PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL

INSTITUTO DE LETRAS - PÓS-GRADUAÇÃO EM LINGÜÍSTICA

Curso de Lingüística Geral : Notas de Aula do Dr Prof Jorge Campos

por GILBERTO KELLER DE ANDRADE MARIA JOSÉ SANCHEZ DE SKLIAR NEIVA FONTOURA FREITAS ROSANY SCHWARZ RODRIGUES

Outubro de 1998

Apresentação: Este trabalho foi realizado por iniciativa dos alunos Gilberto Andrade, María José Sánchez, Neiva Freitas e Rosany Rodrigues, todos matriculados no programa de pós-graduação de Lingüística do Instituto de Letras da PUCRS. O objetivo é disponibilizar para futuros alunos da disciplina de Lingüística Geral deste curso, bem como permitir que estudantes e professores interessados em Lingüística possam desfrutar dos conhecimentos do Professor Jorge Campos. Com a devida autorização do professor, passamos a gravar suas aulas ( a partir da quarta ) e as compilamos nestas notas. Tomamos a liberdade de buscar em bibliografia recomendada pelo professor alguns conceitos que consideramos relevantes. Devido ao seu conhecimento de Lingüística, o professor tem uma dinâmica que permite abordar os conteúdos da disciplina de forma não-linear, isto é, uma abordagem típica para um hipertexto. Esta é a característica essencial do ponto de vista de formatação. Para finalizar, queremos expressar o nosso profundo agradecimento ao professor Jorge que nos permitiu editar suas aulas e por ter-nos brindado com o seu vastíssimo conhecimento.

OS AUTORES

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Lingüística Geral – 1998
Sumário
Apresentação: ......................................................................................................................... 2 Introdução ............................................................................................................................... 4 I Contexto Histórico-Teórico da Disciplina ........................................................................... 5 1.1. As Origens Clássicas da Lingüística e da Gramática .................................................. 5 1.1.Gregos e Latinos ....................................................................................................... 5 1.2 Pré-Socráticos: Heracliteanos e Eleatos ....................................................................... 6 1.3 Platão ............................................................................................................................ 6 1.3.1 Diálogos de Platão ................................................................................................. 6 1.3.2 Teoria das Formas – O problema dos Universais .................................................. 7 1.4 Aristóteles ..................................................................................................................... 8 1.5 Estóicos......................................................................................................................... 9 1.6 As Idades Médias ..................................................................................................... 10 1.7 Séculos XVI e XVII ................................................................................................. 11 1.8 Séculos XVIII e XIX .................................................................................................. 13 1.9 Século XX – Saussure e a 1a Revolução Metodológica: O Estruturalismo Lingüístico .......................................................................................................................................... 13 1.10 O Estruturalismo Europeu ....................................................................................... 16 1.10 O Estruturalismo Americano .................................................................................... 17 1.11 Contexto das relações interdisciplinares relevantes para a Lingüística.................... 18 1.12 A Revolução Metodológica do Programa Gerativista / Noam Chomsky................. 19 .13 A Evolução dos Modelos............................................................................................ 21 2 Tendências Contemporâneas ............................................................................................. 23 3 Teorias Lógicas: Lógica de Predicado de Primeira Ordem ............................................... 24

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A história da Lingüística está dentro da Filosofia da Lingüística.Introdução O conhecimento científico é o conhecimento cujo refinamento é gradual. assim como Saussure concebia a língua. a criação de novos paradigmas. uma propriedade do cérebro. A filosofia da Lingüística tem rigor diferente da disciplina Lingüística. o objeto é de natureza social. O objeto da Lingüística é a linguagem. formal ou natural é uma discussão da Filosofia. São os fundamentos filosóficos da Ciência que determinam a natureza de seu objeto. Esta é uma discussão que está dentro da Filosofia. A diferença entre o que é científico e o que não é científico não é determinado com precisão. Se o objeto de estudo é a linguagem.. É importante notar a diferença entre disciplina e filosofia da disciplina. na Filosofia. Para cada área o nível de formalização será diferente.. entendida como Chomsky a entende. Esquemas sobre ordem hierárquica dos fundamentos. verificação e sistematização) não são condições necessárias e suficientes para determinar o que é e o que não é científico. em termos de V ou F. Chomsky e Saussure assumiram filosofias diferentes. que corresponde a um rigor da Física e da Matemática. tal definição ainda é problemática . As propriedades gerais que caracterizam a Ciência (rigor. Não existem condições necessárias e suficientes para dizer o que é Ciência. O conhecimento filosófico de uma disciplina permitirá. O critério de plausibilidade é uma propriedade fundamental da Filosofia. O objeto não existe fora da teoria. Chomsky Fundamentos Filosóficos Naturalismo Fodor Naturalismo Fundamentos Metateóricos Inatismo/Princípio de Economia Linguagem do Pensamento Fundamentos Teóricos Classe de Aplicações 4 . A Lingüística como Ciência ainda não está estabelecida por completo. Se o objeto é concebido como objeto historicamente construído.. formal e natural. assume-se o critério de plausibilidade que é uma questão de interpretação e coerência. Não existe a Ciência! Ciência é uma metáfora. e o objeto da Filosofia da Lingüística é a Lingüística. o rigor será definido sempre de acordo com a área. A discussão filosófica sempre está implícita na discussão teórica.. Não se pode falar. Devemos tentar ver como a Lingüística se encaixa na Ciência. nas diferentes áreas: social. Em Filosofia. é uma construção intra-teórica. A abordagem filosófica é explanatória e a abordagem científica é descritiva e explanatória. o objeto é natural. Se o objeto é de natureza social. A Filosofia da Lingüística não é uma Ciência. entre outras coisas.

portanto. explanatória e científica.Gregos e Latinos A tradição grega teve uma forte influência na Lingüística. I Contexto Histórico-Teórico da Disciplina 1. não-linear a respeito de tópico considerados relevantes para contexto histórico-teórico da disciplina. Tudo o que estava fora do modelo da linguagem correta não era considerado.1. desde a sua origem. no sentido tradicional.Fundamentos Filosóficos da Lingüística Filosofia da Lingüística Ciência Natural Chomsky Filosofia da Lingüística Ciência Formal Montague Filosofia da Lingüística Ciência Social Saussure Física é a Ciência mais básica das Ciências Naturais e a Lógica é a mais básica das Ciências Formais. como também os dialetos ( as línguas gregas que não constituíam o padrão recomendável). linguagem e verdade. é normativa e social. Muitos dos problemas tratados pela Ciência na atualidade foram questões levantadas na antiguidade A Gramática. Ciências Sociais não têm uma ciência mais básica. As Origens Clássicas da Lingüística e da Gramática Este é um roteiro histórico-conceptual. Não se deve esquecer que os filósofos gregos ainda não faziam distinção entre os níveis de sintaxe e semântica. e a Lingüística é descritiva. Lingüística e Gramática têm a mesma origem: as especulações filosóficas acerca de questões sobre conhecimento. Do ponto de vista político. A história anterior não foi significativa. As Ciências Naturais e Formais têm mais credibilidade porque têm propriedades universais. foi um instrumento para a dominação das classes.1. foi excluído o barbarismo (língua não grega). Vamos examinar a história das Lingüística dentro da Filosofia. Enunciado x Sentença x Proposição: Enunciado nível pragmático (entidade física) ocorrência espaço-temporal da sentença 5 . A gramática representava um mecanismo de preservação da cultura helênica. 1.

nada persiste. O movimento é essencial. vai ser objeto de discussão. Saussure era um estruturalista. No momento em que Platão reflete se a linguagem é produto da natureza ou produto da cultura. Debate que discute naturalismo x convencionalismo. O ser está em repouso. Antes de Saussure a ênfase era no método histórico/comparativo.3 Platão Platão foi o primeiro filósofo que identificou. a questão da linguagem como um problema filosófico autônomo. A realidade é vista abstraída do tempo.Sentença nível sintático (estrutura abstrata por detrás do enunciado) SN SV Proposição nível semântico (conteúdo da sentença) Ao fazer menção a uma palavra deve-se usar aspas simples: Recife é grande à estou usando a palavra ‘Recife’ tem três sílabas à estou mencionando a palavra 1. conclui que a discussão 6 .2 Pré-Socráticos: Heracliteanos e Eleatos Heráclito: Pai da Dialética. Os estruturalistas preocuparam-se com a noção de sistema. É preciso haver uma estrutura que sustente o movimento. Nenhuma coisa pode ter a pretensão de ser o ser em si. Não há um ser estático das coisas. Lingüística Diacrônica X Lingüística Sincrônica 1. nem permanece o mesmo. o que há é um ser dinâmico. através de seus diálogos. pela primeira vez. Tudo flui.3.1 Diálogos de Platão “Crátilo”– Relação linguagem-mundo A linguagem. 1. Está visão sincrônica será privilegiada no estruturalismo do século XX. A perspectiva de tempo/movimento está presente nos estudos diacrônicos realizados no século XIX Parmênides: Mundo imóvel.

uma propriedade abstrata. mas um conceito que a nossa mente constrói . não sabemos quais são as coisas.Interpretação / A questão da verdade. Não existem entidades nem conceitos abstratos. Os substantivos comuns envolvem uma questão de natureza filosófico-lingüística: ‘árvore’ designa um conjunto de coisas. Essa operação foi a primeira a colocar a linguagem como objeto de estudo. Pertence ao conjunto de árvore todo o objeto que tenha a propriedade da arboricidade. Platão dizia que deveria haver algo que não está no espaço nem no tempo. Da pressuposição de existência depende o seu valor de verdade. porque não teríamos como decidir esta questão. O problema dos existenciais negativos: ‘O rei de Porto Alegre não existe’ Como posso falar de uma coisa que não existe. Para os sofistas tudo é questão do dizer. É retórico. Não há nada por trás do rótulo. A nossa mente é que conceptualiza a idéia. Há outras duas hipóteses que posteriormente foram postuladas sobre a questão dos universais: -Nominalismo O rótulo 'árvore' é o que conjuga este objeto que está no mundo. que é o mundo das formas. então não é físico. A linguagem externa é anômala. A ‘arboricidade’ não está em nenhuma árvore específica.2 Teoria das Formas – O problema dos Universais Platão levantou a questão dos universais. “Sofista”. Há uma base estável que é a forma semântica profunda. não tem sentido. A universalidade está na forma.está mal colocada. os nomes são usados para designarem entidades concretas. 7 . Noção de pressuposição : ‘O rei da França é calvo’ Não afirmo. A busca da verdade se faz através da forma semântica das palavras. Como não fomos nós que inventamos. -Conceptualismo A 'árvore' não seria só um nome ou um objeto. Começou a idéia de que algumas pessoas tinham a arte de dizer a verdade: os gramáticos. existe fora da mente. “Teeteto”. produto do contato com a cultura. Se a frase for verdadeira é “nonsense”. também não pode ser uma propriedade mental. O problema dos existenciais negativos está relacionado ao paradoxo da teoria dos conjuntos. Paradoxos semânticos são uma questão lingüística. 1. Platão reflete sobre a questão do paradoxo de falar sobre o que não existe. Platão concluiu que arboricidade é uma propriedade abstrata.3. ) Os filósofos gregos acharam que deviam distinguir a linguagem que permite expressar a verdade daquela que não o faz. Platão discute até que ponto a linguagem tem relação com a verdade ou se a linguagem é a verdade em si mesma (a realidade do fato corresponde ao que se relata. dependem dos significados. Esta concepção é conhecida como realismo platônico.Relação linguagem-mundo-retórica “Sofismo” –É tentar provar que é verdade algo que não corresponde à realidade. mas pressuponho que o rei exista.

seguidores do pensamento de Heráclito e Platão. Consagraram seus esforços no estabelecimento de diversos modelos em virtude dos quais as regularidades da língua puderam ser classificadas (o termo tradicional de paradigma é a palavra grega que indica modelo ou exemplo). ·A noção de verdade como correspondência A relação entre a linguagem e os fatos é conhecida como a teoria da correspondência. Uma lógica silogística. reguladora de todas as ciências. como produto da natureza. Dizer do que não é. a “Logical Form” é uma propriedade invariante da linguagem. sustentavam que a língua. Não negavam a existência de regularidades na formação de palavras na língua. que não é.Articulado a essa questão dos universais está o compromisso ontológico das teorias . Anomalismo X Analogismo é um debate importante. mas ao mesmo tempo essa forma lógica está ligada a um “programa” no cérebro. sustentavam que a língua era essencialmente sistemática e regular foram identificados como analogistas. por ex. isto não é verdade. e a falsidade como a ausência dessa correspondência.4 Aristóteles Aristóteles foi o primeiro filósofo antigo que realmente tentou organizar a ciência. Mas dizer do que é. como os analogistas. Os estóicos. os primitivos que subjazem à teoria que são de alguma natureza. baseada na linguagem natural. As línguas são idiossincráticas/anômalas." 8 . é verdade. Lógica como disciplina formal. e se estas existissem deveriam ser corrigidas. Se a língua fosse realmente um produto da convenção humana. e dizer do que não é . Aristóteles definiu a verdade como a relação de correspondência entre a proposição e o mundo. “Dizer do que é. é verdade. No cérebro está a universalidade da linguagem. era necessário conceder a devida atenção ao uso. Chomsky tende a pensar numa tradição mais platônica. Os filologistas alexandrinos. era só parcialmente suscetível de ser descrita em termos de modelos analógicos de formação. os anomalistas eram filósofos e não lingüistas práticos. não seria esperável que se encontrassem irregularidades. que é . Em Chomsky. ·Os fundamentos da Lógica Aristóteles delineou o primeiro sistema lógico da história. As línguas têm a mesma forma lógica. As diferenças entre as duas escolas eram profundas. mas destacavam os numerosos exemplos de palavras irregulares cuja formação não era possível explicar por intermédio do raciocínio analógico. que não é. baseados nos princípios aristotélicos. 1. Na Metafísica. que é.

significado e referente. o significado é o pensamento expresso por sons vocais. o objeto do mundo real não é considerado objeto da Lingüística.‘A neve é branca’ é verdadeira sse ( se e somente se) a neve é branca proposição fato Apresentou a noção de proposição como unidade semântica básica. estado. relação. é que é verdadeira ou falsa. Sob o ponto de vista lógico. O significante é o som vocal. tempo . As categorias de Aristóteles serviram de base a Kant. isto é. posição . por Richard [Semiótica]. A idéia de signo em Saussure é bipartite (significante e significado). ·As categorias filosóficas e gramaticais Aristóteles teve a intuição epistemológica de explicar a natureza do conhecimento humano. significado e objeto real. mais tarde. Kant estabeleceu as categorias dentro da mente. construir o conhecimento. A maior contribuição lingüística de Aristóteles é para a semântica das condições de verdade. Sob o ponto de vista ontológico são as formas elementares do ser. pensada ou falada As categorias são. no sentido ontológico. O homem para conhecer deve categorizar. estruturas do ser. de atribuir um predicado ao sujeito. quantidade. O signo tripartite distinguia entre linguagem. mundo e pensamento: Óculos ---à palavra Mundo/físico Conceito/Pensamento $ $ Os estóicos disseram que há uma conexão entre significante. a proposição. lugar. Estabeleceu um sistema de 10 categorias: substância. qualidade. Acreditava que qualquer realidade pode ser conhecida.. e não a sentença. cuja filosofia deu origem ao cognitivismo.5 Estóicos Os estóicos foram os primeiros que desenvolveram uma teoria explícita do signo como unidade da linguagem. categoria se traduz por predicação. 9 . as formas impressas na matéria. A idéia de signo tripartite (conceito – palavra – objeto ) foi retomada por Pierce e. e. 1. ação e sentimento . Os estóicos fizeram uma clara distinção entre a sentença como uma estrutura lingüística e o pensamento subjacente como estrutura cognitiva e mental. no sentido lógico. o referente é o correspondente externo do objeto. O signo formado por significante. estruturas do pensar. maneira ou modos de predicar o ser.

estabeleceu a língua grega. Þ tradição lógica. A Lingüística não evoluiu muito. em suas grandes conquistas. A gramática grega chega ao seu auge no período helenístico. Este foi o modelo para todas as gramáticas subseqüentes de línguas européias. neste período. com conotações normativas _ a arte de escrever corretamente _. Este último. dentro da gramática. a gramática antiga estava muito centrada na palavra. língua de governo em cada território conquistado. começa a ser usado. As análises e descrições gramaticais foram usadas e interpretadas como prescrições para o uso apropriado da língua. A lingüística alexandrina foi estritamente normativa e prescritiva. Aristóteles foi mestre de Alexandre da Macedônia. só houve expansão das gramáticas pedagógicas. A teoria destes gramáticos relaciona as idéias dos estóicos às de Aristóteles. O fato mais importante para a evolução da Lingüística foi a vinculação da Lógica com a linguagem decorrente da gramática especulativa. Suas formulações foram resumidas por Dionisio de Tracia. O termo gramática. Embora já tratando. As categorias gramaticais eram baseadas na palavra. neste período. pois entenderam o mundo enquanto representação. É o primeiro documento da história ocidental que objetiva prover uma descrição gramatical de uma língua. unidade básica essencial. ORIGENS DA GRAMÁTICA TRADICIONAL A gramática normativa surge a partir da cultura helênica. As idéias de Aristóteles passam para a gramática especulativa. A situação históricocultural condicionou o surgimento da gramática que representava um mecanismo de dominação cultural. A Alexandria se tornou foco de ensino do grego.Nas idéias dos estóicos vemos os primórdios das ciências cognitivas. O que é verdadeiro? Se a verdade está na relação entre a palavra e a coisa. Seus objetivos foram de estabelecer uma relação regular entre as categorias 10 .6 As Idades Médias O predomínio do mundo religioso. repercutiu no ensino da gramática. se a verdade está na relação entre a realidade e pensamento Þ perspectiva cognitivista. que teve sua origem no termo grego ”techne grammatike”_ a arte de escrever_ . de questões lingüísticas. Antiguidade tardia Apolonio Discolo Donato Prisciano 1. O termo especulativo deriva da concepção que a linguagem é como um espelho que proporciona uma reflexão da realidade subjacente aos fenômenos do mundo físico.

Faz uma retomada em relação aos modus e às especulações sobre a linguagem e o pensamento. um conjunto de modos essendi. É necessário atribuir um espírito aos seres humanos. o grau de evolução é grande. Foi na Idade Média e depois. com Descartes estão localizadas na mente. XVII e XVIII Séculos XIX e XX 1. Os gregos e os romanos não trataram diretamente das propriedades universais da linguagem. em oposição à diversidade de línguas. entre as categorias mentais do pensamento e as categorias gramaticais da linguagem. mas entre a Idade Média e os séculos XIX e XX.7 Séculos XVI e XVII As questões colocadas por Descartes passam a ser marcas fundamentais para a história da Lingüística. vários modos de compreender. q q q Essendi (mundo) Intelligendi (pensamento) Significandi (linguagem) Os modos de ser foram ponto de partida para os modos de pensar e significar. Descartes sustenta que a linguagem é utilizável para a livre expressão do pensamento e para 11 . e em Aristóteles. O signo lingüístico significa o conceito e os modos de compreensão. cada objeto do mundo real tem. várias propriedade que permitem que seja concebido de várias maneiras. Mente e corpo são de substâncias diferentes. A partir das características das coisas mesmas. Os elementos e estruturas lingüísticas são vistos sob a ótica das categorias de ser e de pensar. Revitalizou o dualismo platônico. o grau de evolução foi pequeno. Russel. As idéias que em Platão estavam situadas fora da mente. O termo dado às categorias foi o de modus. onde se convertem em conceitos em relação íntima com a noção de significado. substância cuja essência é o pensamento. se espelham num e noutro. Witghenstein Antigos Séculos XVI. Entre os antigos e a Idade Média. É a partir dessas propriedades do objeto que o intelecto tem acesso aos modos inteligendi. a linguagem humana em geral e as línguas específicas em particular. mas também. Isto foi o ponto de partida para séculos de teorização especulativa sobre o sistema subjacente. não só uma essência que a faz ser o que é. nas coisas. as propriedades co-significadas são chamadas de modos significandi. que os filósofos da linguagem começaram a responder questões sobre a unidade da linguagem como tal. Platão e Aristóteles Descartes Kant Santo Agostinho S T de Aquino Frege. e a desenvolver teorias sobre a gramática universal.metafísicas e ontológicas do pensamento e a estrutura do mundo real.

A interação entre o mundo e o indivíduo constitui um fenômeno. A capacidade cognitiva é afetada pela relação com o objeto e tem condições de representá-lo. Arnaud. Como podemos conhecer alguma coisa se não conhecemos a mente? Descartes propôs a noção de inatismo. e portanto. A questão do dualismo cartesiano corpo/mente. As coisas em si mesmas e o nosso cérebro não são o objeto de conhecimento. Esta visão é crucial para a passagem para o século XX e a atual concepção da Lingüística como área das ciências cognitivas. objeto e instrumento são o mesmo. Dualismo são variações para o problema Mente X Corpo. Materialismo. Não podemos aprender tudo. Em 1660 12 . Todo conhecimento tem como objeto o fenômeno. mas os pensamentos não o são. deve ser comum a todas as línguas. As línguas são diferentes. Chomsky retoma a idéia do inatismo na década de 60 com o livro Lingüística Cartesiana. “ Que significa conhecer objetivamente?” . Para Kant. Lancelot e Artaud. no conhecimento. Idealismo. Nascemos com certas propriedades cognitivas que se expressam pelo nosso cérebro. O verdadeiro não – dualista é o que considera mente/cérebro como uma coisa só.(Seria a parte lógica da linguagem) Os gramáticos de Port-Royal.a resposta adequada em qualquer novo contexto. “ Como se relaciona o cognitivismo com a realidade?” As respostas a estas questões constituíram sua tese que serviu de fundamento a todas as ciências cognitivas. “Como posso garantir a objetividade do conhecimento se só eu tenho acesso a minha mente?” A questão solipsista aborda o problema de que. necessariamente. Behaviorismo. Chomsky é anti-reducionista e anti-dualista. está fundada na razão. por isso temos idéias inatas. Os ideais da gramática especulativa foram reavivados na França durante o século XXVII pelos mestres da Port Royal. Algum nível da língua deve ser comum. Descartes argumentou que todo nosso conhecimento do mundo externo é mediado por representações. Deve haver uma maneira da estrutura do pensamento se transpor às diversas línguas. tomam as idéias de Sanches sobre Lógica e Linguagem. Kant é o filósofo mais importante para as ciências cognitivas. deve existir um nível onde ela contate com o pensamento. de alguma forma representam as coisas externas. quis demonstrar que a linguagem. Francisco Sanches é um precursor da relação linguagem e pensamento e da Gramática Universal. Tentou mostrar como é a relação entre indivíduo e mundo. Compatibilizou racionalismo com empirismo. Se a língua expressa o pensamento. lógico. Recupera do cartesianismo a idéia do inatismo e não a do dualismo. discípulo de Descartes. Kant fez os maiores insights entre conhecimento e experiência. Por exemplo. nascemos com propriedades cognitivas. imagem do pensamento.é o paradoxo que se apresenta na epistemologia moderna nos termos de cérebro/mente. Chomsky foi o segundo grande revolucionário das ciências cognitivistas. Reducionismo pende para o cérebro. a noção de espaço e tempo. A nossa capacidade organiza a experiência como conhecimento. objetos mentais que. Todo o conhecimento tem uma forma de representação. Descartes afirmou que uma substância pensante tem que ser postulada para explicar o aspecto criador do uso da linguagem. e o cérebro tem propriedades para representar as coisas. As coisas têm propriedades que afetam o cérebro.

A perspectiva naturalista é uma perspectiva nova.publicaram “Grammaire Generale et Raizonnee”. nem mesmo fez da linguagem um ponto fundamental de sua reflexão. A tradição kanteana está na base do pensamento de Saussure. Dizer que Saussure é o pai da Ciência Lingüística é uma metáfora que serve para marcar a evolução histórica da disciplina. A Ciência da Lógica de Hegel.9 Século XX – Saussure e a 1a Revolução Metodológica: O Estruturalismo Lingüístico Saussure foi o primeiro a explicitar a existência de uma Ciência da Linguagem. Caracteriza-se em seguida pela matematização da lógica. Do ponto de vista da filosofia da linguagem. e contrariamente à expectativa da escola dos ideólogos. anteriormente. Com Saussure começam a aparecer os fundamentos da disciplina: diz o que é a Lingüística e como ela deve ser. ao mesmo tempo. Existem razões para que Saussure seja apontado como fundador da Lingüística Científica. Esboçou analogia com a biologia. não comporta uma palavra sobre a linguagem. Ela segue nisso um procedimento inaugurado pela idéia kantiana da lógica transcendental . Uma delas é que fez. Para ele. Lingüística e Filosofia da Linguagem. uma ciência deve estabelecer o seu método e o seu objeto. Isto teve repercussão na Lingüística que propõe conhecer a linguagem do ponto de vista evolutivo. nem zoológica. 1.8 Séculos XVIII e XIX O século XIX caracteriza-se de início pelo desenvolvimento da gramática comparada que atinge seu apogeu por volta de 1880. crescimento e morte. o panorama do século é bem característico: a diferença do século precedente. A idéia de Gramática Universal. praticamente nenhum daqueles que consideramos como os grandes filósofos trouxe contribuição decisiva. línguas que empregam afixos(aglutinantes) e línguas de inflexão. as quais também determinam seu desenvolvimento. F Schlegel: faz do sânscrito um objeto de estudo privilegiado. Schelegel: propõe uma tipologia das línguas: línguas sem nenhuma estrutura gramatical. a linguagem é um organismo vivo que vem independentemente do desejo do homem. cujo propósito era demonstrar que a estrutura da linguagem é um produto da razão e que as distintas línguas não são mais que variantes de um sistema racional e lógico mais geral. não se tinha pensado em evolução biológica. “É o método que cria o objeto”. se considerar que. que tem por objetivo dar conta do modo como um objeto é pensável. que é uma vasta ontologia. O problema essencial torna-se o parentesco genético das línguas. com os neogramáticos. Segundo Schleicher. exposta na Crítica da Razão Pura. Humboldt: tentativa para conciliar as diversidades das línguas. cresce de acordo com certas leis. Kant se perguntava “O que é conhecimento?” “O que é 13 . contrariamente a toda tradição aristotélica. A. Chomsky atribui à Port Royal 1. sua historicidade e seu papel no pensamento humano como um idealismo herdado de Kant Darwin foi quem provocou o primeiro impacto com uma visão evolucionista.

Linguagem é uma metáfora. Mas Saussure compreendeu o caráter da abstração e não sucumbiu ao empirismo tradicional. A langue é construída historicamente pela parole. para Chomsky. Serviram para focalizar certas propriedades. Funciona como uma estrutura. formando um sistema. A linguagem é um fenômeno multiforme e heteróclito. esse binômio permitiu passar para a fala o que era particular e para a língua o que era social. mas a parole é inteligível porque existe a langue. Os conceitos dicotômicos eram o método de Saussure. Língua e competência seriam as propriedades universais da linguagem. pode ser comparada à noção de língua e fala. das substituições. O problema científico é universal. questionou como deve ser a Lingüística. onde uma dada unidade se opõe àquelas que poderiam substituí-la no mesmo contexto. A essência da linguagem é a langue. pois envolve aspectos sociais. Metaforicamente. e o nível sintagmático é definido como o nível das combinações na seqüência do discurso. A língua é. ao mesmo tempo. A teoria modela o objeto. sendo que a escolha de uma exclui a realização das outras. abordáveis e possíveis. As relações de oposição são chamadas relações paradigmáticas. instrumento e produto da fala. Saussure em vez de se perguntar o que é a linguagem. ou estrutura. sistema de signos organizados de natureza social. método Teoria Científica Objeto Deve ter propriedades homogêneas A Lingüística é a Ciência da Linguagem. para Saussure. os elementos da língua devem ser analisados em seu inter-relacionamento. A idéia de método em Saussure era primitiva se comparada com a atual concepção de Ciência. A Lingüística vai construir. Ciência criada a partir do objeto é uma forma de observacionalismo grosseiro. psicológicos. e o nível paradigmático é definido como o nível das seleções. antropológicos. projetar seu objeto e enxergar propriedades universais que representem a linguagem no passado e no futuro. Não são iguais. que não é mais o objeto real. A revolução provocada por Saussure foi uma ruptura metodológica com a sua própria formação. As relações combinatórias são intituladas relações sintagmáticas. teórico. Fazer Ciência é construir objetos reais. que examinava fragmentos de línguas e comparava dados. 14 . o que é universal é social. formal. Saussure fez uma revolução com respeito ao método. econômicos. A distinção entre competência e performance de Chomsky. para então responder o que é a linguagem. A diferença é que. não substância. universais. ·Forma x substância A língua é forma. Os problemas são construídos e não observados. nunca local ou regional. onde o valor de uma dada unidade lingüística é determinada pela relação entre ela e as outras unidades concorrentes. Problemas científicos são problemas criados . mas análogas.conhecer?”. o universal é uma propriedade do cérebro. Compreendeu que era necessário construir conceitos. é um objeto científico. Todos os elementos da língua se relacionam entre si. e. onde cada elemento só tem valor em virtude de se opor aos outros e com os outros poder combinar-se. As dicotomias de Saussure ·Langue x parole. e que tudo começa pela teoria.

foi pioneiro nisto. é preciso apresentá-la linearmente. A materialização do significante é linear (é um significante após o outro e não como uma imagem). diferentemente da visão. O objeto é externo ao signo e irrelevante para a Lingüística. Chomsky manteve a tradição. Saussure pode ser considerado um filósofo da Lingüística. está fora do tempo. mas também é. ·Sincronia x diacronia ·Significante e significado estão numa relação de arbitrariedade. porque a estrutura é forma. as coisas que estão no tempo e no espaço. estas não estavam sujeitas ao tempo. Saussure também compreendeu que era necessário situar a disciplina no contexto interdisciplinar.Saussure compreendeu também que se havia uma série de relações. como um todo. é sincrônica por natureza. por exemplo. ( ‘telefone’ objeto físico real Significado Objeto Teórico Significante árvore x erovrá Não tem significado Saussure postulou o princípio da linearidade do significante. o seu valor. A relação entre o significante e o significado é arbitrária. (As maiores revoluções da Lingüística foram feitas por quem praticava Filosofia da Lingüística). mas usou na sua metodologia a Filosofia. Saussure dá uma resposta convencionalista para o problema do Crátilo (mais próximo a Aristóteles). A arbitrariedade é também do signo. mas necessária. Saussure também postulou a mutabilidade e imutabilidade do signo. A estrutura permanece estável e equilibrada. Não desenvolveu uma sustentação filosófica. não há nenhuma propriedade intrínseca que una o significante ao significado. imutável. O signo muda no decorrer do tempo. Visão de Saussure. do ponto de vista da Filosofia da Lingüística: Sociologia Psicologia Social Semiologia Lingüística 15 . A relação entre o signo e o objeto também é necessária mas complementar. Ele é um jogo de relações e a forma não está sujeita ao tempo. em direção ao objeto. Este afeta primeiro as substâncias. os sons (isto vai mexendo só indiretamente na estrutura). Para descrever a árvore.

a substância e a forma. A Ciência trabalha com problemas. naturais. Computação e Cognição são emergentes na época de Chomsky e não na época de Saussure. Gramática Universal é uma limitação. nem Semântica. Hjelmeslev tem um papel importante na Lingüística Formal 16 . O cérebro tem uma limitação que permite só uma classe de línguas.10 O Estruturalismo Europeu A análise do estruturalismo saussureano do início do século XX deve ser vista com o pano de fundo de uma tradição milenar de estudos sociais: gramática tradicional. A presença ou ausência do ‘S’ no artigo tem valor lingüístico. Este último levou para os Estados Unidos a tradição européia. A Sociologia para Chomsky é um mistério. Todo problema que não está dentro de uma teoria é um mistério.A noção de forma e substância de Saussure foi levada ao extremo por Hjelmslev que distinguiu o plano da expressão do plano do conteúdo e em cada um desses planos. Atualmente. Só são comparáveis no nível dos fundamentos. Sociologia para Chomsky não é uma ciência como as ciências formais. Saussure representa uma ruptura com relação àquele passado. As duas teorias são sistemas diferentes. A linguagem é um fenômeno estável na história da humanidade.Lógica. É Morfosintaxe. a Lingüística é Fonologia e Morfosintaxe. não um problema. porque não tem propriedades homogêneas. diz que a língua é forma e não substância. Distingue entre problemas que podem ser tratáveis . sabe-se que a linguagem é universal e que as línguas são particulares. são não selecionados. Na época de Saussure a ciência emergente era a Sociologia. por hipótese. o método era o histórico. porque não existem propriedades homogêneas na linguagem social. nossa cognição é limitada. A relação entre ’A’ e ‘O’ em Português tem conseqüências para o gênero. Para Chomsky existe uma diferença entre Problema e Mistério: o problema é tratável cientificamente e o mistério é tratado por especulação. pode ser estudada pelas ciências naturais. a GU é código genético-biológico. mas não a considera irrelevante. Desde o ponto de vista metodológico o mistério não pode ser objeto de Ciência. É Fonologia. por hipótese. filologia. Os nomes relevantes são Trubetzkoy e Jacobson. Não têm como ser abordados. A langue é um código social. Isto é Lingüística. Hjelmslev diz que a Lingüística não é nem Fonética. Chomsky ignora o lado social da linguagem. como estratégia. Tudo o que cai fora dessa limitação nunca compreenderemos. por isso deve ser remetido para o futuro. Para Hjelmslev. Escola de Copenhague – A glossemática de Hjelmslev. Isto é Lingüística. As escolas que deram seqüência ao pensamento saussureano: A Escola de Praga contribuiu sobretudo na Fonologia. Assim como Saussure. abordáveis e mistérios que são problemas que podem ser levantados mas que. Os sons são a substância da expressão e as idéias são a substância do conteúdo. historicismo. A fundamentação da lingüística de Chomsky já está em outro contexto de evolução da Ciência: ciências cognitivas e computação. Linguagem Universal (Linguagem – I) e a Linguagem – E (são as línguas). Não temos respostas a não ser por especulações. portanto não se podem comparar. Chomsky afirma que há mistérios que nunca vamos a resolver . 1. mas Saussure não percebeu esta distinção. Se a linguagem é natural? É um mistério.

Teoria Literária Althusser. No estruturalismo americano a linguagem é inerente ao ser humano. A lingüística americana tem duas tradições que compõem esse quadro antropológico: uma tendência mentalista (Sapir) e mecanicista (Bloomfield) .Marxologia 1. Cada uma das correntes tentou aplicar as idéias de Saussure. contemporâneos de Saussure. abstrata. Nos EUA não existiu a ruptura que Saussure teve que fazer com a gramática tradicional. A lingüística. ligada ao pensamento das falas que têm existência externa. Fez uma lingüística voltada para aplicação antropológica. Se deve entender fala e linguagem diferentemente de Chomsky atualmente. se refere tanto à linguagem quanto à língua. princípio do XX. nos EUA.Egiptólogo. cuja metodologia está na dependência de uma psicologia da mente. Escola de Londres : estudos de línguas exóticas. que é a parte mental. ciência da linguagem. Sua obra gigantesca descreve as línguas. Sweet – Jones: Foneticistas e fonólogos.A tradição na Inglaterra tem várias correntes.10 O Estruturalismo Americano No estruturalismo europeu a questão era como a linguagem era usada socialmente. A Lingüística entra na "Associação Filosófica Americana" como uma Ciência. se desenvolveu questionando a linguagem como parte da natureza do homem e não da sociedade. No final do século XIX . Firth. Quando Sapir se refere à linguagem. Historicamente se vincula ao processo de colonização que envolveu milhares de tribos. Pós-Estruturalistas: O estruturalismo de Saussure gerou varias tendências pós-estruturalistas. linguagem como fenômeno antropológico. Suas idéias ao respeito do Método alimentaram uma esperança para as áreas humanas: a existência de um método estrutural para a abordagem de seus objetos de estudo. A linguagem sendo o resultado de uma convenção social.Semiologia. Distinguiu uma linguagem abstrata.Precursor da análise do discurso “todo significado é situacional” ( Semântica situacional). Estudo sobre os nomes próprios. 17 . uma palavra para dois significados.Psicanálise Levi-Strauss –Antropologia Foucault-Epistemologia Todorov. compara vocabulário e estruturas morfológicas. O objetivo da Lingüística era o estudo das línguas indígenas. Lacan. em um sentido. É. Gardiner. antecessor de Chomsky: a linguagem é uma abstração para explicar e para entender as formas variadas de fala. Entender Chomsky como naturalista é entender essa tradição. o antropólogo Franz Boas foi contratado para trabalhar com as línguas indígenas. Sapir era mentalista. assumindo um perfil mais naturalista. existente dentro da mente das pessoas. Barthes. com o comparativismo e historicismo. acreditava que a forma comum à fala e suas variedades era uma forma interna.

Foi o grande nome da Lingüística americana. Skinner foi o grande behaviorista moderno. pois o significado depende do conhecimento científico e do desenvolvimento do conhecimento. Coloca a linguagem dentro de um contexto comportamental. à Fonologia e à Sintaxe. à Fonética. e não podia ser considerado objeto da Lingüística. ou melhor. esta conexão começou a sugerir um modelo para a relação entre cérebro e mente. a Lógica passa a ser mais matematizada e a Matemática cada vez mais lógica. o surgimento da computação e a possibilidade de modelar as relações cérebro-mente sob um ponto de vista mais formal. a metodologia descritiva da tradição lingüística. O computador significou a base tecnológica que oportunizou a emergência das Ciências Cognitivas. A revolução da Lógica. dedicada ao estudo do comportamento complexo. Uma língua lógica. Estes estudos permitiram as construções das linguagens artificiais/formais. científica. Surge a computação. Em 1874 escreveu um trabalho chamado “Conceitografia” onde propõe uma nova Lógica que tentava apreender o ideal de Leibniz: uma linguagem universal. o colapso da lingüística beheavorista é o quadro que pré-existia nos Estados Unidos independente de Chomsky. mas suas tendências eram completamente diversas. para Bloomfield. A Lingüística filiada à psicologia beheavorista. era via psicologia beheavorista. O computador representou uma conexão entre estrutura de máquinas e estrutura de operações. Não conseguiu estabelecer a distinção entre um significado lingüístico de um extra-lingüístico. Frege procurou examinar se a Matemática era lógica. Depois de Frege. 18 . na década de 50. a língua como fenômeno do comportamento. Boole criou a álgebra booleana. A Lingüística de Bloomfield não tem semântica latu sensu.11 Contexto das relações interdisciplinares relevantes para a Lingüística No final do século XlX. O beheavorismo colapsa com a evolução da Lógica –Matemática. o surgimento da computação. encontro da Lógica com a Matemática. A Lógica era calcada na linguagem natural. com a qual tudo poderia ser dito. de sujeito-predicado e criou o par função–argumento. apenas as ações são observáveis e tratáveis. Nos EUA a lingüística era uma Lingüística antropológica.Bloomfield foi contemporâneo de Sapir. 1. consagrada por Aristóteles. entretanto. Com o surgimento do computador. Contestou a estrutura. o hard e o soft. A Lingüística vinculada ao estudo do comportamento lingüístico. Constatou que a Lógica aristotélica era muito elementar para trabalhar com a Matemática. Adotou. Para os beheavioristas. Defendia que o significado estava fora da mente. o interior não é tratável. a emergência das Ciências Cognitivas. baseada em idéias como estímulo-resposta. Surgem as máquinas para cálculos de balísticas e outras aplicações. Sua obra Language faz considerações à História da Lingüística. surgiu o Projeto Logicista: Frege-Russel-Wittgenstein 0 Objetivo: dar fundamentação lógica à Matemática. que precedeu Chomsky foi o do estruturalismo americano com tendência beheavorista e descritivista. se os fundamentos da Matemática eram lógicos. O contexto da Lingüística nos EUA. o interior passou a ser estudado. A adequação explanatória.

Em um primeiro momento. É um passo formal em direção à Sintaxe. independem do conteúdo. mas ao mesmo tempo não assume a Lógica e a Matemática como fundamentos para um modelo cognitivista. Num primeiro momento. Dentro dessa tradição. Fez uma revolução sintaxista.Começa a graduação em Lingüística por influência de Harris/ Harvard. como disciplinas formais. Quine: 1953 Um dos dez filósofos mais importantes do mundo moderno. Chomsky . Até então predominava a descrição. A Matemática e a Lógica. buscou os fundamentos da sua disciplina na área interdisciplinar da Psicologia Cognitiva. que criticou com radicalidade o método estruturalista de Harris. baseava-se em pesquisas de campo. Chomsky faz Lingüística com essas bases novas. Goodman Nelson: Foi seu mentor filosófico. Surgiram as noções de competência e performance. 1959. Chomsky faz um programa formal. Já que a lógica da linguagem natural tem leis empíricas do cérebro. sem enfocar as relações entre as frases. Estendeu à sentença o mesmo tipo de descrição que já havia para a Morfologia e Fonologia. pioneiro na crítica à indução. frase ativa e passiva. a máquina com os programas. surge a Lingüística Gerativa. que dá continuidade ao programa estrutural. 19 . Enquanto fundamentos a situação é diferente. já com o aparato do avanço da lógica. 1951.Dissertação de Mestrado/ Morfofonêmica do Hebreu. tenta aplicar certas noções de Lógica e Matemática ao estudo da estrutura da sentença.Ingressou no MIT no Departamento de Línguas Modernas 1955.Tese de Dotourado sobre Teoria Transformacional 1957. Acrescenta o componente transformacional que permite relacionar estruturas através de regras de transformação. Chomsky assume a primeira observação e nega a segunda. que levou também Chomsky para o MIT.Artigo contra Skinner “ Verbal Behavior” A emergência das Ciências Cognitivas possibilitou um tratamento mais sofisticado das relações cérebro-mente. e a Lingüística era presa a idéias taxonômicas. Jakobson: 1957 Professor de Morris Halle no MIT. Com essa idéia de transformação faz uma revolução técnica da Lingüística. no final da década de 50. Bar-Hillel: Pesquisador na área da tradução automática em máquinas. Chomsky recebeu influências de: Harris : 1947 foi o orientador de Chomsky.12 A Revolução Metodológica do Programa Gerativista / Noam Chomsky O contexto de emergência de Chomsky é muito diferente do contexto de Saussure que era historicista. 1951. à gramática tradicional e ao comparativismo.1. Através do modelo de computação. Essa dicotomia é um símbolo da conexão feita por Chomsky entre as propriedades formais da linguagem e as propriedades cognitivas do cérebro humano. diferentes da lógica das linguagens construídas. podem ser usadas em qualquer área de estudo enquanto instrumentos. Chomsky deu um passo à frente. Nesse quadro. 1947.Publicação de Syntactic Structures. foi possível compatibilizar a base física com a formal. inicia um programa formal. por exemplo. Criou a linguagem matemático-aritmética para traduzir a linguagem natural em linguagem de máquina.

então.Podemos. supostamente universal. A Gramática Universal é uma hipótese de trabalho. certas leis que dizemos ser universais. Assume-se uma hipótese inatista exatamente para que se suponha a base universal. Inatismo decorre da modularidade. se não não será o módulo. Se a linguagem é uma propriedade humana. um programa no cérebro. a hipótese inatista tem um caráter explanatório. Uma hipótese holística pretende colocar o todo antes das partes.wrong view. Chomsky questiona sobre a base mente-cérebro da sintaxe. Se constrói uma teoria. não existe pensar o todo antes das partes. um caso apenas pode desconfirmar a teoria. este terá propriedades específicas. A conseqüência de não assumir a hipótese modular do cérebro é o comprometimento com uma abordagem especulativa. temos que ir além da descrição. Sintaxe deve ter uma base natural. A linguagem como código programático do cérebro_ gramática universal. A sintaxe das línguas representa uma estrutura formal que pode ser descrita. Toda visão observacional é indutiva. Quando Chomky postula os fundamentos cognitivos de sua lingüística faz um deslocamento do objeto formal para o objeto natural. a partir disso. É um erro pensar que deve-se estudar as línguas para concluir o que elas têm em comum . A linguagem construída como um objeto natural. A proposta holística tem um paradoxo lógico: é impossível construir um todo a não ser pelas partes. toda aquisição da linguagem deverá ser adquirida. o ônus de não assumir a hipótese inatista é que a base universal deverá ser externa. Chomsky não é indutivista. isto é. Então. pois a definição de todo é uma construção a partir das partes. Como tentativa metodológica. 20 . A hipótese inatista é uma hipótese e não uma tese. Supor a hipótese de que existe o módulo da linguagem é supor a hipótese inatista. Esta vai ser a conexão entre a estrutura descritiva da linguagem e sua base cognitiva. A hipótese inatista é a hipótese de que existem propriedades específicas da linguagem. metodologicamente. o fato das crianças em diferentes partes do mundo começarem a falar na mesma época e a utilizar gramáticas semelhantes independentemente dos inúmeros contextos. Assumir a hipótese inatista é uma restrição metodológica. Uma hipótese será abandonada quando aparecer uma melhor. deve ser uma propriedade do cérebro. porque tese é decorrente de uma demonstração. é uma construção. Se quisermos explicar o que é a linguagem humana. No caso. É decorrente da modularidade. temos que dar uma explicação. mais útil que a não modular. Desde que se estabeleça o módulo. Como explicar. Supondo que o cérebro seja modular. a priori. descrever a linguagem formalmente. por que escolher a modularidade? Porque a hipótese modular é. uma explicação melhor. por hipótese é caracterizada por uma Gramática Universal em oposição às gramáticas particulares de cada língua. Neste segundo momento do programa gerativista.

1. Sintagmáticas: Sujeito – Predicado Os estruturalistas não haviam se preocupado com a estrutura Modelo Padrão: (1965) Aspects of The Theory of Syntax Léxico Syntactic Structures Regras de Estrutura Fraseal Estrutura Profunda – Interpretação Semântica Regras de Transformação Estrutura de Superfície Regras Fonéticas Observação: o léxico era inserido para formar a estrutura profunda Modelo Padrão Ampliado: (1972/1973) Language and Mind.13 A Evolução dos Modelos Modelo Clássico: (1957) Regras Sintagmáticas Estrutura Profunda Regras Transformacionais Estrutura de Superfície Fonológico Semântico Observação: R. Conditions on Transformation e Studies on Semantics in Generative Grammar Teoria X Léxico Estrutura Profunda Regras de Transformação Interpretação Semântica Estrutura de Superfície Representação Fonética Observação: Pessoas mostram que as transformações alteram o significado. 21 .

Descreve a Estrutura de Superfície indicando o que deve ser mudado. quando percebeuque regras servem para descrever e são particulares. independente das línguas particulares. Ele passa para a noção de princípios. Modelo Regência e Ligação:(1981) Lectures on Government on Biding Teoria X Léxico Teoria de Caso Teoria da Regência Teoria de Ligação TeoriaTeta Teoria da Fronteira Estrutura Profunda Mover a Estrutura de Superfície Forma Fonética Forma Lógica Observação: Chomsky recusa. De Regras (modelos) passou para a Teoria X. São níveis teóricos e nada a ver com profundidade no cérebro. Trocou o nome de Estrutura Profunda para EP. Toda significação deve ser estudada na Estrutura de Superfície. substituindo por Mover a.Exemplo: ‘Todas as pessoas falam duas línguas ‘ e ‘Duas línguas são faladas por todos’ Têm alteração no significado.O próximo passo foi acabar com as regras de transformação. Houve uma transformação. Representa todas as formas de transformação. Modelo Padrão Ampliado Revisado: (1975/1976) Reflections on Language e Questions on Formand Interpretation Teoria X Léxico Estrutura Profunda Mover a Estrutura de Superfície Forma Fonética Forma Lógica Observação: ‘João viu quem’ e ‘Quem João viu’. O significado está na superfície na profunda. Este modelo não é dele Modelo de Princípios e Parâmetros: (1991) Principles and Parameters Theory 22 . Isto já havia acontecido no modelo III.

Greimas faz uma Semântica Antropológica. Montague desenvolveu uma teoria conhecida como Semântica de Montague que é uma teoria puramente formal. 23 . Jaeckendoff faz uma Semântica Cognitiva. Labov faz uma Semântica voltada para a Antropologia. 2 Tendências Contemporâneas Na Semântica. a partir dos anteriores. destaque para Sperber e Wilson com a Teoria da Relevância e Grice com a Teoria das Implicaturas.Teoria X Léxico Estrutura Profunda Mover a Estrutura de Superfície Forma Fonética Forma Lógica Modelo Minimalista: (1993) Minimalist Program Léxico Spell-out Forma Fonética Articulatória Perceptível Forma Lógica Conceptual Intencional Observação: A idéia central deste modelo é criar um modelo mais simples possível. Na Pragmática Cognitiva.

Semântica Formal: significado está na forma.3 Teorias Lógicas: Lógica de Predicado de Primeira Ordem Semântica Lógica Lógica Clássica – Aristóteles (fundador da Lógica) Lógica Moderna . mas diferentes formas lógicas: Eo e ("´) (G´®E´) Lógica Elementar: ‘Platão é filósofo’ P ou Fp ‘Chomsky é lingüista e Clinton não gosta dele’ P Ù ~ Q LckÙGctck Se João ama Maria.. referem-se ao mesmo planeta. 2=2.Frege. Russel e Wittgeinsten Silogística Aristotélica// Sujeito e Predicado A(Todos As são Bs) E(Nenhum A é B) I(Alguns As são Bs) Frege: Argumento e Função Sentido X Referência Conceito X Objeto O(Alguns As não são Bs) ex.todos referem-se ao mesmo número mas com sentido (forma) diferente ex. é expressão da racionalidade. Sentido é o caminho que leva à referência..: ‘A Estrela da Manhã é a Estrela da Tarde’. Para fins de raciocínio lógico. então ele sente atração por ela João não sente atração por Maria João não ama Maria Todos os políticos são oportunistas João é político João é oportunista A idéia de Lógica no sentido tradicional é a idéia de forma.. 2=4-2. como uma disciplina abstrata. P®Q ~Q ~P 24 .: 2=1+1. Não há nenhuma relação com o mundo real. Frege observou que a forma gramatical não é igual à forma lógica. A FL está escondida na FG. ‘Onássis é europeu’ e ‘Todos os gregos são europeus’ têm a mesma forma gramatical. as frases são muito diferentes..

Frege criou a noção de argumento e função....ama --------função/expressão funcional < Aline. Henrique> é um par ordenado Para interpretar se a proposição é verdadeira. Conjunto: Extensional: Sócrates Platão Aristóteles .. ex.. Noção de Função: Indivíduo João S Pedro M Maria C Intensional: Filósofos gregos CPF 123456 543678 789654 Domínio (argumento) Função Contradomínio (valor) 25 . quando foi dito.: ‘João ama Maria’ Ajm -------. Aline ama Henrique e Aline odeia Henrique. Segundo ele é melhor que usar a noção de sujeito e predicado. quem é Henrique... do ponto de vista formal são idênticas... precisamos saber quem é Aline.

. A Þ B A ® B. 26 . ~B Þ ~A Semântica: A Ù V V V F F F F F ® V F V V B V F V F A V V F F B V F V F Simbolização: a) Se Kant escreveu CRP. « Sintaxe: Regra de Formação: A Ù B.C..B. então Kant é filósofo Kant escreveu a CRP Kant é filósofo P®Q P Q b) Chomsky é lingüista ou filósofo implica que Chomsky é um intelectual ( P Ú Q) ® R Cálculo de Predicados Léxico: Variáveis individuais: x. A « B Regra de Derivação: A ® B. . Nomes próprios: m. Conetivos Lógicos: ~.Cálculo Proposicional Léxico: Variáveis proposicionais: A.. A Ú B... Ú. y. ®. z.. A ® B.. ~A.. n. Sintaxe: Quantificadores: ("´) ( Fx ® Gx) ($´) ( Fx Ù Gx) Universal ("´) : Existencial ($´): Semântica: Fa é V em I se a designa um objeto na extensão de F em I. Ù.

Uma análise mais sofisticada permite explicar os fatos. sintaxe e semântica são partes de toda a teoria. Pode-se usar teorias já existentes para explicar novos fenômenos. mas em LN nem sempre isto é verdade. ‘João ama Maria’ Ajm predicado de dois argumentos João é filósofo. O que existe são várias interpretações. Teorias são especulativas. não tem conteúdo. Os fatos não são capturáveis.. Aristóteles criou a Lógica para ser aplicada na Linguagem Natural. Acl ® ~Sc Não há verdade. IntenCional está relacionado à intenção das pessoas. Pela gramática tradicional o sujeito é João e é dele que estamos falando. crenças. 27 .Exemplo: Todos os políticos são oportunistas FHC é político FHC é oportunista ("´) (R´®O´) Pfhc Ofhc Exemplo: Se Chomsky ataca Labov. Mais primitivo. Poderia ser 1 ou 0 Princípio da Bivalência: Toda proposição é V ou F Lógica é formal.. Nada acontece fora da teoria. Léxico. símbolos válidos como combinar os símbolos como interpretar os símbolos A Ù B = B Ù A. Visão extensional é mais observável.. Conjunto vazio: tem como propriedade ser vazia. Conjunto dos Valores de Verdade: V F Não tem nada a ver com a realidade. Fatos são fatos. Exemplo: Maria casou e teve filhos ¹ Maria teve filhos e casou. IntenSional relaciona-se à propriedade que permite identificar os elementos do conjunto. então ele não é sociolingüista. Arbitrárias. mas nada me impede de dizer que é dos filósofos que estamos falando. não é necessário construir uma teoria para cada fenômeno. A noção de conjunto é fundamental para compreender um estado de coisas. É abstrata.

Relações entre os módulos Sistema conceptual se expressa na linguagem.. (intenção. Isto fez com que ele desenvolvesse um formalismo específico para a Lingüística. Acredita que o Léxico é constituído de propriedades semânticas.. Linguagem é um meio de pensar Chomsky acha que a LN não é bem descrita pela Lógica.. crenças.. Não levam em conta o sujeito. conceptual e fonológico. Relevância: maior quantidade de informação com o menor custo de processamento. Para ele as palavras se mexem na LN Semântica Cognitiva: Jackendoff Sistema Fonológico Sistema Sintático Sistema Conceitual Regras de Correspondência Toda a questão é mapear os sistema sintático. Jackendoff é um chomskiano. Pragmática: Lógica: Gazdor Cognitiva: Sperber e Wilson Semântica lógica ou cognitiva que leve em conta o contexto. Linguagem e pensamento são diferentes.Existem argumentos válidos internamente e proposicionalmente Cálculo de Predicados Cálculo Proposicional Semântica Lógica aproxima o Cálculo de Predicados com o Cálculo Proposicional. São modelos de competência. (Pustejovski também) Semântica séria deve levar em conta a Sintaxe. mas formata de outra maneira.) é pragmática Sperber e Wilson: cérebro é controlado por leis onde a maior quantidade de informação deve ser obtida com o menor processamento. Para ele o cérebro é modular. 28 . para interpretar propriedades lógicas da Linguagem Natural.

mas são objetos naturais. 1947 – começa a graduação em Lingüística por influência de Z Harris/Harvard Dissertação de mestrado em 1951 Crítica ao Modelo Transformacionalista de Harris 1951 – MIT – Departamento de Línguas Modernas/Lab.. As Gramáticas Categoriais foram criadas por Bar-Hillel Um dos alunos de Jakobson 1 As línguas são construídas. Línguas são 29 . Era matemático. é Morris Halle que introduz Chomsky no MIT 1955 – Tese de doutorado sobre asão construídos. Goodman. Na década de 60 lançou os conceitos de competência e performance. 1 Objetos da Lingüística não Teoria Transformacional Recusa da publicação: obra sairá com o título LSLT em 1975 1 Linguagem é diferente de Língua. Publicações de Syntatic Structures – 1957 (aulas ministradas no MIT) 1 Linguagem é uma propriedade da natureza. Conviveu com as idéias de Quine ainda na sua graduação Bar-Hillel estudava tradução automática. Morris Halle.Quine.. Bar-Hillel. 1 Ser naturalista significa compromisso com a Física Artigo contra Skinner em 1959 “Lingüística não é a ciência das línguas. Eletrônica Influência de Jakobson.O pai: era lingüista – escreveu uma obra sobre Hebreu Formação política: luta contra o anti-semitismo O contexto político era desfavorável durante a sua juventude. mas a ciência do conhecimento que o 2 cérebro tem da linguagem” 2 O cérebro é a propriedade fundamental (Universal) da linguagem..

Saussure deu três cursos sobre Lingüística Geral entre 1906 e 1911. Os textos das conferências. psicológicos. somente alguns poucos artigos sobre história da lingüística. Após a sua tese de doutorado. voltou para Genebra e assumiu a cátedra de Sânscrito e Filologia Comparativa.. junto com outros materiais.. O texto definitivo foi publicado em 1916 como “Cours de Linguistique Gènèrale” um dos trabalhos mais citados na literatura lingüística deste século. sobre o Genitivo Absoluto em Sânscrito. Após apresentar a sua dissertação de doutorado em Leipzig em 1880. pois envolve aspectos políticos. Convidado pela Universidade de Genebra. durante o século XX. cujas idéias acerca da estrutura da linguagem cimentaram as bases para o progresso da lingüística e das ciências relacionadas. radicou-se em Paris e trabalhou como professor da Ècole des Hautes Etudes desde 1881 a 1891.. A língua é social e a fala individual. Escreveu “Memoire sur le systemè primitif des voyelles dans les langues indo-européennes” (1879). culturais. Uma língua não é só lingüística. 30 . nunca mais voltou a publicar outros livros. Anos mais tarde. foram compilados por dois dos seus alunos (Charles Bally e Albert Sechehaye).Ferdinand de Saussure (1857-1913): lingüista suiço.

sua metodologia baseou-se nas dicotomias (conceitos): Langue Sincronia Relações Sintagmáticas Significante X X X X Parole Diacronia Relações Paradigmáticas Significado Langue Sistema Psíquica Social Parole Realização Psicofísica Individual Língua X Fala: Língua Conjunto de signos1 Social Forma Sistema Fala Tudo que é particular Individual Substância Manifestação .Saussure estava construindo o objeto. 1 O signo lingüístico é uma entidade psíquica resultante da combinação de duas faces: conceito e imagem acústica 31 .

discípulo de Heráclito. Sofista e Fédon. 9ª ed. Noções de História da Filosofia. 1943. De volta à Grécia. FRANCA. C. Filho de família aristocrática e abastada. Por morte do mestre. ocorrida em 347. à Itália e à Sicília. que recebeu o nome de Academia. De então até a morte.Nasceu Platão em Atenas no ano de 427 a. 32 . sob o magistério de Crátilo. Leonel. de onde empreendeu uma série de viagens ao Egito. A forma dos escritos platônicos é o diálogo. passando mais tarde para a escola de Sócrates a quem ouviu por quase dez anos. retirou-se para Megara. que aborda questões referentes à linguagem há Crátilo. P. . Teeteto. entregou-se na juventude ao estudo das ciências. estabeleceu-se definitivamente em Atenas. ocupou-se exclusivamente em ensinar e escrever. O mais conhecido é a República. abrindo sua escola. São Paulo Nacional.

nasceu em Stagira na Grécia e suas obras em ciências natural e social.Aristóteles (384 – 322 a C). Suas principais obras foram Organon (tratados de Lógica). Poetics. um dos maiores pensadores de todos os tempos. Rhetoric. influenciaram. History of Animals. 33 . todas as áreas do pensamento moderno. virtualmente. De Anima (sobre Psicologia) e Constitutio of Athens. Metaphysics.

o filósofo germânico Alsted usou o termo Gramática Geral para diferenciar de Gramática Especial. que pertencem a todas as línguas humanas. Princípio: de que todas as línguas têm sujeito – Parâmetro: algumas línguas não explicitam o sujeito) A restrições que caracterizam a GU determinam que o ser humano desenvolva um número X de gramáticas e não X+1. sujeito e predicado. cujos princípios caracterizam todas as línguas humanas. Robert Kilwarby defendia a idéia de que os lingüistas deveriam preocupar-se com a natureza da linguagem em geral. Por volta de 1300. A aquisição é determinada pela GU que é uma propriedade inata. 34 . O grande objetivo da teoria lingüística é descobrir a natureza desta GU. É um programa formal. Segundo John Fell (1784). Por vários motivos a GU no sentido tradicional foi desprezada no decorrer do século XIX. Ex. Estas leis pertencem a todas as línguas humanas. Por exemplo. e não fazer. no módulo específico da linguagem. Estas leis. Para Chomsky a linguagem é independente de estímulo. para explicar a aquisição da linguagem. esta gramática permite que a partir de um número finito de estruturas sejam gerados infinitas estruturas. Pode ser enunciada como um sistema de princípios que caracterizam as classes das possíveis gramáticas.. Acreditava que a GG era o modelo de toda a gramática particular. representam as propriedades universais da linguagem: Gramática Universal.. Distingue os homens das máquinas. Chomsky viu que existe uma GU que é parte da faculdade biológica do ser humano. A versão de Chomsky de GU tem os mesmos pressupostos que as versões anteriores têm a respeito da universalidade da lógica e sobre a interdependência da linguagem e do pensamento. Ela foi revivificada nos últimos 20 anos por Chomsky. (Os princípios são mais universais e os parâmetros são as formas pelas quais os princípios aparecem nas línguas. GU contém as propriedades universais da linguagem. como as diferentes regras destes princípios são construídas. A GU é uma hipótese formulada por Chomsky. como elas interagem. Por seu aspecto “ criativo” . É um conjunto de princípios e parâmetros. É de natureza sintática. Caracteriza-se por um conjunto de restrições no cérebro. Em 1630.Gramática Universal (GU): Conjunto de restrições no cérebro para aquisição da linguagem... Propriedade da criatividade. as leis de uma língua. o objetivo de uma gramática é descobrir. pela especulação de como gramáticas particulares são organizadas (quais são os componentes e suas relações). não de regras.

sintaxe e semântica. Ninguém as ensina estas regras. está determinada pela Gramática Universal 35 . para Chomsky. isto é.Aquisição da Linguagem: Quando as crianças aprendem uma língua. elas aprendem a gramática desta língua. A aquisição da linguagem. regras de fonologia. morfologia. bem como as palavras ou vocabulário.

Platão e os Estóicos. amantes da exceção e a tradição de Aristóteles e dos filologistas alexandrinos. Os anomalistas eram filósofos. como os analogistas. e não lingüistas práticos. amantes das regularidades. analogistas. anomalistas. o entre linguagem e lógica. a relação entre linguagem e pensamento. 36 .Duas tradições: analogismo e anomalismo A tradição desenvolvida por Heráclito. A linguagem para eles era um produto da natureza . a noção de signo e como a linguagem pode ser considerada como um sistema de signos. A função semântica da linguagem era primordial e superior. governada por um sistema subjacente que explica tudo. Detrás da estrutura superficial de cada sentença há uma estrutura semântica refletindo o pensamento expresso pela sentença em questão. A ausência de demandas práticas habilitava-os a engajarem-se em argumentos puramente teóricos sobre a natureza da linguagem. a origem da linguagem como parte da natureza humana. A diferença entre as duas escolas era profunda. O termo ' analogia' era usado em particular para as regularidades expressas nos paradigmas morfológicos.

Pouco a pouco os lingüistas interessam-se pela lógica. Skinner . em seguida. Depois da Segunda Guerra Mundial. Chomsky -1965. Curso de Lingüística Geral.em Aspects of Theory of Syntax. conta com uma concepção deSaussure. na sua Nova classificação das ciências . Geograficamente. separação entre. é contemporâneo de um crescimento sem precedente das universidades e de uma especialização extrema das pesquisas. As regras de gramática são semelhantes às regras de reescrita das línguas formais. publicado em 1916 pelos alunos de Saussure. estas são objetos de transformações (estruturas de superfície). em 1944. da qual a lingüística é a parte mais avançada. Eles popularizaram a concepção ternária clássica do signo como relação de um som com um pensamento (um conceito) e uma referência externa. notadamente de Mathesius.publica um artigo que põe em jogo o caráter quimérico da tradução automática. na Segunda metade do século.” Bloomfield. segundo a qual a sociologia compreenderia uma disciplina. assim como pela teoria da informação. Círculo Lingüístico de Praga. ele é marcado pela hegemonia americana. Seus trabalhos. A gramática é concebida como um conjunto de componentes algorítmicos que engendra as frase da língua. Bar-Hillel – 1960. juntamente com os de Z. dominado sociologicamente pela gramática gerativa. escreveu “A concepção semântica da verdade e os fundamentos da semântica” Chomsky –1957. Ogden & Richards. definem o que se chama “estruturalismo americano”. começa um movimento de matematização da gramática das línguas naturais que tenta situá-la em um domínio vizinho daquele da teoria das linguagens formais. Harris. publicaram uma vasta síntese sobre a natureza do signo lingüístico. as ciências da natureza resultam do primeiro procedimento e as ciências humanas do segundo. à construção de máquinas gerais para tratar a informação (computadores).1957 -desenvolve uma teoria behaviorista sofisticada da linguagem (Verbal Behavior) Em 1959. Trubetzkoy e Karcevski. a partir de notas de aulas proferidas em Genebra. O componente sintático é o primeiro e autônomo em relação ao componente semântico. em 1901. Becker. propõe uma versão mais sistemática de sua teoria: introdução da noção de competência e performance. de um 37 .em Syntatic Struture retoma a idéia de uma teoria gramatical baseada na geração das frases conforme um duplo processo: de início são engendradas estruturas de base ( estrutura profunda) e. em 1933. Jakobson. W. a semiologia. Tarski. escreveu A Linguagem. Os trabalhos nesse domínio não serão abandonados totalmente. No meio dos anos 30.O século XX caracteriza-se pelo desenvolvimento dos sistemas lógicos que conduz. em 1923.1929 publicação das teses. começa a se construir a teoria das linguagens formais. Russel: em 1901 descobre antinomias no sistema de Frege (paradoxo do conjunto de todos os conjuntos que deve e não deve ser incluído nele mesmo) Naville. Chomsky contesta a idéia de que o desenvolvimento lingüístico da criança depende de estímulos externos e defende uma posição inatista. sem se ter em vista o sistema ao qual ele pertence. Esse movimento. abandono das transformações generalizadas em favor das estruturas de frase. mas reorientados em direção à tradução por computador. “Não se pode compreender nenhum fato de língua. Dilthey: em O Nascimento da Hermenêutica (1900) propõe distinguir entre a explicação e a compreensão.

Em Deep structure. de outro lado. Em seu artigo Remarks on Nomonalization. mas entra diretamente como um nome na estrutura profunda. surface structure and semantic interpretation (1971) e Conditions on transformations (1973) formulam-se um certo número de novos elementos: aplicação cega das regras de transformação sem consideração das relações gramaticais ou semânticas. Ele defende que as considerações semânticas não desempenham nenhum papel na escolha da estrutura-sintática ou fonológica de uma língua. Labov. admitindo a hipótese de que todas funcionam do mesmo modo: um núcleo (X=cachorro). cujo conjunto constitui a teoria da regência e da ligação que se designa por vezes.em um artigo “Pragmatics” expõe uma teoria formal das expressões indexais que ele desenvolverá em 1970 em um outro artigo “Pragmatics and Intensional Logic” Montague – 1970 . onde alpha pode ser qualquer categoria). Chomsky -1979. diferentes modificações da teoria-padrão conduzirão à teoria padrão estendida.durante conferências em Pisa. extremamente abstrato. as regras lexicais e as subcategorizações e. contém toda a informação semântica. teoria dos papéis-teta ( estabelece as funções da tematização). mais geralmente. Chomsky –1967. há uma só estrutura de base para todos os derivados morfológicos.em The Language of Thought.Depois da publicação de Aspects. apresenta um estudo empírico das relações entre a estrutura social e a variação lingüística. alguns desenvolvimentos do modelo gerativo se distanciam das proposições de Chomsky. pela expressão princípios e parâmetros. Essas teorias permitem formular o 38 . ao qual se pode juntar um especificador ( X”=SX=o cachorro) e um complemento (X’’’=SXC= o cachorro preto)). introduz novos conceitos. defende a existência de um “mentalês”. principalmente. Esse modelo é chamado modelo padrão. as regras semânticas (componente interpretativo da gramática) aplicam-se sobre a estrutura profunda e a estrutura de superfície.1972. adota a hipótese lexicalista que fornece uma dimensão mais concreta à estrutura profunda: em uma expressão como “a partida”. algumas propriedades da linguagem são tomadas por princípios muito gerais: as restrições que não têm a forma das regras de reescrita (por exemplo: "nenhum sintagma nominal ramificado à esquerda sob um outro sintagma nominal pode ser extraído deste último"). defende que não há diferença teórica importante entre uma linguagem formal e uma linguagem natural. teoria da regência ( estabelece a relação entre o núcleo de um sintagma e as categorias que dependem dele). “partida”não é mais derivado de um verbo. as regras relativas às estruturas de frase. Montague -1968. A inserção dos elementos lexicais é posterior. Em resposta à semântica gerativa.em um artigo intitulado “English as a Formal Language”. Fodor – 1975. A gramática é composta de módulos que interagem e provêm de diferentes teorias: teoria da ligação(estabelece os domínios de validade das regras de movimento) . desenvolvem a “semântica gerativa”: o nível da estrutura profunda. teoria X-barra (define as restrições das categorias de base da gramática como o substantivo ou a frase. entre a estrutura de superfície e a representação semântica toma lugar um novo componente: a forma lógica. Seus alunos Ross e Lakoff. os elementos deslocados deixam "traços". teoria dos casos (atribui casos abstratos e estuda sua realização morfológica).lado. as regras de transformação são substituídas por uma regra geral de deslocamento dos elementos da estrutura profunda ("move alpha". linguagem inata do pensamento que estaria para as línguas naturais assim como a linguagem-máquina está para as linguagens de programação.em seus Sociolinguistics patterns.

que é aplicado nas diferentes línguas em função de parâmetros específicos.Relevance Chomsky -1993.princípio da gramática universal. 39 . Sperber e Wilson –1986. defende que o único papel da sintaxe é verificar a compatibilidade morfológica dos constituintes da proposição.em um artigo “A minimalist program for linguist theory”.

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