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Ceticismo

Ceticismo é uma corrente filosófica da Antiguidade que rejeita o conhecimento de qualquer


verdade.

O que é (definição / conceito)


 
O ceticismo é um corrente de pensamento filosófico que defende a ideia da impossibilidade do
conhecimento de qualquer verdade. Criado na Grécia Antiga por Pirro de Élis (filósofo grego), esta
filosofia rejeita qualquer tipo de dogma (afirmação considerada verdadeira sem comprovação).
 
Características: as principais ideias e crenças
 
De acordo com os céticos, todo conhecimento é relativo, pois depende da realidade da pessoa que o possui
e das condições do objeto que está sendo analisado. Como a cultura (regras, leis, costumes, visões e
mundo, crenças) muda em cada período histórico, os defensores do ceticismo acreditam ser impossível
estabelecer o que é real e irreal ou correto e incorreto.
 
Logo, os céticos defendem a ideia de assumir uma postura de neutralidade em todas as questões, não
fazendo julgamentos. Assim, o cético defende a indiferença total.
 
Filósofos céticos da Antiguidade (exemplos):
 
- Pirro de Élis (filósofo grego do século III a.C.)
 
- Carneádes de Cirene (filósofo grego do século II a.C.)
 
- Enesidemo (filósofo grego do século I a.C.)
 
- Sexto Empírico (filósofo grego do século II)

Ceticismo filosófico e científico


O ceticismo (ou cepticismo) divide-se em duas correntes, a filosófica e a científica.

Ceticismo filosófico
Muitos estudiosos da filosofia identificam o prenúncio do ceticismo entre os sofistas, na
época clássica da filosofia grega, em especial com as proposições de Górgias de
Leontinos (485-380 a.C.), com sua radical negação do ser.

Na era helenística, a corrente filosófica cética delimitou-se, iniciando-se com Pirro de


Élis (365-270 a.C.) e recebendo sua sistematização com Tímon (360-230 a.C.).

Em linhas gerais, o ceticismo caracterizou-se pela desconfiança em relação a conhecimentos


presumivelmente universais, questionando a ambição, prevalecente no interior da filosofia, de
revelar a essência da realidade e de fornecer um universo de valores definitivos para a
humanidade.
Para o ceticismo, a razão não supera o campo instável dos fenômenos que nos envolvem, não
atinge princípios explicativos situados além da experiência, a natureza estável, o ser das
coisas. A postura cética descarta, assim, sistemas filosóficos como o platonismo, o
aristotelismo, o epicurismo e o estoicismo – as diferentes teses filosóficas cujo ponto em
comum é a apresentação de supostas verdades universais.

Sob o prisma cético, não existem motivos que justifiquem o assentimento à teoria das ideias
de Platão, à metafísica de Aristóteles, à física epicurista ou à ética estoica, para citar alguns
dos muitos exemplos possíveis. Os céticos, enfim, consideram dogmáticas todas as
explicações filosóficas que pretendem apresentar certezas, verdades inquestionáveis sobre o
mundo.

A tese cética de que não há verdade incide, porém, em uma contradição. Afinal, de acordo


com os críticos da perspectiva cética, declarar a inexistência da verdade significa,
paradoxalmente, atestar que, pelo menos, uma verdade existe: é verdadeira a não existência
da verdade.

Perante essa objeção, a escola de pensamento cética reelaborou sua concepção, definindo-a
nos seguintes termos: é possível elaborar hipóteses diferentes e contrárias acerca da realidade,
mas jamais se tem critérios válidos para atestar a verdade ou a falsidade de uma ou outra
afirmação, ou seja, não é legítimo dizer que uma proposição seja verdadeira, tampouco é
plausível dizer que seja falsa.

Essa postura cética referente ao conhecimento desdobra-se em apreciações éticas sobre o


modo como se deve viver. Para o ceticismo, as inquietações, ansiedades e angústias têm suas
raízes precisamente nas aspirações às verdades definitivas e universais.

Sendo assim, é imprescindível renunciar à busca de certezas, que nunca são alcançadas, e


aceitar a simples realidade dos fenômenos que nos cercam. Em sentido prático, trata-se do
entendimento de que os indivíduos devem se ajustar à cultura, aos hábitos, valores e costumes
vigentes em sua sociedade, organizando suas vidas de acordo com as exigências da
experiência social.

Ceticismo científico
O ceticismo científico tem relação com ceticismo filosófico, mas eles não são idênticos.
Muitos cientistas e doutores que são céticos quanto às demonstrações paranormais não são
adeptos do ceticismo filosófico clássico. Quando críticos de controvérsias científicas ou
paranormalidades são ditos céticos, isto se refere apenas à postura cética científica adotada.

O termo cético é usado atualmente para se referir a uma pessoa que tem uma posição
crítica em determinada situação, geralmente por empregar princípios do pensamento crítico e
métodos científicos (ou seja, ceticismo científico) para verificar a validade de ideias. Os
céticos veem a evidência empírica como importante, já que ela provê provavelmente o
melhor modo de se determinar a validade de uma ideia.

Apesar de o ceticismo envolver o uso do método científico e do pensamento crítico, isto não
necessariamente significa que os céticos usem estas ferramentas constantemente ou
simplesmente achem que existe evidência de sua crença.
Os céticos são frequentemente confundidos com, ou até mesmo apontados como, cínicos.
Porém, o criticismo cético válido (em oposição a arbitrárias ou subjetivas dúvidas sobre uma
ideia) origina-se de um objetivo e metodológico exame que geralmente é consenso entre os
céticos. Note também que o cinismo é geralmente tido como um ponto de vista que mantém
uma atitude negativa desnecessária acerca dos motivos humanos e da sinceridade. Apesar de
as duas posições não serem exclusivas mutuamente e céticos também poderem ser cínicos,
cada um deles representa uma afirmação fundamentalmente diferente sobre a natureza do
mundo.

Os céticos científicos constantemente recebem também, acusações de terem a “mente


fechada” ou de inibirem o progresso científico devido a suas exigências de evidências
materiais. Contudo, tais críticas são, em sua maioria, provenientes de adeptos de disciplinas
denominadas pseudociência, paranormalidade e espiritualismo, cujas visões não são adotadas
ou suportadas pela ciência convencional. Segundo Carl Sagan, cético e astrônomo, “você
deve manter sua mente aberta, mas não tão aberta que o cérebro caia”.

Um debunker é um cético que combate ideias falsas e não-científicas. Alguns dos mais
famosos são: James Randi, Basava Premanand, Penn e Teller e Harry Houdini. Muitos
debunkers se tornam controversos, porque eles costumam exprimir opiniões contundentes e
tendem a comentar sobre assuntos que possuem o potencial de ofender valores pessoais,
como religião e crenças em geral.

Críticos dos debunkers dizem que suas conclusões estão cheias de interesse próprio e que são
cruzados e crentes com uma necessidade de certeza e estabilidade. Entretanto, chamados por
eles a comprovar cientificamente suas teorias e alegações, a grande maioria dos críticos os
evita.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

Ceticismo é uma corrente filosófica fundada pelo filósofo grego Pirro (318-272
a.C.), caracterizada, essencialmente, por duvidar de todos os fenômenos que
rodeiam o ser humano.

O que é?
A palavra ceticismo vem do grego “sképsis” que significa “exame, investigação”.

Atualmente, a palavra designa aquelas pessoas que duvidam de tudo e não


acreditam em nada.

Podemos afirmar que o ceticismo:

 defende que a felicidade consiste em não julgar coisa alguma;


 mantém uma postura de neutral em todas as questões;
 questiona tudo o que lhe é apresentado;
 não admite a existência de dogmas, fenômenos religiosos ou metafísicos.
Portanto, se estivermos dispostos a aceitá-lo, alcançaremos a afasia, que consiste
em não emitir opiniões sobre qualquer tema.

Em seguida, entramos no estado de ataraxia (despreocupação) e somente assim,


poderemos viver a felicidade.

Origem
Pirro de Élida era um filósofo que acompanhou o rei Alexandre, o Grande em suas
expedições pelo Oriente.

Nesta viagem, ele encontra várias culturas e sistemas políticos muito diferentes dos
costumes gregos. Por isso, começa a duvidar porque observa que aquilo que era
justo numa sociedade era injusto em outra.

Assim ele vai declarar que viver bem, para os céticos, é viver sem emitir juízos ou
seja na “epoché”.

Como muitos filósofos de sua época, Pirro não deixou nenhum escrito e não
fundou nenhuma escola. As informações que dispomos sobre seu pensamento são
encontradas em fragmentos de obras daqueles que eram considerados discípulos do
filósofo.

Ceticismo Filosófico
O ceticismo filosófico de Pirro teve origem no helenismo e se expandiu como a
“Nova Academia”. No século XVIII essa ideia seria em parte recuperada pelos
filósofos Montaigne e David Hume.

O texto de Arístocles (séc. II), reproduzido na obra “Preparação Evangélica”, de


Eusébio de Cesareia (265?- 339) resume este princípio filosófico:

Aquele que quiser ser feliz deve considerar três pontos: em primeiro lugar, o que
são as coisas em si mesmas? Depois, que disposições devemos ter em relação a
elas? Por fim, o que nos resultará dessas disposições?

As coisas não têm diferença entre si, e são igualmente incertas e indiscerníveis.
Por isso, nossas sensações e nossos juízos não nos ensinam o verdadeiro nem o
falso.

Por conseguinte, não devemos nos fiar nos sentimentos nem na razão, mas
permanecer sem opinião, sem nos inclinarmos para um lado ou para o outro,
impassíveis.

Crítica
No entanto, se seguimos o ceticismo ao pé da letra, teríamos que duvidar do
próprio ceticismo. Ao mesmo tempo, não poderíamos emitir nenhuma opinião
sobre o ceticismo. Será que é possível negar tudo que está a nossa volta? Se
negarmos tudo, negaremos a própria negação e a dúvida que nos fez questionar o
objeto.

Desta maneira, em algo devemos acreditar, ainda que tenhamos que contestar as
verdades que nos rodeiam. A tirinha de Luís Fernando Veríssimo expõe bem este
dilema:

Ceticismo e Dogmatismo
O ceticismo e o dogmatismo são duas correntes filosófica opostas.

O ceticismo questiona tudo e reconhece na dúvida a única atitude do sábio. Para o


cético, a renúncia a qualquer certeza é condição para a felicidade.

Por sua vez, o dogmatismo é fundamentado:

 na verdade absoluta;
 na capacidade do homem de obter a verdade sem questionamento;
 aceitar sem discussão o que afirmam ou alegam.

Por isso, o dogmatismo é aceitar como verdade de tudo que existe e está em sua
volta como nos diz a percepção natural humana.

Despertar do sono dogmático

Odiado por alguns, o cético é como a abelha que aferroa o boi do conhecimento, retirando-o
da mesmice das ideias prontas e acabadas, nos provocando, por meio da dúvida, a
investigar a fundo os pressupostos de nossas crenças; ou, como diria Kant, o cético é
aquele que nos desperta do nosso sono dogmático para lembrar-nos que pensar não é um
fim, mas uma atividade.... - Veja mais em
https://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/ceticismo-deve-se-duvidar-de-tudo.htm?
cmpid=copiaecola

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