitiva, nesta corte de contas,
subordina-se ao prazo geral indicado no art. 205 do Código Civil, 10 anos, contado a partir da data da
ocorrência da irregularidade. Restou decidido, ainda, que o ato que ordena citação, audiência ou oitiva
interrompe a prescrição. Não houve, no entanto, manifestação quanto ao início da contagem do prazo no
caso de condutas omissivas.
67. De forma integrativa, adota-se, na presente instrução, a interpretação do STF quanto ao início
da contagem do prazo para condutas omissivas, que têm caráter permanente. No mais, usa-se o
entendimento do TCU quanto ao prazo prescricional e os motivos de interrupção.
137

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

68. No presente caso concreto, a data de desligamento do responsável da Petrobrás foi 29/04/2012.
O recebimento do ofício que determinou a audiência, por sua vez, ocorreu em 12/07/2016 (Tabela 1,
acima). Portanto, resta preservada a pretensão punitiva por parte desta Corte de Contas, visto que a
prescrição só alcança atos praticados até 11/07/2006.
(V) Da dosimetria da sanção de declaração de inabilitação
69. Conforme exposto no exame técnico acima, restou comprovado que Paulo Roberto Costa
participou ativamente de fraudes em licitações da Rnest, por viabilizar a atuação do citado cartel,
mediante o recebimento de propina e, em especial, por meio de omissão de dever funcional, sobretudo o
dever de imediatamente informar irregularidades e adotar as providências cabíveis em seu âmbito de
atuação para evitar que as fraudes ocorressem.
70. Além disso, Augusto Mendonça, em seu Termo de Colaboração Complementar 02, transcrito na
Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa 5006628-92.2015.4.04.7000 (peça 3, p. 14),
afirma que os Diretores da Petrobras Pedro Barusco, Renato Duque e Paulo Roberto Costa tinham
conhecimento prévio das empresas que seriam convidadas e agiam para alterar essa lista de convidadas
em favor do grupo cartelizado.
71. Esses atos ilícitos afrontaram de forma grave e continuada os ditames constitucionais
insculpidos nos arts. 37, caput e inciso XXI, 170, inciso IV e 173, §1º, inciso III. Houve afronta, em
especial, aos princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da igualdade de condições
aos concorrentes em processo licitatório. Ademais, infringiram o item 1.2 do Decreto 2.745/1998.
72. A fraude à licitação é ato ilícito que ofende de forma grave preceitos constitucionais da
Administração Pública, carecendo de sanção proporcional, de forma a punir o infrator e a repelir
intenções futuras de prática de tal ato faltoso. Nesse mesmo sentido é a Declaração de Voto do Min.
Relator Vital do Rêgo, que acompanha o Acórdão 348/2016-TCU-Plenário:
‘5. Aqueles que fraudam certames licitatórios com o objetivo de obter vantagens para si ou para
terceiros, atitude que não se coaduna com os valores da nossa sociedade, comportamento que não se
harmoniza com os princípios consagrados no nosso ordenamento jurídico, devem ter reprimenda
proporcional à gravidade de todas as irregularidades que vierem a ser por eles perpetradas em desfavor
da regra constitucional da licitação.’
73. Conforme bem pontuado pelo Exmo. Min. Relator, Vital do Rego, no Acórdão 348/2016-TCU-
Plenário, a fraude e o conluio de forma reiterada, burlando os princípios fundamentais da Administração
e ludibriando o controle, que, sem o poder de polícia para investigar, tem sua atuação limitada quanto à
produção de prova desses atos, merece tratamento rigoroso:
‘Constitui premissa lógica do sistema sancionatório o cumprimento integral de todas as sanções.
Isso porque, se alguém tem o dever legal de não praticar determinada conduta e, ainda assim, a pratica
mais de uma vez, viola a norma repetidas vezes, devendo suportar as consequências de cada
transgressão.
Nesse sentido, a lição de Fábio Medina Osório (in Direito Administrativo Sancionador. 2ª ed. São
Paulo: Editora Revista dos Tribunais, p. 412 e 414):
‘O concurso material de ilícitos está ligado ao princípio da igualdade. Não se pode tratar
igualmente os desiguais. Daí que o sujeito que comete vários ilícitos merece um tratamento naturalmente
mais rigoroso do que aquele que comete menor quantidade de infrações, se estamos diante de infrações
de mesma natureza.
(...) A soma dos prazos é, de certo modo, inevitável diante do concurso de ilícitos. O legislador fixa,
via de regra, prazos para ilícitos autônomos. Não veda o acúmulo material, que decorre da necessidade
de tratamento isonômico. Isto porque eventual interpretação que congelasse o patamar máximo dos
prazos de interdições ou suspensões de direitos feriria a igualdade de tratamento aos jurisdicionados ou
administrados, equiparando corruptos e administradores altamente desonestos a outros que atuam em
escalas e níveis distintos, ainda que reprováveis. Haveria um estímulo ao ilícito e às injustiças
decorrentes do rompimento do princípio isonômico’.
138

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

74. Cabe destacar que a prática reiterada da fraude às licitações em análise neste processo
apartado e no processo de representação originário (TC 016.119/2016-9), a partir do qual serão
analisadas as responsabilidades das demais empresas e responsáveis implicados nos respectivos
processos apartados, abrange cinco processos de contratação vinculados às seguintes obras: Unidade de
Coqueamento Retardado (UCR); Unidades de Hidrotratamento de Diesel e de Nafta (UHDT) e Unidade
de Geração de Hidrogênio (UGH); Tubovias de Interligações; Unidade de Destilação Atmosférica
(UDA); e execução das obras de terraplenagem.
75. Portanto, considerando que o Tribunal de Contas da União vem atuando nesses contratos
desde 2008, período não abrangido pela prescrição, como acima exposto, apontando diversas
irregularidades graves, culminando na proposta de classificação de Irregularidade Grave com
Recomendação de Paralisação do fluxo financeiro para essas obras, em 2010, e correspondente
comunicação ao Congresso Nacional; considerando que a prática delituosa ocorreu de forma reiterada e
ampla nas licitações da Petrobras, não se tratando de incidência isolada; e considerando que a sanção
deve guardar proporção com a reiteração da prática, com a gravidade dos atos ilícitos, envolvendo
diversos meios fraudulentos para obtenção do êxito no crime perpetrado, com materialidade e com a
culpabilidade do agente envolvido; e de forma a garantir a função pedagógica e preventiva da sanção,
propugna-se por declarar a inabilitação de Paulo Roberto Costa para o exercício de cargo em comissão
ou função de confiança no âmbito da Administração Pública, por 8 (oito) anos.
76. Contudo, há que se considerar que Paulo Roberto Costa prestou informações e forneceu provas
relevantes para a apuração das irregularidades, com confirmação de várias de suas declarações. Além
disso, renunciou em favor da Justiça criminal o produto do crime mantido no exterior, o que garante a
recuperação pelo menos parcial dos recursos públicos desviados.
77. Quanto à dosimetria da pena, esse assunto foi amplamente discutido no âmbito do TC
016.991/2015-0. Em instrução que avaliou a participação das sete empresas integrantes do Consórcio
Angramon em fraude a licitação da Eletronuclear e os possíveis impactos da confissão da Construções e
Comércio Camargo Corrêa S/A (CCCC) na prática ilícita e de sua colaboração para as investigações
tanto daquele processo quanto junto ao CADE e MPF.
78. Por se tratar de ato ilícito que ofende de forma grave preceitos constitucionais da
Administração Pública e considerando que a sanção deve guardar proporção com a reprovabilidade e
gravidade do ato, esta unidade técnica se pronunciou, inicialmente, no sentido da cominação máxima,
cinco anos (art. 46 da Lei 8.443/1992 - LO-TCU).
79. A LO-TCU e o RI-TCU (art. 271) não fazem menção a atenuantes. Todavia, considerando que a
Camargo Corrêa firmou acordos de leniência com o CADE (em primazia) e com o MPF, acompanhado
de multa cível de R$ 700.000.000,00 (setecentos milhões de reais), e que sua confissão contribuiu de
forma efetiva para o deslinde dos autos, além do intuito desta Corte de Contas de reconhecimento e
incentivo a essas recentes práticas colaborativas, esta unidade técnica buscou meios integrativos de
conciliação.
80. Inicialmente, buscou-se aplicação analógica do Código Penal, tendo em conta o Acórdão
348/2016-TCU-Plenário, que aplicara o disposto em seu art. 75, §§1º e 2º, para tratar de acumulação de
declarações de inidoneidade. Isso, porém, mostrou-se de pouca serventia, pois apenas o art. 65, inc. III,
alínea “d” prevê atenuante para quem confessar a autoria de um crime, mas essa previsão não permite
extrair um valor objetivo de redução.
81. Dessa forma, restou recorrer ao art. 16 da Lei 12.846/2013 (Lei Anticorrupção – LAC), que
prevê:
‘Art. 16. A autoridade máxima de cada órgão ou entidade pública poderá celebrar acordo de
leniência com as pessoas jurídicas responsáveis pela prática dos atos previstos nesta Lei que colaborem
efetivamente com as investigações e o processo administrativo, sendo que dessa colaboração resulte:
I - a identificação dos demais envolvidos na infração, quando couber; e
II - a obtenção célere de informações e documentos que comprovem o ilícito sob apuração.
139

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

§1º O acordo de que trata o caput somente poderá ser celebrado se preenchidos, cumulativamente,
os seguintes requisitos:
I - a pessoa jurídica seja a primeira a se manifestar sobre o seu interesse em cooperar para a
apuração do ato ilícito;
II - a pessoa jurídica cesse completamente seu envolvimento na infração investigada a partir da
data de propositura do acordo;
III - a pessoa jurídica admita sua participação no ilícito e coopere plena e permanentemente com
as investigações e o processo administrativo, comparecendo, sob suas expensas, sempre que solicitada, a
todos os atos processuais até seu encerramento.
§2º A celebração do acordo de Leniência isentará a pessoa jurídica das sanções prevista no inciso
II do art. 6º e no inciso IV do art. 19 e reduzirá em até 2/3 (dois terços) o valor da multa aplicável.
§3º O acordo de leniência não exime a pessoa jurídica da obrigação de reparar integralmente o
dano causado.’
82. Nesse sentido, esta unidade técnica, naquela oportunidade, pugnou pela aplicação desse
redutor, o que levou a proposta de declaração de inidoneidade para contratar com a Administração
Pública Federal à empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. por um ano e oito meses.
83. Nada obstante, o Exmo. Relator, Ministro Bruno Dantas (Acórdão 483/2017-P), em seu voto,
teceu considerações diferentes.
‘A continuidade desse modelo colaborativo e pragmático depende do fato de que o acordo de hoje
seja percebido como opção viável, confiável e vantajosa aos olhos dos possíveis candidatos a futuras
negociações. Por essa razão, os não colaboradores devem receber as penas que tradicionalmente são
aplicadas aos casos de mesma gravidade. Já os colaboradores devem experimentar alguma vantagem
comparativa, que os distingam dos demais. Essa é a racionalidade do direito premial: manejam-se
sanções, castigos e prêmios a fim de induzir o comportamento dos agentes.
Portanto, a ação estatal deve se orientar por essa lógica de custos-benefícios que variam conforme
a estrutura de incentivos existente. O particular analisará a questão sob a ótica dos riscos
(probabilidade de punição e intensidade da pena, segundo o rito tradicional) e dos estímulos (benefícios
decorrentes do acordo, como redução da pena, e segurança jurídica das regras estipuladas no pacto).
Ao mesmo tempo em que devem manejar e intervir nessa conjugação de riscos e estímulos, é
essencial que os órgãos de controle possam agir coordenada e complementarmente.
(...)
Ademais, a legislação pátria reconhece a confissão como fator de atenuação da penalidade
(Código Penal, art. 65, inciso III, alínea “d”; Lei 12.846, art. 16, § 1º, inciso III; Lei 12.529/2011, art.
86, § 1º, inciso IV, entre outras).
Nos processos de controle externo, os fatores que influenciam na dosimetria da pena não estão
estabelecidos em lei ou no nosso regimento, mas decorrem de nossa própria construção jurisprudencial,
feita paulatinamente a cada situação concreta. Atualmente, é sedimentado que na dosimetria da pena
consideram-se aspectos como: nível de gravidade dos ilícitos, materialidade e grau de culpabilidade do
agente, valoradas as circunstâncias do caso concreto (Acórdãos 2.053/2016, 1.484/2016 e 944/2016,
todos do Plenário, entre vários outros).
A partir desta decisão, podemos acrescentar, então, que o fornecimento de informações que
venham a contribuir com as apurações em curso do Tribunal e o reconhecimento da participação nos
ilícitos serão considerados por esta Corte como fatores atenuantes no estabelecimento das penalidades
aplicadas.
(...)
A Lei AntiCorrupção (Lei 12.846/2013) menciona, como resultado do acordo, a redução de até
dois terços no valor da multa cabível, mas o mesmo dispositivo assegura a isenção de outras
penalidades, como a publicação extraordinária da decisão condenatória em meios de comunicação de
grande circulação e a proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções, doações ou empréstimos
de órgãos ou entidades públicas por um prazo que varia de um a cinco anos (art. 16, § 2º).
140

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

A Lei de combate às organizações criminosas (Lei 12.850/2013), por sua vez, também menciona a
redução de até dois terços na pena privativa de liberdade, mas também admite sua substituição por pena
restritiva de direitos e, em certas hipóteses, que o Ministério Público deixe de oferecer denúncia (art. 4º,
caput e § 4º).
Já a Lei do Cade (Lei 12.529/2011) admite tanto a redução de um a dois terços da penalidade
como a extinção da ação punitiva da administração pública (art. 86, caput), além de impedir o
oferecimento da denúncia com relação aos crimes ali especificados (art. 87).
Não é peremptório, portanto, o ordenamento jurídico na definição da penalidade aplicável em
casos de acordos de leniência, podendo-se verificar hipóteses de redução ou mesmo completa isenção de
determinadas sanções. Além do mais, percebe-se que não é estranho à legislação a possibilidade de que
acordos firmados em uma instância tenha repercussão nas demais, conforme verificado na Lei do Cade.
Feitas essas ponderações, considerando as contribuições substantivas para este processo e a
necessidade de não se inviabilizarem as atividades econômicas justamente da empresa que mais
colaborou com as apurações, entendo que a sanção de inidoneidade deve ser substancialmente reduzida,
caso seja mantida para se preservar a função retributiva da pena. A lógica adjacente deve ser a de que o
colaborador não pode estar nas mesmas condições do não colaborador, mas também não pode
equiparar-se àquele que, desde o início, optou por não delinquir.
(...)
Por outro lado, os acordos de leniência e outras formas de colaboração não podem afastar o
Tribunal do exercício de suas funções. Com efeito, ainda que possamos considerar essas louváveis
iniciativas nas nossas decisões, esta Corte não pode se furtar de cumprir seu papel constitucional de
buscar o ressarcimento do dano sofrido pelos cofres públicos.
Ademais, as colaborações de hoje não reparam, por si só, os vultosos montantes que, desviados dos
cofres públicos, deixaram de atender às necessidades mais básicas da população (...).
Portanto, é deveras nobre a missão do Tribunal de construir uma decisão que, propiciando o
diálogo interinstitucional entre os órgãos de controle, concilie duas necessidades: a de emitir incentivos
às colaborações e a de reparar o dano ao erário’.
84. Ora, em suma, os argumentos do Exmo. Relator foram: os colaboradores devem ser
beneficiados; a atuação do Tribunal não deve fragilizar o instituto da colaboração; a colaboração deve
ser considerada como um fator atenuante da sanção; “o colaborador não pode estar nas mesmas
condições do não colaborador, mas também não pode equiparar-se àquele que, desde o início, optou por
não delinquir”; a reparação do dano causado ao erário é indisponível.
85. A partir dessas considerações, o Exmo. Ministro Relator concluiu:
‘Proponho, em essência, a adoção de um instituto inspirado na chamada suspensão condicional da
pena, prevista no art. 77 do Código Penal, na medida em que o Tribunal poderá suspender a aplicação
da sanção de inidoneidade, mediante determinadas condições para aqueles que se enquadrem em certas
características.’
86. Tendo tudo isso em consideração e após acalorado debate, o Plenário do TCU proferiu a
seguinte determinação:
‘9.2. sobrestar, com fundamento no art. 157, caput, do Regimento Interno do TCU, até a análise
das medidas mencionadas no subitem 9.4.1, a apreciação acerca da responsabilidade das empresas
Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. (61.522.512/0001-02) , Construtora Andrade Gutierrez
S.A. (17.262.213/0001-94) e Construtora Norberto Odebrecht S.A. (15.102.288/0001-82) na
irregularidade de fraude à licitação, bem como a aplicação da sanção de inidoneidade a elas, em virtude
da contribuição junto ao Ministério Público Federal, conforme certidão encaminhada a este Tribunal
pela Força-Tarefa Operação Lava Jato (peça 339);
9.3. notificar a Força-Tarefa Operação Lava Jato, do Ministério Público Federal, e o Ministério
Público junto ao Tribunal de Contas da União sobre esta decisão, facultando-lhes a apresentação de
manifestação no prazo de sessenta dias;
9.4. deixar assente que:
141

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

9.4.1. a manutenção do sobrestamento mencionado no subitem 9.2 depende da apresentação, pelo


Ministério Público Federal, de compromisso firmado pelas empresas em que sejam especificadas as
medidas de colaboração que possam contribuir com os respectivos processos de controle externo deste
Tribunal;
9.4.2. a participação do Ministério Público Federal nestes autos, na forma do subitem 9.4.1, será
acompanhada pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União;
9.4.3. por ocasião da análise das medidas especificadas no acordo junto ao Ministério Público
Federal, conforme subitem 9.4.1, este Tribunal deliberará sobre possíveis sanções premiais a serem
concedidas, conforme o caso;’
87. As considerações do Exmo. Ministro Bruno Dantas em seu voto foram brilhantes. De fato, a
atuação do TCU deve levar em conta os acordos de colaboração, mesmo que firmados em outras esferas.
Isso faz parte de uma atuação integrada da União e evita a fragilização do instituto, cuja aplicação visa
ao bem público em uma escala maior que a alcançada por apenas um órgão. Portanto, quando de seu
pronunciamento, cabe ao TCU ofertar ao colaborador algum benefício, considerando a colaboração
fator atenuante da sanção.
88. Todavia, para que o Tribunal possa aplicar esse fator atenuante é imprescindível que a
colaboração contribua efetivamente para o deslinde do processo de controle externo, pois é esse o seu
âmbito de atuação.
89. No exercício da função do controle externo, o Tribunal atua aplicando sanções e imputando
débitos. Cabe destacar que a imputação de débito não é sanção, mas reparação, motivo pelo qual é
indisponível. Dessa forma, o âmbito de consideração dos acordos de colaboração no Tribunal fica
adstrito às sanções.
90. São sanções previstas para aplicação pelo TCU multa, inabilitação para o exercício de cargo
em comissão ou função de confiança na Administração Pública e declaração de inidoneidade de licitante
fraudador para participar de licitação na Administração Pública Federal – arts. 57, 58, 60 e 46 da LO-
TCU, respectivamente. No momento de aplicar as sanções é que cabe ao Tribunal sopesar a contribuição
do colaborador e determinar a atenuação que considerar pertinente.
91. No entanto, como bem colocado pelo Exmo. Ministro Bruno Dantas “o colaborador não pode
estar nas mesmas condições do não colaborador, mas também não pode equiparar-se àquele que, desde
o início, optou por não delinquir” (sem grifo no original).
92. A leitura dos subitens 9.2 e 9.4 do Acórdão 483/2017-P, acima apresentados, permite verificar
que o Tribunal deixou de se pronunciar no mérito e proferiu uma decisão preliminar. Isso se deve ao fato
de a CCCC ainda estar em tratativas com o Ministério Público Federal – MPF – quanto a adendos ao
seu acordo de leniência. Portanto, no momento em que foi prolatada aquela decisão, não era possível
avaliar toda a extensão da contribuição da CCCC, para cálculo da atenuação da sanção a qual ela deve
ser submetida.
93. Tendo isso em conta, o TCU incumbiu o MPF, subitem 9.3 do Acórdão em tela, de lhe
apresentar “compromisso firmado pelas empresas em que sejam especificadas as medidas de
colaboração que possam contribuir com os respectivos processos de controle externo deste Tribunal”.
Todavia, como o MPF não é unidade jurisdicionada no âmbito daquele processo, não foi feita uma
determinação nesse sentido, mas, de qualquer forma, foi estabelecido o prazo de sessenta dias essa
manifestação, tendo-se em conta que o TCU não pode esperar indefinidamente para se pronunciar no
mérito.
94. Portanto, não houve ainda pronunciamento de mérito do Tribunal quanto à dosimetria do fator
atenuante da colaboração.
95. No presente caso, o responsável já prestou sua contribuição e não estão em tratativas novas
colaborações. Portanto, não há que se falar em sobrestamento.
96. Embora tenha prestado colaboração à Justiça Federal, Paulo Roberto Costa não admitiu seus
atos ante o TCU, ou seja, não se pode dar a ele o mesmo tratamento dado a quem admita, como foi o
caso de Pedro José Barusco Filho, TC 013.397/2017-6. Naqueles autos, a proposta foi de redução de 2/3
142

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

da sanção, por aplicação analógica do §2º do art. 16 da Lei 12.846/2013. Para o presente caso, propõe-
se, portanto, uma atenuação do fator redutor.
97. Dessa forma, para Paulo Roberto Costa, propõe-se a aplicação da redução de 1/3 da sua
sanção.
98. Cabe observar que se trata de analogia, aplicação de legislação de um caso semelhante a uma
hipótese não regulada por lei, em matéria eminentemente penal, sanção. Por se tratar de hipótese in
bonam partem, ou seja, em benefício do apenado, essa analogia é perfeitamente admitida pela doutrina e
jurisprudência pátria.
99. Dessa forma, deve ser declarada a inabilitação de Paulo Roberto Costa para o exercício de
cargo em comissão ou função de confiança no âmbito da Administração Pública, por 5 (cinco) anos e 4
(quatro) meses.
CONCLUSÃO
100. Tratam os autos de representação, com fundamento no art. 86, inciso II, da Lei 8.443/1992,
c/c art. 237, inciso VI, do Regimento Interno do Tribunal de Contas da União (RI-TCU), acerca de
fraudes em licitações conduzidas pela Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) relacionadas a licitações para
as obras de implantação da Refinaria Abreu e Lima, também denominada de Refinaria do Nordeste
(Rnest), em Ipojuca/PE, realizada no TC 016.119/2016-9.
101. Tendo em vista a celeridade processual que o caso requer e a complexidades das várias
manifestações dos responsáveis implicados, mediante Despacho (peça 60), o Exmo. Min. Relator
Benjamin Zymler autorizou a constituição de processos apartados para análise individualizada dessas
manifestações.
102. Destaca-se, no histórico, que o TCU realizou auditorias nessas obras da Rnest desde 2008,
apontando já naquela data diversas irregularidades, tais como: projeto básico deficiente;
superfaturamento decorrente de preços excessivos em relação ao mercado; ausência de assinatura de
termo aditivo; ausência de critério de aceitabilidade de preços máximos no edital; e inadequação ou
inexistência de critérios de aceitabilidade de preços unitários e global (TC 008.472/2008- 3).
103. As subsequentes auditorias do TCU, nos contratos UDA (Contrato 0800.0053456.09.2); UCR
(Contrato 0800.0053457.09.2); Tubovias (Contrato 0800.0057000.10.2) e UHDT-UGH (UHDT-
Unidades de Hidrotratamento de Diesel e de Nafta e UGH-Unidade de Geração de Hidrogênio, Contrato
0800.0055148.09.2), resultaram em apontamento de sobrepreço de R$ 1,3 bilhão. Tal irregularidade foi
classificada, por meio do Acórdão 3362/2010-TCU-Plenário, como grave com recomendação de
paralisação (IG-P), não acolhida pelo Governo Federal, que manteve o fluxo de recursos da União para
essas obras.
104. Em razão dos desdobramentos da “Operação Lava Jato”, demonstrando a ocorrência de
conluio entre as empresas e pagamento de propinas para fraudar as licitações da estatal, mormente às
grandes obras da Rnest, citadas no item acima, esta Secretaria Especializada representou junto a esta
Corte de Contas (peça 42) com vistas à apuração das consequências administrativas advindas da
referida fraude, acolhida por meio do Acórdão 1.583/2016-TCU-Plenário (TC 016.119/2016-9), de
Relatoria do Min. Benjamin Zymler, ficando os eventuais débitos para serem devidamente quantificados
e responsabilizados no âmbito das respectivas tomadas de contas especiais específicas, cujo prejuízo em
apenas cinco grandes contratos está estimado em R$ 2,7 bilhões, a valores históricos.
105. Após a realização das oitivas e recebimento das respectivas respostas, no TC 016.119/2016-9,
verificou-se que a empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A (CCCC), diferentemente das
outras 15 empresas implicadas no bojo daquele processo de representação originário, admitiu sua
participação nos atos ilícitos, juntando ao processo acordos de colaboração com as investigações em
outras instâncias, a saber: Acordo de Leniência firmado com a Força-Tarefa do Ministério Público
Federal que integra a Operação Lava Jato; Termo de Compromisso de Cessão de Prática celebrado com
o Cade, com participação do MPF. Razão pela qual, com autorização do Min. Relator Benjamin Zymler
(peça 311, do TC 016.119/2016-9), constituiu-se o processo TC 036.335/2016-8 para tratar, em
apartado, das manifestações da CCCC.
143

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

106. Posteriormente, considerando que o grupo Odebrecht teria formalizado acordo de leniência
com o Ministério Público Federal no Paraná em conjunto com o grupo de trabalho da “Operação Lava
Jato”, da Polícia Federal, bem como com a justiça dos Estados Unidos e Suíça, e das eventuais
implicações desses acordos nas análises deste processo, o Ministro Relator Benjamim Zymler decidiu
(peça 328, do TC 016.119/2016-9) por constituir processo apartado (TC 036.660/2016-7) para análise
das manifestações das empresas Odebrecht. Considerando o referido despacho do Min. Relator e o fato
de que o representante legal da empresa Construtora Andrade Gutierrez Engenharia S.A. teria declarado
(peça 145, p. 2, item 6, do TC 016.119/2016-9) a participação da empresa na formalização do acordo de
leniência com o Ministério Público Federal, homologado pelo juiz titular da 13ª Vara Federal de
Curitiba, o Secretário em exercício desta unidade técnica determinou, por meio de despacho (peça 352,
do TC 016.119/2016-9), a constituição de processo apartado (TC 003.299/2017-1) para análise das
manifestações da empresa Andrade Gutierrez.
107. Ainda, após análise perfunctória das manifestações dos responsáveis implicados no bojo do
processo de representação originário TC 016.119/2016-9, considerando que essas manifestações
demandariam extensas análises que, em razão do volume de informações, poderiam prejudicar a clareza
da instrução de mérito e a celeridade processual requerida no presente caso, o Min. Relator Benjamin
Zymler autorizou (peça 60), mediante provocação desta unidade técnica, a instauração de processos
apartados para as análises das manifestações dos respectivos responsáveis, razão pela qual este
processo (TC 013.397/2017-6) trata da manifestação de Paulo Roberto Costa.
108. O Exame Técnico desta Instrução constituiu-se dos seguintes tópicos: (I) Breve
contextualização da irregularidade; (II) Das alegações do responsável e respectivas análises; (III) Da
responsabilização e individualização das condutas; e (IV) Da dosimetria da sanção de declaração de
inabilitação.
109. Quanto às irregularidades aqui tratadas, as empresas, por meio de ajuste prévio, definiam, em
conluio, qual delas seria a vencedora dos certames, as demais empresas apresentavam propostas com
valores acima do limite aceitável pela Petrobras com intuito de acobertar a fraude ao processo
licitatório, ou se abstinham de participar, conforme devidamente comprovado por meio das provas
compartilhadas com o TCU, oriundas da “Operação Lava Jato”, devidamente explicadas e
referenciadas na instrução de representação (peça 42, p. 6-38). O êxito do esquema era garantido por
diretores da estatal mediante recebimento de vantagem financeira indevida – propina (peça 42, p. 17-
18). A ocorrência da fraude mediante cartel e pagamento de propina também foi confirmada pelas
empresa UTC e Andrade Gutierrez em recentes Termos de Compromisso de Cessação de Prática
celebrados com o Cade, conforme tópico “(I)”.
110. Paulo Roberto Costa afirma que nunca usou sua posição hierárquica para direcionar
contratos e que, na condição de Diretor de Abastecimento, não tinha poder de viabilizar a atuação do
cartel, nem informações sigilosas para oferecer, pois as licitações eram feitas pela Diretoria de Serviços,
que tinha também, com exclusividade, a competência para incluir novas empresas na lista, após o
cancelamento de um processo licitatório por preço excessivo. Adicionalmente, o responsável apresenta
dados dos desdobramentos de sua colaboração premiada, para indicar que fora efetiva.
111. Os atos ilícitos tratados nestes autos afrontaram, de forma grave e continuada, os ditames
constitucionais insculpidos nos arts. 37, caput e inciso XXI, 170, inciso IV e 173, §1º, inciso III. Houve
afronta, em especial, aos princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da igualdade de
condições aos concorrentes em processo licitatório. Ademais, infringiram o item 1.2 do Decreto
2.745/1998.
112. A gravidade danosa já indicada em processos específicos de TCE e a prática delituosa
reiterada em diversos certames licitatórios requerem a atuação exemplar deste Tribunal de Contas,
conforme tópico “(III)”, Da responsabilização e individualização das condutas.
113. Considerando a gravidade e extensão dos danos causados pelos ilícitos em apuração nos
respectivos processos de tomadas de contas específicos, e a prática continuada dos ilícitos, resultando na
contratação fraudulenta das obras referentes à Unidade de Coqueamento Retardado (UCR), Unidades
144

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

de Hidrotratamento de Diesel e de Nafta (UHDT) e Unidade de Geração de Hidrogênio (UGH),


Tubovias de Interligações, Unidade de Destilação Atmosférica (UDA), e execução das obras de
terraplenagem, para garantir a função pedagógica e preventiva da sanção, propõe-se a aplicação da
pena de declaração de inabilitação de Paulo Roberto Costa para o exercício de cargo em comissão ou
função de confiança no âmbito da Administração Pública por 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses, com
fundamento no art. 60, da Lei 8.443/1992, conforme análise da dosimetria da sanção de inidoneidade,
que levou em consideração o fato de o responsável ter prestado informações e fornecido provas
relevantes para a apuração das irregularidades, com confirmação de várias de suas declarações, e de ter
renunciado em favor da Justiça criminal o produto do crime mantido no exterior.
114. Em razão de o presente processo ter sido constituído a partir do processo de representação
original (TC 016.119/2016-9), para análise em apartado das manifestações de Paulo Roberto Costa e de
este apartado se tratar de mera estratégia processual com vista a atender à celeridade processual que o
caso requer, propõe-se ainda que, quando do encerramento do presente processo, ele seja apensado ao
processo TC 016.119/2016-9.
PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO
115. Diante do exposto, submetem-se os autos à consideração superior, propondo, no mérito, que
este Tribunal:
I) declarar a inabilitação de Paulo Roberto Costa para o exercício de cargo em comissão ou
função de confiança no âmbito da Administração Pública por 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses, com
fundamento no art. 60 da Lei 8.443/1992;
II) encaminhar cópia do acórdão que vier a ser proferido, acompanhado do Relatório e do Voto
que o fundamentam, ao responsável, para ciência;
III) encaminhar cópia do acórdão que vier a ser proferido, acompanhado do Relatório e do Voto
que o fundamentam à Força-Tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, à Força-Tarefa da
Advocacia-Geral da União no Paraná, ao Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-
Geral da União (CGU) e à Diretoria de Governança, Risco e Conformidade da Petrobras (GRC), para
medidas consideradas cabíveis; e
IV) determinar o apensamento, quando do encerramento do presente processo, ao processo de
representação originário (TC 016.119/2016-9), com vista à consolidação das decisões proferidas em
razão da representação decorrente à fraude ás licitações nas obras especificadas da Rnest.”
6. O Diretor da unidade técnica aquiesceu ao aludido encaminhamento (peça 124).
7. O Secretário da SeinfraOperações se manifestou da seguinte forma – transcrição parcial com os
ajustes de forma que entendi pertinentes (peça 125):
“6. Por meio de auditorias realizadas, especialmente entre 2008 e 2010, foram constatados
indícios de sobrepreços bilionários em diversos contratos da Rnest. À época, o TCU classificou esse tipo
de irregularidade como grave com recomendação de paralisação - IG-P (Acórdão 3.362/2010-Plenário,
de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler) e indicou ao Congresso Nacional a necessidade de
bloqueio preventivo de recursos orçamentários.
7. Em oposição, o Governo Federal decidiu seguir com os investimentos (Mensagem de Veto
Presidencial - VEP n. 41, de 26/1/2010), de modo que os prejuízos ao erário foram consumados no
decorrer das obras, o que acabou por fomentar financeiramente o esquema de corrução descortinado
com a Operação Lava Jato. A decisão presidencial foi assim criticada, à época, pelo Procurador
Marinus Marsico, do MPTCU (https://goo.gl/i2DQVu):
‘Foi uma decisão lamentável. Entendo que a lei é para todos e todos têm de obedecer às leis e às
decisões dos tribunais. Para ele, o Executivo deveria se dedicar a consertar os erros e fiscalizar
eventuais falhas nas obras. O TCU coloca que há indícios de irregularidades para que as obras sejam
paralisadas. Cabe ao Congresso dizer se a obra entra ou não na lista daquelas que devem parar, e não o
presidente da República, argumentou o procurador.’
8. Em 2013, a classificação dos indícios de irregularidades foi mantida como grave, mas, diante
das circunstâncias do caso concreto, com recomendação de continuidade - IG-C (Acórdão 572/2013-
145

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler). Ou seja, tendo em vista o avançado estágio
das obras, o Tribunal não recomendou a paralisação do empreendimento.
9. No primeiro semestre de 2014, membros do Ministério Público Federal no Paraná procuraram
os auditores do TCU para obter conhecimentos acerca dos trabalhos desta Corte realizados na Rnest e
em outros empreendimentos da Petrobras. Desse modo, é possível afirmar que auditorias do TCU
auxiliaram o cerco ao ex-Diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, permitindo aprofundar a conexão
entre os crimes de lavagem de dinheiro e a corrupção nas obras da Petrobras, a qual, por meio de
superfaturamento dos contratos, permitiu a geração de lucros excedentes às empreiteiras, possibilitando
o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e partidos políticos.
10. A atuação integrada entre as instituições de controle, já naquela época, pode ser considerada
como a base para o desenrolar bem-sucedido da Operação Lava Jato. Esse histórico faz parte do livro
“A Luta Contra a Corrupção: A Lava Jato e o Futuro de um País Marcado pela Impunidade” (Editora
Primeira Pessoa, 2017), de autoria do coordenador da Força-Tarefa, Procurador da República Deltan
Dallagnol, reconhecendo que o TCU já apontava superfaturamentos de centenas de milhões de reais na
Rnest (Capítulo 3 - Os Primórdios da Lava Jato, p. 67-70). Assim, a partir dos trabalhos desenvolvidos
pela supracitada Operação Lava Jato, e de acordo com decisões judiciais emanadas pela 13ª Vara da
Justiça Federal em Curitiba/PR e pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, foi confirmada a
existência de cartel para fraudar licitações, resultando em manipulação de preços e pagamento de
propinas a agentes públicos e políticos.
11. Acerca do prejuízo na Rnest, o Quadro 1 apresenta uma síntese dos processos de tomada de
contas especial instaurados.
Quadro 1 - Síntese das principais TCEs relacionadas à Rnest
Processo Objeto Situação
Responsáveis condenados em débito no valor aproximado de
R$ 1,95 bilhão (incluído juros de mora e atualizado em 27/9/2018),
TC 000.168/2016-5 UDA/UHDT
nos termos do Acórdão 2.677/2018-TCU-Plenário; Processo com
recurso interposto
Responsáveis citados no montante de aproximadamente R$ 906
TC 027.542/2015-7 UCR milhões (valores históricos), conforme Acórdão 2.396/2018-TCU-
Plenário
Responsáveis citados no montante de aproximadamente R$ 689
TC 026.840/2016-2 Tubovias milhões (valores históricos), conforme Acórdão 2.428/2016-TCU-
Plenário
Processo instaurado devido a superfaturamento estimado em R$ 19
milhões (valor apurado em um contexto de sobrepreço de R$ 69
Terraplanagem e
TC 000.400/2018-1 milhões, dos quais houve determinação do TCU para retenção de
outros serviços
R$ 50 milhões – Acórdão 2.290/2013-TCU-Plenário), conforme
Acórdão 2.735/2017-TCU-Plenário;
12. Vale dizer que o Sr. Paulo Roberto Costa é arrolado como responsável nos três primeiros
processos do quadro acima, inclusive naquele em que já houve condenação em débito. Outro ponto que
merece destaque é a existência de outras tomadas de contas especiais apartadas relacionadas ao
empreendimento (TC 040.140/2018-0, TC 040.142/2018-3 e TC 040.143/2018-0), instauradas para
quantificar um débito adicional decorrente do reajuste irregular dos contratos da UCR, UHDT, Tubovias
e UDA (Acórdão 2.354/2018-TCU-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler).
13. Ainda no contexto de prejuízo aos cofres da Estatal, especificamente no caso de contratos de
terraplenagem e outros serviços, o orçamentista e membros da comissão de licitação foram chamados
em audiência e condenados pelo TCU, nos termos do art. 58, inciso II e III, da Lei 8.443/1992 (Acórdão
1.445/2018-TCU-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Bruno Dantas).
14. Mudando o foco do débito para o aspecto de gestão do empreendimento, observa-se que o
esquema de corrupção na Rnest, que envolveu fraudes à licitação mediante pagamento de propinas a
altos gestores da Petrobras, causou um prejuízo muito maior do que os valores dos superfaturamentos
146

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

dos contratos. Ao longo do desenvolvimento das fases de planejamento e execução da Refinaria, as


estimativas de custo do empreendimento foram alteradas diversas vezes. A Refinaria foi inicialmente
estimada em cerca de US$ 2 bilhões em 2005. Porém, depois de inúmeras alterações de preço e prazo, a
última avaliação mostrou que o custo saltou para US$ 26 bilhões. Nessa linha, está em curso processo
para avaliar aspectos de gestão do empreendimento (TC 026.363/2015-1), trabalho atualmente
desenvolvido pela SeinfraPetróleo.
15. Com essa escalada no orçamento, marcada por inúmeras decisões temerárias dos gestores da
Petrobras, que recebiam suborno das empresas do cartel, a obra se tornou completamente inviável em
US$ 19 bilhões (cf. Acordão 3.052/2016-TCU-Plenário). Ou seja, aproximadamente R$ 70 bilhões nunca
mais voltarão aos cofres da Estatal (considerando a cotação do dólar de 14/1/2019: US$ 3,71/R$ 1,00).
II. Atuação do responsável nas fraudes cometidas em licitações da Rnest e o acordo de
colaboração celebrado com o MPF
16. O TCU, por meio do Acórdão 1.583/2016-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin
Zymler, conheceu a representação que trata das fraudes no âmbito da Rnest e determinou (i) a oitiva das
empresas convidadas e (ii) a audiência das pessoas físicas envolvidas. Foi autorizada a constituição de
processos apartados para análise individualizada das manifestações.
17. Como já mencionado na presente manifestação, a instrução precedente, acolhida pelo Diretor,
analisou as razões de justificativa apresentadas pelo Sr. Paulo Roberto Costa.
18. Diferentemente da resposta apresentada por outro responsável, que se dispôs também a
colaborar com o Tribunal, o responsável alegou, em síntese, que não teria participado dos ilícitos, bem
como não haveria evidências, nos autos, das imputações contra ele. Entretanto, conforme a análise
constante da instrução precedente, após citar diversos trechos de depoimentos e de termos de
colaboração constantes da Representação objeto do TC 016.119/2016-9, restou confirmada nos autos a
ocorrência das fraudes em licitações conduzidas pela Petrobras relacionadas às obras de implantação
da Rnest, bem como a responsabilidade direta do Sr. Paulo Roberto Costa, então Diretor de
Abastecimento, pela prática das condutas indicadas no item 9.2.2 do Acórdão 1.583/2016-Plenário
(relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler).
19. Não se pode olvidar que as informações obtidas por meio da colaboração do Sr. Paulo Roberto
Costa foram relevantes para o desenrolar da Operação Lava-Jato, como registra sua defesa (peça 111,
p. 10). No entanto, há que se ressaltar que a assinatura do acordo na esfera penal é o ponto de partida (e
não o ponto de chegada) para uma estreita colaboração com os órgãos do Estado brasileiro, permitindo
a abertura de diversas linhas investigativas, notadamente por parte do Ministério Público Federal e da
Polícia Federal, cujo foco reside nos crimes cometidos, em especial a corrupção e a lavagem de
dinheiro.
20. Nesse sentido, recentes notícias na imprensa acerca de uma possível omissão de fatos na
colaboração do responsável. A título ilustrativo, tem-se a recente Operação Sem Limites (57ª fase), a
qual apontou propinas a executivos da gerência de Marketing e Comercialização da Estatal,
subordinada à Diretoria de Abastecimento, chefiada entre 2004 e 2012 pelo Sr. Paulo Roberto Costa
(https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/lava-jato-investiga-se-delator-bomba-da-petrobras-
omitiu-crimes/). Não é a primeira vez que paira essa suspeita sobre lacunas relevantes na colaboração
do responsável, havendo notícias ainda de que, em 2017, o MPF chegou a pedir ao então titular da 13ª
Vara Federal de Curitiba/PR a suspensão dos benefícios do acordo, por quebra de cláusulas deste
(https://www.valor.com.br/politica/4873126/mpf-pede-moro-condenacao-de-paulo-roberto-costa).
21. Especificamente quanto a este processo, conforme consta no Acórdão 1.583/2016-TCU-
Plenário – e de forma mais detalhada no Voto e Relatório correspondentes –, realizou-se a audiência do
responsável devido à sua participação na viabilização do cartel, mediante o recebimento de propina,
envolvendo ainda a prática das seguintes condutas:
a) Utilização da prevalência hierárquica e funcional para, deliberadamente, facilitar o
funcionamento do cartel e o direcionamento das contratações às empresas cartelizadas;
147

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

b) Antecipação de cronograma da entrada em operação da refinaria, o que provocou que as


contratações ocorressem sem que os projetos básicos estivessem suficientemente maduros e facilitou a
atuação do cartel;
c) Compartilhamento de informações sigilosas ou restritas com as empresas integrantes do Cartel;
d) Direcionamento do certame, mediante a escolha das empresas a serem convidadas, consoante
seleção efetuada pelo “Clube”;
e) Sonegação de fatos e documentos fundamentais para a correta avaliação fático-normativa do
Departamento Jurídico ou Conselho Executivo da Petrobras, em fases decisivas da avaliação econômico-
financeira dos empreendimentos e/ou de suas respectivas licitações;
f) Alteração de percentuais da fórmula de reajuste de preços por sugestão de empresas licitantes
em prejuízo econômico direto aos cofres da Petrobras e viabilizador de pagamentos irregulares a
terceiros no decorrer da execução das avenças;
g) Injustificada não-inclusão de novos concorrentes após o cancelamento de um procedimento
licitatório por preços excessivos.
22. Considerando a grave e reiterada conduta do responsável, o Auditor-instrutor aventou
inicialmente a declaração de inabilitação do responsável para o exercício de cargo em comissão ou
função de confiança por 8 (oito) anos, correspondente à máxima dosimetria da sanção, conforme o art.
60 da Lei 8.443/1992. Contudo, tendo em vista que o responsável celebrou acordo de colaboração com o
MPF, mas não assumiu suas condutas nesta Corte de Contas, o AUFC, com a anuência do Diretor,
propôs uma redução de 1/3 da sanção, totalizando 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses de inabilitação.
23. No caso da análise de audiência de outro colaborador do MPF, em processo apartado também
a partir do TC 016.119/2016-9, o responsável se prontificou a prestar maiores esclarecimentos perante o
TCU. Naquele contexto, a proposta de encaminhamento constante da minha manifestação foi no sentido
de diligenciar o responsável para que detalhasse melhor sua proposta de cooperação. Mantendo um
paralelismo entre o presente caso e aquele, a proposta desta manifestação será no mesmo sentido,
ofertando derradeira oportunidade para que o Sr. Paulo Roberto Costa apresente maiores
esclarecimentos ao TCU.
‘24. Não obstante, deixo assente, desde logo, que concordo com o exame do AUFC acerca da
conduta do responsável. Quanto à sanção proposta pela subunidade, entretanto, observo que, apesar de
o responsável ser colaborador junto ao MPF, parte de suas manifestações na colaboração divergem
totalmente de achados desta Corte em seus trabalhos de controle externo. Assim, a proposta mais
razoável, em coerência com o proposto por esta Unidade quando apreciado o caso do Sr. Renato Duque,
não colaborador com este Tribunal, é que, caso o Plenário entenda por bem aplicar a pena de
inabilitação ainda nesta etapa processual, a dosimetria deve considerar a sanção máxima de 8 (oito)
anos. Mesmo nesse caso, o responsável estaria em situação mais favorável do que um não colaborador
com o MPF, como no caso do Sr. Renato de Souza Duque, que, além da inabilitação, também sofreu
sanção pecuniária (Acórdão 1.625/2018-TCU-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin
Zymler).
25. A fim de exemplificar claras divergências entre as manifestações do responsável, os achados do
TCU, e a manifestação atual, na qual o Sr. Paulo Roberto Costa nega qualquer prejuízo à Petrobras,
destaco os seguintes trechos de seus termos de colaboração:
(...) QUE segundo o depoente os processos licitatórios realizados dentro da Petrobras são idôneos,
bem como os projetos estabelecidos, estando o grande problema do acordo prévio feito entre as
empresas que se habilitam com propostas; (...) QUE normalmente o lucro de uma empresa que contrata
com a Petrobras tem uma margem de lucro prevista entre 10% e 20% a depender do risco do negócio;
QUE feitos todos os levantamentos da empresa quanto a custos da obra, tomemos por exemplo que
chegue ao percentual de 15%; QUE esse percentual recebe, por exemplo, um acréscimo de 3% já
previsto anteriormente para empresa para repasse ao grupo político responsável pela diretoria;
(peça 24, p. 3 – grifos adicionados)
148

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

(...) QUE, ratificando declarações prestadas na data de ontem, afirma que construtoras e
consórcios promoveriam a inserção de percentuais dentro do BI apresentado à Petrobras, normalmente
no percentual de 3%, a fim de fazer frente a pagamentos de vantagens indevidas a políticos; QUE, como
o BDI varia de empresa para empresa por meio da cartelização das construtoras e consórcios que
concorrem nos processos licitatórios da Petrobras, torna-se possível a inserção do referido percentual a
maior no BDI da empresa contratada, sem viabilizar um rastreamento pelos órgãos de controle; QUE,
além disso, esse percentual de 3% também pode ser inserido pela majoração de itens de produtos que
constam da planilha de preços apresentada por cada uma das construtoras ou consórcios concorrentes,
isto é, dentro do custo direto dos itens que compõem a obra a ser realizada, ou seja, a empresa
vencedora, praticando jogo de planilha, consegue praticar sobrepreço em produtos que ensejarão
superfaturamento para viabilizar que se alcance a majoração dos 3% excedentes;’
(peça 25, p. 3)
26. Como mostrado no Quadro 1, o Tribunal tem apontado reiteradamente um sobrepreço superior
a 20% em diferentes contratos da Rnest. Ressalto que esse sobrepreço superior a 20% é além do lucro de
mercado das contratadas. Em outras palavras, expurgado o sobrepreço verificado, ainda assim, a
empresa teria um lucro considerado adequado. Nesse sentido, o próprio MPF conclui que: “Resta
evidente que a lucratividade dos contratos é bem maior que a permitida pelo TCU e que os contratos
estão todos superfaturados, em claro prejuízo à PETROBRAS”, conforme pág. 29/137 da denúncia de
16/10/2015 do MPF, nos autos nº 5049557-14.2013.404.7000 (IPL originário), 5071379-
25.2014.4.04.7000 (IPL referente à Odebrecht), 5024251-72.2015.404.7000 (Busca e Apreensão
Odebrecht) e conexos.
27. Vale mencionar que para os contratos da UDA e da UHDT da Rnest, o mérito do processo foi
julgado recentemente, situação em que, de forma extremamente conservadora, apontou-se um
superfaturamento de aproximadamente R$ 1,95 bilhão (valor atualizado e acrescido de juros de mora),
conforme Acórdão 2.677/2018-TCU-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler. Nesses
casos, para a UDA, o sobrepreço na amostra (56,38% do total contratual) corresponde a 26,43%;
enquanto que para a UHDT o percentual é de 21,74% para uma amostra de 54,64% do total contratado.
Ou seja, os valores que o TCU tem encontrado em suas análises superam em muito os mencionados
3% referentes à propina. Por isso, considerando que diversos pontos da colaboração do responsável
divergem de achados na esfera de Contas, a proposta será para que seja aplicada a dosimetria máxima
da sanção de inabilitação. Por outro lado, não se pode descartar a colaboração do responsável junto ao
MPF, trazida pelo próprio responsável à peça 185 do TC 000.168/2016-5, nos seguintes termos: [na
cláusula 15ª], “em que o colaborador se obriga a falar a verdade incondicionalmente e sob compromisso
em todas as investigações, inclusive nos inquéritos policiais, inquéritos civis e processos administrativo
disciplinar e tributário”.
28. Em outras palavras, quando o responsável agora afirma, ao TCU, que “não tomou nem
poderia ter tomado qualquer decisão que pudesse ensejar prejuízo para a Petrobras”, está claramente
faltando com a verdade, inclusive negando fatos confessados na sua própria delação, bem como na de
outros colaboradores, resultando em riscos inclusive para a manutenção do seu acordo com o MPF.
29. Ainda assim, antes da apreciação acerca da aplicação de quaisquer sanções no âmbito da
esfera de contas, reforço que pode ser aberta, por meio de diligência, derradeira oportunidade para que
o responsável retifique sua conduta e passe a cooperar com os trabalhos de controle externo. Nesse caso,
uma cooperação poderia reduzir – ou até mesmo isentar – eventual sanção a ser aplicada, além de
conferir sanções premiais nas Tomadas de Contas Especiais (benefício de ordem na cobrança, entre
outras).
III. Possibilidade de cooperação em processos do TCU
30. Recentemente, esta Corte, em suas decisões, tem indicado a possibilidade de cooperação nos
processos de controle externo em troca de benefícios na aplicação das sanções. Essa possibilidade, além
de atender aos dispositivos da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, também conhecida
como convenção de Mérida (recepcionada pelo Decreto 5.687/2006), vai ao encontro das ações de
149

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

outros parceiros da rede de controle, que têm optado pela via consensual como alternativa de maior
eficiência para o exercício de suas competências.
31. Como paradigma na linha cooperativa, destaco o Acórdão 483/2017-TCU-Plenário, de
relatoria do Exmo. Ministro Bruno Dantas. Esse aresto sinalizou as potenciais sanções premiais a serem
concedidas pelo TCU, a depender do nível de cooperação prestado pelas empresas responsáveis naquele
processo. Como consequência direta daquele Acórdão, foram instaurados cinco processos apartados que
tratam especificamente da análise dos pedidos de colaboração das empresas envolvidas em ilícitos
relacionados aos contratos de montagem eletromecânica da Usina de Angra 3.
32. Mais recentemente, os Acórdãos 1.214/2018 e 2.446/2018, ambos do Plenário e de relatoria do
Exmo. Ministro Benjamin Zymler, sobrestaram a apreciação de fraudes confessadas pelas empresas SOG
e Camargo Corrêa no contexto de contratações da Rnest. Restou claro que o sobrestamento decorreu da
admissão do ilícito por parte das empresas e da alavancagem investigativa possibilitada a partir da
colaboração.
33. Além dessas decisões, vale mencionar o Acórdão 2.677/2018-TCU-Plenário, também de
relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler, o qual julgou no mérito o processo de tomada de contas
especiais decorrentes de superfaturamento na execução contratual da UDA e da UHDT da Rnest.
Naquele processo (TC 000.168/2016-5), o montante de superfaturamento totalizou aproximadamente R$
1,95 bilhão (valor atualizado e acrescido de juros de mora) para os dois contratos. Mesmo sem abrir
mão do ressarcimento devido, o TCU deixou de aplicar sanções a pessoas físicas e jurídicas – incluindo
o Sr. Paulo Roberto Costa – que colaboraram com as investigações do Estado, ainda que em outras
instâncias. Além disso, o Tribunal também considerou a colaboração ao propor benefícios na fase de
execução do débito, nos seguintes termos:
‘9.11. dar ciência à Advocacia-Geral da União e à Petrobrás das condicionantes impostas ao
compartilhamento de provas ao TCU em despacho exarado no dia 2/10/2018 pelo d. Juízo da 13ª Vara
Federal de Curitiba, no âmbito da Petição nº 5054741-77.2015.4.04.7000/PR, em particular das
seguintes premissas a serem aplicadas na execução da medida de arresto de bens:
9.11.1. caso haja responsáveis solidários pelos danos, deve-se dar preferência à cobrança da
indenização dos não colaboradores;
9.11.2. os pagamentos efetuados no âmbito dos acordos de leniência e de colaboração, a título de
multas ou confiscos, devem ser considerados para amortização dos valores das indenizações, se maiores,
apuradas contra os responsáveis colaboradores;’
(Acórdão 2.677/2018-TCU-Plenário)
34. Todas essas recentes decisões demonstram que o Tribunal tem aceitado a via colaborativa
como forma de alavancagem investigativa, mesmo em situações nas quais a colaboração foi firmada em
outras instâncias.
35. Sobre o compartilhamento de provas junto ao controle externo, cabe ressaltar que,
recentemente, o Exmo. Juiz Sérgio Moro, então titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, em resposta ao
Ofício endereçado por esta Corte a respeito do teor da decisão concernente à utilização de provas contra
os próprios responsáveis colaboradores ou empresas lenientes, autorizou o TCU a utilizar as provas
compartilhadas, mesmo contra quem as forneceu, para o fim exclusivo de ressarcimento dos danos
decorrentes do ilícito. Essa decisão foi incorporada aos Votos condutores dos Acórdãos 2.677/2018 e
2.396/2018 – ambos do Plenário – pelo Exmo. Ministro Benjamin Zymler. Não obstante, os debates em
Plenário ressaltaram a autonomia desta Corte, como colocou o Exmo. Ministro Bruno Dantas em sua
Declaração de Voto quando da prolação do Acórdão 2.677/2018-TCU-Plenário:
‘Sobre esse assunto, em que pese o fato de que o Ministro Relator tenha utilizado o expediente
[decisão judicial] apenas como reforço argumentativo na sua decisão, deixo assente meu entendimento
de que um magistrado de primeira instância não tem competência para decidir in abstracto sobre as
competências do Tribunal de Contas da União ou para delinear, mediante a formulação de regras
gerais, como esta Corte deve proceder no exercício de suas atribuições constitucionais.
150

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

No mesmo sentido, cabe checar Enunciado do Boletim de Jurisprudência - Acórdão 2.342/2017-


TCU-Plenário:
A existência de cláusulas em acordos de leniência ou de colaboração premiada que vedem o
compartilhamento de provas neles produzidas para utilização nas esferas cíveis e administrativas em
prejuízo do colaborador não afasta as competências constitucionais e legais do TCU e, portanto, não
impede que a Corte de Contas proceda à citação do colaborador, com fundamento em tais provas, para
que responda por eventuais danos causados ao erário.’
36. De todo modo, o que se observa é uma crescente harmonia entre as decisões desta Corte e
aquelas proferidas em outras instâncias.
37. Sobre a possibilidade jurídica da autonomia do TCU para estabelecer sanções premiais,
destaca-se trecho do elucidativo Voto condutor do Acórdão 483/2017-TCU-Plenário, de relatoria do
Exmo. Ministro Bruno Dantas:
‘59. Nos processos de controle externo, os fatores que influenciam na dosimetria da pena não estão
estabelecidos em lei ou no nosso regimento, mas decorrem de nossa própria construção jurisprudencial,
feita paulatinamente a cada situação concreta. Atualmente, é sedimentado que na dosimetria da pena
consideram-se aspectos como: nível de gravidade dos ilícitos, materialidade e grau de culpabilidade do
agente, valoradas as circunstâncias do caso concreto (Acórdãos 2.053/2016, 1.484/2016 e 944/2016,
todos do Plenário, entre vários outros).
60. A partir desta decisão, podemos acrescentar, então, que o fornecimento de informações que
venham a contribuir com as apurações em curso do Tribunal e o reconhecimento da participação nos
ilícitos serão considerados por esta Corte como fatores atenuantes no estabelecimento das penalidades
aplicadas.
(...)
63. Cabe destacar que inexiste lei que dê parâmetro especificamente direcionado ao Tribunal de
Contas da União na dosimetria dessa pena, cabendo a esta Corte extrair do ordenamento jurídico
solução compatível com o microssistema anticorrupção, respeitadas nossas especificidades.
(...)
85. A propósito, a busca por reparação do dano por parte do Tribunal tem potencial de dar maior
segurança às empresas que colaboraram com a justiça. Ao firmarem o acordo de leniência, elas não
receberam quitação quanto aos prejuízos causados e tem plena consciência de que a precisarão arcar
com esse dano. Nada mais natural que o órgão responsável pela cobrança exerça seu papel, sendo
especialmente desejável que ele o faça a partir de regras e procedimentos que, sem abrir mão de
qualquer parcela desviada, possa dar algum benefício àquelas que optaram por mudar de postura e
colaborar com a justiça.
86. Diante desse quadro, é imperativo que o Tribunal identifique possíveis incentivos que,
manejados adequadamente, possam diferenciar a posição das empresas que colaboram em face da
situação das demais. O intuito é o de induzir uma ampliação do número de empresas colaboradoras e a
premissa é a de que essas empresas, ao contrário de suas concorrentes, optaram por adotar uma postura
de maior integridade, ética e responsabilidade, o que se materializa na correção de rumos, na
cooperação com a justiça, na criação de programas de compliance, entre outras medidas.’
38. Em aderência com as considerações externadas acima, pode-se ainda mencionar os Acórdãos
1.583/2016, 632/2017, 1.083/2017, 1.788/2017, 1.831/2017, 2.014/2017, 1.214/2018, 2.446/2018 e
2.396/2018, arestos que recepcionaram a possibilidade de certo nível de transação da sanção mediante a
devida cooperação do responsável. Destarte, é firme a consolidação jurisprudencial em torno da
disponibilidade ao TCU do ferramental proveniente do Direito Consensual.
39. Recordo também do Parecer do MPTCU (TC 021.226/2017-2, peça 62), elaborado pelo
Subprocurador-Geral Paulo Bugarin, que traz embasamento jurídico e argumentos que indicam a
possibilidade de transação da multa, adoção do benefício de ordem na execução do débito, cobrança não
solidária do dano, entre outros recursos inerentes à aplicação do direito consensual em processos de
controle externo.
151

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

40. Por fim, também consigno que está em trâmite nesta Corte um processo administrativo, de
relatoria do Exmo. Ministro Walton Alencar, para melhor definir metodologia de colaboração de
responsáveis diretamente com o TCU, aprimorando a desejável segurança jurídica. A instauração desse
processo ocorreu a partir da proposta do Exmo. Ministro-Substituto Augusto Sherman na sessão
Plenária de 2/5/2018, alertando sobre a necessidade de definição de procedimentos para essa
colaboração.
41. Em face de todo o exposto nesta seção, reitera-se haver possibilidade de cooperação do
responsável em processos de controle externo. Mesmo sem ter sido observada ainda uma colaboração
direta entre uma pessoa física e o TCU, trata-se de uma possibilidade análoga àquela já vislumbrada
para pessoas jurídicas na recente jurisprudência.
IV. Possível cooperação no caso concreto
42. Primeiramente, observo que o Sr. Paulo Roberto Costa está no rol de responsáveis de outros
processos referentes a Rnest e a outros empreendimentos da Petrobras, incluindo tomadas de contas
especiais, sendo que uma delas já foi julgada no mérito (Acórdão 2.677/2018-TCU-Plenário, de relatoria
do Exmo. Ministro Benjamin Zymler). Por se tratar de engenheiro com formação técnica especializada
na área petrolífera, uma cooperação de sua parte em processos em curso nesta Corte pode ser muito útil,
especialmente na melhor precisão na quantificação do débito.
43. Além disso, considerando que o Tribunal, ao executar suas atribuições constitucionais, tem
reiteradamente considerado os acordos firmados em outras instâncias, resultando em não aplicação de
sanções a pessoas físicas ou jurídicas colaboradoras com o Estado, é razoável considerar a
possibilidade de real cooperação no caso concreto.
44. Diante da ampla experiência do responsável no mercado de engenharia, eventual cooperação
pode trazer informações e/ou elementos probatórios que impactam na quantificação de débitos por
métodos econométricos, além de incrementar a responsabilização de agentes, alcançando ainda as
irregularidades relacionadas à gestão dos empreendimentos, sob exame da SeinfraPetróleo, o que
certamente ainda traria reflexos para o aprimoramento de futuras auditorias na Petrobras. Cabe
ressaltar que se trata de funcionário de carreira da Petrobras desde 1977, ocupando várias funções
gerenciais, inicialmente por mérito, como faz questão de frisar, até chegar à função de diretor, a qual
ocupou por 8 anos, de 2004 a 2012, tendo, portanto, plenas condições de discorrer acerca do tema
superfaturamento de obras de refinarias (livro “Lava Jato”, do autor Vladimir Netto, p. 63 e 65).
45. Destaco também que, por uma questão de estratégia investigativa na esfera penal, um maior
aprofundamento nos cálculos do débito não foi objeto do trabalho realizado pelo Ministério Público em
suas investigações. Percebe-se isso em diferentes trechos das decisões judiciais da Operação Lava Jato
(peça 9, p. 108; peça 10, p. 47; peça 12, p. 40; peça 13, p. 46; peça 14, p. 67-68), as quais ressaltam que
tal ilícito não era objeto daqueles processos. Confira-se um trecho ilustrativo:
‘Não é necessário especular se, além disso, houve ou não superfaturamento das obras. A
configuração jurídica dos crimes referidos, do art. 4º, I, da Lei nº 8.137/1990 e do art. 90 da Lei nº
8.666/1993, não exige que se prove superfaturamento.
Em imputação de crimes de lavagem, tendo por antecedentes os crimes do art. 4º, I, da Lei nº
8.137/1990 e do art. 90 da Lei nº 8.666/1993, de todo impertinente averiguar se houve ou não
superfaturamento dos contratos.’
46. Mesmo nesse cenário, em alguns casos pontuais foi comprovado o superfaturamento nos
processos da esfera penal:
‘Por conseguinte, o que se conclui é que o Consórcio Nacional Camargo Correa superfaturou os
serviços e mercadorias a ela fornecidos pelas empresas Sanko Sider e Sanko Serviços no âmbito da obra
da RNEST, no montante, considerando apenas a MO Consultoria, Empreiteira Rigidez e GFD
Investimentos de pelo menos R$ 18.943.561,97, ou seja, de cerca de 52% do total. O superfaturamento
viabilizou o repasse dos valores correspondentes a MO Consultoria, Empreiteira Rigidez e GFD
Investimentos, especificamente a Alberto Youssef e, ulteriormente, a Paulo Roberto Costa.
152

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Isso sem considerar, já que não é objeto da denúncia, mais 18% superfaturados em relação aos
valores repassados à Treviso do Brasil Empreendimentos Ltda.’
(peça 12, p. 93)
47. Ou seja, a quantificação do superfaturamento, ainda que de forma estimativa, em termos de
ordem de grandeza dos montantes desviados, não foi objeto de aprofundamento nas investigações
realizadas pelo MPF. Até porque, esse detalhamento não era relevante naqueles processos, já que os
ilícitos objeto das denúncias eram, muitas vezes, a lavagem de dinheiro e o recebimento de vantagens
indevidas por agentes públicos.
48. Acerca de superfaturamento, insisto que, apesar de o superfaturamento e sua quantificação não
terem sido o foco das investigações do MPF, os peritos criminais do Departamento de Polícia Federal
(DPF) se debruçaram sobre o tema, revelando à sociedade achados alinhados aos inúmeros
apontamentos dos trabalhos desta Corte de Contas.
49. A título ilustrativo, cabe trazer à baila o Seminário de Perícias de Engenharia da Polícia
Federal de 2018 (IX SPENG), evento no qual estive presente à apresentação do trabalho “Estudos dos
Fenômenos Econômicos nos Preços de Insumos em Obras de Grande Porte: Análise Comparativa dos
Insumos Verificados em Obras Investigadas na Operação Lava-Jato frente aos Preços de Referências
Oficiais”. O trabalho demonstrou que uma análise de preços por meio de referenciais da Administração
é extremamente conservadora, com probabilidade de 97% de o preço real ser inferior à mediana dos
referenciais. Um outro trabalho, “Identificação de licitações cartelizadas e Cálculo do Prejuízo mediante
Modelos Estatísticos-Probabilísticos”, cotejou mais de 600 propostas comerciais em inúmeras licitações
da Petrobras, apontando, com robustez estatística, que as propostas cartelizadas eram infladas entre
aproximadamente 25% e 29%. Tais trabalhos também serviram de base para o recém lançado livro
“Engenharia Forense- Metodologias aplicadas na Operação Lava Jato”, de autoria do Perito Criminal
João José de Castro Baptista Vallim (editora Juruá, nov/2018).
50. Nesse ponto, recordo que o Acórdão 3.089/2015-TCU-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro
Benjamin Zymler, concluiu, por meio de modelos econométricos, que o superfaturamento mínimo nos
contratos da Petrobras cartelizados foi de 17%. Mais ainda, o alhures citado Acórdão 2.677/2018-TCU-
Plenário, trouxe a condenação no débito - aqui valendo-se das técnicas usuais de Engenharia de Custos -
de montantes superiores a 20%, enquanto que os demais casos indicados na Tabela 3 e ainda em fase de
citação, igualmente comportam danos ao erário da ordem de 20%.
51. Assim, fica claro que houve convergência de entendimentos quando órgãos especializados da
rede de controle estudaram com maior profundidade a temática do dano em contratos relacionados às
obras públicas investigadas na Operação Lava-Jato, mesmo que o superfaturamento não tenha sido o
foco das denúncias que resultaram nos processos judiciais na 13ª Vara Federal de Curitiba/PR.
V. Prescrição
52. Com as devidas vênias ao Auditor-instrutor e ao Diretor, registro divergência no que se refere
à questão da prescrição da pretensão punitiva neste caso concreto.
53. Sobre o tema, a instrução ressalta que não houve manifestação no Acórdão 1.441/2016-
Plenário (Redator: Exmo. Ministro Walton Alencar Rodrigues) quanto ao início da contagem do prazo
no caso de conduta omissiva. De forma integrativa, aplicou o entendimento da 1ª Turma do Supremo
Tribunal Federal (Mandado de Segurança n. 32.201), no sentido de considerar o início do prazo
prescricional, para condutas omissivas, que têm caráter permanente, como sendo a data de desligamento
do responsável da Petrobras, no caso 29/4/2012. Ainda, registrou que o Sr. Paulo Roberto Costa foi
notificado quanto à audiência no dia 12/7/2016. Nesse contexto, audiência interrompe a prescrição,
conforme o referido Acórdão.
54. A instrução conclui afirmando que resta preservada a pretensão punitiva por parte desta Corte
de Contas, visto que a prescrição só alcança atos praticados até 11/7/2006, portanto dez anos antes da
notificação, conforme interpretação do entendimento fixado no TCU por meio do referido Acórdão
1.441/2016-Plenário.
153

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

55. Entendo que, de fato, considerando que a questão da ocorrência de crime continuado (conduta
omissiva) não foi explicitamente tratada no Acórdão 1.441/2016-Plenário, pode ser aplicado ao caso o
entendimento manifestado pela 1ª Turma do STF, segundo o qual a contagem do prazo prescricional se
inicia com a exoneração/demissão do responsável do cargo/função que ocupava na Petrobras, em
30/4/2012.
56. Extrai-se do julgamento do STF que, nos casos de crimes continuados, não tem início o prazo
prescricional enquanto o responsável permanecer no cargo. Em outras palavras, dada a omissão ou
comissão em relação a atos irregulares que se iniciaram e cujos efeitos não cessaram enquanto
permaneceu no cargo, o responsável manteve as condutas ilícitas, durante todo o período. Desse modo,
somente se inicia a contagem do prazo prescricional após a sua exoneração.
57. No âmbito da jurisprudência desta Corte de Contas, entendo ser possível fazer uma analogia (i)
do questionável recebimento de salários e vantagens para agir contrariamente aos interesses da
Petrobras, sua contratante, com (ii) o recebimento irregular de benefício previdenciário de natureza
continuada. Nesses casos, o termo inicial para a contagem do prazo da prescrição da pretensão punitiva
do TCU será a data do último pagamento indevidamente realizado, conforme decidido no Acórdão
1.641/2016-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler. No mesmo sentido, têm-se os
acórdãos do Plenário 2.330/2016; 2.726/2016; 70/2017; 2.204/2017. Trata-se de uma analogia à regra
do direito penal aplicada ao crime permanente, em que o momento consumativo prolonga-se no tempo, a
exemplo do caso do sequestro. A cada pagamento, renova-se o momento consumativo da irregularidade.
58. Também relevante citar que o tema da prescrição vem sendo debatido no âmbito do CADE,
conforme recente matéria publicada em 6/7/2018, no jornal Valor Econômico, intitulada “tentativa de
mudar jurisprudência do Cade pode afetar a Lava-Jato” (fonte:
https://www.pressreader.com/brazil/valor-econ%C3%B4mico/20180706/281642485926953).
59. Na matéria, é esclarecido que, de acordo com a Lei 9.873/1999, tem-se que “quando o fato
objeto da ação punitiva da Administração constituir crime, a prescrição reger-se-á pelo prazo previsto
na lei penal”, de modo que a posição atual do Cade é a de que basta a prática anticoncorrencial poder
ser tipificada como crime na esfera penal para que o prazo de prescrição seja de 12 anos, e não de 5
anos. Em seu voto, a Conselheira Cristiane Alkmin teria registrado que vincular o prazo de prescrição à
efetiva proposição de procedimento penal provocaria um cenário de incerteza jurídica e que “além disso,
devido à potencial inércia da esfera penal, que possui trâmite e requisitos mais rígidos do que o processo
administrativo, com elevada probabilidade, resultaria na imunidade punitiva do administrado em seara
administrativa”, o que enfraqueceria muito a política de combate ao cartel no Brasil.
60. Importante ainda fazer um esclarecimento adicional sobre a continuidade das condutas ilícitas
do responsável. Os atos foram listados no item 9.2.2 do Acórdão 1.583/2016-Plenário (Relator Exmo.
Ministro Benjamin Zymler). Extrai-se da leitura de tais atos que indicam tratar-se tanto de conduta
omissiva, quando o responsável despreza seus deveres de ofício, e, mais do que isso, de conduta
comissiva, pois permaneceu praticando atos ilícitos em favor do cartel, obtendo vantagens ilícitas pelo
menos enquanto esteve no exercício do cargo. Assim, entendo que as condutas omissivas e comissivas do
Sr. Paulo Roberto Costa foram praticadas até o momento da sua saída do cargo/função, em 29/4/2012.
61. Logo, considerando a conduta de corrupção como crime continuado, divergindo da proposta
do Auditor-instrutor, entendo que não há que se falar em retroagir o prazo prescricional decenal, seja a
partir da data da exoneração (8/4/2011), seja após a notificação da audiência (12/7/2016). Entendo,
portanto, que é a partir do dia seguinte ao da exoneração, dia 29/4/2012, que se inicia o prazo
prescricional de 10 anos, contados para o futuro. Em adição, a notificação do responsável quanto à
audiência interrompe o transcurso do prazo prescricional, reiniciando o período de 10 anos a partir do
dia 13/7/2016.
62. Não obstante essas observações, ressalto que, seja utilizando somente o entendimento
estabelecido no Acórdão 1.441/2016-Plenário, seja combinando este com o julgamento do Mandado de
Segurança 32.201-STF, não ocorreu a prescrição da pretensão punitiva no presente caso concreto.
VI. Considerações Finais
154

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

63. Apesar de concordar com o exame do Auditor quanto à gravidade da conduta, entendo que
eventual aplicação da sanção de inabilitação deve ser aplicada em sua penalidade máxima (8 anos). Isso
porque diversos pontos em sua colaboração divergem dos achados nos trabalhos de controle externo
desta Corte, principalmente no que se refere à quantificação do dano aos cofres da Sociedade de
Economia Mista. Mesmo no caso de aplicação da inabilitação máxima, ressalto que não se trata de
sanção excessiva, haja vista que no caso de um não-colaborador com o MPF, além da inabilitação foi
aplicada multa pecuniária (Acórdão 1.625/2018-TCU-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro
Benjamin Zymler).
64. Não obstante, nessa fase processual, opto por diligenciar o responsável sobre uma possível
cooperação com os trabalhos em curso nesta Corte, de modo similar à possibilidade proposta por outro
responsável no TC 016.119/2016-9.
65. As recentes decisões do TCU indicam, em certos casos específicos, a via consensual como uma
possibilidade para a alavancagem investigativa, abarcando a devida caracterização do dano, tanto na
parte objetiva como na parte subjetiva, o que é atribuição constitucional desta Corte de Contas.
Paralelamente, o Tribunal tem levado em consideração o fato de uma pessoa, tanto física como jurídica,
ter celebrado acordo de colaboração com o MPF, evitando sanções excessivas, além de propor
benefícios no momento da cobrança do ressarcimento devido.
66. O Sr. Paulo Roberto Costa é um engenheiro com formação técnica e que pode contribuir em
processos que averiguam fraudes, sobrepreço/superfaturamento e aspectos de gestão na Rnest e em
outros empreendimentos da Petrobras.
67. Nesse contexto, uma efetiva cooperação do responsável tem o potencial de impactar
significativamente nos processos em curso neste Tribunal em diversas frentes, como quantificação de
débito e responsabilização de agentes, públicos ou privados. Ressalto que o foco da linha investigativa
desbravada pelo MPF não priorizou o ressarcimento de valores e, portanto, é alta a probabilidade de
haver novas informações e/ou evidências relevantes a serem apresentadas nesta Corte.
68. Ao cooperar com processos em curso no TCU, espera-se que o responsável adentre com
maiores detalhes à temática dos danos decorrentes da fraude ao processo licitatório. Um rol não
exaustivo do que se pode esperar de uma colaboração é o seguinte:
a) Quantificação ou confirmação célere do dano, ainda que em termos de ordem de grandeza,
confrontando valores esperados para o empreendimento (referência) e valores contratados;
b) Identificação de outros agentes da Petrobras responsáveis pelos ilícitos, a exemplo de Diretores,
membros dos conselhos, engenheiros relacionados aos orçamentos e aos projetos do empreendimento, e
quaisquer outros agentes que tenham atuado na linha decisória;
c) Identificação de aditivos contratuais que foram obtidos ilicitamente, sem a real motivação
técnica, ou que tenham sido superfaturados, detalhando as operações envolvendo alegações de
“impeditividades” e a aplicação da metodologia de “verba de chuva”, por exemplo; e
d) Esclarecimentos quanto a outras linhas investigativas em curso no Tribunal.
69. Oportuno ressaltar que o responsável tem capacidade para atuar como perito/consultor, a
exemplo dos doleiros sentenciados a partir da operação “Câmbio Desligo”, deflagrada pelo MPF-RJ, os
quais inclusive ministraram palestra sobre métodos de lavagem de dinheiro, ocorrida em 10/8/2018, na
sede da Secex-RJ, com a participação desta secretaria.
70. O eventual engajamento do Sr. Paulo Roberto Costa nas hipóteses colaborativas acima
elencadas pode, eventualmente, tornar acessível as seguintes contrapartidas, a serem avaliadas nos
processos específicos, de acordo com a qualidade da cooperação: (i) quebra da solidariedade, por meio
da cobrança somente da parcela do dano auferido, (ii) benefício de ordem na cobrança do dano, (iii)
respeito à sua capacidade de pagamento, (iv) dedução de valores pagos noutras instâncias, além de (v)
uma redução no tempo de inabilitação, ou mesmo uma total isenção dessa sanção.
71. Além disso, uma bem sucedida cooperação no caso da Rnest serviria como uma espécie de
“projeto-piloto” de colaboração do responsável nesta Corte de Contas. Caso se perceba um ganho de
eficiência e o efetivo resultado útil do processo, o modelo poderia ser expandido para outras ações de
155

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

controle externo relacionadas à Petrobras, para quantificar danos, identificar responsáveis e até mesmo
avaliar decisões gerenciais que autorizaram o prosseguimento de empreendimentos sem viabilidade. A
título de exemplo, destaco que uma cooperação do Sr. Paulo Roberto Costa poderia ser útil em processos
relacionados ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), às Refinarias Premium I e II, ao
Edifício Sede de Vitória/ES, ao Edifício Sede de Salvador/BA e à auditoria sobre o Veto Presidencial n.
41, de 26/1/2010.
72. Em face de todo o exposto, deixo de propor, nesta etapa processual, a pena de inabilitação
proposta em sua dosimetria máxima. Isso porque a proposta de encaminhamento da presente
manifestação será no sentido de diligenciar o responsável sobre uma possível cooperação com esta
Corte. Considerando que uma possível cooperação do responsável diretamente com o TCU deve reduzir
eventual sanção aplicada, é pertinente que se avalie a resposta da diligência antes da definição final
acerca da proposta de dosimetria da sanção.
73. Paralelamente a essa discussão principal, há a questão da prescrição punitiva. Apesar de
concordar parcialmente com o exame realizado pelo AUFC e com a sua conclusão de que não ocorreu a
prescrição no caso concreto, entendo que, ao combinar a decisão referente ao MS 32.201 do STF com o
Acórdão 1.441/2016-TCU-Plenário, a contagem do prazo prescricional se iniciou em 8/4/2011, após a
exoneração do responsável, sendo reiniciada a contagem do período de 10 anos a partir do dia
13/7/2016.
VII. Proposta de Encaminhamento
74. Feitas essas considerações, abstenho-me excepcionalmente de, nesta etapa processual, opinar
conclusivamente sobre a proposta do Auditor-instrutor, por ainda considerar possível a colaboração do
responsável para avanço dos exames no caso da Rnest, propondo alternativamente ao Exmo. Ministro-
Relator Benjamin Zymler:
a) diligenciar o Sr. Paulo Roberto Costa, enviando a ele cópia da deliberação que vier a ser
proferida, juntamente com a presente manifestação, para que, em derradeira oportunidade, possa
apresentar nova manifestação, acompanhada de, caso assim desejar, proposta detalhada de cooperação
com processos em andamento nesta Corte, tratando das irregularidades na Rnest, especificando
possíveis esclarecimentos e elementos probatórios que podem ser apresentados referentes ao seguinte rol
exemplificativo: (i) quantificação estimativa do dano; (ii) identificação dos demais agentes responsáveis
por ilícitos; e (iii) identificação de aditivos contratuais assinados sem a devida motivação técnica ou com
superfaturamento.
b) após análise da resposta à diligência, autorizar o envio dos autos para manifestação do
Ministério Público junto ao TCU, nos termos do Acórdão 824/2015-TCU-Plenário, a fim de avaliar a
conveniência e a oportunidade de ser autorizada a realização de medidas saneadoras diretamente ao Sr.
Paulo Roberto Costa, inclusive por meio de entrevistas presenciais a serem reduzidas a termo, para
alavancar, de forma direta, as apurações em curso nesta Corte de Contas;
c) desde logo, em caso de expressa negativa de cooperação para avanço no cálculo dos prejuízos à
Petrobras por meio de superfaturamentos na Rnest, autorizar notificação ao Ministério Público Federal
e à 13ª Vara Federal de Curitiba/PR, a fim de que avaliem o descumprimento dos termos da
colaboração, tendo em vista que, junto à esta Corte de Contas, o colaborador expressamente nega ter
dado causa a qualquer prejuízo à Petrobras, o que representa clara violação do compromisso de dizer a
verdade, sedimentado nas cláusulas 14ª e 15ª do acordo de colaboração celebrado com o MPF;
d) encaminhar cópia da deliberação que vier a ser proferida à SeinfraPetróleo, em atenção às
análises de responsabilidade nos casos de Gestão do empreendimento Rnest (TC 026.363/2015-1),
também de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler; e
e) decretar o sigilo dos autos, seguindo a lógica estabelecida pela legislação que rege as
colaborações premiadas e os acordos de leniência.”
8. O Ministério Público junto ao TCU se manifestou da seguinte forma – transcrição parcial (peça
127):
156

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

“7. A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) descobriram que grandes
empreiteiras brasileiras teriam formado um cartel, através do qual, por ajuste prévio, teriam
sistematicamente frustrado as licitações da Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras para a contratação de
grandes obras a partir do ano de 2006, entre elas as da Rnest, do Comperj e da Repar.
8. As empreiteiras, reunidas em algo que denominavam de “Clube”, ajustavam previamente entre
si qual delas iria sagrar-se vencedora das licitações da Petrobras, manipulando os preços apresentados
no certame, com o que tinham condições de, sem concorrência real, serem contratadas pelo maior preço
possível admitido pela Petrobras.
9. De acordo com as informações provenientes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade), conforme consta no relatório que embasou o Acórdão nº 1583/2016-Plenário, as empresas
participantes da conduta anticompetitiva, durante o chamado “Clube das 9”, foram:
(I) Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A.;
(II) Construtora Andrade Gutierrez S.A.;
(III) Construtora Norberto Odebrecht S.A.;
(IV) Mendes Júnior Trading e Engenharia S.A.;
(V) MPE Montagens e Projetos Especiais S.A.;
(VI) Promon Engenharia Ltda.;
(VII) Setal/SOG Sistemas em Óleo e Gás S.A.;
(VIII) Techint Engenharia e Construção S.A.; e
(IX) UTC Engenharia S.A.
10. Em seguida, com a ampliação do grupo e a criação do chamado “Clube das 16”, as empresas
que também passaram a ser participantes da conduta anticompetitiva foram:
(X) Construtora OAS S.A.;
(XI) Engevix Engenharia S.A.;
(XII) Galvão Engenharia S.A.;
(XIII) GDK S.A.;
(XIV) Iesa Óleo e Gás S.A.;
(XV) Construtora Queiroz Galvão S.A.; e
(XVI) Skanska Brasil Ltda.
11. Além do “Clube das 16”, outras empresas que participaram esporadicamente das combinações
entre os concorrentes para licitações específicas foram:
(I) Alusa Engenharia (atualmente denominada Alumini Engenharia S.A.);
(II) Carioca Engenharia;
(III) Construcap CCPS Engenharia;
(IV) Fidens Engenharia S.A.;
(V) Jaraguá Engenharia e Instalações Industriais Ltda.;
(VI) Schahin Engenharia S.A.; e
(VII) Tomé Engenharia.
12. Existia, ainda, um “Clube VIP”, criado por volta de 2008/2009 e formado por empresas que,
ao tempo que participavam e atuavam ativamente nas reuniões do “Clube das 16”, exigiam primazia,
considerando o seu grande porte para as grandes obras realizadas pela Petrobras (em especial para os
grandes pacotes de obras da Rnest). Segundo as informações provenientes do Cade, tais empresas
seriam:
a) Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A.;
b) Construtora Andrade Gutierrez S.A.;
c) Construtora Norberto Odebrecht S.A.;
d) Construtora Queiroz Galvão S.A.; e
e) UTC Engenharia S.A.
13. Para permitir o funcionamento do cartel, as empreiteiras corromperam diversos empregados
do alto escalão da Petrobras, pagando percentual sobre os contratos. Dessa forma, o êxito do esquema
157

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

fraudulento foi garantido pela participação de diretores e gerentes da estatal, os quais, mediante o
recebimento de vantagens indevidas, adotavam condutas comissivas e omissivas no intuito de propiciar a
ocorrência das fraudes a diversas licitações.
14. Já nos anos de 2008/2009, ocorreram as primeiras fiscalizações do TCU sobre o contrato da
terraplenagem da Rnest, onde já eram apontados elevados superfaturamentos, com fortes indícios de
significativos danos ao erário.
15. Foi naquela época que o TCU deliberou e sugeriu ao Congresso Nacional o bloqueio de
recursos para obras da Petrobras (da Rnest, do Comperj, da Repar e do Terminal de Barra do Riacho),
em virtude das graves irregularidades detectadas (superfaturamento e dano ao erário). Tal proposta foi
acolhida pelo Congresso Nacional. Entretanto, o então Presidente da República, contrariando a
recomendação do TCU, acolhida pelo Congresso Nacional, monocraticamente liberou o bloqueio de
recursos (excluiu as obras do “Quadro Bloqueio” da Lei Orçamentária Anual, conforme Mensagem de
Veto Presidencial – VEP nº 41, de 26/01/2010).
16. Nos anos seguintes, novas auditorias do TCU na Rnest revelaram indícios de sobrepreço da
ordem de R$ 1,3 bilhão. O Acórdão nº 3362/2010-Plenário (Rel. Min. Benjamin Zymler) indicou
novamente o bloqueio preventivo de recursos para a obra (IGP). A indicação de IGP foi mantida nos
anos de 2011 e 2012, sem qualquer medida saneadora adotada pela Petrobras.
17. Verificou-se, posteriormente, que os US$ 2,5 bilhões inicialmente calculados pelos técnicos da
Petrobras para investimento global da Rnest já haviam sido revisados para mais de US$ 20 bilhões. A
Refinaria, ainda inacabada, recebeu o desonroso título de refinaria mais onerosa do mundo.
18. Foi nesse contexto de existência de esquema criminoso envolvendo cartel, fraude à licitação,
pagamento de propinas a agentes públicos e lavagem de dinheiro no âmbito de obras da Petrobras que a
SeinfraOperações representou para que o TCU procedesse à apuração das consequências
administrativas advindas de fraudes relativas às licitações de cinco obras da Refinaria do Nordeste –
Rnest.
19. Tais práticas ilícitas foram apontadas sobre cinco contratações relativas à construção da
Rnest, sendo uma de execução de obras de terraplenagem e quatro de implantação de conjuntos de
instalações: Unidades de Hidrotratamento de Diesel e de Nafta e Unidade de Geração de Hidrogênio
(UHDT-UGH); Unidade de Destilação Atmosférica (UDA); Unidade de Coqueamento Retardado (UCR)
e Tubovias de Interligações.
20. O quadro a seguir consolida os diversos contratos em que as licitações originárias foram
fraudadas pelas participantes, seguido de breve descrição dos procedimentos licitatórios envolvidos em
cada contrato de obra. As informações foram extraídas do relatório de Comissão Interna de Apuração da
Petrobras (DIP DABAST nº 71/2014, de 25/04/2014), constante da peça 16 destes autos e do relatório e
voto que fundamentaram o Acordão nº 1583/2016-Plenário.
Terraplenagem UHDT-UGH UDA UCR Tubovias
Odebrecht Odebrecht Odebrecht Camargo Corrêa Queiroz Galvão
Camargo Corrêa OAS OAS CNEC Iesa
Vencedoras

Queiroz Galvão
Galvão Engenharia

CR Almeida Mendes Júnior Iesa UTC Odebrecht


Proponentes
Convidadas

Estacon Camargo Corrêa Queiroz Galvão Engevix OAS


Andrade Gutierrez Andrade Gutierrez Engevix Odebrecht GDK
Construbase Techint UTC OAS SOG
MPE
158

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

OAS Queiroz Galvão Camargo Corrêa Andrade Gutierrez Camargo Corrêa


CM Construções UTC Andrade Gutierrez Queiroz Galvão Andrade Gutierrez
Engevix Mendes Júnior Mendes Júnior UTC
GDK Techint Techint Mendes Júnior
Iesa GDK GDK Techint
Convidadas

MPE MPE Iesa Engevix


Promon Promon Promon Promon
Skanska Skanska Skanska Skanska
SOG SOG SOG

Licitação para execução das obras de terraplenagem


O início do processo licitatório se deu em 03/05/2007 e a contratação ocorreu em 31/07/2007.
Para a execução dos serviços, foram convidadas dez empresas, sendo seis integrantes do cartel:
Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa S.A., Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão S.A. e Galvão Engenharia
S.A. Além de quatro não integrantes do cartel: CR Almeida, Estacon, Construbase e CM Construções.
Foram apresentadas cinco propostas: empresas Odebrecht, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e
Galvão Engenharia em consórcio; CR Almeida; Estacon; Andrade Gutierrez e Construbase.
Sagrou-se vencedor o consórcio formado pelas empresas Odebrecht, Camargo Corrêa, Queiroz
Galvão e Galvão Engenharia (Consórcio Abreu e Lima).
Licitações para obras de implantação de UHDT-UGH
“O 1º processo licitatório, iniciado em 31/07/2008, foi cancelado em função dos preços
excessivos, cuja variação foi de 61,2% entre a estimativa Petrobras, R$ 2,621 bilhões, e a proposta de
menor valor, R$ 4,226 bilhões, apresentada pelo Consórcio Odebrecht-OAS.
Em 31/03/2009, foi dado início um novo processo com a estimativa prévia da Petrobras, fixada no
valor de R$ 2,653 bilhões. No julgamento das propostas apresentadas em 08/05/2009, os preços
ofertados estavam acima da faixa de aceitabilidade (-15 a +20%) – a 1ª colocada neste processo,
Consórcio Odebrecht-OAS, apresentou proposta de R$ 3,260 bilhões. Após análises técnicas e consulta
ao JURÍDICO, com parecer favorável, a comissão de licitação entendeu que, com uma nova rodada para
apresentação das propostas, sem alteração das condições, a Petrobras poderia obter preços mais
vantajosos (procedimento denominado ‘escoima’). Em 15/06/2009, o Consórcio Odebrecht-OAS
apresentou uma nova proposta no valor de R$ 3,190 bilhões (a estimativa da Petrobras foi revisada para
R$ 2,692 bilhões).” (Grifos acrescidos.)
Licitações para obras de implantação de UDA
“O 1º processo licitatório foi cancelado em função dos preços excessivos, cuja variação foi de
69,8% entre a estimativa Petrobras, R$ 1,118 bilhão, e a proposta de menor valor, R$ 1,899 bilhão,
apresentada pelo Consórcio Odebrecht-OAS.
Em 31/03/2009, foi enviado o 2º convite com a estimativa prévia da Petrobras, fixada no valor de
R$ 1,270 bilhão.
No julgamento das propostas apresentadas em 07/05/2009, a comissão de licitação indicou a
proposta do Consórcio Odebrecht-OAS, no valor de R$ 1,485 bilhão (incluindo R$ 27 milhões a título de
verba de chuva), como a que melhor atendia aos interesses da Petrobras, sendo a vencedora do
certame.” (Grifos acrescidos.)
Licitações para obras de implantação de UCR
“Na 1ª licitação, iniciada em 21/07/2008, o Consórcio Camargo Corrêa-CNEC apresentou a
melhor proposta de R$ 5,937 bilhões, se situando 73,2% acima da estimativa Petrobras, de R$ 3,427
bilhões. O processo licitatório foi encerrado em virtude dos preços excessivos apresentados.
Em 19/03/2009, foi iniciado um novo processo licitatório cuja estimativa prévia da Petrobras, que
serviu de referência para a análise e julgamento das propostas, foi fixada no valor de R$ 2,876 bilhões.
No julgamento das propostas apresentadas em 05/05/2009, a comissão de licitação indicou a
proposta do Consórcio Camargo Corrêa-CNEC, no valor de R$ 3,411 bilhões.” (Grifos acrescidos.)
Licitações para obras de implantação das Tubovias de Interligações
159

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

“O 1º processo licitatório de 29/07/2007 foi cancelado em função da desclassificação por preços


excessivos, cuja variação foi de 69,09% entre a estimativa Petrobras de R$ 2,949 bilhões e a proposta de
menor valor, R$ 4,986 bilhões (Consórcio Queiroz Galvão-IESA).
O 2º processo licitatório também foi cancelado em função da desclassificação das únicas três
propostas apresentadas por preços excessivos, cuja variação foi de 61,1% entre a estimativa da
Petrobras, R$ 2,171 bilhões, e a proposta de menor valor, R$ 3,498 bilhões, apresentada também pelo
Consórcio Queiroz Galvão e IESA.
Em 27/08/2009, foi enviado o 3º convite, com a estimativa Petrobras fixada no valor de R$ 2,331
bilhões. No julgamento das propostas apresentadas em 25/09/2009, a comissão de licitação indicou a
proposta do Consórcio Ipojuca-Interligações, composto pelas empresas Queiroz Galvão e IESA, no valor
de R$ 2,694 bilhões, como a que melhor atendia aos interesses da Petrobras, sendo a vencedora do
certame.” (Grifos acrescidos.)
III – Posição da unidade técnica
21. O presente processo busca, especificamente, apurar a responsabilização do ex-Diretor de
Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, por infrações propiciadoras de fraude à licitação na
construção da Rnest.
22. Em suas razões de justificativa (peça 112), as argumentações trazidas pelo responsável, com o
fito de excluir sua responsabilidade nos autos, consistiram de alegações de que não exerceria ingerência
sobre os processos de contratação da Petrobras, pois seriam conduzidos por diretoria diversa da sua; de
que não teria participado de reuniões do cartel de empreiteiras; e de que seria infundado o
questionamento acerca da maturidade dos projetos do empreendimento. Ademais, comentou sobre o
acordo de colaboração premiada firmado por ele com o Ministério Público Federal, o qual teria sido o
precursor desse tipo de avença na Operação Lava Jato, e afirmou ser incontestável a sua eficácia para
as investigações.
23. Os argumentos de defesa, todavia, foram analisados e refutados pelo auditor instrutor (peça
123), com endosso do corpo dirigente da unidade técnica (peças 124 e 125), resultando em proposta de
apenação de Paulo Roberto Costa com a sanção de inabilitação para o exercício de cargo em comissão
ou função de confiança no âmbito da Administração Pública Federal, nos termos do art. 60 da Lei nº
8.443/92. Tendo em vista a elevada gravidade das infrações praticadas, a prática delituosa reiterada e
ampla sobre as licitações da Petrobras, a materialidade e a culpabilidade do responsável, a
SeinfraOperações sugeriu que a dosimetria da pena alcançasse, em princípio, o limite máximo cominado
na Lei Orgânica do TCU, de oito anos.
24. Contudo, sopesando que o responsável prestou informações e forneceu provas relevantes para
a apuração dos delitos no âmbito criminal, bem como renunciou ao produto dos ilícitos mantido no
exterior, o auditor instrutor, acompanhado pelo Diretor da unidade técnica, alvitrou a possibilidade de
diminuição da pena, em analogia com o disposto no art. 16, § 2º, da Lei nº 12.846/2013, em que se prevê
a possibilidade de atenuação da sanção em até 2/3. Considerou-se que essa fração, entretanto, não
poderia atingir o nível máximo, tendo em vista que o responsável não admitiu, nestes autos, a prática das
irregularidades apontadas. Dessa forma, propôs-se a redução da pena aplicável em 1/3, resultando na
sugestão de sanção de inabilitação pelo período de 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses.
25. O Titular da SeinfraOperações, por sua vez, concordou com o exame acerca da gravidade da
conduta do responsável, porém rechaçou a pertinência da atenuação da sanção a ser imposta, por
entender que parte da colaboração prestada por Paulo Roberto Costa divergiria dos achados obtidos por
este Tribunal em seus trabalhos de controle externo. Por conseguinte, a condenação deveria ocorrer pelo
valor máximo da sanção, de 8 (oito) anos.
26. A despeito disso, o dirigente da unidade técnica absteve-se de emitir pronunciamento no mérito,
em virtude de considerar cabível uma medida processual preliminar. Observando que o responsável
possui formação em engenharia e conhecimento acerca dos procedimentos internos da Petrobras, o que
o capacitaria potencialmente para trazer informações relevantes para o deslinde dos processos de
controle externo sobre irregularidades nos empreendimentos da estatal, o Secretário da unidade técnica
160

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

propôs, preliminarmente, diligenciar a Paulo Roberto Costa a fim de obter dele uma proposta de
colaboração perante o TCU.
27. A unidade técnica não apresentou proposta de apenação do responsável com a multa prevista
do art. 58 da Lei Orgânica do TCU, provavelmente porque o mesmo agente poderá ser responsabilizado
por dano ao erário decorrente dos mesmos ilícitos em tomadas de contas especiais, ficando assim sujeito
à multa do art. 57 desse diploma legal. Por esse motivo, abstenho-me de abordar esse tipo de sanção
neste pronunciamento.
IV – Comentários sobre o exame dos autos
28. Havendo examinado os autos, chego à conclusão de que o processo está devidamente instruído
e que, ao contrário do alegado pelo responsável, a irregularidade apontada está bem delimitada e
evidenciada e que as condutas impugnadas estão satisfatoriamente descritas. Tal configuração conduz-
me a endossar as análises efetuadas pela SeinfraOperações, sem prejuízo de tecer alguns comentários
pontuais e de propor acréscimos na avaliação quantitativa da sanção de inabilitação, de forma a melhor
observar os princípios constitucionais de isonomia, proporcionalidade e individualização da pena.
29. Com relação à proposta preliminar alvitrada pelo Titular da SeinfraOperações, embora
concorde que uma eventual colaboração do responsável perante o TCU possa trazer ganhos para o
deslinde de processos de controle externo, creio que a paralisação do andamento processual por
iniciativa unilateral deste Tribunal possui baixo potencial de obtenção de uma colaboração efetiva por
parte do gestor responsabilizado.
30. A paralisação da marcha processual tornaria mais longínqua a imposição de punição,
passando a ser vantajoso para o responsável postergar ao máximo a celebração do acordo e dificultar o
consenso acerca de seus termos. Para que uma colaboração premiada possa ser estabelecida com êxito,
a proposta deve partir daquele interessado em conseguir uma redução da pena que lhe será aplicada,
bastando para a instituição sancionadora que se mostre disposta a negociar, não o contrário. Esta é a
lógica que se observa nas normas legais dos acordos previstos no ordenamento, como as Leis nºs
12.850/2013, 12.529/2011 e 12.846/2013.
31. Por este motivo e com as devidas vênias por divergir da proposta do dirigente da unidade
técnica, considero que o processo deve seguir regularmente sua marcha em direção à apreciação de
mérito, deixando que a iniciativa por uma eventual colaboração perante o TCU advenha do responsável
nos autos. Discordo, portanto, da sugestão de diligência em busca de colaboração.
32. Quanto ao mérito, observo que o conjunto probatório presente nos autos, composto por relatos
de colaboração premiada, acordo de leniência firmado junto ao Cade, depoimentos prestados nas ações
penais, documentação apreendida pela Polícia Federal e o relatório de apuração interna da Petrobras,
contém indícios robustos e concordantes acerca dos ilícitos praticados e da participação de Paulo
Roberto Costa nas irregularidades.
33. Verifica-se, portanto, a partir do exame efetuado pela SeinfraOperações e das considerações
aduzidas acima, que as razões de justificativa apresentadas pelo ex-Diretor de Abastecimento da
Petrobras não foram suficientes para impugnar as evidências de que tenha praticado irregularidades
relativas às licitações da Rnest em análise. Dessa forma, entendo cabível o encaminhamento proposto
pelo corpo instrutor da unidade técnica, no sentido de considerar graves as infrações cometidas e aplicar
a sanção de inabilitação ao responsável, nos termos legalmente previstos.
V – Aplicação da pena de inabilitação
34. O corpo instrutor da unidade técnica propugnou, em princípio, pela imposição da sanção no
montante máximo admitido na lei, justificando esta opção com base na elevada gravidade das infrações
cometidas, na prática delituosa reiterada e ampla maculando as licitações da Petrobras, na alta
materialidade e na culpabilidade do responsável. Tais aspectos são essenciais para a determinação da
apenação e, de fato, verifica-se que a situação retrata em grau máximo a reprovabilidade da atuação do
ex-gestor.
35. Mostram-se extremamente graves as infrações, pois as condutas praticadas pelo responsável
propiciaram que certames da estatal fossem fraudados, em desrespeito ao preceito constitucional da
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

licitação como forma de aquisição de bens e serviços pela Administração Pública, ao princípio da
isonomia entre os interessados em contratar com o Poder Público e à busca da proposta mais vantajosa
para a administração contratante.
36. Também se verifica a elevada materialidade das irregularidades em exame, uma vez que cada
licitação fraudada dizia respeito a um contrato de grande vulto. Adiciono neste ponto o aspecto de
consequências da infração, que se apresentam acentuadamente negativas, em vista do significativo
prejuízo provocado à Petrobras.
37. Sob a perspectiva da culpabilidade do responsável, deve-se salientar que sua atuação
contrariou frontalmente os interesses da empresa estatal, em evidente e relevante desrespeito à confiança
depositada em ocupante de cargo de direção. Ademais, as condenações na esfera penal tornam patente a
conduta dolosa praticada.
38. Tais circunstâncias levam-me a concordar com a unidade técnica quando afirma, num primeiro
momento, que a apenação deve atingir o máximo legalmente definido. Entretanto, esta análise não se
apresenta suficiente para que, na aplicação da sanção, sejam devidamente observados os princípios
constitucionais de isonomia e proporcionalidade. Resta ainda avaliar o aspecto da reiteração da conduta
delitiva.
39. Sob o prisma quantitativo, verifica-se que a isonomia e a proporcionalidade demandam que a
sanção imposta a um agente que tenha cometido delitos múltiplos seja mais severa que a imputada a
quem agiu ilicitamente uma única vez. Caso contrário se estaria indiretamente beneficiando o
delinquente contumaz.
40. Nestes autos, bem como nos da representação originária, examinam-se fraudes praticadas
sobre uma dezena de procedimentos licitatórios, de modo que, para a adequada aplicação da pena, esse
aspecto quantitativo deve ser sopesado.
41. Após realizada a análise sobre o quantum da pena aplicável em razão das infrações cometidas,
caberá, assim como fez a unidade técnica, considerar a atitude do responsável como colaborador formal
no âmbito criminal, a fim de sopesar a sanção definitiva neste processo de controle externo.
VI – Cumulatividade das sanções de inabilitação
42. A questão da limitação de cumulação de sanções de inabilitação prevista no art. 60 da Lei nº
8.443/92 foi enfrentada originalmente nesta Corte por meio do Acórdão nº 714/2016-Plenário, de
relatoria do Ministro Vital do Rêgo. Nessa decisão, firmou-se o entendimento de que as regras definidas
no Acórdão nº 348/2016-Plenário para a cumulação de penas de inidoneidade, cujo relator foi o
Ministro Walton de Alencar Rodrigues, também se aplicam à inabilitação. Como consequência, passou-
se a adotar a posição de que a cumulação de mais de uma sanção de inabilitação, aplicada a um mesmo
responsável, estaria temporalmente limitada, em seu conjunto, a oito anos.
43. O acórdão paradigma acima mencionado foi objeto de pedido de reexame interposto por este
representante do MP/TCU juntamente com o Procurador Júlio Marcelo de Oliveira. A apreciação desse
recurso foi realizada por meio do Acórdão nº 2702/2018-Plenário, relatado pelo Min. Bruno Dantas,
mediante o qual foram mantidas as disposições da decisão originária, com pequenos ajustes de redação.
44. Diante da manutenção do entendimento do colegiado pleno em sede recursal, não cabe suscitar
nova discussão do tema, mas acolher a orientação de que a execução da sanção de inidoneidade
manejada pelo TCU esteja limitada cumulativamente em cinco anos. Por paralelismo, torna-se coerente
acatar também o posicionamento de que a execução da sanção de inabilitação para o exercício de
cargos em comissão ou função de confiança se restrinja cumulativamente ao máximo de oito anos.
45. Sem embargo, observa-se no raciocínio base do Acórdão nº 714/2016-Plenário a exposição da
ideia de que não há limite para a aplicação cumulada de sanção ao mesmo gestor infrator. A restrição
de prazo se impõe no cumprimento da pena, não na sua aplicação. Seguindo essa linha, naquela
deliberação, o Plenário acolheu a proposta de inabilitar o responsável, embora ciente de que o mesmo
gestor havia sido anteriormente apenado igualmente noutros processos.
46. Essa medida está em consonância com o dispositivo do Código Penal usado como referência
para a limitação da pena. No art. 75 daquele estatuto legal, foi estabelecido que o tempo de cumprimento
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

das penas privativas de liberdade não poderia ser superior a trinta anos, ainda que o criminoso tenha
sido condenado a prazo maior. Trata-se, portanto, de limitação do cumprimento da pena, não de sua
aplicação.
47. O entendimento, acolhido em analogia pelo TCU, foi esclarecido por meio dos Acórdãos nºs
1704/2017 e 1091/2018, ambos do Plenário e respectivamente das lavras dos Ministros Augusto Sherman
Cavalcanti e Walton Alencar Rodrigues. Nessas decisões, elucidou-se que tanto a declaração de
inidoneidade como a inabilitação do gestor público não estão temporalmente limitadas no que se refere à
aplicação de sanção cumulada, mas somente quanto ao cumprimento da pena.
48. Embora as situações fáticas referenciadas nessas deliberações correspondessem a sanções
impostas em processos distintos, a cumulatividade de pena independe de que as sanções tenham sido
definidas no mesmo ou em diferentes processos. A cumulação diz respeito à multiplicidade de
irregularidades atribuídas ao mesmo responsável, quer elas motivem diversas sanções num só processo
ou em vários. Melhor dizendo, caso num mesmo processo seja verificada a ocorrência de vários fatos
ensejadores de inidoneidade ou de inabilitação, a cumulação da sanção deve se realizar no âmbito desse
mesmo processo.
49. A inobservância dessa circunstância conduziria a uma situação dissonante, em que seriam
obtidos resultados diferentes, caso as irregularidades tratadas num mesmo processo fossem
desmembradas em apartados. A cumulação das sanções aplicadas nos hipotéticos processos derivados
seria quantitativamente diversa daquela imposta no processo originário.
50. Poder-se-ia argumentar que, em nada impactaria a realidade, o fato de o TCU impor mais de
oito anos de inabilitação a um responsável, tendo em vista que o cumprimento dessa sanção estaria
temporalmente limitado a essa quantia. Inexiste, no direito administrativo, o instituto da progressão de
regime, o qual, no direito penal, sofre influência direta do montante de pena aplicada.
51. Entretanto, além do respeito aos princípios da individualização da pena, da isonomia e da
proporcionalidade, a aplicação de sanção no montante adequado, mesmo superior ao limite de
cumprimento, devidamente fixada em função de cada licitação fraudada, possui relevância inclusive
quando se vislumbram as consequências de possíveis recursos contrários ao acórdão condenatório. Caso
o responsável sancionado em razão de múltiplas fraudes a licitações consiga demonstrar em sede
recursal sua ausência de responsabilidade em algumas dessas irregularidades, somente será possível
rever adequadamente o quantum da pena se houver sido feita a discriminação da sanção em função dos
certames fraudados.
52. Assim, a partir das considerações acima e em virtude dos princípios já mencionados,
compreendo que a aplicação da sanção de inabilitação (ou de inidoneidade) deve ser determinada
objetivamente em função das irregularidades cometidas, sem restrição quanto a máximo temporal,
mesmo que seja limitado o prazo de cumprimento da apenação. Este entendimento integrou, inclusive, a
motivação para a interposição de pedidos de reexame por este parquet nos processos conexos, movidos
contra os Acórdãos nºs 300/2018, 414/2018, 1744/2018, 2135/2018 e 2355/2018, todos do Plenário.
53. No caso concreto destes autos, examinam-se infrações que macularam dez processos
licitatórios promovidos pela Petrobras para a implantação da Refinaria Abreu e Lima. Percebe-se
claramente ser inaceitável tratar esse conjunto de irregularidades como se fosse uma única ocorrência,
pois a gravidade, as consequências e a materialidade do grupo de delitos alcançam níveis bastante
superiores aos de uma só fraude.
54. Dessa forma, estão contidos no escopo deste processo dez objetos que foram atingidos
negativamente pelas infrações cometidas pelo responsável. Esse quantitativo deve ser considerado
quando da aplicação da pena adequada.
VII – Continuidade delitiva
55. Por outro lado, no conjunto de ilícitos praticados, é possível observar aspectos de continuidade
delitiva. Esse instituto foi introduzido no Direito Penal com o intuito de evitar que a pena aplicada a
quem cometeu reiterados crimes de mesma espécie, nas mesmas circunstâncias, sofra uma apenação
desproporcional à gravidade do ilícito praticado, o que poderia ocorrer com o cúmulo material das
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

penas dos crimes cometidos. Pressupôs-se, ainda, que a ressocialização do condenado poderia ser
conseguida com pena menor, obtendo-se, assim, êxito na função preventiva da punição.
56. Trata-se, portanto, de instrumento de política criminal, materializado no art. 71 do Código
Penal, sob a denominação de crime continuado. O crime continuado tem natureza de ficção jurídica, em
que se considera que, na prática de diversos crimes, os subsequentes constituem continuação do
primeiro.
57. O efeito da aplicação desse instituto consiste em não se impor ao condenado o cúmulo material
das penas, mas se adotar o sistema da exasperação. Em outras palavras, na aplicação da punição deixa-
se de somar as penas de cada delito e passa-se a adotar uma só pena, a mais grave dentre os crimes
cometidos, mas majorando-a de fração balizada pela lei.
58. O instituto da continuidade delitiva pertence ao Direito Penal. A pertinência de sua adoção
naquele âmbito se apresenta indiscutível, uma vez que as penas cominadas são as mais duras do
ordenamento jurídico, representadas pela privação da liberdade do indivíduo em seu aspecto físico. Sua
transposição para o Direito Administrativo Sancionador não é imediata, mas pode ser admitida, tendo
em vista que esses ramos jurídicos possuem relações de proximidade e que a analogia neste caso seria
benéfica ao condenado.
59. A propósito, observa-se nas sentenças judiciais relacionadas à Operação Lava Jato que o juiz
de primeiro grau considerou a continuidade delitiva no que se refere aos crimes de corrupção e de
lavagem de dinheiro, adotando-a inclusive quando da condenação de Paulo Roberto Costa nas ações
penais nºs 5036528-23.2015.4.04.7000/PR (peças 9 e 67), 5083376-05.2014.4.04.7000/PR (peça 69),
5083258-29.2014.4.04.7000/PR (peça 70), 5083360-51.2014.4.04.7000/PR (peça 71), 5083351-
89.2014.4.04.7000/PR (peça 72) e 5083401-18.2014.4.04.7000/PR.
60. Tais condenações, contudo, foram parcialmente reformadas pelo Tribunal Regional Federal da
4ª Região no que concerne a este ponto. Em regra, o TRF4 manteve a continuidade delitiva entre os
crimes de lavagem, mas avaliou caso a caso a aplicabilidade sobre os crimes de corrupção. Como estes
delitos foram relacionados a contratos em que houve pagamento de propina, o benefício do crime
continuado foi mantido quando observada a coincidência de contratado, lugar e modo de celebração da
avença, bem como a proximidade no tempo. Quanto a este último quesito, admitiu-se a continuidade
quando os contratos foram assinados no mesmo ano, ainda que com intervalo de cinco meses entre esses
atos.
61. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça adota o prazo referencial máximo de trinta
dias entre delitos consecutivos para que se reconheça o crime continuado. Entretanto, esse lapso
temporal é indicativo, não estabelecido na lei, e tem sido admitida sua extrapolação quando presentes os
demais requisitos da continuidade delitiva, mormente nos casos de crimes de corrupção e financeiros
(REsp nº 1.627.732/ES, Min. Sebastião Reis Júnior, DJe 01/06/2018; AgRg no REsp nº 1.345.274/SC,
Min. Nefi Cordeiro, DJe 12/04/2018; AgRg no AREsp nº 531.930/SC, Min. Sebastião Reis Júnior, DJe
13/02/2015; HC nº 323.303/RJ, Min. Antônio Saldanha Palheiro, DJe 23/06/2017).
62. No caso concreto em exame, os atos infracionais praticados pelo responsável propiciaram a
fraude de dez licitações. A similaridade das circunstâncias de lugar e modus operandi caracterizam
fortemente os certames para implantação das unidades de instalações da Rnest.
63. Com relação à circunstância de tempo, observa-se que as licitações ocorreram entre 2008 e
2009. Embora tal intervalo possa indicar a descaracterização da continuidade delitiva, deve-se ter em
mente que nestes autos são avaliadas condutas infracionais múltiplas, praticadas pelo responsável ao
longo de todo esse período. Foram atos e omissões que permitiram a atividade do cartel e provocaram a
condução irregular dos procedimentos licitatórios.
64. Os certames relativos a UHDT-UGH, UDA, UCR e Tubovias foram lançados em conjunto,
entre 2008 e 2009, sempre havendo pelo menos dois procedimentos licitatórios, sendo que o primeiro era
cancelado por desclassificação de todas as propostas em razão de preços excessivos e o subsequente
resultava na contratação da empresa vencedora por valor global próximo do máximo admitido pela
Petrobras.
164

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

65. Além disso, verifica-se que as empresas convidadas eram sempre integrantes do clube, que as
repetições de certames de cada unidade de instalações eram realizadas com as mesmas convidadas do
primeiro procedimento licitatório, que as mesmas empreiteiras ou consórcios apresentavam propostas a
cada rodada, e que a ordem de classificação das propostas se mantinha praticamente inalterada entre as
diversas tentativas, ainda que outros preços tenham sido ofertados.
66. Essa similaridade não se observa, todavia, quando se compara a licitação da terraplenagem
com as demais. A época de realização do certame desses serviços iniciais de implantação foi anterior,
este convite foi lançado sozinho, algumas empresas não participantes do clube foram convidadas e não
houve cancelamento da tentativa por preços excessivos.
67. Além dos elementos objetivos de tempo, lugar e modo de execução, a jurisprudência do STJ
também exige a unidade de desígnios para a configuração do crime continuado. Esse seria o critério
norteador da diferenciação entre a continuidade delitiva e a reiteração da prática criminosa por
habitualidade (REsp nº 1.465.136/RS, Min. Nefi Cordeiro, DJe 13/06/2017).
68. Sob o aspecto subjetivo, creio também ser possível reconhecer unidade de desígnios dentre as
infrações cometidas em relação às contratações das instalações da Rnest, pois todas as condutas visaram
as fraudes, de forma a obter contratos que beneficiassem o grupo de empreiteiras cartelizadas de acordo
com a distribuição definida por elas.
69. Diante desse cenário, admitindo-se a transposição de conceitos do Direito Penal para o âmbito
do Direito Administrativo Sancionador, é possível observar a continuidade delitiva entre as licitações
relativas às unidades de instalações da Rnest (nove licitações), mas não entre estas e o certame da
terraplenagem.
70. Por conseguinte, para a aplicação da pena, deve-se adotar o sistema da exasperação para os
delitos continuados e o do cúmulo material entre estes e as infrações relativas ao convite dos serviços de
terraplenagem.
71. Adotando os mesmos critérios do ordenamento jurídico penal brasileiro para definir os
parâmetros de exasperação da pena, verifica-se inicialmente que, segundo estatuído no art. 71, caput, do
Código Penal, a majoração da pena deve ser feita por fração de 1/6 a 2/3 sobre a mais grave dentre os
delitos continuados. Na jurisprudência do STJ se encontra objetivamente a determinação do quantum de
aumento em função da quantidade de infrações cometidas:
“6. A exasperação da pena do crime de maior pena, realizado em continuidade delitiva, será
determinada, basicamente, pelo número de infrações penais cometidas, parâmetro este que especificará
no caso concreto a fração de aumento, dentro do intervalo legal de 1/6 a 2/3. Nesse diapasão esta Corte
Superior de Justiça possui o entendimento consolidado de que, em se tratando de aumento de pena
referente à continuidade delitiva, aplica-se a fração de aumento de 1/6 pela prática de 2 infrações; 1/5,
para 3 infrações; 1/4 para 4 infrações; 1/3 para 5 infrações; 1/2 para 6 infrações e 2/3 para 7 ou mais
infrações.” (HC nº 232.709/SP, Min. Ribeiro Dantas, DJe 09/11/2016.)
72. A analogia com esse instituto do Direito Penal, embora provoque aumento da pena pela fração
incidente, constitui benefício ao agente fraudador, já que se substitui o sistema de cúmulo material, em
que as penas dos diversos delitos seriam somadas, pelo de exasperação, em que se aplica somente a pena
de uma das infrações, majorada em função da quantidade de delitos praticados.

VIII – Tratamento aplicável ao colaborador


73. Em diversas oportunidades, tenho defendido o entendimento de que tanto os acordos de
leniência, quanto os acordos de colaboração premiada, não afastam as competências do Tribunal de
Contas da União, fixadas no art. 71 da Constituição Federal, nem impedem a aplicação das sanções
previstas na Lei nº 8.443/92. Com efeito, seria uma ilegalidade flagrante qualquer previsão em acordo de
leniência ou de colaboração premiada que impedisse o TCU de cobrar débito ou aplicar as sanções de
sua competência. Dito de outra forma, os acordos de leniência e outros tipos de colaboração não podem
afastar o Tribunal do exercício de suas funções constitucionais e legais.
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

74. No que se refere à aplicação de sanções aos responsáveis que cometeram ilícitos, não se pode
esquecer que sua imposição traz em si uma função pedagógica e intimidatória, visando a inibir novos
ilícitos.
75. Por óbvio que não se pode deixar de considerar o papel fundamental das colaborações (seja em
acordos de leniência, seja em delações premiadas) no fornecimento de elementos de prova que catalisam
as ações de controle, notadamente as reservadas constitucionalmente a este Tribunal. Entretanto,
considero que deva ser levado em conta pelo Tribunal, para a concessão de qualquer benefício ao
infrator colaborador, a eficácia da sua colaboração também para os processos de controle externo a
cargo do TCU.
76. Nesse sentido, manifesto concordância com a opinião do corpo instrutor da unidade técnica
quanto ao fato de que os acordos de leniência, de colaboração premiada e termo de cessação de conduta
devem ser considerados pelo TCU como elementos atenuantes e devem ser considerados na dosimetria
da sanção a ser aplicada.
77. Também entendo perfeitamente possível a aplicação, com base na analogia, da regra constante
do § 2º do art. 16 da Lei nº 12.846/2013, que prevê a redução em até 2/3 do valor da multa aplicável.
Observe-se que a redução não se dará, automaticamente e sempre, na fração total de 2/3, mas sim em
proporção variável de até 2/3.
78. Assim, conforme o caso, poderá o Tribunal aplicar uma redução em até 2/3 da pena de
inabilitação aplicada. Com efeito, entendo que a fração maior de benefício a ser concedida ao
colaborador deverá ser proporcional à sua cooperação. Ou seja, quanto mais antecipada e efetiva for
sua colaboração, maior deverá ser a sua fração.
IX – Dosimetria sugerida
79. Com base nas considerações acima, apresento proposta de quantificação da pena a ser
aplicada a Paulo Roberto Costa. O responsável foi chamado em audiência por viabilizar a atuação do
cartel de empreiteiras mediante o recebimento de propina e pela prática, em especial, de diversas
condutas que propiciaram a fraude a licitações da Rnest. Conforme mencionado anteriormente, trata-se
de um conjunto de dez certames fraudados, mas que envolveram o cometimento de diversas infrações à
norma, pelo responsável arrolado nestes autos, no decorrer de cada licitação.
80. Dessa forma, em função da gravidade das infrações cometidas, da elevada materialidade
envolvida nos delitos, das consequências gravosas das ocorrências e da grande culpabilidade do
responsável, manifesto concordância com a unidade técnica de que a sanção unitária deve atingir o
máximo cominado no art. 60 da Lei nº 8.443/92, de oito anos.
81. Em razão da reiteração da prática delituosa, deve-se proceder à cumulação das sanções,
mostrando-se adequado tomar por base a quantidade de licitações fraudadas a partir das condutas
impugnadas. Assim, para a licitação dos serviços de terraplenagem, a pena base equivaleria à sanção
unitária indicada acima, de 8 anos. Para os demais nove certames, reconhecendo-se a continuidade
delitiva, tem-se que a pena deve ser obtida pela exasperação da sanção unitária pela fração de 2/3,
resultando em 13 anos e 4 meses.
82. Procedendo-se ao cúmulo material dessas parcelas, chega-se ao quantum de 21 (vinte e um)
anos e 4 (quatro) meses para a sanção de inabilitação cabível ao responsável nestes autos.
83. Como já mencionado, entendo perfeitamente possível a aplicação, com base na analogia, da
regra constante do § 2º do art. 16 da Lei nº 12.846/2013, que prevê a redução em até 2/3 do valor da
multa aplicável. Paulo Roberto Costa, no entanto, não admitiu no TCU a prática das condutas
irregulares que lhe foram imputadas, o que contrasta com as informações prestadas na sua colaboração
no âmbito criminal. Tal atitude não condiz com o comportamento esperado de um colaborador, e torna
questionável a pertinência de concessão de algum benefício no julgamento dos processos de controle
externo.
84. Apesar dessa ressalva, há que se observar que sua colaboração foi pioneira e reconhecida
como efetiva no âmbito criminal e que ele renunciou ao produto do ilícito mantido em contas bancárias
no exterior. Diante dessas circunstâncias, compreendo adequada a proposta do corpo instrutor da
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

unidade técnica de atenuação da pena de inabilitação a ser aplicada, mas não em seu parâmetro
máximo, concedendo a redução na fração de 1/3.
85. Dessa forma, propõe-se, por fim, que a sanção de inabilitação de Paulo Roberto Costa para o
exercício de cargo em comissão ou função de confiança no âmbito da Administração Pública Federal
atinja 14 (quatorze) anos, 2 (dois) meses e 20 (vinte) dias.
X – Conclusão
86. Ante todo o exposto, e atendendo ao despacho de Vossa Excelência (peça 126), este
representante do Ministério Público de Contas manifesta alinhar-se parcialmente com as análises
efetuadas pela unidade técnica, porém, com o intuito de melhor avaliar o aspecto quantitativo da sanção,
propõe que este Tribunal:
a) considere graves as infrações cometidas por Paulo Roberto Costa e inabilite-o para o exercício
de cargo em comissão ou função de confiança na Administração Pública Federal, com fundamento no
art. 60 da Lei nº 8.443/92, por um período de 14 (quatorze) anos, 2 (dois) meses e 20 (vinte) dias;
b) comunique ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e ao Ministério da
Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) sobre a inabilitação do item a, para que
promovam as medidas necessárias à efetivação da sanção;
c) encaminhe cópia do acórdão que vier a ser proferido, acompanhado do relatório e do voto que
o fundamentam, ao responsável, para ciência;
d) encaminhe cópia do acórdão que vier a ser proferido, acompanhado do relatório e do voto que
o fundamentam, à Força-Tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, à Força-Tarefa da
Advocacia-Geral da União no Paraná, à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Diretoria de
Governança, Risco e Conformidade da Petrobras (GRC), para medidas consideradas cabíveis.”
É o relatório.

VOTO

Cuidam os autos de representação autuada, de forma apartada ao processo TC 016.119/2016-9,


para apurar a participação do Sr. Paulo Roberto Costa, ex-Diretor de Abastecimento da Petrobras, em
razão de supostas fraudes ocorridas nas licitações conduzidas pela Petrobras para implantação da
Refinaria Abreu e Lima em Ipojuca/PE, também denominada de Refinaria do Nordeste – Rnest.
2. Inicialmente, cabe destacar que o escopo do processo original envolve a ocorrência de supostas
irregularidades nas seguintes contratações no âmbito da Rnest: implantação da Unidade de Coqueamento
Retardado (UCR), da Unidade de Hidrotratamento de Diesel e de Nafta (UHDT), da Unidade de Geração
de Hidrogênio (UGH), da Unidade de Destilação Atmosférica (UDA) e das Tubovias de Interligações; e
execução das obras de terraplenagem.
3, No aludido processo, que cuida de representação formulada por unidade técnica acerca dos
mesmos fatos apreciados no presente feito, envolvendo todas as sociedades empresárias e os agentes
públicos da Petrobras que supostamente participaram das fraudes, foi lavrado o Acórdão 1.583/2016-
Plenário, por meio do qual o Tribunal conheceu da representação e ordenou a oitiva das empresas e a
audiência dos responsáveis.
4. Tendo em vista a celeridade processual que o caso requer e a complexidade das várias
manifestações dos responsáveis implicados, foi autorizada a constituição de processos apartados para
análise individualizada das manifestações de cada sociedade e agente público envolvido.
5. Até o presente momento, o Tribunal apreciou os seguintes processos:

Empresa/Responsável Deliberação do TCU Sanção de declaração de


inidoneidade/Inabilitação
Toyo Setal Empreendimentos Acórdão 1.706/2017 - Plenário Não aplicada
Ltda.
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MPE Montagens e Projetos Acórdão 300/2018 - Plenário 3 anos


Especiais S/A (confirmado em grau de recurso pelo
Acórdão 825/2018 - Plenário)
Mendes Júnior Trading e Acórdão 414/2018 - Plenário 3 anos
Engenharia S.A.
Construtora Queiroz Galvão Acórdão 1.221/2018 - Plenário 5 anos
S.A.
SOG Sistemas em Óleo e Gás Acórdão 1.214/2018 - Plenário Não aplicada
S.A.
Renato de Souza Duque Acórdão 1.625/2018-Plenário 8 anos e R$ 59.988,01
Construtora OAS S.A. Acórdão 1.744/2018-Plenário 5 anos
Engevix Engenharia e Projetos Acórdão 2.135/2018-Plenário 3 anos
S.A.
Iesa Óleo & Gás S.A. Acórdão 2.355/2018-Plenário 5 anos
Construções e Comércio Acórdão 2.446/2018-Plenário sobrestada
Camargo Correa S.A.
6. No que se refere ao Sr. Paulo Roberto Costa, o subitem 9.2.2 do Acórdão 1.583/2016-Plenário
determinou a sua audiência, em virtude das seguintes condutas:
“Irregularidade: Viabilizar a atuação do cartel mediante o recebimento de propina (peças 3-15 e
18-41) e pela prática, em especial, das seguintes condutas:
a) utilização da prevalência hierárquica e funcional para, deliberadamente, facilitarem o
funcionamento do cartel e o direcionamento das contratações às empresas cartelizadas (peças 20, 23-25,
30-31 e 32-34);
b) antecipação de cronograma da entrada em operação da refinaria, o que provocou que as
contratações ocorressem sem que os projetos básicos estivessem suficientemente maduros e facilitou a
atuação do cartel (peças 3, p. 20-21; 16; 20, p. 6; 24, p. 3; 28 e 34);
c) compartilhamento de informações sigilosas ou restritas com as empresas integrantes do Cartel
(peças 3, p. 13; 20, p. 6; 24, p. 3; 28 e 34);
d) direcionamento do certame, mediante a escolha das empresas a serem convidadas, consoante
seleção efetuada pelo “Clube (peças 16 e 18-41);
(...)
g) injustificada não-inclusão de novos concorrentes após o cancelamento de um procedimento
licitatório por preços excessivos (peças 16 e 25, p. 3-4);”
7. O responsável alegou que:
a) na condição de Diretor de Abastecimento, não tinha poder de viabilizar a atuação do cartel, pois
as licitações eram feitas pela Diretoria de Serviços, que criava uma comissão de licitação que era
responsável por todo o processo licitatório; as empresas eram escolhidas no cadastro da Petrobras, de
acordo com o porte da obra e sua complexidade;
b) nunca usou sua posição hierárquica para direcionar nenhum contrato; só veio conhecer o
processo de cartel no período em que a sua Diretoria passou a realizar obras maiores, isso no final de
2006 e início de 2007; nunca participou de nenhuma reunião do referido cartel, como também não
compartilhou informações sigilosas, pois quem tinha conhecimento do processo licitatório era a comissão
de licitação;
c) a ideia de projeto básico suficientemente maduro, exposta no ofício que lhe foi enviado, constitui
um erro de conceito de engenharia; o que poderia ser feito era o projeto de detalhamento, antes de licitar,
mas não era a definição que a Petrobras utilizava, pois isso estenderia o prazo de início do processo
licitatório;
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

d) a inclusão de novas empresas após cancelamento de processo por preço excessivo era uma
atribuição total da comissão de licitação, que era ligada à Diretoria de Serviços; e
e) foram juntadas aos autos as denúncias interpostas na 13º Vara Federal Criminal de Curitiba, as
respectivas sentenças e as ações civis públicas por ato de improbidade administrativa, em trâmite na
Justiça Federal de Curitiba, porém, não foram carreados ao processo provas de que esteja implicado nas
letras “a”, “b”, “c”, “d”, e “g” do ofício de notificação.
8. Após destacar as atribuições de um Diretor de Abastecimento, o Sr. Paulo Roberto Costa
assinalou que vem cumprimento prisão domiciliar desde 7/10/2014 e que firmou acordo de colaboração
premiada com o Ministério Público, o qual foi homologado pelo então Ministro Teori Zavascki, do STF.
9. Por fim, o responsável ressaltou a incontestável eficácia de sua colaboração, que:
“(...) abrangeu 59 nomes, sendo que grande parte destes possuem foro privilegiado e estão sendo
investigados no STF, cujos resultados se encontram em 42 instaurações de inquéritos, 07 denúncias, 21
denunciados, 94 investigados, 04 prisões preventivas, 01 colaboração premiada e R$ 78 milhões de reais
repatriados.”
10. Sendo assim, requereu que a representação fosse considerada improcedente com relação ao
defendente, por clara e evidente ausência de responsabilidade pelas possíveis ilegalidades na condução do
processo de contratação e serviços da RNEST, além da mantença de todos os seus dados pessoais em
sigilo, conforme o art. 5º, XII, da CF/88 e a lei em vigor.
11. O auditor da SeinfraOperações analisou os elementos acostados ao processo e concluiu ter sido
comprovada a ocorrência da irregularidade em função da qual o interessado foi chamado aos autos. Nesse
quadro, sopesou a gravidade das ocorrências com o fato de o ex-Diretor de Abastecimento ter celebrado
acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal, para propor a inabilitação do
responsável para o exercício de cargo em comissão ou função de confiança no âmbito da administração
pública por 5 anos e 4 meses, com fundamento no art. 60 da Lei 8.443/1992.
12. O Diretor da unidade técnica aquiesceu ao aludido encaminhamento.
13. O Secretário da SeinfraOperações concordou com a análise anterior, porém, entendeu que,
preliminarmente, deveria ser efetuada diligência junto ao Sr. Paulo Roberto Costa, para que ele manifeste
se tem interesse em colaborar com esta Corte de Contas, apresentando, se for o caso, proposta detalhada
de cooperação com processos em andamento nesta Corte tratando das irregularidades na Rnest,
especificando possíveis esclarecimentos e elementos probatórios sobre (rol exemplificativo):
“(i) quantificação estimativa do dano; (ii) identificação dos demais agentes responsáveis por
ilícitos; (iii) identificação de aditivos contratuais assinados sem a devida motivação técnica; e (iv)
detalhamento da participação da Petrobras e das empresas no âmbito da Associação Brasileira de
Engenharia Industrial (Abemi), relacionando as atividades com os ilícitos cometidos.”
14. Ademais, o titular da unidade técnica fez as seguintes propostas:
“b) após análise da resposta, autorizar manifestação do Ministério Público junto ao TCU, nos
termos do Acórdão 824/2015-TCU-Plenário, a fim de avaliar a conveniência e a oportunidade de ser
autorizada a realização de medidas saneadoras diretamente ao Sr. Paulo Roberto Costa, inclusive por
meio de entrevistas presenciais a serem reduzidas a termo, para alavancar, de forma direta, as
apurações em curso nesta Corte de Contas;
c) encaminhar cópia da deliberação que vier a ser proferida à SeinfraPetróleo, em atenção às
análises de responsabilidade nos casos de Gestão do empreendimento Rnest (TC 026.363/2015-1),
também de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler;
d) decretar o sigilo dos autos, seguindo a lógica estabelecida pela legislação que rege as
colaborações premiadas e os acordos de leniência.”
15. O Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) divergiu da sugestão de diligência, por entender
que o processo deveria seguir regularmente sua marcha em direção à apreciação de mérito e que a
iniciativa de uma eventual colaboração perante o TCU deveria advir do responsável.
16. Quando ao mérito, concordou com a análise dos fatos realizadas pelo auditor da
SeinfraOperações, porém discordou da dosimetria da sanção proposta. Nesse passo, utilizou a
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

metodologia de fixação de pena inspirada nas disposições do Código Penal e, considerando a gravidade
das infrações cometidas, além de sua prática reiterada, alvitrou a inabilitação do interessado para o
exercício de cargo em comissão ou função de confiança na administração pública federal, pelo período de
14 anos, 2 meses e 20 dias.
17. Feito esse necessário resumo, passo a decidir.
II – Da comprovação da participação do responsável nas fraudes à licitação
18. Compulsando os autos, verifico que o conjunto probatório juntado aos autos pela unidade
técnica é composto pelas seguintes evidências:
a) petição inicial em ações de improbidade administrativa (peças 4, 5, 6, 7, 8, 45 e 46);
b) sentenças judiciais (peças 9, 10, 11, 12, 13 e 14);
c) denúncias em ações criminais (peças 15, 21, 22, 36, 37, 38, 39, 40 e 41);
d) relatório de investigação da Comissão Interna da Petrobras (peça 16);
e) relatório da administração da Petrobras – exercício 2015 (peça 17);
f) depoimentos em acordos de colaboração premiada (peças 18, 19, 20, 23, 24, 25, 32, 33, 34 e 48);
g) laudos de perícia da Polícia Federal (peças 26, 27, 28, 29 e 47);
h) depoimento perante o juízo (peça 30);
i) Histórico de Conduta do Acordo de Leniência celebrado entre a Setec Tecnologia S/A, a SOG
Óleo e Gás e a Superintendência-Geral do Cade (peça 31); e
j) planilhas apreendidas pela Polícia Federal na sede da empresa Engevix (peça 35).
19. Com exceção dos depoimentos de que tratam as peças 24 e 25, as demais informações e provas
foram produzidas por terceiros, que não o Sr. Paulo Roberto Costa.
20. Sendo assim, é possível afirmar que as imputações se sustentam independentemente de
informações advindas de depoimentos prestados pelo Sr. Paulo Roberto Costa em face de sua colaboração
perante o Ministério Público, de modo que não haveria, em tese, nenhum óbice à aplicação da sanção
alvitrada pelo auditor da SeinfraOperações e pelo MPTCU, por inexistir, in casu, nenhuma violação aos
princípios da proteção da confiança e da lealdade.
21. Todavia, cabe invocar a existência de circunstância superveniente ao chamamento do
interessado aos autos, apta a modificar o desdobramento do presente feito. Trata-se do despacho emitido
pelo Exmo. Juiz Federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, no bojo da Petição 5054741-
77.2015.4.04.7000/PR.
III – Da Petição 5054741-77.2015.4.04.7000/PR
22. O referido processo judicial trata de petição formulada pelo MPF por meio da qual requer
“autorização judicial para o compartilhamento dos termos, documentos e depoimentos inerentes aos
acordos de colaboração premiada já homologados e que vierem a ser, por este Juízo ou pelo STF, desde
que não sigilosos, com a finalidade de instruir procedimentos e processos penais ou extrapenais”.
23. Em deliberação monocrática expedida em 10/12/2015, o Exmo. Juiz Federal Sérgio Moro
reiterou as decisões anteriores de compartilhamento de provas, deferiu o requerimento e autorizou:
“[...] o compartilhamento dos termos de acordo e de depoimentos dos colaboradores, bem como de
documentos e demais elementos pertinentes aos acordos e depoimentos, atuais e futuros, entregues e a
serem entregues pelos colaboradores, cuja colaboração já tenha sido homologada judicialmente e cujos
termos/documento não sejam mais sigilosos”
24. Tal decisão era o fundamento jurídico da utilização, por esta Corte de Contas, dos elementos de
prova juntados aos processos judiciais, oriundos dos acordos de colaboração premiada e leniência
celebrados no âmbito da “Operação Lava Jato”. O compartilhamento de tais evidências para este
Tribunal permitiu a autuação de vários processos, inclusive o que ora se aprecia.
25. Em nova petição formulada no referido processo judicial, o MPF requereu a especialização de
provas cujo compartilhamento já havia sido autorizado, “com a finalidade de que seja ressalvado o seu
uso contra colaboradores ou empresas lenientes”. Na ocasião, o Parquet sustentou a necessidade de
aditamento das várias decisões que compartilhou provas com outros órgãos, dentre os quais o TCU.
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

26. Diante desse novo pedido, o Exmo. Juiz Federal Sérgio Moro proferiu a seguinte deliberação
(transcrita no essencial):
“A inaplicabilidade de sanções diretas ou indiretas aos colaboradores ou lenientes com base em
provas e elementos probatórios colhidos ou ratificados em processos de colaboração é medida que tende
a amplificar a eficácia dos acordos.
O acordo envolve obrigações bilaterais entre as partes e garantias, tanto durante as tratativas,
quanto na fase posterior à homologação judicial. Se, de um lado, o colaborador reconhece a sua culpa e
participa da colheita e produção de provas, do outro, o órgão de persecução não só oferece benefícios
como deve garanti-los.
De todo modo, a questão é relativamente complexa tendo em vista a autonomia entre as esferas
criminal, cível e administrativa, a vinculação subjetiva dos acordos e a inexistência de um
posicionamento assente na jurisprudência das Cortes Superiores.
Examinando o Direito Comparado, os Estados Unidos possuem entendimento mais assentado sobre
a questão. A Regra 410 do Federal Rules of Evidence, que registra regras de introdução e interpretação
de evidências em processos cíveis e criminais, prevê que é proibido o uso da prova colhida através da
colaboração premiada contra o colaborador em processos civis e criminais.
A finalidade desse dispositivo interpretativo, de acordo com os professores de Harvard, Charles R.
Nesson, Eric D. Green e Peter L. Murray, é em breve síntese, prover uma opção através da qual se possa
obter todos os efeitos de uma convicção criminal sem que a admissão de culpa seja utilizada contra o
colaborador em um caso subsequente (disponível em
http://www.law.harvard.edu/publications/evidenceiii/professorspages/tmch2c.htm).
Isto é, a ressalva quanto ao uso da prova contra o colaborador, em processos subsequentes, é
circunstância que fortalece o instituto da colaboração premiada, pois dá e garante a amplitude da
responsabilização pelos crimes assumidamente praticados.
Certamente, trata-se de exemplo do Direito Comparado e que tem presente a legislação
estrangeira, mas que, como se trata de regra de interpretação, também pode ser aqui considerado.
Em princípio, a obtenção de efeito análogo no direito pátrio é viável através da especialização da
prova compartilhada, conforme requerido pelo MPF.
Apesar do compartilhamento de provas para a utilização na esfera cível e administrativa ser
imperativa, já que atende ao interesse público, faz-se necessário proteger o colaborador ou a empresa
leniente contra sanções excessivas de outros órgãos públicos, sob pena de assim não fazendo
desestimular a própria celebração desses acordos e prejudicar o seu propósito principal que é de obter
provas em processos criminais.
Ante o exposto, defiro o requerido pelo MPF e promovo o aditamento de todas as referidas
decisões para a elas agregar que está vedada a utilização dos elementos informativos e provas cujo
compartilhamento foi anteriormente autorizado por este Juízo contra pessoas que celebraram acordo de
colaboração com o Ministério Público no âmbito da assim denominada Operação Lavajato, bem como
contra empresas que celebraram acordo de leniência.
Caso pretendida a utilização das provas ou das informações com esta finalidade, ficará ela sujeita
à autorização específica deste Juízo, ou seja, da apresentação de novo requerimento.
Caso o material já tenha sido usado contra algum colaborador ou empresa, poderá este Juízo ser
especificamente provocado para decidir a respeito da manutenção da autorização ou não.
O MPF fica encarregado de dar ciência desta decisão a cada órgão que recebeu provas e
elementos probatórios compartilhados.” (grifos acrescidos).
27. Tendo em vista a repercussão da aludida decisão em diversos processos em andamento neste
Tribunal, o Exmo. Presidente do TCU, Ministro Raimundo Carreiro, dirigiu expediente ao Juiz Federal
Sérgio Moro, por meio do qual pleiteou que fosse autorizada ao Tribunal “a utilização das provas mesmo
contra criminosos colaboradores ou empresas lenientes para ações voltadas ao ressarcimento dos
danos”.
28. Diante desse pedido, o referido magistrado decidiu, no que interessa ao TCU:
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

“O próprio conteúdo dos acordos de colaboração e de leniência é no sentido de que eles não exime
os colaboradores e lenientes da obrigação de reparar o dano decorrente de suas atividades ilícitas por
completo.
Normalmente, os acordos prevêem multas indenizatórias calculadas por estimativa, não havendo
condições ótimas para apurar todos os danos decorrentes dos ilícitos.
Assim, é o caso de, na esteira da manifestação do MPF, autorizar o Tribunal de Contas da União a
utilizar as provas compartilhadas mesmo contra colaboradores ou empresas lenientes para o fim
exclusivo de ressarcimento dos danos decorrentes do crime.
Cabe ressalvar que não poderão ser utilizadas para imposição de multas punitivas ou
administrativas, inclusive declaração de inidoneidade ou proibição de contratar.
Igualmente, deverá, como condição, o Tribunal de Contas da União admitir que as multas ou
confiscos previstos e executados nos acordos de leniência e de colaboração sejam considerados para
amortização dos valores das indenizações, se maiores, apuradas contra os colaboradores ou lenientes.
Na linha do sugerido pelo próprio Tribunal de Contas da União, havendo responsáveis solidários
pelos danos, deve-se dar preferência à cobrança da indenização dos não-colaboradores ou não-
lenientes.
Como o próprio Tribunal de Contas da União já decidiu, deverá ainda a Corte Administrativa se
abster de utilizar as provas compartilhadas para decretar a indisponibilidade de ativos dos
colaboradores ou lenientes, pois medida espécie poderá compromer a solvência deles e, por conseguinte,
prejudicar o cumprimento das obrigações indenizatórias previstas nos acordos celebrados com o
Ministério Público Federal.
Se, quanto à questão da indisponibilidade de ativos, surgirem situações excepcionais, este Juízo
poderá ser provocado.
Igualmente, a autorização vale apenas para o Tribunal de Contas de União e que não pode, por
sua conta, autorizar a utilização das provas compartilhadas com terceiros.
Observo, por oportuno, que não se trata aqui de traçar limites à autonomia do Tribunal de Contas
da União, que exerce relevante função de fiscalização da atividade administrativa e de proteção do
erário, mas apenas o de estabelecer limites e condições para utilização por ele de provas que foram
colhidas em processos da responsabilidade deste Juízo.
Tais limitações ou condições são estabelecidas apenas com o propósito de proteger os
colaboradores ou lenientes e assim não desestimular novos acordos, o que poderia comprometer a
expansão das investigações e a descoberta de novos crimes.
Tais limitações ou condições não impedem a ação autônoma do Tribunal de Contas da União
contra colaboradores ou lenientes desde que não sejam usadas as provas compartilhadas por este Juízo.
Tais limitações ou condições não impedem a utilização irrestrita das provas compartilhadas por
este Juízo contra quem não dispuser de acordo de colaboração ou de leniência.
Portanto, defiro o requerido e altero parcialmente a decisão de 02/04/2018 (evento 12) para
autorizar o Tribunal de Contas da União a utilizar as provas colhidas e compartilhadas na Operação
Lavajato com a exclusiva finalidade admitida, para ressarcimento de danos decorrentes de crimes, e nos
limites e condições estabelecidas quanto ao seu uso contra colaboradores ou lenientes.
Tal autorização não abrange a utilização de provas colhidas no exterior, estas sempre sujeitas à
decisão específica.
Ciência ao MPF e que fica encarregado de comunicar a decisão ao Tribunal de Contas da União.”
29. Em minha visão, a matéria decidida no aludido despacho não constitui uma interferência na
autonomia desta Corte de Contas, uma vez que não restringe nenhuma das atribuições previstas no art. 71
da Constituição. Afinal, o Tribunal, como não poderia deixar de ser, continua livre para realizar
fiscalizações, coletar provas e aplicar as sanções de sua competência, inclusive sobre matérias decididas
pelo Poder Judiciário, respeitada apenas a vinculatividade da sentença penal, no caso de absolvição por
inexistência de fato ou negativa de autoria.
172

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

30. Em verdade, o entendimento esposado pelo aludido juízo tão somente impõe restrições ao uso
de provas que foram obtidas no contexto de colaborações premiadas e seus desdobramentos.
31. Em situações do tipo, é preciso fazer uma releitura do princípio da comunhão ou aquisição da
prova. Considerando que as provas pertenciam ao colaborador e somente vieram a juízo por força de uma
promessa de benefícios, é razoável que a utilização de tais provas pelo Estado respeite as condições
firmadas no pacto que viabilizou sua obtenção. O mesmo entendimento se aplica as provas que
decorreram das colaborações ou foram interpretadas a partir de informações prestadas por colaboradores.
Por essa razão, compreendo que as provas coletadas em função de acordos de colaboração estão sujeitas
ao princípio da comunhão ou aquisição condicionada ou mitigada.
32. Sendo assim, tomando por base essas premissas, o despacho do juízo e a condição de
colaborador do Sr. Paulo Roberto Costa perante o MPF, decido que não cabe a utilização das provas
indicadas nas letras “f”, “g”, “h” e “j” do item 18 retro para fins de aplicação de sanção ao responsável.
33. Cabe ressaltar que tais elementos constituem o cerne da imputação dos fatos narrados na
representação ao ex-Diretor de Abastecimento, uma vez que contêm a descrição de sua participação no
esquema fraudulento verificado nas licitações da Rnest, que envolveu, inclusive, o recebimento de
propinas. Dada a contundência de tais evidências e a própria forma de sua obtenção, em decorrência de
vários acordos de colaboração premiada e de operações policiais subsequentes, é possível afirmar que
sem as provas indicadas no item anterior não teria sido possível a presente ação de controle externo.
34. É preciso destacar que embora este Tribunal tenha fiscalizado seguidamente as obras de
implantação da Rnest, tendo apontado, inclusive, graves indícios de irregularidades na esfera do controle
administrativo e financeiro, os ilícitos em apuração nesta representação, pela sua forma de consumação, à
sorrelfa e sem deixar vestígios documentais, são em regra de difícil detecção com o uso de instrumentos
convencionais à disposição do controle externo. Somente com o auxílio de instrumentos de persecução
criminal, inclusive os acordos de colaboração premiada e de leniência, é possível, usualmente, descobrir
tais ilícitos.
35. Dito isso, cabe analisar os demais elementos de prova juntados pela unidade técnica.
IV- Da valoração das provas não acobertadas pelo despacho proferido na Petição 5054741-
77.2015.4.04.7000/PR
36. Com relação às demais evidências juntadas aos autos, verifico que os fatos envolvendo o Sr.
Paulo Roberto Costa, narrados no relatório de investigação da Comissão Interna da Petrobras (letra “d do
item 16), ou não abrangem as irregularidades tratadas na representação ou foram identificados a partir de
evidências também oriundas da Justiça Federal do Paraná, via compartilhamento.
37. Conforme o item 8.3 do documento, o Sr. Paulo Roberto Costa foi considerado responsável
pelas seguintes ocorrências:
“6.1. Falta de encaminhamento à Diretoria Executiva da mudança na estratégia de contratação do
EPC de utilidades (Alusa Engenharia);
6.2. Negociação de proposta após encerrado o processo licitatório e a respectiva aprovação da
contratação pela Diretoria Executiva – Alusa Engenharia
6.3. Inclusão de empresas, após o início do processo licitatório, que não atendiam ao critério de
seleção, na contratação da Casa de Força (CAFOR), Edificações de obras civis, ETDI e Serviços de pré-
detalhamento (FEED)
6.5. Falta de inclusão de empresa em novo processo licitatório, em descumprimento do Decreto
2.745/1998, nos processos de contratação da UDA, UCR, UHDT/UGH e Tubovias;
6.6. Revisão de estimativas em função de processos licitatórios com preços excessivos – Consórcios
Odebrecht/OAS, Consórcio Camargo Correa/CNEC, Queiroz Galvão/IESA”
38. Ademais, o relatório constatou que ex-Diretor de Abastecimento:
“submeteu à Diretoria Executiva o Plano de Antecipação da Refinaria (PAR) em 08/03/2007 –
para que fosse possível a partida da unidade de destilação e das utilidades da Refinaria em agosto/2010
– o que ocasionou a antecipação de diversas fases de planejamento do empreendimento, alterações na
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

elaboração dos projetos e na estratégia de contratação, trazendo impactos em todo o andamento das
obras, inclusive a necessidade de grande número.”
39. Como se vê, apenas a ocorrência indicada no subitem 6.5, transcrita no item 35 supra, e a
consignada no item anterior, se relacionam com o objeto da presente representação, podendo, assim,
servir de suporte probatório para a eventual condenação do defendente.
40. Todavia, compreendo que a existência e a participação do Sr. Paulo Roberto Costa no cerne da
irregularidade reportada na representação, a saber, a fraude às licitações indicadas, somente podem ser
deduzidas a partir do conjunto probatório formado, principalmente, com as provas oriundas da Justiça
Federal do Paraná.
41. Sem tais evidências oriundas da justiça criminal, a injustificada não inclusão de novos
concorrentes após o cancelamento de um procedimento licitatório por preços excessivos e antecipação de
cronograma configurariam tão somente irregularidades administrativa-financeira, aptas a gerar
eventualmente a imputação de débito, se constatado superfaturamento, e multa, por grave infração à
norma legal.
42. A propósito, os próprios signatários do relatório de investigação da Petrobras reconheceram a
importância do compartilhamento de provas pelo juízo competente:
“6.6. Revisão de estimativas em função de processos licitatórios com preços excessivos –
Consórcios Odebrecht/OAS, Consórcio Camargo Correa/CNEC, Queiroz Galvão/IESA
Em decorrência dos desdobramentos da Operação Lava-Jato, que citam o envolvimento do ex-
Diretor Sr. Paulo Roberto Costa em crimes de lavagem de dinheiro, a Comissão obteve, através do
JURÍDICO (Anexo 24), mídia eletrônica contendo seu depoimento, prestado à Justiça Federal do Paraná
em 08/10/2014, e resultado das consultas efetuadas às empresas citadas na Operação Lava-Jato (Anexo
31)
Neste depoimento, o ex-Diretor Paulo Roberto Costa afirmou que existia na Petrobras,
“principalmente mais a partir de 2006 para frente, um processo de cartelização” formado por
empreiteiras, entre as quais a Odebrecht, Camargo Correa, OAS, Mendes Júnior, Queiroz Galvão,
Andrade Gutierrez, Toyo Setal, Galvão Engenharia, Engevix, UTC Engenharia e IESA. Citou, ainda, as
empresas Sanko Sider e Costa Global como emissoras de documentos fiscais, no âmbito dessas
operações. Segundo o Sr. Paulo Roberto Costa, para que as empresas assegurassem participação em
licitações com a Petrobras, pagavam, em média, 3% do valor do contrato, que seria distribuído entre
partidos políticos.” (grifos acrescidos).
43. Adiante, os signatários do referido relatório consignaram: “Estes fatos, associados às
declarações do Sr. Paulo Roberto Costa, indicam a possibilidade da existência de um processo de
cartelização relativo às empresas indicadas nos processos analisados” (grifos acrescidos).
44. Com isso, além de limitadas para o fim de comprovar a participação do Sr. Paulo Roberto Costa
na fraude em exame, as conclusões contidas no relatório de investigação da Comissão Interna da
Petrobras, por terem sido construídas a partir de provas compartilhadas pela Justiça Federal, também
estão abrangidas pelo despacho lavrado na Petição 5054741-77.2015.4.04.7000/PR.
45. O mesmo se afirma das informações extraídas das sentenças judiciais e do relatório da
administração da Petrobras – exercício 2015 (letra “b” do item 16), os quais decorreram de provas
produzidas e se basearam em informações obtidas da Operação Lava Jato.
46. Com relação ao depoimento das sociedades empresárias Setec Tecnologia S/A (anteriormente
denominada Setal Engenharia e Construções) e SOG Óleo e Gás S/A, constante do “Histórico de
Conduta” do Acordo de Leniência nº 01/2015, trago as seguintes considerações.
47. Embora tal evidência tenha trazido informações sobre atos praticados pelo Sr. Paulo Roberto
Costa para a operacionalização do cartel – “os Signatários esclarecem que a conduta anticompetitiva
ganhou estabilidade a partir de 2003/04, diante da entrada de dois diretores na Petrobras - o Diretor da
Área de Engenharia e Serviços da Petrobras, Sr. Renato Duque, e o Diretor de Abastecimento, Paulo
Roberto Costa - que viabilizavam o convite para as licitações apenas das empresas indicadas em lista
entregue pelo coordenador do Clube. Esta estabilidade também coincide com o momento em que uma
174

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

das pessoas fisicas participante da conduta assumiu a Presidência da ABEMI” (peça 31, p. 2) -,
compreendo que tal prova também foi colhida no âmbito da Operação Lava Jato, uma vez que o referido
ajuste foi firmado pela Superintendência-Geral do Cade, em conjunto com o Ministério Público Federal
do Paraná – MPF/PR.
48. Trata-se, pois, de elemento de prova também protegido pelo despacho do Exmo. Juiz Federal
Sérgio Moro, motivo pelo qual entendo que está vedado o seu uso contra signatário de acordo de
leniência ou colaboração premiada firmado com o Ministério Público e homologado pelo aludido juízo.
49. Por fim, quanto às petições iniciais em ações de improbidade administrativa e denúncias em
ações criminais (letras “a” e “c” do item 16), compreendo que tais peças são documentos técnicos que dão
início a um processo judicial, não se revestindo, portanto, da natureza de prova. Trata-se de mero libelo
contendo a descrição dos fatos e sua capitulação, segundo a visão do órgão ministerial na condição de
parte.
50. Portanto, julgo que os elementos remanescentes catalogados aos autos não são aptos sustentar,
por si só, os fatos narrados na representação. Diante desse quadro fático, em que não subsiste prova
independente da participação do Sr. Paulo Roberto Costa no esquema fraudulento noticiado na
representação, entendo que não há base de sustentação para imputação da sanção em virtude desta
ocorrência.
51. Nesse ponto, destaco que tal situação processual não decorreu de falha na dilação probatória,
durante a etapa de instrução. Conforme destacado no item 34 retro, as irregularidades que se apuram
nessa representação, pelo seu alto grau de sofisticação, abrangência e materialidade, além do próprio
status de seus autores, somente poderiam ser detectadas - e, de fato, foram - por instrumentos de
persecução penal.
52. Em situações do tipo, apenas as provas compartilhadas pelo juízo competente poderiam
sustentar a condenação, pelo Tribunal, dos agentes públicos da Petrobras que participaram da fraude às
licitações da Rnest.
53. Justamente por essa razão, reputo que, em casos similares ao que se enfrenta, nos quais há
superposição entre a esfera de controle externo e a de persecução penal e, concretamente, houve
intercâmbio de provas, a atuação desta Corte de Contas deve ocorrer de modo harmônico e coerente com
a jurisdição criminal.
54. Em minha visão, há um dever de uniformidade e coerência, quando um outro órgão de estado,
embora independente, não produz provas autônomas e utiliza, no exercício de suas competências,
somente evidências obtidas de outro órgão. Em outras palavras, sou da opinião de que deve haver um
compromisso de comunicabilidade de instância, por meio do qual o segundo órgão adere aos termos de
cooperação firmado pelo primeiro e não impõe outra consequência jurídica além das já tomadas por este.
55. Nesta hipótese, o segundo órgão deixa de exercer seu poder sancionatório, em troca de todos os
benefícios processuais que podem advir do uso dos elementos de prova juntados nos acordos de
colaboração, em sua própria instância.
56. Trata-se de medida coerente com o entendimento esposado pelo Ministério Público Federal no
Estudo Técnico nº 01/2017-CCR (BRASIL. Ministério Público Federal. Estudo Técnico nº 01/2017 – 5 ª
CCR. Disponível em <http://www.mpf.mp.br/atuacao-tematica/ccr5/publicacoes/estudos-e-notas-
tecnicas>. Acesso em: 25 mai. 2018, p. 120) :
“Assim, diante da ausência de efetiva cooperação institucional entre os órgãos púbicos e da
correlata atuação integrada em negociação premial, é preciso que haja adesão aos termos do acordo de
leniência firmado com a pessoa jurídica colaboradora, por parte dos demais órgãos de fiscalização e
controle que não celebraram a avença, mas busquem informações dela advindas para a tomada das
medidas cabíveis em suas alçadas, na defesa do erário e na reparação dos danos. Portanto, havendo
interesse no acesso a documentos e informações obtidos em colaboração premiada, deve-se aderir aos
benefícios negociados com a empresa colaboradora.” (grifos acrescidos).
57. A decisão de não sancionar um responsável por fatos já apreciados na esfera criminal não
implica uma postura de subserviência do TCU às outras instâncias de controle.
175

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

58. Conforme já ressaltado por mim no voto condutor dos Acórdãos 1214/2018-Penário e
2.446/2018-Plenário, a assinatura de acordos de colaboração premiada e de leniência não implica
qualquer restrição à atividade de controle externo, que é livre para exercer a sua competência
fiscalizatória, colher provas e aplicar as sanções estabelecidas nas leis de regência, além de imputar
débitos, independentemente da atuação de outros órgãos de controle.
59. Porém, se a cooperação de uma pessoa junto a outra instância já foi valorada por esta, no
exercício de sua competência sancionatória, o Tribunal deve, numa atitude de deferência ao acordo
firmado por outro órgão de controle e de respeito ao microssistema de combate à corrupção e de defesa da
probidade administrativa, recuar no exercício de seu poder sancionatório e reputar como suficiente a pena
ou a medida substitutiva imputada pelo órgão do Estado, caso não disponha de provas autônomas em
relação à produzida por aquela instância.
60. No presente caso, a justiça criminal, ao apreciar denúncia formulada contra o Sr. Paulo Roberto
Costa e outros agentes por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e de pertinência à organização
criminosa, envolvendo vários fatos, dentre os quais a fraude às licitações da Rnest, decidiu condená-lo
pelos dois primeiros crimes a penas de onze anos, um mês e dez dias e cinco anos e seis meses,
respectivamente, além do pagamento de multas (Ação Penal nº 503652823.2015.4.04.7000/PR – peça 9).
61. Na ocasião, o juiz levou em conta o acordo de colaboração premiada firmado pelo responsável
da seguinte forma:
“Essa seria a pena definitiva para Paulo Roberto Costa, não houvesse o acordo de colaboração
celebrado com a Procuradoria Geral da República e homologado pelo Egrégio Supremo Tribunal
Federal (evento 3, anexo175).
Pelo art. 4º da Lei nº 12.850/2013, a colaboração, a depender da efetividade, pode envolver o
perdão judicial, a redução da pena ou a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos.
Cabe somente ao julgador conceder e dimensionar o benefício. O acordo celebrado com o
Ministério Público não vincula o juiz, mas as partes às propostas acertadas.
Não obstante, na apreciação desses acordos, para segurança jurídica das partes, deve o juiz agir
com certa deferência, sem abdicar do controle judicial.
A efetividade da colaboração de Paulo Roberto Costa não se discute. Prestou informações e
forneceu provas relevantíssimas para Justiça criminal de um grande esquema criminoso. Embora parte
significativa de suas declarações demande ainda corroboração, já houve confirmação pelo menos
parcial do declarado.” (grifos acrescidos).
62. Retomando ao presente caso, a eventual extinção da ação punitiva do TCU, contudo, somente
deve ocorrer, após a comprovação de que o colaborador cumpriu as obrigações acertadas no acordo que
assinou com o Ministério Público. Isso porque, o eventual descumprimento dos deveres pactuados
ensejaria a perda dos benefícios consignados no respectivo termo de colaboração e permitiria, por
conseguinte, a utilização das provas produzidas no âmbito criminal para a condenação do responsável.
63. Sendo assim, pedindo vênias por divergir dos pareceres anteriores, julgo adequado sobrestar,
com fundamento no art. 157, caput, do Regimento Interno do TCU, a apreciação da participação do Sr.
Paulo Roberto Costa nas fraudes ocorridas nas licitações para a contratação das Tubovias de
Interligações, da Unidade de Coqueamento Retardado (UCR), da Unidade de Hidrotratamento de Diesel e
de Nafta (UHDT), da Unidade de Geração de Hidrogênio (UGH) e da Unidade de Destilação Atmosférica
(UDA) e das obras de terraplenagem, da Rnest, admitidas por ele, até a demonstração de houve o efetivo
cumprimento do acordo de colaboração que ele firmou com o Ministério Público Federal.
64. Tal opção guarda coerência com o decido pelo juízo penal, na sentença preferida na Ação Penal
nº 503652823.2015.4.04.7000/PR, já mencionada (peça 9):
“Adoto, portanto, as penas acertadas no acordo de colaboração premiada.
Paulo Roberto Costa já foi condenado por este Juízo em anteriores ações penais a penas que
somadas são superiores a vinte anos de reclusão.
176

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Assim, tendo o MPF feito este requerimento e na linha do acordo entre a Procuradoria Geral da
República e Alberto Youssef, assistido por seu defensor, com homologação pelo Supremo Tribunal
Federal, suspendo, em relação a Paulo Roberto Costa, a presente condenação e processo, em relação a
ele a partir da presente fase. Ao fim do prazo prescricional, será extinta a punibilidade.
Caso haja descumprimento ou que seja descoberto que a colaboração não foi verdadeira, o
processo retomará seu curso.
Registro, por oportuno, que, embora seja elevada a culpabilidade de Paulo Roberto Costa, a
colaboração demanda a concessão de benefícios legais, não sendo possível tratar o criminoso
colaborador com excesso de rigor, sob pena de inviabilizar o instituto da colaboração premiada.” (grifos
acrescidos).
65. Dessa forma, somente após a demonstração do cumprimento do acordo, será possível a
expedição de decisão decretando a extinção da ação punitiva do TCU em favor do infrator, na linha do
que dispõe o art. 86, § 4º, inciso I, da Lei 12.529/2011, em intepretação extensiva.
66. A propósito, a aplicação da norma de proteção da concorrência ao caso em análise se justifica
pela falta de disposições legais a respeito da repercussão dos acordos de leniência na esfera do controle
externo e dos efeitos de seu cumprimento. Tal postura se impõe como forma de dar coerência à aplicação
do instituto da leniência nas diversas esferas de controle.
67. Em acréscimo, entendo que se aplica ao caso o disposto no subitem 9.1.5 do Acórdão
1.441/2016-Plenário, in verbis:
“9.1.5. haverá a suspensão da prescrição toda vez que o responsável apresentar elementos
adicionais de defesa, ou mesmo quando forem necessárias diligências causadas por conta de algum fato
novo trazido pelos jurisdicionados, não suficientemente documentado nas manifestações processuais,
sendo que a paralisação da contagem do prazo ocorrerá no período compreendido entre a juntada dos
elementos adicionais de defesa ou da peça contendo o fato novo e a análise dos referidos elementos ou
da resposta da diligência, nos termos do art. 160, §2º, do Regimento Interno;” (grifos acrescidos) .
68. À míngua de disposição legal a respeito do assunto, a suspensão da prescrição da pretensão
punitiva do TCU, neste caso, pode ser fundamentada na interpretação extensiva do art. 87 da Lei
12.529/2011, novamente invocado como forma de dar coerência ao microssistema de combate a ilícitos
contra a administração pública. Segue o texto do dispositivo:
“Art. 87. Nos crimes contra a ordem econômica, tipificados na Lei no 8.137, de 27 de dezembro de
1990, e nos demais crimes diretamente relacionados à prática de cartel, tais como os tipificados na Lei
no 8.666, de 21 de junho de 1993, e os tipificados no art. 288 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro
de 1940 - Código Penal, a celebração de acordo de leniência, nos termos desta Lei, determina a
suspensão do curso do prazo prescricional e impede o oferecimento da denúncia com relação ao agente
beneficiário da leniência.”
69. Com isso, cabe a declaração de suspensão da prescrição da pretensão punitiva desta Corte de
Contas, até que haja manifestação do Ministério Público Federal, quanto ao cumprimento ou
descumprimento das obrigações pactuadas no acordo de colaboração premiada celebrado com o Sr. Paulo
Roberto Costa.
70. A despeito do sobrestamento do feito, entendo que a SeinfraOperações deve realizar o
acompanhamento periódico dos atos processuais relativos ao compromisso designado no item anterior,
realizando as diligências que entender cabíveis junto aos órgãos competentes.
V – Da possível omissão de fatos e contradições nos depoimentos prestados em função do acordo
de colaboração premiada do Sr. Paulo Roberto Costa
71. Conforme descrito no relatório que antecede este voto, o Secretário da SeinfraOperações
apontou omissões de fatos e contradições em depoimentos prestados pelo responsável em seu acordo de
colaboração premiada. Segundo matérias jornalísticas identificadas pelo titular da unidade técnica, o
defendente prestou informações inverídicas quanto à participação de sua filha em atos ilícitos e não
revelou o pagamento propinas a executivos da Gerência de Marketing e Comercialização da estatal, fato
posteriormente identificado na 57ª fase da Operação Lava Jato.
177

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

72. Com relação ao primeiro fato, ressalto que ele gerou pedido do Ministério Público Federal
(MPF), em alegações finais da Ação Penal 5025676-71.2014.4.04.7000/PR (evento 463), para que o juiz
suspendesse os benefícios da colaboração premiada do Sr. Paulo Roberto Costa o condenasse à prisão.
73. Ao apreciar a questão, o juízo decidiu manter os benefícios da colaboração premiada do
responsável, conforme a fundamentação de sua sentença exposta a seguir (Disponível em:
<https://eproc.jfpr.jus.br/eprocV2/controlador.php?acao=acessar_documento_publico&doc=7015351471
50333360061849547954&evento=811&key=b9c6c02e58c2346b0f56c507635dc2f2174afb8a1544c059cb
86abe1bb6972f1&hash=717935985eec20c273576de1663ad91a>. Acesso em 26/4/2019):
“123. Questão que se coloca é se devem ou não ser negados os benefícios previstos nos acordos de
colaboração, como pleiteado pelo MPF.
124. Romper o acordo de colaboração é algo grave e a situação de violação deve estar sempre
muito bem caracterizada. No caso, o acordo de colaboração de Paulo Roberto Costa celebrado com a
Procuradoria Geral da República e homologado pelo Supremo Tribunal Federal teve grande relevância
probatória. A partir dele e também do acordo com Alberto Youssef é que foi revelada a dimensão dos
crimes havidos na Petrobrás, com a estrutura da empresa estatal tendo sido capturada para
locupletamento ilícito e financiamento ilegal de campanhas por agentes privados e públicos
inescrupulosos.
125. Parte importante do acordo disse respeito aos benefícios visados pelo colaborador Paulo
Roberto Costa a seus familiares. Estes igualmente celebraram acordos de colaboração próprios.
126. Em Juízo, há impressão que, em seus depoimentos, não foram totalmente verdadeiros,
buscando os acusados, mediante modificação das circunstâncias do ocorrido, atenuar, sem sucesso, as
suas responsabilidades ou pelo menos a de Márcio Lewkowicz e de Shanni Azevedo Costa Bachmann.
127. Apesar disso, entendo que o acordo com Paulo Roberto Costa e com seus familiares deve ser
mantido e prestigiado, pois o cerne da colaboração não foi alterada e, mesmo quanto aos depoimentos,
houve aparente alteração das circunstâncias, mas sem comprometer completamente o conteúdo. Não se
justifica negar os benefícios quando há alterações meramente circunstanciais dos depoimentos auto-
incriminatórios e que não prejudicam a condenação deles ou de terceiros.” (grifos acrescidos).
74. Com relação à segunda omissão, observo que ela foi detectada a partir de desdobramentos da
Operação Lava Jato, no final de 2018, não havendo até o presente momento informações sobre o seu
impacto nos benefícios concedidos ao colaborador. Nesse contexto, a opção pelo sobrestamento do feito,
proposta no capítulo anterior, está em linha de consonância com eventuais riscos de rescisão do acordo,
por eventuais descumprimentos das obrigações do colaborador.
75. Sobre a suposta contradição entre a defesa do Sr. Paulo Roberto Costa, que negou o
cometimento dos fatos arrolados no ofício de oitiva que configurariam a sua participação no cartel, e as
evidências juntadas aos autos, trago as seguintes considerações.
76. Inicialmente, ressalto que os argumentos trazidos em sua defesa não discrepam, em essência,
dos depoimentos que prestou no âmbito de sua colaboração premiada. Nesse sentido, transcrevo a
passagem de seu termo de colaboração nº 1: “QUE segundo o depoente os processos licitatórios
realizados dentro da Petrobrás são idôneos, bem como os projetos estabelecidos, estando o grande
problema do acordo prévio feito entre as empresas que se habilitam com propostas” (peça 24, p. 3).
77. Em verdade, as sentenças de ações penais juntadas aos autos indicam que o crime de fraude à
licitação (art. 90 da Lei 8.666/1993) não foi catalogado nas denúncias, nem ensejou, por consequência, a
condenação do responsável por este ato típico. Embora o juiz tenha reconhecido “a existência de um
esquema criminoso no âmbito da Petrobrás, e que envolvia cartel, fraudes à licitação, pagamento de
propinas a agentes públicos e a agentes políticos e lavagem de dinheiro”, o ex-Diretor de Abastecimento
foi incurso apenas nos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
78. Possivelmente por essa razão, essas discrepâncias entre os depoimentos do Sr. Paulo Roberto
Costa e as evidências oriundas de outras colaborações, no que se refere as circunstâncias de participação
dos agentes públicos da Petrobras na fraude à licitação, tenham passado despercebidas pelo juízo criminal
178

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

e pelo Ministério Público, que não buscaram resolver essas contradições, inclusive para fins de eventual
rescisão dos acordos.
79. De todo modo, compreendo que todos os depoimentos dos colaboradores, inclusive os do
responsável arrolado neste feito, são coerentes no sentido de que os Srs. Paulo Roberto Costa, Renato de
Souza Duque e Pedro José Barusco Filho viabilizaram a atuação do esquema fraudulento mediante o
recebimento de propina e, no mínimo, atuaram de forma omissiva, ao deixarem de adotar providências
contra o cartel das empreiteiras e os ajustes fraudulentos de licitação.
80. Tal fato foi admitido pelos aludidos agentes e, posteriormente, foi reconhecido em todas as
sentenças listadas, apesar de as ações, como já destacado, não ter abrangido o crime de fraude à licitação.
Nesse sentido transcrevo a seguinte passagem, reproduzida na decisão proferida na Ação Penal nº
5036528-23.2015.4.04.7000/PR (peça 9): “Tendo o pagamento da vantagem indevida comprado a
lealdade de Paulo Roberto Costa que deixou de tomar qualquer providência contra o cartel e as fraudes
à licitação, aplico a causa de aumento do parágrafo único do art. 317, §1º, do CP, elevando-a para seis
anos de reclusão.”
81. A respeito da contradição entre os depoimentos do responsável, os achados do TCU em outros
processos dando conta da ocorrência de superfaturamentos nos contratos e a defesa do Sr. Paulo Roberto
Costa neste processo, na qual nega qualquer prejuízo à Petrobras, trago as seguintes considerações.
82. Conforme a cláusula décima quinta, letras “a” e “e” de seu acordo de colaboração premiada, o
ex-Diretor de Abastecimento se obrigou a:
“a) falar a verdade, incondicionalmente e sob compromisso, em todas as investigações - inclusive
nos inquéritos policiais, inquéritos civis e ações cíveis e processos administrativos disciplinares e
tributários - e ações penais, em que doravante venha a ser chamado a depor na condição de testemunha
ou interrogado, nos limites deste acordo;
(...)
e) cooperar com o MPF e com outras autoridades públicas por este apontadas para detalhar os
crimes de corrupção, peculato, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas e outros delitos
correlatos a estes.”
83. A cláusula vigésima terceira, por sua vez, estabelece que “o acordo perderá efeito, considerando
rescindido, ipso facto:
“a) se o colaborador descumprir, sem justificativa, qualquer das cláusulas, subcláusulas ou itens
em relação às quais se obrigou;
b) se o colaborador sonegar a verdade ou mentir em relação a fatos em apuração, em relação aos
quais se obrigou a cooperar;
c) se o colaborador vier a recusar-se a prestar qualquer informação de que tenha conhecimento;”
84. Dito isso, embora haja o compromisso do colaborador de revelar a verdade dos fatos, essa
obrigação se atém aos limites do acordo, ou seja, aos fatos em relação aos que se obrigou a cooperar. Dito
isso, entendo que o Sr. Paulo Roberto Costa não se obrigou a trazer informações sobre a ocorrência de
eventuais superfaturamentos nas contratações, especialmente se considerados os critérios estabelecidos
pelo Tribunal – comparação dos preços contratos com os parâmetros extraídos de sistemas oficiais
mantidos pela administração pública.
85. Embora a inclusão desse compromisso fosse até conveniente, sob a ótica da alavancagem da
atividade de controle externo, ela não constou de seu acordo de colaboração premiada com o Ministério
Público. Por conseguinte, não há, estrito senso, nenhuma quebra de compromisso do colaborador pelo
fato invocado pela SeinfraOperações.
86. Tal circunstância, contudo, não impede que o Tribunal busque eventuais informações sobre a
matéria junto ao ex-Diretor de Abastecimento, nos termos especificados no próximo capítulo. Tal
colaboração, contudo, seria uma ampliação do escopo de seu acordo, estando, por consequência, sujeita
aos requisitos da volutantariedade e espontaneidade.
87. De todo modo, sou da opinião de que, até manifestação em contrário do Ministério Público
Federal, o acordo de colaboração premiada do Sr. Paulo Roberto Costa permanece hígido, não havendo
179

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

razão para o não reconhecimento de seus efeitos na esfera de controle externo, como exposto no capítulo
anterior.
VI – Da colaboração do Sr. Paulo Roberto Costa perante esta Corte de Contas
88. Inicialmente, é oportuno destacar que a colaboração do interessado na esfera criminal já se
mostrou útil à atividade de controle externo, na medida em que os depoimentos prestados por ele
compuseram o conjunto probatório de vários processos em andamento neste Tribunal, por fatos conexos
aos apreciados nesta representação, tendo, inclusive, subsidiado algumas condenações, conforme o item 5
supra.
89 Quanto à possibilidade de cooperação adicional do responsável perante esta Corte de Contas, em
especial nos processos que tratam de outras irregularidades na Rnest, a exemplo da ocorrência de danos,
compreendo que esta colaboração pode ocorrer, independentemente do desfecho deste feito.
90. Afinal, o próprio acordo de colaboração prevê como obrigação do colaborador, em sua cláusula
décima quinta, letra “f”: “cooperar amplamente com o MPF e com outras autoridades públicas por este
apontadas em tudo mais que siga respeito ao caso e aos fatos que o COLABORADOR se compromete a
elucidar” (grifos acrescidos).
91. Dessa forma, a unidade técnica pode sugerir ao relator de cada processo as diligências que
entender cabíveis junto ao Sr. Paulo Roberto Costa, caso entenda que ele detém informações úteis ao
deslinde do processo ou possa esclarecer eventuais dúvidas de provas compartilhadas.
92. Com isso, rejeito a proposta interlocutória formulada pelo Secretário da SeinfraOperações.
VI – Das demais irregularidades independentemente da participação na fraude
93. Dentre as condutas imputadas ao Sr. Paulo Roberto Costa, verifico que as listadas a seguir
configuram irregularidades que têm existência autônoma ao ilícito de participação nas fraudes às
licitações da Rnest:
“b) antecipação de cronograma da entrada em operação da refinaria, o que provocou que as
contratações ocorressem sem que os projetos básicos estivessem suficientemente maduros e facilitou a
atuação do cartel (peças 3, p. 20-21; 16; 20, p. 6; 24, p. 3; 28 e 34); e
g) injustificada não-inclusão de novos concorrentes após o cancelamento de um procedimento
licitatório por preços excessivos (peças 16 e 25, p. 3-4)”
94. Trata-se de fatos autônomos aos apreciados no âmbito da Operação Lava Jato, que configuram,
em tese, grave infração à norma legal e regulamentar.
95. A despeito disso, entendo que tais fatos já estão sendo tratados em processos em andamento
nesta Corte de Contas, motivo pelo qual julgo incabível o desenvolvimento da matéria neste feito.
96. Com relação à antecipação de cronograma, observo que a ocorrência foi objeto de audiência no
TC 026.363/2015-1, que trata de auditoria realizada na Petrobras com objetivo de avaliar a gestão da
implantação da RNEST. Por meio do Acórdão 3.052/2016-Plenário, o Tribunal autorizou o chamamento
de diversos responsáveis, de forma que o processo se encontra em andamento, com vistas à eventual
aplicação de sanção aos gestores arrolados.
97. Da mesma forma, a não inclusão de novos concorrentes após o cancelamento de um
procedimento licitatório vem sendo usada como fundamento para a inclusão do Sr. Paulo Roberto Costa
no rol de responsáveis por superfaturamentos detectados em contratos da Rnest.
98. A título de exemplo, cito o Acórdão 2.109/2016-Plenário, que determinou a citação do ex-
Diretor de Abastecimento, em virtude de tais ocorrências, as quais fizeram parte do nexo causal dos
superfaturamentos detectados nas obras de construção da Unidade de Destilação Atmosférica e da
Unidade de Hidrotratamento da Rnest (TC 000.168/2016-5).
99. Neste caso, o Tribunal julgou irregulares as contas do aludido responsável e o condenou ao
pagamento solidário do débito, porém deixou de lhe aplicar a multa do art. 57 da Lei 8.443/1992,
justamente em razão de sua condição de colaborador perante o Ministério Público Federal.
100. Por esses motivos, entendo que não cabe o exercício do poder sancionatório do Tribunal em
face das condutas especificadas no item 97 supra.
180

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

101. Diante de todo o exposto, voto por que seja adotada a deliberação que ora submeto a este
Colegiado.

ACÓRDÃO Nº 954/2019 – TCU – Plenário

1. Processo nº TC 013.395/2017-3.
2. Grupo II – Classe de Assunto VII - Representação
3. Interessados/Responsáveis:
3.1. Responsável: Paulo Roberto Costa (302.612.879-15)
4. Entidade: Petróleo Brasileiro S.A.
5. Relator: Ministro Benjamin Zymler.
6. Representante do Ministério Público: Subprocurador-Geral Paulo Soares Bugarin.
7. Unidade Técnica: Secretaria Extraordinária de Operações Especiais em Infraestrutura
(SeinfraOpe).
8. Representação legal: Representação legal: Taísa Oliveira Maciel (OAB-RJ 118.488) e outros,
representando Petróleo Brasileiro S.A.; João Mestieri (OAB/RJ 13.645) e outros, representando Paulo
Roberto Costa.

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de representação autuada, de forma apartada ao
processo TC 016.119/2016-9, para apurar a participação do Sr. Paulo Roberto Costa, ex-Diretor de
Abastecimento, em razão de supostas fraudes ocorridas nas licitações conduzidas pela Petrobras para
implantação da Refinaria Abreu e Lima em Ipojuca/PE, também denominada de Refinaria do Nordeste –
Rnest.
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante as
razões expostas pelo Relator, em:
9.1. sobrestar, com fundamento no art. 157, caput, do Regimento Interno do TCU, a apreciação da
participação do Sr. Paulo Roberto Costa na fraude ocorrida nas licitações para a contratação das Tubovias
de Interligações, da Unidade de Coqueamento Retardado (UCR), da Unidade de Hidrotratamento de
Diesel e de Nafta (UHDT), da Unidade de Geração de Hidrogênio (UGH) e da Unidade de Destilação
Atmosférica (UDA) e das obras de Terraplenagem, da Rnest, até a demonstração de que ele cumpriu suas
obrigações no acordo de colaboração premiada celebrado com o Ministério Público Federal;
9.2. suspender a prescrição da pretensão punitiva desta Corte de Contas, com relação aos fatos
designados em análise neste processo, até que haja manifestação do órgão signatário do acordo de
colaboração especificado no item anterior quanto ao cumprimento ou descumprimento das obrigações
pactuadas pelo Sr. Paulo Roberto Costa, com fulcro no subitem 9.1.5 do Acórdão 1.441/2016-Plenário;
9.3. determinar à SeinfraOperações que:
9.3.1. promova o acompanhamento periódico dos atos processuais relativos ao compromisso
designado no subitem 9.1, realizando as diligências que entender cabíveis junto aos órgãos competentes; e
9.3.2. promova a imediata instrução da matéria, caso não mais subsistam as condições para o
sobrestamento do presente processo;
9.4. dar ciência desta deliberação ao responsável, à Petróleo Brasileiro S.A., ao Ministério Público
Federal, à Força Tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba e ao titular da 13ª Vara Federal de Curitiba.

10. Ata n° 14/2019 – Plenário.


11. Data da Sessão: 30/4/2019 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0954-14/19-P.
13. Especificação do quórum:
181

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

13.1. Ministros presentes: José Mucio Monteiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin
Zymler (Relator), Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministro que alegou impedimento na Sessão: Aroldo Cedraz.
13.3. Ministros-Substitutos presentes: Augusto Sherman Cavalcanti, Marcos Bemquerer Costa,
André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira.

GRUPO II – CLASSE VII – Plenário


TC 013.397/2017-6
Natureza: Representação
Entidade: Petróleo Brasileiro S.A.
Responsável: Pedro José Barusco Filho (987.145.708-15)
Representação legal: Taísa Oliveira Maciel (118.488/OAB-RJ) e outros, representando Petróleo
Brasileiro S.A.; Antonio Augusto Lopes Figueiredo Basto (16.950/OAB-PR), representando Pedro José
Barusco Filho.
SUMÁRIO: REPRESENTAÇÃO. SUPOSTA PARTICIPAÇÃO DO RESPONSÁVEL EM
FRAUDES À LICITAÇÃO NA RNEST. OITIVA. ADMISSÃO DE PARTICIPAÇAO NOS ATOS
ILÍCITOS. CELEBRAÇÃO DE ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA COM O MINISTÉRIO
PÚBLICO. AUSÊNCIA DE PROVAS AUTÔNOMAS ALÉM DAS COMPARTILHADAS PELO
JUÍZO FEDERAL APTAS A SUSTENTAR A CONDENAÇÃO. PRINCÍPIO DA AQUISIÇÃO
CONDICIONADA DA PROVA OBTIDA EM DECORRÊNCIA DE ACORDOS DE
COLABORAÇÃO. SOBRESTAMENTO DA APLICAÇÃO DE EVENTUAL SANÇÃO ATÉ A
DEMONSTRAÇÃO DO CUMPRIMENTO DO ACORDO.

RELATÓRIO

Cuidam os autos de representação autuada, de forma apartada ao processo TC 016.119/2016-9,


para apurar a participação do Sr. Pedro José Barusco Filho em supostas fraudes ocorridas nas licitações
conduzidas pela Petrobras para implantação da Refinaria Abreu e Lima em Ipojuca/PE, também
denominada de Refinaria do Nordeste – Rnest.
2. No processo original, que cuida de representação formulada por unidade técnica acerca dos
mesmos fatos apreciados no presente feito, envolvendo todas as sociedades empresárias e os agentes
públicos da Petrobras que supostamente participaram das fraudes, foi lavrado o Acórdão 1.583/2016-
Plenário, por meio do qual o Tribunal conheceu da representação e ordenou a oitiva das empresas e a
audiência dos responsáveis.
3. No que se refere aos agentes públicos da Petrobras, a decisão foi lavrada nos seguintes termos:
“9.2.2. realizar, com fulcro nos arts. 43, inciso II; 58, inciso II; 60 da Lei 8.443/1992 e 250, inciso
IV, do Regimento Interno do TCU, a audiência dos responsáveis relacionados a seguir, para que se
manifestem, no prazo de até quinze dias, de acordo com as condutas atribuídas a cada qual, alertando-os
que, caso confirmadas as irregularidades, poderão ser a eles aplicadas as sanções de multa e
inabilitação, por um período de cinco a oito anos, para o exercício de cargo em comissão ou função de
confiança no âmbito da Administração Pública:
Nome do funcionário Cargo Irregularidades
Diretor de
PAULO ROBERTO COSTA Abastecimento da alíneas “a”, “b”, “c”, “d”, e “g”.
Petrobras
Diretor de Engenharia alíneas “a”, “b”, “c”, “d”, “e”,
RENATO DE SOUZA DUQUE
e Serviços da “f” e “g”.
182

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Petrobras
Gerente Executivo de
alíneas “a”, “b”, “c”, “d”, “f” e
PEDRO JOSE BARUSCO FILHO Engenharia da
“g”.
Petrobras
Irregularidade: Viabilizar a atuação do cartel mediante o recebimento de propina (peças 3-15 e
18-41) e pela prática, em especial, das seguintes condutas:
a) utilização da prevalência hierárquica e funcional para, deliberadamente, facilitarem o
funcionamento do cartel e o direcionamento das contratações às empresas cartelizadas (peças 20, 23-25,
30-31 e 32-34);
b) antecipação de cronograma da entrada em operação da refinaria, o que provocou que as
contratações ocorressem sem que os projetos básicos estivessem suficientemente maduros e facilitou a
atuação do cartel (peças 3, p. 20-21; 16; 20, p. 6; 24, p. 3; 28 e 34);
c) compartilhamento de informações sigilosas ou restritas com as empresas integrantes do Cartel
(peças 3, p. 13; 20, p. 6; 24, p. 3; 28 e 34);
d) direcionamento do certame, mediante a escolha das empresas a serem convidadas, consoante
seleção efetuada pelo “Clube (peças 16 e 18-41);
e) sonegação de fatos e documentos fundamentais para a correta avaliação fático-normativa do
Departamento Jurídico ou Conselho Executivo da Petrobras, em fases decisivas da avaliação econômico-
financeira dos empreendimentos e/ou de suas respectivas licitações (peça 16);
f) alteração de percentuais da fórmula de reajuste de preços por sugestão de empresas licitantes
em prejuízo econômico direto aos cofres da Petrobras e viabilizador de pagamentos irregulares a
terceiros no decorrer da execução das avenças (peças 16 e 29);
g) injustificada não-inclusão de novos concorrentes após o cancelamento de um procedimento
licitatório por preços excessivos (peças 16 e 25, p. 3-4);”
4. Após o cumprimento da aludida medida processual, os auditores da SeinfraOperações analisaram
a resposta enviada pelo Sr. Pedro José Barusco Filho, na forma da instrução transcrita parcialmente a
seguir (peça 66):
“2. Importa repisar a atuação do TCU nas obras da Rnest desde 2008. Naquele ano, analisou-se o
contrato de terraplenagem de implantação do empreendimento. Consubstanciaram-se diversas
irregularidades, tais como: projeto básico deficiente; superfaturamento decorrente de preços excessivos
em relação ao mercado; ausência de assinatura de termo aditivo; ausência, no edital, de critério de
aceitabilidade de preços máximos; e inadequação ou inexistência de critérios de aceitabilidade de preços
unitários e global (TC 008.472/2008-3).
3. Em 2009, auditaram-se os contratos e procedimentos licitatórios referentes ao início das
implantações das unidades da refinaria, a exemplo da Casa de Força, Estação de Tratamento de Água,
Tanques, Unidade de Coqueamento Retardado (UCR), Unidade de Destilação Atmosférica (UDA), além
do acompanhamento do contrato de terraplenagem (TC 009.758/2009-3).
4. Posteriormente, em 2010, já com o início da construção das unidades de processo da refinaria,
este Tribunal apontou indícios de sobrepreço em quatro contratos do empreendimento: UDA (Contrato
0800.0053456.09.2); UCR (Contrato 0800.0053457.09.2); Tubovias (Contrato 0800.0057000.10.2) e
UHDT-UGH (Contrato 0800.0055148.09.2). Na oportunidade, foi apontando relevante sobrepreço de R$
1,3 bilhão no orçamento desses quatro contratos. Tal irregularidade foi classificada, por meio do
Acórdão 3.362/2010-TCU-Plenário (Min. Relator Benjamin Zymler), como grave com recomendação de
paralisação (IG-P).
5. Em face da materialidade do sobrepreço e do estágio inicial das obras, o TCU comunicou à
Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional (CMO) que o
indício de irregularidade detectado se enquadrava no disposto no inciso IV do § 1º do art. 94 da Lei
12.017/2009 (LDO/2010), ou seja, indicou ao Congresso a clara necessidade de bloqueio dos recursos
orçamentários até que fossem sanadas as falhas, de forma a minimizar a magnitude dos prejuízos.
183

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

6. Em oposição à indicação do TCU, o Governo Federal entendeu por bem não interromper as
previsões de investimentos orçamentários nas obras de implantação da Refinaria Abreu e Lima. Desta
forma, os prejuízos ao erário então alardeados (dissecados no decorrer do devido processo legal no
âmbito administrativo), foram de fato consumados no decorrer da execução das obras, implicando
diretamente em partes significantes dos danos descortinados com a Operação Lava Jato quatro anos
depois.
7. Destaca-se que, por ocasião do Fiscobras/2011 e do Fiscobras/2012, o TCU ratificou a
indicação de IG-P aos contratos, tendo em vista a não adoção de quaisquer medidas saneadoras por
parte da Petrobras, tampouco terem sido oferecidas garantias suficientes à cobertura integral dos
supostos prejuízos potenciais ao erário, conforme previsto nas respectivas leis de diretrizes
orçamentárias.
8. Em 2013, diante do não bloqueio orçamentário por parte do Governo Federal e do avançado
estágio de execução física dos contratos Rnest, o TCU reclassificou os indícios de irregularidades graves
com recomendação de paralisação (IG-P) para irregularidades graves com recomendação de
continuidade (IG-C), remetendo a análise do sobrepreço para cada processo autuado para esse fim
(Acórdão 572/2013-TCU-Plenário, Min. Relator Benjamin Zymler).
9. Em contexto atual, os prejuízos então apontados redundaram na abertura de tomadas de contas
especiais específicas para quantificar em amiúde os danos e identificar os responsáveis em face da lesão
aos cofres da Petrobras. Destaca-se que parte desses apartados já se encontra em fase de citação.
10. Esse resumo histórico se faz importante para delinear o quadro fático de conhecimento que os
funcionários da companhia e mesmo a sua alta cúpula detinham sobre os riscos de prejuízo aos cofres da
estatal, precipuamente nos últimos oito anos.
11. Não bastasse os apontamentos de irregularidades em auditorias realizadas pelo TCU, a
denominada “Operação Lava Jato”, desde 2014, vem desvelando de forma cada vez mais contundente o
ambiente de formação de cartel e de corrupção entre as empreiteiras para proveito ilícito nos
investimentos da Petrobras, bem como o direcionamento e fraude às licitações da estatal.
12. Os desdobramentos da “Operação Lava Jato” e julgados do Juiz titular da 13ª Vara da Justiça
Federal em Curitiba/PR, além de decisões em 2ª instância do Tribunal Federal da 4ª Região (TRF-4,
Porto Alegre), atestaram a existência de esquema criminoso envolvendo cartel, fraude à licitação,
pagamento de propinas a agentes públicos e lavagem de dinheiro a partir de obras da Petrobras, entre
elas as da Rnest. Dessa forma, esta unidade técnica representou à esta Corte de Contas (peça 42) com
vistas à apuração das consequências administrativas advindas de fraudes relativas a licitações de cinco
obras da Refinaria do Nordeste.
13. Ressalta-se que, conforme notícias veiculadas na mídia nacional, por exemplo a matéria do
Jornal do Brasil de dezembro/1993, apresentada na Figura 1 abaixo, esse modus operandi de
cartelização e corrupção remonta a décadas. Essa matéria resgatada por esse mesmo jornal em
22/3/2017, após o TCU declarar a inidoneidade de algumas empresas envolvidas em esquema de conluio
e corrupção em Angra 3, se assemelha ao ocorrido no presente caso da Petrobras. Naquela matéria, são
citados os nomes das empresas envolvidas nos ilícitos àquela época – OAS, Queiroz Galvão, Andrade
Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht (peça 59).
Figura 1: Cópia digital de capa do Jornal do Brasil, de 2/12/1993
(...)
Fonte: cópia digital de jornal publicado à época.
14. Naquela época (1993), o TCU recebeu solicitação de auxílio do então Deputado Federal
Vivaldo Barbosa (TC 016.457/1993-5), membro da Comissão Parlamentar de Inquérito do Orçamento,
por meio de expediente no qual afirmava que “os trabalhos realizados [...] já demonstram claramente o
envolvimento de oito das maiores empreiteiras do País – TRATEX, QUEIROZ GALVÃO, ANDRADE
GUTIERREZ, CBPO, COWAN, C. R. ALMEIDA, SERVAZ E OAS”. A partir dessa solicitação, foi
prolatada a Decisão 497/1993-TCU-Plenário, Min. Relator Luciano Brandão, (peça 60), na qual o
Plenário desta Corte de Contas solicita ao deputado Federal que “envie ao TCU, através da Presidência
184

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

da CPI do Orçamento, cópia da documentação comprobatória ali reunida” para fins de declaração de
inidoneidade prevista no art. 46 da Lei 8.443/1992.
15. Em 1994, considerando as providências em andamento no TC 016.457/1993-5, decorrente da
solicitação do Deputado Federal Vivaldo Barbosa, após denúncia do Sindicato dos Servidores do Poder
Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União – SINDILEGIS – (TC 018.490/1993-0 e TC
018.491/1993-6), o TCU determinou a adoção de providência também em relação às empresas
NORBERTO ODEBRECHT, CONSTRAN, MENDES JUNIOR, EIT e CAMARGO CORREIA, conforme
item 2.1 da Decisão 075/1994-TCU-Plenário (peça 61, p. 5), Min. Relator Luciano Brandão.
16. Contudo, esses processos foram arquivados, por meio da Decisão 509/1995-TCU-Plenário
(peça 62), Rel. Min. Iram Saraiva, em razão da instauração de outros 37 processos autônomos, conforme
Voto do Min. Relator.
17. Mais recentemente, por meio do Acórdão 1.583/2016-TCU-Plenário (peça 49), de Relatoria do
Exmo. Min. Benjamin Zymler, o Tribunal conheceu da representação da qual este processo constitui
apartado, determinando, com fundamento no art. 46 da Lei 8.443/1992 (subitem 9.2.1 do Acórdão
1.583/2016-TCU-Plenário), a oitiva das empresas relacionadas, alertando-as da possibilidade de serem
declaradas inidôneas para participar, por até cinco anos, de licitações na Administração Pública
Federal, nos seguintes termos:
‘9.1. conhecer da presente representação, satisfeitos os requisitos de admissibilidade previstos nos
arts. 86, inciso II, da Lei 8.443/1992 c/c 237, inciso VI, e parágrafo único, do Regimento Interno deste
Tribunal;
9.2. em razão de irregularidades vinculadas às seguintes contratações referentes à Refinaria de
Abreu e Lima – Rnest:
a) implantação de quatro conjuntos de instalações: Unidade de Coqueamento Retardado (UCR),
Unidades de Hidrotratamento de Diesel e de Nafta (UHDT) e Unidade de Geração de Hidrogênio
(UGH), Tubovias de Interligações e Unidade de Destilação Atmosférica (UDA);
b) execução das obras de terraplenagem;
9.2.1. realizar, com fulcro no art. 46 da Lei 8.443/1992, a oitiva das empresas relacionadas a
seguir para que se manifestem, no prazo de até quinze dias, sobre as condutas abaixo indicadas,
alertando-as que, caso confirmada a ocorrência de fraude à licitação, poderá ser declarada sua
inidoneidade para participar, por até cinco anos, de licitação na Administração Pública Federal:
Empresas: Construtora Norberto Odebrecht S.A./Odebrecht Plantas Industriais e Participações
S.A., Construtora OAS S.A., Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A., Construtora Andrade
Gutierrez S.A., Construtora Queiroz Galvão S.A., Engevix Engenharia S.A., Iesa Óleo & Gás S/A.,
Mendes Júnior Trading e Engenharia S.A., MPE Montagens e Projetos Especiais S.A., Toyo Setal
Empreendimentos Ltda., Skanska Brasil Ltda., Techint Engenharia e Construção S.A., UTC Engenharia
S.A., GDK S.A., Promon Engenharia Ltda. e Galvão Engenharia S.A.
Irregularidade: Conluio entre as empresas e fraude às licitações mediante as seguintes condutas:
a) combinação de preços, b) quebra de sigilo das propostas, c) divisão de mercado, d) oferta de
propostas de cobertura para justificar o menor preço ofertado, e) combinação prévia de resultados e
consequente direcionamento das licitações e f) ausência de formulação de proposta para beneficiar a
empresa escolhida pelo cartel;’ (grifos acrescidos)
18. Ainda nesse Acórdão 1.583/2016-TCU-Plenário, por meio do subitem 9.2.2, com fundamento
nos art. 43, inciso II; 58, inciso II, ambos da Lei 8.443/1992, e art. 250, inciso IV, do Regimento Interno
do TCU, foi determinada a audiência dos Srs. Paulo Roberto Costa, Renato de Souza Duque, e Pedro
José Barusco Filho, incluindo o alerta acerca da possibilidade de aplicação de inabilitação para o
exercício de cargo em comissão ou função de confiança no âmbito da Administração Pública, além de
multa.
19. Esclarece-se que os débitos alusivos aos contratos citados no item 9.2 do acórdão supracitado,
como mencionado alhures, estão sendo apurados em processos de tomada de contas especiais (TCE)
específicos, com a devida identificação dos respectivos responsáveis.
185

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

20. Já foram confirmados os superfaturamentos de R$ 1,004 bilhão no contrato da UHDT-


UGH/Rnest, de R$ 429 milhões no contrato da UDA/Rnest, conforme Acórdão 2.109/2016-TCU-Plenário
(TC 000.168/2016-5, Min. Relator Benjamin Zymler), e de R$ 682 milhões no contrato de
Tubovias/Rnest, Acórdão 2.428/2016-TCU-Plenário (TC 004.038/2011-8, Min. Relator Benjamin
Zymler), ambos os processos estão em fase de citação. Já no contrato da UCR/Rnest, foi apontado o
sobrepreço de R$ 522 milhões, Acórdão 3.362/2010-TCU-Plenário (TC 027.542/2015-7, Min. Relator
Benjamin Zymler). Já o sobrepreço apontado no contrato de terraplenagem somou R$ 69,5 milhões,
conforme abordado no Acórdão 2.290/2013-TCU-Plenario (TC 008.472/2008-3, Min. Relator Valmir
Campelo). Até aqui, o prejuízo à estatal foi estimado em um total de R$ 2,7 bilhões, a valores históricos,
apenas nesses cinco contratos.
21. Os ofícios de comunicação do TCU acerca da oitiva e da prorrogação de prazo, os
comprovantes de ciência, e as respectivas manifestações do responsável constam das peças especificadas
na Tabela 1 a seguir:
Tabela 1: Relação de peças de ofícios de comunicação e manifestação dos responsáveis
Peça Natureza Responsável Ciência Prorrogação Manifestação
71* Oitiva Pedro José Barusco Filho 102*/237* 196* 54
* Fonte: os números das peças originais constam do processo TC 016.119/2016-9 (peça 295)
22. Registre-se que, após análise preliminar das respostas às oitivas promovidas na representação
de origem, verificou-se que a empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A (CCCC),
diversamente das outras empresas, confirma a existência do conluio e admite sua participação em
fraudes às licitações da Rnest (peça 246 do TC 016.119/2016 9), esclarecendo ter celebrado acordos de
colaboração com as investigações em outras instâncias, a saber: Acordo de Leniência firmado com a
Força-Tarefa do Ministério Público Federal que integra a Operação Lava Jato; Termo de Compromisso
de Cessão de Prática celebrado com o Cade, com participação do MPF; e colaborações premiadas de
executivos da companhia.
23. Tendo em vista a celeridade processual que o caso requer e a complexidade das várias
manifestações dos responsáveis implicados, mediante Despacho (peça 60), o Exmo. Min. Relator
Benjamin Zymler autorizou a constituição de processos apartados para análise individualizada das
manifestações de cada responsável envolvido.
24. A presente instrução analisa as alegações do Sr. Pedro José Barusco Filho e avalia sua
participação no esquema de fraude às licitações da Rnest. O exame técnico acerca da participação das
demais empresas e responsáveis implicados no esquema fraudulento constará dos respectivos processos
apartados instaurados para esse fim, conforme Tabela 2 a seguir:
Tabela 2: Relação de processos apartados instaurados a partir do TC 016.119/2016-9
(...)
Fonte: peça 416 do TC 016.119/2016-9
EXAME TÉCNICO
25. O presente exame técnico avalia a participação do Sr Pedro José Barusco Filho no esquema de
fraude às licitações da Rnest, mormente nos contratos de: Unidade de Coqueamento Retardado (UCR),
Unidades de Hidrotratamento de Diesel e de Nafta (UHDT) e Unidade de Geração de Hidrogênio
(UGH), Tubovias de Interligações; Unidade de Destilação Atmosférica (UDA); e execução das obras de
terraplenagem.
26. Para facilitar o entendimento, o presente exame técnico constitui-se dos seguintes tópicos: (I)
Breve contextualização das irregularidades; (II) Das alegações do responsável e respectivas análises;
(III) Da responsabilização e individualização das condutas; e (IV) Da dosimetria da declaração de
inabilitação.
(I) Breve contextualização da irregularidade
27. Conforme apresentado na instrução inicial da representação (peça 42, p. 5-6), o conceito de
cartel está sedimentado na literatura especializada, sendo caracterizado pela coligação entre empresas
186

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

de mesma categoria, com o objetivo de obter vantagens indevidas por meio de supressão da livre
concorrência e sobre-elevação artificial de preços, assemelhando-se ao controle de mercado alcançado
em uma situação de monopólio.
28. Segundo a Secretaria de Direito Econômico – SDE/MJ, a experiência internacional demonstra
que as empresas participantes de cartéis em licitações públicas utilizam-se das seguintes estratégias:
propostas fictícias ou de cobertura (“cover bidding”); supressão de propostas (“bid suppression”);
propostas rotativas ou rodízio (“bid rotation”); divisão do mercado (“market allocation” ou “market
division”); e subcontratação. Estratégias essas que se apresentam, em sua maioria, descritas nas
atuações do grupo de empresas para, em conluio, direcionar e fraudar licitações no âmbito da
Petrobras, inclusive em licitações para a implantação da Rnest.
29. As empresas, por meio de ajuste prévio, definiam em conluio qual delas seria a vencedora do
certame, as demais empresas apresentavam propostas com valores acima do limite aceitável pela
Petrobras, com intuito de acobertar a fraude ao processo licitatório, ou se abstinham de participar do
certame, conforme devidamente comprovado por meio das provas compartilhadas com o TCU, oriundas
da “Operação Lava Jato”, devidamente explicadas e referenciadas na instrução inicial da representação
(peça 42, p. 6-38).
30. O êxito do esquema era garantido por diretores da estatal, mediante recebimento de vantagem
financeira indevida (propina), conforme descrito na instrução inicial da representação (peça 42, p. 17-
18).
31. Maiores detalhes sobre os conceitos de cartel e conluio podem ser vistos na representação
original (peça 42).
(II) Das alegações do responsável e respectivas análises
32. Por meio do Acórdão 1.583/2016-TCU-Plenário (peça 49), Min. Relator Benjamin Zymler, o
TCU conheceu da representação e determinou, com fundamento nos arts. 43, inciso II; 58, inciso II; 60
da Lei 8.443/1992 e 250, inciso IV, do Regimento Interno do TCU audiências das pessoas físicas
relacionadas, entre elas o Sr. Pedro José Barusco Filho, por fraude comprovada à licitação em contratos
especificados nas obras da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), mediante conluio entre as empresas, para
prática das seguintes condutas: combinação de preços, quebra de sigilo das propostas, divisão de
mercado, oferta de propostas de cobertura para justificar o menor preço ofertado, combinação prévia de
resultados e consequente direcionamento das licitações, e ausência de formulação de proposta para
beneficiar a empresa escolhida pelo cartel, alertando-as da possibilidade de serem declaradas inidôneas
para participar, por até cinco anos, de licitações na Administração Pública Federal, nos termos do
subitem 9.2.1 desse acórdão, já transcrito no histórico acima.
33. As condutas do responsável foram: utilização da prevalência hierárquica e funcional para,
deliberadamente, facilitar o funcionamento do cartel e o direcionamento das contratações às empresas
cartelizadas; antecipação de cronograma da entrada em operação da refinaria, o que gerou
contratações sem projetos básicos suficientemente maduros e facilitou a atuação do cartel;
compartilhamento de informações sigilosas ou restritas com as empresas integrantes do Cartel;
direcionamento do certame, mediante a escolha das empresas a serem convidadas, consoante seleção
efetuada pelo “Clube”; alteração de percentuais da fórmula de reajuste de preços por sugestão de
empresas licitantes, em prejuízo econômico direto aos cofres da Petrobras, e viabilizador de pagamentos
irregulares a terceiros no decorrer da execução das avenças; injustificada não-inclusão de novos
concorrentes após o cancelamento de um procedimento licitatório por preços excessivos.
(II.1) Da manifestação do Sr. Pedro José Barusco Filho
34. O responsável expõe (peça 54) que celebrou acordo de colaboração premiado com o Ministério
Público Federal do Paraná (MPF/PR) e do Rio de Janeiro (MPF/RJ). Afirma que nesses acordos teria
prestado todos os esclarecimentos sobre os fatos suscitados na presente representação e detalhado todas
as nuances dos procedimentos, além de ter entregue documentos comprobatórios. Por fim, o responsável
assevera que devolveu integralmente os valores recebidos por meio de propina.
187

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

35. Adicionalmente, o responsável apresenta que prestou diversos depoimentos e esclarecimentos


perante os Juízos da 13° Vara Criminal Federal de Curitiba e da 3° Vara Criminal Federal do Rio de
Janeiro/RJ e na Polícia Federal, assim como testemunhou em diversos procedimentos criminais perante
essas doutas Varas e que esses termos estão disponíveis nesses Juízos.
36. Por fim o representante se coloca à disposição do Tribunal para quaisquer esclarecimentos
adicionais necessários e anexa às suas razões de justificativa o Acordo de Colaboração celebrado com o
Ministério Público do Paraná, o Acordo de Colaboração celebrado com o Ministério Público do Rio de
Janeiro, as Decisões de Homologações dos Acordos celebrados com o Ministério Público do Rio de
janeiro e do Paraná e os termos de Declaração dos Acordos celebrados com o Ministério Público do Rio
de janeiro e do Paraná.
Análise
37. Como se vê, o responsável admite a prática dos atos apontados na representação, eivados de
graves infrações à normas legais e regulamentares de naturezas contábil, financeira, orçamentária,
operacional e patrimonial.
38. Além disso, o responsável tinha ciência do funcionamento de um cartel de empreiteiras em
detrimento da Petrobras e, cooptado por pagamentos de propinas, manteve-se conivente e omitiu-se no
dever que decorria de seu ofício, sobretudo o dever de imediatamente informar irregularidades e adotar
as providências cabíveis em seu âmbito de atuação.
(III) Da responsabilização e individualização das condutas
Responsável: Pedro José Barusco Filho (CPF 987.145.708-15) – Gerente Executivo de Engenharia
da Petrobras.
Conduta: viabilizar a atuação do cartel mediante o recebimento de propina e, em especial, por
meio de: utilização da prevalência hierárquica e funcional para, deliberadamente, facilitar o
funcionamento do cartel e o direcionamento das contratações às empresas cartelizadas; antecipação de
cronograma da entrada em operação da refinaria, o que gerou contratações sem projetos básicos
suficientemente maduros e facilitou a atuação do cartel; compartilhamento de informações sigilosas ou
restritas com as empresas integrantes do cartel; direcionamento do certame, mediante a escolha das
empresas a serem convidadas, consoante seleção efetuada pelo “Clube”; alteração de percentuais da
fórmula de reajuste de preços por sugestão de empresas licitantes, em prejuízo econômico direto aos
cofres da Petrobras, e viabilizador de pagamentos irregulares a terceiros no decorrer da execução das
avenças; injustificada não-inclusão de novos concorrentes após o cancelamento de um procedimento
licitatório por preços excessivos. Essas condutas infringiram o disposto nos arts. 37, caput e inciso XXI,
170, inciso IV e 173, §1º, inciso III, todos da Constituição Federal (CF/1988), bem como no item 1.2 do
Decreto 2.745/1998, configurando fraude comprovada à licitação para fins do disposto no art. 60 da Lei
8.443/92.
Nexo de causalidade: As práticas adotadas pelo responsável resultaram em: fraudes às licitações;
restrição à competitividade; contratações de empresas e consórcios por valores acima daqueles que
seriam praticados em ambiente competitivo e prejuízo à transparência e ao controle social.
39. O Sr. Pedro José Barusco Filho foi gerente de Tecnologia de Instalações da Petrobras, entre
1995 e 2003, de onde saiu para assumir o cargo de Gerente Executivo de Engenharia, até 2011. O
primeiro pagamento de propina que Barusco afirma ter participado diz respeito a dois contratos
firmados com a empresa holandesa SBM, em 1997 ou 1998. Barusco declarou que foi envolvido no
esquema porque os contratos exigiam sua participação técnica.
40. Ainda de acordo com suas declarações, o recebimento de propinas se intensificou entre 2006 e
2011, devido ao alto volume de obras de grande porte.
41. A participação do responsável, juntamente com os demais responsáveis e empresas citados à
Tabela 2, acima, implicados no bojo do processo de representação original (TC 016.119/2016-9), foi
confirmada pelas investigações da Operação Lava Jato, conforme sentenças condenatórias da 13ª Vara
Federal de Curitiba/PR (peças 9 a 14).
188

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

42. Essa participação também é evidenciada nas ações por ato de improbidade administrativa
proposta pelo Ministério Público Federal (peças 3 a 8, 45 e 46).
43. No Histórico de Conduta do Cade, referente ao Acordo de Leniência firmado junto ao Cade, a
empresa SOG Óleo e Gás, signatária do acordo, confirma atuação das empresas (peça 31, p. 1), em
conluio, para burlar processos licitatórios da Petrobras, caracterizando fraude à licitação da estatal.
44. Reforçando o conjunto probatório da ocorrência de fraude comprova às licitações para as
obras da Rnest especificadas nesta Instrução, a representação se baseou ainda nas seguintes evidências
probatórias: Laudos de Perícia Criminal da Polícia Federal 2400/2015-SETEC/SR/DPF/PR (peças 26 a
29) e 0777/2015-SETEC/SR/DPF/PR (peça 47); Relatório de apuração da Petrobras sobre licitações na
Rnest (peça 16 e 17); depoimentos e termos de colaboração (peças 18 a 20, 23 a 25, 30 a 34, e 48);
Denúncias oferecidas pelo MPF-PR (peças 15, 21 e 22, e 36 a 41); e Auto de Apreensão 1117/2014 da
Polícia Federal (peça 35) contendo planilhas e regramentos apreendido na sede da empresa Engevix
referentes à organização do esquema criminoso.
45. A manifestação da empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. (CCCC), em
resposta à oitiva realizada, confirma todas as declarações e provas produzidas por ela no âmbito dos
acordos firmados com o Cade (peça 246, p. 47 232, do TC 016.119/2016-9) e com o MPF (peça 246, p.
34-46, do TC 016.119/2016-9). A CCCC “(...) admite ter participado de conluio (...)” (peça 246, p. 6-7,
do TC 016.119/2016-9), ratificando as provas já carreadas nestes autos.
46. A título de exemplificação, o Sr. Pedro José Barusco Filho, ex-Gerente de Serviços da Diretoria
de Serviços da Petrobras, em seu Termo de Colaboração Premiada 5 (Peça 20, p. 2), afirmou a
existência do conluio para direcionar os convites da Petrobras às empresas do cartel ou simpatizantes,
fraudando a finalidade concorrencial dos certames da estatal:
‘QUE afirma a atuação do cartel na PETROBRAS já se dava há muito tempo, mas foi facilitada a
partir de 2006 até 2011, em razão do grande volume de obras de grande porte, sendo que o critério
técnico de seleção das empresas das Petrobras costumava sempre indicar as mesmas empresas do cartel
e outras que eram 'simpatizantes', o que proporcionava as ações do cartel no sentido de dividir entre si
as obras; QUE as empresas que compunham uma espécie de 'núcleo duro' do cartel eram em torno de 14
(quatorze), isto é, a CAMARGO CORRÊA, a ANDRADE GUTIERREZ, a ODEBRECHT,
SETAL/SOG - ÓLEO E GÁS, a OAS, a UTC, a SKANSKA, a PROMON ENGENHARIA, a
TECHINT, a QUEIROZ GALVÃO, a ENGEVIX, a MENDES JÚNIOR, a SHAIN e a MPE; QUE
essas eram as empresas mais convidadas, as mais atuantes dentro da PETROBRAS;’ (sem grifos no
original)
47. O senhor Alberto Youssef, em seu interrogatório na ação penal 5026212-82.2014.404.7000
(peça 30, p. 38), detalhou como as empresas acertavam previamente o vencedor do certame:
‘Ministério Público Federal: - O senhor pode afirmar então que elas se reuniam? Os executivos
dessas empresas confidenciaram alguma vez pro senhor essas reuniões?
Interrogado: - Sim, com certeza.
Ministério Público Federal: - E, e como funcionava daí, depois que elas definissem a empresa que
seria a vencedora pra um determinado certame, elas passavam esse nome pro senhor ou ao senhor Paulo
Roberto Costa?
Interrogado: - Era entregue uma lista das empresas que ia participar do certame e nessa lista já
era dito quem ia ser, quem ia ser a vencedora. Essa lista era repassada pro Paulo Roberto Costa.
Ministério Público Federal: - Em qual momento era repassada essa lista?
Interrogado: - Logo que, que ia se existir os convites.’ (grifos originais alterados e acrescidos)
48. O Senhor Pedro José Barusco Filho, em seu Termo de Colaboração 05 (peça 20, p. 3), também
declarou ocorrência de cartel e fraude às licitações da Rnest, inclusive com violação do sigilo das
empresas a serem convidadas, corroborando o depoimento do Sr. Alberto Youssef acima, nos seguintes
termos:
‘(...) QUE neste caso da RNEST houve claro superfaturamento; QUE indagado sobre como
concluiu que havia cartel na PETROBRAS, afirma que a ação das empresas ‘era orquestrada’ no
189

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

sentido de que havia uma organização entre elas acerca de qual licitação seria vencida por cada uma
delas; QUE quase sempre as mesmas empresas eram convidadas; QUE indagado se recebeu lista prévia
das empresas cartelizadas para definição de quais deveriam ser convidadas dentro do procedimento
licitatório, afirma que houve um fato específico, em maio ou abril de 2008, antes de se iniciar processos
licitatórios para obras na RNEST, em que o declarante foi procurado por ROGÉRIO ARAÚJO, Diretor
da ODEBRECHT, o qual apresentou uma lista manuscrita à caneta ou impressa contendo relação de
empresas que deveriam ser convidadas para as licitações dos grandes pacotes de obras da RNEST;
QUE ROGÉRIO disse na ocasião que já havia acertado, definido com PAULO ROBERTO COSTA, à
época Diretor de Abastecimento, a lista de empresas que iriam participar; QUE afirma que leu a lista e
nela constavam grande parte das 14 (quatorze) empresas acima referidas integrantes do ‘núcleo duro’
do cartel;’ (sem grifos no original)
49. Confirmando as evidências exemplificadas acima, no âmbito do Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade) foi formalizado acordo de leniência com empresa envolvida no cartel (Setal
Engenharia e Construções e SOG Óleo e Gás). O acordo descreve a "prática de condutas
anticompetitivas no mercado de obras de montagem industrial 'onshore' no Brasil, em licitações da
Petrobras" (peça 31, p. 1) por meio do documento "Histórico de Conduta", principalmente nas grandes
obras da Rnest (peça 31, p. 25-26).
‘(...) Segundo os Signatários, a partir de 2003/04 nove empresas formaram um
‘CLUBE’/‘Grupo’/‘Mesa’, e combinaram de não competir entre si nas licitações da Petrobras. O ajuste
consistia em as empresas sinalizarem entre si opções de escolha, dentro do programa de obras da
Petrobras, daquelas obras que lhes fossem mais adequadas, de modo a chegarem a um acordo para que
as demais não ‘atrapalhassem’ sua respectiva vitória quando o edital da licitação fosse publicado. (...)
(...) As 09 (nove) empresas pertencentes ao ‘Clube das 9) eram: (i) Camargo Corrêa S/A, (ii)
Construtora Andrade Gutierrez S/A, (iii) Construtora Norberto Odebrecht S/A (CNO), (iv) Mendes
Junior Trading Engenharia (MJr), (v) MPE Montagens e Projetos Especiais S/A, (vi) Promon S.A, (vii)
Setal, (viii) Techint engenharia e Construção S/A e (ix) UTC Engenharia S.A (Utratec).’ (grifos alterados
e acrescidos)
50. Consta do "Sumário Executivo” desse “Histórico de Conduta” que as "condutas
anticompetitivas consistiram em acordos de (i) fixação de preços, condições, vantagens e abstenção de
participação, e (ii) divisão de mercado entre concorrentes, em licitações públicas de obras de montagem
industrial 'onshore' da Petrobras no Brasil.". Ele apresenta ainda uma relação de empresas membros do
grupo cartelizado, incluindo a CCCC (peça 31, p. 1):
‘As empresas participantes da conduta anticompetitiva, durante o chamado ‘Clube das 9’, foram:
(i) Camargo Corrêa S/A, (ii) Construtora Andrade Gutierrez S/A, (iii) Construtora Norberto Odebrecht
S/A, (iv) Mendes Junior Trading Engenharia, (v) MPE Montagens e Projetos Especiais S/A, (vi)
Promon S/A, (vii) Setal/SOG Óleo e Gás, (viii) Techint Engenharia e Construção S/A e (ix) UTC
Engenharia S/A. Em seguida, com a ampliação do grupo e a criação do chamado ‘Clube das 16’, as
empresas que também passaram a ser participantes da conduta anticompetitiva foram: (x) Construtora
OAS S/A, (xi) Engevix Engenharia, (xii) Galvão Engenharia S/A, (xiii) GDK S/A, (xiv) lesa Óleo e Gás,
(xv) Queiroz Galvão Óleo e Gás e (xvi) Skanska Brasil Ltda. (...)’ (Grifos acrescidos)
As empresas participantes da conduta anticompetitiva, durante o chamado ‘Clube das 9’, foram: (i)
Camargo Corrêa S/A, (ii) Construtora Andrade Gutierrez S/A, (iii) Construtora Norberto Odebrecht S/A,
(iv) Mendes Junior Trading Engenharia, (v) MPE Montagens e Projetos Especiais S/A, (vi) Promon S/A,
(vii) Setal/SOG Óleo e Gás, (viii) Techint Engenharia e Construção S/A e (ix) UTC Engenharia S/A. Em
seguida, com a ampliação do grupo e a criação do chamado ‘Clube das 16’, as empresas que também
passaram a ser participantes da conduta anticompetitiva foram: (x) Construtora OAS S/A, (xi) Engevix
Engenharia, (xii) Galvão Engenharia S/A, (xiii) GDK S/A, (xiv) lesa Óleo e Gás, (xv) Queiroz Galvão
Óleo e Gás e (xvi) Skanska Brasil Ltda. (...) (Grifos acrescidos)
51. No item "VI.3.1.5. R-NEST (Refinaria Nordeste, Abreu e Lima/Pernambuco)" do citado
documento do Cade, encontra-se descrito que as empresas participantes do “Clube Vip” não aceitariam
190

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

a divisão de algumas obras da Rnest, e que as demais empresas do “Clube das 16” dariam propostas de
cobertura (Peça 31, p. 59-61):
‘(...) Previamente à realização da licitação da R-NEST, houve diversas reuniões do "Clube das
16" para decidir como dividir entre as empresas algumas das oportunidades de obras existentes em
2009, (...)
(...) Diante da existência de muitas empresas no “Clube das 16” e das dificuldades de se chegar a
um acordo para todas as licitações, os Signatários informam que Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade
Gutierrez e Queiroz Galvão (pertencentes ao “Club VIP”, sem a UTC nessa situação em específico)
informaram que não aceitariam a divisão de algumas obras dessa licitação, pois R-NEST seria a
prioridade delas. Informaram, também, que a R-NEST não seria contratada no modelo EPC, mas sim
apenas montagem.
(...) Diante disso, impuseram que as obras de maior valor, quais sejam, HDT (R$ 3.500.000), OFF
SITE (sinônimo de ‘interligações’ e de ‘tubovias’) (R$ 2.400.000), UCR (sinônimo de ‘COQUE’)
(R$ 3.500.000) e UDAV (sinônimo de ‘destilação’) (R$ 1.400.000), seriam apenas dessas quatro
empresas. Ao final, os Signatários informam que decidiu-se pela seguinte divisão das obras de maior
valor:
a. HDT seria da Odebrecht (que posteriormente convidou a OAS para participar do consórcio);
b. UDA seria da Odebrecht (que posteriormente convidou a OAS para participar do consórcio);
c. OFF SITE seria da Queiroz Galvão (que posteriormente convidou a Iesa para participar do
consórcio); e
d. UCR seria da Camargo Corrêa (que posteriormente convidou a CNEC para participar do
consórcio).
(...) Nessas licitações, as demais empresas do ‘Clube das 16’ formariam consórcios para oferecer
propostas de cobertura, a fim de que as empresas acima indicadas vencessem os maiores pacotes e obras
da R-NEST. A Signatária, por exemplo, se comprometeu a oferecer proposta de cobertura para as
licitações em pelo menos dois pacotes de obras.’ (Grifos acrescidos)
52. O ajuste prévio das empresas é evidenciado também por meio de uma tabela apreendida na
sede da empresa Engevix Engenharia (peça 28, p. 2), de 11/6/2008, em que consta a divisão das obras,
estabelecendo a cargo de qual empresa seria destinada cada obra da Rnest, conforme bem explicado na
Instrução de Representação (peça 42, p. 13-14):
191

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

53. A íntegra das planilhas apreendidas pela Polícia Federal está apresentada no Auto de
Apreensão 1117/2014 (peça 35). Destaca-se aqui as planilhas de distribuição das obras que seriam
licitadas pela Petrobras para implantação das refinarias Rnest, Repar e Comperj (peça 35, p. 12-13).
54. Além da definição prévia da distribuição das obras, os Diretores da Petrobras Pedro Barusco,
Renato Duque e Paulo Roberto Costa tinham conhecimento prévio das empresas que seriam convidadas
e agiam para alterar essa lista de convidadas em favor do grupo cartelizado, conforme declara Augusto
Mendonça, em seu Termo de Colaboração Complementar 02, transcrito na Ação Civil Pública por Ato
de Improbidade Administrativa 5006628-92.2015.4.04.7000 (peça 3, p. 14):
‘(...) QUE questionado acerca da entrega de lista ou sobre o modo como as empresas do CLUBE
faziam para que apenas elas fossem convidadas pela PETROBRAS, o depoente informou que a
interlocução do CLUBE com PEDRO BARUSCO, RENATO DUQUE e PAULO ROBERTO COSTA se
dava sobretudo por intermédio de RICARDO PESSOA, representante da UTC que ocupava a presidência
da ABEMI, e por isso tinha justificativa para ter acesso frequente aos dirigentes da estatal; QUE ao que
tem conhecimento, RICARDO PESSOA intercedia junto aos diretores da estatal para que apenas as
empresas do CLUBE fossem convidadas, tendo conhecimento que antes de os convites fossem
formalizados pela PETROBRAS era necessário obter a aprovação dos diretores diretamente envolvidos,
no caso das refinarias, os Diretores RENATO DUQUE e PAULO ROBERTO COSTA, os quais ficavam
como o encargo de submeter o procedimento ao colegiado da diretoria; QUE no interregno entre o
recebimento do procedimento licitatório e sua submissão ao colegiado da diretoria, os Diretores
obtinham o conhecimento das empresas que seriam convidadas e tinha o poder de alterar a lista das
convidadas para atender os interesses do CLUBE; que para contemplar os interesses do CLUBE
chegaram a incluir ou até, com base em argumentos técnicos, excluir empresas que seriam convidadas,
todavia com a real finalidade de favorecer as empresas do CLUBE; QUE, por vezes, a influência dos
referidos DIRETORES ocorria em etapas anteriores ao recebimento formal do recebimento do processo
licitatório para encaminhamento à aprovação do colegiado de diretores, que era concretizada meio DIP
(...)’ (sem grifos no original)
55. O Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, no Termo de Colaboração 01 (peça 34, p. 5),
também declara a existência de reuniões das empresas cartelizadas e de listas de empresas a serem
convidadas para licitações na Petrobras, entregues ao Sr. Renato Duque, conforme transcrição abaixo:
192

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

‘QUE o papel do coordenador, que sempre foi desempenhado por RICARDO PESSOA ao longo do
funcionamento do ‘CLUBE’, era o de organizar as reuniões, era ele quem convocava os representantes
das empresas para as reuniões, entregava as listas para RENATO DUQUE e estabelecia contato direto
com ele;’ (sem grifos no original)
56. Portando, resta comprovada a ocorrência de fraudes nas licitações conduzidas pela Petrobras,
relacionadas a certames para obras de implantação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), mediante conluio
entre as empresas para a prática das seguintes condutas: combinação de preços, quebra de sigilo das
propostas, divisão de mercado, oferta de propostas de cobertura para justificar o menor preço ofertado,
combinação prévia de resultados e consequente direcionamento das licitações, e ausência de formulação
de proposta para beneficiar a empresa escolhida pelo cartel.
57. Também resta demonstrada a participação do Sr. Pedro José Barusco Filho no esquema
fraudulento acima referido.
58. Em face do exposto, conclui-se que a conduta é reprovável, devendo acarretar, no mérito, a
declaração de inabilitação do Sr. Pedro José Barusco Filho para o exercício de cargo em comissão ou
função de confiança no âmbito da Administração Pública, com fundamento no art. 60, da Lei 8.443/1992,
conforme dosimetria a seguir.
(IV) Da prescrição da pretensão punitiva
59. Por fim, cabe observar as repercussões para o caso concreto do debate acerca da prescrição
da pretensão punitiva exercida pelo TCU.
60. Recentemente, o Info Conjur 2, de 27/03/2018, apresentou comentários quanto ao julgamento
do MS 32.201, pelo STF, 1ª Turma, de relatoria do Ministro Roberto Barroso, em que a controvérsia
girou em torno da prescrição da pretensão punitiva no âmbito do TCU.
61. De acordo com o Ministro Barroso, embora a Lei Orgânica do TCU (Lei 8.443/92) não preveja
prazo prescricional, “é praticamente incontroverso o entendimento de que o exercício da competência
sancionadora do TCU é temporalmente limitado”.
62. No caso concreto, MS 32.201, tratava-se de conduta omissiva e o Ministro Barroso considerou
como termo inicial da prescrição a data em que o impetrante deixou o cargo de Superintendente do
INCRA/MS. Assim procedeu o relator por aplicação do caput do art. 1º da Lei 9.873/99, que estabelece
como termo inicial “data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em
que tiver cessado”. Nas palavras do relator: “Considerando que a conduta imputada ao impetrante
possui natureza omissiva, a infração deve ser tida como permanente, somente tendo cessado com a
exoneração do impetrante do cargo, o que ocorreu com a publicação da respectiva portaria em
13.02.2003. Este é, portanto, o termo inicial da prescrição”.
63. No âmbito do TCU, por meio do Acórdão 1.441/2016-Plenário, cujo redator foi o Ministro
Walton Alencar Rodrigues, fixou-se entendimento de que a pretensão punitiva, nesta corte de contas,
subordina-se ao prazo geral indicado no art. 205 do Código Civil, 10 anos, contado a partir da data da
ocorrência da irregularidade. Restou decidido, ainda, que o ato que ordena citação, audiência ou oitiva
interrompe a prescrição. Não houve, no entanto, manifestação quanto ao início da contagem do prazo no
caso de condutas omissivas.
64. De forma integrativa, adota-se, na presente instrução, a interpretação do STF quanto ao início
da contagem do prazo para condutas omissivas, que têm caráter permanente. No mais, usa-se o
entendimento do TCU quanto ao prazo prescricional e os motivos de interrupção.
65. No presente caso concreto, a data de desligamento do responsável da Petrobrás foi 08/04/2011.
O recebimento do ofício que determinou a audiência, por sua vez, ocorreu em 12/07/2016 (Tabela 1,
acima). Portanto, resta preservada a pretensão punitiva por parte desta Corte de Contas, visto que a
prescrição só alcança atos praticados até 11/07/2006.
(V) Da dosimetria da sanção de declaração de inabilitação
66. Conforme exposto no exame técnico acima, restou comprovado que o Sr. Pedro José Barusco
Filho participou ativamente de fraudes em licitações da Rnest, por viabilizar a atuação do citado cartel,
mediante o recebimento de propina e, em especial, por meio de das seguintes condutas: utilização da
193

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

prevalência hierárquica e funcional para, deliberadamente, facilitar o funcionamento do cartel e o


direcionamento das contratações às empresas cartelizadas; antecipação do cronograma de entrada em
operação da refinaria, o que gerou contratações sem projetos básicos suficientemente maduros e
facilitou a atuação do cartel; compartilhamento de informações sigilosas ou restritas com as empresas
integrantes do cartel; direcionamento do certame, mediante escolha das empresas a serem convidadas,
consoante seleção efetuada pelo “Clube”; alteração de percentuais da fórmula de reajuste de preços por
sugestão de empresas licitantes, em prejuízo econômico direto dos cofres da Petrobras, e viabilizador de
pagamentos irregulares a terceiros no decorrer da execução das avenças; injustificada não-inclusão de
novos concorrentes após o cancelamento de um procedimento licitatório por preços excessivos.
67. Esses atos ilícitos afrontaram de forma grave e continuada os ditames constitucionais
insculpidos nos arts. 37, caput e inciso XXI, 170, inciso IV e 173, §1º, inciso III. Houve afronta, em
especial, aos princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da igualdade de condições
aos concorrentes em processo licitatório. Ademais, infringiram o item 1.2 do Decreto 2.745/1998.
68. A fraude à licitação é ato ilícito que ofende de forma grave preceitos constitucionais da
Administração Pública, carecendo de sanção proporcional, de forma a punir o infrator e a repelir
intenções futuras de prática de tal ato faltoso. Nesse mesmo sentido é a Declaração de Voto do Min.
Relator Vital do Rêgo, que acompanha o Acórdão 348/2016-TCU-Plenário:
‘5. Aqueles que fraudam certames licitatórios com o objetivo de obter vantagens para si ou para
terceiros, atitude que não se coaduna com os valores da nossa sociedade, comportamento que não se
harmoniza com os princípios consagrados no nosso ordenamento jurídico, devem ter reprimenda
proporcional à gravidade de todas as irregularidades que vierem a ser por eles perpetradas em desfavor
da regra constitucional da licitação.’ (sem grifos no original)
69. Conforme bem pontuado pelo Exmo. Min. Relator, Vital do Rego, no Acórdão 348/2016-TCU-
Plenário, a fraude e o conluio de forma reiterada, burlando os princípios fundamentais da Administração
e ludibriando o controle, que, sem o poder de polícia para investigar, tem sua atuação limitada quanto à
produção de prova desses atos, merece tratamento rigoroso:
‘Constitui premissa lógica do sistema sancionatório o cumprimento integral de todas as sanções.
Isso porque, se alguém tem o dever legal de não praticar determinada conduta e, ainda assim, a pratica
mais de uma vez, viola a norma repetidas vezes, devendo suportar as consequências de cada
transgressão.
Nesse sentido, a lição de Fábio Medina Osório (in Direito Administrativo Sancionador. 2ª ed. São
Paulo: Editora Revista dos Tribunais, p. 412 e 414):
‘O concurso material de ilícitos está ligado ao princípio da igualdade. Não se pode tratar
igualmente os desiguais. Daí que o sujeito que comete vários ilícitos merece um tratamento
naturalmente mais rigoroso do que aquele que comete menor quantidade de infrações, se estamos
diante de infrações de mesma natureza.
(...) A soma dos prazos é, de certo modo, inevitável diante do concurso de ilícitos. O legislador fixa,
via de regra, prazos para ilícitos autônomos. Não veda o acúmulo material, que decorre da necessidade
de tratamento isonômico. Isto porque eventual interpretação que congelasse o patamar máximo dos
prazos de interdições ou suspensões de direitos feriria a igualdade de tratamento aos jurisdicionados ou
administrados, equiparando corruptos e administradores altamente desonestos a outros que atuam em
escalas e níveis distintos, ainda que reprováveis. Haveria um estímulo ao ilícito e às injustiças
decorrentes do rompimento do princípio isonômico’.’ (sem grifos no original)
70. Cabe destacar que a prática reiterada da fraude às licitações em análise neste processo
apartado e no processo de representação originário (TC 016.119/2016-9), a partir do qual serão
analisadas as responsabilidades das demais empresas e responsáveis implicados nos respectivos
processos apartados, abrange cinco processos de contratação vinculados às seguintes obras: Unidade de
Coqueamento Retardado (UCR); Unidades de Hidrotratamento de Diesel e de Nafta (UHDT) e Unidade
de Geração de Hidrogênio (UGH); Tubovias de Interligações; Unidade de Destilação Atmosférica
(UDA); e execução das obras de terraplenagem.
194

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

71. Portanto, considerando que o Tribunal de Contas da União vem atuando nesses contratos
desde 2008, período não abrangido pela prescrição, como acima exposto, apontando diversas
irregularidades graves, culminando na proposta de classificação de Irregularidade Grave com
Recomendação de Paralisação do fluxo financeiro para essas obras, em 2010, e correspondente
comunicação ao Congresso Nacional; considerando que a prática delituosa ocorreu de forma reiterada e
ampla nas licitações da Petrobras, não se tratando de incidência isolada; e considerando que a sanção
deve guardar proporção com a reiteração da prática, com a gravidade dos atos ilícitos, envolvendo
diversos meios fraudulentos para obtenção do êxito no crime perpetrado, com materialidade e com a
culpabilidade do agente envolvido; e de forma a garantir a função pedagógica e preventiva da sanção,
propugna-se por declarar a inabilitação do Sr. Pedro José Barusco Filho para o exercício de cargo em
comissão ou função de confiança no âmbito da Administração Pública, por 8 (oito) anos.
72. Contudo, há que se considerar que o Sr. Pedro José Barusco Filho prestou informações e
forneceu provas relevantes para a apuração das irregularidades, com confirmação de várias de suas
declarações. Além disso, renunciou em favor da Justiça criminal o produto do crime mantido no exterior,
o que garante a recuperação pelo menos parcial dos recursos públicos desviados.
73. Nesse sentido, propõe-se a aplicação da redução disposta no §2º do art. 16 da Lei 12.846/2013,
2/3.
74. Cabe observar que se trata de analogia, aplicação de legislação de um caso semelhante a uma
hipótese não regulada por lei, em matéria eminentemente penal, sanção. Por se tratar de hipótese in
bonam partem, ou seja, em benefício do apenado, essa analogia é perfeitamente admitida pela doutrina e
jurisprudência pátria.
75. Dessa forma, deve ser declarada a inabilitação do Sr. Pedro José Barusco Filho para o
exercício de cargo em comissão ou função de confiança no âmbito da Administração Pública, por 2
(dois) anos e 8 (oito) meses.
CONCLUSÃO
76. Tratam os autos de representação, com fundamento no art. 86, inciso II, da Lei 8.443/1992, c/c
art. 237, inciso VI, do Regimento Interno do Tribunal de Contas da União (RI-TCU), acerca de fraudes
em licitações conduzidas pela Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) relacionadas a licitações para as
obras de implantação da Refinaria Abreu e Lima, também denominada de Refinaria do Nordeste (Rnest),
em Ipojuca/PE, realizada no TC 016.119/2016-9.
77. Tendo em vista a celeridade processual que o caso requer e a complexidades das várias
manifestações dos responsáveis implicados, mediante Despacho (peça 60), o Exmo. Min. Relator
Benjamin Zymler autorizou a constituição de processos apartados para análise individualizada dessas
manifestações.
78. Destaca-se, no histórico, que o TCU realizou auditorias nessas obras da Rnest desde 2008,
apontando já naquela data diversas irregularidades, tais como: projeto básico deficiente;
superfaturamento decorrente de preços excessivos em relação ao mercado; ausência de assinatura de
termo aditivo; ausência de critério de aceitabilidade de preços máximos no edital; e inadequação ou
inexistência de critérios de aceitabilidade de preços unitários e global (TC 008.472/2008- 3).
79. As subsequentes auditorias do TCU, nos contratos UDA (Contrato 0800.0053456.09.2); UCR
(Contrato 0800.0053457.09.2); Tubovias (Contrato 0800.0057000.10.2) e UHDT-UGH (UHDT-
Unidades de Hidrotratamento de Diesel e de Nafta e UGH-Unidade de Geração de Hidrogênio, Contrato
0800.0055148.09.2), resultaram em apontamento de sobrepreço de R$ 1,3 bilhão. Tal irregularidade foi
classificada, por meio do Acórdão 3362/2010-TCU-Plenário, como grave com recomendação de
paralisação (IG-P), não acolhida pelo Governo Federal, que manteve o fluxo de recursos da União para
essas obras.
80. Em razão dos desdobramentos da “Operação Lava Jato”, demonstrando a ocorrência de
conluio entre as empresas e pagamento de propinas para fraudar as licitações da estatal, mormente às
grandes obras da Rnest, citadas no item acima, esta Secretaria Especializada representou junto a esta
Corte de Contas (peça 42) com vistas à apuração das consequências administrativas advindas da
195

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

referida fraude, acolhida por meio do Acórdão 1.583/2016-TCU-Plenário (TC 016.119/2016-9), de


Relatoria do Min. Benjamin Zymler, ficando os eventuais débitos para serem devidamente quantificados
e responsabilizados no âmbito das respectivas tomadas de contas especiais específicas, cujo prejuízo em
apenas cinco grandes contratos está estimado em R$ 2,7 bilhões, a valores históricos.
81. Após a realização das oitivas e recebimento das respectivas respostas, no TC 016.119/2016-9,
verificou-se que a empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A (CCCC), diferentemente das
outras 15 empresas implicadas no bojo daquele processo de representação originário, admitiu sua
participação nos atos ilícitos, juntando ao processo acordos de colaboração com as investigações em
outras instâncias, a saber: Acordo de Leniência firmado com a Força-Tarefa do Ministério Público
Federal que integra a Operação Lava Jato; Termo de Compromisso de Cessão de Prática celebrado com
o Cade, com participação do MPF. Razão pela qual, com autorização do Min. Relator Benjamin Zymler
(peça 311, do TC 016.119/2016-9), constituiu-se o processo TC 036.335/2016-8 para tratar, em
apartado, das manifestações da CCCC.
82. Posteriormente, considerando que o grupo Odebrecht teria formalizado acordo de leniência
com o Ministério Público Federal no Paraná em conjunto com o grupo de trabalho da “Operação Lava
Jato”, da Polícia Federal, bem como com a justiça dos Estados Unidos e Suíça, e das eventuais
implicações desses acordos nas análises deste processo, o Ministro Relator Benjamim Zymler decidiu
(peça 328, do TC 016.119/2016-9) por constituir processo apartado (TC 036.660/2016-7) para análise
das manifestações das empresas Odebrecht. Considerando o referido despacho do Min. Relator e o fato
de que o representante legal da empresa Construtora Andrade Gutierrez Engenharia S.A. teria declarado
(peça 145, p. 2, item 6, do TC 016.119/2016-9) a participação da empresa na formalização do acordo de
leniência com o Ministério Público Federal, homologado pelo juiz titular da 13ª Vara Federal de
Curitiba, o Secretário em exercício desta unidade técnica determinou, por meio de despacho (peça 352,
do TC 016.119/2016-9), a constituição de processo apartado (TC 003.299/2017-1) para análise das
manifestações da empresa Andrade Gutierrez.
83. Ainda, após análise perfunctória das manifestações dos responsáveis implicados no bojo do
processo de representação originário TC 016.119/2016-9, considerando que essas manifestações
demandariam extensas análises que, em razão do volume de informações, poderiam prejudicar a clareza
da instrução de mérito e a celeridade processual requerida no presente caso, o Min. Relator Benjamin
Zymler autorizou (peça 60), mediante provocação desta unidade técnica, a instauração de processos
apartados para as análises das manifestações dos respectivos responsáveis, razão pela qual este
processo (TC 013.397/2017-6) trata da manifestação do Sr. Pedro José Barusco Filho.
84. O Exame Técnico desta Instrução constituiu-se dos seguintes tópicos: (I) Breve
contextualização da irregularidade; (II) Das alegações do responsável e respectivas análises; (III) Da
responsabilização e individualização das condutas; e (IV) Da dosimetria da sanção de declaração de
inabilitação.
85. Quanto às irregularidades aqui tratadas, as empresas, por meio de ajuste prévio, definiam, em
conluio, qual delas seria a vencedora dos certames, as demais empresas apresentavam propostas com
valores acima do limite aceitável pela Petrobras com intuito de acobertar a fraude ao processo
licitatório, ou se abstinham de participar, conforme devidamente comprovado por meio das provas
compartilhadas com o TCU, oriundas da “Operação Lava Jato”, devidamente explicadas e
referenciadas na instrução de representação (peça 42, p. 6-38). O êxito do esquema era garantido por
diretores da estatal mediante recebimento de vantagem financeira indevida – propina (peça 42, p. 17-
18). A ocorrência da fraude mediante cartel e pagamento de propina também foi confirmada pelas
empresa UTC e Andrade Gutierrez em recentes Termos de Compromisso de Cessação de Prática
celebrados com o Cade, conforme tópico “(I)”.
86. O responsável admite a prática dos atos ilegais e expõe que celebrou acordo de colaboração
premiado com o Ministério Público Federal do Paraná (MPF/PR) e do Rio de Janeiro (MPF/RJ) (peça
54). Afirma que nesses acordos teria prestado todos os esclarecimentos sobre os fatos suscitados na
presente representação e detalhado todas as nuances dos procedimentos, além de ter entregue
196

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

documentos comprobatórios. Por fim, o responsável assevera que devolveu integralmente os valores
recebidos por meio de propina.
87. Os atos ilícitos tratados nestes autos afrontaram, de forma grave e continuada, os ditames
constitucionais insculpidos nos arts. 37, caput e inciso XXI, 170, inciso IV e 173, §1º, inciso III. Houve
afronta, em especial, aos princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da igualdade de
condições aos concorrentes em processo licitatório. Ademais, infringiram o item 1.2 do Decreto
2.745/1998.
88. A gravidade danosa já indicada em processos específicos de TCE e a prática delituosa
reiterada em diversos certames licitatórios requerem a atuação exemplar deste Tribunal de Contas,
conforme tópico “(III)”, Da responsabilização e individualização das condutas.
89. Considerando a gravidade e extensão dos danos causados pelos ilícitos em apuração nos
respectivos processos de tomadas de contas específicos, e a prática continuada dos ilícitos, resultando na
contratação fraudulenta das obras referentes à Unidade de Coqueamento Retardado (UCR), Unidades
de Hidrotratamento de Diesel e de Nafta (UHDT) e Unidade de Geração de Hidrogênio (UGH),
Tubovias de Interligações, Unidade de Destilação Atmosférica (UDA), e execução das obras de
terraplenagem, para garantir a função pedagógica e preventiva da sanção, propõe-se a aplicação da
pena de declaração de inabilitação do Sr. Pedro José Barusco Filho para o exercício de cargo em
comissão ou função de confiança no âmbito da Administração Pública por 2 (dois) anos e 8 (oito) meses,
com fundamento no art. 60, da Lei 8.443/1992, conforme análise da dosimetria da sanção de
inidoneidade, que levou em consideração o fato de o responsável ter prestado informações e fornecido
provas relevantes para a apuração das irregularidades, com confirmação de várias de suas declarações,
e de ter renunciado em favor da Justiça criminal o produto do crime mantido no exterior.
90. Em razão de o presente processo ter sido constituído a partir do processo de representação
original (TC 016.119/2016-9), para análise em apartado das manifestações do Sr. Pedro José Barusco
Filho e de este apartado se tratar de mera estratégia processual com vista a atender à celeridade
processual que o caso requer, propõe-se ainda que, quando do encerramento do presente processo, ele
seja apensado ao processo TC 016.119/2016-9.
PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO
91. Diante do exposto, submetem-se os autos à consideração superior, propondo, no mérito, que
este Tribunal:
I) declarar a inabilitação do Sr. Pedro José Barusco Filho para o exercício de cargo em comissão
ou função de confiança no âmbito da Administração Pública por 2 (dois) anos e 8 (oito) meses, com
fundamento no art. 60 da Lei 8.443/1992;
II) encaminhar cópia do acórdão que vier a ser proferido, acompanhado do Relatório e do Voto
que o fundamentam, ao responsável, para ciência;
III) encaminhar cópia do acórdão que vier a ser proferido, acompanhado do Relatório e do Voto
que o fundamentam à Força-Tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, à Força-Tarefa da
Advocacia-Geral da União no Paraná, ao Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-
Geral da União (CGU) e à Diretoria de Governança, Risco e Conformidade da Petrobras (GRC), para
medidas consideradas cabíveis; e
IV) determinar o apensamento, quando do encerramento do presente processo, ao processo de
representação originário (TC 016.119/2016-9), com vista à consolidação das decisões proferidas em
razão da representação decorrente à fraude ás licitações nas obras especificadas da Rnest.”
5. O Diretor da unidade técnica aquiesceu ao aludido encaminhamento (peça 67).
6. O Secretário da SeinfraOperações se manifestou da seguinte forma (peça 68):
“2. Conforme verificado na instrução, o Sr. Pedro José Barusco Filho admite a prática dos atos
ilegais. Entretanto, observando a colaboração premiada firmada entre o responsável e o Ministério
Público Federal, o Auditor-instrutor propõe que a pena de inabilitação seja de apenas um terço da
sanção máxima de oito anos. Tanto o exame como a proposta do Auditor tiveram a anuência do Diretor.
197

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

3. Apesar de concordar em grande parte com o exame realizado, entendo que, diante das
circunstâncias do caso concreto, a proposta de encaminhamento deve ser alternativa, no sentido de
diligenciar o responsável para que se manifeste, caso assim desejar, acerca de um detalhamento de sua
proposta objetivando cooperação em processos de controle externo desta Corte de Contas, especialmente
no que se refere ao elevado superfaturamento na Rnest. Em sua manifestação, o responsável expressou
seu total comprometimento em colaborar, consignando estar disponível para quaisquer esclarecimentos
requisitados, inclusive pessoalmente.
4. Para contextualizar a proposta de encaminhamento alternativa, inicialmente será relatado um
breve histórico de processos desta Corte relacionados à Refinaria. Em seguida, passa-se à exposição
quanto à atuação do Sr. Pedro José Barusco Filho, abarcando sua colaboração e sua manifestação nos
autos. Ato contínuo, serão destacadas decisões recentes do TCU que indicam a possibilidade de os
responsáveis colaborarem em processos de controle externo, em troca de sanções premiais, bem como
será analisada a possibilidade de cooperação no caso concreto. Também serão tecidas considerações
sobre o exame realizado pelo Auditor-instrutor quanto à prescrição da pretensão punitiva.
I. Breve histórico da Rnest no TCU
5. Por meio de auditorias realizadas, especialmente entre 2008 e 2010, foram constatados indícios
de sobrepreços bilionários em diversos contratos da Rnest. À época, o TCU classificou esse tipo de
irregularidade como grave com recomendação de paralisação - IG-P (Acórdão 3.362/2010-Plenário, de
relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler) e indicou ao Congresso Nacional a necessidade de
bloqueio preventivo de recursos orçamentários.
6. Em oposição, o Governo Federal decidiu seguir com os vultosos investimentos (Mensagem de
Veto Presidencial - VEP nº 41, de 26/1/2010), de modo que os prejuízos ao erário foram consumados no
decorrer das obras, o que acabou por fomentar financeiramente o esquema de corrução descortinado em
2014, a partir da Operação Lava Jato. A decisão presidencial foi assim criticada, à época, pelo
Procurador Marinus Marsico, do MPTCU (https://goo.gl/i2DQVu):
‘Foi uma decisão lamentável. Entendo que a lei é para todos e todos têm de obedecer às leis e às
decisões dos tribunais. Para ele, o Executivo deveria se dedicar a consertar os erros e fiscalizar
eventuais falhas nas obras. O TCU coloca que há indícios de irregularidades para que as obras sejam
paralisadas. Cabe ao Congresso dizer se a obra entra ou não na lista daquelas que devem parar, e não o
presidente da República, argumentou o procurador.’
7. Em 2013, a classificação dos indícios de irregularidades foi mantida como grave, mas dessa vez,
diante das circunstâncias do caso concreto, tendo em vista o avançado estágio das obras, foi mantida a
sua continuidade (Acórdão 572/2013-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler).
8. No primeiro semestre de 2014, membros do Ministério Público Federal no Paraná procuraram
os auditores do TCU para obter conhecimentos acerca dos trabalhos desta Corte realizados na Rnest e
em outros empreendimentos da Petrobras. Desse modo, é possível afirmar que auditorias do TCU
subsidiaram a complexa investigação contra o ex-Diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, permitindo
aprofundar a conexão entre os crimes de lavagem de dinheiro e a corrupção nas obras da Petrobras, a
qual, por meio de sofisticado mecanismo de superfaturamento dos contratos, permitiu a geração de
lucros excedentes às empreiteiras, possibilitando o branqueamento de valores por operadores
financeiros (doleiros) para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e partidos políticos.
9. A atuação integrada entre as instituições de controle, já naquela época, pode ser considerada
como a base para o desenrolar bem-sucedido da Operação Lava Jato. Esse histórico faz parte do livro
“A Luta Contra a Corrupção: A Lava Jato e o Futuro de um País Marcado pela Impunidade” (Editora
Primeira Pessoa, 2017), de autoria do Procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da
Força-Tarefa, reconhecendo que o TCU já apontava superfaturamentos de centenas de milhões de reais
na Rnest (Capítulo 3 - Os Primórdios da Lava Jato, p. 67-70). Assim, a partir dos trabalhos
desenvolvidos pela supracitada Operação Lava Jato, e de acordo com decisões judiciais emanadas pela
13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba/PR e pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, foi
198

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

confirmada a existência de cartel para fraudar licitações, resultando na sobredita manipulação de


preços.
10. Acerca do prejuízo na Rnest, o Quadro 1 apresenta uma síntese dos processos de tomada de
contas especial em curso.
Processo Objeto Situação
Responsáveis já condenados em débito no valor aproximado de
R$ 1,95 bilhão (incluído juros de mora e atualizado em
TC 000.168/2016-5 UDA/UHDT
27/9/2018), nos termos do Acórdão 2.677/2018-TCU-Plenário
(processo com recurso interposto).
Responsáveis citados no montante de aproximadamente R$ 906
TC 027.542/2015-7 UCR milhões (valores históricos), conforme Acórdão 2.396/2018-
TCU-Plenário.
Responsáveis citados no montante de aproximadamente R$ 689
TC 026.840/2016-2 Tubovias milhões (valores históricos), conforme Acórdão 2.428/2016-
TCU-Plenário.
Superfaturamento estimado em R$ 19 milhões, conforme
Acórdão 2.735/2017-TCU-Plenário (apurado em contexto de
Terraplanagem e
TC 000.400/2018-1 sobrepreço de R$ 69 milhões, dos quais houve determinação do
outros serviços
TCU para retenção de R$ 50 milhões – Acórdão 2.290/2013-
TCU-Plenário).
11. Vale dizer que o Sr. Pedro José Barusco Filho é responsável nos três primeiros processos do
quadro acima, inclusive naquele em que já houve condenação em débito. Outro ponto que merece
destaque é a existência de outras tomadas de contas especiais apartadas, igualmente relacionadas ao
empreendimento (TC 040.140/2018-0, TC 040.142/2018-3 e TC 040.143/2018-0), instauradas para
quantificar um débito adicional decorrente do reajuste irregular dos contratos da UCR, UHDT, Tubovias
e UDA (Acórdão 2.354/2018-TCU-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler).
12. Ainda no contexto de prejuízo aos cofres da Estatal, especificamente no caso de contratos de
terraplenagem e outros serviços, orçamentistas e membros da comissão de licitação foram chamados em
audiência e condenados pelo TCU, nos termos do art. 58, inciso II e III, da Lei 8.443/1992 (Acórdão
1.445/2018-TCU-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Bruno Dantas).
13. Mudando o foco do débito para o aspecto de gestão do empreendimento como um todo,
observa-se que o esquema de corrupção na Rnest, via fraudes à licitação, causou um prejuízo muito
maior do que os valores dos superfaturamentos individuais dos contratos. Ao longo do desenvolvimento
das fases de planejamento e de execução da Refinaria, as estimativas de custo do empreendimento foram
aumentadas diversas vezes. A Refinaria foi inicialmente estimada em cerca de US$ 2 bilhões em 2005,
porém, depois de inúmeras alterações de preço e prazo, a mais recente estimativa indica montante
próximo de US$ 26 bilhões para a conclusão das obras. Nessa linha, está em curso processo para
avaliar aspectos de gestão do empreendimento (TC 026.363/2015-1), trabalho atualmente desenvolvido
pela SeinfraPetróleo.
14. Com essa escalada no orçamento, marcada por inúmeras decisões temerárias dos gestores da
Petrobras, que recebiam suborno das empresas do cartel, a obra se tornou inviável em US$ 19 bilhões
(cf. Acordão 3.052/2016-TCU-Plenário). Ou seja, aproximadamente R$ 70 bilhões nunca mais voltarão
aos cofres da Estatal (considerando a cotação do dólar de 14/1/2019: US$ 3,71/R$ 1,00).
II. Atuação do responsável nas fraudes cometidas em licitações da Rnest e o acordo de
colaboração celebrado com o MPF
15. O TCU, por meio do Acórdão 1.583/2016-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin
Zymler, conheceu a representação que trata das fraudes no âmbito da Rnest e determinou (i) a oitiva das
empresas e (ii) a audiência das pessoas físicas envolvidas. Foi autorizada a constituição de processos
apartados para análise individualizada das manifestações.
16. O responsável, Sr. Pedro José Barusco Filho, afirmou que prestou esclarecimentos sobre os
fatos indicados no Acórdão mencionado, e informou que devolveu integralmente todos os valores
199

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

indevidamente recebidos. Registrou ainda que os esclarecimentos constam do Acordo de Colaboração


premiada com o Ministério Público Federal nos Estados do Paraná e do Rio de Janeiro, bem como de
depoimentos e esclarecimentos prestados à Justiça Federal e à Polícia Federal (peça 54).
17. De acordo com a análise constante da instrução precedente, após citar diversos trechos de
depoimentos e de termos de colaboração constantes da Representação objeto do TC 016.119/2016-9,
restou confirmada nos autos a ocorrência das fraudes em licitações conduzidas pela Petrobras
relacionadas às obras de implantação da Rnest, bem como a responsabilidade direta do Sr. Pedro José
Barusco Filho, então Gerente de Engenharia, pela prática das condutas indicadas no item 9.2.2 do
Acórdão 1.583/2016-Plenário (relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler).
18. É fato público e notório que a colaboração do Sr. Pedro Barusco alavancou significativamente
as investigações da Operação Lava Jato. No livro “Lava Jato – O Juiz Sérgio Moro e os bastidores da
Operação que abalou o Brasil”, no qual o autor, jornalista Vladimir Netto, bem sintetiza a relevância da
participação do Sr. Pedro Barusco para alavancar as investigações da Operação Lava Jato (págs. 84 a
86):
“Tempos depois de Júlio e Augusto [Júlio Camargo e Augusto Mendonça, executivos da Toyo
Setal], viria outra bomba na Lava Jato: Pedro Barusco. Depois de Paulo Roberto Costa, do doleiro
Alberto Youssef e dos primeiros executivos, o ex-gerente da Diretoria de Serviços da Petrobras decidiu
se apresentar espontaneamente, antes de uma possível prisão. Também representado por Beatriz Catta
Preta, fechou um acordo de delação em 19 de novembro de 2014 e começou a prestar depoimentos no
dia seguinte. A rapidez da colaboração de Pedro Barusco não é regra em procedimentos de delação. O
acordo do doleiro Alberto Youssef, por exemplo, só saiu depois de meses de negociação entre a defesa
dele e o MPF. Ocupando o cargo logo abaixo do [Renato de Souza de] Duque [então Diretor de
Engenharia e Serviços da Petrobras], Barusco tinha uma visão privilegiada da roubalheira. Ele próprio
se fartara nela.
Em sua delação premiada, Barusco disse que era ele quem tocava na prática a Diretoria de
Serviços. Duque gostava mais de jantares e dos contatos sociais. Cheio de dinheiro no exterior, Barusco
também aproveitava a vida, tomando vinhos caros, fumando charutos, andando em iates e frequentando
o famoso Gávea Golf & Country Club, fundando por ingleses no Rio de Janeiro em 1920. Naquele
momento, porém, sofrendo de um grave câncer ósseo, resolveu falar. Em troca de não ser preso,
colaborou. Deu longos e demolidores depoimentos aos procuradores. Por isso, a sua colaboração é
considerada até hoje uma das melhores da Lava Jato. A naturalidade com que ele falava sobre valores
pagos em propina deixou os delegados estarrecidos. Felipe Hayashi descreveu o primeiro depoimento de
Barusco como inimaginável, surreal. “No início a gente até passa mal, é difícil acreditar que aquilo
realmente aconteceu”. Barusco concordou em devolver cerca de 100 milhões de dólares aos cofres
públicos e entregou operadores, empreiteiros e profissionais do alto escalão da Petrobras. Ele não tinha
gasto quase nada da fortuna que gerenciava. Viu que estava prestes a ser processado e que o dinheiro
não iria salvá-lo. Além disso, Augusto Mendonça havia citado seu nome em depoimentos e depois
telefonou para lhe contar. Barusco se sentiu pressionado. Viu que não teria como escapar. Ele tinha
muito dinheiro. Logo chegariam a ele.
Na primeira parte da delação, o ex-gerente revelou aos procuradores como se dava o esquema na
estatal a partir da Diretoria de Serviços. Ao revelar desvios na Petrobras, Barusco falou sobre Duque,
admitiu ter recebido cerca de 50 milhões de reais em propina ao longo dos anos, estimou que o PT teria
recebido, só por meio dos contratos que ele gerenciava, algo entre 150 e 200 milhões de dólares. Falou
ainda de João Vaccari Neto, o ex-tesoureiro do PT que atuava também como operador do esquema e que
ele apelidou de Moch, por andar sempre com uma providencial mochila nas costas para carregar
dinheiro.
Metódico, o ex-gerente registrava em um arquivo pessoal datas e valores de propinas, além da
relação de beneficiários e os cargos que ocupavam na Petrobras. E gostava de usar apelidos. Neste
cadastro particular do delator, Renato Duque era identificado como MW, uma referência à música “My
Way”, imortalizada na voz de Frank Sinatra. Barusco se autodenominava Sabrina, por causa de uma
200

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

antiga namorada. Entregadores de dinheiro eram chamados de Tigrão, Melancia e Eucalipto. Os


investigadores ficaram impressionados com o grau de organização e disciplina de Barusco e dizem que o
documento é “uma joia” das provas sobre o esquema. Até por isso suas revelações foram consideradas
tanto ou mais impactantes que os relatos de Paulo Roberto e Alberto Youssef. Ele passou aos
procuradores todos os números de contas bancárias e nomes de beneficiários de comissões. Afirmou que
dividiu com Renato Duque propinas em “mais de 70 contratos” da Petrobras entre 2005 e 2010. O ex-
gerente destruiu algumas provas com medo de ser preso, mas refez toda a contabilidade dos repasses de
propinas, apontando os negócios em que correu dinheiro por fora. Tinha tudo na memória.
O ex-braço direito de Renato Duque controlava o pagamento de propina para o chefe também.
Duque não tinha muito jeito para isso. Às vezes, Barusco recebia por Duque e depois repassava o
dinheiro para ele no exterior. Sempre no exterior. Ele e Duque preferiam assim. Com um detalhe: Duque
queria dinheiro vivo a cada duas semanas: eram pacotes de 50 mil reais que Barusco providenciava e
entregava em mãos. Por isso Barusco guardava em casa uma bolada em dinheiro vivo. Quando a Lava
Jato estourou, ele acionou um dos operadores do esquema. Bernardo Freiburghauss, que morava na
Suíça, e mandou todo o dinheiro que tinha em casa para fora do país.
(...)
Quanto a Barusco, já que o acordo lhe garantia o benefício de não ser preso, seguiu sua vida
tranquilo. Apesar de estar doente e de não mais frequentar o Gávea Golf & Country Club, podia pelo
menos ir à praia. Em julho de 2015, depois de se recusar a depor em uma CPI sobre o escândalo,
alegando piora em seu estado de saúde, o ex-gerente da Petrobras foi fotografado aproveitando o
domingo de sol e tomando cerveja em uma praia de Angra dos Reis. Para ele, sem dúvida, falar foi a
melhor saída”” (destaques acrescidos)
19. Além dos livros que trazem fatos sobre os bastidores da Operação Lava Jato, há informações
públicas sobre a participação do responsável no esquema de fraudes e desvios de recursos da Petrobras.
Apenas para citar alguns exemplos:
a) A matéria datada de 20/7/2016, publicada no site G1, registra que Pedro Barusco teve negado
um pedido seu para não usar a tornozeleira e para cumprir a pena em sua casa de praia em Angra dos
Reis, a despeito da existência do acordo de colaboração, conforme decisão da 8ª turma do Tribunal
Regional Federal da 4ª Região; na ocasião o Exmo. Desembargador Federal João Pedro Gebran Neto,
relator do processo, considerou o pedido “sem precedentes, que demonstra o completo desrespeito ao
Judiciário e às demais instituições envolvidas nessa operação”, acrescentando que “a tornozeleira
eletrônica não é regime de cumprimento de pena, mas forma de controle do respeito às condições da
pena (...) não estando na esfera de disponibilidade do apenado a escolha acerca do método de controle”;
por fim, a matéria ressalta que o Sr. Pedro Barusco passou a atuar como “testemunha de acusação”,
bem como já teria devolvido R$ 182 milhões aos cofres públicos (fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-
grande-do-sul/noticia/2016/07/pedro-barusco-tem-negado-pedido-para-cumprir-pena-em-angra-dos-
reis.html);
b) Em matéria do jornal Valor Econômico, datada de 14/4/2017, um ex-executivo da Odebrecht, Sr.
Rogério Araújo, informa ter sido ele quem indicou o ex-executivo do banco Credit Suisse, Bernardo
Freiburghauss, a Pedro Barusco, afirmando, em sede de colaboração premiada, que a Odebrecht decidiu
fazer pagamentos irregulares diretamente aos funcionários da Petrobras para evitar intermediários
políticos, pois isso “poupava tempo no momento de cobrar o retorno das propinas pagas”, isto é, no
momento de superfaturar as obras em benefício da empreiteira (fonte:
https://www.valor.com.br/politica/4938439/barusco-cogitou-doar-dinheiro-desviado-da-petrobras-conta-
delator);
c) Em matéria de 27/4/2017, disponível no site UOL, o mesmo delator Rogério Araújo afirmou que
escondeu, em sua própria adega, 24 garrafas de vinho de propriedade de Pedro Barusco, avaliadas em
US$ 10 mil cada uma (quase R$ 32 mil/cada, na cotação da época), totalizando US$ 240 mil que, em
tese, não teriam sido informados ao MPF quando da delação do ex-gerente da Petrobras; segundo a
mesma matéria, o ex-executivo da Odebrecht afirmou ainda que as garrafas foram devolvidas à mulher
201

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

de Barusco após a assinatura do acordo de delação, bem como afirmou acreditar que outras pessoas
teriam sido usadas para guardar uma coleção de relógios e objetos de arte, como quadros; por fim, a
mesma matéria informa que o ex-gerente da Petrobras também teria sido advertido por displicência no
uso da tornozeleira eletrônica (fonte: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-
noticias/2017/04/27/delator-da-odebrecht-escondeu-24-garrafas-de-vinho-para-ex-gerente-da-
petrobras.htm);
d) Em outra matéria, datada de 15/5/2017 e veiculada na Época Negócios, é noticiado que Pedro
Barusco, como ex-diretor da empresa Sete Brasil (empresa criada para gerenciar a compra de 28 sondas
para o pré-sal e lesada pelo esquema de corrupção), terá que devolver todo o dinheiro que obteve de
propinas (US$ 24 milhões) de contratos com estaleiros (28 contratos de aproximadamente US$ 800
milhões cada um) e também o que recebeu de bônus como dirigente da empresa, conforme decisão da 5ª
Vara empresarial do Rio de Janeiro, com estimativa de devolução de R$ 90 milhões; embora o ex-
executivo tenha alegado já ter devolvido todo o dinheiro a Petrobras, “a juíza foi taxativa em dizer que
esse será um problema entre ele e a Petrobras e que a parte que foi obtida enquanto funcionário da Sete
terá que ser devolvida à Sete” (fonte: https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2017/05/ex-
gerente-da-petrobras-pedro-barusco-tera-de-devolver-r-90-milhoes.html);
e) Matéria datada de 10/4/2018, no site G1, informa que já houve a progressão de regime e que,
com isso, foi autorizada a retirada da tornozeleira eletrônica, encerrando o cumprimento do chamado
“regime aberto diferenciado”, tendo em vista “o colaborador ter cumprido integralmente as obrigações
assumidas no acordo de delação”; por fim, segundo a matéria, pelos próximos 13 anos o ex-gerente
“terá que apresentar relatórios a cada seis meses sobre quais atividades está desenvolvendo e informar
se realizou viagens internacionais” (fonte: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/justica-autoriza-
pedro-barusco-a-retirar-tornozeleira-eletronica.ghtml).
20. Especificamente quanto a este processo, conforme consta no Acórdão 1.583/2016-TCU-
Plenário – e de forma mais detalhada no Voto e Relatório correspondente –, realizou-se a audiência do
responsável devido à sua clara atuação para a viabilização do cartel mediante o recebimento de propina
e pela prática das seguintes condutas:
a) Utilização da prevalência hierárquica e funcional para, deliberadamente, facilitar o
funcionamento do cartel e o direcionamento das contratações às empresas cartelizadas;
b) Antecipação de cronograma da entrada em operação da refinaria, o que provocou que as
contratações ocorressem sem que os projetos básicos estivessem suficientemente maduros, e facilitou a
atuação do cartel;
c) Compartilhamento de informações sigilosas ou restritas com as empresas integrantes do Cartel;
d) Direcionamento do certame, mediante a escolha das empresas a serem convidadas, consoante
seleção efetuada pelo “Clube”;
e) Sonegação de fatos e documentos fundamentais para a correta avaliação fático-normativa do
Departamento Jurídico ou Conselho Executivo da Petrobras, em fases decisivas da avaliação econômico-
financeira dos empreendimentos e/ou de suas respectivas licitações;
f) Alteração de percentuais da fórmula de reajuste de preços por sugestão de empresas licitantes
em prejuízo econômico direto aos cofres da Petrobras e viabilizador de pagamentos irregulares a
terceiros no decorrer da execução das avenças;
g) Injustificada não-inclusão de novos concorrentes após o cancelamento de um procedimento
licitatório por preços excessivos.
21. Ao se manifestar nos autos, o responsável indicou que celebrou acordo de colaboração
premiada junto ao MPF, momento em que, segundo ele, prestou todos os esclarecimentos sobre os fatos
suscitados na presente representação, inclusive com detalhamento dos procedimentos e entrega de
elementos probatórios. Além disso, colocou-se à disposição deste Tribunal para eventuais
esclarecimentos adicionais necessários. Vale mencionar que o responsável também entregou, anexa à
sua manifestação, termos de declaração dos acordos celebrados junto ao MPF, o que indica boa-fé.
202

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

22. Considerando a grave e reiterada conduta do responsável, o Auditor-instrutor aventou


inicialmente a declaração de inabilitação do responsável para o exercício de cargo em comissão ou
função de confiança por 8 (oito) anos, correspondente à máxima dosimetria da sanção, conforme o art.
60 da Lei 8.443/1992. Entretanto, tendo em vista que o responsável prestou informações e forneceu
provas para apuração de irregularidades pelo Estado Brasileiro, bem como alega que renunciou à
totalidade do produto do crime em favor da Justiça, o Auditor-instrutor, com a anuência do Diretor,
propôs uma redução de 2/3 da sanção, aplicando, por analogia, o disposto no § 2º do art. 16 da Lei
12.846/2013. Assim, a proposta totaliza 2 (dois) anos e 8 (oito) meses de inabilitação.
23. Deixo assente que concordo com o exame do Auditor acerca da gravidade da conduta do
responsável. Quanto à sanção proposta, observo desde logo que (i) que não se trata de sanção excessiva,
haja vista que se refere a apenas um terço da penalidade máxima; e (ii) que a situação do colaborador é
nitidamente melhor do que a situação do não colaborador. Tal entendimento pode ser evidenciado pelos
casos (i) do Sr. Renato de Souza Duque, que recebeu a sanção máxima de inabilitação e expressiva multa
pecuniária (Acórdão 1.625/2018-TCU-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler) e (ii)
de outros agentes da Petrobras arrolados, por exemplo, no processo sobre a terraplenagem da Refinaria
(Acórdão 1.445/2018-TCU-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Bruno Dantas). Não obstante, não
se pode perder de vista que o Tribunal tem se mostrado aberto a uma via cooperativa dos responsáveis
em processos específicos de controle externo, podendo levar a sanções premiais ainda maiores, a
depender da qualidade da cooperação.
24. Nesse contexto, considerando (i) que o responsável manifestou disponibilidade para esclarecer
questões junto a esta Corte, (ii) que existem ainda processos em curso acerca de fraudes a processos
licitatórios na Petrobras, em especial sobre a Rnest, e (iii) que o termo de colaboração apresentado pelo
responsável permite que ele colabore com processos em andamento em diversas entidades do Estado;
entendo ser conveniente que o responsável seja diligenciado a fim de que melhor formate sua proposta de
prestação de esclarecimentos adicionais, inclusive em outros casos, relacionando a potencial
apresentação de material probatório, em troca de sanções premiais em processos em que esteja arrolado
como responsável. Portanto, nesta fase processual, deixo de me manifestar sobre a dosimetria da sanção
proposta pela subunidade, haja vista que uma possível colaboração do responsável diretamente com o
TCU pode trazer significativo impacto nessa seara.
25. Passo, agora, a expor recentes decisões desta Corte sobre a possibilidade de utilização da via
cooperativa em processos de controle externo neste Tribunal.
III. Possibilidade de cooperação em processos do TCU
26. Recentemente, esta Corte, em suas decisões, tem indicado a possibilidade de cooperação nos
processos de controle externo em troca de benefícios na aplicação das sanções. Essa possibilidade, além
de atender aos dispositivos da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, também conhecida
como convenção de Mérida (recepcionada pelo Decreto 5687/2006), vai ao encontro das ações de outros
parceiros da rede de controle, que têm optado pela via consensual como alternativa de maior eficiência
para o exercício de suas competências.
27. Como paradigma na linha cooperativa, destaco o Acórdão 483/2017-TCU-Plenário, de
relatoria do Exmo. Ministro Bruno Dantas. Esse aresto sinalizou as potenciais sanções premiais a serem
concedidas pelo TCU, a depender do nível de cooperação prestado pelas empresas responsáveis naquele
processo. Como consequência direta daquele Acórdão, foram instaurados cinco processos apartados que
tratam especificamente da análise dos pedidos de colaboração das empresas envolvidas em ilícitos
relacionados aos contratos de montagem eletromecânica da Usina de Angra 3.
28. Mais recentemente, os Acórdãos 1.214/2018 e 2.446/2018, ambos do Plenário e de relatoria do
Exmo. Ministro Benjamin Zymler, sobrestaram a apreciação de fraudes confessadas pelas empresas SOG
e Camargo Corrêa no contexto de contratações da Rnest. Restou claro que o sobrestamento decorreu da
admissão do ilícito por parte das empresas e da alavancagem investigativa possibilitada a partir da
colaboração.
203

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

29. Além dessas decisões, vale mencionar o Acórdão 2.677/2018-TCU-Plenário, também de


relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler, o qual julgou no mérito o processo de tomada de contas
especiais decorrentes de superfaturamento na execução contratual da UDA e da UHDT da Rnest.
Naquele processo (TC 000.168/2016-5), o montante de superfaturamento totalizou aproximadamente R$
1,95 bilhão (valor atualizado e acrescido de juros de mora) para os dois contratos. Mesmo sem abrir
mão do ressarcimento devido, o TCU deixou de aplicar sanções a pessoas físicas e jurídicas – incluindo
o Sr. Pedro José Barusco Filho – que colaboraram com as investigações do Estado, ainda que em outras
instâncias. Além disso, o Tribunal também considerou a colaboração ao propor benefícios na fase de
execução do débito, nos seguintes termos:
“9.11. dar ciência à Advocacia-Geral da União e à Petrobrás das condicionantes impostas ao
compartilhamento de provas ao TCU em despacho exarado no dia 2/10/2018 pelo d. Juízo da 13ª Vara
Federal de Curitiba, no âmbito da Petição nº 5054741-77.2015.4.04.7000/PR, em particular das
seguintes premissas a serem aplicadas na execução da medida de arresto de bens:
9.11.1. caso haja responsáveis solidários pelos danos, deve-se dar preferência à cobrança da
indenização dos não colaboradores;
9.11.2. os pagamentos efetuados no âmbito dos acordos de leniência e de colaboração, a título de
multas ou confiscos, devem ser considerados para amortização dos valores das indenizações, se maiores,
apuradas contra os responsáveis colaboradores;”
(Acórdão 2.677/2018-TCU-Plenário – grifos adicionados)
30. Todas essas recentes decisões demonstram que o Tribunal tem aceitado a via colaborativa
como forma de alavancagem investigativa, mesmo em situações nas quais a colaboração foi firmada em
outras instâncias.
31. Sobre o compartilhamento de provas junto ao controle externo, cabe ressaltar que,
recentemente, o Exmo. Juiz Sérgio Moro, então titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, em resposta ao
Ofício endereçado por esta Corte a respeito do teor da decisão concernente à utilização de provas contra
os próprios responsáveis colaboradores ou empresas lenientes, autorizou o TCU a utilizar as provas
compartilhadas, mesmo contra quem as forneceu, para o fim exclusivo de ressarcimento dos danos
decorrentes do ilícito. Essa decisão foi incorporada aos Votos condutores dos Acórdãos 2.677/2018 e
2.396/2018 – ambos do Plenário – pelo Exmo. Ministro Benjamin Zymler. Não obstante, os debates em
Plenário ressaltaram a autonomia desta Corte, como colocou o Exmo. Ministro Bruno Dantas em sua
Declaração de Voto quando da prolação do Acórdão 2.677/2018-TCU-Plenário:
“Sobre esse assunto, em que pese o fato de que o Ministro Relator tenha utilizado o expediente
[decisão judicial] apenas como reforço argumentativo na sua decisão, deixo assente meu entendimento
de que um magistrado de primeira instância não tem competência para decidir in abstracto sobre as
competências do Tribunal de Contas da União ou para delinear, mediante a formulação de regras
gerais, como esta Corte deve proceder no exercício de suas atribuições constitucionais.
No mesmo sentido, cabe checar Enunciado do Boletim de Jurisprudência - Acórdão 2.342/2017-
TCU-Plenário:
A existência de cláusulas em acordos de leniência ou de colaboração premiada que vedem o
compartilhamento de provas neles produzidas para utilização nas esferas cíveis e administrativas em
prejuízo do colaborador não afasta as competências constitucionais e legais do TCU e, portanto, não
impede que a Corte de Contas proceda à citação do colaborador, com fundamento em tais provas, para
que responda por eventuais danos causados ao erário.”
32. De todo modo, o que se observa é uma crescente harmonia entre as decisões desta Corte e
aquelas proferidas em outras instâncias.
33. Sobre a possibilidade jurídica da autonomia do TCU para estabelecer sanções premiais,
destaca-se trecho do elucidativo Voto condutor do Acórdão 483/2017-TCU-Plenário, de relatoria do
Exmo. Ministro Bruno Dantas:
‘59. Nos processos de controle externo, os fatores que influenciam na dosimetria da pena não estão
estabelecidos em lei ou no nosso regimento, mas decorrem de nossa própria construção jurisprudencial,
204

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

feita paulatinamente a cada situação concreta. Atualmente, é sedimentado que na dosimetria da pena
consideram-se aspectos como: nível de gravidade dos ilícitos, materialidade e grau de culpabilidade do
agente, valoradas as circunstâncias do caso concreto (Acórdãos 2.053/2016, 1.484/2016 e 944/2016,
todos do Plenário, entre vários outros).
60. A partir desta decisão, podemos acrescentar, então, que o fornecimento de informações que
venham a contribuir com as apurações em curso do Tribunal e o reconhecimento da participação nos
ilícitos serão considerados por esta Corte como fatores atenuantes no estabelecimento das penalidades
aplicadas.
(...)
63. Cabe destacar que inexiste lei que dê parâmetro especificamente direcionado ao Tribunal de
Contas da União na dosimetria dessa pena, cabendo a esta Corte extrair do ordenamento jurídico
solução compatível com o microssistema anticorrupção, respeitadas nossas especificidades.
(...)
85. A propósito, a busca por reparação do dano por parte do Tribunal tem potencial de dar maior
segurança às empresas que colaboraram com a justiça. Ao firmarem o acordo de leniência, elas não
receberam quitação quanto aos prejuízos causados e tem plena consciência de que a precisarão arcar
com esse dano. Nada mais natural que o órgão responsável pela cobrança exerça seu papel, sendo
especialmente desejável que ele o faça a partir de regras e procedimentos que, sem abrir mão de
qualquer parcela desviada, possa dar algum benefício àquelas que optaram por mudar de postura e
colaborar com a justiça.
86. Diante desse quadro, é imperativo que o Tribunal identifique possíveis incentivos que,
manejados adequadamente, possam diferenciar a posição das empresas que colaboram em face da
situação das demais. O intuito é o de induzir uma ampliação do número de empresas colaboradoras e a
premissa é a de que essas empresas, ao contrário de suas concorrentes, optaram por adotar uma postura
de maior integridade, ética e responsabilidade, o que se materializa na correção de rumos, na
cooperação com a justiça, na criação de programas de compliance, entre outras medidas.’
(grifos adicionados)
34. Em aderência com as considerações externadas acima, pode-se ainda mencionar os Acórdãos
1.583/2016, 632/2017, 1.083/2017, 1.788/2017, 1.831/2017, 2.014/2017, 1.214/2018, 2.446/2018 e
2.396/2018, arestos que recepcionaram a possibilidade de certo nível de transação da sanção mediante a
devida cooperação do responsável. Destarte, é firme a consolidação jurisprudencial em torno da
disponibilidade ao TCU do ferramental proveniente do Direito Consensual.
35. Recordo também do Parecer do MPTCU (TC 021.226/2017-2, peça 62), elaborado pelo
Subprocurador-Geral Paulo Bugarin, que traz embasamento jurídico e argumentos que indicam a
possibilidade de transação da multa, adoção do benefício de ordem na execução do débito, cobrança não
solidária do dano, entre outros recursos inerentes à aplicação do direito consensual em processos de
controle externo.
36. Por fim, também consigno que está em trâmite nesta Corte um processo administrativo, de
relatoria do Exmo. Ministro Walton Alencar, para melhor definir metodologia de colaboração de
responsáveis diretamente com o TCU, aprimorando a desejável segurança jurídica. A instauração desse
processo ocorreu a partir da proposta do Exmo. Ministro-Substituto Augusto Sherman na sessão
Plenária de 2/5/2018, alertando sobre a necessidade de definição de procedimentos para essa
colaboração.
37. Em face de todo o exposto nesta seção, reitera-se haver possibilidade de cooperação do
responsável em processos de controle externo. Mesmo sem ter sido observada ainda uma colaboração
direta entre uma pessoa física e o TCU, trata-se de uma possibilidade análoga àquela já vislumbrada
para pessoas jurídicas na recente jurisprudência.
IV. Possível cooperação no caso concreto
38. Primeiramente, observo que o Sr. Pedro José Barusco Filho está no rol de responsáveis de
outros processos referentes a Rnest e a outros empreendimentos da Petrobras, incluindo tomadas de
205

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

contas especiais, sendo que uma delas já foi julgada no mérito (Acórdão 2.677/2018-TCU-Plenário, de
relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler). Por se tratar de engenheiro com formação técnica
especializada na área petrolífera, uma cooperação de sua parte em processos em curso nesta Corte pode
ser muito útil, especialmente na melhor precisão na quantificação do débito.
39. Em que pese o responsável já ter obtido benefícios referentes a não-aplicação de sanções em
outros processos desta Corte de Contas, resta claro que a manutenção desses benefícios deriva do
cumprimento de seu termo de colaboração, que o responsável juntou ao processo (peça 54). Neste ponto,
vale destacar que uma das obrigações assumidas pelo responsável como um colaborador com o Estado é
a de atender às necessidades de investigação das diversas autoridades públicas, como mostra os
seguintes trechos da peça:
‘Cláusula 10ª. Nos termos da cláusula 6ª retro, e também como parâmetro para a avaliação dos
resultados deste acordo, nos termos da cláusula 5ª, o COLABORADOR se obriga, sem malícia ou
reservas mentais, a:
a) falar a verdade, incondicionalmente e sob compromisso, em todas as investigações – inclusive
nos inquéritos policiais, inquéritos civis e ações cíveis e processos administrativos disciplinares e
tributários – e ações penais, em que doravante venha a ser chamado a depor na condição de testemunha
ou interrogado, nos limites deste acordo;
(...)
c) cooperar sempre que solicitado, mediante comparecimento pessoal a qualquer das sedes do
MPF, da Polícia Federal ou da Receita Federal, para analisar documentos e provas, reconhecer
pessoas, prestar depoimentos e auxiliar peritos na análise pericial;
(...)
f) cooperar com o MPF e com outras autoridades públicas por este apontadas para detalhar os
crimes de corrupção, peculato, lavagem de capitais, sonegação fiscal, crimes econômicos, evasão de
divisas e outros delitos correlatos a estes;
g) colaborar amplamente com o MPF e com outras autoridades públicas por este apontadas em
tudo mais que diga respeito ao caso e aos fatos que o COLABORADOR se comprometer a elucidar,
inclusive conexos;
(...)
§ 1º. A enumeração de casos específicos nos quais se reclama a colaboração não tem caráter
exaustivo, tendo ele o dever genérico de cooperar com o MPF e com outras autoridades públicas por
este apontadas, para o esclarecimento de quaisquer fatos relacionados ao objeto deste acordo;
(...)
Cláusula 11. A prova mediante a presente avença de colaboração premiada, após devidamente
homologada, será utilizada validamente para a instrução de inquéritos policiais, procedimentos
administrativos criminais, ações penais, ações cíveis e de improbidade administrativa e inquéritos civis,
podendo ser emprestada também ao Ministério Público dos Estados, à Receita Federal, à Procuradoria
da Fazenda Nacional, ao Banco Central do Brasil e a outros órgãos, inclusive de países e entidades
estrangeiras, para a instrução de procedimentos e ações fiscais, cíveis, administrativas (inclusive
disciplinares), de responsabilidade, bem como qualquer outro procedimento público de apuração de
fatos, mesmo que rescindido este acordo, salvo se essa rescisão se der por descumprimento desta avença
por exclusiva responsabilidade do Ministério Público Federal.’
(peça 54, p. 11-13 – grifos adicionados)
40. Ou seja, conforme o termo de colaboração firmado, a cooperação com outros órgãos do Estado
é uma das obrigações do colaborador. Ademais, como colaborador, o responsável está comprometido a
detalhar fatos sob investigação relacionados à sua colaboração, inclusive atuando como espécie de
perito auxiliar dos servidores públicos encarregados da apuração dos fatos.
41. Ainda sobre o trecho do termo de colaboração colacionado acima, vale dizer que, ao menos
tacitamente, o MPF já apontou o Tribunal como autoridade pública com atribuições conexas aos fatos
que fazem parte do escopo dos acordos de leniência. Exemplifico isso mencionando a Portaria-TCU
206

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

47/2018, na qual, em resposta a um convite feito por Procuradores do MPF (Ofício 628/2015/5ª
CCR/MPF), o TCU indicou auditores para participar de grupo de trabalho interinstitucional, no âmbito
da Comissão Permanente de Assessoramento para Acordos de Leniência e Colaboração Premiada,
vinculada à 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF.
42. Além disso, considerando que o Tribunal, ao executar suas atribuições constitucionais, tem
reiteradamente considerado os acordos firmados em outras instâncias, resultando em não aplicação de
sanções a pessoas físicas ou jurídicas colaboradoras com o Estado, é razoável considerar a
possibilidade de real cooperação no caso concreto.
43. Nesse ponto, transcrevo trecho do Termo de Colaboração n. 5, no qual o responsável trata,
entre outros, de temas específicos ao superfaturamento na Rnest:
‘QUE a respeito do Anexo 17 – “Cartel de Empreiteiras na Petrobras”, indagado se existia um
cartel na Petrobras, quais empresas participavam e em quais obras, quais provas possui nesse sentido,
como operava o cartel, qual era a participação do declarante e de RENATO DUQUE, o que faziam ou
deixavam de fazer para que as ações do cartel se efetivassem, como era praticado o superfaturamento e
de onde saía a margem de propinas, o declarante afirma o seguinte: (...) QUE, no período em que
ocupou a Gerência Executiva de Engenharia na PETROBRAS, percebeu claramente a ação do cartel,
bastante forte, na contratação de obras da RNEST – REFINARIA ABREU E LIMA, sendo que o cartel,
além de direcionar contratos, quis impor preços “muito além do orçamento” da Petrobras, tanto no bid
(primeira tentativa de licitação) e no rebid (segunda licitação); QUE neste caso da RNEST houve claro
superfaturamento; (...) QUE apesar de não haver vazamento do orçamento interno sigiloso, indagado
sobre como as empresas praticavam o superfaturamento, afirma que as empresas “embutiam”,
“diluíam” na proposta, preços majorados, mas não sabe dizer como isso era feito na prática;’
(peça 54, p. 70-73 – grifos adicionados)
44. Sobre à ressalva do Sr. Barusco acerca do detalhamento de como o sobrepreço era feito na
prática, não se tem a expectativa que o responsável tenha todos os detalhes sobre exatamente em quais
itens orçamentários haveria majoração artificial dos preços unitários. Não obstante, diante da ampla
experiência no mercado de engenharia, a prometida cooperação pode trazer informações e/ou elementos
probatórios que impactam na quantificação de débitos por métodos econométricos, além de incrementar
a responsabilização de agentes, alcançando ainda as irregularidades relacionadas à gestão dos
empreendimentos, sob exame da SeinfraPetróleo, o que certamente ainda traria reflexos para o
aprimoramento de futuras auditorias na Petrobras.
45. Destaco também que, por uma questão de estratégia investigativa na esfera penal, um maior
aprofundamento nos cálculos do débito não foi objeto do trabalho realizado pelo Ministério Público em
suas investigações. Percebe-se isso em diferentes trechos das decisões judiciais da Operação Lava Jato
(peça 9, p. 108; peça 10, p. 47; peça 12, p. 40; peça 13, p. 46; peça 14, p. 67-68), as quais ressaltam que
tal ilícito não era objeto daqueles processos. Confira-se um trecho ilustrativo:
‘Não é necessário especular se, além disso, houve ou não superfaturamento das obras. A
configuração jurídica dos crimes referidos, do art. 4º, I, da Lei nº 8.137/1990 e do art. 90 da Lei nº
8.666/1993, não exige que se prove superfaturamento.
Em imputação de crimes de lavagem, tendo por antecedentes os crimes do art. 4º, I, da Lei nº
8.137/1990 e do art. 90 da Lei nº 8.666/1993, de todo impertinente averiguar se houve ou não
superfaturamento dos contratos.’
46. Não obstante, em alguns casos pontuais foi comprovado o superfaturamento nos processos da
esfera penal:
‘Por conseguinte, o que se conclui é que o Consórcio Nacional Camargo Correa superfaturou os
serviços e mercadorias a ela fornecidos pelas empresas Sanko Sider e Sanko Serviços no âmbito da
obra da RNEST, no montante, considerando apenas a MO Consultoria, Empreiteira Rigidez e GFD
Investimentos de pelo menos R$ 18.943.561,97, ou seja, de cerca de 52% do total. O superfaturamento
viabilizou o repasse dos valores correspondentes a MO Consultoria, Empreiteira Rigidez e GFD
Investimentos, especificamente a Alberto Youssef e, ulteriormente, a Paulo Roberto Costa.
207

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Isso sem considerar, já que não é objeto da denúncia, mais 18% superfaturados em relação aos
valores repassados à Treviso do Brasil Empreendimentos Ltda.’
(peça 12, p. 93 – grifos acrescidos)
47. Ou seja, a quantificação do superfaturamento, ainda que de forma estimativa, em termos de
ordem de grandeza dos montantes desviados, não foi objeto de aprofundamento nas investigações
realizadas pelo MPF. Até porque, esse detalhamento não era relevante naqueles processos, já que os
ilícitos objeto das denúncias eram, muitas vezes, a lavagem de dinheiro e o recebimento de vantagens
indevidas por agentes públicos. Considerando que o responsável no presente processo tem o dever de
cooperar com investigações de outros órgãos do Estado, é possível que auxilie nas linhas investigativas
em curso nesta Corte, tanto no controle objetivo, relacionado à quantificação de débitos, como no
controle subjetivo, indicando a participação de agentes da Petrobras nas fraudes (superfaturamento e
aditivos desnecessários, por exemplo), sem que isso possa de qualquer maneira configurar uma quebra
ao contrato já celebrado com o MPF e homologado, na esfera penal, pela Justiça Federal.
48. Nesse ponto, insisto que, apesar de o superfaturamento e sua quantificação não terem sido o
foco das investigações do MPF, os peritos criminais do Departamento de Polícia Federal (DPF) se
debruçaram sobre o tema, revelando à sociedade achados alinhados aos inúmeros apontamentos dos
trabalhos desta Corte de Contas.
49. A título ilustrativo, cabe trazer à baila o Seminário de Perícias de Engenharia da Polícia
Federal de 2018 (IX SPENG), evento no qual estive presente à apresentação do trabalho “Estudos dos
Fenômenos Econômicos nos Preços de Insumos em Obras de Grande Porte: Análise Comparativa dos
Insumos Verificados em Obras Investigadas na Operação Lava-Jato frente aos Preços de Referências
Oficiais”. O trabalho demonstrou que uma análise de preços por meio de referenciais da Administração
é extremamente conservadora, com probabilidade de 97% de o preço real ser inferior à mediana dos
referenciais. Um outro trabalho, “Identificação de licitações cartelizadas e Cálculo do Prejuízo mediante
Modelos Estatísticos-Probabilísticos”, cotejou mais de 600 propostas comerciais em inúmeras licitações
da Petrobras, apontando, com robustez estatística, que as propostas cartelizadas eram infladas entre
aproximadamente 25% e 29%. Tais trabalhos também serviram de base para o recém lançado livro
“Engenharia Forense- Metodologias aplicadas na Operação Lava Jato”, de autoria do Perito Criminal
João José de Castro Baptista Vallim (editora Juruá, nov/2018).
50. Nesse ponto, recordo que o Acórdão 3.089/2015-TCU-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro
Benjamin Zymler, concluiu, por meio de modelos econométricos, que o superfaturamento mínimo nos
contratos da Petrobras cartelizados foi de 17%. Mais ainda, o alhures citado Acórdão 2.677/2018-TCU-
Plenário, trouxe a condenação no débito - aqui valendo-se das técnicas usuais de Engenharia de Custos -
de montantes superiores a 20%, enquanto que os demais casos indicados na Tabela 3 e ainda em fase de
citação, igualmente comportam danos ao erário da ordem de 20%.
51. Assim, fica claro que houve convergência de entendimentos quando órgãos especializados da
rede de controle estudaram com maior profundidade a temática do dano em contratos relacionados às
obras públicas investigadas na Operação Lava-Jato, mesmo que o superfaturamento não tenha sido o
foco das denúncias que resultaram nos processos judiciais na 13ª Vara Federal de Curitiba/PR.
52. Por fim, registro que o responsável manifestou espontaneamente a possibilidade de cooperar
com investigações nesta Corte, nos seguintes termos:
‘O peticionante ainda gostaria de expressar o seu total comprometimento em colaborar com este
Douto Tribunal, estando assim disponível para quaisquer esclarecimentos requisitados, inclusive
pessoalmente, desde com prévia designação por Vossa Excelência e comunicação da data do feito à sua
defesa técnica.’
(peça 54, p. 2 – grifos adicionados)
V. Prescrição
53. Com as devidas vênias ao Auditor-instrutor e ao Diretor, registro divergência no que se refere
à questão da prescrição da pretensão punitiva neste caso concreto.
208

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

54. Sobre o tema, a instrução ressalta que não houve manifestação no Acórdão 1.441/2016-
Plenário (Redator: Exmo. Ministro Walton Alencar Rodrigues) quanto ao início da contagem do prazo
no caso de conduta omissiva. De forma integrativa, aplicou o entendimento da 1ª Turma do Supremo
Tribunal Federal (Mandado de Segurança n. 32.201), no sentido de considerar o início do prazo
prescricional, para condutas omissivas, que têm caráter permanente, como sendo a data de desligamento
do responsável da Petrobras, no caso 8/4/2011. Ainda, registrou que o Sr. Pedro Barusco foi notificado
quanto à audiência no dia 12/7/2016. Nesse contexto, audiência interrompe a prescrição, conforme o
referido Acórdão.
55. A instrução conclui afirmando que resta preservada a pretensão punitiva por parte desta Corte
de Contas, visto que a prescrição só alcança atos praticados até 11/7/2006, portanto dez anos antes da
notificação, conforme interpretação do entendimento fixado no TCU por meio do referido Acórdão
1.441/2016-Plenário.
56. Entendo que, de fato, considerando que a questão da ocorrência de crime continuado (conduta
omissiva) não foi explicitamente tratada no Acórdão 1.441/2016-Plenário, pode ser aplicado ao caso o
entendimento manifestado pela 1ª Turma do STF, segundo o qual a contagem do prazo prescricional se
inicia com a exoneração/demissão do responsável do cargo/função que ocupava na Petrobras, em
8/4/2011.
57. Extrai-se do julgamento do STF que, nos casos de crimes continuados, não tem início o prazo
prescricional enquanto o responsável permanecer no cargo. Em outras palavras, dada a omissão ou
comissão em relação a atos irregulares que se iniciaram e cujos efeitos não cessaram, em 2003, 2004 ou
2005, enquanto permaneceu no cargo, o responsável manteve as condutas ilícitas, durante todo o
período. Desse modo, somente se inicia a contagem do prazo prescricional após a sua exoneração.
58. No âmbito da jurisprudência desta Corte de Contas, entendo ser possível fazer uma analogia (i)
do questionável recebimento de salários e vantagens para agir contrariamente aos interesses da
Petrobras, sua contratante, com (ii) o recebimento irregular de benefício previdenciário de natureza
continuada. Nesses casos, o termo inicial para a contagem do prazo da prescrição da pretensão punitiva
do TCU será a data do último pagamento indevidamente realizado, conforme decidido no Acórdão
1.641/2016-Plenário, de relatoria do Exmo. Ministro Benjamin Zymler. No mesmo sentido, têm-se os
acórdãos do Plenário 2.330/2016; 2.726/2016; 70/2017; 2.204/2017. Trata-se de uma analogia à regra
do direito penal aplicada ao crime permanente, em que o momento consumativo prolonga-se no tempo, a
exemplo do caso do sequestro. A cada pagamento, renova-se o momento consumativo da irregularidade.
59. Também relevante citar que o tema da prescrição vem sendo debatido no âmbito do CADE,
conforme recente matéria publicada em 6/7/2018, no jornal Valor Econômico, intitulada “tentativa de
mudar jurisprudência do Cade pode afetar a Lava-Jato” (fonte:
https://www.pressreader.com/brazil/valor-econ%C3%B4mico/20180706/281642485926953).
60. Na matéria, é esclarecido que, de acordo com a Lei 9.873/1999, tem-se que “quando o fato
objeto da ação punitiva da Administração constituir crime, a prescrição reger-se-á pelo prazo previsto
na lei penal”, de modo que a posição atual do Cade é a de que basta a prática anticoncorrencial poder
ser tipificada como crime na esfera penal para que o prazo de prescrição seja de 12 anos, e não de 5
anos. Em seu voto, a Conselheira Cristiane Alkmin teria registrado que vincular o prazo de prescrição à
efetiva proposição de procedimento penal provocaria um cenário de incerteza jurídica e que “além disso,
devido à potencial inércia da esfera penal, que possui trâmite e requisitos mais rígidos do que o processo
administrativo, com elevada probabilidade, resultaria na imunidade punitiva do administrado em seara
administrativa”, o que enfraqueceria muito a política de combate ao cartel no Brasil.
61. Importante ainda fazer um esclarecimento adicional sobre a continuidade das condutas ilícitas
do responsável. Os atos foram listados no item 9.2.2 do Acórdão 1.583/2016-Plenário (Relator Exmo.
Ministro Benjamin Zymler). Extrai-se da leitura de tais atos que indicam tratar-se tanto de conduta
omissiva, quando o responsável despreza seus deveres de ofício, e, mais do que isso, de conduta
comissiva, pois permaneceu praticando atos ilícitos em favor do cartel, obtendo vantagens ilícitas pelo
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menos enquanto esteve no exercício do cargo. Assim, entendo que as condutas omissivas e comissivas do
Sr. Pedro Barusco foram praticadas até o momento da sua saída do cargo/função, em 8/4/2011.
62. Logo, considerando a conduta de corrupção como crime continuado, divergindo da proposta
do Auditor-instrutor, entendo que não há que se falar em retroagir o prazo prescricional decenal, seja a
partir da data da exoneração (8/4/2011), seja após a notificação da audiência (12/7/2016). Entendo,
portanto, que é a partir do dia seguinte ao da exoneração, dia 8/4/2011, que se inicia o prazo
prescricional de 10 anos, contados para o futuro. Em adição, a notificação do responsável quanto à
audiência interrompe o transcurso do prazo prescricional, reiniciando o período de 10 anos a partir do
dia 13/7/2016.
63. Não obstante essas observações, ressalto que, seja utilizando somente o entendimento
estabelecido no Acórdão 1.441/2016-Plenário, seja combinando este com o julgamento do Mandado de
Segurança 32.201-STF, não ocorreu a prescrição da pretensão punitiva no presente caso concreto.
VI. Considerações Finais
64. Apesar de concordar com o exame do Auditor quanto à gravidade da conduta, e entender que a
pena proposta não é excessiva, o que está de acordo com a Decisão exarada pela 13ª Vara Federal de
Curitiba/PR em 2/4/2018, proponho que o encaminhamento alternativo seja no sentido de diligenciar o
responsável, a fim de que detalhe sua cooperação com processos de controle externo no TCU,
notadamente quanto à apuração do inquestionável superfaturamento, constatado tanto pelo TCU quanto
pelos peritos da Polícia Federal. Isso porque, além de assim se manifestar espontaneamente em suas
alegações de defesa, os termos de colaboração apresentados, notadamente o Termo nº 5, no qual
expressamente comenta acerca do superfaturamento na Rnest, obrigam que ele preste esclarecimentos a
outros órgãos do Estado.
65. As recentes decisões do TCU indicam a via consensual como uma possibilidade para a
alavancagem investigativa, abarcando a devida caracterização do dano, tanto na parte objetiva como na
parte subjetiva, o que é atribuição constitucional desta Corte de Contas. Paralelamente, o Tribunal tem
levado em consideração o fato de uma pessoa, tanto física como jurídica, ter celebrado acordo de
colaboração com o MPF, evitando sanções excessivas, além de propor benefícios no momento da
cobrança do ressarcimento devido.
66. Observei que os relatos nos termos de colaboração do Sr. Pedro Barusco mostram o profundo
conhecimento sobre as diversas fraudes na Rnest e em outros empreendimentos da Petrobras, além de
afirmar claramente como se dava o superfaturamento na Rnest, o que é foco principal de atuação desta
Unidade Técnica especializada.
67. Nesse contexto, uma efetiva cooperação do responsável tem o potencial de impactar
significativamente nos processos em curso neste Tribunal em diversas frentes, como quantificação de
débito e responsabilização de agentes, públicos ou privados. Ressalto que o foco da linha investigativa
desbravada pelo MPF não priorizou o ressarcimento de valores e, portanto, é alta a probabilidade de
haver novas informações e/ou evidências relevantes a serem apresentadas nesta Corte.
68. Diferentemente, ao cooperar com processos em curso no TCU, espera-se que o responsável
adentre com maiores detalhes à temática dos danos decorrentes da fraude ao processo licitatório. Um rol
não exaustivo do que se pode esperar de uma colaboração é o seguinte:
a) Quantificação ou confirmação célere do dano, ainda que em termos de ordem de grandeza,
confrontando valores esperados para o empreendimento (referência) e valores contratados;
b) Identificação de outros agentes da Petrobras responsáveis pelos ilícitos, a exemplo de Diretores,
membros dos conselhos, engenheiros relacionados aos orçamentos e aos projetos do empreendimento, e
quaisquer outros agentes que tenham atuado na linha decisória;
c) Identificação de aditivos contratuais que foram obtidos ilicitamente, sem a real motivação
técnica, ou que tenham sido superfaturados, detalhando as operações envolvendo alegações de
“impeditividades” e a aplicação da metodologia de “verba de chuva”, por exemplo;
d) Esclarecimentos quanto à operacionalização de ilícitos por meio da Associação Brasileira de
Engenharia Industrial (Abemi), tema tangenciado em seu Termo de Colaboração n. 5 (peça 54, p. 73),
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indicando se a atuação do cartel influenciou as publicações técnicas e os referenciais de preços da


Associação; e
e) Esclarecimentos quanto a outras linhas investigativas em curso no Tribunal.
69. Oportuno ressaltar que o responsável tem capacidade para atuar como perito/consultor, a
exemplo dos doleiros sentenciados a partir da operação “Câmbio Desligo”, deflagrada pelo MPF-RJ, os
quais inclusive ministraram palestra sobre métodos de lavagem de dinheiro, ocorrida em 10/8/2018, na
sede da Secex-RJ, com a participação desta secretaria.
70. O eventual engajamento do Sr. Pedro Barusco nas hipóteses colaborativas acima elencadas
pode, eventualmente, tornar acessível as seguintes contrapartidas: (i) quebra da solidariedade, por meio
da cobrança somente da parcela do dano auferido, (ii) benefício de ordem na cobrança do dano, (iii)
respeito à sua capacidade de pagamento, (iv) dedução de valores pagos noutras instâncias, além de (v)
uma redução ainda maior do que os 2/3 propostos para o tempo de inabilitação, ou mesmo uma total
isenção dessa sanção.
71. Além disso, uma bem sucedida cooperação no caso da Rnest serviria como uma espécie de
“projeto-piloto” de colaboração do responsável nesta Corte de Contas. Caso se perceba um ganho de
eficiência e o efetivo resultado útil do processo, o modelo poderia ser expandido para outras ações de
controle externo relacionadas à Petrobras, para quantificar danos, identificar responsáveis e até mesmo
avaliar decisões gerenciais que autorizaram o prosseguimento de empreendimentos sem viabilidade. A
título de exemplo, destaco que uma cooperação do Sr. Barusco poderia ser útil em processos
relacionados ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), às Refinarias Premium I e II, ao
Edifício Sede de Vitória/ES, ao Edifício Sede de Salvador/BA e à auditoria sobre o Veto Presidencial n.
41, de 26/1/2010.
72. Em face de todo o exposto, deixo de me manifestar conclusivamente, nesta etapa processual,
acerca da quantificação da duração da pena de inabilitação proposta pelo Auditor em sua instrução.
Isso porque a proposta de encaminhamento da presente manifestação será no sentido de diligenciar o
responsável sobre uma possível cooperação com esta Corte. Considerando que uma possível cooperação
do responsável diretamente com o TCU deve reduzir ainda mais eventual sanção aplicada, é pertinente
que se avalie a resposta da diligência antes da definição final acerca da proposta de dosimetria da
sanção.
73. Paralelamente a essa discussão principal, há a questão da prescrição punitiva. Apesar de
concordar parcialmente com o exame realizado pelo AUFC e com a sua conclusão de que não ocorreu a
prescrição no caso concreto, entendo que, ao combinar a decisão referente ao MS 32.201 do STF com o
Acórdão 1.441/2016-TCU-Plenário, a contagem do prazo prescricional se iniciou em 8/4/2011, após a
exoneração do responsável, sendo reiniciada a contagem do período de 10 anos a partir do dia
13/7/2016.
VII. Proposta de Encaminhamento
74. Feitas essas considerações, e por considerar o responsável propício à colaboração no caso da
Rnest, proponho ao Exmo. Ministro-Relator Benjamin Zymler:
a) diligenciar o Sr. Pedro José Barusco Filho, enviando a ele cópia da presente manifestação, para
que detalhe melhor sua proposta de cooperação com processos em andamento nesta Corte, tratando das
irregularidades na Rnest, especificando possíveis esclarecimentos e elementos probatórios que podem
ser apresentados referentes ao seguinte rol exemplificativo: (i) quantificação estimativa do dano; (ii)
identificação dos demais agentes responsáveis por ilícitos; (iii) identificação de aditivos contratuais
assinados sem a devida motivação técnica; e (iv) detalhamento da participação da Petrobras e das
empresas no âmbito da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), relacionando as
atividades com os ilícitos cometi